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Laboratório de MAPEAMENTO DE CAMPOS

Física Geral III Pontifícia Universidade


Profª: Kelly Faêda ELÉTRICOS Católica de Minas Gerais

1 – Introdução

Uma carga elétrica ou uma distribuição de cargas elétricas gera no espaço da sua
vizinhança um campo elétrico 𝐸⃗ , definido como
𝐹
𝐸⃗ = (1)
𝑞
em que 𝐹 é a força elétrica que atua sobre uma carga q puntiforme e positiva, hipotética ou não,
presente em um certo ponto da vizinhança. Esta carga q é denominada carga de prova ou de teste
e não é a carga geradora do campo elétrico definido pela equação (1). A direção e o sentido do
campo elétrico em um determinado ponto do espaço são iguais ao da força elétrica que atua sobre
a carga de prova positiva.
A definição, dada pela equação (1), é local, ou seja, vale para um ponto. Uma imagem global
do campo elétrico gerado no espaço da vizinhança de uma carga ou de uma coleção de cargas é
obtida do esboço das linhas de campo elétrico. A Figura 1 mostra como exemplo o esboço das
linhas de campo de algumas situações. O vetor campo elétrico em um certo ponto é tangente à
linha de campo com mesmo sentido da linha de campo.
A abordagem complementar para estudar os fenômenos elétricos utiliza os conceitos de
trabalho e energia. Quando uma carga de prova q se desloca de um ponto A até um ponto B sob a
ação de uma força elétrica, podemos dizer que o campo elétrico presente na região realiza um
trabalho W dado por:
𝐵
𝑊 = ∫ 𝐹 . 𝑑𝑟
𝐴

ou
𝐵
𝑊 = 𝑞 ∫ 𝐸⃗ . 𝑑𝑟 (2)
𝐴

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Figura 1: Linhas de campo elétrico (a) de uma carga puntiforme positiva isolada, (b) de uma carga puntiforme
negativa isolada, (c) de um dipolo elétrico e (d) entre duas placas carregadas uniformemente com cargas de
sinais opostos.

Em eletricidade, a grandeza diferença de potencial (ou tensão) entre dois pontos A e B, 𝑉𝐴𝐵 ,
é o trabalho realizado por unidade de carga que se desloca entre os pontos A e B, sob a ação do
campo elétrico, ou seja,
𝑊
𝑉𝐴𝐵 =
𝑞
ou
𝐵
𝑉𝐴𝐵 = ∫ 𝐸⃗ . 𝑑𝑟 (3).
𝐴

Entende-se VAB como sendo o potencial no ponto A menos o potencial no ponto B, isto é, V A – VB.
Portanto, conclui-se que VA=VB quando o produto escalar 𝐸⃗ . 𝑑𝑟 é igual a zero. Esta situação ocorre
quando a carga de prova se desloca entre pontos A e B de uma região com campo elétrico nulo ou
com campo elétrico perpendicular ao deslocamento. Pontos vizinhos que possuem o mesmo
potencial elétrico formam uma superfície equipotencial, que pode ser uma superfície imaginária ou
real. O campo elétrico não realiza nenhum trabalho sobre uma partícula carregada quando a
partícula se desloca de um ponto para outro de uma superfície equipotencial.
Como exercício, discuta com o professor como são as superfícies equipotenciais das
situações apresentadas na Figura 1.

2 – Parte Experimental

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Objetivos: (i) Utilizar um voltímetro para mapear as linhas equipotenciais existentes numa região
condutora entre dois eletrodos carregados com cargas de sinais opostos; (ii) obter as linhas de
campo elétrico (a direção e o sentido do campo elétrico) a partir das linhas equipotenciais e (iii)
através da análise do gráfico V x L determinar o módulo do campo elétrico ao longo de uma linha
de campo elétrico.

Material Utilizado: uma cuba de vidro, uma fonte de tensão contínua, dois eletrodos planos, um
voltímetro, uma ponta de prova e uma folha de papel milimetrado ou quadriculado.

Procedimentos:

Figura 2: Ilustração esquemática da montagem para medir as superfícies equipotenciais de uma região dentro
da cuba de vidro utilizando um voltímetro.

 Coloque os eletrodos planos dentro da cuba de vidro e monte um circuito conforme Figura 2.
Peça ajuda ao professor, pois, ele lhe auxiliará no manuseio do voltímetro. Coloque a cuba
sobre uma folha de papel milimetrado ou quadriculado.
 Ligue a fonte com uma tensão de 6,0 V. Coloque a ponta de prova em algum ponto entre os
dois eletrodos. Você irá observar que o voltímetro sempre indicará zero embora exista um
campo elétrico na região, uma vez que a fonte carregou eletricamente os eletrodos planos.
isso ocorre porque o voltímetro só pode ser usado para indicar a presença do campo elétrico
em regiões condutoras ou levemente condutoras. Para executar o experimento, coloque
água de torneira dentro da cuba. A água de torneira é um líquido condutor e o voltímetro
mostrará uma medida de tensão em relação ao polo negativo da fonte.
 Verifique as direções (retas do papel quadriculado) para as quais não há variação, ou a
variação é pequena, da tensão mostrada no voltímetro. As direções de tensão constante são
as linhas equipotenciais do campo elétrico gerado pelos eletrodos planos na região
condutora.

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 Faça um esboço dos eletrodos planos carregados eletricamente, das linhas
equipotenciais e das linhas de campo elétrico. Lembre-se que o campo elétrico é sempre
perpendicular a uma equipotencial e o sentido é contrário ao do aumento da tensão.
 Para obter o módulo do campo elétrico meça a tensão ao longo de uma linha de campo
elétrico em pontos a uma distância L do eletrodo negativo. Anote os valores na Tabela 1.

(𝐿 ± 0,001) m

𝑉 (V) ± 3%

Tabela 1: Tensão em pontos de uma linha de campo elétrico entre dois eletrodos planos carregados
com cargas opostas. L é a distância do ponto ao eletrodo negativo.

 Faça o gráfico 𝑉 x 𝐿 com auxílio do programa Scidavis. Faça uma regressão linear e
determine o módulo do campo elétrico a partir do coeficiente angular.