UNIVERSIDADE REGIONAL DO CARIRI – URCA CENTRO DE ESTUDOS SOCIAIS APLICADOS – CESA DEPARTAMENTO DE DIREITO ALUNO: ANDRÉ FELIPE SILVA

TORRES DISCIPLINA: DIREITO DAS SUCESSÕES

DA SUCESSÃO TESTAMENTÁRIA E DO INVENTÁRIO E DA PARTILHA

Juazeiro do Norte – Ceará Março/2010

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UNIVERSIDADE REGIONAL DO CARIRI – URCA CENTRO DE ESTUDOS SOCIAIS APLICADOS – CESA DEPARTAMENTO DE DIREITO ALUNO: ANDRÉ FELIPE SILVA TORRES DISCIPLINA: DIREITO DAS SUCESSÕES

DA SUCESSÃO TESTAMENTÁRIA E DO INVENTÁRIO E DA PARTILHA

Trabalho realizado para obtenção de nota relativa à Avaliação Parcial da disciplina de Direito das Sucessões, ministrada pelo prof.: Dr. João Deusdeth de Carvalho

Juazeiro do Norte – Ceará Março/2010

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Sumário

0. Introdução......................................................................................................................4 PARTE 1 – DA SUCESSÃO TESTAMENTÁRIA.........................................................5 1. Disposições Iniciais sobre Sucessão Testamentária......................................................5 1.1. Natureza jurídica do testamento.....................................................................6 2. Capacidade de testar......................................................................................................8 3. Formas ordinárias e especiais de testamento.................................................................9 3.1. Testamento público.........................................................................................9 3.2. Testamento cerrado.........................................................................................9 3.3. Testamento particular...................................................................................10 3.4. Codicilos......................................................................................................10 3.5. Testamentos especiais: marítimo, aeronáutico e militar..............................11 4. Disposições testamentárias.........................................................................................13 5. Legados, efeitos e seu pagamento e caducidade........................................................16 5.1. Conceito e Classificação dos Legados.........................................................16 5.2. Efeitos dos legados e seu pagamento...........................................................17 5.3. Caducidade dos Legados.............................................................................18 6. Direito de acrescer entre herdeiros e legatários..........................................................20 7. Substituição Testamentária.........................................................................................21 7.1. Substituição fideicomissária.........................................................................21 8. Deserdação..................................................................................................................25 9. Redução das disposições testamentárias.....................................................................27 10. Rompimento do Testamento.....................................................................................29 11. O Testamenteiro........................................................................................................30 PARTE 2 – DO INVENTÁRIO E DA PARTILHA......................................................31 1. Inventário.....................................................................................................................31 1.1. Inventariante.................................................................................................31 1.2. Processamento do Inventário........................................................................32 1.3. Arrolamento sumário....................................................................................33 1.4. Arrolamento comum.....................................................................................33 2. Institutos da Colação, Sonegado e do Pagamento das Dívidas...................................34 2.1. Colação.........................................................................................................34 2.2. Sonegados.....................................................................................................35 2.3. Do Pagamento das Dívidas...........................................................................36 3. Partilha.........................................................................................................................37 3.1. Anulação e rescisão da partilha....................................................................38 3.2. Sobrepartilha.................................................................................................38 3.3. Garantia dos quinhões hereditários...............................................................39 Referências......................................................................................................................40

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0. Introdução A metodologia deste trabalho é precipuamente pesquisa bibliográfica acerca dos institutos da Sucessão Testamentária e do Inventário e da Partilha. De forma a manter a manter a didática do nosso estudo, os institutos aqui apresentados seguem rigorosamente a ordem dos quais são apresentados no Código Civil de 2002. Assim sendo, partimos do conceito de Sucessão Testamentária e o seu instrumento, o testamento, bem como suas espécies. A partir daí, segundo o critério lógico do legislador civil, são apresentados os institutos da sucessão testamentária, pois que são concebidos com a existência da declaração de última vontade do de cujus. Estes institutos disciplinam hipóteses relevantes que poderão apresentar-se, no mundo dos fatos, e o legislador houve por bem normatizá-los, conciliando a vontade do testador com presunções legais, ao bem da segurança jurídica dos destinatários do direito de herança e o respeito às normas de caráter cogente. Por fim, apresentamos o conceito de Inventário e Partilha, que são aplicados tanto à sucessão legítima quando à testamentária. De fato, um dos princípios que regem a transferência da universalidade de bens que compõem a herança é a da igualdade na distribuição dos quinhões hereditários, respeitada, evidentemente, a declaração de última vontade externada pelo testador. Assim, o Inventário e após, a Partilha, são institutos que evidenciam a importância dos princípios do direito hereditário. Além disso propiciam na prática a declaração de domínio e posse dos bens do espólio e a individualização dos mesmos, extinguindo-se o condomínio necessário (quando houver mais de um herdeiro) que se originou no momento da abertura da sucessão. Objetivamos, com este trabalho, apresentar uma noção dos institutos descritos acima, sem, no entanto, esgotar o assunto, haja vista a quantidade de assuntos relevantes. Trazemos conceitos tirados das mais variadas fontes, na medida do possível, a fim de enriquecer o trabalho com várias opiniões. Mas o que encontramos, geralmente, é a interpretação do Código Civil ao que se referem estes institutos. No entanto, isso não foge ao espírito de nosso trabalho.

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PARTE 1 – DA SUCESSÃO TESTAMENTÁRIA 1. Disposições Iniciais sobre Sucessão Testamentária A sucessão testamentária decorre de manifestação expressa de última vontade, em contraposição à sucessão legítima, que decorre da lei. Nesta, transmite-se a herança aos herdeiros legítimos, expressamente indicados na lei (art. 1.829 do Código Civil); naquela, a universalidade de bens que constituem a herança ou bem determinado ou determinável é transferido para uma pessoa ou pessoas designadas pela vontade do de cujus. O testamento ou codicilo constitui ato de última vontade, pelo qual o autor da herança dispõe de seus bens para depois da morte, e faz outras disposições (GONÇALVES, 2009). De fato, o Código Civil conceitua testamento, nos seus arts. 1.857 e 1.858 através de suas características e efeitos:
Art. 1.857. Toda pessoa capaz pode dispor, por testamento, da totalidade dos seus bens, ou de parte deles, para depois de sua morte. § 1.º A legítima dos herdeiros necessários não poderá ser incluída no testamento. § 2.º São válidas as disposições testamentárias de caráter não patrimonial, ainda que o testador somente a elas se tenha limitado. Art. 1.858. O testamento é ato personalíssimo, podendo ser mudado a qualquer tempo.

Assim, o testamento é o ato personalíssimo e revogável, a qualquer tempo, pelo qual alguém dispõe de seus bens, para depois da morte. Apesar de o art. 1.857 constar que qualquer pessoa capaz pode dispor da totalidade dos seus bens, há a ressalva, no seu § 1º, que a parte da herança que corresponde à legítima não poderá ser objeto de testamento, sendo nulo o testamento que assim o determinar. O testador que possui
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herdeiros necessários só pode dispor de metade dos seus bens, constituindo a outra metade a legítima intangível dos herdeiros forçados (GHIARONI, et al, 2004) e de acordo com o art. 1.789 do CC. Também por expressa menção legal, o testamento poderá versar sobre disposições de caráter não patrimonial. Assim, o testador tem a possibilidade de nomear tutor para o filho ou neto, indicar curador para o filho ou o cônjuge incapazes, reconhecer filhos havidos fora do casamento, reabilitar indigno, deserdar o sucessor necessário e outras disposições também disciplinadas no Diploma civil. O testador pode instituir herdeiros e/ou legatários, que são, respectivamente, sucessores a título universal e singular. Os herdeiros recebem partes ideais dos bens do autor da herança, enquanto que os legatários recebem patrimônio certo e determinado. 1.1. Natureza jurídica do testamento Segundo Maria Helena Diniz (2002), o testamento é negócio jurídico (que requer para sua validade agente capaz, objeto lícito e forma prescrita ou não defesa em lei) destinado a produzir efeitos após a morte de seu autor. As principais características do testamento, que definem sua natureza jurídica são: • Personalíssimo: É ato privativo do autor da herança, não se admitindo que sua formação seja deixada ao arbítrio de terceira pessoa. Há impossibilidade de o testamento ser feito por procurador e de o testador transferir para outra pessoa o direito de nomear sucessor, a qualquer título; • Unilateral: Aperfeiçoa-se com uma única manifestação de vontade, esta essencial para a formação e validade do ato. O Código Civil, em seu art. 1.863, proíbe a feitura de testamentos conjuntivos (feitos por duas ou mais pessoas), seja simultâneo, recíproco ou correspectivo;

Solene: o testamento só será válido se elaborado com a observância das prescrições formais da lei. Em regra, a forma do testamento é a escrita, podendo assumir a forma pública ou particular. O próprio Código Civil prescreve os tipos
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de testamento, a saber, os tipos ordinários: público, cerrado e particular; os tipos especiais: marítimo, aeronáutico e militar. Não se admite outros tipos de testamento especiais além dos estabelecidos pelo Código Civil (art. 1.887). Ainda com o pensamento de Ghiaroni (2004, p. 156), a formalidade do testamento é necessária pois este desempenha tríplice função, de acordo com as circunstâncias: a função preventiva, contra fraudes e vícios na manifestação da vontade, a função probatória, que demonstra a existência da disposição da vontade e a função executiva, na qual o testamento estará pronto para ser cumprido e executado, verificada a anteriori sua regularidade com as prescrições formais; • Gratuidade: O testamento é um ato gratuito, sendo de sua índole a liberalidade. Há um sacrifício patrimonial somente para uma das partes, e a outra aufere somente benefícios – certo é de que este sacrifício patrimonial, que é a transferência da universalidade de bens só se dá com o fato morte. O fato de que o testador pode dispor condições e encargos para a transferência de bens não lhe retira o caráter de liberalidade;

Revogabilidade: O Código Civil de 2002 prescreve, no seu art. 1.969, que o testamento é livremente revogável, da mesma forma e modo como foi feito, admitindo-se ainda a revogação tácita, quando há testamento posterior modificando o anterior. A abertura ou dilaceração do testamento cerrado também o revoga, de forma tácita. A revogabilidade é considerada a essência do testamento. Nula será a cláusula que o declare irrevogável; a exceção é a disposição na parte em que o testador reconhece filho havido fora do casamento, nos termos do art. 1.609, III do Diploma civil.

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2. Capacidade de testar A capacidade para testar, também conhecida como capacidade ativa corresponde à capacidade para expressar a última manifestação de vontade. O Código Civil, no art. 1.860 declara expressamente quem não pode testar:
Art. 1.860. Além dos incapazes, não podem testar os que, no ato de fazê-lo, não tiverem pleno discernimento.

As pessoas que, no momento de testar, não estiverem em pleno discernimento, não são necessariamente incapazes, podendo estar, neste ato, com alguma patologia que a impeça de mantê-la em seu perfeito juízo. Assim, o Código Civil prescreve esta regra no intuito de protegê-las, ampliando a incapacidade, que passaria a ser momentânea. No Parágrafo Único do mesmo artigo é estipulado que os maiores de dezesseis anos podem testar, determinando que tal capacidade compreende a capacidade genérica para realização de qualquer negócio jurídico além, da manifestação de vontade para testar. Assim, dentre os incapazes em geral, apenas os maiores de dezesseis anos podem testar, uma exceção à regra de que estes seriam relativamente incapazes e precisariam ser assistidos por seu representante legal. Como a capacidade é aferida no momento em que o testamento é redigido, caso haja incapacidade superveniente do testador, esta não invalida o testamento, e nem o testamento do incapaz se valida com a superveniência da capacidade.

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3. Formas ordinárias e especiais de testamento Já demonstramos que o Código Civil de 2002 admite, nas formas de testamento, os testamentos ordinários: público, cerrado e particular, bem como os codicilos; e especiais: marítimo, aeronáutico e militar. Vamos discorrer sobre eles. 3.1. Testamento público É o testamento escrito pelo tabelião de Cartório de Notas, em livro notário, de acordo com a declaração do testador, em presença de duas testemunhas (GONÇALVES, 2009). Desta forma, reveste-se o documento de maior credibilidade e seriedade, além de um rigor formal. O testador dita para o oficial sua última vontade. A lavratura do termo pode se dar por escrito, mecanicamente ou digitada em computador. Depois é efetuada a leitura desse registro pelo tabelião, ou pelo próprio testador, em voz alta e perante esse grupo anteriormente citado, depois o documento é assinado pelo testador (ou a rogo), pelas testemunhas e pelo oficial. Os mudos e os surdos-mudos, por não poderem fazer declarações de voz ao tabelião não podem testar publicamente. Para os cegos, só se permite este tipo de testamento; podem ainda fazê-lo os surdos (que não sejam mudos), e os analfabetos. 3.2. Testamento cerrado Também é chamado de testamento secreto, porque é um documento fechado, escrito pelo próprio testador, (ou alguém a seu mando, que não pode ser beneficiário, mesmo por interposta pessoa) que é o único que conhece o seu teor. O documento deve ser levado ao tabelião, que diante de duas testemunhas, lavra o termo de aprovação, registrado logo após a última linha do testamento, que vai assinado por ele, pelas testemunhas e pelo testador. Só possuirá eficácia com o termo de aprovação. Pelas disposições do art. 1872 do CC, não podem fazer testamento cerrado os analfabetos (já que é imprescindível para a feitura deste testamento a capacidade de ler). Os surdos-mudos, contanto que o escreva todo, e o declare, no final do instrumento, em
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forma escrita que este é o seu testamento cuja aprovação pede ao tabelião poderá também utilizar-se do testamento cerrado. 3.3. Testamento particular Segundo Hermano Silva Albuquerque (disponível em http://www.artigonal.com/ direito-artigos/testamento-particular-1527366.html):
O testamento particular (chamado também de

hológrafo) poderá ser escrito de próprio punho ou através de processo mecânico. Se for feito na primeira hipótese deverá ser lido e assinado por quem o escreveu na presença de no mínimo três testemunhas que o devem subscrever. Feito na segunda hipótese não poderá conter rasuras ou espaços em branco, devendo ser assinado pelo testador, depois de tê-lo lido na presença de pelo menos três testemunhas que o subscreverão.

Este tipo de testamento depende de confirmação, em juízo, pelas testemunhas, assim se tornando um ato perfeito, pronto para ser cumprido. Se as testemunhas falecerem ou se encontrarem em local incerto, o testamento particular não será cumprido. Pode ser escrito em língua estrangeira, desde que as testemunhas a entendam, e a sua feitura só poderá ser feita por quem sabe ler e escrever, não se admitindo a assinatura a rogo. 3.4. Codicilos O codicilo, para ser válido deverá ser escrito de próprio punho (podendo ser datilografado ou processado por computador), assinado e datado por pessoa capaz. Não são exigidas assinaturas de testemunhas. É ato de última vontade, composto por disposições especiais tais como determinações sobre o seu enterro, suas esmolas de pouca monta, seus móveis, suas jóias de pouco valor e de uso pessoal. Importa notar
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que as disposições do codicilo devem referir-se a bens não valiosos, pois os de maior valia só podem transmitir por testamento, configurando assim a diferenciação entre os dois institutos. Apesar de sua destinação para bens de menor valor, o codicilo pode ser meio hábil para reconhecimento de filho, reabilitar o indigno, nomear testamenteiro e outras disposições e determinações, conforme permissões espalhadas no Código Civil. O codicilo só pode ser revogado por outro codicilo ou por testamento posterior que o revogue expressamente, não o confirme ou modifique-o. No entanto, o testamento não pode ser revogado por codicilo posterior. 3.5. Testamentos especiais: marítimo, aeronáutico e militar. Constituem formas especiais de testamentos. O marítimo pode ser elaborado por passageiros e tripulantes, estando o testador em viagem, a bordo de navio nacional de guerra ou mercante (GONÇALVES, 2009, baseado no art. 1.888 do CC), diante do surgimento de algum risco de morte; o aeronáutico, da mesma forma, estando o testador em aeronave comercial ou militar, em circunstâncias de risco. Revestem formas assemelhadas ao testamento público ou cerrado, só que perante o comandante (marítimo, a ser registrada no diário de bordo) ou pessoa designada pelo comandante (aeronáutico). De acordo com o art. 1.891 do Código Civil:
Art. 1.891. Caducará o testamento marítimo, ou aeronáutico, se o testador não morrer na viagem, nem nos 90 (noventa) dias subseqüentes ao seu desembarque em terra, onde possa fazer, na forma ordinária, outro testamento.

O testamento não valerá se ao tempo em que foi feito o navio estava em porto onde o testador pudesse desembarcar e testar na forma ordinária.

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Quanto ao testamento militar, é o elaborado por militares ou pessoas à serviço das Forças Armadas que estejam em campanha de guerra, praça sitiada, ou com comunicações interrompidas. Ela também pode assumir as formas assemelhadas ao testamento público e ao testamento cerrado, podendo assumir a forma nuncupativa, em um caso extremo. Esta é feita oralmente pelo testador perante duas testemunhas, quando em combate ou feridas. O testamento nuncupativo sem dúvida é o menos seguro, mas foi idealizado pelo legislador a fim de amparar a última vontade do testador militar na iminência da morte, que está em combate ou com ferimentos graves. Não terá validade se o testador não morrer na guerra ou se convalescer do ferimento. Ainda de acordo com o Código Civil de 2002:
Art. 1.895. Caduca o testamento militar, desde que, depois dele, o testador esteja, 90 (noventa) dias seguidos, em lugar onde possa testar na forma ordinária, salvo se esse testamento apresentar as solenidades prescritas no parágrafo único do artigo antecedente. (ou seja, salvo se esse testamento tomar a forma de testamento cerrado).

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4. Disposições testamentárias No capítulo relacionado às Disposições Testamentárias, o legislador prescreveu o conteúdo, regras e disposições gerais que poderão ser tratados em testamentos, bem como normas de permissibilidade e proibição e como deverá ser interpretada a vontade do testador, de acordo com condições e circunstâncias que se verificarem (regras interpretativas). Em suma, o testamento, além de nomear herdeiro ou legatário, pode encerrar outras disposições, de caráter pessoal. São regras interpretativas, entre outras (Disponível em http://www.central juridica.com/doutrina/144/direito_civil/disposicoes_testamentarias.html):
• Na interpretação do testamento dever-se-á buscar a real intenção do testador e não o sentido literal da linguagem; na ausência de dados para interpretar a vontade do disponente, atender-se-á à literalidade das palavras; • Havendo dois sentidos na cláusula testamentária, considerar-se-á o que produzir efeito;

• Deve-se preferir a inteligência que faz valer o ato à
que o torne insubsistente, cláusula obscura, truncada ou incompleta, que impossibilite determinar a vontade do testador, será tida como não escrita;

Se o objeto da disposição constituir-se de

universalidade, abarcará todas as coisas que a compõe, mesmo se desconhecidas do testador, por serem descobertas posteriormente; • Se o autor da herança nomear dois ou mais herdeiros sem discriminar a parte de cada um, a partilha será feita por igual, conforme a porção disponível do testador;

Se

o

testador e

impuser a outro

a

um apenas

herdeiro, a de

simultaneamente, a cláusula de inalienabilidade e de incomunicabilidade,

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inalienabilidade, incomunicabilidade;

exclui

este

último

da

• Em certos casos dever-se-á verificar que o testador
considerou os usos locais de onde vivia, a qualidade do legatário, a amizade, etc.; se não puderem solucionar as dúvidas, procurar-se-á decidir em favor da sucessão legítima;

• Compete a interpretação do testamento ao juízo do
inventário;

• Deve-se afastar restrição de inalienabilidade dos
rendimentos dos bens legados, gravados de e inalienabilidade, incomunicabilidade. impenhorabilidade

São regras permissivas as positivadas no art. 1.897 e 1.911 do CC. No art. 1.897, é estabelecida a instituição de herdeiro ou legatário e determina que esta possa ser feita de forma simples e pura (nomeação sob nenhuma condição ou encargo) ou sob condição (a eficácia da nomeação fica condicionada a um evento futuro e incerto), ou mediante encargo (testador impõe de forma coercitiva um ônus ou obrigação ao herdeiro ou legatário), ou por certo motivo (no caso do testador declarar o motivo que o levou a fazer a liberalidade) ou, finalmente, a termo (quando a eficácia da nomeação fica condicionada a um evento futuro e certo). Neste último caso, só poderá ser feita nas substituições fideicomissárias ou quando se tratar de nomeação de legatário. No art. 1.911 do CC, há a permissibilidade e possibilidade de imposição de ônus ou gravame sobre os bens integrantes da herança e que compõem a metade disponível (ou seja, não poderão ser gravadas essas cláusulas de onerosidade sobre os bens da legítima, salvo se houver justa causa declarada em testamento). Por fim, as regras proibitivas: o art. 1.898 do Código Civil impede a nomeação de herdeiro a termo, salvo nas disposições fideicomissárias. Também será nula as disposições contidas nos incisos I a IV do art. 1.900 do CC, a seguir explicitadas:
Art. 1.900. É nula a disposição:

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I - que institua herdeiro ou legatário sob a condição captatória de que este disponha, também por testamento, em benefício do testador, ou de terceiro; II - que se refira a pessoa incerta, cuja identidade não se possa averiguar; III - que favoreça a pessoa incerta, cometendo a determinação de sua identidade a terceiro; IV - que deixe a arbítrio do herdeiro, ou de outrem, fixar o valor do legado; V - que favoreça as pessoas a que se referem os arts. 1.801 e 1.802. (casos de incapacidade relativa para herdar, de pessoas que podem influir na disposição do testamento)

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5. Legados, efeitos e seu pagamento e caducidade 5.1. Conceito e Classificação dos Legados O legado é coisa certa e determinada, integrante da herança deixada pelo testador a alguém, a título singular (WALD, 2002). Difere-se da herança porque nesta se transmite a totalidade ou parte ideal do patrimônio do autor da herança. O legatário, por sua vez, é a pessoa que é contemplada em testamento ou codicilo para suceder, na titularidade do bem específico. O herdeiro legítimo também pode ser legatário, ou seja, recebe a parte ideal que lhe caiba na herança e pode receber um legado – nesse caso, é chamado de prelegatário ou legatário precípuo. Os legados podem ser classificados em função de seu objeto, o que é importante para o disciplinamento de questões que podem se materializar como fatos. Assim, os legados podem se classificar como: a) Legado de coisas: pode ainda ser subdividido em legado de coisa alheia, legado de coisa do herdeiro ou do legatário, legado de coisa comum, legado de coisa singularizada, legado de coisa localizada, entre outras.

Legado de coisa alheia: o Código Civil, em seu art. 1.912 determina a ineficácia do legado de coisa certa que não pertença ao testador no momento da abertura da sucessão, o que, em outras palavras, diz que não se pode transferir o domínio se não é proprietário; no entanto há duas exceções: quando o testador ordena que o herdeiro ou legatário transfira bem de seu patrimônio para outrem e quando há o legado de coisa que se determine pelo gênero;

Legado de coisa comum: ocorre quando o legado é de coisa comum e apenas em parte pertencer ao testador ou na hipótese de o testador ordenar que o herdeiro ou legatário entregue coisa de sua propriedade a outrem, só quanto a esta parte valerá o legado;

Legado de coisa singularizada: conforme determina o art. 1.916 do CC: se o testador legar coisa sua, especificando-a por suas características, só terá eficácia

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o legado se o bem se encontrava entre o patrimônio que corresponde à herança ou se ainda existir entre os bens do testador, ao tempo da morte deste;

Legado de coisa localizada: ocorre no caso do legado de coisa encontrar-se em determinado lugar, somente terá eficácia se no local for achado o legado, salvo se removido a título transitório.

b) Legado de crédito ou de quitação de dívida: neste caso, este legado só terá eficácia até a importância deste crédito ou quitação de dívida, ao tempo da morte do testador. c) Legado de alimentos: neste caso abrange o sustento, a cura, o vestuário, a casa, e a educação (se for menor) enquanto o legatário viver. Quem fixa o valor da pensão alimentícia é o próprio testador. d) Legado de usufruto: o usufruto por parte do legatário será vitalício, quando o testador não dispor sobre o tempo do legado de usufruto. e) Legado de imóveis: Se o legado contemplar a transferência do domínio de um imóvel, novas aquisições, mesmo contíguas ao imóvel legado, não se compreenderão no legado, salvo disposição diversa do testador. No entanto, as benfeitorias (quaisquer que sejam) seguem o principal, ou seja, compreendem-se no legado. 5.2. Efeitos dos legados e seu pagamento Entre os efeitos do legado, quanto à sua aquisição, o principal é a transmissão da propriedade da coisa. Ela ocorre com a abertura da sucessão e mesmo assim, se o legado for puro e simples, pois se estiver sob condição suspensiva, terá que aguardar o implemento da condição. De acordo com Ricardo Sant’Anna de Andrade (Breves Considerações Acerca da Sucessão Testamentária, p. 12), “se tratar de coisa fungível (substituível por outra de igual peso, medida e quantidade) já que não é coisa específica, apenas com a partilha se disporá de uma coisa, com as características estabelecidas e se entregará ao legatário”. No entanto, quanto à posse da coisa, o legatário, após a abertura da sucessão, tem apenas o direito de receber dos herdeiros instituídos o bem legado – o herdeiro
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possui o ônus de entregar a coisa ao legatário. Isso após todo o procedimento de apuração, arrecadação dos bens que compõe o patrimônio do de cujus e os respectivos débitos e ônus deixados pelo mesmo, além da litigância sobre a validade do testamento; se legado condicional ou a termo, o legatário só exerce o direito de petição quando implementada a condição ou o termo. O Código Civil de 2002 disciplina circunstâncias abstratas relacionadas aos efeitos do legado quanto às suas modalidades. Assim sendo, se o legado for em dinheiro, o mesmo só vence juros desde o dia em que se constitua em mora a pessoa obrigada a prestá-lo (art. 1.925); se for de renda vitalícia ou pensão, correrá a partir da morte do testador (art. 1.926). Na hipótese do legado render frutos, o Código Civil prescreve que estes pertencem ao legatário desde a morte do testador; ocorrendo o legado de coisa incerta, sendo determinado apenas o gênero ou a espécie, cabe ao herdeiro a opção de escolha da coisa, sendo diligente na escolha, ou seja, não escolhendo apenas a melhor. Se a opção couber ao legatário, este pode escolher a melhor. Se o legado for alternativo, a opção é feita pelo herdeiro, salvo se o testador estiver estipulado de forma diversa. Quanto à responsabilidade para o pagamento, o Código Civil é bem explícito:
Art. 1.934. No silêncio do testamento, o cumprimento dos legados incumbe aos herdeiros e, não os havendo, aos legatários, na proporção do que herdaram. Parágrafo único. O encargo estabelecido neste artigo, não havendo disposição testamentária em contrário, caberá ao herdeiro ou legatário incumbido pelo testador da execução do legado; quando indicados mais de um, os onerados dividirão entre si o ônus, na proporção do que recebam da herança.

5.3. Caducidade dos Legados

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Caducidade significa ineficácia de disposição testamentária por motivo superveniente à feitura do testamento, embora válido. A caducidade gera o efeito de, embora válido o testamento, suas disposições não se aplicam ao momento, ou seja, não são capazes de gerar o efeito da transferência da herança ou pagamento do legado. As causas são de natureza material, e não se confundem com a nulidade do testamento, em que este é inválido por inobservância das formalidades legais ou em razão da incapacidade do agente. A caducidade dos legados pode se dar em virtude de causas objetivas (na qual o próprio bem a legar está impossibilitado de sê-lo) e causas subjetivas (na qual circunstâncias relacionadas aos sujeitos do negócio jurídico tornam impossível o pagamento do legado). Vejamos o teor do art. 1.939 do Código Civil:
Art. 1.939. Caducará o legado: I - se, depois do testamento, o testador modificar a coisa legada, ao ponto de já não ter a forma nem lhe caber a denominação que possuía; II - se o testador, por qualquer título, alienar no todo ou em parte a coisa legada; nesse caso, caducará até onde ela deixou de pertencer ao testador; III - se a coisa perecer ou for evicta, vivo ou morto o testador, sem culpa do herdeiro ou legatário incumbido do seu cumprimento; IV - se o legatário for excluído da sucessão, nos termos do art. 1.815; (exclusão por indignidade) V - se o legatário falecer antes do testador.

Os incisos I a III deste artigo demonstram causas objetivas de caducidade. Os incisos IV e V são causas subjetivas. Além disso, outras causas subjetivas de caducidade podem ser arroladas, como a renúncia do legatário, que não pode ser parcial; o falecimento do legatário antes do implemento da condição suspensiva a que estava subordinada a eficácia do legado; e a falta de legitimação do legatário para suceder.

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6. Direito de acrescer entre herdeiros e legatários Podemos conceituar o direito de acrescer como o direito de acréscimo do quinhão para os demais herdeiros ou legatários, que não foram excluídos da sucessão, advindo do não recebimento de um ou mais dos herdeiros ou legatários da parte que lhe cabe por premoriência (falecimento do legatário antes do testador), incapacidade para suceder, renúncia, exclusão por indignidade e não implemento da condição sob a qual foi instituído, ressalvados os casos de representação, ou disposição em contrário do testador. Desta forma, quando existem vários herdeiros ou legatários, faltando um destes, seu quinhão acresce o dos outros. Ressaltamos que as disposições do Código Civil que normatizam este instituto são de caráter supletivo, pois se o testador dispor claramente a sua vontade, sem omissões, este instituto resta supérfluo, sem aplicação alguma. Por exemplo, se o testador nomear substituto (detalharemos posteriormente) ou especificar o quinhão de cada co-herdeiro ou co-legatário, não haverá o direito de acrescer. Portanto, os pressupostos do direito de acrescer são, segundo Monteiro et al, p. 260-262 são:

Conjunção real e/ou mista: quando o testador, em frases distintas naquela e na mesma frase nesta, dispõe chamando vários herdeiros ou legatários a suceder, sem discriminar os quinhões para cada um. Na conjunção verbal, há a designação dos quinhões de cada um, o que não dá o direito de acrescer;

• Impossibilidade de recebimento ou aceitação pelo herdeiro e/ou legatário instituído; • Pluralidade de herdeiros e/ou legatários;

Inexistência de substituto nomeado.

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7. Substituição Testamentária O testador pode nomear um ou mais substitutos para suceder os bens no caso da falta de um dos herdeiros ou legatários. Como vimos no capítulo anterior, o herdeiro testamentário pode não querer ou faltar à sucessão, no caso de renúncia, premoriência, exclusão por indignidade ou falta de legitimação e não-verificação da condição suspensiva. Essa é a dicção do art. 1.947 e 1.948 do Código Civil de 2002. Havendo encargo, o substituto também o herdará quando o testador não deixar de forma expressa o contrário, ou seja, não tratar-se de um encargo personalíssimo. As formas de substituição comumente detalhada na doutrina são: • Substituição vulgar: indica outra pessoa ou pessoas que irão herdar no lugar do primeiro instituído, os favorecidos se indicam simultaneamente (arts. 1.947 e 1.949, CC). Não é admitida a substituição de herdeiro necessário. • Substituição recíproca: alcança dois ou mais co-herdeiros ou co-legatários que se substituem reciprocamente, ou seja, são substitutos uns dos outros (arts. 1.948 e 1.950, CC). • Substituição fideicomissária: quando o herdeiro ou legatário recebe o bem de um fiduciário que o recebeu para transmiti-lo, por sua morte, ou depois de certo tempo, ou ainda, sob certa condição (arts. 1.951 a 1.960, CC). • Substituição compendiosa: Consiste num misto de substituição vulgar e fideicomissária. Neste tipo de substituição, o testador dá substituto ao fiduciário ou ao fideicomissário, prevendo que um ou outro não queira ou não possa aceitar a herança ou o legado. 7.1. Substituição fideicomissária Nesse tipo de substituição, o fiduciário receberá, desde logo, a posse e a propriedade de toda a herança ou parte desta ou do legado, transmitindo o recebido ao fideicomissário, depois de sua morte, após determinado tempo ou após implemento de condição

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Tal instituto favorece, apenas, os não concebidos quando da morte do testador, por expressa determinação legal. Havendo, ao ser aberta a sucessão, nascido o fideicomissário, este terá a propriedade dos bens fideicomitidos, convertendo em usufruto o direito do fiduciário pelo tempo previsto no testamento. É de natureza resolúvel o domínio que possui o fiduciário sobre os bens deixados, podendo este gozar, dispor, gravar e reinvidicar o bem. Se o domínio, porém, vier a resolver-se, ficará sem efeito a alienação, devendo o bem ser devolvido ao fideicomissário. Na prática, nenhum terceiro adquire bem de fiduciário. É vedada a figura do fideicomisso além do segundo grau. Ocorrerá, em caso de necessidade de substituição do fideicomissário, o direito de acrescer. Também é vedado ser objeto de fideicomisso, a legítima, podendo apenas ser objeto a parte disponível do testador. Requisitos da substituição fideicomissária: • Dupla vocação, onde o testador (fideicomitente) institui o fiduciário que receberá a herança com o encardo de repassá-la ao fideicomissário; • Eventualidade da vocação do fideicomissário, tendo em vista ter o direito do fideicomissário um caráter eventual; • Sucessividade, pois os bens irão em primeiro lugar para o fiduciário, depois para o fideicomissário; • Capacidade testamentária passiva do fiduciário, verificada quando da abertura da sucessão, e do fideicomissário quando da substituição; • Obrigação do fiduciário de conservar a coisa fideicomissada para depois restituíla ao fideicomissário. São os seguintes direitos do fiduciário: • Ter a propriedade da herança ou do legado, embora restrita e resolúvel, tendo o direito de usar, gozar, grava, alienar, salvo se o testador houver imposto a cláusula de inalienabilidade; • Transmitir a propriedade fiduciária a seus herdeiros legítimos ou testamentário, até que o fideicomissário receba os bens;
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• Ter a plena propriedade se o fideicomissário renunciar, ou se este falecer antes do testador, ou antes de ocorrida a condição do direito do fiduciário; • Usar de todas as ações do herdeiro, inclusive a de petição de herança. São deveres do fiduciário: • Proceder ao inventário dos bens fideicomitidos, visto ser necessário precisar o objeto do fideicomisso; • Prestar caução de restituir os bens fideicomitidos, se for exigido pelo fideicomissário; • Conservar o bem objeto do instituto, enquanto estiver em sua guarda; • Restituir a coisa fideicomitida. Direitos e obrigações do fideicomissário: São direitos seus: • Exigir que o fiduciário proceda ao inventário das coisas fideicomitidas e preste caução de restituí-las; • Exercer atos destinados à conservação dos bens; • Receber a parte da liberalidade que adveio ao fiduciário por direito de acrescer; • Recolher a herança ou legado, como substituto do fiduciário, se este falecer antes do testador, renunciar a sucessão ou dela for excluído, ou se a condição sob a qual o mesmo fiduciário foi nomeado não se verificar; • Renunciar a herança ou legado, inclusive como substituto do fiduciário, que repudiou a liberalidade; • Receber os bens, com a extinção do fideicomisso, livres de quaisquer ônus, salvo o disposto no art. 1.957 do CC; • Recolher, findo o fideicomisso, o valor do seguro ou o preço da desapropriação o qual se sub-roga o bem fideicomitido, ocorrendo desapropriação ou destruição ocasionada por sinistro. Ocorrerá a caducidade quando houver:

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• Incapacidade testamentária passiva, ou exclusão do fideicomissário, ou se ele falecer antes do testador; • Falecimento do fideicomissário depois do testador, mas antes do fiduciário, ou antes de realizada a condição ou termo resolutivo; • Renúncia da herança ou legado feita pelo fideicomissário; • Perecimento total do bem sujeito ao fideicomisso, sem que tenha havido culpa ou dolo do fiduciário, e desde que não ocorra sub-rogação no valor do seguro estipulado sobre a coisa.

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8. Deserdação Deserdação é ato unilateral pelo qual o testador exclui da sucessão herdeiro necessário, mediante disposição testamentária, motivada esta em uma das causas previstas em lei (GONÇALVES, 2009). De fato, a deserdação é uma cláusula testamentária que descrevendo a existência de uma causa grave prevista em lei, priva um ou mais herdeiros necessários de sua legítima, excluindo-o da sucessão. Os requisitos de eficácia da deserdação são os seguintes: a) Existência de herdeiros necessários (art. 1.961 do CC); b) Testamento válido (art. 1.964, CC); c) Expressa declaração de causa prevista em lei, que pode assumir, de acordo com os sujeitos, a seguinte configuração na legislação civil:
Art. 1.962. Além das causas mencionadas no art. 1.814, autorizam a deserdação dos descendentes por seus ascendentes: I - ofensa física; II - injúria grave; III - relações ilícitas com a madrasta ou com o padrasto; IV - desamparo do ascendente em alienação mental ou grave enfermidade. Art. 1.963. Além das causas enumeradas no art. 1.814, autorizam a deserdação dos ascendentes pelos descendentes: I - ofensa física; II - injúria grave; III - relações ilícitas com a mulher ou companheira do filho ou a do neto, ou com o marido ou companheiro da filha ou o da neta;

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IV - desamparo do filho ou neto com deficiência mental ou grave enfermidade.

d) Propositura de ação ordinária: a causa expressada em testamento que tenha por fim a exclusão do herdeiro deverá ser provada em ação ordinária. A deserdação, enfim, só terá eficácia com a sentença transitada em julgado. A legitimidade ativa pode caber ao herdeiro instituído no lugar do deserdado, aos demais herdeiros necessários na ordem de vocação hereditária a quem aproveitariam a deserdação e até mesmo ao Estado. O direito de provar a causa da deserdação extingue-se em prazo decadencial de quatro anos, contados a partir da data da abertura do testamento. O próprio deserdado pode tomar a iniciativa, no caso de inércia do interessado, para exigir, por meio de ação de obrigação de fazer, para que o interessado a promova. A posse dos bens do de cujus, cujo testamento conste cláusula de deserdação, e esteja em curso o processo de conhecimento da deserdação deverá ficar, segundo doutrina majoritária, com o inventariante, que zelaria pela preservação do patrimônio. Os efeitos da deserdação são idênticos ao da exclusão por indignidade. Os efeitos são pessoais, atingindo somente o herdeiro excluído; os descendentes deste poderão herdar por direito de representação.

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9. Redução das disposições testamentárias Neste capítulo do Código Civil, o legislador disciplina as hipóteses em que o testador deixa ao herdeiro instituído além ou aquém de sua cota hereditária disponível. Quota hereditária disponível é justamente a metade da herança que o testador poderá dispor livremente; a outra metade constitui a legítima, que cabe aos herdeiros legítimos segundo a ordem de vocação hereditária. Quando o testador dispuser de parte de sua quota hereditária disponível, há um remanescente, que por disposição legal pertencerá aos herdeiros legítimos, consoante redação do artigo abaixo:
Art. 1.966. O remanescente pertencerá aos herdeiros legítimos, quando o testador só em parte dispuser da quota hereditária disponível.

Na hipótese de o testador fazer disposições que excedam a quota hereditária disponível, dá-se a redução das disposições testamentárias, de forma a preservar a integridade da legítima. O testamento não é anulado, nem as disposições testamentárias, mas procede-se apenas a uma transferência de bens da quota disponível para a legítima (GONÇALVES, 2009). A redução se dá no inventário, se houver acordo entre os interessados. E segundo Carlos Roberto Gonçalves (Direito das Sucessões, 11.ed, p. 133) podem os herdeiros necessários, seus sucessores ou credores, ou ainda os cessionários de seus direitos demandar ação de redução para recompor a legítima com os bens que excedam a quota disponível.

Quanto à ordem das reduções, por primeiro atinge-se o herdeiro instituído. Reduz-se a quota do herdeiro instituído até recompor-se a legítima (mesmo que se esgote totalmente a quota do herdeiro instituído). Se vários forem os herdeiros instituídos haverá redução proporcional das quotas (CC , art. 1.967, § 1º). Segundo, se a
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redução da quota do herdeiro instituído não for suficiente, procede-se a redução dos legados (CC , art. 1.967, § 1º). A redução nos legados é proporcional aos seus valores. Por fim, mesmo reduzindo as quotas referidas nos itens primeiro e segundo, não for possível atingir a legítima, recorre-se então à redução das doações, começando pelas mais novas (CC , art. 2.007, §. 4º).

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10. Rompimento do Testamento O rompimento do testamento, conhecido também como revogação legal, se dá em virtude de presunção absoluta, prescrita em lei nos artigos 1.973 e 1.974 do CC:
Art. 1.973. Sobrevindo descendente sucessível ao testador, que não o tinha ou não o conhecia quando testou, rompe-se o testamento em todas as suas disposições, se esse descendente sobreviver ao testador. Art. 1.974. Rompe-se também o testamento feito na ignorância de existirem outros herdeiros necessários.

A presunção é a de que, tendo sido feito o testamento, se sobrevém ao testador descendente ou o conhecimento de sua existência, não só do descendente, mas também de outros herdeiros necessários, ele não teria disposto desta maneira. Assim sendo, a validade do testamento é fulminada em todas as suas disposições. Desta feita, o rompimento do testamento poderá se dar em três hipóteses, com base nestes dois artigos: 1) Quando sobrevêm descendentes ao testador que não os tinha (CC, art. 1.973, 1 ª parte). Ex.: “A” fez um testamento e posteriormente, vem a ter filhos, ou netos. O testamento que foi feito anteriormente se rompe. 2) Quando o testador que não tem filho, descobre a existência de um, cujo fato até então era ignorado. Ou ainda o testador vem a conhecer que um filho, imaginado morto, que ao contrário, está vivo. 3) Quando o testador ignorava que existam outros herdeiros necessários (CC, art. 1.974). Esses outros herdeiros necessários são os ascendentes e o cônjuge, já que quanto aos descendentes está referido nos itens anteriores. Evidentemente, o testamento não será rompido se o testador já saber da existência dos herdeiros necessários.

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11. O Testamenteiro

A figura do testamenteiro no Código Civil, que está prevista a partir do art. 1.976, surge quando o testador designa alguém de sua confiança (podendo ser um dos herdeiros, o cônjuge, um dos legatários, ou ainda uma pessoa estranha à herança) para cumprir suas disposições testamentárias, que é exatamente a execução do testamento. Na falta de testamenteiro nomeado pelo testador, a execução testamentária compete a um dos cônjuges, e, na falta destes, a herdeiro nomeado pelo juiz. A função do testamenteiro é voluntária porque o nomeado não está obrigado a aceitá-la; é personalíssima, privativa da pessoa natural, sendo indelegável, embora possa o testamenteiro nomear mandatários e constituir procurador com capacidade postulatória para os atos em juízo; é atividade onerosa porque terá direito a remuneração (vintena), como regra geral. O montante da vintena é fixado pelo testador; se não o fixar, será arbitrado pelo juiz, entre os limites de 1 a 5% sobre toda a herança líquida, conforme a importância dela e a maior ou menor dificuldade no cumprimento do testamento, salvo disposição testamentária em contrário. Portanto, compete ao testamenteiro defender a validade do instrumento e dar cumprimento à última vontade do testador (arts. 1.981 e 1.982, CC). De acordo com a maneira de como é indicado, há várias espécies de testamenteiros, a saber: instituído – quando nomeado pelo testador; dativo – se for pelo juiz; universal – aquele a quem é conferido a posse e a administração da herança (neste caso, o testador só pode conferir a posse da herança ao testamenteiro se não houver ou não puderem exercê-la o cônjuge supéstite, descendentes e ascendentes); particular – aquele que não desfruta da posse e administração da herança.

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PARTE 2 – DO INVENTÁRIO E DA PARTILHA 1. Inventário Segundo Carlos Roberto Gonçalves (Direito das Sucessões, 11.ed, p. 157), o inventário é o processo judicial destinado a relacionar, descrever, avaliar e liquidar todos os bens pertencentes ao de cujus ao tempo de sua morte, a fim de distribuí-los entre os seus sucessores. Nesta fase, é apurado o patrimônio do autor da herança, cobrase o ativo, honra-se o passivo, bem como avaliam-se bens, pagam-se os legados e o imposto causa mortis. No final, procede-se à partilha. Em relação à abertura do inventário, socorremo-nos do Código de Processo Civil:
Art. 983. O processo de inventário e partilha deve ser aberto dentro de 60 (sessenta) dias a contar da abertura da sucessão, ultimando-se nos 12 (doze) meses subseqüentes, podendo o juiz prorrogar tais prazos, de ofício ou a requerimento de parte.

Quanto ao procedimento, há três possíveis:
• •

Solene: É o procedimento tradicional, o mais complexo, de aplicação residual; Arrolamento sumário: Se dá quando todos os herdeiros forem maiores e capazes, e entre eles houver consenso. Independe do valor. O Ministério Público não intervém;

Arrolamento comum: Forma simplificada, com regras diferenciadas. Não pressupõe capacidade, nem consenso. Há um critério objetivo, que é o valor igual ou inferior a 2.000 OTNs (Obrigações do Tesouro Nacional).

1.1. Inventariante O art. 990 do CPC indica, em rol taxativo e preferencial, aqueles que podem ser nomeados inventariantes. Contudo, pode o juiz, fundamentadamente, inverter essa ordem. Feita a nomeação, deve o inventariante, nos cinco dias subseqüentes, prestar

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compromisso.

Na

hipótese

de

inventário

conjunto,

deve

ser

nomeado,

preferencialmente, herdeiro comum. São atribuições do inventariante: Representar o espólio em juízo e fora dele; Administrar o espólio; Prestar as primeiras e últimas declarações; Exibir documentação. O inventariante pode ser removido de suas funções em razão de descumprimento das obrigações, a requerimento de qualquer interessado. Se o juiz remover o inventariante, nomeará outro, observada a ordem do art. 990 do CPC:

Art. 990. O juiz nomeará inventariante: I - o cônjuge ou companheiro sobrevivente, desde que estivesse convivendo com o outro ao tempo da morte deste; II - o herdeiro que se achar na posse e administração do espólio, se não houver cônjuge ou companheiro sobrevivente ou estes não puderem ser nomeados; III - qualquer herdeiro, nenhum estando na posse e administração do espólio; IV - o testamenteiro, se Ihe foi confiada a administração do espólio ou toda a herança estiver distribuída em legados; V - o inventariante judicial, se houver; Vl - pessoa estranha idônea, onde não houver inventariante judicial.

1.2. Processamento do Inventário O espólio será representado após a nomeação e compromisso do inventariante no processo. Intimado da nomeação, o inventariante prestará, dentro de 05 dias, o compromisso de desempenhar o cargo e, em vinte dias, as primeiras declarações. Após as primeiras declarações, o juiz mandará citar: o cônjuge ou companheiro, os legatários, a Fazenda Pública, o Ministério Público – se houver testamento ou herdeiro incapaz – e
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o testamenteiro (se o de cujus tiver deixado testamento). Segue-se a avaliação dos bens inventariados, para fins de cálculo do ITCD e da partilha. Resolvida eventuais impugnações, será lavrado o termo de últimas declarações. Por fim, chega-se à fase da partilha. 1.3. Arrolamento sumário Neste procedimento, o advogado contratado pelos herdeiros (não se pode esquecer que todos estes devem ser maiores de 21 anos, capazes e estarem de acordo sobre a partilha), após elaborar uma minuta inicial com base nos documentos indispensáveis (atestado de óbito, certidões de casamento e nascimento do cônjuge e dos descendentes e matrícula atualizada dos imóveis que serão partilhados), primeiramente a encaminha para avaliação dos bens junto à Fazenda Estadual. De posse desta avaliação e antes mesmo de levá-la a juízo, os herdeiros e o cônjuge supéstite, com os esclarecimentos do profissional que contrataram, deliberam e elaboram a divisão dos bens e somente então levam ao conhecimento do juiz para que este homologue a partilha. Fornecidas as negativas de impostos e satisfeitas as custas processuais, serão feitos os formais de partilha que são os documentos que demonstram o que coube a cada uma das partes do inventário. Com isso, o procedimento está terminado. 1.4. Arrolamento comum É o procedimento indicado para pequenas heranças, não superiores a 2.000 OTNs. O inventariante apresentará as suas declarações, com a estimativa do valor dos bens do espólio e o plano de partilha. Se o valor atribuído aos bens for impugnado, então proceder-se-á a avaliação dos bens. Apresentado o laudo de avaliação, o juiz ordenará o pagamento das dívidas não impugnadas e decidirá sobre as reclamações. Provada a quitação dos tributos referentes ao espólio, o juiz julgará a partilha.

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2. Institutos da Colação, Sonegados e do Pagamento das Dívidas 2.1. Colação Colação é o ato pelo qual os herdeiros descendentes que concorrem à sucessão do ascendente comum declaram no inventário as doações que dele em vida receberam, para que sejam conferidas e igualadas as respectivas legítimas (GONÇALVES, 2009). O ato não praticado pode ensejar sonegação, que é uma infração civil e que reclama uma pena, com efeitos que veremos no próximo tópico. De fato, deve haver igualdade entre os quinhões dos herdeiros necessários, e doações e vantagens feito em vida pelo ascendente aos seus herdeiros necessários (descendentes) implicam em antecipação das legítimas. Daí estes serem declarados, para que haja essa igualdade das partes legítimas dos descendentes e do cônjuge sobrevivente. Destacamos que o excluído da sucessão ou o que renunciou à mesma também deverá conferir as doações recebidas, e repor a parte que exceder; e os netos, que sucederem seus avós, no direito de representação dos pais, são obrigados a realizar a colação que seus pais teriam de conferir, ainda que não o hajam herdado (CC, art. 2.009). A colação, em regra, é feita com o retorno dos bens doados à massa da herança para posterior partilha. Se o donatário já o tiver alienado, procede-se à colação por estimativa, ou seja, o valor do bem volta à universalidade de bens da herança. “O valor de colação dos bens doados será aquele, certo ou estimativo, que lhes atribuir o ato de liberalidade” (CC, art. 2.004). Serão dispensadas da colação as doações que o testador determinar que saiam da parte disponível, contanto que não a excedam, sob pena de redução das disposições testamentárias. O valor computado é o do tempo da doação. O doador/testador pode, expressamente, determinar a dispensa da colação em testamento ou no próprio contrato de doação. Não virão à colação as seguintes hipóteses, disciplinadas pelo legislador civil:
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Art. 2.010. Não virão à colação os gastos ordinários do ascendente com o descendente, enquanto menor, na sua educação, estudos, sustento, vestuário, tratamento nas enfermidades, enxoval, assim como as despesas de casamento, ou as feitas no interesse de sua defesa em processo-crime. Art. 2.011. As doações remuneratórias de serviços feitos ao ascendente também não estão sujeitas a colação.

2.2. Sonegados O herdeiro, inventariante ou ainda testamenteiro têm a obrigação de informar ao Estado os bens que compõe a herança. Essa informação deve atender todos os bens que os referidos tenham conhecimento, estando ou não na sua posse. A sonegação é ocultação dolosa dos bens que compõe o espólio. É uma infração que reclama pena civil. Ela pode ser praticada pelo inventariante, quando omite, intencionalmente, bens ou valores, prestando declarações que não existem outros bens a inventariar. O herdeiro comete sonegação quando não procede à colação, não indica bens em seu poder ou de terceiros. O testamenteiro infringe a norma se sonegar bens ao inventário. De acordo com Mariana Estima Rissi, disponível em http://www.jurisway.org. br/v2/dhall.asp?id_dh=3261:
A pena de sonegados tem caráter cível e consiste, para o herdeiro, na perda do direito sobre o bem sonegado, que é devolvido ao monte e partilhado entre os outros herdeiros. Se o bem sonegado não mais se encontrar em seu patrimônio, o sonegador responderá pelo seu valor mais perdas e danos. Quando o sonegador for o inventariante, a pena de sonegados limitar-se-á a remoção da inventariança, se não for herdeiro nem meeiro. Se o for perderá também o direito ao bem sonegado. O testamenteiro está sujeito, igualmente, a pena de perda da inventariança, bem

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como da vintena, se a sonegação disser respeito a bens testados.

A ação de sonegados prescreve em dez anos, e deve ser ajuizada no foro onde tramita o inventário, estando legitimados ativamente os herdeiros legítimos ou testamentários e os credores do espólio. A Fazenda Pública também pode cobrar seus direitos fiscais sobre os bens sonegados. 2.3. Do Pagamento das Dívidas A herança responde pelo pagamento das dívidas do falecido. Mas se elas ultrapassarem o valor da herança, os herdeiros não precisarão pagar os excedentes, pois toda aceitação é feita em benefício do inventário, conforme prescrição do art. 1.792 do CC. O pagamento das dívidas deverá ser feito antes da divisão dos bens. Porém, caso a divisão já tenha sido feita, a quantia devida poderá ser paga por todos ou apenas um herdeiro, que tem o direito de exigir dos demais herdeiros o que ultrapassar a sua parte no pagamento; ele responde pela parte que lhe cabe, na respectiva proporção do quinhão hereditário.

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3. Partilha De acordo com Carlos Roberto Gonçalves (Direito das Sucessões, 11.ed, p. 175), partilha é a divisão judicial do monte líquido, apurado durante o inventário, entre os herdeiros do falecido e cessionários, separando-se a meação do cônjuge supéstite. Se houver um único herdeiro, não há de se falar em partilha, mas em adjudicação direta. A partilha, pois, consiste no procedimento para divisão do acervo hereditário que será atribuído os sucessores do autor da herança. A sentença de homologação de partilha declara a propriedade e a posse dos bens aos herdeiros, retroagindo à data da abertura da sucessão. A partilha poderá ser amigável, quando realizada entre herdeiros maiores e capazes e houver unanimidade de acordo, sendo feita por escritura pública, por termo nos autos ou por escrito particular homologado pelo juiz. É indispensável que os interessados, ou procuradores com poderes especiais, assinem o instrumento. A partilha amigável poderá se feita por ato inter vivos, (não poderá prejudicar a legítima) que é feito por escritura pública ou testamento, com o intuito de dispensar os descendentes do inventário comum. Já a partilha post mortem é feita no curso do inventário ou arrolamento. Se o de cujus deixou testamento, deverá ter um procedimento judicial, para que no fim haja a homologação pelo juiz, simples ato de jurisdição voluntária. A partilha judicial é obrigatória sempre que os herdeiros divergirem, ou se algum deles for menor ou incapaz. Nesta, as partes formularão pedido de quinhão e o juiz resolverá as pretensões no despacho de deliberação. Desta forma, o partidor organizará o esboço de partilha de acordo com essa deliberação e considerará a ordem de pagamentos; as partes serão ouvidas sobre esta deliberação, e a partilha será lançada nos autos, conforme art. 1.024 do Código de Processo Civil:
Art. 1.024. Feito o esboço, dirão sobre ele as partes no prazo comum de 5 (cinco) dias. Resolvidas as reclamações, será a partilha lançada nos autos.

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3.1 Anulação e rescisão da partilha

A partilha pode ser anulada ou rescindida. A amigável, simplesmente homologada, é anulável pelos vícios e defeitos que invalidam o negócio jurídico, tais como o erro, dolo, a coação, etc., É de um ano o prazo para a propositura da competente ação anulatória (art. 1.029 do CPC). Já a partilha judicial, que é julgada por sentença pode ser rescindida (art. 1.030, do CPC): a) tendo havido erro essencial, dolo, coação ou intervenção de incapaz; b) se feita em preterição das formalidades legais; c) se preteriu herdeiro ou incluiu quem não o era. A ação rescisória de partilha processa-se perante tribunal, no prazo de dois anos. Quando a sentença limita-se a julgar os termos do esboço organizado, sem litígios entre os herdeiros, sua natureza não passa de ser homologatória, não estando sujeita assim à ação rescisória. Esta só será cabível quando a sentença for de mérito, onde seu conteúdo decisório se direciona aos quinhões em disputa, exclusão de herdeiros, e, enfim opera a partilha contenciosa. 3.2. Sobrepartilha É o procedimento destinado a inventariar bens descobertos após a partilha, ou bens sonegados, litigiosos, situados em lugar remoto da sede do juízo onde ocorreu o inventário, ou bens de liquidação difícil ou morosa. É complementação da partilha, e o seu procedimento é feito observando o processo de inventário e partilha. Segundo Paulo Sérgio Ubialli (disponível em http://www.gazetaweb.com.br/edicao_900/seus_direitos.htm), configura-se como uma nova ação de inventário e partilha que corre no mesmo processo de inventário, podendo haver tantas sobrepartilhas quantas forem necessárias, desde que evidenciados os seus pressupostos.
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3.3. Garantia dos quinhões hereditários Em obediência aos artigos 2.017 e 2.024 do Código Civil, o herdeiro que venha a perder determinado bem, ou parte dele, o qual lhe teria sido atribuído quando da partilha, mas que lhe foi tirado em virtude da sentença, tem o direito de ser indenizado pelos co-herdeiros, a fim de que não tenha prejuízos em relação aos demais. Esta perda do bem se dá em virtude de eviccção, e o direito sucessório tem como princípio a igualdade na distribuição do acervo hereditário. Desta feita, justifica-se a presente regra imposta no Diploma civil.

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Referências GONÇALVES, Carlos Roberto. Direito das Sucessões. 11. ed. São Paulo, Saraiva, 2009. GHIARONI, Regina, FRANÇA, Adiel e outros. Direito das Sucessões. São Paulo, Freitas Bastos, 2004. Lídia Salomão. Jurisway. Direito das Sucessões/A sucessão feita por testamento disposições gerais. Disponível em http://www.jurisway.org.br/v2/ cursoonline.asp? id_curso=686&pagina=4&id_titulo=8912 Jurisway. Modelo de Codicilo. Disponível modelocomentado.asp?idmodelo=7765 em http://www.jurisway.org.br/v2/

Mariana Estima Rissi. Jurisway. Sonegação de bens da herança. Disponível em http://www.jurisway.org.br/v2/dhall.asp?id_dh=3261 Hermano Silva Albuquerque. Artigonal – Diretório de Artigos Gratuitos. Testamento particular. Disponível em http://www.artigonal.com/direito-artigos/testamentoparticular-1527366.html Juliano Aparecido da Silva. Artigonal – Diretório de Artigos Gratuitos. O Testamenteiro no Código Civil. Disponível em http://www.artigonal.com/doutrinaartigos/o-testamenteiro-no-codigo-civil-1537143.html Central Jurídica. Disposições testamentárias. Disponível em http://www. centraljuridica.com/doutrina/144/direito_civil/disposicoestestamentarias.html Marcus Vinícius Pessoa Cavalcanti Villar. ViaJus. Direito de acrescer entre herdeiros e legatários. Disponível em http://www.viajus.com.br/viajus.php? pagina=artigos&id=549 Rafael Paiva Cabral. TeuAdvogado. Arrolamento Sumário: Um inventário simples e rápido. Disponível em http://www.teuadvogado.com.br/artigos/centro2.asp?ID=9 Gisele Leite. Jus Vigilantibus. Sobre o inventário e a partilha. Disponível em http://jusvi.com/artigos/81 Vitor Frederico Kümpel. Direito Civil – Disposições testamentárias. Curso do Prof. Damásio à distância. Ricardo Luís Sant' Anna de Andrade. Breves Considerações acerca da Sucessão Testamentária. Artigo.

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