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APOSTILA DE HISTÓRIA

1º ANO
ENSINO MÉDIO

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História – 1º Ano Ensino Médio

INTRODUÇÃO A HISTÓRIA

As Origens do Homem
Introdução
As vivências humanas expressam o contexto histórico de cada época. O estudo do passado e a
compreensão do presente não se relacionam de forma determinista; as “soluções de ontem” não servem para
os problemas de hoje. Sem um processo de recriação que considere mudanças e permanências históricas, as
experiências do passado não podem ser aplicadas no presente, mas podem ser analisadas para formar um
futuro melhor.

A palavra História
Historien – no grego antigo “procurar saber”, “informar-se”. Então história significa procurar.
(Jacques Le Goff).
História – Uma palavra polissêmica possui diversos significados como:
- História ficção, livros de aventura, novelas de televisão, filmes, etc.
- História processo vivido, as lutas e sonhos, alegrias e tristezas de uma pessoa ou de um grupo social
fazem parte de sua história.
- História conhecimento. A produção de um conhecimento que procura entender como os seres
humanos viveram e se organizaram desde o passado mais remoto até os dias de hoje. Um saber preocupado
em desvendar as historicidades das vivências humanas.

Tempo e História
A compreensão das relações entre passado e presente é uma das mais intrigantes questões da
história. “A escrita da história não pode ser isolada de sua época”. O historiador vive seu tempo; a história
que ele escreve está ligada à história que ele vive – tempo presente. O historiador trabalha para seu tempo
não para a eternidade.

Historiografia
É o processo de escrita da história presente, ou seja, o que o historiador escreve sobre os fatos
históricos que se apresentam, dentro de sua compreensão. A história, como forma de conhecimento, é uma
atividade continua de pesquisa.
O historiador investiga e interpreta as ações humanas que, ao longo do tempo, provocaram
mudanças e continuidades em vários aspectos da vida pública ou privada: na economia, nas artes, na política,
no pensamento, nas formas de ver e sentir o mundo, no cotidiano, na percepção das “diferenças”.

Origem Humana
Diferentes sociedades têm dado várias respostas para questão do surgimento do ser humano na
Terra. Nesse caso, surgiram duas versões do aparecimento do homem na terra; o Criacionismo e o
Evolucionismo.
- Criacionismo, parte do princípio da criação de Deus, sendo o grande criador de tudo que hoje
conhecemos, criando o homem a imagem de deus, distinguindo-o dos outros animais por sua espiritualidade.

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- Evolucionismo, parte de um princípio que o homem surgiu na Terra, a partir de um ancestral, em um
processo evolutivo e adaptação ao meio onde vive, onde a seleção natural faz a diferença pela luta pela
sobrevivência.

Pré-História
É a parte da história que estuda os vestígios dos primeiros homens que originaram a espécie
humana – na visão evolucionista. As disciplinas que estudam a pré-história são a Paleontologia Humana e a
Arqueologia Pré-Histórica.
- Paleontologia Humana, estuda os fósseis dos corpos dos seres humanos pré-históricos, como ossos,
dentes, e partes mais resistentes que se preservam no de correr dos anos.
- Arqueologia Pré-Histórica, estuda os objetos feitos pelos humanos pré-históricos, procurando
descobrir como vivam, a partir de sua produção de utensílios como instrumentos de pedra, cerâmica e
sepulturas. Ou seja, a sua cultura material.
- A Pré-História está dividida em dois períodos: o Paleolítico e Neolítico. - O Paleolítico está dividido
em três períodos, sendo eles:
- Paleolítico Inferior, - Paleolítico Médio,
- Paleolítico Superior.
Essa subdivisão do Paleolítico se dá o desenvolvimento da espécie humana, onde toda sua evolução
caracteriza a sobrevivência da espécie. O período Neolítico vai se caracterizar pela manifestação da
produção e apropriação do homem a Terra.

Hominídeos
Cientistas chamam de Hominídeos a família biológica da qual possivelmente fazem parte os seres
humanos atuais e seus parentes ancestrais. Os primeiros fósseis humanos mais antigos foram encontrados na
África, se ramificando para outras regiões da Terra como Europa, Ásia, Austrália e América.
Em processo de evolução um dos Hominídeos que se desenvolveu com características humanas foi
o Australopithecus – termo que significa macacos dos sul – viveram na África por volta de 4milhões de anos.
Teve um desenvolvimento que originou cinco tipos de Australopitecos:

Período Paleolítico Inferior


Australopithecus Robustos
Australopitecos Afarensis
Australopithecus Africanus
Australopithecus aethiopicus
Australopithecus Bosei

Por volta de 2 milhões de anos, a árvore da família dos hominídeos apresentava dois ramos
principais: Australopithecus que se extinguiu a cerca de 1 milhão de anos; e o gênero Homo, que chegou ao
homem atual.
O desenvolvimento do homem se da seguinte forma:

Período Paleolítico Médio


- Homo Hábilis – homem habilidoso – viveu há 2 milhões de anos na África tinham um volume
cerebral em torno de 700 cm³. Sua característica está na alimentação, além de vegetais acrescentou a carne.
- Homo Erectus – Viveram na África por volta de 1,7 milhões de anos a 300 mil anos e dispersou-se
pela Europa e Ásia, tinha cerca de 900 cm³ de volume cerebral. Tornou-se onívoros – vários tipos de
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alimentos -. Foi à primeira espécie a produzir instrumentos de pedra com um padrão definido, caça
sistemática e utilização do fogo.
- Homo Neanderthalensis (homo sapiens primitivo) – viveram aproximadamente 135 mil até 34 mil
anos, viveu na Europa, Ásia e Oriente próximo. Sua capacidade cerebral é de 1400 cm³ e altura de 1,67, com
um biótipo mais forte que o homo habilis e erectus. Desenvolveram vários instrumentos de pedra, como
facas, raspadores, pontas de lanças, onde na confecção desses objetos, é possível verificar um controle das
mãos e organização precisa de trabalho. Para alguns pesquisadores, esse homo já possuía língua falada e
preservava sua comunidade, conserva também ritual e sepultamento.
Período Paleolítico Superior
- Homo sapiens sapiens – viveu na África, Ásia, Europa e migrou par América. Viveu aproximadamente há
40 mil anos, dando o formato do que somos hoje, com um volume cerebral de 1350 a 1400 cm³. Suas
principais características são o desenvolvimento da consciência reflexiva, da linguagem falada e escrita, da
técnica, da capacidade de expressão artística, do senso de moralidade.

Período Neolítico
A partir dos 1000 a.C. os grupos Homo sapiens sapiens, passam de um processo de caçador e
coletor, há produtor de alimentos, causando uma grande transformação em sua forma de vida. Praticaram
agricultura, a domesticação e criação de amimais organizaram os primeiros núcleos urbanos. Etc.

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Aula 02

História – 1º Ano Ensino Médio

A Herança Cultural das Civilizações Antigas Orientais Introdução

A Mesopotâmia abrigou as primeiras sociedades conhecidas, por volta do IV milênio antes de Cristo.
O nome Mesopotâmia significa ‘terra entre dois rios’ foi atribuído à região pelos antigos gregos, dadas a sua
localização entre os rio Tigre e Eufrates, ou seja, essa região ficou conhecida pela historiografia como “O
Crescente Fértil”. Atualmente, na maior parte antiga da Mesopotâmia localiza-se o Iraque, onde existem
mais de 10 mil sítios arqueológicos, são fontes de estudos para se conhecer a história dos povos
mesopotâmicos.

As primeiras civilizações
A prática da agricultura e da pecuária aconteceu em vários locais diferentes do mundo. A importância
das atividades agrícolas pode ser exemplificada pelo fato de que, até o século VI a.C., não havia moeda
cunhada na economia mesopotâmica. A cevada e alguns metais, como prata e o cobre, eram utilizados como
padrão de valor nas trocas comerciais.

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Principais povos
Na região mesopotâmica viveram diferentes povos: sumérios, acádios, babilônicos, assírios e caldeus.
Ao longo da história, esses povos confrontaram-se em vários momentos. Grupos nômades e seminômades,
das montanhas ou do deserto, atacavam as populações sedentárias que viviam nos vales e nas planícies, onde
havia terras férteis para plantar e para criar rebanhos.

Transformações sociais A Mesopotâmia foi uma das primeiras regiões do mundo em que ocorreu a
chamada “revolução agropastoril”. O desenvolvimento da agricultura e da pecuária foi modificando a forma
como os grupos humanos se organizavam. Alguns deles começaram a controlar a produção de alimentos,
permaneciam mais tempo nos lugares que ocupavam, passando a formar aldeias agrícolas e pastoris.
Na agricultura destacam-se os cultivos de cavada (produção d pão), trigo, linho (confecção de
tecidos), sésamo (gergelim, usado para extração de óleo para alimentação e iluminação), tâmaras, legumes,
etc. Na pecuária, criavam-se ovelhas, cabras, porcos, bois e asnos.

Sociedades do Oriente Próximo

Primeiras cidades
Algumas aldeias mesopotâmicas deram origem às primeiras cidades, como Ur, Uruk, Nippur, Kirch,
Lagash e Eridu, por volta de 4 mil anos atrás. Formavam aglomerações com várias construções (casa,
templos, ruas, pontes, palácios) eram geralmente cercadas por muralhas, visando a sua proteção.
Essas cidades continuavam muito ligadas à vida rural, misturando o espaço urbano com áreas de
plantações ou pastoreio. No entanto, nas cidades surgiu um grande número de novos ofícios: carpinteiros,
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ourives, cortadores de pedra, ceramistas, pedreiros, tecelões e comerciantes. O possível surgimento das
cidades é que o aumento da população nas aldeias toraram-se necessárias novas formas de organização de
trabalho, da justiça, da religião, e da segurança dos habitantes e bens econômicos.

Centro de poder: os templos


Os povos da mesopotâmia eram politeístas, adoravam diversos, onde muitos eram relacionados com a
natureza. As cerimônias religiosas eram dirigidas por um sacerdote, e era dividida em corporações que se
dedicava a um determinado deus. As cidades tinham um deus protetor, que possuía um templo em sua
homenagem.
Um rico patrimônio formado a partir das oferendas, os templos tinham um poder econômico a partir
de um rico patrimônio em terras, rebanhos, plantações e oficinas artesanais, desenvolviam um ativo
comércio com regiões vizinhas. Desenvolveram um sistema de escrita e numeração para controlar as
economias e produção de alimentos.
Escrita: código de registrar a fala
A fala e a memorização tornaram-se insuficiente para dar conta de inúmeros dados da vida cotidiana
nas sociedades mesopotâmicas; pois não era mais confiável a memória somente a memória para registrar
transações comerciais e econômicas.
Com a necessidade de registrar as transações financeiras e econômicas, foi desenvolvida uma forma
de registro, através de sinais e símbolos, a escrita, em uma forma de linguagem verbal que pudesse ser
fixada, entendida e transmitida pelos outras pessoas.
A escrita dos Sumérios é o mais antigo registro encontrado no mundo e é conhecida como
cuneiforme, pois era produzida em tabua de argila com um estilete em forma de cunha.

Normas para convivência social – o código Hamurabi


Foi na Mesopotâmia que se desenvolveram os primeiros “códigos jurídicos” escritos. Entre os mais
antigos está o de Hamurabi – rei da Babilônia – que formou um código com 280 artigos, com normas sobre
diversos temas. Em grande parte, essas normas foram recolhidas das sociedades da Mesopotâmia; mas ao
organizá-la num código, reafirmou a importância da função do rei como um ordenador da vida social.

Antiguidade Oriental: Características Gerais


De uma maneira geral, os estudiosos são absolutos em apontar a região do Crescente Fértil como
aquela na qual se desenvolveram algumas das primeiras civilizações humanas, mais precisamente a egípcia e
a mesopotâmica.
A partir de, aproximadamente, 4000 a.C., núcleos urbanos estavam se constituindo, as estruturas
sociais das antigas comunidades já estavam em processo de dissolução e poderosos Estados eram
organizados. Ao mesmo tempo, os primeiros sistemas de escritas (hieroglífica no Egito Antigo e cuneiforme
na Mesopotâmia) eram desenvolvidos, e grandes obras de engenharia começavam a ser construídas.
De maneira geral, as sociedades da Antiguidade Oriental apresentavam as seguintes características: -
produção de um significativo excedente agrícola necessário para garantir a subsistência de funcionários
públicos, militares, sacerdotes, comerciantes e artesãos especializados;
- expansão da atividade comercial necessária para garantir o abastecimento de matérias-primas
essenciais que não existiam nas regiões em que se desenvolveram essas civilizações; - controle absoluto da
economia por parte de um Estado fortemente centralizado;
- crença no caráter divino dos monarcas;
- existência de religiões politeístas com divindades representadas com a forma de homens, animais ou
com corpo humano e a cabeça de animal (antropozoomorfismo);
- desenvolvimento de expressivos conhecimentos no campo da matemática, da engenharia, da
astronomia, da medicina, etc.;
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- construção de grandes obras arquitetônicas caracterizadas pela monumentalidade
Assim como em outras civilizações da Antiguidade Oriental, também no Egito Antigo verificou-se o
predomínio das atividades agrícolas, embora uma expressiva indústria artesanal também tenha se
desenvolvido, responsável pela produção de tecidos, tijolos, artigos de couro, cerveja, armas, ferramentas,
utensílios domésticos, joias, etc. Por essa razão, na base da pirâmide social existia uma maioria absoluta de
trabalhadores, incluindo camponeses, submetidos a trabalhos forçados e obrigados a pagar tributos ao
Estado.

Mapa do Egito e Mesopotâmia – Oriente Próximo

O filosofo alemão Friedrich Engels em sua obra A Origem da Família, da Sociedade privada e do
Estado, faz menção sobre a questão do escravismo primitivo que se tornou uma constante ação na vida do
homem, levando em conta mecanismos que levaram o próprio homem a se tornar uma ‘mercadoria’,
revelando a gênese do escravismo antigo.
“Numa fase bastante primitiva do desenvolvimento da produção, a força de trabalho do homem se
tornou apta para produzir consideravelmente mais do que era preciso para a manutenção do produtor. Essa
fase de desenvolvimento é, no essencial, a mesma em que nasceram a divisão do trabalho e a troca entre
indivíduos. Não se demorou muito a descobrir a grande ‘verdade’ de que também o homem podia servir de
mercadoria, de que a força de trabalho do homem podia chegar a ser objeto de troca e consumo, desde que
o homem se transformasse em escravo. Mal os homens tinham descoberto a troca e começaram logo a ser
trocados, eles próprios. O ativo se transformara em passivo, independentemente da vontade humana.”
(ENGELS, Friedrich. A Origem da Família, da Sociedade privada e do Estado. São Paulo: Global, 1984, p.
86.).

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Aula 03

História 1º Ano Ensino Médio

O Escravismo na Antiguidade Clássica: Grécia

A expressão Antiguidade Clássica faz referência ao grande significado atribuído à civilização


grecoromana, cuja importância histórica foi resgatada no contexto do Renascimento durante os séculos XV e
XVI pelos humanistas. Para eles os valores culturais greco-latinos, considerados de alta qualidade, portanto
clássicos (expressão origem latina associada àquilo que é considerado excelente), estavam na gênese
histórica do mundo ocidental. A história da Grécia Antiga pode ser dividida em vários períodos que tiveram
características específicas. Observe a linha do tempo nos quais estes vários períodos são representados.

2000 a.C. 1200 a.C. 800 a.C. 500 a.C. 338 a.C. 145 a.C.
Período Creto- Período Período Arcaico Período Período
Micênico Homérico Clássico Helenístico

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Estendeu-se do ano É marcado pelo Caracterizado pelo Consolidaram-se Mascado pelo
2000 a 1200 a.C. seguimento dos surgimento das os conceitos de domínio da
tendo como um dos genos, grupos polis (Cidades- cidadania e Macedônia
seus símbolos o familiares que Estados) que democracia em (pequeno reino
Palácio de Cnossos. viviam em aldeias diferentemente das diversas localizado ao Norte
camponesas com cidades atuais, cidadesEstados da Grécia) sobre o
mundo grego e pela
maior autonomia. tinham total gregas. Esse
formação da cultura
autonomia política. período foi helenística,
Esse período foi marcado também resultante da fusão
marcado também pelas guerras de elementos da
pela expansão entre gregos e cultura grega com
grega no persas e, no as culturas
Mediterrâneo e século V a.C. orientais, iniciou-se
colonização de entre 431 e 404 em 338 a.C. e
várias regiões. a.C. estendeu-se até a
dominação romana
(145 a.C.).

O mundo grego transcendeu os limites geográficos da Grécia na atualidade. Aliás, o próprio conceito
de ‘grego’ na Antiguidade era bastante diferente do que é corrente nos dias de hoje. De acordo com o senso
comum, acredita-se que a Grécia Antiga era um ‘país’, assim como os que existissem na atualidade. Porém,
esse conceito seria estranho no mundo grego da Antiguidade. Afinal, eram considerados gregos aqueles que
se identificavam como tal, isto é, falavam a mesma língua, tinham tradições comuns, acreditavam ter uma
ascendência também comum, cultuavam os mesmos deuses, embora cada pólis tivesse o seu próprio deus da
cidade (ou deusa) protetor, e tinham, portanto, uma identidade cultural específica.
No final do Período Arcaico (do século VIII a.C. ao século a.C.) que, em diversos momentos e em
várias regiões da Grécia (Continental, Peninsular e Insular), surgiram e se multiplicaram as pólis.
Diferentemente das cidades contemporâneas, a pólis era autônoma, isso é, gozava de uma total
independência, tendo suas próprias leis, moeda, força militar, organização política e deuses protetores.
O conceito do que era ser grego na Antiguidade ganhou maior complexidade com a expansão
colonial, uma vez que, a partir desse momento, eles passaram a se autodenominar helenos, isto é, habitantes
da Hélade, ou seja, do mundo grego. Assim, onde houvesse gregos, lá estava à Grécia, presente, portanto, nas
várias colônias fundadas tanto no litoral do Mar Negro quanto no sul da Itália (Magna Grécia) ou litoral sul
da atual França.
A expansão colonial provocou inúmeras transformações no mundo grego, dentre as quais se
destacam:

• Uma intensa relação comercial entre as colônias fundadas e as “Cidades-Estados”;


• A produção de excedentes, tanto na agricultura quanto na indústria artesanal, destinados à
exportação;
• O surgimento de um novo grupo social formado por comerciantes enriquecidos que passaram
a rivalizar com os amigos eupátridas, isto é, os ‘bem-nascidos’, tradicionais proprietários das
melhores terras e que, no período anterior (Homérico), haviam dominado a vida política que
se organizava em torno dos genos (grande família grega);
• Desenvolvimento de uma economia crescente monetária, com a utilização inicialmente de
moedas de cobre, mais tarde, de prata (a unidade monetária era chamada de dracma);

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• Difusão da cultura grega e da visão de mundo dos antigos helenos, fortalecendo sua
identidade cultural e definindo com mais clareza, tanto para eles próprios quanto para os
outros, o significado do ideal da Paideia, expressão utilizada para designar a formação
integral do homem, tanto no plano físico quanto no plano intelectual;
• Expansão da vida urbana em função do crescimento do artesanato e da atividade comercial;
• Início de uma série de reformas em função das pressões dos grupos sociais emergentes que
exigiam maior participação política, no limite, em muitas das pólis essas reivindicações
contribuíram para o aparecimento de regimes políticos nos quais todo o demos, isto é, o povo
participava;
• Surgimento, no final do período, da democracia em algumas pólis, com destaque para Atenas,
que se tornou o modelo clássico da demokratia.

O mundo do trabalho e a escravidão


Foi também no contexto da expansão colonial, mais precisamente a partir do Período Clássico (século
V e IV a.C.), que a escravidão – existente anteriormente em pequena escala – tornou-se a forma de trabalho
hegemônica no mundo grego, embora a mão de obra livre, sobretudo na agricultura, continuasse a ter um
peso expressivo na economia.
É interessante observar também que, a partir dessa época, muitas atividades produtivas, sobretudo
aquelas nas quais se exigia grande esforço físico, passaram a ser vistas como desprezíveis pelos homens
livres. Estes, cada vez mais, cultuavam a ociosidade, percebida como “irmã da liberdade”. O filósofo Platão,
no século VI a.C., afirmava que “é próprio de um home m bem nascido desprezar o trabalho”, enquanto seu
discípulo, Aristóteles, refletindo o pensamento dominante entre os homens livres, sugeria que “o privilégio
do homem livre não é a liberdade, mas a ociosidade, que tem por complemento o trabalho forçado dos
outros, isto é, a escravatura”.
Em muitas pólis, sobretudo aquelas nas quais a indústria artesanal e a atividade comercial eram muito
expressivas, a população escrava chegou a ser maior que a população livre. No século V a.C., estudiosos
apontam um total de 140 mil escravos em Atenas, numa população de 250 mil habitantes.

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Considere ainda que até mesmo o Estado possuía escravos que trabalhavam nas obras públicas em
diversos ofícios como: segurança, limpeza de ruas, construções de obras, extração mineral, etc. também
outra origem da escravatura era o não pagamento de dívidas ao estado e grandes proprietários comerciais.
Durante o Período Clássico, a escravidão tornou-se uma importante fonte de renda para investidores
que adquiriam escravos e os alugavam para particulares ou até mesmo para o Estado, auferindo com essa
atividade grandes lucros. Nesse período (Clássico) que a organização da produção com base no trabalho
escravo atingiu seu momento máximo. Este período coincidiu com uma série de guerras entre gregos e
persas que se estenderam do ano 500 a.C. ao 479 a.C.. Nas origens dessa série de conflitos encontram-se o
choque entre a expansão grega na Ásia Menor, na qual diversas colônias haviam sido fundadas (Bizâncio,
Mileto, Êfeso, etc.) e as pretensões do Império Persas sobre a mesma região.
As vitórias sobre os persas garantiu a autonomia das pólis, reforçou a identidade cultural helênica,
garantiu um aumento do número de escravos na economia grega. Ao mesmo tempo, a disseminação da
escravidão provocou significativas mudanças no interior das sociedades das diversas pólis, além de
enriquecer algumas delas, sobre tudo Atenas que, a partir de então, se impôs no mundo grego.
A hegemonia ateniense foi reforçada com a criação da Liga de Delfos, um conjunto de pólis que
haviam se unidos contra os persas e que, após o conflito, continuaram contribuindo com recursos financeiros
que eram administrados por Atenas.
Nesse contexto, acentuaram-se as rivalidades entre as pólis, e algumas delas, com governos
oligárquicos, formaram a Liga do Peloponeso, sob a liderança de Esparta, com o claro objetivo de se
contrapor à influência ateniense. Assim o precário equilíbrio que havia entre as cidades se rompeu e, entre
431 a.C e 404 a.C., o mundo grego mergulhou na Guerra do Peloponeso, vencida pelo conjunto de cidades
liderado por esparta.

Durante o período Helenístico, que se estendeu do século IV a.C. até o século II a.C., o mundo grego,
fragilizado por guerras e pelos conflitos sociais internos nas pólis que comprometeram a economia, acabou
sendo dominado por um novo poder político e militar emergente: a Macedônia, reino que ficava ao norte da
Grécia. Embora falassem uma língua semelhante ao grego e acreditassem que tinham ancestrais comuns, os
macedônios, sob a liderança do rei Felipe II, dominaram, em 338 a.C., as cidades gregas, que perderam sua
tradicional autonomia.
Com a ascensão de Alexandre, filho de Felipe II, iniciou-se a formação de um vasto império, que
incorporou territórios até então pertencentes aos persas, inimigos comuns de gregos e macedônios. As
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conquistas de Alexandre foram muito rápidas. Formou um dos maiores impérios da Antiguidade, porém com
curta duração e que, após a sua morte, terminou se fragmentando.
No século II a.C. o mundo grego e a Macedônia foram incorporados a um novo império político e
militar que surgia e se firmou no Mediterrâneo: Roma.

Aula 04

História – 1º Ano Ensino Médio

África: O berço da humanidade

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O “lugar” dos áfricos imposto pela história européia: ao longo da história ocidental, os africanos
foram conquistados, escravizados, inferiorizados e estigmatizados pelo preconceito racista. O milenar tráfico
de escravos rendeu fortunas a algumas elites econômicas e muita miséria, exploração e sofrimento a dezenas
de milhões de africanos. Como foi efetivado este lamentável quadro da história africana? Que heranças
deixaram?
A história tradicional do Ocidente, marcada por uma visão eurocentrista, quase sempre tratou como
não relevante à história de outras regiões. Esse olhar, que tem subordinado e diminuído a importância de
outros povos e que apresenta a Europa como eixo do movimento evolutivo, foi impulsionada desde a
Antiguidade, época em que a região mediterrânea era definida como o centro do mundo. A África, desde
então, passou a ser vista como distante, como a região dos “homens de faces queimadas” Daquele período
até o final da Idade Média, especialmente com a religiosidade cristã medieval, ganhou impulso a associação
da cor negra ao pecado e ao demônio, firmando a visão preconceituosa em relação aos povos africanos.
A ideia da supremacia européia e consequente inferioridade de outras culturas, especialmente as
africanas, consolidaram-se durante a Idade Moderna, quando a Europa passou a centralizar o poder
econômico, politico e militar mundial. Para respaldar essa “inferiorização” da África, apontado então como
região do mal, no livro do Gênesis, Noé, amaldiçoou seu filho e toda sua geração futura. Pelo livro bíblico, e
lenda, diz que os filhos de Cã foram morar em uma região que o sol brilhava muito, queimando sua pele e
tornando-os negros.
Por séculos prevaleceu à mentalidade de enquadramento de inferioridade dos africanos num grau da
escala evolutiva, a mesma que classificava vários povos em avançados ou atrasados ou civilizados e
primitivos. Impunha-se a ideia de que o homem africano era incapaz de produzir cultura e história,
argumento que serviu aos escravagistas e aos imperialistas do século XIX, que, alias, utilizaram o discurso
justificador de “civilizar” a África.

A Matriz Africana de Todos os Homens


Ao contrário do que pregava essa visão estereotipada das populações e da cultura africana, o
continente foi palco de uma ampla e complexa diversidade histórica, que começa com os primórdios da
humanidade. Na África, na região que atravessa a Etiópia, o Quênia e a Tanzânia, foram encontrados antigos
fósseis de ancestrais humanos, como os fósseis do Australopitecos, Homo habilis, Homo erectus, que
viveram no continente africano desde 7 milhões a 2 milhões de anos a.C.. Ali viveram, portanto, diversas
linhagens paralelas de nossos ancestrais, que se entrelaçaram até desenvolver o homem moderno, que teve
sua evolução para a atualidade com uma variação entorno de 500 mil anos para o processo evolutivo do
Homo sapiens sapiens atual.

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As Áfricas
Os meios de comunicação muitas vezes nos apresentam uma série de generalizações a respeito da
África. São frequentes as notícias sobre crises e guerras, mas nem sempre se especificava a área ou país que
ocorreram esses fatos. O desconhecimento da região leva a falsa impressão de que o continente africano é
um único bloco.
Ao observar o meio natural, as formações politicas, as manifestações culturais e os diferentes níveis
de contato com outras regiões do planeta, percebe-se que a África apresenta multiplicidade geográfica,
histórica, política, sociocultural e étnica.

Ao Norte e ao Sul do Saara


A geografia africana é marcada pelo deserto do Saara. Ele divide o continente africano em duas
grandes “África”: a mediterrânea (ao norte) e a subsaariana (ao sul). O deserto é essencial para a
compreensão dos processos históricos e culturais do continente africano, pois é uma barreira natural que
dificulta o contato entre os grupos de ambos os lados. A pesar de escassos, existiram contatos entre essas
regiões ao longo da história, impulsionados principalmente pelos grupos nômades do Saara.
A porção noroeste da África (Mauritânia, Marrocos, Argélia, Tunísia, Saara Ocidental e Líbia) é
chamada de Magrebe. Os povos dessa região, conhecidos, em geral, como berberes, tiveram influência dos
povos do Mediterrâneo, como os fenícios, gregos, romanos, germânicos e árabes. Já a região ao sul do Saara
permaneceu mais isolada. Espalhados por florestas, savanas e estepes, os diversos se comunicavam
principalmente por meio do comércio. Na região ocidental, próximo aos rios Senegal e Níger, as trocas
envolviam ouro, peles, artesanato e escravos, e as mercadorias comercializadas eram transportadas até as
rotas das caravanas saarianas. Outras atividades também foram desenvolvidas como a agricultura, caça,
pesca e o pastoreio. A metalurgia também teve importante desenvolvimento que repercutiu no
desenvolvimento de técnicas agrícolas mais efetivas para a subsistência.

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Os Estados Africanos
Entre os séculos V e XVII, desenvolveram-se várias formações políticas na África Subsaariana.
Havia desde impérios até pequenas aldeias. A sedentarização desses grupos tem relação com sua atividade e
localização geográfica. O domínio da metalurgia e o desenvolvimento da agricultura nas regiões próximas a
rios favoreceram a fixação das comunidades.
Os Clãs constituíam o modo de organização política mais simples. Seus membros, divididos em
famílias, reconheciam um ancestral comum e vivia sob a autoridade de um chefe eleito, geralmente um
membro mais velho. A função do chefe era zelar pela distribuição justa dos ganhos e das tarefas, além de
garantir a segurança do Clã.
Quando as ladeias se agrupavam, seja por aliança ou por relações de parentesco, formavam-se os
reinos, governados por um rei e por um conselho. O soberano contava também com um corpo de burocratas
e com soldados, sendo, ao mesmo tempo, chefe político e líder religioso. Algumas sociedades também se
organizavam em cidades, geralmente fortificadas e com intensa atividade comercial. As cidades possuíam
autonomia. Os indivíduos agrupavam-se em famílias, e o governante era responsável pela administração dos
conflitos, pela paz com estrangeiros, pela distribuição das terras e pela aquisição de escravos.

A Escravidão nas Sociedades Africanas


A escravidão nas sociedades africanas tem sido tema de muitos debates. A existência da escravidão
nas sociedades africanas é aceita hoje pela maioria dos estudiosos. Tonavam-se escravos os prisioneiros de
guerra ou as pessoas expulsas de suas comunidades. Entendido como propriedade, os escravos podiam ser
trocados por outras mercadorias, utilizados como pagamento de dívidas, como trabalhadores agrícolas ou em
atividade militares.
A situação dos escravos variava entre as diferentes sociedades africanas. Em alguns povos
islamizados havia a possibilidade de ascensão do cativo à condição de homem livre. Já nas comunidades ao
sul do Saara, a prática de alforria não era comum. Contudo, a escravidão tradicional africana não pode ser
comparada ao tráfico de escravos explorados pelos europeus a partir do século XV. A escala entre as duas
formas de cativeiro são muito diferentes. Em cinco séculos de tráfico atlântico, destinado basicamente às
colônias na América, os europeus arrancaram até 11 milhões de pessoas da África.
A enorme demanda euro-americana por escravos estimulou interruptas guerras de apresamento entre
os povos africanos. Em decorrência dessas guerras, inúmeras sociedades, antes florescentes, entraram em
decadência. Por sua vez, o constante envio de milhares de homens, mulheres e crianças para fora do
16
continente causou a estagnação demográfica em vastas regiões da África, situação revertida apenas no século
XX.

17
Aula 05

História – 1º Ensino Médio

Os Povos Antigos da África


Com frequência, os meios de comunicação somente veiculam notícia sobre conflitos internos no
continente africano, explicitando em um sensacionalismo capitalista os problemas sociais e miliares,
principalmente a fome nos países mais pobres da África. Mas a África é muito mais que um continente pobre
e sem uma perspectiva positiva para o futuro. O que na verdade acontece, é que a ganância do homem
ocidental trouxe para o continente africano os problemas que não foram resolvidos no Ocidente, sendo
assim, depois de vários séculos de exploração e discriminação, os resultados são apresentados de forma que
o mundo todo tenha pena de um continente que sofreu atrocidades estereotipadas que classificaram a África
como um continente exótico e atrasadas, ignorando suas peculiaridades históricas.
A história da África entre os séculos VI e XVI, demonstram uma diversidade cultural muito
acentuada e pouco valorizada, a sua rica distinção cultural e geográfica, percebe-se que os povos africanos
criaram instituições políticas sólidas e constituíram importantes impérios, como o de Mali e o de Songai,
além de reinos influentes em sua época, como os dos Iorubas e o de Gana.
Por volta do século VI, a África era habitada por muitos povos, com línguas, costumes e
religiosidades diferentes. Esses povos apresentavam variadas formas de organização política e social: havia
desde pequenos grupos nômades até reinos e impérios com complexas formas de organização política e
social.

18
As Sociedades do Sudão Ocidental
Entre os séculos IV e XV, desenvolveram-se vários Estados na região do Sahel, sobretudo próximo ao
delta do rio Niger. Essa área sudoeste do Saara era conhecida naquele período como Sudão Ocidental, sem
correspondência com o atual país chamado Sudão. Nessas regiões viviam povos que se dedicavam à
agricultura, ao pastoreio, à caça e à pesca. Sua organização baseava-se em aldeias, cujas casas eram cercadas
pelas roças e pastos, trabalhados pelos membros do Clã. Nessas aldeias, a liderança era confiada a um chefe
que deveria zelar em todos os sentidos pelas famílias da sociedade da aldeia.
Com a introdução e progressiva utilização do camelo, a partir do século III, aumentaram as travessias
dos povos berberes em direção à zona do Sahel e cresceu também o comércio com a região. Mercadorias
como sal, cobre, perfumes e tecidos de algodão eram levadas pelas caravanas e trocadas por ouro, cereais e
escravos.

O Reino de Gana
Os povos soninquês viviam em aldeias localizadas entre os rio Senegal e Níger, provavelmente desde
o século VIII a.C. No final do século IV, algumas ladeias se aliaram para garantir a segurança de suas terras
contra as ameaças dos povos nômades. A união política desses grupos permitiu também o controle do
comércio com as caravanas vindas do norte, por meio da cobrança de tributos.
Já pelo século seguinte, esses vilarejos constituíram o reino de Gana, que tinha sua riqueza garantida
pelo ouro extraído na região mais ao sul do rio Niger. A palavra “gana” era o titulo dado ao soberano, que
posteriormente passou a denominar todo o reino. O soberano era o responsável pela organização
administrativa, militar e tributária e justiça. A partir do século X, pós quase quinhentos anos de crescimento e
prosperidade, o reino de Gana entrou em um período de estagnação. Os ataques dos berberes convertidos ao
islamismo (século IX) e dos almorávidas (século XI) desorganizaram a sociedade soninquês e suas
atividades econômicas.
A expansão islâmica e seu contato com os povos soninquês levaram à convivência das duas culturas
em algumas cidades, sendo verificados tanto os cultos animistas quanto a fé muçulmana. No entanto, as
campanhas dos almorávidas para total conversão dos soninquês ao islamismo geraram conflitos. Entre os
séculos XI e XIII, houve uma série de embates entre almorávidas e soninquês. A capital do reino, Koumbi
Saleh, foi disputada pelos dois grupos a fim de garantir o controle político do reino. No século XIII, outros
dois povos do Sudão colaboraram para o fim de Gana.

Os Impérios de Mali e Songai


Além dos soninquês, outros grandes grupos étnicos habitavam a região do Sudão Ocidental: Os
sossos e os mandingas. No século XIII, o islamismo se disseminava pelo Sahel por intermédio do comércio
nas savanas. Porém, alguns povos, se opuseram à presença islâmica, como os sossos, que, após a
desorganização de Gana, se insurgiram contra os muçulmanos almorávidas e iniciaram um movimento de
expansão para o sul. A expansão dos sossos sobre as regiões habitadas pelos mandingas resultou, no final do
século XII, no domínio de varias de suas aldeias. Como reação, os mandingas organizaram-se em unidades
políticas maiores.
A expansão dos sossos foi finalmente interrompida em 1235, quando foram derrotados pelo chefe
(mansa) Sundiata a Keita. Após a vitória, os mandingas espalharam-se pelo reino de Gana e pelas regiões
conquistadas pelos sossos, ao sul e a leste. Os diversos clãs mandingas se uniram em torno da figura do
mansa, constituindo o Império do Mali. O império do Mali chegou ao auge no século XIV, o Mali entrou em
decadência após uma série de conflitos com outros grupos étnicos vindos do norte e do sul do império.
Um desses grupos eram os songais. Situados próximos à cidade de Gaô, que era um centro comercial
a leste de Mali, eles mantinham certa independência em relação ao poder do mansa. No século XV, diante

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das invasões dos nômades do deserto, os songais, liderados pelo soberano Soni Ali, enfrentaram os tuaregues
e conquistaram Tombuctu. A partir de então, os songais iniciaram um processo de expansão e conquista de
outras regiões e clãs, formando o império Songai.
Como em outros casos, o islamismo e os cultos tradicionais conviveram nos domínios songai. O
próprio Soni Ali declarava-se muçulmano, em bora conhecesse pouco sobre o islamismo e mantivesse os
cultos aos ancestrais. O império Songai seguiu próspero até o final do século XVI, quando foi conquistado
pelo reino muçulmano do Marrocos.

O Reino de Benin
Na região sul do Sudão Ocidental (sul da Nigéria), viviam os povos edos. Entre esses povos
organizou-se o reino de Benin. As tradições orais contam que o Benin surgiu quando alguns chefes edos
pediram a um herói mítico chamado Odudua que lhe enviasse um líder. O herói mandou então seu filho
Oronyan, responsável pela formação do reino.
O reino de Benin era governado pelo Obá – líder político e religioso. Sua economia era baseada na
agricultura e no comércio de produtos agrícolas e cobre. A partir do século XV, Benin estabeleceu relações
comerciais com os europeus, exportando escravos, pimenta, ouro, peles, marfim, perolas, entre outros itens.

A Cidade de IIê Ifé


Outro povo que também habitava a região sul do Sudão Ocidental eram os iorubas. Esses grupos,
desde o primeiro milênio da era cristã, viviam em pequenas aldeias e cultivavam as mesmas espécies que os
edos, tendo uma organização política baseada em pequenas unidades e alguns reinos. Entre essas formações
políticas, destacou-se a cidade de IIê Ifé. Sua formação baseia-se na tradição oral e mítica.
IIê Ifé era uma espécie de cidade-estado, cujo governo estavam a cargo de um soberano, designado
pelo titulo de oni. O oni era líder religioso e político da cidade e estendia seu poder sobre os clãs dos
iorubas. Os reinos e cidades dos iorubas, sobretudo IIê Ifé, foram grandes centros produtores de arte,
principalmente máscaras e esculturas em bronze, além de placas de metal e arte em terracota (tipo de barro).

O Reino do Congo
Próximo à bacia do rio Congo, a sudeste do continente africano, formou-se o reino do Congo. As
tradições orais, registradas por europeus nos séculos XVI e XVII, conta que o reino teve origem com a
migração de um grupo banto que atravessou o rio Congo no século XIV, indo da margem norte até as terras
mais ao sul, onde ficaram conhecidos como muchicongos.
O líder desses povos, Nimi a Luqueni, casou-se com a filha do soberano local e tornou-se o
manicongo, “senhor do Congo”. com o tempo os muchicongos integraram-se aos povos locais e, por meio de
casamentos a alianças, o manicongo, conseguiu estender seu poder sobre diferentes linhagens, constituindo
reino do Congo. O manicongo vivia na capital Banza Congo, com as mulheres, seus conselheiros e alguns
escravos. As aldeias sob seu domínio eram governadas por um chefe originário das famílias que viviam
naquelas áreas e um chefe indicado pelo manicongo.
As terras eram férteis e a agricultura predominava. Além disso, a caça e a pesca beneficiavam-se das
longas áreas de savanas e dos numerosos rios. Havia também as trocas com os povos da costa, de onde vinha o
sal. Estima-se que no século XVI o reino do Congo se estendia por uma área de aproximadamente 160 mil
quilômetros quadrados, com cerca de cinco milhões de habitantes.

O Reino de Monomotapa
Entre os povos xonas, que habitavam aparte mais sul do continente africano, entre os rios Zambeze e
Limpopo, formou-se o reino Monomotopa. O soberano era ao mesmo tempo, líder político e religioso, porém
apenas as regiões próximas ao centro de poder do reino estavam diretamente sob seu controle. Os povos

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xonas beneficiavam-se da fertilidade das áreas ribeirinhas, para a agricultura, e o ouro e cobre, além do
comércio com os grupos que habitavam a costa.
Durante o século XV, os xonas expandiram-se em direção ao norte e edificaram construções altas,
com muralhas de pedra circulares conhecidas como zimbábues. Nesse período, o reino Monomotapa
conheceu certa estabilidade política, que foi perdida apenas no século XVI, quando o poder se fragmentou
devido os conflitos com povos vizinhos, desintegrando o reino.

Ruinas - Zimbábues

21
Aula 06

História 1º Ano Ensino Médio

O Escravismo na Antiguidade Clássica: Roma

A partir da cidade de Roma, os romanos conquistaram vários povos. As conquistas provocaram


mudanças socioeconômicas, política e no cotidiano de sua população. Assim, como na história da Grécia
Antiga, é possível dividir a história romana em períodos. A base dessa divisão são as mudanças ocorridas nas
formas de governo de Roma.

Roma Antiga: Periodização


Divisão do Queda do
Etrusco Monarquia República Império
Império Império
Século VI a.C 753 a.C. 509 a.C. 27 a.C. Otávio 395 d.C. Queda do
segundo a substituição da é proclamado divisão do império
tradição, data Monarquia pela imperador. império em Ocidental
da fundação da República duas partes: marcada pela
cidade de Ano I - Ocidente e invasão de
Roma. nascimento de Oriente. Roma pelos
Jesus Hérulos

São poucas as informações históricas bem fundamentadas a respeito dos primeiros tempos da história
romana. Na gênese dessa história, predominam os mitos. Os dados que existem sobre esse período de foram
obtidos através de descobertas a arqueológicas que possibilitaram uma revelação das origens de Roma.
A península Itálica era ocupada por etruscos, ao norte; Latinos, sabinos e samnitas, ao centro; e
gregos, que ocupavam terras ao sul (Magna Grécia), desde a expansão colonial ocorrido no princípio do
Período Arcaico.

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Os etruscos, povo que vivia na região da atual Toscana, exerceram grande influência na própria
formação de Roma, muito embora as pesquisas históricas sobre esse período sejam limitadas, uma vez que
sua escrita ainda não foi decifrada. De qualquer forma, parece certo que, por volta do século VI a.C., os
etruscos chegaram à região do Lácio – berço original de Roma – e deixaram influências marcantes na
civilização romana, pois, além de serem bons agricultores, ativos comerciantes e hábeis no trabalho com o
bronze e com a cerâmica, foram influenciados pelos gregos da Magna Grécia, com os quais mantinham
relações comerciais.
Desde os primeiros tempos de sua existência, Roma enfrentou conflitos com povos vizinhos. Nesse
período, eram frequentemente os conflitos e disputas por terras e colheitas. Ao mesmo tempo, os romanos
tinham a necessidade de conquistar novas terras para uma população sempre crescente. A cada guerra, Roma
melhorava seus equipamentos e a organização de seu exército.
A forma pela qual certo território era conquistado determinava o modo como os romanos tratavam o
povo dominado. Os conquistadores que se aliavam a Roma tinham de fornecer forças militares aos romanos
e recebiam direitos parciais ou totais de cidadania. Já os que se recusavam a se render e acabavam derrotados
e massacrados ou escravizados e tinham suas terras tomadas.
Ao final do século III a.C., os romanos já haviam conquistado quase toda a península Itálica. Essas
conquistas provocaram grandes modificações na sociedade romana, destacando-se as seguintes:

• Aumento das trocas comerciais no Mediterrâneo em função da produção de excedentes na


agricultura e na indústria artesanal, interligando cidades e regiões dos três continentes então
conhecidos: Europa, África e Ásia;
• Formação da ordem dos equestres (cavaleiro), um grupo constituído por indivíduos que
haviam enriquecido – comerciantes – e que tinham renda suficiente para servirem na cavalaria
do exército;
• Enriquecimento e fortalecimento dos comerciantes que, em pouco tempo, passaram a
reivindicar participação na vida política;

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• Grande aumento do número de escravos (prisioneiros de guerra e dívidas com o Estado)
enriquecimento do Estado romano gerado pelo pagamento de tributos das províncias
(conquistas romanas) e pela venda de escravos;
• Concentração das terras conquistadas nas mãos dos grandes proprietários;
• Êxodo rural em direção a Roma, causado pela ruína de pequenos proprietários que não
conseguiam competir com o preço dos produtos que chegavam das províncias ou de grandes
propriedades nas quais era empregada a mão de obra escrava;
• Expansão da vida urbana em função do crescimento do artesanato, da atividade comercial e
do êxodo rural;
• Construção de grandes obras públicas, como anfiteatros, circos, templos, estradas e aquedutos
(dutos de água).

Assim como na Grécia, em Roma havia três origens para a escravidão: a guerra, a descendência e o
endividamento. Entretanto, de acordo com a historiografia tradicional, era com as guerras que Roma
conseguia a maior parte dos escravos. O contingente destes aumentou de forma expressiva no período da
República e no início da fase imperial.
No mundo romano, os escravos eram considerados uma propriedade e um “instrumento” nas mãos do
senhor, e podiam pertencer tanto a particulares quanto ao Estado. De um modo geral, trabalhavam nas
grandes obras públicas, como pontes, aquedutos, monumentos e estradas, na agricultura, na extração mineral,
na atividade artesanal ou como criado doméstico. Os mais especializados e cultos eram secretários, músicos,
tecelões e professores. Escravos também atuavam em espetáculos públicos ou privados, caracterizados pela
extrema violência. Tal era o caso dos gladiadores.

A Crise do Escravismo Antigo


O Império Romano atingiu sua máxima extensão no século II d.C. durante o governo de Trajano
(98117). No entanto, a partir de então, não foram realizadas novas conquistas. Pelo contrário, várias regiões
foram abandonadas ou reconquistadas pelos “Bárbaros”, designação atribuída pelos romanos a todos aqueles
que não falavam Latim, viviam além das fronteiras do Império e possuíam uma “cultura inferior”, isto é, não
haviam sido romanizados.
Ao mesmo tempo, os gastos do Estado romano eram crescentes, não apenas com a manutenção das
legiões, como também com a administração, a distribuição gratuita de trigo e os espetáculos públicos
(torneios, lutas e corridas), ou seja, Pão e Circo.
No entanto, as receitas do Estado tendiam a diminuir, uma vez que a organização da produção e a
geração de riquezas despendiam, em grande parte, do trabalho de escravos, e o número destes, a partir de
então, começou a declinar. Menos escravos, menor produção, menor arrecadação de impostos etc. gastos
cada vez mais crescentes. Essa equação comprometeu a economia romana. Assim, a crise do escravismo
tornou-se também uma crise do Estado com repercussões no conjunto da sociedade.
Muitos imperadores recorreram à desvalorização da moeda, o denário, para cobrir gastos do Estado,
o que levou muitos particulares a reterem as “moedas boas”, isto é, aquelas que continham uma porcentagem
maior de ouro ou prata, comprometendo uma economia até então essencialmente monetária. Ao mesmo
tempo, um processo inflacionário contínuo tomou conta da economia. O resultado disso é que passou a ser
comum o pagamento em produtos e não em dinheiro.
Diante da crise financeira, da crescente ameaça dos povos “bárbaros”, dos conflitos sociais, da crise
do Estado e de uma insegurança generalizada, muitos proprietários de latifúndios deixaram as cidades e
foram buscar segurança nas grandes propriedades rurais autossuficientes. Nelas uma nova forma de trabalho

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passou a predominar, uma vez que o abastecimento de escravos estava definitivamente comprometido. Essa
nova organização da produção ficou conhecida pela expressão colonato.
Os colonos estavam vinculados a terra e ao proprietário desta, não podendo abandoná-la. No período
final do Império Romano, portanto, as cidades perderam sua antiga importância ao mesmo tempo em que a
ruralização da sociedade e da economia se impôs, especialmente em sua parte ocidental. Considere-se que, já
como sintoma da própria crise, em 395 o Império Romano foi dividido em Império do Ocidente, capital
Roma, e Império do Oriente, capital Constantinopla.

Aula 07

História – 1º Ano Ensino Médio

O Islamismo

A civilização árabe-islâmica surgiu e irradiou-se a partir da península Arábica, situada no sudoeste da


Ásia. Com clima extremamente quente e seco, cerca de 80% de seu território são constituídos por desertos.
Viviam na península Arábica diversos povos, organizados em tribos ou clãs, que costumam ser classificados
em dois grandes grupos, conforme suas características culturais mais marcantes:
- Árabes do Litoral: povos sedentários que moravam próximos da costa, como Meca e Yatrib.
Dedicavam-se ao comércio, conduzindo as caravanas de camelos com mercadorias do Oriente para as
regiões próximas do Mediterrâneo.
- Árabes do Deserto: povos seminômades que viviam em torno dos oásis da península. Dedicavam-se
principalmente a criação de cabras, ovelhas e camelos, produção artesanal e pilhagens de outras tribos.
A Arábia não teve uma unidade politica até o século VII. Os árabes ligavam-se uns aos outros apenas
pelos laços de parentescos e por elementos culturais comuns – falavam o mesmo idioma, a pesar das
variações regionais, e possuíam as mesmas crenças religiosas, eram politeístas, adorando centenas de
divindades.
25
A existência de um templo na cidade de Meca fazia dela um importante ponto de convergência de
crentes. Nos períodos de paz, a cidade transformava-se num movimentado ponto encontro e principal centro
comercial dos árabes, recebendo pessoa e mercadorias de diversas regiões.

Arábia Islâmica
A construção do Estado árabe iniciou-se com Maomé (570-632), um mercador da cidade de Meca que
fundaria o Islamismo, religião monoteísta cujos seguidores também são chamados de muçulmanos. Quando
Maomé iniciou suas pregações, dizia que os ídolos do templo deveriam ser destruídos, pois havia um só deus
criador universal, Alá. Isso provocou a reação dos sacerdotes de Meca, pois estava eca mudandose para
Medina, onde congregou e difundiu a nova religião organizando um exército de fiéis. Essa saia de Maomé de
Meca ficou conhecida de Hégira.
Em 630 Maomé invade conquista Meca destruindo os ídolos da Caaba, mas deixando a pedra negra
que representa o símbolo de união. A partir dai o Islamismo foi se expandindo pela Arábia, e diversos povos
forma se unificando em torno da nova religião. Assim, por meio da identidade religiosa, criou-se uma nova
organização política e social entre eles e formou-se o Estado Islâmico, de governo teocrático. Com a morte
de Maomé, o poder religioso, político e militar, ficou centralizado nas mãos dos califas.

Alcorão: o livro sagrado


Os princípios básicos do Islamismo encontram-se reunidos no Alcorão (que significa leitura), além
das normas religiosas, o livro sagrado inclui preceitos jurídicos, morais, econômicos e políticos que orientam
o cotidiano da vida social. Proíbe que os fiéis comam carne de porco, consumam bebidas alcoólicas ou
pratiquem jogos de azar. O roubo é severamente punido. A poligamia masculina é permitida.
O livro sagrado do Islamismo visa, em linhas gerais, apresentar a descrição das origens do Universo e
do ser humano. Também as relações desejáveis entre homens e especialmente as relações deles com Deus.
Além disso, ao longo do texto definem-se procedimentos a serem observados pelos fiéis no que se refere à
mortalidade, à economia e a grande número de questões cotidianas.
A ideia é que o texto seja uma clara resposta a todas as necessidades humanas, tanto materiais como
espirituais. Para os fiéis do Islamismo, o conteúdo do Alcorão representa a própria palavra de Deus, vertida
para o árabe na exata forma como foi revelada ao profeta Maomé.

Sunitas e Xiitas
A pós a morte de Maomé, a religião islâmica sofreu várias interpretações, entre as quais se
destacaram as de dois grupos, até hoje conflitantes.
Os Sunitas – defende como condição para o homem ocupar o cargo de chefe do Estado muçulmano (o
califa), ter sólidas virtudes morais – como honra, respeito pelas leis e capacidade de trabalho. Os sunitas,
além do Alcorão, seguem a suna, que se refere ao comportamento habitual do profeta e seus companheiros,
quanto as suas ações, falas, aprovações e desaprovações. Essas informações, registros através de narrativas
curtas, são denominadas hadic.
Os Xiitas – postulam que a chefia do Estado muçulmano só pode ser ocupada por um legítimo
descendente ou parente de Maomé. Afirmam que o chefe da comunidade islâmica é pessoa diretamente
inspirada por Alá e que os fiéis lhe devem obediência absoluta.
Atualmente, a maioria dos seguidores do xiismo encontra-se no Irã, no Iraque e no Iêmem. Na demais
região do mundo islâmico predomina os seguidores do sunismo chegando a 84% dos atuais muçulmanos.

26
A expansão Islâmica
Quando invadiram Império Persa, os árabes estavam longe de serem grupos tribais, como as
comunidades que ali habitavam antes do início da pregação de Maomé. Constituiu um exército muito bem
organizado e motivado, ima vez que, além do saque e da conquista de territórios e riquezas, buscavam a
expansão da fé, a concretização de um estilo de vida inspirado pelo profeta.
Um dos motivos da expansão islâmica nessa primeira fase foi à tolerância então praticada pelo
governo islâmico em relação aos territórios ocupados. Além do domínio das cidades e da determinação de
tributos, a serem pagos pelas populações dominadas, pouca coisa mudou. Os habitantes do território
conquistados podiam manter suas religiões e tradições.

A Fragmentação do Império Islâmico


À medida que o Império Islâmico crescia, foi absorvendo tradições culturais diferentes de acordo
com as características específicas de cada território incorporado. Se considerarmos as tradições árabes que se
fixaram na península Arábica, no Oriente Próximo e no Norte da África, comparadas com a tradição persa,
nos domínios do extinto Império Sassânida, as diferenças são significativas. Mas a religião sempre
desempenhou a função de elemento agregador dessas múltiplas culturas.
Durante a dinastia Abássida, mesmo em seu apogeu, novos califados vão surgindo nos domínio do
Império Islâmico, como nas regiões do atual Irã, Egito e Tunísia. Isso decorreu da dificuldade em exercer um
governo efetivo em toda a extensão do Império, o que levou ao fim da unidade política, fragmentando a
comunidade islâmica em vários centros de poder. Cada um desses centros possuía formas de governo e
tradições culturais e suas características, mas todos mantinham em comum a prática do islamismo.

Cultura Islâmica
Depois de conquistarem as mais diferentes regiões, os muçulmanos não se limitavam a cobrar
tributos dos povos submetidos. As autoridades procuravam aprofundar a compreensão do conhecimento
produzido pelos que ali viviam antes deles.
Com essa busca de conhecimentos, ocorreu um processo de assimilação dessas diversas culturas,
assim como sua difusão. Essa assimilação não se limitou às áreas conquistadas. Os conhecimentos vindos

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das mais longínquas regiões, como a China, com quem os muçulmanos mantinham relações de comércio,
também foram incorporados e difundidos.

A produção do conhecimento
Esse desenvolvimento era garantido por um trabalho de tradução para o árabe de tudo o que
considerassem significativo da cultura dos povos dominados. A circulação constante desse material por todo
o Império garantia que as contribuições das diferentes civilizações fossem comparadas e analisadas por
sábios islâmicos com formações variadas. Isso permitia que eles realizassem sínteses desses conhecimentos
antes dispersos e que chegassem, através deles, a novas e importantes descobertas e desenvolvimentos.
Assim, entre o século VII e IX, os muçulmanos travaram contato com diferentes culturas de povos
conquistados pela expansão islâmica. Eram regiões do Oriente Próximo, da Península Balcânica, do sul da
Ásia e até da Índia.
Nesse período ocorreram traduções para o árabe de obras persas, romanas, gregas e indianas dos mais
diversos ramos de conhecimento. Eram áreas como matemática, astronomia, astrologia, ética, mecânica,
física, filosofia, arquitetura, geometria e medicina. Essa literatura foi distribuída por todo Império Islâmico.
O mundo cristão só conheceu vários desses textos muito tempo mais tarde, graças a essas traduções.

Aula 08

História – 1º Ano Ensino Médio

IDADE MÉDIA – origem do feudalismo

Médio é uma palavra usada para designar algo que está no meio, que exprime uma posição
intermediaria entre um ponto e outro. Na periodização eurocêntrica estabelecida no século XVII, a Idade

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Média estaria no meio da história, entre Idade Antiga e a Idade Moderna. Assim, o período da
aproximadamente mil anos, que vai convencionalmente da queda de Roma até a tomada de Constantinopla
pelos turco-otomanos em 1453, foi chamada de Idade Média.

A Idade Média está dividida em duas partes: Alta Idade Média e Baixa Idade média.

Alta Idade Média:


- Reino Merovíngio:
Desde o século II, os Francos vinham pressionando as fronteiras do Império Romano, até se
estabelecerem na região da Gália, atual França. O domínio sobre toda a Gália foi possível graças à conversão
de Clóvis, neto do herói franco Meroveu, ao cristianismo, em 496. Contando com o apoio da Igreja, Clóvis
organizou o reino Franco e consolidou a dinastia merovíngia.
A idéia de estado e bem público desapareceu com o Império Romano, passando a terra a ser
distribuída entre clero e nobreza. A figura do rei tornava-se, assim, bastante frágil entre os francos,
submetida ao poder dos proprietários de terras. A pouca autoridade dos reis valeu-lhes o título de “reis
indolentes”, que tinham suas funções usualmente delegadas aos major domus, tipo de primeiros ministros. O
mais importante deles foi Carlos Martel, que comandou os francos na batalha de poitiers em 732,
derrotando os árabes.
Em 751, o filho de Carlos Martel, Pepino, o Breve, contando com o apoio papal, depôs o último
soberano merovíngio. Iniciou-se uma nova dinastia, a Carolíngia. Por causa do apoio recebido, Pepino cedeu
ao papa grande extensão de terra no centro da península Itálica. Passando para a administração da Igreja, sob
o nome de Patrimônio de São Pedro, esse território constituiu o embrião do atual Vaticano.
Carlos Magno, filho de Pepino, assumiu o trono em 768, fundando o Império Carolíngio, período de
maior poder dos fracos na Alta Idade Média. Além de doar, em troca de lealdade, as terras adquiridas nas
guerras de conquistas à nobreza e ao clero, dividiu o território sob seu controle em Condados e Marcas. (os
títulos de nobreza conde/condessa derivam de condado, assim como os de marquês/,marquesa, de marca).
Carlos Magno tinha uma administração nomeada pelo próprio imperador (missi dominici), assim fazia valer
suas leis que ficaram conhecidas como Capitulares, ou seja, as primeiras leis escritas do Ocidente medieval.
Carlos Magno Recebeu o título de Imperador do Novo Império Romano do Ocidente pelo papa leão
III no ano de 800. O mandatário da Igreja via na ampliação do reino franco uma possibilidade de expansão
do cristianismo e o retorno à própria concepção de império, desaparecida desde a queda de Roma, e como
consequência o poder imperial seria o anteparo da Igreja. Carlos Magno foi responsável, portanto, por uma
experiência centralizadora durante a conturbada Alta Idade Média.
O êxito administrativo de Carlos Magno foi acompanhado por significativo desenvolvimento cultural,
estimulado pelo próprio Imperador. Com o desuso do latim e a escrita pelos povos germânicos, o chamado
Renascimento Carolíngio mudou esse quadro, ainda que temporariamente. Escolas foram fundadas, o ensino
estimulado e varias obras da antiguidade greco-romana preservadas pela atuação da Igreja, que logo teria o
monopólio cultural do continente europeu.
Com a morte de Carlos Magno em 814, começa a decadência de seu império. Seu filho Luís, o
Piedoso, herdou o império e governou até 841. Após sua morte, seus filhos dividiram o império em partilhas
pelo Tratado de Verdun em 843. Condes, marqueses e outros nobres passaram a ter uma crescente
importância, fortalecendo assim a tendência à descentralização. Consolidava-se, nesse contexto, o
Feudalismo.

A Alta Idade Média (século V-IX) ←←←←← →→→→→→→


↓ ↓
↓ ↓

29

A ALTA IDADE MÉDIA


↓ ↓
Sobrevivência do Império
↓ Romano do Oriente (Bizâncio) ↓

↓ ↓ ↓
↓ ↓ ↓
↓ ↓ ↓
→ →→→ ↓

Unificação árabe
com Maomé:
Islamismo


↓ ↓
↓ ↓
↓ ↓
↓ ↓

↓ Expansão: fechamento do
↓ ↓ Mediterrâneo
↓ ↓
↓ ↓
↓ ↓ 843: Tratado de Verdun
↓ ↓ (divisão do Império
↓ ↓ Carolíngio)
↓ ↓
↓ ↓
↓ ↓

↓ Predomínio da ordem feudal na Europa


↓ ←←←←←←←←

Queda de Constantinopla

em 1453 turco-–otomanos invasão dos

30
Aula 09

História – 1º Ano Ensino Médio

O Feudalismo – Alta Idade Média

O feudalismo é uma organização social típica da Idade Média europeia, caracterizada pelo sistema de
grandes propriedades territoriais isoladas (feudos) pertencem à nobreza e ao clero e trabalhadores pelos
servos da gleba, numa economia de subsistência. O sistema era organizado segundo uma extensa e intrincada
hierarquia de feudos. A terra única fonte de poder, era recebida pelo senhor, em caráter hereditário. O senhor
beneficiário da doação de um feudo tornava-se vassalo do doador suserano, qualquer que fosse o titulo
nobiliárquico deste (rei, conde, visconde, etc.), ficando ambos ligados por laços de lealdade e ajuda mútua. A
propriedade da terra não era plena. O senhor que a recebia em doação não podia vendê-la e a propriedade era
herdada pelo filho primogênito.

A Sociedade Feudal
Essa sociedade se estrutura em relações de suserania e vassalagem tornando o poder muito
descentralizado. Tais relações eram estabelecidas quando um nobre concedia terras a outro nobre menos
poderoso, também poderia ser em forma de concessões de cobrança de impostos, pedágios em pontes e
estradas, tudo em troca de lealdade e ajuda mútua. Na prática os próprios reis eram senhores feudais com
domínios limitados. A sociedade feudal baseava-se na existência de dois grupos sociais – senhores e servos ,
podendo ser caracterizada como estamental, na medida em que as categorias eram claramente definidas e
não era comum qualquer tipo de modalidade. Cada senhor ocupava uma grande propriedade rural
denominada feudo o qual era dividido em três partes:

• Primeira: grande extensão de terra que era chamada domínio senhorial, era usado pelo senhor
e seus agentes diretos e englobava, no centro, o castelo, o moinho e as oficinas artesanais.
• Segunda: era dividida em parcelas concedidas a camponeses (servos) de condição semilivre,
pois não podiam abandonar o feudo e estavam obrigados a corvéia. - terceira: a propriedade
senhorial, bosques, pradarias, era utilizada conjuntamente pelo senhor e pelos servos. Embora
o senhor fosse o proprietário das terras, o servo tinha aposse, isto é, o usufruto da sua faixa de
terra, e também a propriedade dos seguintes meios de produção: arado, enxada e outras
ferramentas para agricultura. Em troca de concessão, o camponês era obrigado a produzir um
excedente econômico para o senhor e, principalmente, da corvéia, base de relação servil. Em
cada feudo, o senhor fazia as leis, administrava a justiça, cunhava moedas, exigiam-se
impostos aos mercados que transitavam por suas terras e estipulava o tributo que os
camponeses livres e os servos tinham que pagar. Cada feudo era economicamente
autossuficiente.

31
A economia feudal
No feudo eram produzidos os alimentos necessários aos servos e ao nobre, bem como roupas,
instrumentos de trabalho e armas. Os camponeses pagavam impostos ao senhor em produto (parte da
colheita) em trabalho nas terras senhoriais (corveia) ou em dinheiro. Também os habitantes das cidades
(burgo) tinham que pagar uma taxa ao senhor das terras em que se localizavam. O feudo estava dividido em
três partes:

• Manso senhorial ou domínio: área explorada pelos servos diretamente em benefício do


senhor, dentro da qual se erguia o castelo;
• Manso servil: correspondente a terras arrendadas pelos servos para exploração própria, mas
das quais deviam varias obrigações e taxas ao senhor feudal;
• Manso comunal: formado por terras – normalmente pastos e bosques – de uso comum de
senhores e camponeses.

Dentro da estrutura feudal, os campos abertos (manso comunal) eram de uso coletivo, também fazia
parte os bosques, a coleta de madeira para diversas atividades, como lenha e construção de utensílios
diversos. A reserva senhorial, terra, borque, pomar, tudo pertencia exclusivamente ao senhor, tudo que era
produzido era de sua propriedade privada, não dividia com os servos, pois os mesmos já tinham suas faixas
de terra para plantar e pagar seu arrendamento ao senhor feudal. O castelo era de uso exclusivo do senhor
feudal, mas também abrigava artesões, ferreiros e dava proteção aos servos quando atacados por outros
senhores em busca de novas terras, para anexar a seus feudos. O senhor também detém a terra e o poder –
incompleto – sobre os servos; cabe a esses uma pequena posse individual, as ferramentas, fornece ao senhor
uma contribuição que é inicialmente em trabalho, e ligava-se ao senhor por uma relação de dependência.
A agricultura na Alta Idade Média teve um aumento de produção, visto que novas técnicas forma
empregadas para um bem comum. Uma forma de plantio foi empregada, o sistema trienal que tem uma
eficácia e forma de regeneração do solo, perfazendo assim, uma rotatividade de plantio, assim um aumento
de produção agrícola.

O Trabalho Feudal
O trabalho na sociedade feudal estava fundado na servidão, relação que mantinha os trabalhadores
preso aterra e subordinados a uma série de obrigações em impostos e serviços. Nessa época era comum que
as pessoas nascessem, vivessem e morressem sem jamais sem sair do mesmo lugar, atrelados às obrigações
para como o senhor de feudo. A exploração do trabalho serviu era legitimada pela a Igreja. Na ordenação dos
papeis sociais, sua concepção ideológica contribuía para isso. Para a Igreja, cada membro da sociedade tinha
deveres a cumprir em sua passagem pela terra, o que disseminava uma mentalidade favorável à condição
subordinada dos servos. Segundo a Igreja, era dever do servo trabalhar, do clérigo rezar e do nobre proteger
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militarmente a sociedade. A servidão é uma forma de obrigação imposta o produtor pela força e
independentemente de sua vontade para satisfazer certas exigências econômicas de um senhor, quer tais
exigências tomem a forma de serviços a prestar ou de taxas apagar em dinheiro ou em espécie. Os servos
deviam uma serie de obrigações para os senhores, normalmente conhecidas como impostos feudais. As
principais delas são:
- corvéia: trabalho obrigatório nas terras do senhor (manso senhorial), executando diversos trabalhos
além da agricultura, durante alguns dias da semana.
- talha: porcentagem da produção obtida no trabalho no manso servil;
- banalidades: impostos, pagos em produtos, pela utilização de equipamentos pertencentes ao senhor
(forno, moinho, celeiro).

A Igreja Medieval
O triunfo do cristianismo contribuiu para a forte religiosidade que marcou a mentalidade medieval.
Foi nessa época que a Igreja começou a organizar-se com o objetivo de zelar pela homogeneidade dos
princípios da religião cristã e promover a conversão dos pagãos. Presentes em todos os níveis de uma
sociedade marcada pela religiosidade, os membros da Igreja medieval fomentavam valores como a
passividade e subordinação dos homens comuns perante o senhor, tanto o senhor espiritual (clérigo),
encarregado de proteger as almas, quanto o senhor feudal da terra (nobre), que protegia os corpos. O poder
da igreja, portanto, não estava revestido ao plano espiritual, mesmo que fosse importante a espiritualidade
nesse período, mas revestido de um poder temporal. Isso porque ela foi, pouco a pouco, transformando-se na
maior proprietária de terras da Idade Média e construindo fortes vínculos com a estrutura feudal. Além dos
territórios diretamente controlados pelo papa, o alto clero e varias ordens religiosas dispunham de muitos
feudos.

33
Aula 10

História – 1º Ano Ensino Médio

Feudalismo – a Baixa Idade Média e a crise do sistema feudal

A formação do feudalismo se deu na Alta Idade Média (século V ao X), toda sua estrutura social vai
se concretizar nesse período, formando uma sociedade estamental ou de ordem composta de três
seguimentos hierarquizados: ordem religiosa, ordem de nobreza (cavalheiros) e ordem dos camponeses
(povo). Para o Clero o esquema de três ordens era um símbolo da harmonia social, no qual cada seguimento
exercia uma função necessária para a sociedade. Esse modelo de ordens submetia toda sociedade aos mandos
da Igreja, fortificando assim todo seu poder.
A Baixa Idade Média (século X ao XIV) foi marcada por profundas transformações na sociedade, as
quais conduziram à superação das estruturas feudais e à progressiva estruturação do futuro modo de
produção capitalista. No plano econômico, um sistema agrícola de autossuficiência foi substituído por uma
economia comercial. No plano social, a hierarquia estamental foi se desintegrando, surgindo paralelamente
um novo grupo social ligado ao comércio: a burguesia. Politicamente, o poder pessoal e universal dos
senhores feudais foi sendo gradualmente substituídos pelo poder centralizador dos soberanos, originando as
monarquias nacionais européias.
Essas mudanças, que marcaram o início da Baixa Idade Média, emergiram das próprias contradições
da estrutura feudal, que se mostrou incapaz de atender às necessidades da população européia. O feudalismo
conservou por muito tempo muitas de suas características, o correndo uma transição gradativa, que só
atingiria a maturidade alguns séculos depois.

A Indústria Feudal
Embora a vida econômica da Idade Média se baseasse principalmente na produção agrícola de
subsistência, desde os primórdios do período medieval comerciantes e artesãos asseguraram, ainda que em
bases precárias, a produção e a circulação de bens entre os domínios senhoriais. Essas pessoas habitavam os
burgos, lugares fortificados que impulsionaram a retomada da vida urbana. O estilo de vida de seus
habitantes, os burgueses, mostrava-se bem diferente daquele que ocorria nos feudos.
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De início, os burgos surgiram em pontos estratégicos dos feudos e permaneceram sob controle dos
nobres. O desenvolvimento econômico foi acelerado a partir da vida urbana. Já no século XIII, antigos
núcleos de origem romana haviam sido revitalizados e muitos burgos tinham se transformado em cidades
importantes.
A indústria manufatureira (indústria aqui entendida como um conjunto das atividades que participam
da fabricação de produtos manufaturados a partir de matérias-primas) se expandiu nesse período em resposta
às necessidades de vestiário e moradia e às exigências das constantes guerras.
Alguns setores artesanais, entretanto, sustentaram-se e desenvolveram-se no período, trabalhando
para a nobreza e o alto clero: armeiros, que serviram aos nobres guerreiros; ourives, pintores e construtores,
que trabalhavam na edificação de catedrais e castelos etc. inovações técnicas aplicadas aos trabalhos
agrícolas também foram observadas nessa época, como a utilização dos “arados de ferro” no lugar dos de
madeira, mais franco e menos eficiente, e o aperfeiçoamento de “moinhos hidráulicos”. Buscou-se ainda
expandir as terras cultivadas com o aterramento de pântanos e a derrubada de floresta. No entanto, a
população continuava acrescer em ritmo mais acelerado que o da produção.
Desenvolveram-se também, o comércio marítimo costeiro e o terrestre, realizados a curta distância.
As feiras que o corriam na região de Champagne atraíram negociantes de várias partes da Europa. Caravanas
de mercadores compravam e vendiam peles, mel, cera, trigo, madeira, minerais, vinho, sal e tecidos. O
mundo do trabalho também assistiu a transformações importantes durante a Baixa Idade Média. Algumas das
obrigações servis, já os camponeses passaram a exigir salário pelo trabalho ou parte do excedente da
produção. Alguns vendiam seus excedentes em feiras e outros abandonaram as lavouras e se especializaram
na produção artesanal e no comércio.
Nos burgos, desenvolveram-se as corporações de ofício. Responsáveis pela organização e distribuição
de determinados produtos manufaturados, essas associações típicas da sociedade medieval reuniam
profissionais do mesmo ramo, desde os mestres de perícia reconhecida até os aprendizes. Todas essas
mudanças provocadas pelo incremento comercial, manufatureiro e urbano ocasionaram os confrontos entre
as visões de mundo dos senhores feudais, por um lado, e dos comerciantes e artesãos.

A Crise e a Cidade
A fome, a peste e a guerra despovoaram os campos e provocaram escassez de mão de obra, uma vez
que grande parte das pessoas que não tinham sido vitimadas pela peste ou pela guerra haviam se deslocado
para as cidades. A mão de obra abundante no inicio da Baixa Idade Média, tornou-se rara e,
consequentemente, melhor remunerada. Nesse contexto, os senhores feudais ficaram enfraquecidos, pois
deixaram de receber os tributos que garantiam as suas rendas. Houve, então, um recrudescimentos da
exploração do trabalho servil, precipitando uma série de revoltas nos campos.
Podemos dizer que houve uma inversão da tendência que prevalecia desde então: a produção rural
passou a organizar-se em função do mercado urbano. Com o declínio da aristocracia feudal e a ascensão da
burguesia urbana, o eixo dinâmico da sociedade europeia passou dos campos para as cidades. Desta forma,
tinha início uma dinâmica social até então rara no rígido sistema social das ordens medievais, ou seja, as
chances de mobilidade social tornaram-se viáveis. Os grupos sociais que constituíram o setor excluído dos
privilégios feudais passaram a questionar a ordem social e a pôr em xeque a função social da nobreza.

35
O movimento cruzadista
O crescimento comercial estimulou o primeiro movimento de expansão militar do Ocidente cristão. O
motivo oficial da primeira Cruzada foi de inspiração política e religiosa. Convocada pelo papa Urbano II
tinha como objetivo conquistar Jerusalém, a Chamada terra Santa, considerado o berço do cristianismo.
Para encorajar a participação nas Cruzadas, a Igreja concedeu indulgência plena, isto é, perdão de
todos os pecados para aqueles que morressem em combate. Partiram para a Terra Santa muitos cavaleiros da
nobreza feudal e outros tantos cavaleiros errantes, homens sem feudo cujas oportunidades de ascensão social
estavam restritas aos prêmios em torneios, ao serviço mercenário e, com muita sorte, à possibilidade de casar
com uma dama da alta nobreza.
Essa união de forças em torno de uma causa comum diminuiu os frequentes conflitos entre os
senhores feudais pela posse da terra. Até então o clero havia se esforçado para pôr um fim à violência dos
guerreiros e proteger de seus ataques o restante da sociedade desarmada.
Foram cinco as Cruzadas, não foram somente essas expedições, ocorridas ao longo de quase 200
anos, que levaram ao renascimento comercial da Europa, mas elas, certamente, contribuíram para sua
dinamização. As Cruzadas tiveram um papel significativo na mentalidade europeia. O espírito delas seria
importante motivação para a reconquista cristã da Península Ibérica e o desenvolvimento das grandes
navegações que levaram a conquista da América.

36
Aula 11

História – 1º Ano Ensino Médio

37
O Renascimento do Século XIV

As transformações socioeconômicas iniciadas na Baixa Idade Média e que culminaram com a


Revolução Comercial da Idade Moderna afetaram todos os setores da sociedade, ocasionando inclusive
mudanças culturais. Intimamente ligadas à expansão comercial, à reforma religiosa a ao absolutismo
político, as transformações culturais dos séculos XIV a XVI – movimento denominado Renascimento
Cultural – estiveram articuladas com o capitalismo comercial.
Primeiro grande movimento cultural burguês dos tempos modernos, o Renascimento enfatizava uma
cultura laica e racional, sobretudo não feudal. Entretanto, embora tentasse sepultar os valores da Igreja
católica, apresentou-se como um entrelaçamento dos novos e antigos valores refletindo o caráter de transição
do período. Buscando subsídios na cultura Greco-romana, o Renascimento foi à eclosão de manifestações
artísticas, filosóficas e científicas do novo mundo urbano e burguês. Descartando a imensa produção cultural
do período anterior, o renascimento caracterizou-se por ser essencialmente um movimento anticlerical em
ante escolástico, pois a cultura leiga e humanista opunha-se à cultura eminentemente religiosa e teocêntrica
do mundo medieval.
No conjunto da produção renascentista, começam a sobressair valores modernos, burgueses, como o
otimismo, o individualismo, o naturalismo, o hedonismo (teoria do prazer humano) e o neoplatonismo. Mas
o elemento central do Renascimento foi o Humanismo, isto é, o homem como o centro do universo
(antropocentrismo), a valorização da vida terrena e da natureza, o humano ocupando o lugar cultural até
então dominado pelo divino e extraterreno.

• Antropocentrismo: exaltação e glorificação do homem, colocando no centro de todas as


preocupações e da produção artística, científica e filosófica;
• Racionalismo: busca de explicações racionais e científicas para os fenômenos naturais;
• Universalismo: especulação do homem nos mais diversos campos do conhecimento.

O Humanismo Renascentista
O Humanismo, desenvolvido principalmente entre os séculos XV e XVI, caracterizou-se pela
concepção de que o ser humano é criatura e criador do mundo em que vive. E, dessa maneira, pode ser
construtor de si mesmo. Deus criou o homem conferindo-lhe a liberdade de construir a si mesmo. Por isso,
desde o nascimento o homem não tem uma natureza defina ou um destino pré-estabelecido. Ou seja, ele pode
ser juiz ou artesão supremo de sua vida, modelando-se na obra que ele próprio escolheu. Dessa forma, tanto
poderá designar em um ser bestial quanto ascender a realidades sublimes.
Os humanistas, num gesto ousado, tendiam a considerar como mais perfeita e mais expressiva a
cultura (antiga, grega e romana) que havia surgido e se desenvolvido no seio do paganismo, antes do advento
de Cristo. A Igreja, portanto, para quem a história humana só atingira a culminância na Era Cristã, não
poderia ver com bons olhos essa atitude. Não quer isso dizer que os humanistas fossem ateus, ou que
desejassem retornar ao paganismo. Muito longe disso, o ceticismo (crença) toma corpo na Europa somente a
partir dos séculos XVII e XVIII. Eram todos cristãos e apenas desejavam reinterpretar a mensagem do
Evangelho à luz da experiência e dos valores de Antiguidade. Valores esses que exaltavam o indivíduo, os
feitos históricos, à vontade e a capacidade de ação do homem, sua liberdade de atuação e de participação na
vida das cidades. A crença de que o homem é a fonte de energias criativas ilimitadas, possuindo uma
disposição inata para a ação, a virtude e a glória. Por isso, a especulação em torno do homem e de suas
capacidades físicas e espirituais se tornou a preocupação fundamental desses pensadores, definindo uma
atitude que se tornou conhecida como antropocentrismo. A coincidência desses ideais com os propósitos da
camada burguesa é mais do que evidente.

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Com o humanismo abandonava-se o uso dos conhecimentos clássicos tão-somente para provar
dogmas e verdades religiosas, descartando-se a erudição medieval confinada nas bibliotecas ou na clausura
dos mosteiros. Impulsionava-se a paixão pelos clássicos Greco-romanos numa busca de sabedorias e belezas
“esquecidas” pela Idade Média.

Fatores Geradores do Renascimento


As transformações econômicas do final da Idade Média, associadas aos processos de urbanização e
ascensão da burguesia, tornaram as concepções artístico-literárias feudais inadequadas. Novas concepções
afloraram, refletidas no desenvolvimento comercial e na nova sociedade urbana emergente. As primeiras
manifestações renascentistas triunfaram na Itália.
A reabertura do Mar Mediterrâneo a partir das Cruzadas, as cidades italianas de Florença, Veneza,
Roma e Milão transformaram-se em grandes centros de desenvolvimento capitalista, movido pelo qual
apresentavam as condições necessárias para a germinação e proliferação do renascimento. Nesse contexto,
surgiram os mecenas, ricos patrocinadores das artes e das ciências, que objetivavam não só a promoção
pessoal, mas também proveitos culturais e econômicos. Destacaram-se como protetores das artes os Médicis.
Em Florença os Sforzas, em Milão. Não podemos esquecer que a Igreja foi uma grande mecena nesse
período.
Completando os diversos componentes que favoreceram o desenvolvimento renascentista na Itália, a
influência árabe teve muita importância, pois era grande depositário de valores da Antiguidade Clássica e
que mantinha contatos comerciais com os portos italianos, principalmente com Genova e Veneza.

Fases do renascimento nas artes e literatura


O renascimento italiano se impôs efetivamente a partir do século XIV, estendendo-se até o século
XVI, ficando dividido em três fases: os Trecento (os anos trezentos) a fase do século XIV, Quattrocento (os
anos quatrocentos) fase do século XV e Cinquecento (os anos quinhentos) período mais criativo, que foi de
1500 a 1550.

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• O Trecento, ou primeira etapa do movimento artístico da renascença: a principal figura desse
período é Giotto (1266-1337), artista plástico que rompeu com a tradicional pintura medieval
e seu imobilismo, caracterizado por uma hierarquia rígida que determinava a importância dos
personagens pintados, prevalecendo sempre a figura religiosa acima dos homens. Giotto fez
do humano e da vida o foco de suas pinturas, dando às suas figuras um aspecto humano com
traços de individualidade. Nas letras, o período caracterizou-se pelo uso da língua italiana,
embora tivesse fortes influencias medievais.
• O Quattrocento, ou escola de Florença: o entusiasmo pela cultura greco-romana fez nascer,
na literatura desse período, as línguas clássicas e o paganismo. Em Florença, foi criada a
Escola Filosófica Neoplatônica, com o patrocínio do mecenas Lourenço de Médici. Na
pintura, tiveram grande importância técnica a óleo. Dentre eles, podemos destacar Masaccio
(1401-1419), que, rompeu com resquícios da arte medieval, chamados de “gótico tardio”. Deu
aos seus trabalhos realismo, volume, tomando da arquitetura e da escultura alguns dos
princípios básicos. Conseguiu transportar para suas telas a geometria em perspectiva do
arquiteto Brunelleschi e do escultor Donatello.
Sandro Botticelli (1445-1510) foi outro destaque da pintura renascentista. Suas obras
apresentam figuras leves, tênues, quase imateriais. Traduz uma expressão espiritual, religiosa,
simbólica. Seus personagens buscam alcançar a beleza Neoplatônica, que se refere a união
entre o paganismo clássico e o cristianismo.
Leonardo da Vinci (1452-1519), um dos humanistas mais completos do Renascimento, é
considerado figura de transição, pois viveu a metade do Quattrocento e o início do
Cinquecento. No primeiro período, quando Florença era o polo cultural da Itália, a arte ainda
imitava os modelos clássicos e predominava o uso das línguas clássicas. Ao mesmo tempo em
que eram usadas a língua italiana e o grego, predominavam nesse período a originalidade, a
criação tanto na forma como no conteúdo o que resultava numa arte própria – fusão do
clássico com o moderno.
• O Cinquecento, ou escola de Veneza: nesse período em que a língua italiana foi sistematizada,
destacam-se alguns escritores como; Francesco Guicciardini, Torquato Tasso e Ariosto, todos
literários. Mas quem deu maior importância para esse período foi Nicolau Maquiavel (1469-
1527) o iniciador do moderno pensamento político, o maior expoente literário do período. Em
o príncipe, defende um Estado absolutista em favor do qual todos os meios são justificáveis,
estando a “razão de Estado” acima de qualquer outro ideal. Escreveu também a História de
Florença, Discurso sobre a primeira década de Tito Lívio e a peça Mandrágora, considerada a
mais perfeita obra teatral escrita em língua italiana. Outros artistas também fizeram parte
desse período da renascença como Rafael Sânzio e Michelangelo Buonarroti.

Principais artistas do Renascimento

• Leonardo da Vinci: considerado o símbolo do Renascimento, sua obra atingiu quase todos os
campos do conhecimento humano. Suas obras mais famosas são a Monalisa, Anunciação e A
virgem dos rochedos.
• Miguel Ângelo Buonarroti, ou Michelangelo: destacou-se como escultor, arquiteto e pintor.
Imortalizou-se e, obras como o projeto da cúpula da basílica de são Pedro e os afrescos da
Capela Sistina (juízo final, Dilúvio e Criação de adão) e por suas notáveis esculturas (Davi,
Moisés e Pietá).
• Rafael Sânzio: foi um grande pintor de retratos e Madonas (representações da Virgem Maria
com o Menino Jesus), também foi o autor de diversos afrescos no Palácio do Vaticano.

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Literatura Renascentista
O renascimento cultural foi impulsionado pela invenção da prensa de tipos móveis de metal do
alemão Johann Gutemberg, a qual possibilitou a reprodução e divulgação das obras literárias em grande
escala. Os escritores Renascentistas escreviam em línguas nacionais, criticavam e ridicularizavam os valores
da sociedade medieval. Dentre os escritores, destacam-se: Dante Alighieri com a divina comédia, Petrarca
com a obra O Cancioneiro, Boccaccio com Decameron, Erasmo de Roterdã “pai do humanismo”, escreveu
Elogio da Loucura; Thomas Morus autor de A utopia; Camões e sua obra Os lusíadas; Miguel de Cervantes
com Don Quixote de La Mancha; William Shakerspeare, o homem mais destacado da Renascença inglesa,
escreveu uma vasta obra para o teatro, como Hamlet, Romeu e Julieta, Sonhos de uma noite de verão e
Otelo.

A Ciência Renascentista
A pesar da interferência da Igreja católica, que continuava impondo dogmas, a ciência desenvolveu-
se durante o renascimento cultural. Dentre os vários expoentes da ciência renascentista, podemos destacar:

• Leonardo da Vinci: foi o pioneiro na elaboração de um mapa-múndi mostrando o continente


americano. Criou projetos de engenhos voadores e fez estudos sobre anatomia humana.
• Nicolau Copérnico: combateu o modelo geocêntrico e propôs um modelo heliocêntrico, com
o Sol no centro do sistema solar.
• Giordano Bruno: rompeu com a visão aristotélica de um mundo estático, sugerindo a idéia de
um Universo infinito. Foi torturado e morreu queimado da fogueira da Inquisição.
• Galileu Galilei; foi primeiro cientista a utilizar um pêndulo para medir intervalos de tempo.
Aperfeiçoou o telescópio de refração e descobriu os satélites de Júpiter. Por defender a teoria
heliocêntrica de Copérnico, foi forçado a se retratar perante a Igreja católica.

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Aula 12

História – 1º Ano Ensino Médio

A Centralização do Poder e o Estado Moderno

O século XV inaugurava um novo período do processo histórico da Europa ocidental: possuir terras já
não era mais sinônimo de poder; as relações sociais de dominação e de exploração também não eram as
mesmas do mundo feudal; mudanças qualitativas na economia europeia abriram espaço para uma nova
ordem política e social.
Tendo suas origens do feudalismo, o mundo moderno evoluiria até culminar no seu oposto – o
capitalismo do mundo contemporâneo. Assim, em muitos aspectos, o mundo moderno constituiu uma
negação do mundo medieval, embora ainda não se caracterizasse como um todo sólido, maduro,
apresentando-se como uma época de transição. Foi o período de consolidação dos ideais de progresso e de
desenvolvimento, que reforçou o pensamento racionalista e individualista, valores burgueses que iriam
demolir o universo ideológico católico-feudal. Entre os séculos XV e XVIII, estruturou-se uma nova ordem
socioeconômica, denominada capitalismo comercial. Durante esse período, a nobreza, ainda garantia por
suas propriedades e títulos uma posição social em vantagem a burguesia comercia que se desenvolvia e que
ainda, estava longe de ser classe dominante, com prestígio junto à aristocracia.
Assim, sendo um período de transição, a importância do comércio e da capitalização, que
constituíram a base sobre a qual se desenvolveria o sistema capitalista. Como decorrência um novo Estado,
novas normas e novos valores forma gerados segundo as novas exigências do homem ocidental.

A Economia e Sociedade do Antigo Regime


Com as cruzadas, no início da Baixa idade média, processou-se um conjunto de alterações
socioeconômicas, decorrentes do renascimento do comércio, da urbanização e do surgimento da burguesia. A
junção desses elementos, por sua vez, impulsionou o processo de formação do Estado nacional, e lentamente
foram sendo demolidos os pilares que sustentavam o feudalismo. O renascimento do comércio na Europa e a
exploração colonial do Novo Mundo americano e afro-asiático propiciaram a ascensão vertiginosa da
economia mercantil. No meio rural europeu, as relações produtivas variavam desde as feudais (senhor-servo)
até as que envolviam o trabalho assalariado (proprietário-camponês), prenunciando o que viria a ser um
regime de características capitalista. A exploração do trabalhador e a expropriação de suas terras
possibilitaram uma gradativa e crescente ampliação de riquezas nas mãos dos donos das terras e dos meios
de produção – chamada acumulação primitiva de capitais.

O Estado no Antigo Regime


O Estado moderno retratou a transição do período do Feudalismo para o Capitalismo, refletindo os
interesses dos grupos sociais em conflito, ao preservar os privilégios da aristocracia feudal e abrir espaço ao
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novo grupo burguês ascendente. Na prática, foi o resultado da derrocada do poder universal (igreja) e local
(nobreza) e da formação das monarquias nacionais. O Estado característico da época moderna é conhecido
como absolutista, na medida em que o poder estava concentrado nas mãos do rei e de seus ministros, os
quais aproveitavam as limitações dos grupos sociais dominantes – nobreza e burguesia – para monopolizar a
vida política. Incapaz de exercer hegemonia (a nobreza estava em decadência e a burguesia ainda se
mostrava frágil), esses grupos precisavam do Estado para preservar suas condições e privilégios; daí
sujeitarem-se ao rei, reforçando o poder do Estado moderno. Com as alterações ocorridas no comércio, o Rei
tornou-se figura importante. Isso porque o impulso das relações comerciais, o reaparecimento das cidades e
as mudanças na economia desorganizaram boa parte das antigas relações feudais. O surgimento da burguesia
e de centros urbanos à margem dos nobres e de seus domínios é um exemplo da reorganização das relações
sociais. Essas alterações abriram espaço para a entrada em cena dos reis, que se tornaram figuras importantes
nos processos de regulamentação das novas relações dentro da sociedade.

Dificuldades e Características das Monarquias Nacionais


Alguns obstáculos marcaram o processo de formação das monarquias nacionais. Primeiro foram às
tensões entre os poderes nacionalistas das monarquias, por um lado, e, por outro, os poderes universalistas,
como Igreja e o Sacro império, que pretendia submeter e controlar toda a cristandade, e os poderes
particularistas, da nobreza feudal.
Outro obstáculo foi a grande variedade de costumes e a fragmentação existente na Europa Ocidental.
Eram moedas, hábitos, leis, tributos, pesos e medidas que variavam de região para região, de reino para
reino. Como submeter essas diferenças a um único poder? A monarquia nacional deveria conferir alguma
unidade a essas realidades distintas, o que não foi uma tarefa fácil para os reis e seus juristas.
Para dar conta dessas diferenças, das divergências e do funcionamento do Estado, os monarcas
dispunham de um aparato administrativo e jurídico e de um exército, que também contava com mercenários,
para garantir a ordem.
Essa característica limitadora do capitalismo e do desenvolvimento econômico burguês possibilitaria
o surgimento e avanço das ideias liberais, que levaram posteriormente às revoluções burguesas que
demoliram o estado absolutista. Devido à preponderância, nesse período, do absolutismo – poder capaz de
definir regras, práticas e ações em todos os níveis –, consolidou-se a concepção de um Estado interventor,
que devia atuar em todos os setores da vida nacional. No plano econômico, essa intervenção manifestou-se
através do mercantilismo.

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Aula 13

História – 1º Ano Ensino Médio

A Reforma Calvinista e Inglesa

A Suíça separou-se do Sacro Império em 1499 e a Reforma protestante iniciou-se em seu território
com Ulrich Zwinglio (1489-1531), que levou as ideias de Lutero ao país em 1529, desencadeando violenta
guerra civil, da qual ele próprio foi vítima. Pouco depois, chegou a Genebra o francês João Calvino
(15091564), que logo passou a divulgar suas ideias, fundando uma nova corrente religiosa.
As ideias de Calvino fundamentavam-se no princípio da predestinação absoluta, segundo o qual
todos os homens estavam sujeitos à vontade de Deus, e apenas alguns estariam destinados à salvação eterna.
O sinal da graça divina estaria em uma vida de virtudes, dentre as quais o trabalho diligente, a sobriedade, a
ordem e a parcimônia (contenção de gastos). Dessa forma, a doutrina calvinista exaltava características
individuais necessárias às práticas comerciais. Suas ideias, portanto, estavam mais próximas dos valores
capitalistas.

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Inspirado em Lutero, Calvino considerava a Bíblia a base da religião, não sendo necessária sequer a
existência de um clero regular. Criticava o culto ás imagens e admitia apenas os sacramentos da eucaristia e
batismo. O calvinismo expandiu-se rapidamente por toda a Europa, mais do que o luteranismo, na medida
em que atendia às expectativas espirituais da burguesia. Assim, atingiu os Países Baixos e a Dinamarca, além
da Escócia, (John Knox) cujos seguidores foram chamados presbiterianos, da França (huguenotes) e da
Inglaterra (os puritanos).

A Reforma na Inglaterra
A Reforma Protestante foi desencadeada na Inglaterra pelo rei Henrique VIII (1509-1547), que
obteve dividendos políticos com o processo. Tendo como pretexto a anulação de seu casamento com
Catariana de Aragão para casar-se com Ana Bolena, o monarca inglês rompeu com o papa. Em 1534
publicou o Ato de Supremacia, criando a Igreja anglicana, da qual era o líder. Excomungado pelo papa,
reagiu, confiscando os bens dos membros da Igreja distribuídos pelo reino.
Apesar de assemelhar-se externamente ao catolicismo, com a manutenção das imagens e do clero, o
conteúdo da doutrina anglicana aproximava-se do calvinismo. Serviu aos interesses políticos do rei e às
expectativas da burguesia e foi à seita puritana que mais buscou enfatizar os aspectos calvinistas da religião.

A Contra Reforma
A expansão das doutrinas protestantes pela Europa gerou uma reação da Igreja, que buscou reverter o
quadro, num movimento que ficou conhecido como Contra Reforma. Uma iniciativa pioneira foi à fundação
da Companhia de Jesus, ordem religiosa criada pelo ex-soldado espanhol da região basca Ignácio de Loyola.
Organizando em rígida hierarquia e submetidos a uma disciplina quase militar, os “soldados de Cristo”,
como foram chamados, buscaram combater o protestantismo por meio do ensino e da expansão da fé
católica. Daí deriva o projeto da catequese indígena na América e nos demais continentes onde havia
colônias europeias.
Em 1542, o papa Paulo III convocou o Concilio de Trento, com o objetivo de discutir assuntos
religiosos, inclusive com teólogos protestantes. Nenhum consenso foi possível, e o Concilio acabou apenas
por reafirmar os princípios católicos, condenado o protestantismo. Entretanto, algumas medidas
moralizadoras começaram a ser tomadas, como a proibição da venda de indulgências e a criação de escolas
para a formação de eclesiásticos. Pouco antes do Concilio de Trento, o papa restabeleceu a Inquisição, agora
sob a forma do tribunal do Santo Ofício. Sempre em nome do combate ás heresias e comandada pelo
superior da ordem jesuítica, nas décadas seguintes, a Inquisição condenou a tortura e a morte milhares de
pessoas na Europa e nas colônias além-mar.
Foi criado o Index, lista de livros proibidos pela Igreja católica. Qualquer obra considerada contraria
aos princípios da fé, incluindo livros científicos (de Galileu Galilei, Giordano Bruno, entre outros), as Bíblias
protestantes e, inúmeros outros autores, faziam parte dessa lista.
A Contra Reforma não destruiu o protestantismo, mas limitou a sua expansão. Seu sucesso mais
duradouro encontra-se na América, onde as iniciativas catequéticas dos jesuítas, nos séculos XVI e XVII,
deram frutos, sendo hoje a América Latina o local de maior concentração de católicos no mundo.

As Mudanças que Ocorreram Contra a Igreja

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Aula 14

História – 1º Ano Ensino Médio

Reforma da Igreja

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A Renascença havia revitalizado a vida intelectual europeia, e nesse processo, descartara a
preocupação medieval com a teologia. De modo semelhante, a Reforma marcou o início de uma nova
perspectiva religiosa. Contudo, a Reforma protestante não teve origem nos círculos elitista dos eruditos
humanistas. Ela foi desencadeada por Martinho Lutero (1483-1546), um desconhecido monge alemão e
brilhante teólogo. A rebelião de Lutero contra a autoridade da Igreja fragmentou, em menos de uma década,
a unidade da cristandade. Iniciada em 1517, a Reforma dominou a história da Europa ao longo de grande
parte do século XVI.
A Igreja Romana, sediada em Roma, era a única instituição europeia que transcendia as fronteiras
geográficas, étnicas, linguísticas e nacionais. Durante séculos, estendera sua influência sobre cada aspecto da
sociedade e da cultura europeia. O resultado, porém, foi que sua imensa riqueza e poder parecem ter
superado seu compromisso com a busca da santidade nesse mundo e da salvação no seguinte. Obstruído pela
riqueza, viciado no poder internacional e protegendo seus próprios interesses, o clero, do papa abaixo,
tornou-se alvo de um bombardeio de críticas, iniciado na Baixa Idade Média.

O Contexto da Reforma
O processo de centralização monárquica, em andamento na Europa desde o final da Idade Média,
tornou-se tenso o relacionamento entre os reis e a Igreja, até então detentora de sólido poder temporal.
Assim, além do domínio espiritual sobre a população, os membros do clero detinham o poder
políticoadministrativo sobre os reinos. Roma – Isto é, o papa – recebia tributos feudais provenientes das
vastas que essa prática passasse a ser questionada pelos monarcas.
Dentro da própria Igreja, dois sistemas ideológicos se defrontavam. De um lado, o tomismo, corrente
predominante assumida especialmente pela cúpula romano-papal, que via no livre-arbítrio e nas boas obras o
caminho para a salvação. Do outro, a teologia agostiniana, fundada no princípio da salvação pela fé e
predestinação.
Um ingrediente poderoso na crise religiosa que se delineava foi a desmoralização do clero. Os abusos
e o poder excessivo de seus membros (do alto e baixo clero) contradiziam abertamente suas pregações
moralizadoras. Embora condenassem a usura e desconfiasse do lucro, os membros da Igreja praticavam-nos
de forma desenfreada. O comércio de bens eclesiásticos, o uso da autoridade para garantir privilégios, o
desrespeito ao celibato clerical e até a venda de cargos eclesiásticos não eram raros na Igreja desde o final da
Idade Média. O maior escândalo talvez fosse o da venda de indulgencias, isto é, do perdão dos pecados
cometidos pelos fiéis em troca de pagamentos a religiosos.
Nas universidades, o movimento de crítica ganhava vulto, principalmente em Oxford, na Inglaterra,
com John Wyclif, e em Praga, na Boêmia (Sacro Império Romano-Germânico), com João Huss. Wyclif
atacou severamente o sistema eclesiástico, a opulência do clero e a venda da indulgencias, defendendo o
confisco dos bens da Igreja na Inglaterra e a adoção dos votos de pobreza material do cristianismo primitivo.
Huss encampou as críticas de Wyclif e associou-se à independência da boêmia, que estava sob domínio do
Sacro Império, sendo seus seguidores chamados de hussitas. Huss acabou sendo preso, condenado e
queimado por decisão do Concílio de Constança, em 1415.

A Reforma Luterana
O grande rompimento iniciou-se na Alemanha, região do Sacro Império Romano-Germânico. A
Alemanha era ainda basicamente feudal, agrária, com alguns enclaves mercantis e capitalistas ao norte. A
Igreja era particularmente poderosa no Sacro Império, onde possuía cerca de um terço do total das terras. A
nobreza alemã por essa razão encontrava-se ansiosa por diminuir a influência da instituição, além de cobiçar
suas propriedades, o que estimulou ainda mais o rompimento.
A Reforma teve início com Martinho Lutero (1483-1546), membro do clero e professor da
Universidade de Wittenberg. Crítico pregava a teologia agostiniana da predestinação, negando os jejuns e
outras práticas comuns apregoados pela Igreja. Em 1517, em Wittenberg, o monge insurgiu-se contra a venda

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de indulgência realizada pelo dominicano João Tetzel, escrevendo um documento conhecido como As 95
teses, que radicalizava publicamente suas críticas à Igreja e ao próprio papa. Em 1520, o papa Leão X
redigiu uma bula condenando Lutero, exigindo sua retratação e ameaçando-o de excomunhão.
Queimando a bula em público, a reação de Lutero agravou a situação, ampliando suas consequências.
Estabeleceu-se uma verdadeira crise política, na qual a nobreza alemã dividiu-se, em parte a favor, mas, em
sua maioria, contra o papa. O imperador Carlos V convocou uma Assembléia, chamada Dieta de Wornms,
em 1521, na qual o monge foi considerado herege.
Acolhido por parte da nobreza, Lutero passou a dedicar-se à tradução da Bíblia do latim para o
alemão e a desenvolver os princípios da nova corrente religiosa. Mais tarde, em 1530, a Confissão de
Augsburgo fundamentou a doutrina luterana. Seu conteúdo incluía:

• O principio da salvação pela fé, rejeitando o tomismo;


• A livre leitura da Bíblia, vista como único dogma da nova religião (daí a importância de tê-la
traduzida para o idioma comum do povo);
• A supressão do clero regular, do celibato clerical e das imagens religiosas (ícones);
• A manutenção de apenas dois sacramentos: o batismo e a eucaristia;
• A utilização do alemão, em lugar do latim, nos cultos religiosos;
• A negação da transubstanciação (transformação do pão e vinho no corpo de e sangue de
Cristo), aceitando-se pão e vinho como um todo, o corpo de Cristo;
• A submissão da Igreja ao Estado.

Ao subordinar a Igreja ao Estado, Lutero atraiu a simpatia de grande parte da nobreza alemã,
ampliando o apoio à nova doutrina. Entretanto, essas mesmas ideias serviram para inspirar a revolta
camponesa dos anabatistas. Liderados por Thomas Münzer, camponeses viram, na quebra da autoridade
religiosa, uma possibilidade de romper com a estrutura feudal, passando a confiscar terras, inclusive da
nobreza.
Lutero, entretanto, condenou violentamente os anabatistas, pregando a utilização da força para
exterminá-los. Repeliu também a burguesia, pois considerava o dinheiro um instrumento do demônio para a
disseminação do pecado. A partir de 1555, a Paz de Augsburgo, estabeleceu que cada governo dentro do
Sacro Império pudesse escolher sua religião e a de seus súditos de acordo com a vontade de seus príncipes.

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Aula 15

História – 1º Ano Ensino Médio

A Expansão Marítima Europeia – Grandes Navegações

A grande crise dos séculos XIV e XV, marcada pela Guerra dos Cem Anos entre França e Inglaterra
durante o século XIV, desestabilizou as rotas comerciais que cruzavam a França, essas eram importantes para
a articulação do comércio continental, ficaram comprometidas pela guerra, tornando necessário o
estabelecimento de caminhos alternativos.
Ao mesmo tempo, a Peste Negra devastou a população européia em muitas áreas, levando à violenta
retração dos mercados consumidores e, portanto, da atividade comercial. Finalmente a fome generalizada,
provocada pela escassez de alimentos que configuraram no cenário de destruição da guerra, completou o
contexto do que ficou conhecido como a crise do século XIV.
A diminuição da população européia criou uma situação na qual a retomada da atividade comercial se
faria de forma lenta, na mesma medida da própria expansão demográfica. O desvio de metais preciosos para
o Oriente, com o objetivo de se comprarem especiarias e outros artigos de luxo, favoreceu para o
esgotamento das minas de metais preciosos de ouro e prata no continente europeu, tornando limitada a oferta
de moedas, estrangulando o comércio. E, finalmente, o monopólio da lucrativa rota mediterrânea das
especiarias, exercido pelas cidades italianas, notadamente Veneza, restringia a possibilidade de lucros de
outras cidades europeias.
Esses fatores acabaram de forçar a burguesia européia a buscar novas rotas alternativas para expandir
o comércio, e a saída evidente era a navegação atlântica. Teve origem aí o processo de expansão marítima
européia. A empreitada de enfrentar a desconhecida navegação no Oceano Atlântico exigia investimentos de
vulto, que estavam muito além das possibilidades de qualquer cidade europeia isoladamente. Em outras
palavras, era necessária a mobilização ampla de recursos, o que foi feito em escala nacional, tornando a
centralização monárquica um verdadeiro pré-requisito para a expansão marítima da Europa.

As Navegações Portuguesas
A progressiva participação lusa no comércio europeu ganhou impulso no início do século XV. Assim,
a precoce centralização monárquica (Revolução de Ávis, 1385), associando os poderes políticos
concentrados nas mãos do rei e aos interesses do setor mercantil, teve papel decisivo na montagem das
grandes navegações portuguesas.
Esse contexto foi ainda favorecido pelos estudos náuticos liderados pela atuação do infante D.
Henrique, o navegador (1394-1460). D. Henrique atraiu para sua residência, em Sagres, navegadores
cosmógrafos, cartógrafos, mercadores e aventureiros, desde o início do século XV. Tal conjunto de
conhecimentos tornou viável o projeto expansionista português e seu desejo de viagens pelo Oceano
Atlântico, o que contribuiu para atingir as Índias, superando as limitações ao comércio continental europeu
do século XV.
Pouco apouco, ganhou corpo o objetivo português de realizar o périplo africano, isto é, a viagem em
torno da África. Nesse quadro, as expedições portuguesas avançaram, a cada ano, milhas em direção ao sul,
atingindo pontos cada vez mais distantes do litoral da África e ilhas do Atlântico (Açores, Madeira, Cabo
Verde). A exploração das ilhas inabitadas e recém-conquistadas contou com uma política de povoamento
baseada na agricultura e na pecuária. Além da criação de gado, foram implantados cultivos, principalmente
de trigo, vinhas e cana-de-açúcar. A divisão da nova terra em capitanias hereditárias – sistema pelo qual o rei
escolhia entre seus nobres os administradores (capitães-donatários), no qual devia promover o povoamento e
a exploração econômica do novo território –, era uma forma de aperfeiçoar a colonização, sendo adotada
posteriormente nas terras da América portuguesa.

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O processo de expansão portuguesa:

• 1415, tomada de Ceuta, no norte da África;


• 1418-1432, a ocupação do arquipélago dos Açores, com introdução de Capitanias
Hereditárias;
• 1434, a chegada ao Cabo Bojador;
• 1444, a descoberta do arquipélago de Cabo Verde;
• 1482 Diogo Cão atinge a foz do rio Zaire;
• 1486, D. João II organiza duas expedições para o Oceano Índico: uma terrestre comandada
por Pedro de Cavilhã, e outra marítima, comandada por Bartolomeu Dias;
• 1488, Bartolomeu dias atinge o Cabo da Boa Esperança;  1498, Vasco da Gama atinge
Calicute, na costa oeste da Índia;
• 1500, Pedro Alvares Cabral oficializa a posse sobre o Brasil.

As Navegações Espanholas
Pouco antes de a expansão marítima portuguesa atingir seu objetivo de chegar às Índias, a Espanha
acabou por organizar expedições atlânticas, tornando-se a segunda monarquia europeia a fazê-lo. A primeira
viagem espanhola, bastante modesta, foi concebida em 1492, por um navegador genovês, Cristóvão
Colombo. Partiu do porto de Palos na Espanha, no mês de agosto, em três caravelas (Nina, Pinta e Santa
Maria) com o propósito de atingir as Índias contornando o globo terrestre, navegando sempre em direção ao
Ocidente. Assim, buscava-se uma rota alternativa àquela controlada pelos portugueses no sul, em torno da
África. Colombo chegou ao continente americano pensando ter alcançado as Índias e morreu acreditando
nisso. Atlântico, Somente em 1504 desfez-se o engano, quando o navegador Américo Vespúcio confirmou
tratar-se de um novo continente.

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A essa altura, portugueses e espanhois, espalhados pelo Atlântico detinham o monopólio das
expedições oceânicas, sendo seguidos por outras nações a partir do início do século XVI, especialmente
França e Inglaterra. Entretanto, os dois reinos ibéricos já haviam decidido a partilha do mundo antes mesmo
que outras nações começassem a se aventurar nos novos territórios: em 1493, a bênção do papa Alexandre
VIU a esse acordo levaram à edição da Bula Intercoetera, substituída no ano seguinte pelo tratado de
Tordesilhas.
Esse estipulava que todas as terras situadas a oeste do meridiano de Tordesilhas (a 370 léguas a oeste
do arquipélago de Cabo Verde) pertenceriam à Espanha, enquanto as terras situadas a leste seriam
portuguesas, como é possível observar no mapa. Outras nações européias rejeitaram esse tratado, e a disputa
pelos territórios recém “descobertos” seria um marco na Idade Moderna, que se iniciava.

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Aula 16

História – 1º Ano Ensino Médio

O Mercantilismo – 1º Ano

O Estado Moderno
A idade moderna inicia-se em 1453, com a tomada de Constantinopla pelos turcos e estende-se até
1789 com o início da Revolução Francesa. O século XV marcou uma nova fase do processo histórico da
Europa Ocidental. Estruturou-se uma nova ordem socioeconômica – O Capitalismo Comercial. A nobreza
mantinha as “aparências” de poder por causa das suas terras e títulos. Embora estivessem em dificuldades
financeiras, ainda sim, a alta burguesia queria se estabelecer e permanecer no poder com as novas regras da
economia. Já a pequena burguesia ascendente, mesmo com próspero comércio, não conseguia ser a classe
dominante junto à aristocracia.
A Idade Moderna, na verdade, pode ser considerada como um período de transição, que valorizou o
comércio e a capitalização, que serviriam de base para o desenvolvimento do sistema capitalista.

A Formação do Estado Moderno


A Idade Moderna foi bem diferente da Idade Média. Pode-se dizer que suas características foram bem
opostas. A Idade Média foi marcada por:

• Regionalismo político – onde os feudos e as comunas tinham autonomia política, causando a


fragmentação no sistema administrativo;
• O poder da igreja – que enfatizava e colocava a autoridade do Papa sobre os reinos da
época. No Estado Moderno desenvolveu-se a noção da soberania, ou seja, a ideia de que o
soberano (governante) tinha o direito de consolidar suas decisões perante seus súditos (ou
governados) que morassem no seu território. Para isso ocorrer, o Estado desenvolveu vários
meios para controlar a política de seu território.

Alguns desses meios foram:


• Burocracia: funcionários que cumpriam ordens do rei e desempenhavam as tarefas de
administração pública. Estes cargos eram ocupados pela nobreza palaciana e pela alta
burguesia.
• Poder militar: incluía todas as forças armadas – a marinha, exército e polícia – para
assegurar a ordem pública na sociedade e o poder do governo.
• União da justiça- a legislação passou a valer em todo o território nacional.
• Sistema tributário: ou seja, sistema de impostos regulares e obrigatórios para manter o
governo e a administração pública.
• Idioma oficial: um mesmo idioma falado em todo território do estado, que transmitia as leis,
ordens e tradições da nação, além de valorizar seus costumes e cultura.
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O Estado moderno também é conhecido como Estado Absolutista, porque o poder estava concentrado
nas mãos de poucos (reis e ministros) que se aproveitavam das limitações dos grupos sociais dominantes (a
nobreza e a burguesia) para controlar a política.
O Estado dependia dos impostos arrecadados sobre as atividades comerciais e manufatureiras. Por
isso, era necessário que o Estado tivesse membros da alta burguesia em cargos do governo, incentivar o
lucro, a expansão dos mercados comerciais e a exploração das colônias.

A Base do Mercantilismo e o Absolutismo


A base teórica do absolutismo foi dada por Jacques Bossuet e Thomas Hobbes. Bossuet defendia o
direito divino dos reis; seus atos eram superiores ao julgamento dos homens. Já Hobbes justificou o
absolutismo, a partir do fato dos homens entrarem em um acordo, onde o poder ficaria com o rei e a ordem
seria estabelecida.
Essas monarquias regulavam suas economias de acordo com as práticas mercantilistas que tinham por
base:

• Aumentar a qualquer custo as economias da Coroa;


• Vender mais do que comprar;
• Incentivar a produção interna, incluindo as colônias, para assim ter uma balança comercial
favorável;
• Adotar medidas de proteção para as manufaturas e controlar as taxas alfandegárias sobre os
produtos importados;
• Conquistar colônias e explorar produtos de alto valor comercial na Europa;
• A aliança da burguesia mercantil com os reis em favor dos seus interesses econômicos. Com
isso a burguesia conseguiu até mesmo formar um exército forte.

Nesse período, teve um estado interventor, que atuava em todos os setores da vida nacional. Na
economia, essa intervenção manifestou-se através do mercantilismo.

O MERCANTILISMO
Mercantilismo foi o conjunto de teorias e práticas de intervenção econômica do sistema absolutista.
Era um sistema complexo e envolvia teorias exatas sobre produção manufatureira, utilização da terra e do
poder do Estado. Pode-se dizer que era uma política de controle e incentivo, onde o estado buscava garantir
o seu desenvolvimento comercial e financeiro e também o seu poder. Portanto, pode-se afirmar que o
absolutismo forneceu a base política necessária para o mercantilismo. Sua base principal foi:

• O metalismo: a riqueza e o poder de um estado de acordo com os metais preciosos


acumulados, ouro e prata.
• Balança comercial favorável (superávit comercial): exportar mais do que importar; diminuir
a importação e acumular capital. Com esses princípios foram aplicados: Na Espanha – o
Estado investiu em metais preciosos, através da exploração colonial americana e para por
restrições as importações, priorizou o metalismo.
• Protecionismo: necessário para assegurar o monopólio, era adotado por meio de medidas
fiscais ou alfandegárias que dificultava a entrada de mercadorias de outros países,
encarecendo-os.
• Monopólio: direitos exclusivos dos reis sobre as economias nacionais.
• Estímulo à economia nacional: as práticas do mercantilismo eram voltadas ao fortalecimento
da economia interna.
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• Colonialismo: o mais importante meio para atingir os objetivos mercantilistas, uma vez que
nas colônias as potências podiam instaurar, sem restrições, suas políticas econômicas. O
fortalecimento da economia nacional tinha como finalidade o enriquecimento do Estado e dos
comerciantes, ou seja, a burguesia.

Mercantilismo nos séculos XVI-XVIII


Na França, principalmente no século XVII, o governo tentou diminuir as importações e aumentar o
valor das exportações, por estimular as manufaturas, em especial àquelas voltadas para a produção de artigos
de luxo. Para esse objetivo, criou diversas companhias de comércio. Seu maior defensor foi – o ministro de
Luís XIV –, Colbert, pois na França o mercantilismo foi chamado de colbertismo, e também de
industrialismo, visto que essa política econômica dava prioridade às indústrias francesas, além de ter
incentivos para a construção naval; com tudo isso, a França conseguiu conquistar o mercado externo.
Na Inglaterra, o governo favoreceu o desenvolvimento naval para a exportação e a exploração do
comércio externo. Também incentivou a produção manufatureira e protegendo-a da concorrência através de
medidas protecionistas econômicas, com uma forte política alfandegária. Houve várias medidas de proteção
ao comércio marítimo. Como a criação de leis contra o transporte de produtos da metrópole e das colônias
inglesas por navios estrangeiros. Esta lei evitava gastos com fretes para navios estrangeiros e impedia a
evasão de moedas para o exterior, deixando o lucro do comércio no país. Estes foram os atos de navegação,
que serviram para o desenvolvimento comercial inglês.
No século XVI Portugal e Espanha tomaram a liderança nas mudanças econômicas na Europa.
Também tomaram a frente na expansão ultramarina, logo acabaram sendo os primeiros a se beneficiar das
riquezas das terras descobertas. A Espanha foi a mais beneficiada, pois teve nas suas colônias de exploração
metais preciosos. Enquanto que Portugal buscava manter o monopólio comercial das índias e permanecer
com a nova terra “descoberta”, Brasil. Dentro desse processo mercantilista, outro mecanismo foi criado para
fortificar as bases do mercantilismo europeu absolutista, o Pacto Colonial.

Pacto colonial
Sistema que consistia na passagem obrigatória pela metrópole dos produtos que entravam ou saíam
da colônia. Todos os produtos manufaturados da metrópole deveria produzir, de acordo, com as exigências
do mercado, para garantir lucros à coroa e a burguesia.
A Espanha logo enriqueceu, por causa do acúmulo de metais preciosos. Mas o excesso desses metais
gerou em longo prazo, problemas para a economia espanhola. Tanto que diminuiu as atividades agrícolas
fazendo a Espanha ficar dependente das importações. Esse problema também se espalhou por outros países
europeus.
Esta crise favoreceu os países produtores como França, Holanda e Inglaterra, a fortificar suas
exportações e acumular capital, visto que estes países se voltaram para o comércio exterior favorecendo
novas tecnologias agrícolas para a produção como meio de entesouramento.

A Relação: Econômica e Política no Mercantilismo


O comércio permitiu ao governo manter e sustentar novas necessidades. Como: os exércitos a serviço
do rei. Visto que o exército era importante para a defesa do estado nacional, e, a extensão política do
mercantilismo econômico.
Essa relação- rei e burguesia – tinha suas vantagens. O rei controlava o recolhimento de impostos,
que tinha uma parte reservada para o exército. A burguesia recebia a proteção militar e política para
continuar com projetos econômicos e sua expansão rumo a novos mercados, ou seja, ao Imperialismo.

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Aula 17

História – 1º Ano Ensino Médio

A Colonização América

A expansão colonial iniciada pelos países europeus no século XV nas grandes navegações constitui
um dos capítulos mais importantes da história moderna. Se, por um lado, seus defensores veem nela uma
incontestável ação civilizadora, é certo que, por outro, ela acarretou a desaparição de importantes culturas e a
sujeição de numerosos povos às necessidades e interesses coloniais.
Eram duas horas da madrugada do dia 12 de outubro de 1492 quando o marujo da caravela gritou:
“Terra, terra”. A frota de Cristóvão Colombo enfim chegava a algum lugar. Em 3 de agosto a nau Santa
Maria e as caravelas Pinta e Niña tinham zarpado do porto de Palos, no sul da Espanha. Em 6 de setembro, a
expedição fez escala nas ilhas Canárias e partiu com as embarcações rumo ao desconhecido. Em 12 de
outubro chegou a uma ilha do arquipélago das Bahamas, Colombo colocou o nome da ilha de São Salvador.
Navegou para a outra ilha que batizou de São Domingos.
Embora os europeus agissem como se estivessem descobrindo um novo mundo, o continente
americano já era habitado, há muito tempo, por diversas culturas, com diferentes formas de organização
social. Na época da chegada dos europeus, três grandes impérios se destacavam: o Asteca, e Maias na
Mesoamérica (denominação dos povos que vivam na América central e, extremo sul da América do Norte) e
o Inca, na região andina.
Após a chegada de Colombo, as Antilhas se tornaram o ponto de partida para as novas conquistas.
Ali, foi explorado o ouro de aluvião (rios, córregos). No início, em geral, os europeus eram bem recebidos e
bem tratados pelos nativos. Predominavam as alianças, a miscigenação, as trocas culturais e o escambo
(troca de mercadorias). Ao poucos os maus tratos e as novas doenças trazidas pelos espanhóis causaram
epidemias que dizimaram grandes contingentes de ameríndios. Com o avanço dos europeus pelo continente,
a conquista sobre a população nativa tornou-se mais intensa. Dois exploradores espanhóis, Fernão Cortês e
Francisco Pizarro, lideraram a primeira fase da ação europeia sobre a América.
Em 1519, o grupo liderado por Fernão Cortez chegou a Tenochtitlán, capital asteca, onde foi bem
recebido pelo imperador Montezuma. Tempos mais tarde, porém, um conflito entre espanhóis e astecas
eclodiu. Após intensa batalha com utilização de cavalos, arcabuzes e canhões, os espanhóis derrotaram os
guerreiros astecas. Em 1521, Cortez tomou a capital do Império Asteca.

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Dez anos mais tarde, uma expedição comandada por Francisco Pizarro dominou o Império Inca, cujas
proporções territoriais eram enormes. Aproveitando-se da crença dos incas em suas boas intenções, Pizarro
conseguiu se aproximar do imperador Atahualpa e prende-lo. Ao realizar alianças políticas com facções
dissidentes, os espanhóis puderam contar com o apoio de grupos insatisfeitos com a dominação inca. Cuzco,
a capital do Império Inca foi devastada e saqueada em 1533. Homens, mulheres e crianças foram torturados
para revelarem tesouros escondidos. Nos Andes, a resistência mais tenaz dos incas perdurou por algumas
décadas, até a execução do imperador Tupac Amaru I, em 1571. Assim ficou a estrutura administrativa da
Espanha nas terras da América:

A pesar do esplendor cultural dos grandes impérios americanos, as culturas nativas não conseguiram
resistir aos homens que vieram do mar. Os massacres e as doenças reduziram drasticamente a população
ameríndia. Os contatos propiciados pelas novas conquistas desencadearam grandes epidemias, provocando
uma enorme taxa de mortalidade. Doenças contagiosas como a varíola dizimaram populações nativas
inteiras. As guerras de conquistas e a subnutrição contribuíram muito para a dominação cultural e política
europeia. Poucas vozes européias se ergueram para denunciar o massacre da população indígena. Entre elas,
destaca-se a do frei dominicano Bartolomé de Las Casas (1484-1566), que se opôs à ideia de “guerra justa” e
denunciou as atrocidades realizadas pelos espanhóis em território americano.
Para quem defendia a ação violenta contra os indígenas, a guerra era justa, pois, de outra maneira, tais
povos não abdicariam de seus costumes “bárbaros” e não se submeteriam aos espanhóis. Lãs Casas foi
contra esse pensamento, denunciando que a tortura e o assassinato dos nativos da América eram movidos
apenas pela ganância e crueldade dos espanhóis. Segundo ele, que também desejava a conversão dos
indígenas ao cristianismo, a palavra e o convencimento deveriam vir antes da espada.
Mesmo cona atuação de Las Casas, as conquistas européias provocaram a destruição e
desestruturação social e econômica das populações locais. Grandes impérios nativos deixaram de existir e os
habitantes que restaram foram submetidos a várias formas de trabalho em favor dos espanhóis.

56
Aula 18

As Sociedades Pré-Colombianas

Na época da chegada dos europeus na América, estima-se que sua população estivesse próxima de
cem milhões de habitantes, irregularmente distribuídos pelo continente e em diferentes estágios de
desenvolvimento. “havia de tudo entre os indígenas da América: astrônomos e canibais, engenheiros e
selvagens da Idade da Pedra. Mas nenhuma das culturas nativas conhecia o ferro nem o arado, nem o vidro e
a pólvora, nem empregava a roda, a não ser em pequenos carrinhos.” (GALEANO, Eduardo. As veias
Abertas da América Latina, 1981).
Os ameríndios mais avançados tecnologicamente e que possuíam sofisticada organização social
cultural formavam a maioria da população americana no século XV. Isto porque o aumento demográfico
decorrente da agricultura neolítica permitiu que se formassem, em certos locais, concentrações
populacionais, resultando na urbanização, processo que caracterizou séculos e até milênios da história dos
povos pré-colombianos.

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Em meio a esta evolução, surgiram sociedades divididas em classes sociais com um Estado
estruturado e dominador, que impunha tributos, transformando a ordem tribal em civilizações com crescente
complexidade de organização e cultura, especialmente na América Central e nos Andes. Na primeira,
destacaram-se as civilizações Maias e Astecas e regiões andinas, a Inca, não sendo, porém, as únicas.

Sociedades Pré-Colombianas

Os mesoamericanos
A região mesoamericana corresponde à boa parte dos atuais países como México, Guatemala, El
Salvador, Honduras, Nicarágua e Costa Rica, produziram ao longo de 25 séculos diversas civilizações
poderosas, destacando-se a dos Olmecas, Maias, Toltecas e principalmente a dos Astecas.
Das primeiras civilizações mesoamericanos a dos Olmecas é considerada a fundadora da “cultura
mãe” da América Central, cujo desenvolvimento situa-se entre um pouco antes de 1000 a.C. até pouco
depois do século V a.C. A economia olmeca estava baseada na agricultura de feijão, milho e abobora ao
longo dos rios e caça e pesca. Toda vida olmeca estava ligada aos vários centros religiosos cerimoniais.
Existia um comércio baseado em pedras preciosas (jade e outras) para adorno, produziam uma cerâmica
rudimentar, criaram uma escrita e um calendário pouco conhecido, os quais serviram de base para o
desenvolvimento das civilizações posteriores.
Os Olmecas construíram a cidade de Teotihuacán por volta de 100 a.C. localizada a nordeste da atual
Cidade do México, com predomínio social, centro administrativo e religioso, com palácios, pirâmides,
avenidas, praças e bairros planificados, pertenciam a uma aristocracia guerreira e aos funcionários da
administração estatal, possuía uma população superior a de 80 mil habitantes.

A Civilização Maia
Ocupando uma região que correspondia hoje a península mexicana de Iucatã, Guatemala, Beleze e
Honduras, na América Central, atingiu o seu apogeu econômico cultural entre os séculos III e XI,
organizando-se em cidades-estados, como Palenke, Tikal, Copan, entre outras. O predomínio social cabia a
uma elite militar e sacerdotal, de caráter hereditário, comandada pelo Halach Uinic, responsável pela
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administração e cobrança de impostos. Nos arredores das cidades ficavam as ladeias de camponeses
submetidos à servidão coletiva.
No século IX, floresceram cidades-estados que antes eram de pouca expressão, como El Tajin (atual
Vera Cruz), xochicalco (Atual Morelos) E Colula (atual Puebla), as quais pouco depois entraram em declínio
devido a invasões estrangeiras. Quando chegaram os espanhóis, no século XV, todas as cidades maias
estavam arruinadas, beirando a total desintegração, uma decadência de vários séculos cujas razões são ainda
pouco conhecidas. Ao final da civilização Maia surgiram novas hegemonias de invasores mesoamericanos,
destacando-se por um breve período a dos Toltecas e, a seguir, a dos mexicas, também conhecidos por
Astecas.

A Civilização Asteca
De todas as grandes culturas pré-colombianas da região mesoamericana, a asteca foi a mais
grandiosa. A civilização Asteca reuniu um império que e estendia desde o oeste mexicano até o sul da
Guatemala, uma área superior a trezentos mil quilômetros quadrados, envolvendo uma população próxima
de 12 milhões de habitantes. Sua capital, Tenochtitlán (hoje cidade do México), espalhava-se por 13
quilômetros quadrados e tinha uma população perto de cem mil pessoas, segundo estimativas mais seguras
(há quem chegue a apontar quinhentos mil habitantes).
Em seu apogeu, o império asteca era sustentado pelo domínio sobre povos vizinhos, obrigados a
pagarem tributos, o que era conseguido com alianças, confederações e constantes expedições punitivas dos
astecas, assemelhando-se muitíssimo às civilizações da Antiguidade Oriental, como Egito e Mesopotâmia.

A Civilização Inca
Por volta de 1438, formou-se na região do atual Peru o Império Inca. Chamava-se Tawantinsuyo, em
quechua, principal língua falada nos Andes. No Império Inca, o principal deus era Inti, o deus sol. O império
cobrava tributos das aldeias vizinhas, chamadas ayllus, que cultivavam vários tipos de batata nas terras altas
do território, transportados da serra ao litoral no lombo de lhamas. Os incas foram os únicos na América a
domesticas animais para o trabalho.
Por terem conquistados vastas áreas com diferentes ambientes ecológicos e climáticos, desde o frio
altiplano andino até a quente costa peruana, o Império Inca pôde desenvolver atividades bem variadas. Na
verdade, o Império Inca era imenso, incluindo os atuais Peru, Bolívia, e Equador, o sul da Colômbia e o
noroeste argentino. Os incas estavam em plena expansão na região amazônica quando foram conquistados
pelos espanhóis, na década de 1530.
Uma diferença importante entre os impérios inca e asteca reside na forma de tributação. No caso
asteca, como vimos, embora o tributo em trabalho fosse essencial, predominava o pagamento em gêneros
agrícolas ou artesanato enviado a Tenochtitlán. No caso inca, prevalecia o tributo em trabalho, conhecido
como mita. Esse trabalho era uma oferenda ao deus sol, encarnado no próprio soberano dos incas, chamado
também de Inca.

Aula 19

História – 1º Ano Ensino Médio

Astecas

Na América, a organização de sociedades mais complexas, como a dos Astecas, Maias e Incas, não
ocorreu ao mesmo tempo em que no Oriente próximo ou na Europa. Aliás, os processos históricos não são
nunca os mesmos em todas as sociedades. O próprio continente americano mostra evidências dessa
afirmação. Na América, durante séculos, conviveram (e ainda convivem) inúmeros povos com realidades
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históricas bem distintas: povos nômades de cultura primitiva, como muitas tribos norte-americanas, os
esquimós (Alasca), os ianomâmis e os xavantes (Brasil), que viviam (alguns ainda vivem) basicamente da
caça e da coleta, os tupis-guaranis (América do Sul), os pueblos (América do Norte) e os aruaques (América
Central), sedentários e agrícolas; e, finalmente, os povos de culturas mais complexas – maias, incas e
astecas.

Os Astecas e sua Origem


A influência dos olmecas entre os astecas também foi muito grande, sobretudo porque eles viveram,
em tempos, diferentes, basicamente na mesma região. Após a hegemonia olmeca, a região sofreu várias
invasões de povos vindos da América do Norte.
Os primeiros povoadores procedentes do norte, da região de Nahua (família linguística do nahuatl),
construíram, entre 500 e 600 d.c. baseados nas tradições olmecas, uma grande cidade, Teotihuacán, com
gigantescas pirâmides homenageando o Sol, a Lua e seu deus maior, Quetzacoatl. Nesse centro urbano
desenvolveu-se uma sociedade sobre a qual, infelizmente, temos poucas informações.
Os toltecas, uma das tribos nahuas do norte, chegaram à América Central entre 850 e 900 d.c., e
talvez tenham se submetido aos sacerdotes de Teotihuacán, pois deram continuidade à construção e
manutenção dessa grande cidade. Em razão do gigantismo de suas construções, muitos povos consideravam
que ela havia sido construída por gigantes, antes da chegada dos homens à região. Eles organizaram um forte
Estado e uma rica civilização, que, após disputas internas, guerras externas e invasões, chegou ao fim em
1194 d.c.

Calendário Asteca

O povo mexica, mais conhecido como asteca, é originário da região de Aztlán (daí a palavra asteca),
no sul da América do Norte. Ele se estabeleceu no planalto mexicano (especificamente nas ilhas do lago
Texcoco), junto com outros povos, após uma longa marcha, em 1168 d.c. No ano de 1325 eles começaram a
construção de sua cidade, Tenochtitlán, que no século XV seria uma das maiores cidades do mundo.

Organização Política - A formação do Império Asteca


A formação do Império asteca baseou-se na aliança de três grandes cidades, texcoco, Tlacopán e a
capital, Tenochtitlán, estendendo seu poder por toda a região. As relações políticas que se estabeleceram
entre elas e as regiões que controlavam ainda não são muito claras. Contudo, pode-se afirmar que não era
uma estrutura rigorosamente centralizada, como ocorreria entre os incas.
Na confederação Asteca conviviam inúmeras comunidades com idiomas, costumes e culturas
diferentes (zapotecas, mixtecas, totonacas, etc.) A unidade entre elas dava-se em torno de aspectos religiosos
e, principalmente, através da centralização militar dos astecas e da arrecadação dos impostos em
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Tenochtitlán. As diversas províncias da região que, além dos tributos, elas deveriam fornecer contingentes
militares e submeter-se aos tribunais da capital.
O Império asteca atingiu seu apogeu entre 1440 e 1520, quando foi inteiramente destruído pelos
colonizadores espanhóis liderados por Cortés. Após diversas incursões colonizadoras em agosto de 1521 o
Império Asteca foi inteiramente conquistado. Diversas razões levaram à derrota asteca a primeira é
propriamente militar: a guerra, para os astecas, tinha como objetivo a dominação político-militar, para os
espanhóis a guerra era de conquista e extermínio. Além disso, as estratégias militares e, principalmente, o
armamento bélico dos colonizadores eram bem mais avançados. Outro motivo importante foi a proliferação
de várias doenças e epidemias entre os astecas (a mais forte foi a varíola). Um fato adicional que contribuiu
muito para a derrota asteca foi a aliança estabelecida entre alguns povos da região (tlaxcaltecas, totonecas,
etc.) e os espanhóis. A intenção imediata desses povos era derrotar a hegemonia dos astecas na região, e os
espanhóis eram fortes aliados para alcançar esse objetivo. Todavia, eles não puderam prever o que lhes
aconteceria após a derrota asteca, com a consolidação da colonização européia.

A Economia Asteca
A sustentação da economia do Império estava baseada justamente no pagamento dos tributos em
mercadorias. A não destruição das cidades submetidas e a manutenção relativa do poder local incluíam-se
nessa lógica de arrecadação dos tributos, que variavam muito. Estima-se que, no final do Império,
Tenochtitlán recebia toneladas de milho, feijão, cacau, pimenta seca; centenas de litros de mel, milhares de
fardos de algodão, manufaturados têxteis, cerâmicas, armas, além de animais, aves, perfumes, papel, etc.
A produção agrícola estava baseada essencialmente nos cereais, sobretudo no milho que, na verdade,
foi à base da alimentação das civilizações pré-colombianas. É bem provável que essas sociedades não teriam
se desenvolvido sem o milho, pois ele as sustentava e possibilitava o crescimento de suas populações.
A posse das terras tinha uma característica muito interessante: o Estado asteca era proprietário de
todas as terras e as distribuía aos templos, cidades e bairros (calpulli). Já nas cidades e bairros, a exploração
da terra tinha um caráter coletivo, todo adulto tinha direito de cultivar um pedaço de terra para sobreviver e o
dever de trabalha-la. Na fase final do Império, essa relação foi se modificando, pois sacerdotes, comerciantes
e chefes militares se desobrigaram de trabalhar na terra, criando uma forma de diferenciação social.

A Sociedade Asteca
Foi uma sociedade fundada em aspectos religiosos e na guerra, aqueles que detinham mais poder
eram os sacerdotes, seguidos dos chefes militares e dos altos funcionários do Império. Os altos funcionários
militares e do Estado recebiam a denominação tecuhtli (dignitário), eram escolhidos pelo soberano e tinham
uma série de privilégios (não pagavam impostos e viviam em grandes residências).
Logo abaixo estavam os calpullec, espécies de administradores dos bairros (calpulli). Inicialmente
eles eram escolhidos pelos habitantes dos bairros, mas com o tempo passaram a ser indicados pelos
soberanos.
O comércio externo era realizado por poderosas corporações de comerciantes, os pochtecas. O
comércio de luxo entre as cidades era monopolizado por eles. Em razão do rápido enriquecimento desse
setor da sociedade, ele foi ganhando gradativamente poder e distinção.
A maioria dos artesãos trabalhava vinculada a algum senhor (tecuhtli), e muitos mantinham oficinas
em palácios e templos. O imposto era pago em artigos de sua especialidade e não eram obrigados ao trabalho
coletivo.
A maior parte da população estava entre os macehualli, que eram homens livres com direito a cultivar
um pedaço de terra para sua sobrevivência, embora devessem obrigações como pagamento de impostos em
mercadorias (a maior fonte de arrecadação), prestar o serviço militar e o trabalho coletivo (construir,
conservar e limpar estradas, pontes e templos).

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Os tlatlacotin formavam o estrato social mais baixo, composto geralmente por prisioneiros de guerra,
condenados, desterrados. Em troca de casa, comida e trabalho, eles se vinculavam a um amo. Isso não
significava que eram escravos, pois podiam torna-se livres e possuir bens.

Religião e a Cultura Asteca


Os astecas eram considerados o povo mais religioso da região. Sua religião era essencialmente astral,
isto é, baseada nos astros, e foram absorvendo deuses e ritos das mais importantes era Uitzlopochtli, que
representava o sol do meio-dia.
Os mitos e ritos astecas eram muito ricos e variados, e relacionavam-se com a natureza. Os cultos
mais importantes sempre envolviam o Sol. Eram muito comuns rituais com sacrifícios humanos; a guerra,
portanto, era uma grande fornecedora de prisioneiros para os sacrifícios. Geralmente toda a energia da
comunidade estava canalizada para as atividades ritualísticas, realizadas com uma série encenações e
procedimentos minuciosos.
As atividades artísticas dos astecas foram muito influenciadas pelas tradições olmecas e toltecas. A
escultura em jade e as grandes construções são exemplos claros dessas influências. A arquitetura estava
ligada à vida religiosa, a forma mais frequentemente utilizada era a pirâmide com escadarias, culminando em
um santuário no topo.
Os afrescos coloridos e as pinturas murais também tinham destaque entre as artes astecas. O escriba
ostentava o título de pintor, pois os hieróglifos eram acompanhados por uma série de quadros
cuidadosamente desenhados.
A música e a poesia estavam intimamente ligadas. Quase sempre acompanhadas por instrumentos,
danças e encenações, as músicas tinham caráter religioso. Infelizmente, a violência da colonização espanhola
acabou destruindo grande parte dessa rica produção.

Aula 20

História – 1º Ano Ensino Médio

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Os Incas

Origens
O povo incaico é originário de uma região entre o lago Titicaca e a cidade de Cuzco, no Peru. A partir
daí os incas expandiram-se por uma área que abrangia desde o sul da Colômbia, passando pelo Equador,
Peru, Bolívia e norte da Argentina, até o sul do Chile Esse Império chegou a reunir cerca de 15 milhões de
pessoas, de povos com línguas, costumes e culturas diferentes.
Antes da construção do Império incaico viviam nessa região povos com culturas e formações sociais
avançadas, que se costuma denominar pré-incaicos. Eles estavam distribuídos por toda a costa leste do
continente sul-americano, nas serras e no altiplano andino; os chavin viviam nas serras peruanas; os manabi,
no litoral do equador; os chimu, no norte do Peru; e havia ainda os chinchas, mochicas, nazca, e outros.
Talvez grande demonstração do desenvolvimento desses povos pré-incaicos seja Tiahuanaco. Tratava –
se de um grande centro cerimonial (hoje suas ruínas estão a cerca de 100 Km de La Paz, capital da Bolívia)
que recebia periodicamente milhares de pessoas por Ano. Estima-se que essa civilização que parece ter sido
influenciada pelos chavin, estabeleceu-se na região por volta do século X d. C.

A Organização Política Inca


O Império Inca absorveu as diversas culturas das civilizações preexistentes, colocando-as a serviço
da expansão e manutenção do Império. A vitória sobre os chancas, em 1438 d. C., liderada pelo inca
Yupanqui, marcou o início da formação do Império. Ele ocupou quase todo o Peru, chegando até a fronteira
do Equador. Seus sucessores expandiram o Império para o altiplano boliviano, norte da Argentina, Chile
(Tope Inca) e equador, até o sul da Colômbia (Huayana capac, 1493-1528).
A expansão foi interrompida em razão da disputa entre dois irmãos, filhos de Huayana: Huascar, que
centralizou seu Império em Cuzco, e Atahualpa, sediado em Quito. A rivalidade entre os irmãos levou oi
Império a uma verdadeira guerra civil, enfraquecendo-º A vitória de Atahualpa não lhe trouxe vantagens,
pois, junto dela, chegaram os colonizadores, liderados por Pizarro, que destruíram todo o Império Inca.
Para controlar seu Império o Estado inca mantinha um constante censo populacional, um instrumento
fundamental para o censo era o quipo, uma espécie de elaborada calculadora manual feita de cordões
coloridos e nós. Quem realizava o levantamento e a leitura eram os funcionários chamados de
quipucamayucus.
Esse imenso Império inca, controlado de perto pelo Estado, precisou de uma infraestrutura que
permitisse a circulação de funcionários, mensageiros, impostos, populações, exércitos, etc. Para que isso
ocorresse, foi construída uma incrível rede de pontes e caminhos lajeados. Ao longo desses caminhos havia
os tambos, pequenas construções que continham alimentos e água, servindo de alojamento para os viajantes.

A Sociedade Inca
O Estado inca era imperial, capaz de controlar rigidamente tudo o que ocorria em sua vasta extensão
territorial. O chefe desse Estado era o Inca, um imperador com poderes sagrados hereditários, reverenciado
por todos.
Ao lado do inca havia uma rede de sacerdotes, escolhidos por ele entre a nobreza.
Para manter o Império íntegro, criou-se uma complexa burocracia administrativa e militar. Os cargos
administrativos eram distribuídos entre membros da nobreza e acabaram adquirindo hereditariedade. O
caráter guerreiro do Império privilegiava a formação e educação militar. Como os burocratas, essa camada
privilegiada era mantida graças aos tributos arrecadados pelo Estado.
Os camponeses, chamados de llactaruna, em troca do direito de trabalho nos ayllus, eram obrigados a
cultivar as terras do Inca e dos curacas e a pagar os impostos em mercadorias. Além disso, o estado os
obrigava a trabalhar nas obras públicas, como as pirâmides, caminhos, pontes, canais de irrigação e terraços.

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Havia também os artesãos especializados, considerados artistas (pintores, escultores, ceramistas,
tapeceiros, ourives, etc.), e os curandeiros e feiticeiros (cirurgiões, farmacêuticos, conhecedores de plantas
medicinais, etc.).
Os yanaconas, originários da sublevação da cidade de Yanacu, eram escravos. Às vezes algum povo
conquistado também se tornava escravo. Eles não trabalhavam na produção, e suas funções eram
eminentemente domésticas.

Economia Inca
A base da economia inca estava nos ayllu, espécie de comunidade agrária. Todas as terras do Império
pertenciam ao Inca, logo, ao Estado. Através da vasta rede de funcionários, essas terras eram doadas aos
camponeses para a sua sobrevivência. Os membros de cada ayllu deveriam, em troca, trabalhar nas terras do
Estado e dos funcionários, nas obras públicas e pagar impostos.
A base da produção agrícola era o milho, seguido pela batata, tomate, abóbora, amendoim, etc. Nas
áreas mais altas e com dificuldades de obtenção de água, o milho tinha de ser plantado nos terraços feitos nas
encostas das serras com canais de irrigação.
A domesticação de lhamas, vicunhas e alpacas foi importante para o fornecimento de lã, couro e
transporte. Os cachorros-do-mato e porcos tinham importância secundária.
O comércio era muito precário e restringia-se basicamente aos bens de luxo destinados à corte.

Religião dos Incas


Havia uma rede de sacerdotes, escolhidos entre a nobreza. Suas funções variavam desde a
manutenção dos templos, realização de sacrifícios, adivinhações, curas milagrosas, até feitiçarias e oráculos.
A grande maioria dos cultos e cerimônias religiosas dos incas era em homenagem ao Sol. Os sacerdotes
também tinham a função de ensinar e divulgar, junto com historiadores oficiais, os mitos, lendas e histórias
sobre o inca. É interessante notar que existia uma religião para a nobreza e outra divulgada entre a população
mais pobre.

Cultura Inca
Lembrando o que já foi dito, o Estado inca utilizou-se das inúmeras conquistas das civilizações
préincaicas para controlar e manter seu Império.
Eles faziam um uso abancado da matemática, conheciam inclusive o zero; conheciam muito bem a
astronomia, pois o Sol representava o deus mais importante, podendo prever eclipses e fazer calendários;
usavam pesos e medidas padronizados.
Os trabalhos dos incas na manufatura do ouro, da prata e do cobre maravilharam os espanhóis. Além
disso, produziam cerâmica, tecidos coloridos, esculturas e pinturas.

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Machu Pichu
Talvez as maiores produções incaicas estejam relacionadas com a arquitetura e a engenharia. Por
meio delas foi possível construir pirâmides, palácios, pontes e caminhos; cidades como Cuzco e Machu
Pichu, que reuniam milhares de pessoas e mantinham uma rica ordem urbanística. E os famosos terraços
irrigados nas serras e montanhas para a produção agrícola.

Conclusão
Concluímos então que quando Colombo chegou à América, em 1492, encontrou o continente
habitado há muito tempo por várias civilizações e povos. Os povos pré-colombianos apresentavam diferentes
estágios de desenvolvimento cultural e material, classificados em sociedades de coletor-caçadores e
sociedades agrárias. Dentro desse segundo grupo, três culturas merecem maior destaque: os maias, os astecas
e os incas. Alcançaram notáveis conhecimentos de astronomia e matemática, além de dominar técnicas
complexas de construção, metalurgia e cerâmica. Desenvolveram técnicas diferentes de agricultura.
Enquanto o fim da cultura maia é até hoje um mistério, sabemos que os povos astecas e incas decaíram
perante a conquista espanhola.

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Aula 21

História – 1º Ano Ensino Médio

Os Maias Origens
Antes que os maias se radicassem em algumas regiões da América Central, existiam aí povos
originários, como os otomies e otoncas. Vindos da América do Norte, após décadas vagando pela América
Central, os maias estabeleceram-se no Yucatán e áreas próximas, por volta de 900 a. C. A produção do milho
e a influência dos olmecas forram mito importante para o seu desenvolvimento.
A área ocupada pelos maias pode ser dividida em duas regiões. A das terras altas (área abrangida hoje
por El Salvador e Guatemala) estava voltada para o Pacífico e, apesar de possuir boas condições naturais,
não teve muita importância para a construção da civilização maia.
É comum dividir-se o processo de construção da civilização maia em uma primeira fase (317-987) e
uma segunda fase (987-1697). A primeira fase teria se iniciado em 317 d.C. Essa data, na realidade, tem
como referência o mais antigo objeto maia encontrado até hoje. Sabe-se que essa civilização já existia antes
de 317, mas não se dispõe ainda de informações precisas a respeito desse período.

A Sociedade Maia
A sociedade começou a desenvolver-se, com destaque para três cidades: Chichen-Itzá, Mayapan e
Uxmal. Em 1004 foi criado a Confederação Maia, que reuniu essas três grandes cidades. Dezenas de cidades
e povoados são criados ao longo dos duzentos anos seguintes, expandindo seu poder político na região. Após
o período de união (entre os séculos X e XI), as cidades da Confederação entram em confronto, sendo
Mayapan a vitoriosa. A hegemonia política dessa cidade foi sustentada por uma forte base guerreira.
Inúmeras revoltas explodem na região, e em 1441 Mayapan é incendiada; As grandes cidades são
abandonadas por causa das guerras.
As lutas internas, as catástrofes naturais (terremotos, epidemias, etc.), as guerras externas e
principalmente, o declínio da agricultura levaram a sociedade maia à decadência. Quando os europeus
chegaram à região (1559), os sinais de enfraquecimento dos maias eram evidentes, tornando a conquista
mais fácil. Em 1697, a última cidade maia (Tayasal) é conquistada e destruída pelos colonizadores.
Cada cidade tinha um chefe supremo (halach uinc), e o cargo era hereditário.
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Os camponeses e artesãos compunham a maioria da população (mazehualob) eram obrigados a pagar
os tributos, a trabalhar nas grandes obras e moravam nos bairros mais distantes dos centros. Os escravos,
geralmente por conquinsta, serviam a um senhor, mas não trabalhavam na produção.

A Religião dos Maia


A sociedade maia tinha um caráter fortemente religioso; a religião dava legitimidade ao poder, que
era exercido basicamente por algumas famílias.
O Ahaucan (senhor da serpente) é o supremo sacerdote. Ele indica os outros sacerdotes, rege as
cerimônias, recebe tributos e decide sobre as coisas do estado. Existiam também sacerdotes com funções
específicas, como os adivinhos, os encarregados dos sacrifícios humanos, os escribas, etc.

A Organização do Estado Maia


Os maias não chegaram a organizar um forte e poderoso Estado centralizado. Na realidade, as cidades
maias importantes controlavam as aldeias e terras próximas. Não havia nenhum poder ou instituição que as
unificasse. Elas tinham autonomia econômica e política, e geralmente eram governadas por famílias.
Houve períodos em que a unidade foi estabelecida entre algumas cidades, como durante a
Confederação Maia. N entanto, a regra era a independência e a luta entre cidades por novas terras, tributos,
matérias primas, etc.

A Economia Maia
A economia dos maias baseava-se na agricultura. A tecnologia empregada nas atividades agrícolas era
bastante primitiva. Contudo, eles conseguiam uma extraordinária produtividade, principalmente do milho. É
justamente em virtude dessa produção do milho, gerando excedentes, que um grande contingente de mão-de-
obra podia ser liberado das atividades agrícolas para a construção de templos, pirâmides, reservatórios de
água, etc.
As terras pouco férteis da região obrigavam os maias a realizar um rodízio, que geralmente mantinha
a terra boa durante oito a dez anos. Após esse período era necessário procurar novas terras, cada vez mais
distantes das aldeias e cidades. O esgotamento das terras, as distâncias cada vez maiores entre elas e as
cidades e o aumento da população levaram à civilização maia uma dura realidade. A fome, um dos fatores
que a levaram à decadência.

A Cultura Maia
Os conhecimentos de astronomia dos mais eram realmente avançados, e seus observatórios,
bemequipados. Eles podiam prever eclipses e elaboraram um calendário de 365 dias. Para o
desenvolvimento da astronomia, a matemática era um elemento fundamental, daí terem acumulado
conhecimento nessa área.
A atividade médica e a farmacêutica também eram bastante desenvolvidas, o que foi reconhecido até
pelos colonizadores. As peças teatrais, os poemas, as crônicas, as canções, tinham uma função
literárioreligiosa bem evidente.
Mas a arquitetura e a engenharia representam as áreas do conhecimento mais desenvolvidas pelos
maias. Seus grandes centros religiosos, as pirâmides, as cidades com edifícios de vários andares, os canais de
irrigação e os reservatórios de água maravilham os conquistadores europeus.

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Aula 22

História – 1º Ano Ensino Médio

AMÉRICA INGLESA

A Inglaterra só entrou efetivamente no processo colonial no reinado de Elizabeth I (1558-1603)


quando a construção naval, o comércio marítimo e a atividade corsária ganharam estímulos. Houve, então,
um choque entre Inglaterra e Espanha – potencia da época – que culminou com a derrota da incrível armada
espanhola, em 1588. Nesse período tentou-se, colonizar a América no Norte organizando-se três expedições
sob o comando de Walter Raleigh, em 1584, 1585 e 1587, que, entretanto, não alcançaram o sucesso
esperado.
No século XVII, a atividade colonial inglesa edificou-se com a derrocada da Espanha e a criação de
companhias de comércio, numa aliança entre o Estado e a emergente classe burguesa para exploração e
ocupação das Antilhas e da América do Norte. O empreendimento contou também, com o excedente
populacional proveniente dos cercamentos na Inglaterra. A existência desse excedente, que não encontrava
colocação na cadeia de produção das cidades, ai ao encontro da necessidade de pessoas para colonizar o
novo Mundo, representando, consequentemente, uma solução para os problemas urbanos da metrópole.
Outro aspecto que ativou a colonização forma os conflitos políticos-religiosos dos séculos XVI e
XVII, que estimularam a emigração de puritanos e quakers, em direção a América do Norte. Durante os
séculos XVII e XVIII, estruturaram-se treze colônias na América do Norte: ao norte desenvolveu-se uma
economia autônoma, mercantil e manufatureira, não dependente da metrópole, e, ao sul, uma economia
agrícola, que produzia exclusivamente para o mercado externo. “Quakers era um grupo religioso, de tradição

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protestante, surgido na Inglaterra no século XVII, fundado por George Fox. Os Quakers [...] constituem
agrupamentos radicais formados por homens e mulheres procedentes dos meios humildes da população
inglesa. Os Quakers apresentavam-se como contrários ao calvinismo e a qualquer autoridade eclesiástica,
intitulando-se ‘amigos da verdade’ [...]”.
A ocupação inglesa na América do Norte iniciou-se na costa leste, onde atualmente estão o estado da
Carolina do Norte e a ilha de Roanoke. Essa região recebeu o nome de Virginia em homenagem a Rainha
Elizabeth I, que era solteira, mas foi somente a partir de 1607 e que se efetivou definitivamente a
colonização, pois anteriormente, as incessantes lutas com os indígenas não deram suporte necessários para
uma colonização efetiva.
A Virginia foi a primeira colônia inglesa fundada na América, transformou-se num grande centro de
produção de tabaco, produto altamente consumido na Europa. O sucesso econômico do empreendimento
levou as companhias comerciais a fundarem outras colônias para produção de itens tropicais de grande
aceitação no mercado europeu: índigo (anil), arroz, algodão. Todos esses produtos eram obtidos por meio do
sistema de plantation, caracterizado pela monocultura praticada em grandes propriedades e com a utilização
de mão de obra escrava, e eram destinados ao mercado externo. Esse sistema foi a marca das colônias do sul,
denominadas, por isso, colônias de exploração.

Parte setentrional dos Estados Unidos, de clima e condições naturais semelhantes aos da Europa,
ficou conhecida como nova Inglaterra. Nessa região, a colonização desdobrou-se de forma diversa:
predominaram os colonizadores provenientes da perseguição político-religiosa, como os puritanos, cujo
primeiro grupo desembarcou, do navio Mayflower, em 1620, na costa de Massachusetts, fundando a cidade
de Plymouth.
Logo novas levas de colonos ativaram a colonização da região, transformando a parte setentrional em
uma colônia de povoamento, diferente em sua estrutura das colônias do sul. A ocupação baseou-se na
pequena e média propriedade agrícola, em que o trabalhador era não raramente o próprio colono.
Diversificou-se, assim, a produção, implementando-se também manufaturas e comércio, necessário para o
escoamento da produção e a obtenção de itens externos, a construção naval ganhou grande impulso e as
relações comerciais chegaram às Antilhas, à África e até na Europa.
A evolução econômica da Nova Inglaterra resultou, assim, numa capitalização progressiva, ao
contrário do que aconteceu no sul, onde houve uma extroversão econômica, com a produção visando
somente ao mercado externo e vivendo em função dele. No século XVIII, quando a Inglaterra emergiu como
grande potência mundial e a monarquia parlamentar inglesa estabilizou o país, redefiniu-se a política
colonial, ampliando-se as restrições econômicas e a tributação aos colonos americanos. Sob a justificativa de
dificuldades do Tesouro público inglês, especialmente após a Guerra dos sete anos (1756-1763), criaram-se
inúmeros impostos coloniais, o que levou os colonos a se unirem para conquistar a independência, em 1776.

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A Colonização e administração da colônia Inglesa

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Aula 23

História – 1º Ano Ensino Médio

A Colonização de Outros Países na América

A participação da França no processo de colonização iniciou-se concretamente no século VXII, com o


patrocínio do governo absolutista dos Bourbons, sob a orientação mercantilista dos ministros Richelieu e
Colbert. Uma das primeiras regiões ocupadas pelos franceses foi o norte da América – atual Canadá –, onde
a colonização alicerçou-se no extrativismo (madeiras e peles) e no comércio com os indígenas. Também
tomaram uma grande faixa interior, que ia dos grandes lagos ao México, área que denominaram Louisiana,
em homenagem a seu monarca Luís XIV, e algumas ilhas das Antilhas.
No século XVIII, as desastrosas guerras em que a França se envolveu na Europa, levaram-na a perder
boa parte de suas colônias. Com a Revolução Francesa (1789) a as guerras napoleônicas, no início do século
XIX, esse processo se aceleraria. O Canadá, por exemplo, foi perdido para a Inglaterra ao final da Guerra
dos Sete Anos e a Louisiana, entregue aos Estados Unidos, já independente, por Napoleão Bonaparte, em
1803.
A atual dos Países baixos, ou Holanda, como metrópole colonial começou em meio à luta pela
independência contra a Espanha, iniciada no final do século XVI. Em 1648, com o Tratado de Vestfália, os
Países Baixos – já poderosos comercialmente – constituíram uma república autônoma. Durante esse projeto
foi criada a Companhia das Índias Orientais (1602), destina a explorar o comércio com a África e a Ásia e,

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pouco depois, a Companhia das Índias Ocidentais (1621), dirigida para o comércio e ocupação de regiões
americanas.
As invasões ao Nordeste brasileiro (1624-1625 e 1630-1654) fizeram parte da estratégia dessa
companhia. Quanto a Portugal, integrou o Brasil ao capitalismo europeu, com base na exploração agrícola
nos séculos XVI e XVII com a cana-de-açúcar e na mineração.

A Europa Como Centro do Mundo


Com as conquistas coloniais, o continente europeu passou a ocupar um lugar cada vez mais central no
cenário mundial. Com a expansão do poder e da influência europeia, firmou-se uma característica importante
da modernidade: de periferia do mundo muçulmano que fora da Idade Média, o mundo europeu passou a ser
um “construtor de periferias”, tomando a América Latina como sua primeira grande experiência de
dominação sobre povos e terras desconhecidos até então.
E isso não se restringiu à economia ou à política, abarcando também o campo das ideias, e de valores,
firmando concepções de “progresso”, “desenvolvimento” e “civilização” a serviço da contínua capitalização
burguesa. A superação daquilo que chamamos de Antigo Regime, seria a confirmação da ideia de progresso
sob o comando dos europeus. A América foi cobiça por várias nações europeias, que estabeleceram em seus
domínios em pontos diversos do continente, gerando guerras, conflitos de fronteiras, acordos e negociações.

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