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A gestação desencadeia alterações nos processos cognitivos das mulheres que são

poucos explorados por investigações científicas. Pesquisas apontam resultados heterogêneos


das mudanças cognitivas das mulheres gestantes intensificando a complexidade de possíveis
investigações neuropsicológicas pela relação entre o comportamento e as funções cerebrais. Por
efeito, existem lacunas investigativas que vão além da neuropsicologia convindo o
desenvolvimento de estudos na intenção de aprofundar o entendimento da natureza dessas
mudanças. Assim, novos estudos são necessários considerando as particularidades
representativas de cada mulher nesse momento crítico de suas vidas. Mesmo tendo-se vasto
conhecimento científico das alterações hormonais do período gestacional, é importante ressaltar
a insuficiência desse conhecimento diante da série de alterações envolvidas na mulher: o corpo
é alterado, as emoções são afloradas, enjoos constantes, mudanças no humor, o cognitivo
alterado (alterações neuropsicológicas como a memória, a atenção, o funcionamento executivo,
a compreensão auditiva e etc. são desencadeadas nesse período). As conjunções dos efeitos
citados contribuem para cada mulher – com histórico familiar e diferentes personalidades –
possuírem representações diferentes sobre o momento que estão passando na maternidade.

O desafio é incorporar as alterações cognitivas considerando a vulnerabilidade


apresentada por algumas mulheres que necessitam de acompanhamento psicológico nesse
período tão crítico de alterações fisiológica, cognitiva e social em suas vidas. Portanto, são
insuficientes estudos apenas explorando e identificando as alterações cognitivas na maternidade
se não vier acompanhado da preocupação pelo desenvolvimento de tratamentos e prevenções
do controle das emoções provocadas pela gestação e o cuidado na saúde mental das mulheres.
O controle clínico médico desconsidera a saúde mental das pacientes na gestação, por isso a
necessidade da humanização no cuidado da gestação considerando a vivencia individual das
mulheres. Por isso a importância do acompanhamento de todo o período gestacional, inclusive
no pós-parto, estabelecendo uma saúde integral da gestação incluindo intervenções psicológicas
individuais como também inclua a família no processo maternal. A maternidade, nesse sentido,
é tanto individual como abrange a coletividade, como a família, o contexto e as relações de
sociabilidade da gestante. Portanto, dentro dessa ótica, é importante desenvolver experiências
e projetos terapêuticos que sirvam para atenuar o desgastado processo de mudanças e alterações
proporcionados pela gestação. A troca de experiências em oficinas de grupo de gestantes é um
considerado exemplo da possibilidade das mulheres relatarem sua experiência, problemas e
vivencias atenuando os sofrimentos, medos, angustias, cobranças no qual a mulher irá ser
transformada fisicamente, cognitivamente e socialmente com todas as modificações e
cobranças desencadeadas na passagem de filha para mãe.

A gestação modifica por completo a mulher constituindo nova identidade, enxergada


socialmente com funções diferentes e transformada por completo em sua existência e vivencia.
O cuidado da mulher gestante deve ter uma atenção primária incluindo a particularidades
individuais das gestantes, intervenções de medicalizações pontuais e mínimas, respeitar a
cultura e a localização da gestante, incluir a família e toda uma abordagem de acompanhamento
de vários tipos disciplinares científicos como exemplos a psicologia, a medicina, a nutrição e a
enfermagem. É preciso uma abordagem humanista que inclua toda a emotividade, sentimentos
e desejos provocados pela gestação. Por fim, é de ressaltar as pessoas como essencialmente
seres sociais e, com isso, estabelecer intenso acompanhamento humano da mulher – em situação
de vulnerabilidade e alterações de sentimentos e emoções durante a gestação – que leve em
consideração o cuidado pós-parto pela promoção da saúde, vida e desenvolvimento do novo ser
que se encontra no mundo: a criança.