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Acácia da Felicidade Sebastião Zevo


Dulce Maria Leonardo Cuavo
Feliciana Magomane Langa
Inácio Manuel Nhatsave
Naira da Páscoa
Olinda Manuel Machai

Resenha Histórica da Organização Administrativa de Moçambique (1975) -1990)

Licenciatura em História Politica e Gestão Pública

Universidade Pedagógica

Xai-Xai

2014
1

Acácia da Felicidade Sebastião Zevo

Dulce Maria Leonardo Cuavo

Feliciana Magomane Langa

Inácio Manuel Nhatsave

Naira da Páscoa

Olinda Manuel Machai

Licenciatura em História Politica e Gestão Publica

Trabalho de Investigação sobre a Organização


Administrativa de Moçambique Para Efeitos de
Apresentação e Avaliação na Cadeira de Direito
Administrativo.

Sobre Orientação do dr. Anastácio Marcos


Machava

Universidade Pedagógica

Xai-Xai

2014
2

Índice

I. Introdução...................................................................................................................3

II. Organização Administrativa de Moçambique (1975-1990).........................................4

2.1. Divisão territorial de Moçambique.........................................................................4

2.2. Sistemas de Organização Administrativa.............................................................5

2.3. Princípio da dupla subordinação das direcções provinciais.................................9

2.4. Estrutura político-administrativa da 1ª República de Moçambique......................9

III. Conclusão.................................................................................................................10

IV. Referências bibliográficas.........................................................................................11


3

I. Introdução

O presente trabalho tem o Tema organização Administrativa de Moçambique de 1975 à


1990. O trabalho visa apresentar uma abordagem sobre a resenha histórica do direito
administrativo moçambicano de modo a aperceber a forma estrutural técnico-
administrativo no momento em que se verificou a auto-determinação, objectivo principal
da Luta de Libertação Nacional,

Conforme é sabido, este período encontra-se delimitado por dois elementos


fundamentais da legislação moçambicana (CRPM e CRM), documentos estes que
vieram influenciar na estrutura administrativa do território moçambicano. Enquanto a
primeira constituição dispunha de elementos delimitadores da nova pátria, sob
ideologias marxistas-leninistas, a segunda veio fazer extinguir esta politica
administrativa, introduzindo princípios liberais com princípios internacionais e de
descentralização.

O trabalho é fruto de uma intensa investigação científica, onde um grupo de estudantes


envidou esforços com vista a organização de várias informações em diversos manuais
e livros que debruçam-se sobre o tema, os mesmos que fazem bibliografia do trabalho.

A materialização do trabalho vai consubstanciar-se na caracterização de vários


aspectos que marcaram o período pós-independência até a segunda constituição de
Moçambique, evidenciando o seu objective geral na apresentação da organização
administrativa do território moçambicano.
4

II. Organização Administrativa de Moçambique (1975-1990)

Segundo Caupers (2001:88) organização administrativa ou pública seria a estruturação


de representantes de uma comunidade com vista a satisfação de necessidades
colectivas, baseando-se efectivamente em 04 elementos:

 Um grupo humano;
 Um modo particular de relacionamento com vários elementos entre se dentro de
uma organização e o meio social em que se encere;

 O papel determinante dos representantes da colectividade no modo estrutural da


organização; e

 Uma finalidade que visa prossecução do interesse publico e a sua consequente


satisfação.

Segundo Amaral (2006) refere que organização administrativa é a estruturação


concreta de um país ou território em uma determinada época. A estruturação pode ser
em dois sentidos, o material e orgânico, com a função de alocar, arranjar, reunir, dividir
o trabalho, especializar os agentes intervenientes para que as actividades sejam
executadas da melhor maneira possível.

II.1. Divisão territorial de Moçambique

Segundo Sengulane (2013:70) o território moçambicano ficou dividido em 10 províncias,


21cidades e 128 distritos. Que esta divisão englobava a 3 classes consoante o seu
nível de desenvolvimento económico e social e importância política 1.

1
Segundo a lei nº6/86 de 25 de Junho
5

Tabela da divisão Administrativa de Moçambique

CAPITAL
NOME DA PROVÍNCIA
Anterior Actual

Maputo Lourenço Marques Maputo

Gaza João Belo Xai-Xai

Inhambane Inhambane Inhambane

Sofala Beira Beira

Manica Vila Pery Chimoio

Zambézia Quelimane Quelimane

Nampula Nampula Nampula

Tete Tete Tete

Niassa Vila Cabral Lichinga

Cabo Delgado Porto Amélia Pemba


Fonte: adaptado

Para além desta divisão o território nacional foi dividido em: localidades, aldeias,
círculos, bairros e células.

Com a revisão da constituição em 1990, foi mantida a divisão territorial anterior, mas
introduzidos os postos administrativos. Assim o território nacional face à CRM 2
encontra-se organizada em: províncias, distritos, postos administrativos e localidades.

II.2. Sistemas de Organização Administrativa

Segundo Amaral (2006:30) sistema administrativo entende-se como um modo jurídico


típico de organização, funcionamento e controlo da Administração Pública.

2
Segundo o nº1 do artigo 4 da CRM
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Os sistemas de organização administrativa podem ser classificados de várias formas,


consoante a óptica de vários autores.

Para Amaral, considera três tipos de sistemas administrativos: o sistema tradicional; o


sistema tipo britânico (ou de administração judiciária) e o sistema tipo francês (ou de
administração executiva).

Neste âmbito, em caso específico moçambicano a estrutura administrativa foi


caracterizada pelo sistema tradicional.

Sistema administrativo tradicional é um sistema assentava nas seguintes


características:

 Indiferenciação das funções administrativo e jurisdicional resultado da inexistência


de uma separação rigorosa entre os órgãos do poder executivo e do poder judicial; e
 Não subordinação da Administração Pública ao princípio da legalidade e
consequentemente, insuficiência do sistema de garantias jurídicas dos particulares
face à administração.

Para alguns autores consideram sistemas de organização administrativa quatro tipos,


designadamente: centralismo ou centralização administração, descentralização,
concentração e desconcentração administrativa.

Na óptica de Vasco Pedro Nhakada (2008:60), considera que durante o período em


estudo (1975-1990) a organização administrativa moçambicana conheceu três fases
relevantes, designadamente: revolucionária, centralismo e liberalismo.

Para Stoner e Freeman apud Silva et all (2009:37) “Centralização é o grau em que a
autoridade é concentrada no topo da organização”. Isto é, convergir de preferia para o
centro, deferindo ao poder central a resolução de negócios importantes da AP, onde não
existe portanto nesse Estado uma pessoa individual ou colectiva incumbida pela lei a
exercer funções administrativas a não que seja o Estado.
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A centralização administrativa em Moçambique foi uma fase a qual teve uma


antecedência do período revolucionário da FRELIMO enquanto movimento, este que
ocorreu logo depois da Independência Nacional em 1975, onde implantou-se uma total
abolição das instituições do Estado colonial e transformação da divisão administrativa
do país em três níveis de organização moçambicana, designadamente: nacional,
provincial e local3

Citando Cistac, Nhakada refere que a organização administrativa nacional promovia a


centralização da tomada de decisões pelo governo central, cabendo nos órgãos
provinciais e distritais apenas a tarefa implementadora das decisões a nível local.

Para o mesmo autor, citando Egerõ, refere que a administração moçambicana apesar
de esforços para ruptura com a estrutura colonial mantivera algumas práticas
administrativas, identificando a burocracia assente sob bases autoritárias e repressivas,
agravado pela aplicação de soluções uniformes e padronizadas a um país imenso e
heterogéneo, através da institucionalização d um conjunto de regras de funcionamento
do sistema administrativo que culminou com reclamações e sabotagens.

Segundo Max Weber apud MANSOLDO (2009:17) burocracia é o aparato técnico-


administrativo, formado por profissionais especializados, seleccionados segundo
critérios racionais e que se encarregavam de diversas tarefas importantes dentro do
sistema.

A administração pública burocrática é uma administração que se torna apegada ao


controle da forma de proceder o exercício de actos administrativos estabelecidos por
normas e regulamentos baseando em legislação própria que define com antecedência
como a organização deve funcionar sem se preocupar em questionar o exercício
dessas actividades MANSOLDO (2009:16).

Segundo Vala (2008) “Moçambique herdou do regime colonial um estado centralizado


forte e fraco. Forte porque se sobrepunha a todas as formas de organização das

3
Ver Vasco Pedro Nhakada no seu trabalho intitulado Lógica Administrativo do estado Moçambicano
(1975-2006)
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comunidades e fraco porque não tinha capacidade de se implantar em todo território


nacional, não se fazendo sentir na vida prática das comunidades.

Para Nakada, o centralismo e autoritarismo administrativo foi influenciado por 2


factores:

 A necessidade de implantar estruturas de um estado independente influenciado


pelo novo quadro político e ideológico na altura vigente; e
 Promover um rápido desenvolvimento do país.

A última fase foi a de reconstrução do Estado sob signos do liberalismo, período que
iniciou no ano de 1986 com a morte do 1º Presidente moçambicano Samora Moisés
Machel, período que foi caracterizado pela transição dos sistemas socialista ao
liberalismo e reformas económicas, políticas e sociais.

Neste âmbito, na arena administrativa conheceu-se a fase de profundas transformações


dos princípios administrativos com vista a adequa-los às exigências da conjuntura
internacional.

O processo da liberalização, o Estado deixou de ser o único provedor directo de bens e


serviços, abrindo assim o espapaço para outros actores puder desempenhar funções
que eram da exclusividade do Estado, onde a planificação central da economia pelo
Estado foi substituída pela economia do mercado assente nas iniciativas privadas,
criando-se deste modo novas formas regulamentares por meio de disposições legais e
revogando ou desregulando outras. Neste contexto modelo centralizado foi
gradualmente substituído pelo modelo descentralizado, que consequentemente
repercutiu na tripartição de poderes do Estado (executivo, legislativo e judiciário),
Nhakada (2008:84)

Segundo Silva et all. (2008:39), refere que a descentralização é afastar do centro,


distribuir segundo a lei competências a certas pessoas individuais ou colectivas para o
exercício de funções públicas. Na arena administrativa diz-se que há descentralização
9

quando os órgãos de governo local detêm uma autonomia financeira, administrativa e


patrimonial.

II.3. Princípio da dupla subordinação das direcções provinciais

Para o professor Gilles Cistac (2008) na organização administrativa de Moçambique


verifica-se um princípio de dupla subordinação das direcções provinciais em relação
aos governos provinciais e aos ministérios respectivos, representando um forte
obstáculo para a materialização de uma governação local coordenada e unida,
resultando em vários conflitos no quadro da aplicação administrativo, comparando com
um facto caricato de uma mulher com dois maridos. Para ele este sistema perturbou o
desenvolvimento do espírito de iniciativa nos níveis inferiores de governação, pois tinha
o poder de decisão, mas faltava-lhes os recursos técnicos e financeiros, levando a
fragilização e deficiente gestão de instituições locais que repercutiu na qualidade de
serviços prestados à população.

II.4. Estrutura político-administrativa da 1ª República de Moçambique

Segundo Sengulane (2013:74) os órgãos do Estado no período de 1975 à 1990


estavam divididos em dois tipos: centrais e locais.

a) Órgãos centrais

Estavam localizados na capital e visavam tratar assuntos de nível nacional e constituído


por Assembleia Popular, Presidente da Republica Popular de Moçambique, conselho de
ministros, Tribunal supremo e Ministério Público.

b) Órgãos locais

Estes poderes do estado funcionavam nas províncias, distritos e localidades, baseando-


se nos princípios orientadores do nível central para administrar as áreas regionais e era
constituído por seguintes órgãos: Assembleias Povo, Governo Provincial, Conselhos
Executivos de Cidades, Distritos e Localidades, Governo dos Distritos e Governo das
Localidades.
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III. Conclusão

Do exposto, transparece-se a ideia de que a organização administrativa de um território


é tão importante, pois possibilita a aproximação de serviços administrativos aos
cidadãos quer onde eles estejam.

Assim após independência a política revolucionária esforçou-se em destruir toda


máquina administrativa colonial, e através da sua própria constituição dividir o seu
território em três níveis, nomeadamente: províncias, distritos e localidades, acto que
com a CRM em 1990 veio introduzir a estes os postos administrativos, herdando uma
nação marcada pelo centralismo administrativos concorrendo com leis repressivas.

Os sistemas administrativos de Moçambique tiveram três fases, sendo a revolucionária,


a que corresponde a fase do desenho territorial do país, fase de centralismo
administrativo, onde sob ideologias marxistas, todos poderes estavam concentrados e
centralizados, mas a partir do ano 1886 foram introduzidos alguns princípios reformistas
que culminaram com a liberalização e descentralização de funções administrativas.
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IV. Referências bibliográficas

 AMARAL, Diogo Freitas do. Curso de direito Administrativo. Vol I, Edições:


Almeida, Lisboa, 2006;

 CISTAC, Gilles. O processo de descentralização em Moçambique. Maputo 2006;

 COUPERS, João. Introdução ao direito administrativo. Editora Âncora, Brasília


2001;

 MANSOLDO, Mary Cristina Neves. Evolução histórica dos modelos


administrativos da administração pública: o princípio da eficiência no
atendimento público. Belo Horizonte, 2009;

 NHAKADA, Vasco Pedro. Lógica Administrativa do estado Moçambicano (1975-


1990), Brasília, 2008;

 SENGULANE, Hipólito. História das Instituições de Poder Político em


Moçambique. Vol. 1, 1ª Edição, DINAME, Maputo, 2013.

 SILVA, Camila Colombi da, et all. Gestão do administrador na visão dos


funcionários da Empresa Refritec Refrigeração do município de São Gabriel da
Palha-ES, Nova Venécia, 2009;

 VALA, S. Descentralização e desenvolvimento sustentável no Moçambique rural.


Maputo, 2008;
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