OS NÍVEIS DE DESENVOLVIMENTO MORAL de KOHLBERG

Prof. Dr. Nelso Antonio Bordignon.

Os dilemas morais As questões éticas e morais estão presentes em todas as ações das pessoas, dos grupos sociais, das organizações, dos governos. Fazem parte das questões da biologia, da genética, da medicina; na área política, nas questões de justiça social, bem como nos temas das relações internacionais. As questões mais simples do dia-a-dia, na observância das normas de trânsito e da vida social, no uso dos bens particulares e públicos, nas relações de administração de qualquer instituição, sempre há algum dilema na forma de pensar e agir. Em todos os momentos da vida, a pessoa está escolhendo entre uma alternativa e outra, por alguma razão, por uma necessidade ou em vista de alguma perspectiva. O mundo vivido está cheio de dilemas morais que nos obrigam a refletir e tomar uma decisão. A vida nos impulsiona continuamente a realizar escolhas e tomar decisões. Viver significa agir e agir é decidir por alguma ação específica. Estas decisões carregam sentimentos e motivações intrapsíquicas, desejos e necessidades, representam valores e princípios e se traduzem em consequências e responsabilidades pessoais e sociais. Para o estudo dos dilemas morais podemos iniciar pela (1) História de jogo de futebol na rua1: Saindo da escola, um grupo de crianças foi jogar futebol na rua. Uma das crianças chutou a bola um pouco mais forte que atingiu uma vidraça de uma casa. O dono da casa percebeu e perguntou às crianças quem foi que chutou a bola. Ninguém respondeu. Ele foi queixar-se ao diretor da escola. No dia seguinte o diretor perguntou aos alunos quem foi que quebrou o vidro, mas ninguém se apresentou. Aquele que era o culpado afirmou que não era ele, e os demais não o denunciaram. Que deve fazer o diretor? Justificar a resposta. Ou um dilema mais universal: (2) O Trem descontrolado: Um trem vai atingir 5 pessoas que trabalham desprevenidas sobre uma linha. Mas você tem a chance de evitar a tragédia acionando uma alavanca que leva o trem para outra linha, onde ele atingirá apenas uma pessoa. Você mudaria o trajeto, salvando as 5 e matando 1? Justificar a resposta.
Comentário de Tiago Luchini: Se você respondeu que “sim, mudaria o trajeto” está entre a maioria das pessoas (97%). Por algum motivo temos uma visão utilitarista do mundo. Pensamos que a atitude mais correta é a que resulta na maior felicidade para o máximo número de pessoas. Mas há um porém. Por exemplo, se multiplicássemos por 1 milhão: você mataria 1 milhão de pessoas para salvar 5 milhões? Decisões assim sustentaram diversos regimes totalitários que desgraçaram uma minoria em nome da maioria.

Ou ainda um dilema sobre (3) Choque cultural: Você é um funcionário da Funai, trabalhando na Amazônia sob ordem expressa de jamais intervir na cultura indígena. Passeando perto de uma clareira, nota que ianomânis estão envenenando o bebê de uma índia, que está aos prantos. Você impediria a morte do bebê? Justificar a resposta.
Comentário de Tiago Luchini: Essa situação é exatamente combatida pela ONG Atini que tenta acabar com o infanticídio entre os índios brasileiros. A ONG foi formada pelos pais adotivos da ianomâni Hakani, que viveu um caso parecido em 1995. Hakani foi encontrada por um casal de funcionários da Funai. Um antropólogo do ministério público tentou barrar a adoção, dizendo que era uma agressão à cultura ianomâni. E aí, o que vale mais: a vida humana ou o respeito às tradições de um povo?

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DUSKA, R. e WHELAN, M. O desenvolvimento moral na idade evolutiva. São Paulo: Ed. Loyola, 1994. p. 119.

sujeito de sua ação e de sua interação com os outros. por sua vez. Teoria do desenvolvimento moral A partir do estudo da epistemologia genética de Piaget. eu descobri o remédio e quero ganhar dinheiro com ele”. Desclée de Brouwer. Segundo os médicos. o marido da mulher doente. o ideal de justiça. S. Percebeu que esse desenvolvimento envolve aspectos do crescimento humano. da filosofia e da sociologia. uma senhora estava para morrer por causa de um câncer maligno. Ele disse ao farmacêutico que sua mulher iria morrer e pediu que fizesse um abatimento sobre o valor do remédio ou que aceitasse pagar em prestações. havia um remédio que poderia salvá-la. 1992. Bilbao: Ed. Ele defendia o conceito da construção gradativa e sequencial da formulação moral. que pressupõe um sujeito consciente. 2 A teoria psicológica . mas só conseguiu juntar mil dólares. de Escolas Democráticas e do chamou de “Comunidade Justa”. com a tese sobre a identificação dos estágios de desenvolvimento moral. da idade das pessoas. Para prepará-lo gastava 200 dólares. que abordou os estágios epistemológicos e estágios morais de crianças.Ou (4) Dilema de Heinz2. ele estendeu suas observações e pesquisas para a vida toda das pessoas. e a sociologia observa as consequências objetivas de uma ação no contexto social.589. p. pergunta pelos critérios e princípios que orientam a ação. Pois a moralidade pressupõe uma causa e uma explicação das razões que levam a pessoa a agir. Heinz se desesperou e pensou em usar a força para arrombar e roubar a medicação para sua esposa. o farmacêutico cobrava dez vezes mais pelo custo real. nestes termos. por isso passa a ser um tema de interessa da psicologia. aspectos culturais.. Não concedeu desconto nem parcelou o valor do remédio. Observou que o desenvolvimento da consciência moral é um tema que aborda aspectos da psicologia. uma forma de radium descoberto recentemente por um farmacêutico da cidade. Dados Biográficos Lawrence Kohlberg nasceu em New York em 1927. são as intencionalidades e motivações do sujeito.A. Graduou-se pela Universidade de Chicago em 1948. a cultura. inicia os programas de Educação Moral e desenvolve os programas Educação Moral.o processo de desenvolvimento moral. Heinz.000 dólares. cobrado pelo farmacêutico. inserção social e níveis de estudos. Kohlberg formulou sua teoria de desenvolvimento moral. Psicologia del Desarrollo Moral. Na Europa. a filosofia. Ele observou que as respostas variam conforme a idade.D. o nível de educação e aspectos sociais onde a pessoa está inserida. Em 1975. Heinz deve roubar o remédio? Sim ou não? Justificar a resposta. em 1958. julgar e agir com critérios de justiça e valores objetivos. usa critérios de julgamento. L. A teoria da educação moral . onde ficou até sua morte em 1987. O remédio tinha um custo muito alto na preparação e. 3. 2 KOHLBERG. a moralidade se torna um assunto de interesse da filosofia. Mas o farmacêutico disse: “Não. A partir dos estudos de Piaget. Enquanto a psicologia tenta desvendar as causas subjetivas e motivações intrapsíquicas que levam a pessoa a agir consciente ou inconscientemente. Sintetizou sua teoria em três títulos: 1. segundo os quais a própria ação é analisada. . Lawrence Kohlberg estudou esses e outros dilemas morais e diversos autores sobre o tema. Concluiu o Ph. a metade do preço do remédio. Em 1968 foi contratado para a Graduate School of Education da Universidade de Harvard. mas cobrava 2. capaz de pensar. a ação de uma pessoa. que se originam no consciente e inconsciente da pessoa. sendo assim passa a ser um assunto da sociologia. pois já havia tentado todas as possibilidades para adquirir o remédio. A moralidade. Ela tem a ver com a ação. além disso. A teoria filosófica – o conceito cognitivo-evolutivo. da infância à idade adulta.a formação moral. Sua atenção centrou-se no desenvolvimento dos estágios de consciência moral das pessoas ao longo da vida. pediu dinheiro emprestado a todos os amigos.

54 e HERSH. interações. p. Kohlberg (1992. b) as estruturas de pensamento e de ação moral formam uma sequência invariante no desenvolvimento moral. afetiva e na forma de enfrentar a vida e resolver conflitos morais em idades diferentes. adaptações e complexidade em seus conteúdos e formas. Essa primazia do sujeito sobre a sociedade é essencial para a formulação de programas de educação e de desenvolvimento moral. de forma integrada e integradora. em responsabilidades cada vez mais baseadas em direitos. as seguintes características (KOHLBERG. d) os processos psicogenéticos pressupõem aspectos de diferenciação da pessoa (indivíduo) e do grupo (sociedade). b) há um paralelismo do desenvolvimento moral e a evolução do pensamento da criança: a lógica é uma moral do pensamento como a moral. ao longo da vida. tanto para Piaget como para Kohlberg. as estruturas encontram-se em equilíbrio dinâmico. uma lógica da ação. Uma sociedade será moralmente estabelecida. cognitiva e comportamental da pessoa. isoladamente. p. as transformações de estrutura cognitiva. PAOLITTO. e) as estruturas morais são estabelecidas por aspectos do interior da pessoa (maturação biológica e equilibração das estruturas mentais) e do contexto social (socialização familiar e transmissão cultural). b) a direção do desenvolvimento da estrutura cognitiva é para um maior equilíbrio na interação pessoa e contexto social. c) a gênese acontece em estágios. se reconstroem de forma ativa com as compreensões intelectuais e interações com o meio cultural onde vivem. que obedecem a uma sequência determinada. enquanto outros reforçam a força das condições do meio. mesmo que os fatores culturais possam acelerar.1998. c) o desenvolvimento se realiza na integração das dimensões afetiva. isto é. p. A partir dos estudos de Piaget. retroceder ou parar o desenvolvimento. esse novo equilíbrio significa novos conhecimentos. REIMER. d) a assunção de papéis e funções sociais. cooperação (aceitação e revalidação das normas existentes ou sua reformulação democrática) e a reciprocidade (autonomia e heteronomia). necessariamente. aos outros (intersubjetividade) e aos valores espirituais (transcendência). O desenvolvimento moral inclui cada um desses elementos para o seu processo de crescimento. e) a direção do desenvolvimento pessoal e social é para o equilíbrio de reciprocidade entre as potencialidades da estrutura fundamental da pessoa (dimensões física. O modelo cognitivo-evolutivo supõe que a estrutura mental básica é o resultado de uma interação entre tendências internas. os indivíduos que a compõem são moralmente autônomos e consistentes. 1992. valores e princípios de justiça universais. garante a ascensão na escala dos estágios de desenvolvimento moral.baseada na estrutura do pensamento e na experiência de forma invariante e universal. que formam o organismo e as condições do mundo externo. Dos estudos de Piaget (1976 e 1994) vale ressaltar alguns aspectos da moral psicogenética que integram o trabalho de Kohlberg: a) a teoria insere-se no contexto do estruturalismo genético. invariante e universal. se. . O conceito central de estágio na postura cognitivo-evolutiva apresenta. Alguns autores dão maior importância às condições pessoais hereditárias. 50) apresenta os pressupostos gerais do conceito cognitivo-evolutivo acentuando os seguintes aspectos: a) o desenvolvimento moral inclui. entre outras. e somente se. f) a moral estabelece uma relação imprescindível entre o sujeito e a sociedade. mas nenhum. ainda que não suficiente para o desenvolvimento moral. a sequência se define pela complexidade lógica de cada etapa sucessiva. 50): a) os estágios representam diferenciais qualitativos na estrutura cognitiva. psíquica e espiritual) e sua expressão em relação a si mesmo. Em cada estágio. a interação da maturidade cronológica e da aprendizagem. essa condição é necessária.

no estágio pré-convencional. também. A passagem de um estágio ao outro se dá em processos críticos. muitos adultos delinquentes. O nível convencional é o da conformidade e manutenção das normas. sempre em três níveis e seis estágios. das autoridades e de pessoas de referência. A partir de seus estudos iniciais. Em alguns casos. O nível pré-convencional é o nível da maioria das crianças até os nove anos. O Estágio da Obediência e do Castigo – Moralidade Heterônoma O conteúdo: é considerada correta a obediência literal às regras e à autoridade. Assim. p. O (a) conteúdo representa a visão cognitiva e dos conceitos e argumentos do julgamento moral. esses princípios podem entrar em conflito com as normas da sociedade. as funções gerais são sempre de manter o equilíbrio entre a pessoa e o entorno. a pessoa é capaz de pensar e agir por princípios morais universais. as expectativas sociais são algo externo ao indivíduo. as justificativas. 188-189).Nível pré-convencional (estágios 1 e 2). enquanto (b) as justificativas apresentam os valores e as razões filosóficas que sustentam a ação e (c) a perspectiva sócio-moral se refere ao ponto de vista que a pessoa toma ao definir os fatos sociais e os valores sócio-morais ou deveres. uma resposta num determinado estágio significa uma capacidade de organização do pensamento. d) os estágios são integrações hierárquicas. ele formulou a nova versão dos níveis e estágios do desenvolvimento moral. que determina respostas a tarefas e exercícios para cada estágio. o indivíduo diferencia sua pessoa das normas e expectativas dos outros e define seus valores segundo princípios universais.Nível pós-convencional (estágios 5 e 6). e uma perspectiva sócio-moral. II . como síntese do seu doutorado. 1994). a orientação moral. O problema se acaba quando se administra o castigo. onde as pessoas pensam e agem em termos de princípios e acordos convencionais. obedecer por obedecer e evitar causar danos físicos a pessoas e propriedades. Cada estágio comporta três aspectos: um conteúdo. Os estágios superiores reintegram as estruturas dos estágios inferiores. um novo equilíbrio entre o conteúdo e a forma de pensar e agir. conforme (KOHLBERG. E. alguns adolescentes e. A formulação atualizada. o castigo e os danos físicos às pessoas e propriedades são evitados. A perspectiva sócio-moral é egocêntrica. 1992. expectativas e acordos da sociedade ou autoridade pelo simples fato de serem regras. especialmente. Já no nível pósconvencional. no estágio seguinte. definido como equilíbrio de assimilação e acomodação (Piaget. A esse nível pertencem os adolescentes. após 20 anos de pesquisas longitudinais e em diversos pais. a pessoa não chega a entender e a manter as normas e regras sociais convencionais. Nesse nível. assim distribuídos: I . . dos estágios tem a seguinte redação: Nível 1. formam uma ordem de estruturas crescentes diferenciadas e integradas. Estágio 1. da obediência às regras e à autoridade ou do medo do castigo e da punição. os jovens e muitos adultos.c) cada estágio forma um todo estruturado. Kohlberg apresenta. Nível Pré-Convencional As decisões morais são geradas a partir de acontecimentos externos à pessoa. enquanto que no nível convencional a pessoa se identifica com as regras e expectativas sociais. No nível pós-convencional. pelos quais a pessoa supera as inconsistências de conteúdos e de formas do estágio no qual se encontra e busca. em 1958.Nível convencional (estágios 3 e 4) e III . O que é direito é evitar infringir as regras. a primeira visão dos níveis e estágios de desenvolvimento moral. um nível de operação mental.

manter-se leal e conservar a confiança dos parceiros e estar motivado a seguir regras e expectativas dos pais (ser bom filho). uma transação. dos amigos. acordos e expectativas compartilhadas. As leis devem ser apoiadas. O Estágio das Expectativas Interpessoais Mútuas. (c) A perspectiva sócio-moral é individualista concreta. consiste em contribuir para a sociedade. A perspectiva da autoridade é confundida com a própria. importar-se com os outros. têm seus interesses. Não considera a perspectiva do “sistema”. se a gente se pusesse no lugar do outro. desconsiderando a dos outros. isto é. A pessoa relaciona pontos de vista através da “Regra de Ouro concreta”. que adquirem primazia sobre os interesses individuais. A pessoa é consciente de que cada um procura realizar seus próprios interesses e estes podem conflitar entre si. (b) As justificativas para agir corretamente são: ter necessidade de ser bom a seus próprios olhos e aos olhos dos outros. separando os interesses e pontos de vista próprios dos interesses e pontos de vista da autoridade e dos outros. que apoiam o comportamento bom. não relaciona as duas perspectivas. um acordo. O direito é relativo (no sentido individual concreto). apoiar a ordem social e manter o bem-estar da sociedade ou do grupo. o que é equitativo. ou da boa vontade. Estágio 4. preocupar-se com as outras pessoas e seus sentimentos. A perspectiva sócio-moral é a do grupo de interesse. uma troca igual. O Estágio da Preservação do Sistema Social e da Consciência (a) O conteúdo: o certo é fazer o seu dever na sociedade. Nível Convencional As decisões morais são geradas a partir de expectativas e papéis socialmente reconhecidos e definidos pelo grupo ou sociedade de interesse. estereotipado. ou pela equidade. O Estágio do Objetivo Instrumental Individual e da Troca (a) O conteúdo: o correto é seguir as regras quando for de seu interesse imediato. também. também. O direito. (c) A pessoa adota a perspectiva sócio-moral. em termos de sentimentos. O direito é. Há um desejo de manter as regras e a autoridade. A pessoa integra ou relaciona seus interesses individuais com os da autoridade e dos outros por troca instrumental de serviços. porque. a lealdade. o grupo ou a instituição. dando a cada pessoa a mesma quantidade. o respeito e a gratidão. (c) A perspectiva sócio-moral é egocêntrica. exceto em casos extremos em que entram em conflito com outros deveres e direitos sociais estabelecidos.(b) As razões para defender esses valores são o desejo de evitar o castigo. a gente iria querer um bom comportamento de si próprio (Regra de Ouro). As ações são julgadas em termos das consequências e soluções físicas e não em termos dos interesses psicológicos dos outros. mostrar solicitude com os outros. Cumprir os deveres com os quais se concordou. a pessoa considera somente sua perspectiva. também. Também significa preservar os relacionamentos mútuos. Nível 2. pondo-se no lugar dos outros. (b) As justificativas consistem em satisfazer e servir aos interesses próprios num mundo em que é preciso reconhecer que as outras pessoas. dos Relacionamentos e da Conformidade Interpessoal (a) O conteúdo: é considerado correto desempenhar o papel de uma pessoa boa (amável). “Ser bom” é importante e significa ter bons motivos. Estágio 2. dos superiores. para satisfazer os interesses e necessidades próprias e deixar que os outros façam o mesmo. . manter a confiança. as punições e sansões das autoridades. Estágio 3.

que a maioria dos valores e regras é relativa ao seu grupo. que define regras e papéis. O Estágio de Princípios Éticos Universais (a) O conteúdo: é considerado correto agir por princípios éticos universais. Importa que as leis e deveres sejam baseados num cálculo racional de utilidade geral: “O maior bem para o maior número”. em geral. porque elas são o contrato social. Considera o ponto de vista moral e o ponto de vista legal. em geral. Nível Pós-Convencional ou Baseado em Princípios As decisões morais são geradas a partir de direitos. têm de ser apoiados em qualquer sociedade independentemente da opinião da maioria. as obrigações de família. A pessoa integra perspectivas pelos mecanismos formais do acordo. amizade. O Estágio dos Direitos Originários e do Contrato Social ou da Utilidade (a) O conteúdo: o correto é sustentar os direitos. mas como ele mesmo percebeu. Quando as leis violam esses princípios. contudo. percebeu a validade dos princípios e comprometeu-se com eles. que. para o bem de todos e para proteger seus próprios direitos e os direitos dos outros. mesmo quando entram em conflito com as regras e leis concretas do grupo. em geral. As leis e acordos sociais particulares são. este estágio é guiado por princípios éticos universais. tais como a vida e a liberdade. isso nem sempre ocorre. No entanto. Nível 3. porque a gente fez um contrato social de fazer e respeitar leis. (c) As perspectivas sócio-morais: a pessoa adota o ponto de vista societário do acordo ou motivos interpessoais. são compromissos ou contratos assumidos livremente e implicam o respeito pelos direitos dos outros. ser apoiadas no interesse da imparcialidade. Estágio 5. a obrigação de obedecer à lei. (c) A perspectiva sócio-moral adotada é a de um ponto de vista moral. válidos. Os princípios são princípios universais de justiça: igualdade de direitos humanos e o respeito pela dignidade dos seres humanos enquanto indivíduos. devem. alguns valores e direitos não relativos. Outro . As relações são estabelecidas em termos do lugar no sistema. o autorrespeito ou a consciência compreendida como o cumprimento das obrigações definidas para si próprio ou a consideração das consequências: “E se todos fizessem o mesmo?”. Essas regras “relativas”. mas também são princípios usados para gerar decisões particulares. Kohlberg esperava que os pais e professores estivessem moralmente maduros para auxiliarem as crianças e os jovens no crescimento moral. (c) As perspectivas sócio-morais adotadas pelas pessoas são do prioritário-em-face-da-sociedade – a perspectiva de um indivíduo racional cônscio de valores e direitos prioritários em face dos laços e contratos sociais. Esses não são meramente valores reconhecidos. (b) A justificativa para fazer o que é direito é que a pessoa. valores e princípios com que todos concordam (ou podem concordar) para compor uma sociedade destinada a ter práticas justas e benéficas.(b) As justificativas para agir assim são: manter em funcionamento a instituição como um todo. também. A perspectiva sócio-moral é a partir dos valores e princípios universais. da imparcialidade objetiva e do devido processo. confiança e trabalho. A pessoa segue as perspectivas do sistema. (b) Como justificativas para agir de maneira moralmente correta são apontadas. Reconhece o respeito fundamental pela vida e pela pessoa humana como fins e não como meios. em termos racionais. que toda a humanidade deve seguir. do contrato. porque se apoiam em tais princípios. valores e contratos legais básicos de uma sociedade. No que diz respeito ao que é direito. É estar consciente do fato de que as pessoas adotam uma variedade de valores e opiniões. Estágio 6. de onde derivam os ajustes sociais dos valores e dos princípios universais. reconhece esse conflito e acha difícil integrá-los. a gente age de acordo com o princípio.

(S 17) NÍVEL PRÉ-CONVENCIONAL 2º. A qualidade da aprendizagem está na obediência às normas e autoridades constituídas (instituição e professor) ou no medo da punição. é necessário promover a formação moral dos educadores para que possam educar seus alunos a partir do nível pós-convencional.O estágio de Objetivo Instrumental . pela autoridade da Instituição e do professor. 2006. Implicações dos Níveis de Desenvolvimento Moral de Kohlberg na Educação Superior. cultivar a interação entre as pessoas. orientações e regras na sala de aula. Essa é a grande contribuição dos estudos e pesquisas realizados por Kohlberg para a formação das novas gerações e da mudança social” (BIAGGIO. Um estudo de Caso.Individual e de Troca O valor educativo reside no objetivo instrumental individual do professor e do aluno e na troca de interesses. constata-se que a influência do adulto na construção moral da criança e do jovem é um fato essencial. A autoridade e o medo geram valores e aprendizagem. . Também pode reforçar a dimensão física (presença/ausência. externas ao sujeito. o adulto encontra dificuldades em atingir o nível máximo da moralidade. necessidades e gratificações entre eles. na obediência às normas e à autoridade. os educadores são chamados a pensar e atuar a partir do nível pós-convencional. PUCRS.. para poder educar seus alunos a partir dos princípios e valores éticos universais. prazos. segundo Kohlberg. A mediação física permanece como fonte de relação intersubjetiva e intencional para a vida e a profissão. A perspectiva do ensino e da aprendizagem é egocêntrica (do professore ou aluno).. Mesmo que se saiba que a maioria das pessoas pensa e atua em termos do nível convencional. pois se. trabalhos) da relação pedagógica entre professor e aluno. O conteúdo da reciprocidade educativa é ainda sobre o essencialmente concreto e pragmático: sucessos. ao aluno. Tese de Doutorado. principalmente em termos de gratificações e bem-estar: “eu me gratifico e tu me gratificas”. A qualidade do ensino é gerada pelos parâmetros e exigências legais. do professore e aluno. Neste estágio. cumprir o planejamento. Estágio . ‘se há algo para cumprir – cumprir ’. 61).fato que o autor aponta é que sentia dificuldades em encontrar bons professores para auxiliá-lo. alguns até no nível pré-convencional. “Aspectos simples – manter as regras simples. da desaprovação.O Estágio da Obediência e do Castigo . Mais uma vez. uma vez que a maioria deles se encontrava no nível convencional. coerência na avaliação e estabelecer regras junto aos alunos e cumpri-las”. Nelso Antonio. como poderá formá-la nas crianças e nos jovens? “Não pode haver conscientização nem transformação social seos membros individuais de uma sociedade (ou boa parte de seus líderes) não alcançam o nível de moral pós-convencional. gratificações. externos ao sujeito. Para tal. Estágio . A avaliação pedagógica é realizada pelas consequências e soluções físicas (notas. p. Resultados da Pesquisa3 NÍVEL PRÉ-CONVENCIONAL 1º. “Respeitar os horários da instituição. promoção. outro aspecto é o respeito uns aos outros. classificação). manutenção da posição de professor e de aluno . A perspectiva do ensino e da aprendizagem é do interesse egocêntrico mútuos. ou no medo da punição. ensina-se e aprende-se por interesses pessoais mútuos.” (S 13) 3 BORDIGNON. Cada um busca garantir interesses e vantagens pessoais em sua função/atividade esperando que o outro colabore nesta relação.Moralidade Heterônoma O valor educativo reside em consequências e soluções físicas. da frustração e da reprovação. da frustração. 2009. horários.

no contrato educativo e nos direitos individuais de consciência e liberdade do educando. concedendolhe segurança e apoio como profissional e para o exercício de sua função educativa e social.” (S 11) NÍVEL PÓS-CONVENCIONAL . professor e aluno sobre a educação. Estágio . um curso. Estágio . A instituição. Relações e Conformidade Interpessoal. anteriores à sociedade e à pessoa. A mediação educativa é estabelecida pela mediação afetiva como fonte de relação intersubjetiva e intencional para a vida e a profissão. “Deve pautar-se pelo respeito às individualidades e experiências de vida e cultura que os alunos trazem. Defender as convicções pessoais. Adotar as decisões mais próximas da lei. adotam a perspectiva educativa de pessoas que integram uma instituição. A presença e atuação do professor na instituição fornecem sentido. Observar a legislação pertinente.O Estágio da Preservação do Sistema – Social e da Consciência. fidelidade e bem-estar mútuos de forma tácita e convencional. isto é. O valor educativo está baseado em princípios e valores universalmente aceitos e internalizados. interesse. A perspectiva do ensino e da aprendizagem é a conformidade aos papéis e normas socialmente definidos para a preservação do sistema cultural. significado e sentimento de pertença à instituição. As perspectivas educativas reconhecem sempre a perspectiva moral acima da legal. dentro da visão institucional.O Estágio dos Direitos Originários e do Contrato Social ou da Utilidade. “Respeitar as orientações e normas sobre o andamento da Instituição. onde cada um cumpre seu dever e o sistema educativo permanece como fonte de segurança e realização de objetivos pessoais e profissionais para ambos.Professor e aluno têm em vista a preservação do sistema educacional e da consciência. a formação para os valores individuais da consciência e liberdade se antepõe às orientações legais e normas institucionais. “Realizar um processo de auto-avaliação com todos os alunos sobre o seu desempenho acadêmico e como futuro profissional. empenho e compromisso como futuro profissional na área em questão”. avaliação dos aspectos de presença.O Estágio das Expectativas Interpessoais Mútuas. ou seja. educacional e social. (S 12) NÍVEL CONVENCIONAL 4º. O valor educativo se fundamenta na conformidade às expectativas e aos papéis socialmente elaborados e definidos entre instituição. valores e objetivos antropológicos e educacionais. A perspectiva do ensino e da aprendizagem é a conformidade às expectativas socialmente elaboradas e aceitas pelo grupo: Ser bom professor e ser bom aluno aos olhos do grupo social. reconhecendo sua identidade antropológica em termos de estrutura e relações.” (S 7) NÍVEL PÓS-CONVENCIONAL 5º. cultural ou religioso.NÍVEL CONVENCIONAL 3º. assiduidade. não podemos impor uma “moral” aos alunos. O valor educativo se fundamenta na conformidade de ação em relação às expectativas e aos papéis socialmente definidos na preservação do sistema educacional e da consciência. O professor tem em vista a realização dos princípios da educação e está atento à formação integral do aluno em seu processo de desenvolvimento como pessoa e profissional. professor e aluno buscam criar e manter relações de confiança. Estágio . A perspectiva do ensino e da aprendizagem é a partir dos princípios. lealdade. uma sala de aula onde se ensina e se aprende de forma harmônica em relações de aceitação e estima mútuas.

BERKOWITZ. Lawrence Kohlberg.A. Thomas. Bogotá. A perspectiva é atingir os objetivos da formação pessoal e profissional dos alunos a partir dos valores da consciência e liberdade individual e dos princípios éticos universais. . PAOLITTO Diana. p. PIAGET. Ronald e WHELAN. REIMER. São Paulo – SP: Ed. para poder educar seus alunos a partir dos princípios e valores éticos universais. Estágio . Essa é a grande contribuição dos estudos e pesquisas realizados por Kohlberg para a formação das novas gerações e da mudança social” (BIAGGIO. ____________.: Papirus: 2002. Psicologia e Educación. ALVAREZ.]. ____________. Valores. Espanha. Lawrence. 61). Moderna: 2006.. Desclée de Brouwer. El sentido de lo humano. Rio de Janeiro. Segunda reimpresión. B. 1992. LICKONA. POWER. Campinas. SP. 2 Ed. A. DUSKA. HERSH Richard. FREITAG. S. nas relações dialógicas de alteridade – professor e aluno. Ângela M. A educação é realizada em vista dos valores e princípios institucionais e da formação integral dos alunos a partir dos conteúdos antropológicos espirituais. Loyola: 1994. (S 10) “Não pode haver conscientização nem transformação social se os membros individuais de uma sociedade (ou boa parte de seus líderes) não alcançam o nível de moral pós-convencional. Bilbao.C. Um guia a Piaget e Kohlberg. 3ª. 3a. os educadores são chamados a pensar e atuar a partir do nível pós-convencional. 2 Ed. mas com as devidas diferenças de Professor e Aluno [. Marvin. Há espaços de discussão dos temas de estudo. Cortez: 2003.O Estágio de Princípios Éticos Universais O valor educativo está baseado em princípios éticos universais que todos concordam (ou podem concordar) para compor uma sociedade destinada a ter práticas justas e benéficas. Reimpresión. O Desenvolvimento Moral na idade evolutiva.. São Paulo: Ed. HIGGINS. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BIAGGIO. E finalmente. mantendo uma relação de discipulado mútuo”. Ed. de respeito. Gazeta Ltda: 1989. mesmo que se saiba que a maioria das pessoas pensam e atuam em termos do nível convencional. é necessário promover a formação moral dos educadores para que possam educar seus alunos a partir do nível pós-convencional. de forma autônoma das liberdades e da consciência pessoal de ambos. ____________. S. Psicologia del Deserrallo Moral. 2006. A moral na obra de Jean Piaget: um projeto inacabado. Ed. O Juízo Moral na Criança. El Crecimiento Moral de Piaget a Kohlberg. Consciência Moral e Agir Comunicativo. Zahar Editores: 1976 ____________. São Paulo. CAÑON. Mariellen.: Ed.F. ética e educação moral. Bárbara. 1 Ed. J.A: 2002. Benjamin. Madrid: Narcea: 1998. KOHLBERG.6º.. HABERMAS. Tempo Brasileiro: 1989. Joseph. Editorial Gedisa. Barcelona. “Sempre possibilitar uma relação de diálogo. Para tal. F. A Equilibração das Estruturas Cognitivas. Rio de Janeiro. Itinerários de Antígona – A questão da Moralidade. São Paulo: Ed. Carlos. Procurar manter uma relação de Tu para Tu. Jean. Summus Editorial Ltda: 1994. La Educación Moral – Según Lawrence Kohlberg. D. Estabelecem-se relações de formação dialética e dialógica entre professor e aluno.

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