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Marcus Vinicius Ginez da Silva

Advogado – OAB-PR.30.664
Email-marcuszenig21@hotmail.com
Londrina-Pr.

EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA 1ª VARA CÍVEL DA


COMARCA DE LONDRINA – ESTADO DO PARANÁ.

Autos n.º 0052829-36.2016.8.16.0014

CONDOMINIO VILA DAS CEREJEIRAS, já qualificado nos


autos em epígrafe de AÇÃO DE EXECUÇÃO DE TÍTULO EXTRAJUDICIAL em
face de HERIKA FERNANDA LEME CACHONE, igualmente qualificada,
vem, perante Vossa Excelência, expor e ao final requerer:

A tentativa de penhora de eventuais valores nome


da executada restou infrutífera (seq. 99)

Por sua vez, o Condomínio nada mais é do que a


união de partes exclusivas e partes que são comuns aos
condôminos, proporcionando mais de uma titularidade sobre um
mesmo bem, em igualdades de direitos a ser exercido erga omnes,
opondo, cada titular ao outro, o seu direito a ser exteriorizado
na capacidade ditada pela quota de direitos no todo.1

Logo, a manutenção e conservação da coisa comum


dependem da contribuição de que todos os condôminos estão

1ARGHIARIAN, Hércules. Curso de direito imobiliário – 8. ed. rev., ampl. e atual. – Rio de Janeiro: Editora Lumen Juris,
2009, p. 205
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obrigados a concorrer2, o que se mostra com uma contrapartida ao


direito ao gozo, no interesse em comunhão.3

Por esta razão, o dever de contribuir com as


despesas condominiais tem natureza de obrigação propter rem (em
razão da coisa) ou in rem scriptae (gravadas na coisa). Logo, o
imóvel gerador das contribuições é a garantia da própria dívida.

Conforme entendimento do eminente Ministro do


Superior Tribunal de Justiça Paulo de Tarso Sanseverino em seu
voto como relator do AgRg no Resp n.º 1.280.538-PR:

“Não há afastar o fato de que o imóvel é a garantia da solvabilidade das


dívidas condominiais, sem o que se estará comprometendo a
estabilidade/viabilidade do condomínio como um todo, ou seja, o
patrimônio dos demais condôminos

O processo de execução há de ser efetivo.”4

Assim, diante o caráter de subsistência da


contribuição condominial, a jurisprudência vem reconhecendo a
possibilidade de penhora do bem ainda que alienado
fiduciariamente por dívida oriunda de despesas condominiais:

AGRAVO DE INSTRUMENTO - EXECUÇÃO POR QUANTIA


CERTA - DESPESAS DE CONDOMÍNIO - DÍVIDA PROPTER
REM - IMÓVEL OBJETO DE ALIENAÇÃO FIDUCIÁRIA -
ADMISSIBILIDADE DA PENHORA DA UNIDADE QUE
ORIGINOU A DÍVIDA - DECISÃO REFORMADA -
PRECEDENTES - RECURSO CONHECIDO E PROVIDO. Agravo de
Instrumento n. 1.661.233-4 Diante do fato de que a dívida oriunda
do inadimplemento de cotas condominiais possui natureza jurídica
propter rem, em que o próprio imóvel responde pelo débito da
unidade condominial, cabível a penhora do imóvel, ainda que
objeto de alienação fiduciária. (TJPR - 9ª C. Cível - AI - 1661233-4 -
Campo Largo - Rel.: Domingos José Perfetto - Unânime - J.
20.07.2017)

2
Art. 1.336. São deveres do condômino: I - contribuir para as despesas do condomínio na proporção das suas frações ideais, salvo disposição
em contrário na convenção
3
FARIAS e ROSENVALD, Cristiano Chaves de e Nelson. Direitos reais – 7.ed. – Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2011.
4
AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE COBRANÇA DE COTAS CONDOMINIAIS.
ALEGAÇÕES QUE NÃO FAZEM ALTERADAS AS CONCLUSÕES ANTERIORMENTE EXPENDIDAS.
RESPONSABILIDADE DO ATUAL PROPRIETÁRIO E POSSUIDOR DO IMÓVEL. PENHORA DO IMÓVEL EM FACE
DA NATUREZA 'PROPTER REM' DA DÍVIDA. INEXISTÊNCIA DE INCLUSÃO DA COHAB NA FASE EXECUTIVA.
AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. (AgRg no REsp 1280538/PR, Rel. Ministro PAULO DE TARSO
SANSEVERINO, TERCEIRA TURMA, julgado em 22/04/2014, DJe 27/05/2014)
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EMENTA: ADMINISTRATIVO. CIVIL. AÇÃO DE COBRANÇA.


DESPESAS CONDOMINIAIS. OBRIGAÇÕES PROPTER
REM. DÍVIDA ORIUNDA DE DESPESAS CONDOMINIAIS.
ALIENAÇÃO FIDUCIÁRIA. PENHORA SOBRE O PRÓPRIO
BEM. CREDOR FIDUCIÁRIO. Por configurar obrigação propter
rem, a ação de cobrança pode ser ajuizada contra o novo proprietário,
mesmo por dívidas de condomínios anteriores à alienação. O credor
fiduciário, em alienação fiduciária, responde pelos encargos
condominiais incidentes sobre o imóvel, ostentando a condição jurídica
de condômino, tendo em vista a natureza propter rem das cotas
condominiais. O proprietário do imóvel responde pelos encargos
condominiais, ainda que sem a posse direta do bem, haja vista a
natureza propter rem das cotas condominiais. (TRF4, AC 0007914-
83.2016.404.9999, TERCEIRA TURMA, Relator RICARDO
TEIXEIRA DO VALLE PEREIRA, D.E. 05/08/2016)

Ementa: APELAÇÃO CÍVEL. CONDOMÍNIO. EMBARGOS DE


TERCEIRO EM AÇÃO DE COBRANÇA DE COTA
CONDOMINIAL. PENHORA SOBRE A INTEGRALIDADE DO
IMÓVEL, AINDA QUE GRAVADO EM ALIENAÇÃO
FIDUCIÁRIA. DÍVIDA PROPTER REM. APLICAÇÃO DA
SÚMULA 478 DO STJ. APELO PROVIDO. (TJRS, Apelação Cível
Nº 70067993956, Décima Sétima Câmara Cível, Tribunal de Justiça do
RS, Relator: Marta Borges Ortiz, Julgado em 30/06/2016)

EMENTA: ADMINISTRATIVO. AGRAVO REGIMENTAL. COTA


CONDOMINIAL. NATUREZA JURÍDICA PROPTER REM.
VÍNCULO A DIREITO REAL. O proprietário do imóvel responde
pelos encargos condominiais, ainda que não exerça a sua posse direta,
haja vista a natureza propter rem da dívida. Para a preservação da
regularidade registral, é indispensável a presença do titular do domínio
na ação, inclusive para fins de penhora e alienação judicial do imóvel.
(TRF4 5003426-24.2016.404.0000, QUARTA TURMA, Relatora
VIVIAN JOSETE PANTALEÃO CAMINHA, juntado aos autos em
14/06/2016)

Ementa: AGRAVO DE INSTRUMENTO. CONDOMÍNIO. AÇÃO


DE COBRANÇA DE COTAS CONDOMINIAIS. PENHORA DO
IMÓVEL. PREFERÊNCIA DO CRÉDITO CONDOMINIAL SOBRE
A ALIENAÇÃO FIDUCIÁRIA. A obrigação pelo pagamento das
cotas condominiais constitui-se obrigação propter rem, que
acompanha o imóvel em qualquer situação, preferindo ao credor
fiduciário, ainda que este tenha direito de preferência no saldo do
produto decorrente da alienação do bem. Inteligência da Súmula nº
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478 do STJ. AGRAVO DE INSTRUMENTO PROVIDO. (Agravo de


Instrumento Nº 70068586395, Décima Sétima Câmara Cível, Tribunal
de Justiça do RS, Relator: Gelson Rolim Stocker, Julgado em
31/03/2016)

AGRAVO DE INSTRUMENTO – Despesas condominiais –


Cumprimento de sentença - Penhora do próprio imóvel alienado
fiduciariamente - Possibilidade – Dívida 'propter rem' – Taxas
condominiais necessárias à conservação do imóvel – Decisão
reformada - Recurso provido. (TJSP; Agravo de Instrumento 2224023-
36.2016.8.26.0000; Relator (a): Luis Fernando Nishi; Órgão Julgador:
32ª Câmara de Direito Privado; Foro Regional I - Santana - 7ª Vara
Cível; Data do Julgamento: 16/03/2017; Data de Registro: 17/03/2017)

AGRAVO DE INSTRUMENTO. COBRANÇA DE DESPESAS


CONDOMINIAIS. EXECUÇÃO DE ACORDO DESCUMPRIDO.
INDEFERIMENTO DE PEDIDO DE PENHORA DE UNIDADE
CONDOMINIAL, OBJETO DE ALIENAÇÃO FIDUCIÁRIA.
NATUREZA PROPTER REM DA OBRIGAÇÃO.
PREVALÊNCIA DOS INTERESSES DA MASSA
CONDOMINIAL SOBRE OS DO AGENTE FINANCEIRO.
DESARRAZOADO OBRIGAR OS DEMAIS CONDÔMINOS A
ARCAR COM AS DESPESAS DE MANUTENÇÃO E
CONSERVAÇÃO DO BEM ALIENADO FIDUCIARIAMENTE
EM FAVOR DO CREDOR FIDUCIÁRIO. PENHORA
DETERMINADA. DECISÃO AGRAVADA REFORMADA. Agravo
de instrumento provido. (TJSP; Agravo de Instrumento 2224965-
05.2015.8.26.0000; Relator (a): Cristina Zucchi; Órgão Julgador: 34ª
Câmara de Direito Privado; Foro de Ferraz de Vasconcelos - 2ª. Vara
Judicial; Data do Julgamento: 25/11/2015; Data de Registro: 03/12/2015)

DECISÃO: Peticiona a Caixa Econômica Federal informando ter sido


intimada das datas dos leilões do imóvel objeto dos embargos de
terceiro, marcados para os dias 09/06/2015 e 23/06/2015. Teria
requerido junto ao Juízo da 3º Vara Cível de Esteio a suspensão do
certame até o trânsito em julgado dos embargos. Em face do
indeferimento do pedido, requer a concessão do efeito suspensivo ao
recurso de apelação interposto, de modo a que seja determinada a
suspensão dos leilões até que se decida a causa. É o breve relatório.
Decido. A Caixa Econômica Federal busca, em face do indeferimento
de pedido formulado juntou ao juízo estadual, a concessão da

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antecipação da tutela recursal ao recurso de apelação interposto em


embargos de terceiro que tramita na Justiça Federal. Não noticia a
respeito da interposição de agravo em face daquela decisão. Não se
encontra, nas razões de seu pedido, qualquer argumento capaz de
convencer a respeito da relevância de sua fundamentação. Limita-se a
alegar ser urgente sua pretensão. Nessa medida, não vejo, em cognição
sumária, razão apta a recomendar a suspensão da bem lançada sentença,
cujos fundamentos reproduzo parcialmente como razão de decidir
(Evento 41): A questão posta em litígio resume-se na possibilidade
ou não de se penhorar um bem gravado de alienação fiduciária,
quando for para garantir dívida do devedor fiduciário. Não
desconheço o entendimento dominante na jurisprudência quanto à
impossibilidade de restar constrito um bem fiduciariamente alienado.
Ou seja, não se pode penhorar bem dado em alienação fiduciária para
garantia e pagamento de débito pertencente ao devedor do
financiamento em que contida a cálusula de alienação. O que se pode
fazer, nesses casos, é penhorar os direitos do devedor, mas não o bem.
Nesse sentido inúmeros são os precedentes do TRF da 4ª Região.
Contudo, há que se considerar que algumas dívidas possuem uma
natureza especial e que, em face disso, devem ter um tratamento
especial. Penso ser o caso das dívidas oriundas das taxas
condominiais. Tais espécies de obrigação acompanham o imóvel.
Possuem natureza propter rem, pelo que devem ser suportadas pelo
proprietário, independentemente da forma de aquisição do bem.
Vide o seguinte precedente: AÇÃO SUMÁRIA DE COBRANÇA.
QUOTAS CONDOMINIAIS. LEGITIMIDADE ATIVA E PASSIVA.
OBRIGAÇÃO PROPTER REM. PARCELAS VENCIDAS E
VINCENDAS. CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA.
DOCUMENTOS INDISPENSÁVEIS À PROPOSITURA DA AÇÃO.
PRESUNÇÃO DE PAGAMENTO. MULTA MORATÓRIA.
CORREÇÃO MONETÁRIA. (...) 2. Esta Corte, na esteira do
entendimento majoritário do Superior Tribunal de Justiça, tem
reiteradamente se posicionado no sentido de que as taxas condominiais,
pela sua natureza propter rem, são dívidas pertencentes ao imóvel,
devendo ser suportadas pelo proprietário do bem, independentemente
de quem lhes tenha dado origem, afastada a responsabilidade solidária.
3. Mesmo que não tenha sido efetivada a transmissão do bem no Ofício
Imobiliário, sendo certa a cessão do crédito referente ao bem
adjudicado, cumpre à instituição adjudicante arcar com o pagamento
das despesas condominiais, inclusive daquelas anteriores à sua
propriedade integral. 4. É perfeitamente possível, em ação de cobrança
movida pelo condomínio, a exigência não só das quotas condominiais
já vencidas e inadimplidas, como também daquelas vincendas no curso

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da lide, sem que essa pretensão importe a vulneração do contraditório


ou da ampla defesa. 5. Os documentos coligidos aos autos,
especialmente a Convenção do condomínio e a memória de cálculo do
valor devido, comprovam suficientemente os valores que deveriam ter
sido adimplidos pela CEF enquanto proprietária de unidade
condominial no período reclamado. 6. Não se aplica às quotas
condominiais a presunção de pagamento estatuída no artigo 322 do
Código Civil. (...) (TRF4, AC 2004.70.03.005342-7, 3ª Turma, D.E. 28-
04-2010) Tal fundamento aplica-se ao caso presente. Ainda que a CEF
não tenha dado causa à inadimplência das taxas condominiais e que não
tenha feito parte na relação processual de cobrança, não se pode negar
que a dívida que ensejou a constrição ora impugnada é do próprio
imóvel, sendo ele a única forma de garantir o pagamento por parte do
devedor inadimplente. Colaciono trecho da decisão emanada pelo
eminente Ministro Paulo de Tarso Sanseverino, nos autos do Agravo
em Recurso Especial nº 68.524/SP: (...)2. Admissível a penhora de
imóvel financiado pelo Sistema Financeiro de Habitação para
pagamento de taxas condominiais. Precedentes. Quanto ao mais,
registre-se que o entendimento da origem encontra-se em consonância
com a jurisprudência desta Corte, no sentido de ser admissível a
penhora de imóvel financiado pelo Sistema Financeiro de Habitação
para pagamento de taxas condominiais. A propósito: COBRANÇA DE
QUOTAS CONDOMINIAIS. PENHORA INCIDENTE SOBRE
DIREITOS DE COMPROMISSO DE COMPRA E VENDA,
RELATIVO A IMÓVEL FINANCIADO PELO SFH. EMBARGOS
DE TERCEIRO QUE VISAM DESCONSTITUIR O ATO
CONSTRITIVO, SOB A ALEGAÇÃO DE INTERESSE SOCIAL.
IMPENHORABILIDADE AFASTADA. PREVALÊNCIA DO
DIREITO DO CONDOMÍNIO. OBRIGAÇÃO "PROPTER REM". SE
A SUPOSTA AFRONTA A DISPOSITIVO LEGAL OCORRER NO
JULGAMENTO DA APELAÇÃO, NECESSÁRIA A
INTERPOSIÇÃO DOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO, A FIM DE
QUE A MATÉRIA SEJA PREQUESTIONADA PELO TRIBUNAL
DE ORIGEM. (...) 3. Precedentes das duas Turmas que integram a
Segunda Seção deste Tribunal, admitem a penhora de imóvel
financiado pelo Sistema Financeiro de Habitação para pagamento de
taxas condominiais, não obstando o fato de ser considerado bem de
família, a teor do art. 3º, IV, da Lei nº 8.009/90. (...) Recurso não
conhecido. (REsp 187493/SP, Rel. Min. LUIS FELIPE SALOMÃO,
QUARTA TURMA, DJe 28/10/2008) PROCESSO CIVIL.
PENHORA. IMÓVEL FINANCIADO PELO SISTEMA
FINANCEIRO DA HABITAÇÃO. A jurisprudência firmada no âmbito
do Superior Tribunal de Justiça admite a penhora de imóvel financiado

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pelo Sistema Financeiro da Habitação para pagamento de quotas


condominiais. Recurso especial não conhecido. (REsp 161795/SP, Rel.
Min. ARI PARGENDLER, TERCEIRA TURMA, DJ 20/08/2001, p.
458) Execução. Penhora. Imóvel financiado. Bem de família. Taxas
condominiais. Precedentes da Corte. 1. A jurisprudência da Corte
admite a penhora de imóvel financiado pelo Sistema Financeiro de
Habitação para pagamento de taxas condominiais, não obstando o fato
de ser considerado bem de família, a teor do art. 3º, IV, da Lei nº
8.009/90. 2. Recurso especial não conhecido. (REsp 172866/SP, Rel.
Min. CARLOS ALBERTO MENEZES DIREITO, TERCEIRA
TURMA, DJ 02/10/2000, p. 162) (...) Assim, ainda que haja alienação
fiduciária, entendo que é possível a penhora sobre o bem dado nesta
espécie de garantia, desde que a dívida que dê azo à constrição,
tenha natureza propter rem, o que é o caso dos autos. Outrossim,
nada impede que, diante da baixa do processo originário, a CEF, na
condição de credora fiduciária, postule o cancelamento da penhora
junto ao Juízo de Direito. Ante o exposto, indefiro a antecipação da
tutela recursal. Intimem-se. (TRF4, AC 5008913-81.2013.404.7112,
TERCEIRA TURMA, Relatora MARGA INGE BARTH TESSLER,
juntado aos autos em 08/06/2015)

Ementa: AGRAVO DE INSTRUMENTO. CONDOMÍNIO.


COBRANÇA DE COTAS CONDOMINIAIS. CUMPRIMENTO DE
SENTENÇA. IMÓVEL ALIENADO FIDUCIARIAMENTE.
PENHORA. DÍVIDA PROPTER REM. POSSIBILIDADE.
DECISÃO AGRAVADA REFORMADA. Diante do fato de que a
dívida oriunda do inadimplemento de cotas condominiais possui
natureza jurídica propter rem, em que o próprio imóvel responde pelo
débito da unidade condominial, cabível a penhora do imóvel, ainda
que objeto de alienação fiduciária, até porque o crédito
condominial prefere ao crédito hipotecário. Inteligência da Súmula
nº 478 do Superior Tribunal de Justiça. AGRAVO PROVIDO, POR
DECISÃO MONOCRÁTICA. (Agravo de Instrumento Nº
70060264975, Décima Sétima Câmara Cível, Tribunal de Justiça do
RS, Relator: Liege Puricelli Pires, Julgado em 13/06/2014)

Destaque-se que o Superior Tribunal de Justiça em


decisão do Sr. Ministro Marco Aurélio Bellizze transitada em
julgado já se manifestou quanto a penhorabilidade da unidade
ainda que alienada fiduciariamente (Recurso Especial nº
1.571.672 – RS).

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Veja ainda Vossa Excelência que o próprio Código


Civil dispõe que a alienação fiduciária em garantia é equiparada
aos direitos reais de garantia:

Art. 1.367. A propriedade fiduciária em garantia de bens móveis ou


imóveis sujeita-se às disposições do Capítulo I do Título X do Livro III
da Parte Especial deste Código e, no que for específico, à legislação
especial pertinente, não se equiparando, para quaisquer efeitos, à
propriedade plena de que trata o art. 1.231. (Redação dada pela Lei nº
13.043, de 2014)

Ademais, o §1º, do art. 833, do NCPC nos traz que


a impenhorabilidade não é oponível à execução de relativa dívida
relativa ao próprio bem:

Art. 833.

§ 1o A impenhorabilidade não é oponível à execução de dívida


relativa ao próprio bem, inclusive àquela contraída para sua aquisição.

O dever de contribuir com as despesas condominiais


dada a sua importância configura-se em exceção à regra da
impenhorabilidade do bem de família:

Art. 3º A impenhorabilidade é oponível em qualquer processo de


execução civil, fiscal, previdenciária, trabalhista ou de outra natureza,
salvo se movido:

IV - para cobrança de impostos, predial ou territorial, taxas e


contribuições devidas em função do imóvel familiar;

Neste sentido, é a jurisprudência do Superior


Tribunal de Justiça:

RECURSO ESPECIAL. RESTRIÇÃO IMPOSTA NA CONVENÇÃO


CONDOMINIAL DE ACESSO À ÁREA COMUM DESTINADA AO
LAZER DO CONDÔMINO EM MORA E DE SEUS FAMILIARES.
ILICITUDE. RECONHECIMENTO. 1. DIREITO DO CONDÔMINO
DE ACESSO A TODAS AS PARTES COMUNS DO EDIFÍCIO,
INDEPENDENTE DE SUA DESTINAÇÃO. INERÊNCIA AO
INSTITUTO DO CONDOMÍNIO. 2. DESCUMPRIMENTO DO
DEVER DE CONTRIBUIÇÃO COM AS DESPESAS
CONDOMINIAIS. SANÇÕES PECUNIÁRIAS TAXATIVAMENTE
PREVISTAS NO CÓDIGO CIVIL. 3. IDÔNEOS E EFICAZES
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INSTRUMENTOS LEGAIS DE COERCIBILIDADE, DE GARANTIA


E DE COBRANÇA POSTOS À DISPOSIÇÃO DO CONDOMÍNIO.
OBSERVÂNCIA. NECESSIDADE. 4. MEDIDA RESTRITIVA QUE
TEM O ÚNICO E ESPÚRIO PROPÓSITO DE EXPOR
OSTENSIVAMENTE A CONDIÇÃO DE INADIMPLÊNCIA DO
CONDÔMINO E DE SEUS FAMILIARES PERANTE O MEIO
SOCIAL EM QUE RESIDEM. DESBORDAMENTO DOS DITAMES
DO PRINCÍPIO DA DIGNIDADE HUMANA. VERIFICAÇÃO. 5.
RECURSO ESPECIAL IMPROVIDO. [...] 3.1 A Lei n. 8.009/90 confere
ao condomínio uma importante garantia à satisfação dos débitos
condominiais: a própria unidade condominial pode ser objeto de
constrição judicial, não sendo dado ao condômino devedor deduzir,
como matéria de defesa, a impenhorabilidade do bem como sendo de
família. E, em reconhecimento à premência da satisfação do crédito
relativo às despesas condominiais, o Código de Processo Civil de 1973,
estabelecia o rito mais célere, o sumário, para a respectiva ação de
cobrança. Na sistemática do novo Código de Processo Civil, aliás, as
cotas condominiais passaram a ter natureza de título executivo
extrajudicial (art. 784, VIII), a viabilizar, por conseguinte, o manejo de
ação executiva, tornando a satisfação do débito, por meio da incursão no
patrimônio do devedor (possivelmente sobre a própria unidade
imobiliária) ainda mais célere. Portanto, diante de todos esses
instrumentos (de coercibilidade, de garantia e de cobrança) postos pelo
ordenamento jurídico, inexiste razão legítima para que o condomínio dele
se aparte. [...] 5. Recurso especial improvido. (REsp 1564030/MG, Rel.
Ministro MARCO AURÉLIO BELLIZZE, TERCEIRA TURMA,
julgado em 09/08/2016, DJe 19/08/2016)

PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL. AGRAVO DE


INSTRUMENTO. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. NÃO
CONFIGURAÇÃO. FUNDAMENTAÇÃO DEFICIENTE. SÚMULA
N. 284/STF. BEM DE FAMÍLIA. DESPESAS CONDOMINIAIS.
PENHORABILIDADE. POSSIBILIDADE. 1. Quando o Tribunal de
origem, ainda que sucintamente, pronuncia-se de forma clara e suficiente
sobre a questão posta nos autos, não há ofensa ao artigo 535 do CPC.
Ademais, o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os
argumentos trazidos pela parte. 2. Alegação genérica de ofensa a lei
federal é insuficiente para delimitar a controvérsia, sendo necessária a
especificação do dispositivo considerado violado, conforme disposto na
Súmula n. 284 do STF. 3. O entendimento firmado pelo Tribunal a
quo de que é permitida a penhora do bem de família para assegurar
pagamento de dívidas oriundas de despesas condominiais do próprio

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bem está em sintonia com a jurisprudência deste Superior Tribunal


de Justiça. Aplicação da Súmula 83 do STJ. 4. Agravo regimental
desprovido. (AgRg no Ag 1041751/DF, Rel. Ministro JOÃO OTÁVIO
DE NORONHA, QUARTA TURMA, julgado em 06/04/2010, DJe
19/04/2010)

AÇÃO DE COBRANÇA. COTAS DE CONDOMÍNIO.


LEGITIMIDADE PASSIVA. PROPRIETÁRIO DO IMÓVEL,
PROMISSÁRIO COMPRADOR OU POSSUIDOR.
PECULIARIDADES DO CASO CONCRETO. OBRIGAÇÃO
PROPTER REM. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL. AUSÊNCIA DE
SIMILITUDE FÁTICA. RECURSO NÃO CONHECIDO. 1. As cotas
condominiais, porque decorrentes da conservação da coisa, situam-se
como obrigações propter rem, ou seja, obrigações reais, que passam a
pesar sobre quem é o titular da coisa; se o direito real que a origina é
transmitido, as obrigações o seguem, de modo que nada obsta que se
volte a ação de cobrança dos encargos condominiais contra os
proprietários. 2. Em virtude das despesas condominiais incidentes
sobre o imóvel, pode vir ele a ser penhorado, ainda que gravado
como bem de família. 3. O dissídio jurisprudencial não restou
demonstrado, ante a ausência de similitude fática entre os acórdãos
confrontados. 4. Recurso especial não conhecido. (REsp 846.187/SP,
Rel. Ministro HÉLIO QUAGLIA BARBOSA, QUARTA TURMA,
julgado em 13/03/2007, DJ 09/04/2007, p. 255)

Por fim, em recente decisão o Superior Tribunal de


Justiça ressaltou a importância na natureza propter rem da
obrigação de contribuir com as despesas condominiais:

RECURSO ESPECIAL. PROCESSUAL CIVIL. APLICAÇÃO DO


CPC/73. AÇÃO DE COBRANÇA. CUMPRIMENTO DE
SENTENÇA. DESPESAS CONDOMINIAIS. NATUREZA
PROPTER REM. CONSTRIÇÃO. IMÓVEL GERADOR DA
DÍVIDA. POSSIBILIDADE. 1. Recurso especial interposto em
15/10/2015. Autos conclusos a esta Relatora em 02/09/2016.
Julgamento sob a égide do CPC/73. 2. A obrigação propter rem, em
razão de decorrer da titularidade de um direito real, ostenta os atributos
da sequela e da ambulatoriedade. 3. O débito condominial, de
natureza propter rem, é indispensável para a subsistência do
condomínio, cuja saúde financeira não pode ficar ao arbítrio de
mudanças na titularidade dominial. 4. A finalidade da obrigação
propter rem é garantir a conservação do bem ao qual ela é ínsita.
5. A obrigação de pagamento dos débitos condominiais alcança os

Rua Minas Gerais, 297 – 12º Andar – Ed. Palácio do Comércio – Fone – 43-3321-4002
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Marcus Vinicius Ginez da Silva
Advogado – OAB-PR.30.664
Email-marcuszenig21@hotmail.com
Londrina-Pr.

novos titulares do imóvel que não participaram da fase de conhecimento


da ação de cobrança, em razão da natureza propter rem da dívida. 6. Em
caso de alienação de objeto litigioso, a sentença proferida entre as partes
originárias, estende seus efeitos ao adquirente ou ao cessionário. 7.
Recurso especial conhecido e provido. (REsp 1653143/DF, Rel.
Ministra NANCY ANDRIGHI, TERCEIRA TURMA, julgado em
16/05/2017, DJe 22/05/2017)

O valor atualizado da dívida é de R$ 10.966,47 (dez


mil novecentos e sessenta e seis reais e quarenta e sete
centavos), conforme planilha em anexo.

Desse modo, requer-se digne a Vossa Excelência nos


termos do art. 845, §1º, do CPC, seja procedida a Penhora por
Termo nos Autos do apartamento 204, bloco 07, do Condomínio
Residencial Vila das Cerejeiras registrado na matrícula 85.455
do CRI 2º Ofício desta Comarca.

Concomitantemente, nos termos do art. 799, do CPC,


a INTIMAÇÃO, por Carta AR ou eletrônico, do Município de
Londrina, com sede administrativa na Avenida Duque de Caxias,
635, Centro Cívico, Londrina-PR, CEP: 86015-901, bem como do
Credor Fiduciário Caixa Econômica Federal - CEF, através do seu
Departamento Jurídico Regional, localizado na Avenida Ayrton
Senna da Silva, 500, 11º andar, Gleba Palhano, Londrina-PR,
86050-460, endereço eletrônico: rejurld@caixa.gov.br, para,
querendo, habilitem eventuais créditos sobre o mesmo bem.

Nestes termos,
Pede deferimento.

Londrina, 05 de janeiro de 2018.

MARCUS VINICIUS GINEZ DA SILVA YURI AUGUSTUS BARBOSA VARGAS


Advogado OAB-PR.30664 Advogado OAB-PR 61470

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