Universidade Católica de Moçambique
Instituto de Educação á Distância
Sistema de Governo de Moçambique
Olga Emílio Pedro Samo
Curso: Administração Pública
Disciplina: Teoria Geral de Estado Relações Internacionais
2ºAno
Quelimane, Maio de 2020
Índice
Introdução ................................................................................................................................... 3
Objectivo ..................................................................................................................................... 3
Metodologia ................................................................................................................................ 3
Sistema do Governo Moçambicano ............................................................................................ 4
Organização do poder político em Moçambique ........................................................................ 6
Órgãos de soberania .................................................................................................................... 7
O Governo ................................................................................................................................... 8
Sistema eleitoral de Moçambique ............................................................................................... 8
Conclusão.................................................................................................................................. 10
Bibliografia ............................................................................................................................... 11
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Introdução
Neste presente trabalho que tem como tema Sistema de Governo Moçambicano, abordarei os
conceitos básicos e fundamentais do tema em alusão, espelhando-me no sistema de
Moçambique, suas características, como são implementados os sistemas de governação, regras e
suas vantagens e desvantagens.
Objectivo
O objectivo deste trabalho é de trazer conhecimentos teóricos e práticos relativos ao tema
em causa.
Metodologia
Metodologias: Para que fosse possível a realização do presente trabalho, o grupo teve
como metodologia de trabalho a consulta bibliográfica.
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Sistema do Governo Moçambicano
Na doutrina entre os sistemas de governo destacam-se em primeira linha dois: Os sistemas de
governo ditatoriais (monocráticos e autocráticos) e democráticos (directos, semidirectos e
representativos). Nos representativos notam-se os de concentração e de separação de poderes
Nos sistemas de governos democráticos de divisão de poderes temos os chamados sistemas
parlamentares, presidencialistas e semi-presidencialistas.
Assim que não restam dúvidas que o nosso sistema de governo é democrático representativo de
divisão de poderes.
O que nos interessa é saber se é democrático representativo de divisão de poderes parlamentar,
presidencialista ou semi-presidencilista.
Sobre isso muitos autores já se debruçaram tanto cá entre nós como fora.
Assim que alguns autores moçambicanos como Nhamissitane, Carrilho, Rui Baltasar, Gilles
Cistac afirmam que o nosso sistema é presidencial com rasgos presidencialistas.
Opostamente, Jorge Miranda define o nosso sistema como presidencialismo democrático
reforçado ou “ presidencial sui generis”.
Ainda Vitalino Canas chama-o simplesmente presidencialista. Alfredo Chambule chama-o de
misto pelo facto de comungar algumas características presidencialistas e semi-presidencilistas.
É certo que categoricamente não se pode afirmar que o sistema de governo moçambicano é
Presidencialista pelo facto de que:
1. Nos sistemas presidencialistas (como nos EUA) o presidente não responde politicamente
perante a Assembleia da República nem esta perante o Presidente da República. O
responder politicamente aqui está no sentido de um órgão poder ou não dissolver ou
provocar a queda do outro.
2. Mas bem analisada a nossa Constituição nos artigos 159 e 188, vemos que o PR pode
dissolver a AR. Isto nos leva a concluir que o nosso sistema de governo não é
presidencialista. Mas também não podemos olvidar que nos sistemas presidencialistas
sobre o PR gravitam enormes poderes o que é incontestável que acontece o mesmo com o
nosso. Só que isto é insuficiente para concluirmos.
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Do mesmo modo que não podemos também afirmar de viva voz que o nosso sistema de
governo é Parlamentar, por simples razões:
Nestes sistemas (o caso inglês, sistema parlamentarista de gabinete)) a figura do chefe de Estado
são quase apagados. Os seus poderes são limitados o que é diferente dos presidencialistas e
semipresidencialistas.
O governo sai do parlamento, a sua estabilidade depende da confiança política que o parlamento
nele deposita, podendo assim o parlamento provocar a sua queda na falta desta confiança.
Ainda assim, não podemos ainda afirmar que é semipresidencialista (no caso típico, o português)
porque:
O governo da República de Moçambique é nomeado pelo chefe do Estado que se torna então,
chefe do governo. Isto não acontece nos sistemas semipresidencialistas. Quer dizer que o
governo é eleito ou seja é resultado dos resultados obtidos em eleições legislativas.
No chefe do Estado continuam a gravitar poderes mas em dimensão reduzida que nos
presidencialistas. Deste modo, afirmamos que é boa e relaxante a doutrina que afirma que o
sistema de governo moçambicano é misto. Mas têm um sério inconveniente de poder atrofiar os
pensamentos de quem possa ser mais criativo. Além disso, segundo a clássica divisão doutrinária
dos sistemas de governo democráticos representativos de divisão de poderes seria uma inovação.
Talvez uma classificação sem enquadramento. Não querendo ser conservadores nem demais
progressistas diremos que esta classificação em nada diz o que é o nosso sistema de governo.
De outra sorte dizer que ë simplesmente presidencialista seria limitar demais o âmbito de que o
nosso sistema de governo pode caber. Ele é mais do isso.
Assim concordamos com os ilustres autores Nhamissitane, Carrilho, Rui Baltasar, Gilles Cistac
na sua classificação de um sistema de governo presidencial com rasgos presidencialistas. Isto
porque:
1. Aceitamos que ele é presidencial, não só. Isto não basta,
2. Também confirmamos que tem também inclinações ao presidencialismo. Quer isto dizer que
no chefe do Estado gravitam poderes enormes e em princípio não existe uma dependência entre
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este e o parlamento, mas por excepção, este pode dissolver o parlamento se o programa do
governo for rejeitado.
Moçambique caracteriza-se no sistema de governo presidencialista, o sistema em que o Chefe de
estado é um órgão decisivo, que exerce poderes importantes, e em que o execute não responde
politicamente perante o Parlamento, pelo menos no que respeita á possibilidade de o parlamento
demitir o Governo.
A democracia é o governo do povo. Implica, que a legitimação do poder político, em palavras
mais simples: o governo, deve sair do próprio povo. O número dos habitantes em Moçambique
não permite que todos possam estar presentes numa reunião. Por isso, os cidadãos elegem
representantes com a tarefa de exprimir a vontade do povo e, deste modo, governar o país. A
Constituição da República prevê que a população elege deputados para a Assembleia da
República, que são representantes do povo. Para a escolha dos representantes, arts. 73º e 135º da
Constituição da República exige eleições transparentes, livres e justas, onde todos os cidadãos
maiores de 18 anos têm o direito de participar (arts. 147 n.º 1 e 170º n.º 1 da Constituição da
República de Moçambique).
Eleições e sistemas eleitorais
A eleição dos deputados para a Assembleia da República, que exercem o poder político em
representação dos cidadãos, caracteriza a democracia em Moçambique como democracia directa.
Além disso, na Constituição da República consta um elemento da democracia directa, que é o
referendo (arts. 73º e 136º da Constituição da República de Moçambique). O referendo é uma
consulta feita aos cidadãos eleitores sobre uma questão de relevante interesse nacional.
Organização do poder político em Moçambique
O Estado existe para facilitar a vida dos cidadãos que vivem dentro dele. Para executar a vontade
do povo dentro da democracia em Moçambique, o Estado precisa de órgãos, que trabalham para
ele e implementam aquilo que o povo através dos seus representantes decidiu. Assim como o
nosso corpo humano tem órgãos para lhe servir, o Estado tem órgãos para interagir com
terceiros, para actuar para fora. Portanto, são os órgãos, que vão aos encontros e reuniões,
escrevem e respondem cartas etc. Mas sempre em coordenação com o "corpo", neste caso o povo
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moçambicano, porque os órgãos só têm a sua legitimidade da sua existência para facilitar as
actividades do Estado, que têm como elemento mais importante o povo. Assim, os órgãos não
podem ultrapassar os limites da autorização deles.
Ao mesmo tempo, o povo deve admitir a responsabilidade de dar directivos e controlar os
órgãos, porque isto não é só direito, mas também dever. Se acontecer uma situação ilegal, a
pessoa responsável deve responder no tribunal. O poder político em Moçambique está sendo
organizado em órgãos de soberania e órgãos locais do Estado (arts. 133º e 262º da Constituição
da República). Os órgãos da soberania respondem ao nível central, os órgãos locais ao nível
local.
Órgãos de soberania
São órgãos da soberania o Presidente da República, a Assembleia da República, o Governo, os
Tribunais e o Conselho Constitucional (art. 133º da Constituição da República de Moçambique).
Presidente da República
O Presidente da República é o chefe do Estado de Moçambique. Ele representa Moçambique
internamente e no estrangeiro. Ele tem a tarefa de controlar o funcionamento correcto dos órgãos
do Estado (art. 146º da Constituição da República de Moçambique). O Presidente da República
deve zelar que as garantias da constituição serão cumpridas.
O Presidente da República é eleito pelo povo. A eleição deve ser directo, igual, secreto, pessoal e
periódico. Eleições têm lugar de cinco em cinco anos. O Presidente da República só pode ser
eleito de novo uma vez (art. 147º da Constituição da República de Moçambique). Para as demais
competências do Presidente da República veja 146º a 163º da Constituição da República.
Assembleia da República
A Assembleia da República é a assembleia representativa de todos os cidadãos moçambicanos
(art. 168º da Constituição da República de Moçambique). A Assembleia da República é o mais
alto órgão legislativo na República de Moçambique. Ela determina as normas que regem o
funcionamento do Estado e a vida económica e social através de leis e deliberações (art. 169º da
Constituição da República de Moçambique).
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A Assembleia da República é constituída por 250 deputados. Esses são eleitos em eleições
directas, iguais, secretos, pessoais e periódicos (art. 170º da Constituição da República de
Moçambique).
Os deputados são os representantes do povo moçambicano. Eles devem exprimir a vontade dos
cidadãos nas deliberações da Assembleia da República. As leis aprovadas pela Assembleia da
República espelham aquilo que o povo quer. As leis são implementadas pelo governo e pela
administração pública. Pelo cumprimento das leis velam os tribunais. Deste modo, a nossa
constituição consta o controlo mútuo dos poderes dos órgãos da soberania.
O Governo
O Governo de Moçambique é o Conselho de Ministros (art. 200º da Constituição da República).
Esse é composto pelo Presidente da República, Primeiro/a Ministro/a e pelos Ministros (art. 201º
da Constituição da República de Moçambique). Certamente já ouvimos falar do Primeiro/a
Ministro/a, do Ministro/a da Educação, da Agricultura, das Obras Públicas e Habitação, do
Trabalho, do Interior, da Justiça, e outros. Estes compõem o governo de Moçambique chefiados
pelo Presidente da República.
A função principal do Conselho de Ministros é assegurar a administração do país (veja art. 203º
da Constituição da República de Moçambique para mais funções). O Conselho de Ministros
observa as decisões do Presidente da República e as deliberações da Assembleia da República
(art. 202º da Constituição da República de Moçambique).
Sistema eleitoral de Moçambique
A constituição da República de Moçambique estipula um sistema presidencialista, no qual o
Presidente da República é o chefe de estado, chefe do governo presidindo o Conselho de
Ministros e comandante chefe das Forças Armadas (artig.146). O presidente detém uma série de
poderes como nomear, exonerar demitir o Primeiro-Ministro e outros ministros, os governadores
provinciais, o Procurador-Geral e o vice Procurador-Geral da República, nomear o Presidente e o
Vice-Presidente do Tribunal Supremo e o Presidente do Conselho Constitucional. Em caso de
impedimento ou ausência, ou na necessidade de uma substituição interina, o Presidente da
Assembleia da República substitui o Presidente da República. O governo é representado a nível
provincial por governadores. O poder legislativo é desempenhado pela Assembleia da República
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com 250 deputados. As Assembleias Provinciais são um órgão de representação democrático
competindo-lhes a função de aprovar o programa do governo provincial e de supervisionar a sua
implementação.
A constituição da República de Moçambique estipula uma democracia multipartidária fundada
em eleições periódicas, com mandatos de cinco anos, através de sufrágio universal, directo, igual
e secreto. O presidente da República é eleito quando reúna mais de metade dos votos expressos
maioria absoluta, caso contrário, uma segunda volta das eleições presidenciais é realizada dentro
de 30 dias da data de declaração de resultados pelo conselho constitucional, na qual participam
os dois candidatos mais votados.
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Conclusão
Com base no estudo o tema realizado conclui-se que O primeiro passo para a democracia
multipartidária deu-se com a elaboração da nova constituição em 1990 que inaugura uma
abertura para a liberdade de criação de partidos políticos e concorrer para o poder político. O
segundo passo deu-se com a materialização do estipulado na nova constituição, quando em 1994
decorrem as primeiras eleições envolvendo vários partidos.
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Bibliografia
Carvalho, Manuel Proença de (2010). Manual de Ciência Política e Sistemas Políticos e
Constitucionais. (3ª ed.). Lisboa: Quid júris
Azevedo-Harman, Elisabete (2011). Trajectórias democráticas dos PALOP – o equilíbrio (ou
não) entre parlamentos e executivos.
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