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Matemática 5

Funções
Pré-Vestibular
Teoria e Exercícios Propostos
índice.matemática 5

Capítulo 01. Função: Apresentação e Definição


1. Relação Binária .................................................................................................... 7
1.1. Par Ordenado ............................................................................................................. 7
1.2. Produto Cartesiano ..................................................................................................... 7
1.3. Relação Binária ........................................................................................................... 8
2. Função .............................................................................................................. 10
2.1. Apresentação Informal ............................................................................................. 10
2.2. Apresentação Matemática ........................................................................................ 10
2.3. Reconhecimento de uma Função por meio do Diagrama de Flechas .......................... 10
2.4. Reconhecimento de uma Função por meio do seu Gráfico Cartesiano ........................ 11
3. Notação de Função ............................................................................................. 16
4. Gráfico de uma Função ....................................................................................... 17
5. Domínio de uma Função ...................................................................................... 22

Capítulo 02. Funções do 1o e do 2o Grau


1. Funções Elementares ......................................................................................... 24
1.1. Função Constante .................................................................................................... 24
1.2. Função Identidade ................................................................................................... 24
1.3. Função do 1o Grau ................................................................................................... 24
2. Função do 2o Grau: Apresentação ........................................................................ 28
2.1. Concavidade ............................................................................................................. 28
2.2. Raízes ....................................................................................................................... 28
2.3. Vértice da Parábola .................................................................................................. 29
2.4. Intersecção com o Eixo y ......................................................................................... 29
2.5. Esboço do Gráfico .................................................................................................... 29
2.6. Conjunto Imagem .................................................................................................... 30
3. Função do 2o Grau: Pontos Extremos .................................................................... 32
3.1. Vértice da Parábola .................................................................................................. 32
3.2. Valores Extremos ...................................................................................................... 32
4. Função do 2o Grau: Aplicações ............................................................................ 34

Capítulo 03. Inequações do 1o e do 2o Grau


1. Propriedades das Desigualdades .......................................................................... 38
1.1. Inequação do 1o Grau .............................................................................................. 38
1.2. Inequação do 2o Grau .............................................................................................. 39
2. Inequação Produto .............................................................................................. 41
3. Inequação Quociente .......................................................................................... 41
PV2D-06-MAT-51
índice.matemática 5

Capítulo 04. Tipos de Funções


1. Função Composta ............................................................................................... 47
1.1. Notação ................................................................................................................... 47
1.2. Determinação da Composta ...................................................................................... 47
2. Classificação ...................................................................................................... 48
2.1. Injetora ................................................................................................................... 48
2.2. Sobrejetora .............................................................................................................. 49
2.3. Bijetora .................................................................................................................... 49
2.4. Complemento .......................................................................................................... 49
3. Função Inversa .................................................................................................. 50
3.1. Conceito .................................................................................................................. 50
3.2. Condição de Existência ............................................................................................. 51
3.3. Determinação da Inversa .......................................................................................... 51
3.4. Propriedades ............................................................................................................ 51
4. Função Modular ................................................................................................. 55
4.1. Interpretação Geométrica do Módulo ....................................................................... 55
4.2. Definição do Módulo de um Número Real .................................................................. 55
4.3. Função Módulo ......................................................................................................... 55
5. Equação e Inequação Modular .............................................................................. 61
.05 Funções

Capítulo 01. Função: Apresentação e Definição


1. Relação Binária Quando o produto cartesiano for efetua-
do entre o conjunto A e o conjunto A, pode-
1.1.Par Ordenado mos representar A × A = A2.
Quando representamos o conjunto {a, b} ou Vejamos, por meio do exemplo a seguir, as
{b, a} estamos, na verdade, representando o formas de apresentação do produto
mesmo conjunto. Porém, em alguns casos, é cartesiano.
conveniente distinguir a ordem dos elemen- Exemplo: sejam A = {1, 4, 9} e B = {2, 3}.
tos. Para isso, usamos a idéia de par ordena- Podemos efetuar o produto cartesiano A × B,
do. A princípio, trataremos o par ordenado também chamado A cartesiano B, e
como um conceito primitivo e vamos utilizar apresentá-lo de várias formas.
um exemplo para melhor entendê-lo. Consi- I. Listagem dos elementos
deremos um campeonato de futebol em que
desejamos apresentar, de cada equipe, o total Apresentamos o produto cartesiano por
meio da listagem, quando escrevemos todos
de pontos ganhos e o saldo de gols. Assim,
para uma equipe com 12 pontos ganhos e sal- os pares ordenados que constituem o conjun-
do de gols igual a 18, podemos fazer a indica- to. Assim, no exemplo dado, teremos:
ção (12, 18), já tendo combinado, previamen- A × B = {(1, 2), (1, 3), (4, 2), (4, 3), (9, 2), (9, 3)}
te, que o primeiro número se refere ao número Vamos aproveitar os mesmos conjuntos
de pontos ganhos, e o segundo número, ao sal- A e B e efetuar o produto B × A (B cartesiano
do de gols. Portanto, quando tivermos para A): B × A = {(2, 1), (2, 4), (2, 9), (3, 1), (3, 4), (3, 9)}.
uma outra equipe a informação de que a sua Observando A × B e B × A, podemos notar
situação é (2, –8) entenderemos, que esta equi- que o produto cartesiano não tem o pri-
pe apresenta 2 pontos ganhos e saldo de gols vilégio da propriedade comutativa, ou seja,
–8. Note que é importante a ordem em que se A × B é diferente de B × A. Só teremos a igual-
apresenta este par de números, pois a situa- dade A × B = B × A quando A e B forem conjun-
ção (3,5) é totalmente diferente da situação tos iguais.
(5,3). Fica, assim, estabelecida a idéia de par
ordenado: um par de valores cuja ordem de Observação
apresentação é importante. Considerando que para cada elemento do
Observações conjunto A o número de pares ordenados
1ª) (a, b) = (c, d) se, e somente se, a = c e b = d obtidos é igual ao número de elementos do
2ª) (a, b) = (b, a) se, e somente se, a = b conjunto B, teremos: n(A × B) = n(A) × n(B).

1.2. Produto Cartesiano II. Diagrama de flechas


Dados dois conjuntos A e B, chamamos de Apresentamos o produto cartesiano por
produto cartesiano A × B ao conjunto de todos meio do diagrama de flechas, quando repre-
os possíveis pares ordenados, de tal maneira sentamos cada um dos conjuntos no diagra-
que o 1º elemento pertença ao 1º conjunto (A) e ma de Euler-Venn, e os pares ordenados por
o 2º elemento pertença ao 2º conjunto (B). "flechas" que partem do 1º elemento do par
ordenado (no 1º conjunto) e chegam ao 2º ele-
A × B = {(x, y) / x ∈ A e y ∈ B}
mento do par ordenado (no 2º conjunto).

Capítulo 01. Funções: Apresentação e Definição PV2D-06-MAT-51 7


Funções

Considerando os conjuntos A e B do nosso Vamos observar alguns exemplos de re-


exemplo, o produto cartesiano A × B fica as- lações binárias.
sim representado no diagrama de flechas: Exemplo 1
Dados os conjuntos A = {–1, 0, 1, 2, 3} e
B = {0, 1, 2, 3, 4, 5, 6}, definimos a relação
binária R1 por meio da seguinte sentença:
R1 = {(x, y) ∈ A × B / y = x2}
– Listagem dos elementos:
R1 = {(–1, 1), (0, 0), (1, 1), (2, 4)}
– Diagrama de flechas:
III. Plano cartesiano
Apresentamos o produto cartesiano, no
plano cartesiano, quando representamos o 1º
conjunto num eixo horizontal, e o 2º conjunto
num eixo vertical de mesma origem e, por meio
de pontos, marcamos os elementos desses con-
juntos. Em cada um dos pontos que represen-
tam os elementos passamos retas (horizon-
tais ou verticais). Nos cruzamentos dessas re-
tas, teremos pontos que estarão representan-
do, no plano cartesiano, cada um dos pares
ordenados do conjunto A cartesiano B (A × B).
– Gráfico cartesiano

1.3. Relação Binária Exemplo 2


Dizemos que relação binária de A em B é Dados os conjuntos A = {2, 3, 4, 5, 8} e
um subconjunto do produto cartesiano A × B. B = {1, 3, 5, 7, 9}, definimos a relação binária
As relações binárias podem ser apresen- R2 por meio da seguinte sentença:
tadas, da mesma forma que o produto R2 = {(x, y) ∈ A × B / y = x + 1}
cartesiano, na forma da listagem dos elemen- – Listagem dos elementos:
tos, ou por meio do diagrama de flechas, ou
R2 = {(2, 3), (4, 5), (8, 9)}
no gráfico cartesiano.

8 PV2D-06-MAT-51 Capítulo 01. Função: Apresentação e Definição


Funções

– Diagrama de flechas: – Gráfico cartesiano:

– Gráfico cartesiano:

I. Domínio
Chamamos de domínio de uma relação o
conjunto dos elementos do primeiro conjun-
to que apresentam pelo menos um corres-
pondente no segundo conjunto. Nos exem-
plos de relação binária apresentados, temos:
D (R1) = {–1, 0, 1, 2}
D (R2) = {2, 4, 8}
D (R3) = {3, 4, 8}
Exemplo 3 II. Contradomínio
Dados os conjuntos A = {0, 1, 2, 3, 4, 8} e Chamamos de contradomínio o conjunto
B = {2, 5}, definimos a relação binária R3 por formado pelos elementos que ficam à dispo-
meio da seguinte sentença: sição para serem ou não correspondentes de
um ou mais elementos do primeiro conjunto.
R3 = {(x, y) ∈ A × B / y < x}
O contradomínio é sempre o segundo con-
– Listagem dos elementos: junto da relação. Em todos os exemplos que
R3 = {(3, 2), (4, 2), (8, 2), (8, 5)} vimos, o contradomínio é o conjunto B. Assim:
– Diagrama de flechas: CD (R1) = CD (R2) = CD (R3) = B
III. Conjunto imagem
Chamamos de imagem cada um dos ele-
mentos do segundo conjunto que é correspon-
dente de algum elemento do primeiro con-
junto da relação binária. O conjunto forma-
do por todas as imagens da relação é chama-
do conjunto imagem. Nos exemplos estuda-
dos, temos:
Im (R1) = {0, 1, 4}
Im (R2) = {3, 5, 9}
Im (R3) = {2, 5}

Capítulo 01. Função: Apresentação e Definição PV2D-06-MAT-51 9


Funções

O conjunto imagem está sempre contido


no contradomínio, ou seja, o conjunto ima-
gem é subconjunto do contradomínio.

2. Função
2.1. Apresentação Informal
Antes de formalizar matematicamente o Notemos que, para uma relação binária
estudo das funções, vamos apresentar noções dos conjuntos A e B, nesta ordem, represen-
sobre função que fazem parte do nosso dia-a-dia. tar uma função é preciso que:
O custo da energia elétrica é calculado por
1º) todo elemento do conjunto A tenha al-
meio de uma função que depende do consu-
gum correspondente (imagem) no conjunto B;
mo de energia. Devemos notar que, para cada
consumo, existe uma única tarifa a ser co- 2º) para cada elemento do conjunto A
brada. Não é possível o mesmo consumo com exista um único correspondente (imagem)
duas tarifas diferentes. no conjunto B.
A tarifa de uma viagem de táxi é cobrada Assim como em relações, usamos para as
em função da quilometragem dessa viagem. funções, que são relações especiais, a seguin-
Devemos notar que, para cada quilometra- te linguagem:
gem percorrida, existe uma única tarifa a ser Domínio: conjunto dos elementos que
cobrada. Não existe a possibilidade de uma possuem imagem. Portanto, todo o conjunto
mesma "corrida" apresentar dois valores di- A, ou seja, D = A.
ferentes de cobrança.
Contradomínio: conjunto dos elementos
O imposto de renda descontado na fonte,
que se colocam à disposição para serem ou
para as pessoas assalariadas, tem um valor cal-
não imagens dos elementos de A. Portanto,
culado em função do salário do trabalhador.
todo o conjunto B, ou seja, CD = B.
Notemos que o mesmo salário e as mesmas con-
dições do trabalhador não podem representar Conjunto imagem: subconjunto do con-
valores diferentes de imposto de renda a ser re- junto B formado por todos os elementos que
tido na fonte. Para cada valor de salário existe são imagens dos elementos do conjunto A, ou
um único valor de imposto de renda a ser retido. seja, no exemplo anterior: Im = {a, b, c}.
2.2. Apresentação Matemática 2.3. Reconhecimento de uma Função
Notemos que, nos exemplos apresentados por meio do Diagrama de Flechas
anteriormente, podemos agrupar os elemen-
As condições que uma relação represen-
tos e seus correspondentes em conjuntos em
tada por meio do seu diagrama de flechas
que os elementos de um estão relacionados
deve satisfazer para ser uma função são:
com os elementos do outro. Isso nos leva a pen-
sar em função como sendo um relacionamen- 1º) todo elemento de A deve servir como
to especial entre dois conjuntos, de tal manei- ponto de partida de uma flecha.
ra que cada elemento de um conjunto tenha 2º) essa flecha deve ser única.
um único correspondente no outro conjunto. Exemplos
Definição
a)
Dados dois conjuntos A e B, não-vazios,
função ou aplicação é uma relação binária
de A em B de tal maneira que todo elemento x,
pertencente ao conjunto A, tem para si um
único correspondente y, pertencente ao con-
junto B, que é chamado de imagem de x.
10 PV2D-06-MAT-51 Capítulo 01. Função: Apresentação e Definição
Funções

Não é função, pois não parte nenhuma fle-


cha do elemento d ∈ A.

b)

Não é função, pois partem duas flechas do


elemento c ∈ A.

c)

É uma função, pois satisfaz as condições


enunciadas com
domínio = A = {a, b, c}.
contradomínio = B = {1, 2, 3, 4} e Imagem = {1, 2}

2.4. Reconhecimento de uma Função


por meio do seu Gráfico Cartesiano
Vamos observar os gráficos das relações
binárias que se apresentam a seguir.

Devemos observar que, para localizarmos


a imagem de um determinado elemento do
domínio, representado no eixo horizontal,
basta, por meio de uma reta vertical, atingir-
mos o gráfico da relação e, com o uso de outra
reta, agora horizontal, projetarmos este pon-
to de intersecção da reta com o gráfico no eixo
vertical, que representa o contradomínio. Es-
taremos, assim, determinando a imagem do
elemento considerado.

Capítulo 01. Função: Apresentação e Definição PV2D-06-MAT-51 11


Funções

Com base neste procedimento, lembran- R2 não é função.


do que, para ser uma função, todo elemento
do domínio deve ter uma única imagem no
contradomínio, podemos estabelecer a se-
guinte regra: para o reconhecimento de uma
função por meio de seu gráfico cartesiano é
preciso que toda e qualquer reta vertical que
passe pelo domínio da relação "corte" uma
única vez o gráfico da relação, que, aí sim,
será considerada uma função.

R3 é função.

Exercícios Resolvidos
01.
a) Sendo A = {1,2} e B = {–1, 0, 1}, calcule
A × B (A cartesiano B) e desenhe seu gráfico.
b) Considerando os mesmos conjuntos
anteriores, calcule B × A (B cartesiano A) e de-
senhe seu gráfico.
R1 não é função.
(Observe que A × B ≠ B × A)

12 PV2D-06-MAT-51 Capítulo 01. Função: Apresentação e Definição


Funções

Resolução
a) A × B = {(1, –1), (1, 0), (1, 1), (2, –1), (2,0), (2, 1)} b) B × A = {(–1, 1), (–1, 2), (0,1), (0,2), (1,1), (1,2)}

02. Trabalhando ainda com os mesmos conjuntos, considere as seguintes relações de A em B.


R1 = {(x, y) ∈ A × B / y = x2 – 2}
R2 = {(x, y) ∈ A × B / y = x – 1}
Represente R1 e R2 utilizando diagramas de flechas.
Resolução

03. (FGV-SP) São dados os conjuntos 04. Sejam os conjuntos


A = {2, 3, 4}, B = {5, 6, 7, 8, 9} e a relação A = {–2, –1, 0, 1, 2, 3, 4} e B = {0, 1, 2}
R = {(x, y) ∈ A × B / x e y sejam primos
e R = {(x, y) ∈ A × B / x = y2}:
entre si}. Um dos elementos dessa relação
a) determine os elementos de R;
é o par ordenado:
b) determine o domínio e a imagem de R.
a) (9, 4) d) (3, 6)
Resolução
b) (5, 4) e) (2, 8)
a) R = {(0,0); (1, 1); (4,2)}
c) (4, 7)
b) Domínio = {0, 1, 4)
Resolução
Imagem = {0, 1, 2}
R = {(2,5), (2,7), (2,9), (3,5), (3,7), (3,8), (4,5),
(4,7), (4,9)}
Resposta: C

Capítulo 01. Função: Apresentação e Definição PV2D-06-MAT-51 13


Funções

05. (UFRN) Se n(A) = 3 e n(B) = 2, então


(n(A × B))n(A ∩ B) é, no máximo, igual a:
a) 1 d) 18
b) 6 e) 36
c) 12
Resolução
n(A × B) = n(A) n(B) = 3 · 2 = 6
O número máximo de elementos de A ∩ B = 2.
Então, o máximo de (n (A × B)) n(A ∩ B) é 62 = 36 a) II, III e IV
Resposta: E b) IV e V
06. (UFU-MG) Quais dos seguintes dia- c) I, II e V
gramas definem uma função de X = (a, b, c, d) d) I e IV
em Y = (x, y, z, w)? e) I, IV e V.

Resolução
I é função; II não é função, pois d tem 2 corres-
pondentes em Y; III não é função, pois a não tem
correspondente em Y; IV é função; V não é função,
pois a e c têm 2 correspondentes em Y e d não tem
correspondente em Y.
Resposta: D

07. (UFMG) Das figuras abaixo, a única


que representa o gráfico de uma função real y
= f(x) com domínio [a, b] é:

14 PV2D-06-MAT-51 Capítulo 01. Função: Apresentação e Definição


Funções

Resolução

Capítulo 01. Função: Apresentação e Definição PV2D-06-MAT-51 15


Funções

3. Notação de Função
Para apresentarmos uma função, preci-
saremos de três componentes.
I. O primeiro conjunto, em que escolhemos
os elementos para os quais procuraremos as
imagens correspondentes. Esse conjunto é o
domínio da função.
II. O segundo conjunto, em que procura-
remos as imagens dos elementos do domínio.
Esse conjunto é o contradomínio da função.
III. A sentença matemática que conduz os
elementos do domínio até a imagem corres-
pondente a ele no contradomínio.
f: D → CD com y = f(x)
Vejamos alguns exemplos.
Exemplo 1
Consideremos os conjuntos A = {0, 1, 2, 3, 5}
e B = {0, 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8}. Vamos definir a
função f de A em B com f(x) = x + 1. Tomamos
um elemento do conjunto A, representado por
x, substituímos este elemento na sentença f(x),
efetuamos as operações indicadas e o resul-
tado será a imagem do elemento x, represen-
tada por y.

f: A → B
y = f(x) = x + 1

Exemplo 2
Resposta: E Consideremos os conjuntos A = {–1, 1, 2, 5}
e B = {0, 1, 2, 3, 17, 24, 33}. Vamos definir a
função f de A em B com f(x) = x2 – 1. Assim,
teremos os dados a seguir.
A imagem do elemento –1 representada
por f(–1) = (–1)2 – 1 = 0, ou seja, o par (–1, 0) ∈ f.

16 PV2D-06-MAT-51 Capítulo 01. Função: Apresentação e Definição


Funções

A imagem do elemento 1 representada por Estabelecer um gráfico que represente o


f(1) = 12 – 1 = 0, ou seja, o par (1, 0) ∈ f. peso e a altura de uma criança em função de
sua idade é muito importante dentro da pe-
A imagem do elemento 2 representada por
diatria, pois pode-se avaliar quando uma
f(2) = 22 – 1 = 3, ou seja, o par (2, 3) ∈ f.
determinada criança está dentro dos padrões
A imagem do elemento 5 representada por normais de crescimento.
f(5) = 52 – 1 = 24, ou seja, o par (5, 24) ∈ f. Por meio de um gráfico que representa o
crescimento populacional de um determinado
país, pode-se estimar sua população futura
e, assim, podem ser programados os empre-
endimentos físicos e sociais que serão neces-
sários para o atendimento dessa população.
O desempenho de uma empresa no setor
de vendas, por exemplo, pode ser apresenta-
do por intermédio de um gráfico no qual re-
Notemos que existem dois elementos do presentamos a quantidade de unidades ven-
conjunto A com uma mesma imagem no didas de um determinado bem ao longo dos
conjunto B. Isto é permitido pela definição de dias, meses ou anos, e assim torna-se possí-
função. O que não pode ocorrer é um mesmo vel a programação na fabricação do referido
elemento com mais de uma imagem ou um bem ou a avaliação do rendimento da equipe
elemento sem imagem. de vendas.
f: A → B; y = f(x) = x2 – 1 Na Física, o deslocamento de um móvel
pode ser representado por meio de um gráfi-
Observação co e, a qualquer instante, poderemos locali-
No estudo das funções é muito freqüente zar a posição exata desse móvel pela obser-
utilizarmos, tanto para primeiro conjunto vação do referido gráfico.
como para segundo conjunto de uma função, Notamos, portanto, que a transformação
o conjunto dos números reais. Nessas condi- de situações reais em gráficos é de muita im-
ções, convencionou-se que podemos omitir a portância em todos os setores de nossas ati-
colocação dos dois conjuntos e a função será vidades.
denominada, simplesmente, função real. Para No terreno matemático, para construir-
uma função real, basta apresentarmos a sen- mos o gráfico de uma função, devemos tomar
tença matemática que relaciona os elemen- todos os elementos do domínio, substituir-
tos do domínio às imagens no contradomínio. mos cada um deles na sentença que repre-
senta a função e, obtendo a imagem corres-
Exemplo pondente a cada um desses elementos, repre-
Para apresentarmos a função f de R em R sentar cada par ordenado (elemento, imagem)
com f(x) = 2x3 + 3, basta apenas dizermos que é no plano cartesiano. A seqüência dos pontos
uma função real com f(x) = 2x3 + 3. que representam os pares ordenados deter-
mina o gráfico da função.
4. Gráfico de uma Função Muitas vezes não precisamos tomar to-
A apresentação de uma função por meio dos os pontos do domínio para a construção
de seu gráfico é muito importante, não só na do gráfico da função, bastando alguns pon-
Matemática como nos diversos ramos dos tos para nos dar a noção exata de qual será o
estudos científicos. comportamento gráfico da referida função.

Capítulo 01. Função: Apresentação e Definição PV2D-06-MAT-51 17


Funções

Vejamos o exemplo. Podemos, por meio do gráfico de uma fun-


Consideremos a função real f(x) = 2x – 1. ção, reconhecer o seu domínio e o conjunto
imagem. Vamos observar o gráfico a seguir.
Vamos construir uma tabela fornecendo
valores para x e, por meio da sentença f(x), Consideremos a função f(x) definida por
obteremos as imagens y correspondentes. A = [a, b] em R.

Transportados os pares ordenados para o


plano cartesiano, vamos obter o gráfico
correspondente à função f(x), como se vê a
seguir.
Domínio: projeção ortogonal do gráfico
da função no eixo x. Assim, D = [a, b] = A.

D = [a; b]

Conjunto imagem: projeção ortogonal do


gráfico da função no eixo y. Assim, Im = [c, d].

18 PV2D-06-MAT-51 Capítulo 01. Função: Apresentação e Definição


Funções

II. função decrescente: função f(x), num


determinado intervalo, é decrescente se, para
quaisquer x1 e x2 pertencentes a este interva-
lo, com x1 < x2, tivermos f(x1) > f(x2).

Im = [c, d]
Observação
O contradomínio (R) é representado por
todo o eixo y. x1 < x2 ⇒ f(x1) > f(x2)
Outra importante informação que pode-
mos retirar sobre o comportamento de uma III. função constante: a função f(x), num
função, pela observação do gráfico, é a sua determinado intervalo, é constante se, para
monotonicidade. Uma função pode ter o se- quaisquer x1 e x2 pertencentes a este interva-
guinte comportamento: lo, com x1 < x2, tivermos f(x1) = f(x2).
I. função crescente: a função f(x), num de-
terminado intervalo, é crescente se, para
quaisquer x1 e x2 pertencentes a este interva-
lo, com x1 < x2, tivermos f(x1) < f(x2).

x1 < x2 ⇒ f(x1) < f(x2)

Capítulo 01. Função: Apresentação e Definição PV2D-06-MAT-51 19


Funções

Exercícios Resolvidos 04. (UFMG) Uma função f: R → R é tal que


01. (USF-SP) O número S do sapato que f(5x) = 5f(x) para todo o número real x.
uma pessoa calça está relacionado com o com- Se f(25) = 75, então o valor de f(1) é:
primento p, em centímetros, do seu pé, pela a) 3 d) 25
fórmula: b) 5 e) 45

12
1= 2 3 =
7
43 + 56 c) 15
Resolução
Qual é o número do sapato de uma pessoa Fazendo-se x = 5, vem:
cujo comprimento do pé é 27,2 cm? f(5 · 5) = 5f(5) ⇒ f(25) = 5 · f(5)
Resolução Mas f(25) = 75.

1 2
1 = 2 3453 =
6 ⋅ 3453 + 37
8
= 89
Logo,
75 = 5 · f(5) ⇒ f(5) = 15
Resposta: 41 Fazendo-se x = 1, vem:
f(5 · 1) = 5f(1) ⇒ f(5) = 5f(1). Logo:
02. (Vunesp) Definamos f: N ⇒ N por 15 = 5 · f(1) ⇒ f(1) = 3

57 1 112 = 2 Resposta: A
67 1 32 + 24 = 3 1 2 05. (UFMG) Dos gráficos, o único que repre-
8 1 2

1
senta uma função de imagem 1 ∈212 ≤ 1 ≤ 3 e2
Então:
a) f (3) = 8 d) f(3) = 16
1 2
domínio 1 ∈212 ≤ 1 < 3 41

b) f(3) = 9 e) f(3) = 32 a)
c) f(3) = 12
Resolução
Para n = 0 ⇒ f(0 + 1) = 2f(0) ⇒ f(1) = 21 = 2
Para n = 1 ⇒ f(1 + 1) = 2f(1) ⇒ f(2) = 22 = 4
Para n = 2 ⇒ f(2 + 1) = 2f(2) ⇒ f(3) = 24 = 16
Resposta: D
03. (Cesgranrio-RJ) Se f: R ⇒ R é uma
função definida pela expressão
f(x – 1) = x3, então o valor de f(3) é igual a:
a) 0
b)
b) 1
c) 6
d) 15
e) 64
Resolução
Para calcular f(3) devemos ter x – 1 = 3 ou x = 4.
Assim, f(3) = 43 = 64
Resposta: E

20 PV2D-06-MAT-51 Capítulo 01. Função: Apresentação e Definição


Funções

Resolução
c)
1
a) 12 = 3 ∈4 5 6 < 3 < 7 2
b) 1 = 12 ∈3 4 1 ≤ 2 ≤ 22
c) Correta
d) Não é função.
e) Não é função.
Resposta: C

06. (Mackenzie-SP) O gráfico abaixo repre-


senta uma função definida em R por y = f(x).

d)

O valor de f(2) + f(f(–5)) é igual a:


e)
a) –2 d) 1
b) –1 e) 2
c) 0
Resolução
Do gráfico, temos:
f(–5) = 5
f(f(–5)) = f(5) = 3
f(2) = –3
Logo: f(2) + f(f(–5)) = –3 + 3 = 0
Resposta: C

Capítulo 01. Função: Apresentação e Definição PV2D-06-MAT-51 21


Funções

5. Domínio de uma Função 4º) f(x) =


1
Para uma função de R em R, ou seja, com 1+2
elementos no conjunto dos números reais e x + 8 > 0 ⇒ x > –8
imagens também no conjunto dos números D = {x ∈ R / x > –8}
reais, será necessária, apenas, a apresentação
da sentença que faz a "ligação" entre o elemen- 1−1
5º) f(x) =
to e a sua imagem. Porém, para algumas sen- 1−2
tenças, alguns valores reais não apresentam x–5≥0⇒x≥5
imagem real. Por exemplo, na função x–8≠0⇒x≠8
1 1 2 2 = 1 2 − 32 , o número real 0 não apresen- D = {x ∈ R / x ≥ 5 e x ≠ 8}
ta imagem real e, portanto, f(x) não é função.
Para que possamos dar à f(x) característi- Conclusão
cas de função, precisamos limitar o conjunto Podemos, finalmente, apresentar a função
de partida, eliminando do conjunto dos nú- real como sendo aquela que apresenta uma
meros reais os elementos que, para essa sen-
sentença f(x) e, como domínio, o mais amplo
tença, não apresentam imagem. Nesse caso,
subconjunto real, de tal maneira que todas
bastaria estabelecermos como domínio da
função f(x) o conjunto D = {x ∈ R / x ≥ 1}. as operações indicadas na sentença f(x) pos-
Para determinarmos o domínio de uma sam ser executadas.
função, portanto, basta garantirmos que as Como observação, podemos estabelecer
operações indicadas na sentença são possí- que o contradomínio será considerado, sem-
veis de serem executadas. Dessa forma, ape- pre, o conjunto dos números reais.
nas algumas situações nos causam preocu-
pação e elas serão estudadas a seguir.
Exercícios Resolvidos
1º) y = 1 n f 1 x 2 1
f 1 x2 ≥ 4 n ∈ N 3 2 01. Determine o domínio das funções re-
1 ais apresentadas abaixo.
2º) y = ⇒ f 3 x4 ≠ 2
f 3 x4 a) f(x) = 3x2 + 6x + 8
Vejamos alguns exemplos de determina- 1
ção de domínio de uma função real. b) f(x) =
11 − 2
Exemplos
Determine o domínio das seguintes fun- c) f(x) = 1+1
ções reais.
d) f(x) = 1 1 1 + 2
1º) f(x) = 3x2 + 7x – 8
D=R 11
e) f(x) =
2º) f(x) = 1 − 1 21 + 3
Resolução
x–7≥0⇒x≥7
D = {x ∈ R / x ≥ 7} a) D = R
3º) f(x) = 1 b) 3x – 6 ≠ 0 ⇒ x ≠ 2 ⇒ D = R – {2}
1+1
D=R c) x + 2 ≥ 0 ⇒ x ≥ –2 ⇒ D = { 1 ∈ 2 1 1 ≥ –2}
Observação d) D = R (devemos observar que o radicando deve
Devemos notar que, para raiz de índice ím- ser maior ou igual a zero para raízes de índice par)
par, o radicando pode assumir qualquer e) Temos uma raiz com índice par no denomina-
valor real, inclusive o valor negativo. dor, assim:

22 PV2D-06-MAT-51 Capítulo 01. Função: Apresentação e Definição


Funções

2 Resolução
7x + 5 > 0 ⇒ x > 1
3 1 ⇒1≥2 (I)

12 5 45 x + 4 ⇒ x + 1 ≥ 0 ⇒ x ≥ –4 (II)
3
D = x ∈R / x > –
7 6 (I) ∩ (II)

02. (Cefet–PR)
3x 1 4 x 2
Se f 1 x2 = é uma função de D em
x3 4 x1
R, então D é o conjunto:
a) 1 1 ∈ 2 2 1 ≠ 43
1 2 34 ∈ 5 6 4 ≥ 78
b) 1 1 ∈ 2 2 1 ≠ 4 6 1 ≠ ±53 Resposta: A
c) 1 1 ∈ 2 2 6 7 1 < 4 89 1 > 345
04. (PUC–SP)
d) 1 1 ∈ 2 2 1 > 467 1 < 345
Qual o domínio da função:
e) 1 x ∈ R 2 34 < x < 6 78 x > 45
Resolução f12 x → 34 x 1 3 65 2 ?
1 2 Resolução
1 1 2 1 2 1 3 ⇒ 1 ⋅ 21 3 45 ≠ 6
11 ≠ 2 e 11 2 3 ≠ 4 123 1 1 45 2 ≥ 6
1≠2 e 1 ≠ ±2 Multiplicando os dois membros por –1
Resposta: B (x 3 – 1) 2 ≤ 0
03. O domínio da função dada por Lembrando que qualquer número real elevado ao
1 = 2 + 2 + 1 é: quadrado é positivo ou nulo, só temos uma opção:
a) 1 2 3 x ∈ R 4 x ≥ 756 11 2 3 = 4
b) 1 2 3 x ∈ R 4 x ≠ 5678 11 = 2
c) 1 2 R3 1=2
d) 1 2 3 1 ∈ 2 4 1 > 756 D = {1}

Capítulo 01. Função: Apresentação e Definição PV2D-06-MAT-51 23


Funções

Capítulo 02. Funções do 1º e do 2º Grau


1. Funções Elementares 1.2 . Função Identidade
– Sentença: f(x) = x, em que cada elemento
Algumas funções são utilizadas com maior tem como imagem ele mesmo.
freqüência dentro da Matemática e, por isso,
é conveniente que suas principais caracterís- – D = R, CD = R e Im = R
ticas sejam previamente estudadas, facilitan- – Gráfico
do o seu uso.
Essas funções são as chamadas funções
elementares e veremos as principais a seguir.

1.1. Função Constante


– Sentença: f (x) = k, em que k é uma função
constante real.
– D = R, CD = R e Im = {k}
– Gráfico

Conclusão: o gráfico de uma função iden-


tidade é uma reta bissetriz dos quadrantes
ímpares do plano cartesiano, passando pela
origem do sistema.

Conclusão: o gráfico de uma função cons-


tante é uma reta horizontal que intercepta o
eixo y em k.
Veja o gráfico a seguir:

1.3. Função do 1º Grau


– Sentença: f(x) = ax + b, com a diferente de 0
– D = R, CD = R e Im = R.

24 PV2D-06-MAT-51 Capítulo 02. Funções do 1º e do 2º Grau


Funções

– Gráfico – Coeficientes
Exemplo para a > 0. a é chamado coeficiente angular e b é cha-
Consideremos f (x) = 2x – 1. mado coeficiente linear.

– Intersecção com o eixo y é a intersecção


do gráfico de uma função com o eixo y e ocorre
na imagem do elemento x = 0, sempre no termo
independente de x. No caso da função do 1º grau
de sentença f (x) = ax + b, o "cruzamento" do grá-
fico com o eixo ocorre no ponto de ordenada b.

Exemplo para a < 0


Consideremos f (x) = – x + 1.
Observação
Sempre que b ≠ 0, para construirmos o
gráfico f(x) basta assinalarmos o ponto (0, b)
no eixo y e o ponto (–b/a, 0) no eixo x. A reta
determinada por esses pontos será o gráfico
da função.

– Estudo do sinal da função do 1º grau:


para o estudo da variação de sinal da fun-
ção do 1º grau, seguiremos a convenção ado-
tada para o eixo das ordenadas, em que es-
tão representadas as imagens dos elemen-
Conclusão: o gráfico de uma função do 1º tos posicionados no eixo x. Assim, toda re-
grau é uma reta crescente para a > 0 e uma gião gráfica acima do eixo x representará
reta decrescente para a < 0. uma imagem positiva, ao contrário das
– Raiz de uma função é o ponto em que o imagens negativas, que sempre estarão
gráfico intercepta o eixo x. Para obtermos a raiz posicionadas abaixo do eixo x. Por este en-
de uma função, devemos determinar o elemento tendimento, o estudo da variação de sinal
para o qual a imagem é zero, ou seja, basta fazer de uma função do 1º grau depende apenas
f (x) = 0. No caso da função do 1º grau, teremos: do coeficiente angular da reta, que pode ser
positivo (reta crescente) ou negativo (reta
ax + b = 0 1 ax = –b 1 x = –b/a decrescente), e da raiz da função.

Capítulo 02. Funções do 1º e do 2º Grau PV2D-06-MAT-51 25


Funções

Consideremos a função f (x) = ax + b com a ≠ 0, 02. (UFMG) Sendo a < 0 e b > 0, a única re-
presentação gráfica correta para a função f(x)
= ax + b é:

em que x0 é a raiz da função f(x).

Observação
A função do 1º grau f (x) = ax + b, com a ≠ 0,
será denominada função linear quando o
valor do termo independente de x, o termo b,
for igual a zero. A função do 1º grau é tam-
bém conhecida como função afim.

Exercícios Resolvidos
01.(Mackenzie-SP) A função f é definida Resolução
por f(x) = ax + b. Sabendo-se que f(–1) = 3 e Como a < 0, a função deve ser decrescente .
f(1) = 1, o valor de f(3) é: Como b > 0, deve interceptar o eixo y na parte
a) 0 d) –3 positiva (acima do eixo x).
b) 2 e) –1 Resposta: A
c) –5 03. (UFPI) A função real de variável real,
definida por f(x) = (3 – 2a)x + 2, é crescente
Resolução quando:

1 2 1 2
1 23 = 4 ⇒ 5 ⋅ 23 + 6 = 4 534 ⇒ 5 = 2 3 7 6 = 8 a) a > 0 c) a =
1

1 132 = 3 ⇒ 5 ⋅ 3 + 6 = 3
2
65 1 1
∴ 1 1 92 = 2 9 + 8 b) a < d) a >
2 2
Assim, f(3) = –3 + 2 = –1 Resolução
Resposta: E Para f(x) ser crescente, devemos ter 3 – 2a > 0
Logo: –2a > –3 · (–1)
3
12 < 3 ⇒ 2 <
1
Resposta: B

26 PV2D-06-MAT-51 Capítulo 02. Funções do 1º e do 2º Grau


Funções

04. Esboçar o gráfico, determinar o domínio, 05. (Unifor-CE) Seja f a função real definida
contra-domínio, conjunto imagem e classificar 2
quanto ao crescimento as seguintes funções: por 1 1 22 1 32 , para todo x do intervalo [–3; 1].
4
a) f(x) = 2x – 1 Seu conjunto imagem é:
b) f(x) = 2 – x a) R
c) f(x) = 2
13− 1 3146 13− 1 4 3 46
Resolução
a) f(x) é uma função do 1º grau, então D = R,
b)
2 2 5 d)
2 2 25
CD = R e Im = R 13− 1 3 1 46 13 1 4 3 46
Como a = 2 > 0, a função é crescente.
c)
2 2 25 e)
22 25
Resolução
Como f(x) é do 1º grau, o gráfico seria uma reta.
Todavia, como o domínio é um intervalo real e não R,
o gráfico será um segmento de reta.

12 3 4 56 1 7 4
8 13
9
23
b) f(x) = 2 – x
12 3
4
1 7 4
9 4
f(x) é uma função do 1º grau, então D = R,
1 1
CD = R e Im = R. Logo, o conjunto imagem será definido de até .
2 2
Como a = –1 < 0, a função é decrescente.
Assim:

13 3 5 6 46
12 =
2 4 45
Gráfico

c) f(x) = 2
f(x) é uma função constante, então D = R,
CD = R e Im = 2

Resposta: E

Capítulo 02. Funções do 1º e do 2º Grau PV2D-06-MAT-51 27


Funções

2. Função do 2o Grau:
Apresentação
Denominamos função quadrática ou fun-
ção polinomial do segundo grau ou simples-
mente função do segundo grau a uma função
de R em R que associa a cada x real uma ima-
gem y, também real, dada por y = ax2 + bx + c,
sendo a ∈ R*, b ∈ R e c ∈ R; x é variável livre,
y é a variável dependente; a, b e c são coefici-
entes numéricos da função.
f:R→R
y = f (x) = ax2 + bx + c
a ∈ R*, b ∈ R e c ∈ R.
Se b ≠ 0 e c ≠ 0, a função é chamada comple-
ta; caso contrário, será chamada incompleta.
Exemplos
a) f (x) = 3x2 + 2x – 5 é função do 2ºgrau
completa.
b) f (x) = x2 – 6x + 4 é função do 2º grau 2.2. Raízes
completa. As raízes ou zeros da função quadrática
c) f (x) = –2x2 + 2x + 1 é função do 2º grau f(x) = ax2 + bx + c são os valores de x reais tais
completa. que f(x) = 0 e, portanto, as soluções da equa-
ção do segundo grau.
d) f (x) = –x2 + 5 é função do 2º grau in-
completa (b = 0). ax2 + bx + c = 0
e) f (x) = 4x2 + 3x é função do 2º grau in- A resolução de uma equação do 2º grau é
completa (c = 0). feita com o auxílio da chamada “fórmula
f) f (x) = –x2 é função do 2º grau, incom- resolutiva de Bhaskara”.
pleta (b = 0 e c = 0).
g) f (x) = 2x3 – 3x2 + 2x – 5 não é função do 22 3 5
11 4567 5 1 2 1 2
4348
2º grau. 93
h) f (x) = 3x – 5 não é função do 2º grau. Observe que:
i) f (x) = –3x + 6 não é função do 2º grau. Se ∆ > 0, a equação apresentará duas rai-
zes distintas, que são:

2.1. Concavidade −2 + ∆ −2 − ∆
No plano cartesiano, o gráfico da função 11 = 4 12 =
53 53
do 2º grau é uma curva aberta chamada pa-
rábola. No caso das funções do 2º grau, a Se ∆ = 0, a equação apresentará duas rai-
parábola pode ter sua concavidade voltada zes iguais, que são:
para cima (a > 0) ou voltada para baixo (a < 0),
−2
como vemos a seguir: 11 = 1 2 =
43

28 PV2D-06-MAT-51 Capítulo 02. Funções do 1º e do 2º Grau


Funções

Se ∆ < 0, sabendo que nesse caso , ∆ ∉ 12 Para determinarmos a abscissa do vérti-


diremos que a equação não apresenta raízes ce (xv), usamos o fato de que, sendo o gráfico
reais. simétrico em relação a esta reta vertical, os
valores (xv+ k) e (xv – k) apresentam a mesma
Significado geométrico das raízes imagem, ou seja, f(xv + k) = f(xv – k). Sendo
Interpretando geometricamente, dizemos f(x) = ax2 + bx + c, temos:
que as raízes da função quadrática são as
abscissas dos pontos onde a parábola corta o f(xv + k) = a(xv + k)2 + b(xv + k) + c = y1
eixo dos x.
f(xv – k) = a(xv – k)2 + b (xv – k) + c = y2
Então:
Considerando que y1 = y2, teremos:

−2
11 =
43
que é o valor da abscissa do vértice (xv).
Para determinarmos a ordenada do vér-
tice (yv), usamos o fato de que o vértice é
um ponto pertencente à parábola e que, por-
tanto, a imagem de xv é yv, ou seja, yv = f(xv).
Assim, teremos
2.3. Vértice da Parábola
A parábola que representa graficamente a −∆
yv = a(xv)2 + b(xv) + c → yv = ,
função do 2º grau apresenta como eixo de si- 12
metria uma reta vertical que intercepta o grá-
que é o valor da ordenada do vértice (yv).
fico num ponto que chamaremos de vértice.

yv = −∆
12

2.4. Intersecção com o Eixo y


Qualquer ponto do eixo tem coordenadas
(0, y). Para determinarmos a intersecção da
função f(x) = ax2 + bx + c com o eixo y basta
fazer x = 0.
f(0) = a · 02 + b · 0 + c → f(0) = c.
Logo, a parábola intercepta o eixo y no
ponto (0, c).

2.5. Esboço do Gráfico


As raízes (quando são reais), o vértice e a
intersecção com o eixo y são fundamentais
para traçarmos um esboço do gráfico de uma
função do 2º grau.

Capítulo 02. Funções do 1º e do 2º Grau PV2D-06-MAT-51 29


Funções

2.6. Conjunto Imagem


O conjunto imagem de uma função do 2º grau está associado ao seu ponto extremo, ou seja,
à ordenada do vértice (yv).

30 PV2D-06-MAT-51 Capítulo 02. Funções do 1º e do 2º Grau


Funções

Exercícios Resolvidos Intersecção com o eixo y: c = 3


Resposta: Im = { y ∈ R / y ≤ 4 }
01. Esboçar o gráfico e determinar o con-
junto imagem das funções abaixo. Esboço
a) f(x) = x2 – 6x + 8
b) f(x) = –x2 + 2x + 3
1 2
c) f(x) = x +x+1
2
Resolução
a) f(x) = x2 – 6x + 8
Concavidade: a = 1 > 0 → para cima
raízes = ∆ = 4; x1 = 2 e x2 = 4
−2
Vértice : 1 1 = 4 3 = 5 1

− ∆ −8
1 1 = 216 2 = − 7 34 1 1 = = =−7
85 8 3
c) 1 12 2= 2 1 + 2 + 3
Intersecção com o eixo y: c = 8 4
Resposta: 1
Concavidade: a = > 3 para cima; raízes:
Imagem : Im = { y ∈ R/ y ≥ –1 } 2
∆ = –1 → E raízes reais
Esboço
−∆ 2
Vértice: xv = –b/2a = –1 ; yv = =
14 3
Intersecção com o eixo y: c =1
Resposta
1
Im = {y ∈ IR / y ≥ }
2
Esboço
y
eixo de simetria

1
b) f(x) = –x2 + 2x + 3 1
2
Concavidade: a = –1 < 0 para baixo; raízes:
∆ = 16; x1 = –1 e x2 = 3
–1 x
−1 −∆
Vértice: xv = = 1 ; yv = =4
32 12

Capítulo 02. Funções do 1º e do 2º Grau PV2D-06-MAT-51 31


Funções

02. (Vunesp) O gráfico da função Resolução


quadrática definida por y = x2 – mx + (m – 1), Para t = 3 horas, temos:
onde m é um número real, tem um único ponto
p(3) = 32 + 2 · 3 ⇒ p (3) = 15 pares de sapato
em comum com o eixo das abscissas. Então o
valor de y que essa função associa a x = 2 é: Para t = 2 horas, temos:
a) –2 d) 1 p(2) = 22 + 2 · 2 = 8 pares de sapato
b) –1 e) 2 Logo, entre 10 e 11 horas serão produzidos
c) 0 15 – 8 = 7 pares de sapato.
Resolução Resposta: A
Como a função tem um único ponto em comum
com o eixo X, o valor de ∆ é zero. Assim: 3. Função do 2º Grau: Pontos
∆ = 0 → (–m)2 –4 · 1 · (m – 1) = 0 → m = 2 Extremos
Logo, y = x2 – 2x + 1. Portanto, para x = 2, O g r á f i c o d a f u n ç ã o d o 2 º gr a u
temos: y = 22 – 2 · 2 + 1 = 1 f(x) = ax 2 + bx + c, a ≠ 0 é uma parábola. Essa
Resposta: D parábola tem a concavidade voltada para
03. (UFRN) Se f(x) = x2 – 1, então é crescen- cima quando a > 0 e concavidade voltada para
te no intervalo: baixo quando a < 0.
a) [0, ∞[ d) ]–∞, 1] 3.1. Vértice da Parábola
b) [–1, 1] e) ]–∞, 0] A parábola que representa graficamente
c) [–1, ∞[ a função do 2º grau apresenta como eixo de
Resolução simetria uma reta vertical que intercepta o
f(x) = x2 – 1 gráfico num ponto chamado de vértice.
Esboçando o gráfico da função, temos: As coordenadas do vértice são:

−2 −∆
11 = e 11 =
43 32

3.2. Valores Extremos


O yV representa o valor extremo da fun-
ção. Se a concavidade da parábola estiver vol-
tada para baixo, o yV será o valor máximo da
função; se a concavidade estiver voltada para
Logo, a função é crescente para todo x ≥ 0.
cima, o yV será o valor mínimo da função.
Resposta: A
04. (UFPI) Uma fábrica produz p(t) = t2 + 2t
pares de sapatos t horas após o início de suas
atividades diárias. Se a fábrica começa a fun-
cionar às 8 horas da manhã, entre 10 e 11 ho-
ras serão produzidos:
a) 7 pares de sapatos.
b) 8 pares de sapatos.
c) 15 pares de sapatos.
d) 23 pares de sapatos.

32 PV2D-06-MAT-51 Capítulo 02. Funções do 1º e do 2º Grau


Funções

Exercícios Resolvidos 22 23264


11 1 1 17
01. (Cesgranrio-RJ) O valor mínimo do 53 5
polinômio y = x2 + bx + c, cujo gráfico é mos- 21 27
41 1 1 128
trado na figura, é: 73 7
Portanto, o valor extremo da função é ponto de
mínimo (4, –1).
Resposta: B
03. (FCC-SP) Um menino está à distância
6 de um muro de altura 3 e chuta uma bola
que vai bater exatamente sobre o muro. Se a
equação da trajetória da bola em relação ao
sistema de coordenadas indicado pela figura
1 é y = ax2 + (1 – 4a) x, a altura máxima atingida
a) –1 d) − pela bola é:
2
1
b) –2 e) −
2
1
c) −
2
Resolução
O gráfico da função y = x2 + bx + c passa pelos
pontos (0, 0) e (3, 0). Logo: a) 5 d) 3,5
(0, 0) → c = 0 b) 4,5 e) 3
(3,0) → 9 + 3b + c = 0 → b = –3 c) 4
Logo: f(x) = x2 – 3x Resolução
21
O valor mínimo será 1 1 1
32
D=9–4·1·0=9
−∆ −2 −2
Logo: = =
14 1 ⋅ 3 1
02. (PUC-SP) O valor extremo da função
y = x2 – 8x + 15 é:
O ponto (6, 3) pertence ao gráfico, logo:
a) máximo, dado por V = (4,1)
3 = a(6)2 + (1 – 4a) · 6
b) mínimo, dado por V = (4, –1)
3 = 36a + 6 – 24a →
c) máximo, dado por V = (–4, –1)
d) mínimo, dado por V = (–4, –1) −2
1=
e) máximo, dado por V = (4, –1) 3
Resolução 12
Substituindo a = na função:
Na função y = x2 – 8x + 15, o valor de a é 1; 3
logo, a função tem ponto de mínimo: 23 1
11 2 3 52
4
Capítulo 02. Funções do 1º e do 2º Grau PV2D-06-MAT-51 33
Funções

Calculando a altura máxima: Para ilustrar algumas destas aplicações se-


lecionamos os problemas apresentados a seguir.
21
1123 1 24 1 Exercícios Resolvidos

3
2
01. (Unicamp-SP) De acordo com a lei de
1 1
456789
2 Poiseville, a velocidade do sangue num pon-
Resposta: C to a r cm do eixo central de um vaso sangüíneo
é dada pela função: v(r) = C(R2 – r2) em cm/s,
04. (FCMSC-SP) Considerem-se todos os re- onde C é uma constante e R é o raio do vaso.
tângulos de perímetro 80 m. A área máxima que Supondo, para um determinado vaso que
pode ser associada a um desses retângulos é: C = 1,8 · 10–4 e R = 10–2 cm, calcule:
a) 200 m2 d) 600 m2 a) a velocidade do sangue no eixo central
b) 250 m2 e) 800 m2 do vaso sangüíneo;
c) 400 m 2 b) a velocidade do sangue no ponto mé-
dio entre a parede do vaso e o eixo central.
Resolução
Resolução
a) Para r = 0, temos:

12 3 4
1 2 = 3 4 1 − 2 1 ⇒ 1 2 = 34
1
12
12
1 2 = 567 ⋅ 58 2 ⋅ 58 −1 3 4 1

1 122 = 567 ⋅ 58 ⋅ 582 −2

2x + 2y = 80 → x + y = 40 → y = 40 – x 1 122 = 567 9

A=x·y 2
Logo: b) Para 1 =
3
A(x) = x · (40 – x) 5 18
5
1 12 2 34 = 4 7 2 1 − 12 2 34
⇒ 1 1 2 3 = 4 72 1 − 2

18

= 40x – x2 3 76 3
9 2 3 4 6 5 9
A(x) = – x2 + 40x ; Amáx = yv 5 1 3 1 8

1 12 2 34 = 4 7
3 76 2
9
xv =
11 145
2 2 35 1 2 3
1 2 4 = 678 ⋅ 69 2 ⋅
⋅ 69 −1
1
32 3316 3 5
Se x = 20 → yv = A(20) 1 12 2 34 = 67
 
3
Logo:
Resposta: a) 1,8 cm/s; b) 1,35 cm/s
Amáx = 20 · 20 = (20)2 = 400
02. (Fuvest-SP) Um objeto é lançado ver-
Resposta: C
ticalmente para cima. A altura h (em metros)
que o objeto atinge é dada por h (t) = 20t – 5t2,
4. Função do 2o Grau: onde t é o tempo decorrido após o lançamen-
to, em segundos.
Aplicações Determinar:
Muitos são os fenômenos descritos mate- a) Quanto tempo levará para o objeto atin-
maticamente através da função do 2º grau. gir sua altura máxima?
Problemas de física, química, biologia, ma- b) Qual a altura máxima?
temática financeira etc. são resolvidos estudan- c) Quanto tempo o objeto levará para atin-
do-se os pontos de máximo ou mínimo, as gir novamente o solo, após ter atingido
raízes, o sinal e a taxa de variação dessa função. sua altura máxima?

34 PV2D-06-MAT-51 Capítulo 02. Funções do 1º e do 2º Grau


Funções

Resolução 04. (Unirio-RJ) Num laboratório é realiza-


a) O tempo no qual o objeto atingirá a altura da uma experiência com um material volátil,
máxima é o xV. cuja velocidade de volatilização é medida pela
sua massa, em gramas, que decresce em função
12
1 2 = −32 1 + 452 62 =
−7
=
−45
1 2
48 4 ⋅ −3
=4
do tempo t, em horas, de acordo com a fórmula:
m(t) = –32t – 3t+1 + 108
Resposta: t = 2 s Assim sendo, o tempo máximo de que os
cientistas dispõem para utilizar este materi-
− ∆ −355
b) 1123 = 24 = = = 65 7 al antes que ele se volatilize totalmente é:
34 −65
a) inferior a 15 minutos.
Resposta: hmáx = 20 m
b) superior a 15 minutos e inferior a 30 mi-
c) No solo h = 0 ⇒ – 5t2 + 20t = 0 nutos.
t = 0 ou t = 4 c) superior a 30 minutos e inferior a 60 mi-
Resposta: 4 s nutos.
d) superior a 60 minutos e inferior a 90 mi-
03. (FGV-SP) O lucro mensal de uma em- nutos.
presa é dado por L(x) = –x2 + 30x – 5, onde x é e) superior a 90 minutos e inferior a 120 mi-
a quantidade mensal vendida. nutos.
a) Qual o lucro mensal máximo possível? Resolução
b) Entre que valores deve variar x para que o m(t) = –32t – 3t+1 + 108 = – 32t – 3t · 31 + 108
lucro mensal seja no mínimo igual a 195?
m (t) = –(3t)2 – 3 · (3t) + 108
Resolução Quando o material estiver todo volatilizado tere-
a) Lucro máximo = yV mos que a massa do material, no estado sólido ou
− ∆ −334 líquido, será igual a zero. Assim,
yV = = = 544 –(3t)2 – 3 · (3t) + 108 = 0, fazendo 3t = x
12 −1
b) Para que o lucro seja 195 devemos ter: –x2 – 3 · x + 108 = 0 ⇒ x = 9 ou x = –12(n.c.)
195 = –x2 + 30x – 5 ⇒ –x2 + 30x –200 = 0 x = 9 ⇒ 3t = 9 ou 3t = 32 ⇒ t = 2
x = 10 ou x = 20 t = 2 horas = 120 minutos
Resposta: E
05. (Faap-SP) Supondo que no dia 5 de de-
zembro de 1995, o Serviço de Meteorologia
do Estado de São Paulo tenha informado que
a temperatura na cidade de São Paulo atin-
giu o seu valor máximo às 14 horas, e que
nesse dia a temperatura f(t) em graus é uma
função do tempo “t” medido em horas, dada
por f(t) = –t 2 + bt – 156, quando
Analisando o gráfico, observamos que
8 < t < 20.
10 ≤ x ≤ 20
Obtenha o valor de b.
Resposta: 10 ≤ x ≤ 20
a) 14 e) 42
b) 21 d) 35
c) 28

Capítulo 02. Funções do 1º e do 2º Grau PV2D-06-MAT-51 35


Funções

Resolução 131 + 2 + 3 = 4
O horário da temperatura máxima corresponde à 2351 + 62 + 3 = 7
abscissa do vértice. Assim,
481 + 42 + 3 = 9
−2 −2 Resolvendo o sistema, encontramos:
11 =
34
⇒ 56 =
1 2
3 ⋅ −5
⇒ −2 = −37
a = –3 ; b = 11 e c = –5
b = 28 Portanto f(x) = –3x2 + 11x – 5. Para x = 2,5,
Resposta: C temos:
06. (Faap-SP) Com os dados do problema f(2,5) = –3 · (2,5)2 + 11 · (2,5) · 5 = 3,75
anterior, pode-se afirmar que a temperatura Resposta: D
máxima atingida no dia 5 de dezembro de 08. Álgebra do vôo à Lua.
1995 foi: Muita gente manifesta o temor de que seja
a) 40 extremamente difícil acertar exatamente num
b) 35 alvo sideral tão diminuto, já que o diâmetro da
c) 30 Lua é percebido por nós sob um ângulo de ape-
d) 25 nas meio grau. No entanto, examinando-se o
e) 20 problema com mais vagar, verifica-se que o
objetivo proposto será sem dúvida alcançado,
Resolução
se se conseguir que o foguete ultrapasse o pon-
A temperatura máxima ocorreu às 14 horas, logo to em que a força de atração da Terra e da Lua
tmáx = f(14) = – (14)2 + 28 · 14 – 156 = 40. são equivalentes. Uma vez conseguido isso, a
Resposta: A nave cósmica avançará inexoravelmente na
07. (ITA-SP) Os dados experimentais da ta- direção da Lua, impulsionada pela força de atra-
bela a seguir correspondem às concentrações ção desta. Busquemos esse ponto de atração
de uma substância química medida em in- equivalente.
tervalos de 1 segundo. Assumindo que a li- De acordo com a lei de Newton, a força de
nha que passa pelos três pontos experimen- atração recíproca de dois corpos é diretamen-
tais é uma parábola, tem-se que a concentra- te proporcional ao produto das massas que
ção (em mols) após 2,5 segundos é: se atraem, e inversamente proporcional ao
quadrado da distância que as separa
Tempo (s) Concentração (mols)
1 3⋅4 3
1 3,00 2 1=2
51 4 . Se denotarmos por M a mas-
2 5,00 sa da Terra, m’ a massa da espaço-nave e por
3 1,00 x a distância entre ela e o foguete, a força com
a) 3,60 d) 3,75 que a Terra atrai cada grama de massa da
espaço-nave se exprimirá por
b) 3,65 e) 3,80
c) 3,70 1 4
11 = =3 2 11 = 4 3 5 2 .
21 5
Resolução
A força com que a Lua atrai cada grama do
Como a “linha” é uma parábola, a função que foguete nesse mesmo ponto será mG/(d – x)2,
relaciona a concentração com o tempo é uma função onde m é a massa da Lua e d a distância que a
do 2º Grau: separa da Terra, na pressuposição de achar-
f(x) = ax2 + bx + c. Sabemos ainda que f(1) = 3; se o foguete sobre a reta que une os centros da
f(2) = 5 e f(3) = 1. Assim, Lua e da Terra. O problema exige que

36 PV2D-06-MAT-51 Capítulo 02. Funções do 1º e do 2º Grau


Funções

12 42 torno do eixo constituído pela reta que une


31
=
5−31 2 1 os centros da Terra e da Lua, a circunferência
gerará uma esfera cujos pontos satisfazem
isto é às exigências do problema.
O diâmetro dessa esfera será igual a
1 31
= 1 1,12 d – 0,9d = 0,22d ≅ 84 000 km
2 4 − 543 + 3 1
No momento em que o foguete se achar
A relação M/m, segundo a Astronomia, dentro dessa esfera, ele deverá forçosamente
equivale, aproximadamente, a 81,5. Aplican- cair sobre a superfície lunar, por que nessa
do-a, teremos zona, a força de atração da Lua supera a da
Terra.
11
= 4576
2 1 − 321 + 1 1
Daí,
80,5x2 – 163,0 dx + 81,5 d2 = 0
Equação essa que, resolvida, fornece as
raízes
x1 = 0,9d; x2 = 1,12d
Assim, chega-se à conclusão de que, sobre
a reta que une os centros da Lua e da Terra, Figura 1
existem dois pontos onde a atração de ambos O objetivo visado pelo foguete é muito
os planetas atua sobre o foguete com intensi- maior do que se suspeitava. Tal objetivo não
dade idêntica: um a 0,9 de distância que se- ocupa meio grau no espaço, mas, sim, 12
para os dois planetas, partindo-se do centro graus, conforme demonstra um simples cál-
da Terra; o outro, a 1,12 dessa mesma distân- culo geométrico. Isto facilita grandemente a
cia. Ora, a distância d entre os centros da Ter- tarefa dos cosmonautas.
ra e da Lua é aproximadamente igual a
Por acaso pensaram os leitores, ao procu-
384 000km; portanto, um dos pontos procu-
rarem resolver a equação, que a força de
rados se encontra a 346 000 km da Terra, e
gravitação da Terra era maior que a da Lua,
outro, a 430 000 km.
não só na sua frente, mas inclusive por de-
É possível demonstrar que o lugar geomé- trás dela? A análise algébrica, inesperada-
trico dos pontos que satisfazem às exigências mente, nos revelou tal fato, permitindo-nos
do problema é uma circunstância que passa delimitar, com exatidão, a esfera de influên-
pelos dois pontos achados, tomados estes cia de ambos esses corpos celestes.
como extremidades de um diâmetro daque-
(Adaptado do livro Aprenda Álgebra Brincando I.
la. Se fizermos girar essa circunferência em Perelman. Editora Hemus).

Capítulo 02. Funções do 1º e do 2º Grau PV2D-06-MAT-51 37


Funções

Capítulo 03. Inequações do 1o e do 2o Grau


1. Propriedades das convervado quando a constante é positiva e
deve ser invertido quando a constante é nega-
Desigualdades tiva.
Para estudarmos as inequações é impor- Conseqüência: consideremos a desigual-
tante que vejamos, antes, algumas proprie- dade a · b > c.
dades das desigualdades. Dividindo, membro a membro, pela cons-
P1 ) Podemos somar ou subtrair uma mes- tante b, teremos:
ma constante nos dois membros da desigual-
dade sem que isto altere o seu sentido.
11 ⋅ 22 > 3 ⇒ 3 45 2 > 6
2 2 2
a>b⇒a+c>b+c
ou
ou
a>b⇒a–c>b–c
11 ⋅ 22 < 3 ⇒ 1 < 3 45 2 < 6 .
2 2 2
ou
a<b⇒a+c<b+c 1.1.Inequação do 1o Grau
ou A sentença que representa a inequação do
a<b⇒a–c<b–c 1º grau é dada, de uma forma geral, pela ex-
pressão ax +b comparada com o zero, ou seja,
Conseqüência: observemos a desigualda- ax + b poderá ser: ≥ 1 2 ≤ 1 2 > 1 45 < 13
de a + b > c.
O procedimento de resolução da inequação
Adicionando, membro a membro, a cons- do 1º grau segue os mesmos caminhos da re-
tante –b, teremos: solução da equação do 1º grau, respeitando-
a+b–b>c–b⇒a>c–b se, evidentemente, as propriedades das desi-
Fazendo uma “tradução” prática dessa gualdades.
passagem, teremos que, numa desigualdade, Exemplo 1
podemos “mudar” um número de um mem- Resolver a inequação 3x + 12 > 0.
bro para outro, bastando para isso mudar-
mos o sinal deste número. – “Passando” 12 para o 2º membro, temos:
3x > –12.
P2) Dada a desigualdade a > b, podemos
– Dividindo a desigualdade por 3, encon-
multiplicá-la ou dividi-la, membro a mem-
tramos: x > –4.
bro, por uma constante não-nula e com dois
resultados possíveis: – Conjunto solução: S = { x ∈ R/ x > –4}
Exemplo 2
a · c > b · c se a constante c for positiva.
Resolver a inequação –5x + 15 < 0.
ou
– “Passando” 15 para o 2º membro, temos:
a · c < b · c se a constante c for negativa.
–5x < –15
Portanto, quando multiplicamos ou divi- – Dividindo a desigualdade por –5, encon-
dimos uma desigualdade, por uma constante tramos: x > 3.
não-nula, o sentido da desigualdade, fica – Conjunto solução: S = {x ∈ R / x > 3}.

38 PV2D-06-MAT-51 Capítulo 03. Inequações do 1o e do 2o Grau


Funções

1.2. Inequação do 2o Grau cações na construção do seu gráfico: não é ne-


Chamamos inequações do 2º Grau às sen- cessário que tenhamos a posição exata do vér-
tenças: tice, basta que ele esteja do lado certo do eixo x;
ax2 + bx + c > 0, ax2 + bx + c ≥ 0, ax2 + bx + c < 0, não é preciso estabelecer o ponto de intersecção
2
ax + bx + c ≤ 0 onde a, b, c são números reais do gráfico da função com o eixo y e, consideran-
conhecidos, a ≠ 0, e x é a incógnita. do que imagens acima do eixo x são positivas e
abaixo do eixo x são negativas, podemos dis-
Fazendo P(x) = y = ax2 + bx + c, resolver cada pensar a colocação do eixo y. Em resumo, para
inequação acima significa determinar para quais estabelecermos a variação de sinal de uma fun-
valores reais de x temos, respectivamente: ção do 2º grau, basta conhecermos a posição da
y > 0, y ≥ 0, y < 0, y ≤ 0. concavidade da parábola, voltada para cima
Isto pode ser feito analisando-se os sinais ou para baixo, e a existência e quantidade de
da função f(x)= y = ax2 + bx + c. raízes que ela apresenta.
Para o estudo da variação de sinal da fun- Consideremos a função f(x) = ax2 + bx + c
ção do 2º Grau, adotaremos algumas simplifi- com a ≠ 0.

Capítulo 03. Inequações do 1o e do 2o Grau PV2D-06-MAT-51 39


Funções

Finalmente, tomamos como solução para 02. Resolver em IR as inequações.


inequação as regiões do eixo x que atenderam a) x2 – 6x – 7 ≤ 0
às exigências da desigualdade. b) x2 – 4x + 4 ≥ 0
Exemplo 1 c) x2 – 4x + 4 ≤ 0
Resolver a inequação x2 – 6x + 8 ≥ 0. d) –2x2 + 5x – 2 > 0
– Fazemos y = x2 – 6x + 8. Resolução
– Estudamos a variação de sinal da fun-
ção y.

– Tomamos, como solução da inequação,


os valores de x para os quais y > 0:
S = { x ∈ R / x < 2 ou x > 4}
Observação
Quando o universo para as soluções não é
fornecido, fazemos com que ele seja o conjun-
to R dos reais.

Exercícios Resolvidos
01. Resolva em IR as inequações.
a) 3 (x – 1) –2 (1 – x) ≥ 0
1 +2 1 −2
b) − > 31 − 2 5 03. (Fatec-SP) Seja f: R ⇒ R uma função de-
3 4
finida por f(x) = (t – 1) x2 + tx + 1, t ∈ IR. Os
Resoluções
valores de t, para que f tenha duas raízes dis-
a) 3 (x – 1) –2 (1 – x) ≥ 0 tintas, satisfazem a sentença:
3x – 3 – 2 + 2x ≥ 0
1
5x – 5 ≥ 0 ⇒ 5x ≥ 5 ⇒ x ≥ 1 a) <3<1 d) t ≠ 2 e t ≠ 1
2
S = { x ∈ R/ x ≥ 1} b) – 4 < t < 4 e) t ≠ 0 e t ≠ 1
1+2 1−2 2 c) 0 ≤ t < 8
b) − > 31 −
3 4 5 Resolução
Para que f seja uma função do 2º grau: t – 1 ≠ 0 ⇒
⇒ t ≠ 1.
Para que f tenha duas raízes reais e distintas de-
3x – 2x – 12x > – 1 – 2 – 3
vemos ter ∆ > 0.
1 b2 – 4 · a · c > 0.
–11x > –6 ⇒ x <
22 t2 – 4 · (t – 1) · 1 > 0.
1 t2 – 4t + 4 > 0.
S = {x ∈ R / x < }
22

40 PV2D-06-MAT-51 Capítulo 03. Inequações do 1o e do 2o Grau


Funções

– Estudamos a variação de sinal de cada


uma das funções de acordo com os seus
gráficos cartesianos.

y1 x
1

t≠1et≠2
Resposta: D y2 x
–2

04. (UCS-RS) O domínio da função


12
1 2 = −2 1 + 3 é: y3
3
x

a) [–2; 2] d) − 1 2 1 – Reunimos estas variações de sinais num


quadro chamado quadro de sinais.
1 2
b) −1 2 1 1
e) − 1 2 1 2 –2 1 3
c) 1−∞ 1−2 ∪ 21+∞2 y1
Resolução y2

12
1 2 = −2 1 + 3 y3

Condição: –x2 + 2 ≥ 0 P
– Pela observação da última faixa do qua-
dro de sinais, que é onde aparece a varia-
ção de sinal do produto, podemos estabe-
11 ∈ 23− 2
4 ≤ 1 ≤ 4 = − 45 4 lecer o cojunto solução da inequação:

Resposta: D 1
S = 1 ∈ 2 5 1 < −6 34 7 < 1 < 8 2
3. Inequação Quociente
2. Inequação Produto Considerando que dois números não-nu-
Chamamos de inequação produto toda los quando multiplicados apresentam o mes-
inequação resultante da multiplicação de ex- mo sinal que quando divididos, podemos re-
pressões como (x – 1) · (x + 2) · (3 – x) > 0. Nota- solver inequações fruto da divisão de duas
mos não ser conveniente o desenvolvimento expressões pelo mesmo procedimento usado
da operação de multiplicação indicada, visto para a resolução das inequações produto.
que iríamos obter uma inequação do 3º grau de Exemplo
difícil resolução. Por este motivo adotamos ou- 1+2
tro procedimento para a resolução deste tipo Resolver a inequação ≤ 4.
1−3
de inequação, que será apresentado a seguir.
– Fazemos com que cada uma das expres-
– Fazemos com que cada uma das expres- sões, tanto do numerador como denomi-
sões (fatores do produto) seja associada a nador, seja associada a uma função. As-
uma função. Assim: sim:
y1 = x – 1, y2 = x + 2 e y3 = 3 – x y1 = x + 1 e y2 = x – 2

Capítulo 03. Inequações do 1o e do 2o Grau PV2D-06-MAT-51 41


Funções

– Estudamos a variação de sinal de cada Exemplo


uma das funções de acordo com os seus Resolver a inequação:
gráficos cartesianos.
(2x – 6)7 · (x + 2)8 ≥ 0
Fazemos y1 = (2x – 6)7 e y2 = (x + 2)8
y1 x
–1 Lembramos que a potência de expoente
ímpar e base real tem o sinal da base, então o
sinal de (2x – 6)7 é igual ao sinal de 2x – 6.

y2 x y1
2 3
– Reunimos essas variações no quadro de A potência de base real e expoente par é
sinais. um número não negativo. Então (x + 2)8 é nulo
se x = –2 e positivo se x ≠ –2
–1 2
y1 y2 –2
0
y2 Fazendo o quadro de sinais:

Q $/ –2 3
y1
– Pela observação da última faixa do qua-
dro de sinais, podemos estabelecer o con- y2
junto solução da inequação:
P
1
1 = 2 ∈ 3 4 −5 ≤ 2 < 6 2 1
S = 1 ∈ 2 1 1 = −5 34 1 ≥ 62
Importante:
Na inequação quociente é preciso obser-
var que, quando a expressão que se encon-
Exercícios Resolvidos
tra no denominador for igual a zero, a di- 01. Resolver, em R, as inequações:
visão não é definida. a) (x2 – 4x + 3) (x – 2) < 0
Potências com expoente inteiro 1 1 − 21 + 3
Nas inequações produto e nas inequações b) ≥5
quociente é comum encontrarmos termos 1−4
como (x – 3)5, (4 – 5x)6, (x2 – 5x + 6)9 etc. c) (x + 1) (x – 2) (–2x + 6) ≥ 0
Para resolver essas inequações basta lem- 15 − 2
brar duas propriedads das potências de base d) ≥4
real e expoente inteiro: 5−3
1) Toda potência de base real e expoente Resolução
ímpar conserva o sinal da base. a) Fazendo y1 = x2 – 4x + 3 e y2 = x – 2, teremos:
a > 0 ⇒ a2n+1 > 0
a = 0 ⇒ a2n+1 = 0
a < 0 ⇒ a2n+1 < 0
2) Toda potência de base real e expoente
par é um número não negativo.
a ∈ R ⇒ a2n ≥ 0 (n ∈ N)

42 PV2D-06-MAT-51 Capítulo 03. Inequações do 1o e do 2o Grau


Funções

12 − 3 12 − 3
d) ≥ 5⇒ −5 ≥ 6 ⇒
2−4 2−4

1 2
12 − 3 − 2 − 4
≥6⇒
2−1
≥6
2− 4 2−4

1
1 = 2 ∈ 3 4 2 < 5 67 8 < 2 < 9 2 Fazendo y1 = x – 2 e y2 = x – 3, teremos:

b) Fazendo y1 = x2 – 4x + 3 e y2 = x – 2,
teremos:

1
1 = 2 ∈ 3 4 2 ≤ 5 67 2 > 8 2
1
1 = 2 ∈ 3 4 5 ≤ 2 < 6 78 2 > 9 2 02. (FGV-SP) Sendo A o conjunto solução
c) Fazendo y1 = x + 1, y2 = x – 2 e y3 = –2x + 6, da inequação (x2 – 5x) (x2 – 8x + 12) < 0, assi-
teremos: nale a alternativa correta:
a) –1 ∈ A
1
b) ∈A
2
c) {x ∈ R / 0 < x < 3} ⊂ A
d) 0 ∈ A
e) 5,5 ∈ A

Resolução

1
1 = 2 ∈ 3 4 2 ≤ −5 67 8 ≤ 2 ≤ 9 2
Fazendo-se o quadro produto, vem:

Capítulo 03. Inequações do 1o e do 2o Grau PV2D-06-MAT-51 43


Funções

04. (Mackenzie-SP) A inequação (x2 – 4)10 ·


(x – 2)5 > 0 tem como solução todos os valores
reais de x tais que:
a) x ≤ 2
b) x > 2
c) x > –2
d) x < –2
Logo, a alternativa correta é a e. Ou seja, 5,5 ∈ A.
e) x < 2
03. (Unisa-SP) Dada a inequação: (2x – 5) ·
(4x2 – 25) · (x2 + x + 1) < 0, o conjunto solução é: Resolução

121 ∈211 < 3 45 (x2 – 4)10 · (x – 2)5 > 0


a)
3 46
y1 = (x2 – 4)10 y2 = (x – 2)5

1 34
y=x –42 y=x–2
b) 21 ∈211 < − 5
3 46
0=x –42 0=x–2

1
c) 21 ∈21− < 1 < + 5
3 34
x=±2 x=2

3 4 46
1
d) 21 ∈211 > 5
34
3 46
e) ∅
Resolução

Fazendo o quadro produto, temos:

1
1 = 2 ∈3 42 > 52
Logo, fazendo o quadro produto, temos: 05. (PUC-RS) O domínio da função real

12
dada por 1 2 =
3+2
2−4
é:

a) 11 ∈241 > −5 3 1 < 62


b) 11 ∈ 251 < −6 34 1 ≥ 72

c) 11 ∈ 241 ≥ −5 3 1 ≤ 62

d) 11 ∈ 251 ≤ −6 34 1 > 72
121 ∈2 31 < −4 45 e) 11 ∈ 241 ≥ −5 3 1 < 62
3 56

44 PV2D-06-MAT-51 Capítulo 03. Inequações do 1o e do 2o Grau


Funções

Resolução y1 = –x + 3 y2 = x – 1
1+ 2 0 = –x + 3 0 = x –1
≥4
2−3 x=3 x=1
y1 = 1 + x y2 = x – 4
0=1+x 0=x–4
x = –1 x=4

Fazendo-se o quadro quociente, vem:

Quadro quociente:

Como x < 1, temos:

11 ∈231 < 42 31 > 5 6789


4 .
1 2
1 ∈ 231 ≤ −4 56 1 > 7
07. (FGV-SP) O conjunto solução da
06. (Cesgranrio-RJ) O conjunto de todos os
1 − 11
números reais x < 1 que satisfazem a inequação ≥ 4 é:
1 1 + 21 − 3
1
inequação
3 −2
< 2 45
a) 11 ∈211 < −6 34 1 ≥ 7 5 1 > 82
a) 112 b) 11 ∈211 < −5 34 1 > 62
1 24
b) 21 4 5 c) 11 ∈21−3 < 1 < 42
3 36
c) 11 ∈2 1 −3 < 1 < 32 d) 11 ∈21−3 < 1 ≤ 42

d) 11 ∈211 < 32 e) 11 ∈21−5 < 1 ≤ 6 34 1 ≥ 72


e) 11 ∈211 < 32 Resolução
Resolução
1 − 11
1 1
≥4
<3 1 + 21 − 3
2−3 y1 = x – x2
1
−3< 4
2−3
1 2
1− 2 −3
<4
2−3
1− 2 + 3 −2 + 5
<4⇒ <4
2−3 2−3
Estudando o sinal do numerador e do denomina- y2 = x2 + 2x – 3
dor, temos:

Capítulo 03. Inequações do 1o e do 2o Grau PV2D-06-MAT-51 45


Funções

Fazendo-se o quadro quociente, vem:

11 ∈2 3−4 < 1 ≤ 52
Resposta: D

46 PV2D-06-MAT-51 Capítulo 03. Inequações do 1o e do 2o Grau


Funções

Capítulo 04. Tipos de Funções


1. Função Composta Assim:
gof(x) = g[f(x)] = f(x)2 – 1 = (2x + 7)2 – 1 = 4x2 +
Consideremos duas funções reais (D = R e + 28x + 49 – 1 = gof(x) = 4x2 + 28x + 48
CD = R), definidas pelas sentenças f(x) = 2x + 7
Aproveitando as mesmas duas funções e
e g(x) = x2 – 1.
ainda servindo como exemplo de determina-
Vamos determinar, pelo uso da sentença ção da sentença que representa a composição
f(x), a imagem do elemento –2, ou seja, de funções, vamos determinar a sentença fog(x).
f(–2) = 2 · (–2) + 7 = 3.
Assim:
Agora, pelo uso da sentença g(x), vamos
determinar g(3) = 32 – 1 = 8. fog(x) = f[g(x)] = 2 g(x) + 7 = 2(x2 – 1) + 7 =
= 2x2 – 2 + 7 = fog (x) = 2x2 + 5
Assim: g(3) = g [f(–2)] = 8.
É bom compararmos esses dois exemplos
Função composta de f e g é uma sentença de composição de funções para notarmos que
h capaz de diretamente conduzir o elemento a composição não admite a propriedade
–2 até a imagem 8. comutativa, ou seja, em geral fog ≠ gof.

Exercícios Resolvidos
01. (AMAN-RJ) Se f(x) = 3x + 1 e g(x) = 2x2,
então f [g(–1)] – g [f(–1)] é igual a:
a) –1 d) 0
b) 1 e) nra.
c) 15
Só é possível compormos as funções g com
f se o conjunto da imagem f for o domínio da Resolução
função g. Cálculos auxiliares:
g(–1) = 2 (–1)2 = 2
1.1. Notação
f(–1) = 3 (–1) + 1 = –2
A notação usual para indicar a composição
da função g(x) com a função f(x) é gof(x) – lê-se f[g(–1)] = f(2) = 3 · 2 + 1 = 7
“g bola f na variável x” ou “g círculo f na vari- g[f(–1)] = g[–2] = 2 (–2)2 = 8
ável x” – mas podemos encontrar a indicação Logo:
apenas como gof ou um pouco mais sofisticada
f[g(–1)] – g[f(–1)] = 7 – 8 = –1
(gof) (x). O importante é sabermos que:
Resposta: A
gof(x) = g[(f(x)]
02. (EESC-SP) Se f(x) = x2 e g(x) = x3, então
1.2. Determinação da Composta f[g(2)] é:
Para exemplificar a determinação da fun- a) 16 d) 64
ção composta, vamos utilizar as funções já
b) 128 e) 32
apresentadas:
c) 12
f(x) = 2x + 7 e g(x) = x2 – 1

Capítulo 04. Tipos de Funções PV2D-06-MAT-51 47


Funções

Resolução 2. Classificação
f [g(2)] = f(23) = f(8) = 82 = 64
Resposta: D 2.1. Injetora
Uma função é chamada injetora quando
03. (FGV-SP) Considere as funções para ela elementos distintos do domínio apre-
f(x) = 2x + 1 e g(x) = x2 – 1. Então, as raízes da sentarem imagens também distintas no con-
equação f[g(x)] = 0 são: tra-domínio.
a) inteiras.
x1 ≠ x2 ⇒ f(x1) ≠ f(x2)
b) negativas.
c) racionais não inteiras.
d) inversas uma da outra.
e) opostas.
Resolução
f[g(x)] = 0 ⇒ f [x2 – 1] = 0
2 (x2 – 1) + 1 = 0 ⇒ 2x2 – 2 + 1 = 0
Reconhecemos, graficamente, uma função
1 1 1 injetora quando, uma reta horizontal, qual-
2x2 = 1 ⇒ x2 = ⇒ x = ± ⇒x=± quer que seja, interceptar o gráfico da função,
2 2 1
uma única vez.
Logo, as raízes são opostas.
Resposta: E

04. Considerando que f(x) = x + 2 e f[g(x)] =


2x – 3, então g(x) é igual a:
a) 5 – x d) x2
b) 4x – 2 e) 2 – 4x
c) 2x – 5
Resolução
f [g(x)] = g(x) + 2 f(x) é injetora
2x – 3 = g(x) + 2 ⇒ g(x) = 2x – 5
Resposta: C

05. Sendo g(x) = x – 7 e f[g(x)] = 3x – 1, de-


terminar a função f(x).
Resolução
g(x) = x – 7 ⇒ x = g(x) + 7
f[g(x)] = 3x – 1 ⇒ f[g(x)] = 3[g(x) + 7] – 1
f [g(x)] = 3g(x) + 20 ⇒ f(x) = 3x + 20

g(x) não é injetora

(interceptou o gráfico mais de uma vez)

48 PV2D-06-MAT-51 Capítulo 04. Tipos de Funções


Funções

2.2. Sobrejetora 2.3. Bijetora


Uma função é chamada sobrejetora quan- Uma função é chamada bijetora quando
do todos os elementos do contra-domínio fo-
rem imagens de pelo menos um elemento do apresentar as características de função
domínio. injetora e ao mesmo tempo, de sobrejetora,
ou seja, elementos distintos têm sempre ima-
Im = CD
gens distintas e todos os elementos do con-
tra-domínio são imagens de pelo menos um
elemento do domínio.

Reconhecemos, graficamente, uma função


sobrejetora quando, qualquer que seja a reta
horizontal que interceptar o eixo no contra-
domínio, interceptar, também, pelo menos
uma vez o gráfico da função.
Observação
Uma função bijetora apresenta o que cha-
mamos de relação biunívoca: para cada
elemento há uma única imagem e vice-
versa.

2.4. Complemento
Devemos lembrar que existem funções que
não são injetoras nem tampouco sobrejetoras.
f(x) é sobrejetora Elas não recebem uma classificação especial;
são ditas, apenas, nem injetora e nem
(não interceptou ográfico)
sobrejetora.

g(x) não é sobrejetora


(não interceptou o gráfico)

Capítulo 04. Tipos de Funções PV2D-06-MAT-51 49


Funções

Exercícios Resolvidos Não é injetora, pois existem elementos de Im(f)


que são imagem de dois valores distintos de x.
01. Os gráficos abaixo representam fun-
Logo, não é bijetora.
ções de R em R.

02. Determinar o conjunto B de modo que


a sentença f(x) = x 2 defina uma função
sobrejetora de A = { x ∈ R / –3 ≤ x ≤ 4} em B.
Dizer se, nessas condições, ela é bijetora.

Verifique se elas são ou não sobrejetoras,


injetoras ou bijetoras. Justifique.
Resolução Resolução
a) D (f) = R B = CD = Im [y ∈ R / 0 ≤ y ≤ 16]
Im (f) = {3} Não é bijetora, pois não é injetora.
CD (f) = R
Não é sobrejetora, pois Im (f) ≠ CD (f) = R
Não é injetora, pois todos os elementos do
domínio têm como imagem o elemento 3.
Como não é injetora nem sobrejetora, não é
bijetora.
b) D (f) = R
Im (f) = R
CD (f) = R
É sobrejetora, pois Im (f) = CD (f).
É injetora, pois todos os elementos distintos x
do domínio têm imagens g distintas do 3. Função Inversa
contradomínio.
Logo, é bijetora.
3.1. Conceito
Vamos considerar uma função f com do-
c) D (f) = R mínio A e contradomínio B para a qual cada
12 445 elemento x pertencente ao conjunto A apre-
3
Im (f) = 1 ∈ 231 ≥ −
5 6 senta uma imagem y = f(x) pertencente ao
CD (f) = R conjunto B. Podemos pensar na existência de
uma função que a partir da imagem y deter-
Não é sobrejetora, pois Im(f) ≠ CD (f).
mine o elemento x, ou seja, uma função g tal

50 PV2D-06-MAT-51 Capítulo 04. Tipos de Funções


Funções

que g(y) = x. Esta função g, que faz o caminho ça f, apresenta-nos o valor de sua imagem y,
inverso da função f, é chamada função inver- a função inversa f–1 tem como tarefa tomar a
sa de f e recebe a notação f–1. imagem y e, por meio da sentença f–1, apre-
sentar o elemento x. Vejamos essa idéia utili-
zada no exemplo a seguir.
Determinar a função inversa da função

f(x) = 2x – 4

1º) Vamos substituir a notação de imagem de


f(x) por y. Assim: y = 2x – 4.
2º) Para determinar a inversa, devemos “iso-
3.2. Condição de Existência lar” o x.
Devemos notar que, para existir a inver-
4+2
sa, é necessário que todos os elementos do Logo, 13 = 4 + 2 ⇒ 3 =
contradomínio da função f sejam imagens de 1
algum elemento do domínio, e mais, de um 3º) Podemos dizer que já encontramos a sen-
único elemento. Desta forma concluímos que tença que representa a inversa de f, pois,
só pode existir inversa da função f se a função para cada imagem y dada, poderemos
f for bijetora. obter o elemento x para o qual y serve de
Dessa forma, notamos que o domínio da imagem. Porém, para efeito de notação, é
função f é o contradomínio de f–1 e que o comum permutarmos as letras x e y.
contradomínio de f é o domínio de f–1. 2+3
Então: 1 =
Assim: 4
4º) Retornando à notação inicialmente usada
para a função, vamos substituir y por
D(f) = CD(f –1) = Im(f –1)
12
1 −1 2 .
CD (f) = D(f –1) = Im(f)
−1
Finalmente, teremos 1 2 = 12 2+3
4

3.4. Propriedades
P1) Evidentemente se o par (a, b) pertencer
à função f, o par (b, a) pertencerá à função f –1
e isso representado no plano cartesiano nos
proporcionará uma simetria dos pontos re-
presentados pelos pares (a, b) e (b, a) em rela-
ção à reta y = x (bissetriz dos quadrantes ím-
3.3. Determinação da Inversa pares). Isso feito para todos os pares ordena-
Para a determinação da sentença que re- dos de cada uma das funções garante-nos que
presenta a inversa da função f, usaremos o o gráfico de uma função e da sua inversa são
conceito de função inversa. Enquanto a fun- simétricos em relação à reta y = x(função iden-
ção f toma o elemento x e, por meio da senten- tidade)

Capítulo 04. Tipos de Funções PV2D-06-MAT-51 51


Funções

12 − 1 2 = 2 1 + 3

1 2
1 ⋅ 2 − 1 = 22 + 3

34 5 6 31 + 6
12 ⇒ 4=
47 8 1−8

1 −1
122 = 322 −+54 678 2 ≠ 5
Resposta

P2) Considerando que a função leva o ele-


a) 1
−1
122 = 2 4+ 3
mento à imagem e a inversa traz a imagem
ao elemento, se compusermos a função com a b) 1
−1
122 = 322 −+54 678 2 ≠ 5
inversa, retornaremos, sempre, ao elemento
de onde partimos.
02. (Cesesp-SP)
Assim: fof-1(x) = f-1of(x) = x Seja f: R ⇒ R a função dada pelo gráfico
coseguinte.
Pode-se provar ainda que:

3 1 24 = 1122
P3) 1 −1 2
−1

P ) 11232 = 3 21
−1 −1 −1
4

Exercícios Resolvidos
01. Determine a inversa das funções:
12
a) 1 2 = 3 2 − 4
62 + 7 Assinale a alternativa que corresponde ao
b) 1 = 345 2 ≠ 8 gráfico da função inversa de f:
2−8
Resolução
12
a) 1 2 = 3 2 − 4 a)
1 = 12 − 2 ⇒ 12 = 1 + 2 ⇒
2 +1 1+1
1= ⇒2=
2 2

12
1 −1 2 =
2 +3
4
23 + 4
b) 1 =
3−5
12 − 1 1 = 2 2 + 3

52 PV2D-06-MAT-51 Capítulo 04. Tipos de Funções


Funções

Resposta: C
O gráfico de uma função e o da sua inversa são
b)
simétricos em relação à reta y = x

c)

03. (F.M. Jundiaí – SP)


Sejam as funções f e g de R em R, definidas
por f(x) = 2x – 1 e g(x) = kx + t. A função g será
a inversa de f se, e somente se:
4
a) 13 2 =
5
d) b) 1 − 2 = 3
c) k = 2t
d) k + t = 0
3
e) 1 = 2 =
4
Resolução
f(x) = 2x – 1
2x = y + 1 ⇒
2+3 1 +2
1= ⇒y=
e) 4 3

Logo, 1
11
122 = g(x) = 1 3+ 2 = 23 1 + 23
Mas g(x) = kx + t
1 1
Logo, k = e t=
2 2
Resposta: E

Capítulo 04. Tipos de Funções PV2D-06-MAT-51 53


Funções

04. (UPF – RS) Calcule a.


Seja f: R → R bijetora, definida por Resolução
f(x) = x3 + 1. Seja g: R → R, bijetora, definida Da teoria sabemos que o contra domínio de uma
14 + 2 função é igual ao domínio de sua inversa. Então:
por g(x) = .
3 1º passo) Determinação da inversa

122 + g 576 1 12 23 34 8
9 vale:
2+ 3
1= ⇒ 21 − 31 = 2 + 3 ⇒
Então, 1 1 23

2− 3
⇒ 3 + 31 = 21 − 2
12 1
a) d)
3 2 1 2
1 2 + 3 = 43 − 4 ⇒ 1 =
43 − 4
3 +2
11 11
b) e)
2 2
Finalmente 1
11
122 = 122 +−31
11
c)
2 2º passo) 123 −1 = 42 2
Resolução
Cálculos auxiliares 123 −1 = x + 1 ≠ 0 ⇒ x ≠ –1
• Cálculo da inversa: 1 2
IDf −1 : 1 ∈ 23 1 1 ≠ − 4 . Logo
f(x) = x3 + 1
y = x3 + 1 → x = y3 + 1 → y3 = x – 1 → 1 2
CDf = 12 − − 5 3 ∴ 4=−5

→ y= 1 1 −2
06. Dada a função f: R → B com
12
Logo, 1 11 2 = 1 1 − 2 f(x) = x2 – 4x + 3, resolver as questões abaixo
a) Determinar o conjunto B para que a
1 122 = 1 − 2 = 3 = 4
11 1 1
função f seja sobrejetora.
b) Considerando o conjunto B nas condi-
1 1 3 = 1 3 + 2= + 2=
1
2 2 2 5
2 3 4 2 34 4 4 ções do item a, como definir um novo domí-
nio de f para que a função fosse bijetora?
c) Tomando f nas condições dos itens a e
b, ou seja, como função bijetora, determinar
5 5 33
5 1 33 8
= 1 1 5 3 = 7 ⋅ 6 + 3 = 4 + 3 = 4 = 33
17 2
a sentença que representa a inversa f –1.

6 2 44 9 2 6 4 8 8 8 9 Resolução
a)
5 1 33 8 33 46
Portanto, f (9) + 1 7 2 2 4
= 4 + =
6 49 5 5
-1

Resposta: A
05. A função f, definida em 12 − 3 por 12
1+2
f(x)= é inversível. O seu contradomínio
1−2
12
é 12 − 3 .

54 PV2D-06-MAT-51 Capítulo 04. Tipos de Funções


Funções

Para que f seja sobrejetora, devemos ter CD = Im,


1
ou seja , B = 1 ∈ 23 4 1 ≥ − 5 1 2 Dizemos que módulo de um número real x
b) é a “distância” do ponto que representa x no
eixo (afixo) à origem do eixo real. Assim, por
exemplo, o número real 3 tem módulo igual a
3, pois é a “distância” dele à origem. Do mes-
mo modo que, sendo a “distância” do número
real – 4 até a origem igual a quatro unidades,
dizemos que o módulo de – 4 é igual a 4. A
notação que damos ao módulo do número real
x é um par de barras envolvendo o número x.
Módulo de x é representado por |x|.

4.2. Definição do Módulo de um


Respeitadas as condições do item a), para que f seja
bijetora basta que também seja injetora. Para isso basta Número Real
escolher a região crescente ou a região decrescente, ou seja A partir da interpretação geométrica do
módulo, associando-o a uma distância que o
1 = 23 ∈ 4 5 3 ≥ 67 ou torna um valor não negativo, podemos esta-
1
A = 1 ∈ 23 4 1 ≤ 5 . 2 belecer a seguinte definição do módulo de um
número real:
c) f(x) = x2 – 4x + 3
y = x2 – 4x + 3 12 1 = 1 23 ≥ 3
x2 – 4x + 3 – y = 0
3 1 = −1 24567849
3 1 23 1 ≤
2± 3 4+5
1= Assim:
3 |6| = 6, pois 6 > 0.
1 = 2± 3 + 4 |— 7| = —(—7), pois —7 < 0
1 −1 = 2 ± 3 + 4 É bom lembrarmos que para x = 0, tanto
podemos apresentar |x| = x, como |x| = —x e
f -1(x) = 1 + 2 + 3 então podemos incluir o zero, na definição,
ou junto com 1 ≥ 4 23 1 ≤ 4 .

12
1 −1 1 = 2 − 3 + 4 4.3. Função Módulo
– Sentença: f(x) = |x|, onde cada elemento
4. Função Modular tem como imagem o seu valor absoluto,
ou seja, o seu módulo.
Vamos, antes de apresentar a função mo-
– D = R, CD = R e Im = R+.
dular, estudar o módulo de um número real.
– Gráfico: para a construção do gráfico da
4.1. Interpretação Geométrica do função modular, vamos fazer duas consi-
derações:
Módulo
Consideremos a reta orientada que repre- 1º) 1 ≥ 2 ⇒ f(x) = x, que é a função identidade
senta todos os números reais, conhecida como (bissetriz do 1º quadrante);
eixo real, com origem no ponto O, que é onde 2º) x < 0 ⇒ f(x) = —x, que é uma função do 1º
representamos o número real 0 (zero). grau decrescente (bissetriz do 2º
quadrante).

Capítulo 04. Tipos de Funções PV2D-06-MAT-51 55


Funções

Considerando todos os valores reais de x,


teremos o seguinte gráfico para função mo- d)
dular:

e)

Exercícios Resolvidos
01. (UFV-MG) A figura abaixo é o gráfico
de uma função f: R → R.
Resolução

Lembrando que 1 = 1 se x ≥ 0 e 1 = − 1 se
x < 0 teremos:
g(x) = f(x) se f(x) ≥ 0 (parte do gráfico acima do
eixo x) e g(x) = – f(x) se f(x) < 0 (parte do gráfico
A alternativa correspondente ao gráfico x abaixo do eixo y), isto é, o gráfico da função g será
da função g(x), em que g(x) =+|f(x)|é: simétrico do gráfico da função f em relação ao eixo x
a)

b)

c)

56 PV2D-06-MAT-51 Capítulo 04. Tipos de Funções


Funções

Resposta: b Obs: Em problemas semelhantes normalmente


02. Construa o gráfico da função real defi- adotaremos o 2º processo.
03. (UFMG) Seja f: R → R uma função tal
nida por f(x) = 1 2 3
1
que f(x)= 13 − 2 . O gráfico de y = f(x) é:
Resposta
Podemos construir o gráfico de f(x) por dois processos
1º Processo a)
Sabemos que 114 2
12
134 23 1 4 4
3
3114 23 15 4
então f pode se definida como uma função a duas
sentenças, ou seja

152 61
12227 34 2 3 7
32247 34 2 5 7
cujo gráfico é:

b)

2º Processo
Primeiro faremos o gráfico de g(x) = x - 1 . Para obtermos
o gráfico de f(x) = 1324 procederemos como no exercíco 1

c)

d)

Capítulo 04. Tipos de Funções PV2D-06-MAT-51 57


Funções

04. Construir o gráfico e apresentar o con-


e) junto imagem da função
f(x) = 1 + 1
Resolução
Primeiro faremos o gráfico de g(x) = 1 .
Para obtermos o gráfico de f(x) = g(x) + 1 deslo-
camos cada ponto do gráfico da função g uma unida-
Resolução de “para cima”.
f(x) = 2x2 – 8 →

1
f(x) = 13 − 2 →

Resposta: C

58 PV2D-06-MAT-51 Capítulo 04. Tipos de Funções


Funções

05. Construir o gráfico e apresentar o con- b)


junto-imagem da função
f(x) = 1 − 2 − 3
Resolução
g(x) = 1 − 2 , então f(x) = g(x) –2 , ou seja, para
obtermos o gráfico de f(x), deslocamos os pontos da
função g duas unidades para baixo.

c)

d)

Imf = [–2; ∞]

06. (Vunesp) O gráfico da função


132 4 = 2 1 − 52 − 6 é: e)

a)

Capítulo 04. Tipos de Funções PV2D-06-MAT-51 59


Funções

Resolução 07. Esboçar o gráfico e determinar o con-


1) f(x) = X2 – 2x → junto-imagem da função: f(x) = x2 – 4 1 + 3.
Resolução
Recorrendo à definição de 1 temos

133 1
− 1 3 + 5 67 3 ≥ 8
1234 = 233
4 1
+ 93 + 2 67 3 < 8

1
2) f(x) = 1 − 21 →

Im = {y ∈ R / y ≥ –1}

08. (Mackenzie – SP) Seja a função f: R → R


definida por y = 1 − 2 − 1 . O gráfico que me-
lhor a representa é:

1 a)
3) 1234 = 3 − 53 − 6 →

b)

60 PV2D-06-MAT-51 Capítulo 04. Tipos de Funções


Funções

5. Equação e Inequação
c)
Modular
Vamos recordar alguns itens importan-
tes referentes ao módulo de um número real:
– Interpretação geométrica: módulo de
um número real é a “distância” do ponto que
representa o número no eixo real à origem
desse eixo.

d)
– Definição: 1 =
121 23 1 ≥ 4
351 23 1 ≤ 4
Precisamos, para facilitar a resolução das
equações e das inequações modulares, conhe-
cer as principais propriedades dos módulos:
P1) 1 ≥ 2 para qualquer x real e
1 =2⇔ 1 =2
e)
P2) 1 = 2 ⇒ 1 = 2 34 1 = − 21 536 2 ≥ 7

P3) 1 = 2 ⇒ 1 = 2 34 1 = − 5

P4) 1 > 2 ⇒ 1 > 2 34 1 < − 21 536 2 ≥ 7

P5) 1 < 2 ⇒ − 2 < 1 < 2 1 345 2 ≥ 6

P6) 1 ⋅ 2 = 1 ⋅ 2
Resolução
Recorreremos novamente à definição de módulo. 1
1
11 − 2 34 1 ≥ 2 . Então
1−2 =2
P7) 2 =
2
345 2 ≠ 6

3− 1 + 2 34 1 < 2
Se x ≥ 3 ⇒ y = x – 3 – x ⇒ y = – 3 P8) 1 1 = 1
Se x < 3 ⇒ y = – x + 3 – x ⇒ y = – 2x + 3 21
P9) 1 = 1 21 = 1 21
As propriedades P3 , P4 e P5 podem ser
facilmente verificadas com o auxílio da in-
terpretação geométrica dos módulos.
Para a resolução das equações e das
inequações modulares, vamos agir de duas
maneiras: utilizaremos as propriedades para
a resolução das equações e inequações que
apresentarem um único módulo compara-
do a uma constante e utilizaremos a defini-
ção de módulo quando a sentença apresentar
Resposta: A mais que um módulo ou, se além do módulo,

Capítulo 04. Tipos de Funções PV2D-06-MAT-51 61


Funções

aparecer uma expressão com variável. –1<x<4


Exemplo 1 S= {x ∈ R / – 1 < x < 4}
Resolver a equação 1 − 2 = 3 Exemplo 5
1 − 1 = 2 ⇒ 1 = 3 23 1 − 1 = − 2 ⇒ 1 = − 4 Resolver: 14 − 2 ≥ 3
S = {–5; 9} 3x – 5 ≥ 1 ⇒ x ≥ 2
ou
Exemplo 2
1
3x – 5 ≤ – 1 ⇒ x ≤
Resolver a equação 1 + 2 = 31 − 4 2
x + 5 = 2x – 7 ⇒ -x = -12 ⇒ x = 12 ou 12 5 45
1 3
S = 1 ∈2 1 1 ≤
6
34 1 ≥ 7
6
x + 5 = – (2x – 7) ⇒ x + 5 = –2x + 7 ⇒ x =
2 Exemplo 6

11 4
S = 2 1 315
1
Resolva a inequação: 1 − 1 ≥ 2
32 6 Resolução
Exemplo 3 Devemos ter:
1
Resolva a equação: 1 − 21 − 3 = 2
Resolução
Devemos ter:

Resposta: S = {– 1, 1, 3, 5}
Exemplo 4 Resposta: S = {x ∈ 12 / x ≤ – 1 ou x ≥ 2}
Nos exemplos a seguir, utilizaremos a defi-
Resolver a inequação 14 − 2 < 3
nição de módulo pois as sentenças apresentam
– 5 < 2x – 3 < 5 (+3) mais que um módulo ou então, além do módulo,
– 2 < 2x < 8 ( ÷ 2) aparece uma expressão com variável.

62 PV2D-06-MAT-51 Capítulo 04. Tipos de Funções


Funções

Exemplo 7
Resolver a inequação

14 − 2 + 4 + 1 < 3
123 123
11 12

Observe a tabela a seguir:

12 7 45 Resolução
3
S = 121 ∈ 131 4 1151 6 121 6 1
8 6
Exemplo 8
Resolva, em 12 :

1 −1 + 1 − 2 >1
123 123
11 12

Resposta: S = {x ∈ 12 / x < 1 ou x > 2}

Exemplo 9
(Fuvest-SP) Sendo x um número real, (1 + x) (1 – 1 ) ≥ 0 se e somente se:
a) 1 ≤ 1 d) x ≥ 1
b) x ≤ 1 e) x ≤ – 1
c) 1 ≥ 1

Capítulo 04. Tipos de Funções PV2D-06-MAT-51 63


Funções

Resolução Assim
1º caso x ≥ 0 (1) 1
1 = 1 23 1 = − 2 452 624789 2
(1 + x) (1 – x) ≥ 0
Então
1 – x2 ≥ 0
x = 3 ou x = –3
São as raízes de x2 – ax + b
Portanto
– 1 ≤ x ≤ 1 (2)
Soma =
1 2
− −1
= − 3+3=4 ⇒ 1=4
(1) ∩ (2) temos 0 ≤ x ≤ 1 (I) 2
2º caso x < 0 (1)
(1 + x) (1 + x) ≥ 0 ⇒ (1 + x)2 ≥ 0
Produto =
1
2
1 234
= −3 ⋅ 3 = 4 ⇒ 1 = − 4

Resposta: D

02. (UFU-MG) O domínio da função real de


variável real definida por f(x) = 14 − 2 − 3 é:
∀ 1 ∈ 23142
a) { x ∈ R / x ≥ 2}
De (1) e (2), temos x < 0 (II) b) { x ∈ R / – 1 ≤ x ≤ 2}
(I) ∪ (II) ⇒ x ≤ 1 c) { x ∈ R /x ≤ – 1 ou x ≥ 2}
Resposta: B 121 ∈2 3 ≤ 1 ≤ 545
d)
3 4 6
Exercícios Resolvidos e) R +
01. (ITA-SP) Sabendo que as soluções da
Resolução
equação 1 1 − 1 − 2 = 3 são raízes da equação
x2 – ax + b = 0, podemos afirmar que: f(x) = 14 − 2 − 3
a) a = 1 e b = 6
Condição: 15 − 2 − 3 ≥ 4
b) a = 0 e b = – 6
15 − 2 ≥ 3
c) a = 1 e b = –6
Devemos ter:
d) a = 0 e b = –9
2x – 1 ≤ -3 ou 2x – 1 ≥ 3
e) Não existem a e b tais que x2 – ax + b =
0 contenha todas as raízes da equação dada. 2x ≤ –2 2x ≥ 4

Resolução
Fazendo 1 = 2 temos:
y2 – y – 6 = 0
y = 3 ou y = – 2
Resposta: C

64 PV2D-06-MAT-51 Capítulo 04. Tipos de Funções