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' os "pesquisadores de Chicago identificaram-se a 'ala do '1~10vimento progressista' que acreditava na capacidade da .' 1. 1900-45. durante as quais instaurou-se um intenso debate político sobre a questão da americanização dos imigrantes anti~os. e sobre a oportunidade de se continuar autorizando. particularmente importantes ao longo do século XIX e nas duas primeiras décadas do século XX. por um lado. Etbnic studies tn Chicago. 29 . Uníversiry of Illinois Press. um fluxo migratório importante. sociedade americana para assimilar suas minorias étnicas. Persons. Seus trabalhos representaram ao mesmo tempo o ponto culminante da con-í ~. Persons.2 A IMIGRAÇÃO E AS RELAÇÔES ÉTNICAS A questão da integração e da assimilação dos imigrantes aos Estados Unidos. Urbana. foi central em um país constituído aos poucos sobre vários sedimentos migratórios. S. por outro lado. Segundo Stow . 1987. evidentemente. 160 pp.

e toda atividade humana estabelece um elo entre esses dois elementos. É sem dúvida a este interesse da sociologia de Chicago pela questão da assimilação dos imigrantes que se deve a existência de vários dos grandes conceitos da sociologia americana.r i FI' tradição assimilacionista e as primeiras tentativas feitas pelos pesquisadores de circunscrever os limites dessa tradição" (p. 2 Ao contrário de Durkheim. A atitude é um conjunto de idéias e emoções que se transforma em uma disposição permanente em um indivíduo e lhe permite agir de maneira estereotipada...Itesenvolvidos principalmente nos trabalhos de Thomas e Znaniecki. por exemplo. no processo causal. "Attítude: The hístory of a concept".. mas veio a_ ser também uma característica do conjunto da Escola de Chicago. a aculturação. Desse modo. (p. o significado da ação para os indivíduos é fundamental em Thomas. e as atitudes. partimos do contexto social global para chegar ao problema. entre os quais a desorganização social. São esses conceitos. pode-se consultar D.~:-. que foi _r~dâ' por um grande número de seus alunos. que são "os elementos culturais objetivos da vida social". p6r um lado. pp. ir em direção ao seu contexto global. que considerava que s6 era preciso explicar os fenômenos sociais pela influência de outros fenômenos sociais e não pela intervenção do nível individual. a ~f. que são "as características subjetivas dos indivíduos do grupo social considerado" (p. que exporemos a seguir. 0918. Chicago. valores e atitudes.. 1967. University i 30 31 .inição da situação. pelos "quay~ 3. 78). de grande fecundidade. W. (p.'1' . 21). . 38) de levar em conta. 1. ao estudar um problema. Cambrídge.326 pp. 19) o processo da consciência individual que determina a atividade real ou potencial do indivíduo no mundo social. A atitude é a contra partida do indivíduo aos valores sociais. Studies irt lhe social psycbology of Chicago Press. mas também o significado que tem para os seres conscientes considerados. ao passo que o efeito de um fenômeno social depende do ponto de vista subjetivo do indivíduo ou do grupo e s6 pode ser calculado se conhecermos não apenas o conteúdo objetivo de sua suposta causa.' É de fato necessário ser capaz de dar conta da natureza subjetiva das interações sociais e os fenômenos sociais não podem ser considerados como se fossem fenômenos físicos: o efeito Atitudes individuais e valores sociais Thornas introduziu o conceito de atitude já em 1907/ mas só o desenvolveu alguns anos depois. 22) entre OS dois elementos fundadores do fato social valores e atitudes . partimos deste para .tudo sobre o camponês polonês. Charles Warren Center for Studies in Amerícan History. Sobre a história da noção de atitude e de sua importância na sociologia americana.será estabelecido. 287-365.. of sex. Mass. J' g g -. Thomas. Fleming. a marginalidade. p. a análise sociológica deve levar em conta ao mesmo tempo os valores sociais. e nos de Park e Burgesspelo outro. a análise do social torna-se holística: o fato Ao estudar a sociedade. Tais conceitos. o elo t 2. balizararn a teoria da assimilação. eni-. 1907. Scx and society. . Thomas e Znaniecki afirmavam que um fato social é uma combi! nação íntima dos valores coletivos e das atitudes índívíduais. Pode ser definida como de um fenômeno físico depende unicamente da natureza objetiva desse fenômeno e pode ser calculado com base em seu conteúdo empírico. Uma causa social é complexa e deve incluir ao mesmo tempo elementos objetivos e subjetivos. em Perspecttves tn american bistory. Segundo Thomas e Znaniecki.

pensar a fundação de ~uas~iplinas diferentes: a psicologia social seria a ciência das "atitud~s".foi preso em companhia galante em um quarto de hotel e imediatamente demitido de suas funções pelo presidente da universidade. portanto. ctt. 71:I0mas. Esse conceito permitiu que se opusesse uma teoria sociológica séria às idéias então correntes. 5. as classes sociais. op. 32-33). inclusive entre alguns de seus colegas universitários. Chicago. sobre as relações familiares.). além do mais. diretamente. que. os primeiríssimos intelectuais americanos. Thomas e Znaniecki contribuíram grandemente para rejeitar esse reducionismo biológico. psycbological standpoint. junto com Fra~ Boas. seguido pela maior parte dos sociólogos de Chicago nos 15 anos que se seguiram. e não mudar a sociedade ou pregar sentimentos morais. a principal contribuição foi sem dúvida o estudo dos processos sociais que Thomas chamou . Em abril je 1918. existem em todos os indivíduos: a experiência nova. sobre a realidade . segundo Thomas.social. 6. 285-290.não como resultado coletivo de condutas individuais. a resposta e o reconhecimento. '. mais de dez anos depois. Thomas esteve entre 4. em especial os que se manifestam nas regras de comportamento dos indivíduos. tratado como uma notícia escandalosa pouco importante pela Imprensa local (er. A desorganização social Antes de mais nada. importa indicar aqui a estrutura da obra de Thomas e Znaniecki. mostrando que o estado mental dos imigrantes não estava ligado a um problema fisiológico e sim.desejos" que.Seu objetivo era entender o comportamento humano.\ Thomas já insistia na necessidade de proceder a investigações concretas. a segurança.I. não a raça. Com efeito. individual ou coletiva. às transformações sociais ocorridas em sua vida cotidiana.. objetivas. sobre o comportamento e sobre as atitudes dos indivíduos.0 o o conceito de "atitude" desenvolvido em 77. sociológicos que influenciam o comportamento dos indivíduos e '.quando tinha 55 anos . dizia ele. a obra apresenta diversas contribuições importantes sobre os problemas da assimilação intercultural. '. segundo as quais as diferenças raciais ou étnicas tinham seu fundamento em diferenças biológicas. Thornas. On social organtzatton and social personality: Selected papers. Thomas e Znaniecki consideraram os problemas sociais como fenômenos. aÓ passo que a sociologia seria a dos "valores sociais". 312 pp. classified and annotated bibliograpbies for lhe interpretation of savage society. . pp. 1907. além disso. Chicago. destavezçdoque Ourkheim já havia estabelecido na sociologia francesa. W. 1909." que Thomas e Znaniecki traçaram. É Interessante observar que este caso. para que ele fosse reintegrado à universidade. \V Thomas (org. 1966. foi um verdadeiro programa teórico e metodológico. "é o indivíduo'. Sourccboolefor social origins: Etbnologtcal materials. respectivamente: Nunca mais recuperou seu cargo de professor. É este conceito de desorganização. Na obra que publicara em 1909. que passaremos a examinar. seria vítima do puritanismo protestante que então reinava na "boa sociedade" de Chicago. o Chicago Tribune de 12 a 22 de abril de 1918).Je polish peasant teve um papel particularmente importante no estudo dos fenômenos ligados à imigração. A colocação em evidência da existência de atitudes individuais e valores sociais permitiu. 32 33 . quando Morrls Janowltz lhe fez uma referência explícíta na Introdução do livro que editou sobre Thornas: W. tal C0n10 se diria hoje.. constituem a "organização social" de todo grupo social (pp. No entanto. 932 pp. na compreensão e na explicação dos problemas dos imigrantes. a um brutal transplante cultural e à descoberta de novas regras econômicas de vida.: de desorganização e reorganização. University of Chicago Press. tomados em conjunto. Thomas. cujo sentido não se modificou profundamente desde que Thomas o desenvolveu. apesar do rápido abandono das acusações feitas contra ele e dos esforços de alguns de seus colegas. essencialmente ligados. divididas em quatro partes intituladas. Universlty of Chicago Press. a vida econômica e religiosa assim como sobre as condutas mágicas. A exemplo. só foi comentado publicamente quase 50 anos depois. a criticar as teorias que explicavam as diferenças intelectuais e mentais pela pertença a uma raça: "A variável real".

ainda que.• P $? T ' e -"-_d" - A organização do grupo primário Desorganização e reorganização na Polônia Organização e reorganização na América História da vida de um imigrante --o'..J A primeira parte estuda a família tradicional polonesa arnpliada. ganha ' . a desorganização social.lc·r . Enquanto na sociedade camponesa tradicional polonesa a norma do casamento não é o amor e sim o "respeito".io . . pp.cf. 7. op. de maneira mais geral. a desorganização começa quando os indivíduos "definem sua situação" em terrnos econômicos. as regras sociais parecem perder a eficácia. mas que se amplifica quando uma sociedade sofre mudanças rápidas.i. ·'. " '" ' -r - >.. .. precede um período de reorganização. em vez de sociais: o desejo de sucesso substitui o de reconhecimento social.. Um dos sintomas dessa evolução encontra-se na nova relação do indivíduo com o matrimônio.. -a nova família polonesa na América está baseada no amor. a . . Ao contrário.r:>}l' provém da imigração..do r t. mas é a imigração que é um indício . seus hábitos matrimoniais e.~. o indivíduo deixa de estar integrado no seio da família ampliada.'..' i i I fato de emigrar para a América provoca-uma reorganização.l?o.do a aproxida concepção de família moderna contemporânea.. Mudanças tecnológicas importantes poclenl'igualmente provocar uma tal desorganização. Uma! organização socia~ é um conjunto de convenções. evidentemente.· -=----- -"'. seus hábitos sociais. J ' ~~ \ O conceito de desorganização social permite entender de que modo. 34 35 .( . existe em Thomas e Znaniecki a idéia de uma continuidade que vai da organização social à desorganização e em seguida à reorganização.' A desorganização não provém "de um paraíso social perdido" .' :.'.éstes conceitos sejam considerados por Thomas e Znaniecki como tipos ideais que não existem na realidade. "._ --'---~ O tema central da obra é o da desorganização) com seus corolários de organização e reorganização. econõmicos e políticos. 01 mar-se '\ importância por S. Emseguída.atitudes e valores que se impõem sobre os interesses individuais de um grupo social. políticas ou pessoais. De fato. Essa mudança de comportamento cultural é a marca. manifesta-se por um enfraquecimento dos valores coletivos e por um crescimento e uma valorização das práticas $ '.mesmo e a família retrai-se. de um adensamento da população urbana ou. A desorganização existe quando atitudes individuais não encontram satisfação nas instituições.. estado de desorganização da sociedade polonesa.nt~. Assim como a noção de anomia em Durkheim. cit. C1euma súbita' desertificação.t'ese que se pode encontrar na sociologia alemã em Ferdinand Toennies que corresponderia à sociedade rural pré-industrial. Thomas e Znaniecki já haviam observado essa desorganização da vida camponesa polonesa na própria Polõnia. sobretudo econômicas e industriais. em certas circunstâncias. um fenômeno e um processo que se encontra em todas as sociedades. crises econõmicas.' "I ) . religiosos e intelectuais. 1196·1204. em primeiro lugar para a Alemanha e para o resto da Europa e depois para a América. de uma forma superior de individualização que prefigura a capacidade de assimilação do indivíduo à sociedade americana. culturais.t . .I começasse o fluxo migratório .11~~. 1927. vistas como ultrapassadas. '. segundo Thomas e Znaniecki (pp. que contribuíram para o esfacelamento da família tradicional camponesa e para a emigração em massa.r.ãü·contrário. que corresponde a um declínio da influência dos grupos sociais sobre os indivíduos.I individuais.\.. É antes a conseqüência de uma mudança extremamente rápida.. tenden.. o estado de desorganização social é provisório. Ao longo desse processo de imigração. W. antes que '\f:O. . Znaniecki. ~. 98-108. Passa-se depois ao exame dos fatores. Este é... 706-711).~eSOrganiZ~~~~". A. '/.. do grupo primário. assim como catástrofes :naturais. . . Thomas e F. Na sociedade polonesa. .

assume um aspecto espetacular e até. 1928. Zorbaugh. (1927). 1923. Salnt-Martín d'Hêres. 2" edição abreviada. University of Chicago Press. não se trata de uma volta para trás. 1928. Encontraremos essa noção de desorganização na maior parte das investigações que formam o patrimônio da Escola de Chicago. University of Chicago Press. [19151. de novos valores que modificam os comportamentos econômicos. Uníversity of Chicago Press. P. sem por isso assimilar-se totalmente ao grupo que o acolhe. 318 pp. Tbe Strike: A study in collectioe action.Thomas e Znaniecki distinguem dois tipos de desorganização em Tbe polish peasant. Tbe Gang. 1969. de Harvey Zorbaugh. Chicago. Universlty of Chicago Press. Presses Unlversltaíres de Grenoble. existe um ciclo de transformações: sob a influência da evolução técnica e econômica. \ 17. A socilogical study of Cbicago's near nortb side. W. Chicago. William Foote Whyte18 mostrou que a comunidade italiana por ele estudada em um subúrbio de Boston (Cornerville) era com certeza desorganizada se fosse analisada com relação às instituições da sociedade em geral e com os critérios da sociedade americana "normal". no entanto. W. Universidade de Chicago. dos quais sete publicados em língua estrangeira: "The City" (p. a partir do qual toda uma geração de pesquisadores trabalhou na cidade. 1927. Chicago. H. Universlty of Chicago Press. 1963. 15. 36 37 . Nesse processo. e ainda mais sob os efeitos da imigração. 2&edição. Chicago. Tbe Gbetto.G. a organização do babitat por nacionalidades e a ajuda mútua entre os imigrados. University of Chicago Press.-J. L. Segundo Park.R. '1 9. Thrasher. HilIer. Mowrer. no início dos anos 1910 havia em Chicago 19 jornais diários. ela foi utilizada para estudar as transformaçãos sociais ocasionadas-p~lo rápido crescimento das cidades americanas.fizeram da noção de desorganização social criada por Thomas um conceito importante: Ruth Cavan" sobre o suicídio. 1968. a educação. Unlversity of Chicago Press. ao passo que o indício da desorganização da comunidade é a ausência de opinião pública. Midway Reprínts 1984. um grupo social antes organizado começa a desorganizar-se para em seguida reorganizar-se. na medida em que podem sobreviver paralelamente formas culturais atenuadas do grupo original. Chicago.F. Cavan Shonle. 304 pp . A study of 1313 gangs in Chicago. [19431. Whyte.""\t." que analisou um bairro violento de Chicago. Chicago. Essa desorganização é reforçada pela imigração. mas de uma conduta que lhes permite adaptar-se ao seu novo universo. 18. Foi o caso. Tbe gold coast and tbe slum.M. 1928. 302 pp. LouisWirth15 sobre-o gueto. por exemplo. de Frederic Thrasher'" em seu estudo das gangues.'-0. porém. Tbe Hobo: Tbe sociology of tbe bomeless man. 16. em Tbe City. que conduz a um declínio da solidariedade comunitária. Pamily disorganization. E. segundo Thomas. Contudo.C' o'" . 13.C.360 pp. franco P. AIl tntroductton to a sociological analysis. Segundo Thomas e Znaniecki." Logo. de Paul G. são menos restritivos. 1929. :-'11' \(. 11. Ernest Mowr 14 obre a desorganização da família. University of Chicago Press [19321. Suicide. Reckless. 1926. Os valores religiosos principalmente. t" ' Í' 8. 12. Tbe taxi dance ball. cujos valores. University of Chicago Press." que o utilizou para estudar os trabalhadores sazonais. Na América. Rotjman. 366 pp. às vezes. De fato.T.\. 2" edição. Cressey. 310 pp. Chicago. porém. a desorganização familiar e a da comunidade. A sociological study in commerctatized recreation and city li/e. N. 1955. 314 pp. rf:f. Tbe social structure of an italian slum. têm um papel decisivo. Patterson Srnlth. primeira reímpressão Greenwood. i~ i I Chegou mesmo a ser o conceito principal. A publicação desta obra abriu a coleção de publicações sociológicas da Universidade de Chicago. Street comer soctety.·' ". Montc1air. Cressey. Wirth. mas que se tratava também de uma sociedade r ". -êrui5çãü-denovas práticas de consumo.. Trad. 240 pp. PhD. Para os imigrantes. por serem menos permeáveis à mudança. A família rural é desorganliaâa--pela. Chicago. Chicago. 288 pp. rnest Hiller16 sobre a análise do comportamento dos indiví os por ocasião de uma greve. Este livro é a publicação de sua tese: Suicide. F. de Nels Anderson. 27). dramático . Outras pesquisas . [19331. Anderson. University of Chicago Press.a pauperização e a delinqüência juvenil. 1980." que adotou o conceito para estudar as relações sociais nos dancings públicos. E. University of Chicago Press.. 300 pp. o grupo social reorganiza suas atitudes.YiY ~ ç"'~ 14. regem o restabelecimento de regras e práticas tradicionais. ~ desorganização familiar. Walter Reckless" sobre a criminalidade em Chicago. 388 pp. R. Chicago. NJ. mas também a imprensa local em língua nacional. acarreta. 10. para fazer frente a essa desorganização. Vice in Cbicago. Chicago. A study of personal dlsorganízatíon.

a segunda edição (951) fez-lhe justiça. 266-271). complexa. à v~m ou a ideais e seus valores. Essa passagem de uma a outra nacionalidade exige também que o candidadto renuncie aos seus antigos valores. escolarização bilíngüe etc. a patologia individual '. Recomenda-se até que os americanos se : sirnples mimetismo. já citado. Thomas. os fenômenos complexos ligados ao que foi chamado de "segunda geração". Park e H. o e ao imigrante. ao alcoolismo. festas. pu seja. a maioria dos estudos da Escola de Chicago sobre a etnía e sobre os problemas dos imigrantes nos subúrbios deveriam ser retomados por todos aqueles que se ocupam hoje desse problema social. Segundo eles. Miller. Os imisocial coletivo. nem ainda mtelran1ente americana. 38 39 . mas antes~~ mestiçagern ativa. de seus gando-se à delinqüência. Exige a construção de uma memória comum ao nativo apesar do processo positivo de reorganização social observado. a assimilação é ao mesmo tempo desejável um elo direto entre os dois problemas. com relações pessoais hierarquizadas. das gerações futuras. que foi o co-autor deste livro. por isso que é preciso favorecer o advento de tais formas sociais . principalmente patrióticos. entreacolhe. Nova York. Thomas e Znaniecki. Thomas desenvolve a questão da assirnilação e faz recomendações aos poderes públicos no sentido de que favoreçam esse fenômeno. fundadas em um sistema de obrigações recíprocas" (p. bem como a metodologia que empregaram."'t-Po r meio da escola p'lf6íicã. . estimulando sobretudo o desenvolvimento de instituições múltiplas que estabelecem um vínculo de continuidade com o passado. I' A reorganização assume uma forma mista e passa pela \ \.' mas supõe uma fase prévia deRrocesso de reorganização é dificilmente seguido pelo indivíduo. . Arrisquemos aqui u~ hipóte~e='~~esse . e não se deve estabelecer Segundo Thomas. e supõe um conhecimento da língua inglesa. como que afastado desse fenômeno uniformidades culturais do grupo étnico a que pertence. É 19. isso (j)l(l \"!' "~ transição.~~I!}~~!<:t diversas formas de crime. Pode-se considerar que as pesquisa de Thomas e Znaníecki. mas também as grandes linhas de sua história.. Isso vale sobretudo para os indivíduos da segunda /'grantes. !: . evide. em sua vida particular. com efeito. devem não só aprender a língua do país que os geração. que já '.Vi não é um indício da desorganização social. faziam uma distinção eptre a "desorganização" individual. que pode muito bem tomar-se importante ao longo da presente década. Em uma obra que não pôde assinar em virtude do "escândalo" que provocara em Chicago três anos antes. e não de uma falta de organização.". Old uorld traits transplanted. com a cultura que o imigrante está abandonando: .2o Desmoralização e assimilação Y: . que pagam o tributo mais pesado a essa reviravolta. que chamavam de "desmoralização". Constatamos contudo que. 308 pp. '. mistas e provisórias. 20. que exige a :familiarizem com as culturas dos países cujos imigrantes estão 1 construção de uma nova identidadel" . na França contemporânea (1991). de uma organização social diferente. 1921. De modo geral.'masconstitui uma promessa de assimilação . 272} Tratava-se. acolhendo (pp. portanto. .r. __ --. . constituição de uma sociedade polonesa-americana.organizada. Os indivíduos devem poder emancipar-se das indivíduo continua inadaptado. na!!1ed~~m que a adaptação não é nunca um Iidentidade e a nova . atríbuíndo-lhe a paternidade principal da obra. . paro' estabelecer um elo entre sua antiga fazer outros novos. Ainda hoje o conteúdo do "exame" para se obter a nacionalidade americana traz perguntas históricas e constitucionais.. portanto. estruturada.. . "que possui sua própria organização. Harper. mas cujos principais elementos parecem ter sido fornecidos por ele e da qual ele parece ter escrito a maior parte. são particularmente pertinentes para estudar.assocíações diversas." Esse aprendizado se dará.I1. e inevitável. passando Park e Miller a serem considerados apenas como colaboradores dele. durante a qual a comunidade de imigrantes' mantém: e ocorre porque ele exige que este se desfaça dos vínculos antigos para 'cultiva sua identidade. l" !'Jem todas as manifestações de desvio são sempre um sinal de desorganização social: é possível também que se trate de um desvio individual. R.. ao prescrever-se o copyrigbt da prímeira edição. 21. __ _ . -. e a desorganização social. não pôde assíná-lo em virtude do escândalo. não é completamente polonesa. Somente 30 anos depois.

a partir de 1905. Sempre há um conflito entre a definição espontânea de uma situação por um indivíduo e as definições sociais que sua sociedade lhe oferece. dos agentes sociais. Grafmeyer e L joseph. que. relatos de primeira mão. cartas etc.W. Contributions to urban sociology. L'École de Chicago. Entre 1914 e 1933.~ ?2pq " T 2 2 2 ? ? ar 12 A assimilação. que se modificam progressivamente e contribuem com eficácia para a adaptação (pp. dito de outro modo. Thomas desejava que desse modo eles pudessem ter acesso à maneira como os indivíduos "definiam sua situação". culturais e raciais. 1923." . quando possuir o domínio da linguagem natural do grupo. Aubier. Naissance de i'éccotogie urbaine. (especialmente no Congo) e. Líttle. inaugurando assim um dos temas mais importantes da sociologia americana. 24. University of Chicago Press. para ser realizada mais rapidamente. que já utilizara sem muito destaque em Tbe polish peasant. A definição da situação Em 1923. por um lado ele havia sido um militante da causa negra. 378 pp. é tanto mais disseminada quanto mais forte é a pressão da sociedade americana para uma assimilação completa dos imigrantes. e que este último o levou para Chicago. segundo observa Thomas. sem conseqüências. e surgem formas mais ou menos violentas de delinqüência. 290-293). 674 pp. ocorre a cada vez que a sociedade industrial invade o mundo camponês. antes de vir para a Universidade de Chicago em 1914. ou seja. da-situação a que deve fazer frente. autobiografias. portanto.. Paradoxalmente. Chicago. 79-82) em Y. 1964. íntítulado "Définir Ia sítuation". 2~ B urgess 24 resume b em as d os imigrantes preocupações de seus colegas: Boston. será completa quando o imigrante tiver o mesmo interesse pelos mesmos objetos que o americano de origem. Paris. o aspecto político da questão. e que viria a ser. uma das grandes figuras militantes da causa negra. Pode definir cada situação de sua vida social por intermédio de suas atitudes anteriores. E. nessas circunstâncias que ele conheceu Thomas em 1912. aliás. durante um colóquio sobre a questão negra.22 Thomas desenvolveu outra noção. segundo Thomas (que porém negligenciou. Foi. 42 teses ou trabalhos foram escritos por estudantes de Chicago sobre as relações étnicas. para favorecer a transição para a assimilação. por outro lado. levantando-se contra a exploração de que os negros eram objeto na África. o contrário da assimilação é a desmoralização do indivíduo. 262 pp. Brown & Co. que o linformam sobre esse ambiente e lhe permitem ínterpretá-lo. 23. o indivíduo de seu grupo cultural e social de origem. bem como o das condições de vida econômica do imigrante). pela pertença a organizações étnicas. a delinqüência. quando ele se tornar membro. w. juntamente com a de desorganização social. mas que assume proporções inquietantes na comunidade de imigrantes na América. Tbe unadjusted girl: With cases and standpoiru for bebaoior analysis. 22. . 1990. cuja função é manter uma continuidade coerente na vida dos indivíduos.. que. que é antes de mais nada um processo psicológico. depende ao mesmo tempo da ordem social tal como se apresenta ao indivíduo e da história pessoal deste. A americanização em massa passa. pode levar à adoção de medidas com vistas a enfraquecer as indispensáveis instituições comunitárias dos imigrantes. uma das ~" noções da sociologia americana por várias décadas: a de~9_ 'da situaçãoD indivíduo age em função do ambiente que percebe. o ciclo das relações étnicas Praticamente todas as obras mais rnarcantes da Escola de Chicago são consagradas à questão da imigração e da íntegração . 40 41 . Burgess e J. conselheiro de Booker Washington. Park teve um papel preponderante em despertar o interesse por essa questão. ao contrário. Thomas. Essa pressão produz então o contrário do fenômeno esperado. na linguagem da etnometodologia. à' socie d a d e americana. Thomas insistia também em que os imigrantes pudessem continuar falando e lendo em sua língua nativa. A (definição da situação. Bogue. Deve-se observar que. sintoma evidente da desmoralização de que Thomas falava.r?? 7 . Ao insistir na necessidade de os pesquisadores coletarem. parecenos. foi traduzido para o francês (pp. Um extrato deste livro. porque não se pode separar.

pelos indivíduos. O conflito manifesta uma tomada de consciência. !:> rivalidade é "a interação sem o contato . decisivas na transformação social: "A rivalidade é o processo que organiza a sociedade. pode-se dizer que a rivalidade determina a posição de um indivíduo na comunidade. sacodem ainda regularmente algumas grandes cidades dos Estados Unidos. Ao contrário. 1969. Ela determina a repartição geográfica da sociedade e a distribuição do trabalho. da adaptação e da assi~(p. VIII a Xl. distinguiu quatro etapas. ao contrário da rivalidade. cada uma delas representando um progresso em relação à precedente: a rivalidade.comunidades às quais a segunda geração queria escapar . o conflito. (p. "">. na tradição da antropologia da época. tão características da vida moderna. que se impõe a esta organização cq~npetitiva. qtJe é inevitável quando populações diferentes são postas em presença. 508).' social" (p.:-\ Esta questão sociológica está ainda hoje na ordem do dia. 325) autóctones e imigrantes. os sociólogos ficaram fascinados com a pesquisa etnológica urbana.) A hostilidade e as tensões entre as diferentes comunidades étnicas eram consideradas como fenômenos objetivos.25 ao descrever o processo de desorganizaçãoreorganização que balizava as interações entre os grupos sociais 25. da . a adaptação e a assimilação. que se tratava de explicar e não de estimular tomando partido por lima Oll por outra. que entra assim na ordem do político. são produtos da rivalidade. Por outro lado.. verdadeiros imigrantes internos. Quase nenhum de seus trabalhos foi uma simples descrição. deram mostras de um faro político incontestável ao consagrar a quase totalidade de suas pesquisas aos múltiplos problemas de inserção colocados pela imigração em massa.foi um importante resultado da pesquisa sociológica entre 1920 e 1930. Basta constatar os problemas raciais e os ocasionais tumultos que.. Burgess. quer se tratasse de imigrantes europeus camponeses poloneses ou comunidades irlandesas. alemãs. estabelecendo-se nas grandes metrópoles com vistas a encontrar um emprego. estão ligadas ao controle social. C. 42 43 . é sempre consciente e envolve profundamente o indivíduo. Iruroduction to tbe science of sociology. 574). na medida em que cria uma solidariedade no seio da minoria. Caracteriza-se pela ausência de contato social entre / os'í. of 1) A rivalidade é a forma mais elementar de interação. 2) A segunda etapa é o conflito. 506-784.A descoberta de que os grupos étnicos eram um gigantesco mecanismo sociológico de defesa que facilitava a sobrevivência e a adaptação dos imigrantes . Os sociólogos de Chicago. A divisão do trabalho. a ordem moral e política. (1921].divíduos. russas Oll italianas -. portanto. quer fossem negros do sul. University Chicago Press. Chicago. 1. pp. ao contrário. adaptação e da assimilação. o conflito atribui-lhe um lugar na sociedade" (p. que acarreta uma nova divisão do trabalho. da rivalidade a que estão submetidos. Park e E. é produto do conflito. fator que favorece o surgimento do conflito.. Trata-se de uma etapa decisiva. após a luta dos negros por seus direitos civis nos anos 60.040 pp. O ciclo das relações étnicas em Park Park (921). Como se tratava de um problema político candente e como havia uma grande diversidade nas comunidades coloridas de imigrantes. as relações sociais são reduzidas a uma coexistência baseada nas relações econômicas. assim como a vasta interdependência econômica entre indivíduos e grupos de indivíduos. <. 507). eram analíticos e pretendiam mostrar os traços de comportamento e os processos de adaptação e de transformação próprios dos imigrantes em seu novo ambiente econômico. . caps. Durante esta primeira etapa. R. etapas que. Enquanto a rivalidade é inconsciente e impessoal. é universal e fundamental. 3' edição. É um processo que sempre acompanha a instalação dos indivíduos em seu novo ambiente: "De um modo geral. o conflito.

ao longo das quais os indivíduos adquirem a memória.compartilhadas.IDÍ914. em compensação a assimilação dos diferentes grupos étnicos. 510): Processo social Rivalidade Conflito Adaptação Assimilação Ordem social Equilíbrio econômico Ordem política Organização Personalidade social e herança cultural A noção de assimilação em Park seu primeiro artigo sobre o problema da. 204-220. pp. as gangues da fase precedente tornam-se clubes na da adaptação Cp.. ou seja. por um lado. Park. Durante esta fase. do sinal evidente . Ela representa o esforço que os indivíduos e grupos devem fazer para ajustar-se às situações sociais criadas pela rivalidade e pelo conflito. há uma coexistência entre grupos que continuam rivais em potencial. de tradições e de técnicas comumente '. as diferenças raciais fundamentais são acentuadas. a personalidade do indivíduo transforma-se: "Há interpenetração e fusão. de aumentar uma mesquita. que são processos sociais. do funcionamento da sociedade sem perder suas particularidades. culturais. por uma prefeitura comunista do norte do país. principalmente pela educação e pela divisão do trabalho. mas que aceitam suas diferenças. assimilação. 27. pelo outro. R. e seus respectivos valores misturados.de íntegraçào à sociedade francesa que pode representar a instalação de um local de culto diferente em território francês. Se. corresponde esquernaticamente uma ordem social particular na estrutura social. Ao contrário.J 1· comum. 44 45 . integram-se em uma vida cultural comum" (p. segundo a qual a unidade nacional exige uma hornoge(. ou os jornais de lingüa estrangeira têm um papel determinante. no qual as organizações de defesa da cultura dos imigrantes por exemplo. tal como a conversão religiosa. aos hábitos sociais e à técnica veiculados por um grupo. A adaptação é um fenômeno social relativo à cultura em geral. na sociedade industrial. os sentimentos e as atitudes do outro e. ao compartilhar sua experiência e sua história. Lendo o que Park e Thomas e. Ill. que segundo Park é uma seqüência "natural" da adaptação. Park. de aceitação . não há como não fazer uma aproximação com certas notícias alarmantes que surgem regularmente na França contemporânea (1991). Glencoe. \ neidade étnica. pp." A cada uma dessas quatro etapas. é preciso estimular o desenvolvimento destes em vez de combatê-los. a despeito da liberdade de culto inscrita na Constituição francesa. As relações sociais são organizadas com o fim de reduzir os conflitos. " I. depois deles. é a assimilação. comO considera Park. râ?k''pvblicou I 26. controlar a rivalidade e manter a segurança r das pessoas. "Racial assimilation in secondary groups with particular reference to the negro". 510). Race and eu/fure. e. é realizada pela adoção de uma língua única. A assimilação é um fenômeno de grupo. março de 1914. 1950.3) "A adaptação pode ser considerada. define a assimilação como um proI cesso durante o qual grupos de indivíduos participam ativamente .ho qual rejeita a hipótese. Os contatos multiplicam-se e tornam-se mais íntimos. 606-623. American fournal of Sociology. 19. tais como a proibíçào. Desse modo. um grande número de sociólogos de Chicago escreveram nos anos 1920. 4) A última etapa. como uma espécie de mutação" (p. Portanto." .mas que ao mesmo tempo pode paracer paradoxal . 722). durante a qual as diferenças entre os grupos são diluídas. 735). reproduzido em R. Free Press. tal como escreve Park (p.

Ph. Park). mediante a qual ele entende que. que pensa sofrer o desemprego em virtude dessa concorrência "desleal". Doyle.Í" Ber~illiam Brown" _/~ ti I I I I :1 'I d l i: . Este foi. Vinte e cinco anos após se terem instalado na Califórnia. 31. segundo Park. 1930. a cultura. Uníversíry of Chicago Press. junto aos próprios molokans. sua doutrina..F. respectivamente presidentes do Ctty Club e da Chicago Urban League. Young. e s6 conhecem a Rússia de ouvir falar. 33. as tradições tornaram-se uma lenda. centenas de relatos sobre suas tradições. 28. As tensões raciais nos Estados Unidos Vários sociólogos negros formaram-se em Chicago e realizaram investigações sobre as interações étnicas e as tensões raciais. haviam previsto esses distúrbios raciais desde o princípio do ano. "Race Prejudíce: A Socíologícal Study". inculcando-lhe a língua. composta por negros e brancos. Todavia. Pauline Young mostra assim que o sagrado se institucionaliza e torna-se profano à medida que a vida comunitária se desintegra e começa o processo de assimilação cultural. após t." A direção das pesquisas foi confiada a um negro.. Para eles. 30. C. Mead e Park. Tbe etiquette of race relations in lhe Soutb. P. University of Chicago Press. Frazíer. considera-que ?~'p!~~~~o~ raciais s~o 1~1aisconse.S. Foram os primeiros problemas raciais sérios ocorridos em Chicago.I1932J.__ qüência de um conflito de interessesqti!KIe uma ignorancia ou de l:ú11a-incoiiipreensão-suscetível de ser corrigida pela educação: a esàavídaüéantes demais nada uma brutal exploração econômica ela pessoa humana. mas que mantêm ainda algumas tradições. pesquisou na região de Los Angeles durante cinco anos e recolheu. A obrigação. 32. Brown. A escola permitirá que ele apreenda as formas da vicia americana. 3) finalmente.. seria encarregada de estudar as causas dos tumultos e fazer recomendações.O. 672 pp. e em vão haviam tentado alertar as autoridades da cidade contra possíveis incidentes sérios. Em julho-agosto de 1919)violentos tumultos irromperam.-. como imigrante. e foi decidido que uma comissão mista.. Nova York. 250 pp. e r $ •• e e e a * ~~rigem dos preconceitos raciais reside. A study ill social control. que falam russo e conservam seus sentimentos religiosos. 29.! I.. 'Deles resultaram 38 mortos (dos quais 23 negros) e várias centenas de feridos. 296 pp. University of Chicago Press.. por exemplo. o caso de Charles johnson" e os de Franklin Frazier. P.em Chicago durante uma sernaria.. :'1 2) os molokans cuja vida reflete uma mistura de russo e americano. d~-aceitar salários baixos granjeia-Ihes a hostilidade da população local. Tbe negro family in Chicago. a ideologia democrática e sobretudo a história dos Estados Unidos. 294 pp. Young. 1937. e pode-se considerá-los como "culturalmente híbridos" (p. Young julga poder distinguir três tipos de molokan: 1) Os velhos. 1922. 46 47 .W. B.. que fala russo. Os molokans são camponeses que formam uma seita religiosa cristã e que fugiram da Rússia em virtude das perseguições de que eram objeto por parte dos ortodoxos russos e do czar. --. Chicago.. Tbe pilgrims of tussian-toum. P. a educação tem um papel importante na formação do imigrante em sua nova cidadania. Chicago.~. nascidos na Rússia.-. E. 470 pp. W.~!3Qªli~ado o sistema de escravidão e o da: castas. Foi o que constatou Pauline Young" em seu estudo etnológico de uma comunidade de emigrantes russos estabelecidos na Califórnia desde 1905. Russell & Russell. Charles johnson. Universidade de Chicago. ]ohnson. 2" edição. por parte dos imigrantes. tem efetivamente um futuro no país. 10). Park. suas experiências pessoais na Rússia e na América.. Sua atitude para com a seita modificou-se. nas desigualdades econômicas. 1932. 1%7 (com uma introduçào de R. Tbe negro in Chicago: A study of race relations and a race riot in 1919. Chicago. aqueles que nasceram nos Estados Unidos.'--'-~ .D.

tais como a freqüência às lojas. constata-se que os alunos negros com freqüência têm desempenhos mais fracos que os brancos. em virtude. o processo judicial contra os delinqüentes. que os negros conside' ravam a imprensa como diretamente responsável pelos conflitos sociais. O relatório de Johnson recomendou diversas medidas. família instável. Mas a comissão descobriu que havia uma segregação clandestina contra os negros. cit. tais como o reforço do trabalho da polícia.. principalmente. segundo Doyle. concebido originalmente para conceitualizar a evolução dos imigrantes de origem européia. em especial a idéia do ciclo em quatro etapas. B. para caracterizar as relações mantidas entre as comunidades brancas e negras.diplomado em sociologia e ex-aluno de Park e Burgess. com uma tese intitulada Racial Traits of the Negro as Negroes Assígn Them to Themselves. e que os episódios que envolviam negros eram relatados de maneira parcial. tinha um papel decisivo nas tensões sociais. nas atividades ordinárias da vida cotidiana. o reforço à assistência social. do contexto familiar e cultural: pais iletrados. apoiada pela imprensa. escapa aos desejos racionais dos homens. johnson utilizou este ciclo. a opinião pública. o controle dos clubes esportivos. a intimidade que se estabelece entre os proprietários de uma plantação e seus domésticos negros só é possível na medida em que "os rituais sociais que definem e mantêm as relações de castas sejam integralmente respeitados" (p. 1937. li :1 :1 "i! i :i " 34. Outro aluno negro de Park. A comissão levantou também os fatores que provocaram os tumultos. No entanto. A influência destes últimos ficou particularmente visível nos métodos de pesquisa utilizados: observações de campo." fez uma investigação sobre o papel das conveniências nas relações sociais étnicas do sul dos Estados Unidos. finalmente. 48 49 . não existe discriminação contra os negros . Desse modo. fazendo com que seja deixado ao tempo a tarefa de mudá-Ia. Vários fatores que facilitariam a integração da comunidade negra foram postos em evidência. entrevistas de negros <: brancos. aos cinemas e aos restaurantes.leva os jovens a estar em contato uns com outros. Por exemplo. op. cuja definição. a função das conveniências sociais é manter a distância entre as raças. Se o habitat mais ou menos concentrado de negros e brancos é um fator de segregação. muitas vezes eram acusados pelos operários brancos de serem fura-greves.onde. cujos membros brancos haviam tido um papel ativo durante os tumultos. Contudo. mal-alojada e com uma ausência total de lazer positivo. Sua origem esteve em um incidente ym uma praia que não era permitida aos negros. histórias de vida de dezessete famílias negras consideradas típicas. o estímulo à formação de associações mistas que pudessem servir de exemplo para uma futura harmonia racial e. a instalação de um comitê permanente que investigasse os incidentes de tipo racial. em grande parte inconscientes tanto de um lado como do outro. sobretudo sobre os tipos de emprego encontrados pelas duas comunidades. Doyle. O relatório de Johnson sobre esses acontecimentos foi estruturado em torno aos principais conceitos que Park e Burgess (921) haviam desenvolvido no ano anterior. Doyle j:\ havia feito o rnestrado em Chicago sobre os problemas raciais. não havia segregação "oficial". Descobriu-se assim. XIX). segundo ele. I \ negros. questionários e entrevistas. Essas relações. Bertrarn Doyle. a escola . Segundo ele. por exemplo. o controle dos locais de lazer. Em 1924. revelam um comportamento adaptado que confirma e reforça constantemente o lugar de cada um em uma ordem moral duradoura. pobre. análise do conteúdo dos artigos publicados durante o ano que precedeu à revolta em três jornais diários brancos e em três jornais diários . Recomendou-se também a melhoria das condições de habitação e das escolas dos negros.

Park. que assumisse a direção de uma pesquisa sobre as tensões raciais entre a população ~americana e as comunidades asiáticas..us..-... conseqüências importantes-s(._ . Essa escala distribui valores numéricos a tipos de relação que vão do mais íntimo (casamentos interétnicos. por exemplo. outros imigrantes continuam chegando e.--" ! ••• t e' e • __ ."'\.' •••• ~ •• _ ••• __ . t~. trabalham constantemente. 1911." que estava então na Universidade 35. que. Ao próprio Park foi solicitado..~m<l. no prefácio que escrever~ ~ 50 . na fronteira canadense.8~. segundo um dos pesquisadores.'. torna-se interessante porque pode ser contratado a ba~x~"preço. durante todo o dia e todos os dias e ~~nca-ti'rànl'féf1as: tórnandü'assim desigual toda concorrência econômica. ameaçados em seu õÍ\.medidas antidn:úgratérla. 'queixavam-se. que precisa vender sua força de trabalho. mas que os apresentassem de forma objetiva"J::carta a Fred Matthews... "exigia de !! 'seus ãi~nos que coletassem dados subjetivos. Durante a preparação de sua pesquisa. 1984. ._ ••• _. •• __ ••••• __ ••• _.' FoiIsso.hre a pesquisa.. deviam passar as relações entre a comunidade de imigrantes e aquela que os acolhe: • a primeira etapa. Em 1937.. de 12 de setembro de 1968. quando a investigação de Park e seus associados estava pela metade.s. . entre os quais Emory Bogardus. • durante a segunda etapa o imigrante._ ••••• ~ •• _. Além disso.. ao proibir toda nova imigração japonesa para os Estados Unidos. r --.. Tomando emprestado de Park o ciclo de assimilação dos imigrantes.. segundo a opinião pública. que mede estatisticamente a distância social entre diferentes grupos sociais.:()mo ele próprio declarou. I í(\~. Chicago.naquela época os americanos.\ ('li ' .. ao mais afastado (hostilidade e.I."\' ...--• a sexta etapa caracteriza-se pela diminuição de hostilidade que se segue à adoção de. A'úniCâsoluçâo. . suas elevadíssimas taxas de natalidade ameaçam a comunidade local com uma "invasão".. Ph. em especial :de raças diferentes. A imigração japonesa e as sete etapas de Bogardus I c'J): r' '. 'aliás. • a aceitação desses baixos salários por parte dos imigrantes grangeia-lhes em seguida a hostilidade dos trabalhadores ~~ais. É o nascimento do. University of Chicago Press.J . lembrando os valores de liberdade e igualdade que formam a base da sociedade americana: .-. em especial a japonesa. na costa oeste dos Estados Unidos. Os' japoneses.j" r íf' :~.·• a sétima e última etapa é a da segunda geração de imigrantes.O totais). ele precisou e definiu sete etapas cronológicas pelas quais.r~Jo ... __ •••••• _ ••• __ ••••• . a longo prazo.L Bulmer. é natural." r.•.l. citada em r-._. I Ao contrário de Park. Ç. em uma autópsia.. da Califórnia do Sul. que o Congresso ai11éric-.~j-de vida e até em seus empregos. n!!~º_ª-º_"p~ri. Ç'/ ~)l l' . durante a qual os imigrantes recém-chegados são observados.~~-fezparcialmente em maio de 1924..• ~. .. seria excluí-Ios dos Estados UnídO's. ~_ . que logo teve de ser interrompida por falta de meios financeiros para prosseguir: o projeto de diagnóstico de uma sociedade enferma de seu racismo transformou-se desde esse momento.. segundo ele. (J " " i 11 ' . até a fronteira mexicana no sul. é caracterizado por uma curiosidade neutra: ". 154). sem esperanças de cura ou de melhora. em 1923.. mesmo detestando a estatística. a concepção desse ínstrumento fora-lhe\ r paradoxalmente sugerida por Park. Bogardus não encerra seu ciclo de transformação dos imigrantes com a completa assimilação des~ cultura americana. . Seu nome dele ficou famoso na sociologia e na psicologia devido à "escala de Bogardus"..exc. • a quarta etapa caracteriza-se pela exigência de medidas ~egislativas anti-imlgração: \ c ) r) (' /'\ d • os americanos mais liberais e progressistas reagem e apóiam os imigrantes.. já .. p. Bogardus havia obtido o seu doutorado quando era estudante em Chicago: The Rebtion of Fatigue to Industrial Accídents. rI "\ " ' 1. que enfrenta os problemas de se terem' transformado em híbridos cultt trais. 'Tbe Chicago School cf Soctology. Esse japanese Exclusion Act teve.D" Universidade de Chicago. r "-' I ~.i. que queria efetuar mediante a ajuda de entrevistas e recolhendo histórias de vida de japoneses de segunda geração (os "nissei") desde Vancouver. Park recrutou alguns sociólogos instalados nas universidades da costa oeste. à.•.

é preciso distinguir entre eles diversos subgrupos. o conflito não constitui apenas uma etapa ao longo da história das duas comunidades. R. Quanto mais no centro se mora. vivem em casa própria e vão à igreja: "Nas zonas periféricas encontram-se os negros mais inteligentes e mais eficazes" (p. desenvolvem movimentos reivindicativos pela igualdade de direitos entre as raças. ao contrário. j r i' . Park. sempre inferiorizada pela cultura e a ordem social brancas. Segundo ele. e sim com a existência de dois sistemas raciais distintos. ele é endêmico. a elaboração de um sistema de castas semelhante ao da Índia ou. os negros são marginalizados e ideologias antagônicas estabelecem-se em cada uma das comunidades. adquiriram os traços principais da cultura americana.. em que as relações entre superiores e subordinados são constantemente conflitantes. "pensam em si mesmos antes como negros. . mais a vida social é desorganizada e mais desmoralizados são os indivíduos. considera que já não se pode falar dos negros como de uma entidade homogênea. escreve Frazier. Ao contrário. cada uma das duas raças desenvolve suas próprias instituições sociais e ocupa zonas urbanas diferentes.. Este deixa de encerrar-se sistematicamente com a otimista assimilação dos imigrantes. mas. o mesmo não se deu a cada vez que teve de lidar com raças diferentes. 345 pp. Se os Estados Unidos foram capazes de absorver as diferentes culturas e etnias européias. com prefácio I. ao contrário. os negros americanos são com certeza aculturados. As famílias negras da periferia são bem integradas à população branca. segundo Brown. e de fato marca cada uma das fases do ciclo de relações étnicas entre as duas comunidades. segundo zonas concêntricas diferentes.o estudo das relações raciais foi esclarecer o conceito de assimilação. 252). Segundo Frazier.'< li . com seu habitual cortejo de problemas sociais e de delinqüência juvenil: Quando nos afastamos do centro para a periferia residencial da cidade. 36. a vida social está mais bem organizada. mas não foram por isso i assimilados à sociedade americana e.\~ . Adams. mas. e só depois como americanos" . a persistência de uma minoria racial.". VII-XIV).a obra de Romanzo Adams. 36 fez uma modificação em sua teoria do ciclo. correspondentes a diferentes níveis 80cioeconômicos e repartidos geograficamente (como Park e Burgess já haviam observado para o conjunto da população de Chicago). A principal contribuição de Frazier para. Antes de mais nada. em que a única autoridade é a do senhor branco. O conflito culmina na fase de adaptação. "Os negros americanos". a branca e a negra. Nova York. (:I"l. sem a presença de um dos pais. como os asiáticos e os negros. nunca poderia haver uma assimilação completa da comunidade negra. considerava Frazier. Macmillan. William Brown desenvolve uma visão das relações étnicas oposta à de Park. a etapa de desorganização não deve ser considerada como um estado patológico. A cultura negra é considerada inferior. 1937. de R. Interracial marriage irt Hauiaii. 258). É por isso que. A família institucional. (pp. mas pode assumir três formas: uma assimilação completa. Segundo Frazier. 52 . Frazier observou sete zonas de moradia dos negros de Chicago: os recém-chegados instalam-se primeiramente no centro da cidade e depois vão-se afastando à medida que suas condições econômicas melhoram. as famílias são estáveis. ao contrário. É no centro que se encontram as famílias esfaceladas. fundada no 53 Aculturação e assimilação Em sua tese sobre os preconceitos raC1aIS(1930). como é o caso dos judeus na Europa. Durante a última etapa do ciclo. A família negra natural é a que foi herdada do sistema escravagista. . Ele introduziu uma distinção essencial entre a família natural e a social. Esta foi também a posição desenvolvida por Franklin Frazier (1932): o ciclo não se encerra com a assimilação. e não a dos pais. como um aspecto do processo que leva à civilização (p. ao contrário.

\~fb\ pelo processo da urbanização. Nova York.'t/ • a aculturação é um fenômeno pelo q11ª1./'l. Ogbum.1/ l/V. de fato. seguindo nisto as díretlvas de F. mas não elimina completamente o conflito. Huebsch. Se ela foi um êxito no caso dos imigrantes europeus. Frazíer.Y Descobriu em outras cidades americanas estruturas de moradia. ~ ~~ li I: il A última etapa da integração é o amálgama.D. 1922. 54 55 .i-. Frazier acreditava que a integrnçi\o dos negros p:. a passagem da família natural à institucional é análoga à escalada sucessiva das diferentes zonas de moradia na cidade. f. qualquer que seja o sexo. Frazier considerava que certas etapas eram passíveis de se repetir ao longo de várias gerações sucessivas. que foi. Tbe negm 111 lhe United States./. em Nova York. em 1940 cerca de metade deles já habitava as grandes cidades. Assim. A distância cultural William Ogburrr" desenvolveu o conceito de distância cultural no contexto do estudo da influência da tecnologia e do impacto 38. nela. quando se passa da zona central pobre da cidade à sua periferia mais burguesa.W. sígnífícatívarnente. W. em compensação. Segundo ele. pois a dialética do conflito de classes e da adaptação cultural prosseguia depois do fim da escravidão. mas que supõe antes de mais nada uma completa idenfificação do indivíduo ao grupo. no que diz respeito aos negros ela foi freada pela discriminação e a segregação de que estes foram objeto. Isso tendia a mostrar que. ao contrário de Park. Macmillan. Roosevelt. • a assimilação é um processo que engloba a aculturação. Contudo. as taxas de casamento dos negros aumentam. O mesmo ocorre. Social cbange. 37. que achava que os ciclos de assimilação eram obrigatoriamente cronológicos e irreversíveis. 39. a autoridade do pai é restaurada. 1939. B. de maneira ainda mais diferenciada. 686 pp. no tocante à taxa de propriedade da moradia. na propriedade fundiária. os primeiros setores econômicos a aplicar medidas não dlscríminatórías de emprego em relação aos negros. a família vai à igreja e os filhos à escola.i" Com Frazier. ao passar da condição de escravos nas plantações para a civilização úrEana e industrial. devemos distinguir entre aculturação e assimilação: \7C/J I . Frazier estendeu ao conjunto dos Estados Unidos suas pesquisas sobre os diversos processos de integração dos negros à sociedade americana.-i !" -.~- . que não marcava o fim da intimidação e da violência: a adaptação limita. Nova York. um indivíduo adquire a cu1tllra do grupo. que se americanizaram rapidamente. As mesmas regularidades estatísticas são observadas em outras grandes aglomerações americanas. como no distrito de Colurnbia (Washington). até o final do século XIX. portanto. um elemento importante: rurais.'//-~'. ou às taxas de natalidade. A indústria de armamentos e o próprio exército foram.'' matrimônio legal e. estágio supremo de uma população que se assimilou. a sociedade negra transformou-se profundamente e conseguiu integrar algumas práticas sociais dos brancos.). em sua maioria. With respect to the cultura and original nature. Em uma obra posterior. sendo que a guerra acelerou ainda mais o fenômeno migratório movido essencialmente por motivações econômicas. F. e portanto de vida social. às vezes. . é a base da integração dos negros à sociedade americana. 366 pp. análogas às que já identificara em Chicago.

portanto.no sentido em que Thomas definiu esse termo . encontrando-se em Paris durante o verão de 1938 no momento da anexação da Áustria por Hit1er. Assim. O tema do estrangeiro também foi abordado por Wirth (928). que.por-sua vontade de abandonar o grupo de origem e de integrar-se ao grupomajoritário.Y No enfrentamento entre as duas culturas aparece um novo tipo de personalidade. ou pelos indivíduos. o tema do estrangeiro aparece em inúmeros estudos da Escola de Chicago. Paris. o que dá origem a uma grande dificuldade de adaptação. involuntariamente. alguns elementos "marginais" emergem. Park descreveu assim o "homem marginal": emancipado é o homem marginal típico. Finalmente. joseph. pp. Mérídíens Klincksieck. 56 57 . mas fica à margem." Já vimos que os contatos entre as diferentes culturas produzem sempre uma desorganização das instituições sociais.o estrangeiro instala-se na comunidade. mas ao custo de uma desorganização social temporária. Deste grupo. a do homem marginal. \ Posteriormente. 53-59. sendo mais afetadas as da cultura "fraca". o judeu 41. 42. Schütz. 339-344. em um artigo que expunha mais claramente o mecanismo do conflito intercultural. Ele deixa. em Ia cbercbeur et te quottdten. um "vagabundo em potencial". dizia Simmel. cada um torna-se estrangeiro no interior de sua própria sociedade. que freqüentara três cursos dele em Berlim em 1900. R. Park desenvolveria essa noção do "homem marginal" e utilizaria a expressão pela primeira vez em 1928. o que lhe confere. American fournat cf Soctology. em seu estudo sobre o gueto judeu. tanto em Park como em Simmel. é o judeu emancipado. pp. pp. cuja figura típica. "que não implica o distanciamento ou o desinteresse. A. 33. foi publicada em Y. Na 40. se estas provocam tensões. cit. 1 g!ande cidade moderna. 217-236. Para ele. 1928. Grafmeyer e I. mas resulta antes da combinação específica da proximidade e da distância. Fora já desenvolvido por Simmel. "L'étranger: Essat de psychologie socíale".: As autobiografias de imigrantes judeus poloneses publicadas em grande número nestes últimos anos são todas versões diferentes da mesma história..correspondem ainda ao antigo tipo de organização social que conhecia. ele próprio judeu. Não 'apreende seus mecanismos íntimos e permanece de certo modo exterior ao grupo social. quando sua nova posição social já não corresponde a essa organização social. historicamente falando o primeiro homem cosmopolita e o primeiro cidadão do mundo. é em virtude da demora necessária para a assimilação dos progressos tecnológicos e das descobertas científicas pelas instituições sociais. uma maior objetividade.oio. ! i ! II o homem marginal !i Como já vimos. Se o imigrante não consegue apreender as novas possibilidades que se lhe oferecem. um homeií.I . petrificados por sua própria cultura. muito citado pelos pesquisadores da Escola de Chicago. "Digressíons sur l'étranger". Segundo Simmel. normas sociais em que possa confiar. ficando profundamente influenciado. 1987. da atenção e da indiferença" (p. 1908. de ter marcos que o possam guiar. "Human mígratíon and the marginal man°. é porque suas atitudes . as do grupo minoritário. op. e em especial por Park. 55). ou seja. permanece na' cidade e emigra definitivamente para os Estados Unidos um ano depois. os problemas sociais que os imigrantes enfrentam surgem do fato de que os aspectos materiais da cultura tendem a modificar-se com mais rapidez que os seus traços não materiais. caracterizados . que Simmel.i:~1\) raízes. descreveu com tanta penetração e compreensão em sua Sociologie. o mesmo tema seria desenvolvido por Schütz.ii d I I I I das invenções sobre as mudanças sociais. A tradução francesa do artigo de Simmel. É "o estrangeiro" por excelência. a cultura é obrigada a adaptar-se a essas mudanças tecnológicas. Park.

desenvolveu essa noção de homem marginal em sua tese. . São. Em seu conjuniõç-a Escola de Chicago desenvolveu uma visão otimista da imigração. o homem avançar a civilização: marginal é também aquele que faz i 1. A mestiçagem. foi sempre. Nova York. Na lógica desse ciclo. eles. Segundo ele. Le tiers instruit. que eram. historicamente. Conseqüentemente. O homem marginal. sente-se I com freqüência rejeitado. Dando continuidade a Park. Charles o que pode ser comparado 1991. mas não é plenamente aceito por nenhuma delas e é marginalizado por ambas. foi a do judeu da diáspora. ou ainda um camponês americano sofrendo também os efeitos do êxodo rural. a delinqüência juvenil. R. pois está apenas parcialmente assimilado. é um enriqueci~1ento. É aquele que sai de seu grupo cultural de origem.Todavia. aculturando-se. que se torna um híbrido cultural que utiliza com intimidade duas culturas distintas.---. Ocupa a posição que.. Introdução ao livro de E. Paris. a criminalidade. o homem marginal não é apenas o que pertence a uma cultura 'diferente. Wirth (928) definiu a aculturação como um "ciclo de relações raciais e étnicas". lingüísticas. 228 pp.. e denuncia suas hipocrisias e contradições (pp. Mas é •também o ponto de contato entre os dois grupos. mulato ou eurasiano. Definido antes de mais nada como mestiço. defendida em 1930 e publicada em 1937. Stonequist. cuja intensidade varia segundo as situações individuais. Em todos os casos. estendendo-a à situação dos trabalhadores negros dos estados do Sul. o mais civilizado dos seres humanos.. il 1'1 Segundo Park. o gueto pode ser considerado como uma etapa 43. a meio caminho entre a cultura tribal primitiva e a cultura mais moderna e sofisticada da vida urbana atual. O "homem marginal" é uma transição entre a adaptação e a assimila. na maior parte do tempo ele desenvolve críticas duras acerca da cultura dominante que o rejeita apesar de seus esforços de integração. políticas ou religiosas. ou em vários códigos morais" (p. o. o homem marginal. 252 pp.44 Franklin Frazier (939) foi uma 44. o homem marginal está em conflito psicológico entre diversos mundos sociais. O judeu. por exemplo. que sofre plenamente os efeitos da desorganização do grupo familiar. e com razão. Se a marginalidade é particularmente visível no caso dos migrantes.~~ em termos étnicos ou raciais. A personalidade marginal é encontrada quando um indivíduo "se vê !involuntariamente iniciado em duas ou várias tradições históricas. às teses de Michel Serres. algumas classes sociais ou algumas comunidades.1 . caracteriza também algumas seitas religiosas. o homem marginal é sempre um migrante. Tbe marginal man. a marginalidade não deve ser definida _~p~n. muito especialmente o que se libertou do provincianismo do gueto. 23). foi Park quem conferiu outro sentido à expressão "homem marginal".V. o divórcio ete. é sempre alguém que. e por toda a parte. Everett Stonequist.I i:l 'I marginal é sempre um ser humano mais civilizado que os demais.entre dois mundos e vive esta situação dramaticamente. segundo Stonequist. ao separar-se de sua cultura de origem. ou os montanheses das Apalaches. François Bourin. seja ele europeu ou um negro do Sul que veio à cidade em busca de trabalho. Scribners Son's... 1937. 139-158). 58 59 . para os pesquisadores de Chicago. Park também considerou como marginais os cajuns da Luisiana. constrói para si mesmo uma nova identidade.. aluno de Park. a partir de 1934. Desse modo. SQ. Está dividido . anglo-saxões puros. em geral situada.43 o homem transitória indispensável no caminho que leva à assimilação. que elabora um novo mundo com base em suas experiências culturais diversas. Park. que viviam "à margem" da cultura branca. homem marginal é tipicamente um imigrante de segunda geração.ba forma do homem marginal. segundo Park. entre as duas comunidades. Por essas razões.

escreveu: 61 60 . _---- •• •••• + •• • •• exceção. questões estreítarneate. Assim. mas não socialmente assimilados.-- -.'. com seu estudo sobre o fenômeno da assimilação entre os negros americanos._ªS_\!!I!_ termos culturais. o direito de voto não reconhecido aos negros. subsistem numerosas barreiras sociais... ao contrário.criativo.irlandesa. a distinção entre a assimilação cultural e a social....· desvio e a delinqüêncía juvenil. As gangues de Chicago \·1 Em 1923. mediante a intervenção de fatores como o domífiro -dão língua. sem jamais se assimilar totalmente à cultura dominante.Ondas . Os negros ame~anos sãõacultúrados. portanto.~~ c. a impossibilidade de acesso a certos empregos etc. é porque o homem marginal possui umgambígüidade . que. sobre as gangues de Chicago.quein. tornou-se hispano-americana e negra 30 anos depois.lígsdas às noções"e aos conceitos desenvólvidos no capítulo anterior e que constituem. híbridas. A SOciol<?gii'~â~---ig~ -1US~~~~YéI~~~ p~ seus"") estudos sobre criminalidade.. A história da criminalidade em Chicago foi marcada pelas sucessivas . Para concluir. se alguns grupos sociais permanecem marginalizados e desenvolvem culturas intermediárias._ . em seu prefácio à obra. é também o que sofre essa situação dual de maneira õof6roSâ·. A assimilação deles.. pois são rejeitados pela sociedade branca americana. Primeiramente alemã e .•.~ _12?Qpelo menos 15 mil adolescentes e jovens adultos. Frederic Thrasher publicou uma obra. um campo cujas obras principais passaremos a examinar. a assimilação não poc!~_~<:~~f~i~ª _ª~J}. .. 3 A CRIMINALIDADE -_.". Enquanto Park definia a marginalidade como um estado provisório que se encerrava obrigatoriamente com a assimilação dos indivíduos. Park. ~ pã·rticipaçãõ-cre umarehglao recOnheCiCiã-êpraticada peio·"g~po· dornrilaiiie~a aquisição de costumesdiversos é. a ci -_ . Se reconheceu o fundamento da importância e da definição do homem marginal como um híbrido cultural. depois~~~esa_~ italiana nos anos 1920. Em compensação. passa por sua luta contra a discriminação racial e pela igualdade de direitos.. baseada em sua tese de doutorado. no início do século XIX. considerava que o estágio supremo da assimilação não pode ser atingido pelos negros. em compensação. por si só. Portanto. e é .. segundo suas estimativas.de côdígosfiioiáís idênticosaos dacultura dominante.fundamental raesrae-seeée-ssn homem. tais como a interdição dos matrimônios inter-raciais. segundo ele.. Frazier. a cultura negra americana talvez não seja muito diferente da cultura branca.~ . pslcolõgícas que ao' mesmo tempo o revelam e o designam como .lentafl€WaS· for-rÍlasde sociabilidade e novos traços culturais. pois estes não têm os mesmos direitos políticos e sociais.possível afirmar que os negros estão culturalmente assimilados à cultura branca...:.•. pode-se afirmar que... . de imigrantes que ali se instalaram.nm desviante social.commãriIfesciÇões . agrupavam no início dos ~n.. Frazier introduziu.--.