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Olavo de Carvalho: O AMOR DIVINO

Antônio Carlos Ramalho mandou um e-mail: Acordei hoje com vontade de elogiar esse belo trabalho que você faz. Sei que você não tem tempo de responder os emails, mas você pode falar sobre o amor divino e a importância de se compreender a obra de Deus por participação?

Bom. Antônio Carlos, é o seguinte, a primeira coisa: se você observar todas as discussões públicas a respeito de se Deus existe ou não existe, você vai ver que em geral as pessoas tratam Deus como se fosse um objeto que você pode conhecer. Não é isso? Ora, um objeto supõe que existe então um sujeito que conhece, que é você, existe o objeto separado de você e existe um campo, um espaço dentro do qual se dá a relação entre você e o objeto. Mas acontece o seguinte: quando se trata Deus, não existe esse campo. Deus é o próprio campo. É a realidade suprema, portanto abrange todos os objetos. Portanto, ele não pode virar objeto de maneira alguma. Então, a maneira de se conhecer Deus não é como um objeto, discutindo: "ah, quem fez o mundo? Existe uma causa primeira?, etc." Tudo isso aí é assunto para o Olívio Dutra. Campeonato de punheta.

O verdadeiro modo de conhecer a Deus é você se abrir para o amor divino e ver o que

acontece. Você vai conhecer Deus, não como um objeto, mas como uma pessoa que age. Na verdade, você não conhece pessoa alguma como objeto, porque conhecer um objeto é conhecer a essência dele, conhecer as suas possibilidades de manifestação e dominar intelectual a possível conduta do objeto. Por exemplo, se é um gato, você sabe que ele vai miar e não vai sair falando alemão. Se é uma galinha, você sabe que ela vai botar um ovo e não vai dar leite. E assim por diante. Quer dizer, você conhece a conduta de um objeto e você pode controlá-lo.

No caso de uma pessoa… não é assim que você conhece uma pessoa; você não tem comando total sobre uma pessoa. Você não sabe tudo o que ela vai fazer, tá certo? Então existe nela a liberdade. E na medida em que você vai captando as manifestações da liberdade da pessoa, você diz que a conhece. E você… em vez do controle intelectual da situação da pessoa, você desenvolve com a pessoa uma relação de confiança. Confiança baseada no amor.

É exatamente a mesma coisa com Deus. Então, o que você tem que fazer é o seguinte:

pedir a Deus que se manifeste na sua vida. Eu vou te dar uma sugestão. Olha, tem uma prece que Deus nunca deixa de atender. Nunca, nunca, nunca, nunca. Você reza assim:

Deus, mostra que você me ama. Faça isso. Insista um pouco. Você vai ver. Acontece. Porque esse negócio do que você acha, o que você deixa de achar, essa doutrina, aquela doutrina, tudo isso não interessa. O que interessa é a ação de Deus no mundo. Quer dizer, as doutrinas são só aquilo que nós seres humanos pudermos, com nosso miserável cérebro, elaborar a respeito.

E não é assim. Não é através de doutrina que você vai conhecer Deus. Você vai conhecer Deus pela manifestação dEle. Assim como Cristo. Cristo, o que que fez? Ele ficou lá no céu escrevendo um livro sobre ele mesmo? Não. Ele veio na terra. Porra! Entende isso. Quer

dizer, ele veio e agiu pessoalmente. Ele mostrou a sua Presença. Ele começou a fazer isso

naquela época e tá fazendo até agora, tá certo? E, enquanto teve a presença física, era fácil de ver. Agora não tem a presença física, mas você pode pedir a presença. Você pode pedir

a

manifestação da ação divina. Se você não faz isso, então você… O cara que não faz isso

se recusando às condições mais elementares que tornariam essa experiência possível.

Então, o conhecimento, por assim dizer, experimental de Deus qualquer pessoa pode ter, desde que cumpra as condições para ter a experiência. Se Deus é abrangente, Ele não é objeto que pode ser colocado fora de você, mas você só pode conhecê-lo como aquele imenso campo de Amor e Bondade no qual você se inclui, que você está dentro dele, então o que você tem que fazer? Você tem que pedir que esse Amor e essa Bondade se manifestem. Então, se Ele não manifestar, você fica aí pedindo 50 anos e Deus: nada, nada, nada… Não faz nada pra mostrar que te ama, então daí você pode dizer: "olha, eu acho que Deus não existe". Agora, se você nunca tentou… O cara nunca foi lá, não quis saber, não quis ver, não quis aprender e diz "Deus não existe", então é um filha da puta, tá entendendo? Não é pra ligar pro que esses caras dizem. Isso aí são tudo teorias idiotas.

Então, o amor divino é o próprio Deus. Você tenta achar, por exemplo, uma explicação de por que que você existe, uma justificativa de por que que você existe. Eu já procurei uma justificativa para a minha existência. Eu não encontro nenhuma. Não mais nem meio motivo para eu existir. Somente o amor divino. Não é? Mas faça essa experiência que eu te disse. Pede pra Ele. Insistentemente. Deus, mostra pra mim que você me ama. Isso aí… olha, Deus tem coração mole, meu filho. Deus não resiste a uma coisa dessas. Se você pedir, Ele vai mostrar. Agora, se você nunca pedir… Então isso aí é como você querer ganhar na loteria sem nunca apostar.