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UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO

METODOLOGIA DO ENSINO DA MÚSICA I


Prof. Flávio Medeiros
Discente: Edmilson Bruno do Nascimento

RESUMO
O rinoceronte na sala de aula
Murray Schaefer

O autor inicia o texto apresentando 10 máximas criadas por ele para os educadores
bastante interessantes, onde expõem o pensamento do autor quanto ao posicionamento
dos educadores nas suas salas de aula ou até mesmo em sua vida. Ele faz reflexão a
todo momento com a contemporaneidade, por exemplo, quando menciona que o
professor já não é mais o detentor de todo o conhecimento.
Na introdução, o autor menciona alguns autores que compartilham do mesmo
pensamento que ele sobre novas formas de estudar música, dando mais ênfase a
criatividade e o sentimento de exploração, criticando fortemente a forma de ensino
tradicional, reprodução de uma música já pronta, escrita e que visa observar a técnica do
músico e sua execução. Outro ponto importante é que o autor não considera a música
pop como um fenômeno musical e sim como simplesmente um produto social. Essa
questão do fenômeno social/musical está atrelada a questões midiáticas, para o autor,
qualidade musical, sociologia (meio social) e dinheiro não se beneficiam quando se
misturam. O autor ainda ligado a contemporaneidade de suas concepções, traz
discussões sobre o erro considerado melhor que o acerto, pois leva a reflexão, daí ele
menciona algumas experiências próprias sobre esse tema.
1. Educação musical: considerações — O fazer criativo na música.
Nessa primeira parte o autor menciona um de seus principais pontos do capítulo, a
descoberta. A criatividade como ponto crucial na educação musical, ao contrário de outras
áreas do conhecimento como história, não deve ser entendida como uma “acumulação de
conhecimentos”, deve ser dotado de expressividade e ter a exploração como objetivo. O
autor relata algumas experiências com essa exploração, deixando os alunos utilizarem
instrumentos a disposição, colher depois o que eles acharam ou aprenderam dessa
experiência e por fim, cada um tentar fazer uma composição.
O ambiente sonoro
Nesse momento o autor fala sobre as ideias de paisagem sonora e ecologia sonora. “Se
ficarmos todos surdos, simplesmente não haverá mais música”, ao utilizar essa frase o
autor concentra muitas das suas concepções, e através dela é capaz de justificar muita de
suas escolhas. Ele fala que o ouvido das pessoas não possuem pálpebras,
consequentemente não podemos deixar de ouvir nada. Através do ambiente sonoro de
uma sociedade podemos extrair várias informações.
Um ponto de encontro para todas as artes
O autor fala sobre o trauma para a criança que tem sua percepção fragmentada, e como
esta visão particionada de mundo dificulta a inserção da criança, que recebe todos estes
dados juntos, na prática escolar (onde normalmente é iniciada nesta fragmentação). Esta
separação das artes é tão contraditória que não resiste na grande maioria das
manifestações culturais/populares, onde em geral a música está fortemente atrelada à
dança/movimentação, sabores e cheiros típicos desta festa. Este momento tem um
significado totalmente diferente para a comunidade e seus costumes. Schafer é
absolutamente contra a separação total e prolongada das artes, mesmo admitindo que
para aprofundar-se em certa área é necessário um estudo super específico e guiado por
profissionais. Outras relações apresentadas no texto são a diferença da interpretação do
silêncio pelas sociedades Ocidentais e Orientais, que influenciam claramente na
paisagem sonora de cada população.
2. Educação musical: mais considerações - Por que ensinar música?
Apontando alguns motivos comumente aceitos para a presença da música na escola,
passa pela discussão da moralidade da música (se ela influencia diretamente a ética de
um indivíduo) chegando à conclusão de que a música é amoral, e ganha vestes de acordo
com o uso que lhe é dado, indica a característica socializadora da música. Ao final da
seção revela uma utilidade maior para a música, atribuindo a ela um poder de mediar a
ligação com as várias coisas da vida e do universo. Esta observação é interessante, pois
cada vez mais percebo o quanto tudo está ligado, e como as relações entre estas coisas
é que muitas vezes fazem a diferença.
O que deve ser ensinado?
O repertório a ser trabalhado na aula de música deve abranger desde as manifestações
culturais populares locais (sugere uma expansão/pesquisa desses referenciais, que
normalmente ficam presos ao senso comum de folclore) expandindo este referencial até
as músicas “mundial étnica”, tradicional e contemporânea. Propõe uma forma de utilizar
as músicas no processo “ouvir => analisar => fazer”, conceito facilmente transportado
para o ideal dos PCNs “fazer, apreciar e contextualizar”, diferenciando-se pela não
obrigatoriedade desta ordem nos nossos referenciais. Prega como um direito de todos o
“direito ao silêncio”, desrespeitado frequentemente ao viver em sociedade.
Como a música deveria ser ensinada?
Através da experiência que gera descoberta (como já falado anteriormente, sem
transmissão de conhecimento), onde o processo é valorizado respeitando as
singularidades de cada aluno. Schafer ressalta que este como deve possibilitar que todos
possam participar deste processo, e não somente alguns dotados de um gênio musical
apuradíssimo.
Quem deveria ensinar música?
Na visão do autor somente professores especialistas em música poderiam atender à
demanda com a qualidade necessária e apoia-se na ideia que o professor “generalista”
não tem a vivência ou entendimento necessários para dar consistência à aula. Propõe
como solução para a escassez de profissionais na área um professor especialista
trabalhando em várias escolas e a possibilidade de músicos ministrarem aulas, já que
lhes falta “somente” a didática para isso.
Notas sobre notação
Após uma breve enquete com alguns alunos, o professor percebe como de modo geral a
notação e o som são confundidos quando associamos música a “notas”, alturas definidas
em bolinhas escritas em um papel. Segue-se uma breve explanação sobre a origem das
partituras e seus elementos gráfico e simbólico. É interessante perceber como a interação
entre esses elementos e certa predominância de um deles em cada período da música,
influencia seus processos composicionais e a apreciação desta.
A caixa de música
Após conhecer iniciativas e projetos concluídos sobre a produção de materiais didáticos
multimeios, o autor se engaja na produção de um novo kit, que possibilita mais atividades
e maior criatividade/abertura com os desejos dos alunos, já que tem como objetivo
motivar, provocar a curiosidade dos alunos. Já tendo participado do processo de produção
de materiais didáticos e jogos musicais. O kit tem como objetivo inserir a desordem dentro
de uma proposta. Contendo materiais estranhos à prática musical corrente, a provocação
visa possibilitar a criação por parte dos alunos e incentiva a adição de novos elementos
pelo grupo.
Trenodia
Através desta peça o compositor Schafer busca alcançar os interesses do público
adolescente para questões musicais. A forma encontrada foi abordar um tema forte
(textos sobre a bomba atômica jogada em Nagasaki, narrados e cantados), e utilizar
elementos da música contemporânea como sons eletrônicos e vozes. Partindo para novas
direções. “Ao tornar-se desconhecido, o conhecido escapa à monotonia”. Nesta frase,
refere-se a experimentos de treinamento dos sentidos, onde propõe a utilização de
elementos conhecidos pelo ouvinte, que através da privação da visão acaba por os
modificar a percepção que se tem do objeto sonoro (ou instrumento), desta forma
aguçando a audição e tornando a atividade mais atrativa.
Curriculum Vitae
Expondo novamente suas opiniões sobre as instituições de ensino musical engessadas e
sem qualquer compromisso com o ensino de música de uma nova maneira, Schafer faz
correspondência com a dificuldade da criatividade entrar na academia, já que esta não
pode ser medida e nem tem métodos para ser desenvolvida tecnicamente.