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Série Romanos – O Evangelho de Cristo Jesus – Mensagem 1

Série Romanos – O Evangelho de Deus – Mensagem 71

Ira de Deus – Parte 1


(Texto: Rm 1:18)

1. Introdução.

Deus criou a humanidade para que por ela fosse adorada. Os seres humanos foram feitos
à imagem e conforme a semelhança de Deus para que eles glorificassem o Senhor, e ao
mesmo tempo, gozássem-nO para sempre. Deus preparou um jardim perfeito e colocou
lá as primeiras duas pessoas, Adão e Eva. Mas como todos nós sabemos, algo aconteceu
no meio do percurso. “O pneu furou”: eles pecaram, caíram e foram expulsos da
presença de Deus.

Os seres humanos que foram criados para se relacionarem em amor com Deus, por
causa do pecado, agora estavam no centro não mais de Sua vontade, mas da Sua ira!
Sim... hoje vamos começar a falar da ira de Deus. Você se sente confortável a isso?
Claro que não! Talvez é aquela parte da bíblia que você não lê e pula para outra mais
legal. Mas irmãos, precisamos nos desnudar diante da palavra de Deus. Temos de ter a
exata noção da onde Jesus nos livrou quando ele nos chamou e quando cremos Nele.

Hoje, e por mais algumas semanas, veremos como o pecado produz um nós um
processo de autodestruição. Veremos o crescimento, e desenvolvimento e a fim desse
grande tumor maligno que é o pecado. O pecado tem o seu próprio processo
degenerativo que é o pior de todos por envolver não somente o corpo mas também o
espírito.

2. Exposição do texto. (Rm 1:17)


18 18
Portanto, a ira de Deus é revelada dos Ἀποκαλύπτεται γὰρ ὀργὴ θεοῦ ἀπ’
céus contra toda a impiedade e injustiça οὐρανοῦ ἐπὶ πᾶσαν ἀσέβειαν καὶ ἀδικίαν
dos homens que suprimem a verdade em ἀνθρώπων τῶν τὴν ἀλήθειαν ἐν ἀδικίᾳ
injustiça, κατεχόντων,

1. O que a ira tem a ver com um Deus bom?

“Portanto, a ira de Deus é revelada dos céus” (vr. 18a).

Durante seis semanas vimos que o tema da mensagem da carta de Paulo aos Romanos é
acerca da Justiça de Deus revelando no Evangelho. Só para relembramos, vamos ler
novamente os versículos 16 e 17: “Porque não me envergonho do Evangelho, pois é o
poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê; primeiro do judeu e também do
grego. Pois a justiça de Deus se revela no evangelho, de fé em fé, como está escrito: O
justo viverá pela fé” (A21).

O Evangelho são as boas notícias da salvação. Até aqui, pudemos sentir um tom mais
favorável, mais amigável e esperançoso. Deus quer salvar as pessoas, de todas as
nações, e para isso nos presenteia com fé! Essa mensagem é linda e digna de toda a

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Pregado no MEP dia 10 de abril de 2011.

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nossa aceitação. Mas parece que de repente o apóstolo Paulo muda radicalmente o seu
tom quando passa a falar, longamente, da ira de Deus. Logo após mostrar o poder de
Deus para salvar, ele nos revela o lado de um Deus que também se ira. Será que essas
duas coisas tem a ver uma com a outra?

Paulo discute a ira de Deus logo depois de discutir sobre a salvação porque ambas são
reveladas no Evangelho, ambas são dois lados da “moeda” chamada “Justiça de Deus”.
Não temos um Deus que salva todas as pessoas de maneira indistinta, como os
universalistas acreditam, e também não temos um Deus que condena a todos de maneira
irrestrita (como alguns irmãos pensam ser o juízo de Deu). A alguns, o Senhor revela
graça e salvação, aos demais, juízo e condenação. Pode parecer muito estranho essa
idéia, mas Graça e Ira andam lado a lado nos propósitos de Deus.

Note que o versículo 18 não começa com um “porém”, um “entretanto”, ressaltando


uma diferença entre o tema da salvação pela fé, tratada anteriormente, e Ira, mas sim,
começa com a conjunção conclusiva “portanto”. Isso nos mostra que no Evangelho
tanto graça e ira são revelados. Mas essas coisas são reveladas a dois grupos de pessoas
diferentes: graça àqueles que crêem e são justificados por Jesus, e ira para os descrentes.

Meus irmãos, em geral, as pessoas tem uma idéia romântica do Evangelho de Deus.
Pensam que Deus é tão amoroso que ele seria capaz de perdoar a todos e construir um
Reino de paz e felicidade eterna. Com certeza, vemos no Evangelho lindas histórias de
Jesus abraçando as criancinhas e curando os doentes. Mas não é só isso: o Evangelho
também revela a ira de Deus, a eterna indignação justa de um Deus santo que não
admite o pecado. O mais interessante é que a ira é revelada “dos céus”, da parte de Deus
para todos os pecadores; não há ímpio que possa fugir dela.

2. Por que Deus se ira?

Lendo o versículo 18, a pergunta que cada um pode fazer é essa: “Se Deus é bom,
porque ele se ira?” ou “o que um sentimento tão ruim como a ira pode ter a ver com um
Deus tão bom?”. Quem já não se fez essa pergunta? Ira... o que essa palavra significa
para você? Quando você fica irado, quais são as reações que acontecem dentro de você?
Desejo de vingança, cólera, impulso violento contra o que nos ofende, fere ou indigna2.
É uma palavra muito forte usada em momentos muito específicos.

A ira tem uma razão de ser. Ninguém costuma ficar irado a toa, em todo tempo. Muito
pelo contrário, há um motivo para isso. Vamos lá, o que te deixa irado? Pode ser quando
alguém te ofende, quando você é humilhado, injustiçado, etc. Vamos um pouco mais
além: quando você fica irado, essa ira torna-se em pecado? Na maioria das vezes sim,
porque no momento da ira, ela vem acompanhada de todos os sentimentos ruins como
raiva, rancor, ódio, julgamento, preconceito... Em suma, ira não é algo bom de se sentir
porque pode nos levar a pecar. Sem falar que a razão da nossa ira pode não ser correta
diante do Senhor. Para nós, humanos, em linhas gerais, ira é algo negativo e ruim.

Mas e quanto a Deus? Será que podemos pensar na ira de Deus da mesma forma de
nossas próprias iras? A frase “Deus se ira” nos gera muito desconforto. Quando lemos
isso, parece que é justamente conosco que o texto está se dirigindo. De alguma forma,

2
Cf. definição do Dicionário Aurélio.

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nos sentimos responsáveis pela ira de Deus. Mas a ira divina é absolutamente livre de
qualquer ingrediente venenoso. A ira de Deus é essencialmente diferente da ira que nós
sentimos. Ela é a conseqüência do seu juízo, é a materialização de Seu julgamento sobre
todos aqueles que não tem um compromisso de vida com Ele, é uma ira que não tem
nenhuma maldade, é santa, pois baseia-se na Sua justiça.

Deus se ira! A palavra grega para ira usada no texto é “orgê”. Essa palavrinha veio
parar no português dentro de uma outra palavrinha, essa mais conhecida: “orgia”3.
Orgia a prática sexual envolvendo mais de duas pessoas. Era muito comum, por
exemplo, nos tempos do Império Romano, onde isso era realizado em honra ao deus
Baco, o deus do vinho, por isso orgia também é chamada de bacanal. Pessoas totalmente
tomadas pela paixão, erotismo, fantasias e pecado que se juntavam para externar toda
maldade de seus corações através do sexo, algo que Deus criou para ser bom. Imagine
como Deus se sente vendo tudo isso. Como Deus se sente ao ver que as pessoas
mudaram aquilo que era bom transformando em algo totalmente abominável. Essa idéia
de desvirtuação está presente em todo o restante do capítulo 1.

Algo curiosos é que no Antigo Testamento, quando se fala da ira de Deus, a expressão
usada é que “o nariz de Deus ficou vermelho”, e de fato, quando alguém fica irado, o
seu semblante já muda. Deus não somente não se conforma com o pecado, mas também
se indigna, se ira, e essa ira não é algo subjetivo ou um sentimento, mas é expresso em
vias de fato. A ira de Deus é algo terrível que o seu maio símbolo é o inferno.

3. Pelo que Deus se ira?

Deus se ira “contra toda a impiedade e injustiça dos homens que suprimem a verdade
em injustiça” (vr. 18b). “Deus se volta contra o mal. Nós nos zangamos quando nosso
orgulho é ferido; na ira de Deus, porém, não existe nenhum ressentimento pessoal.
Nada a provoca, exceto o pecado – e este sempre o faz”4.

Passamos algumas semanas falando da “Justiça de Deus”, agora está na hora de


encararmos o que a “injustiça dos homens”: é hora de vermos quem somos à luz de
Quem Deus é. Sem o Evangelho não há justiça. Calvino diz que: “não já justiça a não
ser aquela que é conferida, ou seja, que vem através do Evangelho”5. Justiça é um
atributo essencialmente divino, enquanto que nós somos, desde o nascimento, injustos,
por causa do pecado.

O texto nos fala de duas práticas: impiedade e injustiça. Impiedade é uma atitude contra
Deus e injustiça contra os homens: essas duas coisas estão ligadas, porque todo o
pecado nasce da impiedade contra Deus, ou seja, da tentativa de livrar-se de Deus, de
desonrá-lO6, da tentativa de tornar-lO ausente e da falta de temor a Ele. Quando não há
uma mínima consideração a Deus, o pecado transborda naturalmente para os nossos
relacionamentos interpessoais.

Repare que a ira de Deus não se revela contra a impiedade e injustiça simplesmente. O
texto diz: “contra toda a impiedade e injustiça dos homens que suprimem a verdade em
3
Cf. Sproul, pág. 38
4
Cf. Sttot, pág. 78.
5
Cf. Calvino, pág. 67.
6
Ibid. pág. 68.

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injustiça” (vr. 18b). Deus se ira com pessoas, aquelas que praticam o mal e que pecam.
Deus se ira contra os ímpios e injustos que suprimem, ou seja, que cancelam, que
renegam a verdade em injustiça. Simplificando, Deus se ira com as pessoas, que de
maneira deliberada e livre, tomam a decisão de se afastar de Deus e seguem seus
próprios caminhos segundo a suas próprias vontades. Uma coisa é pecar sem querer
pecar, outra é pecar achando que aquilo é o certo e pecar porque decidiu pecar.

Deus se ira contra aqueles que são independentes Dele. No dia 7 de setembro de 1822,
segundo a história oficial, Pedro de Alcântara Francisco Antônio João Carlos Xavier de
Paula Miguel Rafael Joaquim José Gonzaga Pascoal Cipriano Serafim de Bragança e
Bourbon, mais conhecido como Dom Pedro I, gritou: “Independência ou morte!”. Ok!
Mas se a mesma frase fosse dita por Paulo, ele talvez gritaria: “Independência é morte”.
Ficar independente de um país opressor pode ser bom, mas ficar independente de Deus
é o maior erro que alguém pode cometer.

Deus se ira contra aqueles que viram as costas e andam por um caminho diferente
daquele sonhado por Deus. Meus amados, eu creio que todos nós já não fazemos parte
daqueles com os quais Deus se ira, uma vez que vivemos, e tentamos viver, grudados
em Deus, agradando-O, glorificando-O, conhecendo-O. Mas de maneira nenhuma, nos
esqueçamos que a maioria do mundo ainda está no centro do alvo da ira de Deus e que é
nosso dever apresentar-lhes o Evangelho, que é “o poder de Deus para a salvação de
todo aquele que crê” (Rm 1:16). É por isso que semana que vem vamos cultuar junto
com a comunidade desse bairro celebrando a páscoa. Quero que todos vocês venham
mais alegres e empolgados, porque naquele dia, a maravilhosa mensagem da
ressurreição será ministrada àquelas pessoas que ainda não conhecem a Deus ou que
estão afastadas Dele serão mais pessoas salvas da ira, mas pessoas tiradas das garras de
Satanás... você pode fazer parte disso!

O texto diz: “Portanto, a ira de Deus é revelada dos céus contra toda a impiedade e
injustiça dos homens que suprimem a verdade em injustiça” (vr. 18). Faltou falarmos da
verdade. Que verdade é essa que os ímpios e injustos suprimem? É o conhecimento de
Deus! Esse é o tema da próxima mensagem.

Conclusão:

Deus se ira contra todos aqueles de se afastam Dele, ou seja, os ímpios e injustos, que
suprimem a verdade de Deus, pelas suas próprias verdades, em injustiça.

A ira de Deus é santa. Vamos agradecer porque agora em Cristo, não temos mais o
medo dessa ira, pois em Cristo, toda ela foi satisfeita, e agora, somos Filhos amados do
nosso Pai.

A ira de Deus não é para todos! Deus não quer se irar com as pessoas, pelo contrario, o
desejo de nosso Pai Celestial é que todas as pessoas o reconheçam como tal e se tornem
Filhos, por meio de Jesus Cristo. 1Ts 5:9~10 diz: “porque Deus não nos destinou para a
ira, mas para alcançar a salvação mediante nosso Senhor Jesus Cristo, que morreu por
nós, para que, quer acordados, quer durmamos, vivamos em união com ele” (ARA).
Bendito seja Deus por isso. Amen.

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