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EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA VARA DE

ACIDENTES DE TRABALHO DO FORO CENTRAL DA COMARCA DA REGIÃO


METROPOLITANA DE CURITIBA – ESTADO DO PARANÁ.

JOÃO NOVASKI NETO, brasileiro, casado, motorista, portador


da Carteira de Identidade CI/RG nº 12.345.029/SP, inscrito no CPF/MF sob nº
880.134.728-68 (doc. 01) e Carteira de Trabalho e Previdência Social sob nº 90940,
série 00496 (docs. 02/15), residente e domiciliado na Avenida Escócia nº 408,
Fazenda Rio Grande/PR, CEP: 83.820-000 (doc. 16), vem, respeitosamente, , por
meio da Promotoria de Defesa da Saúde do Trabalhador, nesta Capital, por sua
representante que esta subscreve, nos termos da Lei nº 8.213/91 e demais
dispositivos legais aplicados, propor a presente:

AÇÃO ACIDENTÁRIA COM PEDIDO DE TUTELA ANTECIPADA

sob forma de procedimento sumário contra o INSTITUTO


NACIONAL DO SEGURO SOCIAL – INSS, estabelecido à Rua João Negrão nº 21,
térreo, bairro Centro, nesta cidade de Curitiba, Paraná, investidos nos motivos de
fato e de direito a seguir aduzidos:

I. DA ASSISTÊNCIA JUDICIÁRIA
Na ação acidentária, não atua o Ministério Público como
substituto processual, como ocorre na ação indenizatória, e sim assiste
juridicamente o trabalhador que não possui recursos financeiros suficientes para
contratar um advogado, em consonância com o disposto na Lei nº 6.367/76.

II. DOS FATOS

O requerente foi admitido pela empresa TRANSGIRES


TRANSPORTES LTDA., em 26 de abril de 2008, para exercer a função de motorista
carreteiro, consoante anotações em sua Carteira de Trabalho e Previdência Social
(docs. 02/15).

A atividade realizada pelo requerente na aludida empresa


consistia em realizar viagens (frete), transportando cargas diversas, sendo que a
maioria das vezes viajava para a Argentina.

Na data de 22 de agosto de 2008, quando se dirigia à


Argentina, sofreu acidente de trabalho na aduana de Uruguaiana/RS. O acidente
ocorreu quando o trabalhador escorregou no gelo e caiu, fraturando o joelho
esquerdo.

Em decorrência do aludido infortúnio laboral, a empresa


empregadora emitiu a CAT – Comunicação de Acidente de Trabalho, no dia 10 de
novembro de 2008 (doc. 17).

Logo após o acidente, o trabalhador foi submetido à cirurgia


médica no Hospital Nossa Senhora do Rosário de Colombo (docs. 38/44) e na data
de 02 de dezembro de 2010 realizou, no Hospital Nossa Senhora do Rocio, nova
cirurgia no joelho (docs. 31/37).
Diante do ocorrido, bem como da impossibilidade do Sr. João
Novaski Neto exercer suas atividades profissionais, o mesmo foi afastado de seu
labor, passando a perceber o benefício auxílio-doença por acidente de trabalho
(B91) sob o nº 532.633.913-3, a partir de 15 de outubro de 2008, o qual foi
indevidamente cessado em data de 10 de outubro de 2011 (doc. 52).

Posteriormente, o Sr. João apresentou pedidos de prorrogação


de benefício e de reconsideração de decisão, realizando diversas perícias, nas quais
também foi considerado apto pela autarquia ré.

Desse modo, em 30 de outubro de 2012, o requerente solicitou,


via administrativa ao INSS, com o auxílio deste órgão ministerial, o restabelecimento
do benefício auxílio-doença por acidente de trabalho sob o nº 532.633.913-3 e/ou a
concessão do benefício aposentadoria por invalidez decorrente de acidente de
trabalho, tendo em vista os documentos médicos apresentados pelo trabalhador, os
quais atestam que o mesmo não possui condições de retorno a qualquer atividade
laborativa (doc. 53).

Em resposta, o ente autárquico indeferiu o restabelecimento do


benefício auxílio-doença por acidente de trabalho sob o fundamento de que não
existiam elementos que caracterizassem a incapacidade laboral, consoante Decisão
da 18ª Junta de Recursos, em anexo (docs. 54/55), em que pese o Sr. João não
possuir condições de retorno ao trabalho.

Contudo, constata-se pelos elementos de prova que


acompanham esta exordial, que o trabalhador está comprovadamente debilitado,
fazendo jus ao restabelecimento do benefício auxílio-doença por acidente de
trabalho por tempo indeterminado e/ou a concessão do benefício aposentadoria por
invalidez decorrente de acidente de trabalho.
III. DA PATOLOGIA E DO NEXO DE CAUSALIDADE

O acidente de trabalho sofrido pelo requerente resultou em


lesão no joelho esquerdo, sendo o mesmo diagnosticado com transtorno interno do
joelho, em decorrência de lesão no menisco, bem como gonartrose no mesmo joelho
(CID10 M17, M23, M23.3).

Em exames realizados, constata-se que o trabalhador


apresenta (docs. 45/51):

RESSONÂNCIA MAGNÉTICA DO JOELHO ESQUERDO


(...)
COMENTÁRIOS: os seguintes aspectos foram observados:
- Discreto edema nas partes moles mediais ao ligamentocolateral medial.
- Menisco medial parcialmente extruso, difusamente “edemaciado”, com
alteração grosseira de intensidade de sinal comunicando-se com as
superfícies articulares, inferindo rotura, notadamente ao nível do corpo e
do corno posterior.
(...)
- Pequena quantidade de líquido entre as fáscias musculares da região
poplítea.
- Pequena formação cística na região poplítea medial.
- Pequenas enostoses presumidas no côndilo femoral medial.
IMPRESSÃO DIAGNÓSTICA
- Derrame articular.
- Rotura do menisco medial.
- Estiramento/entorse grau I do ligamento colateral medial.

ECOGRAFIA DO JOELHO ESQUERDO:


(...)
Apresenta ruptura parcial do ligamento colateral medial.
(...)
Apresenta distensão da bolsa sinovial supra-patelar, com conteúdo
anecóico, compatível com bursite supra-patelar.
(...)
IMPRESSÃO DIAGNÓSTICA:
a) Apresenta ruptura parcial do ligamento colateral medial
b) Apresenta ruptura parcial do corno anterior do menisco medial
c) Bursite supra-patelar

RX JOELHO ESQUERDO – AP E Perfil


LAUDO
Lesões degenerativas com redução do espaço articular e osteofitose e
esclerose marginais.

Deste modo, estudos demonstram que o portador de


gonartrose sente fortes dores, além de rigidez, espasmos musculares e limitação de
movimento, necessitando de repouso para amenizar o quadro doloroso. Vejamos:

“A artrose do joelho pode surgir em consequência de trauma,


infecção, meniscectomia, lesão ligamentar ou qualquer outra
agressão articular, mas também pode surgir sem causa aparente. A
estrutura mecânica do ortostatismo e da marcha humana assenta na
posição vertical das tíbias. Na marcha, quando apenas um pé apoia no
solo e o outro avança (fase de apoio), o peso do corpo ficaria
medialmente ao eixo da tíbia apoiada, se não existissem importantes
mecanismos de recentragem da carga. Um desses mecanismos é
dinâmico e é obtido pela acção do músculo tensor da fáscia lata; o
outro é estático ou anatómico e deriva da inclinação para dentro das
diáfises femurais que assim colocam os joelhos e tíbias o mais próximo
possível do eixo das cargas geradas pelo peso do corpo (as tíbias são
verticais).Durante a marcha, o stress na cartilagem articular é muito
maior do que o considerado unicamente pelo peso do corpo. A
deformidade varizante pode facilmente sobrecarregar o compartimento
medial, levando à ruptura da cartilagem. A gonartrose começa
exactamente nas áreas de menor contacto entre as duas superfícies
articulares, que são os locais onde a nutrição da cartilagem hialina é
menor, pois depende do embebimento/esvaziamento (efeito de
esponja). A tendência degenerativa que conduz à artrose do
compartimento externo da tróclea fémuro-rotuliana será tanto maior
quanto maior for o ângulo em varo do joelho, porque menor a nutrição
das suas cartilagens. A gonartrose é caracterizada pela presença
de: dor, espasmos musculares, rigidez, limitação do movimento,
desgaste e fraqueza muscular, tumefação articular, deformidades,
crepitação e perda de função. Durante a inflamação ocorre calor,
rubor, tumefação e dor. A dor de um doente com artrose tem um ritmo,
ou seja, tem um modo de ser ao longo do dia. É uma dor mecânica,
pelo facto de se agravarem ao longo do dia (devido a esforços)
melhorando quando o doente repousa. A rigidez surge, sobretudo,
ao iniciar os movimentos sendo esta de curta duração. A limitação do
movimento pode surgir precocemente, ao contrário das deformações
que, em regra são tardias. Os músculos quadricípete e isquiotibiais,
sofrem hipotrofia podendo esta estar relacionada com o desuso, devido
ao quadro álgico, que provoca a limitação do movimento e da função. 1”
– grifos

Por fim, importante destacar que as lesões acima descritas


tiveram por origem o acidente de trabalho já narrado, estando o nexo de causalidade
amplamente comprovado, vez que a própria empresa empregadora emitiu a CAT –
Comunicação de Acidente de Trabalho (doc. 17).

1
Thompson , 1994, Apley, 1998 < http://www.gonartrose.com/>
IV. DO DIREITO AO RESTABELECIMENTO DO BENEFÍCIO
AUXÍLIO-DOENÇA POR ACIDENTE DE TRABALHO

Da análise dos documentos médicos apresentados pelo Sr.


João Novaski Neto, infere-se que o mesmo faz jus ao restabelecimento do benefício
auxílio-doença por acidente de trabalho (B91), conforme será demonstrado.

Conforme já dito anteriormente, no ano de 2008, o Sr. João


sofreu acidente de trabalho, quando escorregou no gelo e acabou fraturando o
joelho esquerdo. Após o ocorrido, o autor se submeteu à consulta médica com o Dr.
Mariano H. Lopes de Oliveira, no dia 13 de outubro de 2008, sendo diagnosticado
primeiramente com rotura de menisco interno de joelho esquerdo (CID: M23.3) (doc.
18), veja-se:

“Declaro para os devidos fins que o Sr. João Novaski encontra-se em


tratamento ortopédico por rotura do menisco interno do joelho esquerdo,
necessitando permanecer 90 (noventa) dias ausente de atividades
laborativas.” – grifo

Dando continuidade ao tratamento e em avaliação médica no


dia 21 de março de 2012, o Dr. Leandro Yuji P. Ribeiro declarou que o autor (doc.
22):

“Declaro p/ fins periciais que o senhor João Novaski Neto com patologia
em joelho E c/ CID10 = M17, ganoartrose, ainda sem idade para tto
cirúrgico de artrose joelho. Pcte não pode realizar esforço físico joelho.”

Referido diagnóstico foi ratificado pelo Médico Ortopedista e


Traumatologista, Dr. Cleber E. Suriano, em data de 08 de agosto de 2012 (doc. 23):
“Declaro que o paciente João Novaski está em tratamento ortopédico
devido a quadro de gonartrose (M17.9) grave.
Iniciado tratamento com condroprotetor + (...) + analgésicos.
Solicito avaliação do colega quanto ao benefício pois o mesmo trabalha
como caminhoneiro há 36 anos.” – grifo

Além de realizar tratamento médico e cirúrgico, o trabalhador


iniciou também tratamento fisioterápico. Contudo, não obteve resultado satisfatório
que o possibilitasse retornar para suas atividades laborais, consoante se vê nas
declarações emitidas pela fisioterapeuta (doc. 29), vejamos:

“Declaro para fins de perícia médica que o Sr. João Novaski Neto realiza
tratamento fisioterápico para reabilitação funcional do joelho E há 4 anos
e não apresenta resultados satisfatórios devido a processo degenerativo
da articulação; Esta disfunção compromete a deambulação do paciente e
sobrecarrega outras articulações, tornando o retorno laboral muito difícil,
devido ao seu trabalho de grande esforço braçal.” – grifos

Dessa forma, consoante farta documentação médica, verifica-


se que o trabalhador não possui condições mínimas de retorno ao trabalho, como
bem atestou o Dr. Thiago M. Nascimento, em data de 19 de março de 2013,
consoante se vê (doc. 24):

“Atesto que o Sr. João Novaski Neto, 55 anos portador do RG


12345029/SP, é portador de patologias CID 10: M.15.3 + S.80.0 + E.10.3.
Apresenta dor crônica em joelho esquerdo, onde realizou cirurgias de
correção de ruptura de menisco e ligamento colateral medial. Apresenta
alteração visual importante, em olho direito por descontrole de diabetes,
faz uso diário de insulina regular e NPH (3x/dia), encontra-se incapaz de
realizar atividade laboral.– grifos
Ainda, no dia 28 de agosto de 2013, o trabalhador se submeteu
a nova avaliação médica, ocasião em que o médico, Dr. Thiago M. Nascimento,
atestou (doc. 25):

“Atesto que o Sr. João Novaski Neto, 56 anos, portador RG: 12345029/SP,
é portador de patologia CID10: M15.3 + S80.0 + E10.3. Apresenta dor
crônica em joelho esquerdo, onde realizou cirurgias de correção de
ruptura de menisco e ligamento colateral medial. Devido sua profissão de
caminhoneiro, o mesmo encontra-se incapaz definitivamente para exercer
sua função laboral. (...)”

Assim, importante ressaltar que, desde a data do acidente,


mesmo se submetendo ao devido tratamento médico e fisioterápico, o trabalhador
não vem apresentando melhora significativa em seu quadro clínico.

Portanto, em análise aos documentos acima mencionados,


constata-se que o trabalhador encontra-se incapacitado para o exercício de
quaisquer atividades laborativas, devendo permanecer afastado de suas funções por
tempo indeterminado, a fim de dar continuidade ao tratamento médico.

Destarte, é imperioso o restabelecimento do benefício auxílio-


doença por acidente de trabalho (B91), sob nº 532.633.913-3, a partir de sua
indevida cessação, a qual ocorreu em data de 10 de outubro de 2011, em subsunção
ao artigo 59, da Lei nº 8.213/91, in verbis:

Art. 59. O auxílio-doença será devido ao segurado que, havendo


cumprido, quando for o caso, o período de carência exigido nesta Lei,
ficar incapacitado para o seu trabalho ou para a sua atividade habitual por
mais de 15 (quinze) dias consecutivos.
Parágrafo único. Não será devido auxílio-doença ao segurado que se filiar
ao Regime Geral de Previdência Social já portador da doença ou da lesão
invocada como causa para o benefício, salvo quando a incapacidade
sobrevier por motivo de progressão ou agravamento dessa doença ou
lesão.

Eis, pois, o entendimento pacífico do Egrégio Tribunal de


Justiça do Estado do Paraná:

APELAÇÃO CÍVEL - AÇÃO ACIDENTÁRIA - PEDIDO INICIAL JULGADO


PROCEDENTE - INSURGÊNCIA - QUALIDADE DE SEGURADO
INCONTROVERSA - NEXO DE CAUSALIDADE COMPROVADO -
INCAPACIDADE PARA O EXERCÍCIO DE TRABALHO PESADO -
POSSIBILIDADE DE REABILITAÇÃO PARA O EXERCÍCIO DE
TRABALHO LEVE - AUXÍLIO-DOENÇA - TERMO INICIAL - DATA DA
INDEVIDA CESSAÇÃO ADMINISTRATIVA - ABATIMENTO DAS
PARCELAS RECEBIDAS - REEXAME NECESSÁRIO. JUROS
MORATÓRIO DE 1% E CORREÇÃO MONETÁRIA PELO INPC/IBGE.
INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 1°-F DA LEI 9.494/97 COM REDAÇÃO
DADA PELA LEI 11.960/2009 DIANTE DO JULGAMENTO DA ADI 4425
(INCONSTITUCIONALIDADE POR ARRASTAMENTO).RECURSO
CONHECIDO E PARCIALMENTE PROVIDO.SENTENÇA
PONTUALMENTE REFORMADA EM SEDE DE REEXAME
NECESSÁRIO. (TJPR - 6ª C.Cível - AC - 1035295-9 - Bandeirantes -
Rel.: Ana Lúcia Lourenço - Unânime - - J. 27.08.2013) – grifos

PEDIDO DE PRORROGAÇÃO DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO -


ANTECIPAÇÃO DE TUTELA - RESTABELECIMENTO DE AUXÍLIO-
DOENÇA - REQUISITOS LEGAIS - PRESENÇA - DEFERIMENTO DA
MEDIDA - NECESSIDADE - POSSÍVEL IRREVERSIBILIDADE -
PREVALÊNCIA DO PRINCÍPIO DO MAL MAIOR - RECURSO
CONHECIDO E PROVIDO. (TJPR - 6ª C.Cível - AI 963240-2 - Matinhos -
Rel.: Carlos Eduardo A. Espínola - Unânime - J. 30.04.2013) – grifo
REEXAME NECESSÁRIO. PREVIDENCIÁRIO.RESTABELECIMENTO
DE AUXÍLIO-DOENÇA ACIDENTÁRIO. INCAPACIDADE PARCIAL E
TEMPORÁRIA PARA O DESEMPENHO DAS ATIVIDADES HABITUAIS.
PREENCHIMENTO DOS REQUISITOS NECESSÁRIOS À SUA
CONCESSÃO. ART.59, DA LEI N. 8.213/91. INCIDÊNCIA DO ART. 1º-F
DA LEI Nº 9.494/97. DISPOSITIVO APLICÁVEL A TODAS AS AÇÕES EM
CURSO. POSICIONAMENTO RECENTE DO STJ, ADOTADO NO RESP
Nº 1.205.946, JULGADO COM BASE NA LEI DOS RECURSOS
REPETITIVOS.SENTENÇA PARCIALMENTE MODIFICADA EM SEDE
DE REEXAME NECESSÁRIO. (TJPR - 6ª C.Cível - RN 930711-5 -
Maringá - Rel.: Sérgio Arenhart - Unânime - J. 23.04.2013) – grifo

APELAÇÃO CÍVEL - AÇÃO PREVIDENCIÁRIA - REEXAME


NECESSÁRIO CONHECIDO DE OFÍCIO - SÚMULA Nº 490 DO
SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA - PRESCRIÇÃO QUINQUENAL
PREJUDICADA - INCAPACIDADE TOTAL E TEMPORÁRIA PARA O
TRABALHO - LAUDO PERICIAL VÁLIDO - RESTABELECIMENTO DO
AUXÍLIO DOENÇA DEVIDO - PRESENTES OS CRITÉRIOS LEGAIS
PARA SUA CONCESSÃO - RECURSO CONHECIDO E PARCIALMENTE
PROVIDO - REEXAME NECESSÁRIO CONHECIDO DE OFÍCIO -
REFORMA PARCIAL DA SENTENÇA. (TJPR - 6ª C.Cível - ACR 899861-2
- Londrina - Rel.: Prestes Mattar - Unânime - J. 05.03.2013) – grifos

APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO ORDINÁRIA DE CONCESSÃO DE


BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. INSS. REQUISITOS PARA A
CONCESSÃO DO AUXÍLIO- DOENÇA ACIDENTÁRIO. APELADA
TEMPORARIAMENTE INCAPACITADA PARA ATIVIDADE LABORATIVA.
NECESSIDADE DE REABILITAÇÃO PROFISSIONAL. TERMO INICIAL
DO BENEFÍCIO. DATA DA INDEVIDA CESSAÇÃO DO AUXÍLIO-
DOENÇA. APLICAÇÃO DA LEI N.11.960/2009. PEDIDO NÃO
CONHECIDO. ASSIM JÁ DETERMINADO PELA SENTENÇA A QUO.
RECURSO DE APELAÇÃO CONHECIDO EM PARTE E, NA PARTE
CONHECIDA, NÃO PROVIDO. (TJPR - 7ª C.Cível - AC 979626-9 -
Francisco Beltrão - Rel.: Victor Martim Batschke - Unânime - J.
26.02.2013) – grifos

AGRAVO DE INSTRUMENTO - ANTECIPAÇÃO DOS EFEITOS DA


TUTELA - PREVIDENCIÁRIO - RESTABELECIMENTO DO BENEFÍCIO
AUXÍLIO DOENÇA - PRESENÇA DOS REQUISITOS LEGAIS - RISCO
DE DANO IRREPARÁVEL OU DE DIFÍCIL REPARAÇÃO
CONSUBSTANCIADO NA NATUREZA DA VERBA PLEITEADA -
VEROSSIMILHANÇA DAS ALEGAÇÕES FUNDADA EM ATESTADOS
MÉDICOS E ULTRA-SONOGRAFIAS JUNTADAS PELA PARTE
AGRAVANTE QUE DEMONSTRAM A PLAUSIBILIDADE DO SEU
DIREITO - DOCUMENTAÇÃO SUFICIENTE PARA FUNDAMENTAR A
LIMINAR - VERBA ALIMENTAR - DECISÃO REFORMADA - RECURSO
PROVIDO. A concessão da tutela antecipada, por se tratar de medida
satisfativa que pode ser concedida antes da instrução, tem o seu
deferimento condicionado a certas precauções de ordem probatória. Não
bastando a simples aparência de direito das medidas cautelares, a lei
exige (CPC, art. 273, I e II) que para a concessão de antecipação da
tutela haja fundada prova inequívoca, expressão que, segundo Arruda
Alvim, `significa, apenas, que o juiz, para conceder a tutela, deverá estar
firmemente convencido da verossimilhança da situação jurídica
apresentada pelo autor, e, bem assim, convencido da juridicidade da
solução pleiteada' (Manual de direito processual civil, volume 2: processo
de conhecimento / Arruda Alvim - 10. Ed. Ver., atual. E ampl. - São Paulo :
Editora Revista dos Tribunais, 2006, p. 392). (TJPR - 6ª C.Cível - AI
873232-1 - Foro Regional de Campo Largo da Comarca da Região
Metropolitana de Curitiba - Rel.: Prestes Mattar - Unânime - J.
07.08.2012) – grifos
Destarte, tendo em vista a existência de lesões que
incapacitam o ora requerente de exercer suas atividades laborativas, o mesmo faz
jus ao restabelecimento do benefício auxílio-doença por acidente de trabalho até que
o mesmo esteja totalmente apto a retornar as suas atividades laborativas.

V. DA CONCESSÃO DA APOSENTADORIA POR INVALIDEZ


DECORRENTE DE ACIDENTE DE TRABALHO

Consoante já mencionado, o trabalhador sofreu acidente de


trabalho, apresentando, atualmente, sequelas irreversíveis, as quais estão
consolidadas e o impedem de exercer qualquer atividade laborativa. Desse modo,
faz jus a concessão do benefício aposentadoria por invalidez decorrente de acidente
de trabalho, conforme será demonstrado.

O médico, Dr. Thiago M. Nascimento, em atestado datado de


28 de agosto de 2013, declarou a incapacidade total do trabalhador em realizar
qualquer atividade laborativa, tendo em vista as sequelas apresentadas em virtude
do acidente de trabalho ocorrido no ano de 2008, as quais associadas a outras
doenças o impedem de retornar ao mercado de trabalho. Vejamos (doc. 25):

“Atesto que o Sr. João Novaski Neto, 56 anos, portador RG: 12345029/SP,
é portador de patologia CID10: M15.3 + S80.0 + E10.3. Apresenta dor
crônica em joelho esquerdo, onde realizou cirurgias de correção de
ruptura de menisco e ligamento colateral medial. Devido sua profissão de
caminhoneiro, o mesmo encontra-se incapaz definitivamente para exercer
sua função laboral. Sugiro aposentadoria devido essa incapacidade.” –
grifo

Ademais, além das sequelas decorrentes do acidente de


trabalho, as quais o impedem de exercer qualquer atividade laborativa, o Sr. João
apresenta quadro clínico de diabetes, consoante se infere do atestado emitido pelo
Dr. Thiago Manoel Nascimento, em data de 19 de março de 2013, que ressaltou que
o trabalhador está definitivo e totalmente incapaz para executar qualquer atividade
laborativa (doc. 24):

“Atesto que o Sr. João Novaski Neto, 55 anos, portador do RG: 123.450-
29/SP, é portador de patologias CID 10: M.15.3 + S.80.0 + E.10.3.
Apresenta alteração visual importante, em olho direito por descontrole de
diabetes, faz uso diário de insulina regular e NPH (3x/ dia), encontra-se
incapaz de realizar atividade laboral.” - grifos

Da mesma forma, o médico endocrinologista, Dr. André G.


Daher Vianna, ressaltou, em atestado emitido em data de 29 de agosto de 2013, que
o trabalhador apresenta (doc. 26):

“Ao Ministério Público – PR


O paciente João Novaski Neto é portador de diabetes tipo 2, com
múltiplas complicações (CID E11.7), destacando-se a insuficiência renal e
a retinopatia com comprometimento parcial da visão.
As lesões são definitivas e causadas pelo diabetes e são consideradas
irreversíveis.
Vem tratando com múltiplas doses de insulina, com difícil controle da
doença.”

Cabe destacar que a atividade habitualmente exercida pelo


trabalhador exige grande esforço físico, tanto de membros superiores quanto
inferiores, além de concentração e total acuidade visual, ou seja, plena saúde física.
Porém, observa-se que o trabalhador, ante as lesões graves em seu joelho esquerdo
decorrentes do acidente de trabalho, bem como as complicações oriundas de seu
quadro de diabetes, não apresenta condições de saúde que permitam exercer
atividade profissional. Essas lesões associadas impedem o trabalhador de retornar
ao mercado de trabalho, em qualquer função, principalmente como motorista, pois
além de colocar em risco sua vida pode prejudicar fatalmente terceiros.

Destarte, é cristalina a incapacidade laborativa apresentada


pelo assistido, vez que o mesmo não possui as mínimas condições de retornar ao
exercício de quaisquer atividades laborativas, em razão das lesões apresentadas em
decorrência do acidente de trabalho.

Ademais, destaca-se que o trabalhador está afastado de suas


atividades habituais desde o ano de 2008, em decorrência do acidente de trabalho
sofrido, não apresentando qualquer melhora significativa com os tratamentos já
realizados, sem possibilidade de exercer qualquer função laborativa.

Entretanto, não obstante a incapacidade laborativa


apresentada pelo trabalhador, circunstância esta amplamente comprovada por meio
dos documentos ora anexados, a Sr. João não vem percebendo qualquer benefício
acidentário.

Sendo assim, verifica-se que o trabalhador faz jus ao benefício


aposentadoria por invalidez decorrente de acidente de trabalho, uma vez que se
encontra impossibilitado para exercer atividades laborais que lhe garantam o
sustento, o qual é devido desde a data de cessação do benefício auxílio-doença por
acidente de trabalho. Neste sentido é o artigo 42, da Lei nº 8.213/91:

Art. 42. A aposentadoria por invalidez, uma vez cumprida, quando for o
caso, a carência exigida, será devida ao segurado que, estando ou não
em gozo de auxílio-doença, for considerado incapaz e insusceptível de
reabilitação para o exercício de atividade que lhe garanta a subsistência, e
ser-lhe-á paga enquanto permanecer nesta condição. – grifos.

Nessa seara, é o entendimento do Tribunal de Justiça do


Estado do Paraná:
APELAÇÃO CÍVEL E REEXAME NECESSÁRIO. AÇÃO ACIDENTÁRIA.
RESTABELECIMENTO DE AUXÍLIO- DOENÇA E CONVERSÃO EM
APOSENTADORIA POR INVALIDEZ. PRESENÇA DOS REQUISITOS PARA
A CONCESSÃO DA APOSENTADORIA POR INVALIDEZ. DEMONSTRAÇÃO
DE QUE O APELADO NÃO POSSUI MAIS CONDIÇÕES DE REALIZAR AS
ATIVIDADES PROFISSIONAIS EXERCIDAS ANTERIORMENTE AO
ACIDENTE. PROVA TÉCNICA QUE ATESTA DA IMPOSSIBILIDADE DO
EXERCÍCIO DE ATIVIDADES HABITUAIS DE FORMA PERMANENTE.
INVIÁVEL A REABILITAÇÃO. ÍNDICES DE JUROS E CORREÇÃO
MONETÁRIA. MODIFICAÇÃO EX OFFICIO - DECLARAÇÃO DE
INCONSTITUCIONALIDADE, POR ARRASTAMENTO, DO ART. 1°-F DA LEI
N° 9.494/97 PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. JULGAMENTO DA ADI
N° 4425 - EFEITO EX TUNC DA DECISÃO DA SUPREMA CORTE.
APLICABILIDADE IMEDIATA E ERGA OMNES. APELAÇÃO CONHECIDA E
DESPROVIDA. NO RESTANTE, MANUTENÇÃO DA SENTENÇA EM
REEXAME NECESSÁRIO. (TJPR - 6ª C.Cível - ACR - 1026300-6 - Formosa
do Oeste - Rel.: Carlos Eduardo A. Espínola - Unânime - - J. 03.09.2013) –
grifo

APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO ACIDENTÁRIA. PLEITO DE AUXÍLIO-DOENÇA E


CONVERSÃO EM APOSENTADORIA POR INVALIDEZ. LAUDO PERICIAL.
LESÃO QUE NÃO REDUZ A CAPACIDADE LABORATIVA.
SENTENÇA.IMPROCEDÊNCIA. APELAÇÃO. REITERAÇÃO DO PEDIDO DE
CONCESSÃO DOS BENEFÍCIOS. SEGURADO ESPECIAL.ACOLHIMENTO.
CONCESSÃO DO AUXÍLIO-DOENÇA E DA APOSENTADORIA POR
INVALIDEZ. CONJUNTO PROBATÓRIO APTO A EVIDENCIAR A
INCAPACIDADE TOTAL PARA A GARANTIA DA
SUBSISTÊNCIA.IMPOSSIBILIDADE DE RECUPERAÇÃO ATRAVÉS DO
USO MEDICAMENTOS E DE REABILITAÇÃO. BAIXO GRAU DE
ESCOLARIDADE, CONTÍNUO EXERCÍCIO DE ATIVIDADES BRAÇAIS NA
PESCA, FALTA DE QUALIFICAÇÃO PROFISSIONAL E IDADE AVANÇADA.
APLICAÇÃO DO ARTIGO 1º-F DA LEI 9.494/97, COM A REDAÇÃO DADA
PELO ARTIGO 5º, DA LEI Nº 11.960/09. INVERSÃO DO ÔNUS DE
SUCUMBÊNCIA. SENTENÇA REFORMADA.RECURSO CONHECIDO E
PROVIDO. (TJPR - 6ª C.Cível - AC 910911-9 - Telêmaco Borba - Rel.: João
Antônio De Marchi - Unânime - J. 07.05.2013) – grifos

AÇÃO ACIDENTÁRIA. CONVERSÃO DE AUXÍLIO-DOENÇA EM


APOSENTADORIA POR INVALIDEZ. PEDIDO INICIAL JULGADO
PROCEDENTE. QUALIDADE DE SEGURADO INCONTROVERSA. NEXO
DE CAUSALIDADE DEMONSTRADO. LAUDO PERICIAL QUE ATESTA A
POSSIBILIDADE DE REABILITAÇÃO. PRINCÍPIO DO IN DUBIO PRO
MISERO. ANÁLISE DAS CIRCUNSTÂNCIAS PESSOAIS. DEVIDA A
CONCESSÃO DO BENEFÍCPIO DE APOSENTADORIA POR INVALIDEZ
(ART. 42, DA LEI 8213/91). VERBA HONORÁRIA REDUZIDA. RECURSO
CONHECIDO E PARCIALMENTE PROVIDO. NO MAIS, SENTENÇA
MANTIDA EM SEDE DE REEXAME NECESSÁRIO, CONHECIDO DE
OFÍCIO. (TJPR - 6ª C.Cível - AC 994825-8 - Foro Central da Comarca da
Região Metropolitana de Curitiba - Rel.: Ana Lúcia Lourenço - Unânime - J.
19.03.2013) – grifos

APELAÇÃO CÍVEL - REEXAME NECESSÁRIO - SENTENÇA ILÍQUIDA -


RECENTE ENTENDIMENTO DO STJ - CONHECIMENTO - AÇÃO
ACIDENTÁRIA - CONCESSÃO, NA SENTENÇA, DE APOSENTADORIA POR
INVALIDEZ - AUTORA QUE FAZ JUS AO RECEBIMENTO DO BENEFÍCIO -
REQUISITOS PREENCHIDOS - PROVA TÉCNICA QUE ATESTA DA
IMPOSSIBILIDADE DO EXERCÍCIO DE ATIVIDADES HABITUAIS DE
FORMA PERMANENTE - INVIÁVEL A REABILITAÇÃO - TRABALHADORA
ANALFABETA E SEM QUALIFICAÇÃO PROFISSIONAL - TERMO INICIAL -
DATA DA CESSAÇÃO DO AUXÍLIO- ACIDENTE - JUROS DE MORA E
CORREÇÃO MONETÁRIA - APLICAÇÃO DO 1º-F DA LEI Nº 9.494/97 EM
SEDE DE REEXAME NECESSÁRIO - RECURSO DE APELAÇÃO
DESPROVIDO. (TJPR - 6ª C.Cível - AC 925707-8 - Campo Mourão - Rel.:
Prestes Mattar - Unânime - J. 16.10.2012) – grifos

Portanto, o trabalhador faz jus ao percebimento do benefício


aposentadoria por invalidez decorrente de acidente de trabalho, haja vista
apresentar um quadro clínico que compromete o desempenho de qualquer atividade
laboral, uma vez que o mesmo sofreu acidente de trabalho, não possuindo
condições de garantir seu próprio sustento, restando configurados os requisitos
necessários à concessão do referido benefício acidentário.
VI. DA ANTECIPAÇÃO DE TUTELA

De acordo com o disposto no artigo 273, do Código de


Processo Civil, o juiz poderá antecipar total ou parcialmente os efeitos da tutela
pretendida no pleito inicial, desde que haja prova inequívoca e a verossimilhança da
alegação:

Art. 273. O juiz poderá, a requerimento da parte, antecipar, total ou


parcialmente, os efeitos da tutela pretendida no pedido inicial, desde que,
existindo prova inequívoca, se convença da verossimilhança da alegação
e:
I - haja fundado receio de dano irreparável ou de difícil reparação; ou
II - fique caracterizado o abuso de direito de defesa ou o manifesto
propósito protelatório do réu.

No caso em apreço, verifica-se a possibilidade e a necessidade


do juiz antecipar os efeitos dos pedidos pleiteados na presente demanda, vez que se
encontram presentes todos os requisitos legais necessários à concessão da tutela
antecipatória.

Os documentos médicos acostados na peça inicial, em especial


os atestados datados de 19 de março de 2013, 28 e 29 de agosto de 2013, aduzem
que o beneficiário apresenta lesões em joelho e possui complicações decorrentes do
diabetes, sob tratamento clínico e fisioterápico, não se encontrando apto para o
exercício de suas atividades laborativas, solicitando, inclusive, avaliação para
concessão de aposentadoria por invalidez decorrente de acidente de trabalho devido
à patologia irreversível (docs. 24/26).

Assim, vale ressaltar que, após a alta médica da autarquia


requerida, em data de 10/10/2011, o beneficiário não apresentou qualquer condição
de retornar as suas atividades laborativas.

Portanto, é indevida a cessação do benefício acidentário pela


autarquia requerida, vez que o beneficiário possui incapacidade total e temporária
para o exercício de qualquer atividade laborativa, realizando tratamento clínico e
medicamentoso, restando demonstrado a prova inequívoca dos fatos arrolados
nesta demanda.

Ainda, resta comprovado o requisito do fundado receio de dano


irreparável ou de difícil reparação, vez que o autor está incapacitado para o exercício
de sua atividade laborativa, não possuindo condições de garantir sua própria
subsistência, tampouco de adquirir os medicamentos necessários ao seu tratamento.

Assim, em razão da infundada cessação do benefício auxílio-


doença por acidente de trabalho, o beneficiário vem enfrentando dificuldades
financeiras, não possuindo condições sequer de realizar adequadamente tratamento
médico, tampouco de arcar com suas necessidades básicas de sobrevivência.

Ressalta-se que o benefício acidentário possui caráter


alimentar, tornando-se indispensável à subsistência do trabalhador que se encontra
incapacitado de exercer suas atividades habituais.

Assim, os fatos ora apresentados, devidamente comprovados


por meio dos documentos médicos, retratam a verossimilhança da alegação, vez
que, conforme amplamente demonstrado, o assistido está totalmente incapacitado
para o exercício de qualquer atividade laborativa, necessitando de forma premente o
restabelecimento do benefício auxílio-doença por acidente de trabalho sob nº
532.633.913-3, desde a data de 11 de outubro de 2011, de modo a suprir suas
necessidades básicas e dar continuidade ao seu tratamento médico.

Coadunando com a referida matéria, o Egrégio Tribunal de


Justiça do nosso Estado assim tem entendido, em casos símiles ao presente:

AGRAVO DE INSTRUMENTO - AÇÃO DE RESTABELECIMENTO DE


AUXÍLIO-DOENÇA ACIDENTÁRIA - INSURGÊNCIA DO INSS QUANTO
À ANTECIPAÇÃO DOS EFEITOS DA TUTELA - ALEGADA NULIDADE
DA DECISÃO SINGULAR, POR AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO -
INOCORRÊNCIA - DESPACHO BEM FUNDAMENTADO, COM A
INDICAÇÃO DAS DISPOSIÇÕES LEGAIS APLICÁVEIS À ESPÉCIE -
ARGUIÇÃO DE AUSÊNCIA DE PROVA INEQUÍVOCA DA
INCAPACIDADE DO AGRAVANTE - NÃO ACOLHIMENTO - NO
CONFRONTO ENTRE OS LAUDOS MÉDICOS PARTICULARES
APRESENTADOS E A(S) PERÍCIA(S) REALIZADA(S) PELO INSS, CABE
AO JUIZ DECIDIR QUAL DEVE PREVALECER - PRINCÍPIO DA
PERSUASÃO RACIOANAL - ART. 131 DO CPC - POSSIBILIDADE DE
ANTECIPAÇÃO DOS EFEITOS DA TUTELA A DESPEITO DO PERIGO
DE IRREVERSIBILIDADE DA MEDIDA - MITIGAÇÃO DO
PRESSUPOSTO NEGATIVO CONTIDO NO ART. 273, §2°, DO CPC -
PONDERAÇÃO DE DIREITOS FUNDAMENTAIS A PARTIR DO
PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE - VALORES EXISTENCIAIS DO
AGRAVADO QUE DEVEM SE SOBREPOR AOS PATRIMONIAIS DA
AUTARQUIA - VERBAS ALIMENTARES DESTINADAS À
SUBSISTÊNCIA - ENTENDIMENTO DO STJ E DESTA CORTE -
RECURSO CONHECIDO E DESPROVIDO - MANUTENÇÃO DA
DECISÃO AGRAVADA. (TJPR - 6ª C.Cível - AI - 1047342-4 - Londrina -
Rel.: Carlos Eduardo A. Espínola - Unânime - - J. 03.09.2013) – grifos
AÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ANTECIPAÇÃO DE TUTELA.
RESTABELECIMENTO DE AUXÍLIO-DOENÇA. ATESTADOS MÉDICOS
QUE INDICAM A INCAPACIDADE LABORATIVA DO AGRAVADO.
PERIGO DE LESÃO GRAVE E DE DIFÍCIL REPARAÇÃO
EVIDENCIADO. RECURSO DESPROVIDO.Preenchidos os requisitos do
artigo 273, do Código de Processo Civil, não há como negar a
antecipação dos efeitos da tutela que restabeleceu ao agravado o auxílio-
doença enquanto tramita o feito. (TJPR - 6ª C.Cível - AI - 1019369-4 -
Londrina - Rel.: Ângela Khury - Unânime - - J. 10.09.2013) – grifo

AGRAVO DE INSTRUMENTO - AÇÃO PREVIDENCIÁRIA - JUIZ


DEFERIU A ANTECIPAÇÃO DOS EFEITOS DA TUTELA, PARA O FIM
DE DETERMINAR AO AGRAVANTE A IMPLANTAÇÃO DO BENEFÍCIO
DE AUXÍLIO-DOENÇA EM FAVOR DO AUTOR - ALEGAÇÃO DE
AUSÊNCIA DOS REQUISITOS PARA ANTECIPAÇÃO DA TUTELA E
INVOCAÇÃO DE RISCO DE IRREVERSIBILIDADE DA MEDIDA -
INADMISSIBILIDADE - PROVA ROBUSTA E SUFICIENTE À
PRETENSÃO ANTECIPATÓRIA - PERIGO DE LESÃO GRAVE E DE
DIFÍCIL REPARAÇÃO EVIDENTE - VERBA ALIMENTAR - CHOQUE
ENTRE INTERESSE INSTITUCIONAL PATRIMONIAL E DIREITO
ALIMENTAR DO AUTOR - PREVALECIMENTO DO SEGUNDO -
PREENCHIMENTO DOS REQUISITOS AUTORIZADORES PARA
ANTECIPAÇÃO DOS EFEITOS DA TUTELA, NOS TERMOS DO ART.
273 DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL - DECISÃO ESCORREITA -
RECURSO CONHECIDO E NÃO PROVIDO. (TJPR - 7ª C.Cível - AI
918732-0 - Dois Vizinhos - Rel.: Luiz Sérgio Neiva de Lima Vieira -
Unânime - J. 12.03.2013) – grifo
AGRAVO DE INSTRUMENTO ANTECIPAÇÃO DOS EFEITOS DA
TUTELA PREVIDENCIÁRIO RESTABELECIMENTO DO BENEFÍCIO
AUXÍLIO DOENÇA - PRESENÇA DOS REQUISITOS LEGAIS RISCO DE
DANO IRREPARÁVEL OU DE DIFÍCIL REPARAÇÃO
CONSUBSTANCIADO NA NATUREZA DA VERBA PLEITEADA
VEROSSIMILHANÇA DAS ALEGAÇÕES FUNDADA EM ATESTADOS
MÉDICOS DOCUMENTAÇÃO SUFICIENTE PARA FUNDAMENTAR A
LIMINAR - DECISÃO REFORMADA - RECURSO PROVIDO.
Primeiramente, o periculum in mora é claro e encontra-se patenteado pelo
fato de que, em se tratando de benefício previdenciário, evidente o seu
caráter alimentar, pelo que a sua não concessão certamente acarretará ao
agravante lesão de difícil reparação. Ademais, em que pese o perigo de
irreversibilidade do provimento, o caráter alimentar do benefício
previdenciário deve sobrepor-se a ele, como forma de garantir a dignidade
da pessoa humana, princípio fundamental do ordenamento jurídico, que
determina, no seu aspecto patrimonial, a necessidade de preservação de
um mínimo existencial, um respaldo econômico essencial à preservação
da pessoa como ser humano, atendendo às suas necessidades básicas.
Justamente em razão de tal princípio que o benefício previdenciário se
justifica, tutelando aquele que se encontra impossibilitado ao trabalho com
um rendimento para manutenção de sua condição humana. Na realidade,
o perigo da demora no provimento final e a impropriedade da alegação de
risco da irreversibilidade da liminar residem no mesmo fundamento, qual
seja, na natureza alimentar do benefício, sem o qual a pessoa correrá
risco de subsistência. (TJPR – 6ª Câm. AI 866829-3– Comarca de Foz do
Iguaçu – Rel. Alexandre Barbosa Fabiani – J. 20/01/2012) – grifos

AGRAVO DE INSTRUMENTO. AÇÃO PREVIDENCIÁRIA. AUSÊNCIA DE


PREPARO. DESERÇÃO. NÃO OCORRÊNCIA. POSIONAMENTO DO
STJ. TUTELA ANTECIPADA PARA RESTABELECIMENTO DO AUXÍLIO-
DOENÇA ACIDENTÁRIO. INTELIGÊNCIA DO ART. 273, DO CPC.
ATESTADOS MÉDICOS QUE AFIRMAM A INCAPACIDADE
LABORATIVA. PERIGO DE LESÃO GRAVE E DE DIFÍCIL REPARAÇÃO.
EVIDENTE. VERBA ALIMENTAR. DECISÃO MANTIDA. RECURSO
CONHECIDO E DESPROVIDO. 1. Como se observa em face das atuais e
reiteradas decisões do Superior Tribunal de Justiça, o INSS está isento de
preparar os recursos em ações previdenciárias. 2. Restando
demonstrados os requisitos legais previstos no artigo 273, do Código de
Processo Civil, deve ser mantida a decisão que antecipa os efeitos da
tutela. (TJPR – 6 ª C. Cível - AI 783010-6 – Foro Central da Comarca da
Região Metropolitana de Curitiba – Rel: Ângela Khury Munhoz da Rocha –
Unânime – J. 17.01.2012) – grifos

AGRAVO DE INSTRUMENTO - PREVIDENCIÁRIO - CONCESSÃO DE


AUXILIO-DOENÇA EM LIMINAR - INSTRUÇÃO PROBATÓRIA
SUFICIENTE PARA A CONCESSÃO DO BENEFÍCIO - ATESTADOS E
DEMAIS DOCUMENTOS TRAZIDOS PELO AUTOR QUE
CORROBORAM NA VEROSSIMILHANÇA DAS ALEGAÇÕES -
REQUISITOS PRESENTES PARA A CONCESSÃO DE LIMINA -
DECISÃO MODIFICADA - AGRAVO PROVIDO. (TJPR - 7ª C.Cível - AI
938021-8 - Foro Central da Comarca da Região Metropolitana de Curitiba
- Rel.: Antenor Demeterco Junior - Unânime - J. 23.10.2012) – grifo

Destarte, vertem-se os requisitos necessários para antecipação


de tutela, visto que a prova inequívoca e a verossimilhança da alegação podem ser
constatadas a partir dos documentos médicos do trabalhador e, por sua vez, o
fundado receio de dano irreparável depreende-se do caráter alimentar do benefício
ora pleiteado, uma vez que o mesmo é imprescindível à subsistência do segurado.
Tal tutela é medida que se impõe, sendo imperiosa o restabelecimento do benefício
auxílio-doença por acidente de trabalho desde sua cessação indevida, a qual
ocorreu em data de 10 de outubro de 2011.
VII. DO PEDIDO

Dessa forma, requer-se:

VII.I. Benefício da justiça gratuita, nos termos da Lei nº


1.060/50, por ser o requerente pobre na acepção jurídica, conforme termo de
declaração em anexo (doc. 56);

VII.II. Intimação pessoal do Ministério Público, nos termos do


artigo 236, parágrafo 2º, do Diploma Processual Civil Brasileiro;

VII.III. A concessão liminar da antecipação dos efeitos da tutela,


nos termos do artigo 273, do CPC, a fim de que a autarquia previdenciária
restabeleça imediatamente o benefício auxílio-doença por acidente de trabalho sob
nº 532.633.913-3, desde a data de 11/10/2011;

VII.IV. Em face do exposto, requer-se a citação do INSTITUTO


NACIONAL DO SEGURO SOCIAL – INSS, por meio de seu representante legal,
para, querendo, oferecer resposta, sob pena de revelia, e a acompanhar a ação até
final decisão, acolhendo-se o pedido, julgando-se procedente a lide, condenando-se
o réu a restabelecer o benefício auxílio-doença por acidente de trabalho sob nº
532.633.913-3, devido ao Sr. João Novaski Neto, desde a data de 10/10/2011,
ocasião em que o mesmo foi indevidamente cessado até a sua total recuperação, a
qual deverá ser constatada por perícia médica judicial e/ou a concessão do benefício
aposentadoria por invalidez decorrente de acidente de trabalho, em se constatando
sequelas definitivas que o incapacitem para o exercício de qualquer atividade
laborativa;

VII.V. Requer, também, a prova pericial (art. 276 do CPC) por


perito-médico especializado da confiança desse juízo, apresentando, desde já os
quesitos em anexo para serem respondidos pelos "experts";

VII.VI. Pagamento de honorários decorrentes da sucumbência


a serem arbitrados por Vossa Excelência, a serem depositados em prol do Fundo
Especial do Ministério Público do Paraná, verba esta prevista no artigo 118, II, da
Constituição Estadual, regulamentada pela Lei n.º 12.241/98 e pelo Ato nº156/99, da
Douta Procuradoria-Geral de Justiça;2

VII.VII. O alegado será provado por todos os meios de prova


em direito admitidas, sem exceção, especialmente a juntada de documentos e
2
Constituição do Estado do Paraná:
“art. 118. Lei complementar, cuja iniciativa é facultada ao Procurador-Geral de Justiça,
estabelecerá a organização, as atribuições e o Estatuto do Ministério Público, observada, quanto a
seus membros:
(...)
II – as seguintes vedações:
I. receber , a qualquer título e sob qualquer pretexto, honorários, percentagens, ou custas
processuais, sendo a verba honorária decorrente da sucumbência recolhida ao Estado, como renda
eventual, à conta da Procuradoria-Geral de Justiça, para o seu aperfeiçoamento, o de seus
integrantes e o de seus equipamentos;”

Lei Estadual n.º 12.241/98 que criou o Fundo Especial do Ministério Público do Estado do
Paraná - FUEMP/PR e adota outras providências:
“Artigo 1.º - Fica criado o “Fundo Especial do Ministério Público do Paraná – FUEMP/PR.
Artigo 2.º - O Fundo Especial do Ministério Público do Estado do Paraná tem por finalidade
suprir o Ministério Público com os recursos financeiros necessários para fazer face às despesas com:
(...)
Artigo 3.º Constituem receitas do Fundo Especial do Ministério Público do Estado do Paraná:
(...)
XV - receita de honorários decorrentes da sucumbência concedida ao Ministério
Público em procedimentos judiciais;”

ATO N.º 156/1999 que regula o Fundo Especial do Ministério Público do Estado do Paraná -
FUEMP/PR, criado pela Lei n.º 12241, de 28 de julho de 1998, na forma do Anexo "A", que faz parte
integrante do presente Ato:
“Artigo 1º. O Fundo Especial do Ministério Público do Estado do Paraná - FUEMP/PR será
regido segundo a Lei 12241, de 28 de julho de 1998, alterada pela Lei 12397 de 28 de dezembro de
1998 e as disposições contidas neste regulamento.
(...)
Artigo 4º. Constituem-se receitas do Fundo Especial do Ministério Público do Estado do
Paraná:
(...)
XV - receita de honorários decorrentes da sucumbência concedida ao Ministério
Público em procedimentos judiciais;
(...)
Artigo 6.º Os recursos do FUEMP/PR serão depositados em seu nome, em conta especial do
Estabelecimento Bancário Oficial do Estado do Paraná, sendo vedado o recebimento de qualquer
importância por servidores do Ministério Público ou do Fundo. Parágrafo único. Os depósitos serão
efetivados mediante guia própria da qual constará a identificação do depositante e a natureza do
pagamento através dos Códigos de Receita elencados no anexo I deste regulamento.”
inquirição de testemunhas, cujo rol segue anexo.

Dá-se à causa, o valor inicial de R$ 20.000,00 (vinte mil reais).

Nestes termos,
Pede deferimento.

Curitiba, 18 de setembro de 2013.

Swami Mougenot Bonfim


Promotora de Justiça

DE ACORDO:

JOÃO NOVASKI NETO


Beneficiário

QUESITOS:
1) Houve ofensa à integridade corporal ou à saúde física do examinado?
Especifique.
2) O trabalhador sofre de lesão ou perturbação funcionais?
3. A lesão apresentada pelo trabalhador ocorreu no ambiente de trabalho?
4. Pode o Sr. Perito descrever quais as condições atuais da lesão sofrida pelo autor
e se há necessidade de tratamento médico, cirúrgico ou especializado?
5. A lesão resultou incapacidade temporária ou permanente para o trabalho (parcial
ou total), enfermidade incurável, ou perda ou inutilização do membro, sentido ou
função? Em que percentual?
6. As consequências da lesão dificultam o exercício da profissão à época executada
(motorista), nos termos em que vinha exercendo antes de ocorrer a perturbação
funcional? Para exercer a mesma atividade demandará de maior esforço ou de
esforço adicional?
7) As lesões ocorridas no beneficiário impõem redução do espectro profissional
possível de ser desenvolvido pela vítima?
8) Devido às lesões resultantes, terá a beneficiária plena capacidade física para
exercer qualquer profissão?
9. O Sr. Perito pode dizer quais as perspectivas que o requerente tem de exercer
qualquer atividade produtiva? Se positivo, poderia o Sr. Perito informar quais as
atividades que podem ser exercidas pelo requerente.
10. Preste o Sr. Perito esclarecimentos complementares ao bom entendimento das
respostas aos quesitos, se assim considerar necessário.

ROL DE TESTEMUNHAS:
José Ferreira Rial, brasileiro, casado, portador da Cédula de Identidade RG nº
2.054.120/PR, inscrito no CPF/MF sob nº 428.279.069-53, residente e domiciliado na
Rua Cabo Verde, nº 572, Bairro Santa Arem, Fazenda Rio Grande/PR.

Joel de Queiroz, brasileiro, casado, portador da Cédula de Identidade RG nº


1.438.437-5/PR, inscrito no CPF/MF sob nº 356.207.579-00, residente e domiciliado
na Rua Malta, nº 200, Bairro Nações, Fazenda Rio Grande/PR.

DOCUMENTOS EM ANEXO:
Doc. 01 – Fotocópia dos documentos pessoais do trabalhador;
Docs. 02/15 – Fotocópia da Carteira de Trabalho e Previdência Social do
trabalhador;
Doc. 16 – Fotocópia do comprovante de residência do trabalhador;
Docs. 17 – Fotocópia da CAT – Comunicação de Acidente de Trabalho;
Docs. 18/30 – Fotocópia dos documentos médicos e atestados do trabalhador;
Docs. 31/44 – Fotocópia de prontuários médicos das cirurgias realizadas pelo
trabalhador;
Docs. 45/51 – Fotocópia de laudos de exames médicos do trabalhador;
Doc. 52 – Fotocópia de Informações do benefício acidentário percebido pelo
trabalhador;
Doc. 53 – Fotocópia de protocolo de pedido administrativo;
Docs. 54/55 – Decisão prolatada pela 18ª Junta de Recursos do INSS;
Doc. 56 – Termo de Representação.