Roberto Piva

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Roberto Piva

formado em sociologia e política. exemplo do que não deve ser feito contra o meio ambiente. sobretudo para o litoral sul do estado de São Paulo. publicado na França. É um dos três únicos poetas brasileiros a constar no famoso Dicionário Geral do Surrealismo. 2 Roberto Piva . Publicou os seguintes livros de poesia: Paranóia (Massao Ohno. Participou. Piva escreveu também diversos artigos e manifestos em jornais e revistas. Antonin Artaud e René Crevel. Em suas aulas aos adolescentes do segundo grau. adido cultural do Consulado da Itália em São Paulo. À experiência juvenil de Piva agregou-se a contundência desse profeta pessimista e decifrador da alma moderna. 1979). o francês. A entrada em cena de Hölderlin e dos poetas expressionistas alemães Gottfried Benn e Georg Trakl temperaram essa experiência com uma ponta de pessimismo. A partir de Artaud. exprofessor. Sobreviveu em grande parte como professor de estudos sociais e história. 1963). Seus primeiros poemas foram publicados em 1961. Antologia poética (L&PM. Piva incorporou a idéia de que existe um compromisso absoluto entre poesia e vida. mas que forneceu todo o pano de fundo para sua obra poética. recebendo a influência desses dois poetas visionários. 1997). Piva formou-se em sociologia. 1937). cidade que lhe parece apocalíptica. dissertações de mestrado e depoimentos. O extenso material crítico sobre sua obra inclui resenhas. formando uma mistura-fina que é única por sua erudição. A partir daí iniciou-se em sua vida o cultivo do rimbaudiano “desregramento de todos os sentidos” para se chegar à poesia. Ele cresceu e formou-se entre a capital e as antigas fazendas do pai. quando tinha 23 anos. É estudioso da flora e da fauna brasileiras e iniciado no xamanismo. Mas nem só de espírito. costumava trabalhar as matérias a partir de poemas que os fazia ler e interpretar. Tem medo de avião. ainda na década de 60. sobretudo William Blake. que depois desenvolveram uma obra poética de importância. Roberto Piva teve contato com a obra de um filósofo praticamente desconhecido. capítulos de livros. Foi um professor de muito sucesso. de ônibus ou carro. 20 poemas com brócoli. (Massao Ohno. Esse contato com Dante foi como seu imprinting poéticofilosófico: marcou para sempre sua visão de mundo. artigos. que extrapolam os limites da expressão racional e das escolas literárias.Roberto Lopes Piva (São Paulo. SP. das antologias Antologia dos novíssimos (Massao Ohno. Ao conhecer os poetas metafísicos ingleses. sua política e sua poesia. A genealogia poética de Roberto Piva apresenta raízes e inclui influências muito raras na literatura brasileira. nem só de intelecto fez-se o aprendizado juvenil de Roberto Piva. raramente se distanciou demais da capital. na qual se lançaram vários poetas brasileiros iniciantes. Ainda na década de 60. entre outras. 1985) e Ciclones (Nankin. tornou-se produtor de shows de rock. de onde foge sempre que pode. mas também por sua transgressão. Nessa mesma época. na vertente francesa de André Breton. que deixou de ser circunstancial quando. o gavião. Nos anos de 1970. Piva começou a aprofundar sua experiência mais direta com o sagrado e a vida interior. 1976). Poeta. de Massao Ohno. a Editora Globo publicou dois volumes das suas obras reunidas. Roberto Piva absorveu lições do surrealismo. Começa com Dante Alighieri. 1964). foi membro do Grupo Novíssimos. Das vanguardas do começo do século 20. Abra os olhos & diga AH (Massao Ohno. o espanhol e o catalão. Piva mora em São Paulo. Por isso. 1981). integrou a famosa Antologia dos Novíssimos. no Brasil do período: Friedrich Nietzsche. Quizumba (Global.Roswitta Kempf. A história pessoal do poeta Roberto Piva começa e gira em torno da cidade de São Paulo. 1961) e 26 poetas hoje (Editorial Labor. É lá que realiza seus rituais xamânicos e entra em contato com seu animal xamânico. Piazzas (Massao Ohno. refugiando-se em casa de amigos na Ilha Comprida ou em pensões baratas de Iguape. Coxas (Feira de Poesia. Entre 2005 e 2007. Seus poemas foram traduzidos para o inglês. 1975). que cedo descobriu Rimbaud e Lautréamont. por três anos Piva aprofundou-se nos estudos da Divina Comédia. 1983). orientado por Eduardo Bizzarri. no interior do Estado de São Paulo. com rara vocação como pedagogo.

protótipo do intelectual-profeta que caminha nas frinchas do paradoxo. visionário e atormentado de “Invenção de Orfeu”. Suas constantes caminhadas xamânicas pela represa de Mairiporã e serra da Cantareira. Paralelamente a essa trajetória em direção ao sagrado. duas fidelíssimas paixões de Roberto Piva. Também é flagrante em sua poesia a influência dos futuristas italianos (com seu culto à fragmentação moderna). Piva agregou dois elementos ligados à civilização grega. Uma é a beat generation americana. através da onipresente marca do jazz e da bossa nova. ambas nos arredores de São Paulo. além de Jarinu. a transgressão foi reforçada pela descoberta do outsider Pier Paolo Pasolini. como um componente de transgressão do desejo. Os elementos finais da construção poética de Roberto Piva evidenciam uma substancial ligação com o aspecto mágico. Essa sacralidade é. da qual Piva não só absorveu a estilística fragmentada e a temática que aproxima o contemporâneo do arcaico. leia-se minha vida” teve em Piva a contrapartida: “só acredito em poeta experimental que tem vida experimental”. Ele não só cultua seus orixás (Xangô. 3 Roberto Piva . como formas de atualizar a tradição dionisíaca e a transgressão sagrada do paganismo. foi buscar elementos não apenas em teóricos como Mircea Eliade. expontâneo e sensorial. Dois: o culto a uma erótica homossexual. mas sobretudo nas culturas indígenas brasileiras e na prática do candomblé. para Piva. Para aprender o culto ao primitivo e às forças da natureza.e Jorge de Lima. Dos poetas brasileiros. No quadro da recuperação do sagrado e do mágico. Piva passou a estudar e praticar o xamanismo. selaram sua ligação sagrada com a natureza. essa genealogia poética agregou as figuras de Murilo Mendes . que colocou a destruição da natureza como parte do seu projeto consumista. Na década de 70. o gavião. ao contrário dos franceses intelectualizados . sobretudo aquele barroco. acrescida de algumas expressões musicais da contemporaneidade do pós-guerra.O dito artaudiano “para conhecer minha obra. mas através da qual também sedimentou a orientação basicamente transgressiva dos costumes do seu tempo. enquanto forças da natureza. Um: a ingestão de drogas alucinógenas e bebidas libatórias. Mas há mais duas fortes presenças contemporâneas em sua poética.com seu surrealismo intenso. resgatando para a modernidade o amor grego. no interior do estado. Yemanjá e Oxum) mas também toca tambor para invocar seu animal xamânico. a única salvação possível ao mundo moderno.

Piazza I Uma tarde é suficiente para ficar louco ou ir ao Museu ver Bosch uma tarde de inverno sobre um grave pátio onde garòfani milk-shake & Claude obcecado com anjos ou vastos motores que giram com uma graça seráfica tocar o banjo da Lembrança sem o Amor encontrado provado sonhado & longos viveiros municipais sem procurar compreender imaginar a medula sem olhos ou pássaros virgens aconteceu que eu revi a simples torre mortal do Sonho não com dedos reais & cilíndricos Du Barry Byron Marquesa de Santos Swift Jarry com barulho de sinos nas minhas noites de bárbaro os carros de fogo os trapézios de mercúrio suas mãos escrevendo & pescando ninfas escatológicas pequenos canhões do sangue & os grandes olhos abertos para algum milagre da Sorte Jorge de Lima. panfletário do Caos Foi no dia 31 de dezembro de 1961 que te compreendi Jorge de Lima enquanto eu caminhava pelas praças agitadas pela melancolia presente na minha memória devorada pelo azul eu soube decifrar os teus jogos noturnos indisfarçável entre as flores uníssonos em tua cabeça de prata e plantas ampliadas como teus olhos crescem na paisagem Jorge de Lima e como tua boca palpita nos bulevares oxidados pela névoa uma constelação de cinza esboroa-se na contemplação inconsútil de tua túnica e um milhão de vagalumes trazendo estranhas tatuagens no ventre se despedaçam contra os ninhos da Eternidade é neste momento de fermento e agonia que te invoco grande alucinado querido e estranho professor do Caos sabendo que teu nome deve estar com um talismã nos lábios de todos os meninos Os anjos de Sodoma Eu vi os anjos de Sodoma escalando um monte até o céu E suas asas destruídas pelo fogo abanavam o ar da tarde Eu vi os anjos de Sodoma semeando prodígios para a criação não perder o ritmo de harpas 4 Roberto Piva .

Eu vi os anjos de Sodoma lambendo as feridas dos que morreram sem alarde. dos suplicantes. roubando o sono das virgens. criando palavras turbulentas Eu vi os anjos de Sodoma inventando a loucura e o arrependimento de Deus Paranóia em Astrakan Eu vi uma linda cidade cujo nome esqueci onde anjos surdos percorrem as madrugadas tingindo seus olhos com lágrimas invulneráveis onde crianças católicas oferecem limões para pequenos paquidermes que saem escondidos das tocas onde adolescentes maravilhosos fecham seus cérebros para os telhados estéreis e incendeiam internatos onde manifestos niilistas distribuindo pensamentos furiosos puxam a descarga sobre o mundo onde um anjo de fogo ilumina os cemitérios em festa e a noite caminha no seu hálito onde o sono de verão me tomou por louco e decapitei o Outono de sua última janela onde o nosso desprezo fez nascer uma lua inesperada no horizonte branco onde um espaço de mãos vermelhas ilumina aquela fotografia de peixe escurecendo a página onde borboletas de zinco devoram as góticas hemorróidas das beatas onde os mortos se fixam na noite e uivam por um punhado de fracas penas onde a cabeça é uma bola digerindo os aquários desordenados da imaginação A Piedade Eu urrava nos poliedros da Justiça meu momento abatido na extrema paliçada os professores falavam da vontade de dominar e da luta pela vida as senhoras católicas são piedosas os comunistas são piedosos os comerciantes são piedosos só eu não sou piedoso se eu fosse piedoso meu sexo seria dócil e só se ergueria aos sábados à noite eu seria um bom filho meus colegas me chamariam cu-de-ferro e me fariam perguntas por que navio bóia? Por que prego afunda? eu deixaria proliferar uma úlcera e admiraria as estátuas de fortes dentaduras iria a bailes onde eu não poderia levar meus amigos pederastas ou barbudos eu me universalizaria no senso comum e eles dirieam que tenho todas as virtudes eu não sou piedoso eu nunca poderei ser piedoso 5 Roberto Piva . dos suicidas e dos jovens mortos Eu vi os anjos de Sodoma crescendo com o fogo e de suas bocas saltavam medusas cegas Eu vi os anjos de Sodoma desgrenhados e violentos aniquilando os mercadores.

e as palavras. Dedilhai as últimas notas vagas 6 Roberto Piva . bactéria.meus olhos retinem e tingem-se de verde Os arranha-céus de carniça decompões nos pavimentos Os adolescentes nas escolas bufam como cadelas asfixiadas arcanjos de enxofre bombardeiam o horizonte através do meus sonhos Quatro poemas pivianos I As mãos invisíveis dedilham a canção sinistra vibrando as fibras nervosas da medula Os dentes mastigam o sem fim de peripaques nostálgicos enquanto o mistério corre pela rua em chamas. uma mulher pálida. o beijo. Se a noite persegue minha vida. Sei da impossibilidade das horas. minha imobilidade. do paranóico que mora nos ciclones A bailarina. Aonde andará o poeta de pijama que escorrega e cai. Um poema. nem solo firme. o cheiro do Apolo ruivo. noite e chamas. As idéias são espasmos. O castelo e o muro dedilhados no quadro azul. Apenas eu! Danço a quimera dos solitários e o presságio dos carecas. arranhásseis e corpos voadores de pedra. Diminuindo cada vez mais. devorando-me. coisa inútil. Quero a forma perfeita. deposito monstros no aquário. O erotismo atrapalhado do anão que não mais se agüenta neste intervalo de memórias e areias. II O estrangeiro da legião de insetos arrancou o grito de cólera e loucura da boca arreganhada. engole o último pedaço de vidro arrebentado com a explosão atômica de meus sonhos avulsos transtornados. O mínimo. Seria senil e insano se acreditasse no amanhã. penhascos. Olho o monte de esterco apodrecendo na vidraça entreaberta. Minha alma. Vivo esse segundo que se arrasta. um segmento refratário. meu desejo. O quase nada. Sinto a introdução e o posfácio deste rio que golpeia as paredes com mãos nuas. O uivo caminhando sobre a ponte imóvel. O minúsculo. Janelas. Os peixes caminham no asfalto e as mulheres usam gravatas. não percebida. da complementaridade ilusória. Silencie-me! Silencie-me! Sigo as labaredas memoráveis dos dias de luto e melancolia. enquanto distraído sonha um mundo de estrelas? Já não há céu. Não sei de mim.

Não sei controlar meus impulsos demoníacos. Trezentos dias e cinqüenta noites marianas. iluminados por rosas ensangüentadas. sou quase cético. Morfina e sonhos. IV Dêem-me um anestésico. Triunfa a idéia do parto cesariano sem anestesia. ou o miocárdio. aquele rosto assimétrico. A vida dói e arde. A dançarina com suas vestes invisíveis caminha no jardim de lâminas e gafanhotos. O sangue e os olhos transformados em areia cinza. A torre delirante de um neocórtex em latência. meus ruídos. homens dirigem seus carros vagarosamente seguindo as pernas nuas das mulheres prostitutas. Olhos imensos de um desenho de carvão negro mãos em garras batendo teclas ideais. 7 Roberto Piva . Não acredito em forças de outro mundo. os primeiros tombos das gaivotas. Foi-se o tempo em que se acreditava nas histórias ditas. Quatro poemas nos espaços angustiados do processo. O caracol de meus cabelos caídos no chão de espelhos. Sempre começo pelo meio e jamais olho para os lados. Escreverei dez mil poemas ao poeta necropolitano sem esperanças de ter meus sonhos confundidos com o delírio e o êxtase do pai xamânico. ou o octocentésimo. enquanto rio e sufoco meu próprio rosto turvo. adormecem na noite de meus surtos compulsivos. Arranco minhas víceras poéticas do ostracismo. ou o pedúnculo. A teia de aranha presa entre os ossos mortos. Sou urbano. Minha maquiagem. III O corvo de pelúcia esfaqueado pelas costas traz os olhos esbugalhados mirando a parede alada. Enquanto corpos se misturam na madrugada convulsiva de salões apertados. Meus passos. Atiro farpas e pragas para antigos e mórbidos desejos. Lá fora. A árvore sem galhos escondem os meninos saltimbancos. as páginas comidas por traças. As estantes.que recordam a imagem deformada do psicótico que caminha sobre o fio dental. O cheiro de perfume velho e asfixiante. Sou eu. Sou eu? Sou ateu? De que me valem as respostas?! As idéias me levam ao eterno estado de castidade entrelaçado neste puro estado de sonho e malogro. meus versos e o perigo das frações.

sua tristeza. seus anti-Cuba. Massao Ohno Editor. seus rios cheio de sardinha. sua estrictina. seus leões-de-chácara da cultura. seus capachos do PC. seus partidos de esquerda-fascistas. seus poetas babosos. sua lepra. lamba minha mão & se prepare para um milhão de comas loucas loucas antes que a lua chegue morda meu coração na esquina & não me esqueça Do livro: "Abra os olhos & diga ah". suas mulheres navi-escola. suas cidades embalsamadas. ragazzo di marbro) garoto pornógrafo antes que a lua chegue esta feijoada será uma batalha Átila vence a grama do mundo ADIANUS CESAR Imperator caminhando na manhã romana com seus doze amantes eu gostaria que você lesse Jacob Boehme suas coxas se retesam & você chora um pouco venha. todas as paixões / convulsões no espelho. sua explosão demográfica. por abandonar na linguagem & na ação a civilização cristã oriental & ocidental com sua tecnologia de extermínio & ferro velho. sua aldeia global. seus cassetes eletrônicos. sua moral. O século XXI me dará razão. 8 Roberto Piva . suas preces. 1976. SP o século XXI me dará razão (se tudo não explodir antes) Baudelaire sangrou na ponte negra do Sena. suas panquecas recheadas com desgosto. seu jardinzinhos com vidro fumê. seus mares de lama. sua ordem unida. seus foguetes nucleares caralhudos. sua gripe espanhola. seu câncer que-ninguém-descobre-a-causa. seu rebanho-que-saca. suas últimas esperanças. seu sindicato policial do crime. suas fardas vitoriosas. seus cérebros de água-choca. seus manuais de estéticas. molécula procurando a brecha do universo & suas trezentas flores assim é a lucidez. suas mumunhas sempiternas. seus computadores de controle.Atentado Profundamente o Emocional (Antinoo. seus bidês da direita. Baudelaire & ses fatigues rumo à pálida estrela. completa tortura roendo a realidade & l’immense gouffre. seus chatos. seus ministros gangsters. suas tripas. o swing das Fleurs du Mal. seu luar de agosto. suas gaiolas. seus legumes envenenados. seus sonhos paralíticos de televisão. suas xícaras de chá. seus mananciais de desespero. seus pró-Cuba. seus cretinos sorridentes. sua jaula. sua epidemia suicida. seus literatos sedentários. suas cocotas. seus gangsters ministros.

Não serei batizado.* [. o rumor dos planaltos. Tu. 1961) 9 Roberto Piva . batendo em chapa na caatinga nordestina. a selvagem inocência nos beijos dos que se amam" [.] Trecho de ''Ode a Fernando Pessoa'' (1961) Libelo Não mais trarei justificações Aos olhos do mundo. Abraçado com Sá-Carneiro pela Rua do Ouro acima.. debruçando no Corcovado Ouçamos a bossa nova deitados na palma da mão do Cristo e a batucada vinda diretamente do coração do morro Tu. Não estarei doutorado. Vamos percorrer as vielas do centro aos domingos quando toda a gente decente dorme. escorrendo pelas águas do Amazonas. adolescente moreno empinando papagaios na América Vamos ver a luz da Aurora chispando nas janelas dos edifícios. tumulto do tráfego na hora do rush. Digo em sussurro teus poemas no ouvido do Brasil. Não serei domesticado Pelos rebanhos Da terra.. Tu. Não serei crismado. todas as crianças vivazes e sonolentas. repique dos sinos de São Bento. vamos ler Kierkegaard e Nietzsche no Jardim Trianon pela manhã. o latitude-longitude. e só adolescentes bêbados e putas encontram-se na noite. o Ampliado. (in: Antologia dos Novíssimos. Morrerei inocente Sem nunca ter Descoberto O que há de bem e mal De falso ou certo No que vi. enquanto as crianças brincam na gangorra ao lado.] "Fernando. hora tristonha do entardecer visto do Viaduto do Chá. Carícia obscena que o rapazito de olheiras fez ao companheiro de classe e o professor não vê. Serei incluído ” Pormenor Esboçado ” Na grande bruma. Portugal África Brasil Angola Lisboa São Paulo e o resto do mundo.. de mãos dadas com Mário de Andrade no Largo do Arouche Tu..

cervejas tomadas nos acampamentos. 1963) XVI abandonar tudo. estradas. amores novos. toda autoridade é cômica. 1981 XX vocês estão cegos graças ao temor olhares mortos sugando-me o sangue não serei vossa sobremesa nesta curta temporada no inferno eu quero que seus rostos cantem eu quero que seus corações explodam em línguas de fogo meu silêncio é um galope de búfalos meu amor cometa nômade de riso indomável façam seus orifícios cantarem o hino à estrela da manhã torres & cabanas onde foi flechado o arco-íris eu abandonei o passado a esperança a memória o vazio da década de 70 sou um navio lançado ao alto-mar das futuras combinações in: 20 Poemas com Brócoli. 1981 10 Roberto Piva . in: 20 Poemas com Brócoli. fazer da anarquia um método & modo de visa. criando palavras turbulentas Eu vi os anjos de Sodoma inventando a loucura e o arrependimento de Deus (in: Paranóia. conhecer praias. dos suicidas e dos jovens mortos Eu vi os anjos de Sodoma crescendo com o fogo e de suas bocas saltavam medusas cegas Eu vi os anjos de Sodoma desgrenhados e violentos aniquilando os mercadores.Eu vi os anjos de Sodoma escalando um monte até o céu E suas asas destruídas pelo fogo abanavam o ar da tarde Eu vi os anjos de Sodoma semeando prodígios para a criação não perder o ritmo de harpas Eu vi os anjos de Sodoma lambendo as feridas dos que morreram sem alarde. roubando o sono das virgens. Sonhar Alto. bocas perfumadas. poesia em cascatas floridas com aranhas azuladas nas samambaias. todo trabalhador é escravo. dos suplicantes.

Recomponho-me na noite não dando chance ao mar interior que urra de tristeza. Massao Ohno (1960) ..] Duas garotas em rancheiras azuis adolescem na calçada fugidas da neurose territorial da pequena-burguesia paulistana.” . 9 (in Ciclines.Livro dos Mortos do Antigo Egito Ali onde o gavião do Norte resplandesce sua sombra Ali onde a aventura conserva os cascos do vudú da aurora Ali onde o arco-íris da linguagem está carregado de vinho subterrâneo Ali onde os orixás dançam na velocidade 11 Roberto Piva . o peso da solidão me espreme para fora de mim..] trecho de "SAN PAULO'S IMPROVISATION" in Antologia dos Novíssimos. 1997) * [.. Ritual dos 4 Ventos & dos 4 Gaviões para Marco Antônio de Ossain “Eu trago comigo os guardiões dos Circuitos celestes.Alma fecal Alma fecal contra a ditadura da ciência Rua dos longos punhais Garoto fascista belo como a grande noite esquimó Clube do fogo do inferno: Alquimistas Xamãs Beatniks Je vois l’arbre à la langue rouge (Michaux) Templo Procissão do falo sagrado Deuses contemplam nas trevas o sexo do anjo do Tobogã Felizes & famélicos garotos seminus dançam como bibelôs ferozes Pedras com suas bocas de seda Partindo para uma existência invisível Tudo que chamam de história é meu plano de fuga da civilização de vocês Represa de Mariporã. [..

Este material pode ser redistribuído livremente. ©Protegido pela Lei do Direito Autoral LEI Nº 9. 12 Roberto Piva . modificado e que as informações sejam mantidas.610. DE 19 DE FEVEREIRO DE 1998 Permitido o uso apenas para fins educacionais.dos puros vegetais Revoada das pedras do rio Olhos no circuito da Ursa Maior na investida louca Olhos de metabolismo floral Almofadas de floresta Focinho silencioso da sussuarana com passos de sabotagem Carne rica de Exú nas couraças da noite Gavião-preto do oeste na tempestade sagrada Incendiando seu crânio no frenesi das açucenas Bate o tambor no ritmo dos sonhos espantosos no ritmo dos naufrágios no ritmo dos adolescentes à porta dos hospícios no ritmo do rebanho de atabaques Bate o tambor no ritmo das oferendas sepulcrais no ritmo da levitação alquímica no ritmo da paranóia de Júpiter Caciques orgiásticos do tambor Com meu Skate-gavião Tambor na virada do século ganimedes Iemanjá com seus cabelos de espuma. desde que não seja alterado.

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