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O Planejamento Experimental (DOE)

gerando resultados rápidos no Seis Sigma

Objetivo: mostrar como o DOE pode ajudar na otimização


de processos (incluindo Sistemas de Medição) e no
lançamento “programado” de novos produtos

Carlos Hugo Domenech


M. I. Domenech
O Seis Sigma - Estratégia de Melhoria

A Estratégia Seis Sigma é uma forma de ganhar dinheiro


através da transformação de Oportunidades em Resultados
para os negócios.

Como ganhamos dinheiro no Seis Sigma?

1. Diminuição da variabilidade ⇒ Diminuição de COPQ


2. Maior conhecimento dos processos ⇒ Aumento de rendimento
3. Satisfação dos clientes ⇒ Aumento de vendas
4. Dados e fatos ⇒ Ciclo DMAIC
O Seis Sigma - Estratégia de Melhoria
Concorrência Oportunidades:
Qualidade, Custos,
ESTRATÉGIA
Capacidade, Tempos de ciclo,
SCORECARD
Novos produtos/
Empresa processos

Tipos de problemas
Saltos Solução Solução
incrementais desconhecida conhecida

Gerenciamento
de projetos
Projetos
simples (kaizen)
Desenvolvimento Projetos
de novos produtos e complexos
processos (DFSS) (Seis Sigma)
O Seis Sigma - Estratégia de Melhoria
Melhorias
“muitas e vantajosas”
Potencial de venda dos produtos:

(kaizen)
Melhoria de características,
redução de variabilidade

Melhorias
“poucas e vitais”
(Seis Sigma)

Pontos de ruptura
Novos produtos/processos
“poucos e vitais”
(DFSS)
Tempo (vida da Empresa)
Exemplo do DMAIC com aplicação de DOE
Regularidade na mercerização

Defina Oportunidades de melhoria (y’s). Áreas com


Definir clientes insatisfeitos, tempos de ciclo, Cp, Cpk

Estabeleça um Sistema de Medição adequado


Medir antes de iniciar as melhorias (y’s)

Comece a determinar as variáveis poucas e vitais


Analisar que influenciam o processo (x’s). Ganhos rápidos.

Implante melhorias no seu processo. Faça pesquisa


Melhorar avançada de relações Causa-Efeito → y = f(x’s)

Mantenha os ganhos através de Sistemas de Controle


Controlar nos x poucos e vitais. Difunda as descobertas
Definir Medir Analisar Melhorar Controlar

Projeto Regularidade na mercerização


Projeto:
(Geraldo Nilton)

Descrição do problema
A não uniformidade e falta de regularidade no processo de
mercerização tem como conseqüência imediata o
tingimento irregular. Nuanças irregulares ocorrem devido à
difusão irregular dos corantes.
Variáveis críticas (y’s): pH residual do tecido, No de Bário
Definir Medir Analisar Melhorar Controlar

Estudos dos Sistemas de Medição (RR)

Um dos requisitos básicos do Seis Sigma (processos


produtivos e não produtivos) é contar com medidas
apropriadas (P/T < 0,30)...

Medição Especificações P/T Conclusão


(=σMS/(USL-LSL)

LSL = 8,5 P/T = 0,62


pH Não OK
USL = 11,5 (> 0,30)

LSL = 120%
No de Bário P/T = 4,03 Não OK
USL = 150%
Definir Medir Analisar Melhorar Controlar

Melhoria dos Sistemas de Medição (RR)

Após melhorias (técnica e estatística) chega-se a medições


adequadas...

Medição P/T P/T P/T


Antes melhoria Após melhoria Após melhoria

pH P/T = 0,62 P/T = 0,24

P/T = 0,21
No de Bário P/T = 4,03 P/T = 1,81
(n = 6)
Definir Medir Analisar Melhorar Controlar

Fluxograma simplificado do processo

O mapa de processo mostrou: I) a importância do processo


anterior (tecido alvejado); II) oportunidades de ganhos rápidos.

Entradas Processo Saídas

Estabilização
Hidrofilidade Impregnação
No Bário
Tecido Estabilização Tecido
Grau branco
alvejado mercerizado
Lavagem pH
Grau amido
Secagem –
Resfriamento
Definir Medir Analisar Melhorar Controlar

A força do Seis Sigma: dados e fatos

Processo Estatística
Fatos, Estabelecer H0: µ = µ0
observações Objetivo
Uma teoria H1: µ ≠ µ0

1) Definir um plano
coleta de dados
Continuar a

Tomar
exploração

uma 2) Coletar dados


decisão 3) Analisar os dados

Fazer
Concluir
recomendações
Definir Medir Analisar Melhorar Controlar

A força do Seis Sigma: dados e fatos

• Kaizen (Teste Seco/Úmido) ⇒ Eliminar cuba entrada

• Teste NIP, Pick-up ⇒ Prensas OK

• Força colorística x No Bário

• Fatores críticos para DOE ⇒ Velocidade, Temperatura


e Concentração de Soda
Definir Medir Analisar Melhorar Controlar

Como substituir No de Bário?

• Ensaio variando a velocidade da máquina para forçar


diferenças no grau de mercerização (Nº de Bário)

• Realizadas análises das amostras de tecidos em cada


condição (pH, hidrofilidade, força colorística e No de bário)
Definir Medir Analisar Melhorar Controlar

Como substituir No de Bário?

Nº de Bário versus velocidade


140

130
Número de bário

120

110 Velocidade normal Velocidade normal


(55 m/min) (45 m/min)
100

90
Sem mercerizar
80
1 14 27 40 53 66 79 92 105 118 131 144 157 170
Amostras
Definir Medir Analisar Melhorar Controlar

Como substituir No de Bário?

pH versus velocidade
11,4
11,2
11
10,8 Velocidade normal
pH

10,6 (55 m/min) Velocidade normal


Sem mercerizar (45 m/min)
10,4
10,2
10
1 6 11 16 21 26 31 36 41 46 51 56 61 66 71 76 81 86 91
Amostras
Definir Medir Analisar Melhorar Controlar

Como substituir No de Bário?

Hidrofilidade versus velocidade


5
4,8
4,6
4,4
Hidrofilidade

4,2
4
3,8 Sem mercerizar
3,6
3,4
Velocidade normal Velocidade normal
3,2
(55 m/min) (45 m/min)
3
1 5 9 13 17 21 25 29 33 37 41 45 49 53 57 61 65 69 73 77 81 85 89 93
Amostras
Definir Medir Analisar Melhorar Controlar

Como substituir No de Bário?

Força colorística versus velocidade


105
100
95
Velocidade normal Velocidade normal
90
FC

(55 m/min) (45 m/min)


85
80
75 Sem mercerizar

70
1 6 11 16 21 26 31 36 41 46 51 56 61 66 71 76 81 86 91
Amostras
Definir Medir Analisar Melhorar Controlar

Como substituir No de Bário?

Estudos de Discriminação
Através do quociente F (ANOVA) mostra-se o poder de
separação das três médias submetidas às três condições.

Variável F
Diferenciação
máxima das
Força colorística 1158
condições
Número de bário 479
do processo
Hidrofilidade 42
pH 29
Definir Medir Analisar Melhorar Controlar

DOE com variáveis: Velocidade, Temperatura


e Concentração de Soda

y’s = f(x’s)

y x1, x2, ..., xk

• Dependente • Independente
• Saída • Entrada - Processo
• Efeito • Causa
• Sintoma • Problema
• Monitorar • Controlar
Definir Medir Analisar Melhorar Controlar

DOE com variáveis: Velocidade, Temperatura


e Concentração de Soda
Como avaliar a influência conjunta da velocidade da máquina,
temperatura do banho e concentração de soda, sobre o No de
Bário (inferido através da força colorística)?

Planejamento Central Composto

Concentração
Soda

Velocidade
Temperatura
Definir Medir Analisar Melhorar Controlar

DOE com variáveis: Velocidade, Temperatura


e Concentração de Soda
StdOrder RunOrder Blocks Velocidade Conc Temp
3 1 1 40 35,0 40
9 2 1 60 27,5 60
8 3 1 80 35,0 80
6 4 1 80 20,0 80
4 5 1 80 35,0 40
10 6 1 60 27,5 60
1 6 1 40 20,0 40
7 7 1 40 35,0 80
2 8 1 80 20,0 40
5 9 1 40 20,0 80
18 11 2 60 27,5 60
14 12 2 60 35,0 60
12 13 2 80 27,5 60
15 14 2 60 27,5 40
11 15 2 40 27,5 60
17 16 2 60 27,5 60
16 17 2 60 27,5 80
13 18 2 60 20,0 60
Definir Medir Analisar Melhorar Controlar

DOE com variáveis: Velocidade, Temperatura


e Concentração de Soda
Response Surface Regression: FC versus Velocidade; Concentração; ...
The analysis was done using coded units.
Estimated Regression Coefficients for FC
Term Coef SE Coef T P
Constant 108,923 1,0521 103,532 0,000
Block -0,498 0,7842 -0,635 0,539
Velocida -0,788 0,8732 -0,902 0,388
Concentr 5,401 0,8732 6,185 0,000
Temperat -0,052 0,8732 -0,060 0,954
Concentr*Concentr -6,521 1,5683 -4,158 0,002
Velocida*Temperat -1,840 0,9763 -1,885 0,089
Concentr*Temperat -2,492 0,9763 -2,553 0,029

S = 2,761 R-Sq = 88,7% R-Sq(adj) = 80,8%


Definir Medir Analisar Melhorar Controlar

Conclusões do DOE
Antes DOE
Velocida Concentr Temperat
New
Hi 80,0 35,0 80,0
D Cur [51,9924] [22,4005] [74,4515]
0,85419 Lo
40,0 20,0 40,0

FC
Maximum
y = 104,2710
d = 0,85419

Após DOE
Velocida Concentr Temperat
New
Hi 80,0 35,0 80,0
D
Cur [70,0] [30,0] [45,0]
1,0000 Lo 40,0 20,0 40,0 1. Maior rendimento
FC 2. Menor consumo energia
Maximum 3. Processo mais robusto
y = 110,9572
d = 1,0000
Definir Medir Analisar Melhorar Controlar

Controle do processo

• A variável de saída controlada foi Força colorística.

• O projeto permitiu aumentar a estabilidade do processo e


diminuir os problemas de nuança.
DOE na Estratégia Seis
Sigma
If you always do
what you always did
you will always get
what you always got

Se você sempre faz


o que sempre fez
você sempre terá
o que sempre teve
O DOE é a estratégia mais eficiente para
gerar informação do processo
O objetivo é obter informação para gerar um modelo do processo

Fatos, Estabelecer
observações Objetivo
Uma teoria
y = f(x’s)

1) Defina um plano
coleta de dados
Continuar a
exploração

Tome
uma 2) Colete dados
decisão
3) Analise os dados

Faça
Conclua
recomendações
O DOE é a estratégia mais eficiente para
gerar informação do processo

Aplicações (processos produtivos e não produtivos):

Etapa Definir: ⇒ Desenho de pesquisas de satisfação


Etapa Medir: ⇒ Melhoria de Sistemas de Medição

Etapa Analisar: ⇒ Estudo de fontes de variação

Etapa Melhorar: ⇒ Otimização de processos

Etapa Controlar: ⇒ Estudos de sensibilidade, difusão de


melhorias em processos similares
Alternativas ao DOE

Sim Não
Disponibilidade
de dados
Dados
Com dados Sem dados
históricos Estratégia?
(Ex: CEP)

Ativa Coleta Passiva Avaliação


de dados subjetiva

1x Vários x’s Estudo


Ensaios
observacional

Outros (?)
Ensaios não
OFAT
estruturados
DOE
Alternativas ao DOE

Utilização de dados históricos: o problema de variáveis


escondidas

x2 precipitação Variáveis latentes


(não medidas)

(+) (+)

(+)
x1 venda guarda-chuva y Acidentes

O problema das variáveis latentes:


Venda de guarda-chuvas x acidentes
Alternativas ao DOE

Utilização de dados históricos: o problema de variáveis


escondidas

x2 impureza Variáveis latentes


(não medidas)

(+) (-)

(-)
x1 pressão y Rendimento

O problema das variáveis latentes:


Pressão x rendimento
Alternativas ao DOE

Utilização de dados históricos: range estreito de variação


dos x’s
20

RKM
19

18
USL
17

LSL 16

15
r (%PES, RKM) ?
14
10 15 20 25 30 35 40 45 50 55

%PES

LSL USL
Alternativas ao DOE
Ensaios não estruturados: experimentação simultânea
A historinha dos químicos “Quente” e “Apressado”

Rto = 90
48

Rto = 85
46
Tempo

Rto = 80
44

Rto = 75
42

Rto = 70
40

80 82 84 86 88
Temperatura
Alternativas ao DOE

Ensaios não estruturados: experimentação simultânea

Mr. Quente Mr. Apressado

90 90
Rendimento

Rendimento
85 85

80 80

75 75

70 70

80 82 84 86 88 40 42 44 46 48

Temperatura Tempo
Alternativas ao DOE

Ensaios OFAT: os ET’s e os coelinhos


1. Os ETs preparando a Estratégia

? Fêmea 2. Realizando OFAT

+0
Macho ?

x2: Macho
- 0 0
- x1: Fêmea +
Alternativas ao DOE

Ensaios OFAT: SKF e otimização do tempo vida


de rolamentos
Tipo de Anel externo
contato
Anel interno

Gaiola
Esfera
Fatores:
• Tipo de contato da bola com o anel externo
• Tratamento térmico
• Desenho da gaiola

Resposta:
Duração do rolamento
Alternativas ao DOE

Ensaios OFAT: SKF e otimização da duração


120
Aquecimento (-)
Duração do rolamento

100 Aquecimento (+)

80

60

40

20

0
Contato (-) Contato (+)
Tipo de contato
Planejamento de Experimentos (DOE)
O que é DOE?

Variação simultânea de fatores controlados com objetivo de


avaliar a influência sobre uma variável resposta de interesse.
Os fatores de perturbação são “controlados” pelo uso da
randomização, replicação dos ensaios e blocagem.
O uso do DOE permite:

• Diminuir o tempo para o desenvolvimento de um produto


novo
• Maximizar a produtividade do processo
• Minimizar a sensibilidade dos produtos/serviços
• Realizar sintonia fina de novos processos
• Maximizar o quociente benefício/custo dos ensaios
• Calcular especificações realísticas
Planejamento de Experimentos (DOE)
“É preciso provocar sistematicamente confusão – isso
promove a criatividade. Tudo aquilo que é contraditório
gera vida”
Salvador Dali, pintor espanhol (1904-1989)
Almanaque Brasil de Cultura Popular, Ano 5, No 55, outubro de 2003

• CEP • DOE
• Manutenção do • Reorganização
Status quo • Times melhoria
• ISO

Equilíbrio estável Na beira do caos Caos

Homeóstase,
equilíbrio, Variabilidade Variabilidade destrutiva,
extinção, criativa Reprodução sexuada
reprodução assexuada
DOE passo a passo
1. Estamos lidando com poucos x’s ou muitos x’s?

Muitas variáveis Poucas variáveis


de controle de controle

Planejamentos para Planejamentos para Planejamentos para


“Screening” estudo de interações Superfícies de resposta

1 2 3

Identificação de variáveis Compreensão dos efeitos Desenvolvimento de um


importantes para estudos importantes e suas modelo de predição
futuros interações (interpolação) para
compreensão e otimização
DOE passo a passo
2. Escolha da matriz e realização dos ensaios...
Blocks Parada Braço Haste Angulo Distância
1 3 2 2 162,5 101,5
1 2 1 1 160 43,5
1 4 1 1 160 148,0
1 2 1 1 165 62,7
1 4 1 1 165 147,7
1 2 3 1 160 35,3
1 3 2 2 162,5 99,0
1 4 3 1 160 113,5
1 2 3 1 165 46,0
1 4 3 1 165 121,0
1 2 1 3 160 15,0
1 4 1 3 160 106,0
1 3 2 2 162,5 95,0
1 2 1 3 165 27,5
1 4 1 3 165 112,0
1 2 3 3 160 3,0
1 4 3 3 160 82,0
1 2 3 3 165 0,0
1 4 3 3 165 81,5
1 3 2 2 162,5 98,0
2 2 2 2 162,5 21,0
2 4 2 2 162,5 108,0
2 3 1 2 162,5 106,0
2 3 3 2 162,5 75,0
2 3 2 1 162,5 133,5
2 3 2 3 162,5 65,5
2 3 2 2 160 85,5
2 3 2 2 165 113,0
2 3 2 2 162,5 92,5
DOE passo a passo
3. Análise de dados
A: Parada
A B: Braço
C: Haste
C D: Angulo

AB

AD

BD

CD

BC

AC

0 10 20 30 40
DOE passo a passo
3. Análise de dados

Estimated Regression Coefficients for Distância

Term Coef SE Coef T P


Constant 96,77 2,284 42,366 0,000
Parada 42,54 1,786 23,823 0,000
Braço -11,73 1,786 -6,568 0,000
Haste -19,93 1,786 -11,160 0,000
Angulo 4,42 1,786 2,477 0,021
Parada*Parada -26,01 2,899 -8,972 0,000

S = 7,576 R-Sq(adj) = 96,7%


DOE passo a passo
4. Aplicação - Utilização com fins de otimização

A partir do modelo final posso realizar otimização simultânea


de várias respostas conjuntamente...

New Parada Braço Haste Angulo


Hi 4,0 3,0 3,0 165,0
D
Cur [4,0] [1,0] [1,0] [165,0]
0,00000 Lo 2,0 1,0 1,0 160,0

Distânci
Targ: 161,0
y = 149,3778
d = 0,00000
DOE passo a passo
4. Aplicação – Cálculo de Especificações

e uma vez que o processo foi otimizado posso utilizar o modelo


para estabelecer a especificação adequada (x’s) para o
controle dos y’s.

y
USL
T
LSL

x’s
Experimente!
Faça disto sua norma dia e noite.
Experimente,
e isto lhe conduzirá à luz.
A maçã na copa da árvore
nunca está alta demais para alcançá-la.
De tal forma que siga o exemplo de Eva ...
Experimente!
Seja curioso,
embora os amigos com quem se cruze
possam se contrariar.
Revolte-se
cada vez que queiram lhe deter.
Se você somente segue este conselho,
o futuro poderá lhe oferecer infinita felicidade
e alegria...
Experimente
e verá! Cole Porter