Você está na página 1de 52

VOCABULÁRIO DA LÍNGUA PURI

VOCABULÁRIO DA LÍNGUA PURI Marcelo S. Lemos 2014 2ª edição 1

Marcelo S. Lemos

2014

2ª edição

1

Copyright © 2014, by Marcelo Sant' Ana Lemos

Direitos desta 2ª edição reservados ao autor. Qualquer reprodução total ou parcial desta obra sem autorização está proibida.

Coordenação editorial: Marcelo S. Lemos Ilustração da capa : Maximilian, Prinz von Wied Projeto Gráfico da capa: Marcelo S. Lemos

Lemos, Marcelo Sant' Ana, 1959- Vocabulário da Língua Puri (Português – Puri)/ Marcelo Sant' Ana Lemos. - Rio de Janeiro:Edicão do Autor, 2014. 2ª ed. 52 p.; 21cm.

1. Dicionário - Língua. 2. Índios da América do Sul 3.Grupos indígenas. I.Vocabulário da língua Puri. II – Marcelo Sant´Ana Lemos

CDD 498.016

306.089

3

AGRADECIMENTOS

A Antonio Policarpo Correa (in memoriam), meu antigo professor de português e vizinho, que me auxiliou na tradução do latim para o português do texto do Martius. Ao doutor Luiz Montez, professor de alemão da UFRJ, por auxiliar na tradução do texto do Ehrenreich, do alemão para o português. À Biblioteca Virtual Curt Nimuendaju, por conseguir o texto do Paul Ehrenreich e torná-lo acessível aos pesquisadores. Ao Bessa e à Simonne Teixeira, pelo apoio permanente às minhas pesquisas. À Maria Lucia, pela companhia, pelo apoio e incentivo, sempre. Ao meu amigo Francisco, por querer ver este trabalho pronto. Ao meu amigo Luiz Guilherme Scaldaferri, pelo constante diálogo sobre a questão indígena. À Edna Diniz Medeiros, pela ficha catalográfica. E aos meus filhos.

5

SUMÁRIO

Introdução

6

Metodologia

7

Parte 1

Notas bibliográficas dos coletores de vocabulários Puris

8

Parte 2

Tabela de autores

20

Vocabulário 21 Expressões na língua Puri 48 Fontes e referências bibliográficas 49

6

INTRODUÇÃO

Toda vez que acrescentava um verbete a este vocabulário, me perguntava: “Qual a importância de resgatar uma língua indígena morta?”. Nos primeiros anos, não responderia outra coisa senão: mera curiosidade sobre a cultura ou, então, sofisticando um pouco mais o argumento, porque procurava algumas pistas na toponímia que indicassem a passagem dos Puris por uma região, e os vocábulos poderiam me auxiliar.

Passados 13 anos desde que iniciei esta pesquisa – em paralelo à minha dissertação de mestrado, defendida em 2004, e, atualmente, à minha tese de doutorado –, posso afirmar que participo de um resgate cultural para pagar uma “dívida” com aqueles que tiveram seu passado, ou parte dele, suprimido pela historiografia, em decorrência de processos políticos do século XIX. Tais processos resultaram na construção de um manto de invisibilidade política e social sobre os índios fluminenses, paulistas, mineiros e capixabas, bem como sobre seus atuais descendentes. O processo de expansão cafeeira no Vale do Paraíba, durante o século XIX, conduziu ao contato/confronto com os povos indígenas que viviam na região, como: Puris, Coroados, Araris, Coropos, Caxixenes, Pitas, Xumetos etc. O processo de contato levou a essas populações doenças contra as quais não possuíam defesa, hábitos contra os quais se insurgiram e o surgimento de diversos aldeamentos ao longo do rio Paraíba, com o intuito de confiná-los para que os grandes senhores de escravos pudessem se assenhorar das terras do entorno para plantar café. Esses foram os casos dos aldeamentos fluminenses em São Luiz Beltrão (Resende); Rio Bonito e Valença (Valença); Santo Antônio de Pádua; São Fidelis e Aldeia de Pedra (atual Itaocara). Tais aldeamentos foram criados entre o final do século XVIII e o início do XIX, com suas respectivas sesmarias doadas aos índios. Impressiona o fato de que, antes da década de 1880, durante o Império, todas as terras foram confiscadas com a desculpa de que não havia mais índios “selvagens” e os que habitavam as antigas aldeias já estavam civilizados ou confundidos com a massa da população e, portanto, não tinham direito à terra doada aos seus antepassados!!! No inicio desta pesquisa, entrei em contato com inúmeras pessoas que sempre tinham uma história para contar sobre seus antepassados: o avô, o bisavô e a bisavó Puri que tinham sido pegos no laço; as bisavós índias Araris, orfãs encontradas na cachoeira ao lado do pai morto; a avó que falava uma língua que a neta não entendia e que a criou etc. Então, percebi que elas gostariam de saber quem foram esses antepassados indígenas, como eram, como falavam. O vocabulário poderia ser uma fonte de comparação com as palavras e os sons diferentes que a memória de alguns descendentes registrou em um passado distante. Só por essa possibilidade meu trabalho já estaria plenamente compensado, mas acredito que também possa auxiliar em trabalhos comparativos de línguas indígenas, desenvolvidos por linguistas, em diversas universidades do país.

7

METODOLOGIA

Este vocabulário tem uma característica única em relação a outros congêneres: a repetição proposital de algumas palavras. O fato deve-se à necessidade de comparar como o receptor ouviu o vocábulo da sua fonte, como captou aquele som e o transformou em registro escrito, quando for o caso. Os diversos vocabulários reunidos neste trabalho foram coletados em diferentes épocas e locais e por pessoas de diferentes nacionalidades: portugueses, brasileiros, franceses e alemães. Outro aspecto importante a ser levado em consideração é a distância geográfica, isto é, o autor de um vocábulo recolheu em uma província/estado; outro autor, em outra localidade (os Puris transitavam pelo rio Paraíba do Sul e seus afluentes, sendo aldeados em vários estados, como Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro ou Espírito Santo). Por conta dessa distância, eles têm o mesmo som e a mesma transcrição? Existem variações? Foram recebidos da mesma forma? O deslocamento e o isolamento das tribos poderiam provocar o surgimento de dialetos, ou seja, o fato de terem os mesmos vocábulos com sons e transcrições diferentes seriam um indicativo de que a distância e o isolamento possibilitariam a produção de diferenciações linguísticas? Também não devemos esquecer a nacionalidade dos coletores, pois as características fonéticas da língua do receptor interferem diretamente na percepção do som do emissor. As respostas a essas perguntas poderão ser dadas pelos linguistas que se debruçarem sobre esta publicação. Com o intuito de facilitar o reconhecimento dos autores dos vocábulos transcritos, identificamos entre parênteses as respectivas autorias e regiões das coletas. Por exemplo: D. Pedro II, em viagem pelo Espírito Santo, em 1860, teve um encontro com índios Puris que viviam na capital Vitória, em um pequeno bairro, pois tinham abandonado o Aldeamento Imperial Afonsino, devido ao rigor excessivo que o capuchinho Frei Bento de Genova queria lhes impor. Nesse contato, o imperador anotou um pequeno grupo de palavras, que aparecem no Vocabulário Português-Puri. Assim, sabe-se que aquelas palavras foram transcritas em 1860, em Vitória, no Espírito Santo, por D. Pedro II. Com isso, para cada verbete que tiver repetições, o leitor identifica a região, quem transcreveu e o ano da transcrição, facilitando o estudo comparativo. Outra novidade que esse trabalho traz, além de 426 verbetes, são 41 expressões coletadas em vocabulários. Nesta segunda edição, acrescentamos as palavras colhidas por Schott, que viajou no vale do Paraíba, em 1820, e também oito verbetes coletados em 1797, por Henrique Vicente Louzada Magalhães, encontrados em um manuscrito da Biblioteca Nacional. Em alguns vocábulos, há uma interrogação. Quando ocorre em meio à palavra, significa que a letra anterior ao ponto de interrogação admite outra interpretação, devido à dificuldade de interpretar a fonte manuscrita ou impressa, por conta do estado de conservação, reprodução ou impressão da mesma. Quando está no fim da palavra, indica que aquele vocábulo como um todo admite outra interpretação de sua transcrição, dada a dificuldade de interpretar a fonte.

Descartamos dois vocabulários como fonte de consulta:

1 – O Diccionário da língua geral dos índios do Brazil, reimpresso e augmentado com diversos vocabulários e offerecido a sua majestade imperial, escrito por João Joaquim da Silva Guimarães, em 1854. Trata-se de uma reimpressão do Diccionário portuguez e brasiliano, de Frei Veloso, principalmente sobre as línguas Tupi e Guarani, acrescido de alguns vocabulários, entre os quais há uma única palavra identificada como Puri: bandoleiro - puris, no dizer do autor;

2 – O vocabulário coletado por Manoel José Pires da Silva Pontes, entre o final do século XVIII e o início do XIX, ao longo do seu trabalho para o Império português, em Minas Gerais e no Espírito Santo, reproduzido na Revista do Arquivo Público Mineiro, em 1908, sobre a língua Tupi, que diz usar no seu contato com Coroados, Coropós e Puris. Seria necessário um estudo mais detalhado para separar alguma palavra de origem Puri que, porventura, esteja misturada, mas, na sua quase totalidade, se refere a palavras do tronco Tupi-Guarani.

Nesta publicação, estão reunidos 16 vocabulários, sendo o de Edouard Petrovich Ménetriès (inédito até hoje), a maior contribuição individual de verbetes para a língua Puri. Não logramos encontrar o vocabulário doado ao Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB), escrito pelo Padre Francisco das Chagas Lima, em que pesem nossos esforços nesse sentido.

8

PARTE I

NOTAS BIOGRÁFICAS DOS COLETORES DOS VOCABULÁRIOS PURIS

9

1) Alberto Noronha Torrezão – Engenheiro civil, estava a trabalho, na localidade de Abre-Campo, Zona da Mata, em Minas Gerais, no dia 6 de setembro de 1885, quando realizou uma entrevista com Manoel José Pereira e Antônio Francisco Pereira, remanescentes da nação Puri. O primeiro, já idoso, e o segundo, seu sobrinho-neto, lhe ensinaram algumas palavras da língua falada por seus ancestrais. Convém estar atento ao grau de aculturação dos informantes e à inexperiência de Noronha Torrezão como linguista. O vocabulário coletado foi publicado, em 1889, na Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, tomo LII, parte 1ª, páginas 511-514, pela Laemmert e Cia, no Rio de Janeiro. Os Puris moravam a três léguas do Arraial de Abre-Campo, em terras dos frades na localidade de Gramma.

de Abre-Campo, em terras dos frades na localidade de Gramma. Mapa assinalando Abre-Campo (MG), local da

Mapa assinalando Abre-Campo (MG), local da coleta dos vocábulos.

2) Adrien Balbi (Veneza, 1782-Pádua, 1848) - Adriano Balbi era filho de um governador da ilha de Veglia e ficou conhecido como Adrien Balbi. Foi geógrafo e estatístico, autor de vários estudos históricos, geográficos, estatísticos e linguísticos. Escreveu a maior parte da sua obra em francês e, inclusive, galicizou seu próprio nome. Em Portugal, colheu informações para várias de suas obras. Em 1826, publicou o Atlas Ethnographique du Globe, ou classification des peuples anciens et modernes d'après leurs langues, um trabalho de grande erudição, no qual aparecem 19 vocabulários Puris, que devem ter sido informados por Fernand Denis.

3) Aryon Dall’Igna Rodrigues (Paraná, 1925 – Brasília, 2014) – Era um dos mais renomados pesquisadores de línguas indígenas no Brasil. Ao longo de sua carreira, durante mais de seis décadas, se dedicou à analise e à documentação de várias línguas, como o Xetá e o Tupinambá, da família Tupi-Guarani, e o Kipeá, da família Kariri (Macro-Jê). Trabalhava, na UNB e dedicava-se ao estudo histórico-comparativo das línguas indígenas do continente, particularmente dos troncos Tupi. Em um dos seus estudos, trabalhou com alguns vocábulos Puris, que transcrevemos aqui. Não coletou diretamente, só compilou das fontes.

10

4) Dom Pedro II (1825–1891) - Foi o segundo e último monarca do Império brasileiro, tendo reinado no país de 1845 a 1889. Nasceu no Rio de Janeiro, teve uma educação erudita e eclética que o levou a se interessar por egiptologia e línguas indígenas. Quando visitou as províncias do norte do país, em 1860, coletou em Vitória, no Espírito Santo, um vocabulário da língua Puri fornecido por índios que saíram do Aldeamento Imperial Afonsino (hoje Conceição do Castelo) e foram morar em um bairro em Vitória. O encontro se deu após a hora do jantar (16 horas), nos jardins do Palácio, onde apareceram 24 índios Puris, com os quais dialogou, perguntou sobre seus costumes e coletou 110 vocábulos, transcritos neste dicionário.

e coletou 110 vocábulos, transcritos neste dicionário . Mapa assinalando a cidade de Vitória (ES), local

Mapa assinalando a cidade de Vitória (ES), local da coleta dos vocábulos.

5) Karl Friedrich Philipp von Martius (1794-1868) – Nasceu na cidade de Erlangen, norte da Baviera. Estudou medicina e formou-se, aos 20 anos de idade, em 1814. Continuou estudando botânica, trabalhando, desde 1816, como adjunto no Jardim Botânico de Munique. No período de 1817 a 1820, com Johann Baptist von Spix, percorreu o Brasil, como participante do séquito científico que acompanhou a arquiduquesa austríaca D. Leopoldina, imperatriz do Brasil. Ao regressar à pátria, Martius escreveu muitas obras, produtos dessas pesquisas, até seu falecimento. Entre elas, Beiträge zur Ethnographie und Sprachenkunde Amerikas, Zumal Brasiliens. II. Zur Sprachenkunde. Erlangen, Druck von Junge e John, 1863. Glossaria Linguarum Brasiliensium. Glossários de diversas línguas e dialetos que fallao os indios do Império do Brazil. Wörtersammlung brasilianisches Sprachen. Dr. Carl Friedrich Phillip von Martius, na qual encontramos, nas páginas 194 e 195, a reprodução de 45 vocábulos da língua Puri, coletados por ele e por autores aos quais teve acesso e compilou (Marliére, Eschewege, capuchinhos italianos da Aldeia de Pedra, atual Itaocara). Martius e Spix estiveram 21 dias na região do rio Xipotó, Fazenda Guindoval e Aldeia de Cipriano, em Minas Gerais, onde viviam os Coroados, Coropós e Puris, com quem tiveram contato e recolheram lendas, músicas e costumes, registrados no livro Viagem pelo Brasil. A maior parte, portanto, dos vocábulos foi de índios mineiros.

11

Mapas assinalando os municípios de Itaocara (RJ) e Visconde do Rio Branco (MG), locais de
Mapas assinalando os municípios de Itaocara (RJ) e Visconde do Rio Branco (MG), locais de

Mapas assinalando os municípios de Itaocara (RJ) e Visconde do Rio Branco (MG), locais de coleta dos vocábulos.

6) João Severino da Fonseca (1836-1897) – Nasceu na cidade de Alagoas (hoje chamada de Marechal Deodoro), na província de Alagoas, formou-se médico e ingressou no Corpo de Saúde do Exército, onde participou da Guerra do Paraguai. Foi diretor de diversos hospitais militares, senador da República, diplomata, atuando na Comissão de Limites entre Brasil e Bolívia, ocasião em que viajou até o Mato Grosso. Foi historiador, sócio do IHGB e escreveu o livro Viagem ao redor do Brasil, no qual, além de falar da sua viagem e da história das regiões que visitou, coletou vocabulários indígenas e os comparou. Neste livro, ele apresenta quatro vocábulos da língua Puri, mas não informa como os coletou.

7) Wilhem Ludwig von Eschwege (1777-1855) – Nasceu no landgraviato de Hesse-Kassel, na velha cidade de Eschwege, Alemanha. Era filho primogênito de um barão, do qual herdou o título. Inicialmente, estudou direito, em Göttingen, se transferindo, depois, para Marburg, a fim de estudar ciências naturais. Formou-se em 1800 e trabalhou em uma mina. Em 1802, recebeu um convite para trabalhar em Portugal ou no Brasil. Fica em Portugal de 1803 a 1809. Veio para o Brasil no dia 29 de março de 1810, onde ficou por quase 11 anos, trabalhando para o Governo em diversos cargos, principalmente em Minas Gerais. Regressou para a Europa em 9 de julho de 1821. Nos anos em que passou no Brasil, Eschwege viveu a maior parte em Minas Gerais, sendo que, em 1814, empreendeu uma viagem com o Sr. Georg Wilhelm Freyreiss, outro naturalista alemão, para a região do Presídio de São João Batista, atual cidade de Visconde de Rio Branco, onde se deparou com Coroados, Coropós e

12

Puris. Lá, anotou os vocabulários, comparando e avaliando as dificuldades do processo de transcrição correta, pois “frequentemente os sons reproduzidos diferentemente, não só por serem produzidos por pessoas diferentes, mas também pelo fato de se tratar de ouvintes diferentes. A dificuldade de transcrição aumenta quando o ouvinte e aquele que transcreve as palavras procedem de nações diferentes: jamais haverá congruência na forma escrita”. Eschwege era muito crítico em relação ao processo de coleta de vocábulos que resultasse de uma rápida estadia entre os povos indígenas, porque somente uma vivência prolongada daria condições a uma completa aprendizagem da língua. Avaliamos que tenha contado com a ajuda de Marliére na produção de seu vocabulário apresentado no livro Jornal do Brasil (1811-1817).

apresentado no livro Jornal do Brasil (1811-1817) . Mapa assinalando o município de Visconde do Rio

Mapa assinalando o município de Visconde do Rio Branco (MG), local de coleta dos vocábulos.

8) Francisco de Paula Ferreira de Resende (1832-1893) – Nasceu em Campanha, no sul de Minas. Formou-se advogado em São Paulo, foi Juiz de Órfãos em Queluz (MG) e, em 1861, foi para Feijão Cru (atual Leopoldina). Lá tomou contato com Puris muito rapidamente. Mais velho, escrevendo suas memórias (iniciadas na década de 1870), ao se lembrar dos Puris e do seu modo de vida, resolve levantar algum vocabulário, conseguindo, por meio do senhor Camilo José Gomes, que tinha 98 anos e conviveu com eles, uma série de informações e algumas palavras. As aldeias ficavam pela margem do rio Pomba, Roça Grande até a margem do rio Paraíba, pois os índios viviam mudando de local. Os seis vocábulos lembrados pelo velho e a palavra citada por Francisco formam os sete vocábulos dessa contribuição. O depoimento de Camilo José foi tomado por João Guilherme Gaede, amigo do autor e a seu pedido, tratando-se, portanto, de uma coleta que envolve, pelo menos, três intermediações (dos Puris para Camilo, de Camilo para João Guilherme e deste para a publicação de Francisco P. F. Resende).

13

Mapa assinalando o município de Leopoldina (MG), local de coleta dos vocábulos. 9) Maximilian, Prinz

Mapa assinalando o município de Leopoldina (MG), local de coleta dos vocábulos.

9) Maximilian, Prinz von Wied (1782-1867) – Nasceu em Neuwied, exerceu a carreira militar, tendo alcançado o posto de major-general. Além disso, se dedicava desde a juventude às ciências naturais. Viajou pelo Brasil, em companhia dos naturalistas Freyreiss e Sellow, durante os anos de 1815 a 1817, principalmente pela região litorânea, do Rio de Janeiro à Bahia, onde coletaram grandes coleções, entre elas mais de cinco mil plantas, conservadas no castelo de Neuwied. Durante a viagem, realizou cerca de duas centenas de desenhos, pinturas e esboços, incluindo retratos dos Puris no Espírito Santo e no Rio de Janeiro. Coletou diversos vocabulários indígenas, principalmente o Botocudo, mas não registrou muitas palavras Puris, apesar de ter visitado aldeias próximas a uma fazenda de um furriel, em São Fidelis, onde travou contato mais detalhado com esses índios, pois havia dois indivíduos que tinham passado a infância entre os portugueses e sabiam falar um pouco da língua portuguesa, facilitando o diálogo e A troca de informações. Além desse local, o príncipe colheu informações sobre os Puris no Quartel de Barreiras, na margem do rio Itabapoana, onde o oficial do posto forneceu informações sobre os índios. De sua obra, retiramos sete vocábulos.

sobre os índios. De sua obra, retiramos sete vocábulos. Mapa assinalando os municípios de São Fidélis
sobre os índios. De sua obra, retiramos sete vocábulos. Mapa assinalando os municípios de São Fidélis

Mapa assinalando os municípios de São Fidélis (RJ) e Presidente Kennedy (ES), locais de coleta dos vocábulos.

10) Faria, Sheila Siqueira de Castro – Doutora em História pela UFF,

pesquisadora do Núcleo de História Ibérica e Colonial na Época Moderna, escreveu para o livro Resgate: uma janela para o oitocentos, um ensaio sobre fortunas e famílias de Bananal, no qual explica a origem do nome da cidade, citando um termo que pode ser de origem Puri, incluído neste vocabulário.

14

Mapa assinalando o município de Bananal (SP), local de coleta do vocábulo. 11) Lima, Francisco

Mapa assinalando o município de Bananal (SP), local de coleta do vocábulo.

11) Lima, Francisco das Chagas Reis (1757-1832) - Nasceu em Curitiba, ordenou- se padre e atuou toda a sua vida na Capitania de São Paulo. Teve destacada atuação na catequese dos índios Puris de Queluz e dos Kaingáng da região dos Campos de Guarapuava. Escreveu um vocabulário da língua Puri, doado ao IHGB, pelo Padre Manoel Eufrázio de Oliveira, em 1843, mas que desapareceu dentro da instituição.

em 1843, mas que desapareceu dentro da instituição. Mapa assinalando o município de Queluz (SP), local

Mapa assinalando o município de Queluz (SP), local de coleta dos nomes indígenas.

12) Ménéstriès, Edouard P. (1802-1861) – Jean Maurice Ménéstriès nasceu na França, onde seguiu a vocação de ciências naturais e estudou com os eminentes zoólogos franceses Georges Cuvier e Pierre André Latraille. Trabalhou no Jardim Real, do Museu de História Natural de Paris, quando foi convidado, por Langsdorff, para participar da expedição ao Brasil, na qualidade de naturalista, aos 18 anos. Na Rússia, ficou conhecido como Edouard Petrovich Ménéstriès, e é como aparece na documentação microfilmada, na Fiocruz. Participou da expedição para Minas Gerais e, em 20 de julho de 1824, dirigiu-se à fazenda de José Lucas, três léguas ao norte do Presídio de São João Batista, onde havia uma aldeia Puri, em que coletou 209 vocábulos, além de uma letra de canção. Esse material inédito em língua portuguesa foi traduzido do francês e está incorporado ao dicionário Puri (com 183 vocábulos, não tendo sido possível identificar os 26 restantes por dificuldades na interpretação do manuscrito).

15

Mapa assinalando o município de Visc. Rio Branco (MG), local de coleta dos vocábulos inéditos.

Mapa assinalando o município de Visc. Rio Branco (MG), local de coleta dos vocábulos inéditos.

13) Magalhães, Henrique Vicente Louzada - Nasceu em São João Batista de Bragança, em Portugal, no século XVIII. Segundo Itamar Bopp, ele foi um dos precursores da plantação de cana no distrito de Vargem Grande, em Resende. O Capitão Comandante Henrique Vicente esteve presente e tomou parte ativa em diversos momentos da Freguesia de Campo Alegre e da fundação da Villa de Resende

em 29 de setembro de 1801. A pedido do Conde de Resende, em 1797, foi à Aldeia de S. Luiz Beltrão, na fronteira com Minas Gerais, para levantar ”todos e quaisquer produtos que produz a indústria dos índios deste distrito, compreendendo nos

os seus vestidos,

ornatos, (

Os oito vocábulos descritos

referidos produtos as armas (

remetesse eu uma relação com cada

remessa onde declara o nome vulgar de cada produto(

estão relacionados nesta publicação.

)

seus instrumentos músicos (

)

)”.

),

)

seus móveis domésticos, e (

músicos ( ) )”. ), ) seus móveis domésticos, e ( Mapa assinalando o município de

Mapa assinalando o município de Resende (RJ), local de coleta dos vocábulos.

14) Freyreiss, Georg Wilhelm (1789-1825) - Naturalista alemão, especializou-se em ornitologia. Caçador exímio e empalhador, trabalhou como camareiro de Langsdorff em sua viagem da Alemanha à Russia. De São Petesburgo, veio para o Brasil, em agosto de 1813, recomendado ao Sr. Lourenço Westin, Consul da Suécia e Noruega no Rio de Janeiro, que lhe forneceu os meios necessários para fazer as coleções de História Natural. Inicialmente, viajou com Eschewge, por Minas Gerais, tomando contato com os índios Coroados. Posteriormente, acompanhou o príncipe Maximiliano de Wied, na maior parte de sua viagem pelo litoral (1815-1817). Enviou para o Museu Westiano importantes coleções de aves (920), mamíferos (63), espécies vegetais (850) e sementes (400), entre outras. Morreu na Bahia, em 1825. Deixou um manuscrito em alemão, que pertence à Academia Real de Ciências de Estocolmo, onde aparecem 26 vocábulos Alemão-Puri, que traduzimos para constar neste vocabulário.

16

Mapas assinalando os municípios de Visconde de Rio Branco (MG) e São Fidelis (RJ), local
Mapas assinalando os municípios de Visconde de Rio Branco (MG) e São Fidelis (RJ), local

Mapas assinalando os municípios de Visconde de Rio Branco (MG) e São Fidelis (RJ), local de coleta dos vocábulos.

15) Rey, Philippe (?) - Veio pesquisar no Brasil, na Província de Minas Gerais, região do Rio Doce, em 1884. Visitou a aldeia de Etueto, onde entrou em contato com os Puris. Uma velha senhora Puri foi sua principal informante sobre os costumes e o vocabulário que transcreveu no Bulletin de la Societé d'Anthropologie de Paris (tomo 3, vol. 7, 1884, pp. 97-101), de onde traduzimos 120 verbetes.

vol. 7, 1884, pp. 97-101), de onde traduzimos 120 verbetes. Mapa assinalando o município de Santa

Mapa assinalando o município de Santa Rita do Itueto (MG), local de coleta dos vocábulos.

16) Ehrenreich, Paul (1855-1919) – Nasceu em Berlim e estudou antropologia na Alemanha. No Brasil, conheceu a região do Rio Doce, em 1884 e 1885, onde travou conhecimento com os povos indígenas Puris e Botocudos. Essa primeira viagem ao

17

Brasil resultou na publicação de dois textos: Über die Botokuden des Rio Doce e Die Puris Ostbrasiliens. No segundo texto, há um pequeno vocabulário coletado em sua visita às famílias Puris que moravam às margens do rio São Manoel, tributário do rio Manhuassu, em 1885, próximo à fazenda Leite. Seu informante foi o cacique Puri, com o auxílio de um guia que serviu de intérprete. Desse texto, 26 vocábulos foram extraídos para esta publicação.

26 vocábulos foram extraídos para esta publicação. Mapa assinalando o município de Mutum (MG), local de

Mapa assinalando o município de Mutum (MG), local de coleta dos vocábulos.

17) Schott, Heinrich Wilhelm (1794-1865) - Participou como botânico da missão austríaca enviada ao Brasil por ocasião do casamento do Imperador Pedro I com a Imperatriz Leopoldina, em 1817, para auxiliar o chefe da expedição, prof. Johan Christian Mikan, catedrático de História Natural da Universidade de Praga. Schott trabalhava nos jardins da corte, no Belvedere Superior, e foi indicado por Von Schreibers para essa missão. Encarregado de preparar as plantas e os animais vivos para a viagem à Europa, construiu um jardim de aclimatação denominado “Jardim das Plantas Imperiais”, que pertencia à Embaixada da Áustria, no Rio de Janeiro. Por conta dessa responsabilidade, sua mobilidade para atividades de coleta ficou reduzida a Província do Rio de Janeiro e áreas próximas. Em uma dessas viagens, em 1820, passou pela região do atual município de Além Paraíba (MG) e circuvizinhanças, onde encontrou um grupo de índios Puris, com o qual travou contato e recolheu informações, além de nove verbetes inseridos neste vocabulário.

além de nove verbetes inseridos neste vocabulário. Mapa assinalando o município de Além Paraíba (MG), local

Mapa assinalando o município de Além Paraíba (MG), local de coleta dos vocábulos.

18

PARTE 2 – VOCABULÁRIO AUTORES COMPILADOS

Torrezão, Alberto Noronha Martius, Karl F. P. von Dom Pedro II Fonseca, João Severino da Eschewege,W.L.V Rezende, Francisco de Paula Ferreira de Wied, Maximilian, Prinz von Rodrigues, Aryon Dall’Igna Faria, Sheila Siqueira de Castro Ménéstriès, Edouard P. Magalhães, Henrique Vicente Louzada Balbi,Adrien Freyreiss, Georg Wilhelm Rey, Philippe Ehrenreich, Paul Schott, H.W.

20

LETRA A

abacaxi, ananás – nanrin (Rey, Philippe) abelha – butan-bakè (Rey, Philippe) abrir – brâ (Ménéstriès, Edouard P.) acender – kandú (Torrezão, Alberto Noronha) acender – pothèh-gatchin ( Martius, Karl F. P. von) achar – iah (Torrezão, Alberto Noronha) adoecer – kondón (Torrezão, Alberto Noronha) agarrar – iahga (Torrezão, Alberto Noronha) água – m’nhâmã (Torrezão, Alberto Noronha) água – mniamâ(ng), mniamà ( Martius, Karl F. P. von) água – nhaman (Dom Pedro II) água - náma (obs : n nasalado) (Fonseca, João Severino da) água – ignamà (Ménéstriès, Edouard P.) água – nhama (Balbi,Adrien) água – niaman (Rey, Philippe) algodão – té où (Ménéstriès, Edouard P.) alma, espírito – tutak (Eschewege,W.L.V) alma - laman (Rey, Philippe) amamentar – ignattà – orbà (Ménéstriès, Edouard P.) amanhã – oèrâ (Ménéstriès, Edouard P.) amar - neka-ni-teu (Eschewege,W.L.V) amar - macapon (Rey, Philippe) amarelo – putuhra (Torrezão, Alberto Noronha) amarelo – bethlúnuna ( Martius, Karl F. P. von) amarelo – kot'aú (Ehrenreich, Paul) amarelo – mlin bacua (Rey, Philippe) amargamente – tammathih ( Martius, Karl F. P. von) amargo – kandjuh (Torrezão, Alberto Noronha) amigo – opé (Rezende, Francisco de Paula Ferreira de) andar – kehmûn (Torrezão, Alberto Noronha) andar – tlamun (Rey, Philippe) anta – pennân (Torrezão, Alberto Noronha) anta – tenân (Dom Pedro II) anta, tapir – penâng (Ehrenreich, Paul) anta – pénam (Rey, Philippe) anta – poèna (Ménéstriès, Edouard P.) anus – utang ( Martius, Karl F. P. von) ar, vento – nam d'jota (Eschewege,W.L.V) ar - omlè (Rey, Philippe) arara – djasvatahra (Torrezão, Alberto Noronha) arara – maráre (Eschewege,W.L.V) arara – inhamatára (Dom Pedro II) arara - jabotara (Rey, Philippe) arara – attâra (Ehrenreich, Paul) arara – batourà (Ménéstriès, Edouard P.) arco – ohmrin (Torrezão, Alberto Noronha) arco – prinî (Ménéstriès, Edouard P.) arco – mirining ( Martius, Karl F. P. von) arco – homrim (Dom Pedro II)

arco – cumrim – de pau com seu cordel (Magalhães, Henrique Vicente Louzada) areia – gavi-ly (Eschewege,W.L.V) areia – cavize (Freyreiss, Georg Wilhelm) arrancar – ton (Ménéstriès, Edouard P.) arroz – mem'rina (Torrezão, Alberto Noronha) árvore – mpó (Torrezão, Alberto Noronha) árvore – bondjára (Dom Pedro II) árvore – bô (Ménéstriès, Edouard P.) árvore – bocara (Rey, Philippe) assar – mbôri (Torrezão, Alberto Noronha) atado – timirî (Ménéstriès, Edouard P.) atingir, alcançar - galing ( Martius, Karl F. P. von) atirar, jogar – camaring ( Martius, Karl F. P. von) aurora – hopêdzotêna (Dom Pedro II) avô – antah (Torrezão, Alberto Noronha) avó – titinhan (Torrezão, Alberto Noronha) avô e avó – tá (Dom Pedro II) avô – tahe (Rey, Philippe) azul – beroròh ( Martius, Karl F. P. von) azul – prio aná (Ménéstriès, Edouard P.) azul - pessarekă (Ehrenreich, Paul)

22

LETRA B

baixo – dora-koara (Eschewege,W.L.V) banana maça – baoh (Torrezão, Alberto Noronha) banana – po (Rey, Philippe) barba – sorêpêda (Dom Pedro II) barba – to pôerà (Ménéstriès, Edouard P.) barba – oropira (Rey, Philippe) barbado – doquê (Dom Pedro II) barbado (macaco) – tokeh (Torrezão, Alberto Noronha) barbado (macaco) – nōkē ( Schott, H. W.) barco – mbo (Rey, Philippe) barriga – tikim (Torrezão, Alberto Noronha) barriga – ti qui (Ménéstriès, Edouard P.) batata – churumûm (Torrezão, Alberto Noronha) batata – saramun (Rey, Philippe) bater – pô (Ménéstriès, Edouard P.) batizar – nhamanconcusa baiuna (Dom Pedro II) beber – tch'mbá (Torrezão, Alberto Noronha) beber – gambá ( Martius, Karl F. P. von) beber – niamba (Rey, Philippe) bebida fermentada de milho - catipueira (Rezende, Francisco de Paula Ferreira de) beiço – tsché (Torrezão, Alberto Noronha) beiço – sóre-pê (Dom Pedro II) beija-flor – chindêda (Dom Pedro II) beija-flor – ndãde (Ehrenreich, Paul) beija-flor – tsipodera (Rey, Philippe) beijar – aprêbanbana (Dom Pedro II) beijo - bâna (Dom Pedro II) boca – tschoré (Torrezão, Alberto Noronha) boca – sôre (Dom Pedro II) boca – schorèh ( Martius, Karl F. P. von) boca – txôre (vocabulário comum a Puri, Coroado e Coropó) (Fonseca, João Severino da) boca – chàra (Ménéstriès, Edouard P.) boca – jora (Balbi,Adrien) boca – sori (Rey, Philippe) bocaina – djareh (Torrezão, Alberto Noronha) boi – tapira (Torrezão, Alberto Noronha) boi – tapira (Eschewege,W.L.V) boi – tapir (Freyreiss, Georg Wilhelm) boi – tapír (Ehrenreich, Paul) boi – tapira (Rey, Philippe) bom – schuteh (Torrezão, Alberto Noronha) bom, boa – thammatih, gamung ( Martius, Karl F. P. von) bom – brittà (Ménéstriès, Edouard P.) bom – beca (Rey, Philippe) bonito – schuteh (Torrezão, Alberto Noronha) bonito – matou (Ménéstriès, Edouard P.) bonito – malo (Rey, Philippe) borboleta - simpreùda (Dom Pedro II) borboleta – prön (Ehrenreich, Paul)

23

botocudo – racê (Dom Pedro II) braço – iacareh (Torrezão, Alberto Noronha) braço – cocóhra ( Martius, Karl F. P. von) braço – coára (Dom Pedro II) braço – corà choù prey (Ménéstriès, Edouard P.) braço – cocuara (Rey, Philippe) brajahuba (palm.) – pahtan (Torrezão, Alberto Noronha) branco (homem) – haranjúa (Torrezão, Alberto Noronha) branco (cor) – ona (Dom Pedro II) branco (cor) – beorona ( Martius, Karl F. P. von) branco (cor) – ohkarôna (Torrezão, Alberto Noronha) branco – bégotara (Rey, Philippe) branco (cor) – pótana (Ménéstriès, Edouard P.) brejaúba, brejaúva, ariri, iri(palmeira) – prinà ké (Ménéstriès, Edouard P.) bugio, guariba – to kè (Ménéstriès, Edouard P.)

24

LETRA C

cabeça – nguê (Torrezão, Alberto Noronha) cabeça – guèh ( Martius, Karl F. P. von) cabeça – anguê (Eschewege,W.L.V) cabeça – n'gué (Balbi,Adrien) cabeça – anque (Freyreiss, Georg Wilhelm) cabeça – ningue (Rey, Philippe) cabeça e cabelo – goêy (Ménéstriès, Edouard P.) cabelo – quê (Torrezão, Alberto Noronha) cabelo – guê (Dom Pedro II) cabelo – mgue (Rey, Philippe) caçar – copran (Rey, Philippe) caçar, correr – ourai (Ménéstriès, Edouard P.) cacau – tembóra (Torrezão, Alberto Noronha) cachaça – canojêna (Dom Pedro II) cachaça – cor(?)jon (Rey, Philippe) cachorro – chindê (Dom Pedro II) cachorro – shindeh (Torrezão, Alberto Noronha) cachorro, cão – joare (Wied, Maximilian, Prinz von) cachorro, cão – soudey (Ménéstriès, Edouard P.) café – pahrahda (Torrezão, Alberto Noronha) café – niaman-ouan (Rey, Philippe) cair – duthàna ( Martius, Karl F. P. von) cair – là pranà (Ménéstriès, Edouard P.) cair, pôr do sol - schambòna ( Martius, Karl F. P. von) caititu – sotakon (Torrezão, Alberto Noronha) caititu – sotlan (Dom Pedro II) caititu – chutlan-con (Rey, Philippe) calor – prehtôma (Torrezão, Alberto Noronha) caminho – chinô (Dom Pedro II) caminho – tsinna (Rey, Philippe) caminho – sanà (Ménéstriès, Edouard P.) cana de açúcar – tupânãriké (Torrezão, Alberto Noronha) cana de açúcar – capuna (Rey, Philippe) cana de açúcar – tubanna ( Martius, Karl F. P. von) canoa – bopê (Dom Pedro II) cantar – ndl'ôno (Torrezão, Alberto Noronha) cantar – gleureu (Rey, Philippe) capim – chipampeh (Torrezão, Alberto Noronha) capivara – bodaqueh (Torrezão, Alberto Noronha) capivara – botokjã (Ehrenreich, Paul) capoeira – chicopó (Torrezão, Alberto Noronha) capoeira (ave) – tsicopro (pode ser a ave chamaeza ruficauda) (Rey, Philippe) cara humana, figura – adarà (Ménéstriès, Edouard P.) carne – arikê (Torrezão, Alberto Noronha) carne – hanni-ké (Eschewege,W.L.V) carne – haniké (Freyreiss, Georg Wilhelm) carne – aré ké (Ménéstriès, Edouard P.) casa – guárá (Dom Pedro II) casa, cabana – guará vel cuari ( Martius, Karl F. P. von)

25

casa - scheù-me (Eschewege,W.L.V) casa – nguára (Torrezão, Alberto Noronha) casa, cabana, choça – cuari (Wied, Maximilian, Prinz von) casa – guara (Rey, Philippe) casado – simial (Rey, Philippe) casar – djeeh (Torrezão, Alberto Noronha) casar - cimiana (Dom Pedro II) casca – popeh (Torrezão, Alberto Noronha) cascata – niamancatsega (Rey, Philippe) cavalo - cavara (Eschewege,W.L.V) cavalo – carú (Dom Pedro II) cego – ahmripapúh (Torrezão, Alberto Noronha) céu - ocòra (obs. no texto alemão “das o dunkel” – o escuro) ( Martius, Karl F. P. von) céu – corà (Ménéstriès, Edouard P.) céu – olada (Rey, Philippe) chama – botè kè (Ménéstriès, Edouard P.) chamar – còmau (Ménéstriès, Edouard P.) chapéu – guênana (Dom Pedro II) chicote – tapira pèh ( Martius, Karl F. P. von) chorar – péô (Ménéstriès, Edouard P.) chover – nhãma ku-uh (Torrezão, Alberto Noronha) chover – ignamà hoù (Ménéstriès, Edouard P.) chover – kchu (Rey, Philippe) chuva – nhamangohúma (Dom Pedro II) chuva – manian cohu (Rey, Philippe) cinza – botè d'ou (Ménéstriès, Edouard P.) cipó – m'bra téhî (Ménéstriès, Edouard P.) círculos pequenos azuis pintados na maça do rosto – amboracauena (francês) (Dom Pedro II) cobra – shahmûm (Torrezão, Alberto Noronha) cobra – samman (Dom Pedro II) cobra-cega – thinà ton (Ménéstriès, Edouard P.) colar de dente de macaco – tan goâché (Ménéstriès, Edouard P.) colérico – kochna (Torrezão, Alberto Noronha) colo, pescoço – te tou (Ménéstriès, Edouard P.) colorir – touà tounà (Ménéstriès, Edouard P.) comer – maschê (Torrezão, Alberto Noronha) comer – tcker (Rey, Philippe) comer – chè (Ménéstriès, Edouard P.) contar – pikinda (Rey, Philippe) contente – aripòu aguerà (Ménéstriès, Edouard P.) conversar – tschére bacoiah (Torrezão, Alberto Noronha) conversar – cambôna (Dom Pedro II) coração – tatakk (Freyreiss, Georg Wilhelm) corda – tumah (Torrezão, Alberto Noronha) corpo humano – immih ( Martius, Karl F. P. von) córrego – nhãmanrúri (Torrezão, Alberto Noronha) cortar – lintschih ( Martius, Karl F. P. von) cortar – lò (Ménéstriès, Edouard P.) costela – prourà (Ménéstriès, Edouard P.) couro – peh (Torrezão, Alberto Noronha) coxa – cathèra ( Martius, Karl F. P. von) coxa – têrà (Ménéstriès, Edouard P.)

26

cozinhar – à souà (Ménéstriès, Edouard P.) criança – hereuma (Eschewege,W.L.V) criança – hereumᾰ (Freyreiss, Georg Wilhelm) criança – sambee (Rey, Philippe) cruz – tupan (Rey, Philippe) curar (eu curo) – ah ndond (Torrezão, Alberto Noronha) cutia – bohkôn (Torrezão, Alberto Noronha) cutia - baco (Rey, Philippe) cutia – pà cou (Ménéstriès, Edouard P.)

LETRA D

dançar - cocêbundana (Dom Pedro II) dançar – gleureu (Rey, Philippe) dardo, seta (?) - baüàh ( Martius, Karl F. P. von) dedo – sehabrera ( Martius, Karl F. P. von) dedo – prê prê (Ménéstriès, Edouard P.) deitar – katahra (Torrezão, Alberto Noronha) deitar – tara (Rey, Philippe) dente – utsché (Torrezão, Alberto Noronha) dente – tsé (Dom Pedro II) dente – djè (Balbi,Adrien) dente – echey (Ménéstriès, Edouard P.) dentes – tse (Rey, Philippe) dentes – tchéh ( Martius, Karl F. P. von) dentro – kschê (Torrezão, Alberto Noronha) deus – tupã (Torrezão, Alberto Noronha) deus - tupã (Wied, Maximilian, Prinz von) deus – tupang ( Martius, Karl F. P. von) deus - dokôra (Eschewege,W.L.V) deus – tupan (Dom Pedro II) deus – tupan (Freyreiss, Georg Wilhelm) deus – tupan (Rey, Philippe) deus – toupàn (Ménéstriès, Edouard P.) dia – opeh (Torrezão, Alberto Noronha) dia – vera ( Martius, Karl F. P. von) dia – dzanêmuda (Dom Pedro II) dia – bricca (Balbi,Adrien) dia – vemo (Rey, Philippe) diabo – ahndl'ahman (Torrezão, Alberto Noronha) diabo – tlong-ah ( Martius, Karl F. P. von) dinheiro – mretetêno (Torrezão, Alberto Noronha) doente – cadando (Rey, Philippe) dois – curiri (Balbi,Adrien) dois – ourê râ (Ménéstriès, Edouard P.) dor – kuandom-dó (Eschewege,W.L.V) dor – kuandom-do (Freyreiss, Georg Wilhelm) dormir – katahra (Torrezão, Alberto Noronha) dormir – thára ( Martius, Karl F. P. von) dormir – gamung ( Martius, Karl F. P. von) dormir - tara (Rey, Philippe)

LETRA E

em pé – pl'euák (Torrezão, Alberto Noronha) entanha – kopahra (Torrezão, Alberto Noronha) enterrar, sepultar – goâ chey vejo (Ménéstriès, Edouard P.) entidade indígena – nhaueira (Rezende, Francisco de Paula Ferreira de) erva – spanguéh ( Martius, Karl F. P. von) erva - schapúco (Eschewege,W.L.V) escuro – arena (Wied, Maximilian, Prinz von) espingarda – bôah (Torrezão, Alberto Noronha) espingarda – bohá (Dom Pedro II) espingarda – pûh ou mbauá (Ehrenreich, Paul) espirrar – bokè tê (Ménéstriès, Edouard P.) esquilo – vê chey (Ménéstriès, Edouard P.) estrada – chiman (Torrezão, Alberto Noronha) estrangeiro – tàgnié (Ménéstriès, Edouard P.) estrela – chúri (Torrezão, Alberto Noronha) estrela - melikô-na (Eschewege,W.L.V) estrela – tsùre (Dom Pedro II) estrela – melinkoena (Freyreiss, Georg Wilhelm) estrela – nikinda (Rey, Philippe) estrela – méréconà (Ménéstriès, Edouard P.) estrela magma – thiùhli ( Martius, Karl F. P. von) estrela pequena – miricòdha ( Martius, Karl F. P. von) eu – ah (Torrezão, Alberto Noronha) eu – gâ (Ménéstriès, Edouard P.)

29

LETRA F

faca – hum'ran (Torrezão, Alberto Noronha) faixa em que abriga(carrega) os filhos – pà kè (Ménéstriès, Edouard P.) falar – koiah (Torrezão, Alberto Noronha) falcão, gavião – màrú (Ménéstriès, Edouard P.) farinha – makiphara (Torrezão, Alberto Noronha) farinha de mandioca – bihuh ( Martius, Karl F. P. von) feder – choù (Ménéstriès, Edouard P.) feijão – chumbêna (Torrezão, Alberto Noronha) feijão – tsabena (Rey, Philippe) feio – krohkon (Torrezão, Alberto Noronha) feio – matou com (Ménéstriès, Edouard P.) femea – t(?)rema (Rey, Philippe) ferir – capòh ( Martius, Karl F. P. von) ferro – hum'ran (Torrezão, Alberto Noronha) ferro – guamaratèh ( Martius, Karl F. P. von) ferro – còmaran (Ménéstriès, Edouard P.) fiar – tèouti (Ménéstriès, Edouard P.) filha – chambé (Torrezão, Alberto Noronha) filha – mbaima ( Martius, Karl F. P. von) filha – shambé boêma (Eschewege,W.L.V) filha – schambé-boëma (Freyreiss, Georg Wilhelm) filha – pombey (Ménéstriès, Edouard P.) filho – chambé (Torrezão, Alberto Noronha) filho - shambé (Eschewege,W.L.V) filho – sambê (Eschewege,W.L.V) filho - schambé (Freyreiss, Georg Wilhelm) flecha – aphon (Torrezão, Alberto Noronha) flecha – obouug (Wied, Maximilian, Prinz von) flecha – pún (Rodrigues, Aryon Dall’Igna) flecha – ariníng (Ehrenreich, Paul) flecha (escrito frecha no original) - põm (Dom Pedro II) flecha – pooni (Rey, Philippe) flecha de pelota – puêrê(â?) (Magalhães, Henrique Vicente Louzada) flecha de farpa – curixa (Magalhães, Henrique Vicente Louzada) flor – pl'okeh (Torrezão, Alberto Noronha) flor – pou baina ( Martius, Karl F. P. von) flor - canapénêma (Dom Pedro II) flor – penenan (Rey, Philippe) floresta – montay ( Martius, Karl F. P. von) florzinha – pô-pâna (Torrezão, Alberto Noronha) fogo – boteh (Torrezão, Alberto Noronha) fogo – pothéh, pollach ( Martius, Karl F. P. von) fogo - potê (Eschewege,W.L.V) fogo – potê (Dom Pedro II) fogo – poté (Wied, Maximilian, Prinz von) fogo – pote (Balbi,Adrien) fogo – poté (Rey, Philippe) fogo – boté (Ménéstriès, Edouard P.) foice – hum'ran (Torrezão, Alberto Noronha)

30

folha – yòpè (Ménéstriès, Edouard P.) folha da palmeira brejaúba, brejaúva, ariri, ou iri - tûni (Ménéstriès, Edouard P.) folhas – djop'leh (Torrezão, Alberto Noronha) fome – temembôno (Torrezão, Alberto Noronha) fome – taim bòna ( Martius, Karl F. P. von) fome – tenbom (Rey, Philippe) força – mehtl'on (Torrezão, Alberto Noronha) frio – nhamaitú (Torrezão, Alberto Noronha) frio – krim (Freyreiss, Georg Wilhelm) frio – brit tou còn (Ménéstriès, Edouard P.) fruta – mor-keh ( Martius, Karl F. P. von) fruta cítrica – cahiramnuna ( Martius, Karl F. P. von) fruta cítrica ácida – tariniàna ( Martius, Karl F. P. von) fumar – bokè chè (Ménéstriès, Edouard P.) fumo – pokeh (Torrezão, Alberto Noronha) fumo - pokē (Schott, H.W.) fui – mahmûm (Torrezão, Alberto Noronha) fundo,profundo – dora-koasa (Freyreiss, Georg Wilhelm)

31

LETRA G

galinha – coru hêre (Dom Pedro II) gambá – slháriuô (Torrezão, Alberto Noronha) gambá – saro ey (Ménéstriès, Edouard P.) gente branca – peróna (Dom Pedro II) gente preta – pehuana (Dom Pedro II) gordo – ourounà tà (Ménéstriès, Edouard P.) gostar – tl'amatl'i (Torrezão, Alberto Noronha) grande - rune (fr.) (Dom Pedro II) grande – orun (Rey, Philippe) grande – ourounà (Ménéstriès, Edouard P.) grande – hereu (Eschewege, W.L.V) gritar – cochà (Ménéstriès, Edouard P.) guerra – guascheh ( Martius, Karl F. P. von) guerra – mligape (Rey, Philippe)

LETRA H

hoje – miti (Ménéstriès, Edouard P.) homem – hakorrema (Torrezão, Alberto Noronha) homem – guaéma ( Martius, Karl F. P. von) homem – kuai-ma (Eschewege,W.L.V) homem – cohêna (Dom Pedro II) homem – coaimá (Fonseca, João Severino da) homem – coema (Rey, Philippe) homem branco – araijo beorono, rayon ( Martius, Karl F. P. Von) homem branco – raion (Wied, Maximilian, Prinz von) homem branco – raial orutu (pessoa valente) (Rezende, Francisco de Paula Ferreira de) homem negro – tapanhô (Rezende, Francisco de Paula Ferreira de)

33

LETRA I

intestino – pec carè (Ménéstriès, Edouard P.) ir – moun (Rey, Philippe) irmã – salte (Rey, Philippe) irmã – sattà é maêma (Ménéstriès, Edouard P.) irmão – schahtâm (Torrezão, Alberto Noronha) irmão – schemaung ( Martius, Karl F. P. von) irmão – makascha-jtane (Eschewege,W.L.V) irmão ou irmã – tsatê (Dom Pedro II) irmão – mekataschone (Freyreiss, Georg Wilhelm) irmão – satle (Rey, Philippe) irmão – sattà é goénxà (Ménéstriès, Edouard P.)

LETRA J

jacaré – gouarâ râ (Ménéstriès, Edouard P.) jacu – satlan (Rey, Philippe) jacucaca – schák-on (Torrezão, Alberto Noronha) jacuguaçu – t'erlan (Ménéstriès, Edouard P.) jacutinga – pittah (Torrezão, Alberto Noronha) jaguar – paüân (Ehrenreich, Paul) jaguatirica – jogót-ahmúm (Torrezão, Alberto Noronha) jaó – mboré (Torrezão, Alberto Noronha) jaó – ambori (Rey, Philippe) jararaca (gên. brothrops) – ara rò (Ménéstriès, Edouard P.) javali – sutlan (o autor se referia ao queixada - tayassu pecari) (Rey, Philippe) joelho – tuonri (Torrezão, Alberto Noronha) joelho – matouri (Ménéstriès, Edouard P.) jovem – guaéma ( Martius, Karl F. P. von) jovem, rapaz – ejé mònâ (Ménéstriès, Edouard P.)

35

LETRA L

lagarto - appehrtô (Torrezão, Alberto Noronha) lagarto - – tlacâhra ( Martius, Karl F. P. von) lagarto (lacerta ameiva) – gouarâ (Ménéstriès, Edouard P.) lago – niaman lura (Rey, Philippe) lagoa – nhãma-rorá (Torrezão, Alberto Noronha) lagoa – pon-hom (Dom Pedro II) laranja – bioké (Rey, Philippe) leite – nhamanta (Eschewege,W.L.V) leite – namante (Freyreiss, Georg Wilhelm) levantar – ml'itôn (Torrezão, Alberto Noronha) levar, trazer, usar – à ney (Ménéstriès, Edouard P.) lindo – schuteh (Torrezão, Alberto Noronha) língua – toppeh (Torrezão, Alberto Noronha) língua – thompé (Dom Pedro II) língua – hamá (Puri e Xopotó) (Fonseca, João Severino da) língua – topé (Balbi,Adrien) língua – topey (Ménéstriès, Edouard P.) longe – arípa (Rey, Philippe) longo – tamariponham (ver vocabulário noite) (Freyreiss, Georg Wilhelm) lontra – bànàrà (Ménéstriès, Edouard P.) lua – petahra (Torrezão, Alberto Noronha) lua – phethania ( Martius, Karl F. P. von) lua – petãra (Dom Pedro II) lua – pitara (Balbi,Adrien) lua – petan (Ménéstriès, Edouard P.) lua cheia – pêtan ourouna (Ménéstriès, Edouard P.) lua minguante – pêtan à cayonnà (Ménéstriès, Edouard P.) lua nova – pêtan orou (Ménéstriès, Edouard P.) luz – poteh (Torrezão, Alberto Noronha)

36

LETRA M

macaca – pára (Dom Pedro II) macaco – tanguah (Torrezão, Alberto Noronha) macaco – tanguá (Dom Pedro II) macaco – tanguâ (Ehrenreich, Paul) macaco – tănguā ( Schott, H.W.) macaco, mico – tan gouà (Ménéstriès, Edouard P.) macaco da noite – bâ rit ti (Ménéstriès, Edouard P.) macuco – shipahra (Torrezão, Alberto Noronha) macuco – spara (Rey, Philippe) madeira,lenha - umbòh ( Martius, Karl F. P. von) madeira – ambo (Eschewege,W.L.V) madeira,pau – am bô (Ménéstriès, Edouard P.) madrugada – vemudah (Torrezão, Alberto Noronha) mãe – inhan (Torrezão, Alberto Noronha) mãe – titschêng (e nasalado) ( Martius, Karl F. P. von) mãe – ayam (Eschewege,W.L.V) mãe – inhãn (Dom Pedro II) mãe – anha (Balbi,Adrien) mãe – ayam (Freyreiss, Georg Wilhelm) mãe – aiän (Ehrenreich, Paul) mãe – nian (Rey, Philippe) mãe – agnan (Ménéstriès, Edouard P.) mãe – anjăn ( Schott, H. W.) magro – còrò tey (Ménéstriès, Edouard P.) mais, em maior número – o ròu (Ménéstriès, Edouard P.) mama – y gnatà (Ménéstriès, Edouard P.) mama – mniatá ( Martius, Karl F. P. von) mamar – nhamantá – hm'bá (Torrezão, Alberto Noronha) maminha – nhamantah (Torrezão, Alberto Noronha) mandioca – veijuh (Torrezão, Alberto Noronha) manhã – tuschàra ( Martius, Karl F. P. von) mão – chapeprera (Torrezão, Alberto Noronha) mão – schaperré (Eschewege,W.L.V) mão, dedo e pé - sápre (Dom Pedro II) mão – core (Balbi,Adrien) mão – schaperre (Freyreiss, Georg Wilhelm) mão – choù prey (Ménéstriès, Edouard P.) marchar – dorâ (Ménéstriès, Edouard P.) mas – makim (Rey, Philippe) mata (com o ferro) – môm'ran (Torrezão, Alberto Noronha) matar (com o pau) – mopô (Torrezão, Alberto Noronha) mato – bondé (Dom Pedro II) mato virgem – tschóre (Torrezão, Alberto Noronha) mau – krohkon (Torrezão, Alberto Noronha) mau – taschitangeli ( Martius, Karl F. P. von) mau – corcon (Rey, Philippe) mau – brittà còn (Ménéstriès, Edouard P.) meio dia – Hhuáratirukah (Torrezão, Alberto Noronha) meio dia – guaratirucáh ( Martius, Karl F. P. von)

meio dia – nopêungûranacá (Dom Pedro II) meio dia – opey gorà ocuà (Ménéstriès, Edouard P.) mel – butan (Torrezão, Alberto Noronha) mel – bujan (Rey, Philippe) mel – pòtan (Ménéstriès, Edouard P.) menino – oronmatê (Dom Pedro II) meu – ah (Torrezão, Alberto Noronha) meu – ei (Rodrigues, Aryon Dall’Igna) milho – maki (Torrezão, Alberto Noronha) moça – mbl'êma schu teh (Torrezão, Alberto Noronha) mono – pahra (Torrezão, Alberto Noronha) montanha ou monte – pre-dyóta (Torrezão, Alberto Noronha) montanha – prino (Rey, Philippe) montanha – ourourou (Ménéstriès, Edouard P.) morar – lekah (Torrezão, Alberto Noronha) morcego – shinâli (Ehrenreich, Paul) morcego – t'chi mirî (Ménéstriès, Edouard P.) morder – trchemurung (Torrezão, Alberto Noronha) morder - tschimurung ( Martius, Karl F. P. von) morrer – mbôno (Torrezão, Alberto Noronha) morrer – ambô - nam (Eschewege,W.L.V) morrer – dzondlan (Dom Pedro II) morrer – ambo-nam (Freyreiss, Georg Wilhelm) morrer – làn (Ménéstriès, Edouard P.) morte – nédlan (Rey, Philippe) muito – tléra (Rey, Philippe) muito – tan (Schott, H. W.) mulher – mbl'êma (Torrezão, Alberto Noronha) mulher – mbaima ( Martius, Karl F. P. von) mulher – boëmann (Eschewege,W.L.V) mulher – bêma (Dom Pedro II) mulher – boëman (Freyreiss, Georg Wilhelm) mulher grávida – grittî (Ménéstriès, Edouard P.) música – canarêmùndê (Dom Pedro II) mutum – tsibulla (Rey, Philippe) mutum do sudeste ou mutum do bico vermelho – t'chà cou (Ménéstriès, Edouard P.)

38

LETRA N

nadar – niaman catsma (Rey, Philippe) nadar – ignama lê (Ménéstriès, Edouard P.) não – d'jere ou con – empregado como negação (Ménéstriès, Edouard P.) não – ndjērĭ – ou não quero (Schott, H. W.) nariz – ahm'ni (Torrezão, Alberto Noronha) nariz – ingni ( Martius, Karl F. P. von) nariz – inhi (Fonseca, João Severino da) nariz – nim (Dom Pedro II) nariz – nhè (Balbi,Adrien) nariz – ne (Rey, Philippe) nariz – i gnoiy (Ménéstriès, Edouard P.) navalha – morandèh ( Martius, Karl F. P. von) negro – beungàna ( Martius, Karl F. P. von) negro – tapa gnè (Ménéstriès, Edouard P.) névoa – ignamá êtte (Ménéstriès, Edouard P.) nhambú – shaprúra (Torrezão, Alberto Noronha) ninho – guara bakete (casa para colocar ovo) (Rey, Philippe) noite – mripôn (Torrezão, Alberto Noronha) noite – mirribauana ( Martius, Karl F. P. von) noite – tamariponham (Eschewege,W.L.V) noite – mnipaunde (Dom Pedro II) noite – toscháre (Freyreiss, Georg Wilhelm) noite – moripona (Rey, Philippe) nuvem – huerahschka (Torrezão, Alberto Noronha) nuvem – haèragga ( Martius, Karl F. P. von) nuvem – cothâno (Dom Pedro II)

39

LETRA O

odiar – schtengeli ( Martius, Karl F. P. von) olho – mri (Torrezão, Alberto Noronha) olho – mirih ( Martius, Karl F. P. von) olho – miri (Balbi,Adrien) olho – omli (Rey, Philippe) olhos – mnin (Dom Pedro II) olhos – miré (Ménéstriès, Edouard P.) ombro – tabbáh (Wied, Maximilian, Prinz von) ombro – ourê (Ménéstriès, Edouard P.) onça – pon-na (Torrezão, Alberto Noronha) onça – pon-han (Dom Pedro II) onça – ponuan (Rey, Philippe) onça – pama com (Ménéstriès, Edouard P.) onça – paŏaõ (Schott, H.W) onça negra, pantera negra – pàmà pèoan (Ménéstriès, Edouard P.) orar – tupan bos (?) (Rey, Philippe) orelha – bipihna ( Martius, Karl F. P. von) orelha – pipinda (Dom Pedro II) orelha – bipihna (Fonseca, João Severino da) orelha – pipera (Rey, Philippe) orelha – pennà (Ménéstriès, Edouard P.) osso – am'ni (Torrezão, Alberto Noronha) osso – ammi ( Martius, Karl F. P. von) ouriço-cacheiro (coendu prehensilis) – hóu hou (Ménéstriès, Edouard P.) ouro – mretetêna (Torrezão, Alberto Noronha) ouro – nmaranapèhna ( Martius, Karl F. P. von) ouro – mirê tá tey (Ménéstriès, Edouard P.) ovos – kè (Ménéstriès, Edouard P.)

40

LETRA P

paca – arotah (Torrezão, Alberto Noronha) paca – orotó (Dom Pedro II) paca – roto (Rey, Philippe) paca – orà tò (Ménéstriès, Edouard P.) padre – tupan (Rey, Philippe) pai – attéh ( Martius, Karl F. P. von) pai – ahré (Eschewege,W.L.V) pai – rê (Dom Pedro II) pai – jare (Balbi,Adrien) pai – ahré (Freyreiss, Georg Wilhelm) pai – attèh (Ehrenreich, Paul) pai – are (Rey, Philippe) pai – chârè (Ménéstriès, Edouard P.) pai - hărē ou hălē (Schott, H. W.) palavra – boacé (Dom Pedro II) palmeira – mundsonke (Rey, Philippe) palmito (palm.)- ehkah (Torrezão, Alberto Noronha) papagaio (jurujuba) – shi trohra (Torrezão, Alberto Noronha) papagaio – chiclóra (Dom Pedro II) papagaio – tlora (Rey, Philippe) parir, dar à luz – teӯ (Ménéstriès, Edouard P.) parte inferior do peito - chàman (Ménéstriès, Edouard P.) passarinho – chipú (Torrezão, Alberto Noronha) pássaro – tehipùtê (Dom Pedro II) pássaro – tsipoté (Rey, Philippe) – chapêprêra (Torrezão, Alberto Noronha) – schabrera ( Martius, Karl F. P. von) – conro (Dom Pedro II) – txapere (Rodrigues, Aryon Dall’Igna) pé – supre (Balbi,Adrien) pé – choù (Ménéstriès, Edouard P.) pedir – mapro (Rey, Philippe) pedir – ga pi (Ménéstriès, Edouard P.) pedra – uk'huá (Torrezão, Alberto Noronha) pedra – aldoa (Eschewege,W.L.V) pedra – cuá (Dom Pedro II) pedra – atloᾰ (Freyreiss, Georg Wilhelm) pedra – okua (Rey, Philippe) pedra grande - cuarune (u francês) (Dom Pedro II) pedra pequena – cuaté (Dom Pedro II) peito – puiltha ( Martius, Karl F. P. von) peito – piura (Dom Pedro II) peito – poëra (Ménéstriès, Edouard P.) peito de mulher - nhamatá (Dom Pedro II) peixe – nhamaquê (Torrezão, Alberto Noronha) peixe – miamã-kjä (Ehrenreich, Paul) peixe – niamke (Rey, Philippe) pena – chipupé (Torrezão, Alberto Noronha) pena – schibubéh ( Martius, Karl F. P. von)

41

penas,pelos,pele – pé (Ménéstriès, Edouard P.) pênis – seheng ( Martius, Karl F. P. von) pequeno – brirecá (Dom Pedro II) pequeno – brinc (Rey, Philippe) pequeno – criquiâ mirê (Ménéstriès, Edouard P.) perna – katehra (Torrezão, Alberto Noronha) perna – tschàra-aüra ( Martius, Karl F. P. von) perna – cathêda (Dom Pedro II) perna – d'jorá (Ménéstriès, Edouard P.) pescoço – thong ( Martius, Karl F. P. von) pescoço – goáre (Dom Pedro II) poeira – alkeh ( Martius, Karl F. P. von) pombo – schandô (Torrezão, Alberto Noronha) pombo – d'jendokou (Rey, Philippe) pombo – sau douà (Ménéstriès, Edouard P.) porco – sotanxira (Torrezão, Alberto Noronha) porco – clacida (Rey, Philippe) porco – chorà cou (Ménéstriès, Edouard P.) porco castrado – açohtl'axira (Torrezão, Alberto Noronha) pote – pon (Torrezão, Alberto Noronha) preá – morô key (Ménéstriès, Edouard P.) preguiça – anà (Ménéstriès, Edouard P.) preto – pehuôno (Torrezão, Alberto Noronha) preto – tenhô (Dom Pedro II) preto – huana (Dom Pedro II) preto - tânghuană (Ehrenreich, Paul) preto – pèoan (Ménéstriès, Edouard P.) profundo – louarpà dey (Ménéstriès, Edouard P.) pud.mutieris – tocoh (Torrezão, Alberto Noronha) pud.hominis – ashim (Torrezão, Alberto Noronha) pular - guaschantl'eh (Torrezão, Alberto Noronha)

LETRA Q

quati – schamutan (Torrezão, Alberto Noronha) quati – samoulan (Rey, Philippe) quati – sal tan (Ménéstriès, Edouard P.) queimar – d'ôu (Ménéstriès, Edouard P.) queixada – sôtan (Torrezão, Alberto Noronha) queixo – cocoanda (Dom Pedro II) queixo – tomatse (Rey, Philippe) quente – brit tou (Ménéstriès, Edouard P.) quixerenguegue – peh'oh (Torrezão, Alberto Noronha)

LETRA R

raio – nhamantáran (Dom Pedro II) raio – ignamá boté (Ménéstriès, Edouard P.) ramo – pôtl'ica (Torrezão, Alberto Noronha) ramo – potihlica ( Martius, Karl F. P. von) rapadura – capôna (Torrezão, Alberto Noronha) raso,curto – tinicà là oaï (Ménéstriès, Edouard P.) rede – bêtá (Dom Pedro II) rede – beta (Rey, Philippe) rede – mêtà (Ménéstriès, Edouard P.) rede grande – pratatagna (Magalhães, Henrique Vicente Louzada) relâmpago, trovão – nhamam preri (Eschewege,W.L.V) relâmpago – nhamanmnemunbrùme (Dom Pedro II) relâmpago – ignamá migò (Ménéstriès, Edouard P.) remo – bocanacharãna (Dom Pedro II) respirar – tathéh ( Martius, Karl F. P. von) restilo – canjâna (Torrezão, Alberto Noronha) rio – mnhãma-rôra (Torrezão, Alberto Noronha) rio – nhamantuza (francês) (Dom Pedro II) rio - náma (obs : n nasalado) (Fonseca, João Severino da) rio sinuoso (rio paraíba) – banani (cfe. tradição em Bananal,SP) (Faria, Sheila Siqueira de Castro) rir – l'ipon (Torrezão, Alberto Noronha) rir – ari pòu (Ménéstriès, Edouard P.) rosto – poréh (Torrezão, Alberto Noronha) roupa – antuh (Torrezão, Alberto Noronha) rusga – guaschê (Torrezão, Alberto Noronha)

44

LETRA S

sagui – mirité (Dom Pedro II) sal – horvi (Torrezão, Alberto Noronha) saltar – guaschantleh ( Martius, Karl F. P. von) sangue – ahtl'im (Torrezão, Alberto Noronha) sangue – krim (Eschewege,W.L.V) sangue – sly hà (Ménéstriès, Edouard P.) santo – tupan (Torrezão, Alberto Noronha) sapo – shaluh (Torrezão, Alberto Noronha) sapo – gân coù (Ménéstriès, Edouard P.) sapucaia – lonke (Rey, Philippe) sauá (macaco) – beht-amûm (Torrezão, Alberto Noronha) seio – mniatà ( Martius, Karl F. P. von) seio – niamala (Rey, Philippe) serpente – chà moui (Ménéstriès, Edouard P.) serra – prè-d'jekka (Eschewege,W.L.V) serra, grupo de montanhas – ourourou nà (Ménéstriès, Edouard P.) seta – arining (Ehrenreich, Paul) sim – ta (Freyreiss, Georg Wilhelm) sim – oà (Ménéstriès, Edouard P.) sobrancelha – mnin-hoda (Dom Pedro II) sobrancelha – mirioda (Rey, Philippe) sobrancelha – miré orà (Ménéstriès, Edouard P.) sol – oppen (Torrezão, Alberto Noronha) sol - poopê (Eschewege,W.L.V) sol – hopê (Dom Pedro II) sol - ope (Balbi,Adrien) sol – aopé (Freyreiss, Georg Wilhelm) sol – oppe (Rey, Philippe) sol – opey (Ménéstriès, Edouard P.) soltar, largar – pônà (Ménéstriès, Edouard P.) sono – tárana (Dom Pedro II) suar – are pò (Ménéstriès, Edouard P.)

45

LETRA T

tabaco – boqueníchuna (Dom Pedro II) tabaco – poke (Rey, Philippe) tabaco, fumo – póke ( Martius, Karl F. P. von) tamanduá bandeira – ouroucou (Ménéstriès, Edouard P.) tamanduá mirim – t'chà miri (Ménéstriès, Edouard P.) tanga dos homens (tapa sexo) – iapã (Magalhães, Henrique Vicente Louzada) tanga das mulheres (tapa sexo) – atupa (Magalhães, Henrique Vicente Louzada) taquara – uhtl'na (Torrezão, Alberto Noronha) tardinha – toschá (Torrezão, Alberto Noronha) tardinha – toshora (Eschewege,W.L.V) tatu – tutú (Torrezão, Alberto Noronha) tatu – tlou tlou (Rey, Philippe) tatu – eerlòu (Ménéstriès, Edouard P.) terra – uchô (Torrezão, Alberto Noronha) terra – guaschèh ( Martius, Karl F. P. von) terra – aje (Balbi, Adrien) terra – ache (Ménéstriès, Edouard P.) testa – poreh (Torrezão, Alberto Noronha) testa – pórê (Dom Pedro II) testa – mnin-pèda (Dom Pedro II) testa – poèra (Ménéstriès, Edouard P.) testículo – schimbacci ( Martius, Karl F. P. von) tio – ináh (Ehrenreich, Paul) tio – magine (Rey, Philippe) tiro – capùna (Dom Pedro II) tornozelo do pé – to urê (Ménéstriès, Edouard P.) tossir – tòker lan (Ménéstriès, Edouard P.) toucinho – ahnhimim (Torrezão, Alberto Noronha) toucinho – nmnimi ( Martius, Karl F. P. von) trepar (em árvore) – bocuah (Torrezão, Alberto Noronha) três (sentido de muito) - prica (Balbi,Adrien) tronco – pou-rèna ( Martius, Karl F. P. von) trovão – nhamanmudórum (Dom Pedro II) trovão – merendora (Rey, Philippe) trovejar – tupan ruhuhó (Torrezão, Alberto Noronha) trovejar – ignamá tà (Ménéstriès, Edouard P.) trovoada – niaman mrendora (Rey, Philippe) tucano – chiarandó (Dom Pedro II) tucano – tsironda (Rey, Philippe) tucano – àcau tou (Ménéstriès, Edouard P.) tumbaca (pássaro) – kupan (Torrezão, Alberto Noronha)

46

LETRA U

um – i-páin (Rodrigues, Aryon Dall’Igna) um – omi (Balbi,Adrien) um – chien(?) (Rey, Philippe) um – ourê (Ménéstriès, Edouard P.) umbigo – kah'ira (Torrezão, Alberto Noronha) umbigo – cahira ( Martius, Karl F. P. von) unha – chapepreraque (Torrezão, Alberto Noronha) unha – schabrèra peh ( Martius, Karl F. P. von) unha – choù préy pè (Ménéstriès, Edouard P.) útero, ventre- tiquing ( Martius, Karl F. P. von)

LETRA V

vagina – taccóh ( Martius, Karl F. P. von) valente – raial orutu (Rezende, Francisco de Paula Ferreira de) veado – nóm'ri (Torrezão, Alberto Noronha) veado – iómré (Dom Pedro II) veado – nymlîh (Ehrenreich, Paul) veado – iomlin (Rey, Philippe) veado – chará mirî (Ménéstriès, Edouard P.) velha – tsota (Rey, Philippe) velho – tahé (Torrezão, Alberto Noronha) velho - schatàma ( Martius, Karl F. P. von) velho – tahê (Dom Pedro II) velho – tahé (Rey, Philippe) venta - nim-rêgna (Dom Pedro II) vento – nirendsona (Rey, Philippe) vento – vini d'jora (Ménéstriès, Edouard P.) vênus, tarde (vesper) – tuschahih ( Martius, Karl F. P. von) verde – tong'ona (Torrezão, Alberto Noronha) verde – tòngonna ( Martius, Karl F. P. von) verde – takorekă (Ehrenreich, Paul) verde – coraca (Rey, Philippe) vermelho – bethlàro ( Martius, Karl F. P. von) vermelho – pek'ulüt (Ehrenreich, Paul) vermelho – tlamura (Rey, Philippe) vermelho – péclourou (Ménéstriès, Edouard P.) virgem (moça) – ejé tòna (Ménéstriès, Edouard P.) voar – gabloh ( Martius, Karl F. P. von) voar – entsomun (Dom Pedro II) voar – uanuaramon (Rey, Philippe) você – dieh (Torrezão, Alberto Noronha)

48

EXPRESSÕES NA LÍNGUA PURI

acenda o fogo – poteh kanduh (Torrezão, Alberto Noronha) – poϑèh ϑandú (Ehrenreich, Paul) água está fervendo – munhãmá pre-htôn (Torrezão, Alberto Noronha) cala a boca – kandl'ô (Torrezão, Alberto Noronha) cheirar bem – an nà (Ménéstriès, Edouard P.) como se chama a sua mãe? - titscheng nianitschoh ( Martius, Karl F. P. von) cortar a árvore – bô grô (Ménéstriès, Edouard P.) dá-me de comer – canamanpumavêgue (Dom Pedro II) dar de mamar – nhamatãcambâna (Dom Pedro II) de quem é a criança? – chambey marà ey? (Ménéstriès, Edouard P.) estar triste – thamaring tong ( Martius, Karl F. P. von) estou cansado – demathême (Dom Pedro II) estou com sono – matárahime (Dom Pedro II) estou indo – gà entò (Ménéstriès, Edouard P.) eu fui-me embora – ah mahmirm (Torrezão, Alberto Noronha) eu moro aqui – ah! Iekah (Torrezão, Alberto Noronha) eu não – gâ né (Ménéstriès, Edouard P.) eu não entendo o que é? – gâ né cogà tâ câ? (Ménéstriès, Edouard P.) eu quero comer – gâ nà chè (Ménéstriès, Edouard P.) expressa a quantidade – atipó kãkúm (Ehrenreich, Paul) fazer fogo – bo té té (Ménéstriès, Edouard P.) fogo apagou – poteh ndran (Torrezão, Alberto Noronha) há muito tempo passado – jombey (Ménéstriès, Edouard P.) há muito tempo que ele morreu – jombey lan (Ménéstriès, Edouard P.) ir embora – endomo (Rey, Philippe) me dê isso – cò poù (Ménéstriès, Edouard P.) mostre-me o caminho – chinacaçanguê (Dom Pedro II)

o

que tem que chorar – nimbò péò (Ménéstriès, Edouard P.)

o

tempo está ruim – oh púeráschka (Torrezão, Alberto Noronha)

porque está triste? – nat carcun? (Rey, Philippe) quando você vem? – o atá gonàrà? (Ménéstriès, Edouard P.) quebro-te a cabeça com um pau – guê ah mopô (Torrezão, Alberto Noronha) quero beber – harumbaùa (Torrezão, Alberto Noronha) quero beber cachaça – ah canjana muiá (ah canjana rumbáo) (Torrezão, Alberto Noronha) ser vivo – guaima thamathih ( Martius, Karl F. P. von) subir numa árvore – bô kènan (Ménéstriès, Edouard P.) tenho saudades da floresta – bocara ma carecun (Rey, Philippe) ter sede – igmambà bà gè (Ménéstriès, Edouard P.) vai buscar água para eu beber – inhamanmuiámambaba (Dom Pedro II) vá-se embora – má-ndohm! (Torrezão, Alberto Noronha) Venha cá! – klen-gau (Rey, Philippe) vou-me embora – ah! Ndômo! (Torrezão, Alberto Noronha)

49

FONTES E REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

FONTES

Biblioteca Nacional Seção de Manuscritos: Documento 7, 4, 45, n. 3 - de 1797 LOUZADA, Henrique V. Relação dos produtos dos índios da Aldeia de São Luiz Beltrão do Distrito da Freguesia de Nossa Senhora da Conceição de Campo Alegre situado na parte setentrional junto ao Rio Negro divisa de Minas Gerais.

Fiocruz Setor de Arquivos: Microfilmes: Depositário AACR-SP; Notação: 1.A(B.K.), 15 páginas,

microfilmadas. MENESTRIES, Edouard P. Vocabulários e termos indígenas das tribos Purrhys, Coropos, Mageskerly, Coroatos e Botocudos de autoria de E. Menetries. Rio de Janeiro, 1822-

1823.

BIBLIOGRAFIA

BALBI, Adrien. Atlas ethnographique du globe ou classification des peuples anciens et modernes d'apres leur langues. Paris: Chez Rey et Gravier Libraires,1826.

BUENO, Francisco da Silveira. Dicionário escolar da língua portuguesa. Rio de Janeiro: FAE,

1968.

BUSTAMANTE, Heitor. Sertões dos Puris. História do município de Stº Antonio de Pádua (comentada e documentada). Niterói: Casa do Homem de Amanha, 1971.

EHRENREICH, Paul. Die Puris Ostbrasiliens. In: Verhandlungen der Berliner Gesellschaft fur Anthropologie, Ethnologie und Urgeschichte. Berlim: Verlag von A. Asher &Co., 1886.

ESCHEWEGE, Wilhelm Ludwig von. Jornal do Brasil, 1811-1817: ou relatos diversos do Brasil coletados por expedições científicas. Belo Horizonte: Fundacao Joao Pinheiro, Centro de Estudos Historicos e Culturais, 2002.

FARIA, Ernesto. Dicionário escolar latino-português. Rio de Janeiro: MEC/Departamento Nacional de Educacao, 1955.

FARIA, Sheila Siqueira de Castro. Fortuna e família em Bananal no século XIX. In: CASTRO, Hebe Maria de Mattos; SCHNOOR, Eduardo (orgs.). Resgate, uma janela para o oitocentos. Ensaios. Rio de Janeiro: Topbooks Editora, 1995.

FONSECA, Fernando V. Peixoto da. Dicionnaire Français-Portuguais Apollo. Paris: Larousse,

1991.

FONSECA, Joao Severino da. Viagem ao redor do Brasil (1875-78). Rio de Janeiro: Bibliex, 1986. Volume 2.

FREYREISS, Georg Wilhelm. Reisen in Brasilien. Biblioteca e Instituto de Estudios Ibero- Americanos de la Escuela de Ciencias Economicas. Estocolmo, Suécia, 1968.

GUIMARAES, Joao Joaquim da Silva. Diccionário da língua geral dos índios do Brazil, reimpresso e augmentado com diversos vocabularios e offerecido à sua majestade imperial por João Joaquim da Silva Guimarães, natural da Bahia. Bahia: Typographia de Camillo de Lellis Masson & Ca,

1854.

50

JOSE, Oiliam. Visconde do Rio Branco. Notas para a sua história. Visconde do Rio Branco:

Oficinas Graficas da Papelaria Imperio, 1952.

KELLER, Alfred Josef. Michaelis: Minidicionário alemão-português, português-alemão. São Paulo:

Cia. Melhoramentos, 1996.

LIMA, Pe. Francisco das Chagas. Noticia da Fundacao e principio d'esta Aldea de Sao Joao de Queluz (cópia extraída do Livro 1º do tombo da Freguesia de S.João Batista de Queluz, Província de Sao Paulo). RIHGB , tomo V, 3a edicao, p. 72-76. Rio de Janeiro: Typographia Universal de Laemmert e Cia, 1843.

LOUKOTKA, Čestmir. La família linguística Coroado. Journal de la Societe des Americaniste. 21:2. p. 373-398, 1929.

MARTIUS, Karl Friedrich Phillip von. Glossaria linguarum brasiliensum. Erlangen: Druck vom Junge & Sohn, 1863.

NUNES, Eduardo Borges. Abreviaturas paleográficas portuguesas. Lisboa: Faculdade de Letras,

1981.

PONTES, Manoel Jose Pires da Silva. Vocabulário. Revista do Arquivo Publico Mineiro, ano 9 vol.1 e 2, p. 159-174.

REIS, Paulo Pereira dos. Lorena nos séculos XVII e XVIII. Lorena: Fundação Nacional do Tropeirismo/Centro Educacional Objetivo, 1988.

O indígena do Vale do Paraíba: apontamentos históricos para o estudo dos indígenas do vale do Paraíba paulista e regiões circunvizinhas.Sao Paulo: Governo do Estado, 1979. Colecão Paulística; v. 16.

REZENDE, Francisco de Paula Ferreira de. Minhas recordações. Belo Horizonte: Imprensa Oficial,

1987.

REY, Philippe Marius. Notes sur les botocudos et sur le purys. Bulletin de la Societe d'Anthropologie t. 3, vol. VII. Paris, 1884.

RIBEIRO, Eduardo Rivail. O catecismo Purí do Pe. Francisco das Chagas Lima. Cadernos Etnolinguistica. vol. 1, n. 1, jan/2009. <http://www.etnolinguistica.org/vol 1:1>

ROCHA, Levy. Viagem de Dom Pedro II ao Espírito Santo. Rio de Janeiro: Departamento de Imprensa Nacional, 1960. 1ª edição.

Viagem de Dom Pedro II ao Espírito Santo. Vitória: Arquivo Público do Estado do Espirito Santo, 2008. 3ª edição.

RODRIGUES, Aryon Dall’Igna. Línguas brasileiras. São Paulo: Edicões Loyola, 1994.

ROUSE, Jean; CARDOSO, Ersilio. Dicionários Bertrand. Francês-Português. Venda Nova:

Bertrand Editora, 1986.

SCHOTT, Heinrich Wilhelm. Nachrichten Von Den Kaiserl. Österreichischen Naturforschern In Brasilien Und Den Resultaten Ihrer Betriebsamkeit. Brunn: Joseph Georg Trahler, 1820.

TORREZAO, Alberto Noronha. Vocabulário Puri. Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, tomo LII. Rio de Janeiro: Laemmert e Cia., 1889.

WIED, Maximilian, Prinz von. Viagem ao Brasil (1815-1817). BH: Itatiaia; SP: USP, 1989.

51

INTERNET

http://www.br.wikipedia.org.br

http://www.pt.wikipedia.org.br

http://www.fr.wikipedia.org.br

http://biblio.etnolinguistica.org/

http://translate.google.com.br/

http://www.siaapm.cultura.mg.gov.br