Você está na página 1de 160

ENGENHARIA

ECONÔMICA

Professora Me. Andréia Moreira da Fonseca Boechat

GRADUAÇÃO

Unicesumar
Reitor
Wilson de Matos Silva
Vice-Reitor
Wilson de Matos Silva Filho
Pró-Reitor de Administração
Wilson de Matos Silva Filho
Pró-Reitor de EAD
Willian Victor Kendrick de Matos Silva
Presidente da Mantenedora
Cláudio Ferdinandi

NEAD - Núcleo de Educação a Distância


Direção de Operações
Chrystiano Mincoff
Direção de Mercado
Hilton Pereira
Direção de Polos Próprios
James Prestes
Direção de Desenvolvimento
Dayane Almeida
Direção de Relacionamento
Alessandra Baron
Direção de Planejamento de Ensino
Fabrício Lazilha
Direção Operacional de Ensino
Katia Coelho
Supervisão do Núcleo de Produção de
Materiais
Nalva Aparecida da Rosa Moura
Design Educacional
Maria Fernanda Canova Vasconcelos
Projeto Gráfico
Jaime de Marchi Junior
José Jhonny Coelho
C397 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE MARINGÁ. Núcleo de Educação a
Distância;
Editoração
BOECHAT, Andréia Moreira da Fonseca Humberto Garcia da Silva
Engenharia Econômica. Andréia Moreira da Fonseca
Boechat.
Revisão Textual
Maringá - PR, 2015. Viviane Favaro Notari
160 p.
“Graduação - EaD”. Ilustração
André Luís Onishi
1. Matemática. 2. Engenharia . 3. Econômica 4. EaD. I. Título.

CDD - 22 ed. 330


CIP - NBR 12899 - AACR/2

Ficha catalográfica elaborada pelo bibliotecário


João Vivaldo de Souza - CRB-8 - 6828
Viver e trabalhar em uma sociedade global é um
grande desafio para todos os cidadãos. A busca
por tecnologia, informação, conhecimento de
qualidade, novas habilidades para liderança e so-
lução de problemas com eficiência tornou-se uma
questão de sobrevivência no mundo do trabalho.
Cada um de nós tem uma grande responsabilida-
de: as escolhas que fizermos por nós e pelos nos-
sos farão grande diferença no futuro.
Com essa visão, o Centro Universitário Cesumar
assume o compromisso de democratizar o conhe-
cimento por meio de alta tecnologia e contribuir
para o futuro dos brasileiros.
No cumprimento de sua missão – “promover a
educação de qualidade nas diferentes áreas do
conhecimento, formando profissionais cidadãos
que contribuam para o desenvolvimento de uma
sociedade justa e solidária” –, o Centro Universi-
tário Cesumar busca a integração do ensino-pes-
quisa-extensão com as demandas institucionais
e sociais; a realização de uma prática acadêmica
que contribua para o desenvolvimento da consci-
ência social e política e, por fim, a democratização
do conhecimento acadêmico com a articulação e
a integração com a sociedade.
Diante disso, o Centro Universitário Cesumar al-
meja ser reconhecido como uma instituição uni-
versitária de referência regional e nacional pela
qualidade e compromisso do corpo docente;
aquisição de competências institucionais para
o desenvolvimento de linhas de pesquisa; con-
solidação da extensão universitária; qualidade
da oferta dos ensinos presencial e a distância;
bem-estar e satisfação da comunidade interna;
qualidade da gestão acadêmica e administrati-
va; compromisso social de inclusão; processos de
cooperação e parceria com o mundo do trabalho,
como também pelo compromisso e relaciona-
mento permanente com os egressos, incentivan-
do a educação continuada.
Seja bem-vindo(a), caro(a) acadêmico(a)! Você está
iniciando um processo de transformação, pois quan-
do investimos em nossa formação, seja ela pessoal
ou profissional, nos transformamos e, consequente-
Diretoria Operacional mente, transformamos também a sociedade na qual
de Ensino
estamos inseridos. De que forma o fazemos? Criando
oportunidades e/ou estabelecendo mudanças capa-
zes de alcançar um nível de desenvolvimento compa-
tível com os desafios que surgem no mundo contem-
porâneo.
O Centro Universitário Cesumar mediante o Núcleo de
Educação a Distância, o(a) acompanhará durante todo
este processo, pois conforme Freire (1996): “Os homens
se educam juntos, na transformação do mundo”.
Os materiais produzidos oferecem linguagem dialó-
gica e encontram-se integrados à proposta pedagó-
gica, contribuindo no processo educacional, comple-
mentando sua formação profissional, desenvolvendo
competências e habilidades, e aplicando conceitos
teóricos em situação de realidade, de maneira a inse-
ri-lo no mercado de trabalho. Ou seja, estes materiais
têm como principal objetivo “provocar uma aproxi-
mação entre você e o conteúdo”, desta forma possi-
bilita o desenvolvimento da autonomia em busca dos
conhecimentos necessários para a sua formação pes-
soal e profissional.
Portanto, nossa distância nesse processo de cres-
cimento e construção do conhecimento deve ser
apenas geográfica. Utilize os diversos recursos peda-
gógicos que o Centro Universitário Cesumar lhe possi-
bilita. Ou seja, acesse regularmente o AVA – Ambiente
Virtual de Aprendizagem, interaja nos fóruns e en-
quetes, assista às aulas ao vivo e participe das discus-
sões. Além disso, lembre-se que existe uma equipe de
professores e tutores que se encontra disponível para
sanar suas dúvidas e auxiliá-lo(a) em seu processo de
aprendizagem, possibilitando-lhe trilhar com tranqui-
lidade e segurança sua trajetória acadêmica.
AUTORES

Professora Me. Andréia Moreira da Fonseca Boechat


Possui graduação em Ciências Econômicas pela Universidade Federal Rural do
Rio de Janeiro (2007) e mestrado em Economia pela Universidade Estadual de
Maringá (2011). Atualmente, é doutoranda em Economia pela Universidade
Estadual de Maringá. É professora na Universidade Estadual do Paraná e do
Centro Universitário de Cesumar. Tem experiência na área de Economia, com
ênfase em economia industrial, agronegócio e políticas públicas, atuando
principalmente nos seguintes temas: concorrência e setor agroindustrial.
APRESENTAÇÃO

ENGENHARIA ECONÔMICA

SEJA BEM-VINDO(A)!
Olá, caro(a) aluno(a),
Seja muito bem-vindo(a) a nossa disciplina. É com imenso prazer que eu, professora
Andréia, apresento a você o nosso livro Engenharia Econômica, que foi escrito com todo
carinho.
Como o engenheiro de produção precisa tomar decisões o tempo inteiro, a Engenharia
Econômica é uma disciplina que se faz necessária para o curso de Engenharia de Produ-
ção, pois é por meio dela que conhecemos os fundamentos/ferramentas para a tomada
de decisão.
Antes de iniciar nosso estudo, apresentarei um pouco da história da engenharia econô-
mica. O estudo dessa área iniciou-se nos Estados Unidos, em 1887, após a publicação do
livro “The Economic Theory of Railway Location”, de Arthur Wellington, sobre a viabilidade
econômica para o setor de ferrovias norte-americano. De lá para cá, a engenharia eco-
nômica tornou-se uma importante área de estudo para todos os profissionais, tanto de
empresas privadas quanto de organizações públicas, que precisam fazer escolhas, ou
seja, tomar decisões.
Toda a dinâmica da engenharia de produção é baseada na matemática financeira, que
tem como preocupação o valor do dinheiro no tempo. Então, posso citar como exem-
plos de aplicação da engenharia econômica:
■■ A escolha entre transportar material manualmente ou comprar uma correia
transportadora.
■■ Decidir se a rede de abastecimento de água será com tubos finos ou grossos.
■■ Comprar uma determinada máquina a prazo ou à vista.
Para tomar as decisões citadas acima, é necessário um estudo econômico sobre o im-
pacto de cada escolha. Para isso, deve-se levar em consideração alguns fatores, como
conjuntura econômica, taxa de juros, retorno/rentabilidade do investimento, entre ou-
tros, que iremos discutir ao longo da nossa disciplina.
O nosso livro foi estruturado em cinco unidades. Na primeira, farei uma introdução ao
estudo da economia. Você compreenderá quais são, de fato, as variáveis de estudo da
economia e os princípios que regem as ciências econômicas. Na sequência, discutire-
mos duas grandes áreas de estudo da economia: microeconomia e macroeconomia. As
três primeiras unidades têm um significado especial, pois, para tomarmos decisões, é
importante conhecermos o ambiente no qual a empresa está inserida. E, claro, como
esse ambiente afeta a tomada de decisão.
APRESENTAÇÃO

Na quarta unidade, o instrumento da engenharia econômica, que é a matemática


financeira, será apresentado. Por último, veremos os princípios fundamentais da en-
genharia econômica e seus cenários, ou seja, como se dá a relação entre economia,
engenharia de produção e a engenharia econômica, além de como os investimen-
tos podem e devem ser analisados para o engenheiro de produção tomar as melho-
res decisões.
Bons estudos!
Um abraço,
Professora Me. Andréia Moreira da Fonseca Boechat
09
SUMÁRIO

UNIDADE I

INTRODUÇÃO À ECONOMIA

13 Introdução

14 Significado de Economia

17 Princípios de Economia

25 Conceitos Básicos de Economia

32 Considerações Finais

UNIDADE II

FUNDAMENTOS MICROECONÔMICOS

39 Introdução

40 Forças De Mercado: Demanda e Oferta

52 Equilíbrio de Mercado

66 Os Custos de Produção

67 Considerações Finais

UNIDADE III

FUNDAMENTOS MACROECONÔMICOS

75 Introdução

76 Introdução à Macroeconomia

80 Conceitos Macroeconômicos Básicos

82 Políticas Macroeconômicas

92 Considerações Finais 
SUMÁRIO

UNIDADE IV

MATEMÁTICA FINANCEIRA: TAXA DE JUROS

101 Introdução

102 Introdução à Matemática Financeira

109 Juros Simples

112 Equivalência de Juros em Juros Simples

113 Juros Compostos

116 Equivalência de Juros em Juros Compostos

117 Sistemas de Amortização

119 Considerações Finais

UNIDADE V

PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS DA ENGENHARIA ECONÔMICA E A


TOMADA DE DECISÃO

127 Introdução

128 Fundamentos da Engenharia Econômica 

132 Importância da Análise Econômica

133 Engenharia Econômica em Diversos Cenários

134 Introdução à Análise de Investimentos

140 Métodos de Análise de Investimento

148 Considerações Finais

153 Conclusão
155 Referências
157 Gabarito
Professora Me. Andréia Moreira da Fonseca Boechat

I
UNIDADE
INTRODUÇÃO À ECONOMIA

Objetivos de Aprendizagem
■■ Apresentar o significado de economia.
■■ Compreender o motivo que faz com que a economia seja a ciência da
escolha.
■■ Discutir os princípios de economia.
■■ Conhecer os conceitos básicos de economia.

Plano de Estudo
A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade:
■■ Significado de economia
■■ Princípios de economia
■■ Conceitos básicos de economia
13

INTRODUÇÃO

Caro(a) aluno(a),
Seja bem-vindo(a) a nossa primeira unidade do livro Engenharia Econômica.
Esta é uma unidade muito importante para o entendimento da disciplina, pois
nela você conhecerá os fundamentos econômicos que darão suporte às tomadas
de decisão que fazem parte da engenharia econômica, além de ser de extrema
relevância para todas as pessoas que procuram compreender, ainda que de forma
geral, o mundo e a sociedade na qual vivemos.
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Para isso, a unidade está dividida em três tópicos: no primeiro, iremos estu-
dar o significado de economia, em outras palavras, o que, de fato, as ciências
econômicas estudam, tenho certeza que muitos irão se surpreender, pois muitas
pessoas acreditam que economia ensina a economizar ou mesmo a investir na
bolsa de valores, o que não é real. A economia envolve muito mais do que sim-
ples variáveis, ela é a grande responsável por alocar, ou seja, distribuir os recursos
que são limitados entre as pessoas. Por essa razão, é uma ciência tão complexa.
Após entender o significado e a importância da economia, veremos os prin-
cípios básicos que a regem. São dez princípios que unificam as ideias centrais da
economia e dão uma noção sobre o que, realmente, ela trata. Não se preocupe,
nesse momento, em decorar todos eles. Procure entendê-los e, com o anda-
mento da nossa disciplina, essas ideias serão aprofundadas e ficarão mais claras.
No terceiro e último tópico da primeira unidade, estudaremos alguns concei-
tos econômicos básicos, conceitos esses que darão suporte para o entendimento
da disciplina como um todo. Então, fique atento(a) e, caso não tenha ficado muito
claro algum conceito, volte e releia com muita atenção.
Assim, ao final desta unidade, você será capaz de compreender conceitos
econômicos fundamentais que influenciam a sociedade como um todo, seja
governo, empresas, famílias (consumidores) e os outros países.
É importante observar que a forma como esta primeira unidade foi estruturada
inicia o estudo da economia não apenas no Brasil, mas em todo o mundo. Ou seja, os
fundamentos da economia são iguais em qualquer país, seja em países considerados
ricos ou em países em desenvolvimento. Os conceitos básicos sempre estarão presentes.
Bons estudos!

Introdução
I

SIGNIFICADO DE ECONOMIA

Começaremos nossa disciplina entendendo o significado de economia. Você,


certamente, já se deparou com algumas situações econômicas em seu dia a dia
e ficou curioso(a) para entender um pouco mais sobre os motivos pelos quais
determinados fenômenos ocorrem e as possíveis soluções para cada um dos
problemas, como:
■■ Variações na demanda.

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
■■ Redução na oferta.
■■ Desemprego.
■■ Inflação.
■■ Alterações na taxa de câmbio.
■■ Carga tributária.
■■ Aumento da taxa de juros, entre outros.

Esses são alguns problemas que a economia


estuda. Agora que você já relembrou algumas
questões econômicas, deve estar se pergun-
tando: mas o que, de fato, é economia?
Em termos etimológicos, a palavra econo-
mia vem do grego: Oikós (casa) + Nomos (norma, lei)
= “administração da casa”.
É isso mesmo, a economia funciona da mesma
maneira que a nossa casa: trabalhamos para receber
um salário, dividimos nossa renda para pagar as con-
tas, procuramos viver na maior harmonia possível,
caso não tenhamos dinheiro para todas as contas,
pegamos empréstimos, se sobrar dinheiro, fazemos
investimentos etc. Da mesma forma que ocorre em
uma empresa e em um país.
Porém, em economia, estudamos as formas como os diferentes tipos de sistemas

INTRODUÇÃO À ECONOMIA
15

econômicos administram seus recursos com a finalidade de produzir bens e serviços,


com o objetivo de satisfazer as necessidades da população (PASSOS; NOGAMI, 2012).
Então, podemos definir economia como sendo uma ciência social que trata
do estudo da alocação dos recursos escassos na produção de bens e serviços para
a satisfação das necessidades ilimitadas ou desejos humanos (MENDES, 2009).
A partir da definição de economia, não podemos deixar de fazer duas observa-
ções: você percebeu que as palavras “recursos escassos” e “necessidades ilimitadas”
estão em negrito? Isso porque são dois conceitos que precisam ficar muito cla-
ros para o entendimento da economia.
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

As palavras recursos escassos estão em negrito, pois a escassez, que pode ser
definida como a situação em que os recursos são limitados, é a culpada por todos
os problemas econômicos. Então, podemos afirmar que a economia tem como
objeto de estudo a escassez. Se os recursos fossem ilimitados, não haveria economia.
É importante observar que a escassez está relacionada a diversas variáveis,
como tempo, dinheiro, espaço físico, matéria-prima, mão de obra, seja especiali-
zada ou não, entre outras. Por esse motivo, está presente em todas as economias,
seja em países ricos, como os Estados Unidos, que é a maior economia do mundo,
seja em países em desenvolvimento, como os países do continente africano.
Já necessidades ilimitadas estão destacadas, pois, diferente da escassez, os
desejos humanos são ilimitados, ou seja, nunca terminam. Por exemplo, temos
R$ 50,00 para ir ao shopping comprar uma blusa. Chegando lá, compramos uma
blusa, mas, logo, desejamos uma calça ou uma bolsa e assim sucessivamente.
Resumindo, temos um sério problema:
Recursos escassos X Necessidades humanas ilimitadas

Escassez de bens

Problema!

Significado de Economia
I

Caso os recursos fossem escassos, mas as necessidades humanas fossem


limitadas, não teríamos problema. Ou, se os recursos fossem ilimitados e as
necessidades humanas também, não haveria problema. O grande problema é
recursos escassos e necessidades ilimitadas.

“A primeira lição da economia é a escassez: nunca há algo em quantidade

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
suficiente para satisfazer os que o querem. A primeira lição da política é des-
considerar a primeira lição da economia”.
Fonte: Thomas Sowell (2011).

Com base no que discutimos até agora, você percebeu que a Ciência
Econômica procura responder, mesmo que de forma parcial, questões como:
■■ Como os preços são determinados?
■■ Como reduzir a inflação?
■■ Como melhorar a distribuição de renda de um país?
■■ Como fazer com que aumente o número de empregos?
■■ Qual são as funções do governo?
■■ Por que uma crise internacional afeta a economia nacional?

AS QUESTÕES ECONÔMICAS FUNDAMENTAIS

Após entender o conceito e o objeto de estudo da economia, podemos afirmar


que qualquer economia, independente de ser rica ou pobre, capitalista ou socia-
lista, industrializada ou em processo de industrialização, procura responder as
seguintes perguntas:

INTRODUÇÃO À ECONOMIA
17

■■ O que produzir?
■■ Quanto produzir?
■■ Para quem produzir?
■■ Como produzir?

Vamos entender cada uma dessas perguntas?


“O que produzir” significa definir quais bens e serviços a economia irá fabri-
car. Essa não é uma decisão fácil, pois, como você já sabe, os recursos são escassos.
Então, não podemos produzir tudo que desejamos ou que precisamos, em outras
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

palavras, aumentar a produção de um determinado bem significa reduzir a quan-


tidade produzida de outros bens.
Após decidir o que será feito, dados os recursos limitados, tem que ser defi-
nida a quantidade do bem ou serviços escolhidos que será produzida, além do
público-alvo desse produto. Um dos fatores de escolha do “para quem produ-
zir” é a renda desse consumidor. Quanto maior for a renda, maior a quantidade
de mercadorias que ele poderá adquirir.
Essas três primeiras perguntas mostram que quem irá influenciar a decisão da
empresa/país são os consumidores. Já na última, “como produzir”, a empresa/país
define o melhor processo produtivo, ou seja, como fabricar o bem na quantidade
escolhida, de forma mais eficiente possível. Dado que os recursos produtivos são
escassos, a empresa deverá escolher a combinação desses recursos com o menor
custo possível para fabricar bens e serviços.

PRINCÍPIOS DE ECONOMIA

Você já conhece o significado de economia e seu objeto de estudo, que é a escas-


sez. Agora, discutiremos as dez ideias centrais que regem a economia. Mankiw
(2012) dividiu os dez princípios da economia em três grupos: Como as pessoas
tomam decisões, Como as pessoas interagem e Como a economia funciona.

Princípios de Economia
I

- Como as pessoas tomam decisões


O comportamento da economia reflete o comportamento das pessoas que dela
fazem parte. Por essa razão, temos quatro princípios de tomada de decisão
individual.

Princípio 1: As pessoas enfrentam tradeoffs


Para começarmos a discutir o primeiro princípio, é importante que você
saiba o que a expressão tradeoff significa para a economia. Tradeoff é uma situa-
ção de escolha conflitante, ou seja, quando uma ação tem como objetivo resolver

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
um determinado problema e acaba acarretando outros. Por exemplo: uma forma
de fazer com que um país cresça é aquecendo a demanda. Porém, ao aumen-
tar a demanda, os preços sobem e gera inflação. Então, o objetivo inicial, que
era fazer com que o Produto Interno Bruto (PIB) aumentasse, acabou por fezer
com que a taxa de inflação também aumentasse. Nesse caso, existe um tradeoff
entre crescimento e inflação.
E a situação apresentada acima reflete a tomada de decisão. Ou seja, “nada é
de graça”, como diz o provérbio. Na economia, nada é de graça também, pois sem-
pre que queremos alguma
coisa, precisamos abrir mão
de outra coisa que gostamos.
Assim, precisamos tomar
decisões, fazer escolhas e
renunciar a algo em decor-
rência de outro objetivo.
Por exemplo: neste
momento, você dedicou,
digamos, duas horas do seu
dia para estudar a disciplina
Engenharia Econômica. Para
isso, você teve que abrir mão
de outra atividade, como ver
televisão. Agora, você tem
outra escolha: você pode

INTRODUÇÃO À ECONOMIA
19

dividir as duas horas entre estudar e ver televisão. Nesse caso, você estará abrindo
mão de uma hora de estudo para assistir uma hora do seu programa favorito. Essa
foi sua escolha. Diariamente, ou melhor, a toda hora, temos tradoffs e precisa-
mos fazer escolhas. O governo e as empresas também precisam tomar decisões
a toda hora.

Princípio 2: O custo de alguma coisa é aquilo de que você desiste para obtê-la
Como enfrentamos diversos tradeoffs, ao tomar decisão, é necessário compa-
rar os custos com os benefícios gerados para cada alternativa possível. Porém nem
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

sempre o custo de uma ação é muito claro, mesmo assim, precisa ser avaliado.
Por exemplo: você resolveu se matricular no curso de Engenharia de Produção
da Unicesumar. Como benefício, você tem enriquecimento do conhecimento,
novas oportunidades de emprego, aumento salarial, entre outros. Por outro lado,
você tem custo, com a mensalidade, dedicação (terá que abrir mão de outras ati-
vidades por algumas horas, em função de estudar), entre outros.
A situação apresentada é chamada de custo de oportunidade, que é definido
por Mankiw (2012) como aquilo de que você abre mão para obter outro item.
No nosso exemplo, você abriu mão de parte do seu salário, hoje, para pagar a
mensalidade e de parte do seu dia para estudar, em função de cursar uma gradu-
ação, para ter, futuramente, aumento salarial, novas oportunidades de emprego
e aumento de seu conhecimento.
Então, o custo de oportunidade está presente em todas as situações de esco-
lha. Nós sempre precisamos levar em consideração, ao tomar uma decisão, do
que estamos abrindo mão, ou seja, custos e benefícios daquela ação; assim como
a empresa e o governo que precisam, também, analisar o custo de oportunidade
sempre.

Princípio 3: As pessoas racionais pesam na margem


Para a economia, as pessoas são racionais, ou seja, são capazes de fazer o
máximo para alcançar seus objetivos, sempre de forma direta e sistemática, a
partir das oportunidades que surgem. Porém uma pessoa racional sabe que
imprevistos surgem e, como são racionais, são capazes de fazer pequenos ajus-
tes em seu plano de ação, o que é chamado de mudança marginal. Então, uma

Princípios de Economia
I

pessoa racional compara, ao tomar decisão, o custo marginal com o benefício


marginal daquela ação.
Nesse momento, você deve estar achando que não compreendeu muito bem
os princípios até aqui explicados. Mas com um exemplo ficará mais fácil. Imagina
uma empresa aérea que tem um avião de 200 lugares e o voo custa à empresa
100 mil reais. O custo médio de cada poltrona é de 100 mil divididos por 200
lugares, o que dá 500 reais. Ou seja, o valor mínimo da passagem deve ser de R$
500,00. Porém, a poucas horas de decolar, esse avião está com 10 lugares vagos
e os passageiros potenciais estão dispostos a pagar R$ 300,00 pela passagem. A

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
empresa venderá a esse valor,
pois o custo marginal des-
ses 10 passageiros é muito
pequeno, quase insignifi-
cante, e eles irão consumir
alimentos a bordo, o que
mostra o custo marginal.

Princípio 4: As pessoas rea-


gem a incentivos
Dado que pessoas racio-
nais tomam decisões comparando o custo com o benefício daquela ação, o
incentivo exerce papel fundamental para essa escolha, pois o incentivo é algo
que faz com que uma pessoa racional aja.
Por exemplo, quando o preço da laranja aumenta, as pessoas irão reduzir
o consumo dessa fruta, substituindo-a por outra, como a tangerina (ponkan ou
mexerica em algumas regiões do Brasil). A mesma situação acontece quando o
governo implementa uma política pública. A nova política pública, por exem-
plo, o aumento da taxa de juros, irá alterar o comportamento das pessoas e isso
deve ser levado em consideração.
Terminamos aqui nossa discussão sobre o primeiro grupo de princípios
básicos da economia e você, agora, já sabe como as pessoas tomam suas deci-
sões. Esses princípios são importantes em nossa disciplina, já que estamos
falando em tomada de decisão, e um engenheiro de produção precisa conhecer

INTRODUÇÃO À ECONOMIA
21

as variáveis econômicas que influenciam uma pessoa, seja física ou jurídica,


a tomar decisão.

Qual foi um tradeoff importante que você enfrentou recentemente? Sua es-
colha foi racional? Você levou em consideração os custos e benefícios da sua
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

ação?
Fonte: a autora.

- Como as pessoas interagem


Vimos de que forma as pessoas tomam decisões. Porém, sabemos que, muitas
vezes, uma decisão nossa afeta a vida de outras pessoas, ou seja, nós interagi-
mos com os demais. Neste grupo, discutiremos três princípios que dão suporte
a como as pessoas interagem.

Princípio 5: O comércio pode ser bom para todos


A visão de que dois países que produzem o mesmo tipo de bem são con-
correntes é equivocada, pois, apesar de as empresas concorrerem por clientes,
o comércio entre os países é
bom para todos. Isso acon-
tece em razão de o país A se
especializar em um deter-
minado bem, exportar esse
bem e importar outro bem
que necessita, mas que não
é especialista. Então, os
países dependem um dos
outros.

Princípios de Economia
I

Princípio 6: Os mercados são geralmente uma boa maneira de organizar a ati-


vidade econômica
Hoje, sabemos que a forma mais eficiente de organizar a atividade econômica
é por meio do próprio mercado, ou seja, da chamada economia de mercado.
Esta é definida por Mankiw (2012) como uma economia que aloca recursos por
meio das decisões descentralizadas das empresas e famílias, quando estas inte-
ragem nos mercados de bens e serviços.
Nesse caso, a economia é controlada via preços. O comprador verifica o preço,
ao determinar a demanda por bens e serviços, e os vendedores analisam o preço,

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
ao decidir a oferta. O preço formado pela relação entre demanda e oferta reflete
o preço de mercado por bens e serviços e o custo da manufatura.
No entanto, é importante observar que o governo pode e deve, em mui-
tos casos, tomar medidas de forma a impedir que o mercado se ajuste sozinho.
Medidas essas como impostos, subsídios, entre outras.

Princípio 7: Às vezes, os governos podem melhorar os resultados dos mercados


Como discutido no princípio 6, os mercados procuram se estabilizar por
meio dos preços. Porém, o governo tem papel importante, mesmo em eco-
nomias de mercado. O papel do governo é fazer com que as regras sejam
cumpridas, garantindo o direito de propriedade, essa garantia se dá mediante
as instituições.
Direito de propriedade é definido por Mankiw (2012) como a habilidade de
um indivíduo de possuir e exercer controle sobre recursos escassos. O direito de
propriedade é um incentivo para empresas e famílias produzirem.
Além de garantir o direito de propriedade, o governo deve intervir na eco-
nomia de mercado, para garantir a eficiência e promover a igualdade, já que o
mercado sozinho nem sempre consegue fazer.
Em relação à eficiência, os mercados nem sempre conseguem alocar os
recursos de forma eficiente, gerando as chamadas falhas de mercado. As falhas
de mercado acontecem em razão das externalidades e do poder de mercado.
Externalidade é quando a ação de um indivíduo afeta o bem-estar de outros. Já
poder de mercado é a capacidade de um ou um grupo de agentes econômicos
influenciar os preços de mercado de forma significativa.

INTRODUÇÃO À ECONOMIA
23

Em relação à igualdade, é dever do governo promover políticas públicas que


procuram dar as mesmas condições a todos os agentes econômicos.

Por que os mercados existem?


Fonte: a autora.
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

- Como a economia funciona


Os dois grupos de princípios da economia que discutimos, juntos, formam
o terceiro grupo, “como a economia funciona”, pois o modo como os agentes
tomam decisão e o modo como interagem formam a economia.

Princípio 8: O padrão de vida de um país depende de sua capacidade de produ-


zir bens e serviços
Sabemos que existe grande diferença no padrão de vida dos países, e essas
mudanças ao longo do tempo também variam. Esse fato é explicado pela pro-
dutividade, ou melhor, pela diferença entre a produtividade dos países. Por
produtividade entende-se a quantidade de bens e serviços produzidos por uni-
dade de insumo de mão de obra (MANKIW, 2012).
Então, em países nos quais a produtividade é maior, o padrão de vida tam-
bém é maior. Países com produtividade baixa tendem a ter o padrão de vida
menor. Nesse caso, cabe ao governo implementar políticas públicas que procu-
ram aumentar a produtividade do país.

Princípio 9: Os preços sobem quando o governo emite moeda demais


Inflação é definida como o aumento contínuo e generalizado de preços.
Quando o governo emite moeda, mais moeda teremos em circulação, dando a
impressão para a população de aumento do poder aquisitivo. Com isso, as pessoas
demandarão mais bens e serviços, fazendo com que os preços subam. Além disso,
quando o governo emite moeda, o valor dela diminui, gerando aumento de preços.

Princípios de Economia
I

Princípio 10: A sociedade enfrenta um tradeoff de curto prazo entre inflação e


desemprego
O aumento da quantidade de moeda em circulação estimula o nível geral
de consumo e, assim, há
aumento na demanda por
bens e serviços. O aumento
da demanda pode fazer com
que as empresas aumentem
os preços dos seus bens e

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
serviços, gerando infla-
ção. Por outro lado, quando
temos muita demanda, as
empresas precisam con-
tratar mais trabalhadores,
gerando aumento no nível
de empregos.
Resumindo: no curto
prazo, o aumento da
demanda, gera inflação e
reduz o desemprego.

Relação entre taxa de inflação e desemprego


Na economia, existe uma teoria que relaciona a taxa de inflação com o de-
semprego, a chamada Curva de Phillips. Essa teoria foi desenvolvida pelo
economista Willian Phillips e mostrava que, quando a taxa de inflação cres-
ce, a taxa de desemprego cai e vice-versa.
Fonte: a autora.

INTRODUÇÃO À ECONOMIA
25

CONCEITOS BÁSICOS DE ECONOMIA

Agora que você já conhece os dez princípios que regem a economia, discutire-
mos alguns conceitos básicos que serão fundamentais para o entendimento das
demais unidades do livro. Procure relacionar os princípios que estudamos com
os conceitos que irei apresentar a você. Preparado(a)?

CURVA DE POSSIBILIDADE DE PRODUÇÃO E CUSTO DE


Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

OPORTUNIDADE

Como discutimos, a economia está ligada ao problema da escolha, já que os


recursos produtivos são limitados e as necessidades humanas são ilimitadas, em
outras palavras, é imposta aos agentes econômicos uma escolha para a produ-
ção/consumo de diversos tipos de bens e serviços.
Para entender melhor como a escolha é feita, vamos supor a seguinte situa-
ção hipotética1 para uma determinada economia:
a. Uma economia só produz dois bens: bem X e bem Y, que você pode, por
exemplo, chamar de roupas e alimentos.
b. A quantidade e a qualidade dos recursos produtivos são fixas, ou seja,
independente de produzir o bem X ou o bem Y, a quantidade e a quali-
dade dos recursos produtivos serão as mesmas.
c. Existe pleno emprego, ou seja, essa economia produz o máximo que ela
pode dada a quantidade de recursos produtivos que ela tem disponível.
d. A tecnologia é constante, já que o uso da tecnologia é uma forma de
aumentar a produção, utilizando a mesma quantidade de fatores de pro-
dução disponíveis.

Após apresentar os pressupostos da economia hipotética, podemos verificar a


quantidade de cada bem que poderá ser produzido dados os recursos produti-
vos que temos disponíveis. Isso pode ser visto o Quadro 1:

1 Situação hipotética é uma situação que não é real.

Conceitos Básicos de Economia


I

BEM QUANTIDADE
X (roupas) 180 160 150 130 100 60
Y (alimentos) 10 20 30 40 50 60
Ponto 1 2 3 4 5 6
Quadro 1: Quantidade de cada bem que pode ser produzido dada a quantidade de fatores de produção
disponível
Fonte: a autora.

Caso a economia queira produzir tanto o bem X quanto o bem Y, ela deverá
“abrir mão” de determinada quantidade de um bem para produzir o outro. Por

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
exemplo, para produzir 20 unidades de y, a empresa deverá deixar de produ-
zir 20 unidades de x, ou, para 30 unidades de y, deverá deixar de produzir 20
unidades de x. Para ficar mais fácil, vamos visualizar essa situação por meio
do Gráfico 1.

Alimentos
(toneladas)
6
60

50 5

40 4

3
30
2
20
1
10
0 60 100 130 150 160 180
Roupas
(milhares)
Gráfico 1: Curva das possibilidades de produção ou curva de transformação da situação hipotética
apresentada
Fonte: a autora.

O Gráfico 1 mostra as quantidades dos bens X e Y que a economia hipoté-


tica poderá produzir dados os fatores de produção limitados. Isso é conhecido

INTRODUÇÃO À ECONOMIA
27

como curva das possibilidades de produção ou curva de transformação. Então,


qualquer ponto sobre a curva mostra que a quantidade de bens X e Y que a
economia poderá produzir nessa situação está em pleno emprego.
Agora, em qualquer ponto baixo da curva, como o ponto 7, que pode
ser visto no Gráfico 2, a economia poderá produzir, porém, caso produza no
ponto 7, a economia é ineficiente e não está em pleno emprego, pois haverá
recursos produtivos para produzir mais, em outras palavras, haverá capa-
cidade ociosa.
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Alimentos
(toneladas)
6 8
60

50 5

40 4

3
30 7
2
20
1
10
0 60 100 130 150 160 180
Roupas
(milhares)
Gráfico 2: Pontos de produção que estão fora da curva das possibilidades de produção
Fonte: a autora.

Ainda, analisando o Gráfico 2, podemos verificar que tem o ponto 8.


Dada a tecnologia constante, produzir no ponto 8 é impossível, pois não
temos recursos produtivos suficientes. Porém, existe uma forma de a econo-
mia chegar ao ponto 8, que é por meio da tecnologia. A tecnologia é um fator
que desloca a curva das possibilidades de produção, pois, como já discutimos,
podemos produzir mais, dados os mesmos fatores de produção disponíveis,
ou seja, aumenta a capacidade produtiva da empresa. Essa situação pode ser
vista no Gráfico 3.

Conceitos Básicos de Economia


I

Alimentos
(toneladas)
6 8
60

50 5

40 4

3
30 7

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
2
20
1
10
0 60 100 130 150 160 180
Roupas
(milhares)
Gráfico 3: Deslocamento da curva das possibilidades de produção dada uma mudança tecnológica
Fonte: a autora.

No mundo real, pode acontecer de a curva das possibilidades de produ-


ção se deslocar mais em direção a um bem do que a outro, isso acontece em
razão de os bens não possuírem exatamente o mesmo processo produtivo ou
as mesmas quantidades de todos os fatores de produção. Então, o recurso pro-
dutivo que for mais afetado pela tecnologia tende a deslocar mais a curva de
transformação.
Tudo que discutimos sobre curva das possibilidades de produção também
nos mostra outro conceito muito importante para a ciência econômica, que é o
custo de oportunidade, no qual a empresa teve que “abrir mão” de certa quanti-
dade produzida do bem Y em função da produção do bem X.
Então, custo de oportunidade pode ser definido como o sacrifício de se trans-
ferir os recursos de uma atividade para outra, ou seja, é a quantidade de um bem
ou serviço que se deve renunciar para obter outro.
É importante observar que só existe custo de oportunidade se a economia
estiver funcionando em pleno emprego, ou seja, se os recursos forem plenamente
utilizados, como os pontos de 1 a 6 do gráfico 1.

INTRODUÇÃO À ECONOMIA
29

CLASSIFICAÇÃO DOS BENS E SERVIÇOS

Bens e serviços podem ser definidos como tudo aquilo capaz de atender uma
necessidade humana. Lembrando que as necessidades humanas são ilimitadas
e cada pessoa tem a sua necessidade. Os bens podem ser classificados de duas
formas principais: em relação a sua raridade e em relação a quem os oferta. No
que diz respeito à raridade, os bens e serviços podem ser:
1. Livres – são aqueles bens nos quais a quantidade é ilimitada e podem ser
obtidos sem nenhum esforço humano, por esse motivo, não têm preço, e
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

a economia não se preocupa com eles, por exemplo, mar, rio, lagoa, oxi-
gênio, entre outros.
2. Econômicos – são bens e serviços limitados (escassos), têm valor de mer-
cado e precisam de esforço humano para produzi-los, por exemplo, carro,
computador, caneta, entre outros. Os bens e serviços econômicos são os
bens estudados pela economia.
Os bens econômicos podem ser classificados, quanto a sua natureza, em:
a. Materiais – são bens tangíveis e que podem ser estocados. Por exemplo,
computador, sapato, roupa etc. Podem ser:
I. Consumo – bens duráveis e de consumo imediato. Exemplo: roupa.
II. Intermediário – necessários para fabricação de bens de consumo.
Exemplo: matéria-prima.
III. Capital – permitem produzir bens. Exemplo: máquinas.
b. Imateriais ou serviços – são intangíveis, não podem ser estocados e, assim
que são consumidos, acabam, como uma consulta médica, uma aula ou
uma consultoria.

A partir do que foi discu-


tido sobre bens econômicos
materiais e imateriais, farei
uma pergunta para você:
uma passagem de metrô
é um bem material ou um

Conceitos Básicos de Economia


I

serviço? O ticket do metrô é um bem material, pois conseguimos estocar.


Porém a viagem feita é um serviço, assim que descemos do metrô, o bem
acabou.
Os bens e serviços também podem ser classificados de outra forma, em rela-
ção a quem os oferta. Nesse caso, podem ser:
a. Públicos – são bens ou serviços ofertados pelo governo e têm como carac-
terísticas serem não exclusivos e não disputáveis, ou seja, independente de
quem paga por eles, no caso, por meio de impostos, todos poderão con-
sumir, e o consumo de uma pessoa não exclui o consumo de outra. Por

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
exemplo, a segurança pública e o corpo de bombeiros.
b. Privados – são bens ou serviços ofertados pelas empresas e têm como
características serem disputáveis e exclusivos, ou seja, só quem pagar pelo
bem poderá levá-lo para casa, e o consumo de uma pessoa exclui o con-
sumo da outra, como uma roupa ou um alimento.

Para melhor visualizar a classificação dos bens quanto a quem os oferta, veja o
Quadro 2:

CARACTERÍSTICA BEM PÚBLICO BEM PRIVADO


É rival Não Sim
É excludente Não Sim
Quadro 2: Comparação entre bem público e bem privado
Fonte: a autora.

Conforme podemos ver no Quadro 2, se um determinado bem é não rival e


não excludente, ele é um bem público. Caso contrário, é um bem privado. Para
ilustrar essa situação, vamos pensar em dois bens: iluminação pública e carro.
Primeiro, sabemos que o mesmo carro não pode ser consumido, no caso, com-
prado, por duas pessoas diferentes. Nesse caso, o seu consumo é rival. Em segundo
lugar, o consumo do carro é excludente, pois, se a pessoa não pagar pelo carro,
a empresa não venderá. Já no caso da iluminação pública, não é possível uma
pessoa ter e a outra, na mesma rua, não ter, e nem o consumo por parte de um
indivíduo excluir o consumo do outro.

INTRODUÇÃO À ECONOMIA
31

AGENTES ECONÔMICOS

Para fabricar bens e serviços, comprar produtos, pagar tributos, regular a econo-
mia, entre outros, ou seja, para fazer com que a economia gire, são necessários
os agentes econômicos, que podem ser definidos como uma pessoa de natureza
física ou jurídica que, por meio de suas ações, contribui para o funcionamento
do sistema econômico. Esses agentes podem ser classificados em:
a. Empresas – também são conhecidas como unidades produtivas, são
responsáveis pela produção e comercialização dos bens e serviços. As
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

empresas combinam os fatores de produção da forma mais eficiente pos-


sível para fabricar bens e serviços, de modo a obter o máximo de lucro.
b. Família – conhecida como consumidores, inclui, segundo Passos e Nogami
(2012), todos os indivíduos e unidades familiares da economia; tem como
função adquirir bens e serviços, além disso, são proprietários do fator de
produção “trabalho”, em outras palavras, trabalhamos para receber salá-
rios para podermos comprar bens e serviços.
c. Governo – são as organizações que estão, direta ou indiretamente, sob o
domínio do Estado e que atuam no sistema econômico. Temos o governo
federal, estadual e municipal, além das leis e regulações. O governo pode
intervir na economia de duas formas, segundo Passos e Nogami (2012):
atuando como empresários e produzindo bens e serviços por meio das
empresas estatais ou contratando serviços, comprando materiais, equi-
pamentos etc. O governo pode intervir também por meio de regulações,
tendo como objetivo controlar o mercado, para este se tornar eficiente.

FATORES DE PRODUÇÃO OU RECURSOS PRODUTIVOS

Podemos definir fatores de produção ou recursos produtivos como elementos


limitados que são utilizados no processo de fabricação de bens e serviços que
irão satisfazer as necessidades humanas.

Conceitos Básicos de Economia


I

Os fatores de produção têm como características serem escassos, como você


já deve ter percebido, versáteis, ou seja, podem ser utilizados para diferentes fins,
dito de outro modo, os fatores de produção fabricam diversos bens e podem ser
combinados em proporções para produzir bens e serviços.
Após definir fatores de produção, é importante classificá-los. Os recursos
produtivos são:
a. Recursos naturais ou terra – é a origem de todo processo produtivo, como
terra, água, minerais, matérias-primas etc.

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
b. Recursos humanos – é a contribuição do ser humano na produção. Podem
ser físico ou intelectual. Como trabalho físico, temos o trabalho de um
agricultor no campo. Já uma consulta médica é considerada um traba-
lho intelectual.
c. Capital – são bens utilizados no processo produtivo, como máquinas,
construções, infraestrutura, entre outros.

Atualmente, além dos três fatores de produção clássicos que citamos anterior-
mente, ainda temos a capacidade empresarial e o empreendedorismo como
fatores de produção, pois é fundamental a tomada de decisão dos empresários
quanto à utilização dos recursos produtivos. A tecnologia também pode ser con-
siderada um fator de produção.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Chegamos ao final da primeira unidade da disciplina de Engenharia Econômica.


Agora, você já sabe exatamente o que é economia e o que essa ciência estuda.
Vimos que a economia vai muito além da ciência que estuda o dinheiro ou como
as pessoas fazem investimento. As ciências econômicas têm como foco as esco-
lhas dos agentes econômicos, sempre com o objetivo de gerar bem estar social.
Por isso é uma ciência social, e não uma ciência exata, como a engenharia de
produção.

INTRODUÇÃO À ECONOMIA
33

Acredito que você deve ter se surpreendido com a complexidade da econo-


mia e tenho certeza que, com o passar das unidades, você ficará cada vez mais
surpreso(a) e encantado(a) com o estudo da ciência econômica, uma vez que a
economia está no nosso dia a dia. Vivemos economia desde o nosso nascimento
até a nossa morte. Qualquer decisão do governo afeta nossas vidas, qualquer
decisão de um membro da nossa família afeta a família como um todo, princi-
palmente, se essas decisões forem econômicas.
Esta primeira unidade foi dividida em três tópicos de igual importância.
Iniciei apresentando o que, de fato, é a economia. Na segunda parte, apresentei
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

a você os dez princípios que norteiam o estudo da economia. Ao final, discuti-


mos alguns conceitos básicos e fundamentais da economia.
Todos os conceitos apresentados nesta primeira unidade são fundamentais
para o entendimento da economia e, também, para que você compreenda como
uma empresa, ou melhor, como você, futuro (a) engenheiro (a) de produção,
pode tomar as melhores decisões, por exemplo, de investimento.
Aqui, termino a primeira unidade e espero que tenha conseguido despertar
em você a curiosidade pela ciência econômica. Na próxima unidade, discuti-
remos uma das grandes áreas de estudo da economia, que é a microeconomia.
Um forte abraço,
Profª Me. Andréia Moreira da Fonseca Boechat

Considerações Finais
1. Explique, utilizando o conteúdo estudado na primeira unidade, como a econo-
mia está presente em sua vida.
2. Cite três exemplos de tradeoffs importantes com que você se depara na sua vida,
seja pessoal ou profissional.
3. Vamos supor que você esteja pensando se vai tirar férias ou não. Para sua deci-
são, você está pesquisando pacotes de viagens. Sabendo que os custos da via-
gem são monetários e os benefícios são psicológicos, como você pode comparar
os custos com os benefícios?
4. Por que a tecnologia é a melhor alternativa para resolver o problema econômico,
considerando principalmente que os recursos são escassos?
35

POR QUE ESTUDAR ECONOMIA?

Imagine a seguinte situação: uma moça Para alguns, a decisão de aproveitar a pro-
escreve um e-mail ao namorado e lê um moção de gasolina pode parecer sem
livro de 150 páginas enquanto espera numa sentido, mas, para outros, trata-se de uma
fila que durou mais de três horas. O motivo medida bastante razoável. O que acontece
disso é que um determinado posto de gaso- é que, para todos nós, a decisão de comprar
lina está fazendo uma superpromoção e ou não a gasolina é basicamente a mesma:
vendendo o litro do combustível a R$1,99, comparamos os custos com os benefícios.
para inaugurar novos postos da mesma Precisamos fazer escolhas o tempo todo,
rede. porque não temos tudo que queremos.

A promoção durou das dez horas ao meio Após estudar a primeira unidade no nosso
dia de um sábado e os consumidores só livro, você sabe que não é possível con-
poderiam adquirir 69 litros. “Estou na fila seguir estudar ou trabalhar 40 horas por
desde que ela se formou. Nunca vi o preço semana, jogar futebol, andar de bicicleta,
da gasolina tão baixo e acho que isso não praticar surfe, ir ao cinema, ler um romance
vai acontecer de novo”, contou Vera, que e, ainda, sair pra se divertir com os ami-
dirigiu cerca de 14 quilômetros e chegou ao gos. Simplesmente não há tempo para fazer
posto oito horas, mas já encontrou sete car- tudo isso; é preciso escolher algumas ativi-
ros a sua frente. “Como meu carro já estava dades e deixar de lado as demais. É disso
na reserva, coloquei R$ 2 e continuei”, escla- que trata a economia: a compreensão dos
receu Vera. motivos que levam as pessoas a fazerem o
que fazem. A economia é um campo fas-
“Acho que já gastei mais do que vou colocar cinante!
no tanque agora”, contou João, ao chegar
à bomba, depois de uma hora e meia de A economia analisa as decisões tomadas
espera. Uma mulher tentou furar a fila, o pelas pessoas e pelas empresas no que se
que deu início a uma discussão. João desis- refere ao trabalho, consumo, investimento,
tiu de esperar e, ao ir embora, bateu em contratação de funcionários e precificação
um carro. “Eu queria sair daquela confusão. de serviços. Estuda, também, o funciona-
Essa gente é louca! Tudo isso pra economi- mento de economias inteiras e a interação
zar uns trocados”, disse João, ao registrar o entre elas; o motivo para haver recessão em
boletim de ocorrência. alguns momentos e crescimento em outros;
a diferença dos padrões de vida de um país
As pessoas desse relato se sacrificaram para outro e a disparidade de riqueza entre
para comprar 15 galões de gasolina por um as pessoas.
preço promocional de R$1,99. Na época, o
litro de gasolina custava R$2,70.
Fonte: a autora.
MATERIAL COMPLEMENTAR

O livro da economia
Diversos autores
Editora: Globo livros
Sinopse: Escrito por professores e estudiosos de maneira simples e
acessível, este é um livro completo e atualizado sobre economia. Nele,
há breves biografias de economistas, citações dos grandes pensadores,
linha do tempo com os principais acontecimentos, entre outros.

Para entender um pouco mais sobre o significado e conceito de economia, acesse o vídeo no link
disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=lsg3UziSd54>. Acesso em: 14 jul. 2015.
Professora Me. Andréia Moreira da Fonseca Boechat

FUNDAMENTOS

II
UNIDADE
MICROECONÔMICOS

Objetivos de Aprendizagem
■■ Entender a famosa lei oferta e demanda.
■■ Compreender as forças de mercado.
■■ Conhecer como o preço e quantidade são formados.
■■ Verificar os custos de produção.

Plano de Estudo
A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade:
■■ Forças de mercado: demanda e oferta
■■ Equilíbrio de mercado
■■ Os custos de produção
39

INTRODUÇÃO

Olá, caro(a) acadêmico(a),


Iniciaremos a segunda unidade da disciplina Engenharia Econômica. Como
você já sabe, a economia é dividida em duas grandes áreas de estudo: a microeco-
nomia e a macroeconomia. A primeira área, a microeconomia, estuda as decisões
dos agentes econômicos de forma individual. Ela explica os motivos que fazem
com que os consumidores prefiram/escolham determinados bens ou serviços a
outros e os incentivos que as empresas têm em aumentar a produção. A micro-
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

economia explica também como o preço é formado e o grau de concorrência.


Já a segunda grande área de estudo da economia, a macroeconomia, procura
analisar as variáveis econômicas no agregado. Aborda assuntos como a taxa de
inflação, a taxa de juros e as políticas econômicas, além do mercado de traba-
lho. Nesta segunda unidade, discutiremos uma das grandes áreas de estudo da
economia, a microeconomia.
Assim, começaremos discutindo a demanda, ou seja, os desejos e caracte-
rísticas dos consumidores. Além disso, os fatores que influenciam, ou melhor,
afetam a tão famosa curva de demanda. Veremos que a demanda sofre impacto
de inúmeras variáveis e a empresa precisa se preocupar com todas essas variá-
veis para conseguir vender seus bens ou serviços.
Discutiremos, também, o outro lado dessa relação: a oferta. Nesse caso, vere-
mos o que, de fato, é oferta e quais são os incentivos que a empresa tem para
aumentar a produção de seus bens e serviços.
Na sequência, “juntaremos” os dois conceitos, demanda e oferta, e veremos como,
realmente, o preço e a quantidade que conhecemos e negociamos são formados. Assim,
começaremos a entender os motivos que fazem com que a economia seja tão dinâmica.
Para finalizar a unidade, discutiremos as estruturas de mercado e, consequen-
temente, a diferença de preço da alface, por exemplo, em relação à energia elétrica.
Tenho certeza de que, ao final desta unidade, você ficará, por um lado, mais
surpreso(a) com a complexidade da ciência econômica e com como ela afeta
diretamente nossa vida. Por outro lado, ficará encantado(a) com essa ciência,
que, sem dúvida, é fascinante. Vamos lá?!
Bons estudos!

Introdução
II

FORÇAS DE MERCADO: DEMANDA E OFERTA

Uma das principais leis da economia, talvez a principal, é a famosa lei da oferta
e demanda. Essa lei é a base para diversas explicações de fenômenos econômi-
cos e a discutiremos neste
tópico. Mas já adianto a
você: quando a demanda for
maior que a oferta por algum
bem ou serviço, o preço se

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
eleva. Caso contrário, se
a demanda for mais baixa
que a oferta, o preço reduz.
Vamos entender o motivo da
situação apresentada acima?

TEORIA DA DEMANDA

A teoria da demanda tem como objetivo tratar das necessidades dos consumidores, ou
seja, procura explicar o comportamento do consumidor ao escolher bens e serviços.
Na unidade I, você viu que qualquer economia procura responder a quatro
perguntas básicas: o que produzir? Quanto produzir? Para quem produzir? Como
produzir? Destas, as três primeiras são respondidas pela teoria do consumidor.

Mas o que é demanda?


Passos e Nogami (2012) definem demanda como a quantidade de um deter-
minado bem ou serviço que um consumidor deseja e está capacitado a comprar,
por unidade de tempo. A palavra “deseja” está em destaque porque a demanda
é uma intenção de compra, e não a compra efetiva.
Outros três elementos devem ser discutidos sobre a definição de demanda:
a. Só existe demanda se a pessoa puder pagar pelo bem ou serviço. Se não
puder pagar, não há demanda. Então, um sonho de consumo que, muitas
vezes, temos não é considerado demanda, pois não podemos pagar por ele.

FUNDAMENTOS MICROECONÔMICOS
41

b. O conceito de demanda está relacionado à ideia de utilidade, isso mesmo,


aquela utilidade que vimos na primeira unidade. Só existirá demanda se
aquele bem ou serviço gerar algum tipo de satisfação para o consumidor.
Se não gera satisfação, não há demanda, pois quem irá desejar um bem
ou serviço sem utilidade?!
c. A demanda vem sempre acompanhada da unidade tempo, pois a demanda
se altera com o tempo. Se a demanda é uma intenção de compra, dados
a renda e o preço do bem, com o tempo, o preço altera e a renda tam-
bém, então, a demanda é alterada. Podemos concluir, portanto, que a
demanda é dinâmica!
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Agora que você já sabe o conceito de demanda, vamos representá-la grafica-


mente? A curva de demanda é representada conforme o Gráfico 4:

Q
Gráfico 4: Representação da curva de demanda
Fonte: a autora.

Conforme visto no Gráfico 4, a curva de demanda (D) é a


relação entre preço (P) e quantidade (Q) e é negativamente
inclinada. Você sabe responder por que a curva de demanda
é negativamente inclinada?
A curva de demanda é negativamente inclinada porque,
conforme o preço aumenta, a quantidade que os consu-
midores estão dispostos a adquirir reduz, pois, se o preço
aumentar, os consumidores irão substituir o consumo do
bem pelo seu substituto. Esse efeito é chamado de efeito
substituição.

Forças De Mercado: Demanda e Oferta


II

Outro motivo que faz com que a curva de demanda seja negativamente
inclinada é o chamado efeito renda, que nos diz que, ao aumentar a renda, o
consumidor irá demandar quantidades maiores de um determinado bem e quan-
tidades menores de outros bens.
Resumindo, a demanda é negativamente inclinada, pois, conforme o preço
altera, a quantidade demandada altera também (efeito substituição) e alterações
na renda alteram a quantidade demandada (efeito renda).
Para facilitar a explicação acima, vou mostrar um exemplo. José, nosso con-
sumidor, deseja ir ao cinema ver os filmes que acabaram de ser lançados. Nesse

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
caso, cinema é nosso bem. Dependendo do preço do ingresso, José está disposto
a ir mais de uma vez ao mês ao cinema, conforme Tabela 3:

PREÇO DO INGRESSO QUANTIDADES DE IDA AO CINEMA


15 1
12 2
10 3
7 4
5 5
Tabela 1: Demanda por ingressos para cinema de José
Fonte: a autora.

Analisando a Tabela 1 e a representando graficamente, podemos ver que,


conforme o preço do ingresso para o cinema reduz, a quantidade demandada,
ou seja, a quantidade de vezes que José está disposto a ir ao cinema aumenta, o
que faz com que a curva de demanda seja negativamente inclinada.

P
15

12

10

0 1 2 3 4 5
Q
Gráfico 5: Representação da curva de demanda de José para ingressos de cinema
Fonte: a autora.

FUNDAMENTOS MICROECONÔMICOS
43

Claro que representei a curva de demanda de apenas um consumidor,


mas também temos a curva de demanda de mercado, que é a soma das cur-
vas de demanda individuais de um determinado bem que está sendo vendido
a um determinado preço. Independente de ser curva de demanda individual
ou de mercado, ela será sempre negativamente inclinada, pelos motivos que
já explicamos.

FATORES QUE AFETAM A CURVA DE DEMANDA


Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Após entender o conceito de demanda e o que, de fato, significa para a ciência


econômica, vou apresentar a você alguns fatores que afetam a curva de demanda,
tanto positiva quanto negativamente, ou seja, fatores que fazem com que a
demanda aumente ou diminua e um fator que determina a demanda.
O fator que determina a demanda é o preço do bem ou serviços em ques-
tão. Nesse caso, como discutimos até agora, um aumento do preço faz com que a
quantidade que os consumidores estão dispostos a consumir reduza e vice-versa.
Assim, não há um deslocamento da curva de demanda, apenas os pontos sobre
a curva que deslocam. Nós chamados isso de alteração na quantidade deman-
dada e não alteração na demanda.
Já os fatores que afetam e, portanto, deslocam a curva de demanda para a
direita ou para a esquerda são diversos e apresentarei a você alguns deles:
a. Renda.
b. Preço dos bens complementares.
c. Preço dos bens substitutos.
d. Propaganda.
e. Expectativa sobre o futuro.
f. Fatores Climáticos.
g. Hábitos/costumes.
h. Entre outros.

Forças De Mercado: Demanda e Oferta


II

Vamos ver cada um deles?

a. Renda

A renda é um dos principais fatores que afetam a curva de demanda. Então, de


acordo com a renda, os consumidores irão escolher qual das cestas de produtos
disponíveis irão demandar. A partir da variação da renda e do impacto que essa
variação causa na quantidade demandada, os bens podem ser classificados em:
■■ Normal – quando há um aumento de renda, a quantidade demandada do
bem ou serviço aumenta. A maioria dos bens é normal, pois, quando a

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
pessoa tem um aumento de renda, passa a demandar mais daquele bem.
Nesse caso, a curva de demanda se desloca para a direita, ou seja, para cima.
■■ Inferior – quando há aumento da renda, a pessoa passa a consumir menos
daquele bem. Por exemplo, se José, nosso consumidor, tiver um aumento
de salário, ele passará a consumir mais carne de primeira. Nesse caso, a
curva de demanda para carne de segunda se desloca para a esquerda, ou
seja, para baixo.
■■ Consumo saciado – independente da renda, a quantidade demandada será
a mesma, ou seja, mesmo que José passe a receber um salário maior ou o
preço do bem reduzir, ele não irá demandar mais ou menos quantidades,
por exemplo, de sal. Nesse caso, a curva de demanda não se desloca, pois
não há aumento ou redução da demanda.

b. Preço dos bens complementares

Bens complementares são os bens que são consumidos juntos, como café e açú-
car, arroz e feijão, pão e manteiga etc. Então, se o preço de um bem aumentar
(café), a quantidade demandada de café e do seu complementar, que é o açúcar,
reduzirá, deslocando a curva de demanda para a esquerda.

c. Preço dos bens substitutos

Bens substitutos são aqueles que têm, praticamente, as mesmas características


e, por esse motivo, podem ser substituído um pelo outro. Por exemplo, bolo de
chocolate e bolo de coco; manteiga e margarina; pão francês e pão de forma,
entre outros.

FUNDAMENTOS MICROECONÔMICOS
45

Como são bens que podem ser substituídos, quando o preço de um aumen-
tar, por exemplo, da manteiga, a quantidade demandada de manteiga cairá e a
quantidade demandada do seu substituto, no caso, da margarina, aumentará.
Nesse caso, a curva de demanda de manteiga se desloca para a esquerda, ou seja,
a demanda por manteiga reduz ,e a curva de demanda de margarina se desloca
para a direita (aumenta a demanda de margarina).

d. Propaganda/Marketing

A propaganda/marketing cria uma necessidade de consumo. Então, é um instru-


Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

mento muito utilizado para aumentar a quantidade demandada de determinados


bens e serviços, deslocando a curva de demanda para a direita.

e. Expectativa sobre o futuro

Outro fator que afeta a curva de demanda é a expetativa que o consumidor tem
em relação ao futuro. Se José acredita que receberá um aumento daqui a noventa
dias, a demanda dele, hoje, aumentará, caso contrário, se ele está em aviso pré-
vio, a demanda dele reduzirá.

f. Fatores Climáticos

O clima é outro fator que afeta a curva de demanda. No inverno, a demanda


por biquínis reduz, enquanto a demanda por calças aumenta. Outro exemplo,
a demanda de aquecedor na região Norte do Brasil é quase nula, pois não tem
clima para utilizar esse tipo de aparelho, enquanto a demanda por ar condicio-
nado na Noruega é baixa.

g. Hábitos/costumes.

A demanda de alguns bens varia conforme o hábito e costume da região. Por


exemplo, na Índia, a vaca é sagrada, então, a demanda por carne bovina é quase
nula, enquanto no Brasil é alta.

h. Entre outros

Citei alguns fatores que afetam a curva de demanda, mas temos diversos outros. É
importante lembrar que qualquer fator que aumente a demanda deslocará a curva de

Forças De Mercado: Demanda e Oferta


II

demanda para a direita, conforme Gráfico 5. Em compensação, qualquer fator que


reduz a demanda, desloca a curva de demanda para a esquerda, conforme Gráfico 6.
P

D’
D

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
Q
Gráfico 6: Deslocamento da curva de demanda para a direita
Fonte: a autora.

O Gráfico mostra o deslocamento da curva de demanda para direita, ou seja,


quando algum dos fatores estudados acima aumenta a demanda, por exemplo,
aumento da renda, aumento do preço do bem substituto etc.
P

D
D’

Q
Gráfico 7: Deslocamento da curva de demanda para a esquerda
Fonte: a autora.

O Gráfico 6 mostra o deslocamento da curva de demanda para a esquerda,


ou seja, quando algum dos fatores que estudados acima reduz a demanda, por
exemplo, redução da renda, redução do preço do bem complementar etc.
Não podemos deixar de observar que, quando falamos em uma alteração na
quantidade demandada em função de uma variação no preço do próprio bem,
a curva de demanda não se desloca, alterando apenas os pontos sobre a curva.

FUNDAMENTOS MICROECONÔMICOS
47

TEORIA DA OFERTA

Até aqui, estudamos o lado do consumidor na teoria da demanda, agora, anali-


saremos o outro lado, o do produtor, em outras palavras, a oferta. Então, a teoria
da oferta analisa os principais aspectos relacionados à oferta de mercado, ou
melhor, estuda o comportamento das empresas.
Sintetizando, a teoria da oferta estuda a resposta do produtor aos incenti-
vos de mercado, incentivos
esses relacionados a quan-
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

tidade demandada, custos,


incentivos governamentais,
disponibilidade de fatores de
produção etc.
Mas, então, o que é
oferta? A oferta pode ser
definida, segundo Passos
e Nogami (2012), como a
quantidade de um bem ou
serviço que uma determi-
nada empresa deseja vender,
por unidade de tempo. Mais
uma vez, a palavra “deseja” está em negrito, isso porque o preço dependerá do
incentivo que as empresas têm para aumentar a quantidade produzida e ven-
dida. Em outras palavras, quanto maior o preço, maior será o desejo/vontade
da empresa vender mais.
Outra observação é em relação à “unidade de tempo”. Vimos na teoria da
demanda que esta altera com o tempo. A oferta tem o mesmo funcionamento,
com o tempo, ela poderá ser alterada.
Como a curva de oferta é representada? A curva de oferta é representada
conforme Gráfico 8:

Forças De Mercado: Demanda e Oferta


II

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
Q
Gráfico 8: Representação da curva de oferta
Fonte: a autora.

Você percebeu que o formato da curva de oferta é oposto ao da curva de


demanda, já que a curva de oferta é positivamente inclinada! Vamos ver o motivo?
Imagine uma empresa que venda sanduíches congelados e que tem a seguinte
oferta:

PREÇO POR SANDUÍCHE QUANTIDADE OFERTADA (MILHÕES DE SANDUÍCHES)


5 18
4 16
3 12
2 7
1 0

Tabela 2: Oferta de uma empresa hipotética de títulos de capitalização. Fonte:


a autora.

Pela Tabela 2, você percebeu que, conforme o preço do sanduíche conge-


lado reduz, a quantidade que a empresa deseja vender diminui também, fazendo
com que a curva seja positivamente inclinada. Transformando essa tabela em
um gráfico:

FUNDAMENTOS MICROECONÔMICOS
49

4 O
3

2
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

1
Q
0 7 12 16 18
Gráfico 9: Representação da curva de oferta para empresa hipotética de sanduíches congelados
Fonte: a autora.

O Gráfico 9 confirmou o que a Tabela 2 mostrou, conforme o preço do san-


duíche congelado reduziu, a quantidade que a empresa deseja vender também
diminuiu, chegando ao ponto de a R$ 1,00 a empresa não estar disposta a ven-
der nenhum sanduíche.
Qual a explicação para que ao
preço de R$ 1,00 a empresa não
esteja disposta a vender o pro-
duto? A preços muito baixos, as
empresas não têm incentivo para
aumentar sua produção e poderão
ofertar outro tipo de produto, no
caso, outro tipo de lanche conge-
lado, como cachorro-quente, que
tenha um preço de mercado mais
alto.

Forças De Mercado: Demanda e Oferta


II

FATORES QUE AFETAM A CURVA DE OFERTA

Agora que você conhece o conceito de oferta, vou apresentar alguns fatores que
afetam positiva e negativamente a curva de oferta. Assim como na demanda,
o preço do bem ou serviço afeta a curva de oferta, mas não a desloca. Quanto
maior for o preço, maior será a quantidade ofertada. Caso contrário, se o preço
diminuiu, a quantidade ofertada também diminuiu.
Já os fatores que afetam e deslocam a curva de demanda, segundo Mendes
(2009), são:

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
a. Preço dos insumos

Um aumento no preço dos insumos aumenta os custos da empresa e pode redu-


zir a produção, pois, caso não seja repassado ao preço final, a empresa terá menos
lucro, deslocando a curva de oferta para a esquerda.

b. Tecnologia

A tecnologia é uma ótima forma de aumentar a produção, utilizando a mesma


quantidade de fatores de produção, assim, reduzindo os custos e aumentando a
oferta, deslocando a curva de oferta para a direita.

c. Preço dos produtos competitivos

Quando falamos em produtos competitivos, estamos nos referindo a produtos


alternativos do processo de produção, ou seja, são produtos que utilizam mais
ou menos o mesmo processo produtivo. Nesse caso, a empresa escolherá produ-
zir e vender aquele produto
que tem um preço de mer-
cado mais alto. Essa foi a
situação no nosso exemplo
da empresa hipotética de
sanduíches congelados, em
que, ao preço de R$ 1,00, a
empresa optaria por ofertar
outro tipo de sanduíche.

FUNDAMENTOS MICROECONÔMICOS
51

Além dos fatores citados acima, ainda temos:

d. Políticas do governo

Dependendo da política pública do governo, a empresa tem incentivo para


aumentar ou reduzir a produção. Por exemplo, subsídio1 é um incentivo para
as empresas aumentarem a produção. Os subsídios acontecem principalmente
no setor agropecuário.

e. Influências especiais
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

As influências especiais, como uma condição


meteorológica, afetam alguns setores e fazem
com que as empresas aumentem ou reduzam
a produção. Por exemplo, uma chuva causa
uma redução na produção dos agricultores,
reduzindo a oferta.
Como vimos, alguns fatores afetam e des-
locam a curva de oferta para a direita ou para
a esquerda. Qualquer fator que reduza custos é
um incentivo para a empresa aumentar a produ-
ção, deslocando a curva de oferta para a direita.
Essa situação pode ser vista no Gráfico 10:
P

O O’

Q
Gráfico 10: Deslocamento da curva de oferta para a direita
Fonte: a autora.

1 Subsídio é um tipo de imposto negativo, em que o governo paga uma parte dos custos de produção para
os produtores aumentarem ou passarem a produzir aquele produto.

Forças De Mercado: Demanda e Oferta


II

Agora, qualquer fator que aumente o custo ou que reduza o lucro é um


incentivo para a empresa reduzir a produção, deslocando a curva de oferta para
a esquerda, conforme Gráfico 11:

O’ O

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
Q
Gráfico 11: Deslocamento da curva de oferta para a esquerda
Fonte: a autora.

Não posso deixar de observar que, quando falamos em uma alteração na


quantidade ofertada em função de uma variação no preço do próprio bem, a
curva de oferta, assim como a curva de demanda, não se desloca, alterando ape-
nas os pontos sobre a curva, o mesmo caso que discutimos quando falamos em
variáveis que impactam a curva de demanda.

EQUILÍBRIO DE MERCADO

Nos tópicos acima, estudamos o comportamento dos consumidores e das empre-


sas separadamente, mas sabemos que, no mundo real, a oferta e a demanda
atuam conjuntamente e o preço e a quantidade que é vendida no mercado se
dão quando as duas curvas (oferta e demanda) se interceptam.
Agora, mostrarei a você o equilíbrio em mercados competitivos, ou seja, mer-
cados que são formados por um grande número de compradores e vendedores.

FUNDAMENTOS MICROECONÔMICOS
53

Faço a observação de que o equilíbrio discutido aqui é em mercados competitivos,


pois temos outros mercados, como os pouco competitivos e os sem competição,
nos quais o equilíbrio se dá em outro ponto, ou seja, funciona de outra forma a
relação entre demanda e oferta, sendo o preço formado em um ponto mais alto,
mas isso será discutindo ainda nesta unidade.
O equilíbrio em mercados competitivos pode ser visto no Gráfico 12:
P
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

E
P’
D

Q’
Q
Gráfico 12: Equilíbrio em um mercado competitivo
Fonte: a autora.

Analisando o Gráfico, podemos perceber que o ponto onde as curvas de


oferta (O) e demanda (D) se encontram é o ponto de equilíbrio (E) e este mos-
tra o preço e a quantidade negociados no mercado, P’ e Q’, respectivamente.
Qualquer preço acima de P’ significa que haverá mais oferta do que demanda,
ou seja, teremos um excesso de oferta e, pela lei da oferta e da demanda, oferta
maior que demanda, o preço tende a baixar. Então, pontos acima de P’ fazem
com que sobrem produtos no mercado e o preço automaticamente reduzirá.
Agora, caso contrário também, qualquer ponto abaixo de P’ significa que
teremos um excesso de demanda, ou seja, mais pessoas desejando adquirir o bem
ou serviço do que empresas dispostas de vender. Nesse caso, o preço aumentará,
de modo a chegar ao ponto E, que é o ponto de equilíbrio.
Todos os fatores que estudamos nos tópicos anteriores que afetam as cur-
vas de demanda, como renda, preço dos produtos complementares e substitutos,
expectativa sobre o futuro, entre outros, e todos os fatores que vimos que afetam

Equilíbrio de Mercado
II

a curva de oferta, como tecnologia, preço dos produtos relacionados, interferên-


cia governamental etc., afetam o ponto de equilíbrio.
O governo também pode afetar o ponto de equilíbrio por meio de:

a. Fixação de preços mínimos

Acontece quando o governo fixa o preço mínimo que seria vendido no mer-
cado. Esse instrumento tem como objetivo beneficiar o produtor, de forma a
garantir um nível de preço superior ao preço de equilíbrio. Um exemplo seria
o mercado de trabalho, por meio de fixação do salário mínimo. Outro mer-

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
cado que participa dessa política é o mercado agrícola, no qual o governo se
compromete a adquirir a produção, caso o preço de mercado esteja abaixo do
preço fixado.

Preço mínimo da carne suína será aprovado neste ano.


Ainda em 2013, um programa para fixação do preço mínimo da carne suí-
na deve ser aprovado no Brasil. De acordo com o Ministério da Agricultura,
Pecuária e Abastecimento (MAPA), a política de garantia de preços mínimos
para a carne suína deve estar no mesmo modelo do preço mínimo da laran-
ja, que foi aprovado a pouco tempo. A Associação Brasileira dos Criados de
Suínos se pronunciou sobre o programa e disse que a medida é fundamen-
tal para o crescimento do setor.
Fonte: adaptado de Globo Rural (online).

b. Fixação de preços máximos

Acontece quando o preço vendido no mercado está muito alto e o governo, com
o objetivo de defender o consumidor, estabelece um preço máximo para que as
empresas possam vender seus produtos. O preço máximo será sempre menor
do que o preço de equilíbrio, ou seja, abaixo de P’.

FUNDAMENTOS MICROECONÔMICOS
55

c. Subsídios

Nesse caso, o governo, com o objetivo, muitas vezes, de desenvolver determina-


dos setores, paga uma parte dos custos produtivos da empresa, que terá incentivo
para aumentar a quantidade ofertada e/ou reduzir preço. Com subsídio, o preço
fica abaixo de P1.

d. Congelamento e tabelamento de preços

Muito utilizado na década de 1980 e no início da década de 1990 para comba-


ter a inflação. O governo congela preços e/ou salários, de forma a definir o P’.
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

ESTRUTURAS DE MERCADO

A interação entre oferta e demanda acontece no mercado


e, assim, é formado o preço. Essa interação muda para cada
estrutura do mercado. Então, Mendes (2009, p. 103) define
que: “Estrutura de mercado se refere às características orga-
nizacionais de um mercado, ou seja: grau de concentração,
grau de diferenciação do produto, grau de dificuldade ou
barreira à entrada”.
Como você viu, a estrutura de mercado engloba três
características. Vamos entender cada uma delas?

a. Grau de concentração

É o tamanho do mercado, em outras palavras, o número de vendedores e


compradores que fazem parte daquele mercado. Dependendo da quantidade de
empresas e consumidores, dizemos que o mercado é concentrado ou competitivo.
Uma forma de medir o grau de concentração é por meio dos índices de mercado.
Quando as quatro maiores empresas que fazem parte desse mercado detêm,
pelo menos, 75% da quantidade comercializada, dizemos que esse é um mer-
cado altamente concentrado.
Um dos maiores problemas de mercado muito concentrado é que as empresas
conseguem definir o preço pelo qual será vendido seu produto e esse preço, em

Equilíbrio de Mercado
II

geral, é mais alto do que em mercados competitivos. Outros problemas podem


ser em relação à quantidade e à qualidade do produto.

b. Grau de diferenciação do produto

O grau de diferenciação do produto refere-se a quanto um bem ou serviço que


está sendo negociado no mercado é diferente. Pela visão da economia, quanto
mais heterogêneo for um bem, ou seja, quanto mais diferente o bem for, menos
produtos substitutos teremos para esse produto e, portanto, mais inelástico
ele será, em outras palavras, um bem ou serviço heterogêneo, mesmo que o

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
preço aumentar, a quantidade demandada será a mesma, pois não há substi-
tutos próximos.
A diferenciação pode ser obtida de diferentes formas. Mendes (2009) cita:
ingredientes de qualidade superior, prêmios oferecidos, serviços especiais, como
entrega delivery e embalagens especiais como formas de a empresa diferenciar
seu produto e, consequentemente, aumentar seu preço.
Você saberia me dar um exemplo de um produto homogêneo e um dife-
renciado? Em geral, produtos agropecuários, como soja e milho in natura, são
produtos homogêneos, pois a soja do produtor A é igual a soja do produtor B.
Como produtos diferenciados, podemos citar os produtos semi-industrializados
e os industrializados, como comida congelada, roupas, sapatos etc.

c. Barreiras à entrada

Barreiras à entrada podem ser definidas como o grau de dificuldade que uma
nova empresa tem em fazer parte do mercado. E podem ser:
■■ Economia de escala – acontece quando a empresa aumenta a quantidade
produzida e consegue reduzir seu custo médio no longo prazo. Existem
diversas formas de conseguir gerar economia de escala, como especia-
lização da mão de obra, utilização de tecnologia, compra de fatores de
produção em grandes quantidades, entre outros.
■■ Desvantagens de custo – ocorre quando a empresa que deseja fazer parte
do mercado tem alguma desvantagem em custo, como pouca experiên-
cia no setor, pouco domínio tecnológico, ou, ainda, grande necessidade
de propaganda.

FUNDAMENTOS MICROECONÔMICOS
57

Com base no que foi discutido, os mercados podem ser classificados quanto à
competitividade em:
■■ Competitivos – concorrência perfeita e concorrência monopolística.
■■ Pouco competitivos – oligopólio.
■■ Sem competição – monopólio.

O Quadro 3 mostra, de forma simplificada, como os mercados podem ser clas-


sificados quanto ao número de empresas e ao tipo de produto, ou seja, nas
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

características que discutimos acima.

NÚMERO DE EMPRESAS TIPO DE PRODUTO ESTRUTURA DE MERCADO


Muitas Homogêneo Concorrência perfeita
Muitas Diferenciado Concorrência monopolística
Poucas Homogêneo ou diferenciado Oligopólio
Uma Diferenciado Monopólio
Quadro 3: Classificação dos mercado
Fonte: baseado em Mendes (2009).

Conforme podemos visualizar, quando existe um grande número de empre-


sas e o produto comercializado é homogêneo, ou seja, idêntico, esse mercado é
de concorrência perfeita. Agora, se forem muitas empresas que vendem produ-
tos diferenciados, o mercado é de concorrência monopolística.
Por outro lado, se tivermos poucas empresas, mesmo que vendam produ-
tos idênticos ou não, estamos nos referindo a um oligopólio e, se for uma única
empresa que comercializa um produto altamente diferenciado, é um monopó-
lio. Cada uma dessas estruturas veremos agora.

1. Concorrência perfeita ou pura

Para iniciar nossos estudos sobre as estruturas de mercado, discutiremos, inicial-


mente, a concorrência perfeita, ou, como também é conhecida, a concorrência pura.
Essa é, com absoluta certeza, a estrutura de mercado menos real, pois, como você
verá pelas características, é muito difícil achar um setor ou uma empresa que apre-
sente todas as características para que possa ser incluída, na concorrência perfeita.

Equilíbrio de Mercado
II

Depois da minha declaração, você deve estar se perguntando, então, o motivo


pelo qual irei apresentar a você a concorrência perfeita. É importante estudar-
mos essa estrutura de mercado, pois é considerada, apesar de não muito real, a
estrutura ideal, em termos de concorrência.
Um mercado em concorrência perfeita ou pura tem como características:

■■ Grande número de compradores e vendedores

O número de vendedores e compradores nesse mercado é tão grande que as deci-


sões individuais não influenciam o preço. Então, dizemos que na concorrência

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
perfeita o preço é determinado no mercado, por meio da oferta e demanda, e é
praticamente o mesmo para todos os vendedores.

■■ Produtos homogêneos

Os produtos são homogêneos ou idênticos, de forma que o bem do vendedor A é


substituto perfeito do bem do vendedor B. Por essa razão, o preço é praticamente
constante, já que, como os produtos são idênticos, se um vendedor aumentar seu
preço, os consumidores irão comprar em outro produtor.

■■ Ausência de restrições artificiais (livre mercado)

Dizemos que na concorrência perfeita ou pura o governo não deve intervir no


mercado, por exemplo, por meio de congelamentos e tabelamentos de preços.
Em outras palavras, o mercado deve funcionar livremente.

■■ Ausência de barreiras à entrada

Como já discutimos, barreiras à entrada é o grau de dificuldade que uma nova


empresa tem de entrar no mercado. Na concorrência perfeita ou pura, não há
barreiras à entrada, ou seja, qualquer empresa pode fazer parte do mercado, sem
maiores custos ou dificuldades.

■■ Perfeito conhecimento

Como os produtos são homogêneos, uma empresa conhece todas as informa-


ções dos seus concorrentes, como preços, processos produtivos etc.

FUNDAMENTOS MICROECONÔMICOS
59

As quatro primeiras características definem a concorrência pura e, ao incluir


a quinta característica, falamos em concorrência perfeita. Como estamos em um
curso de graduação, trabalharemos com a concorrência perfeita.
Como já falei, na realidade, a situação de concorrência perfeita ou pura seria
uma situação ideal, mas que, de fato, não acontece. O mercado que mais se apro-
xima desse tipo de estrutura é o agropecuário.

2. Monopólio

O monopólio é, assim como a concorrên-


Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

cia perfeita, uma situação extrema, mas


real. Situação essa indesejável, pois pode
prejudicar o consumidor, já que não temos
concorrência. As características do mono-
pólio são:

■■ Uma única empresa

Como o próprio nome já diz, no monopó-


lio só temos uma única empresa.

■■ Produtos altamente diferenciados

Os produtos são altamente diferenciados, ou seja, são únicos. Nesse caso, o con-
sumidor não consegue substitui-lo por outro.

■■ Não há concorrência

Se só temos uma única empresa, não existe concorrência no mercado monopolista.

■■ Considerável controle de preço por parte da empresa

No monopólio, a empresa é formadora de preços, pois, como não existem con-


correntes, ela consegue definir qual preço será praticado no mercado. Por esse
motivo, o governo deve se preocupar com as práticas empresariais das empre-
sas monopolísticas. Sendo assim, Mendes (2009) apresenta duas formas que o
governo tem de controle no monopólio:

Equilíbrio de Mercado
II

a. Controle de preço – o governo pode exigir que o monopolista produza


até que o custo marginal seja igual ao preço. Essa é uma prática difícil,
pois o governo precisaria conhecer toda a estrutura de custo da empresa.
b. Política de taxação – o governo pode taxar o monopolista de forma a
reduzir seu lucro. A taxação pode ser de três formas:
■■ Pagamento de uma licença anual.
■■ Tributação sobre lucro.
■■ Imposto sobre vendas.

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
As duas primeiras afetam o custo fixo, reduzem ou, até mesmo, eliminam o lucro
da empresa e mantêm o preço para o consumidor. Já o imposto sobre vendas
afeta os custos variáveis e reduz a quantidade produzida.
É importante observar que, mesmo sendo uma única empresa, se o monopo-
lista quiser aumentar sua venda, ele deverá reduzir o preço do seu produto. Uma
estratégia utilizada pelo monopolista para vender mais é por meio da política
de discriminação de preços. Essa é uma prática que ocorre quando um mono-
polista vende o mesmo produto a consumidores diferentes e a preços diferentes.
Para isso, é necessário:
1. Separar os mercados fisicamente, de modo que um consumidor não con-
siga comprar no outro mercado.
2. Verificar a elasticidade-preço da demanda de cada mercado. Para o mer-
cado/consumidor mais elástico, o monopolista coloca um preço mais
baixo e, para o mercado mais inelástico, o preço é mais alto. Desse modo,
a empresa monopolística consegue aumentar sua receita.

Podemos citar como exemplo de prática de discriminação de preços:


■■ Tarifa de energia elétrica residencial, comercial, industrial e rural.
■■ Ligação telefônica de dia e a noite.
■■ Passagens aéreas em baixa e alta temporada.
■■ “Meia entrada” em cinemas, teatros, shows para estudantes e idosos,
entre outros.

FUNDAMENTOS MICROECONÔMICOS
61

Então, você percebeu pelos exemplos que não é somente uma empresa mono-
polística que pratica a discriminação de preços, essa é uma prática comum em
outras estruturas de mercado também.

■■ Altas barreiras à entrada

A última característica do monopólio são as altas barreiras à entrada. O grau


de dificuldade que uma nova empresa tem em fazer parte do mercado é muito
grande e, muitas vezes, não é economicamente viável termos uma concorrente,
como é o caso nos monopólios naturais. Então, os monopólios surgem por diver-
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

sas razões, entre elas, regulamentações do governo e processo de produção.


Para finalizar este
tópico, vou citar alguns seto-
res que são monopólio, que
são os setores de rodovias
pedagiadas, setor elétrico,
saneamento básico, extra-
ção de petróleo, em algumas
cidades, transporte coletivo
(ônibus), entre outros.
O maior problema do
monopólio é que, como não
há concorrentes, a empresa pode cobrar um preço muito alto ou oferta uma quan-
tidade baixa, além de não se preocupar com a qualidade. Por esses motivos, o
governo sempre acompanha e regula as empresas pertencentes ao monopólio.
Claro que em alguns setores o monopólio é essencial, pois não é econo-
micamente viável ter uma concorrente, como nos setores de energia elétrica e
saneamento básico. Nesse caso, chamamos o monopólio de monopólio natural,
já que é mais viável ter apenas uma empresa ofertando aquele produto.

3. Concorrência monopolística

Entre a concorrência perfeita e o monopólio, temos uma estrutura de mercado


conhecida como concorrência monopolística, que é uma mistura das duas estru-
turas estudadas anteriormente e tem como características:

Equilíbrio de Mercado
II

■■ Grande número de empresas

Temos no mercado um grande número de pequenas empresas, pequenas se com-


pararmos ao tamanho do mercado.

■■ Produtos diferenciados

Os produtos são sempre diferenciados. A diferenciação pode vir por meio de um


ingrediente de qualidade superior, serviços e embalagens especiais etc.

■■ Pequeno controle de preço por parte da empresa

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
Como são muitas empresas que fazem parte do mercado, a concorrência é enorme,
então, a empresa consegue controlar (definir), um pouco, seu preço em razão
dos produtos serem diferenciados, mas esse controle é pequeno.

■■ Concorrência acontece via marcas, serviços especiais e propaganda

A concorrência é, principalmente, extrapreços, ou seja, via diferenciação do pro-


duto. Quanto maior for a diferença do bem, maior será o preço. É importante
observar a relevância da propaganda/marketing na concorrência monopolís-
tica, pois, como os produtos são diferenciados e temos um grande número de
empresas, é necessário “mostrar” ao consumidor que o bem ou serviço é melhor
do que o da concorrente.

■■ Baixas barreiras à entrada

O grau de dificuldade que uma nova empresa tem em fazer parte desse mercado
é baixo, ou seja, existe uma
barreira à entrada, mas esta
é bem baixa.
A maioria das empre-
sas no mundo real pertence
a essa estrutura de mercado.
Podemos citar restaurantes,
padarias, lojas de roupas,
lanchonetes, entre outros.

FUNDAMENTOS MICROECONÔMICOS
63

4. Oligopólio

Outra estrutura de mercado intermediária, ou seja, que é um mercado pouco


competitivo, é o oligopólio, que tem como características:

■■ Pequeno número de empresas

São poucas empresas que fazem parte do mercado, podemos contá-las. Não
existe um número exato que define se um setor faz parte do oligopólio ou
não, apenas sabemos que são poucas empresas que ofertam produto naquele
mercado.
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

■■ As empresas são interdependentes

Como são poucas empresas, elas são interdependentes, ou seja, a decisão de


uma afeta diretamente a decisão da concorrente, incluindo a decisão de preços.
Então, se uma empresa variar seu preço, as demais reagiriam de duas formas:
1. Aumento de preço faz com que as firmas concorrentes não aumentem o
preço e a empresa perderá mercado.
2. Redução de preços faz com que as outras concorrentes também reduzam
os preços e a parcela de mercado de todas as empresas ficará, pratica-
mente, constante. Nesse caso, somente o consumidor é beneficiado.

Pelas possíveis reações citadas acima, em relação ao fato de os preços de todas


as empresas oligopolistas serem praticamente os mesmos e não serem altera-
dos de forma significativa ao longo do tempo, podemos citar um exemplo bem
real dessa situação, que são as empresas aéreas. Todas as vezes que uma empresa
aérea faz uma promoção as suas concorrentes também fazem.
Em outras palavras, como são poucas empresas nesse mercado, quando
o preço de uma delas variar, as demais irão reagir rapidamente. Por exemplo,
vamos supor um mercado composto por três empresas, A, B e C. A empresa A
resolveu, como estratégia, abaixar seu preço em 10%. Como são poucas empre-
sas no mercado, imediatamente as empresas B e C reduzirão também seu preço
e a parcela de mercado2 continuará a mesma para todas as três.

2 Parcela de mercado refere-se à porcentagem da quantidade que cada empresa vende naquele mercado.

Equilíbrio de Mercado
II

Agora, se a empresa A resolver aumentar seu preço em 10%, as empresas B


e C não aumentarão e a empresa A perderá mercado. Por esses motivos, o preço
no oligopólio é constante e parecido para todas as empresas.

■■ Médias barreiras à entrada

O grau de dificuldade que uma nova empresa tem em fazer parte do mercado é
médio, em outras palavras, existe um certo grau de dificuldade, mas não chega
a ser tão alto como no caso do monopólio.

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
■■ Os produtos podem ou não ser diferenciados

No oligopólio, os produtos podem ser homogêneos, como no caso do combus-


tível, ou diferenciados, como os automóveis.

■■ A concorrência é via diferenciação do produto

Como temos poucas empresas e elas são interdependentes, a concorrência não


será via preços, pois, como discutimos, se uma empresa alterar seus preços,
as demais reagirão. Então, a
concorrência é extrapreços,
ou seja, via diferenciação do
produto.
Podemos citar como
exemplos de empresas oli-
gopolistas os setores de
telecomunicações, planos
de saúde, aéreo e distribui-
ção de combustível.

POLÍTICAS PÚBLICAS QUANTO AOS OLIGOPÓLIOS

Como são poucas as empresas no oligopólio, não é difícil ter acordos de pre-
ços e quantidades, acordos esses indesejáveis aos consumidores e que devem ser
evitados. São indesejáveis porque levam a uma produção baixa e a preços altos,

FUNDAMENTOS MICROECONÔMICOS
65

ou seja, nessa situação, as empesas se comportam como no monopólio. Por isso,


o governo deve coibir acordos entre empresas e, no Brasil, temos uma lei espe-
cífica para isso, que é a lei antitruste (BOECHAT; MONTEIRO; SILVA, 2014).
Algumas práticas empresariais que são proibidas pelo governo brasileiro:
a. Cartel – empresas fazem acordos de preços e quantidades, aumentando
o preço e/ou reduzindo a quantidade ofertada. De qualquer forma, pre-
judica o consumidor final.
b. Fixação de preço de revenda – acontece quando uma empresa produ-
tora/distribuidora exige que um estabelecimento venda um produto a
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

um preço fixado por ela. Vale lembrar que preço sugerido não é proibido,
pois a empresa só está sugerindo um preço, e não obrigando os estabele-
cimentos a venderem o bem àquele preço pré-definido.
c. Preços predatórios – é uma situação em que uma grande empresa define
seus preços abaixo do custo de produção, para eliminar a concorrente,
que, em geral, é uma empresa menor, do mercado, e, depois, aumenta
esses preços.
d. Vendas casadas – situação na qual dois produtos só são vendidos jun-
tos, ou seja, o consumidor não consegue comprar os bens separadamente.
Lembrando que promoções e produtos tipo combo (TV por assinatura +
internet banda larga) não são considerados venda casada, pois o consu-
midor pode adquirir os produtos/serviços separadamente, mesmo que
a um preço maior.

Temos que ter muito cuidado ao analisar uma possível prática ilegal, como
as vendas casadas e fixação de preço de revenda, pois a “indução” não é ile-
gal, o que não pode acontecer é o consumidor não ter escolhas. Se existe
escolha, a prática passa a ser legal.
Fonte: a autora.

Equilíbrio de Mercado
II

OS CUSTOS DE PRODUÇÃO

Sabemos que o principal objetivo das empresas é o lucro. O lucro é a diferença


entre receita total e custo total. Então, para uma empresa ter lucro, é importante
gerenciar os custos de produção, de forma a tentar reduzi-los o máximo possível.
A partir do exposto, é importante que você, futuro(a) engenheiro(a) de produ-
ção e tomador(a) de decisões, entenda os custos básicos da produção.
Temos os custos explícitos, que são os gastos monetários, como despesa com
salário, aluguel, compra de matéria-prima etc., e os custos implícitos, que são os

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
custos de oportunidade que discutimos na unidade I do nosso livro. Os custos são:

1. Custos fixos (CF)

São as despesas que a empresa terá que pagar, independente da produção.


Exemplos: certos impostos, aluguel, seguro, salários etc.

2. Custos variáveis (CV)

São as despesas que a empresa tem ao produzir. Quanto mais ela produzir, maio-
res serão os custos variáveis. Exemplo: matéria-prima, energia elétrica etc.

3. Custo total (CT)

É a soma dos custos fixos com os custos variáveis.

4. Custo fixo médio (CFme)

É o custo fixo dividido pela quantidade produzida.


CFme = CF/Q
É importante observar que o custo fixo médio reduz quando a produção
aumenta.

5. Custo variável médio (CVme)

É o custo variável dividido pela quantidade produzida.


CVme = CV/Q
Diferente do custo fixo médio, o custo variável médio aumenta conforme a
quantidade produzida aumenta.

FUNDAMENTOS MICROECONÔMICOS
67

6. Custo médio (Cme)

É o custo total dividido pela quantidade produzida.


Cme = CT/Q

Fusão das empresas X e Y pode criar maior instituição privada de ensi-


no do mundo
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Enquanto apenas 14% dos jovens estão no ensino superior, observa-se o


aumento cada vez mais rápido da fusão de instituições privadas e a maior
influência do capital estrangeiro que passa a dominar o setor educacio-
nal brasileiro. Neste contexto, as empresas X Educacional e Y Educacional
aguardam a aprovação de sua junção pelo Conselho Administrativo de De-
fesa Econômica (Cade).
Se a operação financeira de R$ 12 bilhões for aprovada pelo Cade, que é
uma autarquia vinculada ao Ministério da Justiça Brasileiro, o novo grupo
passará a ser responsável pela formação de quase um milhão de alunos (486
mil cursando o ensino presencial e 516 mil em regime de ensino a distância),
em mais de 800 unidades de ensino superior.
Fonte: Fusão (online).

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Estamos terminando a segunda unidade do livro Engenheira Econômica. Nela,


você aprendeu um pouco sobre a teoria da demanda, que procura explicar os
motivos que fazem com que os consumidores, ou melhor, as famílias, deman-
dem/procurem por determinados bens e serviços ao invés de outros.
Na sequência, estudamos o outro lado da relação: o da oferta, ou seja, o lado
da empresa. Vimos os motivos que incentivam as empresas a aumentarem sua
produção e, portanto, a oferta. Após entender demanda e oferta, você viu que os
objetivos do produtor e do consumidor são totalmente diferentes, diria, opostos.
Enquanto o consumidor deseja adquirir bens e serviços em quantidade grande, a

Considerações Finais
II

preços baixos e por que não dizer com excelente qualidade, as empresas desejam
obter lucro e, por isso, desejam vender seus produtos ao preço mais alto possível.
Mas sabemos que na “vida real” nem somente a vontade do consumidor é
satisfeita e nem somente a da empresa, e sim existe um acordo não formal entre
consumidores e empresas para formarem o preço e a quantidade dos bens e dos
serviços que serão negociados. A essa situação chamamos de equilíbrio de mer-
cado, equilíbrio esse que é alterado a toda hora por diversos fatores que foram
explicados ao longo da unidade.
A partir de agora, você, de fato, é capaz de explicar a tão famosa lei da econo-

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
mia, que é a lei da oferta e da demanda, e como essa lei afeta nossas vidas, desde
quando nascemos até a nossa morte. A lei da oferta e da demanda é importante,
também, para o estudo de outras áreas da economia, como a macroeconomia,
que você estudará na próxima unidade.
Espero que esta segunda unidade tenha sido proveitosa e que você tenha se
encantando ainda mais com essa fantástica ciência que é a economia. Todos os
assuntos tratados aqui são de suma importância, pois, para um indivíduo tomar
decisões, deve conhecer o ambiente no qual ele e sua empresa se encontram. Só
assim terá subsídios para tomar as melhores decisões econômicas.
Um forte abraço!
Prof.ª Me. Andréia Moreira da Fonseca Boechat

FUNDAMENTOS MICROECONÔMICOS
69

1. Explique, com suas palavras, a famosa lei oferta e demanda.


2. Como é determinado o equilíbrio em um mercado competitivo? E em mercados
não competitivos?
3. Explique, com suas palavras, duas formas que o governo tem de alterar o ponto
de equilíbrio de mercado
O SISTEMA BRASILEIRO DE DEFESA DA CONCORRÊNCIA

O Sistema Brasileiro de Defesa da Concor- sam limitar ou prejudicar a concorrência,


rência - SBDC foi criado em 1962, a partir da com base na lei antitruste (Lei nº. 8.884/94),
lei nº. 4.137, com o surgimento do Conselho ou seja, tornar máximo o nível de bem-es-
Administrativo de Defesa da Concorrência tar da sociedade.
- CADE. Porém, a estrutura econômica bra-
sileira na época era marcada por controle A atuação do SBDC é dividida em três ver-
de preços, elevados índices de inflação e tentes (CADE, 2010):
alto nível de proteção à indústria nacional,
não sendo compatíveis com uma política 1. Controle de concentrações ou controle
eficaz antitruste. “No entanto, a Constitui- de estruturas de mercado, em que os
ção Federal de 1988 que, estabelecendo casos de fusões, aquisições e incorpo-
os princípios gerais da ordem econômica rações de empresas são julgados, e é
(art.170 a 173 da Carta Magna), forneceu regido pelo art.54 da Lei Antitruste (Lei
a base legal para o desenvolvimento para nº. 8.884/94), o qual analisa antecipa-
uma política antitruste de maior solidez damente se uma concentração entre
através da criação da Lei n.º 8.884 em 1994” empresas poderá causar efeitos que pre-
(BARBOSA, 2006, p.26) transformou o CADE judiquem a concorrência.
em autarquia. Com a mudança das polí-
ticas econômicas que caracterizavam as 2. Repressão a condutas anticoncorrenciais,
décadas anteriores, o Brasil passou a ter que tem como função apurar as condu-
nova estrutura de mercado com a queda tas das empresas que podem infringir a
da inflação, abandono das medidas de ordem econômica. Os acordos de exclu-
controle de preços e de maior abertura ao sividade, a prática de cartel e as vendas
mercado externo, entre outras, proporcio- casadas são exemplos de condutas anti-
nando, em 1994, a formulação da nova Lei concorrenciais.
Antitruste (lei nº. 8.884/94), fazendo uma
reformulação no SBDC, que passou a ter 3. “Advocacia” da concorrência, que se
grande importância nas políticas públicas. refere ao papel de, direta ou indireta-
Segundo Barbosa (2006), o SBDC atual tem mente, influenciar a formulação das
como principal objetivo a promoção de políticas públicas, para garantir a con-
uma economia competitiva, por meio da corrência.
prevenção e da repressão de ações que pos-
Fonte: a autora.
MATERIAL COMPLEMENTAR

Microeconomia
Robert S. Pindyck e Daniel L. Rubinfeld
Editora: Pearson
Sinopse: Em sua sétima edição, Microeconomia está
ainda mais abrangente. Com o objetivo de atender à
necessidade dos alunos de compreender plenamente
como a microeconomia pode ser utilizada na prática,
oferece uma nova abordagem à teoria microeconômica,
realçando sua relevância e aplicação no processo de
tomada de decisão tanto no setor privado como no
público. 
Os pontos de destaque desta edição: mais de cem
exemplos apresentados para ilustrar a teoria exposta no
texto, contém base de dados e discussões atualizadas sobre
itens, como análise da demanda, do custo e da eficiência de mercado, formulação de estratégias
de preços, decisões de investimentos e produção e análise da política pública. Há novas seções
sobre temas fundamentais da área, como economia comportamental e capital humano. Uma
obra riquíssima em detalhes e altamente recomendável a todos os interessados nos assuntos de
Economia, Marketing e Negócios.

Roger e Eu (1989)
Michael Moore
País de origem: EUA
Gênero: documentário
Tempo de duração: 1h31min
Sinopse: Um documentário muito interessante que mostra o
impacto do desemprego na relação entre oferta e demanda
de toda uma comunidade é o filme Roger e Eu. Este é um
documentário sobre o fechamento de 11 fábricas da GM em
Flit, no estado do Michigan, nos EUA, na década de 1980, o que
gerou 30 mil desempregos e afetou a vida econômica da cidade.

Material Complementar
Professora Me. Andréia Moreira da Fonseca Boechat

FUNDAMENTOS

III
UNIDADE
MACROECONÔMICOS

Objetivos de Aprendizagem
■■ Introduzir os conceitos macroeconômicos.
■■ Conhecer alguns conceitos macroeconômicos básicos.
■■ Compreender o impacto da taxa de juros na economia.
■■ Entender como o sistema tributário afeta a empresa.
■■ Estudar a influência da política cambial na produção.

Plano de Estudo
A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade:
■■ Introdução à macroeconomia
■■ Conceitos macroeconômicos básicos
■■ Política monetária
■■ Política fiscal
■■ Política cambial
75

INTRODUÇÃO

Iniciaremos a terceira unidade do livro Engenharia Econômica. Discutiremos,


agora, a outra grande área de estudo da economia, que é a macroeconomia. Esta
estuda as variáveis econômicas agregadas, ou seja, ela procura estudar temas que
afetam o país como um todo. Temas com os quais nos deparamos diariamente
nos jornais, tais como: taxa de juros, taxa de câmbio, tributos, mercado de tra-
balho, entre outros.
Então, você já percebeu que a macroeconomia afeta o país inteiro, incluindo
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

as empresas. Dependendo da política monetária, por exemplo, que o governo


elabora, as taxas de juros estarão mais baixas ou mais altas, com isso, a empresa
sofrerá impacto dessa taxa de juros em seus investimentos. Ou, também, se o
governo reduz o imposto sobre produtos industrializados, os custos da empresa
serão menores e ela tende a vender mais, afetando, assim, toda sua linha de pro-
dução. Esses são alguns temas que iremos estudar nesta unidade.
Nossa terceira unidade foi dividida em cinco partes. Na primeira, farei uma
introdução ao estudo da macroeconomia e algumas variáveis serão apresenta-
das. Na segunda seção, alguns conceitos básicos e fundamentais referentes à
macroeconomia serão discutidos. Entender a macroeconomia e as variáveis que
pertencem a ela é fundamental para a compreensão do(s) objetivo(s) do governo
ao elaborar e implementar uma política econômica. Lembrando que qualquer polí-
tica pública do governo afeta, direta ou indiretamente, as decisões empresariais.
Na sequência, nas três principais políticas econômicas, serão discutidas: polí-
tica monetária, que está relacionada à taxa de juros e à quantidade de moeda
em circulação e, consequentemente, ao crédito; política fiscal e o sistema tri-
butário, que afeta, dentre outros fatores, a competitividade na nossa indústria e
a renda do consumidor; por último, a política cambial e sua variável principal,
a taxa de câmbio, que afetará o comércio internacional.
Bons estudos!

Introdução
III

INTRODUÇÃO À MACROECONOMIA

Neste tópico, daremos início ao estudo da segunda grande área de estudo da eco-
nomia, a macroeconomia. Você, certamente, já ouviu/leu em jornais, revistas,
telejornais, internet, entre outros, as seguintes manchetes:
■■ A taxa de inflação ultrapassou a meta e o governo aumenta a taxa SELIC.
■■ Trabalhamos 150 dias para pagar impostos.
■■ O dólar fechou em alta.

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
■■ Balança comercial brasileira foi superavitária no mês de outubro.

Ao final dos próximos dois tópicos, você entenderá cada um dos temas citados
acima, entre outros relacionados e os motivos pelos quais o governo aumenta,
por exemplo, a taxa de juros, ou injeta dólar no mercado, ou corta gastos.
Como você sabe, as políticas macroeconômicas são fundamentais para a
estabilidade e crescimento econômico. Sem a interferência do governo, provavel-
mente os preços seriam instáveis e, talvez, nem haveria crescimento econômico,
e sim algumas empresas de alguns setores cresceriam, mas a economia como
um todo não.
É importante observar que, mesmo com um governo ativo, a economia é
uma ciência social complexa e o governo, ao tentar solucionar um problema,
acaba trazendo consequências negativas sob o ponto de vista de outro objetivo,
ou seja, para melhorar um lado, acaba piorando o outro. Por exemplo, uma forma
de gerar empregos e, consequentemente, aumentar a renda nacional é aumen-
tar a produção. Porém, com a renda mais alta, as pessoas tendem a
demandar mais, o que pode acarretar inflação. Então, você per-
cebeu que o problema inicial, aumentar o número de empregos,
acarretou uma alta nos preços, ou seja,
ao tentar solucionar um problema,
outro foi criado.
Depois do meu exemplo,
você deve estar se pergun-
tando o que fazer então, certo?

FUNDAMENTOS MACROECONÔMICOS
77

A resposta a essa pergunta não é fácil. O que sabemos é que o governo deve
utilizar as políticas macroeconômicas e seus instrumentos para atingir o obje-
tivo naquele momento, dada a situação econômica nacional e mundial atual, e
alterar a política quando a conjuntura econômica também mudar.
E é isso que o governo faz! Por isso, as políticas macroeconômicas envol-
vem a atuação do governo no que diz respeito à oferta e a demanda agregada,
com o objetivo de estabilizar a economia (controlar a inflação), distribuir renda,
permitir que o país cresça e se desenvolva, gerar empregos etc. Sandroni (2003)
define política econômica como sendo um conjunto de medidas que o governo
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

toma com o objetivo de atuar e influenciar os mecanismos de produção, distri-


buição e consumo de bens e serviços.
Para atingir os objetivos citados, o governo intervém na economia por
meio das políticas monetária (oferta de moeda e taxa de juros), fiscal (gasto
e arrecadação pública) e
cambial (taxa de câmbio e
operações cambiais). Não
podemos esquecer que
cada uma dessas políti-
cas, que serão discutidas
nas próximas unidades,
afetam de forma positiva
e negativa outras variáveis
econômicas.
O governo participar
mais da economia signi-
fica ele não cuidar somente
de suas funções básicas,
e, sim, atuar como um
agente econômico. Para
entendermos essa questão,
precisamos verificar quais são as funções básicas do governo. De acordo
com Giambiagi e Além (2011), o governo tem as funções: Estabilizadora,
Distributiva e Alocativa.

Introdução à Macroeconomia
III

Função Estabilizadora: o governo ter a função estabilizadora significa que


ele precisa manter a economia estabilizada. Você pode verificar, por exemplo,
que o governo tem estado bastante preocupado com os níveis de preços na eco-
nomia, ou seja, o governo tem se preocupado com o nível da inflação.
Função Distributiva: essa função do estado é exatamente o que o nome dela
diz, ou seja, distribuir melhor os recursos, tentar retirar de quem tem muito para
oferecer a quem não tem nada ou pouco tem.
Função Alocativa: significa que o estado deve atuar em áreas da economia
onde o setor privado não tem muito interesse em atuar, ou seja, o governo irá alo-

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
car recursos em áreas que, se ele não atuar, não ofertarão os serviços necessários,
já que o setor privado não
fará essa oferta de serviços.
Por exemplo: o saneamento
básico, que exige um investi-
mento muito elevado e, nem
sempre, haverá empresa pri-
vada disposta a fazê-lo.
Diante das funções
do governo, é importante
definirmos, então, os bens
públicos, que são bens de
uso coletivo cuja princi-
pal característica é não conseguirem excluir os agentes econômicos que não
paguem, por exemplo, os impostos. Ex.: meteorologia, defesa nacional e servi-
ços de despoluição.
De acordo com Vasconcellos e Garcia (2008), o governo, ao utilizar a polí-
tica macroeconômica, deve ter como objetivos:
■■ Alto nível de emprego.
■■ Estabilidade de preços.
■■ Distribuição de renda socialmente justa.
■■ Crescimento econômico.

FUNDAMENTOS MACROECONÔMICOS
79

Ou seja, o governo deve buscar esses quatro objetivos listados. É importante res-
saltarmos que, conforme Vasconcellos e Garcia (2008), os objetivos de alto nível
de emprego e de estabilidade de preços são de curto prazo ou conjunturais, são
objetivos que o governo tenta atingir mais rapidamente, pensando na conjun-
tura atual. Já os objetivos de distribuir renda e de crescimento econômico são
objetivos de longo prazo, ou os chamados objetivos estruturais, eles fazem parte
da estrutura econômica e, para serem alcançados, é necessário um tempo maior.
Vamos discutir um pouquinho cada um desses objetivos da política
macroeconômica.
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Alto nível de emprego: de acordo com Vasconcellos e Garcia (2008) e con-


forme já discutido inicialmente, foi a partir da década de 1930 que o governo
passou a pensar mais profundamente na macroeconomia. Até esse período, a
questão do emprego não gerava preocupação por parte dos governos, mais espe-
cificamente, foi somente a partir da crise de 1929 que essa questão passou a ser
pensada, discutida.
Estabilidade de preços: a estabilidade de preços, em outras palavras, é a
inflação. Essa questão já foi bem mais problemática para o Brasil do que é hoje.
Embora haja uma grande preocupação com a estabilidade de preços hoje em dia,
se conversarmos com alguém que viveu na década de 1980 e início da década
de 1990 (até 1994), com certeza, essa pessoa nos dirá que, atualmente, a infla-
ção não chega a ser um problema, se comparada com o período citado, quando
os preços eram remarcados diariamente e, às vezes, mais que uma vez no dia.
Distribuição de renda socialmente justa: a literatura traz argumentos de que
a distribuição de renda no Brasil piorou muito quando o governo adotou como
regra a chamada “teoria do bolo”. Conforme essa regra, primeiro, deveríamos
esperar aumentar a riqueza no país e, depois, redistribuí-la. Como argumen-
tam Vasconcellos e Garcia (2008), isso aconteceu na época do chamado milagre
econômico, entre 1967 e 1973, porém, os mesmos autores afirmam que todos
tiveram sua renda elevada, no entanto, a classe mais rica teve sua renda melho-
rada em uma proporção superior à da classe menos rica.
Crescimento econômico: crescimento econômico, conforme Vasconcellos
e Garcia (2008), é o mesmo que aumento da renda nacional per capita. Para que
isso ocorra, o aumento da produção de bens e serviços deve, necessariamente,

Introdução à Macroeconomia
III

ser superior ao crescimento populacional, pois somente assim haverá aumento


da renda per capita. É importante ressaltarmos que crescimento econômico não
é o mesmo que desenvolvimento econômico, mas deste último trataremos em
outra unidade desse material.

CONCEITOS MACROECONÔMICOS BÁSICOS

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
Antes de iniciar nossas discussões sobre as polí-
ticas econômicas, é importante que você entenda
alguns conceitos que a macroeconomia utiliza.
Vamos lá?
Balanço de Pagamentos – é elaborado
pelo Banco Central. É um mecanismo contá-
bil em que constam todas as transações feitas
entre residentes e não residentes no Brasil.
Balança Comercial – é uma das contas
que compõe o Balanço de Pagamentos. Nela,
constam todas as compras e vendas de mer-
cadorias do e para o exterior.
Déficit – significa o valor negativo em
alguma conta. Por exemplo, quando o Brasil
compra mais do exterior do que vende, dize-
mos que teve déficit comercial (é contabilizado
na Balança Comercial).
IED – Investimento Estrangeiro Direto – recursos estrangeiros que entram
em um país com destino à produção. Por exemplo: compra de empresas já cons-
tituídas, formação de novas empresas, abertura de filiais, entre outros.
Índice de Gini – é utilizado para medir a igualdade e/ou desigualdade de
renda, ele varia entre 0 e 1, sendo 0 a mais completa igualdade e 1 a mais com-
pleta desigualdade.

FUNDAMENTOS MACROECONÔMICOS
81

Índice de Gini
O Índice de Gini, criado pelo matemático italiano Conrado Gini, é um ins-
trumento para medir o grau de concentração de renda em determinado
grupo. Ele aponta a diferença entre os rendimentos dos mais pobres e dos
mais ricos. Numericamente, varia de zero a um (alguns apresentam de zero
a cem). O valor zero representa a situação de igualdade, ou seja, todos têm
a mesma renda. O valor um (ou cem) está no extremo oposto, isto é, uma só
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

pessoa detém toda a riqueza. Na prática, o Índice de Gini costuma comparar


os 20% mais pobres com os 20% mais ricos. No Relatório de Desenvolvi-
mento Humano 2004, elaborado pelo Pnud, o Brasil aparece com Índice de
0,591, quase no final da lista de 127 países. Apenas sete nações apresentam
maior concentração de renda.
Fonte IPEA (2004).

Inflação – é a alta no nível geral de preços. Dizemos que há inflação quando,


na média, todos os preços sobem.
PIB – Produto Interno Bruto – é a soma de tudo que foi produzido den-
tro das fronteiras de um país em um determinado período, não importando se
o capital com o qual se produziu é nacional ou estrangeiro.
PIB per capita – é a média, por pessoa, de tudo que foi produzido no país. É
obtido pela divisão do PIB pelo número de habitantes. O PIB per capita é bastante
utilizado para se efetuar comparações entre países, regiões, estados e municípios.
PNB – Produto Nacional Bruto – é a soma de tudo que foi produzido com
capital nacional, não importando se foi produzido dentro das fronteiras do país
ou fora delas. No Brasil, o PNB costuma ser menor que o PIB, pois nós rece-
bemos muito mais filiais de empresas internacionais do que enviamos filiais de
nossas empresas ao exterior.
Superávit – significa o valor positivo em alguma conta. Por exemplo, quando
o Brasil vende mais para o exterior do que compra, dizemos que o Brasil teve
superávit comercial (é contabilizado na Balança Comercial).

Conceitos Macroeconômicos Básicos


III

POLÍTICAS MACROECONÔMICAS

POLÍTICA MONETÁRIA

A política monetária se refere à quantidade de moeda disponível na economia, ao


crédito disponível na economia e às taxas de juros. Ainda, conforme Gremaud,
Vasconcellos e Toneto Jr. (2008, p. 201), por política monetária entende-se a
atuação do Banco Central para definir as condições de liquidez da economia:
quantidade ofertada de moeda, nível de taxa de juros, entre outros. Por meio

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
dessa definição, percebemos que essa política influencia nossa vida diariamente
e, muitas vezes, não nos damos conta disso. Você já havia pensado nisso?

Vamos verificar, agora, quais são as funções da moeda. De acordo com Souza
(2007), as funções da moeda podem ser divididas em: meio de troca, reserva de valor,
medida de valor e padrão para pagamento diferido no tempo. Vejamos cada uma
dessas funções. A função meio de troca está relacionada à possibilidade que temos
de trocar moeda por produtos e serviços que demandamos, ou seja, a moeda nos
ajuda muito por nos facilitar as trocas e, embora não pensemos muito nisso, nem
sempre foi assim, já tivemos muitas mercadorias que foram utilizadas como moeda.
A moeda serve como reserva de valor por ter a máxima liquidez e por ter
um poder de compra, assim, essa função está intimamente relacionada à função
de meio de troca. A medida de valor é porque, por meio da moeda, classificamos
quanto vale determinada mercadoria. Já o padrão para pagamento diferido no
tempo é uma função que nos permite negociar algo (produto, serviço) em uma

FUNDAMENTOS MACROECONÔMICOS
83

data e que o seu pagamento seja feito no futuro, ou seja, por conta da existência
da moeda, podemos combinar um preço, hoje, para alguma negociação, e esse
pagamento ser feito daqui a 30 ou 60 dias e assim por diante.
Por que nós demandamos moeda? Sei que você deve estar assustado(a)
com essa pergunta e deve ter respondido: é óbvio que sabemos. Mas sabemos
na prática, vejamos, a seguir, na teoria, quais são os motivos que nos levam a
demandarmos moeda:
Motivo especulação: você quer manter seus recursos em moeda para poder
utilizá-los em algo que seja vantajoso para você, mas aqui estamos falando de
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

aplicações financeiras rápidas.


Motivo transação: o motivo transação é que mantemos moeda para as tran-
sações necessárias em determinado período. Por exemplo, ao receber o salário,
você guarda uma certa quantia em dinheiro para poder pagar suas contas men-
sais, como água, telefone etc.
Motivo precaução: nesse caso, as pessoas (nós) guardam dinheiro para um
imprevisto. Quem não tem um avô ou uma avó que diz: “nunca se sabe o que vai
ser amanhã, é melhor prevenir”, e, por esse motivo, essas pessoas acabam guar-
dando dinheiro em espécie?
Aqui, após verificarmos quais são as funções da moeda, já podemos fazer
uma importante reflexão. Conforme Souza (2007), a demanda por moeda vai
depender diretamente de qual é a renda do agente econômico e inversamente
da taxa de juros. Explico: quanto maior a renda, maior a demanda por moeda, e
quanto maior a taxa de juros, menor a demanda, pois, se a taxa de juros estiver
muito alta, será mais interessante deixar o dinheiro aplicado.
Sabendo quais são as funções da moeda e por que os agentes econômicos a
demandam, vamos ver, então, quais são os instrumentos que o governo tem e
utiliza para provocar o aumento ou redução de demanda por moeda.

INSTRUMENTOS DA POLÍTICA MONETÁRIA:

Open market: as operações de open market, ou mercado aberto, são aquelas em


que o governo compra ou vende títulos públicos, ou seja, digamos que o governo

Políticas Macroeconômicas
III

pretende irrigar a economia com mais dinheiro, utilizando essa ferramenta de


mercado aberto, ele vai entrar no mercado comprando títulos públicos, e o con-
trário também é verdadeiro.
Depósitos Compulsórios: os depósitos compulsórios representam parte
dos recursos que os bancos “arrecadam” no mercado sob a forma de depósi-
tos. Essa parte é a que fica retida junto ao Banco Central. Na prática, os bancos
ficam impedidos de usarem esses recursos para novos empréstimos. Então, por
que os depósitos compulsórios são um dos instrumentos da política monetária?
Respondo: porque, se a intenção do governo é fazer uma política restritiva, ele

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
irá elevar o depósito compulsório, dessa forma, sobrará menos recursos para os
bancos emprestarem (ou reemprestarem).
Taxa de Redesconto: também chamada de empréstimos de liquidez por
alguns autores, a Taxa de Redesconto é a taxa que os bancos comerciais pagam ao
Banco Central quando precisam de dinheiro emprestado. Por exemplo, digamos
que um banco comercial precisa de recursos, ele pode conseguir esses recursos em
outros bancos, mas, em última instância, se ele não conseguir empréstimos com
seus pares, ele recorrerá ao Banco Central. A taxa de juros cobrada pelo Banco
Central dos bancos comerciais é a chamada taxa de redesconto. Se o governo
deseja que haja uma elevação da quantidade de dinheiro em circulação, ele irá
diminuir o valor dessa taxa, em contrapartida, se quiser que haja uma redução
na quantidade de dinheiro na economia, ele eleva essa taxa.
Até aqui, falamos da política monetária focando na moeda, suas funções e
os instrumentos da política monetária. Mas há outra variável que está intima-
mente ligada à política monetária, e essa está sempre presente nos noticiários,
como evidenciado na introdução desta unidade: a famosa taxa de juros.
Podemos entender por juros o preço do uso do dinheiro. Por que pagamos
juros de um empréstimo? Porque não temos os recursos no momento e, mesmo
assim, o utilizamos! Então, a taxa de juros é o pagamento por essa utilização
do dinheiro. A definição da taxa de juros está atrelada à política monetária. De
acordo com Gremaud et al. (2007 p. 285), taxa de juros é o que se ganha pela
aplicação de recursos durante determinado período de tempo, ou, alternativa-
mente, aquilo que se paga pela obtenção de recursos de terceiros (tomada de
empréstimo) durante determinado período de tempo.

FUNDAMENTOS MACROECONÔMICOS
85

Verificando a definição de taxa de juros, já é possível inferir que essa é uma


variável das mais importantes em qualquer economia, visto que a partir dela
muitas decisões são tomadas. Por exemplo, se um empresário deseja fazer um
investimento, uma das variáveis que ele levará em consideração é a taxa de juros.
Se uma pessoa física pretende comprar um produto e vai pagá-lo a prestação,
quanto ele pagará de juros vai afetar diretamente sua decisão de compra.
Então, sabendo o que é e como é importante a taxa de juros, verifique-
mos como ela é formada. No Brasil, a chamada taxa básica de juros é a SELIC
– Serviço Especial de Liquidação e Custódia, ela é básica porque a partir dela é
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

que as demais taxas são estabelecidas. Muitas vezes, você vê o valor da SELIC e
diz: mas no cheque especial estou pagando muito mais do que isso! Ou no car-
tão de crédito, no financiamento, entre outros. Volto a dizer, a SELIC serve de
base para as demais taxas de juros, é como se fosse um indicador de tendência
ou um sinalizador que o governo usa para mostrar aos demais agentes econô-
micos o que ele quer no futuro próximo ou no curto prazo.
A definição da SELIC é feita pelo COPOM – Comitê de Política Monetária
do BACEN – Banco Central, por meio de reuniões mensais que, provavelmente,
você já deve ter ouvido ou lido alguma notícia a respeito. Sempre que a definição
da SELIC acontece (uma vez por mês, em uma quarta-feira) essa informação é
bastante divulgada, justamente por causa daquilo que conversamos agora mesmo,
a intenção do governo é informar o que ele deseja dos agentes econômicos por
meio de sua decisão de elevar, manter ou reduzir a SELIC.

COMO A POLÍTICA MONETÁRIA AFETA A ECONOMIA?

Agora que já estudamos um pouco sobre moeda e as variáveis que envolvem a


política monetária, vamos discutir como o governo faz política monetária e quais
os resultados que pretende com ela.
Em geral, dizemos, tecnicamente, que a política monetária pode ser con-
tracionista ou expansionista. E o que quer dizer isso? Uma política monetária
contracionista é feita se o governo deseja frear a economia, melhor dizendo, se,
na visão do governo, a economia está muito aquecida, as pessoas/empresas estão

Políticas Macroeconômicas
III

utilizando muito a moeda para as mais diversas funções e ele deseja que isso seja
reduzido, ele praticará política monetária contracionista. Aí, você pode me dizer:
mas quando o governo vai querer desaquecer a economia? Quando, por exem-
plo, a inflação estiver muito elevada. E como se faz essa política? A ferramenta
mais utilizada, no Brasil, é a taxa de juros, mas todos os instrumentos de polí-
tica monetária citados anteriormente são e podem ser utilizados.
Já política monetária expansionista funciona no sentido inverso. Se o governo
acha que a economia está desaquecida e ele pretende estimular essa economia,
poderá reduzir a taxa de juros, o que levará os agentes econômicos a reaquece-

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
rem a economia.

POLÍTICA FISCAL

A política fiscal trata, basicamente, do orçamento, gastos e arrecadação do governo.


Então, quando o governo gasta ou investe algum recurso, ele está fazendo política fiscal.
Quando o governo eleva ou reduz algum imposto, ele também está fazendo política
fiscal. Normalmente, ouvimos
ou lemos a manchete: “Brasil
fecha período com superá-
vit primário” ou “Brasil fecha
período com déficit primário”,
o que isso quer dizer?
Déficit ou Superávit
primário, de acordo com
Gremaud, Vasconcellos e
Toneto Jr. (2008, p. 194), é
a diferença entre as receitas
não financeiras e os gastos
não financeiros. Se o governo gastou mais do que arrecadou, ele tem déficit, e,
se ele gastou menos do que arrecadou, ele tem superávit. Esse conceito, segundo
os mesmos autores, mostra exatamente como o governo está conduzindo sua
política fiscal, já que nesse conceito não se inclui dívida e nem os juros da dívida.

FUNDAMENTOS MACROECONÔMICOS
87

Quando o governo tem superávit em suas contas, significa que ele arrecadou
mais do que gastou e isso pode ser traduzido como uma política contracionista,
ou seja, ele está recebendo mais impostos e taxas da população. Por que se chama
política contracionista? Porque, com essa atitude, o governo está arrecadando
mais dinheiro do que gastando, assim, o dinheiro tem girado menos na econo-
mia e, por consequência, gerado menos empregos, menos crescimento.
Já quando o governo tem déficit em suas contas, ele gastou mais do que arre-
cadou. Podemos dizer que ele está fazendo uma política fiscal expansionista, isso
porque, se o governo gasta mais do que arrecada, ele está estimulando a economia
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

por meio da injeção de recursos. Aqui, cabe uma observação bastante importante:
e a qualidade desses gastos? Muitas vezes, apenas gastar para injetar dinheiro
na economia não é uma boa estratégia, é preciso saber em que se está gastando.
A função da política fiscal é a de ajudar o governo a atingir seus objetivos
para uma nação e, assim, o governo a utiliza mediante os seus gastos e arrecada-
ções. A maior parte das arrecadações do governo brasileiro se dá pelos impostos.
De acordo com Gremaud, Vasconcellos e Toneto Jr. (2008), o Brasil sempre uti-
lizou a estrutura tributária para estimular setores da economia.
Como a política é bastante utilizada pelo governo brasileiro e sua arreca-
dação vem principalmente dos impostos, vamos discutir um pouco sobre esses
impostos. De acordo com Gremaud, Vasconcellos e Toneto Jr. (2008, p. 179), a
forma como são estruturados os sistemas tributários determina o impacto dos
impostos tanto sobre o nível de renda como sobre a organização econômica, a
distribuição de renda, a competitividade da economia, entre outros fatores. Nesse
sentido, podemos analisar vários aspectos.
Primeiro, podemos distinguir os impostos em impostos diretos e impostos
indiretos. Os impostos diretos são aqueles que incidem sobre a renda e o patri-
mônio, enquanto os impostos indiretos incidem sobre o consumo.
Impostos diretos: os principais impostos diretos no Brasil são o Imposto
de renda – IR pessoa física e jurídica, o IPVA – Imposto sobre a Propriedade de
Veículos Automotores, o IPTU – Imposto Predial e Territorial Urbano, o ITR
– Imposto Territorial Rural, entre outros. Esses impostos são todos diretos, o
que significa dizer que eles incidem sobre a renda do cidadão ou da empresa, ou
sobre a propriedade de algo.

Políticas Macroeconômicas
III

Impostos indiretos: os principais impostos indiretos no Brasil são o ICMS


– Imposto Sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços, o IPI – Imposto sobre
Produtos Industrializados, o ISS – Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza,
o II – Imposto de Importação, entre outros. A característica que esses impostos
têm em comum é que todos incidem sobre o consumo e, por isso, são classifi-
cados como diretos.
Depois, ainda é possível classificarmos os impostos, de modo geral, quanto
a sua base de incidência, quer dizer, quem deve pagar impostos? Alguns devem
pagar mais que outros? Vejamos:

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
Impostos Neutros: dizemos que o sistema de cobranças de impostos é
neutro quando a sua participação na renda das pessoas é a mesma, indepen-
dentemente do nível de renda.
Impostos Regressivos: chamamos de sistema regressivo quando a partici-
pação dos impostos na renda das pessoas diminui conforme a renda aumenta,
ou seja, quem ganha menos paga mais.
Impostos Progressivos: damos o nome de sistema progressivo quando a
participação dos impostos na renda das pessoas aumenta conforme a renda
aumenta, ou seja, quem ganha mais paga mais.
Por último, podemos analisar os impostos em relação à eficiência econômica
e ao fomento da economia. Nesse sentido, devemos analisar se o governo está
interferindo no mercado no sentido de sobretaxar determinados bens e serviços
desincentivando sua produção ou o contrário. Em suma, os impostos fazem com que
um produto ou serviço se torne mais caro ou mais barato, independentemente da
eficiência de quem o oferta, e o governo deve estar atento a esse efeito dos impostos.

INSTRUMENTOS DA POLÍTICA FISCAL:

Conforme vimos anteriormente, a política fiscal trata dos gastos e arrecadação do


governo. Assim, para “fazer” política fiscal, o governo utiliza seus gastos e/ou sua
arrecadação objetivando, sempre, alcançar algo com sua ação. Vimos, no início
desta unidade, que as políticas macroeconômicas têm quatro objetivos e esses obje-
tivos podem ser buscados utilizando a política fiscal. Como executar essa política?

FUNDAMENTOS MACROECONÔMICOS
89

O governo pode decidir, e decide, como, quando e para que utilizará seus recursos,
essa é uma maneira de fazer política fiscal. O governo decide, também, sobre as alí-
quotas de impostos e isso é política fiscal. Vamos ver, a seguir, um exemplo prático.
Exemplo: no ano de 2008, houve uma crise internacional mais localizada, a
princípio, nos Estados Unidos, batizada de crise das hipotecas, com ela houve,
de modo geral, uma redução no consumo mundial, e o Brasil acabou passando a
vender menos para o resto do mundo, já que este estava em crise. Um dos meca-
nismos utilizados pelo então Presidente Lula foi o de reduzir o IPI dos automóveis,
objetivando reduzir seu preço e elevar sua demanda. Consequência: com a redu-
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

ção no preço dos carros, ocorreu uma elevação da demanda e um aquecimento


da economia brasileira, mais especificamente do setor automobilístico. A indús-
tria automobilística não reduziu sua produção e nem precisou demitir pessoal.
Esse mesmo mecanismo foi utilizado com os produtos de linha branca. A
esse tipo de política fiscal damos o nome de expansionista, em que o objetivo
do governo é expandir, fazer crescer a economia. Se o objetivo fosse contrair a
economia, o governo poderia, por exemplo, ter elevado o IPI desses produtos,
assim, as pessoas demandariam menos e a economia se retrairia.

COMO A POLÍTICA FISCAL AFETA A ECONOMIA?

“O peso dos tributos sobre o preço final dos alimentos no Brasil chega a
16,9%. Nos dez maiores países da Europa, corresponde, em média, a 5,1%;
nos EUA, só 0,7%”.
Fonte: Skaf; Teixeira (2012).

É dentro da política fiscal que o governo decide onde fará seus investimentos,
dessa forma, ela influencia diretamente os cidadãos. Além disso, é por meio dessa
política que verificamos se o governo está endividado ou não, de onde têm vindo
e pra onde estão indo seus recursos.

Políticas Macroeconômicas
III

Como já falamos anteriormente, a política fiscal pode ser utilizada para


incentivar ou desincentivar a indústria (produção) de algum produto.

POLÍTICA CAMBIAL

A política cambial é aquela que busca manter ou atingir uma taxa de câmbio que
seja considerada boa para a economia. Junto à política cambial, alguns autores
trabalham a chamada polí-

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
tica comercial, que se refere
a mecanismos de incentivo
ou desincentivo às exporta-
ções e às importações.
Ao estudarmos teo-
ria econômica, devemos
ter em mente que ela tem
uma gama imensa de vari-
áveis, mas, quando falamos
em economia, é muito difí-
cil que ninguém se manifeste
e comente sobre o DÓLAR!
Acredito que, para falarmos
de política cambial, instigar você, aluno(a), na questão da moeda Norte Americana
seja uma boa estratégia, afinal de contas, quem nunca sonhou com uma viagem
internacional, com um produto importado e, de repente, se lembrou: mas tenho
que pagar em dólares? Esse, simplificadamente, é o “mundo” da política cambial.
Como vimos anteriormente, o governo tem alguns objetivos nas suas políti-
cas macroeconômicas e, dentro da política cambial, o que é que o governo pode
ou poderia fazer? Vamos começar por entender um pouquinho sobre o câmbio.
Câmbio é uma palavra de origem espanhola que significa troca, então, quando
pensamos no dólar, na verdade, estamos pensando quanto vai custar esse dólar,
ou seja, de quantos reais eu preciso para comprar ou trocar por um dólar.

FUNDAMENTOS MACROECONÔMICOS
91

Nas palavras de Gremaud et al. (2007, p. 369), a taxa de câmbio é o valor que
uma moeda nacional possui em termos de outra moeda nacional. Dessa forma,
podemos comparar o Real ao Dólar, ao Euro e assim por diante; bem como pode-
mos comparar Euro ao Dólar, Euro ao Franco.
Um país pode adotar regimes cambiais diferentes. No caso do Brasil, você
sabe qual é o regime cambial adotado atualmente? Vejamos quais são os regi-
mes que a literatura traz e, depois, você nos responde em qual desses o Brasil
se encaixa:
Regime de câmbio fixo: nesse regime cambial, mantém-se a taxa de câm-
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

bio em um mesmo valor, ou seja, não há oscilação no preço da moeda em


relação a outras moedas. Como vimos na unidade II do livro, as leis da oferta
e da demanda irão determinar preços, mas, no caso do câmbio fixo, isso não
ocorrerá, quer dizer, não será o mercado que determinará o preço da moeda,
e sim o Governo.
Regime de câmbio flutuante: nesse regime cambial, é permitido que o preço
da moeda oscile de acordo com as condições de oferta e demanda do mercado.
Nesse caso, o Banco Central também compra e vende moeda estrangeira, no
entanto, faz isso apenas pela necessidade que tem de utilizar essa moeda. Ele não
entra no mercado para influenciar ou determinar o seu preço.
No caso de câmbio flutuante, o preço da moeda será determinado pelas leis
da oferta e da demanda. Se houver maior demanda pela moeda, seu preço se ele-
vará, se a demanda cair, seu preço também cairá.

E POR QUE O CÂMBIO É UMA VARIÁVEL IMPORTANTE?

Qualquer transação que seja realizada com o exterior é influenciada pela taxa de
câmbio, ela pode determinar se certo produto será ou não adquirido. Pensando
dessa maneira, podemos entender que governos possam se utilizar desse artifí-
cio, ou dessa política, buscando atingir algum objetivo para sua economia.
Vamos tratar do nosso caso específico, do mercado brasileiro. Quem demanda
dólar? Quem oferta dólar? Em outras palavras, quem compra e quem vende
dólares?

Políticas Macroeconômicas
III

Os demandantes de dólares:
■■ Turistas que viajam para o exterior.
■■ Pessoas ou empresas que importam produtos (compram produtos do
exterior).
■■ Pessoas ou empresas que contraíram dívidas no exterior e precisam
saldá-las.
■■ Filiais de empresas cujas sedes são no exterior (ao remeterem lucros e
dividendos).

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
Os ofertantes de dólares:
■■ Pessoas ou empresas que exportam seus produtos.
■■ Turistas estrangeiros que vêm ao Brasil.
■■ Investidores estrangeiros que investem no Brasil.
■■ Quem faz empréstimos no exterior.

Levando em conta quem são os ofertantes e demandantes de dólares, podemos


afirmar que o preço dessa mercadoria, ou seja, a taxa de câmbio, é uma variável
muito importante para a economia. Com certeza, a taxa de câmbio influenciará
as relações comerciais de residentes com os não residentes.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Chegamos ao final da terceira unidade do livro Engenharia Econômica. Nesta


unidade, aprendemos um pouco sobre o que é macroeconomia e as políticas
econômicas que tanto afetam a vida dos agentes econômicos.
Iniciamos a unidade compreendendo as variáveis de estudo da macroeco-
nomia e alguns conceitos básicos que foram fundamentais para o entendimento
da disciplina. Na sequência, as políticas econômicas foram discutidas.

FUNDAMENTOS MACROECONÔMICOS
93

Existem três políticas econômicas principais: monetária, que tem como vari-
áveis a taxa de juros e a quantidade de moeda em circulação, consequentemente,
ela afeta diretamente o crédito e o consumo; a política fiscal, que gera tanta polê-
mica, que mexe com os gastos e arrecadação do governo; por último, a política
cambial, que é a relação entre Brasil e outros países, sendo fundamental para o
comércio internacional.
As políticas econômicas precisam atuar juntas para, de fato, atingir os objeti-
vos do governo e, assim, gerar bem-estar social, pois, se o governo implementar
separadamente as políticas econômicas, um objetivo pode ser atingido, mas outros
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

problemas serão causados. Você pode estar se perguntando, mas se há tantas fer-
ramentas, por que algumas coisas ainda dão errado? Por que aqueles objetivos
das políticas macroeconômicas nem sempre são alcançados? Temos que lhe dizer
que a ciência econômica não é exata, ela é uma ciência social e, por isso, envolve
muitas variáveis e envolve as incertezas, as decisões do ser humano, enfim, não
há uma fórmula mágica, uma receita pronta para se melhorar uma nação.
Espero que, de agora em diante, você se sinta ainda mais instigado(a) quando
ouvir notícias a respeito do crescimento da economia, ou sobre os impostos.
Um forte abraço,
Profª Me. Andréia Moreira da Fonseca Boechat

Considerações Finais
1. Explique com suas palavras quais variáveis a macroeconomia estuda.
2. Por que o Brasil é um país considerado rico, mas sua população é tão carente?
3. Explique as três políticas macroeconômicas: monetária, fiscal e cambial, apre-
sentando definição, objetivos e instrumentos de cada política apresentada.
4. Relacione as variáveis de estudo da macroeconomia com a engenharia econô-
mica.
95

COPOM: DEFINIÇÃO E HISTÓRICO

O Comitê de Política Monetária (Copom) foi do Banco Central divulgar, em Carta Aberta
instituído em 20 de junho de 1996, com o ao Ministro da Fazenda, os motivos do des-
objetivo de estabelecer as diretrizes da polí- cumprimento, bem como as providências
tica monetária e de definir a taxa de juros. e prazo para o retorno da taxa de inflação
A criação do Comitê buscou proporcionar aos limites estabelecidos.
maior transparência e ritual adequado ao
processo decisório, a exemplo do que já Formalmente, os objetivos do Copom são:
era adotado pelo Federal Open Market “implementar a política monetária, definir
Committee (FOMC) do banco central dos a meta da Taxa Selic e seu eventual viés,
Estados Unidos e pelo Central Bank Council, e analisar o Relatório de Inflação”. A taxa
do banco central da Alemanha. Em junho de juros fixada na reunião do Copom é
de 1998, o Banco da Inglaterra também a meta para a Taxa Selic (taxa média dos
instituiu o seu Monetary Policy Committee financiamentos diários, com lastro em títu-
(MPC), assim como o Banco Central Euro- los federais, apurados no Sistema Especial
peu, desde a criação da moeda única em de Liquidação e Custódia), a qual vigora
janeiro de 1999. Atualmente, uma vasta por todo o período entre reuniões ordi-
gama de autoridades monetárias em todo nárias do Comitê. Se for o caso, o Copom
o mundo adota prática semelhante, facili- também pode definir o viés, que é a prerro-
tando o processo decisório, a transparência gativa dada ao presidente do Banco Central
e a comunicação com o público em geral. para alterar, na direção do viés, a meta para
a Taxa Selic a qualquer momento entre as
Desde 1996, o Regulamento do Copom reuniões ordinárias.
tem sido atualizado no que se refere ao
seu objetivo, à periodicidade das reuniões, As reuniões ordinárias do Copom divi-
à composição e às atribuições e competên- dem-se em dois dias: a primeira sessão às
cias de seus integrantes. Essas alterações terças-feiras e a segunda às quartas-feiras.
visaram não apenas aperfeiçoar o processo Mensais desde 2000, o número de reuniões
decisório no âmbito do Comitê, como tam- ordinárias foi reduzido para oito ao ano a
bém refletiram as mudanças de regime partir de 2006, sendo o calendário anual
monetário. divulgado até o fim de junho do ano ante-
rior. O Copom é composto pelos membros
Destaca-se a adoção, pelo Decreto 3.088, da Diretoria Colegiada do Banco Central
em 21 de junho de 1999, da sistemática de do Brasil: o presidente, que tem o voto de
metas para a inflação como diretriz de polí- qualidade; e os diretores de Administra-
tica monetária. Desde então, as decisões ção, Assuntos Internacionais e de Gestão
do Copom passaram a ter como objetivo de Riscos Corporativos, Fiscalização, Orga-
cumprir as metas para a inflação defini- nização do Sistema Financeiro e Controle
das pelo Conselho Monetário Nacional. de Operações do Crédito Rural, Política
Segundo o mesmo Decreto, se as metas Econômica, Política Monetária, Regulação
não forem atingidas, cabe ao presidente do Sistema Financeiro, e Relacionamento
Institucional e Cidadania. Também partici- o chefe do Depep, sem direito a voto, os
pam do primeiro dia da reunião os chefes diretores de Política Monetária e de Polí-
dos seguintes departamentos do Banco tica Econômica, após análise das projeções
Central: Departamento de Operações Ban- atualizadas para a inflação, apresentam
cárias e de Sistema de Pagamentos (Deban), alternativas para a taxa de juros de curto
Departamento de Operações do Mercado prazo e fazem recomendações acerca da
Aberto (Demab), Departamento Econô- política monetária. Em seguida, os demais
mico (Depec), Departamento de Estudos membros do Copom fazem suas ponde-
e Pesquisas (Depep), Departamento das rações e apresentam eventuais propostas
Reservas Internacionais (Depin), Departa- alternativas. Ao final, procede-se à vota-
mento de Assuntos Internacionais (Derin), ção das propostas, buscando-se, sempre
e Departamento de Relacionamento com que possível, o consenso. A decisão final -
Investidores e Estudos Especiais (Gerin). A a meta para a Taxa Selic e o viés, se houver
primeira sessão dos trabalhos conta ainda - é imediatamente divulgada à imprensa ao
com a presença do chefe de gabinete do mesmo tempo em que é expedido Comu-
presidente, do assessor de imprensa e de nicado através do Sistema de Informações
outros servidores do Banco Central, quando do Banco Central (Sisbacen).
autorizados pelo presidente.
As atas em português das reuniões do
No primeiro dia das reuniões, os chefes de Copom são divulgadas às 8h30 da quinta-
departamento apresentam uma análise da -feira da semana posterior a cada reunião,
conjuntura doméstica abrangendo inflação, dentro do prazo regulamentar de seis dias
nível de atividade, evolução dos agregados úteis, sendo publicadas na página do Banco
monetários, finanças públicas, balanço de Central na internet (“Atas do Copom”) e
pagamentos, economia internacional, mer- para a imprensa.
cado de câmbio, reservas internacionais,
mercado monetário, operações de mercado Ao final de cada trimestre civil (março,
aberto, avaliação prospectiva das tendên- junho, setembro e dezembro), o Copom
cias da inflação e expectativas gerais para publica o documento “Relatório de Infla-
variáveis macroeconômicas. ção”, que analisa detalhadamente a
conjuntura econômica e financeira do País,
No segundo dia da reunião, do qual par- bem como apresenta suas projeções para
ticipam apenas os membros do Comitê e a taxa de inflação.
Fonte: Definição (online).
97

A POLÍTICA MONETÁRIA BRASILEIRA E SEU IMPACTO NA ECONOMIA


COMO UM TODO

A política monetária, assim como a política bilidade de dinheiro em circulação, assim,


fiscal, que são tão discutidas, são âncoras os agentes terão uma quantidade maior
para a estabilidade macroeconômica e, de moeda nas mãos para comprar mais
consequentemente, impactam positiva e bens e serviços. Com demanda maior, as
negativamente diversas variáveis da econo- empresas procuram responder a nova
mia, incluindo o dia a dia da população. Por solicitação e ofertam mais. Para produzir
meio dessas políticas, o governo consegue mais, as empresas utilizarão a capacidade
estimular, quando opta por política macro- ociosa, se houver, e farão novos investimen-
econômica expansionista, ou desestimular, tos, como a compra de novas máquinas e
quando o foco são as políticas contracionis- equipamentos, aumento da planta indus-
tas, a economia, afetando o nível de preços, trial, e gerarão novos postos de trabalho.
taxa de desemprego, renda nacional, oferta
e demanda setorial, o crescimento econô- Por outro lado, com quantidade maior de
mico, desenvolvimento econômico, entre moeda em circulação, a taxa de juros reduz,
outras variáveis. já que essa é o preço do dinheiro. Taxa de
juros mais baixa acarreta redução nos
A política monetária é um instrumento de investimentos no mercado financeiro, já
atuação do governo no que diz respeito à que o investimento especulativo depende
quantidade de moeda em circulação e à da taxa de juros, quanto maior, maior a
taxa de juros, que afeta a liquidez da eco- rentabilidade. Porém, a taxa de juros mais
nomia e, assim, o crédito. No Brasil, o Banco baixa incentiva o investimento, já que o
Central (BACEN) é a autoridade monetária, custo por empréstimos se torna mais baixo.
ou seja, é a entidade responsável pela
elaboração e execução da política A política monetária atual no Brasil tem
monetária brasileira, controlando a oferta como objetivo principal, ou talvez único,
de moeda em circulação e a taxa de juros, controlar a inflação, ou seja, estabilizar a
de forma direta ou indireta. Esse controle economia, e o instrumento mais utilizado
feito pelo Banco Central tem como função para atingir o objetivo é a taxa básica de
estabilizar os preços e intervir no nível de juros (SELIC). O funcionamento da polí-
atividade econômica. Porém, uma função tica monetária brasileira é, basicamente,
não exclui a outra e, ao intervir na ativi- da seguinte forma: é definida qual será a
dade econômica, os preços acabam sendo meta da inflação, que nos últimos anos foi
afetados. de 4,5% ao ano com dois pontos percen-
tuais para mais ou para menos, e, ao longo
Os preços podem ser afetados via emissão do ano, para atingir a meta, o governo
de moeda, que implica em maior disponi- aumenta ou reduz a taxa de juros básica.
Fonte: a autora.
MATERIAL COMPLEMENTAR

Caminhos da Política Fiscal do Brasil


Francisco Luiz Cazeiro Lopreato

Editora: Unesp
Sinopse: Qual foi a lógica que permeou as decisões em política
fiscal no país dos anos 1960 ao governo Lula? Nesta obra, o autor
demonstra que os debates e as ações de política econômica
dos sucessivos governos basearam-se em modelos teóricos
estabelecidos, com os quais seus representantes se identificavam.
Até mesmo alterações nessas teorias repercutiram, ele diz, em
reformas na área fiscal.

Para saber um pouco mais sobre a evolução da taxa de inflação nos últimos anos, acesse o link
disponível em: <http://www.bcb.gov.br/Pec/metas/TabelaMetaseResultados.pdf>.

Para conhecer um pouco mais sobre a história da moeda, sugiro que acesse o site da Casa da
Moeda e faça uma “viagem” sobre esse assunto:
<http://www.casadamoeda.gov.br/portalCMB/menu/cmb/sobreCMB/origem-dinheiro.jsp>.
Professora Me. Andréia Moreira da Fonseca Boechat

MATEMÁTICA FINANCEIRA:

IV
UNIDADE
TAXA DE JUROS

Objetivos de Aprendizagem
■■ Compreender os princípios da matemática financeira.
■■ Diferenciar a utilização das taxas de juros.
■■ Efetuar cálculos sobre taxa de juros.
■■ Entender o significado de amortização.

Plano de Estudo
A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade:
■■ Introdução à matemática financeira
■■ Taxa de juros simples
■■ Taxa de juros compostos
■■ Amortização
101

INTRODUÇÃO

Olá, caro(a) aluno(a),


Iniciaremos a terceira unidade do nosso livro de Engenharia Econômica.
Agora que você conhece a economia e como ela impacta na tomada de deci-
são, compreender os tipos de questões as quais a engenharia econômica é capaz
de responder e qual é o papel dessa área de estudo no processo de tomada de
decisão é fundamental. Assim, iremos discutir a ferramenta em que um agente
econômico, no caso, o engenheiro de produção, se baseia para fazer escolhas,
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

que é a matemática financeira.


Quando falamos em matemática financeira, temos que ter em mente dois
pilares fundamentais sobre os quais ela se baseia: o dinheiro e o tempo. Ou seja, a
matemática financeira estuda o comportamento do dinheiro no tempo e somente
após conhecer como o dinheiro “se comportou” com o passar do tempo ou como
ele irá se comportar é que podemos tomar decisões, sejam elas de investimento
ou de financiamento.
Para dar início ao estudo da ferramenta citada, iremos compreender o que,
de fato, é a matemática financeira e o que ela estuda. Mas já posso adiantar a você
que matemática financeira é bem diferente da matemática pura.
Assim, a presente unidade está dividida em quatro seções. Na primeira, ela
será introduzida. Na sequência, conheceremos e calcularemos as taxas de juros
simples e compostas, consequentemente, o retorno que cada uma dessas taxas
proporciona. Por último, o tema amortização será abordado.
Antes de darmos início às discussões, a qualquer momento que algum
conceito não tenha ficado claro, volte, releia, assista novamente as aulas, mas
jamais passe para o próximo tópico, pois precisamos conhecer e compreen-
der cada detalhe da matemática financeira para sermos capazes de tomar as
melhores decisões.
Bons estudos!

Introdução
IV

INTRODUÇÃO À MATEMÁTICA FINANCEIRA

Como já discutimos nas unidades anteriores,


a matemática financeira é a principal fer-
ramenta da engenharia econômica, pois
é com base nela que inúmeras opções de
investimento são comparadas e, assim, podem
ser escolhidas. Em outras palavras, precisamos
conhecer o valor do dinheiro no tempo para tomar as deci-

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
sões corretas. E nada mais pertinente para nos auxiliar do
que a própria matemática financeira.
Porém, como afirmam Pilão e Hummel (2013), é
importante observar que não é necessário sermos espe-
cialistas em matemática para fazer uso da matemática
financeira. Você, provavelmente, deve estar se pergun-
tando: então não utilizaremos a matemática para os
cálculos financeiros?!
Sim, a matemática é utilizada, mas as ferramentas
utilizadas são relativamente simples, como progressões
aritméticas, progressões geométricas e a combinação
de ambas, que dão a base para os cálculos das taxas de
juros simples e compostos. Então, uma variável que é fun-
damental para os estudos da matemática financeira é a taxa de juros.
Por taxa de juros, podemos entender a remuneração que recebe uma pessoa,
seja ela física ou jurídica, que empresta capital para outra pessoa (física ou jurí-
dica), ou seja, os juros são uma forma de remuneração do capital utilizado. Em
outras palavras, é uma espécie de pedágio que uma pessoa cobra por emprestar
o fator de produção “capital” para outra pessoa. E é sempre expresso em porcen-
tagem sobre o montante emprestado.

MATEMÁTICA FINANCEIRA: TAXA DE JUROS


103

A situação apresentada pode ser entendida com base na figura a seguir:

Salário Aluguel

Trabalho Terra
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Administração Técnica

Capital
Lucros Royalty

JUROS
Figura 1: Remuneração pelos fatores de produção
Fonte: Pamplona e Montecechi (1999).

Nessa figura, temos os fatores de produção ou recursos produtivos que nós


discutimos na unidade 1. Cada um desses fatores é remunerado. Por exemplo,
o fator de produção “trabalho” recebe um salário; o recurso produtivo “terra ou
recursos naturais” tem como remuneração o aluguel, e assim por diante. O que
nos importa nessa figura é a remuneração do fator de produção “capital”. Nesse
caso, o custo do “capital” são os juros. Em outras palavras, para uma empresa
utilizar o capital, ela pagará os juros ao “capital”.
Para ficar mais claro, vamos pensar na taxa de juros que pagamos nas seguin-
tes situações diárias:

Introdução à Matemática Financeira


IV

■■ Financiamento de um carro novo.


■■ Parcelas do cartão de crédito.
■■ Prestação da casa própria.
■■ Utilização do cheque especial

Em todas as situações apresentadas, a taxa de


juros está embutida e, dependendo da con-
juntura econômica e da política monetária
implementada pelo governo, essa taxa de juros é bem alta. Por esse motivo, precisamos

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
levar em consideração tanto os juros quanto o tempo para tomar a melhor decisão.
Nessa mesma situação, encontram-se as empresas. Elas também precisam
analisar as taxas de juros e o tempo pelo uso de um determinado capital e, assim,
tomar as decisões mais corretas. Então, é importante observar que os termos
“taxa de juros” e “tempo” estão diretamente relacionados, ou seja, não podemos
falar em um excluindo o outro.

Existe relação direta entre taxa de juros e o tempo. Ao tomar decisões, é ne-
cessário analisar ambas as variáveis e como elas estão associadas
Fonte: a autora.

Mas, antes de iniciarmos, de fato, nossos cálculos financeiros, é necessário


que você conheça algumas premissas que precisam estar presentes. A primeira,

“Não se soma ou subtrai quantias em dinheiro que não estejam na mesma


data”. Fonte: Pamplona; Montecechi (1999, p.5).

MATEMÁTICA FINANCEIRA: TAXA DE JUROS


105

e talvez uma das mais importantes, é o valor do dinheiro no tempo.


Apesar da afirmativa acima de Pamplona e Montecechi (1999) ser simples,
ela é uma premissa fundamental para a tomada de decisão correta. Pior, mui-
tas pessoas não a levam em consideração, tanto que nos deparamos diariamente
com inúmeras propagandas divulgando determinados produtos.
Por exemplo, supondo que você queira adquirir um notebook novo e veja o
seguinte anúncio na televisão:
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Notebook da marca X, Intel Core i7, 8GB


Ram, 1GB H por apenas R$ 2000,00 à vista
ou 10 parcelas de R$ 210,00. Total a prazo
R$ 2100,00.

O anúncio acima tem um equívoco. Você sabe qual é o erro? O erro consiste
na data, já que o valor final do produto é diferente, mas as datas finais também
são diferentes. Assim, o princípio básico da matemática financeira, que não pode
somar ou subtrair qualquer quantidade de dinheiro que não esteja na mesma
data, foi desrespeitado.
Mas se não podemos comparar o valor do dinheiro no presente com o valor
desse mesmo dinheiro no futuro, então, como faremos? A resposta para essa per-
gunta é simples: devemos levar em consideração o tempo do fluxo financeiro,
ou seja, entrada e saída de capital!
Mas, antes de iniciar nossos cálculos financeiros, quero apresentar a você
alguns conceitos que fazem parte da matemática financeira e que precisam estar
bem claros.

JUROS
Como discutimos acima, os juros são uma espécie de aluguel/investimento pelo
capital utilizado. Dependendo da ótica, os juros se posicionam no fluxo de caixa
como custo financeiro para quem paga e remuneração para quem empresta o
capital.

Introdução à Matemática Financeira


IV

TAXA DE JUROS (i)


Os juros são determinados por um coeficiente relacionado ao período de tempo
no qual o capital é empregado, ou seja, o coeficiente está relacionado à remune-
ração do capital empregado por um determinado tempo.
A taxa de juros pode ser apresentada de duas formas: percentual e unitária.
A primeira forma, a percentual, é obtida dividindo o capital por 100, ou seja, é
a parte do capital. Já a forma unitária refere-se à unidade do capital, conforme
pode ser visto no quadro abaixo.

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
FORMA PERCENTUAL TRANSFORMAÇÃO FORMA UNITÁRIA
20% a.a. 20/100 0,20 a.a.
10% a.t. 10/100 0,10 a.t.
5% a.m. 5/100 0,05 a.m.
Quadro 4: Formas de apresentação da taxa de juros
Fonte: a autora.

Em que: a.a. = ao ano


a.t. = ao trimestre
a.m. = ao mês

Atenção!
Não confunda juros com taxa de juros

CAPITAL (PV)
Capital principal ou valor presente são conceitos similares e é qualquer valor
monetário disponível para empréstimo ou investimento em um determinado
período de tempo.

MONTANTE (FV)
O montante, também chamado de valor futuro, é o valor do capital inicial que
foi somado aos juros gerados no período em que o capital foi empregado.

MATEMÁTICA FINANCEIRA: TAXA DE JUROS


107

TEMPO OU PERÍODO (t ou n)
Conforme vimos nos conceitos discutidos acima, todas as operações financei-
ras estão relacionadas a um tempo definido. Independentemente do tempo ser
de curto ou de longo prazo, ele sempre terá um fim. E o tempo é um importante
parâmetro para o cálculo dos juros.

REGIMES DE CAPITALIZAÇÃO
Ouvimos muito falar em capitalização. Porém, o que esse conceito significa?
Capitalizar é o cálculo de juros e a incorporação desses juros ao capital inicial
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

empregado. Existem duas formas de capitalizar um capital: a simples e a composta.


Na capitalização simples, os juros são calculados sempre sobre o valor do
capital inicial, multiplicado pelo período e pela taxa de juros:
J=C.i.n
Em que: J = valor dos juros
C = valor do capital inicial
i = taxa de juros
n = prazo

Exemplo: João empresta a José R$ 10.000,00 a taxa de juros de 2% ao mês, durante


3 meses. Qual é o valor dos juros que José pagará a João?
J=?
C = 10.000,00
I = 3% a.m.
N = 3 meses

Substituindo os valores da fórmula:


J = 10.000,00 . 0,03 . 3
J = 900,00

Já na capitalização composta, os juros são calculados em cada período, já que o


valor dos juros depende dos juros no período anterior. A fórmula é:
M = C(1+i)n

Introdução à Matemática Financeira


IV

Em que: M = montante que se deseja encontrar


C= valor do capital inicial
I = taxa de juros
n = período

Voltando a João, se ele empresta o mesmo valor a José, R$ 10.000,00, a taxa de


juros de 3% ao mês, durante 3 meses, mas com regime de capitalização com-
posto, o montante que João irá receber é:
M = 10.000,00 (1+0,03)3

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
M = 10.000,00 (1,09)
M = 10.9000,00

Os regimes de capitalização e forma de cálculo de cada um discutiremos com


mais detalhes nas próximas seções desta unidade.

FLUXO DE CAIXA
O fluxo de caixa é a representação gráfica do conjunto de receitas (entradas) e
despesas (saídas) em um determinado intervalo de tempo. Em outras palavras,
o fluxo de caixa é a relação dos pagamentos e recebimentos que uma pessoa
física ou jurídica deverá honrar em um determinado período de tempo (PILÃO;
HUMMEL, 2013).
O diagrama do fluxo de caixa é representado da seguinte forma:

Entradas de Caixa

0 1 2 3 4 5 6 tempo

Saídas de Caixa

(sem2: escala)
Figura Representação gráfica do fluxo de caixa
Fonte: a autora.

O tempo (n) é representado pela seta na horizontal, em que o início do

MATEMÁTICA FINANCEIRA: TAXA DE JUROS


109

tempo, ou seja, a data presente,


é o tempo “0” e se projeta para
a direita com o passar o tempo. O
espaço entre as setas na vertical é
considerado uma unidade de tempo, ou
também chamado de período de capi-
talização. É importante observar que
esse período pode ser um dia,
um mês, um ano etc., tudo
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

dependerá do contrato. Um
período começa quando o
outro termina (n-1).
Na figura do fluxo de caixa, você está
visualizando setas para cima e para baixo. As setas para
cima são as entradas (receitas) e têm valor positivo. Já as setas para baixo
são as saídas (despesas) e têm valor negativo.
Agora que você já compreendeu os fundamentos da matemática financeira,
vamos discutir com mais detalhes as taxas de juros simples e compostas.

JUROS SIMPLES

Os juros mais simples para se calcular são, como o nome diz, os juros simples.
Utilizamos os juros simples tanto para calcular um empréstimo quanto para
uma compra a crédito.
Eu sei que você está ansioso(a) para iniciar nossos cálculos. Porém, antes
de iniciarmos, é preciso que você se familiarize com algumas simbologias, já
que utilizará, basicamente, fórmulas da matemática financeira. Apesar de ter-
mos visto muitas das simbologias a seguir, vamos relembrá-las?

Juros Simples
IV

• i = taxa de juros cobrada.


• n = número de períodos que o montante estará sujeito a uma taxa de juros.
• P = C = PV= capital/valor presente/principal.
• S= M= soma do principal mais os juros. Também chamado de montante ou
valor futuro.
• R = série de pagamentos ou recebimentos no período 1 até o “n”. Em geral, são
valores iguais.
• G = série gradiente de pagamentos ou recebimentos.

Outra simbologia que precisa estar clara é o tempo, ou seja, é importante estar

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
claro a qual período da taxa de juros refere-se, isto é, o período de capitaliza-
ção. Por que é importante conhecer o tempo? Porque todas as vezes que uma
taxa de juros for representada ela estará acompanhada da unidade tempo e, ao
fazer os cálculos dos juros, é necessário equivaler todos os tempos, ou seja, o “i”
e o “n” precisam estar na mesma unidade. As expressões tempo são abreviadas
da seguinte forma:

• a.d. = ao dia • a.q. = ao quadrimestre


• a.m. = ao mês • a.s. = ao semestre
• a.b. = ao bimestre • a.a. = ao ano
• a.t. = ao trimestre

Além do exposto, ainda temos as fórmulas utilizadas:

1) M = C (1 +i. n)
2) M = C + J
3) J = C . i. n

Vamos analisar cada uma das fórmulas com exemplos.


Exemplo 1: João comprou um notebook em quatro vezes, com valor total
de R$ 2.900,00. O valor à vista do produto é R$ 2.200,00. Qual foi a taxa de juros
da operação?

Resolução: Queremos saber o valor de “i”. Precisaremos utilizar duas fórmulas:


M=C+J

MATEMÁTICA FINANCEIRA: TAXA DE JUROS


111

Substituindo: 2900 = 2200 + J


J = 700
Agora: J = C . i . n
700 = 2200 . i. 4
700 = 8800i
I = 700/8800
I = 0,08 = 8% a.m.
OU
M = C (1 + in)
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

2900 = 2200 (1+ i.4)


2900= 2200 + 8800i
2900 – 2200 = 8800i
I = 700/8800
I = 0,08 = 8% a.m.

Independente da fórmula utilizada, chegamos ao mesmo valor da taxa de juros


que João pagou pelo notebook. Certamente, você deve estar se perguntando: mas
como vou saber qual fórmula utilizar? Para saber qual fórmula utilizar, é preciso
conhecer quais valores se têm e somente depois de interpretar a situação apre-
sentada é que iremos substituir os valores disponíveis na fórmula.

Exemplo 2: João emprestou a José R$ 1.000,00 por um ano, a uma taxa de


juros simples de 10% a.a. Qual o valor de juros que José pagará a João?

Juros Simples
IV

Resolução: Se queremos saber o valor dos juros, queremos calcular “J”. Então,
utilizaremos a terceira fórmula:
J=C.i.n
Em que: J = valor que queremos encontrar
C = R$ 1000,00
I = 10% = 0,10 a.a.
N = 1 ano
Substituindo: J = 1000 . 0,10 . 1
J = 100,00

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
Atenção!
As taxas de juros e o período devem ser expressos na mesma unidade de tempo.
Caso não estejam, é necessário fazer a equivalência.

Exemplo 3: Vamos supor que João não saiba qual é o valor à vista do note-
book que ele adquiriu e gostaria da sua ajuda para descobrir. Lembrando que
João comprou um notebook em quatro vezes, com valor total de R$ 2.900,00, a
uma taxa de juros de 8% a.m. Qual era o valor do produto à vista?
M = C (1 +i.n)
2900 = C (1 + 0,08 . 4)
2900 = C + 0,32C
2900 = 1,32 C
C = 2196,97
É importante observar que a diferença do valor à vista do notebook nos
exemplos 1 e 2 são diferentes em razão da aproximação, ou seja, foram utiliza-
das para o cálculo duas casas decimais.

EQUIVALÊNCIA DE JUROS EM JUROS SIMPLES

Muitas vezes, deparamo-nos em situações nas quais a taxa de juros apresentada


é diferente do período de capitalização. Por exemplo, taxa de juros de 6% a.a.

MATEMÁTICA FINANCEIRA: TAXA DE JUROS


113

aplicada durante seis meses. Nesse caso, teremos juros anual, mas a aplicação
será apenas de seis meses. Vamos calcular o montante nessa situação? Precisamos
fazer a equivalência da taxa de juros.
Como fazer a equivalência das taxas de juros? Como a função da taxa de
juros simples é linear, basta dividirmos ou multiplicarmos a taxa do período
conhecido em relação ao período desejado, conforme cada caso.
Um exemplo citado por Pilão e Hummel (2013) é: para uma taxa de juros
de 2% a.m, teremos uma taxa trimestral de 0,02 (3) = 0,06 ou 6% a.t. Se a taxa
for anual, 0,02(12) = 0,24 ou 24% a.a., pois um trimestre é composto por três
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

meses e um ano é composto por doze meses.

Atenção!
Antes de iniciar qualquer cálculo, veja se a forma como a taxa de juros está apre-
sentada é a mesma do período de aplicação do capital. Caso não seja, é preciso
fazer a equivalência.

JUROS COMPOSTOS

Os juros compostos são utilizados quando temos uma grande quantidade de


opções, seja de empréstimo, seja de investimento. Dentre dessas inúmeras opções,
precisamos escolher a melhor, ou seja, tomar decisões.
Supondo que João, nosso investidor, tenha a opção de receber R$ 500,00
agora ou os mesmos R$ 500,00 mais as taxas de juros em três anos, qual é a
melhor opção para João? Se ele tiver necessidades imediatas, provavelmente
será receber o dinheiro hoje. Mas, se ele não tem essa urgência, precisamos
conhecer a taxa de juros. Vamos supor que a taxa de juros seja de 10% a.a.
compostos.
O que isso significa? Significa que, ao final do ano, 10% de juros serão adi-
cionados ao valor investido. Então, ao final no primeiro ano, João teria R$ 500 +
10% = R$ 550,00. Como temos juros sobre juros, já que na situação apresentada

Juros Compostos
IV

a taxa de juros é composta, ao final do segundo ano, João teria R$ 550,00 + 10%
= R$ 605. E, ao final do terceiro ano, R$ 605 + 10% = R$ 665,50.
Se você fosse João e não levando em consideração a inflação, qual opção
você escolheria? R$ 500,00 agora ou R$ 665,50 daqui a três anos? Certamente, a
segunda opção, de investir o
montante durante três anos,
é a mais rentável.
Nos juros compostos, a
capitalização ocorre a cada

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
período que a taxa de juros
é aplicada. Por exemplo, se
o tempo de aplicação de um
certo capital for de dois anos
e a taxa de juros for mensal,
teremos vinte e quatro perí-
odos de capitalização, pois:
2 anos = 24 meses. Se a taxa de juros for bimestral, serão 12 períodos de capita-
lização, pois: 2 anos = 12 períodos, e assim por diante.
Da mesma forma que foi estudado no regime de capitalização simples, no
regime de capitalização composta o montante será:

M=C+J

A diferença entre os dois regimes, simples e composto, é que, agora, a cada


período, o montante inicial será aumentado e a taxa de juros incidirá sobre esse
novo valor. Por esse motivo, dizemos que a capitalização composta é uma fun-
ção exponencial, pois cresce a cada período.

MATEMÁTICA FINANCEIRA: TAXA DE JUROS


115

Função exponencial
Toda relação de dependência, em que uma incógnita depende do valor da
outra é denominada função. A função denominada como exponencial pos-
sui essa relação de dependência e sua principal característica é que a parte
variável representada por x se encontra no expoente. Observe:
Y = 2x
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Y = 3x+4
Y = 0,5x
Fonte: Noé (2015, online).

No regime de capitalização composto, a fórmula básica para o cálculo do


montante é:

M = C (1 + i)n

Em que: M = montante ou valor futuro


C = capital ou valor presente
I = taxa de juros
N = período

Exemplo 4: João aplicou R$ 2000,00 durante 5 meses a uma taxa de juros de


8% a.m. Qual o montante que João receberá ao final do período de aplicação?
Resolução: M = ?
C = 2000,00
I = 8%= 0,08
N=5

Juros Compostos
IV

Substituindo os valores na fórmula: M = 2000


M = 2000
M = 2000.1,47
M = 2938,66

Nesse caso, João receberá R$ 2938,66 pela aplicação.

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
EQUIVALÊNCIA DE JUROS EM JUROS COMPOSTOS

A taxa de juros composta deve seguir a mesma regra da taxa de juros simples,
ou seja, devemos sempre considerar o número de período com o período da
taxa de juros apresentada. Porém, como as taxas de juros compostas obedecem
à função exponencial, a conversão é um pouco mais trabalhosa e precisaremos
de uma fórmula específica.

I = [(1 + i)n] - 1
Em que: I = taxa de juros para o período maior
i = taxa de juros para o período menor
N = número de períodos necessários para compor o maior

Exemplo 5: Qual taxa de juros compostos anual corresponde a uma taxa de


juros compostos mensal de 5%?
Resolução: I = ?
i = 5% a.m. = 0,05
N = 12

Substituindo na fórmula:
I = [(1 + 0,05)12] - 1
I = (1,05)12 - 1
I = 1,80 – 1
I = 0,80 ou 80% a.a.

MATEMÁTICA FINANCEIRA: TAXA DE JUROS


117

SISTEMAS DE AMORTIZAÇÃO

Amortização é um processo financeiro no qual a dívida é paga gradativamente,


ou seja, temos um parcelamento da dívida. São utilizados, principalmente, para
operações de financiamento e empréstimos de longo prazo, nos quais perio-
dicamente (mensal, trimestral, anual, depende do contrato) há pagamento do
principal e de encargos financeiros. E, claro, as taxas de juros são cobradas.
Existem dois tipos principais de sistemas de amortização:
a. Sistema francês de amortização (PRICE)
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

É mais utilizado em compras que serão pagas com prazos menores e no crédito
direto ao consumidor. Assim, as parcelas são constantes, as taxas de juros reduzem
com o tempo e a amortização aumenta com o tempo. Conforme figura abaixo:

Juros
Prestação

Amortização
n
Figura 3: Sistema da amortização francês
Fonte: Pamplona e Montevechi (1999).

Nesse caso, a prestação será:


Pk = ak + jk
Em que: P = prestação
a = amortização
j = juros
k = período

O saldo devedor será:


S = p (P/A; i; n-k)

Sistemas de Amortização
IV

Ou seja, o saldo devedor é o valor presente das prestações futuras.

b. Sistemas de amortização constante

Esse sistema de amortização é utilizado para financiamentos de longo prazo.


Nesse caso, amortização permanece constante, conforme figura abaixo:

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
Juros
Prestação

Amortização
n
Figura 4: Sistema de amortização constante
Fonte: Pamplona e Montevechi (1999).

Assim, a amortização é calculada:


p
a= n
Em que: a = amortização
P = principal
N = número de prestações

O saldo devedor será:

S = P - ka

Em que: S = saldo devedor


P = prestação
Ka = k-nézia prestação

MATEMÁTICA FINANCEIRA: TAXA DE JUROS


119

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Chegamos ao final da nossa unidade quatro do livro Engenharia Econômica.


Neste quarto capítulo, você pode ver que a matemática financeira possui inúme-
ras aplicações dentro da economia. Algumas dessas aplicações estão presentes no
dia a dia do agente econômico “família”, e outras no ambiente empresarial. Porém,
como você pode perceber, independente da aplicação, a taxa de juros sempre
estará presente, influenciando as decisões, pois, ao tomar decisão, é necessário
avaliar o dinheiro no tempo.
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Com base no exposto acima, posso citar a seguinte situação: a empresa, ao


financiar a compra de uma nova máquina, como uma engarrafadora, por exem-
plo, efetuará o pagamento em X parcelas. Todas as X parcelas estarão acrescidas
de juros. Assim, a nova máquina sairá mais cara do que se o pagamento fosse
à vista. E esses valores precisam ser analisados, com muito cuidado, antes da
tomada de decisão.
Outro exemplo que poderia citar a você é a compra de uma frota de cami-
nhões. A empresa irá parcelar a compra e tem como opções adquirir dez caminhões
e parcelar em doze vezes a uma taxa de juros X, ou adquirir os dez caminhões e
parcelar em dezoito vezes a uma taxa de juros Y. Para escolher qual será a quan-
tidade de parcelas, a empresa deverá analisar como o dinheiro irá se comportar
em doze e em dezoito meses e essa análise, como você já sabe, é feita com base
na taxa de juros.
Procurei apresentar a você os conceitos da matemática financeira de forma
objetiva e clara. O entendimento da matemática financeira é fundamental para
tomarmos decisões. Em outras palavras, uma empresa se depara todos os dias
com inúmeras opções, como o exemplo citado acima, que é a compra de uma
nova máquina. Porém ela precisa saber, exatamente, se aquele momento e aque-
las condições de pagamento são ideias, ou seja, se está no momento de adquirir
a nova máquina ou se é melhor deixa mais para frente. A matemática financeira
vem para ajudar nessa decisão.
Um forte abraço,
Profª Me. Andréia Moreira da Fonseca Boechat

Considerações Finais
1. Explique, com suas palavras, os seguintes termos:
a. Juros.
b. Taxa de juros.
c. Montante.
d. Capital.
e. Amortização.

2. Imagine a seguinte situação: João aplica R$ 30.000,00 a taxa de juros simples


a 2% ao mês, durante os períodos abaixo. Com base nos valores apresentados,
calcule o montante que João irá receber se deixar capital inicial aplicado pelo
tempo de:
a. 2 meses.
b. 3 meses.
c. 4 meses.
d. 5 meses.

3. Refaça a atividade 3, mas pelo regime de capitalização composta.

4. Calcule o montante ou valor futuro de uma aplicação de R$ 100.000,00 a uma


taxa de juros simples de 3% a.m. durante 3 anos.

5. Se uma pessoa investir R$ 10.000,00 por 10 anos a uma taxa de 30% a.a, qual será
o montante ao final dos 10 anos?

6. Com base nos dados do exercício 5, calcule o montante ao final dos 10 anos pelo
regime de capitalização composto.
121

KROTON EDUCAÇÃO S.A. E ABERTURA DE CAPITAL

Depois de se tornar a Kroton Educacional tura, abrindo mais cursos, mais vagas e até
S/A a empresa resolveu abrir o seu capi- comprando faculdades menores, além de
tal, através de oferta de ações. Segundo liquidar as dívidas de longo e curto prazo
Cafardo (2007) “A Kroton Educacional, que irão aumentar seu índice de liquidez.
empresa que administra o Grupo Pitágo-
ras, de Minas, abriu o capital no mês de A abertura de capital vai trazer profissiona-
julho e conseguiu R$ 374,7 milhões.” lismo e melhor gestão para as instituições,
isto significa mais qualidade de forma que
O motivo que o grupo resolveu abrir o só assim elas sobreviverão ao mercado cada
capital foi com a intenção de conseguir vez mais concorrido do ensino superior pri-
investidores brasileiros ou estrangeiros e vado brasileiro.
usar o dinheiro para expandir sua estru-

APRESENTAÇÃO DA OFERTA

A oferta compreenderá a distribuição Oferta Secundária compreendeu a dis-


pública Units no Brasil, em mercado de bal- tribuição pública de 1.530.000 Units de
cão não-organizado, em conformidade com titularidade dos acionistas vendedores, sem
a Instrução CVM 400, por intermédio dos considerar as Units suplementares.
coordenadores da oferta, com a participa-
ção do HSBC Corretora de Títulos e Valores O preço de emissão e/ ou venda por
Mobiliários S/A. Unit objeto da oferta é de R$ 39,00 por
Unit e foi fixado após a efetivação dos
Oferta Primária compreendeu a distribui- pedidos de reserva e a conclusão do
ção pública de 9.145.000 Units emitidas pela procedimento de coleta de intenções
companhia, com exclusão do direito de pre- de investimento.
ferência de seus atuais acionistas, nos termos
do artigo 172, inciso I, da Lei das Socieda- O valor total da oferta foi de: R$
des por Ações, e dentro do limite de capital 416.325.000,00,
autorizado previsto no seu estatuto social.
CUSTOS ESTIMADOS PARA ABERTURA DO CAPITAL 

Para abertura do capital a Kroton desem- Por estes motivos que a empresa deve estar
bolsou uma quantia significativa com ciente na decisão da abertura do capital e
comissões dos intermediários financeiros, se realmente terá um retorno considerável
despesas estimadas com auditoria externa, em relação a todo o investivento realizado.
advogados e consultores, preparação da
documentação e taxas de registro na CVM.

O VALOR DO EMPRÉSTIMO CASO A KROTON OPTASSE POR CAPTAR


RECURSOS DE TERCEIROS NA EXPANSÃO DE SEUS NEGÓCIOS.

O esforço dos federais em servir de referên- De acordo com o estudo feito, o Banco do
cia no universo dos cinco maiores bancos Brasil oferece uma linha de crédito que se
do país fica evidente, sobretudo no finan- chama BNDES automático. É um financia-
ciamento em longo prazo, por isso caso a mento de longo prazo para a realização
Kroton escolhesse um banco para a cap- de projetos de investimentos da empresa:
tação de recursos seria o Banco do Brasil implantação, ampliação, recuperação e
ou Caixa Econômica que têm as menores modernização de ativos fixos. O banco
taxas do mercado. Mesmo com taxas redu- exige para a contratação a garantia de hipo-
zidas vale a pena lembrar que os juros, IOF teca, duplicatas, máquinas e equipamentos
(Imposto Sobre Operações Financeiras) e admitindo a coobrigação dos controlado-
a TARC (Tarifa de abertura/Renovação de res da empresa. O valor do financiamento
crédito) não ficam de fora aumentando é até R$10.000.000,00. O que poderia ser
consideravelmente o valor do empréstimo. contratado devido ao porte da empresa.

Segundo Izaquirre (2004), Formas de pagamento: os juros serão pagos


trimestralmente após o prazo de carência
A diferença entre a menor e a maior a ser negociado.
taxa também é sensível no crédito
para capital de giro: no Banco do Taxas: Taxa de juros de longo prazo (TJLP),
Brasil ela corresponde a 27,57% ao Intermediação financeira de 0,8% ao ano e
ano e no Bradesco, a 44,58%. Para remuneração básica do BNDES é de 0,5%
um empréstimo de R$ 20 mil, a a 3,00% ao ano, conforme finalidade do
dívida ao final de um ano seria de financiamento. A remuneração do Banco
R$ 25,51 mil no primeiro caso e de do Brasil será negociada na aquisição do
R$ 28,91 mil no segundo. contrato.
123

DADOS APÓS A ABERTURA DO CAPITAL EM JULHO DE 2007

O ano de 2007 representou um marco na do desempenho da companhia, é impor-


história da Kroton Educacional S/A. A aber- tante ressaltar que o aumento do EBTIDA
tura de capital, realizada em Julho, aportou foi muito pouco impactado pelos campi
em valor bruto R$ 395,7 milhões na Compa- abertos pós a oferta pública inicial (IPO).
nhia, acelerando seu processo de expansão. 
A companhia fortaleceu o seu quadro de
O relatório de 2007 apresenta números que executivos, adequando a estrutura organi-
refletem a capacidade da Kroton, alinhada zacional, para acelerar o seu crescimento
à sua estratégia de gerar expressivos resul- e utilizar os recursos captados na oferta
tados empresariais; a receita bruta foi de pública inicial (IPO) com alto grau de pro-
52,2% superior à de 2006; o EBITDA ajus- dutividade. Ao encerrar o ano de 2007, a
tado evoluiu de R$ 14,7 milhões para R$ Kroton conta com a equipe de liderança
29,1 milhões, representando crescimento adequada para alcançar as metas empre-
de 97,1% em relação ao exercício anterior. sariais, o aperfeiçoamento contínuo na
implantação das estratégias e a garantia
Esses resultados traduzem a eficiência de da qualidade dos serviços e produtos, con-
gestão que, diante do forte crescimento, tribuindo para a melhoria da qualidade de
acumulou ganhos de escala pela siner- vida dos seus clientes por meio da edu-
gia das operações e pela maior excelência cação. 
administrativa. Para melhor compreensão
Fonte: Maia; Souza; Almeida; Castro (2015, online).
MATERIAL COMPLEMENTAR

Matemática Financeira e Engenharia Econômica


Luiz Roberto Vannucci
Editora: Edgad Blucher
Sinopse: Os cálculos matemáticos aplicados à área financeira, ao
longo dos anos e, principalmente, pelo constante desenvolvimento
tecnológico, ganharam muito em agilidade e precisão. No entanto,
tal avanço, ainda que disponibilize ferramentas de considerável
desempenho, requer do usuário conhecimentos prévios e sólidos
acerca dos conceitos que viabilizam a execução desses cálculos.
Nesse contexto, a obra apresenta um estudo com base no Sistema
de Capitalização Composto, também conhecido como Juros Compostos, por ser usualmente
aplicado no setor financeiro, bem como uma metodologia de análise de viabilidade econômica,
com algumas alternativas para cálculos e análises. O livro oferece ao leitor a base necessária
para o entendimento do assunto, assim como disponibiliza algumas formas de cálculos que
facilitam suas realizações com praticidade, como a utilização da calculadora financeira, da planilha
eletrônica e das tabelas financeiras.
Professora Me. Andréia Moreira da Fonseca Boechat

V
PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS
DA ENGENHARIA

UNIDADE
ECONÔMICA E A TOMADA
DE DECISÃO

Objetivos de Aprendizagem
■■ Conhecer os princípios básicos da engenharia econômica.
■■ Entender a importância da análise econômica.
■■ Compreender a engenharia econômica em diversos cenários.
■■ Analisar os investimentos.
■■ Identificar os métodos de análise de investimento.
■■ Tomar decisões.

Plano de Estudo
A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade:
■■ Princípios da engenharia econômica
■■ Importância da análise econômica
■■ Engenharia econômica em diversos cenários
■■ Introdução à análise de investimento
■■ Métodos de análise de investimento
■■ Tomada de decisão
127

INTRODUÇÃO

Olá, caro(a) aluno(a),


Iniciaremos a nossa quinta e última unidade do livro Engenharia Econômica.
Agora que você conhece o instrumental da engenharia econômica, que é a mate-
mática financeira, podemos entender os princípios fundamentais da engenharia
econômica para, assim, ser capaz de analisar, dentre tantos investimentos que
uma empresa tem disponível, aquele que melhor se adapta à realidade empresa-
rial daquele momento. Claro, sempre levando em consideração as taxas de juros
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

e a conjuntura econômica atual.


Porém, para decidir pelo melhor investimento, é necessário conhecer os métodos
utilizados e suas limitações. Mesmo que todos os métodos possam gerar o mesmo
resultado final, cada um é mais aconselhável utilizar para determinados investi-
mentos. E é com isso que você precisa tomar muito cuidado: escolher o método
correto para analisar o investimento e, somente depois, tomar a decisão correta.
Você já sabe o que é economia, suas áreas de estudo e a variável “culpada” por
todos os problemas econômicos. Podemos iniciar a discussão sobre os princípios
fundamentais da engenharia econômica e, assim, dar a base para o entendimento
da disciplina como um todo.
Lembrando que o estudo da engenharia econômica é importante para os
engenheiros de produção, pois esses profissionais analisam o desempenho, a sín-
tese e a conclusão de projetos em todas as dimensões, ou seja, precisam tomar
decisões. E essa tomada de decisão é baseada em três variáveis: fluxos de caixa
financeiros, taxa de juros e tempo.
A presente unidade insere os conceitos que os engenheiros de produção
necessitam para combinar as três variáveis citadas acima para solucionar pro-
blemas e, assim, tomar as melhores decisões. Para atingir o objetivo, a unidade
está dividida em seis tópicos.
No primeiro tópico, discutiremos os conceitos básicos e, claro, fundamen-
tais da engenharia econômica. Conceitos esses que darão suporte à tomada de
decisão. Na sequência, você conhecerá a importância da análise econômica na
engenharia econômica e como esta afeta a tomada de decisão. Na terceira parte,
veremos a engenharia econômica em diversos cenários.

Introdução
V

Na quarta seção, farei uma introdução à análise de investimento, ou seja,


o que é análise de investimento e qual é seu objetivo. Em seguida, os métodos
de análise de investimento serão discutidos. Sempre procurei apresentar a você
as vantagens e desvantagens de cada um dos principais métodos. Por último,
quais variáveis e fatos deveremos levar em consideração ao escolher um deter-
minado investimento.
Ao final desta quinta unidade, espero que você esteja ainda mais encantan-
do(a) pela engenharia econômica e seja capaz de analisar situações nas quais a
tomada de decisão seja importante.

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
Bons estudos!

FUNDAMENTOS DA ENGENHARIA ECONÔMICA

Nas unidades anteriores, procurei dar informações sobre a importância do


ambiente econômico e, principalmente, a essencialidade de se considerar o valor
do dinheiro no tempo. Por meio da matemática financeira (discutimos esse tema
na unidade IV), podemos deslocar o dinheiro ao longo do tempo da maneira
que for mais conveniente.
Agora que você já absorveu o conceito do dinheiro no tempo, podemos uti-
lizar a engenharia econômica. Segundo Pilão e Hummel (2013), a engenharia
econômica se propõe, principalmente, a analisar investimentos produtivos, em
geral, de longo prazo. Porém, a engenharia econômica também permite anali-
sar problemas complexos, nos quais os riscos e incertezas estão presentes, até
mesmo em situações que os aspectos qualitativos fazem parte.
Com base no exposto, a engenharia econômica pode ser definida como
um conjunto de técnicas que permitem comparar os inúmeros resultados que
a escolha de um certo projeto pode gerar. Blank e Tarquin (2008, p.6) afirmam
que “a engenharia econômica envolve formular, estimar e avaliar os resulta-
dos econômicos quando alternativas para realizar determinado propósito estão
disponíveis”.

PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS DA ENGENHARIA ECONÔMICA E A TOMADA DE DECISÃO


129

Os mesmos autores observam que outra maneira de definir engenharia eco-


nômica é considerá-la um conjunto de técnicas matemáticas que simplificam a
comparação econômica. Nessa comparação, as diferenças entre as alternativas
devem ser quantificadas.
Certamente você deve estar me perguntando: mas para que quantificar as
alternativas? As diferenças entre as alternativas devem ser quantificadas para a
tomada de decisão, ou seja, a alternativa mais econômica deverá ser a escolhida e
só saberemos qual o projeto mais viável se quantificarmos os possíveis resultados.
Algumas situações típicas de estudo da engenharia econômica:
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

■■ Escolher se o transporte de materiais será feito manualmente ou se a


empresa deve comprar uma correia transportadora.
■■ Construir uma rede de abastecimento de água com tubulação de diâme-
tro maior ou menor.
■■ Comprar um equipamento à vista ou a prazo.
■■ Fazer um investimento especulativo em ações ou renda fixa.
■■ Comprar ou alugar uma máquina.
■■ Escolher o momento certo para trocar a frota de caminhões.
■■ Lançar o produto A ou lançar o produto B.

Posso apresentar inúmeras situações em que a engenharia econômica se faz


necessária. E, claro, para tomar decisões, ou seja, para responder as pergun-
tas citadas acima, é preciso ter conhecimento das ferramentas da engenharia
econômica. Uma dessas ferramentas discutimos na unidade IV, matemática
financeira.

PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS DA ENGENHARIA ECONÔMICA

Ao tomar uma decisão, dez princípios precisam estar claros (PILÃO; HUMMEL,
2013), os quais chamaremos de princípios da engenharia econômica. Vamos
conhecê-los?

Fundamentos da Engenharia Econômica


V

Princípio 1: Não existe decisão a ser tomada quando temos uma única
alternativa. Ou seja, para tomarmos decisão, precisamos ter opções. Exemplo:
comprar uma nova máquina ou continuar com a antiga?
Princípio 2: Só podem ser comparadas alternativas homogêneas para se com-
parar o seu resultado. Em outras palavras, se estivermos analisando alternativas
diferentes (heterogêneas), não poderemos assumir qual delas é a melhor. Por
exemplo, uma empresa pretende comprar um imóvel. Porém ela tem duas opções:
um imóvel no valor de R$ 350.000,00 em um bairro nobre e um outro imóvel no
valor de R$ 90.000,00 em um bairro popular. Nesse caso, são alternativas total-

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
mente diferentes, não tendo como fazer comparações sem homogeneizar os dados.
Princípio 3: Apenas as diferenças de alternativas são relevantes. Se todas
as alternativas tiverem série de custos ou receitas iguais, essas características
não serão relevantes. Nesse caso, precisaremos comparar as diferenças e, assim,
tomar as decisões.
Princípio 4: Os critérios para decisão de alternativas econômicas devem
reconhecer o valor do dinheiro no tempo, ou seja, precisamos analisar os inves-
timentos com tempo igual.
Princípio 5: Não devem ser esquecidos os problemas relativos ao raciona-
mento de capital. Esse princípio significa que não adianta existir uma alternativa
se o capital próprio mais o capital de terceiros não for suficiente para cobrir as
necessidades do capital da alternativa.
Princípio 6: Decisões separáveis devem ser tomadas separadamente, ou
seja, todos os problemas e alternativas econômicas de investimento devem ser
cuidadosamente avaliados para determinar qual o número, tipo e sequência das
decisões necessárias.
Princípio 7: Deve-se sempre atribuir um certo peso para cada grau rela-
tivo de incertezas associado à previsões efetuadas. Assim, ao fazer uma escolha,
sempre deve ser levado em consideração o risco daquele projeto. Como risco,
podemos nos referir à probabilidade de se obter resultados insatisfatórios. Uma
forma de minimizar os riscos é por meio do uso de técnicas corretas.
Princípio 8: As decisões devem levar em consideração os eventos qualitati-
vos não quantificáveis monetariamente. Esse princípio significa que a seleção de
alternativas requer que as possíveis diferenças entre alternativas sejam claramente

PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS DA ENGENHARIA ECONÔMICA E A TOMADA DE DECISÃO


131

especificadas. Sempre que possível, essas diferenças devem assumir uma uni-
dade quantificável comum (unidade monetária). Assim, fornece a base para a
seleção de projetos.
Princípio 9: Realimentação de informações.
As informações sempre precisam estar atualiza-
das para possibilitarem a melhor tomada de
decisão.
Princípio 10: Dados econômicos/geren-
ciais. Ao analisar alternativas, deve-se ter
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

presente que os valores e os dados que nos


interessam são sempre os econômicos e os
gerenciais.
Após conhecer os dez princípios funda-
mentais da engenharia econômica, é importante
compreender as cinco limitações do estudo da
engenharia econômica, segundo Pilão e Hummel (2013).
Limitação 1: Impossível transpor para o papel todas as considerações e vari-
áveis encontradas na vida. Porém deve-se levar em consideração a situação mais
abrangente do problema, as premissas, restrições e limitações do modelo a ser
estudado, com objetivo de garantir que os recursos e benefícios estimados irão
permanecer futuramente.
Limitação 2: Taxas de retorno e taxas de juros, na realidade, não são as mes-
mas. Apesar dos modelos de engenharia econômica considerarem que é possível
emprestar dinheiro a 5% ao mês, então também se pode tomar dinheiro emprestado
a essa mesma taxa de juros, na realidade, isso nem sempre ocorre. Para ameni-
zar esse problema, é necessário calcular a Taxa Mínima de Atratividade (TMA).
Limitação 3: O modelo pressupõe que as taxas de juros não variam
durante a vida.
Limitação 4: O modelo pressupõe que o fluxo de caixa real final é sempre
viável, de acordo com as condições econômicas e financeiras da empresa em
pauta. Ou seja, se estamos analisando alternativas com diferentes investimen-
tos iniciais, significa que podemos arcar com os ônus todas elas. Porém, nem
sempre isso ocorre.

Fundamentos da Engenharia Econômica


V

Limitação 5: A complexidade do modelo a ser montado deve ser compa-


tível com a confiabilidade dos dados assumidos. Em outras palavras, devemos
considerar somente dados confiáveis.
Além de se considerar os princípios e limitações da engenharia econômica
para analisar investimentos e, assim, tomar as melhores decisões, é preciso con-
siderar também que:
■■ Só serão analisadas alternativas de ação tecnicamente viáveis.
■■ Só serão analisadas alternativas de ação para as quais tenhamos capa-

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
cidade financeira.

IMPORTÂNCIA DA ANÁLISE ECONÔMICA

As decisões que os engenheiros, gerentes, executivos de forma geral tomam são


resultados da escolha de uma alternativa ao invés de outra. Porém, a quantidade
de capital, na maioria das vezes, é limitada, assim como o caixa disponível. Assim,
a decisão sobre como investir o capital será modificada futuramente; espera-
-se, de preferência, que essa
modificação seja para
melhor. Em outras palavras,
espera-se que a decisão do
investimento agregue valor
ao capital inicial investido.
E qual é o papel dos
engenheiros de produção na
situação apresentada acima?
O engenheiro de pro-
dução desempenha papel
fundamental nas decisões sobre investimentos, sempre tendo como base suas
análises, sínteses e esforços do projeto. Ao tomar decisão pelo investimento mais

PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS DA ENGENHARIA ECONÔMICA E A TOMADA DE DECISÃO


133

rentável, é essencial levar em consideração fatores econômicos e não econômicos;


fatores como taxa de juros, conjuntura econômica, conveniência, entre outros.
Em boa parte das empresas, muitos projetos têm escopo internacional, ou
seja, esses projetos são desenvolvidos em um país e aplicados em outro. Porém,
mesmo nesse tipo de projeto, o uso correto da engenharia econômica é funda-
mental, pois o investimento, seja ele local, nacional ou internacional, afetará os
custos e/ou as receitas da empresa.
Agora, caro(a) aluno(a), te faço uma pergunta: qual é o papel da engenha-
ria econômica na tomada de decisões? Essa resposta é relativamente simples.
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Sabemos que todas as pessoas, sejam físicas ou jurídicas, tomam decisões. Para
isso, têm disponíveis computadores, matemática financeira, técnicas e mode-
los para auxiliá-las. E a engenharia econômica proporciona os métodos para a
tomada de decisão, sempre pensando no futuro, pois aquilo que for feito hoje,
afetará a empresa futuramente.
Os números utilizados em uma análise de engenharia econômica são, segundo
Blank e Tarquin (2008), estimativas que esperamos ocorrer. E essas estimativas
envolvem três elementos: fluxo de caixa, tempo de ocorrência e taxas de juros.
Os elementos citados já foram discutidos nas unidades anteriores.

ENGENHARIA ECONÔMICA EM DIVERSOS CENÁRIOS

A engenharia econômica está presente em todos os cenários empresariais, pois é


ela que dará suporte para a tomada de decisão. Porém, podemos seguir algumas
etapas que irão nos auxiliar na tomada de decisão, independente do cenário no
qual a engenharia econômica esteja inserida. Nesse sentido, Black e Turquin (2008)
apresentam as seguintes etapas para o desenvolvimento e escolha de alternativas:
1. Entender o problema e definir objetivos.
2. Coletar dados relevantes.
3. Definir as soluções alternativas viáveis e fazer estimativas realistas.

Engenharia Econômica em Diversos Cenários


V

4. Identificar os critérios para a tomada de decisões usando um ou mais


atributos de avaliação.
5. Avaliar cada alternativa por meio da análise de sensibilidade para melho-
rar a avaliação.
6. Selecionar a melhor alternativa.
7. Implementar a solução.
8. Monitorar os resultados.
Já em relação à forma de realização de um estudo de engenharia econômica,

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
Black e Turquin (2008) propõem as seguintes etapas:
■■ Descrição da alternativa – compreensão básica daquilo que o problema
requer para a solução. Inicialmente, poderemos ter várias alternativas,
mas algumas delas serão inviáveis. Somente as alternativas viáveis serão
analisadas.
■■ Fluxos de caixa – os fluxos de caixa devem ser analisados para cada alter-
nativa viável.
■■ Análise usando engenharia econômica – cálculos que consideram o
valor do dinheiro no tempo são realizados nos fluxos de caixa de cada
alternativa viável.
■■ Escolha da alternativa – os valores da medida do valor são comparados e
uma alternativa é escolhida. Essa etapa é o resultado da engenharia econô-
mica. Para essa etapa, os métodos de análise de investimento são utilizados.

INTRODUÇÃO À ANÁLISE DE INVESTIMENTOS

Muito ouvimos falar em investimentos. Se falarmos de pessoa física, estamos, mui-


tas vezes, nos referindo a investimentos especulativos, ou seja, investimentos que
geram juros. Já investimento para o governo é um gasto em infraestrutura, por
exemplo, construção de escolas e melhorias de portos. Agora, para a empresa, o

PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS DA ENGENHARIA ECONÔMICA E A TOMADA DE DECISÃO


135

que significa investir? Vou responder a essa pergunta com um exemplo. Imagine
você que um(a) executivo(a) de uma grande empresa é informado(a) que uma
das linhas de produção da fábrica está obsoleta e, por isso, apresenta custos cada
vez mais altos de produção e altos índices de refugo do produto. Nesse caso, você
tem duas alternativas: substituir o equipamento por um novo ou modernizar
o equipamento existente. O
que você escolheria?
O exemplo que citei
acima é uma situação nor-
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

mal com a qual a empresa


se depara todos os dias:
quais projetos implemen-
tar, sabendo que algo hoje
terá que ser sacrificado em
prol de benefícios futuros?
Além de que, como vimos
na unidade I, a escassez está
presente e não podemos investir em tudo que desejamos ou precisamos. É neces-
sário sempre fazer escolhas.
Essa escolha sobre o melhor investimento a ser feito é uma condição funda-
mental para uma boa gestão e, claro, para gerar lucro, aumentar a competitividade
etc. Porém, não é algo tão fácil como possa parecer. A tomada de decisão exige a
utilização de instrumentos corretos. Exemplos desses instrumentos são as ferra-
mentas financeiras que irão auxiliar a decisão sobre a melhor aplicação do capital.
Uma empresa, ao avaliar uma alternativa de investimento, tem como objetivo
principal o lucro, ou seja, aumentar sua riqueza. Nenhuma empresa irá investir
seu capital se este não aumentar futuramente. De forma geral, os investimentos
são classificados em: Investimentos financeiros – referem-se à compra de títu-
los financeiros e valores mobiliários; Investimentos de capital – referem-se a
inversões em ativos que estão vinculados a um processo produtivo. Nesse caso,
sua análise é chamada de projetos de investimento.
Porém, como saber qual é o melhor investimento? O primeiro passo é defi-
nir o horizonte de análise a ser utilizado e, na sequência, projetar os fluxos de

Introdução à Análise de Investimentos


V

caixa futuros. Para isso, três elementos precisam estar presentes: o valor do inves-
timento inicial, fluxos de caixa incremental da vida do projeto e valor residual.
Assim, os métodos de análise de investimentos são baseados nos retor-
nos dos fluxos de caixa do projeto em análise. A construção do fluxo de caixa
necessita de uma enorme quantidade de informações passadas e projeções de
resultados futuros.
Mas como o fluxo de caixa é representado?
O fluxo de caixa é representado na escala horizontal, com marcadores dos

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
Fluxos de caixa mal elaborados podem conduzir a decisões desastrosas.
Fonte: a autora.

períodos, sendo as setas para cima representando as entradas e as setas para


baixo as saídas, conforme figura a seguir:
2.000 2.000

1 2 3 4 5

3.000
Figura 5: Representação do fluxo de caixa
Fonte: a autora.

Ao analisar a figura, percebemos que o investimento inicial foi de R$ 3.000,


que renderá R$ 2.000 ao final do terceiro período e mais R$ 2.000 ao final do
quinto período. Assim, fluxos de caixa são movimentos efetivos de recursos que
têm reflexos financeiros sobre o caixa, não levando em consideração as receitas
e despesas de natureza contábil, como depreciação, amortização etc.

PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS DA ENGENHARIA ECONÔMICA E A TOMADA DE DECISÃO


137

Todos os métodos de análise de investimento têm como base o fluxo de


caixa incremental medido ou projetado, que é gerado durante a vida útil do
projeto. Então, podemos afirmar que o fluxo de caixa incremental é a diferença
entre a situação sem o projeto e a situação gerada pelo projeto. É como uma
espécie do primeiro e segundo fluxo de caixa, ou seja, antes e após a imple-
mentação do projeto.
Caro(a) aluno(a), você deve estar se perguntando: o fluxo de caixa é o insumo,
a base para a análise do investimento? Isso mesmo, precisamos do fluxo de caixa
para tomar as decisões, pois um projeto só é economicamente viável, ou seja,
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

só valerá a pena ser escolhido/implementado se melhorar os resultados futuros.


Caso contrário, não é interessante implementá-lo.
Gostaria de finalizar este tópico introdutório lembrando a você que enten-
der as técnicas de avaliação de investimento é fundamental, e são instrumentos

Fluxo de Caixa é um Instrumento de gestão financeira que projeta para perí-


odos futuros todas as entradas e as saídas de recursos financeiros da empre-
sa, indicando como será o saldo de caixa para o período projetado.
De fácil elaboração para as empresas que possuem os controles financei-
ros bem organizados, ele deve ser utilizado para controle e, principalmente,
como instrumento na tomada de decisões.
O Fluxo de Caixa deve ser considerado como uma estrutura flexível, na qual
o empresário deve inserir informações de entradas e saídas conforme as ne-
cessidades da empresa.
Com as informações do Fluxo de Caixa, o empresário pode elaborar a Es-
trutura Gerencial de Resultados, a Análise de Sensibilidade, calcular a Ren-
tabilidade, a Lucratividade, o Ponto de Equilíbrio e o Prazo de retorno do
investimento. O objetivo é verificar a saúde financeira do negócio a partir
de análise e obter uma resposta clara sobre as possibilidades de sucesso do
investimento e do estágio atual da empresa.
Fonte: Fluxo de caixa (online).

Introdução à Análise de Investimentos


V

para a tomada de decisão. Claro que, como o objetivo principal de uma organi-
zação é o lucro, os critérios puramente monetários devem ser analisados com
muito cuidado.
Porém, ao tomar uma decisão, outros fatores precisam ser levados em con-
sideração, como: os objetivos estratégicos da empresa, a conjuntura econômica,
situação política e gerencial, impactos ambientais, dentre outros. Ou seja, todos
os fatores que afetam a empresa precisam ser analisados e somente depois a deci-
são é tomada.

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
TAXA MÍNIMA DE ATRATIVIDADE (TMA)

O dinheiro aplicado proporciona à empresa um ganho mensal via rentabilidade.


E a empresa só fará novos investimentos se a rentabilidade do novo projeto for
maior do que a do projeto anterior. Por exemplo, a Cia Brasileira Ltda., nossa
empresa, só comprará uma nova máquina se esta proporcionar rentabilidade
maior do que a máquina atual. Para analisar a rentabilidade de um investimento,
diversos fatores são levados em consideração, entre eles, oportunidade, custo do
dinheiro e inflação.
A forma que temos para calcular a rentabilidade de um investimento é por
meio da Taxa Mínima de Rentabilidade (TMA), que informará qual é o retorno
mínimo do projeto analisado. Em outras palavras, a TMA mostra com qual taxa
inicial o investidor obterá ganhos financeiros. Assim, podemos decidir se inves-
tiremos ou não.
Mas como iremos calcular a TMA? Vou explicar o cálculo a partir de
um exemplo. Exemplo: uma empresa tem um capital de R$ 10.000,00, que
deve ser investido na melhor opção á seguir com taxa mínima de atrativi-
dade de 12% a.a.:
a. Receber R$ 14.500,00 ao final de 3 anos.

PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS DA ENGENHARIA ECONÔMICA E A TOMADA DE DECISÃO


139

b. Receber em três parcelas de R$ 4.300,00 ao final de cada ano.


c. Receber em 36 parcelas de R$ 341,00 ao final de cada mês.

Resolução:

a. Receber R$ 14.500,00 ao final de 3 anos:

R$ 14.500,00 é o montante que será recebido no final do prazo, ou seja, é o valor


nominal (VN). Devemos, então, calcular qual o capital ou o valor atual (VA) que
gera aquele montante com a seguinte fórmula:
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

VA = VN /(1+i)n
VA = 14.500,00/(1+ 0,12)
VA = 10.320,81

b. Receber em três parcelas de R$ 4.300,00 ao final de cada ano:

Como é ao final de cada ano, os recebimentos são postecipados (sem entrada) e


a fórmula é a seguinte para o cálculo do valor atual:

Ap = (1+i)n - 1 . PMT
i(1+i)n

Ap = (1+0,12)3 - 1 . 4.300,00
0,12(1+0,12)3

Ap = 2,40183. 4.300,00

Ap = 10.327,87

c. Receber em 36 parcelas de R$ 341,00 ao final de cada mês:

Como é ao final de cada mês, também é postecipado, porém a taxa está expressa
em anos. É necessário calcular a taxa efetiva ao mês antes de aplicar a fórmula:

Introdução à Análise de Investimentos


V

i p< = (1+ip>) 1/n - 1


i am = (1+iaa) 1/n - 1
i am = (1,12) 1/12 - 1
i am = 0,00949
Ap = (1+i)n - 1 . PMT
i(1+i)n

(1+0,00949)36 - 1

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
Ap = . 341,00
0,00949(1+0,00949) 36

Ap = 0,40499 . 341,00
0,01333
Ap = 10.357,61

Conclusão: A opção “C” é a melhor, pois é a que apresenta maior valor presente.

MÉTODOS DE ANÁLISE DE INVESTIMENTO

Antes de iniciar a análise de um certo investimento, é preciso responder uma


questão: qual é o objetivo da empresa ao investir naquele projeto? Após obter
a resposta, é preciso traçar os objetivos da análise. O objetivo pode ser desde
obtenção de lucro ao final do ano até não ter lucro inicialmente para se tornar o
líder de mercado dentro de três anos, por exemplo. Depois do objetivo ter sido
muito bem definido, é hora de avaliar o projeto de investimento.
Assim, avaliar projetos de investimento envolve um conjunto de técnicas que
tem como objetivo determinar a viabilidade econômica e financeira do projeto
em análise, de forma a atingir o objetivo definido. Existem quatro métodos prin-
cipais para analisar um investimento: Payback (prazo de retorno do investimento

PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS DA ENGENHARIA ECONÔMICA E A TOMADA DE DECISÃO


141

inicial); Taxa Interna de


Retorno (TIR); o Valor
Presente Líquido (VPL)
e Método do Valor Anual
(VA). Apresentarei cada um
desses métodos a você a par-
tir de agora. Vamos lá?
a. Método do Payback
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

O método de payback, também chamado de Prazo de Retorno de um Investimento


Inicial, está relacionado aos fluxos de caixa nominais e cobram o investimento
inicial. Em outras palavras, consiste em determinar o número de períodos neces-
sários para uma empresa recuperar os investimentos feitos.
As vantagens desse método são:
■■ Fácil de ser utilizado.
■■ Fácil para interpretar o resultado.

Já as desvantagens e limitações são apontadas por Lapponi (2000):


■■ Não considera o valor do dinheiro no tempo.
■■ Não considera todos os capitais do fluxo de caixa.
■■ Não é uma medida de rentabilidade do investimento.
■■ Exige um limite arbitrário de tempo para a tomada de decisão.

Em razão das limitações citadas acima, o uso do método payback é aconselhá-


vel por diversos autores, em situações nas quais seja necessário o desempate, ou
seja, somente após outros métodos de análise de investimentos terem sido uti-
lizados e nenhuma conclusão ter sido alcançada. Em outras palavras, o método
de payback deve ser utilizado como um método complementar de análise do
investimento e não como método principal.
O método de payback é dividido em:
■■ Método do Payback Simples (PBS) – mede o prazo necessário para recu-
perar o investimento realizado.

Métodos de Análise de Investimento


V

Assim, PBS do projeto < PBS máximo = aceita o projeto


PBS do projeto = PBS máximo = pode aceitar ou não o projeto
PBS do projeto > PBS máximo = não aceita o projeto
■■ Método do Payback Descontado (PBD) – mede o prazo de recuperação
do investimento remunerado.

Exemplo: A empresa Cia Brasileira Ltda. está analisando dois projetos: projeto A
e projeto B. O projeto A exige um investimento inicial de R$ 4,5 milhões e o pro-
jeto B R$ 5 milhões. Os fluxos de caixa de cada projeto são representados abaixo:

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
ANO PROJETO A (R$ MIL) PROJETO B (R$ MIL)
0 -4,5 -5
1 1.500 3.000
2 1.500 2.000
3 1.500 1.000
4 1.500 1.000
5 1.500 500
Médias de entrada 1.500 1.500

Como o payback mostra o período necessário para recuperar o investimento


inicial, analisando o fluxo de caixa acima, percebe-se que o projeto A precisa
de três anos para recuperar o investimento inicial e o projeto B, apenas 2 anos,
conforme podemos ver abaixo:

ANO RETORNO PROJETO A RETORNO ACUMULADO


1 1.500 1.500
2 1.500 3.000
3 1.500 4.500 retorno

ANO RETORNO PROJETO B RETORNO ACUMULADO


1 3.000 3.000
2 2.000 5.000 retorno

PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS DA ENGENHARIA ECONÔMICA E A TOMADA DE DECISÃO


143

■■ b) Taxa Interna de Retorno (TIR)

O método da Taxa Interna de Retorno necessita de cálculo da taxa que zera o


valor presente líquido dos fluxos de caixa de cada opção. Ou seja, é a taxa de
juros que iguala o valor presente das receitas com os desembolsos, tornando
nulo o valor presente líquido do projeto. Em outras palavras, é a taxa de remu-
neração do capital.

n
FC j
FC 0 0
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

j=1 (1+i) j

Em que: FC0 = fluxo de caixa inicial


FC j = fluxo de caixa em cada período
i = taxa de juros
J = período

O método da Taxa Interna de Retorno é utilizado em projetos de implementa-


ção ou expansão industrial.
Devemos comparar a TIR com a TMA para tomar a decisão de aceitar ou
não o investimento. Assim, se a TIR for maior que a TMA, o projeto é aceito,
pois é rentável. Caso contrário, o investimento não é interessante, já que não
é rentável.
Assim como qualquer outro método, a TIR possui algumas desvantagens:
■■ Não existência ou existência de duas ou mais TIR.
■■ A comparação entre a TIR de duas alternativas não permite afirmar que
se TIRA > TIRB então A deve ser preferido a B.

Exemplo: Analisando a mesma situação do exemplo anterior e calculando a TIR


dos projetos de investimento da Cia Brasileira Ltda., temos as seguintes taxas:
Projeto A – TIR = 19,86% e para o Projeto B – TIR = 21,87%. Assim, o projeto
B é mais rentável.

Métodos de Análise de Investimento


V

Atenção!
Como são projetos com investimento inicial diferente, é necessário usar a técni-
ca de investimentos incrementais.
■■ c) Valor Presente Líquido (VPL)

O método do Valor Presente Líquido é caracterizado pela transferência para o


presente de todas as variações esperadas do caixa, descontando a taxa mínima
de atratividade. Em outras palavras, no método do VPL, o cálculo deve ser feito
a partir do valor presente dos demais termos do fluxo de caixa e somá-los ao
investimento inicial de cada projeto em análise.

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
n
Fc t
VPL
t=0 (1+i) t
Em que: VPL = valor presente líquido
FC = fluxo de caixa
T= período
i = custo do capital (taxa de juros)

O projeto que apresentar o melhor valor presente líquido, ou seja, quanto maior
for o valor da VPL, mais vantajoso é o projeto. O VPL é utilizado para análise
de investimento isolado e único, ou seja, que não se repete.

Exemplo: No caso na Cia Brasileira Ltda., que o custo de capital é de 10%,


teremos:
Projeto A: VPL = 1.186,18 > Projeto B: VPL = 1.124,95.
A empresa deve escolher o projeto A.
Ou de uma outra forma, diminui o VPL do valor do investimento:
VPL = VP – I
Em que: VPL = valor presente líquido
VP = valor presente
I = investimento inicial
Se o valor encontrado for positivo, o projeto é viável. Caso contrário, se o valor
for negativo, o projeto não é viável, ou seja, dará prejuízo.

PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS DA ENGENHARIA ECONÔMICA E A TOMADA DE DECISÃO


145

d) Método Anual Uniforme Equivalente (VAUE)


O método do valor anual uniforme equivalente consiste em encontrar uma série
uniforme anual equivalente ao fluxo de caixa do projeto a ser analisado. Essa
série é encontrada pela Taxa Mínima de Atratividade (TMA). O valor da série
determina o quanto o investimento em análise gera de lucro.
O critério de seleção do investimento é:
VAUE > 0 = aceita-se o projeto
VAUE < 0 = não se aceita o projeto
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Exemplo: Vamos supor que a Cia Brasileira Ltda. dispõe de R$ 18.000 para tro-
car um certo equipamento industrial. A empresa está analisando dois projetos.
O projeto A exige investimento inicial de R$ 14.000 e gera saldo líquido anual
de R$ 5.000 por sete anos. Já o projeto B exige investimento inicial de R$ 18.000
e gera saldo líquido anual de R$ 6.500 por sete anos. Sabendo que a TMA da
empresa é de 30% a.a., calcula-se a VAUE de cada projeto.
VAUE a = -14000. 0,3568 + 5000
= 3,7780
VAUE b = -1800 . 0,3568 + 6500
= 76,28
VAUE a < VAUE b, então, o projeto B é mais vantajoso.

TOMADA DE DECISÃO

Antes de analisar os investimentos, precisamos conhecer a necessidade de


substituição de um equipamento, por exemplo. Como saber se, de fato, aquele
equipamento precisa ser trocado? Blank e Tarquim (2008) citam os seguintes
fatores:
a. Desempenho reduzido – devido à deterioração física, a capacidade de
ter um desempenho ao nível esperado de confiabilidade ou produtivi-
dade pode não estar presente. Esse fato resulta em aumento nos custos
de operação, maior sucata e custos de retrabalho, perdas de vendas, qua-
lidade reduzida, menos segurança e maiores dispêndios de manutenção.

Métodos de Análise de Investimento


V

b. Alteração das necessidades – novos requisitos de precisão, velocidade


ou outras especificações podem ser não cumpridos pelo equipamento
ou sistema existente. Geralmente, a escolha é entre a substituição com-
pleta ou a melhoria.
c. Obsolescência – a competição internacional e a tecnologia rapidamente
mutável fazem com que os sistemas e ativos, em uso, tenham um desem-
penho aceitável, mas sejam menos produtivos do que novos equipamentos
disponíveis no mercado. O tempo sempre decrescente do ciclo de desen-
volvimento para alcançar produtos no mercado, muitas vezes, é a razão
para substituições prematuras.

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
Os estudos de substituição utilizam uma terminologia própria, apesar de estrei-
tamente relacionada com termos que discutimos anteriormente. Esses termos
novos são (BLANK; TARQUIM ,2008):
a. Defensora e desafiante – são nomes dados às alternativas exclusivas. A
defensora é o ativo que está instalado e a desafiante é a provável substi-
tuição. Assim, a desafiante é a melhor das alternativas escolhidas.
b. Valores VA – são utilizados como a principal medida econômica de com-
paração entre a defensora e a desafiante.
c. Vida útil econômica (VUE) – é o número de anos em que ocorre o menor
VA dos custos. Os cálculos de equivalência para determinar a VUE esta-
belecem a vida útil da defensora, em um estudo de substituição. Ao final
da vida útil, o equipamento precisa ser substituído. Porém como sabe-
mos a vida útil de um ativo?

VA total = - recuperação de capital – VA dos


custos operacionais anuais
ou
VA total = -RC – VA do COA

Em que: VA = valor do ativo


RC = recuperação do capital
COA = custo operacional anual

PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS DA ENGENHARIA ECONÔMICA E A TOMADA DE DECISÃO


147

Exemplo: Um equipamento com 3 anos de utilização está sendo considerado


obsoleto. Seu valor de mercado é R$ 13.000. Os valores de mercado futuros
estimados e os custos operacionais anuais, durante os próximos 5 anos, são apre-
sentados na tabela a seguir. Qual a vida útil econômica da alternativa defensora,
se a taxa de juros é de 10% a.a.?

ANO (1) VM (2) COA (3) RC (4) VA DO COA (5) VA TOTAL (6) = (4)+(5)
1 9.000 -2500 -5300 -2500 -7800
2 8.000 -2700 -3681 -2595 -6276
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

3 6.000 -3000 -3415 -2717 -6132


4 2.000 -3500 -3670 -2886 -6556
5 0 -4500 -3429 -3150 -6579

Resolução:
VA total = -P(A/P;i3) + VM(A/F;i3)-[VP do COA1;COA2;COA3 ](A/P;i3)
= -13000(A/P;10%;3)+6000(A/F;10%;3)-2500(P/F;10%;1) + 2700(P/F;10%;2)
+ 3000(P/F;10%;3)(A/P;10%;3)
= -3415 – 2717
= -6132
A VUE da defensora é de 3 anos e o valor VA é de R$ -6132.
d. Custo de aquisição da defensora – é a quantidade de investimento ini-
cial P utilizada para a defensora. O valor de mercado (VM) atual é a
estimativa correta a ser utilizada para P, em relação à defensora, para um
estudo de substituição. Esse valor pode ser obtido por avaliadores pro-
fissionais, revendedores ou liquidantes, que conhecem o valor do ativo.
O valor esperado ao final do ano 1 torna-se o valor de mercado do início
do ano seguinte e assim sucessivamente.
e. Custo de aquisição da desafiante – é a quantidade de capital que pre-
cisa ser recuperada (amortizada) quando se substitui uma desafiante por
uma defensora. Essa quantia sempre será igual a P, o custo de aquisição
da desafiante. Em outras palavras, o custo de aquisição da desafiante é
o investimento inicial estimado necessário para adquiri-la e instalá-la.

Métodos de Análise de Investimento


V

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Chegamos ao final da squinta e última unidade do livro engenharia econômica.


Nesta unidade, discutimos o tema análise de investimento, além dos princípios
gerais da Engenharia Econômica. E você percebeu que, apesar de termos inúme-
ras opções de investimentos, desde a troca de uma máquina até somente alterar o
processo produtivo, a decisão pelo melhor investimento não é uma decisão fácil.
Diversos fatores precisam ser levados em consideração e temos diversos méto-
dos de análise de investimento. Desde os mais criticados, como o payback, até os

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
aceitos pela literatura, como o método da taxa interna de retorno, entre outros.
Outro fator que precisa ser considerado ao analisar os investimentos é saber
se realmente aquele ativo precisa ser substituído ou não. A substituição só é acon-
selhável se a taxa mínima de atratividade no novo projeto for maior do que do
projeto antigo. Caso contrário, o projeto deverá ser rejeitado.
Discutimos, também, como a engenharia econômica faz parte do processo
de tomada de decisão. Iniciamos nossa discussão falando sobre os fundamen-
tos da engenharia econômica e como ela está presente no ambiente empresarial.
Na sequência, discutimos os métodos de análise de investimento. Vimos
que existem quatro técnicas principais que irão auxiliar o engenheiro de produ-
ção a tomar as melhores decisões, ou seja, escolher o investimento/projeto mais
viável dentre tantas opções.
Então, você percebeu que tomar uma decisão não é algo tão simples, pois
nos deparamos diariamente com inúmeras opções de investimento, umas viá-
veis, outras nem tanto, e escolher qual projeto é o melhor futuramente requer
diversas análises. Mas tenho certeza de que hoje você está apto a tomar as melho-
res decisões.
Um forte abraço,
Profª Me. Andréia Moreira da Fonseca Boechat

PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS DA ENGENHARIA ECONÔMICA E A TOMADA DE DECISÃO


149

1. Explique o motivo que faz com que o estudo da engenharia econômica seja tão
importante para o profissional de engenharia de produção.
2. Quais são os dez princípios da engenharia econômica?
3. Explique, com suas palavras, o que é análise de investimento.
4. A empresa Cia Brasileira Ltda. está analisando dois projetos: projeto A e projeto
B. O projeto A exige um investimento inicial de R$ 6 milhões e o projeto B R$5,5
milhões. Os fluxos de caixa de cada projeto são representados abaixo. Com base
no método de payback, qual projeto a empresa deverá escolher?

ANO PROJETO A (R$ MIL) PROJETO B (R$ MIL)


0 -6,5 -6
1 1.500 3.000
2 1.500 2.000
3 1.500 1.000
4 1.500 1.000
5 1.500 500
Médias de entrada 1.500 1.500

5. Vamos supor que a Cia Brasileira Ltda. dispõe de R$20.000 para trocar um certo
equipamento industrial. A empresa está analisando dois projetos. O projeto A
exige investimento inicial de R$ 16.000 e gera saldo líquido anual de R$6.000 por
seis anos. Já o projeto B exige investimento inicial de R$20.000 e gera saldo líqui-
do anual de R$ 7.500 por seis anos. Sabendo que a TMA da empresa é de 30%a.a.,
calcule a VAUE de cada projeto.
6. Explique os três fatores que sinalizam à empresa a necessidade de substituição
de um ativo.
TIPOS DE INVESTIMENTOS
Existem dois tipos de investimentos:
Investimentos em renda fixa: são atrelados a um índice ou juro fixado, podem ser
divididos em pré-fixados, quando se estabelece o juro desde o início da operação ou
pós-fixados, cujo valor só será conhecido com o decorrer do tempo. Nesse tipo de inves-
timento o investidor tem previsão do quanto será o valor resgatado, sendo assim corre
menos risco que um investimento de renda variável.
Os investimentos mais populares em renda fixa são:
Caderneta de Poupança que é o investimento mais simples e popular do Brasil, o Banco
Central define a remuneração, que é igual em todas as Instituições; Fundos DI que são
fundos atrelados ao CDI (Certificado de Depósito Interbancário) e que têm o objetivo de
acompanhar os juros de mercado.
Há também outras aplicações como: Fundos de Renda Fixa, CDBs e debêntures, entre outras.
Investimentos em renda variável: são investimentos que não são atrelados a um índice
fixo, sua principal característica é a impossibilidade de predeterminar a rentabilidade do in-
vestimento. Possuem alto risco de perda, mas em compensação possuem alta rentabilidade.
Os investimentos mais conhecidos em renda variável são:
Ações: são partes de uma empresa, pode-se definir como títulos nominativos negociá-
veis que representam uma fração do capital social de uma empresa;
Fundos de ações: é grupo de ações escolhidas por um grupo de profissionais do mer-
cado de ações que é dirigido por alguma empresa ou banco especializado em finanças
e investimentos.
Clubes de investimento: é um tipo de associação sem personalidade jurídica e com fins
lucrativos que é composto por pessoas físicas interessadas em investir no mercado de
capitais e que terão seus interesses guiados por um gestor encarregado de tomar conta
do processo de tomada de decisão.
Antes de decidir pelo tipo de investimento que irá optar, existem características comuns
e específicas, tanto para renda fixa como para renda variável, que o investidor deve co-
nhecer para ver qual delas irá se adequar melhor a sua situação financeira e também
qual define melhor o seu perfil.
Além dessas características deve-se atentar a três principais aspectos presentes em
qualquer modalidade: o risco, a rentabilidade e a liquidez:
a. Risco
Risco é a medida de incerteza referente a um retorno esperado. De acordo com Roos,
Westerfield e Jaffe (2002, p. 189) “os investidores só aplicacarão num título com risco se
seu retorno esperado for suficientemente elevado para compensar esse risco”.
151

Para Seabra (2010, p. 01), “o risco está associado ao grau de incerteza sobre o investi-
mento no futuro. Quanto maior o grau de incerteza, maior o risco e maior o retorno
esperado e vice-versa”. E complementa dizendo que “todo investidor deve escolher suas
aplicações entre o menor risco possível e o maior retorno possível”.
É importante que o investidor conheça o nível de risco existente nas operações que
pretende fazer para que não haja perdas futuras, uma maneira de diminuir o risco é di-
versificar o que significa combinar diferentes tipos de investimentos com características
distintas. Seabra (2010) diz que “ os ativos com características distintas tendem a obter
retornos distintos e a seguir diferentes tendências. O objetivo da diversificação é conse-
guir os melhores retornos potenciais para um determinado nível de risco”.
A diversificação é uma técnica utilizada com o único propósito da redução de riscos atra-
vés da alocação de investimentos entre vários instrumentos, setores ou outras categorias.
b. Rentabilidade
É o retorno sobre o capital investido. Quando se faz um investimento, por exemplo, na
poupança, a diferença entre o valor que foi investido e o valor que foi resgatado caracte-
riza-se como a rentabilidade desse investimento. Segundo Tavares (2010, p. 01),
Nos investimentos, rentabilidade é o retorno sobre o capital investido
em determinado ativo financeiro. Ele pode ser dado através de taxa de
juros prefixadas (os títulos públicos LTN e NTN-F, por exemplo), pós-fixa-
das (LFT, título indexado à taxa SELIC, CDBs, entre outros), mistas (pou-
pança, que rende 0,5% a.m. + TR ou NTN-B, que rende em torno de 6%
a.a. + IPCA) ou baseadas na valorização (como no caso das ações, que
a diferença entre o preço de compra e o preço de venda determina a
rentabilidade, podendo ser positiva ou negativa). (TAVARES, 2010 p. 01).
Na maioria das vezes o conceito de rentabilidade é confundido com o conceito de lucra-
tividade. De acordo com Lavergel (2011, p.01) “enquanto lucratividade reflete os ganhos
imediatos do negócio, a rentabilidade mostra qual é o retorno sobre o investimento que
foi feito na empresa a longo prazo”.
c. Liquidez
Além da rentabilidade deve-se levar em conta, antes da escolha de um investimento,
qual o seu nível de liquidez, ele vai avaliar o potencial do investimento de ser trans-
formado em dinheiro novamente quando for preciso. A liquidez de seus investimentos
sempre dependerá do prazo em que poderá manter seu dinheiro aplicado.
Liquidez é a facilidade que um ativo pode ser convertido em dinheiro, quanto maior a
liquidez, maior a facilidade de convertê-lo em moeda. Em uma análise financeira a liqui-
dez mede a capacidade de uma instituição em honrar os seus compromissos, ou seja,
a capacidade de pagamento da empresa de suas obrigações nos prazos estabelecidos.
Fonte: Nunes (2012, online).
MATERIAL COMPLEMENTAR

Análise de investimento
Nelson Casarotto Filho e Bruno Hartman Kopittke
Editora: Atlas
Sinopse: Este livro apresenta didaticamente os conceitos
necessários à análise de alternativas de investimento, com exemplos
práticos apoiados em planilhas Excel, suas funções financeiras
e recursos gráficos. Para que alunos e professores possam
tirar máximo proveito dos modernos recursos da informática,
acompanha o seguinte material complementar: planilhas Excel
(tabelas de juros compostos; capítulo por capítulo, exemplos práticos
descritos no livro; solução dos problemas) e apresentações em PowerPoint (correspondentes
ao texto, em capítulos). A obra trata dos seguintes tópicos: matemática financeira, empréstimos
ou financiamentos, métodos de análise de investimentos, orçamento de capital, substituição de
equipamentos, elaboração do fluxo de caixa, leasing, precificação de ativos (CAPM e APM), análise
de riscos (árvores de decisão, função utilidade) e custo médio ponderado de capital (WACC)

Engenharia Econômica
Leland Blank e Antony Tarquim
Editora: Mc Graw Hill
Sinopse: Este é um dos livros mais utilizados atualmente na
disciplina engenharia econômica, pois foi elaborado para enfatizar
as ferramentas que os estudantes usarão na prática profissional. Este
livro apresenta diversos exemplos em diferentes áreas da engenharia
econômica.
153
CONCLUSÃO

Olá, caro(a) aluno(a),


Depois de tantos estudos, leituras e cálculos, chegamos ao final da nossa disciplina
Engenharia Econômica. A necessidade do conhecimento da engenharia econômica
para o engenheiro de produção é essencial e motivada pelo trabalho que você, fu-
turo(a) engenheiro(a) de produção, irá desenvolver em uma empresa. O trabalho ao
qual me refiro está relacionado à análise de desempenho, síntese e conclusão, em
todos os tipos de projetos empresariais. Assim, tomar as melhores decisões.
Nesse sentido, procurei discutir as ferramentas que você usará na prática profis-
sional. Ferramentas essas como o instrumento da engenharia econômica, que é a
matemática financeira, e outros temas relacionados, como o fluxo de caixa, taxa
mínima de atratividade, entre outras. E, claro, o ambiente econômico no qual a em-
presa está inserida, ou seja, o ambiente externo que influencia a tomada de decisão.
Para isso, nosso livro foi dividido em cinco unidades. Na primeira, mostrei alguns
conceitos básicos e fundamentais da economia. Na sequência, discutimos a famo-
sa lei oferta e demanda. Você compreendeu que a demanda e a oferta dependem
diretamente dos preços dos produtos. E, claro, a empresa irá reagir a esses preços e,
também, o custo. Na terceira unidade, discutimos a macroeconomia e suas políticas
econômicas.
Como a matemática financeira é o instrumento básico da engenharia econômica e
conhecer o valor do dinheiro no tempo é fundamental para a tomada de decisão,
as políticas econômicas, principalmente a política monetária, afetam diretamente a
tomada de decisão.
Após você entender o ambiente no qual a empresa está inserida e as variáveis eco-
nômicas que afetam esse ambiente, discutimos o instrumento básico da tomada de
decisão, que é a matemática financeira. Assim, conhecemos o valor do dinheiro no
tempo.
Por último, os fundamentos da engenharia econômica foram apresentados. Além
dos métodos para análise de investimento, ou seja, métodos que auxiliaram o enge-
nheiro de produção a escolher a melhor alternativa, dentre tantos projetos disponí-
veis. Para finalizar esta unidade, falamos sobre a tomada de decisão e, consequente-
mente, a escolha do investimento.
O estudo da engenharia econômica não se esgota aqui. Então, espero que eu tenha
conseguido despertar em você a curiosidade do universo econômico e, principal-
mente, da tomada de decisão.
Um forte abraço,
Profª Me. Andréia Moreira da Fonseca Boechat
155
REFERÊNCIAS

BLANK, L.; TARQUIM, A. Engenharia Econômica. São Paulo: McGraw-Hill, 2008.


CARVALHO, J. L. et al. Fundamentos de Economia: microeconomia. Vol. 2. São Pau-
lo: Cengage Learning, 2008.
DEFINIÇÃO e Histórico. Banco Central do Brasil. Disponível em: <https://www.bcb.
gov.br/?COPOMHIST>. Acesso em: 21 jun. 2015.
EHRLICH, P.; MORAES, E. A. Engenharia Econômica: avaliação e seleção de projetos
de investimento. São Paulo: Atlas, 2005.
FUSÃO das empresas Kroton e Anhanguera pode criar maior instituição privada de
ensino do mundo. Observatório da Educação, out. 2013. Disponível em: <http://
www.observatoriodaeducacao.org.br/index.php/sugestoes-de-pautas/48-sugesto-
es-de-pautas/1217-fusao-das-empresas-kroton-e-anhanguera-pode-criar-maior-
-instituicao-privada-de-ensino-do-mundo>. Acesso em: 30 maio 2015.
FLUXO de Caixa. Portal Sebrae. Disponível em: <http://www.sebrae.com.br/Se-
brae/Portal%20Sebrae/Anexos/0_fluxo-de-caixa.pdf>. Acesso em: 28 maio 2015.
GIAMBIAGI F.; ALÉM, A. C. Finanças Públicas: Teoria e Prática no Brasil. Rio de Janei-
ro: Campus, 2011.
GONTIJO, C. Os mecanismos de transmissão da política monetária: uma abordagem
teórica. Texto para Discussão nº321. Belo Horizonte: UFMG/Cedeplar, 2007.
GLOBO RURAL. Preço mínimo da carne suína será aprovado neste ano, diz Neri Gel-
ler. Portal do Agronegócio [online], 08 nov. 2013. Disponível em: <http://www.
portaldoagronegocio.com.br/noticia/preco-minimo-da-carne-suina-sera-aprova-
do-neste-ano-diz-neri-geller-100195>. Acesso em: 15 fev. 2015.
GREMAUD, A. P.; DIAZ, M. D. M.; AZEVEDO, P. F. de; TONETO JÚNIOR, R. Introdução à
Economia. São Paulo: Atlas, 2007.
GREMAUD, A. P.; VASCONCELLOS, M. A. S. de; TONETO JÚNIOR, R. Economia Brasilei-
ra Contemporânea. 7. ed. São Paulo: Atlas, 2008.
MAIA, E. A.; SOUZA, F. A. T. de; ALMEIDA, G. de S.; CASTRO, M. A. A. de. Análise da
captação de recursos na expansão dos negócios corporativos: um estudo de
caso da Kroton Educacional S/A. Belo Horizonte: Pontifícia Universidade Católica de
Minas Gerais, 2008. Disponível em: <http://sinescontabil.com.br/monografias/arti-
gos/edilaine.htm>. Acesso em: 01 jul. 2015.
MANKIW, N. G. Introdução à Economia. São Paulo: Cegage Learning, 2012.
MENDES, J. T. G. Economia: Fundamentos e Aplicações. São Paulo: Pearson Hall,
2009.
NASCIMENTO, E. R. Princípios de finanças públicas: teoria e questões. Rio de Janei-
ro: Ferreira, 2010.
REFERÊNCIAS

NEWNAN, D. G.; LAVELLE, J. P. Fundamentos da Engenharia Econômica. São Paulo:


LTC, 2000.
NOÉ, M. Função Exponencial. Brasil Escola. Disponível em: <http://www.brasilesco-
la.com/matematica/funcao-exponencial-1.htm>. Acesso em: 26 jun. 2015.
NUNES, C. S. et al. Investimentos: tipos de investimentos. SEMINÁRIO INTERMUNI-
CIPAL DE PESQUISA. 22-24 out. 2012. Disponível em: <http://guaiba.ulbra.br/semi-
nario/eventos/2012/àrtigos/administracao/salao/905.pdf>. Acesso em: 10 jul. 2015.
PAMPLONA, E. O.; MONTEVECHI, J. A. B. Engenharia Econômica 1. Apostila, UNIFEI.
Disponível em: <http://www.iepg.unifei.edu.br/edson/download/Apostee1.PDF>.
Acesso em: 20 abr. 2015.
PASSOS, C. R. M.; NOGAMI, O. Princípios de Economia. São Paulo: Cengage Lear-
ning, 2012.
PILÃO, N. E.; HUMMEL, P. R. V. Matemática Financeira e Engenharia Econômica: a
teoria e a prática da análise de projetos de investimento. São Paulo: Cengage Lear-
ning, 2013.
PINDYCK, R. S.; RUBINFELD, D. L. Microeconomia. 6. ed. São Paulo: Makron Books,
2005.
PIRES, M. C. C. Política Fiscal e Dívida Pública. In: PRÊMIO DO TESOURO NACIONAL,
13., 2008. Brasília. Anais... Brasília, 2008.
SAMANEZ, C. P. Engenharia Econômica. São Paulo: Pearson, 2009.
SANDRONI, O. Novíssimo Dicionário de Economia. São Paulo: Best Seller, 2003.
SICSÚ, J. (Org.). Arrecadação (de onde vem?) e gastos públicos (para onde vão?).
São Paulo: Boitempo, 2007.
SKAF, P.; TEIXEIRA, P. É preciso desonerar os alimentos. Folha de São Paulo. 29 jul.
2012.
SOUZA, N. de J. de. Economia Básica. São Paulo: Atlas, 2007.
SOWELL, T. Basic Economics. Estados Unidos: Dasic Books, 2011.
VARIAN, H. Microeconomia: Princípios Básicos. 7. ed. Rio de Janeiro: Ed. Campus,
2003.
VASCONCELLOS, M. A. S.; GARCIA, M. E. Fundamentos de Economia. 3.ed. São Pau-
lo: Saraiva, 2008.
157
GABARITO

UNIDADE 1

1. A economia está presente em todos os aspectos do nosso dia a dia, pois o tem-
po inteiro fazemos escolhas e sofremos impacto das decisões do governo e das
empresas.
2. Estudar e trabalhar; consumir e investir; lazer e trabalhar.
3. A comparação se dá via o custo de oportunidade, ou seja, se você viajar, irá satis-
fazer um desejo/necessidade psicológica, mas terá custo monetário. Porém, para
você não ter custo monetário, terá que abrir mão dos benefícios psicológicos da
viagem.
4. A tecnologia faz com que a empresa consiga produzir mais utilizando menos
recursos produtivos e/ou em menor tempo.

UNIDADE 2

1. A lei oferta e demanda mostra como funciona o equilíbrio de mercado, assim,


como o preço é formado. Em mercados competitivos, quando a demanda por
um determinado bem ou serviço é maior do que a oferta, o preço tende a au-
mentar. Por outro lado, quando a oferta é maior do que a demanda por um bem
ou serviço, o preço tende a reduzir.
2. O equilíbrio em mercados competitivos é determinado pelo mercado, via lei
oferta e demanda. Já em mercados não competitivos, a empresa consegue de-
finir o seu preço e, assim, o equilíbrio será a um preço mais alto. Porém, nesses
mercados (não competitivos), o governo tende a influenciar/regular/interferir o
preço formado.
3. O governo pode alterar o ponto de equilíbrio com subsídios, fixação de preços
mínimo, fixação de preços máximos, tabelamento de preços e congelamento de
preços.

UNIDADE 3

1. A macroeconomia estuda as variáveis econômicas no agregado, tais como taxa


de inflação, taxa de câmbio, crescimento e desenvolvimento econômico, taxa de
desemprego, entre outras.
GABARITO

2. Porque crescimento econômico e desenvolvimento econômico são conceitos


diferentes. Crescimento está relacionado à riqueza do país e desenvolvimento a
melhorias na qualidade de vida da população.
3. Política monetária é a atuação do governo no que diz respeito à taxa de ju-
ros e a quantidade de moeda em circulação, afetando o crédito. São diversos
objetivos, entre eles: combater a inflação, fazer com que o país cresça etc. Para
isso, o governo pode utilizar quatro instrumentos: controle de emissão, taxa de
redesconto, reservas ou depósitos compulsórios e operação de mercado aberto.
Política fiscal é a atuação do governo no que diz respeito ao gasto e à arrecada-
ção, com objetivo, por exemplo, de gerar superávit primário, desenvolver setores
específicos, aumentar a demanda, entre outros. Os instrumentos vão aumentar e
ou reduzir os gastos e os tributos, depende do objetivo.
Política cambial é a atuação do governo no que diz respeito à relação entre Bra-
sil e outros países, com objetivo de melhorar o comércio internacional, aumentar
o PIB, entre outros. O principal instrumento são as variações na taxa de câmbio.
4. Taxa de câmbio e taxa de juros são as principais variáveis macroeconômicas que
afetam a engenharia econômica, pois elas dão base para a tomada de decisão.
Porém, todas as demais variáveis impactam a escolha de decisão também.

UNIDADE 4

1.
a. Juros – aluguel pelo capital utilizado.)
b. Taxa de juros – remuneração pelo capital empregado.
c. Montante – valor do capital inicial mais juros.
d. Capital – valor monetário disponível.
e. Amortização – pagamento parcial de uma dívida.

2. Imagina a seguinte situação: João aplica R$ 30.000,00 a taxa de juros simples


a 2% ao mês, durante os períodos abaixo. Com base nos valores apresentados,
calcule o montante que João irá receber se deixar capital inicial aplicado pelo
tempo de:
159
GABARITO

a. R$ 31.200
b. R$ 31.800
c. R$ 32.400
d. R$ 33.000

3. Refaça a atividade 3, mas pelo regime de capitalização composta:


a. R$ 31.212.00
b. R$ 31.836,24.
c. R$ 32.472,96
d. R$ 33.122,42

4. R$ 208.000

5. R$ 40.000

6. R$ 137,858.

UNIDADE 5

1. O etudo da engenharia econômica é importante para os engenheiros de pro-


dução, pois esse profissional analisa o desempenho, a síntese e conclusão de
projetos em todas as dimensões, ou seja, precisa tomar decisões.
2. Não existe decisão a ser tomada se só temos uma alternativa.
Só podem ser comparadas alternativas homogêneas para se comparar o seu
resultado.
Apenas as diferenças de alternativas são relevantes.
Os critérios para decisão de alternativas econômicas devem reconhecer o valor
do dinheiro no tempo.
Não devem ser esquecidos os problemas relativos ao racionamento de capital.
Decisões separáveis devem ser tomadas separadamente.
GABARITO

Deve-se sempre atribuir um certo peso para cada grau relativo de incertezas as-
sociados a previsões efetuadas.
As decisões devem levar em consideração os eventos qualitativos não quantifi-
cáveis monetariamente.
Realimentação de informações.
Dados econômicos/gerenciais.
3. Análise de investimento envolve decisões de investimentos, principalmente de
longo prazo.
4. A empresa deve escolher o projeto B, pois a empresa recupera o capital investido
em três anos. Já no projeto A, a recuperação do capital é em 4 anos.
5. VAUE a = R$ 304
VAUE b = R$ 380
6. Desempenho reduzido, Alteração de necessidade, Obsolescência.