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Constituição - Conceito e Classificações (P. Lenza)

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Direito Constitucional

(Fonte: Direito Constitucional Esquematizado, Pedro Lenza) Constituição Conceito Sentido Material Critério conteúdo da norma. Constitucional será aquela norma que defina e trate das regras estruturais da sociedade, de seus alicerces fundamentais (formas de Estado, governo, seus órgãos etc.). Ao eleger o critério material torna-se possível encontrarmos normas constitucionais fora do texto constitucional, na medida em que o que interessa no aludido conceito é o conteúdo da norma, e não a maneira pela qual ela foi introduzida no ordenamento interno. O que importa é a matéria da norma e não os seus aspectos formais. Sentido Formal Critério a forma como a norma foi introduzida no ordenamento jurídico. As normas constitucionais serão aquelas introduzidas pelo poder soberano, por meio de um processo legislativo de formação das demais normas no ordenamento. Em se tratando do sentido formal, qualquer norma que tenha sido introduzida por meio de um procedimento mais dificultoso por um poder soberano terá natureza constitucional, não importando seu conteúdo.

Classificação das Constituições Classificação quanto à ORIGEM: - Outorgadas impostas de forma unilateral pelo agente revolucionário que não recebeu legitimidade do povo para em nome dele atuar. Também são chamadas por alguns estudiosos de Cartas Constitucionais. No Brasil as constituições outorgadas foram: 1824 (Império); 1937 (Getúlio Vargas); 1967 (Ditadura Militar), esta ultima foi votada, aprovada e promulgada, mas devido à forma autoritária classifica-se como Outorgada. - Promulgada também chamadas de democrática, votada ou popular, é aquela constituição fruto de uma Assembleia Nacional Constituinte, eleita diretamente pelo povo para, em nome dele, atuar, nascendo, portanto, da deliberação da representação legitima popular. No Brasil são elas: 1891 (1º República); 1934 (inspirada na C. de Weimar); 1946 e 1988. - Cesarista segundo José Afonso da Silva: ... não é propriamente outorgada, mas tampouco é democrática, ainda que criada com participação popular . É aquela ... formada por plebiscito popular sobre um projeto elaborado por um Imperador (plebiscitos napoleônicos) ou um Ditador (plebiscito de Pinochet, no Chile). A participação popular, nesses casos, não é democrática, pois visa ratificar a vontade do detentor do poder . - Pactuadas segundo Uadi Lamêgo Bulos: ... surgem através de um pacto, são aquelas em que o poder constituinte originário se concentra nas mãos de mais de um titular. Por isso mesmo, trata-se de modalidade anacrônica, dificilmente ajustando-se a noção moderna de constituição, intimamente associada à ideia de unidade do poder constituinte. . Para Bonavides: ... é aquela que exprime um compromisso instável de duas forças políticas rivais (...). Surgem então como termo dessa relação de equilíbrio a forma institucional da monarquia limitada. . Classificação quanto à FORMA:

- Escritas (Instrumental) formada por um conjunto de regras sistematizadas e organizadas em um único documento, estabelecendo as normas fundamentais de um Estado. (Brasil, Espanha e Portugal.) - Costumeiras (Não-escritas ou Consuetudinárias) não traz regras em um único texto solene e codificado. É formada por textos esparsos, reconhecidos pela sociedade como fundamentais, e baseia-se nos usos, costumes, jurisprudência, convenções. (Inglaterra, exemplo clássico.) Classificação quanto à EXTENSÃO: - Sintéticas concisas, breves, sumárias ou sucintas. Vinculam apenas os princípios fundamentais e estruturantes do Estado. Duram mais, na medida em que os seus princípios estruturantes são interpretados e adequados aos novos anseios sociais pela atividade da Suprema Corte (ex: Constituição Americana, em vigor há 200 anos, com Emendas e interpretações da Suprema Corte). - Analíticas amplas, extensas, largas ou prolixas. Aquelas que abordam todos os assuntos que os representantes do povo entendam fundament is. Normalmente descem às minúncias, a estabelecendo regras que deveriam estar em leis infraconstitucionais. (ex: Constituição Brasileira de 1988). Classificação quanto ao CONTEÚDO: - Materialmente constitucional será aquele texto que contiver as normas fundamentais e estruturais do Estado, a organização de seus órgãos, os direitos e garantias fundamentais. - Formal aquela constituição que elege como critério o processo de sua formação, e não o conteúdo de suas normas. Assim, qualquer regra nela contida terá o caráter constitucional. A Constituição brasileira de 1988 é FORMAL. Classificação quanto ao MODO DE ELABORAÇÃO: sempre escritas, - Dogmáticas (sistemáticas, segundo J. H. Meirelles Teixeira) consubstanciam os dogmas estruturais e fundamentais do Estado ou, como bem observa J. H. Meirelles Teixeira, partem de teorias preconcebidas, de planos e sistemas prévios, de ideologias bem declaradas, de dogmas políticos... São elaborados de um só jacto, reflexivamente, racionalmente, por uma Assembleia Constituinte. Ex: CF88. - Históricas constituem-se por um lento e contínuo processo de formação ao longo do tempo, reunindo a história e as tradições de um povo. Aproximam-se, assim, da costumeira, e tem como exemplo a Constituição Inglesa. Classificação quanto à ALTERABILIDADE/MUTABILIDADE/ESTABILIDADE: - Rígidas exigem, para a sua alteração um processo legislativo mais árduo, mais solene, mais dificultoso do que o processo de alteração das normas não constitucionais. À excessão da C1824 (considerada semi-rígida), todas as Constituições brasileiras, inclusive a C1988, foram rígidas. - Flexíveis não possui nenhum processo legislativo de alteração mais dificultoso do que o processo legislativo de alteração das normas infraconstitucionais. A dificuldade em alterar a constituição é a mesma encontrada para alterar uma lei que não é constitucional. Neste sentido, obeserva-se que não existe hierarquia entre constituição e lei infraconstitucional. - Semi-rígidas/Semiflexíveis é tanto rígida como flexível, ou seja, algumas matérias exigem um processo de alteração mais dificultoso do que o exigido pera alteração das leis infraconstitucionais, enquanto outras não requerem tal formalidade. - Imutáveis inalteráveis, verdadeiras relíquias históricas. OUTROS CRITÉRIOS

- Luiz Alberto David e Vidal Serrano Nunes Júnior: Garantia visa garantir a liberdade limitando o poder ; Balanço refletiria a evolução socialista e Dirigente é a que traz um projeto de Estado (ex: Portuguesa). - Critério Sistemático (Pinto Ferreira): Reduzida único código, sistematizada e Variada textos esparsos. - Critério Ideológico: Ortodoxa formada por uma única ideologia e a Eclética formada por ideologias conciliatórias. - Classificação de Loewenstein Normativas - aquelas em que o processo de poder está de tal forma disciplinado que as relações políticas e os agentes do poder subordinam-se às determinações do seu conteúdo e do seu controle procedimental; Nominalistas contêm disposições de limitação e controle de dominação política, sem ressonância na sistemática de processo real de poder, e com insuficiente concretização constitucional e Semânticas simples reflexos da realidade política, servindo como mero instrumento dos donos do poder e das elites políticas, sem limitação do seu conteúdo. - Raul Machado Horta inscreve a C. Brasileira de 1988 no grupo das constituições expansivas. A CONSTITUIÇÃO FEDERAL BRASILEIRA DE 1988 - Quanto à Origem: promulgada. - Quanto à Forma: escrita-instrumental. - Quanto à Extensão: analítica-ampla-extensa-larga-prolixa. - Quanto ao Conteúdo: formal (misto em alguns aspectos desde a EC n. 45/2004). - Quanto ao Modo de Elaboração: dogmático-sistemática. - Quanto à Alterabilidade: rígida. - Manoel Gonçalves Ferreira Filho: garantia e dirigente. - Critério Sistemático (Pinto Ferreira): reduzida. - Critério Ideologico (Pinto Ferreira): eclética. - Loewnstein: normativa. - Raul Machado Horta: expansiva.

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