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ANALISAR O AUMENTO DA TEMPERATURA E EMISSÃO DE GASES

E PARTÍCULAS FINAS NAS ÁREAS CIRCUNVIZINHAS DAS


ESCOMBREIRAS DE CARVÃO DEVIDO À AUTOCOMBUSTÃO

Domingos de Almeida Mubecane Filipe Manharage


UNIVERSIDADE ZAMBEZE
Faculdade de Ciências e Tecnologias
Departamento de Engenharia de Processo

Curso: Engenharia de Processos

Projecto Final do Curso

Tema: Analisar o aumento da temperatura e emissão de gases e partículas finas nas áreas
circunvizinhas das escombreiras de carvão devido à autocombustão. Caso de estudo: Empresa
Vale Moçambique, Mina de Moatize.

Discente: Domingos de Almeida Mubecane Filipe Manharage


Beira, Maio de 2016

UNIVERSIDADE ZAMBEZE
Faculdade de Ciências e Tecnologias
Departamento de Engenharia de Processo

Curso: Engenharia de Processos

Projecto Final do Curso

Tema: Analisar o aumento da temperatura e emissão de gases e partículas finas nas áreas
circunvizinhas das escombreiras de carvão devido à autocombustão. Caso de estudo: Empresa
Vale Moçambique, Mina de Moatize

Discente: Domingos de Almeida Mubecane Filipe Manharage

Projecto final do curso apresentado ao Departamento de


Engenharia de Processos, Faculdade de Ciências e
Tecnologias, da Universidade Zambeze como o requisito
parcial para obtenção do grau académico de Licenciatura em
Engenharia de Processos.

Supervisor: Msc. Engº. Américo Msopela


Beira, Maio de 2016
Declaração

Declaro pela minha honra que esta monografia científica é fruto da minha investigação pessoal e
das orientações do meu supervisor, o seu conteúdo é original e todas as fontes consultadas estão
devidamente mencionadas no texto e na bibliografia final. Declaro ainda que este trabalho não
foi apresentado em nenhuma outra instituição para obtenção de qualquer grau académico.

Beira, ___ de Junho de 2016

_______________________________________________

(Domingos de Almeida Mubecane Filipe Manharage)

I
Dedicatória

Dedico esta Monografia aos meus pais por terem construído o ser que sou Hoje, em especial a
minha Maria Materusse Mateus Matusso que já não está entre nós, porque este era o maior
desejo dela e do meu pai que os filhos estejam formandos e informados para poder enfrentar o
mundo que apresenta inúmeras dificuldades.

II
Agradecimentos

Em primeiro lugar agradeço ao meu bom DEUS que vem me protegido dia após dia e
acompanhando todo o meu processo estudantil.

Aos meus pais Mubecane Filipe Manharage, Maria Materusse Mateus Matusso (que Deus a
tenha) e Antônia Gilneta Remigio Fernando Manharage, por terem feito de mim o menino de
ontem e o Homem de hoje.

Aos irmãos Manuel, Isabel, Mateus, Remígio, Filipe, Marcos, José, Tiago, Almerinda, Zacarias e
a minha família no geral por terem me apoiado na minha trajectória.

Agradeço especialmente ao casal Manuel (irmão) e Sílvia (cunhada) pelo apoio incondicional na
minha trajectória académica e na construção do meu ser.

Eu agradeço em especial a minha alma gémea (Bibiana Namuaria) Pelo suporte Incondicional
em todos os momentos do meu percurso em que eu precisei.

Agradeço ao Msc. Eng. Américo Msopela pela paciência no decorrer do trabalho, e não só, pelos
vários ensinamentos que no percurso estudantil pude acatar.

Agradeço a Professora Catedrática Deolinda Flores, que mesmo sendo uma pessoa muito
ocupada, tive o privilégio de contar com a ajuda dela em todo o trabalho.

Agradeço ao Msc. Eng. Félix Macueia pela ajuda no desenho do software.

Agradeço ao Eng. Torres, Msc. Enga Oristela Lumpuy pelos conselhos e amizade.

Agradeço aos docentes no geral que me acompanharam no processo de aprendizado.

Agradeço o apoio dos colegas do curso de Engenharia de Processos, em especial aos colegas do
ano de 2012.

Aos amigos da Luta Nelson, Elton, Baera, João, Tério, Magido, Guido, Vieira, Felisberto o meu
muito obrigado.

III
Resumo

O carvão mineral é formado pela modificação da matéria orgânica (como restos de árvores e
plantas) ao longo dos processos diagenéticos, primeiro em condições bioquímicas e
posteriormente em condições de temperatura e pressão crescentes. Em Moçambique a Bacia do
Zambeze possui uma camada de carvão que se estendem numa distância de pouco mais que 350
Km.

A concessão da mina de Moatize é de 35 anos, actualmente a empresa encarregue na exploração


do mesmo dispõe de uma capacidade de escoamento de 22 milhões de toneladas de carvão
mineral por ano que o permitira escoar cerca de 770 milhões de toneladas.

Este carvão antes de ser escoado é tratado, e os seus rejeitados depositados em forma de pilhas
de rejeito, que são designadas de escombreiras.

As Escombreiras são pilhas de rochas estéreis procedentes das diferentes fases da exploração
mineira e com características volumétricas variáveis.

O objectivo geral da pesquisa é o de analisar o aumento da temperatura e a emissão de gases e


partículas finas nas áreas circunvizinhas das escombreiras de carvão devido a autocombustão
destas, de modo a minimizar os efeitos da mesma.

O poder calorífico da escombreira junto com outros factores como grau de compactação e
conteúdo de pirite determinam a probabilidade da combustão da escombreira

A combustão destes elementos pode provocar problemas não só para o meio ambiente mais
também para a saúde humana, pois os óxidos formados por eles, contribuem para a poluição do
ar.

IV
Abstract

The mineral coal is formed by the modification of the organic matter (as remains of trees and
plants) along the diagenetics processes, first in biochemical conditions and later in temperature
conditions and pressure crescents. In Mozambique the Basin of Zambeze possesses a layer of
coal that extends in a distance of little more than 350 Km.

The concession of the mine of Moatize is of 35 years, now the company entrusts in the
exploration of the same it has a capacity of drainage of 22 million tons of mineral coal a year that
had allowed to drain it about 770 million tons.

This coal before being drained is treated, and yours rejected deposited in form of piles of I reject,
that are designated of spoil heap.

The Spoil heap healthy piles of sterile rocks coming from the different phases of the mining
exploration and with characteristics variable volumetric.

The general objective of the research is it of analyzing the increase of the temperature and the
emission of gases and fine particles in the adjacent areas of the spoil heap of coal due to
solemnity combustion of these, in way to minimize the effects of the same.

The calorific power of the spoil heap with other factors as compaction degree and pyrite content
determines the probability of the combustion of the spoil heap.

The combustion of these elements can provoke problems not only for the environment also for
the human health, because the oxides formed by them, they contribute to the pollution of the air.

V
Índice
CAPITULO 1: DESENHO TEÓRICO DA INVESTIGAÇÃO......................................................1

1. Desenho Teórico da Investigação............................................................................................1

1.1. Introdução.........................................................................................................................1

1.2. Justificativa.......................................................................................................................2

1.3. Problematização................................................................................................................2

1.4. Objecto de estudo..............................................................................................................3

1.5. Campo de acção................................................................................................................3

1.6. Objectivos.........................................................................................................................3

1.6.1. Objectivo geral...........................................................................................................3

1.6.2. Objectivos específicos...............................................................................................3

1.7. Hipótese............................................................................................................................4

CAPITULO 2: FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA..........................................................................5

2.1. O Carvão Mineral..............................................................................................................5

2.1.1. Génese do Carvão Mineral........................................................................................5

2.1.2. Ocorrência em Moçambique.........................................................................................6

2.2. A exploração do carvão e a deposição dos rejeitados.......................................................7

2.2.1. Impactos ambientais causados pelas escombreiras....................................................8

2.2.2. Poder calorífico das escombreiras de carvão.............................................................9

2.2.3. Características do carvão...........................................................................................9

2.3. Autocombustão de Escombreiras....................................................................................10

2.3.1. Factores que influenciam na autocombustão de escombreiras................................11

2.3.2. Causas da autocombustão das escombreiras............................................................13

2.4. Mecanismos de transferências de calor...........................................................................14

VI
2.4.1. Mecanismos básicos de transferência de calor........................................................14

2.4.2. Transferência de calor por convecção natural.........................................................15

2.5. Mecanismos de emissão de finos....................................................................................15

2.6. Emissão de gases.............................................................................................................16

CAPITULO 3: METODOLOGIA DA PESQUISA......................................................................18

3. Metodologia da pesquisa.......................................................................................................18

3.1. Histórico-lógico..............................................................................................................18

3.2. Inquéritos........................................................................................................................18

3.3. Observação......................................................................................................................19

3.4. Medição...........................................................................................................................19

3.5. Experimental...................................................................................................................19

3.6. Indutivo Dedutivo...........................................................................................................19

CAPITULO 4: RESULTADOS....................................................................................................20

4. Resultados..............................................................................................................................20

4.1. Entrevistas (Caracterização do objecto de estudo e campo de acção)............................20

4.2. Medição, observação e experimental..............................................................................20

4.3. Indutivo-dedutivo (Modelação da escombreira).............................................................21

4.3.1. Modelação termodinâmica da escombreira.............................................................21

4.3.1.3. Modelação do sistema de determinação de Entalpia a uma temperatura T.........23

4.3.2. Determinação dos Parâmetros termodinâmicos da escombreira.............................26

4.4. Modelação da Cinética de Combustão............................................................................32

4.4.1. Modelação do tempo de combustão de uma partícula.............................................32

4.4.2. Modelação do comportamento do Solo quando sujeito a Calor..............................33

4.5. Modelação do Mecanismo de transferência de calor por condução no solo...................35

CAPITULO 5: DISCUSSÃO DE RESULTADOS.......................................................................39

VII
5. Discussão de Resultados........................................................................................................39

5.1. Entrevistas.......................................................................................................................39

5.2. Histórico-lógico..............................................................................................................39

5.2.1. Impactos causados pelos produtos emitidos na autocombustão da escombreira.....39

5.3. Indutivo – dedutivo.........................................................................................................43

CAPITULO 6: LIMITAÇÕES, CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES..................................44

6. Limitações, Conclusões e Recomendações...........................................................................44

6.1. Limitações.......................................................................................................................44

6.2. Conclusões......................................................................................................................44

6.3. Recomendações...............................................................................................................45

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS..........................................................................................46

ANEXOS........................................................................................................................................A

Anexo I: Dedução da temperatura teórica de Chama.................................................................A

Anexo II: software desenvolvido para a pesquisa (F&Dmanharage).........................................C

VIII
Lista de Figuras

Figura 1: Estágios de Formação do Carvão, partindo das turfeiras até o antracite.........................6


Figura 2: Bacias de Carvão em Moçambique; (1)- Depressões de Karoo; (2) – Complexos –
camadas de carvão..........................................................................................................................7
Figura 3: Autocombustão de escombreira.....................................................................................10
Figura 4: Pirite...............................................................................................................................11
Figura 5:Determinação do Grau de incarbonização pela refletância da huminite/vitrinite...........12
Figura 6:Relação de grau de Incarbonização com o teor de Humidade dos diferentes tipos de
carvão e as reservas mundiais........................................................................................................12
Figura 7: Gradiente de Pressão em Leito em Função da Velocidade do Fluido............................16
Figura 8: variação da entalpia em caminhos diferentes.................................................................24
Figura 9: Variação do calor de reacção a pressão de 1bar e Temperatura de 298,15 K no
processo de queima de carvão de Moatize....................................................................................30
Figura 10: Fluxo de calor através de uma superfície cilíndrica oca..............................................36
Figura 11:Distribuição dos raios para diversas porosidades..........................................................38
Figura 12: Composição elementar do carvão de Moatize (amostra húmida)................................39
Figura 13: (a) Fluorose Dentaria na província de Guizhou , China, causado pela queima de
carvão enriquecido com flúor. (b) Arsenose (hiperkeratose) na província de Ghizhou na China,
causada pela queima do carvão enriquecido com arsénio.............................................................41
Figura 14: Comparação do poder calorífico..................................................................................43

IX
Lista de Tabelas

Tabela 1: Propriedades químicas do carvão de Moatize...............................................................21


Tabela 2:Principais reacções químicas que ocorrem na combustão do carvão.............................26
Tabela 3:Entalpias de Formação padrão........................................................................................27
Tabela 4: Número de moles dos elementos para cada 1kg de combustível...................................27

X
Lista de Siglas e Abreviaturas

CETEM – Centro de tecnologia mineral

CV – Poder calorífico

g – gramas

ISO - International Organization for Standardization (Organização Internacional de


Padronização)

K – Kelvin (unidade de Temperatura)

Kcal – quilo calorias

Kg – quilogramas

Kj – quilojoule

MPa – Mega Pascal

ºC – graus célsius (unidade de temperatura)

PCI – poder calorífico inferior

PCS – poder calorífico superior

ROM – run-of-mine (Minério lavrado)

TTC – Temperatura teórica de chama

USA – United State of America (Estados Unidos da América)

XI
Lista de Símbolos

C – Carbono

CO – Monóxido de Carbono

CO2 – Dióxido de Carbono

H2 – Hidrogénio molecular

Hg – Mercúrio

N2 – Nitrogénio molecular

O2 – Oxigénio molecular

S – Enxofre

SO2 – Dióxido de Enxofre

SO3 – Trióxido de Enxofre

As – Arsénio

F – Flúor

O – Oxigénio

H – Hidrogénio

XII
XIII
CAPITULO 1: DESENHO TEÓRICO DA INVESTIGAÇÃO

1. Desenho Teórico da Investigação

1.1. Introdução

A história revela que a descoberta do carvão mineral foi há muitos séculos antes de Cristo,
coroando assim a civilização chinesa pelo mesmo feito. Mas este só ganhou um papel
importantíssimo no período da revolução industrial na Inglaterra que ocorreu no século XVIII
mais precisamente entre anos 1780 à 1790 com a invenção do motor a vapor pelo cientista inglês
James Watt, que usou o carvão para aquecer a água e gerar vapor para impulsionar os motores,
substituindo a força humana e animal.

Com esta invenção a procura de carvão foi aumentado, criando-se uma dependência do mesmo.
A descoberta de grandes depósitos do petróleo e gás na década de 50 provocou uma queda na
procura do carvão. Mas em 1973, com a crise no Médio Oriente e o embargo do petróleo pelos
países produtores na sua maioria árabes gerou uma crise do petróleo provocando uma
necessidade enorme na utilização do carvão e o aumento da sua procura em todo o mundo.

Nos últimos anos Moçambique vem se destacando com as descobertas deste recurso nas bacias
de Moatize e do Niassa (Mucanha) contendo de 6 a 8 complexos carboníferos. As reservas
globais de entre as medidas, inferidas e indicadas rodam em cerca de 24.277,57 milhões de
toneladas. Como este recurso precisa de ser processado gerando resíduos que são depositados em
locais designados por escombreiras, que podem ser a céu-aberto ou subterrâneas.

Os resíduos de uma mina de carvão consistem em materiais provenientes de estratos


sedimentares adjacentes ao carvão, que por vezes são misturados com diversos materiais como
por exemplo os de construção, metais entre outros.

A composição destes resíduos, nalguns casos com grande proporção de materiais carbonosos
fazem uma combinação altamente favorável para a ocorrência de combustão.

1
1.2. Justificativa

Com a crescente onda de descobertas de recursos minerais e energéticos, o país esta perante uma
luta de prospecção e exploração dos mesmos. De certa forma o futuro das populações residentes
nestas regiões detentoras destes recursos (mais especificamente do carvão) e o clima das regiões
no período pós-exploração deverá inquietar quer a comunidade académica, bem como as
autoridades governamentais pelas características sociocultural dos residentes destas áreas, que
comummente é habitada por famílias de baixa renda. A necessidade de prever os possíveis
impactos desta exploração e a urgência na adopção de estratégias para a minimização/redução
desses impactos, tendo em consideração as características socioeconómicas e culturais dos
habitantes destas áreas, que poderão não reunir condições para combater os impactos das
escombreiras. Deste modo, é pertinente a realização deste estudo.

1.3. Problematização

Moçambique nos últimos anos vem se destacando no que diz respeito a descoberta dos recursos
minerais com ênfase nos combustíveis fosseis. Actualmente encontra-se numa situação
privilegiada no que se refere à exploração de recursos minerais, atraindo deste modo
investimentos estrangeiros e locais para as regiões circunvizinhas deste complexo, criando-se
assim infra-estruturas para suprir a demanda de produtos e serviços nestes complexos. Com a
facilidade de negócios o problema da pós-exploração aparenta não ser relevante, mais são
investimentos que ficam nestas regiões como o caso de estabelecimentos comerciais,
alojamentos e áreas residenciais, que poderão ser inutilizados.

A autocombustão das escombreiras é uma problemática que deveria preocupar a todos, pois esta
terá efeitos devastadores não só na questão ambiental, mais também no que diz respeito à saúde
humana pois esta provoca um aumento da temperatura e emissão de gases e partículas finas na
atmosfera que, dependendo das ocorrências na jazida, podem ser prejudiciais a população. É de
extrema relevância precaver estes impactos pois o país poderá não ter condições para fazer face a
essa realidade.

2
Mediante a situação acima descrita levanta-se a questão:

“Como minimizar o efeito do aumento da temperatura e a emissão de gases e partículas finas


nas regiões circunvizinhas das escombreiras de carvão devido a autocombustão das
mesmas?”;

Sendo este o problema científico desta pesquisa.

1.4. Objecto de estudo

Aumento da temperatura e emissão de gases e partículas finas das escombreiras de carvão.

1.5. Campo de acção

Escombreira da empresa vale Moçambique situada na província de Tete no distrito de Moatize.

1.6. Objectivos

1.6.1. Objectivo geral


 Analisar o aumento da temperatura e a emissão de gases e partículas finas nas áreas
circunvizinhas das escombreiras de carvão devido a autocombustão destas, de modo a
minimizar os efeitos da mesma.

1.6.2. Objectivos específicos


 Diagnosticar as fontes de combustão e autocombustão das escombreiras;
 Propor estratégias de descarte dos resíduos do processo de beneficiamento de carvão, de
modo a reduzir a taxa de transferência de calor por convecção e a emissão de finos para os
arredores das escombreiras.

3
1.7. Hipótese

Se a escombreira conter vários poços, e cada poço ser compactado de tal maneira que a
compactação dos resíduos dificulte a entrada de oxigénio e consequentemente reduzir a
probabilidade de ocorrência de autocombustão, então o aumento da temperatura e a emissão de
gases e partículas finas nestas regiões não será acentuada em comparação com as escombreiras
tradicionais (depósitos a céu aberto), visto que cada poço possuirá uma e única superfície de
transferência de calor por convenção.

4
CAPITULO 2: FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

2.1. O Carvão Mineral

O carvão mineral, de origem fóssil, foi uma das primeiras fontes de energia utilizadas em larga
escala pelo homem. Sua aplicação na geração de vapor para movimentar as máquinas foi um dos
pilares da Primeira Revolução Industrial, iniciada na Inglaterra no século XVIII. Já no fim do
século XIX, o vapor foi aproveitado na produção de energia eléctrica. Ao longo do tempo,
contudo, o carvão perdeu espaço na matriz energética mundial para o petróleo e o gás natural,
com o desenvolvimento dos motores a explosão.

O carvão mineral é formado pela modificação da matéria orgânica (como restos de árvores e
plantas) ao longo dos processos diagenéticos, primeiro em condições bioquímicas e
posteriormente em condições de temperatura e pressão crescentes. A matéria orgânica é
quimicamente constituído por carbono, oxigénio, nitrogénio, enxofre, associada a minerais
transportados e depositados na bacia de sedimentação ou neoformados após a deposição, tal
como, por exemplo a pirite.

2.1.1. Génese do Carvão Mineral


A matéria orgânica que constitui a biomassa das turfas deposita-se em turfeiras que, em
condições aeróbicas, promovem o desarranjo bioquímico dos tecidos das plantas na superfície da
turfeira. Esta turfa inicialmente formada é usada em alguns sítios como combustível, mais
apresenta um baixo poder calorífico. (NICHOLS, 2009)

Os carvões gerados nas turfeiras são carvão húmico. Quando a matéria orgânica é depositada em
ambientes aquáticos, embora de ocorrência rara, designando-se carvões sapropélicos.

A turfa, por evolução da matéria orgânica dá origem à lignite, que em alguns locais é explorado
como fonte de energia. Ainda na serie de carvões degrau inferior (low-rank) as lignites dão
origem a carvões sub-betuminosos (também de grau inferior), betuminosos (carvões de grau

5
médio) e os carvões de grau superior são também designados por antracite. Nos processos de
transformação inicial, a camada original de turfa é reduzida consideravelmente na sua espessura.

Figura 1: Estágios de Formação do Carvão, partindo das turfeiras até o antracite (GREB, 2006).

2.1.2. Ocorrência em Moçambique


O carvão mineral ocorre em quase todos os locais nos sedimentos do baixo Karoo em
Moçambique, que está geralmente depositado no grupo Ecca. A Bacia do Zambeze é a que
possui uma camada de carvão que se estendem numa distância de pouco mais que 350 Km. A
bacia do Zambeze está subdividida em 9 sub-bacias (complexos carbonífero): Mecúcuè,
Mucanha–Vúzi, Chicoa, Mefideze, Sanangoè, Moatize–Minjova, Muaradzi–Mecondezi, Estima–
Changara e o complexo do Baixo Chíre. De uma forma geral cerca de 93% das reservas de
carvão em Moçambique está concentrado na bacia do Zambeze. (LÄCHELT, 2004)

6
Figura 2: Bacias de Carvão em Moçambique; (1)- Depressões de Karoo; (2) – Complexos – camadas de carvão (LÄNCHELT,
2004)

2.2. A exploração do carvão e a deposição dos rejeitados

Os minerais assim como os recursos hídricos, a biodiversidade, a terra para a agricultura, etc.,
constituem os recursos naturais.

Segundo CETEM (2010) as matérias-primas minerais encontram-se distribuídas de maneira


escassa na crosta terrestre, cabe às empresas de mineração, com base nas informações geológicas

7
básicas, realizar a pesquisa e exploração mineral em áreas previamente seleccionadas, em busca
de depósitos de potencial interesse económico. Feitas a quantificação e a qualificação do corpo
mineral (cubagem), tem-se um depósito mineral. Quando este apresenta condições tecnológicas e
económicas e, também, ambientais, de ser aproveitado, tem-se finalmente uma jazida mineral.

Ainda segundo CETEM (2010) a extracção ou exploração do minério de uma jazida é realizada
por meio de operações de lavra (a céu aberto ou subterrânea) na mina. O produto da mina, o
minério lavrado, o ROM ("run-of -mine"), vem a ser a alimentação da estação de tratamento.

As rochas estéreis procedentes das diferentes fases da exploração mineira e com características
volumétricas variáveis e dos rejeitados são depositadas em pilhas que constituem as
denominadas escombreiras. (GOMES, 1999).

2.2.1. Impactos ambientais causados pelas escombreiras


Segundo Richards (1993) os impactos físicos e ambientais são dependente da sua localização,
tamanho, idade e da natureza do material depositado.

 Os impactos significantes incluem:


 Visual (comummente ocorre destruição da vegetação);
 Poluição do ar devido a combustão e poeiras;
 Poluição da água decorrente do intemperismo e erosão do estéril.

De acordo com GAMA, RIBEIRO (in: GOMES, 1999) como as escombreiras são constituídas
por material solto conferem um grau elevado de instabilidade à área circundante o que pode ter
consequências gravosas para pessoas e equipamentos. Os fragmentos mais finos podem ser
facilmente transportados pelo vento o que origina a formação de nuvens de poeiras que além de
diminuírem a qualidade do ar, são causa de prejuízos a vizinhos pois as partículas depositam-se
em toda a área circundante.

8
2.2.2. Poder calorífico das escombreiras de carvão
Segundo Richards (1993) o poder calorífico das escombreiras é variável e é dependente:

 Do conteúdo do carvão existente na escombreira;


 Do conteúdo do carbono dos sedimentos adjacentes ao carvão e formando o tamanho das
partículas;
 Da quantidade de outros tipos de materiais combustíveis, tais como: madeira, materiais
oleosos e lixo geral;

O conteúdo de carvão das escombreiras do passado são comummente altos em comparação com
as actuais devido a eficiência dos processos de beneficiamento (separação/concentração) a que
estavam sujeitos.

O poder calorífico da escombreira junto com outros factores como grau de compactação e
conteúdo de pirite irão determinar a probabilidade da combustão da escombreira (Richards,1993)

O teste do poder calorífico é o que comummente é usado para a avaliação da combustibilidade e


envolve a medição da quantidade de calor libertado por uma amostra em combustão. De acordo
com Richards (1993) é geralmente aceite que amostras com poder calorífico (CV) de 10MJ/kg,
ou maiores que este, são certamente combustíveis, e amostras com CV igual a 2MJ/kg, ou menos
que este, são improváveis de ocorrência de combustão. Ainda segundo Richards (1993) amostras
com CV igual a 7MJ/kg ou maiores que este representam um risco para ocorrência de combustão
sem fumo aparente.

2.2.3. Características do carvão


a) Heterogeneidade do carvão

O carvão consiste em materiais de estrutura sedimentar adjacentes as juntas (veios) do carvão,


desperdícios produzidos por afundamentos de cabos e outros trabalhos, sujidade e outros
fragmentos do carvão. Se os desperdícios da lavagem forem depositados resíduos químicos do
processo de lavagem estes também poderão ser encontrados.

9
Materiais de demolições de edifícios, destroços de linha férreas e outros desperdícios são
também misturados com o estéril ou ganga.

Combustão espontânea do espólio pode ocorrer, particularmente em montões soltos,


escombreiras com muita aeração e alto conteúdo de carbono. Combustão em um montão pode
conduzir à fusão de blocos grandes de espólio, colapso da superfície do montão, produção de
gases nocivos e um xisto vermelho fundido. (RICHARDS, 1993)

b) Características químicas do carvão

Segundo Richards (1993), Mineralogicamente o espólio da mina de carvão é composto de


componentes de duas origens importantes e distintas:

 Os minerais detriticos; esses que estavam incorporados nos sedimentos da bacia de carvão
como resultado de resistência e erosão da área circunvizinha como quartzo, feldspar, ilite,
caulinite, montmorilonite e moscovite;
 Os minerais diagenéticos; esses que foram formados durante sedimentação e eventos
geológicos posteriores nas pedras deles. Os dois tipos comuns de carbonatos são ankerite e
siderite e os carbonatos de cálcio, magnésio, ferro e manganês, e sulfureto de qual a mais
frequente ocorrência e importante é a pirite de ferro.

2.3. Autocombustão de Escombreiras

Os rejeitados de uma mina de carvão podem sofrer autocombustão devido ao auto-aquecimento


causado pelaoxidaçãoda matéria orgânicanos rejeitados(RICHARDS,1993).

Figura 3: Autocombustão de escombreira (Stracher, et al., 2011)

10
2.3.1. Factores que influenciam na autocombustão de escombreiras
Dentre os vários factores que podem influenciar na autocombustão de uma escombreira de
carvão são de destacar os seguintes:

a) Temperatura

A oxidação da matéria orgânica é uma reacção exotérmica, e se a velocidade que o calor é


distribuído excede a velocidade que este é dissipado logo o efeito é cumulativa e a temperatura
aumenta. A temperatura eleva-se até a possibilidade de ocorrência de combustão, mais sem fumo
aparente, se a fonte de fornecimento de oxigénio for adequada.

b) Pirite

Pirite (FeS2) é muitas vezes encontrado nos rejeitados de uma mina de carvão. A oxidação da
pirite é altamente exotérmica, e a presença de pirite nas escombreiras contendo matéria orgânica
aumentando a tendência da ocorrência de autocombustão das mesmas. O conteúdo de pirite na
escombreira é um factor significativo para a ocorrência de autocombustão. Michalski et al., (in
STRACHER, 2011) sugere que, se a quantidade de pirite for superior a 2%, uma reacção
exotérmica durante a oxidação da pirite pode ocorrer e provocar a combustão da mesma.

Figura 4: Pirite (FLORES, 2014)

c) O grau de incarbonização do carvão

Carvões de grau inferior são mais reactivo se mais susceptíveis para um aquecimento interno em
comparação com os carvões de grau médio e superior. Os carvões que apresentam um baixo grau

11
de incarbonização apresentam também um baixo conteúdo de carbono e um alto conteúdo de
oxigénio em comparação com os carvões de alto grau de incarbonização.

Figura 5:Determinação do Grau de incarbonização pela refletância da huminite/vitrinite (FLORES, 2014)

d) Humidade

A presença da humidade livre é essencialmente por causa da oxidação da pirite e pode acelerar o
processo de auto-aquecimento. O alto conteúdo de humidade em carvões de baixo grau de
incarbonização é o indicador da tendência de auto aquecimento, e com isto a autocombustão.

Figura 6:Relação de grau de Incarbonização com o teor de Humidade dos diferentes tipos de carvão e as reservas mundiais
(ANEEL, 2008).

12
e) Tamanho das partículas

O tamanho das partículas da escombreira afecta a facilidade com que o ar penetra na escombreira
e este fornece oxigénio para estimular reacções exotérmicas.

A velocidade de oxidação e a o aumento do calor são influenciados pelo tamanho das partículas,
quanto menor for o tamanho da particular para igual massa, maior será a superfície de contacto
que consequentemente ira aumentar da velocidade de oxidação, sendo esta de natureza
exotérmica.

2.3.2. Causas da autocombustão das escombreiras


Os factores a seguir determinam a susceptibilidade de ocorrência de autocombustão das
escombreiras:

 A composição dos rejeitados/ganga;


 A classificação do estéril;
 A compactação dos rejeitados;
 O modo como a escombreira foi contruida;
 O tamanho da escombreira;
 Se a escombreira foi coberta por material denso e não combustível.

Segundo RICHARDS (1993) os rejeitados do processo de beneficiamento dos recursos minerais


(carvão) pode ser subdividido em três categorias com base nas propriedades de combustão:

 Sujeito a ignição espontânea;


 Combustível, mais não sujeito a combustão espontânea;
 Não combustível.

13
2.4. Mecanismos de transferências de calor

A transferência de energia em forma de calor é muito comum em muitos processos químicos e de


outros tipos. A transferência de calor é acompanhada de outras operações unitárias, tais como:
secagem de madeira ou alimentos, a destilação de álcool, a queima de um combustível e a
evaporação.

A transferência de calor se verifica devido à força impulsora devido a uma diferença de


temperatura pela qual o calor flui da região de alta temperatura à de temperatura mais baixa.
(GEANKOPLIS, 1998)

Velocidade de + Velocidade de = velocidade de + Velocidade de


(entrada ) (
de calor geracao de calor ) ( saidade calor acumulacao de calor )
) (

2.4.1. Mecanismos básicos de transferência de calor


A transferência de calor pode verificar-se por meio de um ou mais, dos três mecanismos de
transferência: condução, convenção ou radiação.

 Condução – por este mecanismo, o calor pode ser conduzida através de sólidos, líquidos e
gases. A condução se verifica mediante a transferência de energia cinética entre moléculas
adjacentes (GEANKOPLIS, 1998);

 Convecção – quando uma corrente ou uma partícula macroscópica de fluido cruza uma
superfície específica, tal como o limite de um volume de controle, leva consigo uma
determinada quantidade de entalpia. Tal fluxo de entalpia recebe o nome de fluxo convectivo
de calor ou simplesmente convecção. Posto que a convecção éum fenómeno macroscópico,
somente pode ocorrer quando actuam forças sobre a partícula ou a corrente de fluido e
mantém seu movimento frente as forças de fricção (MCCABE, 1998);

14
 Radiação – é a transferência de energia através do espaço por meio de ondas
electromagnéticas, de maneira similar as ondas electromagnéticas que propagam e transferem
a luz.
Segundo GEANKOPLIS (1998) a transferência radiante de calor é regida pelas mesmas leis
que ditam o comportamento da transferência de luz.

Para o caso em estudo, que é a transferência de calor das escombreiras para as áreas
circunvizinhas, apresentar-se-á somente a discussão referente a convecção visto que o processo
de transferência de calor ocorre entre uma superfície sólida (escombreira) e o meio fluido (ar).

2.4.2. Transferência de calor por convecção natural


Segundo GEANKOPLIS (1998) a transferência de calor por convecção natural se apresenta
quando uma superfície sólida está em contacto com um gás ou um líquido a temperatura
diferente da superfície.

As diferenças de densidade no fluido devido ao processo de aquecimento, proporcionam a forca


de flotação requerida para o movimento do fluido. A convecção livre ou natural é então uma
consequência do movimento do fluido.

2.5. Mecanismos de emissão de finos

A fluidização (estado fluidizado) é uma das possibilidades de estado de uma mistura de


partículas sólidas e um fluido (OKA, 2004). De um modo geral a fluidização é considerada como
sendo uma operação unitária da engenharia em que uma mistura fluido-sólido (para o caso em
estudo gás-sólido) se comporta como um fluido quando atravessado no sentido ascendente por
um gás ou líquido.

Em diferentes modos de fluidização, partículas movem aleatoriamente e caoticamente, ou


singularmente, ou em pequenos grupos ou em grupos largos (agrupamentos). Os agrupamentos
desintegram e reintegram alternativamente e/ou aleatoriamente. A presença de movimento ao
redor das partículas afecta significativamente a interacção das partículas e o fluido.
15
O transporte de partículas sólidas (emissão de finos) das escombreiras pode ocorrer subforma de
transporte fluidizado. O transporte fluidizado pode ser considerado como uma forma extrema de
transporte pneumático em fase densa, sendo uma extensão desse método, com o material particulado
inserido para fluir ao longo de um canal/leito fluidizado por um gás.

No ponto de fluidização, o gradiente de pressão começa a diminuir porque aumenta a porosidade


do leito; esta diminuição continua até que a velocidade seja suficientemente alta para se dar o
transporte do material; o gradiente de pressão começa depois a aumentar de novo, porque o atrito
de superfície do fluido nas paredes do tubo começa a ser significativo.

Figura 7: Gradiente de Pressão em Leito em Função da Velocidade do Fluido (COULSON & RICHARDSON, 1968)

2.6. Emissão de gases

A emissão de gases em uma escombreira esta relacionada intrinsecamente ligada as ocorrências


nas jazidas, podendo variar de escombreira para escombreira. Comummente os gases libertados
no processo de autocombustão de uma escombreira são os seguintes:

 Monóxido de carbono
 Dióxido de carbono
 Dióxido de enxofre
 Sulfureto de hidrogénio

16
Estes gases tendem a acumular-se por baixo de terrenos falsos onde a ventilação é fraca. Esta
acumulação representa um risco para trabalhos nas proximidades, particularmente para veículos
que apresenta uma ventilação fraca. Estes mesmos gases são perigosos para a saúde quer pela
intoxicação directa quer pela asfixia.

Segundo RICHARDS (1993) os gases produzidos no processo de autocombustão de uma


escombreira podem percorrer distâncias consideráveis pelo chão e podem entrar e acumular
dentro ou fora das residências/edifícios colocando os residentes ou usuários desses locais em
risco.

17
CAPITULO 3: METODOLOGIA DA PESQUISA

3. Metodologia da pesquisa

Para a presente pesquisa serão usados dados das escombreiras da Empresa Vale Moçambique,
onde se irá avaliar o seu poder calorífico no Laboratório de Carvão da Néctar, no Porto da Beira
para prever em função quantidade de mineiro existente e o seu teor, qual será a quantidade de
ganga produzida em todo processo de exploração, e prever qual a quantidade de calor emitida no
processo de autocombustão.

3.1. Histórico-lógico

O método histórico permitirá obter informações acerca do tema em estudo. Este permitirá fazer
uma revisão literária exaustiva de modo a compreender o desenvolvimento e evolução da
problemática em uma ordem cronologia.

3.2. Inquéritos

Segundo NOTARIO DE LA TORRE (1999), o inquérito é um método empírico de investigação


que permite obter informação sobre fenómenos e processos mediante um, contacto directo do
investigador.

Os inquéritos serão elaborados com vista a obter informações da população com relação as
oportunidades de negócio e o êxodo das mesmas as áreas circunvizinhas dos complexos,
mediante as técnicas de observação e entrevistas.

18
3.3. Observação

Com esta técnica será acompanhado todo o ciclo de beneficiamento do carvão até ao descarte do
estéril, visto que a forma do descarte influenciará na autocombustão do mesmo. Posteriormente
acompanhar-se-á os efeitos da combustão em poços compactados e isolados, e em forma de
pilhas para aferir a emissão de partículas visíveis.

3.4. Medição

A variável medida será a quantidade de estéril e a temperatura. Para a massa do estéril produzido
será feita uma medição indirecta, partido das relações das massas e teores do minério e do
concentrado. A temperatura será a principal variável medida, pois esta ira nos dar a conhecer os
impactos arredores das escombreiras.

3.5. Experimental

Serão feitos experimentos de combustão para os dois casos, para a mesma quantidade. Estes
experimentos serão em pequenas caixas de ensaio em ambientes controlados.

3.6. Indutivo Dedutivo

Com este Método vai se analisar os modelos teóricos apresentados por vários autores no que diz
respeito ao comportamento termodinâmicos dos combustíveis e do solo quando sujeito a fluxos
de calor.

19
CAPITULO 4: RESULTADOS

4. Resultados

4.1. Entrevistas (Caracterização do objecto de estudo e campo de acção)

A vale Moçambique é uma empresa multinacional que se encontrar a explorar o carvão mineral
em Moatize. Esta empresa está subdividida em duas directorias, a de Logística e a de Minas.

A mina de Moatize começou a operar em 2011, o primeiro transporte de carvão realizou-se em


Agosto de 2012. A concessão da mina é de 35 anos, a vale Moçambique actualmente dispõe de
uma capacidade de escoamento de 22milhoes de toneladas de carvão mineral por ano, sendo 4
milhões de toneladas por ano via o porto da Beira e 18 milhões de toneladas por ano via porto de
Nacala Porto.

Os terminais de carvão de Nacala Porto e da Beira são geridos pela directoria de logística que
trabalha com empresas terciarizadas.

A mina de Carvão de Moatize é gerida pela directoria de Minas que se encontra no distrito de
Moatize em que a mesma é encarregue de fazer não só a separação do carvão metalúrgico do
térmico, mais também das impurezas que ocorrem na jazida, visto que estes ocorrem em
simultâneo. Actualmente os rejeitados são depositados em pilhas com vista a serem
posteriormente sujeitados ao plano de recuperação ambiental.

4.2. Medição, observação e experimental

Não foi possível o deslocamento para a província de Tete para a colecta de dados pois o
departamento de Minas cita na província de Tete trabalha de uma forma independente do
departamento de Logística da Beira, sendo assim, os resultados doravante apresentados serão de
estudos realizados por vários autores, sendo a discussão de fundo a escombreira vai se utilizar os

20
dados apresentados por Lanchelt (2004) acerca do carvão de Moatize, assumindo que a
composição mineralógica do carvão é a mesma que a dos rejeitados para facilitar na modelação
do sistema. Após a modelação do sistema os dados serão compilados em um software que
permitirá obter os resultados de acordo com a realidade.

Tabela 1: Propriedades químicas do carvão de Moatize(Lanchelt, 2004)

4.3. Indutivo-dedutivo (Modelação da escombreira)

4.3.1. Modelação termodinâmica da escombreira


A composição mineralógica de uma escombreira depende essencialmente de factores: as
ocorrências da jazida e os processos de beneficiamento envolvidos para o tratamento do minério.

21
O comportamento termodinâmico (calores de reacção) das escombreiras não só depende da sua
composição mineralógica, mais também depende do fornecimento de oxigénio a mesma.

4.3.1.1. Modelação do sistema de determinação do poder calorífico líquido a pressão


constante Teórica

Segundo a norma ISO 1928:2009 (E) o poder calorífico líquido a pressão constante é o valor
absoluto do calor específico (Entalpia) de combustão, para unidade de massa do combustível
queimada em oxigénio a pressão constante de modo que toda a água dos produtos de reacção
apresente-se como vapor de água (a 0,1 MPa), os outros produtos que são para o poder calorífico
total, tudo à temperatura de referência (25ºC).

4.3.1.2. Modelação do sistema de determinação do Poder calorífico inferior e


superior (PCI e PCS) Segundo Dulong corrigido
A fórmula de Dulong corrigida nos dá o poder calorífico superior, PCS:

O kJ
PCS=337,3 C+1418,9 H− ( 8 )
+93,1 S +23,3 N
kg [ ]
Eq . 01

Multiplicando o conteúdo de hidrogénio não ligado ao oxigénio (H - O/8) por 18/2 = 9, teremos a
água que se forma na combustão (kg de agua formada por kg de H presente no combustível). Se
somarmos a água contida no sólido (W) e multiplicarmos pela entalpia de vaporização da água a
25 ºC (2.500 kJ/kg), teremos a perda de energia.

O kJ
[ ( ) ][ ]
PCI=PCS −25 9 H −
8
+W
kg
Eq .02

Para encontrar o poder calorífico que contem humidade e cinzas, partimos das análises
elementares, considerando as composições elementares (% em massa), a % de humidade (W) e a
% de cinzas (A) de forma que:

C+ H+ O+ S+ N +W + A=100 Eq . 03

22
De acordo com a norma ISO (1171:2010 E) a cinza é todo aquele material que resta depois da
incineração (queima) do carvão ou de coke no ar, esta é derivada complexos inorgânicos
presentes na substancia de carvão original e vem associados a matéria mineral.

4.3.1.3. Modelação do sistema de determinação de Entalpia a uma temperatura T

Segundo (FERNADENS, et al, 2006) nos sistemas em que há a transformação de reagentes em


produtos, através de uma reacção química, o balanço de energia irá depender das entalpias dos
reagentes que entram no reactor e dos produtos que saem do reactor. Em geral a entalpia dos
reagentes é diferente da entalpia dos produtos, havendo liberação ou absorção de calor pela
reacção.

Se o somatório das entalpias dos reagentes for maior que o somatório da entalpia dos produtos
então haverá liberação de energia durante a reacção química (reacção exotérmica). Caso o
somatório das entalpias dos reagentes for menor que o somatório da entalpia dos produtos então
haverá absorção de energia durante a reacção química (reacção endotérmica).

∆ H 0298 =∑ H produtos −∑ H reagentes Eq . 04

Para casos que a reacção não é equimolar teremos:

n A A+ nB B →nC C+ n D D Eq . 05

∆ H 0298 =n C H C +n D H D −( n A H A +n B H B ) Eq .06

O Calor de reacção de combustão (entalpia) depende principalmente dos combustíveis existentes


e a disponibilidade de oxigénio ao nível da escombreira.

∫ d ∆ H R= T
∑ T
¿
298
∫ C P dT−∑
∏ ¿ 298 ∫ C P dT Eq .07 ¿
Reag 298

23
∆ H oT =∆ H 0298 + ∑ ¿
T T

∏ ¿ ∫ niC P dT −∑ ∫ n j C P dT Eq .08 ¿
i j
298 Reag 298

4.3.1.4. Modelação do sistema de determinação da temperatura teórica de combustão


A determinação da temperatura teórica de chama não só depende dos gases envolvidos na
reacção mais também dos gases que são aquecidos neste processo, para tal temos que conhecer
qual é a composição do ar.

O ar puro é composto por 79% de ar e 21% de nitrogénio, sendo assim, como a reacção ocorre na
presença de ar, então, é necessário considerar que este ira ser aquecido, e este aquecimento terá
um efeito no sistema (MAHALLAWY e HABIK, 2002),.

Figura 8: variação da entalpia em caminhos diferentes (fonte: o autor)

Sabendo que a variação da entalpia é independente da trajectória da reacção, então:

∆ H 0298 +∆ H 0P=∆ H =0 Eq .09

Por conveniência determina-se ⟨ C 0P ⟩ H , que é a capacidade calorifica media entre as temperaturas


T 0 e T , que é igual a:

24
H −H 0 ∆H
⟨ C 0P ⟩H = ( T −T 0
= )(
T−T 0
Eq .10
)
Como o processo realiza-se a pressão constante, então∆ H =QP , logo:

QP
∫ C 0P dT
⟨ C 0P ⟩H = ( T −T 0)=
T 0

T −T 0
Eq .11

O C 0P, representa a dependencia da capacidade calorifica molar com a temperature, normalmente


expresso sob a forma de:

C 0P =A +BT +C T 2+ D T −2 Eq . 12

A variação da entalpia dos produtos quando são aquecidos é determinada por:

∆ H 0P= ⟨ C 0P ⟩ H ( T −298,15 ) Eq . 13

Onde define-se que ⟨ C 0P ⟩ H , como sendo a capacidade calorifica total a pressao constante da
corrente dos produtos:

⟨ C 0P ⟩H =∑ n i ⟨ C 0P ⟩ H Eq . 14
i
i

T T2 1
⟨ C 0P ⟩H =∑ n i ⟨ C 0P ⟩ H =∑ ni Ai + ∑ (n ¿ ¿ i ¿ Bi) 20 ( τ+ 1 )+ ∑ (n ¿ ¿i ¿ C i) 20 ( τ 2+ τ +1 ) + ∑ (n ¿ ¿ i ¿ Di) ¿¿¿¿¿¿
i
i
i i i i τ T 20

Eq .15

Onde:

T
τ=
T0

Combinando as equações 09,13, e 14 teremos:

25
∆ H 0298
T =T 0−
(⟨ ⟩ )
C 0P H
Eq .16

Onde T é a temperatura teórica máxima que o combustível pode alcançar.

4.3.2. Determinação dos Parâmetros termodinâmicos da escombreira

4.3.2.1. Determinação poder calorífico líquido teórico a pressão constante pelo


método das entalpias de formação

Para determinar o poder calorífico do carvão por meio das entalpias de formação é necessário
primeiro conhecer as principais reacções que ocorrem na queima do mesmo. De acordo com
Speight (2013) as reacções que ocorrem na queima do carvão são apresentados na tabela 2:

Principais reacções químicas que ocorrem na combustão do carvão


C (s )+O 2( g ) →C O2(g) −94.4 kCal /kg
2 C( s) +O2( g) →2 C O( g) −52,8 kCal /kg
C (s )+C O 2( g ) → 2C O ( g ) −41,2kCal /kg
2 CO( g )+O2( g) →2 C O( g) −135,3 kCal / kg
2 H 2(g )+O 2 (g) →2 H 2 O ( g ) −115,6 kCal/kg
C (s )+ H 2 O( g) →C O( g )+ H 2 (g) +31,4 kCal/kg
C (s )+ 2 H 2 O (g ) → C O 2 (g )+ 2 H 2 (g) +21,5 kCal /kg
CO (g )+ H 2 O( g) →C O 2 ( g )+ H 2 (g) −9,8 kCal /kg
Tabela 2:Principais reacções químicas que ocorrem na combustão do carvão (SPEIGHT, 2013)

Nesta pesquisa iremos usar os dados apresentados por Lanchelt (2004), sendo assim vai-se
assumir que o estéril depositado na escombreira apresenta a mesma composição mineralógica
com o minério (carvão bruto).

De acordo com Lanchelt (2004), o carvão de Moatize contém os seguintes combustíveis: C, S e


H, então, para combustão para formar as composições mais estáveis de cada combustível
teremos:
26
Reacção Entalpia de formação padrão
0
C ( s ) +O 2 ( g ) → CO2 ∆H 298 =−393,509 J /mol
0
S( s)+O2 ( g)→ SO2 ( g) ∆H 298 =−296,830 J /mol
0
1 ∆H =−241,818 J /mol
()
H 2 ( g )+
2 2
O ( g) → H 2 O ( g) 298

H 2 O(l)→ H 2 O(g) ∆ H 0298 =44,0,12 J /mol


Tabela 3:Entalpias de Formação padrão (GOMES DE AZEVEDO ,2011)

Como o carvão contem H 2 Ol , é necessario entender que esta tera um efeito sobre a entalpia
padrão (poder calorífico liquido).

Tendo como base de cálculo 1Kg de combustível, a determinação do número de moles para esta
quantidade será:

Substancia Fracção Fracção Número de moles em


mássica(%) mássica(%) Mr 1kg de combustível
(Amostra (Amostra (g/mol) w A∗mT moles
Seca) húmida) M rA ( Kg )
% A seco∗¿)
C (s ) 70,9 70,1201 12,011 58,380
S( s ) 0,7 0,6923 32,066 0,216
H 2 ( g) 3,8 3,7582 2,016 18,640
H 2 O (l) - 1,1 18,016 0,611
Cinza 18,1 17,901 - -
Outros(O , F , As , Hg , Se) 6,5 6.4285 - -
Tabela 4: Número de moles dos elementos para cada 1kg de combustível (Fonte: o autor)

H2

Como as entalpias acima apresentadas são as de reacção para encontrar a total basta adicionar
ambas pela contribuição molar de cada espécie, que reagiu, visto que os combustíveis
apresentam mesmo número de moles do produto da combustão, isto é:

58,380 C ( s ) +18,640 H 2 ( g ) +0,216 S ( s ) + 67,916 O2 ( g ) +0,611 H 2 O( l) →58,380 CO2 +0,216 SO2 (g)+19,251 H 2 O(

27
∆ H 0298 =¿

58,380∗(−393,509)+0,216∗(−296,830) +19,251∗(−241,818 ) −( 58,380∗0+18,640∗0+0,216∗0+67,916∗0+0,6

∆ H 0298 =−27517,767 KJ /Kg

∆ H 0298 =−6583,198 KCal/ Kg

4.3.2.2. Determinação poder calorífico líquido teórico a pressão constante pelo


método de Dulong corrigido
De acordo com a fórmula de Dulong corrigida e os dados apresentados por Lanchelt o poder
calorífico superior (PCS) será:

O kJ
PCS=337,3 C+1418,9 H− ( 8 )
+93,1 S +23,3 N
kg [ ]
0 kJ
PCS=337,3∗70,120+1418,9 3,758− ( 8)+93,1∗0,692+ 23,3∗0[ ]
kg

kJ
PCS=29048,127 [ ]
kg

kCal
PCS=6949,313 [ ]
kg

O carvão de Moatize apresenta uma humidade de 1,1% e o hidrogénio presente pode ser
convertido em água líquida, e posteriormente este poderá ser convertido em vapor de água, sendo
assim, estes processos de transformação irão retirar alguma energia do sistema:

O kJ
[ ( ) ][ ]
PCI=PCS −25 9 H −
8
+W
kg

0 kJ
[(
PCI=29048,127−25 9 3,758−
8)+1,1
][ ]
kg

28
kJ
PCI=28230,077 [ ]
kg

kCal
PCI=6753.610 [ ]
kg

É necessário compreender que apesar de se considerar que existe oxigénio, mais como este não
foi quantificado temos que assuimir 0.

4.3.2.3. Determinação da temperatura teórica de chama


A temperatura teórica de chama é uma das principais variáveis no dimensionamento dos poços
isolados, pois esta é a temperatura de superfície.

∆ H 0298
T =T 0−
(⟨ ⟩ )
C 0P H

A determinação da temperatura teórica de chama não só depende dos gases envolvidos na


reacção mais também dos gases que são aquecidos neste processo, para tal temos que conhecer
qual é a composição do ar.

De acordo com Law (2006), o ar puro é composto por 79% de nitrogenio e 21% de oxigénio em
termos molares e 76,8 de nitrogenio e 23,2% de oxigenio em termos massicos, sendo assim como
a reacção ocorre na presença de ar, então, é necessário considerar que este ira ser aquecido, e este
aquecimento terá um efeito no sistema, sendo assim o número de moles de N 2 alimentados por
intermédio do ar pode ser determinado por:

n N =67,916∗
2 ( 7921 )=255,494 moles

Deste jeito, os gases que deixaram o combustor apresentaram as seguintes composições (para
cada Kg de combustível):

29
Figura 9: Variação do calor de reacção a pressão de 1bar e Temperatura de 298,15 K no processo de queima de carvão de
Moatize

Sabendo que a variação da entalpia é independente da trajectória do da reacção, então:

∆ H 0298 +∆ H 0P=∆ H =0

A variação da entalpia dos produtos quando são aquecidos é determinada por:

∆ H 0P= ⟨ C 0P ⟩ H (T −298,15)

Onde define-se que ⟨ C 0P ⟩ H , como sendo a capacidade calorifica total a pressão constante da
corrente dos produtos:

⟨ C 0P ⟩H =∑ n i ⟨ C 0P ⟩ H
i
i

T T2 1
⟨ C 0P ⟩H =∑ n i (⟨ C 0P ⟩ ¿ ¿ H)=∑ ni A i + ∑ (n ¿ ¿ i¿ Bi ) 20 ( τ +1 ) + ∑ (n ¿ ¿ i ¿ Ci ) 20 ( τ 2 +τ +1 ) + ∑ (n ¿ ¿i ¿ Di ) ¿ ¿ ¿¿ ¿
i
i
i i i i τ T 20

30
A=∑ ( n ¿ ¿ i ¿ A i)=¿ ¿ ¿ ¿
i

Analógico ao feito de A, podemos determinar o valor de B, D.

B=∑ (n ¿ ¿ i ¿ B i)=1709,978¿ ¿
i

D=∑ (n ¿ ¿i ¿ D i )=−454,956¿ ¿
i

Desta forma o calor específico médio do combustível estudado toma a seguinte forma:

T0 1
⟨ C 0P ⟩H =∑ n i ⟨ C 0P ⟩ H =10341.9001+1709,978∗10−3 2
( τ +1 )−454,956∗105 2
i
i
τ T0

Onde:

T
τ= ; e T 0 =298,15 K
T0

Resolvendo a equação:

∆ H 0298
T =T 0−
(⟨ ⟩ )C 0P H

Teremos T≈2512 K, em que esta temperatura é a máxima possível a alcançar pelo combustível se
estiver queimando com quantidades de ar que favoreçam a estequiometria da reacção.

4.4. Modelação da Cinética de Combustão

4.4.1. Modelação do tempo de combustão de uma partícula


Vários modelos foram propostos para estimar a tendência de queima ou o tempo de combustão
completa das partículas do carvão. A pesquisa resumiu a teoria de Essenhigh apresentada por
Prado (1986). Essenhigh propôs o tempo de combustão completa na equação abaixo;

31
¿ ρ0 ρ0 2
t= d p ,0 + d Eq .17
2 ΛC A , b k s 8 ΛC A , b D m p ,0

A equação acima coincide com a regra de segunda ordem de Nusselt, como mostrado abaixo:

ρ0
t ¿= d 2 Eq. 18
8 Λ C A ,b Dm p ,0

Onde:

t ¿=tempo de combustao completa

C A , b=concetracao do ar ( Kg/m3 )

D m =difusividade do oxigenio no ar

Λ=factor estequiometrico da reacao

d p , 0=diametro da particula

ρ0 =densidade da particula

4.4.2. Modelação do comportamento do Solo quando sujeito a Calor


O fluxo de calor por condução pode ser comparado ao fluxo de um fluido. A permeabilidade
hidráulica é análoga a condutividade térmica. A condutividade térmica (λ) é definida como a
quantidade de calor que passa numa unidade de tempo através de uma unidade transversal,
devido a um gradiente de temperatura aplicado na direcção do fluxo. Condutividade térmica é a
propriedade essencial que controla o fluxo de calor. O uso do termo condutividade térmica é bem
empregado pois a condução de calor em condições normais ocorre essencialmente por condução.

Como a condutividade térmica da parte mineral do solo é em média aproximadamente 1,7 W


/(moK) e as condutividades térmicas da fase de água e ar são 0,6 e 0,026 W / (m oK)
respectivamente, o calor se transfere principalmente através das partículas sólidas. Devido à
condutividade térmica da água ser maior do que a do ar, um solo húmido tem uma condutividade
térmica maior do que um solo seco.

32
4.4.2.1. Condutividade térmica para solos saturados
Nos casos de solos saturados, Johansen (1975) observou que variações na microestrutura
apresentariam um efeito na condutividade térmica. Para a determinação da condutividade térmica
saturada Johansen propôs uma equação geométrica baseada nas condutividades térmicas e
volumes relativos de seus constituintes:

λ sat =λ 1−n n
s ∗λ w Eq .19

onde: λs - condutividade térmica do solo

λw - condutividade térmica da água

n – porosidade do solo.

Para a determinação da condutividade térmica saturada deve-se conhecer a condutividade


térmica do solo, em que esta pode ser estimada de acordo com a expressão:

λ s=λ qq∗λ 1−q


o Eq . 20

onde:

λq - condutividade térmica do quartzo (7,0 W/mK)

λo - condutividade térmica dos outros minerais (2,0W/m.K ou 3,0 W/m.K se houver menos de
20% de quartzo)

q – relação da quantidade de quartzo com a fracção total dos sólidos.

Deste modo pode-se então determinar a condutividade térmica para os solos finos e grossos:

1−n
λ sat =( λqq∗λ1−q
o ) ∗λnw Eq .21

33
4.4.2.2. Condutividade térmica para solo não saturado
Johansen (1975) expressou a condutividade térmica de um solo não saturado como função da
condutividade térmica seca (λseco) e saturada (λsat) para um mesmo peso específico seco.
Introduzindo o conceito de condutividade térmica normalizada, chamada de número de Karsten
(λe):

λ−λ seco
λ e=( λ sat −λ seco )
Eq .22

Ou seja a condutividade térmica de um solo não saturado será dada por:

λ=( λ ¿ ¿ sat− λseco )∗λe + λ seco Eq . 23 ¿

Em que λ seco é dado pela equação abaixo:

( 0,135 γ d +64,7 )
λ seco= ( 2700−0,947 γ d ) Eq . 24

onde:

γd – peso específico seco (kg/m3)

Com base nos dados de Kersten (1949), Johansen determinou as seguintes relações, para solos
finos e grossos:

λ e ≅ logS +1 Solos finos ; Eq . 25

λ e ≅ 0,7 logS +10 Solos grossos ; Eq .26

onde: S – grau de saturação

Deste modo pode-se então determinar a condutividade térmica para os solos finos e grossos:

 Para solos finos é válida a expressão:

34
0,135 γ d +64,7 0,135 γ d +64,7
( q
λ= ( λ q∗λ o
1−q 1−n
) n
∗λ w −
2700−0,94 γ d )
∗( logS +1 ) +
2700−0,94 γ d
; Eq . 27

 Para solos grossos é válida a expressão:

0,135 γ d +64,7 0,135 γ d +64,7


( q
λ= ( λ q∗λ o
1−q 1−n
) n
∗λ w −
2700−0,94 γ d )
∗( 0,7 logS +10 ) +
2700−0,94 γ d
; Eq. 28

4.5. Modelação do Mecanismo de transferência de calor por condução no solo

A velocidade do fluxo de calor Q em uma área A e uma pequena distância dx pode ser expressa
como:

Q=−λA ( dTdx ) Eq .29


Que é muitas vezes denominada equação de Fourier, em que o sinal negative indica que o
gradiente da temperatura é oposto a direcção do fluxo de calor e λ(normalmente expressa como
k) é a condutividade térmica do material.

Para o caso de estudo (poços isolados) assume-se uma estrutura cilíndrica oca, em que a
temperatura interna é a temperatura teórica de chama e o fluxo de calor será dependente dos
calores de reacção (para o caso em estudo o PCI).

35
Figura 10: Fluxo de calor através de uma superfície cilíndrica oca

Como a área superficial do cilindro (A) é igual a 2πrl, então teremos:

Q=−2 πrl λ ( dTdr ) Eq. 30


Integrando nos limites de r1 a r2, teremos:

r2 T2
dr
Q∫
r1
( )
r
=−2 πl λ∫ dT Eq . 31
T 1

(T ¿ ¿ 1−T 2 )
Q=2 πl λ∗ ¿
ln (r ¿ ¿ 2/r 1) Eq. 32 ¿

(T ¿ ¿ 1−T 2)
ln (r ¿ ¿ 2/r 1)=2 πl λ∗ Eq . 33 ¿ ¿
Q

Como:

H∗m c PCI∗mc
Q=∆ ; ou Q= Eq . 34
∆t ∆t

Então:

36
(T ¿¿ 1−T 2)∆ t
2 πl λ∗ ∗r 1 Eq .35¿
PCI∗mc
r 2=e

Como:

mc =ρc π r 21 l ( 1−ε ) Eq .36

Então

(T ¿ ¿1−T 2 )∆ t
2 λ∗ ∗r 1 Eq. 37 ¿
PCI∗ρ c r 21(1−ε )
r 2=e

O maior fluxo de calor regista-se quando todas partículas existentes na escombreira queimarem
ao mesmo tempo, mesmo este evento sendo impossível, é importante considera-lo questões de
dimensionamento pois, deste jeito estaríamos a reduzir os erros inerentes a questão do tempo de
combustão, sendo assim relacionando as equações 18 e 37, teremos:
2
(T ¿ ¿1−T 2)d p ,0
λ∗ 2
∗r 1 Eq .38 ¿
4∗Λ C A ,b Dm∗PCI∗r 1 (1−ε )
r 2=e

Como o material ira sofrer compactação, então terá comportamento de uma partícula, isto é
dpo=2r1, para o caso em que a esfera equivalente tenha o mesmo raio que o cilindro verifica-se a
seguinte condição:

l=2 d Eq.39

(T ¿ ¿1−T 2)
λ∗ ∗r Eq .40 ¿
Λ C A ,b D m∗PCI∗(1−ε) 1
r 2=e

(T ¿ ¿ 1−T 2 )
Fazendo: K= λ∗ =constante ; ¿
Λ C A , b D m∗PCI

O valor de k depende essencialmente da temperatura teórica de chama.

K
r 2=e (1−ε)
∗r 1 Eq . 41

37
Figura 11:Distribuição dos raios para diversas porosidades (assumindo K=2,6)

38
CAPITULO 5: DISCUSSÃO DE RESULTADOS

5. Discussão de Resultados

5.1. Entrevistas

Os resultados obtidos nas entrevistas Mostram claramente que a mina em estudo tem um
tamanho muito grande que teoricamente poderá exportar cerca 770 milhões de toneladas de
carvão tratado em todo o fase de exploração. Podendo desse jeito prever-se um cenário de
grandes deposições de rejeitados que poderão ter efeitos a saúde humana.

5.2. Histórico-lógico

5.2.1. Impactos causados pelos produtos emitidos na autocombustão da escombreira


De acordo com a composição mineralógica do carvão de Moatize apresentada por Lanchelt:

Composição elementar do carvão de Moatize (amostra húmida)

Humidade
Cinza 1.100%
17.901%

Hidrogénio
Enxofre
3.758%
0.692%
Outros (O,F,Hg,Se,As)
6.428%

Carbono
70.120%

Figura 12: Composição elementar do carvão de Moatize (amostra húmida) (Fonte: o autor)

39
A combustão destes elementos pode provocar problemas não só para o meio ambiente mais
também para a saúde humana, pois os óxidos formados por eles, contribuem para a poluição do
ar. Como não foi possível valorar a combustibilidade da escombreira é de extrema importância
uma valoração imediata, para tomada de medidas de prevenção.

5.2.1.1. Impactos causados devido a oxidação de Enxofre


O enxofre pode ser encontrado no carvão de três formas distintas, que são: em compostos
orgânicos, combinações inorgânicas (marcasite e pirite) e sulfatos inorgânicos. A marcasite e
pirite são duas formas cristalinas de FeS 2, são difíceis de os distinguir por isso tem sido
considerado ambos como pirite que é incorrecto (SPEIGHT, 2013).

A maior parte do enxofre existente nos combustíveis fosseis é convertido em dióxido de enxofre
(SO2), mais uma percentagem reduzida do mesmo é convertida em trióxido de enxofre (SO 3), ou
em ácido sulfúrico como mostrado nas reacções abaixo:

S+O 2 → S O2 (1a etapa)

1
S O 2+ O 2 → S O3 (2a etapa)
2

O dióxido de enxofre é um gás não inflamável, não explosivo e incolor que causa uma sensação
de gosto, em concentrações que oscilam entre 0,1 – 1,0 partes por milhão por volume (ppmv) no
ar. Em concentrações maiores que 3,0ppm, o gás tem um odor irritante intenso (MILLER, 2005).
Uns dos efeitos de principal destaque dos óxidos de enxofre são as chuvas ácidas, os compostos
de enxofre são responsáveis pela degradação dos materiais, os óxidos de enxofre geralmente
aceleram a corrosão por formar ácido sulfúrico na atmosfera ou na superfície do metal. A
temperatura e a humidade relativa influenciam significativamente na velocidade de corrosão.

5.2.1.2. Compostos voláteis


De acordo com norma ISO (562:2010 E), o material volátil é determinado como sendo a perda
de massa, menos a devido a humidade, quando o carvão ou o Coke é aquecido sem contacto com
o ar em condições padrão.

40
A pesquisa realizada por Lanchelt (2004) mostra claramente a existência de 17,8% (amostra
seca) de compostos voláteis. Alguns dos constituintes da matéria volátil do carvão são: Arsénio,
Flúor, Mercúrio (combinado), Selénio o hidrogénio, metano e outros hidrocarbonetos, amónia e
dióxido de carbono (SPEIGHT, 2013).

Os compostos voláteis como Arsénio, Flúor, Mercúrio (combinado) e Selénio. Em auto


combustão de escombreira estes elementos podem volatilizar e serem absorvidos directamente
ou pela fixação em plantações de alimentos e que também poderão ser ingeridos.

a) Flúor e Arsénio

A ingestão ou exposição destes elementos podem causar problemas severos de saúde humana,
estes problemas que já foram vividos na zona rural da China, onde o carvão mineral era usado ao
nível residencial, causando problema como Fluorose (dental/esquelética) e Arsenose
(Hiperkeratose) (STRACHER, et al, 2011).

Figura 13: (a) Fluorose Dentaria na província de Guizhou , China, causado pela queima de carvão enriquecido com flúor. (b)
Arsenose (hiperkeratose) na província de Ghizhou na China, causada pela queima do carvão enriquecido com arsénio
(STRACHER, et al, 2011).

b) Mercúrio

O mercúrio (Hg) é um metal líquido prateado, é considerado tóxico na forma de metil mercúrio é
extremamente tóxico, este comummente ocorre como traços em torno do combustível. Em um
ambiente natural, o mercúrio sofre uma serie de transformações químicas de modo a se converter

41
na sua forma mais tóxica metil-mercúrio (CH3Hg), que é concentrado em peixes e aves (Miller,
2005).

c) Selénio

O selénio (Se) é considerado um elemento essencial, mais é considerado tóxico em excesso na


dieta e é também carcinógeno os animais que consomem plantas com excesso de selénio podem
sofrer de duas doenças, doença de álcali e pode provocar infertilidade e cirrose do fígado, em
casos extremos a morte (MILLER, 2005).

5.2.1.3. Impactos causados devido a oxidação de Carbono


As oxidações dos carbonos dos carvões podem originar monóxido de carbono (CO) e dióxido de
carbono (CO2) como mostrado nas reacções abaixo:

1
C+ O →CO
2 2

C+ O 2 → C O 2

a) Monóxido de carbono

O monóxido de carbono é um gás incolor, sem cheiro, que é muito estável e tem uma vida de 2
-4 meses na atmosfera, este normalmente é formado quando o combustível (C) não queima
completamente. Concentrações altas de CO podem causar problemas fisiológicos e patológicos
que podem causar a morte.

b) Dióxido de carbono

O dióxido de carbono é gás incolor, sem cheiro, inerte e prejudicial a saúde pois este tende a
substituir o oxigénio, tendo uma acção asfixiante. O CO2 é encontrado naturalmente na
atmosfera em concentrações aproximadas a 0,03% ou 300ppmv. As concentrações de 3 – 6 %
pode causar dores de cabeça e transpiração. Concentrações de 6 – 10% pode causar dores de
cabeça, tremores, distúrbios visuais e inconsciência. Concentrações acima de 10% podem causar
inconsciência, que eventualmente pode levar a morte (BAUKAL,Jr, 2001).

42
5.3. Indutivo – dedutivo

Após a determinação analítica dos calores de reacção a 25ºC, aplicando as entalpias de formação
obteve-se o valor de 6583,198 Kcal/Kg, e segundo a fórmula de Dulong corrigido obteve-se um
valor de 6753,610 Kcal/Kg. A fórmula de Dulong corrigida é mais precisa que a das entalpias de
formação pois esta aproxima-se mais da obtida experimentalmente por Lanchelt que é de
6888Kcal/Kg.

Figura 14: Comparação do poder calorífico (Fonte: o autor)

Esta diferença deve-se ao facto de que os cálculos das entalpias de formação padrão só
considerar as formas mais estáveis como sendo os produtos de reacção e por não considerarem
os compostos voláteis como combustíveis, enquanto que a fórmula de Dulong corrigido é uma
expressão empírica determinada por vários ensaios para determinar o comportamento do carvão
quando submetido a combustão, sendo o poder calorífico inferior o de principal destaque por
considerar o efeito da humidade no sistema.

O comportamento do solo quando sujeitado a variações de temperatura depende muito do tipo de


solo (se fino ou grosso) e da saturação do mesmo, para tal necessita-se de estudos profundos no
local escolhido para a deposição dos resíduos, pois a condutibilidade do solo depende da
composição mineralógica do solo. Esta determinação dos parâmetros irá garantir que cada poço
não tenha efeitos significativos nos outros.

43
CAPITULO 6: LIMITAÇÕES, CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES

6. Limitações, Conclusões e Recomendações

6.1. Limitações

A pesquisa enfrentou dificuldades no deslocamento para a província de Tete, mais


especificamente no distrito de Moatize para recolha de dados e amostras para análise da mesma,
sendo assim não foi possível qualificar os rejeitados, por falta de recurso logísticos para a
mesma. Pelos factores acima apresentados não foi possível conhecer a quantidade dos rejeitados
nos processos de separação, nem a sua composição mineralógica, impossibilitando assim a
previsão da quantidade de rejeitados que irá ser produzida em todo processo e o seu
comportamento.

6.2. Conclusões

Este estudo teve como principal objectivo a Analisar o aumento da temperatura e a emissão de
gases e partículas finas nas áreas circunvizinhas das escombreiras de carvão devido a
autocombustão destas, de modo a minimizar os efeitos da mesma.

Com a presente pesquisa aplicando o método indutivo-dedutivo foi possível propor estratégias
com vista o dimensionamento dos poços isolados, de modo a reduzir a probabilidade de
autocombustão das escombreiras e consequentemente o aumento da temperatura e a emissão de
gases e partículas finas nas áreas circunvizinhas.

A pirite é a principal fonte de autocombustão das escombreiras, por causa da facilidade de


ocorrência do seu processo de oxidação e pelo facto de que a sua oxidação ser exotérmica. A
elevação da temperatura devido a reacção exotérmica de oxidação ira elevar a temperatura da
vizinhança e se esta atingir a sua temperatura de ignição, aliado a outros factores como o
fornecimento de oxigénio, irá dar origem a autocombustão da escombreira.

44
A compactação da escombreira irá reduzir a fracção dos espaços vazios (porosidade), que irá
limitar o processo de autocombustão, mais se esta não for boa, poderá acontecer a
autocombustão mais que liberta gases não estáveis devido a combustão incompleta.

O software neste trabalho, que permite determinar (atribuído o nome de F&Dmanharage


calculadora) irá auxiliar no futuro, quando estudos forem realizados acerca da composição da
escombreira para avaliar a combustibilidade da mesma, pois nem toda escombreira poderá entrar
em combustão.

6.3. Recomendações

Com vista a garantir o bem estar da comunidade circunvizinha dos complexos minérios (carvão),
é necessário que se faça um estudo profundo acerca da composição mineralógica dos rejeitados
do carvão, visto que a pesquisa realizada não teve não obteve estes dados, para poder aferir o seu
comportamento.

Como as fontes de combustão das escombreiras são diversas mais é necessário fazer um estudo
forte acerca da quantidade de pirite existente na mesma, pois este tem sido a principal fonte de
autocombustão das escombreias.

No caso da aplicação dos poços isolados é recomendado que estes sejam feitos nas jazidas onde
outrora foram extraídos. Os mesmos devem ser bem compactados e desenvolver-se um plano de
reflorestamento com plantas nativas no mesmo local.

45
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46
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47
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48
ANEXOS

Anexo I: Dedução da temperatura teórica de Chama

∆ H 0298
T =T 0−
(⟨ ⟩ )C 0P H

∆ H 0298
T −T 0=
(⟨ ⟩ )C 0P H

( T −T 0 ) ¿
PARA C i=0

( T −T 0 ) ¿

( T −T 0 ) ¿
1 1
∑ (ni ¿ Ai )(T 2∗T 0)−∑ (ni ¿ Ai )(T∗T 20)+ 2 ∑ (n ¿ ¿ i ¿ Bi )( T 0 T 3+ T 2∗T 20 )− 2 ∑ ( n ¿ ¿ i¿ Bi )( T 20 T 2 +T∗T 30 )+∑ (n ¿ ¿
i i i i i

1
∑ (n ¿ ¿ i¿ Bi )( T 0 T 3 ) +∑ (ni ¿ A i)T 0∗T 2−¿ ¿ ¿ ¿
2 i i

1
¿
2

A
Anexo II: software desenvolvido para a pesquisa (F&Dmanharage)