Você está na página 1de 29

1

CONSERVATÓRIO BRASILEIRO DE MÚSICA


CENTRO UNIVERSITÁRIO
CURSO DE GRADUAÇÃO EM MUSICOTERAPIA

Centro de Pesquisas “Jose Maria Neves”

RELATÓRIO FINAL DE PESQUISA


( 2010-2012)
( Instituto de Psicologia Clínica Educacional e Profissional )

Musicoterapia na Deficiência Intelectual : um estudo sobre


Avaliações e Intervenções com enfoque cognitivo.

Pesquisadora – Supervisora: Mt. Ms – Ana Sheila Tangarife*


Pesquisador- discente : - Rafael Lima

Pesquisadores colaboradores:
Anna- Katharina Fiedler
Marcela Velon
Marcella Costa
Glória Goulart

RIO DE JANEIRO

*Mestre em Educação Musical, Docente do Curso de Graduação e Pós-Graduação em Musicoterapia (Conservatório Brasileiro de
Música), Coordenadora da Clínica Social “Ronaldo Millecco” (CBM), Musicoterapeuta Clínica do Instituto de Psicologia Clínica
Educacional e Profissional.
2

1. Introdução
1.1 Objetivo Geral
1.2 Objetivos Específicos
2. Justificativa
3. Discussão Teórica
3.1 Aspectos Cognitivos
3.2 Teoria Espiral de Desenvolvimento Musical
3.3 A Modificabilidade Cognitiva Estrutural
3.4 A Importância da Música na Deficiência Intelectual
4. Perfil de Avaliação Musicoterápica (PAM)
5. Metodologia
5.1 Avaliação Inicial
5.2 Reorganização dos Grupos
5.3 Planejamento de Trabalho
5.4 Desenvolvimento do Trabalho
5.5 Avaliação Final
6. Discussão dos resultados da Pesquisa
7. Produtos da Pesquisa
Referências Bibliográficas
Anexos

____________________________________
3

RESUMO : Este estudo investigativo apresenta uma abordagem de varias questões relacionadas às
dificuldades cognitivo-musicais de pessoas adultas deficientes intelectuais atendidas no Instituto de
Psicologia Clínica Educacional e Profissional (IPCEP),no Rio de Janeiro. É uma pesquisa qualitativa
realizada na instituição citada , numa parceria com o Curso de Graduação e Pós-Graduação,em
Musicoterapia (Conservatorio Brasileiro de Musica-Centro Universitário),iniciada em março de
2010,com duração de dois anos,sob a Coordenação da musicoterapeuta do IPCEP e cinco estagiários
de Musicoterapia.Através de um instrumento de avaliação (PAM – Perfil de Avaliação
Musicoterápica ),buscamos,identificar um perfil de necessidades e potencialidades de nossos
clientes,baseados no ideário de Reuven Feuerstein (1989),buscando novas estratégias de intervenção
em Musicoterapia,co enfoque cognitivo.
Palavras-chave: Deficiência Mental- Musicoterapia - Cognição.

1 - Introdução
Este trabalho é uma pesquisa acadêmica em Musicoterapia Clínica, realizada no Instituto de
Psicologia Clínica Educacional e Profissional (IPCEP – Rio de Janeiro) em parceria com o Curso de
Graduação em Musicoterapia (Conservatório Brasileiro de Música – Centro Universitário), com a
duração de dois anos (2010 a 2012).
Participaram da Pesquisa alunos de Graduação, Pós-Graduação e, posteriormente uma aluna
do Curso de Design (PUC-RIO), que desenvolveu um projeto independente (durante um ano) em
nossas sessões de Musicoterapia.
Foi realizada uma pesquisa qualitativa, cujo objetivo foi a elaboração e aplicação de um
instrumento de avaliação em Musicoterapia a 25 alunos-clientes adultos com Deficiência Intelectual.
Todos apresentavam quadros de alterações genéticas (ex.: Síndrome de Down, Síndrome de
Rubinstein-Taybi, Síndrome do X-Frágil, Síndrome de West, Cri-de-chat, entre outras), também
exibiam enxertos psiquiátricos (ex.: Esquizofrenia, Psicose, Espectro-Autista, e Transtornos
Emocionais).
Além desses aspectos, um fator era bem característico dessa população: sua maioria era
composta entre 22 e 57 anos, (sendo que a maioria acima de 40 anos) num estado considerado
crônico e inalterado, tendendo a deterioração.
Esses indivíduos vinham sendo atendidos em Sessões de Musicoterapia há vários anos, onde
alcançaram um certo nível de Competência Social e Musical mas que permaneciam estacionados ou
estagnados.
4

Ao tomarmos conhecimentos das ideias de Feuerstein, R. (1989) que propõe um novo modo
de pensar com uma proposta otimista porém prática e aplicativa sobre o potencial de seres humanos,
tentamos aprofundar nossos estudos a fim de buscarmos novas estratégias de intervenção em
Musicoterapia Clínica com essa população para propiciar uma otimização de seu potencial cognitivo,
isso na tentativa de comprovarmos as ideias de Feuerstein (1989) e Fonseca (1997) que acreditam
que devemos buscar desenvolver o capital humano de adaptabilidade que pode ir em várias direções,
desde que busquemos os meios adequados não importando o nível em que se encontrem.
Isso se tornou um desafio entre nós e as barreiras por vezes intransponíveis dos
determinismos da genética, da hereditariedade, além das limitações endógenas ou exógenas que
parecem inexoráveis. Concordamos com Assmann (op.cit.) quando afirma que educar significa
defender vidas.
Em nossa prática há mais de trinta anos nesse campo, nos sentimos às vezes impotentes,
desanimados ou mesmo vencidos pelo desânimo em nossa tarefa como Musicoterapeutas.
Entretanto, faz-se necessário um “sacudir” nossas posturas, nossas verdades, e buscar novos
caminhos em direção a novas descobertas.
Não sei dizer ou afirmar que alcançamos completamente nossos propósitos. Entretanto, afirmo que
foram dois anos de uma vivência intensa e ressignificadora em nossa vida profissional e sem dúvida,
na de nossos alunos-clientes.

1.1 -Objetivos Gerais


Elaborar um plano ou programa prescritivo em Musicoterapia, no qual as questões práticas de
Avaliação e Intervenção Musicoterápicas pudessem ser relacionadas aos estudos teóricos das bases
cognitivas das dificuldades dos Deficientes Intelectuais por nós atendidos.

1.2 -Objetivos Específicos


Desenvolver um Instrumento de Avaliação (coleta de dados) baseados nas ideias de R.
Feuerstein (1989) Swanwick e Tillmann (1985) e Tangarife (1997) para verificarmos o desempenho
cognitivo-musical de nossos clientes, buscando identificar um perfil de potencialidades e
necessidades dos mesmos a fim de uma reorganização dos grupos de atendimento. Isso realizado,
implementar uma nova abordagem em Musicoterapia Clínica contemplando suas demandas atuais,
para finalmente reavaliá-los e podermos averiguar a eficácia ou não de nossas abordagens
metodológicas.

2. JUSTIFICATIVA
5

Atualmente vivemos numa sociedade cognitiva. Os avanços das ciências mudam nossa
cosmologia, vale dizer, nossa imagem do universo e da missão do ser humano dentro dele.
Segundo Boff (1998), como socializar tais avanços? Como fazer para que os seres humanos se
sintam inseridos e não vítimas da insensibilidade social e ética que comportam as lógicas de exclusão
que ainda predominam no cenário histórico?
Estamos vivendo a era das redes e da sensibilidade solidária (Assmann, 1998). No momento
em que a lógica da exclusão se enraizou nas instituições do mundo de hoje, é preciso agir
psicopedagogicamente sobre a incoerência e a espécie de “descompasso” dos seres humanos em
relação às oportunidades contidas nas obras de suas mãos. O atraso passou a ser, sobretudo, das
mentes e dos corações .As biociências descobriram que a vida é uma persistência dos processos de
aprendizagem.
Nessa área de Deficiência Intelectual, há muita gente estagnada no mero negativismo. No
momento em que não nos preocuparmos em “reencantar a educação”, podemos estar coniventes no
crime de um “apartheid” neuronal que, ao não propiciar ecologias cognitivas, de fato está destruindo
vidas. (Assmann ,op.cit.).
A palavra de ordem é a otimização da normalização dos deficientes intelectuais. Eles são
cidadãos, e nosso objetivo é a educabilidade máxima de seu potencial cognitivo (Fonseca,V.,1995).
Acreditamos que os indivíduos com fracas prestações cognitivas podem alargar seu repertório de
habilidades, não duvidando nesse propósito.
Como Musicoterapeuta, partimos do princípio que as atividades musicais num “setting” de
Musicoterapia, tem que ser um lugar de fascinação e inventividade, numa mixagem de todos os
sentidos, acompanhada de sensação de prazer. Segundo Moura Costa (2012) embora a importância
do prazer seja enfatizada como essencial para o desenvolvimento humano, poucas referências são
feitas ao seu papel nas terapias.
Para a autora, o prazer é inerente ao processo musicoterápico, e um elemento da maior
importância para a modificação dos pacientes.
Buscamos com esta pesquisa e seus desdobramentos, “reencantar”, como diz Assmann
(op.cit), a musicoterapia no campo da Deficiência Intelectual e buscar novas estratégias de ação a
fim de compartilhar com outros musicoterapeutas, nossas experiências.

3. DISCUSSÃO TEÓRICA
3.1 Aspectos Cognitivos:
Segundo um consenso entre especialistas, a cognição é o conjunto de habilidades mentais que
estão sendo a base do desempenho intelectual para realizar tarefas, sejam de aprendizagem ou outras
6

(Dockrell, Mc Shanne 2000). Há poucas dúvidas de que os avanços nas abordagens teóricas da
psicologia do desenvolvimento tem integrado o que se chama “Abordagens Cognitivas”. Gardner
(1987) fala de uma “revolução cognitiva”, uma proliferação de teorias “cognitivo-
desenvolvimentistas”, que devem ser examinadas com cuidado.
Concordamos com os autores quando afirmam que os diagnósticos de QI ou Idade Mental
apenas nos informam que “há um problema”, mas descrevem pouco sobre “qual é o problema”.
Além disso, apontam três itens na avaliação dos Deficientes Intelectuais, ou sejam: a identificação do
problema, avaliação da natureza do problema e diagnóstico do problema.
A partir daí, intervenções apropriadas podem ser planejadas e postas em prática.
No caso da população investigada no IPCEP, alguns problemas prévios do desenvolvimento
puderam servir como dados relevantes, mas o que nos interessou no momento foi seu desempenho
atual, não importando suas idades ou deficiências.
Segundo Gardner (1962), avaliação não é sinônimo de testagem (que seria uma via de
acesso). Esta, isoladamente, não teria muito valor. Para o autor, a condição para que um resultado
tenha significado e função social ou científica, é necessário que haja alguma grade de referências
paralelas. Esse pensamento nos levou à elaboração de nossa Ficha de Avaliação Musicoterápica
(PAM), que contempla vários fatores, aspectos e áreas musicais e comportamentais, entre outros,
baseados nos teóricos objeto de nosso estudo.
Levamos em consideração a Teoria da Integração Sensorial, que se mostra enraizada com
conceitos neurológicos. Desenvolvida por Ayres, AS. (1972), é dirigida a pessoas com Transtornos
Invasivos de Desenvolvimento (entre elas várias Síndromes Genéticas ou Hereditárias), assim como
os afetados por Espectros Autistas e Paralisia Cerebral.
Ayres define a Integração Sensorial (SI) como:
“o processo neurológico que organiza a sensação do próprio corpo e
do meio, possibilitando seu uso eficaz (....), é o processamento de
informações (...). O cérebro deve selecionar, potencializar, inibir,
comparar e associar toda a informação sensorial em padrão flexível.
Em outras palavras: o cérebro deve integrar” (in Goldson, E., 2004).

Essa teoria não pretende explicar o déficit neuromotor das Síndromes citadas anteriormente, mas
busca a identificação dos déficits sensoriais que contribuem às disfunções e condutas inadaptativas.
Fisher et alli (1991) apresentam um modelo conceitual que chama de “Processo Espiral de
Autoatualização”. Este modelo inclui componentes cognitivos, neurológicos e comportamentais.
Para os autores, o processo espiral é contínuo e se inicia precocemente através do impulso
7

espontâneo de busca e participação em atividades sensório-motoras, principalmente quando a mesma


é revestida de “significado, interesse e prazer”.
Lane, S.J et alli, (2000) abordam o que chamam DSI (Disfunção da Integração Sensorial):
“DSI é a incapacidade para modular, discriminar, coordenar ou
organizar sensações de forma adaptativa”.

Entretanto, afirmam que qualquer abordagem terapêutica com indivíduos com DSI, devem
aplicar-se dentro de um marco teórico de Integração Sensorial, execução de estratégias clínicas,
avaliações e reavaliações.
Na bibliografia examinada, todas apontam para a necessidade de verificação das premissas
teóricas e se as terapias derivadas das mesmas são realmente efetivas no tratamento de pessoas com
essas necessidades específicas. Esse aspecto nos mobilizou bastante em nosso estudo.

3.2 Teoria Espiral do Desenvolvimento Musical :


Tunks (1980) e Hargreaves (1986) escreveram versões sobre aplicação das diferentes teorias
do desenvolvimento da aprendizagem musical. Surgem três abordagens teóricas baseadas nessas
teorias:
- Modelo Espiral” de Swanwick e Tillman (1986).
- Cognição e Pensamento Musical ( Serafine ,1989).
- Abordagem do sistema por símbolos (Gardner ,1973)e Scripp(1989).
As teorias expostas lidam de forma mais ou menos eficiente com a produção musical, com a
percepção, com a execução ou com a representação.
Segundo Ilari, B.S. (2006), uma teoria abrangente deve ser capaz de lidar com todos os itens
relacionados acima. Para a autora, há padrões regulares de desenvolvimento musical ligados à idade.
Dos três modelos referidos, o “Modelo Espiral” é o mais especificamente desenvolvimentista sendo
baseado na teoria Piagentiana. As outras teorias oferecem explicações não tão especificamente
desenvolvimentista.
Atualmente está claro que os “estágios” de desenvolvimento musical não podem ser definidos
literalmente. Entretanto,existem mudanças predizíveis ou aferidas relacionadas à idade.
Concordamos com Ilari, B.S. (op.cit.) quando descreve o desenvolvimento musical com
relação às modalidades típicas do comportamento, designadas como “fases”.
A base das três teorias apresentadas postulam os mecanismos gerais do desenvolvimento
musical.
8

A Teoria da Espiral foi fruto de pesquisas feitas por Swanwick e Tillman (1996), com bases
nos trabalhos de Bunting, R. (1977), Piaget J. (1951), Moog (1976) e Ross, M. (1984). Os autores
utilizaram o modelo de desenvolvimento estético em artes de Ross (1984), esboçando quatro
períodos de desenvolvimento em música, a partir de 0 anos até após os 14 anos.
Segundo os autores, a ideia de “jogo” é uma característica humana fundamental e está unida
a toda obra artística. Baseados em Piaget (1951) dizem que o jogo se caracteriza nos primeiros anos
de vida, pelo simples prazer de explorar e dominar o meio, o que chama de “poder ou sentimento de
virtuosismo”. Esta busca de domínio está presente nas atividades musicais, sendo que o manejo do
instrumento, da voz e o desenvolvimento de destrezas, produz prazer. Existe uma evolução contínua
de domínio desde tenra idade até a fase adulta.
Segundo essa teoria, o controle dos materiais musicais pressupõe em desfrutar dos sons em
si, ou seja, “saborear” os sons. A linguagem musical, o jogo imaginativo, implicam transformações
estruturais e uma nova reconstituição das possibilidades musicais.
Finalizando, acreditamos que o Modelo Espiral é o mais especificamente desenvolvimentista
e o que mais atende a nossa especificidade, por suas características de flexibilidade e, por isso
mesmo adequada ao campo da Deficiência Intelectual.
Parece-nos crucial e fundamental o Musicoterapeuta identificar em qual etapa/fase da Espiral
em que cada cliente se encontra em qualquer tempo ou idade, introduzindo atividades específicas ou
uma nova ideia, na medida em que entenda o movimento da Espiral.

3.3 A Modificabilidade Cognitiva Estrutural:


Feuerstein,R. (1980) foi educador, psicólogo e pesquisador israelense do Instituto de
Pesquisas Hadassah-Wizo-Canadá que há muitas décadas vem “pensando no pensar”. Através da
possibilidade do desenvolvimento mental e maximização das funções cognitivas, desvinculou este
pensar dos determinismos da genética e hereditariedade. Colocou o ser humano como um organismo
aberto, disponível e flexível à modificação da inteligência durante toda a vida.
Segundo Negri, M. (2004), Feuerstein foi uma espécie de transgressor no sistema educacional
de seu país. Sua crença levou-o a alterar o prognóstico de milhares de pessoas rumo, ao otimismo e à
cidadania. Seus estudos com Piaget, Lang e outros o levaram a formular suas teorias bastante
interessantes.
O aspecto central da teoria desenvolvida por Feuerstein (1980) é explicada da seguinte
maneira:
“por meio da Experiência de Aprendizagem Mediatizada (EAM) ... os
estímulos do meio são transformados por um agente mediador que, motivado
9

por suas intenções, cultura e envolvimento emocional, seleciona e organiza os


estímulos que são mais apropriados. Aí então os filtra, organiza e media,
afetando a estrutura cognitiva da criança” (in Fonseca, 1995).

Feuerstein (1980) estabeleceu uma lista de critérios de Experiência Mediada, onde destacamos
os três primeiros, que o autor considera universais:
 Intencionalidade e Reciprocidade
 Transcendência
 Mediação do Significado
Na Intencionalidade, o mediador está consciente de seus propósitos, tem um canal próprio para
transmitir ao mediado o seu projeto ou propósito.
Segundo Waldow (1999) o processo de mediar modifica tanto o Mediador (musicoterapeuta,
em nosso caso), como seu paciente, dando-se aí a reciprocidade.
A Transcendência, segundo Gomes (2002) se dá quando o mediador e mediado caminham
para além da situação dada, buscando relações entre o conhecimento adquirido e as possibilidades
para o futuro em termo de generalizações.
Na Mediação do Significado, o Mediador (ou MT.) atribui um significado que vai além do
objeto, carregando-o de valores adicionais, sociais, emocionais, tornando-o uma peça motivadora. O
significado emerge da relação com o outro e o significado é cultural.
Para Feuerstein, o deficiente intelectual é uma pessoa com direitos, que existe, pensa e cria.
Por suas limitações, possui um perfil intra-individual peculiar. Apesar da discrepância no seu
desenvolvimento global, aspira uma relação verdadeira e autêntica e não de coexistência conformista
e irresponsável.
Para o autor, todo ser humano é modificável e essa premissa se constitui um verdadeiro
sistema de crenças (“a believe system”).
Feuerstein avança com quatro proposições:
1. O ser humano é modificável (intencionalidade positiva)
2. Eu sou capaz de produzir modificações no indivíduo (sentir-se competente e ativo).
3. Eu tenho que e devo modificar-me (investimento pessoal prolongado e permanente de auto-
modificação).
4. Toda a sociedade e opinião pública são modificáveis e podem ser modificas (processo
longo e demorado).
Seus postulados sofreram influência de Vygotsky, Piaget e Bruner (op.cit.) e afirmam que o
mediatizador deverá ser afetivo, diligente, conhecedor e competente. Nessa concepção, os estímulos
10

não existem por si só. Precisam ser filtrados, modulados, intercedidos, repetidos, reforçados entre
outros aspectos. Não basta um envolvimento rico de estímulos. É importante um mediatizador
capacitado.
Segundo Feuerstein, faz-se necessário ajudar os indivíduos a “aprenderem a aprender”. Para
o autor, o sujeito é harmônico, é uma entidade aberta ao desenvolvimento de processos complexos de
pensamento e não uma soma de funções. Para o autor a mediação é a linha que mantem ligadas as
funções cognitivas. Suas ideias nos trouxeram uma nova forma de pensar e atuar como
musicoterapeutas.

3.4.- Musicoterapia na Deficiencia Intelectual :


Barcellos (1992) nos diz :
“Musicoterapia é a utilização da Música e seus elementos integrantes como
objeto intermediário de uma relação que permite o desenvolvimento de um
processo terapêutico, mobilizando reações bio-psico-sociais no indivíduo com
o propósito de minimizar seus problemas específicos e facilitar sua
integração/reintegração no ambiente social normal”
Dentro de um contexto não verbal, a Musicoterapia é uma busca de relação, é a tentativa de
compreender e experienciar as múltiplas alternativas que o universo sonoro oferece independente de
sua patologia. Nestes indivíduos com necessidades especiais é preciso mudar e transformar suas
relações com a realidade (Uricoechea, 1995).
A linguagem musical repercute no indivíduo fisiológica e psicologicamente, tanto por ser
vibração sonora, quanto por suas características psicológicas de aconceitualidade e indução.
Sekeff (2002), fazendo um inventário sobre a influência de Música e pesquisando Alvin
(1967), Benenzon (1988), Gaston (1968), Ruud (1990), Lecour (1996), Willems (1979), Evans
(1975), Khalsa (1997) e outros, sintetizou algumas das influências da música no ser humano:
 A música exerce função psico-fisiológica e biológica.
 A música atua em nosso sistema límbico.
 A música estimula a memória e o pensamento.
 A música estimula nosso equilíbrio afetivo e emocional
 A música evoca, associa e integra experiências.
Alem dessas , inúmeras outras poderiam ser citadas. Eis porque “fazendo” música, escutando,
cantando e vivenciando experiências musicais, o indivíduo acaba por influir no ritmo de seus
pensamentos, em suas emoções, na harmonia de sua saúde corporal e mental. É assim que a música
pode mudar o comportamento de uma pessoa. (Lecourt, 1996).
11

A Música com seus recursos, atende a diferenças cognitivas, dinamizando o psiquismo. Além
disso, pode-se estimular o desenvolvimento de estágios cognitivos até limites não imaginados,
originando a criatividade que se alimenta, entre outros aspectos, da memória e bioquímica.
A Música auxilia a maturação intelectual. Mesmo experiências musicais elementares
solicitam do deficiente intelectual um estado de prontidão, de alerta, de atenção que sustente a escuta
da arquitetura sonora. Seu poder se estende à faculdade da memória, onde a aprendizagem se
conserva disponível, podendo ser recordada e utilizada. (Reuchlin, 1979).
O poder da música diz respeito à biologia, à psicologia das relações sonoras sobre o
deficiente intelectual, afetando seu sistema sensorial, motor, afetivo, mental, provocando mudanças
em seu metabolismo, além de que também motiva, emociona, move a química cerebral e influencia a
conduta.
Concluimos dizendo que por todo seu alcance, a música tem um poder de beneficiar a todos;
por isso, um trabalho musical bem planejado, sustentado por um repertório pertinente, beneficia o
deficiente intelectual, através de seu desenvolvimento cognitivo, educação do pensamento. Os sons
organizados impõem ordem e forma à sua escuta, estabilizando e canalizando suas emoções.
Além disso, observamos que o fazer música é uma espécie de nivelador entre as pessoas,
sejam quais forem suas possibilidades.(Uricoechea,1995). Acreditamos na mesma como força
terapêutica junto aos deficientes intelectuais que, por suas variadas limitações, ficam impedidos de se
expressarem plenamente. Nossa experiência tem nos mostrado que as atividades desenvolvidas nas
sessões de Musicoterapia atuam como agentes integradores e altamente socializadores, conforme
explicitaremos ao longo deste trabalho.
O paciente pode tocar um instrumento, emitir sons pré-verbais fazer percussões corporais,
mesmo de forma aparentemente incoerente. Sua produção sonora é aceita incondicionalmente pelo
musicoterapeuta. Como afirma Barcellos (2009), o musicoterapeuta apoia o paciente para colocar-se
na música e explorar as possibilidades de mudança na músicacom características, já que as mesmas,
constituem-se como objetivo de qualquer terapia.

4 - Apresentando o PAM ( Perfil de Avaliação Musicoterapica):


Desenvolvemos nosso “Perfil de Avaliação Musicoterápica (PAM),
dando ênfase na identificação dos módulos de processamento mental envolvidos nas atividades
musicais. Com essa identificação seria possível verificar os níveis de defasagem ligados aos aspectos
musicais.
12

Através desse conhecimento, poderiam ser propostos planos de tratamento ou estratégias


musicais terapêuticas de forma mais dinâmica e efetiva, focadas nas questões propostas na
Avaliação, abrindo um leque de possibilidades da Música.
Em nosso estudo, as avaliações teriam como referência os aspectos cognitivos, sensoriais,
musicais assim como comportamentos ligados às atividades musicais, baseados em nossas
referências teóricas anteriormente apresentadas. A utilização dos gráficos nos pareceu adequada,pois
através dos mesmos se pode visualizar melhor a evolução dos clientes.
A presente avaliação (PAM) é uma modificação do nosso primeiro modelo que
idealizamos para a pesquisa “Construindo sons e suas ressonâncias” (1997) que se transformou em
uma dissertação de Mestrado. As modificações foram feitas para atender os objetivos do presente
trabalho, que teve uma demanda diferenciada. (ver Anexos)
Através do PAM, foi possível implementar novas estratégias, na certeza de que todo ser
humano está aberto ao crescimento cognitivo, uma vez que sua inteligência não se limita àquilo que
os testes podem medir.
No 1º gráfico, contemplamos 4 áreas principais subdivididas em 3 aspectos cada uma. Assim
temos: cada sub-item graduado de 1 a 5, segundo o grau de dificuldade apresentada pelo indivíduo.
Ou seja :
1. Comunicação Sonora e Verbal
2. Área Motora
3. Aspectos Comportamentais
4. Aspectos Socio-Afetivos
No 2º gráfico, observamos 8 itens,ou sejam:
1. Comunicabilidade Sonora
2. Reatividade Sonora
3. Relacionamento Sonoro
4. Manifestação Vocal
5. Manifestação Instrumental
6. Improvisação Integrada
7. Performance Musical
8. Criatividade Musical
Além dos dois gráficos, avaliamos os seguintes aspectos:
1 - Transtornos Invasivos do Desenvolvimento
2 - Aspectos Musicais Gerais (em grupo)
3 - Comportamentos Musicais específicos
13

4 - Nível de Desenvolvimento Musical


5 - Funções Cognitivas Básicas
Como podemos observar, todos os itens são ligados à área musical e suas derivações. No final
deste trabalho poder-se-á examinar nossa ficha PAM em sua totalidade ,com seus itens e sub-itens.
Ao terminarmos a pesquisa, de acordo com nossa observação, achamos pertinente realizarmos
alguns ajustes no PAM, para que se adeque melhor aos nossos propósitos no futuro. A tarefa de
coletar e analisar dados é extremamente trabalhosa. Muita energia faz-se necessária para tornar os
dados sistematicamente comparáveis, assim como organizá-los, codificá-los e fazer sua análise.
Para os problemas da confiabilidade e validação dos resultados de estudos qualitativos, não há
soluções simples. Kirk & Miller (1986) recomendam critérios para os atenuar: conferir a
credibilidade do material coletado, zelar pela fidelidade no processo de transcrição antes da análise,
considerar os elementos que compõem o contexto e assegurar a possibilidade de confirmar,
posteriormente os dados pesquisados. Este foi o nosso compromisso nessa pesquisa.

5 - Metodologia
Seguimos os seguintes passos em nosso cronograma:
5.1. Avaliação Inicial
5.2 Reorganização dos grupos avaliados
5.3 Objetivos para a 2ª fase da Pesquisa
5.4 Implementação de Técnicas Musicoterápicas direcionadas as suas necessidades.
5.5 Reavaliação Final
5.1 Avaliação inicial
Com a avaliação inicial (2010), foi possível acessarmos um arquivo de conteúdo musical
e cognitivo com um material rico e passível de interpretações em vários níveis e, posteriormente,
reinterpretações mais amplas e detalhadas. Com isso chegamos à conclusão de que as áreas mais
afetadas em praticamente todos os pacientes atendidos foram: a cognitiva , a motora , de
comunicação e sócio-educacionais, refletidas em seu desempenho musical.
Através desse conhecimento, foi possível planejar atividades, intervir ,direcionar as práticas
em diferentes contextos, assim como desenvolver a capacidade de adequar estratégias musicais a
variadas situações.
A população estudada variava entre os níveis leves (5%), moderados (70%) e severos (15%).
Segundo Piaget (op.cit), se encontravam cognitivamente entre os Estágios de Operações Concretas,
Pré-Operacional e Sensorio-Motor.
14

Os estudos de Piaget apontam para estágios e sub-estágios de desenvolvimento cognitivo.


Independente da etiologia, chegou-se à conclusão que os deficientes intelectuais progridem através
dos mesmos, só que em velocidade mais lenta e com um teto inferior. Alguns autores tem procurado
identificar onde ocorreriam as “quebras” nos sistemas de aprendizagem (atenção, memória e outros
itens). Não há respostas simples para estes problemas. (Tangarife, 2010).
Na deficiência intelectual, nos referimos a demandas de uma variedade ampla de tarefas, uma
espécie de “arquitetura cognitiva” com suas representações mentais que é comum a todos os
indivíduos, mas pode estar sujeita a lesões neurológicas além de outros problemas.
Nettlebeck e Brewer (1981) propõe a seguinte sequência na resposta a estímulos:
Input - Processamento - Output
Nessa primeira avaliação verificamos que apresentavam fracas prestações cognitivas (50%),
desempenho hesitante (40%) e desempenho cognitivo considerado satisfatorio (10%).
De acordo com Swanwick e Tillman (1986) constatamos que se encontravam entre os
estágios de Mestria,Imitação e Jogo imaginativo.
Cada um dos modos/fases da Espiral representa mudanças distintas. Em nosso trabalho,
tentamos mapear como se relacionavam com a música, como se conectavam e a conheciam.
Percebemos que nesse processo existem muitas esquinas. O trânsito entre os modos ou fases às vezes
é tão fluído que passa inadvertido, pois se dá em forma de salto. Por isso é necessário retroceder e
depois avançar com mais facilidade.
Apesar dos grupos originais apresentarem alguma coerência em sua formação, fizemos
alguma reorganização entre os mesmos, contemplando as áreas que necessitavam mais apoio e
estimulação.
Nossos objetivos nessa nova intervenção foram:
 Motivação através das atividades musicais
 Otimização das funções cognitivas e musicais
 Expansão do campo mental (através de complexidade crescente)
 Provocar desafios, situações novas e complexas
 Encorajar a curiosidade intelectual
 Propor tarefas não convencionais
 Incentivar a ação e pragmatismo que os levassem a “insights”
 Conscientizá-los de seus progressos
15

Toda nossa atuação foi um esforço de resolução de tarefas propostas. Nesse item, a
motivação tende a expandir-se quando se “mediatiza” o sentimento de competência do indivíduo, seu
acesso ao “ser capaz de fazer”.
Buscamos sempre transformar os estímulos, as tarefas de acordo com o nível de competência,
ou seja: selecionar o material adequado, reestruturar os meios, analisar as tarefas e subdividi-las em
estádios mais simples.
Procuramos desacelerar as sequencias de atividades musicais, assim como repetir e
automatizar tarefas simples, antes de apresentar as complexas. Com isso “podemos evitar os
mecanismos de defesa inerentes aos sentimentos de incompetência”. ( Fonseca, 1995).
Em toda nossa atuação como musicoterapeutas nessa área há tanto tempo, tentamos nos
desembaraçar de antigas concepções, procurando estar abertos e disponíveis para nossa tarefa,
sabendo que não se deveria abandonar essas pessoas em atividades inúteis e de ocupação
inconsequente do tempo e sim procurar desenvolver o capital humano de adaptabilidade que pode ir
em várias direções desde que ofereçamos os meios adequados.
5.2-Reorganização dos Grupos:
Conforme já relatado anteriormente, os grupos atendidos
apresentavam uma certa estrutura quanto aos aspectos do desenvolvimento mental e outros itens,
apesar de serem heterogêneos devido à variedade de comportamentos, heterocronias e também
vínculos afetivos entre os indivíduos.
Entretanto achamos adequado reformularmos os grupos originais, o que trouxe um nível novo
de relacionamentos e trocas entre seus membros, que se adequou à nossa proposta que foi
proporcionar a instituição de novo, novas experiências e possibilidades.
Assim, tivemos os seguintes agrupamentos e suas características:
Grupo 1 – 7 integrantes
- Comunicação: a maioria com bom rendimento, exceto 3 integrantes devido a problemas motores.
- Área Motora : comprometimentos variados
- Área Comportamental e Sócio-Afetiva: todos com boa avaliação
- Manifestação rítmica instrumental: todos com dificuldade
- Improvisação livre: grande dificuldade
- Performance musical: limitada
- Desenvolvimento musical: todos no modo sensorial e manipulativo
- Funções cognitivas: percepção confusa, dificuldade com múltiplas funções de informação. Alguma
concentração.
Grupo 2 – 6 integrantes
16

- Comunicação sonora: alguns com dificuldade


- Área motora: alguns muito comprometidos (um cadeirante e um com “andador”)
- Área comportamental: razoável
- Manifestação rítmica instrumental: todos com muita dificuldade
- Performance: limitada
- Improvisação livre: dificuldade
- Funções cognitivas: dificuldade com múltiplas fontes de informação, percepção confusa. Entretanto
apresentavam alguma compreensão das propostas. Dificuldade de abstração.
- Desenvolvimento musical: modo sensorial, manipulativo e um usuário no modo expresivo.
Grupo 3 – 8 integrantes
- Comunicação Sonora – grande sensibilidade, alguns com perseveração na fala e ecolalia.
- Área motora: todos comprometidos, sendo que 2 integrantes apresentavam convulsões recorrentes,
que os prejudica muito.
- Aspectos comportamentais: muito passivos, mas gostam das atividades
- Aspectos sócio-afetivos: onde mostram melhor desempenho
- Performance: todos comprometidos
- Criatividade: nenhuma manifestação
- Desenvolvimento musical: modo sensorial
- Funções cognitivas: percepção hesitante e confusa, orientação espacial e temporal diminuída, com
esquema corporal inseguro.
Grupo 4 – 7 integrantes (1deficiente auditivo)
- Comunicação sonora: regular, mas com potencial
- Área motora: todos com defasagens, sendo que um integrante usa um “andador”
- Área comportamental: dentro do normal
- Manifestação rítmica e instrumental: todos com dificuldade
- Performance: limitada
- Desenvolvimento musical: todos no modo manipulativo
- Funções cognitivas: alguma concentração, percepção confusa, dificuldade com múltiplos estímulos.
Além desses quatro grupos, selecionamos alguns sujeitos para formarem dois grupos com
problemas específicos em emissão vocal e aspectos rítmico-motores relevantes, onde foram
implementadas técnicas que atendessem suas demandas específicas (em outros horários, fora dos
grupos originais).Foi um reforço às atividades grupais originais.
Sendo assim, o trabalho foi desenvolvido durante 1 ano, com 6 grupos .
5.3 Planejamento de Trabalho:
17

 Sessões semanais de 50 minutos.


 Implementação de técnicas musicoterápicas adequadas a cada grupo.
 Apresentação mensal de shows em DVD, (escolhidos pelos usuários) e, posteriormente,
discussões sobre os mesmos.
 Apresentação ao vivo de conjuntos musicais (Programa de Atividades Complementares dos
Cursos de Licenciatura em Educação Musical do Conservatório Brasileiro de Música) –
Centro Universitário.
 Introdução de um projeto em Design (PUC-Rio) em dois grupos de Musicoterapia.
 Reavaliação após um ano de atividades.

5.4 Desenvolvimento do Trabalho:


- Implementação de técnicas musicoterápicas :
Realizamos sessões semanais de 50 minutos, onde foram implementadas as técnicas
musicoterápicas, com uma pré-tarefa ou aquecimento, onde surgiam as primeiras manifestações
sonoras; num segundo momento, eram dinamizadas as questões musicais emergentes e finalmente,
um fechamento com avaliação da sessão feita pelos integrantes do grupo, onde incentivamos a
verbalização, memória e elaboração de pensamentos.
Nosso referencial teórico em Psicologia Social foi o Modelo do Grupo Operativo (Pichón-
Riviére, 1987). Através do mesmo pudemos perceber o movimento grupal e sua dinâmica.
Respeitando a demanda de cada grupo, desenvolvemos atividades musicais variadas, baseados
em nossa experiência de mais de trinta e cinco anos nessa área. Nosso referencial teórico foi o
“Modelo Alvin”, ou Modelo de Improvisação Livre. ( in Bruscia, R. 1999).
Nesse modelo, o musicoterapeuta não impõe nenhuma regra, estrutura ou dá alguma
sugestão ao paciente, mas permite que o mesmo se “solte” no instrumento, livre de qualquer regra.
Com isso, poderá encontrar seu próprio meio de ordenar e sequenciar os sons.
Concordamos com Alvin (1978) quando diz que a Musicoterapia “se baseia em um uso
exaustivo ou incansável de tudo o que a música possa fazer”.
A improvisação no enfoque Alvin é “livre” em vários aspectos, tais como: a intenção
aleatória na criação de sons, desde os sons vocais ou instrumentais desorganizados, até criar ou
inventar formas musicais. Isso inclui criar instrumentos ou objetos sonoros também. Independente
dos resultados, qualquer manifestação de fazer sons ou música “instantaneamente” é aceito como
autoprojeções do paciente. Não se impõe modelos musicais de execução.
18

Em nossa prática, procuramos sempre respeitar a liberdade de nossos pacientes em escolher


como atuar sonoramente. Segundo Alvin (1978) faz-se assim, uma relação de igualdade entre
musicoterapeuta e os clientes, onde podem compartilhar experiências musicais num mesmo nível, o
que traz segurança para todos no “setting”.
Em suas improvisações, procuramos segui-los ou apoiá-los musicalmente. Isso possibilitou
que cada membro dos grupos assistidos tomasse a decisão de relacionar-se com o musicoterapeuta ou
com o grupo de maneira coletiva. Procuramos deixá-los livres para direcionar suas improvisações
mas sempre atentos quanto à hora de intervir musicalmente.
Como trabalhamos em grupos, tentamos facilitar as seguintes funções:
 Colocá-los em contato ou comunicação consigo mesmo, com os objetos ou instrumentos
musicais e com os demais.
 Relacionar-se consigo, com o Musicoterapeuta e outros através da música.
 Proporcionar o equilíbrio entre o indivídual e o grupal.
 Integrar diferenças individuais no grupo.
 Criar relações diversas entre todos os integrantes do grupo e os papeis que desmpenham
nos mesmos.
Um dos aspectos mais importantes na evolução de nosso trabalho foi o prazer de poderem
expressar através dos sons suas emoções, sabendo que estávamos ali para conter musicalmente
qualquer situação que pusesse em risco a evolução da sessão.
Utilizamos muito as técnicas ativas através de jogos musicais, exercícios motores, com o
objetivo de fazer conexões com o ouvir ,ver e sentir com todo o corpo.
Todas as atividades foram sequenciadas de acordo com os requisitos sensório-motores,
cognitivos e outros itens, planejando de acordo com suas zonas potenciais e com os aspectos
defasados musicalmente, sempre buscando a Integração Sensorial.
Com os pacientes de nível de desenvolvimento mais alto, as atividades foram direcionadas a
conseguir percepções cada vez mais refinadas, dentro da modalidade sensorial.
Em todos os grupos incentivamos os improvisos solos, em diálogo ou em grupo, assim como
compartilhar instrumentos já conhecidos e introduzir outros novos, o que trazia uma nova dinâmica
nas sessões. Além desse aspecto, o cantar, o repertório Pop do momento, assim como músicas de
cunho folclórico se mostrou muito adequado a todos os grupos.
Em agosto de 2011, iniciou-se a participação de uma graduanda do curso de Design de
Produtos (PUC-RIO) que começou um estágio de observação em 2 (dois) grupos de Musicoterapia, a
fim de desenvolver um produto.
19

Todo o processo foi baseado na Metodologia Participativa em Design, numa pesquisa de


referência antropológica. O produto criado foi resultado das dinâmicas (ferramentas metodológicas
em Design e Musicoterapia). A estagiária produziu uma coleção de “vestes sonoras” que foram
usadas pelos integrantes dos dois grupos e que trouxe uma mobilização corporal intensa e criativa.
6 - Discussão dos Resultados da Pesquisa :
Conforme já relatado anteriormente, todas as atividades musicais foram direcionadas às
dificuldades sensoriais, motoras e cognitivas dos nossos grupos e às vezes focalizadas em um
indivíduo em particular (que se sentia apoiado e incentivado pelos companheiros). Esse aspecto
trouxe uma sensação de pertencimento a todos, o que facilitou os aspectos sociais e interativos.
Na avaliação final, pudemos observar: (ver tabelas em Anexos).
Grupos 1 , 2 , 4 :
Evolução cognitiva:
Percepção mais refinada, menos confusa, flexibilidade nas ações exploratórias,
comportamento mais planificado e intencional. Cabe lembrar que todos são adultos já cronificados
em suas inabilidades, e as mudanças não são tão rápidas. Entretanto, dentro do espectro cognitivo
inicial, houve uma evolução pequena, mas significativa.
Area Musical, Motora e Vocal:
Progresso na performance musical e movimentação corporal, que cresceu visivelmente com
a introdução do uso das “vestes sonoras” (parangolés) que foi um dos aspectos mais claros e visíveis
de crescimento grupal e individual, que pode ser constatado através das manifestações vocais, sendo
que a fala se tornou um pouco mais fluente e coerente.
Criatividade e Improvisação Musical:
Suas improvisações rítmicas se tornaram mais sustentadas, estruturadas com o grupo. A
performance se tornou mais consistente, com algum grau de controle na repetição de padrões
ritmicos. Mais seguros na percepção de alguns parâmetros sonoros como: Intensidade, Altura e
Timbre. Suas improvisações (de três indivíduos) revelaram um pulso regular, mas que as vezes se
perdia. Se alongavam na manifestação musical, sendo repetitivos, o que denotava um sentimento de
prazer na auto escuta.
Os três integrantes citados, iniciaram uma produção de sons no piano, com intencionalidade
criativa, integrando todo o grupo e a musicoterapeuta (na flauta). Todos deram “título” às suas
improvisações. (coerentes com a “atmosfera” da mesma).
Grupo 3 :
Funções cognitivas básicas:
20

Observamos alguma evolução nos aspectos cognitivos, de 2 integrantes. Os demais se


mantiveram estáveis devido a problemáticas mais severas e, no momento permanecem em aquisição
de habilidades.
Área Musical, Motora e Vocal:
Grande progresso em 3 integrantes, com crescimento visível em aspectos globais dessa área.
Entretanto, na Espiral de Swanwick se mantiveram estáveis. Pudemos perceber que tanto o ritmo
regular como o contorno melódico, tiveram importância vital para este grupo, na medida em que
usavam uma espécie de estratégia global para processar a informação melódica. Através do mesmo,
aprendiam pequenas canções que apresentavam estribilhos repetitivos, ou poucas palavras.
Sub-Grupos Paralelos (percussão e voz):
No momento estão em processo de aquisição de habilidades, mas já apresentando algum
progresso, apesar de suas limitações físicas e intelectuais.
Observamos que os clientes mais novos cronologicamente tiveram resultados mais
expressivos, donde concluimos que o tempo é um fator precioso nesses casos.
Não estivemos preocupados com resultados que não fossem musicais, pois constatamos que o
musical era o indicador de ganhos em outras áreas. Quando falamos de “estagio”, não significa
estagnação, mas de um processo de desenvolvimento que engloba uma classe de comportamentos
variados.
Observamos o que Turriel (1969) chamou de “mistura de estágios”, ou seja, o Deficiente
Intelectual não se encontra, às vezes, num estágio específico. O modelo Espiral nos mostrou que não
estava relacionado a idades específicas, pois as pessoas se desenvolvem em velocidades diferentes.
Percebemos que as tarefas musicais tinham que alcançar sucesso imediato, levando-os a
gostar do que faziam. Gradualmente aumentamos o grau de dificuldade ou complexidade do ritmo,da
melodia, da dinâmica ou outros elementos, no intuito de desafiá-los e motivá-los a usar mais e mais
seu potencial cognitivo.Nesse momento se dava o amadurecimento das experiências realizadas.
Nosso objetivo não foi oferecer um esquema de aceleração do desenvolvimento da
capacidade musical do estágio onde se situavam, mas fazer com que se sentissem confortáveis e
seguros no “setting”. Concordamos com Taylor (1997) quando diz que educadores (no caso,
musicoterapeutas) devem “atuar como desequilibradores” , levando-os a ultrapassarem suas
dificuldades,oferecendo oportunidades de experimentações musicais variadas e mais complexas.
Concluimos nossa pesquisa na certeza de que os aspectos cognitivos do comportamento funcional
de nossos clientes foram muito beneficiados pelos estímulos e experiências musicais ,devido a seus
princípios organizacionais, que são baseados na realidade objetiva.
21

O fato da música ser ordenada no tempo, foi um fator importante e que possibilitou que os
pacientes percebessem e respondessem à mesma da maneira organizada e lógica. A natureza
matemática do ritmo, a sequencia temporal dos eventos e da lógica musical foram usados no auxílio
à sua reintegração de pensamentos antes tão desorganizados.
Apesar de todas as problemáticas enfrentadas, percebemos um ganho visível em suas
habilidades, concentração, aprendizagem, resolução de problemas e iniciativa. Temos que lembrar
que nossa clientela tem uma idade avançada e com dificuldades instaladas há muito tempo e sendo às
vezes inflexíveis. Apesar disso, percebemos uma evolução visível quanto aos seguintes aspectos:
 Pragmatismo e Iniciativa
 Conscientização de seu Potencial Musical
 Senso crítico de situações vividas nas sessões
 Consciência do próprio Corpo e suas possibilidades
 Ressignificação de suas Identidades
Além dos itens expostos, constatamos que o desenvolvimento nos aspectos musicais são
indicadores de uma Competência Social Paralela em várias áreas.
Apontamos para a necessidade de iniciar um atendimento musicoterápico o mais
precocemente, quando as possibilidades de desenvolvimento podem ser efetivas e quase ilimitadas.
Vale a pena investir no potencial terapêutico da musica na Deficiência Intelectual.
Esperamos que nosso trabalho possa incentivar outros musicoterapeutas que atuam nessa área
a buscar sempre possibilidades que valorizem o potencial cognitivo dessa população que tem direitos
à uma cidadania plena e sua integração na sociedade

7 - Produtos da Pesquisa :
Foram elaborados os seguintes produtos:
- 1 Relatório Final da Pesquisa apresentada neste trabalho.
- 1 Projeto de conclusão de Graduação em Design ( PUC – Rio) , 2012.
- 2 Monografias de Graduação em Musicoterapia (em elaboração) , 2012.

BIBLIOGRAFIA:
ALVIN, J. – Musica para El Niño Disminuido. Buenos Aires, Ricordi, 1996.
__________ Free Improvisation in Individual Therapy .British Journal of Music Therapy, 1982.
ASSMANN,H. – Reencantar a Educação: Rumo a Sociedade Aprendente , Petropolis , Editora
Vozes,1998.
22

AYRES, AJ. – Sensory Integration and praxis texts. Los Angeles: Western Psychological
Services, 1989.
BARCELLOS, L.R.M. – A Música como Metáfora em Musicoterapia. Tese de Doutorado –
Programa de Pós Graduação em Música, Centro de Letras e Artes, Universidade Federal do Estado
do Rio de Janeiro, RJ, 2009.
BOFF, L. – A águia e a galinha: uma metáfora da condição humana. Petropolis, Vozes,1998.
BRUSCIA,K. – Modelos de Improvisacion em Musicoterapia – Agruparte, Vitoria-Gasteiz ,1999.
DOCKRELL & MC SHANE – Crianças com dificuldade de Aprendizagem: uma abordagem
cognitiva. Artes Médicas Sul, Porto Alegre, 2000.
FEUERSTEIN, R. – Mediated Learning Experience – an outline of proximal etiology for
diferencial development of cognitive functions. New York: ICP, 1975.
FEUERSTEIN, R. and cols. – Don’t accept me as I am- helping “retarded” people to excel. New
York: Plenum Press,1989.
FONSECA, V. – Educação Especial – Uma introdução às idéias de Feuerstein. Editora Brasil,
Alegre, 1995.
____________. – Aprendendo a Aprender – A Educabilidade Cognitiva. Ed. Brasil, Porto Alegre,
1998.
GARDNER, H. - The mind’s new science: A History of cognitive revolution. New York: Basic
Books, 1987.
_________ Arte, Mente e Cérebro. Porto Alegre, Artmed, 1992.
GOLDSON, E. – Integration Sensorial y Síndrome X Frágil – Revista de Neurologia, Buenos
Ayres, 2001.
HARGREAVES, D.J. – (org.) Children and the Arts. Milton Keynes, Open University Press,
1989.
ILARI, B.S. – (org.) Em busca da Mente Musical , Curitiba Ed. UFPR, 2006.
KIRK & MILLER – Reability and Validity in qualitative research – Beverly Hills: Sage, 1986.
KIERNAM, C. – Analysis of Programmes for Teaching – Basingstoke: Globe Education, 1981.
MOURA COSTA, C. – Prazer, Música, Psicose, Musicoterapia, trabalho não publicado, 2012.
NIGRI, M. – Enriquecimento Cognitivo na atuação do Enfermeiro –Dissertação de Mestrado,
Dep.de Enfermagem,Setor de Ciencias da Saude .UFPR .2004.
NETTELBECK T. e BREWER – Studies of midle - Mental Retardation and Timed
Performance. In N.R. Ellis (Ed.) New York, Academic Press,1985. SEKEFF, M.L. – Da Musica:
seus usos e recursos – Editora Unesp, S.P. 2002.
PIAGET, J. – Play, Dreams and Imitation in childhood, Londres: Routeledge, 1951
23

PICHÓN –RIVIÈRE. E. – O Processo Grupal – Martins Fontes, São Paulo, 1994


REUCHLIN, M – Introdução à Psicologia. Zahar, RJ, 1979.
SWANWICK, K. – Musica, pensamiento y educacion – Ed. Morata S.A., Madrid, 1991
TANGARIFE A.S. – Musicoterapia na Deficiência Mental: um estudo sobre Avaliações e
Intervenções com enfoque cognitivo.- Trabalho não publicado .R.Janeiro,2010.
TURRIEL, E. – Development Process in the child’s moral thinking .In Developmental
Psychology. Eds P.H. Mussen ,Langer,J..Covington,M.-New York:Holt Rineart and Winston,1969.
VYGOSTSKY,L.S. – Mind in Society: The development of higher psychologic process –New
York : Plenum , 1986.
24

ANEXOS

1 – COMUNICAÇÃO SONORA E VERBAL


Percepção Auditiva Sons Vocais Comunicação
1. Sem reação aparente 1. Não emite sons 1. Não verbal
2. Reações difusas 2. Sons pré-verbais 2. Ecolalia
3. Discrim. relativa 3. Vocaliz. Aleatória 3. Perseveração
4. Boa Discriminação 4. Vocaliz. Compreensível 4. Dislalia
5. Boa Percepção 5. Vocaliz. Adequada 5. Moderada/Normal
6. Acuidade Excelente 6. Fala estruturada 6. Fluência

2 – ÁREA MOTORA
Postura Moviment. Corporal I Moviment. Corporal II
1. Comprometida 1. Desajeitado 1. Motora fina comprometida
2. Rígida 2. Equil. não controlado 2. Imita movimentos
3. Instável 3. Equil. Controlado 3. Bate palmas, pés
4. Dependente 4. Equil. Estático 4. Corre, pula
5. Regular 5. Apropriada 5. Coord. Regular
6. Flexível 6. Habilid. Locomotora 6. Boa coordenação

3 – ASPECTOS COMPORTAMENTAIS
Expressão Corporal Comunicação Corporal Auto-Conhecimento
1. Não entra na sala 1. Parado em silêncio 1. Alheio a si
2. Não aceita contato 2. Resistente 2. Impreciso
3. Postura desinteressada 3. Estereotipias 3. Consciência difusa
4. Mostra-se atento 4. Ritualismos 4. Consc. de partes do corpo
5. Engajado na atividade 5. Perseveração 5. Adequado
6. Totalmente adequado 6. Adequada ao grupo 6. Consci. de si e dos outros

4 – ASPECTOS SOCIO-AFETIVOS
Aspectos da Relação Participação Resposta aos estímulos
musicais
1. Nenhuma 1. Inexpressiva 1. sem resposta visível
2. Pouca relação 2. Depressiva 2. Indiferença
3. Razoável 3. Embotado 3. Alheamento Cognitivo
4. Sociável 4. Cooperativo 4. Sem relação à música
5. Alguma Integração 5. Adequada 5. Relacionado à música
6. Totalmente integrado 6. Excelente 6. Comportamento musical
adequado
25

5 - MANIFESTAÇÃO INSTRUMENTAL 6- IMPROVISAÇÃO INTEGRADA 7- PERFORMANCE MUSICAL

Alguma manifestação Ausente Ausente


Improvisação instrumental aleatória Esporadicamente Prejudicada por aspectos
Improvisação instrumental Frequentemente, mas em focos psicomotores
consistente Experiência estruturada com o Razoável
Improvisação instrumental com voz grupo Desembaraço musical
Manifestações ricas e variadas Coesão musical com o grupo Bom desempenho

4- MANIFESTAÇÃO VOCAL
8- CRIATIVIDADE MUSICAL
Ausência
Sons aleatórios eventuais Nenhuma manifestação
Sons pré-vocais Cria células ritmico-
Sons pré-verbais melodicas
Alguma vocalização Criação mais elaborada
Intencionalidade variada
Bom nível criativo

3- RELACIONAMENTO SONORO

Isolado
Isolado mas atento
Interação discreta 1- COMUNICABILIDADE
Relacionamento sonoro e 2- REATIVIDADE SONORA SONORA
intencional
Plenamente adequado e intenso Não responde à estímulos  Discreta manifestação
Responde esporadicamente  Características
Responde usualmente perseverativas
Sempre alerta, interagindo  Se comunica com o mais
Respostas sempre adequadas próximo
aos estímulos  Se comunica com o grupo
 Intensa comunicação

OUTROS ASPECTOS
3 – COMPORTAMENTOS MUSICAIS ESPECÍFICOS

Canta fragmentos de canções


Escolhe canções
1 – TRANSTORNOS INVASIVOS DO DESENVOLVIMENTO Canta canções de sua escolha
Modifica o ritmo em resposta à música
Déficit Intelectual (DM) Obedece a dinâmica musical
Problemas Motores (PC e outros) Toma iniciativas em propostas musicais
 Problemas Neurológicos (crises convulsivas)
 Problemas Emocionais 4 – CRITÉRIOS PARA AVALIAÇÃO DO DESENVOLVIMENTO
Transtornos Psiquiátricos (autismo, psicoses e MUSICAL (espiral de SWANWICK)
outros)
Modo Sensorial
2 – ASPECTOS MUSICAIS GERAIS Modo Manipulativo
Modo Expressivo
Interesse pela atividade Modo Vernacular
Atividades Preferenciais Modo Especulativo
Instrumentos Preferidos Modo Idiomático
Repertório Preferido Modo simbólico
Efeitos da Atividade (aparentes) Modo Sistemático
Relação com o estímulo sonoro (timbre, ritmo,
melodia, todos os itens) 5- FUNÇÕES COGNITIVAS BÁSICAS ALTERADAS (R.
Via de Expressão: (voz, corpo ou instrumento). FEUESRSTEIN)

Percepção hesitante ou confusa


Comportamento exploratório assistemático
Orientação espacial e temporal diminuída
Dificuldade com múltiplas fontes de informação
Falta de comportamento comparativo espontâneo
Diminuição do comportamento planificado
Dificuldade de mobilizar imagens mentais
Funções cognitivas básicas sem alterações
26

MT. Ana Sheila Tangarife


27
28

EXEMPLO DE UM CASO:

1 – COMUNICAÇÃO SONORA E VERBAL


Percepção Auditiva Sons Vocais Comunicação
1. Sem reação aparente 1. Não emite sons 1. Não verbal
2. Reações difusas 2. Sons pré-verbais 2. Ecolalia
3. Discrim. relativa 3. Vocaliz. Aleatória 3. Perseveração
4. Boa Discriminação 4. Vocaliz. Compreensível 4. Dislalia
5. Boa Percepção 5. Vocaliz. Adequada 5. Moderada/Normal
6. Acuidade Excelente 6. Fala estruturada 6. Fluência

2 – ÁREA MOTORA
Postura Moviment. Corporal I Moviment. Corporal II
1. Comprometida 1. Desajeitado 1. Motora fina comprometida
2. Rígida 2. Equil. não controlado 2. Imita movimentos
3. Instável 3. Equil. Controlado 3. Bate palmas, pés
4. Dependente 4. Equil. Estático 4. Corre, pula
5. Regular 5. Apropriada 5. Coord. Regular
6. Flexível 6. Habilid. Locomotora 6. Boa coordenação

3 – ASPECTOS COMPORTAMENTAIS
Expressão Corporal Comunicação Corporal Auto-Conhecimento
1. Não entra na sala 1. Parado em silêncio 1. Alheio a si
2. Não aceita contato 2. Resistente 2. Impreciso
3. Postura desinteressada 3. Estereotipias 3. Consciência difusa
4. Mostra-se atento 4. Ritualismos 4. Consc. de partes do corpo
5. Engajado na atividade 5. Perseveração 5. Adequado
6. Totalmente adequado 6. Adequada ao grupo 6. Consci. de si e dos outros

4 – ASPECTOS SOCIO-AFETIVOS
Aspectos da Relação Participação Resposta aos estímulos
musicais
1. Nenhuma 1. Inexpressiva 1. sem resposta visível
2. Pouca relação 2. Depressiva 2. Indiferença
3. Razoável 3. Embotado 3. Alheamento Cognitivo
4. Sociável 4. Cooperativo 4. Sem relação à música
5. Alguma Integração 5. Adequada 5. Relacionado à música
6. Totalmente integrado 6. Excelente 6. Comportamento musical
adequado
29

5 - MANIFESTAÇÃO INSTRUMENTAL 6- IMPROVISAÇÃO INTEGRADA 7- PERFORMANCE MUSICAL

Alguma manifestação Ausente Ausente


Improvisação instrumental aleatória Esporadicamente Prejudicada por aspectos
Improvisação instrumental Frequentemente, mas em focos psicomotores
consistente Experiência estruturada com o Razoável
Improvisação instrumental com voz grupo Desembaraço musical
Manifestações ricas e variadas Coesão musical com o grupo Bom desempenho

4- MANIFESTAÇÃO VOCAL
8- CRIATIVIDADE MUSICAL
Ausência
Sons aleatórios eventuais Nenhuma manifestação
Sons pré-vocais Cria células ritmico-
Sons pré-verbais melodicas
Alguma vocalização Criação mais elaborada
Intencionalidade variada
Bom nível criativo

3- RELACIONAMENTO SONORO

Isolado
Isolado mas atento
Interação discreta 1- COMUNICABILIDADE
Relacionamento sonoro e 2- REATIVIDADE SONORA SONORA
intencional
Plenamente adequado e intenso Não responde à estímulos  Discreta manifestação
Responde esporadicamente  Características
Responde usualmente perseverativas
Sempre alerta, interagindo  Se comunica com o mais
Respostas sempre adequadas próximo
aos estímulos  Se comunica com o grupo
 Intensa comunicação