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República Democrá ca de Timor-Leste

Plano Curricular do Ensino


Secundário Geral
Ministério da Educação | 2011
Índice

4 Nota prévia

5 I – PRINCÍPIOS ORIENTADORES DA REFORMA CURRICULAR DO ENSINO


SECUNDÁRIO GERAL EM TIMOR-LESTE

6 1. Educação em Timor-Leste – Evolução, metas e constrangimentos


8 2. Programas internacionais para a Educação e Desenvolvimento
10 3. Actuação interna em diversos domínios
14 4. Desenvolvimento curricular

16 II – A REFORMA CURRICULAR DO ENSINO SECUNDÁRIO GERAL

17 1. Matriz da organização interna: princípios e finalidades


19 2. Competências a desenvolver pelos alunos e a explorar pelos docentes
19 2.1 Competências de comunicação em línguas
19 2.2 Competências sociais, cívicas e culturais
19 2.3 Competências digitais
20 2.4 Competências em ciências, tecnologias e matemá ca
20 2.5 Competências em ciências sociais e humanidades
21 3. Ar culação do Ensino Secundário Geral com os ciclos de ensino
anteriores
23 4. As componentes do Ensino Secundário Geral: princípios, objec vos
forma vos e orientações
23 4.1 Componente Geral
23 4.1.1 Caracterização global
24 4.1.2 Finalidades forma vas da Componente Geral
25 4.2 Componente “Ciências e Tecnologias”
25 4.2.1 Caracterização Global
26 4.2.2 Finalidades forma vas da componente “Ciências e Tecnologias”
27 4. 3 Componente “Ciências Sociais e Humanidades”
27 4.3.1 Caracterização global
28 4.3.2 Finalidades forma vas da componente “Ciências Sociais e Humanidades”

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30 5. Estrutura Curricular
30 5.1 Estrutura da Componente Geral
31 5.1.1 Tétum
32 5.1.2 Português
33 5.1.3 Inglês
34 5.1.4 Indonésio
35 5.1.5 Cidadania e Desenvolvimento Social
36 5.1.6 Tecnologias Mul média
37 5.1.7. Religião e Moral
38 5.1.8 Educação Física e Desporto
39 5.2 Estrutura da componente específica “Ciências e Tecnologias”
39 5.2.1 Física
41 5.2.2 Química
42 5.2.3 Biologia
43 5.2.4 Geologia
45 5.2.5 Matemá ca
47 5.3 Estrutura da componente específica “Ciências Sociais e Humanidades”
47 5.3.1 Geografia
48 5.3.2 História
50 5.3.3 Sociologia
51 5.3.4 Temas de Literatura e Cultura
53 5.3.5 Economia e Métodos Quan ta vos

54 6. Metodologias de Ensino
55 7. Condicionantes de aplicação da proposta
57 ANEXOS
57 1. Cons tuição da Equipa Portuguesa
58 2. Cons tuição da Equipa Timorense
58 3. Documentação de referência

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Nota prévia
O Ministério da Educação (ME) solicitou o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian (FCG)
para proceder à reestruturação curricular do Ensino Secundário Geral em Timor-Leste. Para
o efeito, a FCG e o Ins tuto Português de Apoio ao Desenvolvimento (IPAD), com o apoio
técnico da Universidade de Aveiro (UA), prepararam e apresentaram conjuntamente ao
Fundo da Língua Portuguesa um projecto específico, que foi aprovado para financiamento.
A concre zação do Projecto foi ins tucionalizada com a celebração de um “Protocolo
de Cooperação” assinado pelo ME, pelo IPAD e pela FCG, no qual se estabelecem as
responsabilidades destes intervenientes, e, também, por um “Acordo de Cooperação”
estabelecido entre a FCG e a UA que delimita os termos dos t rabalhos a realizar.
O presente “Plano de Reestruturação Curricular do Ensino Secundário Geral em Timor-
-Leste” foi elaborado por uma equipa da UA com a seguinte cons tuição: Isabel P. Mar ns
(coordenadora), Ângelo Ferreira (coordenador-adjunto), Gillian Moreira, Conceição
Santos e Ana Margarida Ramos. A equipa da UA pôde beneficiar do apoio das autoridades
polí cas e técnicas do ME, bem como das informações e sugestões recolhidas localmente
e oriundas dos mais diversos estratos sociais, económicos e culturais, e dos muitos
professores morenses auscultados.
Numa segunda fase, foram apresentadas pelas equipas morenses os contributos
para a caracterização das disciplinas cujos programas e materiais didác cos serão da
responsabilidade do ME – Tétum, Indonésio, Religião e Moral, Educação Física e Desporto.
Por úl mo, coube ao ME introduzir os ajustamentos finais do documento, que conduziram
à sua validação.
O Plano Curricular serve de base à construção dos instrumentos e materiais didác cos –
programas, manuais para os alunos e guias para os professores – que já foram elaborados
para todas as disciplinas que cons tuem o plano de estudos do 10º ano e estão em
elaboração para as disciplinas dos 11º e 12º anos, de acordo com calendário previamente
acordado.
A elaboração dos instrumentos e dos materiais foi um trabalho complexo, que só foi
possível pelas estreitas relações profissionais e pessoais que se estabeleceram entre as
equipas da UA e as equipas homólogas morenses e, também, pelas eficazes ar culações
ins tucionais desenvolvidas entre o ME, o IPAD, a FCG e a UA que permi ram a aprovação
das matrizes orientadoras da concepção daqueles instrumentos e materiais, garan ndo-
lhes coerência interna, estrutural e metodológica.
O ME desenvolverá todos os esforços para que os processos de acompanhamento regular
da u lização dos materiais e do apoio a prestar às escolas para a recolha de sugestões
possam vir a ser uma realidade.

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I – PRINCÍPIOS ORIENTADORES DA REFORMA CURRICULAR DO
ENSINO SECUNDÁRIO GERAL EM TIMOR-LESTE
Neste primeiro capítulo pretende-se caracterizar de forma sinté ca os princípios
que norteiam o Plano Curricular. Apresentam-se (i) os traços mais marcantes da
evolução recente do sistema educa vo morense, em geral, e do Ensino Secundário,
em par cular: progressos e constrangimentos; (ii) referem-se os grandes programas
internacionais a que Timor-Leste aderiu (“Educação para Todos” e “Objec vos de
Desenvolvimento do Milénio”): implicações e ponto de situação; (iii) refere-se a
actuação interna em diversos domínios: princípios normaƟvos (Cons tuição da
República, Lei de Bases da Educação), com ênfase nos princípios sobre o Ensino
Secundário, princípios orientadores da acção (“Polí ca Nacional de Educação”,
“Programa do IV Governo Cons tucional”), reformas estruturais (“Lei Orgânica do
Ministério da Educação”), reforma do sistema de ensino (reforma curricular do
Ensino Básico). Neste domínio enfa zam-se os princípios gerais sobre educação
e princípios específicos sobre o Ensino Secundário consignados nos documentos
oficiais, a filosofia que deve presidir à organização deste nível de ensino tendo em
vista o seu carácter terminal de ciclo de estudos mas, também, o prosseguimento
de estudos superiores.

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1. Educação em Timor-Leste – Evolução, metas e constrangimentos
Nos desafios que se colocaram, logo em 1999, às lideranças morenses e às ins tuições
internacionais parceiras, sublinhava-se a Educação/Formação das pessoas como prioridade,
atribuindo-se à Educação decisiva responsabilidade na própria sustentabilidade futura
do Estado de Timor-Leste e na autodeterminação do povo morense, o qual devia estar
habilitado, o mais rapidamente possível, a decidir os seus des nos. Esta posição foi clara,
por exemplo, no primeiro esboço do programa de apoio do PNUD1.
Segundo o Plano Nacional de Desenvolvimento (PND), elaborado com base numa alargada
auscultação nacional, considerava-se a Educação como fundamental para reduzir a
pobreza e construir a nação, considerando como objec vos principais a melhoria do nível
educacional dos morenses, o qual teria repercussões no bem-estar económico, social
e cultural dos indivíduos, famílias e comunidades e, ainda, na promoção da equidade
de género. Apontavam-se, então, oito programas-chave para a sua prossecução: (1)
expandir o acesso à educação e melhorar a eficiência interna; (2) melhorar a qualidade
da educação; (3) criar capacidade de gestão interna e melhorar a oferta de serviços; (4)
promover a educação não-formal e a literacia de adultos; (5) promover a cultura e as
artes; (6) promover a educação sica e o desporto escolar; (7) promover o bem-estar
jovem e (8) desenvolver a educação terciária2.
O sistema educa vo morense3 passou por quatro períodos dis ntos, a saber: fase
colonial portuguesa, com acesso de poucos à escolaridade, com 90% de analfabetos
em 1975; fase de ocupação indonésia (1975-1999), com substancial inves mento na
educação pública, mas com baixa eficiência/eficácia do sistema, com elevadas taxas de
reprovação, baixa qualidade generalizada; fase da Administração Transitória das Nações
Unidas (UNTAET), de 1999 a 2002, em que inicialmente 90% das escolas não funcionavam
devido à destruição de 1999 e à fuga de 80% dos professores (não morenses, oriundos
da Indonésia), apenas retomando alguma normalidade em 2001; fase pós-independência
(desde Maio de 2002), com normalização do sistema e serviços da educação e acesso
crescente dos jovens aos vários graus de ensino; no entanto, em 2002, o espectro social
de qualificações da população era muito precário: 25 a 30% dos jovens ainda não nha
acesso à escola, 60% da população adulta era iletrada ou sem um diploma de educação
básica, apenas 23% nha frequentado o ensino primário, 18% o Ensino Secundário, e
apenas 1,4% o ensino pós-secundário ou superior.
O mesmo autor4 considera ainda que Timor-Leste enfrenta as exigências colocadas
por uma economia global baseada no conhecimento e, dessa forma, deve apostar na
Educação/Formação como motor de desenvolvimento. Iden fica como principais desafios
o aumento da cobertura/oferta de educação e da qualidade da oferta, o que passa, entre
outros aspectos, pela reformulação da estrutura curricular, que considera desajustada às
1 PNUD (1999)
2 Banco Mundial (2003)
3 Câncio (2008)
4 Idem

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exigências actuais, e a necessidade de promover a formação nas duas línguas oficiais, em
ar culação com o Inglês.
Outros autores dão-nos uma visão da evolução do sistema que confirma, para o período
anterior a 1975, a introdução pelo Governo Português de um currículo europeu, da Língua
Portuguesa e do catolicismo, mas sem, no entanto, massificar o acesso à Escola5.
Os mesmos autores sublinham a expansão da formação durante o período indonésio
(1975-1999)6. Mas os valores eram, mesmo assim, muito abaixo dos correspondentes
para a restante Indonésia, sendo simultaneamente sublinhada a fraca qualidade do ensino
oferecido, o baixo inves mento financeiro do Estado e o elevado custo para as famílias
(uniformes, materiais, livros, transporte e, nalguns casos, propinas). A língua de instrução
era o Indonésio. Em 1999 deu-se o colapso do sistema educa vo, com destruição de cerca
de 80% das escolas e o êxodo em massa dos professores. Com a UNTAET (1999-2002)
aumentou o nível de inscrição escolar, sobretudo para as raparigas, mas terá diminuído
a frequência do Ensino Secundário. Foi reabilitado o parque escolar em grande escala7.
De entre as dificuldades sempre sublinhadas para o desenvolvimento do ensino, e
par cularmente na afirmação das línguas nacionais, diversos autores coincidem no
elevado grau de diversidade linguís ca.
No caso do Português, a estratégia passou, em colaboração com a cooperação portuguesa,
pela organização e oferta de cursos de formação para os professores morenses realizados
de forma descentralizada e com intervenção ac va de 170 formadores morenses. Visa-se
não só capacitar os professores morenses em níveis de competência mais elevados em
Língua Portuguesa, mas também ao nível das competências cogni vas, psico-didác cas e
metodológicas nas suas esferas específicas de actuação docente. Estas formações foram,
no âmbito geral, complementadas com a criação de bibliotecas escolares, programas de
rádio e distribuição de materiais didác cos.
Apesar das precariedades do sistema educa vo em Timor-Leste, devemos no entanto
salientar alguns avanços importantes feitos nos úl mos anos, nomeadamente a
publicação da Lei de Bases da Educação, as melhorias ao nível das infra-estruturas
educa vas (reconstrução/construção de escolas), a aposta na formação dos quadros
docentes dos vários níveis de ensino (UNTL, Ins tuto de Formação Con nua e bolsas de
estudo no estrangeiro) e a acreditação das ins tuições de ensino superior, de acordo com
padrões de exigência mais elevados. É também muito mo vadora a reiterada afirmação
dos responsáveis polí cos, claramente consensual na sociedade morense, da aposta na
Educação como prioridade para o desenvolvimento do país. Alguns indicadores no período
2001 a 2007, evidenciam recuperação no sector da educação: a literacia dos adultos
passou de 38% para 51%; a conclusão do Ensino Secundário passou de 12% para 15%; as
matrículas no 3º Ciclo passaram de 19% para 35% e no Secundário de 12% para 15%.
5 Castro e Pinto (2003)
6 95% no Ensino Primário, 64% no Ensino Pré-Secundário e 39% no Ensino Secundário.
7 86% das salas de aula, 922 escolas ficaram operacionais, das quais 82% para o Ensino Primário, 11% para
o Ensino Pré-Secundário, 4% para o Ensino Secundário e as restantes para outros pos de ensino

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2. Programas internacionais para a Educação e Desenvolvimento
Criado em 1990, no seguimento da Conferência Mundial realizada na Tailândia, o programa
Educação para Todos nha como principais objec vos proporcionar educação básica a
todas as crianças e reduzir de forma drás ca o analfabe smo entre os adultos até ao final
daquela década. O Fórum Mundial da Educação que decorreu em Dakar, no Senegal, em
2000, reafirmou o empenhamento na Educação para Todos já expresso antes e determinou
que até 2015 todas as crianças deveriam ter acesso a educação básica gratuita e de boa
qualidade. Temporalmente abrangido pela vigência do programa em questão, o presente
projecto procura contribuir, de diferentes formas, para a concre zação de vários dos seus
objec vos, nomeadamente a formação dos jovens e dos adultos e a melhoria significa va
da qualidade da oferta educa va.
Em linhas muito gerais, os seis objec vos do programa Educação para Todos passam por:
1. Desenvolver e melhorar a protecção e a educação da primeira infância,
nomeadamente das crianças mais vulneráveis e desfavorecidas;
2. Proceder de modo a que, até 2015, todas as crianças tenham acesso a um ensino
primário obrigatório, gratuito e de boa qualidade;
3. Responder às necessidades educa vas de todos os jovens e adultos, tendo por
objec vo a aquisição de competências essenciais;
4. Melhorar em 50% os níveis de alfabe zação dos adultos, até 2015;
5. Eliminar a discriminação segundo o género no acesso à educação primária e
secundária até 2005 e instaurar a igualdade nesse domínio em 2015;
6. Melhorar a qualidade da educação.

Estes princípios vão ao encontro das prioridades definidas pelas autoridades morenses
para o sector, sendo basilares no actual projecto de Reestruturação do Ensino Secundário
Geral em Timor-Leste. Só a sua conjugação ar culada permi rá a ngir os objec vos
par lhados pelas autoridades morenses e pelos autores da proposta de reestruturação
curricular. Daí a opção pela concepção de programas e recursos didác cos para alunos
e professores, ar culados entre si. Esta será uma via para contribuir para a melhoria
sustentada da qualidade da educação escolar, respondendo aos desafios urgentes que o
país enfrenta.

Enquanto referência fundamental para a actuação ao nível da educação, os ObjecƟvos de


Desenvolvimento do Milénio8 resultantes de um compromisso de actuação conjunta dos
189 Estados Membros das Nações Unidas, apresentam directrizes claras sobre as metas
de desenvolvimento preconizadas a nível mundial, com especial relevo para:
8  Para mais informações, ver: www.un.org/millenniumgoals; www.undg.org/login.cfm; www.undp.org/
mdg/

8
1. A erradicação da pobreza extrema e da fome
2. O acesso ao ensino primário universal
3. A promoção da igualdade de género e a autonomização da mulher
4. A redução significa va da mortalidade infan l
5. A melhoria da saúde materna
6. O combate ao VIH/SIDA, à malária e outras doenças graves de grande
propagação
7. A garan a da sustentabilidade ambiental
8. A criação de uma parceria global para o desenvolvimento.

Para além de servirem de mote ao trabalho proposto, estes objec vos foram dos
em conta na filosofia do plano curricular e são, ainda, transversais aos programas das
disciplinas o que permi rá a sua abordagem transdisciplinar.
No seguimento destas inicia vas, destacam-se outros marcos internacionais relevantes,
com especial impacto numa ac vidade de desenho de um plano curricular para o ensino.
É o caso da Década das Nações Unidas para a Literacia / Educação para a AlfabeƟzação
(2003-2012) e da Década das Nações Unidas da Educação para o Desenvolvimento
Sustentável (2005-2014) (DEDS).
A primeira, directamente relacionada com o programa de Educação para Todos, vê a
alfabe zação/literacia como uma orientação crucial do processo de aprendizagem,
actuando de forma decisiva e defini va na valorização do indivíduo e do meio onde se
insere. A questão educa va é, assim, entendida como central para o desenvolvimento. Em
alguns aspectos, ultrapassa mesmo o mero processo educa vo inicial, revelando outras
implicações ao nível da comunidade, como é o caso da melhoria das condições de saúde
da família, para além de impactos em outras áreas, como nas taxas de fer lidade, nos
níveis de rendimentos gerados, assim como efeitos igualmente muito relevantes a nível
pessoal, no crescimento da autoconfiança, da capacidade de inicia va, no desempenho
de cidadania par cipa va e do incremento da auto-es ma cultural.
A segunda, DEDS, tem como objec vo «integrar os valores inerentes ao desenvolvimento
sustentável em todos os aspectos da aprendizagem com o intuito de fomentar mudanças de
comportamento que permitam criar uma sociedade sustentável e mais justa para todos»,
o que terá, necessariamente, especial impacto nos sistemas educa vos, entendidos como
agentes ac vos da formação dos cidadãos e promotores das mudanças de comportamento
individual e colec vo, de modo a assegurar a sobrevivência do ser humano e do Planeta.

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3. Actuação interna em diversos domínios
A preocupação com a educação tem estado sempre explícita nos documentos oficiais
morenses, que a entendem como um pilar estruturante do desenvolvimento do país e
dos cidadãos, na esteira das preocupações expressas desde o Referendo de 1999 e das
ac vidades, realizadas em diferentes sectores, de reconstrução e reorganização do país.
Várias medidas foram sendo tomadas no sen do de, paula namente, reabrir escolas e
reabilitar os edi cios escolares existentes; aumentar e qualificar o corpo docente; adaptar
o currículo ao novo contexto e aos desafios entretanto colocados a nível nacional num
cenário de economia global.
Seguindo esta linha de acção, o documento PolíƟca Nacional da Educação 2007-2012,
expressivamente norteado pelo mote “Construir a nossa nação através de uma educação
de qualidade”, da responsabilidade do Ministério da Educação, assume o compromisso
polí co de procurar desenvolver um sistema educa vo que possa responder às
necessidades e aos direitos dos morenses, elencando um conjunto de princípios e de
medidas com vista à qualificação das pessoas e à reforma do sistema.
A Lei de Bases da Educação (Lei N.º 14/2008, de 29 de Outubro) cria o quadro legal para
essa reforma, definindo os princípios que norteiam a educação em Timor-Leste em termos
de filosofia e objec vos, estrutura e organização, desenvolvimento e regulação.
A definição de um novo currículo, que tem vindo a ser preparado nos úl mos anos
para o Ensino Básico insere-se nessa filosofia de mudança que preconiza a adaptação
dos programas à realidade morense e ao novo contexto do país; a valorização da
formação cívica, tendo em vista os desafios e as exigências colocadas aos cidadãos na
contemporaneidade; e a u lização da Língua Portuguesa como língua de escolarização.
No que respeita à língua portuguesa, é de destacar que, de acordo com o Censo 2010,
no grupo etário dos 5 anos e superior (idade escolar), 901.323 habitantes, de um total
de 1.0666.582, rela vamente aos dados dos inquéritos às condições de vida de 2001 e
2007, a língua portuguesa cresceu, respec vamente, de 5,3 e 15,6 % apenas dos falantes
para 23,6% dos que falam, lêem e escrevem, o que traduz uma evolução muito posi va
porque mais ampla e rigorosa no que traduz o âmbito da análise, não só expressão oral,
mas também leitura e escrita, e porque abrangendo o universo total dos morenses da já
referida faixa etária e não apenas uma amostra, como acontece no caso dos inquéritos.
Muito posi va ainda porque o Censo indica que há 21% de morenses que dizem que
só lêem, mas eventualmente não estarão longe do patamar que lhes permi ria falar e
escrever.
Em termos de princípios gerais, a Lei de Bases da Educação é clara quanto ao relevo da
educação na vida do país, defendendo-a como «uma efec va acção forma va ao longo da
vida, com vista à consolidação de uma vivência livre, responsável e democrá ca, des nada
a, no respeito pela dignidade humana, promover: a) O desenvolvimento da personalidade e

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a valorização individual assente no mérito; b) A igualdade de oportunidades e a superação
das desigualdades económicas, sociais e culturais; e c) O progresso social».
A democra zação do ensino, enquanto responsabilidade do Estado, procura garan r
igualdade de oportunidades no acesso e sucesso escolares, uma vez que a educação,
parafraseando aquele documento, contribui para a realização do indivíduo aos níveis
pessoal e social, colaborando no desenvolvimento da sua personalidade e carácter.
O reforço da cidadania, a defesa da iden dade e da independência nacionais, através
da valorização do património cultural morense, o desenvolvimento da capacidade
de trabalho e a par cipação ac va na vida cívica e social são outros objec vos a reter.
Para tal, procura-se descentralizar, desconcentrar e diversificar as estruturas e acções
educa vas, no sen do de contribuir para a correcção das assimetrias regionais e locais,
proporcionando igualdade de acesso aos bene cios da educação, da cultura, da ciência e
da tecnologia.
Quanto ao Ensino Secundário, definido como de frequência faculta va (art. 14º), é
concebido tendo como principais objec vos (art. 15.º):
«a) Assegurar e aprofundar as competências e os conteúdos fundamentais de uma
formação e de uma cultura humanísƟca, arơsƟca, cienơfica e técnica, como suporte
cogniƟvo e metodológico necessário ao prosseguimento de estudos superiores ou à
inserção na vida acƟva;
b) Assegurar o desenvolvimento do raciocínio, da reflexão e da curiosidade cien fica;
c) Desenvolver as competências necessárias à compreensão das manifestações
culturais e esté cas e possibilitar o aperfeiçoamento da expressão ar s ca;
d) Fomentar a aquisição e aplicação de um saber cada vez mais aprofundado, assente
na leitura, no estudo, na reflexão crí ca, na observação e na experimentação;
e) Fomentar, a par r da realidade, e no apreço pelos valores permanentes da
sociedade, em geral, e da cultura morense, em par cular, pessoas ac vamente
empenhadas na concre zação das opções estratégicas de desenvolvimento
de Timor-Leste e sensibilizadas, cri camente, para a realidade da comunidade
internacional;
f) Assegurar a orientação e formação vocacional, através da preparação técnica e
tecnológica adequada ao ingresso no mundo do trabalho;
g) Facultar contactos e experiências com o mundo do trabalho, fortalecendo
os mecanismos de aproximação entre a escola, a vida ac va e a comunidade e
dinamizando a função inovadora e interventora da escola;
h) Assegurar a existência de hábitos de trabalho, individual e em grupo, e fomentar
o desenvolvimento de aƟtudes de reflexão metódica, de abertura de espírito, de
sensibilidade e de disponibilidade e adaptação à mudança.»
Pensado para três anos, os cursos do Ensino Secundário organizam-se em duas vias: a)

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Cursos gerais, de natureza humanísƟca e cienơfica, predominantemente orientados
para o prosseguimento de estudos no ensino superior universitário, permiƟndo também
o ingresso no ensino superior técnico; b) Cursos de formação vocacional, de natureza
técnica e tecnológica ou profissionalizante ou de natureza arơsƟca, predominantemente
orientados para a inserção na vida acƟva, que possibilitam o acesso tanto ao ensino
superior técnico como ao ensino superior universitário.
A Lei de Bases da Educação fornece, ainda, indicações precisas sobre o trabalho de
planeamento curricular (art. 35º), estabelecendo princípios de desenvolvimento
harmónico, integrado e integrador, assim como a inclusão de áreas transversais de
formação, nomeadamente pessoal e social, incluindo componentes como a educação para
a par cipação cívica, a educação ecológica, a educação do consumidor, a educação familiar,
a educação para a sexualidade, a educação para a saúde e prevenção de acidentes, bem
como o ensino da educação moral e religiosa. Tendo uma estrutura de âmbito nacional,
o documento prevê a existência de uma certa flexibilidade na definição de conteúdos de
abrangência regional e local, assim como preconiza o desenvolvimento de competências
nas línguas oficiais, Tétum e Português.
Também o Programa do IV Governo ConsƟtucional elege a Educação como um inves mento
no futuro do País, convicto de que os recursos humanos são o motor do desenvolvimento
socioeconómico do País, sendo por isso necessário gerar qualificações adequadas ao
mercado de trabalho em Timor-Leste. A cons tuição de um sistema de ensino de qualidade
para responder às necessidades de desenvolvimento de Timor-Leste é aí afirmada «como
um impera vo nacional», salientando-se a necessidade de uma aposta «decidida e forte»
na qualificação dos recursos humanos nacionais, numa perspec va transversal a todos os
sectores de ac vidade do País. Neste contexto, é reconhecido que essa aposta «só será
efec va com um decisivo inves mento na educação e na formação profissional»9.
O programa de governo sublinha a importância do Ensino Secundário, considerando
que este nível de ensino deve privilegiar a aquisição de competências de aprendizagem
(aprender a aprender) aliada a uma sólida base em línguas, nas tecnologias e nas ciências,
tendo em vista uma educação geral de qualidade. Outra das linhas de força que nos parece
par cularmente relevante para este sector assenta na valorização cien fica e profissional
da carreira docente, com consequência ao nível da implementação da capacitação e dos
sistemas de formação, de acompanhamento e de avaliação da formação de docentes10.
Indirectamente relacionada com a Educação, mas com consequências relevantes neste
domínio, encontra-se a Resolução do Governo N.º 24/2009, de 18 de Novembro, que
ins tui uma Polí ca Nacional da Cultura. No âmbito da estratégia cultural é referido
que «A produção de conteúdos culturais, para integrar nos currículos dos vários graus
de escolaridade e da educação não-formal, é de extrema importância. Para além da

9 Programa do Governo RDTL (2007)


10 Idem

12
transmissão de conhecimentos culturais no seio da família, a escola deverá funcionar
como local de aprendizagem de valores universais, que são fundamentais no processo de
construção de uma iden dade nacional. A produção de conteúdos sobre as várias culturas
existentes em Timor-Leste, com base nos resultados de inves gação produzida no país
permi rá, por um lado, contribuir para a divulgação desses resultados a um público mais
alargado e, por outro, atenuar tensões regionais, contribuindo para o objec vo nacional de
paz e desenvolvimento», eixos relevantes do desenho do plano curricular aqui projectado.
Considerando prioritária a elaboração de um novo Currículo para o Ensino Secundário
Geral (para o prosseguimento de estudos), sublinha a necessidade de ar culação entre
todos os níveis de ensino, em par cular com o 3º Ciclo do Ensino Básico, cujo novo currículo
foi elaborado com o apoio de uma equipa da Universidade do Minho, em colaboração
com a UNICEF, com diversas ins tuições governamentais morenses, organizações não-
governamentais nacionais e internacionais, professores e sociedade civil.
A necessidade de garan r uma oferta forma va de base sólida nas áreas de “Ciências
e Tecnologias” e “Ciências Sociais e Humanidades” é vista como primordial para o
desenvolvimento do país. Sobressai ainda como relevante a necessidade de um tronco
comum que proporcione uma base cultural geral a todos os alunos, sendo que o Currículo
do Ensino Secundário Geral é prioritário como base também para sustentar um currículo
técnico-profissional.
Na mesma ocasião, sobre as condições essenciais para o sucesso da reestruturação
curricular, referiu ainda o relevo que o governo dá à elaboração de manuais escolares para
alunos e guias didác cos para os professores, mostrando-se empenhado em procurar
fontes de financiamento para a sua publicação e meios adequados para a sua distribuição.
Quanto ao ensino das línguas considerou ser essencial uma boa aprendizagem das línguas
oficiais, sendo que a Língua Inglesa e Indonésia deverão ser igualmente incluídas como
línguas internacionais no Ensino Secundário e de frequência obrigatória.

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4. Desenvolvimento curricular
Qualquer reforma ou reestruturação do sistema de educação de um País carece da
explicitação dos princípios que a norteiam e dos resultados a alcançar. Os documentos
de polí ca educa va consagram a perspec va de educação/formação que se deseja
ins tuir (princípios gerais do sistema educa vo) e os objec vos fundamentais e globais da
educação, por níveis de ensino. Cabe ao poder polí co, face aos indicadores recolhidos e à
constatação social dos desvios verificados entre a realidade existente e as metas definidas,
a decisão sobre a reforma ou reestruturação curricular. Para isso é necessário ter em
consideração o conceito de currículo a desenvolver.
O conceito de currículo evolui ao longo do tempo, consoante os factores que nele intervêm.
No plano teórico é possível encontrar centenas de definições de currículo nem sempre
convergentes. Trata-se de uma construção social assente na consideração da importância
para a formação do cidadão, de um conjunto de disciplinas que nele devem estar
compreendidas, considerando as aprendizagens que estas permitem alcançar, úteis para a
vida em sociedade. O Currículo escolar define-se, pois, em função das aprendizagens que
se visam alcançar. As disciplinas enquanto unidades cons tuintes de um currículo são nele
integradas pela relevância das aprendizagens que proporcionam aos alunos e não pela
importância das próprias disciplinas. Nas sociedades actuais com acesso a muitas fontes
de informação, os saberes e competências adquiridos e construídos em contexto escolar
deverão proporcionar aos alunos formas de pensar e de organizar a informação recolhida
em diferentes contextos para a transformar em conhecimento. Segundo alguns autores
a função da escola evoluiu ao longo dos tempos deixando de ser “divulgar informação”
para ser “fornecer quadros enquadradores do conhecimento e produzir instrumentos de
construção do conhecimento”. Os programas das disciplinas são instrumentos do Currículo,
organizadores de aprendizagens (saberes, competências, valores) que os alunos deverão
alcançar. São, portanto, instrumentos orientadores para a construção de aprendizagens
enunciadas no Currículo11.
Sendo objec vos do Ensino Secundário, segundo a Lei de Bases da Educação, ar go 15º,
dar sequência e aprofundar a aprendizagem adquirida no ensino básico, completando e
desenvolvendo a formação com vista ao aprofundamento de competências, mediante a
prossecução dos objec vos atrás enunciados, importa definir uma estrutura curricular
que viabilize tal quadro de objec vos.
O presente Plano Curricular pretende ser um instrumento organizador do trabalho das
Escolas (professores, alunos, estruturas direc vas) que permita aos alunos escolherem
uma de duas vias de formação, de nível secundário, “Ciências e Tecnologias” ou “Ciências
Sociais e Humanidades” que os habilite a entrarem na vida ac va ou a prosseguirem
estudos superiores.
No capítulo seguinte apresenta-se a estrutura de cada uma destas vias de formação e
fundamentam-se as opções tomadas.

11 Roldão (2003); Goodson (2001)

14
O Plano Curricular do Ensino Secundário Geral concre za-se em função da configuração
do calendário escolar definido para Timor-Leste:
a) Três períodos lec vos, Janeiro-Março; Maio-Julho; Setembro-Novembro.
b) Semanas lec vas de seis dias.

Seria ainda desejável que os tempos lec vos vessem uma duração de 50 minutos
intervalados por períodos de 10minutos.

15
II – A REFORMA CURRICULAR DO ENSINO SECUNDÁRIO GERAL
A reforma curricular projectada para o Ensino Secundário Geral em Timor-
Leste explanada neste documento reafirma o objec vo global do Projecto,
para a consecução do qual é de enorme relevância a arquitectura e filosofia
inerente ao Plano Curricular: apropriação pelo sistema educa vo morense de
capacidades endógenas favorecedoras da criação de instrumentos técnicos e de
recursos didác cos que permitam corporizar de forma sustentável os princípios
cons tucionais e da Lei de Bases da Educação, aplicáveis ao Ensino Secundário
Geral, numa perspec va con nuada do reforço da u lização da Língua Portuguesa
como língua oficial e como língua veicular de ensino.

16
1. Matriz da organização interna: princípios e finalidades
A reestruturação do Ensino Secundário Geral em Timor-Leste implica conceber, desenvolver
e implementar programas e recursos didác cos (para alunos e professores). Uns e outros
deverão contribuir para promover a consciencialização sobre problemas actuais, a maioria
dos quais de natureza mul facetada. Requer, complementarmente, que se abordem formas
de resolver ou mi gar esses problemas, valorizando exercícios de cidadania e o papel da
escola aberta à comunidade, numa é ca de responsabilidade par lhada. Finalmente, a
reformulação do Ensino Secundário Geral deve contribuir para o desenvolvimento pessoal
e social dos jovens morenses, deve criar mecanismos para combater o absen smo escolar
e deve promover melhores condições de desenvolvimento sustentável em Timor-Leste,
nas dimensões social, económica, cultural, cien fica, tecnológica e ambiental.
Assim, e de acordo com o defendido pelas Nações Unidas, pretende-se que os “Objec vos
gerais e específicos de ensino”, incluindo os das disciplinas que integram o Plano Curricular
do Ensino Secundário Geral, se organizem tendo em conta os seguintes princípios:
1. Tomada em consideração das finalidades da Década da Educação para o
Desenvolvimento Sustentável (DEDS-NU), da Década de Literacia (DL-NU) e das
Metas de Desenvolvimento do Milénio (MDM-NU);
2. Contribuição para melhorar a qualidade de vida, reduzir a pobreza e es mular
uma cidadania ac va e democrá ca, valorizando o desenvolvimento de
competências em consonância com o princípio anterior;
3. Reconhecimento da importância da relação entre conteúdos e metodologias
disciplinares de ensino e de aprendizagem orientados para a Educação para o
Desenvolvimento Sustentável (EDS);
4. Contribuição para a EDS, ar culando ciências naturais, ciências sociais,
tecnologias, línguas, cultura e educação ambiental, perspec vando essa
ar culação num contexto amplo englobando factores sócio-culturais e questões
sócio-polí cas como pobreza, equidade, democracia e qualidade de vida;
5. Valorização e promoção de competências de pensamento crí co e de resolução
de problemas que capacitem para a abordagem, com confiança, de problemas e
desafios segundo perspec vas de desenvolvimento sustentável.

Nesta perspec va ampla, as grandes finalidades do Ensino Secundário Geral de Timor-Leste


orientam-se para o desenvolvimento de competências dos alunos, e podem enunciar-se
do seguinte modo:
1. Proporcionar aos alunos oportunidades de escolha ao nível da formação
secundária, oferecendo percursos dis ntos que permitam quer o prosseguimento
de estudos, quer a inserção na vida ac va;

17
2. Assegurar o desenvolvimento de literacias e de competências transversais e
específicas no âmbito de diferentes áreas curriculares;
3. Desenvolver competências linguís cas e comunica vas que permitam a
par cipação na sociedade tradicional morense;
4. Consolidar competências linguís cas, comunica vas e digitais que permitam a
par cipação dos jovens na sociedade global;
5. Promover o desenvolvimento da capacidade de reflexão, raciocínio e de espírito
crí co e o respeito pela diversidade;
6. Contribuir para a construção de uma perspec va sobre o mundo que tenha em
consideração a diversidade social, cultural e linguís ca;
7. Valorizar o papel do conhecimento cien fico pluridisciplinar na compreensão de
problemas à escala local, nacional e global e a necessidade de uma perspec va
integrada de conhecimentos para a sua resolução ou mi gação;
8. Aumentar o nível de formação dos jovens melhorando a sua capacidade
para mobilizar e integrar conhecimentos que possam contribuir para o
desenvolvimento económico, social e ambiental da sociedade em que se
inserem;
9. Proporcionar condições para que o exercício de cidadania, nas várias dimensões,
seja conduzido numa é ca de responsabilidade par lhada.

18
2. Competências a desenvolver pelos alunos e a explorar pelos docentes
Dadas as exigências com que os indivíduos se confrontam nas sociedades actuais
caracterizadas pela complexidade e pela interdependência das relações humanas e sociais,
e pela transformação rápida e con nua dos contextos locais e globais, torna-se essencial
dotar os jovens com competências que lhes permitam intervir, no futuro, com autonomia
e cria vidade, tornando-se capazes de encontrar soluções flexíveis e sustentáveis para os
desafios de índole social, cultural, económica e ambiental.
Podemos, assim, delinear um conjunto de competências-chave que cons tuem
orientações para a concepção do Plano Curricular, bem como dos recursos didác cos para
professores e alunos. Tais competências deverão ser consideradas como construídas de
forma integrada ao longo do currículo e importantes para apoiar, de forma sustentada, a
aprendizagem con nuada ao longo da vida.

2.1 Competências de comunicação em línguas


Os alunos devem desenvolver, nas línguas contempladas no currículo, capacidades
avançadas de compreensão e expressão oral e escrita, bem como conhecimentos
linguís cos e culturais, que permitem acesso à informação de uma variedade de fontes
e o alargamento do repertório comunica vo. Devem consolidar capacidades de interagir
verbalmente de uma forma apropriada numa variedade de situações e contextos sociais
e culturais, desenvolvendo a tudes posi vas face à diversidade linguís ca e cultural e às
línguas que aprendem, e ser capazes de as u lizar para fins comunica vos e diálogo no
dia a dia.

2.2 Competências sociais, cívicas e culturais


Os alunos devem aprofundar conhecimentos sobre si e sobre os outros e sobre como viver
em sociedade. Devem desenvolver conhecimentos sobre culturas diferentes. Devem ainda
desenvolver capacidades de: a) interacção, negociação, respeito e tolerância; b) integrar
grupos de trabalho, de resolver problemas e gerir conflitos; c) compreender a natureza
mul cultural e plural da sociedade (local, regional e global) e valorizar esta pluralidade na
iden dade morense.

2.3 Competências digitais


Os alunos devem desenvolver conhecimentos básicos sobre tecnologias de informação
e comunicação, bem como capacidades de u lização de ferramentas fundamentais na
pesquisa e processamento de informação, e na comunicação (por exemplo, u lização de
so ware, Internet).

19
2.4 Competências em ciências, tecnologias e matemáƟca
Os alunos devem aprofundar conhecimentos sobre o mundo natural. Devem conhecer
conceitos, princípios e metodologias de abordagem cien fica, aplicações tecnológicas, e
suas implicações numa perspec va de desenvolvimento sustentável. Devem ser capazes
de iden ficar questões e rar conclusões baseadas em evidências com o propósito de
compreender e ajudar a tomar decisões sobre o mundo natural e as mudanças nele operadas,
muitas delas resultantes da ac vidade humana. Devem ainda desenvolver raciocínio
matemá co e compreender o papel que a matemá ca desempenha nas sociedades, para
serem capazes de elaborar juízos de valor matemá co bem fundamentados.

2.5 Competências em ciências sociais e humanidades


Os alunos devem aprofundar uma cultura humanís ca que lhes permita compreender,
ainda que em traços gerais, alguns dos principais problemas actuais das sociedades
e situá-los em contextos históricos e geopolí cos. Devem ser capazes de desenvolver
a tudes posi vas face ao envolvimento futuro em processos de aprendizagem ao longo
da vida e promover uma compreensão mais sólida das várias realidades e dimensões
sociais, culturais e polí cas da sociedade morense. Devem, igualmente, consolidar uma
formação humanista através da qual se sintam confiantes para enfrentar desafios pessoais
e nacionais com que estão/serão confrontados.

20
3. ArƟculação do Ensino Secundário Geral com os ciclos de ensino
anteriores
Inserido na reforma geral do Ensino Básico em Timor-Leste, o plano curricular do 3º
Ciclo desenvolve-se numa lógica de ciclo final da escolaridade obrigatória, promovendo
a consolidação de saberes e competências dos ciclos anteriores, ligados à aquisição
de saberes fundamentais. Desta forma, o plano curricular do 3º Ciclo, de acordo com
os documentos oficiais da equipa responsável, «consagra, além do aprofundamento
de saberes fundamentais e comuns, a diversidade da formação, com insistência na
aquisição de saberes gerais e específicos em diversas áreas». Estruturado em torno de
três áreas-chave, a do desenvolvimento linguís co, a do desenvolvimento cien fico e a do
desenvolvimento pessoal e social, o plano curricular do 3º Ciclo contempla um total de 11
disciplinas cuja carga semanal a nge os 35 tempos lec vos.
Em termos globais, o desenho do plano curricular do Ensino Secundário Geral proposto
funciona como uma con nuação natural do 3º Ciclo, ao qual pretende dar sequência,
consolidando competências já adquiridas e es mulando uma autonomia progressiva
dos alunos. Ao mesmo tempo, permite, pela existência de dois percursos alterna vos,
uma certa especialização. Em ambos os percursos tem em conta poder ser uma etapa
terminal da formação escolar para o ingresso na vida ac va, mas também a base para o
prosseguimento de estudos em diferentes áreas do conhecimento.
A ar culação entre o 3º Ciclo e o Ensino Secundário Geral realiza-se quer em termos
de áreas de formação existentes no 3º Ciclo, às quais procura dar seguimento e
aprofundamento, quer ao nível de disciplinas que no Ensino Secundário representam já
uma certa especialização.
Esta ar culação preconizada, pode evidenciar-se de formas diversas.
1. Na área do desenvolvimento linguís co – presente quer ao nível de disciplinas
da componente geral, como o Tétum, o Português, o Inglês e o Indonésio,
quer na área específica das Ciências Sociais e Humanidades, onde a língua,
nomeadamente a portuguesa, adquire especial relevância, não só enquanto
forma de comunicação/escolarização, mas também enquanto veículo cultural e
ar s co, além de forma privilegiada de expressão pessoal.
2. Na área do desenvolvimento cien fico – no 3º Ciclo contemplava três disciplinas,
Matemá ca, Ciências Físico-Naturais e História e Geografia, assis ndo-se agora
a um desenvolvimento substancial, uma vez que as disciplinas são desdobradas,
dando relevância a saberes mais disciplinarizados. Assim, as Ciências Físico-
Naturais, no percurso das Ciências e Tecnologias, são autonomizadas em
quatro disciplinas dis ntas, Biologia, Geologia, Física e Química, permi ndo um
aprofundamento e uma especialização compa veis com a filosofia do Ensino
Secundário e com a possibilidade de con nuação de estudos superiores.

21
O mesmo processo acontece em relação ao percurso de Ciências Sociais e
Humanidades, uma vez que a disciplina de História e Geografia do 3º Ciclo dá
agora lugar a duas disciplinas dis ntas, História e Geografia. A este grupo ainda
se vêm juntar a Sociologia, a Economia e Métodos Quan ta vos e os Temas
de Literatura e Cultura, permi ndo um enriquecimento e uma diversificação
considerável das competências e das referências dos alunos, abrindo-lhes os
horizontes e procurando prepará-los para os desafios do Ensino Superior ou
para o ingresso na vida profissional.
A formação em Matemá ca, existente nos ciclos anteriores (Ensino Básico), é
con nuada no Ensino Secundário nas duas vias de estudo. No caso da componente
das Ciências e Tecnologias, na disciplina de “Matemá ca” (com carga lec va mais
acentuada em relação às restantes disciplinas) e na componente de Ciências
Sociais e Humanidades, na disciplina de “Economia e Métodos Quan ta vos”.
3. Na área do desenvolvimento pessoal – mantêm-se as preocupações já presentes
no 3º Ciclo em disciplinas como Educação Cívica, Cidadania e Direitos Humanos
ou em Competências para a Vida e para o Trabalho, agora mais específicas em
Cidadania e Desenvolvimento Social ou, para alguns alunos, também presentes
nos programas de Sociologia e, transversalmente, em muitas outras.
Destaque-se, como grande novidade do Plano Curricular do Ensino Secundário,
a introdução, na Componente Geral, comum a todos os estudantes, da disciplina
de Tecnologias Mul média. Trata-se de aproximar os alunos à realidade de
comunicação e informação actual, mediadas pela tecnologia, preparando-os
para os desafios da sociedade global, de forma progressiva e de acordo com a
realidade e as possibilidades do país.

22
4. As componentes do Ensino Secundário Geral: princípios, objecƟvos
formaƟvos e orientações
O Ensino Secundário Geral é aqui assumido como ciclo terminal de estudos mas também
como podendo proporcionar formação e competências para o prosseguimento de estudos,
com vista à inserção em diversos domínios de ac vidade, razão pela qual é considerado
‘Geral’. No entanto, tal não significa que seja generalista, isto é, com componentes
disciplinares de formação idên cas para todos os alunos. De facto, a especificidade de
saberes próprios necessários ao início de estudos superiores exige algum aprofundamento
no Ensino Secundário, situação incompa vel com formação idên ca para todos.
Por esta razão, o plano curricular do Ensino Secundário Geral de Timor-Leste está
organizado segundo dois percursos alterna vos de formação: (1) Ciências e Tecnologias e
(2) Ciências Sociais e Humanidades, cada um deles com disciplinas específicas próprias,
as quais cons tuirão bases para prosseguimento de estudos superiores. Comum a ambos
os percursos existe uma Componente de Formação Geral, na qual se incluem disciplinas
que permitem aprofundar saberes importantes para a formação dos alunos qualquer que
seja a via específica escolhida.

Ciências Ciências Sociais


e Componente Geral
e
[4+4 disciplinas - 10.º e 11.º anos]
Tecnologias [4+3 disciplinas no 12.º ano]
Humanidades
[5 disciplinas] [5 disciplinas]

Em ambos os percursos promove-se a valorização de competências transversais essenciais


para a par cipação ac va na vida adulta.
Nesta perspec va, é objec vo do Ensino Secundário Geral formar jovens que possam
contribuir para o desenvolvimento do seu País – na polí ca, na educação, na saúde, na
administração pública, no comércio, na indústria, nos serviços, no turismo e em todos os
sectores da sociedade.

4.1 Componente Geral

4.1.1 Caracterização global


A Componente Geral, comum aos dois percursos de formação, “Ciências e Tecnologias” e
“Ciências Sociais e Humanidades”, tem como finalidade central proporcionar aos alunos,
de forma integrada, o desenvolvimento de competências gerais e transversais. Esta

23
componente é composta por oito disciplinas no 10º e no 11º (Tétum, Português, Inglês,
Indonésio, Cidadania e Desenvolvimento Social, Tecnologias Mul média, Religião e Moral,
Educação Física e Desporto) e por sete disciplinas no 12º ano, uma vez que a Educação
Física e Desporto não figura no plano de estudos do 12º ano.
Este conjunto de disciplinas visa promover o desenvolvimento, pelos alunos, de
competências linguís cas, comunica vas, interculturais, interpessoais e digitais,
fundamentais para o desenvolvimento do indivíduo e da comunidade. A inserção
dos indivíduos na sociedade da informação e do conhecimento e a es mulação da
sua par cipação ac va na construção dessa sociedade passa pelo acesso de todos à
informação e pela capacidade de cada um em a gerir, nos aspectos que lhe são próprios. A
Componente de Formação Geral é central para o desenvolvimento de métodos de trabalho
e de estudo, individuais, coopera vos e colabora vos, promotores de desenvolvimento
de capacidades de autonomia, de pensamento crí co, de resolução de problemas e de
trabalho em equipa. As competências aqui desenvolvidas, centrais e estruturantes do
Ensino Secundário Geral, são essenciais a uma formação sólida de base que sustenta
a maior especificidade dos percursos alterna vos de formação propostos. De forma
integrada, esta componente de formação contribuirá para a consolidação da iden dade
de Timor-Leste, assente na valorização da tradição, na pluralidade de culturas, na abertura
à inovação e a novas experiências e convivências.

4.1.2 Finalidades formaƟvas da Componente Geral


No seu conjunto, a componente geral tem como grandes finalidades contribuir para:
1. O desenvolvimento e consolidação de competências linguís cas, comunica vas,
interculturais, interpessoais e digitais que sustentem o prosseguimento de
estudos e a inserção na vida ac va;
2. A valorização consciente da tradição e da pluralidade, enquanto factores de
aprofundamento da iden dade;
3. O desenvolvimento de a tudes e comportamentos de cidadania empenhada e
par cipa va a nível local, nacional e global;
4. A promoção de interacções da escola com a comunidade, como meio
difusor e replicador de aprendizagens, adopção de es los de vida saudáveis,
consciencialização do direito à igualdade de oportunidades e desenvolvimento
de confiança no futuro;
5. A apropriação de hábitos de trabalho, autónomo, coopera vo e colabora vo,
reveladores de espírito de inicia va, pensamento crí co, capacidade de
resolução de problemas, cria vidade, resistência à adversidade, respeito pela
diferença e pela diversidade;
6. O desenvolvimento de competências de pesquisa, selecção e avaliação de
informação e capacidades de par cipação na co-construção de conhecimento.

24
4.2 Componente “Ciências e Tecnologias”

4.2.1 Caracterização Global


O percurso em Ciências e Tecnologias integra, para além da Componente Geral, a
Componente de Ciências Físico-Naturais e Matemá ca (CFNM) que engloba as disciplinas
de Biologia, Física, Geologia, Química e Matemá ca.
Em planos curriculares para o Ensino Secundário Geral, as CFNM, pela sua contribuição
para o desenvolvimento sustentável de qualquer país, emergem como nucleares, o que lhes
confere importância social. Actualmente, perspec vas de desenvolvimento sustentável
são indissociáveis das de desenvolvimento de dimensões cien ficas e tecnológicas,
independentemente de contextos geopolí cos.
Já no 3º Ciclo para Timor-Leste as CFNM são componentes nucleares da formação geral,
sendo reconhecidas como decisivas para o progresso cien fico e tecnológico do país,
embora sejam abordadas em disciplinas de natureza transversal e integradora. No Ensino
Secundário Geral, a relevância atribuída às CFNM é mais acentuada para quem opta por
esta área de estudos, agora organizada em disciplinas autónomas. Faz-se uma abordagem
com maior grau de profundidade e complexidade, próprias deste nível de ensino. Nas
disciplinas da Componente de CFNM tem-se também em consideração ar culações com
os programas do 3º Ciclo. Visa-se, assim, promover a consolidação e aprofundamento
de competências dos alunos e es mular a construção de conhecimentos disciplinares e
interdisciplinares.
As estratégias de ensino e de aprendizagem devem ser, tanto quanto possível, desenvolvidas
no contexto da realidade morense, de forma a facilitar o reconhecimento pelos alunos
das potencialidades dos saberes a construir. A par do desenvolvimento de competências
específicas em CFNM deve es mular-se a mobilização destas tendo em consideração a
capacidade de intervenção fundamentada, consciente e responsável na sociedade.
Inves r numa formação sólida dos jovens estudantes em CFNM, significa dotar, num
futuro próximo, a sociedade morense de uma população estudan l habilitada para
prosseguir estudos no Ensino Superior, obtendo qualificações profissionais diversificadas
para exercerem funções como professores, profissionais de saúde, técnicos da indústria,
engenheiros (e.g. de indústrias extrac vas) e muitas outras. Esta dotação de recursos
humanos especializados fortalecerá a autonomia cien fico-tecnológica e promoverá o
desenvolvimento do jovem País numa perspec va de sustentabilidade. Uma tal formação
implica a concepção e desenvolvimento de estratégias que, através de ac vidades de
ensino e aprendizagem em CFNM, promovam nos jovens o gosto por aprender nestas
áreas, combatam o elevado absen smo escolar observado em Timor-Leste e, sobretudo,
melhorem a literacia cien fica dos jovens e promovam a sua par cipação responsável na
sociedade.

25
O currículo da Componente das CFNM valorizará componentes prá cas e experimentais,
contemplando resolução de problemas. Os programas das disciplinas desta Componente
salientam ainda a necessidade de abordagens interdisciplinares que valorizem o
envolvimento dos alunos para compreenderem melhor fenómenos naturais, interacções
entre ac vidades humanas e ambiente e problemas actuais, tanto a nível local como
global.
Com uma carga lec va total de 16 tempos lec vos semanais no 10º e no 11º e um total de
18 tempos semanais no 12º ano, são cinco as disciplinas em cada ano curricular.

4.2.2 Finalidades formaƟvas da componente “Ciências e Tecnologias”


De acordo com as finalidades do Ensino Secundário Geral, mormente no que se refere
a objec vos para a DEDS-UN atrás referidos relevantes para a educação em Ciências
Físico-Naturais e Matemá ca, serão finalidades para esta área disciplinar (Física, Química,
Biologia, Geologia e Matemá ca) garan r:
1. A consolidação da formação técnico-cien fica e pessoal dos jovens morenses
visando o ingresso no ensino superior em áreas como as engenharias, ciências
da saúde, formação de professores, entre outras, valorizando a autonomia na
formação de profissionais qualificados em Timor, numa lógica de aprendizagem
ao longo da vida;
2. O reconhecimento de condições materiais e humanas necessárias à tenta va de
resolver problemas, bem como da importância de mobilizar competências em
ciências e tecnologias necessárias a tal desempenho;
3. A compreensão da mul plicidade de factores que podem contribuir para o
agravamento de problemas actuais, em par cular os que são relacionáveis com
a ciência e a tecnologia;
4. A promoção de tomadas de consciência das principais problemá cas actuais,
com dimensões cien ficas e tecnológicas;
5. O desenvolvimento de uma perspec va de interdisciplinaridade, capaz de
ar cular saberes próprios das disciplinas cien fico-tecnológicas, e de outras, no
âmbito de uma matriz social.
6. A tomada de consciência da relevância que tem na formação o assumir de uma
a tude de aprendizagem ao longo da vida;
7. O aprofundamento de competências linguís cas, nucleares em Ciências Físico-
Naturais e Matemá ca;
8. A valorização do pensamento crí co e da capacidade de argumentação
rela vamente a temá cas cien fico-tecnológicas, visando a promoção de uma
literacia e cidadania intervenientes.

26
4. 3 Componente “Ciências Sociais e Humanidades”

4.3.1 Caracterização global


Des nado a dar con nuidade e aprofundamento à aprendizagem realizada no Ensino
Básico Pré-secundário, o Ensino Secundário engloba dis ntas componentes de formação,
entre as quais se enquadra o domínio das Ciências Sociais e Humanidades (CS&H).
Regida como todo o plano curricular, pelos princípios da EDS-UN, esta componente
integra preocupações visíveis com o futuro da Humanidade, procurando comprometer
as gerações mais jovens com um desenvolvimento que não o coloque em risco. Neste
sen do, a valorização dos recursos naturais, o combate contra pobreza e a exclusão
social, a defesa dos Direitos Humanos e da igualdade de géneros, o compromisso com a
promoção da educação, da saúde e da segurança percorrem transversalmente o programa
das diferentes disciplinas. Especial atenção será ainda dada ao tratamento sistemá co
de questões como o diálogo intercultural, promovendo valores e comportamentos
coincidentes com ideais de liberdade, igualdade, solidariedade, tolerância e respeito pelo
ambiente, capazes de criarem desenvolvimento de forma sustentável.
Ainda de acordo com aqueles princípios, pretende-se, com a formação em disciplinas
nas áreas cien ficas da História, Geografia, Literatura, Sociologia e Economia e Métodos
Quan ta vos, assegurar o desenvolvimento de uma cultura cien fica, humanís ca e
ar s ca, com vista ao prosseguimento de estudos, tal como surge preconizado na Lei
de Bases de Educação de Timor-Leste. A formação neste percurso permi rá o acesso ao
Ensino Superior num conjunto diversificado de áreas e de cursos, dos quais se destacam,
por exemplo, Direito, Relações Internacionais, Comunicação e Jornalismo, Administração
Pública, Turismo, Psicologia, Formação de Professores de diferentes níveis de ensino, desde
o Pré-Escolar ao Secundário, passando pelo Básico, Geografia, História, Antropologia,
Economia, Sociologia, Secretariado e Assessoria, Documentação, Bibliotecas e Arquivís ca,
Animação Sociocultural, entre muitas outras.
Assim, em termos de prosseguimento de estudos, esta componente, ao permi r o acesso
a diversos cursos superiores na área das Ciências Sociais e Humanidades, responde de
forma ampla e abrangente a interesses e necessidades em áreas de formação prioritárias
e relevantes para o desenvolvimento dos cidadãos e de Timor-Leste.
Para além de assegurar o desenvolvimento do raciocínio, do espírito crí co e da capacidade
de reflexão, pretende-se es mular o desenvolvimento de competências necessárias à
compreensão e à fruição de manifestações culturais e esté cas, possibilitando igualmente
a expressão ar s ca. O conhecimento aprofundado da realidade morense, nas suas
múl plas dimensões geográficas, sociais, históricas, económicas, antropológicas, culturais
e literárias potencia a curiosidade e o interesse pelos valores permanentes da sociedade,
sensibilizando e mo vando para o conhecimento de outras culturas e realidades e

27
conduzindo, em úl ma instância, à formação de cidadãos empenhados na construção
de uma sociedade mais justa e solidária. O desenvolvimento de hábitos e métodos de
trabalho e de estudo, individual e em grupo, de capacidade crí ca e de reflexão metódica
ar cula-se com o aperfeiçoamento de competências individuais de abertura de espírito,
de sensibilidade e de adaptação e intervenção nas mudanças sociais, polí cas e culturais.
As disciplinas incluídas nesta área de Ciências Sociais e Humanidades estão unidas por
preocupações comuns de ligação dos alunos à sua realidade envolvente, sem esquecer a
relação com o Mundo e a compreensão de fenómenos globais.
A questão da iden dade, entendida em sen do abrangente e implicando reflexão
fundamentada sobre as relações entre o indivíduo e o(s) meio(s) onde se insere, é um
dos eixos coesivos de uma área de formação que promove, através da abordagem de
conteúdos específicos das disciplinas envolvidas, o desenvolvimento de competências de
reflexão e de par cipação ac va em diferentes áreas da vida da sociedade morense.
A Economia e Métodos QuanƟtaƟvos permi rá o aprofundamento da formação nesta área
específica, es mulando, igualmente, o desenvolvimento de competências transversais. Os
conteúdos leccionados revelar-se-ão úteis em outras disciplinas curriculares, onde serão
alvo de aplicação, por exemplo na interpretação de dados específicos, na Geografia e na
Sociologia, para além de alargarem a formação nesta área específica e de promoverem o
desenvolvimento de competências variadas, mesmo ao nível pessoal e social.
A componente de formação “Ciências Sociais e Humanidades” estrutura-se em ar culação
com unidades curriculares do 3º Ciclo, desenvolvendo e consolidando competências já
previamente trabalhadas, par cularmente no domínio do Português, aprofundando o
conhecimento do universo literário, mas também nas áreas das Ciências Sociais. Incluem-
se agora, de forma autónoma, o estudo da História, da Geografia e da Economia.
Com uma carga lec va total de 16 tempos lec vos semanais no 10º e 11º e um total de 18
tempos lec vos no 12º ano, são cinco as disciplinas em cada ano curricular.

4.3.2 Finalidades formaƟvas da componente “Ciências Sociais e Humanidades”


Em ar culação com as grandes finalidades do Ensino Secundário Geral, o percurso de
formação em “Ciências Sociais e Humanidades” orienta-se para:
1. O desenvolvimento de conhecimentos na área das Ciências Sociais e
Humanidades, com vista a uma maior consciencialização da riqueza e da
diversidade que caracteriza o Ser Humano e o Mundo (compreensão crí ca da
diversidade local e global);
2.  A consolidação de competências linguís cas e comunica vas fundamentais para
o desenvolvimento pessoal e para a par cipação social;

28
3.  A valorização e consolidação de competências de leitura, de diferentes pos,
em suportes dis ntos e com objec vos diversificados, entendendo-a enquanto
ac vidade que, superando largamente a mera descodificação de linguagens,
implica interpretação, construção de conhecimento, avaliação e diálogo;
4. A consolidação de competências de análise e de interpretação da informação
com vista à intervenção em situações reais, à construção de conhecimento e à
formação pessoal e social;
5. A valorização de uma cultura humanís ca e consolidação de valores individuais
e comunitários conducentes a a tudes de cidadania;
6. A promoção da reflexão sobre a iden dade nacional a par r do conhecimento
aprofundado de Timor-Leste e da posição do país no contexto mundial das
relações polí cas, sociais, económicas e culturais entre as diferentes sociedades
e civilizações;
7. O desenvolvimento da capacidade de análise, formulação e resolução de
problemas do foro socioeconómico, alargando formas de pensar e perspec var
relações e contextos sociais.

29
5. Estrutura Curricular
Nesta Secção apresenta-se o elenco de disciplinas contempladas em cada Componente de
formação e respec va caracterização sucinta. Os quadros explicitam os tempos lec vos
semanais preconizados para cada disciplina e por ano de escolaridade.
Ao nível da carga lec va semanal, o plano curricular do Ensino Secundário Geral aponta para
um total de 20 tempos lec vos para a componente geral no 10º e 11º e para um total de
18 tempos lec vos para o 12º ano, mais 16 tempos lec vos para a componente específica,
seja ela da área das Ciências e Tecnologias ou das Ciências Sociais e Humanidades, no 10º
e 11º anos e 18 tempos lec vos no 12º ano. Verifica-se, assim, a existência de paridade
entre os dois percursos de especialização, tanto ao nível do número de disciplinas em
leccionação como da carga lec va em cada ano de escolaridade.
Cada tempo lec vo desdobra-se no período de leccionação seguido de um período de
pausa, desejavelmente de 50 minutos no primeiro caso e de 10 minutos no segundo.

5.1 Estrutura da Componente Geral


A Componente Geral estrutura-se de acordo com o Quadro 1, distribuída ao longo dos três
anos de escolaridade, com a mesma carga horária semanal. Os valores numéricos dizem
respeito ao número de tempos lec vos semanais a u lizar.

Quadro 1. Estrutura da Componente Geral

10º ano 11º ano 12º ano


Disciplinas (tempos lec vos (tempos lec vos (tempos lec vos
/semana) /semana) /semana)

Tétum (*) 3 3 3

Português 4 4 4

Inglês 3 3 3

Indonésio 2 2 2

Cidadania e
2 2 2
Desenvolvimento Social

Tecnologias MulƟmédia 2 2 2

Religião e Moral 2 2 2

Educação Física e
2 2 0
Desporto)

Total previsto 20 20 18

30
Apresenta-se, em seguida, uma descrição sumária de cada disciplina, bem como as suas
finalidades.

5.1.1 Tétum
O Tétum é uma língua oficial de Timor-Leste, veículo de afirmação colec va, de
independência e de iden dade nacional, a par do Português. Por este mo vo, deve ser
ensinado e estudado no sistema de ensino nacional para garan r o domínio da língua
e desenvolver o conhecimento de valores da história e da cultura nacional do povo
morense.
Como língua de expressão e de iden dade colec va, cons tuindo um modo próprio
de entender o mundo e o relacionamento entre os indivíduos, o Tétum é veículo de
comunicação e de testemunho da iden dade cultural, sendo o seu ensino-aprendizagem
um direito fundamental do povo morense.
O Tétum, além de língua oficial, é também uma língua nacional privilegiada pelo seu
aspecto funcional, pelo que deve ser considerada objecto de estudo, com vista ao
aprofundamento das suas dimensões esté ca, literária e lúdica. O Ensino Secundário
Geral é um ciclo de estudos onde este conhecimento deve ser aprofundado.
Além disso, o estudo do Tétum deve promover o desenvolvimento de competências
linguís cas, metalinguís cas e de habilidades do uso da língua através dos meios de
comunicação oral e escrita. Desta forma, comunicar em Tétum promove o diálogo com
os outros etnolinguistas nacionais de Timor-Leste e facilita o acesso a conhecimentos
importantes para o sucesso educa vo e profissional.

Finalidades
1. Desenvolver competências de compreensão, comunicação e produção oral e
escrita em Tétum;
2. Desenvolver uma reflexão linguís ca no contexto do funcionamento do Tétum do
ponto de vista da sua u lização correcta e adequada em situações diferenciadas;
3. Desenvolver competências de reflexão metalinguís ca entre as línguas maternas,
as línguas nacionais e as línguas oficiais;
4. Aprofundar capacidades de interpretar e produzir textos escritos e orais com
diferentes níveis de formalidade;
5. Aprofundar a capacidade de reconhecer e relacionar discursos de natureza
cien fica, tradicional ou comunitária religiosa, em Tétum;
6. Reflec r sobre a realidade sociolinguís ca de Timor-Leste, em par cular sobre
os valores linguís cos expressos pelas várias línguas e dialectos.

31
5.1.2 Português
Timor-Leste, desde a sua independência, em 2002, adoptou a Língua Portuguesa como
língua oficial, a par do Tétum. Nesta sequência, o facto de a disciplina de Português ser
obrigatória no sistema de ensino, assim como a principal língua de instrução, e o Ensino
Secundário Geral ser o seu úl mo ciclo, reforça, duplamente, a importância a atribuir a
esta disciplina.
A disciplina de Português pretende, então, cons tuir-se como um espaço de reflexão
sobre a Língua Portuguesa, língua par lhada pelos vários países e povos que cons tuem a
Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP). Neste sen do, ela é, neste programa,
encarada na sua diversidade e unicidade.
Para além disso, assume-se ainda que o desenvolvimento de competências linguís cas
e metalinguís cas favorece uma u lização mais correcta e mais adequada da Língua
Portuguesa, abrindo, simultaneamente, pontes para o mundo lusófono. Por outro lado,
é através da Língua Portuguesa que se promove um diálogo com as diferentes línguas
de Timor-Leste, em especial com o Tétum: por uma aproximação a uma abordagem
compara va a realizar pelo aluno, tendo em conta os aspectos interlinguís cos e
interculturais, considerados oportunos.
Como língua de escolarização, a Língua Portuguesa cumpre, por conseguinte, a função
de instrumento de acesso aos conhecimentos, contribuindo, deste modo, para o sucesso
educa vo, social e também profissional.

Finalidades
1. Desenvolver e consolidar competências de compreensão, produção e interacção
em Língua Portuguesa;
2. Desenvolver uma reflexão linguís ca, no sen do de uma explicitação do
funcionamento da Língua Portuguesa, com vista à sua u lização correcta e
adequada em diferentes contextos sociais;
3. Desenvolver processos metacogni vos e metalinguís cos necessários à
operacionalização das diferentes competências linguís co-comunica vas em
Português;
4. Desenvolver o sen do de pertença a uma Comunidade de Países de Língua
Portuguesa/ CPLP;
5. Reflec r, a par r da realidade sociolinguís ca de Timor-Leste, sobre valores
culturais e linguís cos expressos pelas diversas línguas;
6. Contactar com os valores esté cos da Língua Portuguesa, através de textos e
autores lusófonos.

32
5.1.3 Inglês
O reconhecimento da importância da Língua Inglesa enquanto língua privilegiada na
comunicação internacional, na ciência e no ensino superior, assumindo mesmo o estatuto
de língua de trabalho na cons tuição morense, jus fica a sua inclusão, como disciplina
obrigatória, no plano curricular do Ensino Secundário Geral para Timor-Leste. Usada como
língua franca na região, a Língua Inglesa cons tui-se como um elemento importante do
mul linguismo do povo morense, favorecendo o desenvolvimento de capacidades a nível
pessoal e social, que contribuam para o desenvolvimento socioeconómico de Timor-Leste.
Através da disciplina de Inglês, nível de con nuação, pretende-se contribuir, de forma
ar culada com as outras disciplinas do currículo, para a formação integral do aluno
e promover o desenvolvimento das competências linguís co-culturais dos jovens
morenses. Procura-se propiciar uma abertura ao mundo e sedimentar a iden dade,
o sen mento de pertença e os valores da sociedade morense e, simultaneamente,
criar oportunidades para prosseguimento de estudos e inserção na vida ac va. Nesta
perspec va, a aprendizagem de uma língua estrangeira, em par cular o Inglês, além de
desempenhar um papel essencial no alargamento dos horizontes comunicacionais dos
jovens, cons tui-se como elemento essencial para o aprofundamento de uma educação
cívica, democrá ca e humanís ca.

Finalidades
1. Consolidar e sistema zar competências essenciais de comunicação, de
compreensão e de produção em Língua Inglesa, conducentes ao alargamento de
oportunidades de prosseguimento de estudos e inserção na vida ac va;
2. Promover o diálogo entre línguas e culturas através da Língua Inglesa;
3. Consolidar os valores culturais e a iden dade morenses, através da interacção
com outros valores e iden dades culturais veiculados em Língua Inglesa;
4. Desenvolver a auto-es ma, o espírito de inicia va e autonomia na interacção
em Língua Inglesa com diferentes pessoas e culturas;
5. Desenvolver uma consciência intercultural crí ca e par cipa va, assumindo-se
a diversidade cultural e linguís ca como fonte de riqueza iden tária;
6. Compreender e interpretar, de forma crí ca e reflec da, informação veiculada
por diferentes media, e produzir textos diversificados em Língua Inglesa.

33
5.1.4 Indonésio
Depois do referendo de 1999, Timor-Leste iniciou um processo que conduziu à
independência do país em 2002. Na cons tuição da RDTL está determinado que a língua
indonésia é uma das línguas de trabalho a par da língua inglesa. No entanto, a língua
indonésia deixou de ser uma língua autónoma no currículo escolar, embora as outras
disciplinas con nuassem a ser ensinadas em língua indonésia, visto ter sido essa a língua
de formação da maioria dos professores. Também os manuais escolares estavam escritos
em língua indonésia. Esta situação foi-se alterando gradualmente até 2010, devido ao
crescimento e evolução do domínio da língua portuguesa como língua de instrução em
todos os níveis educa vos, desde o ensino primário até ao ensino superior.
Sabe-se também que cerca de 5-10% dos estudantes que concluem o ensino secundário
em Timor-Leste con nuam estudos superiores na Indonésia, o que requer que
detenham competências para prosseguir a sua formação académica. Assume-se, pois,
como importante que os alunos no final do ensino secundário consigam exprimir-se e
compreender a língua indonésia.
Por outro lado, a situação geográfica de Timor-Leste entre duas nações gigantes, Austrália
e Indonésia, realça a importância para o desenvolvimento socioeconómico do país da
compreensão das duas línguas ali faladas, o inglês e o indonésio.
Assim, torna-se necessário que o currículo do Ensino Secundário Geral dê uma
relevância equivalente às duas línguas estrangeiras, o inglês e o indonésio, aumentando
as competências de mul linguismo dos cidadãos morenses. A língua indonésia será
leccionada como língua estrangeira pertencente ao grupo das línguas Austronésias.

Finalidades
1. Desenvolver e sistema zar competências e habilidades no domínio da
língua indonésia, em par cular, expressão e compreensão oral, expressão e
compreensão escrita, para uma melhor comunicação na vida quo diana;
2. Dialogar de forma ac va em língua indonésia, como via de melhorar a
comunicação entre os indivíduos;
3. Interpretar de forma crí ca e reflexiva, informação veiculada por diferentes
meios de comunicação em língua indonésia, oral e escrita;
4. Desenvolver as dimensões cogni vas, afec vas e psicomotoras de cada um por
interacção com outros povos e culturas que se exprimam em língua indonésia;
5. Consolidar os valores culturais e a iden dade morense, através da interacção
com outros valores e iden dades culturais veiculados pela língua e cultura
indonésia;
6. Desenvolver a capacidade de compreender e u lizar as expressões idiomá cas
em língua indonésia para produzir pequenos textos originais.

34
5.1.5 Cidadania e Desenvolvimento Social
A disciplina de Cidadania e Desenvolvimento Social pretende contribuir para a formação
de cidadãos que par cipem de forma ac va, consciente e responsável na vida polí ca,
económica, social e cultural, consubstanciando-se no compromisso cívico que visa o
desenvolvimento harmonioso e sustentável das sociedades e a defesa dos direitos
humanos. O carácter polissémico do termo “cidadania” determinou a adopção de
uma definição alargada que integra múl plas dimensões: cidadania como princípio de
legi midade polí ca, como construção iden tária e como conjunto de valores. Esta
concepção remete para uma dupla perspec va de cidadania que contempla a assunção
de deveres e o reconhecimento da importância do poder do Estado e, por outro lado, o
desenvolvimento pessoal e a afirmação dos direitos individuais e colec vos.
Neste sen do, pretende-se orientar os alunos para a promoção da literacia polí ca,
pensamento crí co e par cipação cívica, através de uma aprendizagem ac va e
coopera va. A disciplina centra-se no desenvolvimento de competências de cidadania,
fundamentadas em princípios de par cipação aos vários níveis sistémicos de organização
social, na sensibilidade para os problemas da comunidade nacional e internacional, e
na consciencialização da importância da aprendizagem ao longo da vida, uma vez que
o conceito de cidadania está, ele próprio, em permanente actualização a par com a
diversidade de es los de vida e padrões relacionais dos indivíduos.

Finalidades
1. Par cipar de forma crí ca e responsável na vida polí ca, económica, social e
cultural;
2. Problema zar questões sociais e desenvolver o pensamento crí co na exploração
de soluções inovadoras para a resolução pacífica de problemas;
3. Aprofundar a literacia polí ca como mecanismo fundamental para uma efec va
par cipação na vida polí ca e nos processos de tomada de decisão;
4. Consolidar a iden dade pessoal e social, promovendo uma consciência de si e
do outro que alicerce a construção do bem-estar individual e colec vo;
5. Contribuir para a consolidação da iden dade nacional democrá ca e para o
reforço da coesão social através da valorização do sen mento de pertença e
respeito pela diversidade étnica e cultural e pela igualdade de género;
6. Enquadrar a par cipação social no domínio da cidadania global e
desenvolvimento sustentável;
7. Par cipar na construção de parcerias entre escola e comunidade com vista à
resolução de problemas familiares, comunitários e globais, contribuindo para
dinamizar a função inovadora e interventora do meio escolar.

35
5.1.6 Tecnologias MulƟmédia
A disciplina de Tecnologias MulƟmédia prevê, para além da aquisição de competências
tecnológicas, uma vertente inter e transdisciplinar de aplicação de recursos e ferramentas
mul média indexada aos conteúdos e contextos das restantes áreas disciplinares. Esta
visão é sustentada nos impactes que a área das tecnologias mul média advoga para
uma apropriação adequada de competências transversais ao currículo, promotora de
saberes e de saberes-fazer, por recurso a ferramentas digitais u litárias e de comunicação,
de pesquisa, selecção e gestão de informação, bem como de construção par lhada de
conhecimento.
Para além da transversalidade dos conteúdos com as outras áreas de formação integrantes
do currículo, pela importância que as tecnologias mul média assumem na sociedade,
procura-se que a disciplina contribua para o desenvolvimento de cidadania digital e para
a construção de conhecimento que possa ser aplicado na comunidade em que o indivíduo
se insere, influenciando o seu desenvolvimento económico e social. Pretende, assim,
promover condições para a integração das Tecnologias Mul média na sociedade como
forma de diluição das barreiras geográficas, sociais, económicas, de empregabilidade e de
formação em Timor-Leste.

Finalidades
1. Desenvolver competências de u lização das Tecnologias Mul média;
2. Desenvolver a tudes de abertura ao mundo na perspec va da diversidade
cultural, linguís ca e social, por recurso às Tecnologias Mul média;
3. Contribuir para o desenvolvimento da literacia digital em Timor-Leste;
4. Contribuir para o desenvolvimento económico e social da comunidade, através
da integração das Tecnologias Mul média;
5. Desenvolver competências de empreendedorismo de base tecnológica,
propiciadoras da criação de emprego e de inovação;
6. Desenvolver a tudes e comportamentos de cidadania digital, assumindo
posições crí cas sobre o acesso à informação e par cipação na co-construção
de conhecimento mediado pelas Tecnologias Mul média.

36
5.1.7. Religião e Moral
Após a sua independência em 2002, Timor-Leste procurou desenvolver-se em todas as
áreas, especialmente no domínio da educação, para alcançar um futuro mais próspero.
Sendo Timor-Leste uma nação independente situada na região asiá ca, fortemente
marcada pela cultura da crença, decidiu considerar a Religião e Moral (Católica, Protestante
e Muçulmana) como disciplina regular do currículo escolar de todos os níveis de ensino.
Assim, no sistema educa vo de Timor-Leste, a educação religiosa e moral foi adoptada
em todas as escolas tendo como base a declaração conjunta celebrada em 2005, entre o
governo e as ins tuições religiosas, destacando-se o papel da ins tuição igreja católica.
A disciplina de Religião e Moral pretende contribuir para uma formação holís ca, tal como
está descrito na convenção do direito da criança, ar go 27º, ponto 1: ”Os Estados Partes
reconhecem à criança o direito a um nível de vida suficiente, de forma a permi r o seu
desenvolvimento sico, mental, espiritual, moral e social”.
A disciplina de Religião e Moral, pela sua natureza, é uma filosofia de vida que ajuda o ser
humano a entrar na sua própria consciência como criatura de Deus, para orientar-se na
vivência em sociedade, relacionando-se com outras criaturas no mundo. Assim, a religião
tornou-se uma convicção privada que cada pessoa segue com toda a sua personalidade
para alcançar a sua verdadeira dignidade.

Finalidades
1. Desenvolver a capacidade intelectual, moral e religiosa de forma integrada e
harmoniosa;
2. Desenvolver conhecimentos no domínio da crença, da moral, do direito e dos
deveres religiosos;
3. Criar, de maneira pessoal, um quadro de valores e de humanismo religioso, que
reforça a relação pessoal, familiar e social;
4. Sistema zar aprendizagens alcançadas de forma progressiva, a par r da
mensagem religiosa;
5. Integrar-se de forma consciente e responsável em vários grupos, segundo a sua
evolução psicológica, religiosa, moral e social.

37
5.1.8 Educação Física e Desporto
A inclusão da disciplina de Educação Física e Desporto no currículo do Ensino Secundário
Geral representa o reconhecimento da sua importância, nomeadamente para formar
cidadãos responsáveis e fomentar o desenvolvimento individual e colec vo, reforçando a
con nuidade com os anteriores ciclos escolares.
Será importante não esquecer que neste nível de estudos se estão a formar cidadãos
capazes de intervir ac vamente na futura sociedade morense e, como tal, essa formação
deve pressupor o aprofundamento de valores culturais, sociais, morais e cívicos, que sejam
respeitados na prá ca da vida social. Estes valores estão integrados nos comportamentos
e a tudes que se manifestam nas ac vidades lúdicas e despor vas.
A Educação Física é uma das áreas do conhecimento humano ligada à manutenção e
reabilitação da saúde , do corpo e da mente, pelo que é fundamental para o desenvolvimento
do ser humano como um todo – Mens sana in copore sano. Por seu lado, o Desporto é
uma ac vidade sica que nos coloca numa situação de confronto, tendo como objec vo
quer a compe ção, quer situações lúdicas, estando sempre sujeito a normas.
Deste modo podemos definir a disciplina integrada de Educação Física e Desporto no
Ensino Secundário Geral como uma disciplina escolar com o objec vo de fortalecer e dar
a conhecer aos alunos algumas modalidades despor vas e, ao mesmo tempo, con nuar a
desenvolver as suas capacidades cogni vas, motoras e sócio-afec vas.
Na escola, a disciplina de Educação Física e Desporto terá sempre uma importante
acção na formação dos jovens, quer durante, quer após a sua frequência. E, tendo em
consideração o contexto de Timor-Leste, torna-se fundamental que esta disciplina seja
vista como sendo um percurso educa vo de combate ao analfabe smo motor.

Finalidades
1. Através da disciplina de Educação Física e Desporto pretende-se que os alunos,
ao longo dos dois primeiros anos do Ensino Secundário Geral possam:
2. Desenvolver a saúde e a condição sica, bem como o espírito despor vo;
3. Promover o respeito pelo direito à individualidade e à diferença num verdadeiro
espírito de cooperação;
4. Criar o hábito de prá cas despor vas, incrementando o gosto pelo exercício
sico como meio privilegiado de desenvolvimento pessoal, interpessoal e
comunitário;
5. Pra car ac vidades sicas seleccionadas, aplicando conhecimentos sobre
técnica, tác ca, é ca despor va, organização e par cipação;
6. Compreender o valor e par cipar em estruturas organizadas de ac vidades
sicas despor vas curriculares ou extra-curriculares;
7. Valorizar a Educação Física e Desporto como sendo um eixo de ligação e uma
ferramenta para a aprendizagem de outras áreas curriculares, promovendo a
interdisciplinaridade.

38
5.2 Estrutura da componente específica “Ciências e Tecnologias”
As cinco disciplinas que compõem a Componente Específica Ciências e Tecnologias estão
estruturadas para funcionarem durante 3 anos (10º-12º anos), com cargas horárias de 3
tempos lec vos (Física, Química, Biologia e Geologia) e 4 tempos lec vos (Matemá ca)
por semana, no total de 16 tempos por semana em cada ano (Quadro 2). Propõe-se,
como conveniente, que os tempos lec vos sejam de 50 minutos cada, e que dois dos
tempos lec vos sejam seguidos no horário dos alunos, de modo a permi r a realização de
ac vidades prá cas.

Quadro 2. Estrutura da Área de Ciências e Tecnologias

10º ano 11º ano 12º ano


Disciplinas (tempos lec vos (tempos lec vos (tempos lec vos
/semana) /semana) /semana)

Física 3 3 4

Química 3 3 3

Biologia 3 3 4

Geologia 3 3 3

MatemáƟca 4 4 4

Total 16 16 18

Apresenta-se, em seguida, uma descrição sumária de cada disciplina, bem como as suas
finalidades.

5.2.1 Física
A Física é uma das disciplinas nucleares do ramo das Ciências Físico-Naturais e Matemá ca,
pois permite a compreensão do mundo que nos rodeia. A ligação desta ciência à vida
quo diana está patente na execução prá ca do trabalho de muitos profissionais
imprescindíveis na nossa sociedade (e.g., engenheiros, músicos, arquitectos, químicos,
médicos).
Se olharmos com atenção em nosso redor, é possível observar múl plas manifestações
de fenómenos estudados em Física, tanto no mundo natural como nas alterações feitas
a esse mundo pelos seres humanos. Compreender os fenómenos naturais exige noções
de Física e estas subentendem a apreensão da essência do conhecimento cien fico e as
suas consequências para as sociedades actual e futura. Na perspec va da educação para
o desenvolvimento sustentável (EDS), esta área do conhecimento revela-se importante

39
para a cultura do cidadão de hoje, nomeadamente do que optou por estudos de nível
secundário.
A Física está na base de muitas tecnologias, desde as convencionais, às mais recentes
e às vindouras, o que, só por si, lhe confere uma importância excepcional. Nesta área,
a proposta curricular aponta no sen do de abordar temas abrangentes do objecto de
estudo da Física. Nomeadamente, conteúdos relacionados com os fenómenos mecânicos,
térmicos, luminosos, eléctricos e electromagné cos, numa abordagem, sempre que
possível, que relacione Ciência-Tecnologia-Sociedade-Ambiente (CTSA).
Ao longo deste ciclo, privilegia-se o estudo da Física Clássica, nomeadamente Cinemá ca
e Dinâmica, para que os alunos possam entender o mundo macroscópico, Termodinâmica
e Óp ca, para interpretar o mundo microscópico, e finalmente Electromagne smo como
base de muitas inovações tecnológicas. Embora a Física Clássica seja o objecto principal
do programa, serão também abordadas relações com a Física Moderna, par cularmente
Física Nuclear, pela sua importância na compreensão de aspectos relacionados com as
questões energé cas vividas no mundo contemporâneo.
A implementação deste plano curricular visa o desenvolvimento de competências
específicas em diferentes domínios como o do conhecimento, do raciocínio, da
comunicação e das a tudes, exigindo o envolvimento ac vo dos alunos no processo de
ensino e de aprendizagem.
As finalidades da disciplina de Física, no Ensino Secundário Geral, devem consubstanciar
a consolidação de saberes no domínio cien fico, conferindo aos alunos competências que
lhes permitam explicar fenómenos do mundo que os rodeia, assim como compreender
a relação da Física com a Tecnologia e as suas implicações na sociedade e no ambiente.

Finalidades
Pretende-se que os alunos possam:
1. Avaliar campos de ac vidade profissional futura, em par cular para
prosseguimento de estudos;
2. Mobilizar saberes cien ficos e tecnológicos para acompanhar e interpretar o
desenvolvimento da sociedade;
3. Perceber o papel do conhecimento cien fico em Física nas decisões do foro
social e ambiental;
4. Incrementar o interesse pelo conhecimento cien fico e tecnológico, pela sua
importância na sociedade actual;
5. Compreender o papel da experimentação na construção do conhecimento em
Física;
6. Compreender fenómenos naturais com base no conhecimento em Física;
7. Aumentar e melhorar os conhecimentos em Física.

40
5.2.2 Química
A disciplina de Química prevê contribuir para que os alunos desenvolvam, além de
competências transversais essenciais e de literacia cien fica, competências específicas
para par ciparem ac vamente, numa perspec va de Educação para o Desenvolvimento
Sustentável (EDS), na vida das comunidades em que se inserem, e inserirão no futuro.
Procura-se que esta disciplina contribua para que os alunos reconheçam a relevância
pessoal e social do desenvolvimento de competências em Química, designadamente
para prosseguimento de estudos em domínios cien fico-tecnológicos. Assim, valoriza-
se a construção de conhecimento canónico de Química mobilizável na compreensão
de propriedades de materiais, preferencialmente acessíveis aos alunos, interpretação e
explicação de procedimentos envolvidos na sua formação, preparação ou transformação.
Caracterizam-se elementos químicos e relevam-se propriedades associadas ao seu
posicionamento na Tabela Periódica dos Elementos. Caracterizam-se substâncias,
preferencialmente iden ficáveis em ambientes próximos dos alunos, por exemplo
cons tuintes de petróleo, da atmosfera ou de recursos hídricos, relevando-se a sua
composição química e reac vidade. Caracterizam-se pos de reacções químicas e
explicitam-se critérios opera vos para a sua iden ficação. Aborda-se o efeito de estufa
e relaciona-se com reacções químicas que ocorrem quo dianamente e são essenciais
para a sobrevivência de populações diversas, em par cular as humanas. Relaciona-se
o aquecimento global com padrões de produção e consumo e com reacções químicas
neles envolvidas. Caracteriza-se a camada de ozono e discute-se a sua importância para
protecção da biodiversidade e preservação da saúde humana.
Procura-se que a Química contribua para promover a concre zação dos ObjecƟvos de
Desenvolvimento do Milénio enquadrando conteúdos canónicos de Química em temas
mais abrangentes, por exemplo consumo, saúde, ambiente, qualidade e segurança, que
ajudem a contextualizá-los, valorizá-los e relacioná-los com processos que ocorrem no dia
a dia em situações não escolares.

Finalidades
Pretende-se que os alunos possam:
1. Compreender a importância de ar cular conhecimentos construídos em
Química com os construídos noutras disciplinas para es mular prá cas de
desenvolvimento sustentável;
2. Relacionar conhecimentos construídos em Química com prá cas sustentáveis,
por exemplo de u lização de água ou de gestão de recursos e de resíduos;
3. U lizar conhecimento construído em Química para interpretar processos e
reconhecer problemas actuais, por exemplo rela vos à exploração de recursos
naturais e à produção de resíduos;

41
4. Relacionar conhecimentos construídos em Química com processos que ocorrem,
tanto no seu ambiente próximo como à escala global, espontaneamente ou
induzidos por acção humana;
5. Reconhecer que implementar prá cas de desenvolvimento sustentável, além
de conhecimentos construídos em Química e noutras disciplinas, requer a
mobilização de dimensões é cas;
6. Compreender o papel de ac vidades prá cas, em par cular laboratoriais e
experimentais na construção de conhecimento em Química;
7. Representar adequadamente, u lizando simbologia química, e interpretar
representações de materiais, substâncias, espécies químicas que os integram e
suas transformações.

5.2.3 Biologia
Ao lidar com sistemas vivos, a Biologia é uma vasta área de conhecimento que afecta
de forma relevante o ambiente, a sociedade e a economia. Esta disciplina ocupa, assim,
um lugar de destaque nas disciplinas das Ciências Físico-Naturais e requer uma forte
ar culação com as outras ciências para a interpretação dos fenómenos biológicos.
Nesta perspec va, o estudo de conteúdos de Biologia deverá ser uma componente
importante na educação geral dos jovens morenses, e um requisito indispensável
à formação cien fica de nível secundário dos jovens que pretendam seguir estudos
superiores em áreas como, por exemplo, medicina, enfermagem, agronomia, formação
de professores.
Na disciplina de Biologia salientar-se-á a natureza dinâmica dos seres vivos, das suas
funções e das relações entre si e com o meio. Nesta disciplina aprofundar-se-ão conceitos
sobre a estrutura da biosfera e biodiversidade, abordar-se-ão as principais correntes
da evolução da vida e classificação dos seres vivos. Processos envolvendo produção e
transformação de matéria serão ainda explorados em vários sistemas biológicos. Os
princípios fundamentais sobre renovação celular e reprodução e ainda as bases de
gené ca e hereditariedade serão também abordados.
Finalmente, e sobretudo no 12º ano, explorar-se-ão temá cas como: (a) Fisiologia
Humana e Saúde, valorizando temas como a nutrição, reprodução, imunidade e controlo
de doenças, onde se explorarão exemplos da realidade morense (e.g. malária), e (b)
interacções entre Biologia/Biotecnologias e Sociedade (valorizando temas como produção
de alimentos, organismos gene camente modificados, preservação ambiental ou
aquecimento global).
As temá cas e abordagens seleccionadas nos três anos serão trabalhadas sempre que
possível numa estratégia Ciência-Tecnologia-Sociedade-Ambiente (CTSA) e, ao integrar
temas abrangentes como saúde, ambiente ou segurança, procurar-se-á promover a

42
concre zação das Metas de Desenvolvimento do Milénio.
As finalidades do programa de Biologia decorrem das definidas para o próprio Ensino
Secundário Geral e para o percurso das CFNM. Decorrem ainda dos avanços e do papel
dos conhecimentos em Biologia e em Biotecnologias no mundo actual.

Finalidades
Pretende-se que os alunos possam:
1. Desenvolver competências transversais e especificas em Biologia para
prosseguimento de estudos superiores em áreas das ciências da vida (e.g.,
biologia, medicina, enfermagem), contribuindo assim para o desenvolvimento
cien fico-tecnológico e económico do país;
2. Reconhecer impactos que avanços em biologia/biotecnologias têm a nível social,
económico e ambiental;
3. Consciencializar-se sobre algumas das principais problemá cas actuais em
Biologia, com dimensões cien ficas e tecnológicas;
4. Consciencializar-se sobre algumas das principais questões associadas a
comportamentos saudáveis e prevenção de doenças;
5. Compreender dimensões transversais de ciências em geral, e Biologia em
par cular (por exemplo, reconhecer ar culações de Biologia com Química,
Física ou Geologia);
6. Aprofundar e alargar conhecimentos específicos em Biologia (e.g., compreender
linguagem, princípios), reconhecendo ainda a forte natureza experimental desta
ciência;
7. Desenvolver pensamento crí co e capacidades de argumentação cien fica, em
Biologia e áreas afins.

5.2.4 Geologia
A Geologia, enquanto medicina da Terra, desempenha um papel duplo. Por um lado,
contribui para a formação do cidadão. Por outro, é relevante para a sustentabilidade
dos equilíbrios essenciais à manutenção da vida no Planeta. As temá cas que aborda
influenciam o bem-estar da pessoa humana, o desenvolvimento económico, o progresso
social e, ainda, a forma como esta interage com o ambiente.
Nesse sen do, pretende-se que a disciplina de Geologia contribua para que os alunos
desenvolvam capacidades, a tudes e valores de uma forma integrada e contextualizada,
com recurso a diferentes ambientes de aprendizagem, como a sala de aula ou o campo.
Será valorizado o trabalho prá co e coopera vo, bem como as interacções que a Geologia
estabelece com a tecnologia e as implicações que estas têm na qualidade de vida do ser
humano e do ambiente.

43
Valoriza-se a construção do conhecimento geológico e sua mobilização para a
compreensão e resolução de problemas locais e globais. Para isso, parte-se da situação
geográfica, geo sica e geopolí ca de Timor-Leste e da caracterização geológica das suas
paisagens. O conhecimento das rochas e das estruturas (ex.: dobras, falhas) que integram
as diferentes paisagens, dos minerais que cons tuem os diferentes pos de rochas e do
clima dominante na região, ajudarão os estudantes a compreender as caracterís cas
morfológicas do território morense.
Por outro lado, o conhecimento e compreensão da história geológica de Timor-Leste e sua
contextualização na dinâmica do Planeta Terra contribuirão para a reflexão sobre a questão
central da sustentabilidade. Abordam-se ainda os recursos minerais, par cularmente o
petróleo, desde as condições em que se formaram até ao modo como são explorados
e armazenados, sendo discu das as suas aplicações, impactes sociais, ambientais e na
saúde humana, bem como os aspectos económicos.

Finalidades
As finalidades do programa de Geologia decorrem de se pretender que os alunos
alarguem o seu espectro de conhecimentos, desenvolvam competências e elaborem uma
perspec va integrada do planeta Terra, visando o prosseguimento de estudos.
Pretende-se que os alunos possam:
1. Compreender conceitos, teorias e modelos que permitam construir uma visão
global do objecto de estudo da Geologia como, por exemplo, a sua originalidade
dentre os planetas do Sistema Solar;
2. Desenvolver a tudes de rigor, capacidade crí ca, pesquisa de informação,
abertura a novas ideias, mobilizando conhecimentos de Geologia como, por
exemplo, ao nível da exploração do património geológico;
3. Aplicar conhecimentos de Geologia nas respostas a situações do quo diano,
procurando resolver problemas como sucede no que respeita aos movimentos
de terras;
4. Compreender que a resolução de problemas reais exige a u lização de saberes de
Geologia e de outras áreas disciplinares, tal como acontece no armazenamento
de resíduos perigosos;
5. Compreender a importância dos aspectos sociais e tecnológicos na exploração
sustentada de recursos minerais, como sucede no petróleo;
6. Reconhecer a importância da dimensão é ca na u lização do conhecimento
geológico, rela vamente ao desenvolvimento sustentável.
7. Aplicar conhecimentos de Geologia na interpretação de catástrofes naturais.

44
5.2.5 MatemáƟca
A MatemáƟca é uma disciplina que tem contribuído significa vamente para o
desenvolvimento do conhecimento humano ao longo da história. Hoje, mais do que
nunca, está presente em todos os ramos da ciência e tecnologia, assim como em diversos
campos da arte e em muitas profissões e sectores da ac vidade do dia a dia. Por isso,
actualmente exige-se uma formação sólida em Matemá ca para todos os alunos, uma
formação que permita aos alunos compreender e u lizar a Matemá ca, ao longo do seu
percurso escolar, nas diferentes disciplinas em que ela é necessária, mas igualmente no
futuro depois da escolaridade, na profissão e na vida em sociedade. Pretende-se uma
formação que promova nos alunos uma relação posi va com a disciplina e fomente a
confiança nas suas capacidades pessoais.
A proposta curricular nesta área vai no sen do de garan r um razoável equilíbrio entre as
diversas áreas da MatemáƟca. Ao longo dos três anos, os alunos abordarão os seguintes
temas: Números e geometria, incluindo o cálculo vectorial e a trigonometria; funções
reais e análise infinitesimal e ainda matemá ca discreta.
A abordagem da Geometria inclui assuntos de geometria analí ca e vectorial e ainda
trigonometria com as competências de cálculo numérico a elas associado. Na abordagem
ao estudo das funções serão considerados os diferentes pontos de vista, gráfico, numérico
e algébrico, analisando diferentes pos de funções desde as algébricas inteiras passando
pelas fraccionárias e acabando nas exponenciais logarítmicas e trigonométricas. Será
realizada uma abordagem ao cálculo de variações e de limites, bem como a análise da
con nuidade e o estabelecimento do conceito de derivada. Na abordagem à Matemá ca
Discreta, consideramos os subtemas Esta s ca, Análise Combinatória e Probabilidades.
Pretende-se que o aluno ao longo do estudo dos diversos temas seja capaz de estabelecer
diferentes ligações entre eles.
Para além dos temas matemá cos, o programa assume a necessidade de se referiram três
capacidades transversais a toda a aprendizagem – o Raciocínio matemá co, a Comunicação
matemá ca e a Resolução de Problemas.
A incorporação da perspec va histórica dos conceitos matemá cos cons tui, no programa,
um eixo fundamental. A historicidade dos conceitos, par ndo de uma perspec va local
para uma perspec va global, assume especial importância para que os alunos possam
reflec r sobre os processos pelos quais estes conceitos foram elaborados, desenvolvidos
e difundidos. Esta deverá ser complementada por uma abordagem Etnomatemá ca,
envolvendo o reconhecimento de técnicas ou habilidades e prá cas u lizadas por dis ntos
grupos culturais na busca de explicar, de conhecer, de entender o mundo que os rodeia.
No programa considera-se, no 10º ano, um módulo inicial no qual se incluem conceitos
prévios considerados essenciais e estruturantes que deverão receber uma atenção
especial caso os alunos revelem deficiências ou dificuldades na formação de base.

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Ao longo do programa, serão várias as situações que tornam possível evidenciar a
presença da Matemá ca no quo diano dos alunos e no processo de desenvolvimento
da Humanidade. Não se trata apenas de os alunos saberem mais sobre o Mundo; eles
precisam de saber mais sobre a Matemá ca no Mundo.

Finalidades
Pretende-se que os alunos possam:
1. Compreender a relação entre o avanço cien fico e o progresso da Humanidade.
2. Aprofundar uma cultura cien fica e humanís ca que cons tua suporte para o
prosseguimento de estudos como para a inserção na vida ac va;
3. Contribuir para o desenvolvimento da existência de uma consciência crí ca e
interven va em áreas como o ambiente, a saúde e a economia entre outras
formando para uma cidadania ac va e par cipa va;
4. Desenvolver a capacidade de usar a Matemá ca como instrumento de
interpretação e intervenção no real;
5. Desenvolver as capacidades de formular e resolver problemas, de comunicar,
assim como a memória, o espírito crí co e a cria vidade;
6. Desenvolver a compreensão da Matemá ca como elemento da cultura humana,
incluindo aspectos da sua história;
7. Analisar situações da vida real iden ficando modelos matemá cos que
permitam a sua interpretação e resolução;
8. Interpretar fenómenos e resolver problemas recorrendo a funções e seus
gráficos por via intui va e analí ca;
9. Desenvolver a capacidade de formular hipóteses e prever resultados, assim
como validar conjecturas e fazer raciocínios demonstra vos usando métodos
adequados;
10. Desenvolver a tudes posi vas face à Matemá ca e a capacidade de apreciar
esta ciência.

46
5.3 Estrutura da componente específica “Ciências Sociais e Humanidades”
A área de Ciências Sociais e Humanidades está organizada, em cada ano lec vo, em cinco
disciplinas, conforme se ilustra no Quadro 3.

Quadro 3. Estrutura da Área de Ciências Sociais e Humanidades

10º ano 11º ano 12º ano


Disciplinas (tempos lec vos (tempos lec vos (tempos lec vos
/semana) /semana) /semana)

Geografia 3 3 4

História 3 3 4

Sociologia 3 3 3

Temas de Literatura e
3 3 3
Cultura

Economia e Métodos
4 4 4
QuanƟtaƟvos

Total 16 16 18

Apresenta-se, em seguida, uma descrição sumária de cada disciplina, bem como as suas
finalidades.

5.3.1 Geografia
Timor-Leste é um País com inúmeras potencialidades em termos de recursos naturais
e humanos que, usados de forma racional, podem contribuir para o desenvolvimento
equilibrado e harmonioso, em busca de um futuro sustentável. Não sendo a Educação
Geográfica, por si só, suficiente para a consecução desse futuro, reconhece-se que
desempenha um papel fundamental para que os cidadãos possuam saberes básicos,
capacidades de raciocínio, a tude cien fica e valores de respeito por si próprios, pelos
outros e pelo meio, bem como desenvolvam competências para problema zarem as
relações Sociedade/ Ambiente à escala local, nacional e global.
O enquadramento do território morense no contexto asiá co e mundial; a exploração
sustentada dos recursos naturais renováveis e não renováveis; os recursos humanos em
Timor-Leste (evolução da população, distribuição geográfica, sectores de ac vidade,
cenários futuros); os recursos culturais (os grupos culturais, as relações socioculturais
em diferentes espaços, por exemplo com os países da CPLP); os recursos económicos (as
ac vidades agrícolas, a pesca, as ac vidades industriais e empresariais; o comércio e os

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serviços, as ac vidades turís cas); o ordenamento do território e a gestão sustentável da
paisagem são algumas das temá cas do programa da disciplina.
Tendo por base os princípios da Declaração de Lucerna sobre a Educação Geográfica
para o Desenvolvimento Sustentável (2007), explicitam-se as finalidades da disciplina de
Geografia para o Ensino Secundário Geral.

Finalidades
1. Reconhecer a importância das mudanças de escala de análise na compreensão
do enquadramento geológico e geográfico do espaço;
2. Apropriar-se dos termos e conceitos da linguagem cien fica geográfica e u lizá-
los de forma correcta;
3. Explicar fenómenos de natureza geológica e geográfica, nas suas vertentes
sica e humana;
4. Compreender Timor-Leste nas dimensões sica, económica, social e cultural à
escala local, regional e global;
5. Reflec r sobre a importância dos recursos humanos como uma mais-valia para
a promoção do desenvolvimento económico, social e cultural;
6. Perspec var a correcta u lização dos recursos naturais como um meio de
promover o desenvolvimento sustentável;
7. Compreender que comportamentos racionais, social e colec vamente
assumidos, podem contribuir para atenuar fenómenos como a pobreza, a
delapidação dos recursos naturais e as alterações climá cas.
8. U lizar a dimensão do conhecimento geográfico para interpretar catástrofes
naturais.

5.3.2 História
No percurso forma vo proporcionado pela componente de Ciências Sociais e
Humanidades, a disciplina de História assume uma função crucial no reforço da iden dade
nacional, no desenvolvimento de uma cultura humanís ca e na promoção de a tudes de
cidadania.
Essa função forma va que, no currículo, cabe à História, assenta, por um lado, numa
concepção da educação histórica entendida como uma construção em que o aluno assume
um papel ac vo; e decorre, por outro, da especificidade dos processos metodológicos em
que se baseia o conhecimento histórico, bem como da abrangência de que este se reveste.
A interrogação e a crí ca das fontes, a comparação dos testemunhos, a pesquisa
permanente de dados históricos que fundamentem conclusões, processos próprios da

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história, suscitarão nos alunos o desenvolvimento de capacidades de descodificação
da complexidade do mundo contemporâneo. Em simultâneo, a compreensão dos
condicionalismos que contribuíram para a cons tuição de marcos fundamentais da
evolução das sociedades, em geral, e da sociedade morense, em par cular, contribuirá
para a apropriação da memória colec va, cimentando a coesão nacional e proporcionando
condições para uma intervenção fundamentada em contextos diversos. Acresce que
o estudo da mul plicidade civilizacional, e o conhecimento das interpretações e
representações de que o devir histórico tem sido alvo facultarão referências para a
construção de uma perspec va é ca que norteie o exercício da cidadania.
As concepções enunciadas jus ficam, no domínio dos conteúdos, a opção, no Ensino
Secundário Geral, por temas de história geral com história de Timor-Leste integrada,
relevando a história da Ásia-Pacífico e assegurando, no quadro geral das dinâmicas
mundiais, o estudo da especificidade da história de Timor-Leste. O facto de os alunos
terem já ob do, no 3º Ciclo, uma visão genérica da evolução das sociedades conduz
à opção por temas organizados numa linha cronológica descon nua, possibilitando
abordagens mais aprofundadas, em que se destacam contributos culturais e se enfa za a
história contemporânea.
Dos pressupostos acima referidos decorrem as finalidades que seguidamente se enunciam.

Finalidades
1. Aprofundar o conhecimento das fases essenciais da história de Timor-Leste,
em ar culação com outros espaços civilizacionais, consciencializando relações
passado-presente;
2. Compreender as interacções entre os diversos campos da História – económico,
social, polí co, ins tucional, cultural e de mentalidades – e entre a mul plicidade
de factores que condicionam a evolução das sociedades;
3. Desenvolver competências de pesquisa rela vamente ao passado, ques onando
as suas interpretações em função de novos contributos;
4. Desenvolver, no estudo de sociedades historicamente situadas, a sensibilidade
esté ca e um sistema de valores democrá cos aberto à diversidade cultural;
5. Desenvolver capacidades de reflexão e de juízo crí co, propiciadoras de
construção da autonomia pessoal e de respostas fundamentadas aos desafios
de Timor-Leste.

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5.3.3 Sociologia
A inclusão da Sociologia no currículo do Ensino Secundário Geral morense permite a
iniciação dos alunos a uma nova área do saber cien fico. Esta iniciação, ao mesmo tempo
que contribui para proporcionar aos alunos o contacto com as formas de pensar da
Sociologia, pretende, também, alargar este contacto a outras áreas das ciências sociais
que lhe estão próximas, em par cular a Antropologia. O po de conteúdos e ac vidades
propostos na Sociologia, e, em alguns temas do programa, na Antropologia, procura
es mular a curiosidade e a mo vação dos alunos para u lizarem o conhecimento criado
nestas disciplinas para a análise da sociedade e das realidades sociais e culturais específicas
de Timor-Leste.
Nos seus aspectos mais globais, a compreensão da sociedade passa pelo estudo das
relações complexas entre indivíduo e sociedade. É através deste estudo que se conhecem
melhor as normas e valores existentes em cada cultura e sociedade, bem como as suas
mudanças. No que respeita às realidades sociais mais par culares, esta compreensão,
passa, igualmente, pelo estudo das questões polí cas, económicas, educa vas/escolares
e de trabalho. A este nível, os alunos terão a oportunidade de tomar contacto com as
diversas perspec vas sobre o lugar do trabalho e da economia nas diferentes sociedades
e os dis ntos papéis do estado e dos sistemas polí cos na sua organização. A análise
dos sistemas educa vos também faz parte do estudo destas realidades, em par cular a
análise da relação entre educação, trabalho e desenvolvimento social e económico.
A apropriação de conhecimentos teóricos e metodológicos específicos da Sociologia e da
Antropologia representa, assim, uma oportunidade para melhor compreender as a tudes
e comportamentos que o ser humano manifesta na relação com os outros e com as
ins tuições sociais, culturais e polí cas. A este nível, trata-se de um contributo importante
para que os alunos se tornem mais conscientes e capazes de agir perante as realidades
sociais que os rodeiam.
Neste sen do, a iniciação ao pensamento sócio-antropológico surge, no currículo do
Ensino Secundário geral de Timor-Leste, como um meio importante de acesso dos alunos
a um conhecimento mais profundo sobre as especificidades da sociedade Timorense, no
quadro global das sociedades contemporâneas. O contacto com este conhecimento torna
os alunos mais aptos e capazes de olhar para a realidade social a par r do que observam
no quo diano e das suas próprias experiências de vida.
Espera-se, assim, não só facilitar o contacto dos alunos com os temas mais teóricos e
abstractos da Sociologia e da Antropologia, mas, simultaneamente, promover um estudo
e reflexão com aplicação na prá ca.
Em suma, a perspec va de que este programa parte é a de es mular, nos alunos, o
interesse, a curiosidade e o gosto de pensar e avaliar as realidades e os problemas das
suas comunidades e país de uma forma reflec da e crí ca.

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Finalidades
1. Situar a Sociologia nas ciências sociais e humanidades, explorando, de forma
par cular, a sua relação com a Antropologia;
2. Desenvolver pensamento sociológico crí co e reflexivo que sirva como suporte
ao prosseguimento de estudos e à inserção na vida ac va;
3. Mobilizar conhecimentos da Sociologia e da Antropologia para, numa perspec va
compara va, melhor compreender a sociedade Timorense e as suas formas de
organização e funcionamento;
4. Tomar conhecimento dos principais conceitos e metodologias u lizados na
sociologia e na antropologia;
5. Desenvolver a capacidade de aplicação, ao um nível de iniciação, das noções,
conceitos e metodologias da Sociologia e Antropologia em estudos sobre a
realidade morense;
6. Contribuir para a consciencialização e valorização da diversidade cultural e do
respeito pelo outro;
7. Desenvolver capacidades de reflexão e intervenção sobre os problemas sociais
morenses.

5.3.4 Temas de Literatura e Cultura


Organizado em torno de grandes núcleos temá cos relevantes (iden dade nacional;
mundo sustentável e paisagem natural; família e afectos; arte e literatura, entre outros), o
programa da disciplina Temas de Literatura e Cultura sustenta-se no estudo de diferentes
textos (literários e não literários). A selecção apresentada integra textos de diferentes
origens, geográficas e culturais, representa vos de dis ntas línguas, literaturas e culturas.
O universo lusófono será alvo de par cular atenção, promovendo o estudo comparado
com a realidade morense e os seus produtos culturais e literários.
Pertencendo a diferentes modos e géneros, o corpus seleccionado permi rá reconhecer
matrizes e pologias textuais e, para além de ser alvo de análise e reflexão metódicas,
suscitará reflexão e debate, desenvolvendo competências ao nível da expressão oral e
escrita dos alunos.
Em termos de conteúdos, privilegiar-se-á o estudo e a sistema zação das diferentes
pologias textuais (crónica, ensaio, …) e modos de expressão (descrição, narração, diálogo,
argumentação), procurando es mular a produção escrita dos alunos. No que respeita ao
conhecimento do universo literário, para além reflexão sobre as suas par cularidades
esté cas e comunica vas, serão estudados textos representa vos dos modos narra vo,
lírico e dramá co, consolidando e desenvolvendo os conhecimentos dos alunos com vista
ao reconhecimento das diferenças entre modalidades de discurso literário.

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A selecção de textos e autores, valorizando as épocas moderna e contemporânea (séculos
XX-XXI), não esquecerá o relevo das literaturas orais e tradicionais e suas relações com
a literatura “canónica” ou “erudita” no contexto morense, propondo ac vidades de
leitura, análise e interpretação de alguns dos géneros mais representa vos, a par r
de compilações de textos já publicadas. Em momentos pontuais, será incen vada a
ac vidade de recolha de alguns destes textos na comunidade envolvente, devidamente
orientada pelo professor, tendo em vista o conhecimento, a divulgação e a valorização do
património cultural oral. O programa centra-se no universo da lusofonia, privilegiando o
estudo da literatura morense, portuguesa, brasileira e literaturas africanas de expressão
portuguesa, mas incluirá pontualmente traduções de textos de outras literaturas,
procurando alargar as referências dos alunos e incen vando o estudo comparado das
produções literárias. As relações entre literatura e jornalismo, assim como entre literatura
e outras artes (música, cinema, pintura) permi rão igualmente caracterizar a relação
de diferença e/ou complementaridade que a criação literária estabelece com outras
modalidades de comunicação verbal e, mais latamente, ar s ca.
A literatura morense e alguns dos seus autores mais representa vos (Fernando Sylvan,
João Aparício, Luís Cardoso…) serão alvo de estudo sistemá co, permi ndo, num segundo
momento, abordar as representações de Timor-Leste (história, cultura e literatura)
presentes em outras literaturas, nomeadamente a portuguesa (exemplos: Sophia de
Mello Breyner; Ruy Cina ; …).
Enquanto representantes de dis ntas mundividências, autores e textos seleccionados
permi rão construir uma imagem mul facetada do universo literário e cultural
contemporâneo, incen vando a ponderação informada e crí ca de tópicos cruciais
como a iden dade cultural, inscrevendo-a entre o par cularismo e a globalização, mas
es mulando também a análise crí ca da realidade envolvente e dos meios tendentes à
sua transformação.

Finalidades
1. Desenvolver e aprofundar a capacidade de análise e de interpretação textuais;
2. Assumir o papel de ouvinte atento e de interlocutor coopera vo em situações
de comunicação, em função de graus diversos graus de formalidade e/ou de
intencionalidade;
3. Exprimir-se oralmente e por escrito, de forma confiante, coerente, autónoma
e cria va;
4. Revelar espírito crí co e sensibilidade esté ca e literária;
5. Descobrir e valorizar a mul plicidade de dimensões da experiência humana,
através do acesso ao património escrito, enquanto arquivo vivo da expressão
cultural, cien fica e tecnológica da Humanidade;

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6. Ar cular algumas dimensões da literatura: sócio-cultural, histórica e esté ca;
7. Iden ficar traços dis n vos de modos e géneros literários;
8. Reflec r cri camente acerca das potencialidades da literatura ao nível da
representação de uma determinada visão do mundo;
9. Caracterizar a dupla natureza do fenómeno literário, simultaneamente
reconhecendo os seus poderes de transformação social e a sua autonomia
enquanto obra de arte;
10. Iden ficar valores culturais, esté cos, é cos, polí cos e religiosos subjacentes
ao texto literário.

5.3.5 Economia e Métodos QuanƟtaƟvos


O estudo da Economia é hoje uma parte fundamental da formação geral e cien fica dos
cidadãos. Daí se considerar ser um domínio do conhecimento que, a este nível de estudos,
se pretende que ajude os alunos a construir uma compreensão da dimensão económica
da realidade social Timorense num contexto regional alargado e num enquadramento
de problemas à escala global. Para tal, é necessário que estes disponham de conceitos
matemá cos fundamentais como, por exemplo, modelação matemá ca e esta s ca,
ensinados e aprendidos em contextos próximos da sua aplicação. A decisão pela disciplina
de Economia e Métodos QuanƟtaƟvos cumpre este propósito ao integrar conceitos
matemá cos e conceitos de economia em contextos mais alargados. Considera-se,
portanto, que haverá vantagem, em termos informa vos e forma vos, que a aprendizagem
dos conceitos da área de Métodos Quan ta vos seja feita em contextos de natureza
socioeconómica e cultural onde os problemas de Economia são enunciados. Ou seja, os
alunos devem ser envolvidos na análise destas situações e aplicar, de forma integrada,
quer conceitos da disciplina de Economia, quer conceitos de Matemá ca, nomeadamente
de Métodos Quan ta vos.

Finalidades
1. Perspec var e compreender a Economia no conjunto das Ciências Sociais;
2. Desenvolver conceitos básicos da Ciência Económica e de Métodos Quan ta vos;
3. U lizar a Economia e Métodos Quan ta vos como instrumento de interpretação
e intervenção em situações reais;
4. Desenvolver a capacidade de formular, modelar e resolver problemas no âmbito
da Economia, possibilitando a compreensão de factos de natureza económica,
integrando-os num contexto social mais amplo;
5. Aprofundar capacidades de intervenção social baseadas na compreensão de
sistemas, métodos e processos de decisão, com especial ênfase na economia.

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6. Metodologias de Ensino
As metodologias de ensino que se preconizam para o desenvolvimento do Plano Curricular
deverão estar em consonância com as metas de aprendizagem e competências que se
pretende que os alunos alcancem. São três os factores mais determinantes das opções
quanto às metodologias de ensino e de aprendizagem: os recursos didác cos disponíveis,
a formação dos professores e as condições logís cas.
Sobre o primeiro aspecto, está previsto no Projecto global a preparação de Manuais
Escolares para os alunos e Guias Didác cos para os professores, para todas as disciplinas
do Plano Curricular e para todos os anos do ciclo de estudos. Nestes Guias se apresentarão
as propostas didác cas julgadas adequadas à especificidade da disciplina, ao nível de
estudos, bem como ao contexto social de alunos e professores. Ter-se-ão em conta as
orientações da inves gação em didác cas específicas e preocupações de as tornar claras
para os professores. No entanto, sabemos como limitações na formação de professores
condicionarão a interpretação que os mesmos farão das orientações didác cas. Prevê-
se, pois, a necessidade de dois pos de intervenção: a experimentação escalonada das
propostas didác cas e a formação de formadores de professores nas áreas cien ficas da
especialidade e didá co-pedagógica, bem como em Língua Portuguesa.
Em termos gerais de metodologias de ensino, e quer se tenha em vista o prosseguimento
de estudos ou o ingresso na vida ac va, preconiza-se:
• ensino centrado no aluno, num modelo de aprendizagem orientado para a acção;
• desenvolvimento de hábitos de estudo, individuais e colec vos, e a diversificação
e consolidação de competências de aprendizagem;
• valorização da aplicação prá ca dos conhecimentos, procurando relacionar
conteúdos e metodologias com os desafios da realidade envolvente;
• fortalecimento da auto-es ma e da autonomia, com o objec vo de es mular a
tomada de decisões e a par cipação ac va em todas as dimensões da vida em
comunidade;
• acesso gradual a tecnologias mul média;
• ensino atento à diversidade linguís ca, cultural, religiosa e social dos alunos,
fomentando um espírito de respeito, abertura e aceitação das diferenças, com
vista à criação de uma sociedade intercultural mul facetada justa e solidária.

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7. Condicionantes de aplicação da proposta
Para a concre zação do Plano Curricular, aqui sumariamente apresentado, seria
extremamente relevante garan r a existência de alguns pré-requisitos, a saber:
1. Ar culação profunda com a formação anterior do 3º Ciclo do Ensino Básico,
quer em termos de objec vos finais de Ciclo, áreas e disciplinas de formação,
bem como temas e aprendizagens específicas. Toma-se, pois, como condição
indispensável que os alunos des natários do novo Plano Curricular do Ensino
Secundário Geral tenham completado, com aproveitamento, o novo 3º Ciclo
do Ensino Básico. Os novos programas deverão ser introduzidos de forma
progressiva, devendo os alunos ter as bases para o seu acompanhamento.
2. Necessidade de ir envolvendo progressivamente os professores e estruturas do
Ministério da Educação na concepção do Plano Curricular, dos Programas de
disciplinas, dos Manuais Escolares e dos Guias Didác cos do Professor. Importa,
por isso, que os professores e o ME reconheçam a importância de reestruturar o
Ensino Secundário Geral com os professores e não apenas para os professores.
3. O novo Currículo não terá a repercussão esperada se não for acompanhado de
um processo paralelo de formação de professores, a nível da especialidade e
didá co-pedagógico,
4. A implementação do novo Plano Curricular exige, também, o estabelecimento
de uma rede de escolas com infra-estruturas sicas adequadas, equipamentos e
sistemas de comunicação (correio, telefone, Internet, pelo menos).
5. A Língua Portuguesa deve ter uma posição de grande centralidade no Ensino
Secundário Geral, enquanto disciplina e como língua de ensino. Será, pois,
necessário reforçar as competências dos professores neste domínio.
6. A experimentação das propostas curriculares deve ser faseada, recorrendo a
períodos de experimentação (temas e metodologias de ensino), acompanhados
por formadores de professores preparados para o efeito, de modo a compreender
ajustes a fazer e a iden ficar carências na formação de professores.
7. Conhecer as estruturas e formadores que dirigem programas de formação de
professores em Timor-Leste revela-se da maior importância para perspec var
uma adequada intervenção ao nível da formação de professores para o Ensino
Secundário Geral, nas áreas disciplinares consignadas no Plano Curricular.
8. Consciencializar que os baixos níveis de desempenho dos estudantes estão
frequentemente relacionados com a fraca qualidade das escolas (Relatório
UNESCO, 2010c, sobre a evolução dos objec vos de Dakar). Um dos mais
importantes requisitos para melhorias sustentadas na educação reside num
melhor ambiente de aprendizagem. Salas de aula mal ven ladas, tetos que
deixam entrar água, más condições sanitárias e falta de materiais são barreiras

55
significa vas para uma aprendizagem efec va em muitas escolas. A melhoria
urgente do parque escolar, dotando as escolas das condições mínimas exigíveis
para um ambiente escolar digno, é imprescindível para a promoção do sucesso
educa vo. O Governo tem como prioridade dotar as Escolas de melhores infra-
estruturas, atribuindo grande relevo à inclusão de laboratórios e bibliotecas
Do mesmo modo, será determinante a aposta na qualificação dos professores,
considerados o recurso mais decisivo para o sucesso dos sistemas educa vos, e
na disponibilização generalizada de recursos didác cos essenciais.

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ANEXOS
1. ConsƟtuição da Equipa Portuguesa
Coordenadora Geral – Isabel P. MarƟns (Professora Catedrá ca, Universidade de Aveiro)
Coordenador Adjunto – Ângelo Ferreira (Técnico Superior, Universidade de Aveiro)
Coordenadora de Português – Maria Helena Ançã (Professora Associada com Agregação,
Universidade de Aveiro)
Coordenadora de Inglês – Gillian Moreira (Professora Auxiliar, Universidade de Aveiro)
Coordenador de Cidadania e Desenvolvimento Social – Henrique Vicente (Psicólogo e
Inves gador, Universidade de Aveiro)
Coordenador de Tecnologias MulƟmédia – António Moreira (Professor Associado,
Universidade de Aveiro)
Coordenador de Física – Luís Cadillon Costa (Professor Associado com Agregação,
Universidade de Aveiro)
Coordenadora de Química – Maria Arminda Pedrosa (Professora Auxiliar, Universidade
de Coimbra)
Coordenadora de Biologia – Conceição Santos (Professora Associada com Agregação,
Universidade de Aveiro)
Coordenador de Geologia – Luís Marques (Professor Associado com Agregação aposentado,
Universidade de Aveiro)
Coordenadora de MatemáƟca – Teresa Neto (Professora Auxiliar, Universidade de Aveiro)
Coordenadora de Geografia – Celeste Coelho (Professora Catedrá ca, Universidade de
Aveiro)
Coordenador de História – Manuel Ferreira Rodrigues (Professor Auxiliar, Universidade
de Aveiro)
Coordenadora de Sociologia – Teresa Carvalho (Professora Auxiliar, Universidade de
Aveiro)
Coordenadora de Temas de Literatura e Cultura – Ana Margarida Ramos (Professora
Auxiliar, Universidade de Aveiro)
Coordenador de Economia e Métodos QuanƟtaƟvos – Carlos Pinho (Professor Auxiliar,
Universidade de Aveiro)
Co-Coordenadora de Economia e Métodos QuanƟtaƟvos – Teresa Neto (Professora
Auxiliar, Universidade de Aveiro)

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2. ConsƟtuição da Equipa Timorense
Coordenador de Tétum - Manuel Belo (Universidade Nacional de Timor-Leste)
Coordenador de Indonésio – Miguel Maia (Vice-Reitor, Universidade Nacional de Timor-
-Leste)
Coordenador de Religião e Moral – João Manuel Belo (Membro do Secretariado Nacional
do Ensino da Religião Católica nas Escolas, Conselho Nacional da Educação Católica em
Timor-Leste)
Coordenador de Educação Física e Desporto – Joaquim do Carmo Belo (Director do
Departamento de Educação Física, Universidade Nacional de Timor-Leste)

3. Documentação de referência

Legislação:
• Cons tuição da República Democrá ca de Timor-Leste
• Lei nº 14/2008, de 29 de Outubro – “Lei de Bases da Educação”
• Decreto-Lei nº 2/2008, de 16 de Janeiro – “Aprova a Lei Orgânica do Ministério da
Educação”
• Resolução do Governo nº 3/2007, de 21 de Março – “Aprova a Polí ca Nacional
de Educação 2007-2012”
• Resolução do Governo N.º 24/2009, de 18 de Novembro – “Polí ca Nacional da
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Nova Zelândia, The New Zeland Curriculum: h p://nzcurriculum.tki.org.nz/
Curriculum-documents/The-New-Zealand-Curriculum
Austrália, Australian Curriculum Assessment and Repor ng Authority: h p://www.
acara.edu.au/curriculum.html
Espanha: h p://www.boe.es/boe/dias/2006/05/04/pdfs/A17158-17207.pdf

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