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DIFERENTES ABORDAGENS DO PROBLEMA DE APRENDIZAGEM Por: Hilton Andrade dos Santos RESUMO – Falar de aprendizagem não é uma tafera

tão fácil, haja vista que a palavra possui inúmeros conceitos que interagem entre si, e para abordar os objetivos de diferentes olhares para os problemas relacionados a esta palavra, é necessário antes de tudo conceituá-la. Para lograr êxito na análise dos objetivos deste artigo, serão citadas algumas estratégias para dirimir os problemas existentes nessa abordagem. Palavras-chave: Aprendizagem; Abordagem; Concepção. ABASTRACT – Speaking of learning is not an easy task, considering that the word has several concepts that interact, and to approach the objectives of different looks for problems related to this word, it is necessary first to define it. To succeed in the analysis of the objectives of this article shall quote some strategies to resolve existing problems in this approach Key-words: Learning, Approach, Conception. Todo diagnóstico psicopedagógico é, em si, uma investigação, é uma pesquisa do que algo não vai bem com o sujeito em relação a uma conduta esperada.

Weiss, Maria Lúcia. 1992 INTRODUÇÃO Uma grande problemática do sistema educacional do Brasil deriva-se de várias fontes primárias, querem sejam elas: a família, direção da escola, o próprio aluno, corpo docente, governo, enfim, uma complexidade de fontes, que, em muitos casos se esquivam da responsabilidade, corroborando com o pensamento de Alicia Fernandes (1994) ao afirmar que, "o contrário da culpa é a responsabilidade" (grifo nosso), ou seja, não adianta ficar culpando um ou outro, pelo fracasso discente, pois, a palavra culpa vem do latim delito, erro, vício, o que significa dizer que o valor moral que esta palavra abarca é muito pesado, ao passo quando é substituída por responsabilidade, se torna mais "flexível" e compartilhada entre as partes que estão relacionadas.

Não se deve ficar na especulação ou subjetividade, em saber qual parcela de responsabilidade cabe a cada parte, pois o subjetivo é imaginário, fictício, estático, portanto sua inércia não traz a mudança necessária para a sua transformação, entretanto quando ela é assumida e movimentada, traz reações dinâmicas necessárias para a consecução da sua melhoria, que se forja na realidade do ser cognoscente (aquele capaz de aprender).

A terceira Lei de Newton fala sobre Ação e Reação, retrata que "Toda ação provoca uma reação de igual intensidade, mesma direção e em sentido contrário", traduzindo essa lei física para o campo epistemológico da educação, significa dizer que provavelmente as queixas sugeridas pela escola e familiares são ações problemáticas resultantes no ser cognoscente, que reage de forma instintiva e inconscientemente ao afloramento dessas queixas, e que por sua vez são "diagnosticadas" de modo empírico pela escola e família, sendo a criança "taxada" como "criança problema ou criança que não aprende".

entre outros teóricos tem contribuído muito para a fundamentação da psicopedagogia. pediatras. como objetivo explícito. e implica um estilo de relação – fora/dentro – com a instituição escolar colaboradora e interdisciplinar. escola e o sujeito aprendente. para uma diagnose relacionada e comparativa entre as áreas diagnosticadas. uma vez . etc. Bossa. diversifica o âmbito de sua intervenção. por profissionais de outras áreas. consegue por vezes alcançar respostas positivas. querem sejam eles psicólogos. fonoaudiólogos. o que. por conseguinte a responsabilidade é a parte essencial nesse sistema de "culpa". que são discutidos de forma a se interpolar com todos os profissionais da equipe. pois. que vêem na psicopedagogia um marco para uma nova visão diagnóstica a cerca da educação. apreciam avaliações em crianças com distúrbios de aprendizagem. Solé. a sua participação nos processos educativos variados e de diferente alcance. Os resultados investigados são concatenados pelo profissional da área de psicopedagogia que faz uma "reunião" de todos os dados. que por sua vez tem sido investigado por estes profissionais na área da educação. 348). surge a questão da interdisciplinaridade da psicopedagogia. outros em pequena escala. p. como toda ciência nova. Quando a instituição escolar atua também desta forma. entre outros. que em muitos casos não se faz necessário a intervenção do profissional na área de psicopedagogia.Percebe-se então que o grau de responsabilidade que cada um tem com o fracasso escolar. o apoio mútuo se torna um fator preponderante para resolver problemas surgidos no meio do caminho. Para responder aos anseios de uma sociedade em movimento e evolução. pois. carece de referencial teórico. se cada parte assumisse a sua parcela. onde as responsabilidades são compartilhadas. A interdisciplinaridade é uma forma de organização dessas equipes em prol de um único objetivo. o que torna eficiente o caráter simbiótico da equipe. Autores como Visca. sob o ponto de vista interrelacional entre a escola e a família. a finalidade básica de sua intervenção requer das equipes que seja proposta. provavelmente as causas originárias desse fracasso poderiam ser solucionadas por cada indivíduo que emite a queixa. pode variar para uns em grande escala. que tem sido visto com outros olhares. Este artigo tem por objetivo mostrar um pouco das diferentes abordagens do problema de aprendizagem. sendo assim. consequentemente. Pain. que é a pessoa do aluno. Os diferentes conceitos desses autores. onde os dados obtidos por cada profissional nas diferentes áreas médicas. conforme o pensamento de Carles Monereo e Isabel Solé (2000. A equipe interdisciplinar atua de forma conjunta. Dessa forma. aumentam sobremaneira a busca pela pesquisa no campo psicopedagógico. escola e o psicopedagogo.

que investe em outras áreas "mais supérfluas" do que na educação propriamente dita. Coordenação de Trabalho e Rendimento. A pesquisa realizada sobre educação junto ao Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) publicada no jornal Folha Dirigida em 13 a 19 de julho de 2010. que evidenciam o papel subsidiário da educação na família brasileira. que por vezes é negligenciado no sistema educacional do país. Data: 13 de Julho de 2010. que vê a educação em "segundo plano". Pesquisa de Orçamento Familiares 2008-2009.5% FIGURA 1 – Distribuição dos gastos das famílias brasileiras Fonte: IBGE. por conseqüência da própria "afirmação da psicopedagogia como ciência reconhecida" e por um outro fator ligado a cultura no Brasil. demonstra bem esse papel da atualidade do ensino. por não serem essencialmente inatos ou associativos. estritamente. porquanto o psicopedagogo e a equipe interdisciplinar. (conforme Gráfico 1 página seguinte) 1. Esses traços. que se pretende que caracterizem a práxis das equipes de setor.9% 2. Jornal Folha Dirigida 2.9% 2. a aprendizagem e a instrução – e as suas relações – que postulam como tais processos como não mecânicos. Diretoria de Pesquisas.0% 3. que tinha como título "O ensino longe da prioridade das famílias". É conveniente destacar que o papel da interdisciplinaridade está longe do ideal.comprometido e respeitoso com seu progresso para maiores cotas de autonomia. conforme dados a seguir.1% 0. em muitos casos se vêem sozinhos na luta pela educação e aperfeiçoamento do ensino. estão relacionados.0% . com os do modelo teórico que penetra na reforma dos diferentes componentes do Sistema Educativo: o do construtivismo. entendido como posição básica e de encontro entre as teorias sobre o desenvolvimento.

A Tabela 1 exemplifica a problemática em torno do ensino dentro da sala de aula. p. em que se torna o único a falar em sua aula. ou seja. tímido e sem iniciativa. a atividade do professor é se tornar um facilitador para o aluno. a inteligibilidade das coisas. a forma como o aluno aprende. não aceitaria a idéia de uma resposta diferente do que já elaborou padronizadamente. A grande tarefa do sujeito que pensa certo não é transferir. sendo esta direcionada por certos professores. A tarefa coerente do educador que pensa certo é. pelo qual o professor não concebe uma resposta diferente da qual previamente elaborou. perfazendo um indivíduo com baixa capacidade em criar. a montagem das peças deste quebra-cabeça. dos fatos.2 Diferentes abordagens da aprendizagem Um desvio na aplicação da educação no Brasil é percebido quanto ao modo de ensinar.2% 2.5% 35. a exigir "padrões regulares" e "formatados" de respostas.7. O pensar certo por isso é dialógico e não polêmico. que por sua vez. sendo o de preleção oral o mais utilizado. Portanto esses tipos de alunos são conduzidos a responder de maneira idêntica ao gabarito fornecido ou promulgado pelo professor.4% 19. tomando como paciente o seu pensar. não permitindo a interação ou participação do aluno na aula. depositar. doar ao outro.9% 1. TABELA 1 – Perguntas e respostas formatadas . O escritor e professor Paulo Freire (1998. que são inquestionáveis quanto a sua forma originária.6% 5. Este docente não consegue se desvincular ao método que aprendeu no início de sua carreira. 42) discorre quanto ao caráter educativo da aprendizagem. onde quase sempre estará a espera de uma resposta previamente elaborada por seu mestre. que de outra forma. Não há inteligibilidade que não seja comunicação e intercomunicação e que não se funde na dialogicidade. produzir sua compreensão do que vem sendo comunicado. dos conceitos. exercendo como ser humano a irrecusável prática de inteligir. mas um "quebra cabeças" que está na cabeça do aluno. oferecer. que não é "algo pré programado". desafiar o educando com quem se comunica e a quem comunica.

Resposta do professor Paulo Pedro! A sua resposta está "errada" tendo em vista que a terra não "roda" ela executa um movimento "elíptico" e. e sim "em redor". Pedro É quando a terra roda em volta do sol. além disso.Professor Pergunta / Resposta Formatada Anúncios GoogleAluno Resposta Paulo O que é o movimento de translação? É o movimento elíptico que a Terra realiza em redor do sol. Argumento do aluno Pedro . esse movimento não é "em volta".

onde o educador se acha detentor do conhecimento. 1. que por sua vez não consegue observar. É improvável que alguém aprenda sem "afetividade". entretanto é importante destacar que para haver cognição faz-se necessária a interação. pelo fato de avaliar a resposta dada como inexata. mas antes insere de modo compulsório o conteúdo programático na "cabeça do aluno". inicialmente. sendo responsável pelo desenvolvimento cognitivo do educando. que é o compartilhamento afetivo do Codoc com o Codis. ou seja. Spencer Johnson (1983. pelas interações sociais. pois. 26) diz a respeito da afetividade de uma mãe com sua filha. O que eu me lembro muito bem é que o tempo que ela passava comigo fazia-me sentir muito especial". O livro do Dr. e qual a diferença entre "em volta" para "em redor"? Fonte: Autoria do autor do artigo Observando a Tabela 1. não podendo conter desvios sinonímicos. levando em consideração o que já sabem ou entendem sobre a matéria ministrada." O professor é o mediador entre o aluno e a aprendizagem. Quando o professor parte do que "o aluno já sabe ou entende". por isso. o que garante a continuidade e organização das idéias que o aluno entendeu sobre a matéria ensinada. o professor tem um importante papel de desenvolver o raciocínio lógico de seus educandos. em 1º lugar o que quer dizer a palavra "elíptica". são responsáveis por alunos que "não gostam de matemática". colocando a sua resposta como única e exclusiva. pode ser um sinal da falta de afetividade do aluno com o professor. eu realmente sentia que tinha o tempo suficiente. 1. o que o "aluno sabe". ou interação do Corpo Docente (Codoc) com o Corpo Discente (Codis). que adiante em sua narrativa descreve o seguinte: "No entanto. Esta relação de dialogicidade é um dos fatores que evitam muitos distúrbios de aprendizagem sejam eles imediatos ou futuros.Professor! Realmente não entendi. há uma participação conjunta e contínua do aprendizado. que por sua vez transmite sentimentos individualizantes e egocêntricos.4 Nível de desenvolvimento real . o desenvolvimento das habilidades cognitivas. p. subsequentemente. por interações sociais com adultos. e por conseqüência. se percebe o caráter arcaico do ensino. que iniciam e medeiam.3 Modelo sócio-interacionista Para VYGOTSKY (1988) "o desenvolvimento cognitivo das crianças é. logo. ou o "ponto de origem do que entendeu". é o começo da dialogicidade. alguns "maus professores". determinado por processos biológicos e guiado.

tudo o que faz é criticado pelo adulto. 1. pelo fato de desenvolver o raciocínio. . pois a sua capacidade de realizar algo por si mesmo foi comprometido no nível real. ou seja.É aquele que segundo VYGOTSKY (1988b) ser um indicativo do nível de desenvolvimento mental da criança e ligado ao que a criança consegue fazer por si mesma. passa a descobrir. Quando a criança é estimulada a executar tarefas. Interessante analisar essa fase de desenvolvimento. estabelecem o seu padrão de desenvolvimento potencial de criatividade. pois. aflora desde pequena o seu desenvolvimento potencial. potencializando assim a aprendizagem dentro de si. investigar. mesmo porque. Nessas circunstâncias as crianças com retardos no desenvolvimento real apresentam-se de uma maneira geral: inibidas. pesquisar. e não das aspirações dos alunos para com o professor. tímidas. Quando os adultos costumam inferiorizar as realizações das tarefas cumpridas pelas crianças. o que possivelmente acarretará um retardo no seu desenvolvimento real. onde a aprendizagem se configura apenas dos anseios do professor para com o aluno. descobrir novos desafios. os feitos executados por estas "nunca são bons" ou "são meras porcarias". As atividades que poderá realizar na sua descoberta. exerce então a capacidade cognitiva da aprendizagem. isso vale tanto na escola. quanto em casa.5 Nível de desenvolvimento potencial Para VYGOTSKY (1998b) o nível potencial é aquele determinado pela solução de problemas sob a orientação de um adulto ou de companheiros mais capacitados. faz com que estas gerem uma espécie de incapacidade. sendo também neste ponto prejudicial ao seu desenvolvimento real. que por sua vez tornará um adulto saudável e com desenvolvimento criativo bastante elevado. nada aprendem ou se aprendem é de forma unilateral. analfabetos funcionais. que estudam mas. Os indivíduos com falha no nível real são também aqueles que esperam a resolução da tarefa proposta pelo professor. A importância do desenvolvimento da criatividade da criança se faz a partir dos estímulos que recebe para a sua criação. A criança também pode perder a motivação de fazer algo por si mesma. pois quando é incentivada a desenvolver determinada tarefa. que em muitos casos os adultos são fontes inibidoras das crianças. ou não tecem comentários positivos sobre os seus feitos.

Através da pesquisa realizada no ano de 2007 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) cujo assunto tratava sobre "Análise do Ganho Educação x Produtividade".0 1.5 2. o maior percentual de crescimento no campo das inovações e criatividades eram daqueles profissionais que possuíam maior nível de escolaridade. TABELA 2 – Análise do Ganho Educação x Produtividade ANOS DE ESCOLARIDADE SALÁRIO AUMENTO DA PRODUTIVIDADE 2. presumindo através dessa fonte de pesquisa que. percebeu-se que quanto maior era o nível de escolaridade.55 40% 5. A forma de aprendizado observado na zona de desenvolvimento potencial é um possibilitador para o desempenho da criança na fase adulta. conforme Tabela 2 – Análise do Ganho Educação x Produtividade página seguinte. que de acordo com as pesquisas apresentadas pelo IBGE indubitavelmente evidenciam que o saber é um elemento fundamental para potencializar indivíduos produtivos e prósperos ao longo de suas vidas. maior era o nível de produtividade.39 .

apenas mal organizado.51 47% 12. poderá fazer sozinha amanhã.0 11. mas também dos processos em vias de se desenvolver. entretanto é importante destacar que esta criança está expondo da forma como compreendeu a informação. para o seu nível cognitivo esteja certo. 1988c). podemos dar conta não só dos processos de maturação já completados. demonstrando que o que uma criança pode fazer com assistência hoje.2007 1. Quando o professor ensina a criança e esta por sua vez fala o que entendeu de sua forma. é sinal que esta partiu de um ponto para chegar as suas conclusões. Neste aspecto o professor serve como . que por sua vez. Talvez para o professor a sua resposta não seja a mais ideal.63 108% Fonte: John Snow do Brasil com indicadores do IBGE . a zona de desenvolvimento proximal serve como índice das funções mentais ainda em processo de complementação (VYGOTSKY.59 59% 15. Em outras palavras.5 5.0 3. Através dela.5 Zona de desenvolvimento proximal A distância entre o desenvolvimento afetivo e o nível de desenvolvimento potencial é chamada zona de desenvolvimento proximal.54% 9.

a verdadeira atividade – a práxis – é teórico-prática e. amor. em que as partes professor e aluno se tornam intimamente ligadas. que concorrem para a proficiência do ensino. ou é importante para quem o busque. fala sobre "o conhecimento se produz na interação" Sendo os homens. O educador ao entrar no mundo fantasioso ou simbólico do aluno. O ensinante é aquele que mostra o caminho para o aluno e este caminha com as suas próprias pernas e não as com a de seu mestre. Em concordância ao pensamento de Paulo Roberto Moreira (1996. desta forma o docente precisa entender o raciocínio da criança para tirá-la do seu "labirinto desorganizado" e não fazê-la entrar em um outro labirinto pior do que aquele que ela já esteja. que vai sistematizá-la do ponto de partida em que a criança aprendeu. onde o seu entendimento elabora-se de metáforas que já possui em sua memória.mediador. se há vontade em descobrir é porque aquilo que se procura de alguma forma possui significado. aquele responsável pela organização da informação. tendo oportunidade de não sentir-se sozinho na viagem pelo saber. na atividade prática. é relacional. pois é teórico sem ser mera contemplação – uma vez que a prática é a própria ação guiada e mediada pela teoria. e através da mediação do educador é possível realizar essa decifração dos enigmas que porventura se criam em suas mentes. o que presume que para haver cognição se faz necessário sentimento. é transformadora. p. teoria entendida aqui como uma aquisição histórica construída e produzida na interação que se estabelece entre homens e o mundo. O aluno ao receber a codificação dos símbolos apresentados em sala de aula. precisa decodificá-lo para que tenha sentido para si. é crítica. possibilita a este viver a realidade que se encontra. neste sentido. que é tão somente a satisfação e o desejo do conhecer. o desenvolvimento da personalidade começam na vida real. A zona de desenvolvimento proximal parte da afetividade e desembarca na potencialidade. é educativa. 74). A zona de desenvolvimento proximal sugere que existe um ponto de partida do conhecimento do ser cognoscente. para pegar mais fôlego e continuar até o objetivo final. afeto. assim desta forma se torne possível o primeiro tipo de "viagem". percebe o quanto andou e o que aprendeu no transcorrer daquele percurso. a formação de conceitos. em sua atividade concreta. . a ciência real. pois. Portanto. do qual simboliza e compara com o que o professor está falando. que. a aprendizagem. Uma vez chegado até o final da caminhada. sendo o trajeto realizado com paradas para descanso ou reflexão. o ponto de partida para a construção do conhecimento.

Para ele. O segundo nível.Ainda no final do caminhada. Primeira interação da criança com a mãe 1º NÍVEL Proto-aprendizagem Interjogo objetos e ambiente que o cerca 2º NÍVEL Dêutero-aprendizagem . O primeiro nível denomina-se proto-aprendizagem e caracteriza-se pelas primeiras interações da criança com a mãe.6 Concepção de aprendizagem para Visca VISCA (1991) concebe a aprendizagem como uma construção intrapsíquica. existem quatro níveis de aprendizagem que se estendem desde o nascimento até a morte. PROFESSOR mediador ALUNO decodifica FLUXOGRAMA 1 – Esquema da aprendizagem Autor: Hilton Andrade dos Santos 1. denominado aprendizagem assistemática. refere-se a um interjogo de relações entre a criança. com continuidade genética e diferenças evolutivas. aprendizagem sistemática. resultantes das pré-condições energético-estruturais do sujeito e das circunstâncias do meio. O terceiro nível. os objetos que a rodeiam e o ambiente mais próximo. são representados respectivamente pelas interações do indivíduo com a comunidade em geral e com as instituições educativas. O professor neste processo recebe o feedback dos seus alunos ao perceber que o aprendizado se tornou significativo para estes. percebe que as paradas e os símbolos que não faziam tanto sentido para si no transcurso do trajeto. a dêuteroaprendizagem. e o quarto. agora no seu objetivo final se materializam em um significado concreto e importante.

que ficaria vago ou defasado a aprendizagem não concebida no estágio em que ela ficou comprometida. A concepção de Visca a respeito da aprendizagem mostra bem o caráter genérico desta. pois. A sua mãe representa o seu próprio mundo. A criança no primeiro nível. a sua realidade e também os seus anseios abstratos. O psicopedagogo quando compreende a concepção de Visca a respeito da aprendizagem. o que concomitantemente ressoaria em um ponto de origem para delimitar as suas pesquisas. levando em consideração o nível em que o ser cognoscente se encontra. emoções. com objetivo de determinar causas dos prováveis de distúrbios que esta criança possa se encontra. os sentimentos. Cada etapa da vida do ser humano. tem que passar por estes níveis distintos entre si. onde algumas de suas condutas são direcionadas devido a esse trauma. os objetos que o cercam. se relaciona diretamente com a mãe em grau de sobrevivência com esta. o proto-apendizado. por essa razão que filhos criados sem mãe.3º NÍVEL Assistemática Interação com a comunidade em geral 4º NÍVEL Sistemática FLUXOGRAMA 2 – Níveis de aprendizagem Visca Autor: Hilton Andrade dos Santos FLUXOGRAMA 3 – Concepção de aprendizagem Pain Autor: Hilton Andrade dos Santos Interação com as Instituições Educativas Ao falar de nível entende-se que é um processo programado. isso implica que o ambiente. o que implica em íntima ligação para garantir a sua vida. que são irradiados no ser criança. logo se entende através dessa concepção. influenciam no aprendizado. e também levantar dado a respeito do nível em que a criança se encontra. sofrem grandes traumas de infância no nível proto-aprendizado. sendo que para se chegar ao próximo ponto ou nível. e que ao mesmo tempo se completam ao longo da vida. pode identificar qual nível de aprendizado em que o aluno se acha ou prejudicado em relação a este. adolescente e também na fase adulta. segundo Visca. se alguma parte o nível de aprendizado foi negligenciado a sua defasagem não é suprida no estágio imediatamente superior ou posterior. . deve-se passar pelo estágio anterior.

7 Concepção de Pain Para PAIN (1985a). que diz respeito às respostas do sujeito à realidade que o cerca. do desejo: entendido como o que se refere às estruturas inconscientes representa o "motor" da aprendizagem e deve ser trabalhado a partir da relação que com ela estabelece. O fato de não aprender estava relacionado ao trauma ocorrido na sua infância. conforme a psicopedagoga Olívia Porto (2009. considerando-se os níveis de pensamento propostos por Piaget. que são específicos ao profissional da área de psicopedagogia. repressiva (controle. Após a morte do pai em maio de 2004. Os fatores externos são aqueles das condições do meio que circunda o indivíduo. Por este motivo. a menor se recusa a ir à escola e foi encaminhada para a psiquiatria (aguardando parecer). ao submeter à criança a testes psicopedagógicos. começou a se isolar com vários episódios de encoprese². a vida do indivíduo). que devem ser interligadas de maneira correlata para que o indivíduo não sofra alterações pelo desajuste de qualquer uma delas. 2 Encoprese – é uma defecação nas calças em uma criança que já ultrapassou a idade habitual de aquisição do asseio (entre 2 a 3 anos). 121) que retrata em um dos casos clínicos resolvidos em seu consultório.Os traumas sofridos na infância é uma das conseqüências de distúrbios de aprendizagem. considerado como um instrumento responsável pelos automatismos. a aprendizagem depende: da articulação de fatores internos e externos ao sujeito (Os internos referem-se ao funcionamento do corpo. A mãe relata que a menina "não consegue aprender nada na escola" e que. Do organismo: a infra-estrutura que leva o indivíduo a registrar. devido não possuírem qualificação técnica para compreender os distúrbios ligados a educação. dos problemas ligados ao "bloqueio do aprendizado". sendo tratada como uma "criança que não aprende" e foi encaminhada para exame psiquiátrico. conseguiu identificar as causas primárias pelas quais a criança não conseguia aprender. pelo que conceitua esta em apenas dois fatores. no que a aprendizagem é relacionada a uma ação interna (fatores orgânicos) e externa (fatores gerais do meio que a cerca). da dinâmica do comportamento. devido ao fato de não conseguir aprender. regras) e transformadora (atuação psicopedagógica). Pain entende que a aprendizagem tem três funções: função socializadora (ligada ao grupo que pertence. após a prisão do irmão por tráfico de drogas. representando aquilo que está na base da inteligência. das estruturas cognitivas. psiquiatria ou neurologia não direcionaram suas pesquisas para o campo cognitivo da criança. p. devido a este fato muitos casos como este questão que foram encaminhados a psicólogos se tornaram ineficazes para uma diagnose ligada a educação. o caso de uma criança que foi encaminhada pela direção da escola. não sendo esta causada meramente por fracasso pessoal e sim uma disfunção psíquica e patológica. . e direcionou os seus exames para essa área específica. ela começou a regredir com crises de fecalomas¹ constantemente. permitindo-o regular o funcionamento total. logo o profissional de psicologia. C – 10 anos – dificuldade e distúrbios de comportamento – encaminhada pela escola. pois era traficante. portanto o profissional de psicopedagogia elemento qualificado para compreender o campo 1 Fecalomas – fezes endurecidas como se fosse pedras. gravar. coordenações e articulações). reconhecer tudo que o cerca através dos sistemas sensoriais. o que consequentemente somatizou patologias específicas. como a Fecaloma e a Encoprese. A concepção que Pain tem acerca da aprendizagem parece ser mais simplificada do que Visca. normas. levantou as prováveis causas da problemática envolvida com a criança. entretanto através de uma avaliação diagnóstica dessa autora. quando viu o seu pai morrer e o irmão ser preso pela polícia. 1.

O ser em processo de aprendizagem precisa caminhar com as suas próprias pernas para então sentir as delícias da vitória.Aprendizagem Função Socializadora Função Repressora Função Transformadora FLUXOGRAMA 3 – Concepção de aprendizagem Pain Autor: Hilton Andrade dos Santos Conforme o pensamento de Pain a aprendizagem é um processo dinâmico e relacional onde os fatores internos e externos são marcos que sintetizam esse processo. que está sendo construído ao longo de sua vida. da conquista. perdas fica uma criança "manhosa". pelo fato que. e as suas funções são as formas como se desenvolvem dentro de si. do valor moral de suas conquistas e perdas. . A criança só aprende a andar quando está livre para fazê-lo. esteja em processo de desenvolvimento e a cada descoberta uma nova "pedrinha" é posta no seu imenso castelo. é bom frisarmos que não estamos falando de autonomia sem auxílio. mas se não sofre quedas. que precisa da ajuda em tudo dos pais para caminhar. Portanto todas as coisas que circunda o ser cognoscente são importantes para o seu crescimento. não sente a necessidade de realizar esforços para o seu desempenho motor. mas sim de autoria com supervisão. insegura. quando os seus fatores internos junto com os externos se interagem de forma a se tornar significativa para esta.

SOLÉ (2000).Considerações Finais O presente trabalho científico mostrou as diferentes abordagens dos problemas de aprendizagem. o professor deve irradiar o ensino assim como a luz. Quando falamos em aprendizagem. não se detem em circunstâncias anômalas e especiais. D. M. acreditam que estas possam ser processadas de modo compulsório e repressivo. A Mãe Minuto. desenvolvimento e aprendizagem. mesmo que perceba o abismo em que se encontra o seu aluno.S. pois irradia ondas luminosas pertencente ao seu campo magnético. Paulo (1996). Algumas pessoas não compreendem o peso da palavra aprendizagem. 3 ed. deve ser assim o docente que. LEONTEV. dando soluções cabalísticas. mas através da alma. pois. pois como esta é incondicional. ela não é uma mera fonte de transmissão. que podem contribuir sobremaneira para aqueles que se encontre com anseios em descobrir o que significa o valor desta palavra. Rio de Janeiro: EDITORA RECORD. ensino. que ao "diagnosticarem eventuais problemas de certos alunos". continua sempre irradia o brilho que tem. JOHNSON. Pedagogia da Autonomia: Saberes necessários à Prática Educativa. as questões "problemáticas" não são em sua maioria de origem patológicas. como afirmam os leigos. . incertezas que precisam tomar forma para que o processo de aprendizagem se torne completo. pois. Quando citamos autores de origem nacional como é o caso de Rubem Alves que transmite a aprendizagem não através da teoria. colocam a origem destes na pessoa do aluno. REFERÊNCIAS FREIRE. de crianças que "demoram aprender" ou "sofreram traumas" que consequentemente tem impedido o processo evolutivo da aprendizagem. Linguagem. A luz brilha. L. São Paulo: Paz e Terra. Spencer (1983). retirando de si as responsabilidades pelo fracasso escolar. São Paulo: Ícone. Porto Alegre: ARTMED. é mais que fonte de irradiação. A. LÚRIA. que sugeriram de uma forma contundente que. fatalistas a cerca de determinados casos. Este trabalho teve como finalidade verificar novos olhares cosmovisiológicos acerca da aprendizagem. R.7 ed. falamos de uma vida inteira cercada de mistérios. O assessoramento Psicopedagógico. N (1998). Aprendizagem e desenvolvimento intelectual na idade escolar In: VYGOTSKY. sabe que o seu brilho em algum momento conseguirá romper com a escuridão que se encontra. MONEREO. A. por alguns autores renomados no campo da educação.

Olívia (2006). prática e assessoramento PORTO. Paulo Roberto (1996). Maria Lúcia Lemes (2007). Basesda Psicopedagogia: Diagnóstico e Intervenção nos problemas de aprendizagem. LAMPARINA.html" . São Paulo: FTD. WAK.MOREIRA. PORTO. Rio de Janeiro. Olívia (2006). Psicopedagogia Clínica: uma visão diagnóstica dos problemas de aprendizagem escolar. WAK. Institucional: teoria. Psicopedagogia psicopedagógico. WEISS. Psicologia da Educação. Rio de Janeiro. 2 ed. Retrieved from "/educacao-infantil-artigos/diferentes-abordagens-do-problema-deaprendizagem-3744003. Rio de Janeiro.