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DIREITO PROCESSUAL PENAL

INQUÉRITO POLICIAL

Inquérito Policial

RICARDO S. TORQUES

Inquérito policial é procedimento administrativo inquisitório e preparatório, consistente em um conjunto de diligências, realizadas pela polícia investigativa, para apuração da infração penal e de sua autoria, presidido pela autoridade policial, a fim de fornecer elementos de informação para que o titular da ação penal possa ingressar em juízo.

O termo circunstanciado não possui as mesmas formalidades do inquérito. Aquele será

utilizado para as infrações de menor potencial ofensivo, que compreende as contravenções e os crimes cuja pena máxima não seja superior a 2 anos, ainda que cumulada ou não com multa, bem como sujeito ou não a procedimento especial.

A natureza jurídica do inquérito policial é de procedimento administrativo. Portanto, eventuais vícios existentes no inquérito não afetam a ação penal a que deu origem. Por exemplo, no caso

de prisão em flagrante, deixando de comunicar a prisão ao juiz. A consequência é a ilegalidade

da prisão, que ficará sujeita a habeas corpus, entretanto, tal fato não afetará o processo futuramente.

A presidência do inquérito policial fica a cargo da autoridade policial, que exerce a função de polícia judiciária. Geralmente, a autoridade policial é determinada pelo local da consumação do delito. Evidentemente, que em cidades maiores existem delegacias especializadas.

Parte da doutrina diferencia polícia judiciária de polícia investigativa. É a mesma polícia, em regra, mas que executa funções distintas. A primeira é a polícia que auxilia o Poder Judiciário no cumprimento de suas ordens. Por exemplo, cumprimento de ordem de busca e apreensão, determinada pelo Poder Judiciário. A segunda é a polícia quando atua na apuração de infrações penais e de sua autoria. Esta distinção inclusive é perceptível na própria CRFB:

Art. 144, § 1º, I, da CRFB: “A polícia federal, instituída por lei como órgão permanente, organizado e mantido pela União e estruturado em carreira, destina-se a: I - apurar infrações

penais contra a ordem política e social ou em detrimento de bens, serviços e interesses da União

ou de suas entidades autárquicas e empresas públicas, assim como outras infrações cuja prática

tenha repercussão interestadual ou internacional e exija repressão uniforme, segundo se dispuser

em lei; [

];

IV - exercer, com exclusividade, as funções de polícia judiciária da União”.

Atribuição da polícia investigativa

Será definido pela competência.

No caso de crime de competência da JUSTIÇA MILITAR DA UNIÃO, a investigação do delito ficará a cargo das FORÇAS ARMADAS, por meio do inquérito policial militar (IPM). Nesse caso, há um oficial das forças armadas que será designado como encarregado pela condução do inquérito.

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Se o crime for de COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA MILITAR ESTADUAL, a investigação ficará a cargo da própria POLÍCIA MILITAR (IPM).

Se o crime for de COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA FEDERAL ou, também, da JUSTIÇA ELEITORAL, a investigação ficará a cargo da polícia federal.

Finalmente, se um crime for de competência da justiça estadual, a investigação fica a cargo da polícia civil.

Há uma ressalva, pois a polícia federal, também, pode investigar delitos de competência estadual. As atribuições da polícia federal é mais ampla que a competência da justiça estadual. Não há correlação exata entre a competência judicial estadual e federal, com a competência das polícias federal e estadual.

Vejamos o art. 144, §1º, da CRFB: § 1º A polícia federal, instituída por lei como órgão permanente, organizado e mantido pela União e estruturado em carreira, destina-se a: I - apurar infrações penais contra a ordem política e social ou em detrimento de bens, serviços e interesses da União ou de suas entidades autárquicas e empresas públicas [até aqui a competência é da Justiça Federal], assim como outras infrações cuja prática tenha repercussão interestadual ou internacional e exija repressão uniforme, segundo se dispuser em lei [nessa parte, podem ter crimes que sejam julgados pela Justiça Estadual];

Vale a pena mencionar, ainda, a Lei nº 10.446/02, que traz crimes de competência da justiça federal, que tem repercussão interestadual ou internacional. A polícia federal vai investigar, sem prejuízo da investigação da polícia civil.

Art. 1º, da referida lei: “Na forma do inciso I do § 1o do art. 144 da Constituição, quando houver repercussão interestadual ou internacional que exija repressão uniforme, poderá o Departamento de Polícia Federal do Ministério da Justiça, sem prejuízo da responsabilidade dos órgãos de segurança pública arrolados no art. 144 da Constituição Federal, em especial das Polícias Militares e Civis dos Estados, proceder à investigação, dentre outras, das seguintes infrações penais: I seqüestro, cárcere privado e extorsão mediante seqüestro (arts. 148 e 159 do Código Penal), se o agente foi impelido por motivação política ou quando praticado em razão da função pública exercida pela vítima; II formação de cartel (incisos I, a, II, III e VII do art. 4o da Lei no 8.137, de 27 de dezembro de 1990); e III relativas à violação a direitos humanos, que a República Federativa do Brasil se comprometeu a reprimir em decorrência de tratados internacionais de que seja parte; e IV furto, roubo ou receptação de cargas, inclusive bens e valores, transportadas em operação interestadual ou internacional, quando houver indícios da atuação de quadrilha ou bando em mais de um Estado da Federação. Parágrafo único. Atendidos os pressupostos do caput, o Departamento de Polícia Federal procederá à apuração de outros casos, desde que tal providência seja autorizada ou determinada pelo Ministro de Estado da Justiça.

Características do inquérito policial

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1) PEÇA ESCRITA

É o que dispõe o art. 9º, CPP.

O CPP sofreu alteração recente presente no art. 405, §1º, que traz a possibilidade do registro dos depoimentos serem feito por meio de recursos magnéticos de gravação, estenotipia ou meio audiovisual. Em vista disso, há autores que afirmam a possibilidade do inquérito se valer de tais recursos.

2) INSTRUMENTAL

Em regra, o inquérito é instrumento utilizado pelo Estado para colher elementos de informação quanto à autoria e materialidade do crime.

3) OBRIGATÓRIO

Havendo um mínimo de elementos o delegado deve instaurar o inquérito. Tal característica refere-se ao delegado.

Caso a vítima faça requerimento para o delegado e este indeferir tal requerimento é cabível recurso para o chefe de polícia, hoje, sendo o secretário de segurança pública ou o delegado geral. No âmbito da polícia federal o chefe de polícia seria o superintendente da polícia federal do Estado (art. 4º, CPP).

4) DISPENSÁVEL

Se o titular da ação penal contar com peças de informação com prova do crime e de sua autoria, poderá dispensar o inquérito policial. Em regra, nos crimes tributários, o Fisco traz todas as informações necessárias para a promoção da ação penal, assim como nos crimes previdenciários.

Essa característica decorre do art. 27, do CPP.

5) SIGILOSO

Decorre do art. 20, do CPP. Apesar do sigilo tem acesso aos autos:

juiz;

Ministério Público e

advogado

A própria CRFB, no art. 5º, LXIII, ela nos diz que o preso será informado dos seus direitos sendo assegurado a assistência da família e do advogado. Para tal assistência será necessário o acesso aos autos de inquérito policial. Além disso, o Estatuto da OAB, no art. 7º, XIV, também assegura ao advogado o acesso aos autos do inquérito, ainda que sem procuração. Esse acesso é amplo e irrestrito? A jurisprudência entende que o advogado terá acesso às informações já introduzidas no inquérito, mas não em relação às diligências em andamento (HC nº 82.354 e HC nº 90.232, ambo do STF).

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Caso haja quebra de dados sigilosos a procuração é necessária para que o advogado possa ter acesso aos autos. Qual o remédio jurídico exato para se ter acesso aos autos, quando negado pela autoridade policial?

Se você entrar como advogado o ideal é que se faça por intermédio de mandado de segurança, pois há violação do direito líquido e certo ao acesso aos autos. Caso você entre como réu, representando interesses do cliente, pode-se entrar com o habeas corpus. Para o STF, sempre que puder resultar, ainda que de modo potencial, prejuízo à liberdade de locomoção, será cabível habeas corpus.

5) PEÇA INQUISITORIAL

Não há contraditório nem ampla defesa. Hoje, isso vem sendo mitigado, principalmente nos meios acadêmicos, mas, para concurso, não há contraditório e ampla defesa.

Essa característica está consubstanciada no art. 316, §1º, do CPP. Se tivesse ampla defesa, teria que haver advogado presenta no momento da lavratura do auto de prisão em flagrante, e não apenas a mera remessa posterior.

6) INFORMATIVO

Visa a colheita de elementos de informação quanto à autoria e materialidade da infração penal.

Nesse ponto, é interessante diferenciar elementos de informação de prova, hoje trabalha pela doutrina e pelo CPP.

Elementos de informação

Prova

Colhidos na fase investigatória.

Colhidos na fase judicial.

Inexistência de contraditório e ampla defesa, de caráter inquisitivo.

Sistema acusatório, devendo ser observado o contraditório e ampla defesa.

Prestam-se para a decretação de medidas cautelares e para a formação da opinio delicti.

 

Qual o valor probatório dos elementos de informação? De acordo com o art. 155, do CPP, o juiz não pode fundamentar a decisão exclusivamente nos elementos informativos colhidos na investigação, ressalvada as provas cautelares, não repetíveis e antecipadas.

 

Elementos informativos não podem fundamentar uma condenação, pois não

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foram

produzidos

sob

o

crivo

do

contraditório e

da

ampla

defesa

(para

defensorias públicas).

 

Elementos informativos isoladamente considerados não podem fundamentar uma condenação. Porém, não devem ser ignorados pelo juiz, podendo se somar à prova produzida em juízo, servindo como mais um elemento na formação de sua convicção (para delegado, MP e magistratura). Esse é o entendimento no RE nº 287.658 e no RE/AGR nº 425.734, ambos do STF).

7) INDISPONÍVEL

Delegado não pode arquivar inquérito policial, conforme o art. 17, do CPP.

8) DICRICIONARIEDADE

Em relação às diligências o inquérito policial é discricionário. O delegado na condução do inquérito policial não fica vinculado toda e qualquer diligência, ele poderá escolher as mais oportunas e convenientes, de acordo com o art. 14, do CPP.

Provas cautelares não repetíveis e antecipadas

Provas cautelares são aquelas em que existe um risco de desaparecimento do objeto pelo decurso do tempo, por exemplo, interceptação telefônica e busca e apreensão. Nessas provas cautelares o contraditório é diferido.

Provas não repetíveis são aquelas colhidas na fase investigatória por que não podem ser produzidas novamente na fase processual, por exemplo, exame de corpo de delito em local de crime. Aqui também o contraditório é diferido, ou seja, durante o processo judicial ele deverá fazer contraprova.

Provas antecipadas são aquelas que em virtude de sua relevância e urgência são produzidas antes de seu momento processual oportuno e até ante do início do processo, porém, com a observância do contraditório real, por exemplo, tomada antecipada de depoimento ad perpetuam rei memorium (art. 225, do CPP).

Formas de instauração do inquérito

No caso de ação penal privadas APPRI , a instauração do inquérito fica sujeito a requerimento do ofendida ou de representação legal.

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No caso de ação penal pública condicionada APPC , a instauração do inquérito depende ou da representação do ofendido ou de requisição do Ministro de Justiça.

No caso de ação penal pública incondicionada APPI ,, a instauração do inquérito poderá ser:

1. de ofício, por meio de portaria;

2. requisição do juiz ou do Ministério Público MP. Doutrina entende que essa requisição do juiz viola o princípio da imparcialidade;

Promotor que requisita a instauração de inquérito, obriga o delegado?

1ª resposta (para prova de juiz e promotor): requisição é sinônimo de ordem, portanto, o delegado está obrigado a atendê-la.

2ª resposta (para prova de delegado): requisição não pode ser entendida como uma ordem, pois não há hierarquia entre MP e delegado. O delegado atende a requisição em virtude do princípio da obrigatoriedade da ação penal pública.

3. requerimento do ofendido;

4. auto de prisão e flagrante APF (também é possível na APPRI e APPC) e

5. notícia oferecida por qualquer do povo delatio criminis. Hoje fala-se em delatio criminis inqualificada (ou denúncia anônima). Neste caso, antes de instaurar o inquérito policial deve a autoridade policial verificar a procedência das informações, conforme HC nº 64.0396, do STJ, e HC nº 84.827, do STF.

Autoridade coatora para fins de habeas corpus

A depender de como foi iniciado o inquérito sabe-se qual a autoridade coatora par fins de habeas corpus.

Caso o delegado seja a autoridade coatora o habeas corpus será julgado pelo juiz de primeiro grau. Ele sempre será a autoridade coatora nos casos de requerimento, representação e requisição do Ministro de Justiça. A única que foge a regra é requisição do juiz e do MP ou no caso de APF. Quando o delegado instaura o inquérito por requisição do MP, a autoridade coatora será o MP, pertencendo a competência para julgar o habeas corpus ao TJ ou TRF. No caso da AFP, há dois momentos. Numa primeira fase, administrativa, quando o policial militar conduz o preso até a delegacia da polícia civil, para lavrar o APF. Nesta fase, o delegado é a autoridade coatora, tendo competência julgamento do habeas corpus o juiz de primeira instância. Numa segunda fase o APF se judicializa, quando é feita a comunicação ao juiz. Neste caso o juiz tornou-se a autoridade coatora, devendo ser encaminhado o habeas corpus ao TJ ou ao TRF.

Notitia criminis

Notitia criminis é o conhecimento pela autoridade, espontâneo ou provocado, de um fato delituoso.

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Espécies:

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de cognição imediata (espontânea) a autoridade policial toma conhecimento do fato, por meio de suas atividade rotineiras.

de cognição mediata (provocada) a autoridade policial toma conhecimento do fato, por meio de expediente escrito (requerimento da vítima, representação do ofendido, notícia por qualquer do povo, requisição do Ministro de Justiça e requisição do promotor)

de cognição coercitiva a autoridade policial toma conhecimento do fato pela apresentação do indivíduo preso em flagrante.

Diligências investigatórias

Estão no art. 6º, do CPP:

Art. 6º Logo que tiver conhecimento da prática da infração penal, a autoridade policial deverá:

I - dirigir-se ao local, providenciando para que não se alterem o estado e conservação das coisas, até a chegada dos peritos criminais; [Deve o delegado preservar os vestígios deixados pela infração penal, ou seja, corpo de delito] [Embora o CPP fale em peritos, basta um único perito] [Há uma exceção, no caso de acidente de trânsito com vítima, é possível a remoção de pessoas e coisas para não prejudicar o fluxo, conforme o art. 1º, da Lei nº 5.970/63]

II - apreender os objetos que tiverem relação com o fato, após liberados pelos peritos criminais [Visa à futura exibição do objeto, ou para a necessidade de contraprova, ou, em eventual perda em favor União, como efeito da condenação, como, por exemplo, confisco];

III - colher todas as provas que servirem para o esclarecimento do fato e suas circunstâncias;

IV - ouvir o ofendido [É possível determinar a condução coercitiva da vítima para ser ouvida? Sim, porque o inquérito possui natureza inquisitorial];

V - ouvir o indiciado, com observância, no que for aplicável, do disposto no Capítulo III do Título

Vll, deste Livro, devendo o respectivo termo ser assinado por duas testemunhas que Ihe tenham ouvido a leitura [É o interrogatório policial, no qual não há contraditório ou ampla defesa];

OBS. No interrogatório judicial, há o direito de entrevista com o advogado previamente, de acordo com o art. 285, §2º, do CPP, para que preparem a estratégia de defesa. Em seguida, haverá o interrogatório da vida pregressa do acusado, para a fixação da pena. Será questionado o acusado sobre o fato delituoso e, finalmente, as partes têm direito a reperguntas.

Continua existindo curado para menor de 21 anos, no caso de auto de prisão em flagrante? Não mais em razão do novo Código Civil. Entretanto, não foi extinto o curador. No caso de índios não adaptados e os inimputáveis por doença mental.

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VI - proceder a reconhecimento de pessoas e coisas e a acareações [No reconhecimento a pessoa é descrita. O acusado é obrigado a participar do reconhecimento, ou está abrangido pelo direito ao silêncio, segundo o qual o acusado não é obrigado a produzir prova contra si mesmo? E na hora da econstituição? O direito ao silêncio é conhecido como o princípio do nemo tenetur se detegere, ou seja, o acusado não é obrigado a

praticara nenhum comportamento ativo que possa incriminá-lo. Portanto, na reconstituição

o acusado não está obrigado a participar. Já no reconhecimento, o comportamento do

acusado é passivo, assim ele está obrigado a participar];

VII - determinar, se for caso, que se proceda a exame de corpo de delito e a quaisquer outras perícias;

VIII - ordenar a identificação do indiciado pelo processo datiloscópico, se possível, e fazer

juntar aos autos sua folha de antecedentes [É a identificação criminal. Envolve dois procedimentos: a identificação fotográfica e a datiloscópica. Antes da CRFB, a identificação criminal era obrigatória. Isso é comprovado pela Súm nº 568, do STF. Com a CRFB, no art. 5º, LVIII, tornando a identificação a exceção. Desta forma, salvo nas hipóteses previstas em lei, o civilmente não será submetido à identificação criminal. São

leis que exigem a identificação criminal: Lei nº 8.069/90, no art. 109; Lei nº 9.034/95, no art.

5º e Lei nº 10.054/00, no art. 3º. Para o STJ, o art. 5º, da Lei nº 9.03/95, foi revogado pelo art.

3º, da Lei nº 10.054/00, que não dispôs sobre a identificação criminal de pessoas envolvidas com crime organizado, de acordo com o RHC nº 12.965];

IX - averiguar a vida pregressa do indiciado, sob o ponto de vista individual, familiar e social,

sua condição econômica, sua atitude e estado de ânimo antes e depois do crime e durante ele, e

quaisquer outros elementos que contribuírem para a apreciação do seu temperamento e caráter.

Indiciamento

Entende-se por atribuir a autoria de uma infração penal a determinada pessoa. Aponta a provável pessoa responsável pelo crime.

Este ato é privativo da autoridade policial.

Para indiciar alguém é necessário dois pressupostos:

a. prova da existência do crime e

b. indícios de autoria.

O indiciamento diferencia-se em:

direto ocorre quando o indiciado está presente e

indireto ocorre quando o indiciado está ausente.

Em regra, qualquer pessoa pode ser indiciada, mas existem exceções. A primeira é a exceção da

Lei nº 8.625/93, art. 41, II, que se refere aos membros do MP. Nesse caso, o processo é parado

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pelo delegado, e encaminhado para o Procurador Geral de Justiça, que designará comissão para apuração do crime. A segunda exceção são os magistrados, os autos devem ser encaminhados os autos ao Presidente do Tribunal. E os foros por prerrogativa de função? Para o STF, pessoas que tem foro por prerrogativa de função só podem ser indiciadas mediante prévia autorização do Ministro Relator. Além disso, a instauração de inquérito também depende de autorização (In. nº 2.411, do STF). O fundamento reside no fato de que o mero indiciamento ou a abertura de inquérito traz imagem negativa da pessoa detentora do foro por prerrogativa de função.

Incomunicabilidade do indiciado preso

De acordo com o CPP, no art. 21, é incomunicável o preso, quando despachado fundamentado do juiz nos autos, em razão do interesse da sociedade ou da conveniência da investigação, pelo prazo máximo de 3 dias, a requerimento da autoridade policial ou do órgão do MP.

Esse dispositivo do art. 21 não foi recepcionado pela CRFB. Pela CRFB, no art. 136, §3º, IV, no Estado de Defesa o preso não ficará incomunicável. O raciocínio da doutrina reside no fato de que se numa hipótese excepcional não é possível a incomunicabilidade, não há que falar em incomunicabilidade no processo penal em situações normais.

O Regime Disciplinar Diferenciado RDD que está disciplinado pela Lei de Execuções Penais LEP , art. 52, prevê o agendamento e organização de visitas não significa incomunicabilidade.

Prazo para a conclusão do inquérito

Há um prazo para o réu preso e outro prazo para o réu solto.

No CPP o investigado preso o prazo será de 10 dias, quando estiver solto o prazo será de 30 dias. Esse prazo é um processual penal, isso significa que o dia do início não é levado em consideração.

Quanto ao acusado solto, o prazo poderá ser prorrogado. No caso do indiciado preso, a doutrina defende que se houver excesso de prazo abusivo, não justificado pelas circunstâncias do caso concreto, a prisão deve ser relaxada, sem prejuízo da continuidade do processo.

Existem prazos diferenciados. O primeiro deles é o do Código de Processo Penal Militar CPPM , que no caso de réu preso o prazo para a conclusão do inquérito é de 20 dias, para o réu solto será de 40 dias. Segundo, a Justiça Federal possui prazo diferenciado. Será de 15 dias para o réu preso, podendo ser duplicado. No caso do réu solto o prazo é de 30 dias. Terceiro, na Lei de Drogas o prazo também é diferenciado. O prazo para a conclusão do inquérito será de 30 dias caso o réu esteja preso e de 90 dias caso solto, com detalhe de que esses prazos poderão ser duplicados de acordo com o art. 51, da Lei de Drogas. Quarto, na Lei de Economia Popular, o prazo será de 10 dias, para ambos, preso ou solto.

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Em suma:

 

Prazo para a conclusão do inquérito

 

Situação

Réu preso

 

Réu solto

CPP

 

10

dias

30

dias

CPPM

 

20

dias

40

dias

Justiça Federal

15

dias (podendo ser duplicado)

30

dias

Lei de Drogas

30

dias (podendo ser duplicados)

90 dias (podendo ser duplicados)

Lei de Economia Popular

 

10 dias

 

Conclusão do inquérito policial

O inquérito policial é concluído por meio do relatório, que é da atribuição do delegado de polícia.

O relatório é uma peça essencialmente descritiva, ou seja, o delegado deve dizer quais as diligências realizadas, as informações das testemunhas. Desta forma, no relatório o delegado não deverá fazer um juízo de valor. Isso porque o juízo de valor é próprio do titular da ação penal, quais sejam, MP, ofendido ou representante legal.

Embora descritivo, há hipótese no qual o delegado deverá fazer um juízo de valor, qual seja, o crime de tráfico de drogas, conforme o art. 52, I, da Lei de Drogas.

De acordo com o CPP, o inquérito é remetido ao Poder Judiciário, mas em alguns Estados o inquérito é remetido diretamente ao MP (PR, BH e RJ). Há, inclusive, anteprojeto nesse sentido, isso porque evita o contato do magistrado com esses elementos de prova iniciais.

Quando os autos do inquérito chega ao Poder Judiciário, abre-se vista ao MP, no caso de crime de ação penal pública. No caso de crime de ação penal privada, os autos ficam em cartório aguardando a iniciativa da vítima.

Trancamento do inquérito policial

Trancamento consiste o encerramento do inquérito policial. Isso geralmente ocorre pode meio de habeas corpus.

Trata-se de medida de natureza excepcional, somente sendo possível nas seguintes hipóteses:

manifesta atipicidade formal ou material da conduta;

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presença de causa extintiva da punibilidade e

quando não houver justa causa para a tramitação do inquérito policial.

Vista ao MP

O Promotor de Justiça ao receber os autos de inquérito, no caso de ação penal pública, ele

poderá: oferecer denúncia; requerimento de diligências; pedir o arquivamento; alegação de incompetência e conflito de competência e conflito de atribuição.

Oferecer denúncia

Requerimento de diligências

Juiz indefere o retorno dos autos à autoridade policial, quando solicitado, requerimento de diligências. Em tese, esse indeferimento não é possível, porque o juiz não é o titular da ação penal, pois que tem que formar conhecimento, neste momento, é o promotor. Assim, do indeferimento caberá correição parcial, porque o juiz está praticando um ato tumultuário. Como tal expediente é demorado, é possível, ao invés de ingressar com a correição parcial, pode o MP requisitar a diligência diretamente à autoridade policial.

Arquivamento (tratado em tópico abaixo)

Alegação de incompetência

A alegação de incompetência não é muito comum, mas pode ocorrer, pedindo que o juiz remeta

os autos à Justiça competente.

Conflito de competência ou conflito de atribuição

O conflito de competência ocorre entre duas ou mais autoridades judiciárias. Esse conflito pode

ser:

a.

b.

negativo quando duas ou mais autoridade não acreditam ser competentes ou

positivo quando duas ou mais autoridades se dão por competente.

Quem decide o conflito de competência?

entre juízes de primeira instância estaduais do mesmo estado vai para o tribunal de justiça do estado respectivo;

entre juízes federais de estados diversos que estejam dentro do mesmo TRT vai para o TRT, respectivo;

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entre juízes federais de estados diversos que não estejam dentro do mesmo TRT vai para o STJ, respectivo;

entre juiz federal e juiz estadual do mesmo estado vai para o STJ;

entre juiz federal e juiz militar do mesmo estado vai para o STJ;

juiz federal e TJ do mesmo estado vai para o STJ;

na CRFB, no art. 102, traz a competência do STF. Na alínea “o”, do inc. I, os conflitos de competência entre o STJ e quaisquer tribunais, entre tribunais superiores e entre estes e qualquer outro tribunal, a competência será do STF.

o

juiz federal e STM vai para o STF;

o

STJ e STM vai para o STF.

entre juizado especial e juiz estadual do mesmo estado vai para o STJ, pois as subordinações entre ambos são diversas. O primeiro está subordinado à Câmara Recursal

e o segundo está subordinado ao TJ, conforme a Súm nº 348, do STJ (1h 16m).

O conflito de atribuição se dá entre membros do MP.

Quem decide:

entre dois promotores de justiça do mesmo estado vai para o Procurador Geral de Justiça PGJ;

entre dois Procuradores da República vai para o Câmara de Coordenação e Revisão, com recurso para o Procurador Geral da República;

entre membros do MP de estados diferentes para o STF, a competência será do próprio STF (art. 102, I, f, da CRFB). Entende o STF que o conflito se dá entre estados membros.

entre Procurador da República e Promotor de Justiça vai para o STF.

OBS. O que seria um conflito virtual de jurisdição? É um possível conflito entre os juízes perante os quais oficiam os membros do MP em conflito de atribuições.

Arquivamento do inquérito policial

Inicialmente, qual a natureza do arquivamento policial? O CPP refere-se ao arquivamento, no art. 67, I, como simples despacho.

Apesar do teor deste dispositivo, não se duvida que a natureza jurídica do inquérito policial é de uma decisão judicial. O arquivamento somente poderá ser feito pelo juiz, mediante pedido do MP.

Quais são as hipóteses que autorizam o arquivamento do inquérito policial:

1. atipicidade (formal ou material) da conduta;

2. excludentes da ilicitude;

3. excludentes da culpabilidade, salvo na hipótese do inimputável do art. 26, caput, do CP (absolvição imprópria);

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4. causas extintivas da punibilidade e

5. ausência de elementos de informação relativos à autoria e materialidade da infração penal.

Coisa julgada

Faz coisa julgada a decisão cujas vias recursais foram esgotadas. Ela subdivide-se em:

a. coisa julgada formal é a imutabilidade da decisão no processo em que foi proferida e

b. coisa julgada material torna a decisão imutável, fora do processo no qual foi proferida a decisão.

Arquivamento com base em ausência de elementos de informação só faz coisa julgada formal, porém, arquivamento com base na atipicidade, excludentes da ilicitude, culpabilidade e causas extintivas da punibilidade faz coisa julgada formal e material.

Arquivamento por falta de elementos de informação

Essa decisão só faz coisa julgada formal, podendo ser desarquivado este inquérito futuramente.

O desarquivamento será feito pelo juiz mediante pedido da autoridade policial ou do MP. É

possível o desarquivamento quando houver notícia de novos elementos de informação (Súm nº 524, do STF), ou seja, seria necessária uma testemunha, por exemplo, informando que tem informações sobre a infração.

O que são esses elementos informativos novos? São aquelas substancialmente inovadoras, ou

seja, capaz de produzir alteração dentro do contexto probatório no qual foi proferido o arquivamento.

Deve-se diferenciar elementos formalmente novos de substancialmente novos. A primeira era aquela que já era conhecida e já foi usada substancialmente pelo Estado, mas que ganhou nova versão (ex-esposa). A segunda é o elemento inédito, ou seja, aquele que estava oculto ou inexistente quando foi proferida a decisão de arquivamento.

Procedimento do arquivamento

Inicialmente, vamos analisar o arquivamento na Justiça Estadual. Se o MP pede o arquivamento

ao juiz e este concordar, o processo será arquivado. Caso o juiz discorde com arquivamento, de

modo algum poderá requisitar diligência, ele deverá aplicar o art. 28, do CPP. Com fundamento neste dispositivo, os autos serão encaminhados ao PGJ. Este poderá:

a. oferecer a denúncia;

b. poderá designar outro promotor para oferecer denúncia (não pode ser o mesmo promotor que pediu o arquivamento, pois isso violaria a independência funcional do membro do MP). Esse outro promotor, por sua vez, funciona como longa manus do PGJ, atuando por delegado, estando, desta forma, obrigado a oferecer a denúncia;

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c. requisitar diligências e

d. insistir no arquivamento, que vinculará o magistrado no arquivamento.

Quanto o juiz remete os autos para ao PGJ, aplica-se o princípio da devolução, entendido, como

a devolução pelo juiz da apreciação do caso ao chefe do MP, ao qual compete a decisão final

sobre o oferecimento ou não da denúncia. Nesse caso, o juiz exerce função anômala de fiscal do princípio da obrigatoriedade.

Agora vamos analisar o arquivamento no âmbito da Justiça Federal, Militar da União e da Justiça do Distrito Federal e Territórios. Aqui há certa peculiaridade. Se o Procurador da República, esse pedido será dirigido ao juiz federal, que se discordar, deverá remeter os autos à Câmara de Coordenação e Revisão (e não PGR, como o raciocínio simétrico indica). Nesse caso, a manifestação da Câmara de Coordenação e Revisão é meramente opinativa, porém a decisão final será do PGR, conforme o art. 72, da Lei Complementar nº 75/93.

Agora vamos ver o arquivamento no âmbito da Justiça Eleitoral. Primeiro ponto, as funções do MP eleitoral é exercida pelo MPF, mas nas comarcas pequenas quando não há Procuradoria da República, quem exerce as funções de MP eleitoral também.

Quando o Promotor de Justiça, no exercício ode funções eleitorais pedir o arquivamento e o juiz discordar, deve ocorrer a remessa ao Procurador Regional Eleitoral, que é um procurador regional da República, que atua perante o TRE.

Agora vamos ver o arquivamento na Justiça Militar da União há uma peculiaridade. Quem atua nesta área é o membro do Ministério Público Militar MPM. O processo será encaminha para um juiz auditor, caso este discorde com o arquivamento, ele remeterá o processo para a Câmara de Coordenação e Revisão, que fará parecer opinativo, e remeterá para o Procurador Geral de

Justiça Militar PGJM. Entretanto, caso o juiz auditor concordar, mesmo assim, ele será obrigado

a remeter os autos do inquérito, já arquivado, a um juiz auditor corregedor. Se o juiz auditor

concordar será arquivado o processo. Caso o juiz auditor discordar ele poderá interpor uma correição parcial ao Superior Tribunal Militar STM. Hoje, entende-se que esse recurso é um

absurdo, pois ele é interposto pelo juiz. Acaba-se com a imparcialidade. Se o STM der provimento

à correição parcial, o STM devolverá para a Câmara de Coordenação e Revisão do MP Militar. Como ela é opinativa, a decisão ficará a cargo do PGJM.

Procedimento de arquivamento nas hipóteses de atribuição originária do PGJ ou do PGR

Nos casos de competência originária dos tribunais, não há necessidade de sujeitar o pedido de arquivamento ao Poder Judiciário. Portanto, o arquivamento será uma decisão administrativa do PGJ/PGR, quando se tratar de hipóteses de competência originária dos tribunais ou quando se tratar de insistência de arquivamento na hipóteses do art. 28, do CPP (HC nº 64.564, STJ, e In nº 2.028, do STF).

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Contra a decisão do Procurador Geral cabe pedido de revisão ao colégio de procuradores, conforme o art. 12, IX, da Lei nº 75/93.

Arquivamento implícito

Ocorre o arquivamento implícito, quando o titular da ação penal deixa de incluir na denúncia algum fato investigado (seria o arquivamento implícito objetivo) ou algum dos indiciados (seria o arquivamento implícito subjetivo) sem expressa manifestação ou justificação desse procedimento. O arquivamento se consuma quando o juiz não se pronuncia na forma do art. 28, do CPP, com relação ao que foi omitido na peça acusatória.

Doutrina e jurisprudência não admitem o arquivamento implícito.

Arquivamento indireto

Ocorre quando o juiz diante do não oferecimento da denúncia pelo MP, por razões de incompetência jurisdicional, deve receber tal manifestação como se fosse hipótese de arquivamento, aplicando o art. 28, do CPP, caso discorde do MP.

Recursos cabíveis no arquivamento

Em regra, decisão de arquivamento é irrecorrível, mas há recursos:

a. crimes contra a economia popular, ou contra a saúde pública existe recurso de ofício pelo juiz e

b. nos casos de contravenção do jogo do bicho e corrida de cavalos fora do hipódromo, cabe recurso em sentido estrito.

Artigos do CPP relativos ao inquérito policial

Art. 4º A polícia judiciária será exercida pelas autoridades policiais no território de suas respectivas circunscrições e terá por fim a apuração das infrações penais e da sua autoria.

Parágrafo único. A competência definida neste artigo não excluirá a de autoridades administrativas, a quem por lei seja cometida a mesma função.

Art. 5º Nos crimes de ação pública o inquérito policial será iniciado:

I - de ofício;

II - mediante requisição da autoridade judiciária ou do Ministério Público, ou a requerimento do ofendido ou de quem tiver qualidade para representá-lo.

§ 1º O requerimento a que se refere o no II conterá sempre que possível:

a) a narração do fato, com todas as circunstâncias;

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b) a individualização do indiciado ou seus sinais característicos e as razões de convicção ou de presunção de ser ele o autor da infração, ou os motivos de impossibilidade de o fazer;

c) a nomeação das testemunhas, com indicação de sua profissão e residência.

§ 2º Do despacho que indeferir o requerimento de abertura de inquérito caberá recurso para o chefe de Polícia.

§ 3º Qualquer pessoa do povo que tiver conhecimento da existência de infração penal em que

caiba ação pública poderá, verbalmente ou por escrito, comunicá-la à autoridade policial, e esta, verificada a procedência das informações, mandará instaurar inquérito.

§ 4º O inquérito, nos crimes em que a ação pública depender de representação, não poderá sem

ela ser iniciado.

§ 5º Nos crimes de ação privada, a autoridade policial somente poderá proceder a inquérito a requerimento de quem tenha qualidade para intentá-la.

Art. 6º Logo que tiver conhecimento da prática da infração penal, a autoridade policial deverá:

I - dirigir-se ao local, providenciando para que não se alterem o estado e conservação das coisas,

até a chegada dos peritos criminais; []

II - apreender os objetos que tiverem relação com o fato, após liberados pelos peritos criminais;

III - colher todas as provas que servirem para o esclarecimento do fato e suas circunstâncias;

IV - ouvir o ofendido;

V - ouvir o indiciado, com observância, no que for aplicável, do disposto no Capítulo III do Título

Vll, deste Livro, devendo o respectivo termo ser assinado por duas testemunhas que Ihe tenham

ouvido a leitura;

VI - proceder a reconhecimento de pessoas e coisas e a acareações;

VII - determinar, se for caso, que se proceda a exame de corpo de delito e a quaisquer outras

perícias;

VIII

- ordenar a identificação do indiciado pelo processo datiloscópico, se possível, e fazer juntar

aos

autos sua folha de antecedentes;

IX - averiguar a vida pregressa do indiciado, sob o ponto de vista individual, familiar e social, sua

condição econômica, sua atitude e estado de ânimo antes e depois do crime e durante ele, e quaisquer outros elementos que contribuírem para a apreciação do seu temperamento e caráter.

Art. 7º Para verificar a possibilidade de haver a infração sido praticada de determinado modo, a autoridade policial poderá proceder à reprodução simulada dos fatos, desde que esta não contrarie a moralidade ou a ordem pública.

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Art. 8º Havendo prisão em flagrante, será observado o disposto no Capítulo II do Título IX deste Livro.

Art. 9º Todas as peças do inquérito policial serão, num só processado, reduzidas a escrito ou datilografadas e, neste caso, rubricadas pela autoridade.

Art. 10. O inquérito deverá terminar no prazo de 10 dias, se o indiciado tiver sido preso em flagrante, ou estiver preso preventivamente, contado o prazo, nesta hipótese, a partir do dia em que se executar a ordem de prisão, ou no prazo de 30 dias, quando estiver solto, mediante fiança ou sem ela.

§ 1º A autoridade fará minucioso relatório do que tiver sido apurado e enviará autos ao juiz competente.

§ 2º No relatório poderá a autoridade indicar testemunhas que não tiverem sido inquiridas, mencionando o lugar onde possam ser encontradas.

§ 3º Quando o fato for de difícil elucidação, e o indiciado estiver solto, a autoridade poderá

requerer ao juiz a devolução dos autos, para ulteriores diligências, que serão realizadas no prazo marcado pelo juiz.

Art. 11. Os instrumentos do crime, bem como os objetos que interessarem à prova, acompanharão os autos do inquérito.

Art. 12. O inquérito policial acompanhará a denúncia ou queixa, sempre que servir de base a uma ou outra.

Art. 13. Incumbirá ainda à autoridade policial:

I - fornecer às autoridades judiciárias as informações necessárias à instrução e julgamento dos

processos;

II - realizar as diligências requisitadas pelo juiz ou pelo Ministério Público;

III - cumprir os mandados de prisão expedidos pelas autoridades judiciárias;

IV - representar acerca da prisão preventiva.

Art. 14. O ofendido, ou seu representante legal, e o indiciado poderão requerer qualquer diligência, que será realizada, ou não, a juízo da autoridade.

Art. 15. Se o indiciado for menor, ser-lhe-á nomeado curador pela autoridade policial.

Art. 16. O Ministério Público não poderá requerer a devolução do inquérito à autoridade policial, senão para novas diligências, imprescindíveis ao oferecimento da denúncia.

Art. 17. A autoridade policial não poderá mandar arquivar autos de inquérito.

Art. 18. Depois de ordenado o arquivamento do inquérito pela autoridade judiciária, por falta de base para a denúncia, a autoridade policial poderá proceder a novas pesquisas, se de outras provas tiver notícia.

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Art. 19. Nos crimes em que não couber ação pública, os autos do inquérito serão remetidos ao juízo competente, onde aguardarão a iniciativa do ofendido ou de seu representante legal, ou serão entregues ao requerente, se o pedir, mediante traslado.

Art. 20. A autoridade assegurará no inquérito o sigilo necessário à elucidação do fato ou exigido pelo interesse da sociedade.

Parágrafo único. Nos atestados de antecedentes que Ihe forem solicitados, a autoridade policial não poderá mencionar quaisquer anotações referentes a instauração de inquérito contra os requerentes, salvo no caso de existir condenação anterior.

Art. 21. A incomunicabilidade do indiciado dependerá sempre de despacho nos autos e somente será permitida quando o interesse da sociedade ou a conveniência da investigação o exigir.

Parágrafo único. A incomunicabilidade, que não excederá de três dias, será decretada por despacho fundamentado do Juiz, a requerimento da autoridade policial, ou do órgão do Ministério Público, respeitado, em qualquer hipótese, o disposto no artigo 89, inciso III, do Estatuto da Ordem dos Advogados do Brasil (Lei n. 4.215, de 27 de abril de 1963).

Art. 22. No Distrito Federal e nas comarcas em que houver mais de uma circunscrição policial, a autoridade com exercício em uma delas poderá, nos inquéritos a que esteja procedendo, ordenar diligências em circunscrição de outra, independentemente de precatórias ou requisições, e bem assim providenciará, até que compareça a autoridade competente, sobre qualquer fato que ocorra em sua presença, noutra circunscrição.

Art. 23. Ao fazer a remessa dos autos do inquérito ao juiz competente, a autoridade policial oficiará ao Instituto de Identificação e Estatística, ou repartição congênere, mencionando o juízo a que tiverem sido distribuídos, e os dados relativos à infração penal e à pessoa do indiciado.