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Biografia de Francis Bacon

Biografia de Francis Bacon

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Francis Bacon, pensador, filósofo, ser humano comum? Breve biografia com enfoque a sua contribuição para a ciência e filosofia com a conhecemos nos tempos atuais.
Francis Bacon, pensador, filósofo, ser humano comum? Breve biografia com enfoque a sua contribuição para a ciência e filosofia com a conhecemos nos tempos atuais.

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João Delcio Sartori

BIOGRAFIA DE FRANCIS BACON

Do Autor 1983
2ª edição - 2011

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João Delcio Sartori

BIOGRAFIA DE FRANCIS BACON

Do Autor 1983 2ª edição - 2011

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S26b Sartori, J. D. João Delcio Sartori – Biografia de Francis Bacon. Joinville (SC); Do Autor; 1983 - (2ª edição - 2011). 1. Biografia filósofos 2. Francis Bacon 3. Filosofia 4. Método de pesquisa tábuas de Bacon 5. Filosofia das ilhas Britânicas CDD – 192 920

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INDICE Introdução.................................................................... 7 1 – FRANCIS BACON, VIDA E MORTE.................... 11 1.1 – Sua adolescência..................................... 11 1.2 – Durante o Reinado de Elizabeth I ............ 13 1.3 – Durante o reinado de Jaime I ................... 16 2 - OBRAS FILOSOFICAS DE BACON..................... 21 2.1 Obras .......................................................... 21 2.2 – Instauratio Magna .................................... 25 2.3 – Novum Organum...................................... 27 3 - MÉTODO DE EXPERIMENTAÇÃO DE BACON.. 35 3.1 – As três tábuas de Bacon .......................... 35 3.2 – A Falha..................................................... 37 4 - FRANCIS BACON ................................................ 39 4.1 – Poder ou Saber? ...................................... 39 REFERENCIA BIBLIOGRAFICA ............................... 43

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Introdução
Este é uma pequena pesquisa para a disciplina de Filosofia, do curso de pedagogia. É a biografia de Francis Bacon, Barão de Verulam, Visconde de St. Albans, que foi um dos marcos do homem da Idade Média e do homem moderno, marco este que revolucionou a historia da ciência, através de seus pensamentos, pesquisas e ao seu novo método, procurei dividir o trabalho em quatro partes. Na primeira parte procurei contar os

acontecimentos de sua vida, durante a sua infância e adolescência, durante a qual dedicou-se aos estudos, durante o reinado da rainha Elizabeth I, período no qual não conseguiu cair nas boas

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graças da soberana e durante o reinado de Jaime I, que seria o período de sua ascensão pela qual ele tanto lutara e de sua queda perante a sociedade burguesa da qual fazia parte, mas que por outro lado serviu para que se dedicasse por mais tempo em outra ambição, descobrir a verdade. Na segunda parte detive-me em suas obras e pensamentos filosóficos, dando atenção maior as suas maiores obras filosóficas como a

“Instaurattio Magna”, e ao “Novum Organum”, estas obras falam de seus méritos de pesquisa e das falsas idéias que travam o progresso da ciência. Na terceira parte passo a falar como funciona o método de experimentação de Bacon, que é mais conhecido como as três tábuas de Bacon e sobre o engano que cometeu ao idealizar este método. Convém notar que o método de Bacon, apesar de errado só foi substituído por outro que era uma cópia com as correções, duzentos anos depois por Stuart Mill. Na última parte é falado sobre Francis

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Bacon, o homem, suas obras e idéias, seus pensamentos sobre o mundo em que vivia, sua idéia do homem de sua época e seu legado para a humanidade.

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1 – FRANCIS BACON, VIDA E MORTE
1.1 – Sua adolescência
O inverno cobria com o seu manto a Inglaterra, porém sob este calmo manto havia muita agitação na residência do Lord Protetor, em York House, pois a 22 de janeiro de 1561 nascia Francis Bacon, filho de Sir Nicholas Bacon, Lord Protetor do Grande Selo no tempo da Rainha Elizabeth I, e de sua segunda esposa Lady Ann, mulher zelosa e erudita, irmã de Lady Cecil a esposa de Lord Burbhley, o qual era o 1º ministro da rainha e o homem mais poderoso do reino. A infância de Bacon passou-se em York 11

House,

ao

lado

de

seus

oito

irmãos

e

possivelmente por ser o caçula, recebeu uma educação diretamente de sua mãe a qual o educou nos magníficos e brilhantes princípios da corte inglesa, crescendo em meio a grandes pessoas do reino. Com a idade de doze anos, Bacon ingressa no Trinity College, em Cambridge, juntamente com Anthony o seu irmão mais velho. Permaneceu em Cambridge durante três anos, saindo com franca hostilidade ao método escolástico da época, era contra as idéias filosóficas de Aristóteles e resolvido a colocar a filosofia em um caminho mais fértil, desviando-a das discussões escolásticas para o esclarecimento do espírito e aumento do bem estar humano. Voltando a Londres, continuou com os seus estudos de Direito, tornando a interrompe-los quando aos dezesseis anos, recebeu um convite para fazer parte do quadro de assistentes do Embaixador da Inglaterra na França, ao qual aceitou imediatamente. Durante a sua permanência

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na França, Bacon viajou muito e presenciou o cruel e amargo combate entre os Católicos Romanos e os Reformistas.

1.2 – Durante o Reinado de Elizabeth I
Com a morte de seu pai em 1579, Bacon se vê forçado a retornar À terra natal e a contragosto, abandonar a carreira diplomática e assumir a carreira jurídica, de vez que ambicionava possuir o título de seu pai, além do prestígio perante a rainha. Embora fosse de família nobre, seu pai não deixou fundos suficientes, assim sendo, Bacon começou a empenhar-se na carreira jurídica e política, afim de poder sobreviver. No ano de 1584, entra para o parlamento, na Câmara dos Comuns, como representante de um pequeno distrito, onde nos próximos vinte anos que se sucederam, atuou na política e na advocacia, conquistando fama de orador, escritor e causídico. Durante o inverno de 1584/85, escreveu uma

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serena e ponderada “Carta de Conselhos À Rainha Elizabeth”, carta esta em que analisava de e

sugestionava

diversas

medidas

tolerância

religiosa e de supremacia estatal em relação à igreja. Cinco anos depois, em 1589, ele apresentou atrevidamente “Uma Advertência às Controvérsias da Corte da Inglaterra” onde, com imparcialidade censurada, Bacon considerou como “um áspero conservadorismo dos bispos e do fanatismo dos Puritanos”. Bacon dividiu sua vida entre a ambição de prestar serviços à Coroa e a ansiedade em empreender seu imenso programa de reforma intelectual, divisão esta que constituiu-se na

tragédia de sua carreira. Bacon escreveu diversas cartas a amigos e parentes influentes, nas quais por vezes chegava a impor a necessidade de devotar seus serviços à Coroa, e devido a estas missivas, Bacon perdeu diversos amigos, mas também conseguiu muitos outros e foi através da influencia de seu tio materno, o tesoureiro real Lord Burghley e do Conde de Essex, jovem favorito da

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rainha,

conseguiu

ser

nomeado

conselheiro

particular do Conde de Essex. Devido aos gastos que tinha para poder levar a vida que possuía perante a corte, em 1598 Bacon é preso por dívidas. Mas sob a proteção do Conde de Essex, Bacon sai da prisão poucos dias depois, recebe também do Conde uma bela propriedade em Twickenkam. Bacon trabalhou para Essex durante o período que este permaneceu leal a rainha, abandonando-o quando permanecer ao seu lado significava um ato de traição à rainha, pois o Conde de Essex arquitetou um plano para

destronar a rainha, porém seus planos foram descobertos e o Conde levado a julgamento, ante a acusação veemente de Bacon que atuava como advogado da Coroa no processo, o Conde de Essex foi condenado e executado. A partir de então Bacon foi perseguido por inimigos políticos e pelos amigos colaboradores do Conde, que viram em sua atitude um ato de traição a quem lhe havia devotado profunda amizade. Talvez por este motivo é que Bacon nunca conseguiu captar a

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benevolência da soberana, só ocupando cargos públicos sob o reinado de Jaime I.

1.3 – Durante o reinado de Jaime I
Em 1603 morre Elizabeth I sem deixar descendentes, após um reinado de quarenta e cinco anos, período durante o qual retomou o controle da igreja Nacional e restaura a supremacia do estado laico e por conseguir uma vitória naval contra a Espanha, cabeça do império católico europeu, o que liquida seu monopólio das rotas oceânicas para o Novo Mundo. Com sua morte chega ao fim a dinastia dos Tudor, que ficou na história como um período de estreita união entre o governo de aparência popular e os cidadãos satisfeitos com o advento de uma monarquia absoluta que, substituía a anarquia e a devastação trazida por longas guerras. Por não deixar descendentes diretos, o parente mais próximo, Rei Jaime VI da Escócia,

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torna-se soberano dos países sob o nome de Jaime I, marcando o início de outra conturbada fase na história da Inglaterra, a dos Stuart, ultima dinastia absolutista da Inglaterra. Durante este período em que morreu a rainha, a pequena fortuna de Bacon passou por um período duvidoso. Embora ele apressasse os pagamentos da corte, com o novo rei e o novo homem do poder, ele receava que muitos outros o aceitassem na cavalaria. Pois sob Jaime I fora nomeado cavaleiro e sucessivamente confirmado no posto de conselheiro, destacado como o representante real nos debates parlamentares e em 1607, agraciado com o cargo de solicitador geral e foi durante este período que ele desposou Alice Barnham, filha de um rico conselheiro municipal londrino. Foi ainda em 1607, durante os debates entre Inglaterra e Escócia, que Bacon falou com

admirável presciência sobre os benefícios da união entre a Inglaterra e Escócia, em oposição aos poucos prejuízos ditos pela Câmara dos Comuns.

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No ano de 1610, há uma série de rixas entre o rei e a Câmara dos Comuns, onde o rei é levado a propor a dissolução do Parlamento e Bacon se vê envolvido em meio a estas transações a tentar, com um ingênuo discurso, conciliar a defender os direitos do rei. Sempre a cata de prestígio perante o soberano, Bacon escreve e publica em 1605, dedicando ao rei, “O avanço do conhecimento” e em 1606 escreveu “A vista das diferenças na questão entre a bancada real e a Câmara em vigor”. Obras estas que lhe valeram a confiança do soberano e uma entrada na vida publica do reino. Em 1613 com a morte de Salisbury, Bacon é nomeado Procurador Geral da Coroa. Sob o patrocínio do influente George Villiers, futuro Duque de Buckingham e virtual sucessor do trono, Bacon torna-se em 1616, Lord Conselheiro e em março de 1617, sua máxima gratificação, é nomeado Lord Protetor do Grande Selo, conseguindo assim, o título de seu pai. Porem sua ascensão não para aí, sempre a procura de maior prestígio e poder, em Câmara a

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1618 é nomeado Lord Chanceler do Reino e Barão de Verulam. Em 1619 o Lord do Tesouro é acusado por corrupção e em 1620, Sir Henry Yelverton é acusado de abuso do poder, sendo Bacon quem faz aas acusações e dirige o julgamento na Camara e os acusados saem impunes. No ano seguinte, 1621, Bacon é elevado ao digníssimo nome de Visconde de St. Alban, e a partir de então assinava em documentos oficiais com um “s” depois da assinatura; “Francis Bacon’s”. Bacon estava no cimo de sua carreira quando foi vítima de terrível desgraça, por meio de tramas de seus inimigos políticos, é acusado e processado por aceitar suborno das partes. Admitiu a veracidade da acusação, alegando em sua defesa, que o dinheiro recebido, jamais influira em suas decisões. Assim sendo, em 03 de maio de 1621 a sentença pronunciada pelo chefe de justiça era a seguinte: “o Lord de St. Alban está condenado a pagar a quantia de Quarenta mil libras esterlinas, a encarceramento na torre de Londres pelo tempo que o rei desejar, e ao afastamento total

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da corte e incapacidade para exercer cargos públicos.”. Porém não foi forçado a pagar a multa e permaneceu na torre pelo período de apenas quatro dias, sendo, contudo obrigado a abandonar a corte, retirando-se para Gorhamburry, onde viveu com considerável estatus dedicando-se à ciência e à filosofia. Em março de 1626, dirigindo-se para

Highgate, preocupado em descobrir se o gelo de tem o processo de putrefação, parou sua

carruagem em pleno campo nevado, comprou uma ave em uma casa próxima, e com suas próprias mãos a encheu de neve. Como conseqüência ele ficou resfriado e uma bronquite lhe roubaria a vida a 09 de abril de 1626. Lorde Arundel, um de seus poucos íntimos amigos, perguntou a Bacon se sua experiência tinha dado resultado e se teria valido a pena ter contraído a doença que lhe roubaria a vida, Bacon respondeu-lhe de seu leito de morte que sim.

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2 - OBRAS FILOSOFICAS DE BACON
2.1 Obras
As obras de Bacon podem ser divididas em três partes, a saber: 1 – obra Jurídica; 2 – Obra Literária; 3 – Obra Filosófica. Entre as suas obras jurídicas as principais são “Leitura sobre o código de costumes” onde faz uma análise sobre aas leis de seu tempo. “Princípios jurídicos” e “Emprego da lei” são outras obras também de muita importância, onde

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faz uma analise dos processos legislativos de sua época Das suas obras literárias, a fundamental são os “Ensaios”, cujo tema é familiar, pratico e toca o homem muito de perto, está recheada de sabedoria e alguns de seus pensamentos tornaram-se

provérbios de uso corriqueiro, ficando estes ensaios de Bacon tão famosos na literatura mundial, quanto os de Montaigne. Provavelmente por sair de Cambridge revoltado ao culto Aristotélico e

resolvido a colocar a filosofia em caminhos mais produtivos, desviando-a das discussões

escolásticas para o esclarecimento dos espíritos e aumento do bem estar humano, é que Bacon, em sua obra “Ensaios” na parte “sobre os estudos”, escreveu uma nota que marcava o fim do escolaticismo e colocava a experiência e seus resultados no trono da filosofia Inglesa, fazendo-a culminar no pragmatismo, na qual dizia o seguinte: “Empregar muito tempo em estudos é negligencia, utilizar-se em excesso deles como atavio do espírito é afetação, e formar juízos somente com

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suas regras é ter alma de escolástico.. Os homens de habilidades praticas condenam os estudos, os simples, admiram-nos e os sensatos os utilizam, pois os estudos não nos ensinam os meios de usálos, existe acima deles uma sabedoria adquirida pela observação”. Ainda em outra nota dos “Ensaios”, agora em “sobre a verdade”, dizia: “A investigação da verdade, que é amá-la ou requestála, o conhecimento da verdade que é o dar-lhe louvores e a crença na verdade que é o goza-la, constituem o soberano bem da natureza. Nos livros conversamos os sábios assim como na ação conversamos os néscios”. Bacon costumava dizer que os livros são que nem uma refeição para a mente e a sabedoria, onde haviam pratos, livros, que merecem uma rápida deglutição, leitura e outros que merecem uma mastigação mais

demorada a fim de se extrair e reter por mais tempo o gosto do prato bem feito, uma leitura demorada e bem esmiuçada do texto. Entre outras de suas obras literárias estão “Estandartes do bem e do mal”, “A sabedoria

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dos antigos”, “História de Henrique VII”. Os seus trabalhos literários revelam um pensamento elevado e um estilo tão rico, que Bacon é citado ao lado de Willian Shakespeare (1564-1616), como o consolidador da língua inglesa, inclusive tem-se atribuído a Bacon a paternidade das peças de Shakespeare e de varias outras obras de seu tempo. A base para tal idéia era a suposição de que o autor não possuísse os conhecimentos atribuídos ao autor das peças pelos shakespearianos

entusiastas. O primeiro a levantar esta tese foi Herbert Lawrence em 1796, porém passou

despercebida pelos críticos da época, sendo seguido em 1857 por Willian Henry Smith, e outros até nossos dias, mas várias argumentações

apresentam-se bastante frágeis, uma é a que obrigava a supor que Bacon se tivesse servido da tradução de Homero feita por Popel, que viveu no século XVIII, quase dois séculos depois de Bacon. De suas obras filosóficas as mais

importantes e a mais conhecida está sob o titulo de

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“Instauratio Magna” (O Progresso do Saber), e “Novum Organum” que descreve o seu método de pesquisa e pretende igualar e superar o próprio “Organum” de Aristóteles percebe-se aí, o quanto era a sua hostilidade para com o sábio grego.

2.2 – Instauratio Magna Sob o título de “Instauratio Magna”

pretendeu escrever uma grande obra em seis partes, sobre a reforma das ciências, porem esta obra ficou incompleta, legando-nos apenas as duas primeiras partes. As seis partes que constituiriam a

Instauratio Magna seriam: 1 – “Partitiones Scientiarum” (divisão da ciência) – Classificação do conjunto do saber humano de acordo com as faculdades que o produzem, donde a divisão das ciências segundo Bacon serem em três partes; Ciências da memória (Historia), Ciências da Imaginação (Poesias) e

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Ciências da Razão (Filosofia). 2 – “Interpretatio Naturae” (interpretação da natureza) – É uma exposição de seu método indutivo. Nesta nova técnica de adquirir

conhecimentos científicos, a mente deve ser treinada a fim de renovar e aumentar os

conhecimentos científicos. Esta parte vem a ser uma repetição e reformulação do “Novum

Organum”. 3 – “Historia Naturalis et Experimentalis” (historia experimental e natural) 4 – “Scala Intellectus” (escada da

inteligência) – Apresentação de alguns exemplos de investigação conduzida segundo o novo método. 5 – “Prodomi” – É o prefacio de sua filosofia onde faz algumas considerações e conclusões da aplicação do novo método. 6 – A ultima parte seria a síntese de conhecimentos adquiridos pelo novo método. Bacon confessa “o dever se dispõe além de meus poderes e expectativas”, e do vasto esquema da Instauratiu Magna, somente alguns fragmentos, 26

distribuídos nos seus diversos trabalhos estão completados. No “Avanço da Aprendizagem”, e expandido na versão está latina “De Augmentis fornecer

Scienciarum”

tentando

apressadamente, embora tardio na vida do autor, a primeira parte do sistema. A segunda parte, a mais importante seção do plano, está incompletamente representada escritos e no “Novum para Organum”. investigação Vários são

tópicos

apresentados para a terceira parte, como “Da interpretação da natureza”, “Pesquisas sobre o movimento”, “Estudo preparativo para a historia natural e experimental” e “Historia Natural e experimental para a fundação da filosofia”. Alguns dos objetivos mencionados para o estudo na historia são naturais, densidade e raridade, ou, a contração e expansão da matéria no espaço, o fenômeno do peso e leveza, e a natureza do enxofre, mercúrio e do sal.

2.3 – Novum Organum

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Através

de

sua

obra

mais

importante

“Novum Organum” critica o método escolástico e analisa as odeias falsas que travam o progresso da ciência, estabelecendo uma nova forma de especulação científica e de atividade intelectual. Segundo Bacon; “A filosofia para renovar-se a si própria, há de partir de uma mentalidade purificada. Impossível se torna interpretarmos

fielmente a natureza se não nos despojarmos das falsas representações dos ídolos da mente e o primeiro passo é descobrir e eliminar as fontes destes erros”. Bacon fez uma classificação de cinco destes “ídolos da mente”, que são: 1 – “Ídolos da Tribo” – são os inerentes à natureza humana. Refere-se ao hábito de esperar mais ordem nos fenômenos naturais do que a que realmente pode ser encontrada. “O entendimento humano é semelhante a um falso espelho que, ao misturar a sua própria natureza com a das coisas, deforma e desfigura as imagens que reflete”, dissenos Bacon.

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2

“ídolos da

Caverna” –

São

os

preconceitos pessoais, característicos do próprio pesquisador, dependendo da educação, gostos e hábitos do círculo que o rodeia. 3 – “Ídolos do Mercado” – Os que se relacionam com a tirania das palavras e com a dificuldade de nos libertarmos da influencia de hábitos inveterados sobre nosso espírito. 4 – “Ídolos do Teatro” – São os que dizem respeito aos sistemas filosóficos aristotélicos e medievais. 5 – “Ídolos da Escola” – Consiste em pensar-se que alguma regra cega (silogismo) possa ocupar o lugar do juízo pessoal na investigação. Bacon afirma que sem conhecimento não existe poder, que verdade e utilidade são as mesmas coisas, que a ciência era a filosofia natural: “O homem, criado e interprete da natureza, pode trabalhar e entender na medida do que haja observado, quanto aos fatos e quanto ao

pensamento, à atividade da natureza; fora disso nada sabe e nada faz”. Sempre criticando a ciência

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antiga de origem aristotélica, que se assemelha a um passatempo mental, filha de ociosidade mental, acreditava que o conhecimento cientifico tem por finalidade servir o homem, dar-lhe poder sobre a natureza, permitindo-lhe dominá-la e sujeitá-la. Segundo Bacon a ciência da época era o mesmo que pretender procurar o conhecimento das coisas de uma forma, ou através de uma doutrina secreta, que se faz através de uma arte secreta, de fórmulas e praticas misteriosas. Para Bacon a teosofia não se contem em sondar o grande mistério e de se sujeitar à natureza, a teosofia partia da teologia, da qual fazia parte, para conhecer o sobrenatural e através da filosofia que falado natural, constituindo-se assim um meio termo, um espaço entre as duas, uma transição entre a teologia e a filosofia pura. Neste espaço ocorre a ciência experimental moderna, com ela se funde uma relação interna, superior a experiência sensível e ao raciocínio. A magia se baseia no principio neoplatoniano de que o mundo é uma hierarquia das forças

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divinas, um sistema de agentes escalonares em uma série ascendente e descendente, onde os agentes superiores comandam aos agentes

inferiores submissos. Para prover, dispor, governar a natureza, e transforma-la a vontade de seus desejos, baseado neste principio a teosofia assimila as forças superiores, donde revela a esfera sublunar como ponto de vista de Aristóteles e Ptolomeu, de que as forças superiores são os pulsantes celestes, os agentes siderais, e a astrologia com um valor vital das elucubrações teosóficas. Este era o quadro das pesquisas cientificas da época contra as quais Bacon lutou, pois era adversário declarado do

transcendentalismo, expressava em suas obras: “... de se pensar que são intenções de se fundar qualquer seita na filosofia, à maneira dos anciões gregos ou de qualquer modernista, o que importa em nos fortalecer nos negócios humanos que não satisfaçam Àqueles que são de opiniões abstratas do espírito e para a natureza o principio das coisas.”. “Os dogmas são objetos da crença e não

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da ciência.” Bacon baseia-se na observação dos fatos, em princípio, parte de uma concepção inicial, de uma hipótese, e a submete, como fez Colombo, à contra prova da experiência. A conclusão que se impõe ao bom senso está na necessidade de reconhecer a especulação como prioridade, e ao abuso do silogismo em favor da observação e da indução. Bacon rompeu completamente com a tradição Greco-escolastica e deu uma franca adesão ao método indutivo, criando a ciência experimental através de uma filosofia experimental. Embora Bacon tivesse vivido na mesma época de Galileu, Descartes e outros, ele manteve-se alheio, em parte, às novas descobertas. Juntamente com Descartes, Hobbes, Grassendi, Newton e Galileu, Bacon divide a honra de ter fundado o positivismo. Provavelmente, Francis Bacon e Giordano Bruno conheceram e submeteram-se a sua

influencia, de vez que Bernardino Telesis, de Cosenza, fundador da Academia Telesiana ou Cosentina de Nápoles, que foi professor dos dois

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em Cambridge. Bacon admitia ao mesmo tempo a eternidade da matéria e a existência de Deus. A dualidade da verdade: a revelação que pertence ao domínio da teologia, e a causalidade que pertence à ciência. Deste modo colocava duas almas no homem: uma alma pensante, racional e outra de natureza sensível e irracional, onde a primeira é criada por Deus, ao passo que a segunda é material, corporal. Bacon não era essencialmente um materialista, embora o seu materialismo caminhe com a teologia, a religião não desempenhou em sua filosofia o papel principal. Roger Bacon (1214 – 1294), pensador inglês da Idade Média, ideólogo avançado do artesanato urbano, audaz promotor da ciência experimental, cuja obra principal “O Opus Maius”, possivelmente serviu de inspiração a Francis Bacon na

“Instauratio Magna” uma vez que o conteúdo das duas é meio parecido, e possivelmente o levou a tarefa principal na denuncia das fontes e causas dos erros humanos e na descoberta dos meios

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mais aptos para eliminá-los.

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3 - MÉTODO DE EXPERIMENTAÇÃO DE BACON
3.1 – As três tábuas de Bacon
O método de Bacon visa a mostrar uma nova maneira de estudar os fenômenos naturais. De vez em que a descoberta de fatos verdadeiros não depende de nenhum raciocínio silogístico, que é puramente mental, mas sim da observação, da experimental guiada pelo raciocínio indutivo. Baseado nisto, Bacon descreve o seguinte método de experimentação, que ficou conhecido por método das tabuas e é o seguinte: 1- “Tabua de Presença” - onde são

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registrados

os

casos

em

que

o

fenômeno

observado ocorre. 2 – “Tabua de Ausência” – onde seriam observados e levados em conta os casos vizinhos aos primeiros em que o fenômeno observado não ocorre. 3 – “Tabua dos Graus” – que registra os casos em que o fenômeno observado variou de intensidade. Para Bacon que imaginava o pesquisador fazendo primeiramente uma descrição

pormenorizada dos fatos e a seguir uma tabulação para registro das observações experimentalmente feitas, eliminando deste modo as causas não pertinentes e se chegaria, pelo registro das presenças e das variações, à verdadeira causa. Este seria o meio correto de desvendar todos os segredos da natureza, pois como dizia Bacon: “O mundo é um labirinto e o fio condutor para a sua decifração é o método indutivo”.

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3.2 – A Falha Porem este método das tábuas contem falhas por não dar suficientemente importância à hipótese esperando que a simples disposição ordenada dos dados nas três tábuas, de presença, de ausência e de variação levaria à hipótese correta, o que só raramente ocorre, pois a ciência não se utiliza da acumulação de dados e de sua manipulação por meio de tabuas e sim de processos mais simples da hipótese, dedução e experimentação. Stuart Mill (1806-1873) criticou o método de experimentação de Bacon e para remediar o defeito das tábuas, que era o de estudar o fenômeno de um modo geral, isolou o fenômeno a ser estudado, evitando deste modo a observação de dois ou mais fenômenos possíveis.

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4 - FRANCIS BACON
4.1 – Poder ou Saber?
Em “New Atlantis” (Nova Atlântida),

publicada em 1627, após sua morte, faz a descrição de um Estado ideal (utópico) onde as suas idéias científicas são aplicadas, este trabalho descrevendo as sociedades cientificas da época, especialmente a Real Sociedade de Londres, sofreram grande influencia, pois todas começaram como sociedades secretas que se reunia para a experimentação científica. Seus membros, da Real Sociedade de Londres, saúdam Bacon como o fundador de uma “Nova Filosofia” e na historia moderna é aclamado de modo geral como um 39

profeta de uma nova perspectiva da ciência. É muito provável que se Bacon não tivesse abandonado o colégio com profunda revolta contra os métodos de ensino da época, não teria se aprofundado tanto nos caminhos do conhecimento, de vez que seu maior interesse estava em levar uma vida na corte cercado pelas mordomias e privilégios de servir diretamente ao soberano de uma nação. Mas o homem possui uma vontade que lhe é própria de sua natureza, a vontade de adquirir novos conhecimentos, de saber o porquê das coisas, e Bacon possuía muito desta vontade. Bacon foi o pioneiro imortal no campo cientifico um marco entre o homem da Idade Média, teórico alheio ao mundo, e o homem moderno. Bacon aborda igualmente a sociedade como um idealista. Seus pontos de vista sociais e políticos refletem os interesses da grande burguesia e da nobreza aburguesada da Inglaterra do século XVII. Sustentou ativamente a expansão da Grã-Bretanha, a idéia de sua dominação mundial, à conquista da Índia, considerava a monarquia absoluta como a

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forma ideal de Estado. Bacon influenciou a psicologia ao dizer que todas as idéias são o produto das sensações e da reflexão. Foi o século XVII que realmente pôs fim à Idade Média. A filosofia medieval implicava em desinteresses pelo mundo exterior. O empirismo cientifico de Bacon devolveu ao homem o gosto pelo concreto e pela experiência. Nisto foi um homem de seu tempo. Em seu testamento escreveu: “Lego minha alma a Deus... Meu corpo, à terra, onde me sepultarão obscuramente. E meu nome aos séculos vindouros e às nações

estrangeiras.”

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