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UNIVERSIDADE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

CENTRO DE EDUCAÇÃO E HUMANIDADES


FACULDADE DE EDUCAÇÃO
FUNDAÇÃO CECIERJ /Consórcio CEDERJ / UAB
Curso de Licenciatura em Pedagogia – modalidade EAD

Disciplina: Diversidade cultural educação


Aluno (a): Rosa Henrique Rios Matrícula: 13212080434
Polo: Itaguaí
AD1 – DCE-2016.1.

Prazo de Entrega no Pólo – 16/02/2016

A partir da leitura do material didático recomendado para a disciplina Diversidade Cultural e


Educação (DCE), procure refletir sobre o conceito de cultura relacionado a ao trecho a seguir:

“(...) Fenômeno unicamente humano, a cultura se refere à capacidade que os seres


humanos têm de dar significado às suas ações e ao mundo que os rodeia. (22)1

A partir do exposto redija um texto dissertativo contemplando os seguintes aspectos:


a) conceito de cultura para ciências sociais e humanas; (valor: 3,0 pontos)
b) situações e exemplos da diversidade na sociedade brasileira; (valor: 4,0 pontos)
c) a importância do reconhecimento da diversidade para educação. (valor: 3,0 pontos).

Recomenda-se a elaboração de um texto com no mínimo uma (1) e no máximo três (3) laudas,
com a formatação segundo as normas da ABNT para trabalhos acadêmicos. Será observada
também a coesão, coerência, clareza, correção de linguagem e atenção às fontes e referencias
bibliográficos consultados.

1
Gênero e diversidade na escola: formação de professoras/es em Gênero, orientação Sexual e Relações
Étnico-Raciais. Livro de conteúdo. versão 2009. – Rio de Janeiro : CEPESC; Brasília : SPM, 2009.
O DOCE AMARGOR DO FENÔMENO CHAMADO CULTURA

A noção de cultura é necessária para pensar a unidade da humanidade na


diversidade, pois, de certa forma, fornece a resposta mais satisfatória a questão da
diferença entre os povos. Uma de suas características é dar significado as ações
humanas individuais e ao mundo que nos rodeia, portanto, vai além de um sistema
de costumes, é objeto de intervenção humana. A cultura permite que tanto o homem
se adapte ao meio, quanto este também se adapte ao homem.

O que torna os seres humanos diferentes das demais espécies é que nada é
puramente natural no homem, grande parte do seu comportamento necessita
aprender com seus semelhantes, ou seja, são repassados pela cultura. Com isso, o
homem é essencialmente um ser de cultura, ou seja, nascer humano não é
suficiente para tornar-se humanizado, socializado, de comportamentos, conceitos e
hábitos humanos. As experiências e conhecimentos não se desenvolveram no
isolamento, são condições transmitidas através das gerações.

Diversidade cultural refere-se às diferenças culturais que existem em uma


sociedade, como a linguagem, vestimenta, manifestações religiosas e tradições,
bem como a forma como estas se organizam, a sua concepção da moral e da
religião, sua interação com o ambiente. O Brasil, por conter um extenso território,
apresenta diferenças climáticas, econômicas, sociais e culturais entre as suas
regiões. Os principais disseminadores da cultura brasileira são os colonizadores
europeus, a população indígena e os escravos africanos. Posteriormente, os
imigrantes italianos, japoneses, alemães, árabes, entre outros, contribuíram para a
pluralidade cultural do Brasil. Onde o multiculturalismo (ou pluralismo cultural) é um
termo que descreve a existência de muitas culturas (diversidade de gênero, étnico-
racial e da sexualidade) numa localidade, cidade ou país, sem que uma delas
predomine (as propostas dos movimentos feministas, LGBT, negro e das
organizações indígenas). As sociedades contemporâneas são heterogêneas,
compostas por diferentes grupos humanos, interesses contrapostos, classes e
identidades culturais em conflito. Vivemos em sociedades nas quais os diferentes
estão quase que permanentemente em contato, são obrigados ao encontro e à
convivência.
O multiculturalismo nos ensina que reconhecer a diferença é reconhecer que
existem indivíduos e grupos que são diferentes entre si, mas que possuem direitos
correlatos, e que a convivência entre grupos diferenciados, no plano social e cultural,
muitas vezes é marcada pelo preconceito e pela discriminação, portanto, o convívio
em uma sociedade democrática depende da aceitação da idéia de compormos uma
totalidade social heterogênea na qual:

a) não poderá ocorrer a exclusão de nenhum elemento da totalidade;

b) os conflitos de interesse e de valores deverão ser negociados pacificamente;

c) a diferença deverá ser respeitada.

O grande desafio da educação é reconhecer a diversidade como parte


inseparável da identidade nacional e dar a conhecer a riqueza representada por
essa diversidade etnocultural que compõe o patrimônio sociocultural brasileiro,
buscando superar qualquer tipo de discriminação e valorizando a trajetória particular
dos grupos que compõem a sociedade. Nesse sentido, a escola deve ser local de
aprendizagem de que as regras do espaço público permitem a coexistência, em
igualdade, dos diferentes. Trabalhando a Pluralidade Cultural constantemente, exige
que a escola alimente uma “Cultura da Paz”, baseada na tolerância, no respeito aos
direitos humanos e na noção de cidadania compartilhada por todos os brasileiros.
Onde a convivência internalize que uns não sejam “mais diferentes” do que os
outros.

Buscando construir uma sociedade justa, livre e fraterna, o processo educacional


terá de tratar do campo ético de como se desenvolvem no cotidiano, atitudes e
valores voltados à formação de novos comportamentos, novos vínculos em relação
àqueles que historicamente foram alvos de injustiças.

A escola é o ambiente propício para que se desenvolvam positivamente as


questões que envolvem a problemática social, cultural e ética, pois é um espaço de
convivência com a diversidade. Singularidades presentes nas características de
cultura, de etnias, de regiões, de famílias, são de fato percebidas com mais clareza
quando colocadas junto a outras. Há necessidade de a escola instrumentalizar-se
para fornecer informações mais precisas a questões que vêm sendo indevidamente
respondidas pelo senso comum, é exercitar a cidadania. Oferecendo condições
para o conhecimento mútuo entre regiões, grupos e indivíduos, ela forma a criança,
o adolescente e o jovem para a responsabilidade social de cidadão, consolidando o
espírito democrático. Portanto, precisa ser um compromisso político-pedagógico de
qualquer planejamento educacional/escolar para formação de cidadãos
participativos, reflexivos e conscientes de seus direitos e deveres.

Por isso, reconhecer e valorizar a diversidade cultural são atuar sobre um dos
mecanismos de discriminação e exclusão, entraves à plenitude da cidadania para
todos e, portanto, para a própria nação.

HABERMAS, Jurgen. Para a reconstrução do materialismo histórico. São Paulo, Brasiliense,


1983.
HALL, Stuart. Da diáspora – identidades e mediações culturais. Belo Horizonte, Editora da
UFMG, 2003.
TAYLOR, Charles. El multiculturalismo y la politica del reconocimiento. Mexico, Fondo de
Cultura Econômica, 1994.
http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/pluralidade.pdf acessado em 11/02/2016 às 22:30
h.
http://www.cpt.com.br/cursos-metodologia-de-ensino/artigos/pluralidade-cultural-um-
mergulho-na-diversidade-social-regional-e-cultural-do-pais acessado em 12/02/2016 às
08:00 h.