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PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE MINAS GERAIS

GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA MECÂNICA

Daniel Chagas Ferreira


José Victor Passos Santiago
Luís Henrique Simões Leite
Matheus Guedes de Loreto
Roberto Eduardo Pontelo Aguiar

LABORATÓRIO DE FLUIDOMECÂNICOS
Experimento 2 - Viscosidade

Belo Horizonte
2019
SUMÁRIO

1 Introdução 3
1.1 Objetivos 4

1.2 Materiais 4

1.3 Métodos 5

1.3.1 Cálculos 6

2 Análise de Resultados 8

3 Conclusão 1​3

4 Referências 1​4
1 Introdução

Viscosidade é a resistência apresentada por um fluido à alteração de sua


forma, ou aos movimentos internos de suas moléculas umas em relação às outras.
Pode-se relacionar a viscosidade com a fluidez e velocidade de deslizamento nas
amostras analisadas.
A viscosidade de um fluido pode ser determinada por vários métodos: através
da resistência de líquidos ao escoamento, tempo de vazão de um líquido através de
um capilar; da medida do tempo de queda de uma esfera através de um líquido;
medindo a resistência ao movimento de rotação de eixos metálicos quando imersos
na amostra, dentre outros.
Alguns fatores podem afetar a viscosidade de um fluido como a temperatura,
pressão e a integridade da composição do sistema, sendo a temperatura o fator que
tem maior influência na viscosidade.
Quanto maior o valor da temperatura, menor será a viscosidade do fluido.
Este fenômeno ocorre por conta que ​a viscosidade dos fluidos é devida ao atrito
interno, que por sua vez, vem das forças de coesão entre moléculas relativamente
juntas. Com o aumento da temperatura, ocorre o aumento da energia cinética média
das moléculas e diminui (isso em média) o intervalo de tempo que as moléculas
passam umas junto das outras. Por isso essas forças intermoleculares se tornam
menos ativas, e com isso diminui a viscosidade.
Ao medir a viscosidade de um fluido ou de uma mistura de fluidos, é
fundamental garantir que ocorra a ​integridade e preservação da composição do
sistema​. Esta preservação busca evitar contaminações do sistema, com o intuito de
evitar evaporação, endurecimento, degradação e reações químicas no mesmo.
O efeito causado pela pressão na viscosidade dos fluidos é um ligeiro
aumento da mesma junto com o aumento da pressão. Portanto, para se ter
aumentos consideráveis de viscosidade variando somente o parâmetro da pressão,
é necessário um aumento gigantesco de pressão para que isso ocorra.
1.1 Objetivos

Este experimento tem como objetivo comparar as viscosidades absoluta e


cinemática de três líquidos diferentes determinadas por meio da velocidade de
queda de uma esfera de aço em cada um dos tubos, com os valores teóricos já
tabelados.

1.2 Materiais

Para a realização desse experimento foi necessário o uso dos seguintes


equipamentos , alguns representados na figura 1 abaixo:

Figura 1: Fluidos em análise

Fonte: Autores
● Um tubo transparente contendo óleo de rícino (1);
● Um tubo transparente contendo óleo lubrificante SAE 30 (2);
● Um tubo transparente contendo glicerina (3);
● Três termômetros;
● Três densímetros;
● Esferas de aço com 0,003175 m de diâmetro e 0,00014 kg de massa.
● Um cronômetro digital

1.3 Métodos

Para a realização deste experimento foram feitos três testes, um para cada
líquido, pois como não há uma certeza sobre os parâmetros das esferas de aço,
podem aparecer erros entre um teste com uma esfera e com outra. A figura 2
representa os valores requeridos para o experimento destas esferas citadas
anteriormente.
Figura 2 - Esferas de aço

Fonte: Laboratório PUCMinas


Antes de definitivamente se fazer as medições, foram medidos a densidade e
temperatura em que estavam os líquidos, as quais se encontram na tabela 2 para a
glicerina e óleo de rícino e na tabela 3 para o óleo SAE 30.
Com um cronômetro de celular em mãos, foram marcados os tempos em que
a esfera passava pelas marcas de 0,2 m, 0,2 m e 0,1 m para o tubo com glicerina,
0,2m, 0,2m e 0,3 m no tubo com óleo de rícino e 0,1 m, 0,2 m e 0,3 m no tubo com
óleo lubrificante SAE 30. Estes dados coletados foram anotados na tabela 2 para os
dois primeiros e na 3 para o último. A partir destes tempos foi calculado a
velocidade de queda das esferas em cada líquido mediante a equação 1.

​Equação 1

Os valores obtidos foram anotados nas tabelas 2 e 3 para cada um dos


líquidos.
Com o intuito de comparação, foi pesquisado alguns valores de referência
tanto para as viscosidades cinemáticas quanto absolutas. Assim, conforme [2], o
valor das viscosidades da glicerina foi escrita na tabela 2 e ainda para o óleo SAE -
30, os valores encontrados foram anotados na tabela 3. Já para o óleo de rícino, as
viscosidades foram retiradas de [3] e registradas na tabela 2.

1.3.1 Cálculos

O cálculo da viscosidade absoluta, μ, foi feito conforme a equação 2.

​Equação 2
Sendo m: Massa da esfera [kg];
g: Aceleração da gravidade [m/s²];
γ​: Peso específico do líquido [N/m³];
Ve: Volume da esfera [m³];
V: Velocidade terminal da esfera [m/s];
μ: Viscosidade absoluta [Pa.s];

Para transformar a unidade de Pa.s para cPoise, basta multiplicar o valor da


viscosidade por 1000. Assim cada valor encontrado foi anotado nas tabelas 2 para a
viscosidade da glicerina e para o óleo de rícino e na tabela 3 foram colocados os
valores de viscosidade em Pa.s e em Poise para o óleo SAE 30.
Para determinar a viscosidade cinemática,ⅴ, dos líquidos for feito o cálculo
da equação 3.

Equação 3
Sendo: μ: Viscosidade absoluta [Pa.s];
ρ: Densidade do líquido [kg/m³];
ⅴ: Viscosidade cinemática do fluido [m²/s];

Para transformar a unidade de m²/s para Stokes, basta multiplicar o valor da


viscosidade por 10000. Assim cada valor encontrado foi anotado na tabela 2 para a
viscosidade da glicerina e do óleo de rícino e na tabela 3 foram colocados os
valores de viscosidade em m²/s e em Stokes para o óleo SAE 30.
2 Análise de Resultados

A primeira tabela a se preencher é a tabela com as informações relativas aos


valores médios das esferas utilizadas neste experimento. Estes valores
correspondem a tabela 1.

Tabela 1 - Valores médios relativos às esferas

Fonte: Autores

O procedimento de medição do tempo de queda da esfera foi realizado três


vezes em cada um dos três fluidos. O valor médio das medidas encontradas foi
utilizado como o tempo de queda da esfera, diminuindo a margem de erro. As
medidas são susceptíveis a erros porque as esferas estavam em movimento
retilíneo uniforme, dificultando para o observador a certeza de que os limites da
distância que a esfera deveria alcançar fossem atingidos. As tabelas preenchidas
com os valores calculados no sistema de análise foram divididas em duas para
facilitar a equação, sendo os dois primeiros experimentos, realizados em glicerina e
em óleo de ricina, respectivamente, estão na tabela 2, enquanto o terceiro
experimento, realizado em lubrificante SAE-30 está localizado na tabela 3.
TABELA 2 - Valores do primeiro e segundo experimento

Fonte: Autores
TABELA 3 - Valores do terceiro experimento

Fonte: Autores
Nas tabelas 2 e 3 expostas acima é possível observar que as variações
percentuais da viscosidade dinâmica (​µ) apresentam uma boa aproximação no
experimento envolvendo a glicerina, variando em uma diferença percentual de
4,32% até 10,7% do valor encontrado em comparação ao valor teórico da fonte de
pesquisa. A equação corrigida do experimento possui um erro ​± ​68,7 cP em relação
a um valor médio de 881,30 cP, este valor de erro é aproximadamente 7,8% do
valor da média. No segundo experimento, envolvendo óleo de rícino, há uma
diferença percentual considerável entre os valores 19,93% até 26,15% e o valor
encontrado teoricamente nas fontes de pesquisa. A equação corrigida possui um
erro considerável de ​± ​119,93 cP em relação ao valor médio de 640,94 cP, este
valor gera um erro percentual aproximado de 18,7% no sistema. O terceiro
experimento apresenta os melhores valores encontrados para viscosidade dinâmica,
tendo como base uma diferença percentual entre os valores variando somente de
5,73% até 9,96% e o valor encontrado teoricamente nas fontes de pesquisa. A
equação corrigida possui também um baixo erro de ​± ​15,68 cP, que representa
somente 7,3% do valor médio dos valores práticos. Os experimentos ordenados por
precisão decrescente são definidos como: ensaio utilizando Lubrificante SAE-30,
ensaio utilizando glicerina e ensaio com óleo de rícino.
Em relação a viscosidade cinemática (v) das tabelas 2 e 3, há uma diferença
na relação de erros encontrado nos valores referentes a viscosidade dinâmica (​µ),
sendo a precisão dos testes, variando em precisão decrescente, definida como:
teste envolvendo glicerina, teste envolvendo Lubrificante SAE-30 e teste envolvendo
óleo de rícino. No primeiro teste, envolvendo a glicerina, há uma diferença
percentual variando entre 1,13% e 5,92% quando comparado aos da fonte. A
equação corrigida apresenta um erro de ​± ​0,24 Stokes, o que representa somente
3,38% do valor médio prático que é de 7,11 Stokes. Esta pouca variação corrobora
que há uma excelente aproximação entre os valores teóricos e os valores práticos
calculados neste experimento. No segundo experimento, envolvendo óleo de rícino,
há uma diferença percentual considerável entre os valores 19,8% até 26,2% e o
valor encontrado teoricamente nas fontes de pesquisa. A equação corrigida possui
um erro considerável de ​± ​1,28 Stokes em relação ao valor médio de 6,82 Stokes,
este valor gera um erro percentual aproximado de 18,8% no sistema. O terceiro
experimento apresenta uma diferença percentual menor quando comparado aos
valores da viscosidade dinâmica do mesmo fluido ao se observar o valor teórico
tabelado. Os mesmos estão variando entre 1,71% até 5,49% e o valor encontrado
teoricamente nas fontes de pesquisa. A equação corrigida possui também um baixo
erro de ​± ​0,09 Stokes, que representa somente 3,73% do valor médio de 2,41
Stokes.
Os principais erros acumulados neste experimento estão relacionados com a
temperatura do fluido. Na revisão bibliográfica deste relatório foi discutido que a
viscosidade de um fluido é diretamente influenciada pela temperatura do mesmo.
Devido a isto, é muito difícil encontrar valores tabelados de fontes seguras que
apresentem os valores de viscosidade com a temperatura que foi trabalhada neste
experimento, variando entre 28,5 e 29°C, sendo mais usual encontrar valores fixos
relacionados com a temperatura de 20°C. Os valores de viscosidade não são
lineares com a temperatura, ou seja, isto impossibilita uma interpolação linear que
apresente valores reais de viscosidade para uma determinada temperatura. Outro
importante motivo para erro foi o meio utilizado para o cálculo da velocidade, as
esferas e a cronometragem do tempo de queda das esferas. Estas esferas, devido a
desgastes e constante uso do laboratório, não apresentam as dimensões
apresentadas na tabela 1, podendo haver significativas variâncias de massa e de
diâmetro das mesmas, o que compromete os valores encontrados nas equações 2 e
3 demonstradas na metodologia. Em relação a cronometragem há sempre o erro
atribuído ao operador, e esta velocidade tem relação direta com a equação 1.
É importante salientar também que a Glicerina apresenta uma viscosidade
dinâmica e cinemática que varia também com a quantidade de água na sua
composição, ou seja, quanto maior a concentração de água na glicerina, menor os
valores de ambas as viscosidade deveriam ser encontrados. Este fato acrescenta
mais um pequeno erro no experimento, já que não é conhecida a composição exata
deste fluido.
Mesmo com os erros expostos acima, há uma boa aproximação dos valores
de viscosidade dinâmica ​(​µ) e viscosidade cinemática ​(v) quando comparados aos
valores previamente calculados tendo em vista que o primeiro e o terceiro
experimento apresentam valores de erros inferiores a 10% do valor esperado. O
experimento pode ser considerado bem preciso e atende os requisitos necessários.

3 Conclusão

A viscosidade é uma propriedade dos líquidos associada a sua capacidade


de escoamento. Em geral, quanto maior a temperatura menor a viscosidade e
quanto maior a densidade maior a viscosidade. Em se tratando dos resultados
experimentais, eles condizem com o esperado, ainda que possuam uma defasagem
entre o experimental e o teórico. Alguns erros com certeza têm sua parcela de
influência nas medições e nos cálculos, visto que o erro humano é inevitável e no
caso da glicerina, como a composição tem uma interferência considerável, esta
pode ter acarretado em erros.
Um dos principais fatores que podem influenciar na viscosidade de um fluido
é a temperatura. E neste experimento devido a possibilidade de os valores
encontrados como parâmetros não serem muito confiáveis, o erro pode ter
aumentado.
4 Referências

[1] ​BERTULANI, Carlos. Viscosidade, turbulência e tensão superficial. [​S. l.​], 30 ago. 
1999. Disponível em: 
https://www.if.ufrj.br/~bertu/fis2/hidrodinamica/viscosidade.html. Acesso em: 24 
mar. 2019.
[2] ​MECÂNICA dos fluidos/Tabela: viscosidade de algumas substâncias. [​S. l.​], 
2018?. Disponível em: 
https://pt.wikibooks.org/wiki/Mec%C3%A2nica_dos_fluidos/Tabela:_viscosidade_de
_algumas_subst%C3%A2ncias. Acesso em: 26 mar. 2019.
[3] ​CAETANO, Mário. Óleo Castor. [​S. l.​], 2010. Disponível em: 
https://www.ctborracha.com/borracha-sintese-historica/materias-primas/plastifica
ntes/plastificantes-de-origem-natural-2/plastificantes-de-origem-vegetal-2/oleo-cast
or/. Acesso em: 26 mar. 2019. 
Citações: