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história das palavras

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  • 1. Como reconhecer a raiz de uma palavra?
  • 2. Por que alguns sons se modificam?
  • 3. Por que algumas palavras mudam de sentido?
  • 4. Uma palavra latina pode gerar mais de uma palavra portuguesa?
  • 5. Como reconhecer uma etimologia fantasiosa?
  • 6. Algumas palavras são imitações de outras?
  • 7. Tudo pode ser explicado pelas transformações fonéticas?
  • 8. De onde vieram as línguas?
  • 9. Quais as línguas faladas antes do latim em Portugal?
  • 10. Outras línguas foram faladas em Portugal depois do latim?
  • 11. Outras palavras influenciaram o vocabulário do português?
  • 12. Podemos saber de onde vêm todas as palavras?
  • 13. Novas perguntas
  • 14. Bibliografia para aprofundamento
  • 15. Glossário

HISTÓRIA DAS PALAVRAS: ETIMOLOGIA Mário Eduardo Viaro (USP) Será que a palavra ‘pássaro’ vem de ‘passar’?

É melhor pensar duas vezes antes de responder, pois nem sempre a origem das palavras é assim tão fácil. Leia o texto de Mário Eduardo Viaro e aprenda a reconhecer uma “etimologia fantasiosa”. As palavras são a manifestação mais visível de qualquer língua. Aqui se mostra como a palavra é estruturada, como seus sons e sentidos mudam, e como se pode estudar suas origens, ou seja, sua etimologia. E como as palavras guardam nas línguas todo o seu passado, mostra-se com que povos os romanos inicialmente, e os portugueses depois, contactaram e que palavras aprenderam deles. Índice 1. Como reconhecer a raiz de uma palavra? 2. Por que alguns sons se modificam? 3. Por que algumas palavras mudam de sentido? 4. Uma palavra latina pode gerar mais de uma palavra portuguesa? 5. Como reconhecer uma etimologia fantasiosa? 6. Algumas palavras são imitações de outras? 7. Tudo pode ser explicado pelas transformações fonéticas? 8. De onde vieram as línguas? 9. Quais as línguas faladas antes do latim em Portugal? 10. Outras línguas foram faladas em Portugal depois do latim? 11. Outras palavras influenciaram o vocabulário do português? 12. Podemos saber de onde vêm todas as palavras? 13. Novas perguntas 14. Bibliografia para aprofundamento 15. Glossário

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1. Como reconhecer a raiz de uma palavra? Estudar etimologia requer conhecimentos de muitas línguas e etapas de línguas. O português, por exemplo, tem palavras de origem latina, grega, árabe, tupi, iorubá, entre outras. Além disso, o português medieval não é o mesmo que o do Renascimento ou do Romantismo. Isso promove uma especialização muito grande, uma vez que é possível estudar apenas as etimologias das palavras de origem árabe do português, ou apenas as de origem africana, por exemplo. É possível, ainda, diante de um vocabulário de português medieval, tentar estabelecer etimologias a partir do latim ou fazer reconstruções de suas prováveis etimologias. Poucas coisas trazem mais satisfação e motivação quanto o momento em que entendemos que, por um único radical latino ou grego, dezenas ou até centenas de palavras são explicáveis. Para que esse insight ocorra, é preciso que apresentemos inicialmente quatro conceitos básicos: afixação*, apofonia*, assimilação* e a noção de particípio*, cujos sentidos nos apressamos a explicar. Toda palavra tem um núcleo etimológico que é sua raiz*. Esse termo é sem dúvida alguma uma metáfora botânica. Talvez fosse mais adequado vê-la como um caroço em volta do qual está a fruta. Pequena em relação à palavra, a raiz consiste de uma única sílaba na maior parte das vezes, chegando a ser, não raro, um único som. Há inúmeras discussões a respeito do que vem a ser raiz. Algumas desaparecem ao longo do tempo. Um exemplo disso é a palavra comer¸ cuja raiz latina ed- desapareceu completamente, quando se pensa no termo latino que a gerou (ou seja, comedere). Um radical*, por outro lado, nada mais é do que uma raiz expandida, por meio de pequenas sílabas significativas, ou seja, os afixos*. Esse processo se chama afixação*. Os afixos podem vir antes da raiz e aí serão prefixos*, ou depois da raiz, ou seja, os sufixos*. Há inúmeros outros procedimentos (infixos, redobros etc.), mas eles são de menor importância para estudos de etimologia do português.

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Muitas vezes em latim, quando um prefixo se juntava a uma raiz ou a um radical, havia uma troca previsível da vogal da raiz. Esse fenômeno é a apofonia*. Vital para o latim, a apofonia simplifica centenas de explicações etimológicas em português. Assim, a palavra sapere significava “ter sabor” em latim e era formada de uma raiz sap- e de uma desinência verbal -ere. Com a junção do sufixo –idus à mesma raiz desse verbo surge a palavra sapidus “que tem sabor”, palavra que também existe em português, embora rara: sápido. Mas, ao se juntar o prefixo negativo in-, não surge uma palavra *insapidus, mas sim insipidus “que não tem sabor, insípido” (Observe que marcamos com um asterisco (*) anteposto toda palavra cuja existência não é documentada). Ora, o que houve foi a apofonia da vogal a do raiz sap-, que se tornou sip-. A apofonia é sempre constante: a se torna i em raízes que estiverem em sílabas abertas, isto é, terminando em vogal, mas por outro lado, a se torna e quando a raiz termina em sílaba fechada, ou seja, terminando em consoante. A raiz sap- termina com –p, mas essa consoante se junta à sílaba seguinte, reduzindo a raiz, para efeitos de apofonia, somente a sa-, que se torna si-, ou seja, sa-pi-dus, in-si-pi-dus. Como se pode ver, a separação silábica não coincide da separação dos componentes da palavra. Observe que o conhecimento das raízes restabelece a transparência na formação de palavras. Explica, portanto, vocábulos que, muitas vezes, não pareciam interrelacionados ou que, no mínimo, pareciam distantes. Além disso, uma palavra como sápido não parece, ao que conhece a raiz sap-, uma palavra com um sentido aleatório, como freqüentemente ocorre com as palavras que não nos são conhecidas. Dizendo de outra forma: as técnicas de etimologia ampliam o vocabulário passivo de quem as domina, sem falar que esse conhecimento auxilia problemas de ortografia: sabendo disso, jamais se pensará em escrever insípido com c. Vamos para o terceiro termo técnico: assimilação*. Simplificando bastante os estudos fonéticos, podemos afirmar, por ora, que alguns sons influenciam outros que estão de seu 3

lado. A vizinhança de um som acaba provocando a descaracterização de um som vizinho, tornando-o idêntico ou parecido a ele. Isso também ocorre na prefixação. Um exemplo disso ocorre com os sons d e g. O som g, quando está ao lado de d, por exemplo, num encontro consonantal dg, transforma-se em gg. A raiz greg- significa “rebanho”. Quando se acrescenta o prefixo ad-, que significa “aproximação”, forma-se o verbo ad+greg-are, ou seja, aggregare “juntar todo o rebanho”, “agregar”. Pode-se resumir essa transformação da seguinte forma: *adgregare > aggregare, usando o tradicional símbolo >, que significa “origina”. O símbolo inverso < significa “provém de”. Portanto, a mesma afirmação pode ser dita aggregare < *adgregare. Muito freqüentemente, apofonia e assimilação ocorrem juntas. Uma seqüência como sf se assimila em ff. Tomemos por exemplo uma palavra como facilis “fácil” , derivada da raiz fac- “fazer” e do sufixo –ilis (ou seja “que se deixa fazer”, “que é feito com facilidade”). Quando se acrescenta o sufixo negativo dis- à palavra facilis, a raiz fac- se transforma em fic- (apofonia), além disso, quando o –s de dis- fica ao lado do f- de fic-, o som ftransforma-o também em f- (assimilação). O resultado da junção de dis+fac-ilis acaba sendo difficilis. Ora, é evidente que as palavras latinas facilis e difficilis geraram as palavras “fácil” e “difícil” em português, mas sua correlação, para além do sentido de opostos, não estava transparente na forma sem os três conceitos aqui expostos. Além disso, está explicado por que palavras como o inglês difficult ou francês difficile têm dois ff na grafia. O quarto termo técnico é o particípio*, corrente quando se aprende conjugação verbal dos verbos em português. Trata-se de uma forma nominal, isto é, um verbo que tem comportamento de adjetivo ou substantivo, por exemplo: querer é verbo, mas querido pode ser um adjetivo (querida amiga) ou substantivo (meu querido). O particípio do português termina normalmente em –ado ou –ido, mas há formas irregulares como visto, posto, vindo 4

o verbo nare “nadar” tinha raiz n. gera-se insipiens “que não sabe”. 5 . Para formar particípios passados em latim. Sempre se escreve com ç quando a palavra deriva de um ti latino. pois são todas coisas que nadam. ou seja. gerando o verbo natare. mas que. -itus. que significa “que está começando”. no final. -tus ou -sus. “insipiente”. “ter bom gosto”. que inicialmente significava “ficar nadando”. passou a também significar “nadar”. O particípio português corresponde ao particípio passado latino. -etus. donde “saber das coisas boas” e simplesmente “saber”. que tem outra raiz. desbancando nare. cujo radical natat. normalmente se acrescentava -atus. a terminação –tio produz sempre -ção em português. gerou sapiens “que sabe” (donde o nome científico do ser humano. esse verbo. ou seja. A palavra natare gerou um novo particípio. que é freqüentíssima.surgiu a palavra nauis. por um curioso caminho: “ter sabor” é o mesmo que “ter gosto”. Talvez o capítulo dos particípios devesse ser o primeiro a ser tratado pelos professores de latim. que alertam para sua grafia com s. distinta da de seu parônimo “incipiente”. O particípio passado também é responsável por um sem-número de radicais. figurativamente. Assim. no particípio ativo presente.e formava o particípio passado natus “nadado”. depois. que gerou “nave. como se verá adiante. sabemos que ele passou a significar em latim também “saber”. isto é. Como veremos. daí. muitas vezes originados de formas irregulares latinas.etc. nau” e. Homo sapiens). Sobre a raiz n. palavra muito destacada pelos gramáticos de cursos pré-vestibular. De qualquer forma. navio em português. Voltando ao verbo sapere. dado por Lineu em 1758. “natação”. a partir da raiz n-. Com a regra da apofonia e com o mesmo prefixo negativo in-. dada a quantidade imensa de palavras que podem gerar em português. natatus “nadado”. que era apenas um dos vários tipos que ocorriam em latim.criou um abstrato com um sufixo –io: natatio “o ato de nadar”. Essa raiz foi expandida para um radical que se compunha da raiz e da desinência de particípio. nat-.

inicialmente “ir pegando”. c etc. O prefixo ex-.surgem muitíssimas palavras. capt-. às vezes. Se a raiz termina em -l. sc. da raiz cap. é uma definição visual para aquilo que chamamos de “exceção”. -t. A partir do particípio surge um novo radical.Outro exemplo: capere significa “pegar” e tem raiz cap-. Quando a raiz termina em consoante. Mas há palavras que são escritas com –são. grande partes dos verbos com raiz terminada em -d formam derivados em -s e não em -ç. como veremos mais adiante. O mesmo sufixo formador de abstratos –io (presente em natatio) pode ser associado a esse novo radical except gerando exceptio “o ato de pegar (de dentro) e tirar”. como previsto acima).e do radical capt. normalmente temos -tus. Em latim é muitíssimo comum encontrar uma imagem visual presente nas palavras em que claramente se descrevem noções como “para cima”. ascender: ascensão. por exemplo: compreender: compreensão. Alguns particípios são em -tus outros em -sus. foi associado com o radical capt. temos -sus e a raiz perde as consoantes finais (por isso em português ainda hoje. pretender: 6 .causando-lhe apofonia (como é sílaba fechada. Por quê? O motivo é o mesmo: o radical formado a partir do particípio latino. formas em –tio geram palavras em –ção em português (em –ción no espanhol. donde se formou o verbo captare. “junto”. escandir: escansão. em –tion no inglês e no francês). O particípio passado desse verbo era captus “pegado”. às vezes é possível determinar como é o particípio. “para baixo”. portanto. o que justifica sua grafia com ç. Ora. ofender: ofensa. todavia a junção do prefixo com o radical explica também por que essa palavra se escreve com xc e não com ss. que significava “para fora”. integrado a ela? Como dissemos. donde exceptus “pegado (de dentro) e tirado (para fora)”. Se termina em -p ou -c. mas depois também “pegar”. Idem se termina b ou -g. -d e. Apenas uma será mencionada agora para ilustrar. “para longe”. Como se pode ver. “para perto”. afinal. o que é uma exceção senão um fato isolado que se retira de uma regra geral e que não se encontra. em –zione no italiano. -r. com a diferença que estas mudam para -p e -c. o a do radical passa para e.

porque vem de –sio. Temos novamente a raiz pel. *pretencioso). Raízes terminadas em -n podem ter particípios tanto em -tus. “repelente”.pretensioso e não *compreenção. Da raiz pel-. *ofença. forma-se a palavra repellere “jogar para trás”. o leitor facilmente percebe famílias de palavras e. inclusive palavras desconhecidas que se fechavam numa aparente opacidade. Muitas exceções complicadas e aparentes arbitrariedades ortográficas passam a ser meras decorrências da aplicação dessas regras. com s. sem falar de outros. 7 . Observe que com a raiz pel.“para trás”. expelir e repelente tivessem algo em comum. Mas há exceções: raizes terminadas em -l com particípios em -tus e palavras terminadas em -c ou -g com particípio em -sus ou -xus. *ascenção. porque não vem de –tio. “expelir”. A partir daí. teremos uma chave que abre o significado de milhares de palavras em português e de outras línguas.e o radical puls. “expulsar”. O verbo pellere em latim significava “lançar. Com o mesmo prefixo. ou seja. significava “para fora”. atirar”. O ato de lançar para fora era formado pelo acréscimo do mesmo sufixo –io. que. donde expulsio.também há o verbo expellere “lançar para fora”. mas o insight do conhecimento etimológico se constrói a partir de dados como esses. não são muitos). ou seja. terminados em -r em -ssus ou -stus. O particípio passado era pulsus.com o mesmo sentido. que gerou a palavra “expulsão”. Com o prefixo ex-. passaremos a ver com mais facilidade o que se passa por trás das palavras. Parece estranho que antes dessas noções não fosse óbvio que expulsão. como vimos. quanto em -sus. com o radical expandido e com um outro sufixo surgem palavras como repulsivo e assim por diante. Quando dominarmos isso tudo. que também poderia ter um particípio presente repellens “que repele”. curiosamente. “repelir”. forma-se o verbo tardio expulsare “lançar para fora”. e não com ç. ou seja. *escanção. associada ao prefixo re. tendo dominado a real extensão de aplicabilidade desses quatro fatores e tendo adquirido um vocabulário composto de raízes e afixos (que.

gradus > grau. mas as palavras não vieram todas ao mesmo tempo. Essas modificações (acréscimos. portanto. Mesmo muito tempo depois do surgimento das línguas românicas escritas. para o léxico vernáculo. era dominado apenas por alguns.2. por São Jerônimo. supressões e transformações de sons) são chamadas de metaplasmos*. XII em Portugal. a partir da invasão de outros povos. É importante entender o seguinte: o português é uma língua românica (como o espanhol. O latim medieval. Embora gasto. O mesmo não ocorre com o -d. que se baseavam em algum conhecimento dos autores clássicos e tardios e se utilizavam sobretudo do estilo da tradução latina da Bíblia (Vulgata). É por isso que algumas palavras.do verbo aggredi > agredir. Se nos é permitida uma comparação. mas poderia ser um -l. como aggredi > agredir são chamadas palavras eruditas* (ou palavras cultas). IX na França e até séc. V. O desaparecimento de qualquer som no meio das palavras (no caso. contudo. como se fossem verdadeiros empréstimos. o italiano. o romeno etc. mas algumas eram populares. perdem o -d. vem do latim. Por exemplo.). palavras latinas abandonadas.entre vogais como gradus > grau ou pedem > pee > pé ou manus > mão ou color > coor > cor são chamadas palavras populares (ou palavras vulgares*). isto é. sobretudo germânicos. apenas as palavras populares permaneceram durante algum tempo. o uso do latim continuou sendo usado como língua escrita Voltaram. bem como uma vogal qualquer) é chamado de síncope*. Por que alguns sons se modificam? Muitas vezes percebemos que existem algumas alterações entre a palavra latina e a portuguesa. constantemente. o francês. Quando o Império Romano se fragmentou em reinos. feita no séc. IV. enquanto as que não o perdem. O Latim foi única língua escrita da Idade Média até séc. as palavras populares se assemelham a um sapato velho. por exemplo. se adapta mais às 8 . a ponto de se formarem as chamadas línguas românicas. agora na sua vertente medieval. um -d-. Há explicação para isso: todas as palavras que estamos estudando vêm do latim. no séc. A força que tentava evitar a fragmentação total sempre foi o latim.ou um -n-. enquanto outras não.

tanto na descrição quanto na nomeação. o latim permaneceu como língua usada no culto católico até meados do séc. bem como língua utilizada na zoologia e botânica. que provém da expressão fac simile. ciência desenvolvida nos Estados Unidos. mas principalmente no séc. XI ao séc. internet. anglo-saxãs) como between ou among. As palavras usadas pelo povo têm longa tradição e são as que mais se modificaram. XV encontramos a figura do rei de Portugal D. mas tem um número imenso de palavras latinas herdadas do francês (por causa da invasão normanda. o número de palavras proparoxítonas. Duarte preocupado em enriquecer o vocabulário do português. Existem neologismos calcados no latim ainda hoje. mas na confecção de neologismos usa o inter latino: international. para “entre” palavras germânicas (isto é. Assim. XIV. no entanto estão perfeitamente adaptadas ao sistema da língua que formaram. mas não encaixa direito num primeiro momento. muitas palavras portuguesas ainda provêm de imitações de criações italianas (sobretudo no séc. Esse é um movimento que podemos chamar de relatinização moderna. Nelas não raro encontramos grupos consonantais incomuns e elementos fonéticos outros que fogem ao sistema da língua em que estão. língua que não provém do latim. Ainda hoje isso ocorre – paradoxalmente – com o inglês. XIX). interplanetary.peculiaridades dos pés que servem. Não é de se admirar que a Informática. quando se diz sobre fertilização in vitro. como qualquer língua românica. XVI. No séc. Mesmo tendo perdido para o vernáculo. invenção moderna. XI e séc. Além disso. XVI. XVI) e francesas (séc. em curriculum vitae. Um sapato novo pode estar intacto. raríssimo até então. IX. em momentos de revitalização da língua: sobretudo nos séc. aumenta enormemente. em campus universitário e mesmo o fax. ironicamente nos relatinize por meio de expressões como deletar (to 9 . XIV). tanto na forma quanto no conteúdo. o inglês tem. do séc. em pós-graduação lato sensu. XX. No séc. As palavras que não modificaram ou sofreram ligeiras alterações são tardias: apareceram a partir do séc.

Por isso. Não inventamos a pizza. a roupa usada pelos navegantes. XVI. mentira”. então por que rejeitar os termos do país em que se originou essa Ciência? Também não inventamos o violino e o violoncelo e usamos esses termos italianos desde o séc. vindo do latim delere “destruir”. antes 1 . romeno palavră. A palavra urubu ocorre em francês e em italiano. são hoje contrários aos anglicismos. Longe de macular uma pretensa pureza lingüística (que obviamente não existe em nenhuma língua do Planeta Terra. O mesmo se pode observar do jacarandá. o gibão.delete. italianos. acessar (to access).A fruta indiana que deu origem ao nosso jambo também chegou ao italiano giambo pelo português. alemão e italiano. também ficou: zubon. Houve momentos em que a língua portuguesa exportava palavras para o mundo. alemães e ingleses. da mesma forma que eram contra os galicismos até meados do séc. o hambúrger ou o sushi e não me consta que precisemos de nomes alternativos para eles. palavra (e em alemão Palaver. bossa nova. que inventamos a Informática. particípio deletus). Os puristas torcem o nariz para essas palavras e. XX. francês. Também em turco. inicializar (to initialize). favela. isso se deve especialmente ao seu caráter misto e não ao elemento anglo-saxão. entre tantas. encontraremos outros termos da língua portuguesa em processo de internacionalização: autodafé. a lasanha. que aparece nos dicionários franceses. albanês palavi) significa “tagarelice. A fauna e flora da Ásia e da América também foram divulgados por intermédio da língua portuguesa: o mamífero tatu aparece no italiano e no francês (respectivamente grafados tatù e tatou). como nas grandes navegações: a palavra pão ficou no japonês pan. viado. brasileiros. o estrogonofe. nem no islandês nem em qualquer língua indígena). samba. o peixe piranha aparece nos dicionários de inglês. nem no chinês. Não fomos nós. que é mínimo. os estrangeirismos enriquecem o vocabulário das línguas e se hoje o inglês (e não mais o latim) é a língua internacional. Tomando por base o dicionário Zingarelli da língua italiana.

que podem ser seguidas de sufixos e/ou antecedidas de prefixos. cara pudesse um dia vir a significar “pessoa” (e ainda por cima no gênero masculino: um cara)? Todavia. pois veio de persona. As vogais têm transformações bem específicas: a não se modifica. a palavra pessoa. mas i se transforma em e: recipere > receber.de lançarmos batalhas quixotescas contra invasões de termos estrangeiros. na linguagem falada. 3. protelado ou abandonado por muitos que se dedicam ao estudo da linguagem. as consoantes duplas latinas (as chamadas geminadas). Por exemplo. sofreu um desenvolvimento semântico parecido. a saber. pode-se fazer muitas generalizações. Vossa Mercê. Cada componente tem sentidos básicos e sentidos derivados. por um modismo italiano. Quem imaginaria que. é preciso observar que também exportamos palavras para as demais línguas do Globo. Já com relação à forma. Quem poderia imaginar que o milenar tu (que remonta ao indo-europeu) seria substituído completamente em alguns Estados brasileiros. Além disso. que as palavras se compõem de raízes. que significava “máscara”. por isso. Por que algumas palavras mudam de sentido? Dissemos. e u se transforma em o: conceptus > conceito. com exceção de ss e rr. a forma das palavras segue padrões. caco”. simplificaram no português: aggregare > agregar. passaria a significar “cabeça” em francês e italiano (respectivamente tête e testa) ou a fronte em português? Por outro lado quando se diz que fulano “faz o que lhe dá na telha” é exatamente o mesmo que se diz. Também as consoantes entre vogais (tecnicamente chamadas de 1 . por sua vez. origem de nosso você? Quem imaginaria que a palavra latina testa. que significava “vaso. mas bastante complicado e. nem e ou o. XVI. a partir do séc. O estudo das mudanças semânticas é fascinante. inicialmente. telha. que são os chamados metaplasmos.

gu se lia ga. b. ci. em português. passaram a ser pronunciadas. a saber. se. às vezes mantém o p: perceptio > percepção. que aparece em várias palavras. gu). go. gi. Na verdade. e. o que ocorre. às vezes o elimina por síncope: exceptio > exceção. é a síncope (ga.u e o g antes das mesmas vogais. A letra c latina representava sempre o mesmo som. As demais consoantes. ao passo que t se torna d. Essas sílabas. n. t. mas houve lenização antes de e. ke. ku: houve permanência do som antes de a. Dessa forma. nh. ze. je. regem se tornou *ree e depois rei. ce. mas não vibrarão quando pronunciados os sons surdos. estes vão vibrar quando pronunciamos os sons sonoros. go. bem como qu ou gu antes de e. o conjunto -tio se torna -ção: occupatio > ocupação. gu. o. cu se lia ka. impedem totalmente a passagem do ar vindo dos pulmões. Em posição intervocálica. o português lenizou as sílabas com e e com i e hoje essa seqüência se lê: ga. l. ko. Não se trata de transformações caóticas. i. Em posição inicial. gui. Chama-se sonorização a transformação de um som surdo num sonoro. ko. É relativamente fácil saber quais sons são surdos e quais são sonoros. go. ainda por cima. a manutenção 1 . ele se transforma em i: conceptio > conceição.intervocálicas) costumam mudar: p se torna b. go. Entre vogais. Percebemos ainda que outras transformações não são sistemáticas: o grupo -ptio. i. quando iniciais. o. essas mesmas sílabas se transformam em ga. porém. na sua produção. O mesmo se pode afirmar da letra g: a seqüência ga. houve. gue. zi. como o p. go. de modo que ca. ge. ki. lh são fricativas. i. por exemplo. gu em latim. pois colocando os dedos no pomo-de-adão. ainda. d. Plosivas são todas as consoantes que. ku. si. Outro exemplo de lenização ocorre quando o b se transforma em v. zi. Foi visto já que a terminação -io acaba se transformando em -ão e se antes houver um -t. Essas duas transformações se chamam sonorizações*. Outras vezes. c antes de a. co. ji. k. exceto m. Esse fenômeno se chama lenização*. gu ou seja. ka. Lenização seria a transformação de um som plosivo para outro fricativo. houve sonorização e no caso de ze. lenização (por exemplo dicere se transforma em dizer). u. o t se torna ç. pois deixam o ar passar à medida que são pronunciadas.

Um caso curioso é o da palavra sob. embora não se pronuncie esse p. depois na escrita) por outras expressões mais encorpadas. A conclusão que se tira daí é que a ausência ou presença de p nesses casos é problema histórico: depende de quando a palavra entrou no português. Por outro lado. de modo que se deixou de falar sob a mesa. já outras se popularizaram de tal forma impressiona saber que tiveram origem erudita. a religião católica teve. Essas palavras de forma mista são chamadas semi-eruditas* e há várias delas. pois as palavras latinas não entraram no português todas na mesma época. que não era pronunciado. mesmo que uma palavra tivesse entrado no repertório da linguagem quotidiana por meio da erudição dos clérigos que sabiam latim. nem popular. a palavra sob foi substituída na língua falada (e. para se falar debaixo da mesa. as pessoas passaram a lê-la pronunciando o b. socapa etc. Passado o tempo. ao longo de séculos. De fato. que não é nem erudita. sub > so e essa forma (so) seria a única até século XVI (aparece inclusive como prefixo em soterrar. hippódromo. a palavra ficou rara e quando aparecia em textos. Com o tempo. Em Portugal. mostra outra coisa: que se trata de palavra erudita antiga. É importante ressaltar que a distinção entre palavras eruditas e populares não segue a freqüência de uso atual. palavras de origem popular 1 . A escrita muitas vezes interfere na pronúncia: isso faz com que pessoas pronunciem a palavra adquirir como “adqüirir”. que se popularizou e tem uma forma mista. asthma. Já a passagem de p para i.). sobretudo no âmbito eclesiástico.do p é marca da inquestionável origem erudita da palavra. resolveu-se restaurar o -b final de sob. escreve-se excepção. sendo desconhecidas da população sem estudo. mas tão pouco se pronuncia o p de percepção ou de decepção. que vem do latim sub. mas com preocupações etimológicas (as mesmas que faziam escrever palavras como pharmácia. Por causa da queda da freqüência de uso. logo se popularizava. hypochondríaco. entre outras). cunho muito popular e. Há palavras eruditas que continuam com aspecto culto. devido à dificuldade de se pronunciar um -b final.

Como já dissemos. Seguindo a linha das proparoxítonas. embora ninguém desconheça o sentido de último. quando foi introduzida. da mesma forma. Dessa forma concluímos que há palavras de origem culta de uso culto e palavras de origem culta de uso popular. também as formas superlativas com -íssimo ou -érrimo eram praticamente desconhecidas até século XVI e entraram no português. O inverso ocorre com a palavra grei. não cai por meio da síncope. Em seu lugar. XIV. Nosso trabalho é sobre a origem. passam a ser desconhecidas da grande maioria das pessoas. Hoje em dia. é sobre sua etimologia que falamos.podem deixar de ser usadas e se tornar arcaicas. de modo que se criam palavras bastante esdrúxulas como grandessíssimo. Nesse caso. coisíssima nenhuma. muitas vezes. E7. tornando-se muitas vezes palavra de jargão ou regionalismo. por fim d entre vogais continua como d. essas formas muito cultas se tornaram de uso comum do povo. os metaplasmos. 1 . em outros. para revitalizar um uso que era do latim -issimus ou -errimus. E a base para sabermos distinguir é. derradeiro é mais freqüente. essa palavra não veio por meio da linguagem popular. então. a palavra derradeiro um regionalismo ou uma palavra arcaica. vista no capitulo anterior. porém. sendo suas primeiras atestações no séc. não passa para d. essa sim. Como exemplo podemos citar uma palavra como último. p. como o da Bíblia. quando falarmos que uma determinada palavra é culta ou popular. por imitação do italiano. palavra popular. t entre vogais continua como t. que apesar de originalmente popular. não sobre o uso. bem como palavras de origem popular de uso culto e palavras de origem popular de uso popular. sendo para esses falantes. Como praticamente todas as proparoxítonas. não existe nos textos muito antigos. se tornou arcaica e presente apenas em textos cultos. para imitar o latim ultimus. XII e XIII dizem derradeiro. De fato. os textos do séc. as palavras cultas são mais conservadoras quanto à forma: p entre vogais continua como p. não passa para b. O uso dessas duas palavras é bastante variável nas regiões do Brasil. de 10/01/03 encontramos “modernerrérrimos e montaderrérrimos”. bacanérrimo e na Folha Ilustrada. de modo que há lugares que só usam último.

Nas palavras cultas. isto é. A terminação -tas se torna -dade. O intercâmbio lingüístico que se iniciou na Idade Média unificou o vocabulário dessas línguas. no primeiro momento. mas no português antigo já foi -om: deceptio > decepção. O alemão. palavras em -io passam a -ão. O inglês não provém do latim. 4. A terminação -ns se torna -nte: ingrediens > ingrediente. o sueco. não só é verdade que nossa língua vem do latim. isso não 1 . O leitor começa a perceber que a maior parte das palavras que apresentamos até aqui são formas eruditas. daí seu aspecto peculiar. Da mesma forma. hoje em dia é -vel: perceptibilis > perceptível. uma única palavra latina pode originar duas ou mais palavras na mesma língua. 1951). Esses pares são chamados de formas divergentes* ou doublets. a Revolução Industrial. o Cristianismo e. aproximando-as. sem dúvida. que já foi -bel ou -ble no português arcaico. muitas vezes via francês. metaplasmo conhecido como apócope: aggregare > agregar. que vêm de resignare. de modo que seu vocabulário é extensamente românico. O romeno também provém do latim e não participou desse intercâmbio até século XIX. importante para estudos de reconstrução do latim popular (MAURER Jr. apenas algumas adaptações ocorrem: palavras terminadas em -us passam a -o no português: egregius > egrégio. via italiano ou via inglês. O que promoveu esse intenso intercâmbio foi. eliminando a última vogal. Os infinitivos em -re passam a -r. muito mais do que o simples fato de serem línguas vindas do latim. Novamente. o dinamarquês. A terminação -bilis . Isso quer dizer que. Uma palavra latina pode gerar mais de uma palavra portuguesa? Tanto a palavra sino quanto a palavra signo têm o mesmo étimo: vêm de signum. mas também que ela praticamente é latim. o russo participaram em parte e as influências estão muito escondidas. depois. O mesmo se pode dizer de desenhar e de designar. como veremos. capacitas > capacidade. mas participou desse intercâmbio. que vêm de designare bem como de resenhar e resignar. tanto sina quanto senha vêm de signa.

mas consonantismo popular: são as chamadas palavras semi-eruditas. sob a forma de palavras cultas. até se transformar ao longo dos séculos nas línguas românicas. no século V. Há um metaplasmo curioso em que o encontro pl. As transformações das vogais atendem pelo nome de vocalismo. a variante do latim que continuou sendo falado ininterruptamente. ll. ao francês pluie. pois ressurgiram numa época posterior à queda do Império. pi. Não é esse o caso. designar e resignar são palavras cultas. Não pertenciam ao latim popular. a palavra chão. com ligeira adaptação da terminação e manutenção do significado). cinco formas divergentes em português: plano (forma erudita. Assim.no castelhano. mas nas palavras cultas continua como i. reconstruída durante a Idade Média. ou seja.ou -n. temos. do português. A conservação da forma aponta para o latim clássico. como derivada dela. que têm vocalismo culto. porém se popularizaram rapidamente.no italiano. pois estão ligadas ao latim popular. temos. de planus latino.em português. desenhar e resenhar são palavras populares. estava submetida a essa transformação e. de fato. que deixou de ser falado espontaneamente quando da caiu o Império Romano. mas permanece pl.pode se transformar em -nh-. são formas ligadas à Igreja. Da mesma forma. ao passo que as das consoantes formam o consonantismo. A palavra planus latina. a menos que essas duas formas fossem variações regionais. É fácil agora perceber que senha. uma vez que o chão 1 . que corresponde a llano no castelhano. Assim. o encontro consonantal -gn. Novamente. ao castelhano lluvia. de modo que a palavra pluvia deu origem ao português chuva.no francês. em que se seguem todos os metaplasmos e com mudança semântica.inicial se torna ch. Sobram sino e sina. Uma das formas é mais antiga que a outra e é possível medir sua idade pelos metaplasmos. As formas divergentes são numerosas e algumas bastante surpreendentes.seria possível de acontecer na mesma época. a chão (forma popular. sendo continuamente retomado durante o período medieval e pós-medieval. o i se transformou em e no latim popular. ao italiano pioggia. enquanto signo. de geração em geração. -in. a plain no francês e a piano no italiano.no português ou continuar como -gn-. As três primeiras formas são mais antigas. portanto.

referindo-se ao chão nivelado desse aposento). XVI. com menção às duas dinâmicas musicais) e porão. o que o faz cair e nasalizar a vogal anterior (como em manum > mão). como redução da palavra pianoforte. pan se tornou pão. No entanto. O português elimina. visiones. duas ou mais formas latinas podem adquirir uma única forma nas línguas românicas. a forma apocopada sam. A palavra manus. no acusativo manum. Isso é flagrante nas formas do plural. com exceção do -s. vison se tornou visão e mão continuou como era. apócope do -m e depois do -e).intervocálico. apócope do -m e transformação do u em o). visiones.continua na posição intervocálica. Da mesma forma sanctus “santo” gerou. Por fim sanus “saudável” gerou a palavra são. 1 . piano (empréstimo do italiano.normalmente é plano). no acusativo visionem. talvez segundo a influência da pronúncia lisboeta. de modo que o acusativo dessas três palavras era respectivamente panes. visión. sem voltas. Portanto: panes > pães. vemos que não cairá também o -e final. gerou mão (síncope do -n. por meio da forma panem (tecnicamente chamada acusativo). manus > mãos. no séc. mano. as terminações continuam como no português antigo: pan. gerou no português antigo a forma som. as terminações -om. isto é. há formas convergentes*. com nasalização da vogal. XVI. todas as consoantes finais. O plural. Por volta do séc. sunt. lhano (empréstimo do castelhano. por meio de um metaplasmo chamado apócope. de modo que as três palavras hoje em dia são pronunciadas são. manos). Assim a terceira pessoa do plural do verbo “ser”. Inversamente. Em castelhano. manus (bem próximo do castelhano: panes. visiones > visões. metáfora de algo plano). sem torneios. com mudança semântica para “sincero”. a forma pan (com apócope do -m e depois do -e). paralelamente a santo. da mesmo forma que caiu o -m. Não caindo o -s. A palavra visio. O latim panis gerou. -am e -ão se convergiram numa única forma: -ão. criou uma irregularidade. antigo prão (forma semi-erudita. gerou a palavra vison (síncope do segundo -i-. de modo que o -n. no entanto. ou seja. Tudo isso parece extremamente regular segundo as regras dos metaplasmos. com mudança semântica.

O verbo passar. Oliveira estava certo: pássaro não vem do verbo passar. Fernão de Oliveira.) são comuns soluções muito fantasiosas para explicar a mudança do significado. as em -an faziam plural em -ães e o plural das em -on era -ões.) e nos textos de Isidoro de Sevilha (VII d. mas do acusativo latim passerum “pardal”. com freqüência. XVI. Se pássaro viesse de passar. primeiro gramático da língua portuguesa. de Platão (V a. etimologias fantasiosas e etimologias embasadas em dados. regularidades num estágio mais antigo: atualmente se diz que uma palavra portuguesa terminada em -ão pode ter plural em -ãos. no plural. que. Ainda hoje abundam nas bancas livros repletos de explicações mirabolantes para o significado dos nomes próprios (referimo-nos a publicações do tipo Mil nomes para seu bebê). muitos autores não se preocupam com as irregularidades das mudanças formais e muito menos com os percursos sinuosos das explicações para a mudança do significado. desconfia de toda e qualquer etimologia e apresenta seu ceticismo com relação à palavra pássaro. de modo que podemos afirmar que os metaplasmos de uma palavra no singular não são necessariamente idênticos aos dessa mesma palavra.C. portanto. viria de passar.C. Há. por que o castelhano diria pájaro. De fato. No séc. vem de um suposto *passare. 5. derivado de passum. -ões ou -ães e é uma dificuldade que a Gramática Normativa oferece aos estudantes. a convergência dos sufixos no singular não ocorreu no plural. Irregularidades na língua atual foram. nem sempre os estudos etimológicos foram assim tão científicos. No diálogo intitulado Crátilo. Nem sempre essa situação foi tão complicada: no século XIII se poderia afirmar tranqüilamente que as palavras em -ão tinham plural em -ãos. que quer dizer “passo”.Por causa desse acidente fonético da história da língua. se também tem um verbo pasar? 1 . por sua vez. Como reconhecer uma etimologia fantasiosa? Porém. segundo alguns. Na busca do étimo* (termo que vem do grego étymos “verdadeiro”).

quanto ao segundo. Vendo o tapir.Normalmente quem pratica etimologias fantasiosas imagina que todas as palavras usadas na língua são derivadas de outras que também usadas atualmente. mas. as palavras do português moderno viriam do próprio português moderno e não do português antigo. observamos que a palavra significava “pardal” e passou a significar simplesmente “pássaro”. Há muitos exemplos disso. Explica-se (e muitas vezes divulga-se) que o bairro de Campeche em Florianópolis viria de “com peixe”. É antológica a explicação para a palavra news do inglês. torna essa explicação quase evidente. No caso de passer. algo como “as mensagens vindas dos quatro cantos do mundo”. enfim. West. pois fica difícil saber por que o o se transformou em a e por que o ditongo ei (ou no máximo a vogal fechada e) se tornou a vogal aberta e no primeiro caso e. Pior que isso: falta método. Mas houve quem propusesse que a palavra news fosse uma espécie de sigla (ou acróstico) de North. mas faltam os documentos que o provem. South. definitivamente. quando dizemos hoje que o sabiá é um pássaro não se afirma que o sabiá seja um pardal. de modo que. Também é difícil de imaginar a situação discursiva em que tais palavras se formaram. Tal procedimento se chama generalização*. chamaram1 . East. Não se pensa. A área da etimologia é uma das mais invadidas por opiniões pessoais. isso não é comum em palavras antigas. isso aconteceu com muita freqüência com os animais do mundo novo que se descortinava. sempre invariável no inglês. A generalização vem de uma aplicação inicialmente indevida que se populariza. que a palavra vem de uma etapa anterior. Não imagina que as mudanças fonéticas tenham de ser mais ou menos sistemáticas para não se caracterizar uma explicação ad hoc. Não se concebem os séculos necessários para a formação de um vocábulo. por que as vogais mudaram tanto. Segundo os etimólogos fantasistas. Hoje em dia é comum formarem-se palavras com siglas. nem a situação discursiva pela qual a palavra teria entrado no vocabulário. A etimologia é límpida: trata-se de um decalque da palavra novas do latim (ainda hoje se diz em português: boasnovas) e uso de uma terminação de plural num adjetivo. explica-se que o nome próprio Elvira é uma corruptela de “alvura”. Quando os portugueses vieram para o Brasil.

no de anta. Assim. do séc. num processo de pejoração: em Portugal. Ocorre também o contrário: muitas palavras que eram gerais se tornam específicas e esse procedimento se chama especificação*. Nem sempre o sentido básico. Muitas palavras mudam de sentido. Animais bem distintos que se mesclaram no imaginário. bombril para “palha de aço”. espécie de cervo sem chifre que conheceram na África e que julgavam ser o mesmo ou parecido. presente como primeira acepção dos dicionários. Aqui no Brasil. apenas do metafórico. “fazer algo difícil”. de modo que vale aqui dizer que a metáfora atuou usando um nome velho para uma coisa nova. pois o mais corriqueiro é o que sobreviverá. de modo que vemos não só no português o par complicado: simples. descreve-o como uma espécie de maçã. “algo fácil. tendo contato pela primeira vez com um caju. no inglês complicated: simple e até o alemão tem kompliziert. suplantando o sentido básico. a ponto de serem substituídos por sinônimos em alguns textos. isso ocorre com freqüência: a palavra zona. De fato. por metáfora. o particípio complicatus vem do verbo latino complicare. 2 . Fernão Cardim. Belchior Nunes Carrasco). Ainda hoje há quem chame o gambá brasileiro de raposa (que é européia) ou o urubu de corvo. absolutamente neutra tornou-se restrita à acepção zona de meretrício. gilete para “lâmina de barbear”. algo simples”. Palavras como sujeito e indivíduo começam a ter valores negativos. É bastante conhecido o fenômeno de marcas registradas que se generalizaram para o produto que vendiam: danone para “iogurte”. Nada sobrou do sentido básico. a guilhotina deve seu nome a um certo médico Guillotin. É comum ainda que uma das acepções se torne mais usual que outras. esquentar aos poucos se torna palavratabu. a extensão dos nomes aumenta. ou seja. é o mais usual. Por oposição simplex significava “com uma só prega”. XVIII. O caso mais freqüente é o de nomes próprios que se tornam genéricos. de modo que isso se tornou. mas também no francês compliqué: simple. que significava “fazer muitas pregas”. Assim diz-se que Carrasco era o sobrenome de um sanguinário algoz na Idade Média (a saber.

isso é. mas não é incomum encontrar nos dicionários etimologias consagradas que não obedeçam a uma dessas condições ou mais. principalmente. Se conseguirmos provar que essas formas são independentes. mas isso deve ser feito com critério e. passer em francês. Apesar de *passare 2 . com abonações que atestem as suas afirmações. portanto raros são os trabalhos confiáveis nessa área do conhecimento. Normalmente a explicação mais popular se confunde com a mais convincente. precisa ter abrangência*. por fim. *passare é um verbo da primeira conjugação formado sobre o radical do particípio. Isso é difícil de fazer. A forma reconstruída. fazendo uma operação inversa. O verbo *passare acima não se encontra nos textos latinos. pasar em castelhano. Como saber se ela realmente existiu? Ora. a passagem de a para e nos verbos da primeira conjugação do francês é regra e não exceção. fenômeno bastante comum no latim tardio (assim se explica também *visare. como dissemos. a forma passar do português não está isolada. de fato. pois há. é preciso haver coerência* na transmissão dos metaplasmos e. ou seja. valer para mais de uma língua e para seus metaplasmos particulares. um étimo não-abrangente). que a forma portuguesa não vem da francesa. tenus) antecedida de ad é muito recorrente nas etimologias (satisfaz a condição da sistematicidade) e. por exemplo. Por fim. portanto. as transformações por metaplasmo gerariam *ateios (étimo não-coerente). pois.Estudar etimologia é vasculhar esses meandros tortuosos da mudança do significado. a forma *ad tenus para justificar a preposição atens do português antigo (atual até) não satisfaz duas delas: tenus só ocorre no português e em nenhuma outra língua vinda do latim (é. Também é delicada uma outra questão: a da reconstrução. Também precisa ter sistematicidade*. ou seja. é possível criar uma forma hipotética *passare por meio dos metaplasmos. uma forma adverbial (no caso. deve ser um fenômeno comum à língua e. de avisar). de fato. Assim. Se satisfizer as três condições. a etimologia reconstruída tem quase a mesma força de um dado.

portanto. a sua estrutura é indo-européia e não semítica. já os empréstimos são de qualquer língua. tanto de estudiosos de Letras quanto de pessoas de outras áreas. as flexões em geral. a conjugação verbal. sua estrutura interna é basicamente latina. ou seja. Em que século. sobretudo. Por isso. Mesmo para quem não entenda essa língua.e *ad tenus serem marcadas como formas hipotéticas. no francês. O fato de entrarem em mais de uma língua é outro. No entanto. os pronomes. O que nos faz afirmar que o inglês seja uma língua germânica (derivada do anglo-saxão) e o romeno não seja uma língua eslava. mas são 2 . Hoje em dia. tupis e africanas no português. apesar de grande número de palavras árabes no persa. os empréstimos entram numa língua é um problema. XIX. bastará correr os olhos sobre um texto para verificar isso. O estudo das etimologias sempre gerou forte interesse e fascínio da parte de todos. Outro grave problema que percorre a etimologia é a datação e a abrangência dessas formas. que se considerar a diferença entre herança e empréstimo. inspiradas no italiano e. O número de empréstimos numa língua pode ser muito maior do que o das palavras herdadas. de variada qualidade: desde as que têm certo fundamento. As palavras herdadas do português seriam todas do latim. castelhano. surgem amiúde algumas obras sobre o assunto. ninguém negaria que o romeno seja uma língua românica assim como o português. catalão. a despeito do grande número de palavras derivadas do tronco eslavo? Conta aqui mais a estrutura interna do que o vocabulário. italiano. Assim também. Da mesma forma. inclusive das línguas vindas do latim. os artigos. o inglês tem muitíssimas palavras herdadas do francês. porém. muitíssimas palavras parecidas com o português são na verdade inovações do séc. Há. os numerais. Os termos eruditos que foram estudados acima são verdadeiros empréstimos do latim. francês. não há o mesmo grau de certeza na reconstrução de ambos os étimos. A despeito do grande número de palavras árabes. por exemplo. as preposições e as conjunções são claramente germânicas e não latinas no caso do inglês e obviamente latinas e não eslavas no caso do romeno.

hoje em dia. contudo..(. de fato. e alfaiate porque faz alfaias. e passaro porque passa voando (. o diabo a quatro. podemos também cuidar outras dozentas patranhas. No entanto. pois seguem a linha das etimologias fantasiosas. mas não deve ser o único trabalho de um etimólogo. é nossa postura constante preferir não indicar uma etimologia a apresentar algo duvidosamente reconstruído. desde há muito tempo. e tempo porque tempera as cousas. Ao se fazer etimologia é sempre preciso diferenciar a língua estudada da língua-fonte. XXXI) Ao se fazer etimologia. O etimólogo que tem respostas para tudo se aproxima do charlatão. e antigo porque foi antes d´agora. (cap. onde Judas perdeu as botas. É fácil imaginar explicações para expressões como estar na pindaíba. das quais não temos documentação suficiente. acabam por desmantelar todo cuidadoso edifício dos estudos históricos.. uma vez que estamos lidando muitas vezes com línguas ágrafas. brilhante percursor da perspectiva sincrônica da Lingüística Moderna. se como adevinhando dixéremos que homem se chama porque é o meio de todas as cousas ou porque está no meio do mal e do bem. até as que são totalmente não-fundamentadas. construído por muitos pesquisadores durante mais de dois séculos. fazer nas coxas e tantas outras... É divertido. alguns ainda buscam explicar tudo. Dúvidas e desconfianças sobre o rigor do trabalho dos etimólogos surgem. e pouco recebidas antre homens sabedores. em sua Grammatica da lingoagem portuguesa chama o estudo etimológico de patranha sobeja. que do pouco que com muito lendo e trabalhando aqueriram se prezam e não de imaginação aldeãs sem juizo.) e também escrever quasi discretamente ver. por exemplo. Fernão de Oliveira (1536). infelizmente não incomuns. isto é “mentira desnecessária”: Ora pois.confusas e crípticas. Erros grosseiros em reconstruções. as quaes sempre são sobejas e muitas vezes falsas. e se dixéremos que molher se chama porque é molle e velho porque vio muito. Os passos de uma etimologia confiável podem ser resumidos como: 2 . sem se valerem de abonações em textos confiáveis.) e assi com´ estas.

A força do latim foi tão grande na Idade Média. 4) conhecimento dos metaplasmos regulares da passagem da língua-fonte para a língua estudada.1) conhecimento da estrutura e do léxico das línguas-fonte. encontram-se loka inni 2 . Existem verdadeiras traduções ao pé da letra de alguns vocábulos. 6. A raiz dessas palavras é clud-. línguas que não são românicas escondem a sua influência. com ein-:aus equivalentes a in-:ex-).equivalente a in-. Assim. que está na base da palavra clauis “chave”. 5) conhecimento da freqüência de uso das palavras nas línguas em questão.e lukke “trancar”) e mesmo no islandês. includĕre significa “fechar por dentro” e excludĕre “fechar (deixando) para fora”. com v-: iz. 3) datação dos textos que comprovem os étimos ou que justifiquem a sua reconstrução. Essa imagem se encontra no alemão: einschließen: ausschließen (derivados de schließen “fechar”. no dinamarquês indelukke: udelukke “excluir” (com inde. Literalmente.equivalente a ex. composição que não foi criada no português. 2) conhecimento do momento histórico do contato da língua-fonte com a língua estudada. mesma raiz de Schlüßel “chave”. no russo: vključit´: izključit´ (derivados de ključ “chave”. no francês inclure: exclure etc. incluir e excluir remontam ao latim includĕre e excludĕre e estão presentes em muitas línguas: inglês to include: to exclude.também equivalentes a in-:ex-). cioso de não possuir estrangeirismos. que. ude. forma apofônica de claudĕre “fechar”. como encontramos na palavra cachorro quente. Algumas palavras são imitações de outras? Decalque seria uma espécie de tradução literal para o vernáculo dos elementos que compõem um determinado vocábulo. mas montada por decalque a partir do inglês hot dog. muitas vezes.

No húngaro. Por sua vez. Porém. Se as línguas se alterassem só por meio dos metaplasmos. Quando o trem foi inventado. a forma latina excludĕre seria uma imitação do grego ekkleío (com ek. Alguns decalques são realmente difíceis de serem percebidos. O alemão e o húngaro podem não ser línguas vindas do latim. a ponto de não reconhecermos. que significa “puxar”. da mesma etimologia. a palavra inglesa train acabou vindo ao português do Brasil na forma de empréstimo. como o húngaro teve influência das mesmas imagens: kizár “excluir” (com raiz zár “fechadura. haveria um alto grau de previsibilidade. Já havíamos visto que existem palavras internacionais.“incluir” e loka úti “excluir” (literalmente “trancar para dentro” e “trancar para fora”). XIX. Zug é decalcado sobre o verbo ziehen (no pretérito: zog).equivalente a in-). que justificassem vocábulos desse tipo. chave”). 7. Até uma língua não-indo-européia. As nações são orgulhosas de suas línguas. Em alemão. numa palavra como Barmherzigkeit do alemão um decalque de nossa conhecida palavra latina misericordia. por contato cultural. (er)barm(en) = miser(i)-. que. mas depois que esses povos se cristianizaram havia bastantes pontos em comum no pensamento. Tudo pode ser explicado pelas transformações fonéticas? A analogia* é um fenômeno complexo que contraria a ordem normal dos metaplasmos. da mesma forma que train remonta ao verbo traîner do francês. não tem nada a ver com esse étimo. ou seja. uma língua faz empréstimos de outra. a palavra é Zug. fecho” e ki. No búlgaro. também vonat “trem” pertence à mesma raiz do verbo von “trazer”.equivalente a ex-) e bezárólag “inclusive” (be. Herz = cor(d)-. Agora vemos que há imagens internacionais. aparentemente.equivalendo a ex. à primeira vista. mas o patrimônio comum é maior do que o particular. mas o que ocorre é que há modelos que caracterizam subconjuntos numa 2 . no séc. -ia = -keit. vlak “trem” é derivado do verbo vleká “puxar”.e kleís “ferrolho.

A mistura formal tem.que significa “estrela” (por ex. italiano desiderio. mas a raiz sider. Ora. palavras oficiais. como base uma evidente relação metonímica: em coquetéis há. donde “sentir falta. A palavra veruculum em latim. o que teria gerado a palavra *verolho em português. sideral). Houve um cruzamento. portanto. a fim de se evitarem as irregularidades. gerado por analogia. Também cheminée em francês se transformou em chaminé no português por analogia com a palavra chama. Também a palavra 2 . *veruclu. porém. por meio dos metaplasmos. de modo que as coisas novas vão se encaixando neles. que por sua vez mescla o elemento semântico de desiderium com a forma da palavra desidia. com desidia “ociosidade. Mas nem todo cruzamento fica circunscrito num discurso: alguns se popularizam e se tornam. desiderium teria dado algo como *deseeiro no português e. A expressão silvam forestem “bosque do lado de fora (da muralha medieval)”. aos poucos. croquetes. comumente. sentir saudades”. não é a base da etimologia da palavra desejo. de uma forma *desidium (como castelhano deseo). Eu não soube avaliar se esse lapso fora momentâneo ou costumeiro naquele falante. ouvi alguém comentar que ia a um croquetel. gerou a palavra forêt no francês. que gerou o francês désir.língua. abreviada simplesmente para forestem. Já desiderare significava “deixar de ver”. como dissemos. não tem a raiz sid-. A palavra desiderium . donde a palavra considerar em português. a palavra que se originou foi ferrolho. sofreu síncope. Um exemplo: desejo vem. mas se transformou em floresta no português. caso evidente de misto mental entre duas palavras: coquetel e croquete. preguiça”. Na língua dos áugures. Certa vez. Há inúmeros exemplos de analogia no português. Dessa última acepção é que nasce desiderium “desejo”. considerare significava “observar os astros” e posteriormente “cogitar. mas como esse objeto era normalmente feito de ferro. pensar atentamente”. por causa de uma etimologia com flor.

essa forma foi se tornando aos poucos mariangombe e. mudou para golfinho. que parece dispor do prefixo contra-. a amarelinha. Santiago entre outros. Muito possivelmente essa palavra tem alguma relação semântica com uma língua pré-romana desconhecida. caranguejo não é peixe? Um caso curioso do português é a palavra rimiriangombe. maria-gomes (há muitas plantas com o nome próprio Maria: maria-preta. com analogia da forma fish. provém do francês contredanse. para o povo. posteriormente. vinda do quimbundo. como o do inglês craw-fish “tipo de caranguejo”. passou a amarela e. são-cristão e Satanás se torna São-Tanás! 2 . por sua vez. onde eles costumavam aparecer. para designar o nome de uma determinada planta.significava “pedra”. em que abundam santos como São Tomás. a sua etimologia não tem nada a ver com a cor amarelo (em francês “amarelo” se diz jaune). Há casos muito curiosos. em que *marr. “dança da roça”. por associação com a palavra golfo.delphinum. Quem disse que. mas. mas interferem até mesmo no comportamento das pessoas.). Dessa forma. De qualquer forma. ao pé da letra “língua de vaca”. no entanto. a palavra sacristão se torna. Nos empréstimos. maria-pereira etc. posteriormente. antigo cray-fish. que deveria ter gerado *delfinho. em Portugal. Hoje é comum encontrar uma amarelinha pintada (de amarelo!) em muitas escolas. essa palavra veio para o Brasil e passou a ser chamado maré ou marela. Por causa de alguma associação sonora. Interessante também foi o que aconteceu com o jogo de crianças chamado marelle do francês. Outro caso curioso é a palavra contradança. Como a sonoridade é estranha. é comum atuar com a analogia para se resolverem casos de irregularidade sonora. as etimologias populares não só adaptam o sentido das palavras. No âmbito religioso. que vem na verdade do francês crevice. do inglês country-dance. maria-sem-vergonha. na verdade.

Quer por lapso momentâneo ou popularizado. que. XVI.São conhecidas ainda as brincadeiras que se popularizam e que transformaram expressões como mal e parcamente em mal e porcamente. foram todos em vão (apesar de estudiosos como Trombetti dedicarem muito da sua vida nesse intento). para se entender que reconstruções lingüísticas não têm nada a ver com reconstruções culturais ou reconstruções étnicas. por sua vez. embriagatinhava escada acima”. provém de um grupo mais antigo. Na Literatura. o grego e o sânscrito já tinham sido apontadas desde o séc. Na falta dessa “língua de Adão e Eva”. Mas foi por meio de pesquisadores como Gyármathi. Rask e Bopp que se estabeleceram regras para a reconstrução lingüística de formas não documentadas. Esforços para se reconstruir uma língua-mãe. porém. Demorou muito. quando o indo-europeu era falado (em dialetos). as propostas mais razoáveis e científicas conseguiram estabelecer várias famílias lingüísticas. a mistura racial e os contatos culturais eram 2 . a atuação da analogia tira totalmente a mecanicidade e a previsibilidade dos metaplasmos. a partir da noção de afiliação genética das línguas.C. por outro lado. a organização dos metaplasmos permitiu que se explicassem várias semelhanças existentes entre muitas línguas européias e asiáticas. fundindo dois verbos: embriagar e engatinhar. Guimarães Rosa no conto “Nós os temulentos” diz: “desistindo do elevador. o indo-europeu. quer intencionalmente. vem de um grupo hipotético chamado itálico (juntamente com línguas como o osco e o umbro). o português é uma língua que provém do latim. Já por volta de 3000 a. que desse conta de todas as línguas do globo. Semelhanças entre o latim. De onde vieram as línguas? No século XIX. ou esculpido e encarnado que se tornou cuspido e escarrado. O itálico. Assim. 8..

Isso. Chamados de “arianos” por leituras errôneas que mesclavam língua. donde sai o latim (e. o extinto tocário. Essas línguas são tão importantes quanto os dialetos que não têm o prestígio social de “língua de cultura”. o galês e o bretão) e o ramo itálico. bem viva no início do séc. o bielo-russo. o galego. do norueguês. são 2 . o extinto dálmata e o romeno). conseqüentemente. o italiano. o extinto sânscrito e muitas das línguas da Índia). o aragonês. não se deve imaginar que nessa época fosse muito diferente. do sueco. raça e cultura. o francês. o letão e o lituano). o eslovaco. quando nos atemos apenas ao aspecto lingüístico. o gaélico escocês. o ucraniano. o asturiano. do dinamarquês. japoneses e libaneses. o castelhano. as línguas românicas: o português. além do alemão. o extinto hitita. o hábito de vestir-se com calças não é privilégio de povo algum e se fala português por descendentes de italianos. do holandês. o armênio. o tcheco. Estudar indoeuropeu não tem nada a ver com a teoria que surgiu posteriormente que os considerava guerreiros loiros que invadiam áreas por terem dominado as técnicas de montaria. o germânico (que incluem os extintos gótico e o anglo-saxão . o occitano. o polonês. porém. salvas as devidas proporções (menor população mundial e maior isolamento). o esloveno. Os pesquisadores encontraram semelhanças impressionantes e metaplasmos muito precisos na formação dos diversos troncos do indo-europeu. a saber: o grego. o báltico (que gerou o extinto prussiano. pós-bonapartista. nacionalista. Como hoje. o catalão. o servo-croata.intensos.donde sai o inglês-. o celta (cujas línguas vivas atuais são o gaélico irlandês. aqui e na África. que é bastante sólida. um modo romântico de entender os fatos. Uma pretensa pureza racial e lingüística é uma visão tardia. não invalida a teoria indo-européia. pós-Revolução Industrial. XX e em parte responsável pelas catástrofes da Segunda Guerra. a teoria indo-européia conduziu o homem a uma visão racista. por exemplo. O alemão e o italiano oficiais. o grupo reto-românico. o indo-iraniano (donde provém o persa. o eslavo (que gerou o russo. enfim. o búlgaro). do islandês). o albanês.

oi > u. O *i e o *u indo-europeus se mantêm. outra mudança é bem significativa: uma série de ditongos se simplificaram: ou > u. do islandês ou do lituano. Não se deve pensar por isso que o sânscrito seja mais conservador do que o grego e o latim ou que ele seja mais puro do que o grego ou o latim. Essa mudança. mas às vezes é o contrário que ocorre. portanto. 3 . Alguns documentos marcam IOVVESAT. Estudar indo-europeu é. E da mesma forma que não é possível inovar tudo. Esse -s-. muitas vezes. Nessa mesma posição intervocálica. mas o sânscrito o conservava. ao passo que o grego e o latim os mantêm. do basco. O sânscrito. O sânscrito conserva umas tantas coisas que são inovadas pelo grego e pelo latim.na posição intervocálica. porém. exceto no germânico que tende a transformá-los em *e ou em *o. como muitas vezes pensam alguns a respeito das línguas indígenas. era uma herança do indo-europeu *s. o grego transformava o s em h. Podemos afirmar com segurança que toda problemática da Lingüística Histórica se resume no binômio conservação: inovação*. é uma inovação* do latim. portanto uma tarefa muito complexa. de estruturas bem diferentes. também não é possível que uma língua seja tão conservadora a ponto de nunca ter mudado. O som s transforma-se em -r. que equivale a IURAT “jura” (em latim arcaico.construtos um tanto quanto artificiais e os dialetos do alemão e do italiano são tão antigos quanto muitas dessas línguas e. transforma as vogais *e e *o do indoeuropeu em a. Falamos de um fenômeno que ocorre na passagem do latim arcaico para o clássico: o rotacismo do s. Esse raciocínio deve ser abolido nos primeiros passos de quem queira entender o indo-europeu. um *a equivale a um *a ou a um *o do indo-europeu. dispõem. Em germânico. por exemplo. ei > i ).

mas se sabemos que em grego há uma forma mais antiga. como a famosa lei de Grimm. apesar de européias. o gujarate. Surgem leis para o estabelecimento dos metaplasmos a partir do indo-europeu. não pertencem à família indo-européia. Descobertas como essa empolgavam os estudiosos do séc. mas sim à família fino-ugriana. De fato. o dravídico etc. Aparentemente não há nada em comum. No Cáucaso. indo-europeu *esam > latim eram (transformação s > r) indo-europeu *esam > grego*ehan > ên (síncope) indo-europeu *esam > sânscrito asam (e > a). por exemplo. O árabe. que formaria a 3 . há milhões de falantes de línguas não-indo-européias: o tâmil e o malaiala. XIX . o hebraico e línguas extintas como o fenício e o caldeu pertencem à família das línguas semíticas. em grego. algumas.que se dedicaram quase exclusivamente a isso. hean. pertencem à família kartveliana. o semítico. falado na Espanha. se possível recuperar parte do indo-europeu pela técnica das reconstruções. Mas na mesma Índia. Além disso.Tenhamos em mão as formas da primeira pessoa do singular do presente do indicativo do verbo “ser” nessas três línguas: em latim. há centenas de línguas. o kartveliano. Na Índia falam-se muitas línguas indo-européias atualmente: o hindi. eram. o finlandês e o estoniano. ên. nem todas as línguas são indoeuropéias. O húngaro. e que o metaplasmo ea > ê é freqüente no dialeto ático. são da família dravídica. como o georgiano. muita coisa fica sem explicação. pode-se chegar com facilidade à forma indo-européia *esam. XIX a ponto de afirmarem que o único estudo lingüístico científico era o histórico. não tem afiliação. em sâncrito asam. Mas um bom etimólogo deve saber onde parar. O basco. Há tentativas recentes de reconstrução de uma língua da qual teria vindo o indo-europeu. o bengali são algumas delas. A descoberta das regularidades fonéticas entusiasmou sobremaneira os pesquisadores do séc.

C. Quais as línguas faladas antes do latim em Portugal? Na Península Itálica. túrdulos. uma vez que se pode chegar cerca de 80 famílias lingüísticas que agrupam as mais de 5000 línguas do Globo. Na Península Ibérica. Há quem aposte numa antiqüíssima presença ambroilíria. A menção dos autores antigos a povos nem sempre coincide com as línguas que eles falavam. havia gregos (Nápolis.superfamília nostrática*. havia gregos. Mesmo os celtas eram referidos por vários nomes de tribos ao norte do Douro e ao sul do Alentejo: ártabros. zelas. qualquer estudioso sério está de acordo que a variação lingüística no mundo é tão grande que não é possível reconstruir uma língua-mãe. gróvios. Além disso. ao lado do latim. No norte havia ainda a presença de povos celtas. igeditanos. por exemplo vem de Neá pólis “cidade nova”). cônios. encontrava povos com línguas distintas: nos Bálcãs havia ilírios. Ao norte de Roma. que teriam entrado na Península por volta do séc. havia os vênetos. apesar de bem feita. 3 . brácaros. presuros. celtas e iberos. Por onde quer que o Império Romano ia-se expandindo. fenícios cartagineses. a reconstrução do nostrático. os réticos e os lígures. havia línguas indo-européias muito aparentadas. trácios e dácios. VIII a. não nos dá a mesma segurança que o indo-europeu. 9. No sul. mas apenas na região de Portugal são citados turdetanos. das quais sobreviveram algumas inscrições em osco e em umbro. os etruscos dominavam com uma língua até hoje sem decifração satisfatória. que falavam línguas indo-européias sem muito registro escrito. O mesmo se pode dizer das línguas ameríndias e asiáticas. Extremamente polêmica. De qualquer forma. Fora da Europa encontram-se muitas famílias: o que chamamos de línguas africanas* são centenas de línguas agrupadas em mais de uma dezena de famílias. Os lusitanos formavam um povo provavelmente indo-europeu que não se aparentava com os celtas. seurros. é bem certo que já havia grande variedade de línguas. Quando recuamos no passado.

briga. 3 . Para baía se atribui etimologia pré-romana ou germânica. Para a raiz de entupir há soluções pré-romanas e onomatopaicas (interjeição tup!). Outras são formações do substrato francês que entraram no léxico. em alfabetos ibéricos de difícil decifração. Vaasco. O sufixo -asco. uma vez que pouco sobreviveu do substrato e deve ter havido línguas que desapareceram sem o menor traço. Rabasco. gurdus > gordo. como beccus > bico. Outras palavras atribuídas ao substrato são documentadas muito tardiamente. Por exemplo. é tida como uma língua ibérica.briga (de onde vem o nome Coimbra) e por aí vai. lancea > lança. carrus > carro. cerevisia > cerveja. outros costumam ser acrescentados. Fontascos. Ambrões. Tala. Ambrães. Ainda se podem citar muitas palavras características do português ou das línguas da Península Ibérica que remetem a essas extintas línguas do substrato. A terminação celta -briga para “cidade” aparece em Ara. bem como uma raiz *ambr em Hambrón. Para garra mistura-se celta com árabe. aparece em numerosos topônimos: Velasco. única sobrevivente. Outras. mais tardias também têm certa divulgação. Além desses radicais. Conim. como capanna > cabana. tido por ambroilírio. camisia > camisa. sobram apenas palavras cuja atribuição a esta ou àquela língua é impossível. braca > braga. altamente controversos. de modo que podem não ter a antigüidade que aparentemente lhe atribuem. A língua basca. Ambroa. bardus > bardo (via francês). para a palavra caspa há soluções pré-romanas e arábicas. A maior parte desse elemento chamado substrato* sobrevive nos nomes das cidades e na recorrência de determinados elementos de composição. Panasco.briga. A multiplicidade de explicações apontam para um aumento da incerteza. O latim tinha contato com celtas em várias áreas do Império Romano e divulgavam suas palavras por meio de formas já alatinadas.Como temos apenas os nomes desses povos e pouca coisa se manteve escrita.

Outras palavras de línguas célticas modernas provêm do francês ou do inglês. bem como býrsa > bursa > bolsa. sobretudo no tocante à cronologia dessas palavras. no entanto. a língua grega gerou palavras pela via popular. A palavra duna vem do francês. Outras línguas foram faladas em Portugal depois do latim? A partir do séc. cellarium “celeiro” > Keller “porão”). platýs > *plattus > chato. Muitas palavras. mas no litoral mediterrâneo da Península Ibérica. uma vez que havia contatos com as tribos germânicas. que por sua vez. que integravam parte dos exércitos de Roma. Também palavras latinas entraram em período muito antigo nos dialetos germânicos (caupo “vendedor ambulante” > kaufen “vender”. spáthe > spatha > espada. como sapo > sabão. Palavras de origem etrusca já estavam muito entranhadas no latim. como: kára > cara. De origem grega há muitas palavras eruditas. 10. Da raiz céltica de carpentum “tipo de carro” nasce a palavra carpinteiro. a determinação de qual língua 3 . O reconhecimento das palavras germânicas no português é relativamente fácil. como dólmen (bretão taol men “mesa de pedra”. vem do holandês. sendo que taol < latim tabula). kaûma > cauma > calma. V aumenta drasticamente a quantidade de palavras germânicas nas línguas românicas que formam o chamado superstrato* germânico. uma vez que muitas línguas germânicas existem ainda hoje. khorde > chorda > corda. kybernân > gubernare > governar. antes da sua divulgação pelo mundo. menir (bretão men hir “pedra longa”).Palavras das mais diversas origens entraram no latim no período do Império Romano e se espalharam por muitas línguas inclusive o português: talvez seja fenícia a palavra mappa > mapa. drúida (irlandês drui “feiticeiro”. derivada de um latim dunum que remonta ao celta. Muito há para ser feito nessa área ainda. via inglês). já existiam antes da chamada Queda do Império Romano.

Sabe-se que há três grandes grupos de línguas: a) o grupo oriental. sem falar do franco e do anglo-saxão. mas indo-iraniana. Uma palavra como ombudsman. é um raro exemplo de palavra de uma língua nórdica moderna. As línguas oficiais faladas hoje em dia formam uma certa continuidade de dialetos ou de complexos dialetais específicos. Línguas germânicas modernas também contribuíram para o vocabulário português: inicialmente palavras holandesas nos séc. entre a explicação onomatopaica e a germânica.C. faz-se menção aos suevos. XVI-XVII. Outras. depois palavras alemãs. originalmente “representante do povo”. da qual não se estudaram seus traços no português. povo incluído entre os “bárbaros”. sobretudo nas palavras antigas. donde provêm os atuais dialetos do alto-alemão e do baixoalemão. Como visto. atribuída a Vúlfilas. ao qual pertencia o gótico. Os alanos. que deu origem ao Nórdico Antigo. que deixou poucos mas importantes documentos (o maior deles é a tradução da Bíblia. que teriam entrado com os suevos e vândalos. não falavam uma língua germânica. IV). aos visigodos (418). também é possível haver mais incerteza em algumas palavras que em outras. é extremamente complicada.) e. A palavra brasa tem explicações no germânico e no préromano. Na Península Ibérica. Por causa da influência do francês. XIX e palavras inglesas sobretudo no século XX. aos vândalos da tribo dos silingos (ano de 409 d. posteriormente. Com relação às palavras germânicas antigas. Etimologias para a palavra talco se dividem entre a explicação germânica e a árabe. c) o grupo setentrional. 3 .provém. muitas palavras de origem franca entraram indiretamente no português. b) o grupo ocidental. no séc. de origem sueca (via inglês). no séc. o germânico é um dos troncos da família indo-européia. como trepar.

3 . O holandês. design). CD. VIII entra na Península Ibérica um novo elemento lingüístico: o árabe. que vem de sleeper. aspirin. basketball. por exemplo. permanece em contato direto até séc. decalcado como “dormente”. donde sai quartzo. at-. tennis. No Brasil. De um contato direto também veio. O mineral cobalto. aç-. game.Muitas outras palavras mais recentes têm origem germânicas. momento em que alguns engenheiros vieram para cá. mouse. football. o assírio. deriva seu nome do alemão Kobold. rock´n´roll. O grande número de palavras proveniente desse contato pode ter influência direta ou vir de outras línguas. internet. bombordo < bakboord “do lado de trás” (via francês bâbord). Muitas dessas possuem um artigo al. No séc. XX era inglesa. nome de um duende que os mineiros acreditavam que substituía a prata por um minério sem valor. que muitas vezes é assimilado com as chamadas ‘consoantes solares’ em as-. o aramaico. az-. exportou algumas palavras do âmbito da navegação para o português. como o francês ou o italiano.prefixado. AIDS. provavelmente. driver. concorrente das navegações dos portugueses sobretudo nos séc. Língua da família semítica. donde sai também a palavra níquel e provavelmente também Quarz. Desnecessária é a exemplificação de palavras inglesas que se internacionalizam (lembremse apenas golf. spray. panqueca < pancake “bolo de frigideira”. É o caso de chulipa “peça de madeira sobre as quais se colocam os trilhos”. site. mas há raros exemplos de palavras que entraram no português de um contato direto com os falantes. grande parte da tecnologia ferroviária importada no começo do séc. ar-. jeans. também algumas palavras aparecem desse contato direto. Outro tipo de duende era o Nickel. XIII em Portugal e até séc. estibordo < stierboord “do lado do timão”. como a palavra iate < jacht. XV na Espanha. assim como o hebraico. volleyball. XVI e XVII.

pano. Na 3 . mondé. via inglês ou francês (de alguma língua da família algonquina: mocassim < mokkasin). jaguar. jacaranda. sapoti < zapotl. Há ainda as chamadas línguas isoladas. abacate < awakátl. que costuma se dividir em tronco tupi-guarani (que comporta várias línguas. cuja influência no léxico português ainda não foi suficientemente estudada. Além da família tupi há outras. tapir. mura. condor < kuntur. xícara < xikálli. nenhuma outra língua influenciou tanto o português quanto o tupi. No caso do Brasil. mate < mati. desde os mbiá no Rio Grande do Sul até os wayãpi do Amapá) e os grupos tupi-não-guarani. coiote < koyotl. arikapu. savana. faz parte da família tupi. kanoê. XV. tabaco. cacau < kakáwatl.11.ena). txapakura. do asteca/ náuatl. são elas: karib. famílias que muitas vezes comportam línguas bem diferentes. das Antilhas: canibal < derivado de caribe. yanomami. maíz < mahís (donde mais. katukina e macro-jê. guaikuru. ramarama. juruna. trumai e tukuna (Rodrigues 1986). aweté. O tupi. awaké. do aruak: canoa. tapioca. língua do Haiti: cacique. piranha. O tupi no entanto. jabuti. depois as da América do Sul (do taino. talvez goiaba. do quíchua: pampa. tukano. lhama < llama. por meio do português e do francês. africanas e asiáticas contribuem com um grande número de palavras. aruak. entrou em muitas línguas. um novo grupo de palavras entrará nas línguas européias. tomate < tómatl. chácara < chakra. vicunha < huik´uña). Tratase termos provenientes de centenas de línguas do Novo Mundo. Da América do Norte também concorrem palavras de línguas variadas. alpaca < pako. como se vê no inglês: toucan “tucano”. sem afiliação: aikaná. iguana < iwana. das mais de cem línguas ainda vivas. puruborá e sateré-mawé. puma. maku. furacão. Inicialmente as línguas da América Central e do México. tupari. ipecacuanha. Outras palavras influenciaram o vocabulário do português? A partir do final séc. batata. via castelhano. Línguas americanas. a maioria do Mato Grosso e região Norte: karitiana. koaiá. língua do México: chocolate. irantxe. mundurucu. maku.

Muitas etimologias nessa área são polêmicas e não é incomum pensar que se tratam de formações expressivas. A um deles pertencem línguas da África Ocidental. 3 . Ao segundo grupo pertence a denominação genérica de línguas bantu (derivado de bantu. inglês popcorn. XVI). entre as quais pertencem línguas muito distintas como o haussá (da família lingüística afro-asiática. em grande parte. vários tipos de falares crioulos. As seguintes listas de palavras foram retiradas. Deriva-se pipoca do tupi. na verdade. em muitos locais. línguas tonais de característica isolante. tronco kwa). nem u. y representa um som fechado. principalmente na variante brasileira. Apesar de muito mais recentes que os termos do substrato. Tão importantes quanto as palavras tupi são as de origem africana que entraram para o léxico do português. mas pode ser vocábulo expressivo (cf. no entanto há quem afirme vir do quimbudo nkuluka. Baseou-se sobretudo em Cunha (1978) nas palavras citadas abaixo. por exemplo. de origem onomatopaica). da África Centro-Meridional. convivem ao lado do português e das línguas africanas nativas. Convém que se distingam os dois grupos nitidamente. é interpretada como tupi ymbymbóka “fenda no chão”. Na África. “resmungão”. A palavra biboca. casa suja”). Dois grupos de línguas muito distintos são citados nas bibliografias. por exemplo. sem uma origem definida. Da mesma forma. já outros vêm aí uma palavra africana (quicongo bibóka “lugar. nem sempre as etimologias tupis são pacíficas. mas a abertura da boca é a mesma do i. plural de muntu “gente”). do verbo to pop. o quicongo e o quimbundo. às quais pertence. uma vez que se desconhece até mesmo de quais línguas africanas provieram. dos levantamentos de Castro (2001). que não é nem i. uma família de línguas altamente aglutinantes e prefixais.transcrição abaixo. verdadeiras línguas derivadas do português ou com grande quantidade de léxico português (muitas vezes equivalente ao português do séc. antes a posição da língua é a mesma do a. ramo tchádico). Ainda há muito que pesquisar sobre o étimo de muitas palavras. a etimologia mais conhecida para coroca é a tupi kurúka. o iorubá e o fon (ambos da família congo-cordofaniana.

os dialetos que teriam originado de fato sejam de difícil determinação. ainda. ora ao verbo balangar (forma alternativa de balançar). da República Democrática do Congo (ex-Zaire. vinda do francês chimpanzé. o quimbundo (falada sobretudo em Angola) é a mais representativa nas etimologias do português. porém. Faltam. mutatis mutandis. de Angola e de Moçambique.Palavras do grupo kwa são características pela presença de redobros silábicos. com certeza. como ocorre com a palavra gogó (respectivamente gògòngò e ngongoló). embora. Benim e Nigéria. O mesmo ocorre com balangandã. São faladas nos atuais países de Gana. 3 . há maior incerteza do que nas palavras de origem africana. ora associado a um quimbundo mbalanganga. vinda. Faladas em quase toda África Centro-Meridional. equivaleria a não saber se uma palavra é espanhola ou finlandesa. As línguas bantu (ao todo mais de 500) têm palavras mais longas e normalmente com encontros ng. o que. sem que a distância entre os falantes na África e a total incompreensibilidade entre seus falantes intimidem quem formule tais soluções. mb que as caracterizam. A palavra banana oscila entre uma etimologia africana. os métodos que devem ser seguidos para o estabelecimento de uma boa etimologia. capital Kinshasa). Togo. Às vezes há etimologias em iorubá e em quicongo. Dentre as línguas bantu. como chimpanzé. Há palavras africanas que se tornaram internacionais. estudos mais profundos para entender as circunstâncias de sua formação e do contato entre falantes. Palavras como cachaça são tidas como ou derivadas do vernáculo (de um termo cacho. uma ameríndia e uma árabe. ao mesmo tempo. no caso das palavras portuguesas são de especial importância os grupos do Gabão. com explicações sinuosas) ou do quicongo kisasa. nd. Em nenhuma área. por sua vez. O efeito da analogia e a imensa variação dialetal dessas línguas poderiam justificar por que a palavra original não apresenta exatamente as mesmas feições da derivada. Na verdade faltam pessoas que conheçam bem as línguas em questão e. da República do Congo (capital Brazzaville). de alguma língua banta (quicongo kimpeensi).

sputnik “companheiro de viagem”. que gerou o termo tatuagem. Também as palavras do leste europeu não têm origem direta: coche < castelhano coche < francês coche < alemão Kutsche < tcheco ou eslovaco koč < húngaro kocsi. por sua vez. xale < shâl. entrasse no português. sauna. Isso ocorreu com o persa dulbänd > turco tülbent > italiano turbante e tulipa. Outra palavra irlandesa é uisce “água”. bumerangue < boomerang. a saber. paraíso < 4 . Palavras de línguas do Oceano Pacífico também vêm ao português pelo inglês (como o tonga tabu. Palavras de origem persa (língua do tronco indo-iraniano. língua céltica moderna. Há portanto muitas palavras internacionais. Do irlandês. No entanto. A partir do húngaro paprika chega-se ao português páprica. o havaiano luau ou o taitiano tatau. passavam ao turco (língua da família altaica. Do dinamarquês vem edredom < ederdun “acolchoado com penas de êider (tipo de pato)”. divã < dîuân “conselho”. assim também indiretas são as palavras vindas do persa bazar < persa bâzâr. provavelmente via italiano. donde o português uísque. da mesma forma que o russo vodka “agüinha” não chegou ao português diretamente.É comum dizer que o português tem palavras de origens muito variadas. via inglês to tatoo). completamente diferente do árabe e do persa). forma com a qual chegou no português. Também do russo (língua indo-européia do tronco eslavo) vêm samovar “que se auto-aquece”. perestróica “reestruturação”. persa > turco havyar > italiano caviale > francês caviar. iam aos comerciantes de Veneza e de lá para o francês. que. glasnost “transparência”. grande parcela dessas palavras é. da família indo-européia) sempre acabaram se internacionalizando e chegavam até Portugal em vários momentos. da Oceania vêm canguru < kangaroo (de uma língua indeterminada. vinda pelo inglês ou pelo francês. gaze < gazî. com o significado de “não entendi você”). na verdade. que passou para o inglês whisky. O contato direto do português com a Finlândia foi praticamente nulo. vem a expressão sluagh gairm “grito de guerra”. por exemplo. que o inglês transformou em slogan. mas isso não impediu que uma palavra dessa língua não-indo-européia. Assim.

maná < mân (aramaico mannâ’. como se pode esperar. messias < mâshîah “ungido” (pelo latim Messias. latim Pascha). latim pharisaeus). pelo latim manna ou grego mánna). latim sabbatum). como no grego). aleluia < hallellûyâh “louvai ao Senhor” (pelo latim halleluia). pois eram os italianos que faziam comércio com os turcos no Mediterrâneo. tafetá < tâftah. As inúmeras línguas da Índia são divididas em duas grandes famílias conforme dito atrás: a indo-européia e a dravídica. páscoa < hebraico pâssah (pelo grego Paskha. untar. de onde se deriva a palavra portuguesa. Esses povos. latim paradisus). A palavra sofá é outra palavra árabe que chegou ao turco e daí ao francês. via italiano. Como vimos. amém < amén “assim seja”(pelo latim amen). palavras persas chegaram ao português e às línguas européias via árabe. Também muitas palavras árabes chegaram indiretamente. Imaginar que palavras como café e sofá são empréstimos do período em que os árabes estavam na Península Ibérica é um grande erro. fariseu < perusim “os separados” (pelo grego Pharisaîos. quiosque < kûshk “palácio”. adversário” (pelo latim satan. porém bastante comum. As línguas indianas com as quais os portugueses tinham mais 4 . ungir”. A maioria das palavras hebraica (língua da família semítica. No entanto os portugueses a partir do séc. pertencem a muitas famílias distintas. latim Christus). no Império Otomano e não os portugueses. decalcado em grego como Khristós derivado do verbo khríein “passar óleo. XVI tiveram contatos diretos com vários povos da Ásia. A palavra café é uma palavra árabe que passou para os turcos e ao português. carmesim < kirm (pelo turco kırmızı) “vermelho”. Satã < śâtân “inimigo. como o árabe) que conhecemos chegou ao português via latim ou grego: sábado < hebraico shabbât (via grego sábbaton.persa antigo paridaeza “recinto circular” (via grego paradeísos. satanas.

via inglês (o mesmo se pode dizer de chutney < hindi chatnî). Por outro lado. Outras palavras em sânscrito tiveram sua divulgação via árabe: é o caso de açúcar e cânfora. o tâmil (do Ceilão. O chinês e seus inúmeros dialetos pertencem a uma família distinta. língua indo-européia indiana. XIX os estudos do sânscrito revelaram muitos aspectos de práticas indianas que chegaram ao português pelo francês (carma < karman. provavelmente. Os inúmeros dialetos ciganos provêm de línguas indianas também. outro exemplo é pijama. A palavra portuguesa gajo. redução de gajão. o sino-tibetano. atual Sri Lanka. Subestima-se muito a sua influência e são muito pouco estudadas e. na verdade. chega ao português marajá. ainda. tipo de arroz. tem origem no hindustani. mas hoje em dia isso não é mais considerado verdadeiro. Sabendo-se mahâ significa “grande” e que râjâ significa “rei”. mas. a antiga Taprobana de Camões) e o malaiala (na região de Malabar). nome de uma dessas línguas. 4 . O mesmo mahâ está no nome de Mahatma Gandhi. já as duas últimas.contato eram o concani (falada em Goa e arredores). explicariam muitas palavras que se atribuem aos substratos. No séc. dravídicas. provém de gachó “homem adulto. avatar < avatâra. que. palavras que vieram da Ásia e passaram ao português via castelhano (sobretudo Filipinas). espécie de arbusto. O malaio (língua muito distinta do malaiala acima citado) faz parte da grande família malaio-polinésio. via holandês ou francês (da antiga Indochina) ou inglês (sobretudo Índia). se tornaram palavras internacionais. ioga <yôga. temos a composição do hindustani mahârâjâ. estrangeiro”. Há. do malaiala nel são hoje totalmente desconhecidas. pois Mahatma significa “grande alma”. Uma palavra como xampu. Normalmente cita-se calão < caló. que já foi associada à família ural-altaica. via francês. do concani mogri ou ainda a palavra nele. muitas das palavras que revelavam um contato direto com os asiáticos por meio dos portugueses se perderam completamente: palavras como bogari. junto com o turco e o coreano. via inglês maharaja. O japonês é uma língua isolada. A primeira é indoeuropéias. brâmane < brâhmana).

que deram origem a muitas palavras que também se internacionalizaram: 4 . XVI. onde houve grande imigração. Palavras coreanas no português são as internacionais. possui um número igualmente grande de termos de origem chinesa. jambo (sânscrito jambû) e palanquim (sânscrito palyañka). Do tibetano veio para o português a palavra internacional dalai-lama. como o tétum. Influência inversa também ocorreu. Dos muitíssimos falares chineses. Da família sino-tibetana provêm a língua tibetana e as variantes chinesas. koppu < copo. No Timor Leste o português convive com línguas malaio-polinésias. mas com o fechamento dos portos. Das línguas dravídicas aponta-se como originário do tâmil a palavra angelim < añjili. XX muitas palavras voltaram a entrar. aparentemente com o primeiro elemento de origem mongol (língua da família altaica). sem muita comprovação. Na Malásia ainda hoje se fala boneka < português boneca (donde se derivou um verbo bonekanan “tratar como uma boneca”). só a partir do séc. bem como pária < pareiyan “tocador de bombo”. Algumas palavras japonesas vieram diretamente do português do séc. manteve contatos com os portugueses durante o séc. bem como sepatu < português sapato. sobretudo no Brasil. XVI: pan < pão.De línguas indo-européias indianas derivam-se ainda chita (sânscrito citra). O coreano. destacam-se o mandarim e o cantonês. quase todos em risco de extinção galopante. o número de palavras de empréstimo é bem maior. língua isolada. portanto. uma vez que há muitos falares crioulos espalhados pela Índia. outra língua isolada. O japonês. Timor Leste e Macau. zubon < gibão e muitos acham que arigatō < obrigado. e. Do urdu vem a palavra cáqui < kâkî. nesta região. como taekwondo “método do soco” (literalmente “punho fechado. punho de ferro”).

a língua tal qual se fala. mas por meio do inglês ou do francês. assim. Quando se datam as primeiras ocorrências de uma palavra. muitas vezes. Os casos de irregularidade devem ser minuciosamente estudados. às vezes. quer por causa da origem culta de alguns vocábulos. palavras finlandesas vieram ao português não de forma direta. nem se derivarão palavras a partir de outras sem muito rigor. línguas-ponte: assim. como ideal de qualquer etimologia. Conhecendo bem os metaplasmos. encontrar abonações para qualquer palavra sem a necessidade de corpora. É preciso lembrar que uma palavra pode aparecer escrita somente séculos depois de ser empregada na fala. explicar não só esta palavra mas outras de comportamento parecido. pois a escrita é bastante conservadora. podemos afirmar que. quer por causa da ação analógica de outros. Por fim. diga-se de passagem). refletindo. ao conhecermos a freqüência de uso das palavras nas línguas-fonte (tarefa bastante difícil. não se apresentam etimologias anacrônicas ou misteriosas (aparições de palavras pertencentes a línguas que nunca estiveram realmente em contato). por meio de buscadores de palavras. Na internet também é possivel. Podemos saber de onde vêm todas as palavras? Quando se conhece o momento do contato que permitiu à língua-fonte a entrada no léxico da língua estudada. podemos afirmar com mais segurança sobre uma atuação analógica qualquer. Entre uma língua-fonte e uma língua estudada há. É preciso criar hipóteses sobre como essa irregularidade ocorreu e. 4 . como nos exemplos de Fernão de Oliveira. pode-se finalmente teorizar acerca de qual língua teria originado a palavra em questão.12. não se reconstruirão formas absurdas. se possível. pois nos jornais há seções que utilizam uma linguagem tremendamente coloquial. Isso é um pouco diferente hoje em dia.

sem falar dos anacronismos flagrantes que surgem dessas explicações. após tentarmos todos os meios acima apresentados. Concluindo. e dicionários etimológicos como os de Nascentes (1952). Romanelli (1964). como se todas tivessem sido formadas hoje. Bibliografia para aprofundamento. Isso tudo. Nunes (1945). Em muitos momentos é preciso humildade para admitirmos. Você pode também descobrir o sentido de seu nome. 13. consultando dicionários de Latim como o de Gaffiot (1934). convém observar que uma boa etimologia está sempre sendo construída e não é algo pronto. que não temos a menor idéia de onde algumas palavras vêm. Benveniste (1995). leia Viaro (2004). Cunha (1982 e 1989). Machado (1956/1977).Será que as explicações etimológicas que circulam por aí tiveram todos ou pelo menos alguns desses cuidados? É comum derivarem uma palavra portuguesa de outra portuguesa. 4 . caso ele tenha aparecido no segundo volume do Dicionário Etimológico de Antenor Nascentes. A sensação que surge é que não se necessita mais do que a intuição para ser etimólogo. Costa (2000). Novas perguntas Procure em dicionários etimológicos a origem das palavras de que tenha curiosidade. Corominas (1994). Faria (1958. Beekes (1995). Said Ali (2001). Para aprofundar as questões aqui levantadas. 14. Silva Neto (1979). Teyssier (1990) e Williams (1973). 1970).

grafado ss. nas línguas flexivas e aglutinantes. Texto: Por que algumas palavras mudam de sentido? (Link3) •Semi-eruditas . um deles afeta o outro de tal modo que o torna idêntico ou muito parecido a si. t.Transformação fonética que consiste no desaparecimento. g.Transformação fonética em que as plosivas* se tornam fricativas*. ss. v. de um som no meio da palavra.Não consta •Palavras eruditas Não consta •Síncope . como em refazendo. em pessoa. que vêm antes da raiz. que consiste na mudança da vogal quando ocorre a junção de um prefixo a uma raiz ou a um radical. z.Qualquer mudança fonética caracterizada por uma adição. j).Não consta •Afixação . •Metaplasmos .Não consta •Sufixos . em que pequenas sílabas (afixos) se agregam a uma raiz. “homem sem barba”. como em refazer.Transformação fonética que consiste na mudança de um som surdo (p. Assim. x) para um som sonoro (b. f. com o passar do tempo.Não consta •Sonorizações . Texto: Por que alguns sons se modificam? (Link2) •Palavras vulgares . d.Não consta •Prefixos . k.15. muito freqüente no latim. subtração.Não consta •Radical . •Apofonia . •Assimilação . e os sufixos. donde imberbe. •Lenização .Processo. por causa da proximidade de dois sons. Glossário Texto: Como reconhecer a raiz de uma palavra? (Link1) •Noções de Particípio . transformação ou transposição de sons ou de acentos de uma fase lingüística mais antiga para uma mais recente. Os afixos mais importantes são os prefixos.Transformação fonética que ocorre quando. Assim. o segmento rs da palavra persona transformou-se em s. Dizemos então que o r se assimilou (= se assemelhou) ao s. formando o radical. Texto: Uma palavra latina pode gerar mais de uma palavra portuguesa? (Link4) 4 .Transformação fonética.Não consta •Raiz . barba sofre apofonia quando essa palavra é prefixada por in-. que vêm depois.

Não consta •Abrangência .Não consta Texto: Quais as línguas faladas antes do latim em Portugal? (Link9) 4 . Texto: Tudo pode ser explicado pelas transformações fonéticas? (Link7) •Analogia - Não consta Texto: De onde vieram as línguas? (Link8) •Inovação . a partir do texto.Diz-se quando um único étimo gera mais de uma palavra numa língua derivada.Não consta •Coerência . Isto porque a coerência está diretamente ligada à possibilidade de se estabelecer um sentido para o texto.Não consta •Nostrática . a construção da coerência. e o termo técnico úmeru.Diz-se quando mais de um étimo (= palavra que dá origem a outra) se torna uma palavra homônima numa língua derivada. Assim. Texto: Como reconhecer uma etimologia fantasiosa? (Link5) •Étimo . Se o interlocutor não domina conhecimentos prévios para apreender o sentido do texto e se o locutor não calcula adequadamente o sentido de seu texto. •Convergentes . fica prejudicada a construção de sentidos para o texto. concebe-se a coerência como construção de sentidos efetuada no processo de interação. latim sunt mudou para são (em eles são). omitindo informações não conhecidas pelo interlocutor. que faz com que o texto faça sentido para o receptor.•Divergentes . em uma determinada situação comunicativa. Dizemos então que são (verbo) e são (adjetivo) são formas convergentes. ou seja.Não consta •Línguas africanas .Não consta •Especificação .Não consta •Generalização . tornando-se homônimo de sanu > são (em homem são).Não consta •Sistematicidade . Assim. a palavra latina umeru deu em português as formas divergentes ombro. dentre eles o conhecimento de mundo e o conhecimento partilhado pelos interlocutores.Entendeu-se inicialmente a coerência como uma propriedade centrada no texto. Atualmente. o que depende de vários fatores.

Conjunto de línguas faladas num determinado território antes da implantação de uma língua que a elas se sobrepôs. e que passou a contribuir com materiais léxicos para a língua vencedora. 4 .•Substrato . que servem de base para as considerações etimológicas.

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