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MATERIAL DE APOIO
MATERIAL DE APOIO

Disciplina: Direito Penal Professor: Victor Gonçalves Aulas: 01 e 02 | Data: 25/04/2016

ANOTAÇÃO DE AULA

SUMÁRIO

TITULO II PARTE ESPECIAL: CRIMES CONTRA O PATRIMÔNIO CAPÍTULO I Do Furto

  • 1. Furto simples

TITULO II PARTE ESPECIAL: CRIMES CONTRA O PATRIMÔNIO

CAPÍTULO I Do Furto

Neste capítulo há apenas 2 artigos.

No artigo155 está previsto o crime de furto, que se subdivide em:

  • 1. Furto simples caput

  • 2. Furto noturno parágrafo 1º

  • 3. Furto privilegiado parágrafo 2º

  • 4. Furto de energia parágrafo 3º

  • 5. Furto qualificado parágrafos 4º e 5º

Além dessas figuras, são também importantes os institutos: furto de bagatela, furto famélico, furto de uso.

No artigo art. 156, por sua vez, existe o crime de furto de coisa comum.

CP - Art. 155 - Subtrair, para si ou para outrem, coisa alheia móvel:

Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa. § 1º - A pena aumenta-se de um terço, se o crime é praticado durante o repouso noturno. § 2º - Se o criminoso é primário, e é de pequeno valor a coisa furtada, o juiz pode substituir a pena de reclusão pela de detenção, diminuí-la de um a dois terços, ou aplicar somente a pena de multa. § 3º - Equipara-se à coisa móvel a energia elétrica ou qualquer outra que tenha valor econômico. Furto qualificado § 4º - A pena é de reclusão de dois a oito anos, e multa, se o crime é cometido:

I - com destruição ou rompimento de obstáculo à subtração da coisa; II - com abuso de confiança, ou mediante fraude, escalada ou destreza; III - com emprego de chave falsa; IV - mediante concurso de duas ou mais pessoas. § 5º - A pena é de reclusão de três a oito anos, se a subtração for de veículo automotor que venha a ser transportado para outro Estado ou para o exterior. (Incluído pela Lei nº 9.426, de 1996)

MATERIAL DE APOIO Disciplina: Direito Penal Professor: Victor Gonçalves Aulas : 01 e 02 | Data:

Magistratura e MP

CARREIRAS JURÍDICAS

Damásio Educacional

Furto de coisa comum Art. 156 - Subtrair o condômino, co-herdeiro ou sócio, para si ou

Furto de coisa comum Art. 156 - Subtrair o condômino, co-herdeiro ou sócio, para si ou para outrem, a quem legitimamente a detém, a coisa comum:

Pena - detenção, de seis meses a dois anos, ou multa. § 1º - Somente se procede mediante representação. § 2º - Não é punível a subtração de coisa comum fungível, cujo valor não excede a quota a que tem direito o agente.

  • 1. Furto simples

(art. 155, caput) O crime consiste em subtrair para si ou para outrem, coisa alheia móvel.

Pena: reclusão de 1 a 4 anos, e multa.

O furto simples é composto por 4 elementares:

  • a) Subtração É a conduta típica trata-se de elemento objetivo.

  • b) Coisa móvel Objeto material - trata-se também de elemento objetivo.

  • c) Coisa alheia é o elemento normativo (nem todos os crimes tem elemento normativo. O elemento normativo do furto é que a coisa seja alheia). O elemento é normativo, quando é necessário olhar o caso concreto para que se possa saber se o elemento está presente.

  • d) Ânimo de assenhoramento definitivo para si ou para outrem este é o elemento subjetivo do tipo.

Os crimes que possuem apenas elementos objetivos possuem, de acordo com a doutrina, tipo normal. Ex. Homicídio

Os delitos que possuem também elemento normativo e/ou elemento subjetivo possuem tipo anormal. O furto se encaixa nesta última classificação.

Vamos estudar cada um dos elementos componentes.

  • a) Conduta típica

    • Subtração: o ato de subtrair abrange 2 hipóteses:

a.1. Aquela em que o próprio ladrão se apodera do bem e o leva embora. a.2. Aquela em que a própria vítima entrega o bem para o agente para que ele exerça a posse momentaneamente naquele local (posse vigiada) e ele, sem autorização, leva o bem embora.

Pode-se dizer, portanto, que é possível a existência de crime de furto, mesmo que a vítima tenha efetuado a entrega do bem ao agente, desde que essa posse seja vigiada.

Por exclusão, portanto, pode-se afirmar que só existe apropriação indébita quando a posse é desvigiada.

Apropriação indébita CP- Art. 168 - Apropriar-se de coisa alheia móvel, de que tem a posse ou a detenção:

  • b) Objeto material

    • coisa móvel

Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa.(

...

)

Furto de coisa comum Art. 156 - Subtrair o condômino, co-herdeiro ou sócio, para si ou

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Para fins penais, tudo o que pode ser levado de um local para outro é móvel,

Para fins penais, tudo o que pode ser levado de um local para outro é móvel, ainda que a lei civil, por alguma razão, o equipare a imóvel. Semoventes constituem espécie do gênero coisa móvel e, por isso, o furto de gado ou abigeato, constitui crime. O parágrafo 3º do art. 155 do CP equipara à coisa móvel a energia elétrica e outras formas de energia que tenham valor econômico, como a energia nuclear, energia térmica e energia genética dos reprodutores.

Quanto à captação clandestina de sinal de TV a cabo existem duas correntes. A majoritária diz que existe crime de furto, quer porque se trata de uma forma de energia (energia radiante), quer porque o art. 35 da Lei 8977/95 declara que tal conduta configura infração penal (sem esclarecer, contudo qual seria). Em sentido contrário, existe entendimento minoritário de que o fato é atípico, pois sinal de TV a cabo não seria forma de energia e porque o mencionado art. 35 não tipifica e não esclarece qual seria a infração penal (traz apenas o preceito primário, não traz a pena).

Lei 8977/95 - Art. 35. Constitui ilícito penal a interceptação ou a recepção não autorizada dos sinais de TV a Cabo.

  • c) Coisa alheia

    • É aquela que tem dono

Alguns objetos, por não terem dono, não podem ser objeto material de furto:

c.1. Res nulliuscoisa de ninguém, coisa que nunca teve dono. c.2. Res derelicta coisa abandonada.

As cosias perdidas tem dono, mas quem as encontra e não devolve não incorre em crime de furto por não ter realizado o ato de subtração. O crime é o de apropriação de coisa achada do art. 169, parágrafo único, II, CP.

Apropriação de coisa havida por erro, caso fortuito ou força da

natureza CP - Art. 169 - Apropriar-se alguém de coisa alheia vinda ao seu poder por erro, caso fortuito ou força da natureza:

Pena - detenção, de um mês a um ano, ou multa. Parágrafo único - Na mesma pena incorre:

Apropriação de coisa achada

II - quem acha coisa alheia perdida e dela se apropria, total ou parcialmente, deixando de restituí-la ao dono ou legítimo possuidor ou de entregá-la à autoridade competente, dentro no prazo de quinze dias.

È possível o furto de água encanada na medida em que esta tem dono, que é a empresa concessionária responsável pela captação, tratamento e distribuição.

Obs.: Nos casos de ligação clandestina de energia ou água em que não ocorre a marcação no relógio de luz ou água, o crime é o de furto. No entanto, quando o consumo é regularmente computado, mas o responsável pelo pagamento emprega uma fraude no relógio marcador para pagar uma conta menor, o crime é o de estelionato.

A subtração de cadáver ou de parte dele configura em regra crime do art. 211 do CP chamado subtração de cadáver ou parte dele. Quando o cadáver tem dono (como por exemplo: um museu ou uma universidade) o crime é o de

Para fins penais, tudo o que pode ser levado de um local para outro é móvel,

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furto, pois se trata de coisa alheia. Por sua vez, a subtração de órgão ou tecido

furto, pois se trata de coisa alheia. Por sua vez, a subtração de órgão ou tecido para fins de transplante configura crime do art. 14 da lei dos transplantes (lei 9434/97)

CP Destruição, subtração ou ocultação de cadáver Art. 211 - Destruir, subtrair ou ocultar cadáver ou parte dele:

Pena - reclusão, de um a três anos, e multa.

Lei 9434/97- Art. 14. Remover tecidos, órgãos ou partes do corpo de pessoa ou cadáver, em desacordo com as disposições desta Lei:

Pena - reclusão, de dois a seis anos, e multa, de 100 a 360 dias-multa. § 1.º Se o crime é cometido mediante paga ou promessa de recompensa ou por outro motivo torpe:

Pena - reclusão, de três a oito anos, e multa, de 100 a 150 dias-multa. § 2.º Se o crime é praticado em pessoa viva, e resulta para o ofendido:

  • I - incapacidade para as ocupações habituais, por mais de trinta dias;

    • II - perigo de vida;

      • III - debilidade permanente de membro, sentido ou função;

IV - aceleração de parto:

Pena - reclusão, de três a dez anos, e multa, de 100 a 200 dias-multa § 3.º Se o crime é praticado em pessoa viva e resulta para o ofendido:

  • I - Incapacidade para o trabalho;

    • II - Enfermidade incurável ;

      • III - perda ou inutilização de membro, sentido ou função;

IV - deformidade permanente;

  • V - aborto:

Pena - reclusão, de quatro a doze anos, e multa, de 150 a 300 dias-

multa. § 4.º Se o crime é praticado em pessoa viva e resulta morte:

Pena - reclusão, de oito a vinte anos, e multa de 200 a 360 dias-multa.

Quanto à subtração de objetos enterrados com o cadáver existem 2 correntes:

  • 1. Trata-se de crime de furto, pois estes objetos tem dono (= os sucessores do ofendido)

  • 2. Tais objetos equiparam-se às coisas abandonadas, pois os sucessores não tem interesse em tê-los de volta e por isso o crime é o de violação de sepultura (majoritária em termos doutrinários).

CP - Violação de sepultura

Art. 210 - Violar ou profanar sepultura ou urna funerária:

Pena - reclusão, de um a três anos, e multa. Art. 346 - Tirar, suprimir, destruir ou danificar coisa própria, que se acha em poder de terceiro por determinação judicial ou convenção:

Pena - detenção, de seis meses a dois anos, e multa.

Quem subtrai coisa própria que se encontre em poder de 3º em razão de um contrato ou de ordem judicial, prática o crime do art. 346 que é uma modalidade especial do crime de exercício arbitrário das próprias razões.

furto, pois se trata de coisa alheia. Por sua vez, a subtração de órgão ou tecido

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O credor, quando subtrai bem do devedor para se autorressarcir de dívida vencida e não paga,

O credor, quando subtrai bem do devedor para se autorressarcir de dívida vencida e não paga, comete exercício arbitrário das próprias razões em sua forma genérica do art. 345. Não tipifica o furto pela ausência de intenção de locupletamento ilícito.

Exercício arbitrário das próprias razões

CP- Art. 345 - Fazer justiça pelas próprias mãos, para satisfazer pretensão, embora legítima, salvo quando a lei o permite:

Pena - detenção, de quinze dias a um mês, ou multa, além da pena correspondente à violência. Parágrafo único - Se não há emprego de violência, somente se procede mediante queixa.

Quando uma coisa móvel pertence a 2 ou mais pessoas nas hipóteses de condomínio, coerança ou sociedade aquele que subtrai o bem todo que só lhe pertence em parte comete o crime do art. 156 chamado furto de coisa comum, desde que sua conduta provoque prejuízo aos demais (neste art. 156 a ação é pública condiciona a representação).

  • d) Ânimo de assenhoramento definitivo para si ou para outrem

Este é o elemento subjetivo do tipo, que também é chamado de animus rem sibi habendi. O elemento subjetivo genérico do furto é o dolo e o dolo de furtar é também conhecido como animus furandi. Quando ausente este requisito do furto, poderemos estar diante do chamado furto de uso em que o fato é considerado atípico, desde que presentes 2 requisitos:

d.1) Requisito subjetivo intenção de uso momentâneo da coisa alheia. Só se reconhece a atipicidade da conduta quando o uso dura algumas horas ou alguns poucos dias. Não é requisito do furto de uso a existência de uma situação de risco que precise ser afastada pelo uso da coisa alheia, pois em tais

hipóteses não há crime em razão do estado de necessidade. d.2) Requisito objetivo efetiva e integral devolução do bem. Se o bem for abandonado em outro local após um breve uso, haverá crime. Se o agente usa e devolve um veículo, mas antes retira uma peça ou acessório, responde pelo crime em relação a estes. Por fim, se o agente usa um veículo e o devolve algumas horas depois com muito menos combustível, responderá pelo crime em relação a este.

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Obs.: professor menciona que tem dois livros que escreveu que podem ser utilizados para nosso estudo:

*DIREITO PENAL ESQUEMATIZADO VICTOR EDUARDO RIOS GONÇALVES 6ª Edição (2016) Editora Saraiva

* Curso de direito penal - Parte especial (arts. 121 a 183) VICTOR EDUARDO RIOS GONÇALVES 1ª Edição (2016) Editora Saraiva

O credor, quando subtrai bem do devedor para se autorressarcir de dívida vencida e não paga,

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