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Resenha do livro

SCHAFER, R. Murray

Hacia una educacion sonora: 100 Ejercicios de Audición y Producción Sonora

Traduzido para Castellano por Violeta H. Gainza e publicado por PMA (Pedagogias Musicales Abiertas) - Buenos Ayres/Argentina em 1994.
Original de 1992 em inglês, publicado por Arcana Editions - Canadá.

por
Carlos Roberto Prestes Lopes

SCHAFER, R. Murray. Hacia una educacion sonora: 100 Ejercicios de Audición y


Producción Sonora; Tradução Violeta Hemsy de Gainza - Buenos Aires : PMA, 1994.
Download de edição Mexicana pela Editora CONACULTA aqui
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SCHAFER, R. Murray. Hacia uma educación sonora: 100 ejercícios de audición y Producción sonora

“La escucha sucede continuamente


aunque esto nos guste o no,
pero el hecho de poseer oídos
no garantiza su efectividad”1(p. 9)

É reiterando a importância da escuta efetiva que o autor inicia o livro, onde


demonstra como colocar em prática os preceitos defendidos em diversos títulos de sua
autoria através dos 100 exercícios propostos.

Na Introdução o autor faz uma série de observações, justificando por que


considera necessários os exercícios de “Limpeza dos ouvidos”, nomenclatura que dá a
estes exercícios onde o principal objetivo é aprender a escutar, melhorando todas as
formas de comunicação que ocorrem através do som, principalmente a interpessoal, e
consequentemente beneficiando o processo educacional... “el escuchar es importante en
todas las experiencias educativas, en cualquier circunstancia em que se intercambien
mensages verbales o auditivas”2(p. 9), além de melhorar o nosso entorno sonoro
(chamada por ele de “Paisagem sonora”) através da escuta consciente e ativa, e da
interferência consciente no ambiente sonoro “...la lucha continua por embellecer El
mundo de todas las maneras posibles que las personas com Buenos oídos puedan
imaginar.”3(p. 15).

O conceito de Paisagem Sonora faz referência a todo o entorno acústico, o campo


sonoro total percebido pelo ouvinte qualquer que seja o local onde está. À medida que
vamos executando os exercícios, a tendência é que esta imagem sonora se amplie e
ganhe mais detalhes.

Murray Schafer é militante da educação dos sentidos, através da qual o indivíduo


passa a ser mais consciente de si e do seu entorno. Os exercícios propostos por Schafer
tratam da educação da audição, porém é possível através deste conhecimento criar
outras atividades que trabalhem a educação dos outros sentidos, desenvolvendo assim
um ser humano crítico e ativo no meio em que está inserido.

“...la civilización moderna está ensordeciéndose com el ruído...”4(p. 11), uma das
preocupações que está presente durante todo o livro é o crescente número de casos de

1
“A escuta acontece continuamente gostemos ou não, mas o fato de possuir ouvidos não garante sua efetividade”
(tradução minha)
2
“o escutar é importante em todas as experiências educativas, em qualquer circunstância onde haja troca de
mensagens verbais ou auditivas” (tradução minha)
3
“...uma luta contínua para embelezar o mundo de todas as maneiras possíveis que as pessoas com bons ouvidos
possam imaginar.” (tradução minha)
4
“...a civilização moderna está se ensurdecendo com o ruído...” (tradução minha)

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pessoas com perdas auditivas, resultado de uma paisagem sonora com níveis de ruído
muito acima do suportado pelo ser humano, ao qual este fica exposto por longos
períodos de tempo. É importante lembrar que este livro foi escrito em 1992 (original de
Schafer em 1992, traduzido por Gainza em 1994) e que este processo hoje em dia deve
estar acontecendo em um ritmo bem mais acelerado.

Os exercícios estão organizados em grupos, estando no início do livro os exercícios


que trabalham a percepção auditiva e a imaginação, a seguir a produção de sons é o
tema, seguido pela atenção aos sons da sociedade e interferências possíveis neste meio
para torná-lo mais agradável e/ou saudável. Mesmo estando alguns exercícios agrupados
em sequência (o exercício é um aprofundamento ou desenvolvimento a partir do
anterior), a realização destes não precisa necessariamente seguir a ordem em que se
apresentam.

Segue os resumos do que pedem os 100 exercícios propostos por Schafer, que
trazem exemplos, comentários e alguns resultados obtidos com diferentes turmas de
idades e locais diferentes:

1. Anote todos os sons que escuta


2. Classificação de cada som da lista
quanto à fonte de produção: N - Natureza;
H - Humano;
T - Tecnológico (máquinas).
quanto à duração/presença no ambiente: C - Contínuos;
R - Repetitivos;
U - Únicos.
3. Classificar quanto à intensidade, posicionando graficamente os sons no alto da folha
os fortes e embaixo os sons suaves, com gradação.
Classificar quanto à posição do som, dentro do círculo desenhado em uma folha,
coloque os sons que você fez, e fora coloque os outros sons posicionando de acordo
com a distância e posição em relação ao ouvinte.
4. Perceber os diferentes sons: que se movem, parados, que você move
Para exemplificar, o autor sugere fazer o exercício primeiramente com os alunos
parados e o professor se move levando o som (com muitas considerações/descrições
sobre a qualidade do som).
“...es possible comenzar a ver com los oídos, del mismo modo em que proceden los
ciegos...”5(p.23).
5. Grupo parado, segue apontando (de olhos fechados) um voluntário que faz um som,
adicionando outros voluntários com sons contrastantes (seguem com cada mão um

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“É possível começar a ver com os ouvidos, da mesma forma que fazem os cegos” (tradução minha)

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som ou divide o grupo quando mais de 2 sons, de tempos em tempos abrir os olhos
para conferir).
Pode ser feito (bem mais difícil) com notas diferentes de um acorde para cada
participante que se move.
6. Ir a um local que tem vários sons (sugere uma esquina), ficar em silêncio de olhos
fechados escutando os sons em movimento.
O autor destaca o efeito de expansão ou redução do ambiente sonoro (em locais
ruidosos uma sensação de ambiente reduzido e em locais menos ruidosos um
ambiente maior) e como perdemos a habilidade de escutar à distância.
7. Em um local movimentado, eleger um som característico e contar quantas vezes ele
ocorre num determinado período de tempo (sugere contar as buzinas dos
automóveis, e traz alguns números sobre médias feitas em diversas cidades do
mundo deste som específico).
8. Contagem da mesma forma da atividade anterior com outros sons.
“...al focalizar sonidos específicos vamos conociendo mejor la totalidad de todo el
paisaje sonoro.”6(p.29)
9. Escuta atenta das diferenças entre os vários sons dos passos, o som do sapato, o tipo
de passada, etc. (inclui frases descrevendo vários sons de passos).
Indica um exercício com sapatos da professora Marisa Fonterrada, onde após
exploração e pareamento dos sons dos sapatos é feito um breve arranjo com estes
sons.
10.Ainda nesta esquina, escolha um som contínuo, imite este som enquanto dá a volta
no quarteirão e compare com o original ao retornar. Ele se manteve igual? É provável
que a altura tenha se modificado, mais agudo se você andou rápido, mais grave se
andou devagar.
11.Entre em diferentes comércios e compare os sons de cada um deles (comparando
também com o tipo de comércio).
12.Compare o som quando pessoas sobem ou descem uma escada.
13.Caminhada auditiva, prestando atenção aos sons e posteriormente feitas diversas
perguntas acerca dos sons neste caminho.
14.Diário Sonoro, onde você escreveria sobre sons diferentes, sua reação com eles, o
que considerar significativo. Sugere que o diário seja pessoal, sem intenção de
divulgar as anotações.
15.Sugere perguntas para o diário:
 Qual o primeiro som que ouviu ao acordar?
 O último som antes de dormir?
 O som mais forte do dia?

6
“ao focalizar [, voltar a atenção para] sons específicos vamos conhecendo melhor a totalidade do entorno sonoro”
(tradução minha)

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 O som mais bonito do dia?


16.Pede para que seja descrito brevemente no diário a experiência sonora que mais te
marcou em toda a vida.
17.Estabeleça um período de tempo onde não falará e mantenha este acordo consigo
mesmo, durante este período anote suas impressões dos sons no diário. O autor
lembra que algumas religiões do mundo pregam que um período de silêncio é
importante para contrabalancear a pressa da vida, e indica este exercício como meio
para ouvir com maior clareza.
18.Reconhecimento de pessoas através do som (de seus passos, vestimentas e
acessórios), dá exemplos de algumas formas de fazê-lo.
19.Reconhecer o som do próprio molho de chaves (de olhos fechados).
20.Fazer uma lista associando sons típicos de homens e mulheres.
21.Em um local aberto (praça ou parque), escutar e acompanhar sons que passaram por
você em diferentes direções e acompanhá-los.
22.Levar o participante a um local desconhecido por este, que deve imaginar o ambiente
formando uma imagem acústica da paisagem.
23.Visita de um deficiente visual à turma, para que este descreva como percebe e utiliza
o som para se guiar.
24.“La escucha nos lleva a los lugares donde no llega la mirada.”7(p.48)
Elabore uma lista com os sons de lugares que não conseguimos ver, sons que nos
fazem conhecer o que ocorre neste local.
25.Alguns sons do exercício anterior são resultado de seu próprio corpo. Fique em
silêncio para percebê-los.
26.Pense em casos onde o som e a imagem do objeto produtor se contradizem
esteticamente, um som lindo com uma imagem desagradável.
27.Sons desagradáveis gerados a partir de objetos visualmente atrativos.
28.Quais sons podemos lembrar que antecedem a visualização do objeto ou ação que o
produz?Faça uma lista (ex. avião ).
29.Elabore duas listas:
 Sons agudos produzidos por objetos grandes e pesados;
 Sons graves produzidos por objetos pequenos e leves.
30.Imagine que tenho uma pá em minhas mãos, reproduza com a voz os sons quando
“escavo” diferentes substâncias.
31.Imagine que está rasgando ou amassando uma folha de papel, imite o som e depois
compare com o som real.

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“A escuta nos leva aos lugares onde não chega a visão” (tradução minha)

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32.Agora com uma bola de papel amassado imaginária, peça para que produzam o som
ao jogar batendo-a na parede, depois refaça o exercício com outro jogando, depois
faça com uma bola real para que possam comparar o som real com o
imaginado/produzido.
O autor chama a atenção para os detalhes que o participante atento irá
perceber/executar/imaginar (todos os sons envolvidos na ação).
33.Imagine um ambiente e todas as ações e/ou objetos pertencentes ao local que
produzem sons. Faça uma lista e assim que possível visite este local para que possam
anotar os sons escutados ali.
34.Peça para que o grupo feche os olhos, então leia uma lista com diversas situações
onde o som está presente para que os participantes imaginem o som e a imagem
descritos (ex. “o caminhar pelas folhas secas”, “cem carpinteiros martelando”, “o
sino da igreja soando”, etc.).
35.“Ha tenido alguna vez um sonido acústico?”8 (pg. 59)
Peça para que cada um descreva um sonho no qual o som teve papel importante.
36.Peça para que os alunos tragam sons interessantes, na próxima aula peça para
executarem e comentarem os sons escolhidos, além de dizerem por que o
considerou interessante.
37.Refaça o exercício anterior, desta vez dirigindo para sons “específicos” (ex. som
borbulhante, retumbante, chapado, metálico). Após a apresentação destes, eleja
aquele que melhor representa seu adjetivo.
38.Encontrar sons que representem melhor diversas palavras.
39.Agora podemos pedir para que tragam sons que comecem com uma característica e
terminem com outra.
O autor ressalta a importância desta série de exercícios, como forma do aluno
pesquisar e conhecer sons muito diferentes.
40.Agora podemos tentar desenhar alguns destes sons.
41.“Tienem colores los sonidos?”9 (pg.65) Talvez. Diga algumas cores que podem ser
usadas no seu som.
42.Encontre sons que podemos associar com diferentes formas e texturas.
43.Vamos agora utilizar nossas vozes para imitar diferentes locais (em grupos de 6 a 10
pessoas por ambiente), limitando o tempo para a organização desta peça, as
apresentando logo depois.
44.Comente e critique as composições apresentadas.
45.Escolha alguns dos “concertos da natureza” e peça para o grupo repassar (somente
apresentando) a composição para outro grupo, que deverá apresentá-la em seguida.

8
“Já teve alguma vez um sonho sonoro?” (tradução minha)
9
“Os sons tem cores?” (tradução minha)

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46.Invente onomatopéias para diferentes sons do cotidiano. Nesta atividade, o autor


realça que uma das teorias que explicam a origem da linguagem indica as
onomatopéias dos sons da natureza como primeiras manifestações de linguagem do
ser humano.
47.Direcione a produção de onomatopéias para o tema água e os diferentes locais onde
é encontrada (ex. rio, ondas do oceano, cachoeira, chuva, etc.).
48.Todas as línguas utilizam onomatopéias para representar sons de vários animais.
Como são chamados os sons emitidos pelo cachorro, gato, abelha, etc. em diferentes
línguas?
49.Agora podemos utilizar a voz sem palavras para indicar o que queremos que um
participante faça. Separe a sala em grupos que decidirão quais sons representarão
quais instruções (virar à esquerda, à direita, ir à frente, para trás, sentar, pegar, além
dos necessários para a ação escolhida).
50.Escolha um participante para ficar ao centro da roda, então o seu nome será
pronunciado por cada uma do círculo de uma forma diferente, cantando,
sussurrando, mudando o ritmo, gemendo, gritando, chorando, etc.. Então o
participante ao centro escolhe o som que achou mais interessante, e o participante
que o executou toma o lugar ao centro.
51.O jogo anterior também pode ser feito elegendo-se um líder para cada grupo, que
pronuncia o próprio nome de diferentes formas para que o grupo imite.
52.Aproveite as risadas decorrentes dos vários exercícios para escutar as diferentes
formas de rir, além da própria risada. Elas revelam algo da personalidade da pessoa?
Há risadas parecidas ou iguais?
53.Separando grupos, defina sons de animais bem diferentes, e de olhos fechados,
misturar os participantes para que através do som estes possam se encontrar e
formar seu grupo. Pode ser feito também com diferentes línguas, ou se tratando de
músicos, diferentes intervalos cantados.
54.Peça para que o grupo em duplas passeie conversando através de línguas inventadas.
Após algum tempo, o grupo terá melhor controle sobre a voz, então peça para que
imitem um ditador tirano, um urso, uma pessoa de oitenta anos, um cantor de ópera,
etc.
55.Escolha uma pequena frase ou texto para que cada um o pronuncie com diferentes
interpretações na voz, como uma voz de sirene, a voz de um bebê, a voz de uma
serpente, a voz morrendo, etc.
56.Traga objetos que produzam sons para a sala, e os participantes terão de imitar o
som deste objeto (sempre ouvindo e depois imitando, ouvindo e imitando, etc.)
buscando a imitação mais próxima do real.
57.Faça agora imitação de timbre de voz, em pares treinando da mesma forma da
atividade anterior. Pode fazer com todo o grupo de olhos vendados, sinalizando
quem faz a voz (o original ou o imitador).

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58.Experimente agora (da mesma forma) a imitação de palmas.


59.Cada pessoa com um som diferente escolhido por ela, a dupla caminha e ao se
encontrar troca os sons. Pode ser feito em roda também, gerando uma interessante
composição rítmica.
60.O autor indica o livro “Cuando las palabras cantam”10 de sua autoria para mais
exercícios com a voz, e transcreve um deles, que consiste em contar uma história
conhecida sem palavras, somente com sons da voz ou corpo.
61.A repetição de uma palavra por um período de tempo longo, com a palavra repetida
seguidas vezes, até que ela perca o sentido, transformando-se num som desprovido
do sentido original.
62.Agora podemos nos lembrar de situações de ilusão sonora, onde sons sem
mensagens específicas nos lembram palavras ou sons, adquirindo sentido.
63.Pense em um som que não é a soma de seus elementos individuais (usa o exemplo
da semente de maisena, que ao cair no solo produz um som, e quando caem várias, o
som não se parece com a soma dos sons isolados).
64.O autor traz uma série de observações sobre peculiaridades do som retiradas do livro
problemas de Aristóteles, e sugere que as experimentemos:
 Por que a água fria derramada de uma jarra produz um som mais estridente que a
água quente derramada da mesma jarra e altura?
 Por que o sal produz ruído quando jogado ao fogo?
 Por que se escuta menos ao bocejar?
 Por que é mais fácil escutar sons externos do interior de uma casa do que escutar
de fora os sons internos?
65.Nesta atividade o autor sugere para que procurem lugares onde o entorno
(construção do homem ou natural) modifica o som original, manifestando fenômenos
sonoros, como a reverberação, o eco, etc.
66.Para esta atividade é necessário um gravador, para registrar os sons que caracterizam
determinado local, assim como a imagem de uma foto. Isolando o som característico
dos outros sons do ambiente.
67.Escolha um som que considera estar desaparecendo e grave. Que escrito deveria
acompanhar esta gravação? Como descrevê-lo? Como catalogá-lo? Adquira o hábito
de catalogar suas gravações.
68.Escolha um tipo de som para gravar e procure por variações (ex. ranger de portas,
aspiradores, buzinas de automóveis, etc.

10
“Cuando las palabras cantam” tem seu texto disponível no Brasil como capítulo do livro “O Ouvido pensante”, que é
uma coletânea de textos de Schafer traduzidos para o português e publicado pela Editora Unesp.
(visualização parcial do livro através do Google livros aqui)

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69.Em diferentes locais, grave falando a mesma frase e avalie as diferenças de som
provocadas pelo ambiente. Pode ser feito também gravando outras produções
sonoras.
70.“Qué significa el silencio para usted? Complete la oración EL SILENCIO ES... del modo
que considere adecuado”11.
71.Levante e sente novamente sem fazer nenhum som. Quem fizer menos som ganha.
72.Variação do exercício anterior, agora carregando uma cadeira ou objeto grande.
73.Variação do exercício 71, passar uma folha de papel de mão em mão (em círculo)
sem fazer nenhum barulho.
74.Utilizemos agora a folha de papel como instrumento musical explorando os sons que
podemos produzir com ela.
75.Com o grupo de olhos fechados, ao tocar na pessoa, ela fala seu nome, após alguns
nomes peça para que repitam a sequência. Vá aumentando a sequência.
76.Diga uma frase ou toque um ritmo para o grupo e peça no dia seguinte ou após mais
tempo para que relembrem.
77.O mesmo do anterior com uma nota musical.
78.Recorde os sons que ouviu ou ouvia quando jovem e que não escuta mais.
79.Convide uma pessoa mais velha para que ela descreva as paisagens sonoras de antes
de você nascer.
80.Cada participante escolhe uma gravação que retrata o passado (vídeo ou áudio) e
repassa as observações aos colegas.
81.Anote no seu diário sonoro os primeiros sons que recorda de sua infância.
82.Faça uma lista dos sons novos que surgiram nos últimos dois anos.
83.Faça uma pesquisa sobre a legislação que trata sobre a poluição sonora. Reflita e
discuta sobre a eficácia, quando foi criada, se é cumprida, etc.
84.Para saber se sua legislação que trata de poluição sonora é eficiente, peça a um
grande número de pessoas que listem os sons que mais a incomodam.
85.Caso sua sociedade não tenha uma legislação que trate deste tema, discuta e elabore
um esboço, entregue-o às autoridades competentes.
86.Faça uma comparação entre os números obtidos perguntando para moradores sobre
quantas vezes escutam determinado som e a contagem real deste.
87.Sua comunidade possui sons característicos? Únicos? Identifique-os e discuta sobre
eles (se sobreviverão ao tempo, qual a história deles, onde e quando podem ser
escutados, etc.).

11
“O que significa o silencia para você? Complete a oração ‘O SILENCIO É...’ da forma que achar adequada” (tradução
minha)

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88.Faça como se fosse um arquiteto sonoro, escolhendo e interferindo no espaço


escolhido (por exemplo, com um jogo de sinos ao vento) adicionando ao espaço um
som agradável.
89.Agora o contrário, retire um som desagradável do espaço.
90.“Agregue um sonido a su propria persona - uno que pueda llevar consigo, y que usted
considere capaz de dar placer a las personas que lo rodean”12 (pg. 131).
91.Retire um som da sua vida, um que outras pessoas tenham dito que não gostam.
92.O grupo elege um participante para visitar um parque frequentemente, para que
comunique em que oras podemos encontrar manifestações sonoras agradáveis.
93.Pense como modificar um parque para que este tenha um maior número de
ambientes sonoros, desde espaço para jogos até espaços calmos.
94.O grupo pode construir ou ao menos idealizar uma escultura sonora para colocar em
um parque, que pode funcionar tanto com o vento ou água (automática) como pela
manipulação de alguém.
95.Neste exercício descreva um parque ideal... a partir disso imagine um parque cercado
por ruas movimentadas, depois como solucionar o problema do ruído excessivo no
parque. O que fazer para isolar o parque? Árvores seriam eficientes? Pense na
melhor solução.
96.Se fosse um arquiteto e pudesse mudar totalmente a sua rua, que mudanças faria
para obter um ambiente sonoro melhor?
97.Faça um quadro proibindo certos sons de acordo com a hora do dia, imaginando o
que consideram os seus vizinhos.
98.“La búsqueda Del Tesoro Sonoro”13 é uma atividade onde uma lista de frases
descrevendo certos sons do local e um mapa onde serão assinalados os locais onde
foram encontrados. O ganhador é aquele que primeiro encontrar todos os sons.
Neste exercício e nos próximos três é necessário muito cuidado ao escolher o local e
os sons e ao descrevê-los, pois deste planejamento depende o sucesso da proposta.
99.“La Caminata Del Tesoro Sonoro”14, neste exercício as frases conduzem o
participante por um caminho, que deverá ser anotado em um mapa.
100. No exercício chamado “El sonomóvil”, voluntários ficam em movimento
espalhados pela área determinada fazendo sons que se misturam aos sons habituais
do local. Ao encontrá-los, os participantes recebem deste uma ficha que comprova
que tenham encontrado o som. Ganha quem primeiro encontrar todos os sons da
lista.

12
“Agregue um som à si mesmo - um que possa levar consigo e que você considere capaz de dar prazer às pessoas
próximas” (tradução minha)
13
“A busca do tesouro sonoro” (tradução minha)
14
“A caminhada do tesouro sonoro” (tradução minha)

© Carlos Roberto Prestes Lopes - 2008 [ 10 / 10 ]

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