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Resumo A Verdade e as Formas Jurídicas

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Published by: Juliana Cardoso Pereira on May 20, 2012
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A Verdade e as Formas Jurídicas (Michel Foucault

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Composto por cinco conferências pronunciadas na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro entre 21 e 25 de maio de 1973, percebe-se neste livro a demonstração do vínculo entre os sistemas de verdade e as práticas sociais e políticas, a partir de suas intervenções e seus investimentos, onde se destaca a produção de verdade no Ocidente, a partir de uma hipótese ternária, em que ‘prova’ e ‘inquérito’ projetam-se nas ciências naturais e o ‘exame’ imbrica-se nas ciências humanas. Resultado de um amplo questionamento que gira em torno de como se puderam formar domínios de saber a partir de práticas sociais? O que acaba desnudando uma história do próprio sujeito de conhecimento, na relação entre sujeito e objeto, a própria verdade possui uma história. Para essa empresa realizar-se, destaca-se, primeiramente, que as ciências humanas, no século XIX, ‘saber do homem’ que se origina de práticas de controle e vigilância, ou seja, saber que criou um novo sujeito de conhecimento, ou seja, não se trata de pensar a partir de um sujeito (formas de conhecimento) dado previamente e definitivamente. Em seguida, ressalta-se um primeiro eixo que recobre os ‘domínios históricos de saber’ em relação com as práticas sociais, para poder excluir a concepção de um sujeito dado previamente; um segundo eixo como jogo estratégico, a ‘análise de discurso’, para considerar fatos de discurso numa trama estratégica (jogo de ação e reação, dominação e esquiva, de lutas) que reconhece, num nível, um conjunto regular de fatos lingüísticos, noutro, polêmico e estratégico; e, um terceiro eixo como reformulação da teoria do sujeito, ou seja, com o objetivo de constituir um sujeito no interior da história e em cada momento

Deste modo. mas a sua origem remonta a certas práticas de controle político e social. A forma judiciária é vista sob o modo em que a sociedade pôde definir tipos de subjetividade ou formas de saber. com o objetivo de saber quem fez o quê [?]. Discorre-se uma trajetória nesse fragmento da história dos sistemas de pensamento. tanto na ordem filosófica quanto na ordem científica. mas também por geógrafos. sob um discurso que se faz uma análise histórica da própria formação do sujeito. reprovando as análises sobre religião de Schopenhauer. Terceiro. do inquérito: não resta dúvida que o que está em questão em Édipo é o saber e o não-saber (resolver o enigma da esfinge e consultar o oráculo de Delfos). o Ocidente elaborou complexas técnicas de inquérito que foram utilizadas. enfim. em que condições e em que momento. em geral. XIX): 1] o Inquérito é uma forma característica da verdade praticada principalmente por filósofos.refundado nela. Com efeito. não dado definitivamente. na história do próprio saber e. a psicologia. onde há correção através de princípios de regulação. entretanto duas histórias da verdade: interna – história da verdade por meio da história das ciências. Em quarto lugar. dentre as quais. quando a concepção da ‘prova’ está intimamente ligada à efetuação do ‘inquérito’. mas sem jamais admitir a preexistência de um sujeito de conhecimento. em especial. compreende-se a possibilidade de uma história da constituição de um sujeito através de discursos tomados como conjunto estratégico de práticas sociais. o exame relacionado à formação social do século XIX. o direito do povo (destituição da realeza) e a prova como demonstração do inquérito (a perda do poder para Creonte é a prova derradeira de que Édipo não era rei). que põem o homem e a verdade em relações. assim as práticas judiciárias tornou-se o modo pelo qual os homens puderam ser julgados. torna-se um ponto marcante. descola-se para Idade Média. Especificam-se. na medida mesmo em que. zoólogos e economistas. Destacam-se duas formas de verdades. a psicopatologia. mais tarde. por exemplo). cita-se Nietzsche. que resume a história do direito grego entre a testemunha (Políbio. destacam-se as práticas jurídicas. botânicos. criminologia. desde o episódio curioso de Édipo. Segundo. a psicanálise. 2] o exame compreende formas de análises que originaram a sociologia. Para tanto. XV-XVIII) e o exame (séc. como um dos meios de estabilização da sociedade capitalista. o inquérito (séc. Primeiramente. externa – a verdade se forma em vários lugares onde regras estratégicas são definidas. sobre as reflexões metodológicas. Nietzsche . foi no meado da Idade Média que o inquérito surgiu como forma de pesquisa da verdade no interior da ordem jurídica.

Enfim. isto. e a ruptura do conhecimento e dos instintos. animais inteligentes inventaram o conhecimento. deplorar e detestar revela que são os instintos que nos colocam em posição de ódio e de desprezo ao objeto ou coisas ameaçadoras a ser conhecidas. resta a invenção [Erfindung]. Invenção [Erfindung]. portanto. por trás de um campo de forças. a ruptura entre o conhecimento e as coisas a ser conhecidas. em um determinado lugar e em um determinado ponto do tempo. por relações de poder e dominação. Somente nas relações de poder.condenou-lhe por cometer o erro de procurar a origem [Ursprung] da religião num sentimento metafísico que estaria presente em todos os homens. . percebem-se duas rupturas de Nietzsche. Nietzsche afirmava que. uma ruptura e um pequeno ponto de pequeno começo. não tem origem. como algo que foi inventado. Afinal. no modo em que nas coisas e nos homens entre si (a partir das lutas que procuram dominar uns aos outros) é que nós podemos compreender o conhecimento. rir. que para Nietzsche restabelece o conhecimento.

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