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A Função Notarial

Curso On-line Registos e Notariado


Introdução
A Natureza da Função Notarial
 São várias as posições acerca da natureza da função
notarial. Vão desde a orientação tradicional que vê o
notário como funcionário público encarregue de autenticar
determinados actos e contratos, até outra mais avançada
que o apresenta como profissional do Direito, cuja missão
consiste em redigir e dar forma legal a esses mesmos actos
e contratos, passando por várias posições intermédias,
introduzindo novos elementos ou comungando de alguns
aspectos de uma ou de outra daquelas posições.
 As teorias referidas sobre a função notarial são, em regra,
redutoras da actividade notarial, cingindo-se apenas a
determinados aspectos da função, não abrangendo a
diversidade dos fins e características daquela. Importa
apenas fazer uma breve referência à teoria da fé pública,
dada sua importância histórica, e tomar posição sobre a
natureza da funçãoCurso
notarial.
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Introdução
A Natureza da Função Notarial
 A teoria da função notarial como função autenticadora
(teoria da fé pública) é a mais antiga e, tradicionalmente, a
mais seguida, que tem tido um papel preponderante nas
definições legais de notariado.
 A função notarial visa a segurança formal ou instrumental
do documento notarial e a segurança substancial, que
requer um negócio válido num documento redigido de
maneira clara, sem contradições, ambiguidades ou lacunas,
apto para satisfazer as necessidades práticas que as partes
perseguem. A existência de um negócio válido requer, por
isso, um controle da legalidade por parte do notário.
 A função do notário compreende uma vertente profissional,
um officium civile ou profissão jurídica de natureza privada
e uma vertente funcional ou officium publicum, função
certificadora, autenticadora ou certificante.

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Introdução
A Natureza da Função Notarial
 A função privada refere-se ao conteúdo do documento e traduz-se,
por um lado, na recolha e interpretação da vontade das partes, no
auxílio à formação dessa vontade e, por outro lado, na adaptação
desta ao ordenamento jurídico, na escolha e conselho dos meios
adequados à realização dos fins pretendidos pelos interessados
(função assessora), na redacção e conformação do próprio
instrumento notarial à lei (função configuradora) e na explicação
às partes do conteúdo e efeitos do acto. A função pública reporta-
se ao documento como contendo, na sua expressão externa de
autenticidade dos factos ou das declarações de vontade do acto
ou da relação jurídica.

Assim, constituem a função notarial


1.°- A dação de fé pública aos actos jurídicos extra judiciais
2.° - A formulação de juízos de legalidade, de conformidade do
acto notarial à lei adjectiva e substantiva
3.°- A assessoria das partes na determinação do conteúdo do
instrumento, mediante o conselho, pedagogia e auxílio na
formação da vontade das partes, na recepção desta e na sua
interpretação.
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Introdução
A Natureza da Função Notarial
 No uso do poder de formulação de juízos de legalidade, o notário
pode formular duas espécies de juízos, conforme a natureza
negocial ou não negocial do facto: um juízo de licitude destinado a
verificar se, de um modo geral, o acto é proibido por lei ou é
contrário à ordem pública ou aos bons costumes; ou um juízo de
legalidade tendo em vista averiguar, a partir do exame dos
pressupostos e elementos de facto, a sua idoneidade para
produzir os efeitos jurídicos queridos pelas partes, de acordo com
a ordem jurídica estabelecida.
 Quando o facto é negocial, o notário formula uma série de
qualificações ou juízos de valor sobre a capacidade dos
outorgantes, sobre o nomen juris do acto, sobre a qualidade e
suficiência dos poderes de representação, sobre a legalidade do
acto.
 O juízo de legalidade é um pressuposto do exercício da função
notarial, pois dele depende que o notário recuse ou autorize o
instrumento. É o juízo de legalidade que permite dotar o negócio
documentado da presunção juris tantum de validade do acto,
salvo quando o notário a destrua expressamente, no todo ou em
parte, mediante as oportunas advertências feitas no texto do
instrumento outorgado.
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Introdução
A Natureza da Função Notarial
 Quando o conteúdo do documento não é negocial, o art. 1.°
exige, do mesmo modo, que o notário actue conforme a lei.
Em princípio, o juízo que o notário há-de formar não é,
neste caso, um juízo de legalidade, mas de licitude da
actuação notarial.

De acordo com o disposto no artigo 1.º do Código do


Notariado, “A função notarial destina-se a dar forma legal e
conferir fé pública aos actos jurídicos extrajudiciais. Para
esse efeito, pode o notário prestar assessoria às partes na
expressão da sua vontade negocial”.
Vê-se que, para o legislador português, o núcleo essencial
da função notarial é constituído pela dação da fé pública
aos actos jurídicos extrajudiciais e pela actividade de
conformação dos mesmos actos à lei substantiva e
adjectiva. A prestação da assessoria está, portanto,
legalmente subordinada, directa e obrigatoriamente, à
prática dos actos da competência
Curso do notário
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Introdução
A Natureza da Função Notarial
 A possibilidade de o notário prestar assessoria distingue-se
do dever que ao mesmo cabe de dar informações. A missão
do notário não é limitada à autenticação dos acordos das
partes, mas estende-se ao esclarecimento das mesmas
sobre o conteúdo e efeitos das convenções por elas
assinadas. Não se pode separar uma coisa da outra: a
autenticação do acto e a informação das partes. A perfeita
informação dos signatários sobre o conteúdo do acto deve
ser considerada como condição de autenticação. Não se
pode considerar autêntico (lat. authenticu < auctor) um
acto de que as partes desconhecem o conteúdo e efeitos.
 Daí que, paralelamente à qualificação da função notarial,
simultaneamente como função pública e privada,
considera-se o notário como oficial público e profissional do
direito, encarregado de receber, interpretar e dar forma
legal à vontade das partes, redigindo os instrumentos
adequados a esse fim e conferindo-lhes autenticidade, de
conservar os originais e expedir fotocópias do seu
conteúdo. Curso On-line Registos e Notariado 7
A Competência do Notário
 A competência do notário verifica-se, quer em função da matéria,
quer do lugar da celebração do acto e é delimitada pelos casos de
impedimento legal do notário.

COMPETÊNCIA MATERIAL
Compete em geral ao notário, redigir o instrumento público
conforme a vontade das partes, a qual deve indagar, interpretar e
adequar ao ordenamento jurídico, esclarecendo-as do seu valor e
alcance (art. 4.°, nº 1). Compete, em especial, ao notário (art. 4.°,
nº 2):
- Autorizar testamentos
- Elaborar outros instrumentos públicos
- Lavrar termos de autenticação de documentos particulares
- Certificar situações e quaisquer factos que tenha verificado
- Certificar, ou fazer certificar traduções de documentos;
- Passar certidões de instrumentos públicos, de registos e de outros
documentos arquivados

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A Competência do Notário

É necessário acrescentar a esta enumeração do


art. 4.°, os actos para os quais a lei exige, sob
pena de nulidade, a forma de escritura (art. 80.°);
as habilitações notariais (declarações de
sucessão), as justificações notariais destinadas a
suprir a falta de títulos para registo predial e
comercial e os actos que importem revogação,
rectificação ou alteração de negócios que, por
força da lei ou por vontade das partes, tenham
sido celebrados por escritura pública.
Para além destes casos contemplados na lei
notarial, outros há, em que expressamente se
exige a celebração por escritura pública, como
por exemplo: no Código das Sociedades
Comerciais (art.º 182.º/2), no Código Civil (arts.
1143.º, 1239.º, 1232.º, 1419.º, 1710.º, 1795.º-C,
1853.º/c), etc). Curso On-line Registos e Notariado 9
A Competência do Notário

COMPETÊNCIA TERRITORIAL
 Há dois princípios aplicáveis no que respeita à competência
territorial do notário:
por um lado, esta competência é limitada à prática de
actos dentro da área do concelho em que se encontra
sediado o respectivo cartório notarial (art. 4.°, nº 3 do CN);
por outro lado, neste limite territorial, o notário pode
praticar todos os actos da sua competência que lhe sejam
requisitados, ainda que respeitem a pessoas domiciliadas
ou a bens situados fora dessa área (art. 4.°, nº 3). Este
princípio tem excepções, como é, por exemplo, o caso do
protesto de letra, que deve ser requerido ao notário do
domicílio indicado na letra para a aceitação ou pagamento
(art. 120.° do CN) e da abertura de testamento depositado,
a qual tem lugar no cartório onde o testamento se encontra
eventualmente depositado (art.s 111.°, nº 2 do CN).
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A Competência do Notário
O desrespeito das regras legais da competência territorial do
notário origina a incompetência do notário em razão do lugar,
prevista no art.º 71°, resultante do facto de o notário autorizar a
celebração do acto, para além dos limites geográficos da sua área
de competência, invadindo a área de outro cartório. Ovício da
incompetência do notário em função do lugar é, porém, sanável
(artigos 71.º/3 e 73.º do CN).
IMPEDIMENTO LEGAL
Os casos de impedimento legal do notário vêm previstos no art.
5.°, a saber:
1. O notário não pode realizar actos em que sejam partes ou
beneficiários, directos ou indirectos, o próprio notário, o seu
cônjuge ou qualquer parente ou afim na linha recta ou até ao 2.°
grau da linha colateral (nº 1);
2. O impedimento é extensivo aos actos cujas partes ou
beneficiários tenham como procurador ou representante legal
alguma das pessoas compreendidas no número anterior (nº 2).
Exceptuam-se desta regra os casos previstos no n.º 3, do mesmo
artigo 5.º do CN. O impedimento
Curso do notário é extensivo aos
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ajudantes, conforme prescreve o art. 6.°, nº 1.
O Instrumento Público Notarial

Introdução:
 A função do notário tende, em regra, a objectivar-se
através do documento. A regra é a de a actividade notarial
culminar com a outorga do documento. A função notarial,
na sua dupla vertente, pública e privada, tende para o
documento. Com efeito, o contributo do notário para a
realização da certeza e segurança jurídicas é prestada
fundamentalmente através da especial eficácia da
autenticidade e legalidade formal e substancial do
instrumento público.
 Instrumento público é o documento autorizado por notário
competente a requerimento da parte, com as formalidades
legais, nos livros de notas ou em papel avulso, e que
contém, revela ou exterioriza um facto, acto ou negócio
jurídico, para sua prova, eficácia ou constituição, assim
como as cópias ou reproduções dele.
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O Instrumento Público Notarial
 Os documentos notariais são os documentos autênticos
exarados com as formalidades legais por notário, não
impedido legalmente para o efeito, e dentro do círculo de
actividades que lhe é atribuído. Não é a qualidade, a
proveniência ou o timbre do papel que o qualifica como
autêntico, o que importa é a origem e a qualidade de quem
o exarou.
 São autênticos os documentos lavrados pelas autoridades
públicas, pelo notário ou outro oficial provido de fé pública,
nos limites da sua competência. De entre os documentos
lavrados pelo notário, ou em que ele intervém, distinguem-
se os documentos autênticos, os autenticados e os que têm
apenas o reconhecimento notarial, conforme preceitua o
art.º 35º do CN.
 Os documentos notariais têm efeitos probatórios e
executórios privilegiados.

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O Instrumento Público Notarial

Espécies:
 Como já foi referido acima, os instrumentos
notariais dividem-se em instrumentos nas notas e
instrumentos avulsos (fora das notas). Os
primeiros compreendem os testamentos públicos
e as escrituras públicas (art.ºs 80.º e seguintes),
os segundos abrangem os instrumentos de
aprovação de testamentos cerrados e de
testamentos internacionais, instrumentos de
depósito de testamentos e sua restituição (art.ºs
109.° e 110.°), instrumentos de abertura de
testamentos cerrados e de testamentos
internacionais (art.ºs 111.° a 115.°), procurações,
substabelecimentos, consentimentos conjugais
(art.ºs 116.° a 118.°) e protestos (art.ºs 119.° a
130.°).
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Requisitos do Instrumento Notarial

REQUISITOS

I. COMPARÊNCIA

II. EXPOSIÇÃO
OU ANTECEDENTES

III. ESTIPULAÇÕES OU
PARTE DISPOSITIVA

IV. FECHO OU ENCERRAMENTO

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Requisitos do Instrumento Notarial

Os requisitos exigidos pela lei notarial e que constituem as


várias partes ou fases do instrumento público, ou são
exigidos em relação à generalidade dos actos notariais
(requisitos gerais), ou apenas requeridos para certos actos
(requisitos especiais). Os primeiros estão previstos nos art.s
46° a 53° e os segundos, nos art.s 54° a 64°.
I. COMPARÊNCIA

É a parte do instrumento relativa ao nome do acto, à data e


lugar de celebração do mesmo, aos sujeitos actuantes e ao
notário autorizante.
1. Nome do acto ou nomen juris:
A denominação do acto não constitui uma exigência legal.
Contudo, encontra-se muito generalizada a prática de os
actos notariais serem encimados e iniciados por um título
ou cabeçalho, contendo o nomen juris do acto
documentado. Curso On-line Registos e Notariado 16
Requisitos do Instrumento Notarial

2. Data e Lugar
I. O primeiro requisito que a lei exige na elaboração do
instrumento notarial é a menção da data e do lugar em
que o mesmo foi lavrado ou assinado (art. 46°, nº 1, al.
a). A indicação da morada completa onde o instrumento é
assinado apenas é necessária, nos actos celebrados fora
do cartório.
II. A falta de menção do dia, mês e ano ou do lugar em
que o acto notarial foi lavrado, provoca a nulidade por
vício de forma (art. 70º, nº 1, al. a). Esta nulidade,
porém, considera-se sanada mediante averbamento
oficioso contendo os elementos em falta, se, pelo texto
do instrumento ou pelos elementos existentes no
cartório, for possível determinar a data ou o lugar da
celebração (art.s 70°, nº 2, al. a) e 132.°, nº 7).

3. Identificação do notário autorizante e do


respectivo cartório
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Requisitos do Instrumento Notarial

4. Identificação dos outorgantes:

O art. 46.°, nº 1, al. c) manda identificar os outorgantes, ou


seja, as pessoas que intervêm no instrumento, por si ou em
representação de outrem.
a) Outorgantes em nome próprio:
 Identificação
 Verificação da identidade (civil, fiscal) – 46.º/1 d) e 48.º
 Capacidade, legitimidade dispositiva, legitimidade conjugal;
a capacidade presume-se, não há lugar a menção no
documento
b) Em nome alheio. Representação (legal, voluntária,
orgânica):
 Identificação, menção e verificação da identidade do
representante nos termos gerais expostos para o
outorgante singular em nome próprio;
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Requisitos do Instrumento Notarial

 Identificação do representado:
1.°) Pessoa singular, nos termos indicados;
2.°) Sociedades (art. 171.° do CSC) ;
3.º) Demais pessoas colectivas (art. 46.°, nº 1, al. c)
 Verificação e menção da qualidade, poderes e
documentos de representação
 Representação orgânica: pessoas colectivas sujeitas a
registo (art.º 49.°); outras pessoas colectivas (art.46º, nº
1, al e)
 Representação voluntária: há lugar à verificação da
qualidade de procurador
 Representação legal: há lugar à menção dos documentos
comprovativos dos poderes de representação e à menção
de terem sido verificados esses poderes (art. 46.°, nº 1,
al. e), excepto no caso dos representantes do menor
serem os respectivos pais (art. 46.°, nº 5);
 Verificação da capacidade do representante e do
representado.
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Requisitos do Instrumento Notarial

 A identificação dos outorgantes faz-se pela


menção documental do seu nome completo,
estado, naturalidade e residência habitual (art.
46.°, nº1, al. c). Se algum dos outorgantes não for
português, deve fazer-se constar da sua
identificação, a respectiva nacionalidade, salvo se
intervier na qualidade de representante, ou na de
declarante em escritura de habilitação ou
justificação notarial (art. 46.°, nº 4). Nos
instrumentos destinados a titular actos sujeitos a
registo, a identificação das partes do acto a
registar deve conter ainda a indicação do nome
dos seus cônjuges, se forem casados, e do
respectivo regime matrimonial de bens (art. 47.°,
nº1, al. a). Curso On-line Registos e Notariado 20
Requisitos do Instrumento Notarial

Verificação da Identidade
 A verificação da identidade dos outorgantes pode ser feita
por alguma das seguintes formas (art. 48.°, nº 1):
a) Pelo conhecimento pessoal do notário;
b) Pela exibição do bilhete de identidade, de documento
equivalente ou da carta de condução, se tiverem sido
emitidos pela autoridade competente de um dos países da
União Europeia;
c) Pela exibição do passaporte;
d) Pela declaração de dois abonadores, cuja identidade o
notário tenha verificado por uma das formas previstas nas
alíneas anteriores.
A alteração da residência constante de documento de
identificação, não obsta a que aquele documento sirva para
verificar a identidade do outorgante (art. 48.°, nº 2).
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Requisitos do Instrumento Notarial

Verificação da qualidade e poderes de representação

 Os outorgantes podem intervir em nome próprio ou em


nome alheio, por si ou em representação de pessoas
singulares ou de pessoas colectivas. No caso de
representação de pessoas singulares, o instrumento
notarial deve conter o nome completo, estado, naturalidade
e residência habitual dos outorgantes, bem como das
pessoas singulares por estes representadas, nos termos
acima expostos. Se o representado for casado e o acto
estiver sujeito a registo, indicar-se-á, além da sua
naturalidade e residência, o nome do seu cônjuge e o
respectivo regime matrimonial de bens. No caso de
representação de sociedades comerciais ou sociedades
civis sob forma comercial, devem mencionar-se os
elementos de identificação destas, referidos no art. 171.°
do Código das Sociedades Comerciais; na representação
das demais pessoas colectivas deve indicar-se a respectiva
denominação e sedeCurso(art.
On-line46.°,
Registosnº 1, al. c).
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Requisitos do Instrumento Notarial
 O instrumento notarial deve ainda conter a menção das
procurações e dos documentos relativos ao instrumento,
que justifiquem a qualidade de procurador e de
representante (46.º, n.º 1, al. e) e n.º 5).
 A prova documental da qualidade de representante de
pessoa colectiva sujeita a registo e da suficiência dos seus
poderes faz-se por certidão do registo comercial, válida por
um ano (art.º 49.º, n.ºs 1 e 2)
 A prova documental da qualidade e poderes dos
representantes das pessoas colectivas não sujeitas a
registo, faz-se pela apresentação dos respectivos estatutos,
das actas contendo as deliberações dos seus órgãos de
representação, e, eventualmente, da acta de deliberação
da assembleia geral, ou dos documentos oficiais (no caso
das pessoas colectivas de direito público), comprovativos
da nomeação dos respectivos representantes e dos seus
poderes.
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Requisitos do Instrumento Notarial
 Por fim, é obrigatória menção de terem sido verificados os
poderes necessários para o acto, nos casos de
representação legal e orgânica, dispensando-a no caso da
representação voluntária.

Verificação da capacidade
O exercício da actividade notarial compreende a
formulação de juízos de valor sobre vários dos seus
pressupostos, como, por exemplo, a capacidade dos
outorgantes, a qualidade e poderes de representação.

c) Requisitos respeitantes aos intervenientes acidentais:


 Nome, estado e residência habitual (art. 46.°, nº 1, al h).
 Referência ao juramento ou compromisso de honra dos
intérpretes, peritos e leitores (art. 46.°, al. i) e ao
cumprimento das formalidades legalmente previstas
(46.º/1, j).
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Requisitos do Instrumento Notarial

Intervenientes acidentais
 A lei considera como intervenientes acidentais, os
abonadores, os intérpretes, os peritos, os tradutores, os
leitores e as testemunhas (art.s 65.° e segts). Como a
própria expressão indica, trata-se de pessoas que intervêm
acidentalmente no acto, em circunstâncias especiais: para
identificação das partes (abonadores), para transmissão de
vontades dos outorgantes que não compreendam a língua
portuguesa, ou então, que sejam mudos ou surdos-mudos
(intérprete), para atestar a sanidade mental dos
outorgantes (peritos), para leitura dos actos em caso de
surdez de algum outorgante (leitor), ou para constatarem o
acto, dada a natureza específica deste (testemunhas).

 Os intervenientes acidentais devem satisfazer


determinados requisitos de capacidade, como se conclui a
contrario do art. 68.°, e de idoneidade (art. 68.°, nº 3).
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Requisitos do Instrumento Notarial

A escolha das pessoas concretas que hajam de servir como


intervenientes acidentais cabe aos interessados, excepto
naqueles casos (intervenção de peritos e de testemunhas),
em que a intervenção resulte de exigência do
documentador, nos quais a indicação poderá pertencer ao
notário. A menção dos elementos de identificação dos
intervenientes acidentais é feita no texto do instrumento,
como já foi referido, mediante a indicação do seu nome
completo, estado civil e residência habitual (art. 46.°, nº 1,
al. h) e modo como foi verificada a identidade.

1) Abonadores - Os abonadores são intervenientes


acidentais, devendo, por isso, satisfazer as exigências de
capacidade legalmente previstas para estes (art.68º) e
possuir também a idoneidade requerida, segundo o juízo
pessoal do notário (art. 68.°, nº 3). O juízo de idoneidade
em si é indispensável, mas a sua menção instrumental é
desnecessária.
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Requisitos do Instrumento Notarial

Na intervenção dos abonadores no instrumento notarial,


deve mencionar-se apenas que se verificou a identidade
dos outorgantes por declaração dos abonadores.

2) Intérprete - A intervenção de intérprete pode verificar-se


em virtude de algum outorgante desconhecer a língua
portuguesa, e devido a mudez ou surdez-mudez dos
outorgantes (artigos 65.º e 66.º).
A função do intérprete é, ainda neste caso, transmitir
verbalmente o conteúdo do documento ao outorgante e a
declaração de vontade deste ao notário. O intérprete está
sujeito a juramento (art.º 69.°), o qual deve ser prestado
nos termos da lei de processo (art.º 46.º, n.º1, al. i).
A falta do cumprimento das indicadas formalidades
previstas na lei, determina a nulidade do acto notarial por
vício de forma (art. 70.°, nº 1, al. b).

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Requisitos do Instrumento Notarial
 O elemento cuja falta é susceptível de ser sanada ou
revalidada é apenas a menção instrumental de terem sido
cumpridas as formalidades legais para a intervenção de
quem não entenda a língua portuguesa ou de mudos ou de
surdos-mudos, quando tais formalidades foram
efectivamente cumpridas.

3) Leitor (art.º 66.º/1) - A intervenção do leitor nos actos


notariais rege-se pelas regras acima apresentadas para a
intervenção do intérprete.

4) Tradutor - O tradutor efectua a versão para a língua


portuguesa do conteúdo do documento escrito em língua
estrangeira, ou a versão para uma ou mais línguas
estrangeiras do conteúdo de um documento escrito em
língua portuguesa (art.º 44.º/3).
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Requisitos do Instrumento Notarial

e) Peritos - Trata-se de peritos médicos, os quais intervêm


no acto a pedido das partes ou do notário, para abonarem a
sanidade mental dos outorgantes (art. 67.°, nº 4). A
intervenção dos peritos visa assessorar o notário no juízo
de qualificação da capacidade dos outorgantes ao nível
intelectual (capacidade de entender) e ao nível volitivo
(capacidade de querer), apenas quando este tenha dúvidas.
O parecer dos peritos não é vinculativo para o notário.

f) Testemunhas - As testemunhas, que a lei designa


"testemunhas instrumentárias ", são, como a expressão
sugere, testemunhas do facto da documentação. Ao
contrário do que sucede com os restantes intervenientes
acidentais, a sua função é simplesmente passiva, limitando-
se à mera presença ou assistência ao acto notarial e pela
assinatura. A intervenção de testemunhas nos actos
notariais é excepcional (art. 67.°, nº 1).
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Requisitos do Instrumento Notarial
II. EXPOSIÇÃO OU ANTECEDENTES
 É a parte do instrumento em que se estabelece o objecto,
e, por vezes, a causa do negócio. Requisitos referentes ao
objecto, à sua identificação (prédio, direitos prediais ou
mobiliários, participações sociais, estabelecimentos
comerciais e industriais, etc.):
a) Menções relativas ao registo (predial, comercial, etc.)
artigos 54.º, 55.º, 57.º e 62.º do CN);
b) Menções relativas à matriz (valor patrimonial, artigo
matricial, omissão na matriz (art. 57.°, nº 1). Sua prova (art.
57.º nºs 2 e 3);
c) Menções de elementos de natureza administrativa:
autorizações, licenças, participações. Sua prova: certidões,
alvarás, documento camarário ou projecto de construção
para a constituição ou modificação da propriedade
horizontal (art.º 59.°);

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Requisitos do Instrumento Notarial

d) Menções de elementos de natureza fiscal: pagamento de


imposto municipal de sisa (art. 190.°). Sua redução e
isenção. Menção do conhecimento de sisa no texto
documental (art.º 46.°, nº 1, al. f);
e) Menção do valor dos bens: nos actos sujeitos a registo, o
valor de cada bem e o valor global (art. 63.°, nº 1 ). Prova
do valor dos bens (art.º 63º nº 2).

 Requisitos referentes à causa do negócio

III. ESTIPULAÇÕES OU PARTE DISPOSITIVA

Refere-se às relações que se criam entre as partes, pelo


acordo de vontades entre elas celebrado, que se reduz a
instrumento público.
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Requisitos do Instrumento Notarial
IV. FECHO OU ENCERRAMENTO

É a parte do instrumento que contém: 1. Menção de todos os


documentos que fiquem arquivados (art. 46.°, nº 1, al. f) e que
sejam exibidos (art. 46.°, nº 1, al. g);
2. Indicação dos outorgantes que não assinam por não poderem
ou não saberem fazê-lo (art. 46, nº 1, al. m);
3. Leitura e explicação do conteúdo do acto (art. 50.°). Menção no
texto do documento (art. 46, nº 1, al. l);
4. Advertências sobre a anulabilidade e ineficácia do acto (art.
174.°, nº 2), sobre a obrigatoriedade da sujeição do acto a registo
(art.º 47.°, nºs 2,3 e 4), sobre as consequências de não registarem
os direitos adquiridos (art. 56.°, al. b);
5. Outorga: Ratificação formal ou prestação de consentimento
pelas partes ao teor do instrumento. Assinatura (art.º 46º, al. n) e
52º). Impressão digital (art. 51.°);
4. Autorização: É a sanção (homologação) pública, que consiste na
imposição da fé pública notarial ao documento, formalmente
expressa na assinatura (art. 46, nº 1, al. n) e rubrica do notário
( nos instrumentos avulsos art. 52.°)
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Requisitos do Instrumento Notarial
FORMALIDADES COMUNS

Número de Contribuinte

- É obrigatória a menção do número de identificação fiscal,


quer se trate de pessoas singulares (NIF), quer se trate de
pessoas colectivas e entidades equiparadas (heranças
indivisas, sociedades irregulares, etc. - NIPC)
- Considerando, para além do exposto, que os notários
devem enviar à direcção de finanças da área do respectivo
cartório, em suporte informático ou por cópia, uma relação
dos registos de escrituras diversas e das procurações
passadas no interesse do procurador ou de terceiro (art.
186.°, nº 1, al.a), conclui-se que o número fiscal de
contribuinte, ou o número do cartão de identificação de
pessoa colectiva ou entidade equiparada, deve ser
mencionado no texto de qualquer instrumento contendo
actos com incidência tributária.
Curso On-line Registos e Notariado 33
Requisitos do Instrumento Notarial

Menção de documentos
 O lugar próprio para a menção dos documentos que servem
para instruir o acto notarial e não respeitem à pessoa dos
outorgantes, é, em princípio, o fecho ou encerramento do
instrumento. Devem ser mencionados os documentos
comprovativos do pagamento de impostos, as certidões
matriciais e prediais, licenças, etc, exibidas ou arquivadas
para instruir o acto (art. 46.°, nº 1, al.s f) e g).
Leitura, explicação do conteúdo e advertências
 Após a presença física dos intervenientes, seguem-se a
leitura do instrumento, a explicação do seu conteúdo e as
advertências a que houver lugar. A leitura e explicação do
conteúdo do instrumento levam este ao conhecimento das
partes, habilitando-as assim a dar-lhe o seu consentimento
ou outorga; dado esse conhecimento, deverá o documento
ser assinado de seguida, de modo que nenhuma alteração
lhe seja introduzida. A certeza que a função notarial
prossegue assim o exige. É por isso que o art. 53°, nº 1
determina que a Curso
leitura,
On-line explicação,
Registos e Notariadooutorga e assinatura
34
Requisitos do Instrumento Notarial

Entende-se que, em direito notarial, não há consentimento


em relação àquilo que não tenha sido objecto de leitura. O
documento notarial apenas obriga o seu autor, se este
conhece o seu conteúdo (si sciebat contenta). O documento
que não tenha sido lido não obriga quem o assina (scriptura
non lecta, non praeiudicat suscribenti). É precisamente a
intervenção do notário que assegura a leitura efectiva,
garante que as partes conhecem o conteúdo da acto lido e
assegura a fé pública da narração dos factos contidos no
documento.
 O notário deve ainda explicar-lhes o conteúdo do acto e
advertir os comparecentes do significado e consequências
legais das cláusulas do instrumento de modo que fiquem
devidamente informadas do significado e alcance dos seu
actos.
 Há casos em que, para além da explicação do conteúdo da
acto e advertência, deve-se ainda proceder a menções
especiais (art.º 47º, nº 1), a saber:
Curso On-line Registos e Notariado 35
Requisitos do Instrumento Notarial

1ª - A advertência de que o registo deve ser requerido no


prazo de três meses, se respeitar a actos sujeitos a registo
comercial obrigatório (al. b).
2ª - A advertência ao representante legal que intervém no
acto, se algum dos beneficiários for incapaz ou equiparado,
de que deve requerer o respectivo registo no prazo de três
meses (al. c);
3ª - A advertência ao doador da obrigatoriedade de
requerer o registo a favor do donatário, no prazo de três
meses
 Para além disso, também nos actos anuláveis e ineficazes,
o notário deve advertir as partes da existência do vício e
consignar no instrumento a advertência que tenha feito
(art. 174.°).
 A leitura do instrumento lavrado pode ser dispensada pelos
intervenientes, bem como a explicação do seu conteúdo,
mas há que fazerCurso On-line Registos e Notariado
expressamente 36
essa menção (n.º 2 do
Requisitos do Instrumento Notarial

Assinaturas
 O instrumento notarial deve conter, a seguir ao
contexto, as assinaturas dos outorgantes que
saibam e possam assinar, bem como as de todos
os intervenientes e a assinatura do funcionário,
que será a última. É obrigatória a menção no
documento notarial (art.º 46.°, nº1, al. m) e n).
 O instrumento notarial deve ainda ser assinado
por todos os intervenientes acidentais, que caso
não saibam assinar, não poderão intervir
acidentalmente no instrumento notarial.
 A falta de assinatura de qualquer outorgante,
interveniente ou do próprio notário, determina a
nulidade do acto notarial, por vício de forma (art.º
70.°, nº 1, als. d), e) e f). Nulidade sanável (art.º
70.º/2 als. c) e d) e 73.º, als. d) e e).
Curso On-line Registos e Notariado 37
Requisitos do Instrumento Notarial

 O acto nulo por falta de assinatura do notário era,


até 01 de Janeiro de 2002, insusceptível de
sanação, mas podia ser judicialmente revalidado,
quando se provasse que era conforme à lei,
representasse fielmente a vontade das partes e
fosse presidido pelo notário, que não se
recusasse a assiná-lo (art.º 73º, al. f).
 Hoje a falta de assinatura do notário é saciada
nos termos da alínea f) do nº 2 da artº 4º do
Decreto-Lei nº 273/2001 de 13 de Outubro, no
sentido de ser o notário, cuja assinatura está em
falta, poder declarar através de documento
autêntico, que esteve presente no acto e na sua
realização e foram cumpridas todas as
formalidades legais (artigo
Curso On-line Registos e70.º,
Notariadon.º 2, alínea e). 38
Requisitos do Instrumento Notarial

Impressões Digitais
 A impressão digital deve ser aposta nos
instrumentos pelos outorgantes que não saibam
ou não possam assinar (art. 51.°). A impressão
digital nos documentos é considerada
usualmente como sucedâneo da assinatura,
envolvendo, do mesmo modo que esta, uma
vinculação jurídica, material e psicológica ao
acto.
Estatística e Conta
 A última menção que deve constar dos
instrumentos, já fora do respectivo contexto, é a
indicação dos verbetes estatísticos (art. 185.º), se
a eles houver lugar, e a referência ao número de
registo da respectiva conta.
Curso On-line Registos e Notariado 39
Requisitos do Instrumento Notarial

Conta - Logo de seguida à realização do acto notarial, o


notário elabora e apresenta às partes a respectiva conta,
na qual menciona os encargos a que aquele acto está
sujeito, em impressos com duplicado obtido a papel
químico (quanto a actos exarados nos livros de notas) ou
no próprio documento (quanto a instrumentos avulsos).
Não estão sujeitos a esta última regra os documentos que
não são entregues às partes, por ficarem arquivados no
cartório: instrumentos de abertura de testamentos
cerrados, actas e procurações previstas no art. 116.° (as
passadas no interesse do mandatário ou de terceiro). A
conta de tais instrumentos é feita em impresso próprio. A
conta do acto notarial está sujeita a registo em livro próprio
sob um determinado número que deve ser mencionado no
final do instrumento. A menção do número da conta é a
última do instrumento e deve ser rubricada nos termos
expostos. Os encargos a que a conta respeita são os
Curso On-line Registos e Notariado 40
emolumentos e o selo.
Requisitos do Instrumento Notarial
REQUISITOS ESPECIAIS
I. Menções relativas ao registo (art. 54.° a 56.°)
 Conforme foi referido acima, a propósito das menções
respeitantes à identificação dos outorgantes nos actos
notariais, o instrumento destinado a titular actos sujeitos a
registo (predial, comercial), deve conter a menção do nome
do cônjuge e regime de bens, se a pessoa a quem o acto
respeitar for casada (art. 47.°, nº 1 a).
 Nenhum instrumento respeitante a factos sujeitos a registo
pode ser lavrado sem que no texto do instrumento se
mencionem os números das descrições dos respectivos
prédios na conservatória a que pertençam ou hajam
pertencido, ou sem a declaração de que não estão descritos
(art. 54.°, nº 1).
 Os instrumentos pelos quais se partilhem ou transmitam
direitos sobre prédios, ou se contraiam encargos sobre
eles, não podem ser lavrados sem que também se faça
referência à inscrição desses direitos em nome do autor da
Curso On-line Registos e Notariado 41
herança, ou de quem os aliena, ou à inscrição do prédio em
Requisitos do Instrumento Notarial
 Esta exigência, tornada uma forma indirecta de decretar a
obrigatoriedade do registo predial, não se aplica: nos casos
previsto no artigo 54.º, n.º 3 e 55.º do CN.
 A exigência do registo prévio deve ser entendida no sentido
de não se aplicar a negócios não expressamente previstos
nas regras legais, tais como a divisão de coisa comum, a
constituição da propriedade horizontal, o testamento (art.
61.º). A falta de menção do registo prévio não afecta, pois,
a validade do negócio titulado.
1.2 Menção relativa ao registo do título constitutivo
ou modificativo de propriedade horizontal.
 É matéria constante do art. 62.°, segundo o qual "Nenhum
instrumento pelo qual se transmitam direitos reais ou
contraiam encargos sobre fracções autónomas de prédios
em regime de propriedade horizontal pode ser lavrado sem
que se exiba documento comprovativo da inscrição do
respectivo título constitutivo no registo predial" (nº 1). A
excepção a isto é feita no n.º
Curso On-line 2 do
Registos mesmo artigo.
e Notariado 42
Requisitos do Instrumento Notarial

1.3 Menções específicas


 A lei (art. 56.°) obriga ainda, que se façam duas menções
específicas nos instrumentos que contenham factos sujeitos a
registo, contidas nas alíneas a) e b), a saber: o modo de
comprovação da urgência (não há para o efeito prova vinculada,
pelo que a urgência pode ser comprovada por atestado médico,
por peritos que intervenham no próprio acto, inspecção e mesmo
por juízo do próprio documentador) e a advertência das
consequências de não se registar os direitos adquiridos (trata-se
no fundo de prevenir as partes de que, se não registarem os
direitos adquiridos, não poderão, em princípio, alienar ou onerar,
no futuro, esses direitos).
1.4. Prova dos elementos registrais
 A prova dos números das descrições prediais e das referências
relativas às inscrições na conservatória, é feita pela exibição de
certidão de teor, passada com antecedência não superior a seis
meses, ou ainda, quanto a prédios situados em concelho onde
tenha vigorado o registo obrigatório, pela exibição da respectiva
caderneta predial, Curso
desde
On-line que
Registosqualquer
e Notariado um destes últimos
43
Requisitos do Instrumento Notarial

2. Menções relativas à matriz (art. 57.°)


 2.1 Menções exigidas
 Nos instrumentos em que se descrevam prédios rústicos,
urbanos ou mistos, deve indicar-se o número da respectiva
inscrição na matriz ou, no caso de nela estarem omissos,
consignar-se a declaração de haver sido apresentada, na
repartição de finanças competente, a participação para a
inscrição, quando devida (art. 57.°, nº 1). A expressão
"quando devida" contida no referido artigo 57.º/1, vem do
tempo em que havia prédios não sujeitos a inscrição na
matriz: os terrenos para construção. O Código de
Contribuição Autárquica acabou com essa situação, pelo
que hoje a inscrição na matriz de prédios ou terrenos para
construção é sempre devida.
2.2 Prova dos elementos matriciais
 A prova dos artigos matriciais é feita pela exibição da
caderneta predial actualizada ou da certidão de teor da
inscrição matricial, passada com antecedência não superior
Curso On-line Registos e Notariado 44
a um ano (art.º 57.º/3).
Requisitos do Instrumento Notarial

3. Harmonização com a matriz e o registo


 O artº 58.°/1 que dispõe o seguinte: "Nos instrumentos
respeitantes a factos sujeitos a registo, a identificação dos
prédios não pode ser feita em termos contraditórios com a
inscrição da matriz e com a respectiva descrição predial”.
Ressalvam-se as situações previstas no art. 58.º/1, 2.ª
parte. As excepções vêm consagradas nos números 2 e 3
do mesmo artigo.

4. Menções próprias da propriedade horizontal


4.1. Constituição
 Os instrumentos de constituição de propriedade horizontal
só podem ser lavrados se for junto documento passado pela
câmara municipal comprovativo de que as fracções
satisfazem os requisitos legais (art. 59.°, nº 1). Em
obediência a tal imperativo, a escritura deve conter, a
referência ao arquivo e à natureza do documento camarário
Curso On-line Registos e Notariado 45
(art. 46.°, nº 1, al. f).
Requisitos do Instrumento Notarial

O mencionado documento camarário pode ser substituído


pela exibição do projecto de construção ou de alteração
(art. 59.°, nº 2).
4.2. Modificação
 Os instrumentos de modificação do título constitutivo da
propriedade horizontal, que importem alteração da
composição ou do destino das respectivas fracções, só
podem ser lavrados se for junto documento camarário
comprovativo de que as alterações satisfazem os requisitos
legais (art. 60.°, nº 1).
5. Actos relativos a pessoa colectiva e a E.I.R.L.
Nos instrumentos de constituição de estabelecimento
individual de responsabilidade limitada ou de constituição
de pessoa colectiva, de alteração dos respectivos estatutos
que determine a modificação da firma, denominação ou
objecto social, deve ser mencionada a exibição (art. 46.º/1
g) de certificado comprovativo de admissibilidade de firma
ou denominação ou da sua manutenção em relação ao
Curso On-line Registos e Notariado 46
novo objecto (art. 47.°, nº 3).
Requisitos do Instrumento Notarial

6. Valor dos bens


 O valor dos bens releva fundamentalmente para a
determinação dos encargos fiscais do acto (art. 63.°, nº 1).
A prova do valor dos bens e, consequentemente dos actos,
é feita, por uma das formas previstas no art. 63.º/2
(declaração das partes, apresentação dos documentos
necessários, etc), mencionando-se no instrumento, o valor
patrimonial indicado no documento, natureza, data e
repartição de emissão ou actualização. A regra do nº 1 do
art. 63.° refere-se expressamente a "actos sujeitos a
registo predial". Deve, no entanto, ser aplicada mutatis
mutandis aos actos de registo comercial.
7. Menção da anulabilidade e ineficácia do acto
 A intervenção do notário não pode ser recusada com o
fundamento de o acto, cuja prática lhe tenha sido
requisitada pelas partes, ser anulável (ex. actos praticados
contra o disposto nos arts. 261°/1, 268.°/1, 471.°, 1682.°/1
e 3, 1682º-A, 1682º-B e 1683.° do CC). Nestes casos de
anulabilidade e de ineficácia, o acto deve ser celebrado,
mas o notário deve advertir
Curso as partes
On-line Registos da existência do vício
e Notariado 47
Efeitos do Instrumento Notarial

1. Legalidade
 A lei atribui ao documento notarial um especial grau de
eficácia que contrasta com a que atribui ao documento
particular. A par da função estritamente documental, o
notário exerce uma função jurídica que corresponde, além
de outras tarefas, à adaptação, adequação ou conformação
da vontade dos particulares ao ordenamento. Daqui resulta
a presunção de legalidade ou conformidade do conteúdo do
documento notarial à lei.
2. Autenticidade
 A lei atribui ao documento notarial um especial grau de
eficácia probatória plena, em virtude da autenticidade da
sua origem e conteúdo, manifestada na impossibilidade de
pôr em dúvida os actos praticados pelo notário ou por ele
constatados. Além de presumivelmente legal, o documento
notarial é, pois, um documento autêntico, ou seja,
verdadeiro, dotado de fé pública, cuja falsidade apenas
pode ser judicialmente provada.
Curso On-line Registos e Notariado 48
Efeitos do Instrumento Notarial
 O documento notarial goza de autenticidade corporal, isto
é, prova-se a si mesmo como coisa, de autenticidade
externa, subjectiva ou de autoria, tanto no que respeita ao
notário, como no que concerne às partes, de autenticidade
interna, também chamada autenticidade de fundo,
autenticidade de conteúdo ou autenticidade ideológica,
referida ao pensamento que no documento se expressa
 A autenticidade não abrange por igual todas as partes do
documento notarial. É plena e, consequentemente, pleno é
o efeito probatório do documento notarial, no que respeita
aos actos do próprio notário, àquilo que o notário afirma (a
sua presença, a comparência dos intervenientes, a
apresentação de documentos, as advertências legais, a
leitura do documento e a sua outorga, etc), e no que
concerne aos factos que o notário constata através dos
próprios sentidos (presenças, declarações de vontade,
consentimento, aposição da assinatura, entrega de
valores, etc.). Curso On-line Registos e Notariado 49
Efeitos do Instrumento Notarial
 Nesta matéria, a verdade contida no documento é imposta pelo
ordenamento erga omnes, até que, porventura, seja declarada
judicialmente a sua inexistência por falsidade da declaração ou
narração que contém. O documento notarial compreende uma
ainda uma outra verdade, constituída fundamentalmente pelo
conteúdo das declarações das partes e restantes intervenientes
no documento e pelos juízos do notário sobre a identidade e
capacidade dos outorgantes, idoneidade dos intervenientes
acidentais, ausência de vícios, legalidade do acto, qualidades e
poderes dos representantes no instrumento, a notoriedade de
factos, cuja verdade é apenas suposta ou presumida juris tantum
e, como tal, susceptível de ser afastada por prova do contrário,
sem necessidade de arguição e prova da falsidade do documento.
3. Força executiva
 A lei portuguesa reconhece força executiva ao acto notarial para
qualquer espécie de obrigações. Quer os documentos exarados
por notário (documentos autênticos) quer os documentos lavrados
pelos particulares e autenticados por notário (documentos
autenticados) que importem a constituição ou o reconhecimento
de qualquer obrigação podem servir de base à execução (art. 46.°,
al. b) do CPC). Curso On-line Registos e Notariado 50