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Hindu

“Então Ele se deu conta, e disse: Eu sou a criação, pois Eu a retirei de mim mesmo. Desse modo Ele se tornou a sua criação. 
Em verdade, aquele que conhece isso se torna, nessa criação, um criador”. 
(Upanishads)

O Hinduísmo não separa o conhecimento em compartimentos estanques. A filosofia, a mitologia e a espiritualidade nessa tradição estão
integradas. O mito tem grande importância porque procura uma maneira de apreender a essência das coisas e fatos. Por isso descreve não
apenas uma realidade, mas a percepção humana de eventos e experiências da realidade. As filosofias da Índia se concentram na essência
da verdade última e fundamental. Consideram o pensamento lógico inadequado e insuficiente para captar e expressar essa verdade. A
espiritualidade é vivenciada naturalmente, e o sagrado está presente no cotidiano experimentado pelos adeptos do hinduísmo. Sem dúvida
o coração espiritual do mundo pulsa e vibra nessa tradição milenar que apresenta uma concepção unificante do sentido da vida, e de estar
vivo.

COSMOLOGIA E TEOGONIA
O MITO PRIMAL
No vazio, infinitas possibilidades navegavam entre o ser e o não ser. Brahman, Aquele que se expande, e que não tem início nem fim,
Aquele que é e que está além do tempo e do espaço, e de toda compreensão e definição, decide criar. 

Brahma
Da sua vontade a energia criadora Brahma desabrocha. Brahma, que estava em estado latente, adormecido nos infinitos azuis, aguardava o
momento de entrar em ação. Ele desperta e tem inicio a criação e manifestação dos universos, das galáxias e dos mundos. 

Quando Brahma desperta, o “OM”, o “Pranava” o som da criação desloca a energia da qual todas as coisas são manifestações. De seus olhos
emana a luz que revela e do som a forma ao universo, as miríades de galáxias, e sistemas estelares. Assim nasce o Dia de Brahma, que terá
a duração de 311 trilhões de anos. 

Quando o universo atinge o máximo de sua expansão começa a retrair-se e desaparece. O vazio outra vez espera o momento do nascimento
de mais um Dia de Brahma ter início. Isso acontecerá quando pela vontade de Brahman outro universo nascerá e assim sucessivamente. 

É interessante lembrar que a mitologia hindu já falava de expansão e retração do universo mais de cinco mil anos atrás. Hoje os astrônomos
e astrofísicos confirmam cientificamente as afirmações feitas pelos mitos hindus da criação. 

A seguir, Brahma, a energia criadora, faz surgir de si mesmo seu aspecto feminino Saraswati, a deusa da sabedoria, a portadora do
conhecimento e da inspiração. A deusa, que detém em suas mãos os livros sagrados e a “vina”, um instrumento de cordas que ao serem
tangidas libera o som do “OM”. 
Na sequência, Vishnu, a energia mantenedora, surge deitado sobre a serpente da eternidade navegando no oceano cósmico. Dele surge seu
aspecto feminino Lakshimi, a deusa da beleza, harmonia, criatividade e acolhimento. Ele dorme e sonha, e o seu sonho se traduz como a
manifestação material da vida. Lakshimi, com amor, massageia seus pés suavemente para que ele não acorde, e Maya, a ilusão, continue
mantendo a realidade material, e a forma de todas as coisas. 

Shiva, a potência transformadora, dança a Tandava, a dança das possibilidades, da transformação, então entra  em ação. Ele é a energia
que movimenta a criação e destruição de tudo que existe. Shiva, assim como Brahma e Vishnu, também estão no interior de todos os seres,
que por sua vez são partículas infinitesimais do universo e emanações de Brahman, O Indecifrável e eternamente louvado.  

COMENTÁRIO

Platão disse que a alma é uma círculo e Deus é um ponto no centro do círculo. Seguindo esse raciocínio, os mitos primais e a teogonia e
cosmologia hindus ensinam que do centro do círculo, Brahman, o ponto, emana sua vontade, e sua vontade se revela como a criação, a
manutenção e a transformação de tudo que existe. É desse centro que provém a energia que tem como vestimenta sagrada a natureza, e
nos faz humanos e divinos ao mesmo tempo. Somos cocriadores, mantenedores e transformadores, assim como os três aspectos da
Trimurthy. Quando rompemos os véus da ignorância, tomamos consciência da nossa verdadeira identidade e origem. A partir daí acontece a
conexão com o divino pelo coração, e descobrimos que a transcendência é o esteio da sobrevivência, e o espírito é o lustro e o lastro da
razão. E assim atingimos a excelência humana, usufruímos da vida sem empobrecê-la, e servimos a vida com reverência. Desse modo nos
capacitamos para a fusão com o divino, o centro do mistério do nosso ser profundo.  

UMA BREVE INTRODUÇÂO AO HINDUÍSMO


Há cerca de 3000 anos A.C., uma civilização muito adiantada habitava o vale do Rio Indo. Pouco se sabe ainda sobre essa civilização, mas
as ruínas de duas cidades denominadas Mohenjodaro e Harapa atestam que esse povo possuía uma arquitetura preciosa, excelente traçado
urbano, reservatórios de água e sistema de saneamento básico, armazenagem de grãos sofisticados, e anfiteatros para reuniões públicas e
espetáculos artísticos. O povo que lá vivia era chamado drávida. 

Esculturas e afrescos nas paredes das duas cidades evidenciam que os drávidas eram muito espiritualizados e que reverenciavam as forças
da natureza, e a Mãe Terra. 

Shiva e Shakti
O culto a Shiva, o Senhor da Natureza, e a Shakti, a deusa, assim como à serpente, ao touro e ao elefante era uma característica desse
povo. 
Por volta de 1500 A.C., povos nômades arianos chegaram ao vale do rio Indo, vindos do nordeste da Ásia. Os drávidas foram dominados
pelos invasores, mas sua cultura e religiosidade se entrelaçaram. Os arianos trouxeram os Vedas, sua filosofia e mitologia, e os panteões
mitológicos assim como sistemas filosóficos se mesclaram. Dessa mistura nasceram os fundamentos do hinduísmo. 

O hinduísmo é mais do que uma religião, é também uma filosofia e uma conduta de vida. Não se baseia num único livro sagrado - e sim em
vários, todos de igual relevância - e nos ensinamentos de vários mestres. Ele representa uma cultura no mais amplo sentido do termo e,
como tal, foi influenciado por outras culturas que para ele convergiram. Dentre essas culturas e religiões que foram importantes na
formação do hinduísmo moderno destacam-se o jainismo e o islamismo. Não se trata de uma religião politeísta nem mesmo panteísta como
muitos julgam, mas, monista. Baseia-se em um só Princípio que se revela em múltiplos aspectos, os deuses e deusas.

 SHAKTI – A DEUSA
Potência Realizadora

Durga, um dos aspectos da Energia Sagrada Feminina


Para o hinduísmo o idealizador do mundo, para realizar seu desejo, precisa de um poder executivo, de uma energia que materialize sua
intenção; essa energia é a Shakti, sua primeira manifestação, seu complemento, nascido de Si mesmo. Sem a Shakti, a Deusa, não há
manifestação da criação. Num mundo cuja essência é energia é implícita a necessidade de dois polos aparentemente opostos, mas que são
complementares. Já que a matéria não é estável, pois é pura energia organizada no espaço-tempo. O masculino e o feminino, o poder
idealizador e o poder materializador. A deusa é a força de coesão, a força centrípeta, que organiza a matéria. Ela é o receptáculo e o
sustentáculo de toda a criação manifestada.

COMENTÁRIO

Como energia que movimenta a vida manifestada, a deusa é una e é múltipla. É por isso que ela tem muitos nomes e formas, que podem
parecer contrários, mas que são aspectos da unidade na diversidade das expressões de seu poder. A deusa é a energia primordial em
movimento, a shakti, é também a origem dos ciclos do tempo. O culto à serpente está ligado à shakti-kundalini. A kundalini (serpente) é a
energia adormecida e enrolada no início da coluna vertebral e, quando se desenrola, abre os portais da percepção superior. Por isso Shiva é
sempre representado com serpentes em volta do pescoço braços e cintura, e Kali, um dos aspectos da deusa, em alguns lugares da Índia é
representada envolta em várias serpentes. 

OS DEUSES   

BRAHMA
Brahma, a energia criadora do Inominável. É o deus todo impregnado da Divina Essência de onde tudo flui e para onde tudo retorna. Essa
essência, embora seja invisível, está presente em todas as coisas. Depois de algum tempo, várias lendas surgiram sobre o nascimento de
Brahma como um deus personificado. A mais conhecida delas narra que Brahma, enquanto energia sem forma, criou as águas e nela deixou
cair um ovo de ouro, chamado Hiranyagarba. Esse ovo de ouro continha a potencialidade de todas as formas da matéria diferenciada e é a
origem da vida e da natureza, e de tudo que existe. A cosmologia hinduísta se baseia no chamado "Dias de Vida de Brahma".  Quando ele
desperta de seu sono cósmico e abre os olhos, o universo é criado. A noite de Brahma é a retração do universo. Um dia de Brahma é
chamado Kalpa e dura 4.320.000 anos solares. Um ano cósmico equivale a 360 desse dias e dessas noites. A vida completa de Brahma atinge
100 desses anos...

A representação de Brahma é um homem com quatro rostos dos quais são visíveis apenas três já que a outra face está na parte posterior da
cabeça. Os rostos representam os 4 quadrantes do universo. Também tem quatro braços e quatro mãos. Na mão direita carrega um
recipiente com água, simbolizando a água da vida, na mão direita superior traz um livro que simboliza o conhecimento, os Vedas, Na mão
esquerda superior segura uma flor de lótus, símbolo da pureza espiritual, e a mão esquerda inferior abençoa ou traz um “japamala” (um
tipo de terço) que simboliza o tempo. É apresentado montado no seu veículo animal, o ganso ou o cisne, que são símbolos do
discernimento. Algumas vezes é mostrado dirigindo uma carruagem puxada por 7 gansos que representam os sete mundos. O caráter
abstrato do deus Brahma não foi assimilado pela maioria da população e o seu culto por isso se diluiu no tempo, restando muito poucos
templos dedicados a ele.

VISHNU
Uma das escrituras sagradas do hinduísmo, o Padma Purana diz que o Ser Supremo desejou manifestar-se e criar o universo e os mundos.
Para tal em primeiro lugar, criou a si mesmo, na forma de Brahma, a partir do seu lado esquerdo. A seguir criou Vishnu de seu lado direito.
Como havia criado, sentiu a necessidade de preservar sua criação, e para a evolução de Sua obra,  do centro do seu corpo fez brotar Shiwa,
o poder responsável pela transformação e renovação constante de tudo que existe.
Sua vontade de preservar a criação se manifestou com Vishnu Narayana. O deus Vishnu Narayana surgiu deitado nos anéis do corpo da
serpente Sesha e sonha, e assim preserva a existência navegando pelo oceano cósmico. O sonho de Vishnu é toda a criação; enquanto
sonha, do seu umbigo surge o caule de uma flor de lótus, Quando a flor se abre, Brahma senta-se no centro dela para viver seu “kalpa”, o
Dia de Brahma. Após esse período, termina o sonho de Vishnu, a flor de lótus se fecha e o universo se dissolve no vazio. A flor desaparece
para aparecer no próximo sonho de Vishnu e assim sucessivamente.
Vishnu é representado com pele azul escuro. Possui quatro braços e mãos. Veste-se com uma calça de seda da cor amarelo ouro e traz o
dorso nu adornado por jóias. Na cabeça carrega uma coroa ricamente cravejada de pedras preciosas. Carrega em suas mãos uma borduna
de ouro, o chakra (roda), um grande búzio e uma flor de lótus. A borduna simboliza a luta pela vida, o chakra a energia que tudo permeia e
movimenta, o búzio, representa o som primordial que gera as formas da natureza, e a flor de lótus representa a espiritualidade. No plano
superior Vaikunta é a morada, o domínio particular de Vishnu. Como o Senhor de Vaikunta ele é chamado Vaikuntanatta, e é representado
com quatro cabeças e oito braços, e simboliza a integração das polaridades, a inteireza. Os avatares são aspectos do deus Vishnu. Esses
seres são raios divinos que assumem forma humana e são considerados encarnações terrenas de Vishnu. Muitos templos são dedicados a
Vishnu e estão espalhados por toda a Índia.

Comentário – No hinduísmo temos deuses védicos e deuses purânicos. Os deuses védicos trazidos pelos arianos se mesclaram aos deuses
preexistentes e às crenças do povo local. Os Puranas são narrativas descritas e condensadas sobre o nascimento, o complemento feminino,
ou seja, a deusa shakti do deus, as funções e grandes aventuras e feitos épicos dos diversos deuses e heróis. Alguns deuses védicos foram
incluídos nos Puranas, outros se fundiram em um único deus com atributos mais amplos. Vishnu é um exemplo disso. Nos Vedas ele não é
um deus importante, porém durante o período épico ele foi identificado com Krishna, o herói máximo do hinduísmo, considerado um deus
vivo, e isso redimensionou sua importância.

SHIVA
Shiva significa o bondoso e todo auspicioso. Nas ruínas de Mohenjo-Dharo e Harapa cidades localizadas no vale do rio Indo foram
encontradas imagens de 3000 anos  representativas  daquele que veio a ser Shiva, o Senhor dos Três Mundos. Nas esculturas e relevos
encontrados ele tem três cabeças, está sentado na posição de iogue, e tem ao seu redor vários animais. Durante mais de 30 anos Shiva vem
sendo adorado e várias narrativas purânicas o enaltecem sob diferentes aspectos. Esse deus provavelmente é o precursor de Shiva. 
Os arianos védicos não têm Shiva em seu panteão de deuses, mas Rudra, um deus védico foi assimilado no hinduísmo moderno como um
aspecto violento de Shiva. O deus enquanto Rudra é o Senhor das Tempestades, do desencadeamento incontrolável das forças naturais, e é
temido pelos outros deuses e visto como o aspecto irado de Shiva. O deus apresenta um aspecto benevolente e um aspecto violento. No
Ramayana e no Mahabharata, duas epopéias sagradas do hinduísmo, o deus é o todo poderoso Senhor dos Himalayas e Pashupathi o Senhor
da Natureza que tem nas mãos o Trishula, a arma mais poderosa do mundo. Essa arma é um tridente que representa os três mundos, físico,
astral e causal assim como os três gunas, qualidades inerentes a tudo que existe: Tamas, inércia, Rajas movimento, Satwa, essência pura. 

O símbolo de Shiva é o Linga, ou Lingam, que significa falo. O portador do mistério do principio criador que dá vida a novos seres e que
contém potencialmente toda a herança divina e a memória genética das espécies. No Shiva Purana, Vidyeshvara Samhita, está escrito:
“Shiva disse: Não sou diferente do falo. O falo é idêntico a mim. Ele aproxima de mim os fiéis, portanto é preciso venerá-lo. Meus bem
amados! Onde há um linga, estou presente.”
A união de Shiva-Shakti é representada pelo Linga depositado na “argüia”, o seu receptáculo. A união do Lingan e da Ione é a integração
das polaridades masculina e  feminina, o universo e a natureza em eterna conjunção amorosa. Segundo as escrituras sagradas existem
lingans exteriores e interiores e imateriais, não perceptíveis, porém reconhecíveis por aqueles que atingiram o conhecimento superior. As
vezes o lingan é representado como um obelisco, um pilar erguido no pátio dos templos dedicados ao deus. Shiva é adorado por milhões de
devotos em inúmeros templos espalhados por todo o território indiano.

ASPECTOS DE SHIVA

Nataraja (O Senhor da Dança) – Como Nataraja o deus executa sua dança cósmica denominada Tandava e assim destrói e recria universos e
mundos. Trás em uma das mãos o tambor Damaru que tem a força de uma ampulheta, simbolizando a criação do espaço tempo, e quando o
deus bate o tambor o OM ressoa em todos os quadrantes do universo criado. Na mão superior do lado direito ele carrega o fogo da
transformação e transmutação e a mão do braço inferior aponta para o joelho erguido enquanto ele se equilibra num pé só e dança. Ele
reprenta a possibilidade do êxtase da superação dos limites do intelecto, para o contato com o divino para receber mensagens de
sabedoria. Como Lalatatilakam, ele tem oito ou dezesseis braços. E tem um dos pés sobre o anão Apasmar, que simpboliza o eu inferior,
enquanto o outro se ergue no alto.

Pashupati – O Senhor dos Animais – O rebanho de Shiva-Rudra compreende todos os seres vivos, inclusive a humanidade. Entre animais
deuses e humanos a diferença está nos papéis que representam e no nível de consciência. Como Pashupati, Shiva vela pela natureza, pelos
animais e pelos homens. Para tem criou os gênios das florestas, os gnomos, as sílfides, sátiros, ninfas e devas (anjos). Pashupati chefia
esses gênios e se manifesta através deles no mundo natural. O deus tem como função ensinar aos homens qual o seu verdadeiro lugar e qual
o seu papel na natureza. Ele ensina que os seres humanos são mais um dentre os elementos de uma totalidade, e que essa totalidade é a
obra de Deus.

Ardhanarishvara – O Divino Hermafrodita – O Princípio Universal. Representado como homem do lado direito e mulher do lado esquerdo. O
poder de conceber e o poder de realizar, quando estão reunidos se manifestam no limite entre o manifesto e o não manifesto, esse ponto
se chama “bindu”, é o ponto de partida do espaço tempo. É desse ponto que surge “nada” o som sagrado que é a substância do universo.
Interessante salientar que o espaço é o princípio feminino e o tempo é o masculino. A divindade é feminina e masculina. O deus no seu
aspecto andrógino simboliza a superação dos opostos.

Sthanu- O Pilar de Sustentação – Nesse aspecto o deus é representado como a coluna mestra do templo e sua energia é a coluna mestra que
sustenta o caráter dos homens e mulheres que o adoram.

Mahadeva – O Grande Deus – Nesse aspecto ele engloba Girisha, O Senhor da Montanha, é Bhava, o rei, Sharva, o arqueiro, Shambhu o
benévolo, Shankara, o todo auspicioso, e todos os outros sob os quais se expressa.

Iogeshwara – Mahaiogue -  nesse aspecto Shiva ensina aos seres do mundo a religação,  o ioga, o caminho do autoconhecimento, da
autorrealização e da comunicação sutil com diferentes níveis de realidade.

Gajasura-Murti – O Protetor dos Rituais – Nesse aspecto Shiva é retratado com um pé sobre uma cabeça de elefante e uma perna erguida.
Tem seis braços. Do lado esquerdo carrega o tambor Damaru e uma flor de lótus no superior esquerdo a mão espalmada voltada para o lado
de fora. Nos braço superior direito um pequeno machado e nos dois inferiores um “pasha” um laço e uma chama acesa. Protege os rituais
oferecidos ao Lingan.

Bhairava – O Terrível – É representado de pé acompanhado de um cão. Tem os cabelos eriçados e  em chamas.  Tem quatro braços nos dois
do lado esquerdo carrega uma naja e um tridente nos da direita o “pash”, o laço e uma cuia. Esse aspecto é reverenciado por marginais e
pelos intocáveis.

Sadashiwa – O Eterno – També é conhecido como Panchanana, o que tem cinco faces. É retratado com cinco faces e dez braços. Nesse
aspecto ele representa a criação, a preservação, destruição o mistério e a redenção.

OS DEUSES VÉDICOS
Os arianos védicos adoravam as forças da natureza e assim teve início o culto animístico entre eles, isso trouxe a visão da natureza animada
e inteligente. Os fenômenos naturais exerciam enorme influencia na vida exterior e no universo interior desses povos. Como os fenômenos
eram inexplicáveis e assustadores foram criadas para eles personalidades individuais, características, formas, égides e domínios para que
pudessem ser invocados pelas pessoas como entidades divinas. E assim os fenômenos naturais assumiram gradualmente formas humanas,
frutos da imaginação coletiva para poder identificar os objetos de sua devoção, louvar e eventualmente aplacar sua ira. A seguir vamos
apresentar alguns dos principais deuses védicos.

A TRINDADE VÉDICA - Inicialmente a divina trindade védica se constituía dos deuses Agni, Indra e Surya. Porém vários mitos da criação se
referem a Projapati, como do deus criador  do universo, do mundo e de todos os deuses. Dyaus era o nome do céu e Prithivi da Terra e
também eram considerados os pais de todos os seres e de todos os deuses.
AGNI -  O fogo sagrado e sacrificial foi personalizado como Agni, e é considerado como o mensageiro luminoso entre os homens e os deuses.
Suas labaredas levam às intenções, os desejos, as orações e os sacrifícios dos homens para o céu na esperança de receber graças. Ele é
representado com dois ou sete braços, duas cabeças e três pernas. Das duas bocas saem chamas como línguas ardentes, e estas lambem a
manteiga clarificada “ghee” oferecida a ele nos rituais. A manteiga clarificada simboliza a purificação da mente. Nas gravuras e estatuas
Agni aparece montado em um carneiro ou dentro de uma carruagem puxada por cavalos de fogo. Seus atributos são o machado que abate
para recriar, a tocha do fogo transmutador, e a lança flamejante que indica ciminhos de transformação.

INDRA - Ele é senhor de todos os elementos naturais, da fertilidade da terra e da chuva. Seus domínios são os céus. Sempre que a seca
avassala a terra e ameaça as populações com a fome e a sede Indra é invocado para que envie as chuvas redentoras. Indra o senhor dos
exércitos de devas e elementais do ar comanda inúmeros seres mágicos que produzem sons celestiais e organizam e formam as nuvens.
Estas por sua vez trazem as chuvas que eliminam os danos da estiagem. Ele é representado montado em um elefante que possui três
trombas e quatro presas. O deus tem quatro braços e seus atributos são a espada que defende do mal e ceifa para  transformar, o arco e as
flechas que indicam a intenção e a determinação, um cetro como símbolo do seu poder e um “vajra” curador. Interessante ressaltar que no
Tibet o “vajra” já era e é utilizado através dos tempos nos rituais de cura tântrica, trata-se de um objeto que simboliza a união das
polaridades, Indra é retratado algumas vezes com dois braços apenas e olhos por todo o corpo.
SURYA - O Deus Sol – É adorado como o criador do universo e aquele que engendrou Yama e Yami as primeiras criaturas humanas sobre a
Terra. Os seres correspondentes a Adão e Eva na mitologia judaico cristã. Surya  também é conhecido como Savita. Ele percorre os céus
sentado em uma carruagem dourada, puxada por sete cavalos ou por um só cavalo com sete cabeças. Ele é todo dourado e traz na cabeça
uma coroa e atraz dele um resplendor. É representado com duas mãos, em cada uma delas carrega uma flor de lótus ou então com quatro
braços e mãos, carregando delas uma flor de lótus, um disco que gira em velocidade (chakra), um búzio e numa delas faz o “abaya mudra”,
o gesto que significa “não tema”. No hinduísmo moderno Surya ocupa uma posição pouco significativa. Ele está entre os deuses associados
aos planetas e estrelas. Atualmente Surya vem sendo cada vez mais assimilado por Vishnu.

SOMA – O deus do êxtase. Soma rege a mente humana e  produz “amrita” que é o alimento dos deuses. Ele é filho de Varuna, o senhor dos
oceanos que lhe ofereceu o posto de deus da lua. Os 36.000 deuses se alimentam da “amrita” produzida por Soma durante um mês, e o
fazem para poder conservar sua imortalidade. Isso enfraquece muito o deus Soma seu corpo diminui aos poucos até que ele definha (as
fases da lua). Então, Surya, o deus Sol aquece os oceanos, e as águas vão até Soma como vapor hidratante e então as suas forças são
restituídas. E assim, ele volta a crescer e a produzir amrita um processo contínuo. Ele também é conhecido pelo nome de Chandra. É
representado sentado numa flor de lótus sobre uma carruagem prateada que tem a forma de dois cornos, e é puxada por um antílope. O
deus tem dois braços e com a mão esquerda abençoa enquanto a outra ergue um cetro, símbolo do seu poder

VARUNA – Inicialmente era considerado o regente da ordem cósmica. Seu olho único era o sol e sua respiração os ventos. Reza o mito que
depois de uma batalha entre os deuses os vencedores definiram outra hierarquia e nova ordem de importância e regência, e a Varuna
coube apenas os oceanos, o que não é pouco, pois corresponde a setenta por cento do planeta Terra. Ele é representado montado sobre o
lombo de um monstro marinho chamado Mekara, metade uma mistura de peixe, tartaruga e antílope. Tem três ou quatro braços e seus
atributos são a serpente significando a sinuosidade das águas do mar e o laço semelhante ao ANK egípcio simbolizando a trajetória do
homem na busca de si mesmo.

VAYU- O deus dos ventos, é também chamado Vata, o purificador. Nos hinos védicos ele é descrito como infinitamente belo. Quando se
locomove em sua carruagem celeste puxada com cem cavalos brancos faz muito ruído e vai limpando a atmosfera e renovando a vida
permitindo que as semente se espalhem e as colheitas seja abundantes. Vayu tem como atributos  dois estandartes brancos.

YAMA – O Deus da morte foi em princípio o primeiro mortal. Foi morrendo que ele encontrou o mundo dos mortos, e desde então é quem
guia todos os seres depois da morte para o seu reino invisível. Yama é também o deus que arbitra a morte, define dia, hora e maneira de
cada ser vivo morrer. Nas ilustrações ele é representado com a pele verde e as vestes vermelhas. Está montado sobre um búfalo ou um
touro preto, e tem dois braços e duas mãos. Com uma das mãos faz o mudra da ausência de medo e na outra carrega uma borduna
simbolizando  a coragem e o destemor. 

VISHVAKARMA -  No panteão védico é o criador de todos os deuses e de todas armas, atributos e veículos usados por eles. Ele criou o
universo e todas as coisas vivas, e por isso, cuida delas e as protege. Ele é o patrono dos artesãos, dos músicos e de todos os artistas. É
representado sentado num trono e em volta do espaldar do seu assento estão representadas várias ferramentas e pincéis. Tem quatro
braços e quatro mãos numa mão inferior carrega um livro simbolizando o conhecimento. Na numa outra carrega um jarro com água
simbolizando as águas do oceano primordial, a água da vida Nas mãos superiores ele sustenta uma flauta simbolizando o som criador e um
cetro símbolo do seu poder.
KUBERA -  Nos Vedas ele é citado como o senhor dos “yakshas” espíritos que guardam os tesouros terrestres. É o guardião dos Ponteiros do
Compasso com o qual foi desenhado o mundo. É o deus da riqueza material da prosperidade e da abundância. Ele é representado sentado
num trono ricamente decorado, coberto de jóias e trazendo uma coroa cravejada de pedras preciosas na cabeça.Tem dois braços e duas
mãos e seus atributos são um mangusto, o animal imune ao veneno que simboliza a proteção contra a inveja, uma borduna, simbolizando a
luta pela sobrevivência, uma romã, símbolo de abundância, um jarro d’água simbolizando a vida e um saco com moedas, a riqueza.

OS DEUSES PURÂNICOS
Os Puranas são narrativas sobre determinado deus ou deuses, incluindo seus complementos femininos, suas Shaktis. Falam também sobre a
morada cósmica dos deuses, os chamados planetas superiores.
Narram seus ensinamentos, suas encarnações, suas manifestações, seus poderes e feitos, As narrativas também se referem a outros deuses
que por ventura tenham feito parte das façanhas do deus enfocado. Dos Puranas constam os deuses e deusas anteriores à invasão ariana,
embora o período védico também esteja representado com deuses de menor representatividade.

AS ENCARNAÇÕES DE VISHNU – OS AVATARES

Segundo as escrituras sagradas do hinduísmo, sempre que o planeta esteve ou estiver sofrendo etapas de transformações e ou sofrendo
devido a ação das forças negativas e maléficas, Vishnu encarnou e encarnará na Terra. Essas encarnações são chamadas avatares. Algumas
aconteceram e outras acontecerão em diferentes períodos e estágios da evolução planetária e humana.

MATSYA – O Homem-Peixe. Esta foi a primeira encarnação de Vishnu. Foi Matsya quem orientou Manu, o ancestral do gênero humano, na
missão de proteger os animais e a humanidade, e preservá-los por ocasião de um grande dilúvio que inundaria a Terra. Matsya pediu que
Manu construísse um grande barco e nele colocasse exemplares de animais e humanos. Quando o dilúvio aconteceu, Matsya conduziu o
grande barco e salvou a vida no planeta. Ele é representado metade homem e metade peixe com quatro braços e mãos que sustentam as
égides de Vishnu. Matsya protagoniza a versão indiana do dilúvio bíblico.
KURMA – O Homem-Tartaruga. Esta foi a segunda encarnação de Vishnu. Nos primórdios, deuses e seres demoníacos viviam batalhando
constantemente, e em dado momento, os seres demoníacos tornaram-se tão poderosos que os deuses, sentindo que perderiam a batalha
pelo enfraquecimento dos seus poderes, recorreram a Vishnu. O deus ordenou que os demais deuses batessem o oceano até que ele se
solidificasse, de maneira que “amrita”, o alimento dos deuses, pudesse ser nele depositado para que os deuses se nutrissem e pudessem
vencer a batalha. Para isso, Vishnu usou o monte Mandara como batedeira, e assumiu a forma de uma tartaruga cujo casco serviu de base
para sustentar a montanha, evitando que ela soçobrasse. A seguir, Vishnu assume a forma de uma linda mulher cuja beleza encanta os
demônios e a luxúria neles despertada os enfraquece, permitindo assim que os deuses fortalecidos saíssem vencedores. É representado
metade homem e metade tartaruga, e tem nas mãos a maça símbolo da luta pela sobrevivência, o livro  símbolo do conhecimento, o búzio
do som primordial e o disco girante simbolizando a energia que move a vida.

VARAHA -  A terceira encarnação de Vishnu tem a forma de um homem com cabeça de javali. Os mitos anteriores, esse e os demais que
falam sobre as sucessivas encarnações de Vishnu, referem-se aos ciclos de evolução da vida no planeta. Varaha salva a deusa Prithivi, a
Terra, quando ela foi raptada por um demônio e levada para as profundezas do oceano. O homem-javali mergulha no oceano, luta com o
demônio e sai vencedor. Traz a deusa de volta e a torna outra vez capaz de abrigar a criação. Ele recria a natureza, e todas as criaturas
vivas, também redesenha continentes e montanhas. Varaha é representado como um homem de pé com cabeça de javali, e suas grandes
presas sustentam o planeta Terra, ele tem quatro braços e nas mãos carrega os atributos inerentes a Vishnu.
NARASIMHA- A quarta encarnação de Vishnu apresenta-se como metade homem e metade leão. Como vemo,s as formas do deus encarnado
vão se tornando mais complexas a cada ciclo que se cumpre. Conta o mito que um homem chamado Hiranyakashipu desacatou Vishnu e foi
condenado pelo deus a viver sua vida como um demônio. Apavorado,  recorreu a Brahma e dele recebeu uma graça. Brahma disse que ele
estaria protegido e que não seria ferido nem morto por nenhum tipo de arma ou animal nem de dia nem de noite, ao ar livre ou em lugar
fechado. Hiranyakashipu tornou-se tão vaidoso, pretensioso e prepotente que passou a perturbar os deuses. Vishnu decidiu intervir.
Assumiu a forma de um homem com cabeça de leão (nem animal nem homem), ocultou-se atrás de uma pilastra do palácio onde morava o
demônio Hiranyakashipu e o agarrou na hora do pôr do sol (nem dia nem noite) exatamente na soleira da porta (nem fora nem dentro) e o
matou com suas afiadas garras (sem armas). Como vemos, ninguém foge dos desígnios e da ação da divindade.

VAMANA – A quinta encarnação de Vishnu inicia um ciclo de formas humanas. Conta o mito que Hiranyakashipu, o demônio, tinha um neto
chamado Bali que tornou-se rei. Como rei ele era terrível, tão poderoso que conseguiu se apoderar dos três mundos, e banir os deuses das
regiões celestiais. O povo rogou pela intervenção de Vishnu, o deus atendeu às preces e assumiu a forma de um anão. Pediu uma audiência
ao rei, foi recebido e pediu que Bali lhe concedesse um terreno, cuja medida fosse apenas de três de suas passadas, para que nele pudesse
sentar e meditar. O rei concordou debochando do pedido, então imediatamente o anão se transformou no gigante Trivikrama. Com uma
passada o gigante cercou o céu, com a segunda, a Terra, e quando o rei viu que com a terceira passada o gigante cercaria o interior do
planeta, rendeu-se. Bali percebeu que tinha sido derrotado por Vishnu. O deus então lançou-o no vazio para todo o sempre e assumiu o
reinado. Vamana é representado como um anão de pé carregando um guarda-sol aberto numa das mãos e na outra uma jarro com água.
PARASHURAMA- É a sexta encarnação de Vishnu, e desta vez como um homem normal.  Reza o mito que numa época distante existiam
constantes conflitos entre os brâmanes, os sacerdotes e os xátrias, os guerreiros, as duas castas mais altas da sociedade hinduísta.
Parashurama acabou com essas desavenças. Por isso, ele é representado vestindo uma pele de tigre como um asceta e carrega as armas de
um guerreiro. Seus cabelos estão penteados como os cabelos de um sacerdote e  no rosto ostenta  longas barbas e bigodes, ele carrega
numa das mãos um machado (parashu) e na outra um arco e flechas.

RAMA- É a sétima encarnação de Vishnu, e o grande herói do épico Ramayana. A saga de Rama narrada no Ramayana traz ensinamentos
filosóficos e éticos e revela de modo poético a história de deuses, seres demoníacos, homens e homens-macacos e naves espacias, os
Vimanas.. O rapto de Sita, uma encarnação da deusa Lakshimi, é praticado por Ravana, um “asura” (ser demoníaco), que era o rei do Sri
Lanka, e isso desencadeia uma batalha chefiada por Rama. Nessa batalha ele conta com a ajuda de seu irmão Lakshmana e de Hanuman, o
homem-macaco. Hanuman, ao libertar Sita do domínio de Ravana, perde a cauda, que se incendeia, e dá um enorme salto, atravessando o
mar de volta para a Índia. Uma alegoria que pode ser interpretada com um salto evolutivo. Rama derrota Ravana e quando de volta à
floresta, agradece a Hanuman por este ter resgatado Sita, dizendo-lhe que como recompensa lhe daria qualquer coisa que pedisse.
Hanuman responde que a maior recompensa seria poder estar sempre aos pés de Rama, seu senhor. Por esta razão, Hanuman é considerado
o símbolo do devoto perfeito. Rama é o avatar que simboliza o Dharma, a Lei cósmica em forma humana.
KRISHNA- A oitava encarnação de Vishnu. Krisna vem à Terra para derrotar o rei demoníaco Kamsa no reino de Mathura. Krishna nasce do
ventre da princesa Devaki, irmã de Kamsa e tem como pai o príncipe Vasudeva. Kamsa é avisado por um espírito que do ventre de Devaki
nasceria aquele que o mataria e por isso aprisiona a irmã e o cunhado numa cela por anos e mata os filhos do casal assim que nascem.
Quando nasce Krishna, Vishnu aparece na cela e diz para Vasudeva sair da cela e levar a criança para Nanda e Iashoda criarem. Vishnu
liberta Vasudeva e este atravessa o rio e entrega o filho a Nanda, o chefe de um clã abastado que acolhe o menino e o cria como filho. O
Bhagavata Purana narra com detalhes toda a vida de Krishna e seus milagres. Krishna significa pele escura, por isso é representado com a
pele no tom azul escuro. No Mahabharata, a epopéia cósmica do homem sobre o planeta, está inserida a Bhagavad Gita, A Canção do
Senhor que narra a batalha de Kurukshetra, e os ensinamentos universais de Krishna ao príncipe Arjuna. O príncipe do clã dos Pandavas,
diante do avatar guerreiro, representa a humanidade. Krishna é adorado por milhões de pessoas na Índia e fora da Índia, e é representado
como criança, como adolescente e como adulto. Como criança chama-se Bala-Krishna; como adolescente Venugopala, o pastor que
apascenta o gado tocando sua flauta chamada Murali; e como adulto é o rei guerreiro que restaura o Dharma na Terra.

BUDA – O Buda, o Iluminado, é tido no hinduísmo como a nona encarnação de Vishnu. Diz o mito que Vishnu assumiu a forma do príncipe
Sidharta para pôr fim aos desmandos dos sacerdotes brâmanes e purificar o hinduísmo das contaminações e desvios de princípios. Para isso,
ele ensinou o caminho do meio e como os seres humanos podem se livrar da roda de “sansara”, a roda de nascimentos e mortes. É
representado como um homem jovem e esbelto sentado sobre uma flor de lótus, com o rosto sereno e os olhos semi-abertos, em profunda
meditação. Sua vestimenta é amarela e despojada, e não usa nenhum adorno.
KALKI -  Esta que será a décima encarnação de Vishnu, ainda não aconteceu. Segundo o Vishnu Purana, na presente era a humanidade será
envolvida por energias trevosas. Os valores morais, éticos e espirituais serão ignorados, e a Terra conhecerá o desespero e a confusão
generalizada. Então, será o momento de Vishnu voltar a encarnar no planeta. Na ocasião ele assumirá a forma de Kalki, o avatar. Kalki
chegará brilhante com uma estrela, e trará a restauração do Dharma, dos princípios e valores humanos. Ele restabelecerá a lei e a justiça
para salvar a raça humana e o planeta. Kalki é representado como um jovem ricamente vestido e adornado montando um cavalo branco e
empunhando uma espada. 

MAHADEVI – A GRANDE DEUSA


A DEUSA E SEUS DIVERSOS ASPECTOS
O Princípio Feminino Cósmico é identificado como Devi (deusa) e Mahadevi é a Grande Deusa, a Mãe Divina. A deusa se apresenta sob os
vários aspectos da manifestação do feminino. A potência feminina se revela como fonte e berço de todas as formas vivas, e por isso traz em
si o poder de criação, manutenção e destruição da vida. A deusa é uma e é múltipla, embora tenha muitos nomes e formas. A Grande Mãe
está presente em todos os seres, é o elo que nos liga à matéria, e ao mesmo tempo é através dela que nos libertamos dos apegos que nos
prendem ao mundo.

KALI- A POTÊNCIA DO TEMPO

É o aspecto da Devi que representa o princípio de onde tudo surgiu e para onde tudo retorna. Kali é a deusa que permite a dissolução dos
condicionamentos temporais, ela destrói o medo de viver a vida e da finitude, a morte. Mãe Kali oferece aos seres humanos, pela sua
energia avassaladora, a liberdade de viver a plenitude do momento presente, e desse modo exercer a coragem, a autoconfiança e
aceitação do poder pessoal. Ela é representada com os mesmos atributos de Shiva enquanto potência destruidora. É representada em geral
destruindo demônios, que representam as forças maléficas externas, e os defeitos e más tendências internas de quem a invoca. Kali é
invocada também como protetora contra influências nefastas das ações dos inimigos. Os fiéis costumam entoar mantras dedicados a Kali
pedindo clemência diante das agruras e desafios da vida, assim como a superação do karma negativo. Ela é representada sempre em
movimento, o corpo azul escuro ou preto adornado por crânios e serpentes, traz numa das mãos uma foice erguida. Kali é a deusa que rege
os ciclos da vida de nascimentos e mortes.

DURGA 
É um dos mais venerados aspectos de Devi. É adorada como incorporação dos elementos da natureza, elementos estes que, unidos, criam e
mantêm as formas de vida e para onde a vida manifestada retornará. Reza o mito que Durga, no início do Dia de Brahma, recebeu o dom de
ser o elemento ativo, a Shakti do Absoluto Impessoal, o aspecto feminino da divindade. Ela é chamada a Inacessível, a Grande Mãe, ela é a
primeira emanação feminina de Shiva. Durga é a deusa que nutre, protege e renova a natureza, os animais e as pessoas. Porém, ela é
principalmente uma deusa guerreira, lutando constantemente para defender a Terra e a humanidade contra os demônios representados
pela ignorância espiritual: egoísmo, despeito, ira, cobiça, inveja, despotismo, desrespeito, desonestidade e outros antivalores. Um dos
mais importantes festivais devocionais da Índia é dedicado a Durga; esse festival se chama Navarathri, e tem a duração de nove dias e
noites.

AMBA

Esse aspecto da deusa representa a Mãe do Mundo, e data do período pré-védico. Ela é representada como uma linda mulher de dorso nu
coberto por jóias. Na cabeça tem uma coroa de pedras preciosas. Ela está sempre sentada em um coxim e  tem dois braços e duas mãos.
Numa das mãos ela segura uma flor de lótus e com a outra ampara um bebê, enquanto o amamenta. Amba é a deusa-nutriz; representa a
maternidade como evento divino. Seus fiéis oram a ela rogando perdão pelos seus erros, pelo aconchego generoso do divino colo materno e
pelo cuidado amoroso.

CHAMUNDI
É o aspecto da deusa que destrói a ignorância espiritual. Ela é a Shakti cuja energia elimina os maus instintos e os vícios. É representada
montada numa coruja, um símbolo de vigilância, atenção e sabedoria. Algumas gravuras e estátuas mostram-na com quatro braços e outras
com dez braços e mãos. Os seus atributos incluem uma lança, símbolo de luta e coragem, uma tijela em forma de crânio, representando a
transitoriedade da vida, um escudo, uma espada e um machado, símbolos de transformação. Chamundi é uma deusa guerreira.

MAHESHWARI

É a deusa que liberta os seus fiéis  das garras da  ganância.É parceira de Shiva e como ele se manifesta como energia transformadora. É
representada sentada sobre o dorso de um touro branco. Tem três olhos abertos simbolizando a visão transcendental, quatro braços e
mãos, e seus atributos são a lança e o “japamala” (um tipo de terço, com 108 contas), a lança significa a batalha contra a ganância e a
cobiça desmedida; o japamala simboliza a devoção e a disciplina mental.

INDRANI

É a deusa que combate a raiva, a ira. É um aspecto da Shakti associado a Indra. É representada montada sobre um elefante branco e traz
na cabeça uma coroa, tem quatro braços e quatro mãos e nas mãos carrega uma lança, uma seta em forma de raio simbolizando o domínio
sobre a ira, uma flor de lótus, e uma serpente simbolizando o estado de alerta necessário para não se deixar dominar pela raiva.

Ma Durga Kali Devi


   Pranam Mantra

OM – SARVA  MANGALA   MANGALYE


SHIVE   SARVARTHA   SADHIKE
SHARANYE   TRYAMBAKYE   GAURI
NARAYANI   NAMOSTUTE

SRISHTI  STHITI  VINĀSHĀNĀM


SHAKTIBHUTE  SANĀTANI
GUNĀSHRAYE  GUNĀMAYE  NĀRĀYANI NAMOSTUTE

SHARANĀGATA   DINĀRTA  
PARITRĀN  PARĀYANE
SARVASYĀRTI   HARE   DEVI 
NĀRĀYANI  NAMOSTUTE

KALI  KALI  MAHAKALI


KALIKE  PAP  HARINI
DHARMA  KAM  PRADEDEVI
NARAYANI  NAMOSTUTE

KALI  KALI  MAHAKALI


KALI  KE  PAP  HARINI
SARVA – VIGNA  HARE  DEVI
NARAYANI  NAMOSTUTE

JYANTI MANGALA KALI BHADRAKA


KALI   KAPALINI
DURGA  KSHAMA  SHIVA  DHATRI  SWAHA SWADHA   NAMOSTUTE

JAY  TWAM   DEVI   CHAMUNDE


JAY   BHUTATRI   HARINI
JAY   SARVA   GATE [devi]
KALARATRI    NAMOSTUTE

DURGUE  MA  TEKI   –  JAY


SRIMMAHA  KALI  MA  TEKI  – JAY

(OM! Ela é a mais auspiciosa entre todas.


A Causa de todo o sucesso. OH, Gauri de três olhos [a Brilhante], nós te reverenciamos! Oh Narayani! Oh, Divina Mãe!

Eu me curvo à Eterna Narayani, a divina manifestação da energia da criação, da preservação, da destruição. A essência que permeia as três
gunas [Inércia, movimento e essência].

Aquele que sempre tem bons pensamentos para os outros, que tem uma mente pura, este é sempre abençoado. O Senhor é ao mesmo
tempo o Criador e o Destruidor, assim ao que está pleno de virtude e deseja o bem aos outros, este é sempre abençoado. Ao que age com
compaixão aos outros, este é sempre abençoado.

Nossa Reverência a Narayani! A Geradora, a Mantenedora e a Destruidora. O centro remoto de toda a energia, a base da natureza.
Eu te reverencio, Divina Narayani. Tu que a todo instante cuidas de aliviar os sofrimentos de todos os seres: dos pobres, dos
desesperançados e de todos aqueles que em Ti se refugiam.

Oh, Grande Mãe Kali, Deusa Suprema, Mãe Graciosa, fonte da bem-aventurança, nós  reverenciamos a Ti, Divina Mãe do Universo.

Oh, Kali, a de divino nascimento! Oh, Bhadra kali!

Vitória à destruidora de nossos demônios!


Vitória à salvadora de todos os seres!
Vitoriosa sejas em toda parte.
Oh Mãe, negra como a noite,
Permita que eu me entregue a Ti, completamente.

DEUSA GAYATRI

A DOADORA DA LUZ  - A DEUSA DA VIDA

Desde as épocas mais remotas, a humanidade busca uma aproximação do divino, um desejo intenso de compreender a natureza do mundo,
a razão de ser da vida e de estar vivo. O culto ao Princípio Feminino - a Deusa, como fonte da manifestação é dos mais antigos, e o
encontramos na maioria das tradições espirituais do mundo. Para nós ocidentais a adoração à Virgem Maria e seus diferentes aspectos é um
dos pilares da fé cristã. A Nossa Senhora e Virgem Mãe Divina, que engendrou um homem-deus sem a intervenção de um agente masculino,
é um dos cultos mais importantes da cristandade. A Deusa que engendra de si mesma o seu fruto é uma constante em todas as mitologias
do mundo. Na mitologia egípcia, Isis engendra Horus, na hindu Pavarthi engendra Ganesha, na grega, Hera engendra Hefaístos, etc... 
São múltiplos os aspectos de Deus-Mãe. Nas civilizações antigas como a sumeriana, a grego-romana, egípcia, hindu e celta, e em todo o
mediterrâneo proto-histórico, e pré-helenico encontramos a presença da Deusa como um protótipo único, porém com diferentes formas e
nomes. Na Índia, as pesquisas feitas em Mohenjo-Daro e em Harapa no vale do rio Indo, encontraram o culto à Grande Deusa - a Mãe
Universal e seus diversos aspectos desde mais de seis mil anos. 
A deusa para os povos antigos era reconhecida como soberana nos céus, e na Terra como potência realizadora, é a Mãe do Mundo, e tem na
Natureza sua vestimenta sagrada. Após a invasão ariana na Índia, a deusa foi subjugada pelos princípios patriarcais dos invasores. Porém,
emergiu novamente e com força pelo tantrismo. Atualmente, o hinduísmo acredita que nos diferentes aspectos da deusa está a base, o
movimento, a energia. A Shakti, o Princípio Feminino Cósmico, é a energia universal da materialização e realização. As Shaktis, as deusas,
têm o poder de criar, preservar e transformar, destruir e trazer o novo e inusitado como elemento de evolução. 
A deusa Gayatri é adorada como a Mãe dos Vedas, ou “Veda Mata” e seu culto é anterior à compilação dos quatro Vedas. No Skanda Purana
existe o seguinte texto: “Nada nos Vedas é superior à Gayatri Devi”. “Nenhuma invocação é igual à de Gayatri”. Gayatri é, como já disse, a
Mãe dos Vedas, mas também é a Mãe dos próprios deuses, é a Grande Luz da Consciência Cósmica, é o ritmo que organiza as energias
primordiais, o pulsar do coração do universo. No Rig Veda, a partir do volume III, cântico 62, verso nº 10, encontramos a história da deusa
Gayatri. Ela teria vindo ao planeta Terra na Sathya Yuga ou, primeira era, que tem duração de 48.000 anos. A era de ouro, quando o
Dharma ( Lei cósmica) os valores espirituais e éticos prevalecem devido as energias puras e sábias propiciadas pela deusa solar. Ainda no
cântico 62 ela é descrita: “A suprema consciência cósmica e transcendental, o poder, a Mãe divina, é conhecida como Gayatri”. “Ela é a
causa primordial de tudo que foi o que é, e o que será”. Gayatri é a deusa que cria e manifesta os três gunas: Tamas, Rajas e Satva,
inércia, movimento e essência pura. Mãe Gayatri é considerada a mãe de Brahma, Vishnu e Shiva. Estes simbolizam o poder inerente dos
três gunas. As emanações criadoras, mantenedoras e destruidoras de Brahman – “Aquele que se expande, o Inominável”. 
Em cada um dos Vedas a deusa Gayatri é descrita diferentemente. Isso porque ela é louvada de formas específicas nas etapas que marcam
o dia que estamos vivendo, e o nascimento do próximo dia. Pela manhã, o mantra Gayatri evoca vibrações criativas. Ela é o ritmo, o pulsar
do coração do Universo. Ao meio-dia, o mantra desloca energias e vibrações de preservação. O mantra no entardecer é entoado para fazer
vibrar energias regenerativas. E finalmente o mantra entoado na madrugada, que louva o poder da Deusa como portadora da Luz. 
O Gayatri Mantra : 

“OM BHUR BHUVAH SWAHA TAT SAVITUR VARENYAM BARGO DEVASYA DHIMAHI DHIYO YONAH PRACHODAYAT”. 
Tradução direta resumida e aproximada: “Sagrados são os três planos de existência, físico, astral e causal, sobre a essência da divina Mãe e
de Savitri o poder da infinita luz da consciência. Que ela ilumine nosso intelecto”. 
A maneira de entoar o mantra varia, mas a intensidade do seu poder é sempre a mesma. O Gayatri Mantra é considerado o mais poderoso
de todos os mantras para os hindus. A Mãe Divina doadora de vida ilumina a consciência, abrilhanta o intelecto, e desperta a inteligência
do coração nos seus filhos. Glória a Gayatri, Luz que nasce de si mesma, e cria e recria e materializa a vida nos múltiplos universos. “Na
Gayatrah Paro Devi”, (não existe nenhum deus mais poderoso que Gayatri). 

A DEUSA LAKSHIMI

Na cosmologia hindu, Brahman (Aquele que se expande) é o idealizador do universo, dos mundos e de tudo que existe. Para realizar seu
plano divino, Ele necessita de um poder executivo, uma energia. Essa energia chama-se shakti, que é, portanto, Sua potência de
manifestação, Seu complemento executor. A Trimurthi (trindade) Brahma, Vishnu, Shiva, representa a energia criadora, mantenedora e
transformadora de Brahman, Aquele que É, OM TAT SAT. Sem os seus respectivos complementos femininos, esses aspectos e extensões do
Inominável, não são capazes de movimento nem ação. A shakti representa esse poder de materialização e movimentação. A força de
coesão, a força centrípeta, que permite a organização da matéria manifestada e a mantém coesa é Vishnu, e seu complemento feminino,
sua shakti é a deusa Lakshimi. A deusa é o receptáculo gerador da Vontade do deus, a potência que materializa, mantém e unifica a
criação. A manifestação física de um mundo cuja natureza é energia exige dois polos. A substância material é a corrente energética que
une esses dois pólos. A matéria é energia organizada no espaço-tempo e Vishnu-Lakshimi são os regentes e responsáveis pela dinâmica da
vida manifestada. 
A deusa tem muitos aspectos. Como Lakshimi ela é o Princípio Feminino Sagrado que derrama sobre nós a beleza, a harmonia, a
sensibilidade, a gentileza, o carinho, o acolhimento, a unidade, a superação dos opostos e o respeito pelas diferenças. Ela é a deusa da
abundância e da prosperidade no sentido amplo da palavra. A deusa Lakshimi promove no coração dos seres humanos a descoberta do
verdadeiro sentido de prosperidade, ela ensina a alegria de compartilhar, e ensina que prosperar não significa apenas acumular. A deusa
nos ensina que a abundância e a prosperidade têm como fonte o amor, a responsabilidade, o serviço e a plenitude do ser. Ela mostra que o
caminho para a abundância e a felicidade é o exercício consciente dos nossos talentos, do nosso poder pessoal, pela prática diária dos
valores humanos visando a transmutação de defeitos e hábitos nocivos. 
A deusa orienta nossa mente para o Bem, a Beleza e a Verdade, e fortalece a fé e a confiança na Presença Divina que vibra e brilha em
nosso coração. Mãe Lakshimi promove encontros onde haja desencontros, cria novas consonâncias onde haja dissonâncias, novas
perspectivas onde haja acomodação, entusiasmo onde haja desânimo, harmonia onde haja tensões, e encantamento onde haja desencanto.
Mãe Lakshimi é o poder ilimitado, inesgotável, que não pode ser contido, que está em toda parte e nunca deixará de existir. Cantar hinos e
mantras invocando e louvando Seu Nome resulta num jorro de amor e bênçãos de generosidade, fartura e liberação da estreiteza mental, e
da escassez limitadora tanto material quanto espiritual. 
O sânscrito, como todo idioma sagrado, contém sons harmônicos que ao serem entoados com a pronúncia correta e no ritmo adequados,
acrescidos de amor e devoção, ressoam e reverberam na frequência energética do aspecto divino que está sendo invocado e louvado. Os
hinos védicos reverberam nas oitavas e dimensões superiores do universo e estabelecem conexões espirituais sagradas. Que Mãe Lakshimi
derrame sobre nós Seu doce e materno olhar, e nos acolha e proteja com Seu amor infinito concedendo, saúde, alegria e prosperidade hoje
e sempre.
Mantra de Lakshimi:
OM NAMO MAHALAKSHIMIEY NAMAHAH!

A DEUSA PARVATI

Para falarmos sobre a Deusa Parvati - cujo nome em sânscrito significa “montanha”, a Senhora dos picos nevados do Himalaya – temos que
nos remeter a Sati, a primeira shakti de Shiva. Parvati é considerada uma reencarnação de Sati a filha de Daksha rei e sacerdote ariano que
não aceitava Shiva como deus e o excluiu do grande sacrifício do cavalo. Este era o mais importante de todos os sacrifícios védicos
oferecidos pelos reis aos deuses. Desgostosa e indignada, Sati lança-se no fogo sacrificial e é incinerada. Anos depois ela reencarna como
Parvati, a filha do Senhor do Himalaya, o deus Himavat. O sofrimento de Shiva foi tamanho pela morte de Sati, que de tanta dor isolou-se
tendo permanecido por muito tempo imerso em profunda e silenciosa meditação. O deus Kama o desperta e isso o enraivece
profundamente, e quando Shiva lança o olhar fulminante do seu terceiro olho sobre o deus do desejo, este é reduzido a cinzas. Embora
Kama tenha perdido desse modo uma de suas vidas, foi ressuscitado por Shiva posteriormente por intervenção de Parvati. Depois de
desperto, Shiva, o residente do monte Kailasa, caminha com seu exército de elementais pelo Himalaya, e é visto por Parvati, que se
enamora perdidamente dele. Para obter o amor de Shiva, Parvati teve de seguir o caminho da austeridade, da mais restrita disciplina e da
virtude absoluta. Após anos de sacrifício, a deusa consegue que Shiva se case com ela. Durante a cerimônia do casamento Parvati exigiu
que Shiva executasse o “sapta padi”, os sete passos no sentido norte, acompanhados de sete oblações em prol da felicidade do casal tanto
na dor quanto na alegria. Durante o ritual do matrimônio o casal troca jóias simbólicas e guirlandas de flores, e dão a volta em torno de um
altar central onde arde o fogo sagrado, o “agni-homa”. Devido a essa exigência da deusa, na Índia assim se celebram os casamentos, e em
março ou abril dependendo da fase lunar, é celebrado o “Gangaur”, um ritual oferecido visando a felicidade dos casais. Nessas ocasiões, as
mulheres oferecem flores e frutos à deusa e cantam mantras a ela dedicados. 
A deusa Parvati é a protetora dos casamentos, da família, do amor, da fidelidade, da pureza e da fertilidade.  A origem da palavra família
“parivar” é Parvati a deusa da virtude, da disciplina, e aceitação e rendição à divindade. Ela é a Shakti bondosa, terna e acolhedora que
cuida de todos os seus filhos com infinito e incondicional amor maternal. Ela é quem os protege, inspira e guia pelos caminhos intrincados
da lei do carma. Na sua representação, quer esteja sozinha ou acompanhada de Shiva, ou de Ganesha (seu filho autoengendrado, fruto de
sua própria substância sem intervenção de Shiva), o semblante da deusa é sempre sereno, e expressa prazer, alegria, amorosidade e
doçura.
Parvati é representada com lindas vestes e jóias, de pé ou sentada sobre um lótus aberto, e pode apresentar dois ou quatro braços com
duas ou quatro mãos respectivamente. Na mão direita porta um japamala símbolo de “tapasia”, ascese e disciplina. Na mão esquerda porta
um espelho, símbolo da busca interior pelo autoconhecimento, e a ascensão espiritual. Caso seja representada com quatro braços, a mão
direita superior exibe o “abaya mudra” o gesto de proteção, ausência de medo. A mão esquerda superior exibe o mudra da bondade. Na
mão direita inferior carrega uma lança ou dardo como símbolo da retidão e disciplina espiritual. Finalmente na mão esquerda inferior exibe
um cinzel, símbolo do burilamento das arestas do temperamento e do caráter. 
A DEUSA SARASWATI

  A história da deusa Saraswati pode ser encontrada no Rig Veda, no Ishavasya Upanishad Matsya Purana, Skanda Purana, Padma Purana,
varaha Purana e outros escritos do mesmo valor. Esses textos ensinam que Saraswati é a extensão feminina de Brahma e seu nome significa
literalmente “a fluente”, ou seja, aquela que flui, que circula, que brota e se derrama. Saraswati é a criadora do alfabeto “devanagari”, a
linguagem dos deuses. Ela é patrona das 64 artes e das ciências sagradas, assim como de todo o saber e conhecimento. Ela empresta seu
nome a um dos rios sagrados da Índia, o rio subterrâneo Saraswati, que nasce no Himalaya e desemboca no Rajastão. Seu nome indica
também um dos principais “nadis” ou canais energéticos existentes nos corpos sutis dos seres vivos. Esse aspecto da Deusa também é
conhecido como Vach, o som sagrado, a voz do conhecimento real, a sabedoria nascida do fogo divino, a essência da consciência que
destrói a ignorância. 
Reza um dos mitos que Saraswati e Brahma viveram na Terra no Himalaya, junto com outras deidades. Depois a deusa se deslocou para o
deserto de Thar em Pushkar, no Rajastão e continuou peregrinando pelas florestas que existiam antigamente na Índia e hoje estão bastante
devastadas.  No plano superior, espiritual, sua morada é Bramhaloka, o planeta de Brahma, um dos mundos celestiais. Seu veículo animal é
um cisne branco (“hansa”). Com ele ela se locomove pelos espaços siderais.

NAVARATHRI – As nove noites de DURGA


FESTIVAL EM LOUVOR DO PRINCÍPIO FEMININO CÓSMICO

 A Deusa Durga, para o Sanathana Dharma, (Eterna Lei) assim como para o hinduísmo atual, é o Principio Feminino Primordial. A energia
matricial, A Mãe Divina. O aparecimento da Deusa Durga é o aparecimento de Prakriti – a Natureza, Sua Forma é a Shakti (Energia Feminina
Cósmica), a Mãe do Universo, a Potência Geradora. Todos os organismos existentes no Universo surgiram da Mãe Divina, e daí Ela ser
chamada “Jagadamba (a Mãe do Universo ou Criação)”. 
Durga é um dos aspectos femininos do Senhor Shiva. A deusa é a potência que organiza o caos e define possibilidades. Seu poder manifesta
a diversidade da vida no universo, e a natureza é a sua roupagem externa na manifestação material. É a força que gera e concretiza a
Vontade de Deus Pai como Criador, Mantenedor e Transformador. A Mãe Divina se apresenta de diferentes formas e tudo que existe são
formas pelas quais a vida se expressa, pulsa e vibra. A Deusa Mãe Durga também é conhecida por outros nomes como: Parvathi, Kali, Sati,
Uma, Amba, Gauri, Maheshiwari, etc., mas apesar de ter tantos nomes Ela é única na sua essência, atuação, manifestação, e poder.
Durga é uma Deusa multidimensional cujo poder abrange muitos mundos, tem muitos nomes, muitas personalidades, aspectos, arquétipos e
ações multifacetadas.  Como Mahishasura, Ela é destruidora do mal; como Sati Ela é fidelidade e renúncia. Por amor, respeito e
solidariedade a Shiva (a energia transformadora), ela tudo enfrenta. Como Sati, por amor solidário a seu esposo divino deixou o seu corpo
ser consumido pelas chamas na pira ardente, porque não suportou ver Shiva, seu amado, ser destratado durante um ritual onde todos os
deuses foram convocados, exceto ele. Ela enfrenta seu pai Daksha, que promovia o grande sacrifício do cavalo branco, sacrifício védico
restrito aos reis. Daksha derrama sua ira ariana sobre os shivaistas dravídicos, e a morte de Sati desencadeia a revolta destruidora de Shiva,
conforme é narrado no Bagawatam, (escritura sagrada hindu). Essa narrativa nos ensina que o caminho da deusa é a entrega ilimitada e
irrestrita ao divino. 
Como Kali, Ela se apresenta negra como a escuridão da noite, é o humos da terra fértil, e é onipotente, justiceira, guerreira temível, força
avassaladora contra o mal e as iniqüidades dentro e fora de nós. Kali é a potência do Feminino que elimina demônios internos e externos.
Mãe Kali dança freneticamente nos infinitos azuis e tem como única vestimenta uma guirlanda feita de caveiras, exemplificando que a vida
é movimento cíclico, e que tudo é transitório e perecível na existência material. Kali expõe a Verdade e destrói falsos pudores,
preconceitos, e padrões impostos pelos falsos valores e desejos que criam necessidades artificiais.   Como Parvati, Ela é doce e serena,
compreensiva, é a potência acolhedora e compassiva, a fiel, amorosa e inseparável consorte do Senhor Shiva. Pavarti permanece sempre ao
lado esquerdo d’Ele nos picos brancos e congelados do Monte Kailash no Himalaya, agindo como complemento incondicional do Seu
poder.  Ela também é Amba (Mãe Protetora), Jagaddhatri (Sustentadora do Universo), Tara (Estrela Refulgente que guia os caminhos dos
seres humanos em direção a Luz), Ambika (Mãe Carinhosa que perdoa e indica caminhos e soluções), Annapurna (Doadora de Alimento,
Nutriz do corpo e da alma). Todas são representadas como mulheres belas, ricamente vestidas e adornadas com jóias em profusão,
representando beleza, harmonia, acolhimento, doçura, fartura, prosperidade e generosidade.

 OS TRÊS PRINCIPAIS ASPECTOS DA SHAKTI


A Deusa Mãe Durga representa o poder de ação do Ser Supremo (O Poder Cósmico) que destrói enganos, revela a verdade, inspira a
espiritualidade, estabelece a ética e preserva a moralidade. Ela permeia a retidão de propósitos na criação. Seu poder faz com que todos
os reinos da natureza cumpram seu dharma, a função para a qual foram criados.
A deusa liberta de karmas (ações) negativos, os frutos da ignorância espiritual, todos aqueles que se propõem honestamente a superar seus
defeitos, erros e limitações.  Durga também é considerada a expressão máxima da Mãe Divina.  Protege a humanidade do mal, da miséria e
das doenças, destruindo energias negativas (forças maléficas) como egoísmo, orgulho, ciúmes, intolerância, inveja, mentira, ódio,
preconceitos, dissimulação, manipulações, disputa e outras manifestações inferiores do ego personalidade.  
A adoração à Deusa Durga é muito popular entre os hindus. A Divina Mãe é um dos principais pilares de sustentação da fé hinduísta. 
Existem muitos templos dedicados  à adoração da Deusa Durga e a todos os demais aspectos da Divina Mãe, inclusive Bharata, a Mãe Índia,
cujo templo está Benares, e é venerada como terra sagrada, morada de homens-deuses. 
EM SUMA:
Lakshmi é também um dos mais adorados aspectos da Mãe Divina, é a expressão da beleza, da doçura, da harmonia, da criatividade, enfim,
do esplendor do feminino. É a Mãe protetora e fiel consorte de Vishnu, a energia mantenedora da vida. Lakshimi é a provedora da harmonia
no lar e na vida, da beleza, física e espiritual, saúde e prosperidade, promove abundância de realizações materiais e espirituais, é a
responsável pela manutenção do sonho de Vishinu, a Maya que resulta na manifestação concreta da vida no planeta. Enquanto Vishnu
dorme e sonha ela acaricia seus pés para que ele não desperte do seu sonho e não aconteça a destruição da criação. É representada como
uma linda mulher coberta de jóias, sentada ou de pé sob um lótus aberto; ricamente vestida de vermelho e dourado, e vertendo moedas de
ouro pelas mãos. Ganesha, o discernimento, a inteligência cósmica, a Força que elimina os obstáculos internos e externos está sempre com
Ela. Saraswati ou Vach é o Verbo, o Som criador. É a consorte de Brahma e o aspecto da Shakti (O Princípio Feminino Cósmico) que elimina
a ignorância e concede brilho a inteligência, aprimora a intuição, e é a patrona das artes e da ciência, promove sabedoria, é a senhora do
conhecimento intelectual e espiritual. Saraswati é o aspecto da Shakti, (energia feminina), que concede revelações. É representada como
uma linda mulher, vestida de branco e dourado, adornada com jóias, e sentada num cisne branco, está sempre tocando a “vina”, um
instrumento de cordas que emite o som do OM, o Som Primordial, o Pranava, aquele que é eternamente louvado e renovado. Cada um
desses aspectos da Deusa é adorado durante o festival a ela dedicado por três dias totalizando nove noites, NAVARATHRI. O décimo dia é o
Dia da Vitória. O dia de Ação de Graças e glorificação ao poder da Divina Mãe.
Nas Suas estátuas e imagens impressas em gravuras, a Deusa Durga é representada simbolicamente como uma belíssima mulher, adornada
com jóias magníficas e vestida com roupas de seda vermelhas e bordadas de dourado, resplandecendo de beleza e emanando poder.   Ela
possui dezoito braços carregando vários objetos nas mãos. (Para cada objeto que Ela carrega nas mãos existe um significado simbólico
específico, que enfatiza seus poderes). Nas suas representações, Durga carrega as égides de Shiva, evidenciando ser sua extensão feminina.
A cor vermelha simboliza ação, e as roupas vermelhas significam que Ela está sempre em movimento destruindo as forças do mal, e
protegendo a natureza e a humanidade de dores e sofrimentos causados pela influência da ignorância que contamina a alma e resulta em
atuações malignas.  Mãe Durga é iluminada e reluzente como a Lua, monta o leão ou o tigre, seu veículo animal, (significando domínio
sobre o ego inferior e as emoções instintivas, poderosas e selvagens). Carrega em suas mãos várias armas, significando Sua prontidão de
guerreira para destruir o mal a qualquer momento, e possui o brilho intenso do fogo divino destruidor e transformador. Mãe Durga tem o
poder de mostrar onde a divindade interna se oculta e propiciar o encontro da alma com sua origem cósmico-estelar.
MANTRA DE DURGA:
Jay Durga Jay Jay!Jay Lakshimi Jay! Jay Sarasvati! Jay Parvati! (Vitoria à Divina Mãe!) 

PERIODO ÉPICO
HERÓIS E SEMIDEUSES

Com o decorrer do tempo os povos indo-arianos que eram nômades foram se sedentarizando. Eles se fixaram no norte da Índia e
começaram a construir cidades. Foi quando as diferentes culturas locais começaram a se misturar com os arianos. Os conceitos de Brahman
e do Atman, como o Princípio Todo Imanente, e a essência divina presente em toda a criação se expandiu. As Upanishads divulgaram a
doutrina do vedanta, a filosofia monista denominada “adwaita” defendida pelo filosofo e asceta Shankaracharya, a visão não-dualista da
existência. Nesse período também apareceram os conceitos de carma, reencarnação e autorrealização. 
No extremo norte da Índia, atual Nepal, o príncipe Sidharta Gautama vivia sua experiência de autoconhecimento. Experimentando os
extremos descobre o caminho do meio, na busca da libertação da contínua roda de “sansara”, o ciclo de nascimentos e mortes. Sua busca
resulta no Budismo. Os ensinamentos do Buda influenciaram o desenvolvimento do Hinduísmo. 
Nos séculos seguintes, dois grandes poemas épicos foram escritos, o Ramayana e o Mahabharata, essas escrituras narram fatos históricos,
apresentam pensamentos filosóficos, retratam a organização das castas sociais vigente na época, as leis, os rituais mágicos e ensinamentos
espirituais. As duas escrituras trazem relatos épicos e heróicos sobre reis, suas esposas, seus filhos, seus clãs; e descrevem as batalhas
travadas entre os que defendiam o Dharma, a Lei Cósmica Eterna, e aqueles que afastados do Dharma, pretendiam dominar o planeta. Os
heróis nessas narrativas têm sempre a ajuda de deuses, e são também desafiados por esses deuses, que por sua vez lhes confiam tarefas
extraordinárias como maneira de transmitir seus ensinamentos. Alguns heróis por sua bravura e pureza de espírito tornaram-se semideuses.
Nesses dois poemas épicos, historia, filosofia, mitologia e espiritualidade se interligam e apresentam uma integração do conhecimento sem
paralelo na literatura mundial.

O MAHABHARATA
O Mahabharata (A Grande Bharata, antigo nome da Índia), foi escrita pelo sábio Vyasa, e narra as aventuras do clã dos Kurus. Seus
protagonistas são duas facções que entram em desacordo devido a diferenças de valores e princípios. Os Kurus se dividiram e entraram  em
guerra. De um lado os Pandavas, filhos de Pandu, que defendiam o Dharma, e de outro os Kauravas, os filhos de Dritarashtha, que visavam
não apenas o trono, mas, o domínio do mundo, e por isso eram contrários ao Dharma. Nessa ocasião, Vishnu assume pela oitava vez a forma
humana, Krishna avatar. Sob sua orientação e proteção a batalha de Kurukshetra (o campo dos kurus) é vencida pelos Pandavas. O mais
velho dos Pandavas, chamado Yushistira, é então coroado rei do mundo por Krishna, tendo como missão fazer o Dharma vigorar na Terra. 

A Bagavad Gita (A Canção do Senhor) está inserida no grande épico. Trata-se do diálogo entre o príncipe Arjuna, um dos cinco Pandavas,
com Krishna na véspera da batalha. O príncipe inquieto e cheio de dúvidas tem uma crise de consciência e titubeia diante da iminência da
batalha. Krishna então dialoga com ele, dando-lhe lições de valores morais, éticos e espirituais, valores estes que são os fundamentos do
hinduísmo moderno. O príncipe, induzido por Krishna, mergulha no seu interior, e depois de profunda auto-análise emerge renascido de si
mesmo disposto a batalhar pelo Dharma. A Bagavad Gita é a mais conhecida das escrituras sagradas da Índia. É considerada, juntamente
com o Tao Te King de Lao Tzé e o Sermão da Montanha de Jesus um dos mais belos textos produzidos pela humanidade.
  
OS PANDAVAS
Os Pandavas são heróis e semideuses do hinduísmo. Yushthira, Bhima, Arjuna, Nakula e Sahadeva são os cinco filhos de Pandu e da Rainha
Kunti. Como o rei era estéril eles foram concebidos através de mantras entoados por Kunti. A rainha quando jovem recebeu de um “rishi”,
um sábio capaz de falar com os deuses, o dom de invocar através de sons mântricos a presença de qualquer um dos deuses. Seus filhos
foram frutos dos sons sagrados por ela emitidos, o poder desses mantras permitiu que houvesse a conjunção de Kunti com a energia do deus
por ela invocado.
OS SEMIDEUSES NO MAHABHARATA

Yudishthira –  O filho do Dharma.


Bhima- Filho de Vayu. O deus dos ventos.
Arjuna – Filho de Indra, o deus das hostes celestiais, o maior de todos os semideuses.
Nakula e Sahadeva são filhos de Madri, a segunda esposa de Pandu, e nascem também de um mantra que Kunti entoa a pedido da amiga.
São os gêmeos vindos da constelação do mesmo nome.

Bishma – O maior de todos os guerreiros que por seu caráter e pureza de espírito obteve dos deuses a graça de escolher o dia, a hora e a
maneira de morrer, tendo sido assistido e conduzido por Krishna durante sua passagem para a dimensão superior.

Existem templos a eles dedicados, o mais antigo e também o mais belo se encontra na cidade de Mahabalipuram. Uma cidade onde a
maioria dos moradores são escultores, pintores e tecelões por isso é conhecida como a cidade dos artistas.  

O RAMAYANA

Historicamente o Ramayana narra a trajetória do povo ariano à medida que se desenvolvia e se tornava uma nação bem organizada, bem
armada com exércitos e estrategistas militares competentes que conquistavam feudos e povoados expandindo-se na direção do   o sul da
Índia.  Do ponto de vista mítico, é uma história de heroísmo, retidão, fidelidade, obediência, renúncia e solidariedade. É também uma
história de amor devotado. 
Vishnu decide pela sétima vez assumir forma humana, e para isso escolhe nascer como Rama, filho de Dasharatha, o rei de Ayodia. O rei
queria que seu filho muito amado fosse o regente, mas, uma de suas esposas conspirou e conseguiu que o rei banisse Rama do reino, e
exigiu que o rei desse a regência ao filho dela. Rama parte para o exílio com Sita sua esposa, e um meio-irmão chamado Lakshmana. Na
floresta um “rishi” se encarrega de ensinar aos jovens a sabedoria eterna, o Sanathana Dharma, e as estratégias e obrigações que um rei e
guerreiro  precisava conhecer. Certo dia o rei demoníaco Ravana, da ilha de Lanka (Sri Lanka) que tinha poderes mágicos, e grande
conhecimento intelectual, mas não tinha caráter nem pureza de espírito, viu Sita, e a desejou para si imediatamente. Para obter a
satisfação do seu desejo concebeu um plano e a raptou. Ravana levou Sita consigo para o Sri Lanka. Rama e Lkshmana quando voltaram da
caça perceberam o ocorrido e foram ao encalço de Ravana. No caminho encontraram Sugriva, o rei dos macacos, e este quando soube do
ocorrido pede a seu filho Hanuman que chefie  o exercito de macacos, e ajude Rama a libertar sua esposa Sita. Rama usa seu poder divino
e desloca milagrosamente muitas pedras de uma pedreira, e pede aos macacos que construam uma ponte feita de pedras flutuantes. A
ponte flutuante ligava o continente a ilha de Lanka, onde travou-se uma batalha terrível entre Ravana, e Rama, Lakshmana e os exércitos
de macacos comandados por Hanuman, e o exército de gigantes demoníacos do rei de Lanka. No Ramayana as batalhas aéreas travadas
pelos heróis dentro de naves espaciais chamadas Vimanas impressionam por narrarem a atuação de veículos aéreos e da utilização de armas
chamadas “astras” que são descritas como foguetes de enorme poder destrutivo. Sob o ponto de vista espiritual, Rama é a fonte dos
valores humanos e espirituais, e Ravana, o exemplo do poder destruidor de um intelecto sem ética e de poderes mágicos sem pureza de
intenções. Como Ravana não vivia valores éticos e espirituais, não conhecia limites para seus desejos e terminou como vitima de sua
própria ignorância espiritual, sua cobiça, inveja e luxúria desmedidas. 

Lakshmana, Rama, Sita e Hanuman


Hanuman é um semideus muito adorado em toda a Índia, simboliza o homem dotado de natureza, animal, humana e divina. 
Ele representa a supremacia do humano sobre a natureza animal e do espírito sobre a matéria pela entrega do corpo e da mente a serviço
da vida e da divindade. Lakshmana representa a solidariedade fraterna e o amor incondicional, e também a fé e a confiança nos desígnios
divinos. Sita é a entrega e a fidelidade amorosa, e sendo Rama o avatar, e ela uma encarnação da deusa, e a deusa uma expressão da Mãe
Terra, o resgate de Sita é o resgate do planeta. Quando Hanuman dá o salto saindo de Lanka de volta à Índia carregando Sita nos braços e
se humaniza perdendo a cauda, vemos a representação do salto quântico, o salto de qualidade concedido na ocasião por Rama, o avatar, a
toda a humanidade.

CICLO CÓSMICO 
IDADE DO UNIVERSO E DIVISÕES DO TEMPO
 Segundo a mitologia hindu, o universo nasce da vontade de Brahman e se desenvolve em ciclos que obedecem a determinados ritmos. O
universo é criado, expande-se, é destruído e recriado de acordo com esses ciclos. Um dia da vida de Brahma, a expressão da criatividade
de Brahman, tem a duração de 4.320.000.000 de anos terrenos, mais esse mesmo tempo para a noite, multiplicado por 30 (o número de
dias de cada mês), multiplicado por 12 (os meses do ano) e multiplicado por 100 anos. As divisões das unidades de tempo dos homens são
diferentes das unidades dos deuses. Um dia divino corresponde a 360 dias humanos tendo como base o círculo de 360 graus. Cada grau
corresponde a um dia e o ciclo completo da Terra em torno do sol é um dia divino. Um ano divino é igual a 360 anos terrenos.
É fascinante imaginar que faz mais de três mil anos que esse povo se valeu da matemática para conceber um começo e um fim para o
universo. Mais fascinante ainda é ver que a mesma matemática permitiu que físicos quânticos teóricos criassem a teoria das cordas e
especulassem baseados nela sobre a  possibilidade da existência dos multiversos. Caso essa teoria se confirme, seria tão importante quanto
o foi a teoria de Copérnico. A alegoria mitológica hindu sobre o nascimento do universo vem, pouco a pouco, tornando-se uma realidade
científica. A idéia do universo autoconsciente, da sua expansão inflacionária e dissolução para o surgimento de outro ou outros universos
concomitantes e paralelos, hoje desenvolvida pela física quântica, aproxima-se muito do mito hindu da criação. A ciência e a
espiritualidade estabelecem um diálogo revolucionário e criativo, e a física das possibilidades, que defende o primado da consciência,
oferece-nos a abertura de portais de percepção mais abrangentes e descobertas transformadoras..

KALPAS - São os ciclos do tempo. Cada ciclo de tempo de 4.320.000.000 de anos terrenos é igual a um dia da vida cíclica de Brahma e é
chamado Kalpa. Terminado um Kalpa, o universo é destruído. Essa destruição chama-se Pralaya, é quando Brahma absorve de volta para si
toda a sua criação e os universos e os mundos voltam à sua origem. A passagem de tempo entre os consecutivos Pralayas, a existência de
um universo e um Kalpa são constituídos de Manvantaras. Cada Kalpa tem 14 manvantaras e cada manvantara é regido por um Manu. É
denominado Manu um ser iluminado que é escolhido pela divindade para reger um manvantara. Cabe a ele criar uma ordem, justiça,
princípios, ética, valores e normas de conduta. Esse mesmo Manu reencarna a cada início de um novo manvantara. O Código de Manu, assim
como o Código de Hamurabi, o rei sumeriano, são conhecidos como os mais antigos compêndios de normas morais e éticas.

YUGAS – Existem as eras, “yugas”, que compõem as dimensões menores da Grande Era – A Mahayuga. As “yugas” são quatro e são
denominadas: Sathya, Treta, Duapara e Kali.

SATHYA YUGA – É chamada a era de ouro. Nessa era vigora a prática do Dharma e a humanidade vive em perfeita harmonia com os
princípios e desígnios divinos. A Sathya Yuga compreende 4.800 anos divinos, ou seja, 1.728.000 anos terrenos. Nessa era existe a
prevalência da verdade (Sathya em sânscrito), e a procriação acontece apenas pela energia emitida pela da intenção de criar um novo ser
humano.

TRETA YUGA – É chamada a era de prata. A prática do Dharma diminui cerca de 25%, e a procriação se faz pelo toque, o contato físico.
Nessa era Vishnu assumiu a forma humana como o avatar Rama para salvar o planeta e a parte dhármica da humanidade..

DUAPARA YUGA – É chamada a era de bronze. Nessa era o Dharma diminui 50% em relação à Treta Yuga. Sua duração é de 2.400 anos
divinos, ou seja, 864 mil anos terrenos. A procriação se dá através de intercursos carnais. Na Duapara Yuga que antecedeu a atual Kali
Yuga, Krishna avatar nasce para ajudar a Terra, separar os bons dos maus, e reconduzir a humanidade pelo caminho do Dharma. Quando
Krishna morreu teve início a Kali Yuga.

KALI YUGA – é chamada a  idade do ferro. A prática do Dharma cai para cerca de 25% a menos do que na Duapara Yuga, persiste apenas um
terço do Dharma. A duração da Kali Yuga é de 1.200 anos divinos, o que corresponde a 432.000 anos terrenos. Essa era se caracteriza pela
irreverência, decadência dos valores humanos e espirituais, pela falta de caráter das pessoas, desonestidade e falta de espírito público, e o
desrespeito às leis nas sociedades. O mundo nessa era é governado por lideranças corruptas e os conflitos entre os povos são constantes. O
abandono de crianças e idosos e a degradação das mulheres acontece assim como a desagregação das famílias. Nas relações humanas a
traição é comum. Nessa era, os 25% de praticantes do Dharma, homens e mulheres que buscam o aprimoramento do caráter, e a elevação
espiritual, colocam-se a serviço dos semelhantes e oram pedindo aos deuses que intervenham para suavizar o sofrimento da humanidade e
do planeta.

OUTROS DEUSES E DEIVINDADES POPULARES


No panteão hindu existe uma infinidade de deuses, deusas e animais divinizados. Isto acontece porque a população procura nesses
arquétipos expressar diferentes maneiras de sentir uma maior intimidade com o sagrado. Alguns desses deuses protegem e determinam a
saúde, o casamento e o êxito nas atividades produtivas de uma comunidade. Outros são adorados como fonte de sabedoria, patronos locais,
etc. Esses aspectos do divino são muito importantes para os pastores e trabalhadores rurais. Templos dedicados a esses deuses se espalham
por todo o interior da Índia. Os templos são referencias de identidade cultural e espiritual das aldeias que se estruturam com base na
agricultura.
  
SERES E OBJETOS SAGRADOS NASCIDOS DO SAMUDRA MANTHAN
SAMUDRA MANTHAN – O ato de agitar o oceano primordial, para a extração do alimento dos deuses - a amrita, equivalente à ambrosia da
mitologia grega. Nessa ocasião surgem vários seres sagrados. Shiva, para livrar a Terra e a humanidade do efeito daninho da ação dos
demônios que impediam a evolução da humanidade e do planeta, ingere o veneno da ignorância.

AIRAWAT – É considerado o rei dos elefantes. Esse elefante branco com três trombas que simbolizam o seu poder nos três mundos (a
superfície, o subsolo e o céu), é o veículo animal do deus védico Indra. No panteão védico, Indra é considerado o rei de Amaravati, o
Paraíso Celeste.

SURABHI – a vaca divinizada, conhecida também como Kamadhenu - a vaca celestial provedora da abundância. Diz o mito que Brahma,
quando criou os Vedas, ensinou que os versos deveriam ser recitados e cantados pelos brahmanis, os sacerdotes, e disse também que
Kamadehnu cederia o seu leite para dele ser extraída a manteiga clarificada, “ghee”. Essa manteiga líquida e dourada banha as imagens e
também é lançada no fogo sacrificial durante as cerimônias de adoração. A vaca é sagrada para os hindus com o nome de Gaumata – a vaca
mãe.

VARUNI – a deusa que rege as plantações de uvas é também a conhecida como a deusa do vinho.
PARIJAAT – a árvore celestial. A árvore da vida e do conhecimento que se enraíza nos céus. Idrani, a deusa consorte de Indra,
transplantou-a em Amaravati. O Paraíso.

RAMBHA – É uma das apsaras, as dançarinas celestiais. As apsaras são bailarinas celestiais que com sua dança movimentam as emoções e
transmutam as energias desarmônicas em harmônicas.

CHANDRA – A meia-lua que adorna os cabelos de Shiva. Essa é a forma da lua que é mais auspiciosa para a disciplina da mente.

KASTURBHA – É conhecida e venerada como a pedra preciosa dotada de todos os poderes. Essa pedra sagrada reluz pendurada em um
cordão de ouro enfeitando o torso nu de Krishna. Ela realiza desejos e provê felicidade.
PANCHJANYA – A grande concha (shankh) que Vishnu carrega em uma de suas mãos. Quando um herói ou deus sopra essa concha é um
chamamento para o exercício do Dharma, a Lei Cósmica Eterna. O som que vibra, reverbera se expande e aglutina moléculas como criador
das múltiplas formas de vida.

SARANGA – O arco sagrado de Vishnu. Simboliza o poder e a força da vontade que impulsiona e encaminha a intenção. A intenção atingirá o
seu alvo quando for correta e meritória, e por isso destinada ao êxito.

KAUMODAKI – a clava (gada), de Vishnu, simboliza o poder da sagrada disposição de lutar pela preservação da vida, do equilíbrio da
natureza, e da eterna batalha pelo Dharma a vencer as iniqüidades.
  
OUTROS DEUSES POPULARES DE REGÊNCIA ESPECÍFICA
  
DHANVANTARI – O criador da medicina Ayurveda, a ciência médica indiana ancestral. Ele é chamado o médico dos deuses. Rege a saúde
física, mental-emocional e espiritual. É representado de pé com quatro braços e carrega em uma de suas mãos uma vasilha com todos os
medicamentos para todas as curas e na outra um pote de amrita, o alimento dos imortais.

CHANDRAGUPT - Ele é o guardião dos registros akáshicos. Onde estão registradas as ações que resultam no carma positivo ou negativo de
toda a humanidade. Ele determina, de acordo com a qualidade desses registros, a dimensão para onde o espírito de cada indivíduo se
dirigirá após a morte.

BRASHPATI – É o Logos, o regente divino do planeta Júpiter. É venerado como o conselheiro dos deuses e o mais sábio dentre os Logos
planetários.

ANNAPURNA DEVI – Essa deusa é um aspecto de Parvati. Ela se apresenta como nutriz, e provedora de alimentos. Interessante salientar
que nos templos a ela dedicados, o altar tem além da estatua dela, as estátuas de Shiva e de Parvati. Ela é a encarnação de Parvati que
escolheu servir a Shiva plenamente. O deus ficou tão encantado com a atitude de entrega da deusa, que a abraçou fortemente contra o
próprio corpo. Nesse abraço os seus corpos se fundiram, e assim, dessa junção perfeita, surgiu Ardhanarishvara, a representação do
masculino e do feminino em conjunção e complementaridade.
GANGA – É a deusa que assumiu a forma do rio Ganges, o rio mais sagrado para os hindus. Reza o mito que certa vez Vishnu transpirou e
Brahma recolheu esse suor e com ele preencheu seu Kamandal, o vaso que carrega em uma de suas mãos, e que simboliza a água da vida.
Essa água foi derramada por Brahma sobre a Terra para fertilizá-la. Outro mito conta que a deusa Ganga assumiu a forma de um rio e
desejou derramar-se desde as regiões celestes sobre o planeta, e para evitar o desastre que o impacto de suas águas causariam à Mãe
Terra, Shiva acolheu a deusa em seus cabelos e assim o rio, ou seja, a deusa, escorreu suavemente pela cabeleira do deus, evitando que a
Terra e a humanidade fossem danificadas.

JAGANNATHA – Jagannatha significa o Senhor do Universo. É um aspecto de Krishna adorado em toda a Índia, especialmente em Puri
(Orissa). Um dos mitos sobre Jagannatha conta que um rei chamado Indradyuman era muito devoto de Vishnu e rezava sempre pedindo ao
deus por sua salvação. Numa ocasião, Vishnu se apresentou ao rei e mandou que ele criasse uma estátua de Jagannatha, orientando como
deveria ser feita e que dentro dela colocasse os restos mortais de Krishna, restos estes que tinham sido recolhidos e guardados dentro de
uma caixa por devotos, depois que Krishna deixou o corpo físico. Vishnu, para facilitar a tarefa do rei, pediu a Vishwakarma, o arquiteto
dos deuses, que fizesse uma imagem de Jagannatha. Vishwakarma aceitou a incumbência e pediu que enquanto estivesse fazendo a
imagem não queria ser perturbado de forma nenhuma por qualquer pessoa. O rei ficou ardendo de curiosidade e dias depois foi dar uma
espiada no trabalho do arquiteto celestial. Quando Vishwakarma percebeu o intruso, irritou-se demais e abandonou o trabalho. Este ficou
incompleto, pois faltavam ainda as mãos e os pés da estátua. Desesperado e envergonhado, o rei orou a Brahma, pedindo que o ajudasse.
Brahma respondeu que o rei poderia sossegar seu coração, pois futuramente essa imagem seria muito adorada e celebrada, e que ele, o
próprio Brahma, assumiria forma humana, e viria celebrar os rituais de consagração. Disse também que as imagens de Jagannatha e de seu
irmão Balarama e sua irmã Subhadra deveriam ser adoradas juntas e a cada 12 anos precisavam ser queimadas e construídas novas imagens.
As figuras têm enormes olhos e bocas e são expressões artísticas características da região de Orissa. O festival do senhor Jagannatha é um
dos mais importantes da Índia e acontece a cada 12 anos. Durante as festividades as figuras pintadas na madeira, ou em tecido, são
retiradas do templo, banhadas no Ganges e levadas em procissão. Em seguida são queimadas e substituídas por novas imagens.

SESHA NAGA – É a deusa serpente que flutua no oceano primordial e que oferece seu corpo anelado para que Vishnu nele se deite, durma e
sonhe o sonho da criação, e desse modo a vida manifestada continue existindo. A deusa serpente também é chamada Ananta Naga e é
indestrutível. Quando o universo é reabsorvido durante o Pralaya só ela permanece. A deusa Ananta- Sesha aguarda então o momento do
surgimento de um novo universo, para mais uma vez se colocar a serviço de Vishnu. Ela é testemunha eterna dos ciclos de criação,
manutenção e destruição dos universos.

Existem inúmeros outros, porém estes são os mais populares.

CONCEITOS CRENÇAS E RITUAIS


O GURU – O Mestre
No hinduísmo o guru, o mestre, desempenha um papel de máxima importância. Ele é o educador do corpo físico da mente, do intelecto e o
espírito dos seus discípulos. O guru conduz o discípulo ao autoconhecimento ensinando práticas como meditação, alimentação saudável,
“muna”, abstinência de falar, autodisciplina emocional, a auto-indagação e auto-análise. Os cantos devocionais, bhajans, mantras
sagrados, abrem portais de percepções sutis e fortalecem a fé e a devoção. O guru propicia a descoberta e prática dos valores humanos e
espirituais, e principalmente orienta seus discípulos nos estudos das escrituras sagradas. O guru prepara seus discípulos para serem
servidores amorosos e competentes dos seus semelhantes, da vida e do divino.
O mestre atua como um grande espelho onde os discípulos se refletem. Durante o processo de aprendizagem o discípulo descobre seus
defeitos e virtudes, torna-se mais lúcido e verdadeiro, e desse modo se capacita para transmutar defeitos e aprimorar virtudes e talentos.
O verdadeiro guru é aquele que pratica o que prega, é um mestre cujas palavras e ações inspiram mentes e corações. Seus ensinamentos
visam dotar seus discípulos de autoconsciência. O verdadeiro guru promove no seu discípulo não a dependência, mas a autonomia. Para os
adeptos do hinduísmo, servir ao guru, entregar-se aos seus ensinamentos e ao seu serviço, servindo a humanidade, é o primeiro passo no
caminho para atingir a libertação da ignorância, livrar-se da ilusão, Maya, e obter a elevação espiritual.

SANTOS-GURUS E PERSONALIDADES SAGRADAS

KABIR  (1440 – 1519 D.C.)

Foi um grande poeta e considerado um santo. Nasceu em Kashi (Varanasi) sua poesia mística e seus ensinamentos pacifistas foram
instrumento de luta contra a hipocrisia e a segregação religiosa. Kabir procurou eliminar a rivalidade religiosa entre hindus e muçulmanos.
Sua origem é nebulosa. Reza o mito que ele foi encontrado flutuando num lago próximo de Kashi, tendo uma flor de lotos como berço. Um
casal de muçulmanos o encontrou e o adotou como filho. Deram-lhe o nome de Kabir, que significa “grande” (ou grandioso em árabe).
Desde a infância o menino demonstrava inteligência prodigiosa e sabedoria, por isso os pais o levaram até um guru hindu chamado
Ramananda. Kabir tornou-se um poeta e um mestre muito respeitado. Foi amado tanto por hindus quanto por muçulmanos e até hoje é
venerado por ambos. Ele pregava a unidade entre os homens e não aceitava a divisão da sociedade em castas; pregava também a unidade
religiosa pela fé e reverência às diferentes escolhas humanas. Por essa razão, os hindus e muçulmanos ortodoxos o caluniavam e tentavam
desacreditá-lo na sociedade. Kabir também era contrário a rituais e formalidades religiosas, considerando essas praticas desnecessárias. Ele
acreditava e ensinava a crença e a devoção voltadas para o deus único e sem forma, a Nirguna Bhakti. Sua poesia criticava o
comportamento sectário dos mullahs, sacerdotes muçulmanos, e também dos pundits, sacerdotes hindus.
MAHAVIRA  (599 – 467 A.C.)
O príncipe Vardhman, nascido em Bihar, aos 30 anos abandonou o reino e renunciou às coisas mundanas, inclusive às próprias vestes.
Depois de treze anos de vida ascética tornou-se um grande líder espiritual. O príncipe é reconhecido pelos adeptos como o vigésimo quarto
“tirthandar”, mestre sagrado do jainismo. A partir daí passa a ser conhecido como Mahavira, Grande Herói. O Jainismo é uma filosofia e
religião muito antiga que prega a não violência de maneira extremada. Seus adeptos andam despidos por considerarem a nudez uma
expressão de renúncia e santidade. Alguns usam máscara, tapando o nariz e a boca para não inalar eventualmente algum inseto. Procuram
não ferir ou matar nenhum ser vivo na natureza. Essa filosofia teve influência sobre o hinduísmo, principalmente no conceito da
alimentação vegetariana. No jainismo a meta é a liberação total das tentações mundanas e viver sem deixar rastros.  

MEERA BAI  (1499-1546 D.C.)

Ela é uma personalidade sagrada para os hindus, é considerada uma encarnação de Radha, a gopi, pastora, que venerava Krishna (Radha é
representada nas gravuras e estátuas como uma extensão feminina de Krishna). Meera Bai desde criança adorava Krishna. Quando atingiu a
idade de casar-se sua família escolheu para ela um jovem chamado Rana. Tanto o marido como os sogros não aceitavam a imensa devoção
que ela nutria por Krishna, e muito a fizeram sofrer. Eles chegaram a espalhar boatos maldosos ferindo sua honestidade e debochando de
sua devoção. O marido, por ciúme, tentou matá-la várias vezes. Miraculosamente ela foi salva da morte todas as vezes, pela intervenção de
Krishna. Conta-se que numa ocasião colocaram uma serpente venenosa para picar seus pés e matá-la envenenada. Krishna transformou a
serpente em uma guirlanda de flores e a salvou. Quando seu marido morreu prematuramente, ela se recusou a ficar com os sogros e seguir
sofrendo. Meera Bai foi então para Brindavan, uma cidade sagrada onde Krishna passou sua infância. Lá, ela deu continuidade aos seus
cantos e poemas devocionais. Estabeleceu-se depois em Mathura,  cidade onde nasceu Krishna, e por isso considerada sagrada. Tornou-se
famosa por suas orações e cantos devocionais, orações e cantos que continuam sendo muito populares até os dias de hoje.
NANAK  (1469-1539 D.C.)

Foi o fundador do Sikhismo. Era poeta e divulgava em seus poemas mensagens de paz e unidade entre os homens. Costumava cantar cantos
e mantras e com eles atraía adeptos. Esses cantos estão reunidos em um livro intitulado Adi Granth, um dos livros sagrados para os sikhs.
Suas canções eram cantadas por toda a comunidade onde vivia. Algumas são indicadas para ser cantadas pela manhã – são intituladas Japi
Ji ,e descrevem as várias etapas no caminho espiritual até o ser humano atingir a salvação. Outras são indicadas para ser cantadas a noite e
chamam-se Sohila. Nanak inventou uma simplificação do sânscrito denominada Gurmukhi. Ele reuniu hinos e cantos devocionais compostos
por diversos gurus, sikhs, hindus e muçulmanos, num compêndio intitulado Adi Grnath. Nanak era um místico e um pacifista, foi o primeiro
guru do sikhismo. Sua popularidae era muito grande e devido a isso hindus e mongóis muçulmanos se voltaram contra ele. Ele foi feito
prisioneiro e sofreu torturas até morrer. Depois de sua morte outros gurus o sucederam, mas foi Guru Arjuna, o quinto guru, quem fez do
sikhismo uma religião. O décimo guru, Govinda Singh, fez do sikhismo uma militância política e foi quem deu início à tradição do uso do
“kesh”(cabelos e barbas longos) ter sempre consigo o “kanghi” (um pente), a “kirpan” ( uma faca curva) e o “karha” ( um bracelete de
aço). Ele decretou que todos os homens portariam o mesmo sobrenome Singh, e todas as mulheres teriam como sobrenome Kaur. Com isso
pretendia eliminar o sistema social baseado em castas.

RAMAKRISHNA PARAMAHANSA  (1836-1886 D.C.)

Numa época de predominância inglesa, espalhou-se pela Índia uma onda cultural pró-ocidente, e entre os hindus crescia muito o número de
conversões religiosas. O domínio inglês depreciava a milenar cultura indiana e humilhava e excluía socialmente os indianos. Ramakrishna
foi um baluarte do hinduísmo, um santo que restaurou no coração dos hindus a dignidade, e também o amor e o respeito por sua própria
cultura e pelas tradições filosóficas e religiosas da Índia. Era um místico que apresentava fenômenos paranormais, e um santo erudito
extraordinário, isto sem nunca ter freqüentado nenhuma escola. Ele era devoto da Mãe Divina, e na infância cuidava do templo dedicado a
Kali- um aspecto da divina Mãe. Certo dia teve uma visão da deusa, e a partir daí tornou-se um asceta e um sábio conhecedor de todas as
escrituras sagradas. Foi o guru de Vivekananda, um grande mestre e filósofo indiano, escolhido pelo mestre para ser o continuador de sua
obra. Existem Missões Kamakrishna espalhadas por todo o mundo.
SAI BABA DE SHIRDI (1838-1918 D.C.)

Nasceu numa aldeia chamada Parthi, era filho de um casal brahmane, Ganga Bhavaria e Devagiri Yamma. Conta-se que certa vez, quando
era ainda uma criança, ele abriu a boca, e sua mãe e as pessoas que estavam presentes viram no céu da boca do menino a imagem de
Shiva. A partir de então as pessoas passaram a venerá-lo. Tornou-se pregador muito jovem. Conhecia as escrituras sagradas do hinduísmo e
ensinava a igualdade na diversidade de raças e religiões. Isso enfureceu especialmente os adeptos ortodoxos do hinduísmo e do islamismo
que viviam no lugar. Sua mãe, temerosa das conseqüências desse acirramento religioso, levou o filho para um orfanato que ficava numa
aldeia próxima. A instituição era dirigida por um sábio muçulmano, e assim o menino conheceu em profundidade também o Alcorão. Depois
de algum tempo, já rapaz, ele seguiu para Shirdi. Em Shirdi viveu no início, sob uma árvore frondosa, lá permanecendo em meditação por
um tempo, e logo depois se mudou para uma mesquita abandonada chamada Dwarakamai. Ele personificava por suas palavras e ações a
perfeição espiritual. Sua bondade, sabedoria, compaixão e pureza espiritual foi motivo de reverência e adoração dos moradores locais que
passaram a chamá-lo Sai (santo) Baba (pai).Tinha poderes extraordinários, curava as pessoas de enfermidades físicas e espirituais com um
simples olhar. Na mesquita onde vivia mantinha sempre um fogo aceso, e todos que o procuravam recebiam um pouco das cinzas como uma
benção. Para os seus devotos, Sai Baba de Shirdi foi uma encarnação de Shiva. Sai Baba de Shirdi realizou inúmeros milagres quando vivo e
afirmou para alguns devotos que ia desencarnar em breve, mas que voltaria oito anos depois no seio de uma família muito religiosa e
viveria numa aldeia no sul da Índia. Ele continua sendo venerado por milhares de devotos espalhados pela Índia e pelo mundo afora.

SWAMI DAYANANDA  (1824-1883 D.C.)


Nasceu numa família rica de brâmanes em Morvi, no Gujurat, e seus pais lhe deram o nome de Mool Shankar. Quando atingiu a idade de
casar, rebelou-se, não aceitou a imposição da família e fugiu. Foi quando conheceu e foi acolhido por um guru, cujo nome não tem registro
histórico, e este mudou o seu nome para Shuddha Chaitanya. Mais tarde, aos 24 anos, ele encontrou outro guru de nome Swami
Poornandada Saraswati, que foi seu mestre e o nomeou Swami Dayananda Saraswati.
Foi em Mathura, porém, que ele conheceu mais profundamente os Vedas, através do guru Swami Vrijananda. Mergulhou nos estudos da
filosofia vedanta e se tornou um erudito muito respeitado. Swami Dayananda Saraswati foi um reformista e fundou um movimento
denominado Arya Samaj. Foi um conhecedor profundo do sânscrito e das escrituras sagradas do hinduísmo. Criticou veementemente a
sociedade excludente formada pelo sistema de castas. Criou vários ashrams que são centros de excelência no estudo da filosofia védica.

SRI VIVEKANANDA  (1863-1902)

O menino Narendranath Datta nasceu numa família abastada e erudita. Estudou em bons colégios e sua formação familiar se dividia entre a
racionalidade paterna e a religiosidade materna. Cresceu avesso a assuntos religiosos até que, na faculdade, um colega o levou para
conhecer Sri Ramakrishna. Depois de assistir durante algum tempo as palestras do mestre, pediu ao mestre que lhe propiciasse uma
experiência espiritual transformadora. O mestre atendeu ao seu pedido e colocou a mão em seu chakra cardíaco. O jovem Narendra
mergulhou numa epifania transcendental, uma vivência mística profunda, e dela renasceu Vivekananda (a bem-aventurança do
discernimento), nome que o mestre lhe deu. Ramakrishna o escolheu para ser o continuador de sua obra. Após a morte do seu guru,
Vivekanada tornou-se um monge itinerante, pregando por toda a Índia. Extraordinário conferencista e filósofo, levou para o ocidente a
Filosofia Vedanta (não dualismo). Permaneceu dois anos nos Estados Unidos ministrando cursos em universidades e dando palestras. Deu
confêrencias pela Europa toda e levou seus ensinamentos também ao Japão. Fundou a missão Ramakrishna e esta se espalhou por vários
países do mundo. Deixou uma vasta obra literária contendo ensinamentos filosóficos extraordinários identificados pela marca do seu
luminoso discernimento. Morreu enquanto meditava e foi cremado na margem do Ganges, como o fora anteriormente seu grande guru.
RAMANA MAHARISHI (1879-1950)

Nasceu na aldeia de Tiruchuzhi, no sul da Índia, e recebeu dos pais o nome de Ventakaraman. Sua família era de poucos recursos e quando
o menino tinha 12 anos o seu pai faleceu. A mãe então mudou-se com os filhos para a casa de uns parentes em Madura. Ele foi um
adolescente religioso e aos 16 anos teve uma experiência mística que mudou sua vida estruturalmente. Depois disso, saiu de casa e se
dirigiu ao Monte Arunachala, no Himalaya. Segundo a mitologia hindu, este foi o local onde Shiva apareceu para os devotos sob a forma de
uma gigantesca  e chamejante coluna de luz. O jovem construiu um ashram ao pé do monte Arunachala, e logo multidões acorriam até ele
para ouvir seus ensinamentos. Dotado de imensa sabedoria e doçura, ele ensinou o Caminho do Autoconhecimento e o Caminho da Renúncia
através da auto-indagação “vichara”: a pergunta “Quem sou eu?” Ramana Maharishi é considerado um dos mais sábios inspirados e
importantes mestres já existentes na Índia. Ele deixou como legado a abertura para a autorrealização acessível a todos os seres que
buscam verdadeiramente o conhecimento, independentemente da profissão e das condições de sua vida na sociedade. Antes dele a
autorrealização era restrita aos monges reclusos ou andarilhos renunciantes.
Ao sentir que ia morrer, deitou-se, respirou profundamente e reteve a respiração. Foi quando seus devotos perceberam que havia morrido.
Ele deixou discípulos espalhados pelo mundo inteiro.

SRI AUROBINDO (1872-1950)

Nasceu em Calcutá e recebeu de seus pais o nome de Aurobindo Akroyd Ghosh. Foi criado na Índia e sempre demonstrou muito interesse
pelos estudos. Viajou para a Inglaterra onde concluiu seus estudos e tornou-se um intelectual reconhecido pelo seu talento e erudição:
falava vários idiomas e era profundo conhecedor de filosofia oriental e ocidental. Era escritor, poeta e iogue. Voltou à Índia porque sentiu
necessidade de encontrar suas raízes e conhecer melhor a sabedoria ancestral do seu país. Trabalhou para entidades governamentais na
área de educação e foi um grande educador. Teve importante participação no movimento nacionalista e revolucionário que resultou na
independência da Índia do jugo inglês. Como militante político, foi preso e durante sua estadia na prisão aprofundou seu conhecimento das
filosofias hindus e desenvolveu sua própria visão de mundo e compreensão do que era o verdadeiro progresso humano, social e evolução
espiritual. Nesse período teve varias experiências transcendentais que mudaram as estruturas de sua consciência. Quando foi solto, desistiu
da militância política e dirigiu-se ao sul da Índia para dedicar-se à sua missão espiritual. Seus aforismos e suas frases se notabilizaram pela
sabedoria e profundidade. Seu pensamento integrador de raças, credos e gêneros inspirou seus seguidores, que criaram uma comunidade
ecológica e espiritual chamada Auroville, na localidade de Pondicherry. Após sua morte, Auroville permanece como o testemunho da
realização de um sonho de convivência humana pacifica, criativa e espiritualista.

SWAMI SIVANANDA SARASWATI (1887-1963)

Nasceu numa família brâmane; seu pai era oficial do exército, ao tempo em que exercia as funções de sacerdote, o que é raro acontecer.
Um só homem nascido em uma casta de sacerdotes exercia função da casta dos kshatryas, os guerreiros, governantes defensores do
Dharma. Foi um menino religioso e muito interessado em saber como curar os males físicos. Esse interesse o levou a estudar medicina.
Quando estava fazendo estágio em um grande hospital, devido ao falecimento do pai, teve que interromper a sua formação. Para se manter
e pagar a complementação dos seus estudos, criou um jornal sobre medicina chamado Ambrosia, onde ele era o redator, o editor, o
articulista e o diretor. Apesar de ser um jornal pequeno, a qualidade das matérias era muito boa, e logo o jornal ficou famoso no meio
médico. Logo a seguir, o jovem médico foi contratado para dirigir um hospital na Malásia Britânica. Especializou-se em oftalmologia e
voltou à Índia. Era um pesquisador profundo da importância da mente e sua ligação e comprometimento com as doenças físicas.
Muito interessado em filosofia e espiritualidade, além de pesquisador de novas metodologias médicas, ele passa a utilizar ervas raras
colhidas na região do Himalaia e com elas criar medicamentos. Atendia às populações carentes graciosamente e era adorado pelas pessoas
da comunidade onde vivia. Escolheu como missão curar corpos e mentes e conduzir as pessoas para o despertar da espiritualidade.
Desenvolveu várias técnicas de meditação, tornou-se swami e escreveu inúmeros livros sobre ioga e filosofia. Brama Vidya – O
Conhecimento de Deus – é o primeiro de uma série. Swami Sivananda é adorado por milhares de devotos em todo o mundo em especial os
por adeptos da Hata Yoga.
SATHYA SAI BABA (1926-2011)

Nasceu na aldeia de Puttaparthi, no sul da Índia, e seus pais deram-lhe o nome de Satyanarayana Raju. Um fato inusitado ocorreu quando o
recém-nascido foi colocado, como é costume na tradição hindu, sobre um pedaço de tecido feito de linho para filtrar as energias que o
contaminaram na descida de dimensões superiores. Sob o tecido alguma coisa se movia. A mãe levantou o pano para verificar do que se
tratava e, para sua surpresa, apareceu uma naja, que logo inflou seu pescoço e posicionou-se para proteger a criança. Isso é um sinal muito
auspicioso para os hindus, simbolizando que aquela criança é especial.
Contam os seu biógrafos que, da mesma maneira que surgiu, a serpente desapareceu. Outro fenômeno raro foi o fato de que os
instrumentos utilizados durante as cerimônias de canto devocionais praticadas pela família começaram a soar. O menino apresentava
inúmeros fenômenos físicos e na escola os professores se surpreendiam coma esses fenômeno e com a sabedoria do menino
Sathyanarayana. Aos 14 anos entrou num estado de transe e quando despertou disse aos pais que mantivessem a casa e os corações limpos
e que ele iria embora, porque seus devotos o aguardavam.
Junto com os aldeões ele construiu um ashram que logo abrigou inúmeras pessoas que vinham ouvir os ensinamentos do jovem mestre.
Numa ocasião declarou que era a reencarnação de Sai Baba de Shirdi, e logo devotos do santo de Shirdi acorreram para ver e ouvir dele se
realmente se tratava da reencarnação do mestre amado. Ao chegar eles viveram experiências que comprovaram ser verdadeira a afirmação
e tornaram-se devotos seguidores de Sathya Sai.
A fama do jovem guru correu pela Índia e fora dela. Com o passar do tempo, Sathya Sai, com a ajuda de devotos criou um ashram imenso,
uma cidade intermuros, para onde acorrem pessoas de todas as raças, religiões, níveis econômicos e culturais, em busca dos seus
ensinamentos. Os fenômenos de materializações de objetos, jóias, e as curas físicas, mentais e espirituais que se sucederam e a multidão
de visitantes de devotos cresceu progressivamente. Em deteminada ocasião, durante um discurso, ele afirmou que era um avatar
(encarnação divina) e que sua avataridade se manifestou primeiro como Shirdi Sai, e que depois dessa vida voltaria passados 8 anos, quando
assumiria a forma e a personalidade de Prema Sai.
Sua mensagem é universal e não privilegia nenhuma religião ou filosofia, tendo a unidade na diversidade como eixo.
Sathya Sai Baba criou uma obra educacional extraordinária que compreende desde escolas para o ensino fundamental até uma
universidade. São instituições modelares que oferecem ensino de excelência. O ensino se baseia nos princípios fundamentais da consciência
humana e tem como meta o  despertar, a conscientização e a prática dos valores humanos. É uma metodologia que contempla as
dimensões físicas, intelectuais e espirituais do educando. O ensino é gratuito e reconhecido pelo governo indiano como de grande
qualidade.
Construiu hospitais com tecnologia de ponta que oferecem atendimento gratuito na aldeia onde viveu, e também em Brindavan, uma aldeia
próxima a cidade de Bangalore onde existe outro ashram, e mais um complexo educacional. Essa metodologia é hoje adotada por muitos
países e existem escolas Sai espalhadas por todas as partes do mundo. Seus milhões de devotos o adoram e continuam a afluir até a aldeia
para homenagear sua memória e manter viva a chama de sua mensagem. Sathya Sai Baba foi, sem dúvida, a liderança espiritual mais
importante da Índia nos últimos tempos.

Inúmeros gurus - mestres , santos e personalidades sagradas são reverenciados  na Índia, porém os aqui mencionados se notabilizaram sobre
maneira.

CONCEITOS
Atma- É o Eu transcendental. É o substrato onipresente da substância de todos os seres e de todas as coisas criadas. É o permanente e
imutável na impermanência e mutabilidade da manifestação material da vida.

Maya – É a energia responsável por todas as formas fenomênicas, e estas são enganosas e ilusórias. É a grande ilusão universal que nos leva
a crer no material e fugaz como real e permanente. Os véus de Maya sustentam a ignorância espiritual e ocultam a verdade do Eu. Maya
nos leva à identificação com o eu transitório, o eu-personalidade, e nos torna embriados por nós mesmos.
Svastika – É o símbolo da cura cósmica em movimento. É a Terra girando em torno do seu eixo em comunhão com o cosmos. Simboliza
também a evolução do planeta e da humanidade e os pontos cardeais. É desenhada no chão ou em quadros e paredes para garantir
harmonia e felicidade, principalmente durante cerimônias e rituais. O deus Ganesh é simbolizado graficamente pela svastika.

Vaastu Shastra – São princípios orientadores da arquitetura védica que visam a otimização e o equilíbrio dos cinco elementos: terra, água,
fogo, ar e éter,
 e das quatro direções. Os elementos determinam o magnetismo bioelétrico dos ambientes assim como o funcionamento harmônico dos
organismos humanos e animais. Os cômodos da casa são dedicados às deidades que regem o horóscopo do proprietário e posicionam a
ventilação, a luz, as portas e janelas. Esse sistema foi criado pelos sábios védicos para propiciar mais saúde, paz, e prosperidade nas
residências e no local de trabalho.

Aadar Bhav – Na tradição hindu o respeito aos mais velhos é muito importante. E “aadar bhav” representa o ato de ajoelhar-se para tocar
os pés de professores, avós, pais, e demais pessoas idosas da família. É um gesto que denota respeito e humildade diante daqueles que, por
terem vivido mais, devem ser reverenciados por suas experiências e conseqüente conhecimento adquirido. O professor é tão reverenciado
quanto pai, mãe e avós.

Padmanaskar – É o ato de ajoelhar-se e reverentemente tocar os pés ou as fímbrias da túnica de um mestre, ou o sári de uma mestra.

Brahma Mahurt – é o nome dado aos momentos que antecedem o amanhecer. É considerada a melhor hora para despertar e iniciar as
atividades ritualísticas do dia. A higiene pessoal cuidadosa, as abluções ou se possível os banhos rituais no Ganges e a meditação. Isso é
indicado para que as pessoas possam entrar em sintonia com a energia cósmica de renovação da vida. É indicado para que as pessoas
possam usufruir o máximo possível dos benefícios da luz do sol antes de comer e ir trabalhar. As abluções e a higiene corporal cuidadosa
foram colocadas como normas pelos “rishis” para obrigar a população a ter cuidados corporais, manter a saúde e evitar doenças.

Karma – Dentro da filosofia reencarnacionista, é o conceito de causa e efeito. Karma significa movimento, portanto, mutabilidade. Não se
trata de vaticínio ou punição. Trazemos na vida atual “vasanas” sementes de karmas negativos e positivos. Elas são o resultado de ações
praticadas em nascimentos anteriores. O karmas negativos precisam ser resgatados e os positivos são facilitadores no processo evolutivo em
andamento na atual encarnação. Existe o karma pessoal, o karma familiar, o karma do país, do continente e do planeta. Para o hinduísmo
karma não é castigo, é conseqüência, e é também uma lei que evidencia a misericórdia divina. É uma lei misericordiosa porque permite ao
ser humano corrigir erros, aprimorar seu caráter e evoluir espiritualmente e assim evoluir do karma para o dharma. A meta é atingir
“moksha”, a libertação de “sansara” o ciclo de nascimentos e mortes,

Sanatana Dharma – É o verdadeiro nome da fé hindu. A Eterna Lei. Interessante ressaltar que essa Lei (Dharma) não se restringe aos que
têm fé. Todos os seres estão enraizados nela, condicionados por ela e por ela orientados. Nesse conceito se baseia a crença na igualdade
dentro da diversidade e o fato de o hinduísmo considerar o mundo e a vida sagrados: a Terra é o planeta mãe e a humanidade uma só
família.

O Som Sagrado – Para o hinduísmo todos os ritmos nascem do “damaru” – o tambor que Shiva ostenta às vezes amarrado ao Trishula, seu
tridente, ou então o segura em uma de suas mãos, quando é representado como Nataraja, o rei da dança. O “OM” e todos os demais sons,
audíveis ou não, emanam da “vina”, tangida pelos dedos da deusa Saraswati. Por esta razão, as cerimônias de adoração (“puja”) utilizam
os “bhajans” (cantos devocionais). Esses cantos são ritmados e melódicos e atuam como orações e louvores. Nas escrituras sagradas hindus
a música divina ressoa no universo e se compõe do som dos planetas e demais astros. A música das esferas é tocada pelos “gandarvas”, os
músicos celestiais.

Teerth Yatra – É a denominação da peregrinação periódica que deve ser feita aos lugares sagrados. Teerth quer dizer “lugar às margens de
um rio”, e esses locais sagrados ficam, por isso, às margens de rios sagrados, especialmente do Ganges. Hari Dwar, por exemplo, é uma
cidade sagrada às margens do Ganges que costuma atrair milhares de peregrinos, assim como Varanasi e Rishikeshi. Os mestres e os sábios
indicam as peregrinações como forma de autoconhecimento e desenvolvimento espiritual. Os antigos rishis viam nas peregrinações um
modo de manter a população do país unida pela fé e pela sua cultura. Os pontos de reunião para os rituais e atos devocionais nos templos e
por ocasião de Kumbha (grande congregação) localizam-se em pontos estratégicos, e o roteiro obriga o peregrino a atravessar regiões
desconhecidas, lidar com o inesperado e pedir ajuda e conhecer novos costumes. O peregrino, além de internamente trabalhar seus
pensamentos e emoções, desse modo tem oportunidade de confraternizar e solidarizar-se com as pessoas que encontra pelo caminho.
Kumbha Mela – É a congregação de milhões de sacerdotes, sadhus (homens santos renunciantes e itinerantes) e acontece a cada 12 anos.
Ocorre em momentos cósmicos específicos para reverenciar e comungar com a energia emitida sobre o planeta Terra por determinada
configuração astral e alinhamento planetário.

Tilak – É uma marca que o sacerdote coloca na testa do devoto. A marca é feita com um pó vermelho chamado “roli” e água e nessa marca
vermelha o sacerdote coloca alguns grãos de arroz. O pó vermelho simboliza o sangue e o arroz o sêmen, o esperma fecundador. É um
símbolo de regeneração da vitalidade física e de fecundidade para homens e mulheres.

Suhaag – É a denominação dada à felicidade feminina no casamento. Significa que a esposa ama seu marido e que ele está vivo. Ela
demonstra isso usando o “sindoor”, um ponto feito com pó vermelho no meio da risca que divide o seu cabelo ao meio. Pode ser também o
“bindi” um ponto vermelho no meio da testa. Este bindi também pode ser usado como adorno feito de pedras os adesivos tanto pelas
casadas quanto pelas solteiras. A esposa feliz também deve usar adereços nos cabelos, braceletes nos pulsos e anéis nos dedos dos pés. Se
quiser pode ostentar o “mangala sutra”, o colar que recebeu do marido por ocasião da cerimônia do casamento.

Japamala – É uma espécie de rosário feito de cristal de rocha e outras pedras, madeira de sândalo, ou contas de rudraksha, uma semente
dedicada a Shiva. Esse tipo de rosário é usado no pescoço, no pulso ou no tornozelo. O japamala é usado para oração e também como um
recurso facilitador da concentração durante as meditações. O devoto, para utilizá-lo, deve segurá-lo entre os dedos, indicador e polegar e,
à medida que recita um mantra, deve rolar a conta massageando as terminações nervosas localizadas nas pontas dos dedos. Isso auxilia o
relaxamento físico e o esvaziamento da mente. O rosário é feito de 108 contas porque essa é a soma que resulta no número 9, que por sua
vez é o numero da manifestação da divindade. É o número que se relaciona com as 27 constelações do zodíaco védico, onde cada
constelação se compõe de 4 fases. Ou seja, 27x4 = 108, e isso significa a convergência energética de todo o espaço sideral.

PLANTAS SAGRADAS
Todas as tradições religiosas oriundas de civilizações fundamentalmente enraizadas na agricultura sacralizam plantas e raízes. O hinduísmo
não foge à regra. A seguir vamos nomear algumas das principais plantas sagradas dessa tradição.
Tulasi – É adorada como uma representação vegetal de Krishna. Corresponde ao manjericão, e pode ser encontrada plantada em canteiros
ou em vasos, na entrada de residências de devotos de Krishna, ou em frente aos templos a ele dedicados. Existe uma lenda que diz que o
Tulasi é uma manifestação devocional de Radha, a pastora que segundo o hinduísmo, é exemplo da mais perfeita adoração e entrega
devocional a Krishna.

Bilva – Árvore cujo fruto é uma manifestação vegetal de Shiva.

Neem – Nos galhos dessa árvore majestosa os devotos colocam fitas coloridas amarradas com nós; essas fitas carregam o fervor da sua fé e
contêm os seus pedidos escritos. Os devotos, dessa maneira, rogam e esperam que Shiva atenda seus desejos. E quando os desejos são
atendidos, eles depositam ex-votos aos pés do tronco da árvore sagrada.

Rudraksha – é uma semente sagrada que, segundo o mito, ajuda o devoto a entrar em meditação profunda e conseguir sintonia energética
com Shiva.
Jasmim – É a planta cuja flor emite um aroma inebriante que desperta níveis espirituais adormecidos. Os devotos do guru Sathya Sai Baba
afirmam ser o odor que indica a presença do mestre. Sathya Sai Baba, certa ocasião, teria tocado com as mãos um lenço oferecido por uma
pessoa, e ao seu toque o lenço teria ficado inundado do aroma de jasmim.

Flor-de-Lótus – Mais do que uma planta sagrada, a flor-de-lótus é um símbolo de espiritualidade na Índia e no Egito e em todo o extremo
oriente. O lótus na mitologia hindu está presente, pois nasce no umbigo de Narayana-Vishnu e seu caule se desenvolve como um cordão
umbilical para desabrochar numa flor aberta onde Brahma surge e desperta para mais um Pralaya, um ciclo de criação e manifestação. O
lótus tem algumas características muito importantes para a mitologia hindu. A flor nasce no lodo, simbolizando a ignorância espiritual,
eleva-se e floresce sempre direcionada para a luz, simbolizando a verdade do espírito. Suas pétalas não retêm nada, nem mesmo a água da
chuva, simbolizando o desapego. A flor em botão tem a forma de um coração. Quando o botão desabrocha, suas pétalas se abrem
plenamente para se alimentar da luz do sol. Quando a flor fenece, suas pétalas murcham, mas não se desprendem de imediato; só
acontece o desprendimento quando a semente surge para garantir um novo ciclo de existência. Isso simboliza o processo de
desprendimento da matéria e a reencarnação. Portanto, assim como a flor-de-lótus, o ser humano nasce potencialmente amor. O botão
desabrocha para se nutrir de luz (o conhecimento espiritual), depois fenece, morre e se desprende para renascer novamente. Interessante
salientar que a semente da flor-de-lótus pode viver sem água até 5.000 anos e ao ser umedecida volta a germinar.

Bangue – No Atharva Veda, texto datado de 1400 anos a.C, encontram-se textos sobre esta erva. Também chamada ganja, é utilizada por
devotos de Shiva e sacerdotes como uma erva facilitadora na busca da obtenção de uma conexão espiritual mais profunda com a energia de
Shiva. Essa erva é mascada ou inalada pelos usuários.

VARNA  - O SISTEMA DE CASTAS


Reza a mitologia e alguns textos sagrados que as hierarquias que formaram o povo de Bharata (antigo nome da Índia) eram provenientes da
Terra, da Lua e do Sol e de outros estrelas. Os dirigentes e reis teriam descendência terrena, lunar e estelar. O sistema de castas foi criado
para diferenciar a origem de cada dinastia e garantir a pureza essencial das raças nas sucessivas gerações.  No Dharma Shastra, o Código de
Manu, o iniciador da raça e seu principal legislador, estão descritas as seguintes classes sociais que segundo ele garantiriam uma sociedade
justa e harmônica, baseada nos talentos e capacidades de servir de cada grupo de indivíduos:

Brâmanes – nascidos da boca de Paramatma, do corpo do divino. Eles seriam dotados de qualidades para conhecer e transmitir a palavra da
divindade, ensinar as escrituras, oficiar rituais e demais atividades espirituais.

Kshatryas – nascidos dos braços de Paramatma para defender o Dharma, a Lei Cósmica Eterna. Dotados de qualidade para governar,
administrar e garantir a ordem. Os reis e guerreiros.

Vaishyas – nascidos das coxas de Paramatma, para gerar prosperidade social e prover as necessidades básicas da população. São dotados de
qualidades para comercializar a produção de mercadorias e demais atividades relativas ao comercio.

Shudras – nascidos dos pés de Paramatma, são destinados e qualificados para plantar a terra, cumprir tarefas rurais como pastoreio, pesca
e todo tipo de atividade laboral no campo e na cidade.
Tempos depois surgiram os párias, dálites ou intocáveis. A origem dessa casta seria a desobediência ao “bhang”– o conjunto de normas e
atribuições das suas respectivas castas. Foram banidos devido à violação das normas, e por isso são considerados impuros e espúrios. Eles
cuidam da limpeza de dejetos humanos e animais, lixo, e de crematórios. Portanto, não se trata de uma casta ditada por Manu, mas dentro
da sociedade hindu. Mahatma Gandhi durante a sua campanha pela libertação da Índia do jugo inglês, insurgiu-se veementemente contra
essa idéia separatista e desumana da sociedade. Para exemplificar a defesa dos párias ele visitava seus guetos e fazia o serviço a eles
atribuídos, como limpeza de latrinas de banheiros públicos e outras mais. Atualmente, o governo indiano estabeleceu uma lei que visa
abolir essa segregação social, tornando-a ilegal e passível de punição por encarceramento.

SANSKARAS
SACRAMENTOS E RITUAIS HINDUS
Os sacramentos e rituais no hinduísmo têm a função de conectar o indivíduo ao universo através do sagrado. Despertar a consciência para a
importância da encarnação como etapa a ser cumprida na evolução do espírito. A valorização do aqui e agora como soma do passado e
alicerce do futuro. Desse modo, existem rituais para atrair a graça divina, a harmonia e a prosperidade para a pessoa, a família, a
sociedade, o país e o planeta. Esses rituais são rituais de passagem oficiados por sacerdotes e existem hinos e cânticos sagrados destinados
a cada um deles. Existem 16 sanskaras, os quais o adepto da tradição hindu deverá realizar desde o nascimento até a morte. Existem
também rituais que são realizados antes do nascimento do bebê para santificar o feto e garantir que a mãe tenha uma gestação saudável e
alegre. Esses rituais visam também afastar influências espirituais negativas tanto para a mãe quanto para o feto. Para o hinduísmo o feto
interage com a mãe e com o mundo exterior, sente e ouve tudo o que a mãe sente e ouve e tem memória. Portanto, a criança não é uma
tela em branco; ela traz em si sua história planetária e trajetória cósmica.

RITUAIS DA INFÂNCIA

Jatkarma – Um pouco antes do cordão umbilical ser cortado é oficiado esse ritual. O pai coloca nos lábios do filho um pouco de mel para
que ele (a) possa ter uma vida doce e prazerosa. Nessa ocasião, orações são feitas pedindo que o bebê tenha uma vida saudável, útil e
longa e que sua encarnação seja proveitosa.

Namkaran – Nessa tradição, o nome do bebê só é dito no 12º dia depois do nascimento. Este ritual acontece para dar a criança um nome
que lhe traga vibrações auspiciosas.

Nishkarman – Este ritual acontece quatro meses depois que o bebê nasceu. É a celebração da primeira saída de casa da criança. É o seu
primeiro contato com a sociedade, com a comunidade do lugar onde reside. Esse ritual é uma proteção contra negatividades.
Annaprasan – Celebra a primeira vez que a criança ingere um alimento sólido, aos seis meses de vida. Para o hinduísmo os alimentos
definem a saúde, qualidade dos pensamentos e das emoções. Por isso, antes de ingerir qualquer alimento, o hindu ora, oferecendo-o à
divindade, para que seja eliminada toda e qualquer energia negativa que porventura tenha sido passada para o alimento por quem o tenha
feito.

Chudakaran – É o ritual do primeiro corte de cabelo e acontece entre os 3 e os 5 anos de idade.

Karnvedh – É um ritual de embelezamento. O cuidado pessoal, a higiene corporal e conexão com a beleza são muito importantes no
hinduísmo. A conexão com a beleza gera uma visão de mundo baseada nas possibilidades onde as dificuldades são resolvidas com fé e
criatividade. Este ritual acontece quando a criança fura as orelhas e recebe o primeiro brinco. Em geral os brincos são colocados nas
meninas embora alguns meninos também adotem esse adorno.

SANSKARAS PARA A EDUCAÇÃO

Vidyarambha – Vidya significa conhecimento, e este ritual é feito quando tem início a alfabetização. A criança aprende a importância do
conhecimento formal e do conhecimento espiritual. Ocorre aos 7 anos de idade.

Upnayan – É a apresentação e introdução do jovem ou da jovem na sociedade. Neste ritual o sacerdote e os pais transmitem ao jovem os
valores, preceitos, atribuições e diretrizes correspondentes à casta a qual pertence. Na passagem para a adolescência o menino recebe o
“janeu”, um cordão considerado sagrado que lhe cinge a cintura demarcando a passagem de criança para adolescente.
Vedarambha – É quando o jovem inicia seus estudos sobre a literatura védica e as várias filosofias do hinduísmo. Esse estudo em geral
acontece na casa de um sacerdote ou no ashram pertencente a um determinado guru.

Keshant – É o ritual correspondente ao primeiro barbear do jovem. Nos tempos antigos e algumas famílias ainda hoje, nessa ocasião
presenteiam o guru com uma vaca para garantir o fornecimento de leite para o mestre. E o fazem como símbolo de gratidão e reverência.

Samavartan – Este ritual marca o final dos estudos formais e espirituais do jovem. Se ele os cumpriu num ashram é o momento da saída do
eremitério e da volta para a casa paterna. Este sanskar é fundamental e marca a entrada na vida adulta. Sem passar por ele o jovem não
pode se casar.

Vivah – É o ritual de preparação para o casamento, quando são transmitidos os princípios que devem reger a conduta do marido ou da
esposa, e as atribuições familiares e sociais de acordo com cada casta. Geralmente acontece quando o rapaz adquire independência
econômica e quando a moça e sua família decidem que é chegada a hora de contratar o casamento, já que nessa tradição os pais escolhem
os cônjuges.

Antyeshti – É o ritual feito pelos familiares e parente mais íntimos quando morre um membro da família. Esse ritual consta de orações que
visam facilitar o desligamento do espírito do corpo físico com o mínimo de sofrimento e o encaminhamento para uma dimensão de
aprendizado superior.

FESTIVAIS E CELEBRAÇÕES
Os festivais sagrados e as celebrações populares do hinduísmo obedecem ao calendário lunar e por isso as datas não são fixas. O sistema
baseado no ciclo lunar chama-se Panchang. As datas variam também de acordo com determinadas conjunções astrais consideradas
compatíveis e auspiciosas para o bom termo da celebração. Esses festivais existem desde tempos muito antigos e têm cunho espiritual e
atuam como oportunidades de congraçamento popular. Os festivais populares e os dedicados aos deuses propiciam o fortalecimento social e
cultural, e a união do povo em torno da espiritualidade.  Têm a função de relembrar aos indianos a importância da prática dos valores
humanos e espirituais, a vivência da unidade na diversidade e a reverência pelo sagrado em todas as suas manifestações. É o
reconhecimento do poder transcendente e sua influência viva e atuante no cotidiano, a cada instante redesenhando o destino humano. Os
festivais são elementos unificadores da cultura ancestral da Índia, assim como ressaltam princípios norteadores, valores e   propósitos
fundamentais que estruturam a sociedade indiana.

O CALENDÁRIO HINDU E O CALENDÁRIO GREGORIANO

O calendário Hindu surgiu 57 anos antes do início da Era Cristã. É um calendário Lunar.
Do mesmo modo que o calendário Gregoriano, o calendário Hindu se constitui de 12 meses. Tem início a partir de “Samvatsar Parva”, o
primeiro dia da Lua crescente de “Chair” – mês que corresponde a março-abril no calendário gregoriano.

MESES

Chair - Março-Abril
Baisakh – Abril - Maio
Jyesth – Maio – Junho
Ashadh – Junho - Julho
Shrava (Sawan) – Julho - Agosto
Bhadrapad (Bahadon)- Agosto – Setembro
Ashvin - Setembro - Outubro
Kartik – Outubro - Novembro
Marg Sheersh – Novembro - Dezembro
Paush – Dezembro - Janeiro
Magh – Janeiro - Fevereiro
Phalgun – Fevereito – Março

Todos os dias são chamados “tith” e cada um tem seu significado sagrado. Os “tith” se baseiam no movimento da Terra em relação ao Sol e
à Lua. Por isso não têm exatamente 24 horas, ou seja, um deles pode corresponder a dois dias consecutivos e, desse modo, criar um
descompasso com o calendário Gregoriano. As quinzenas lunares são importantes e chamam-se “parksh”. A quinzena em que a lua é
brilhante denomina-se Poornima. A semana de 7 não existia no hinduísmo ancestral, somente a quinzena.

DIAS DA SEMANA

Sonvaar (dedicado a Shiva) – Segunda-feira


Mangalvaar (devotado a Hanuman) – Terça-feira
Budhvaar (devotado a Vishnu) – Quarta-feira
Brahspativar (devotado a Ganesha) – Quinta-feira
Shukravaar (devotado a Shiva-Shakti, a deusa) – Sexta-feira
Shanivaar (devotado à deusa no aspecto de Shani)
Ravivaar (devotado a Surya- o deus Sol) Domingo

DIFERENÇAS ENTRE OS CALENDÁRIOS SOLAR E LUNAR

O calendário solar Gregoriano tem 365 dias e o lunar 354 nos meses de ciclo lunar. Existe, devido a isso, o acréscimo de um mês após cada
30 meses lunares. No calendário Gregoriano a transição do Sol cai sempre no 20º ou 21º dia do mês. Já no calendário lunar denominado
Vikram Samvata em homenagem ao rei Vikramaditya, a transição solar acontece por volta do 14º ou 15º dia do mês (ou seja, do mês do
calendário Gregoriano).

PRINCIPAIS FESTIVAIS

PONGAL – é um festival muito importante para as populações rurais. Celebra-se a colheita e homeageia-se a Terra, Surya o deus do Sol, e
Indra, o deus das chuvas. O festival dura 4 dias, simbolizando as 4 estações do ano e os 4 pontos cardiais. Além dos cantos e danças
dedicados aos deuses, a população das aldeias costuma desenhar mandalas na calçada de suas casas. Essas mandalas são formadas com
grãos, semente, raízes, frutos e flores, e no centro dessas mandalas eles colocam esterco. É uma mandala de agradecimento à Terra pelos
seus produtos que garantem a subsistência; o esterco, nesse caso, simboliza a contribuição para a abundância da colheita e
complementação do ciclo de alimentação, nutrição e dejetos.

MAKAR SANKRANTI – É um festival para celebrar a vida e louvar os deuses para ser merecedor de ir para um bom lugar após a morte. As
orações são dedicadas especialmente ao deus Surya, o Senhor do Sol, fonte de toda a vida. Os banhos rituais acontecem nos rios das aldeias
e também no rio Ganges, pelo povo habitante das cidades banhadas pelo Rio sagrado.

MAHA SHIVARATRHRI – A Grande Noite de Shiva. Um dos mais importantes festivais religiosos da Índia. Os devotos passam a noite em vigília
cantando hinos para Shiva e Shakti, e também cantos devocionais,“bhajans”. É uma noite sagrada dedicada à energia transformadora da
divindade. Os fiéis costumam jejuar e entrar em introspecção visando superar defeitos e maus hábitos físicos e mentais.
HOLI -  Acontece para celebrar a abundância das colheitas. Não se trata de um festival religioso, mas de uma celebração da vida e da
alegria de estar vivo. A confraternização entre as pessoas das  comunidades, quer sejam rurais quer sejam urbanas, é muito intensa. Elas
demonstram alegria e descontração, jogando pó colorido uns nos outros e dançando.

BHAIDOJ – É um festival que se comemora duas vezes durante o ano. Nessas datas as esposas vão visitar os seus pais para os reencontrar e
confraternizar com seus familiares e amigos mais íntimos. Na tradição hinduísta, depois que a mulher se casa vai morar com a família do
marido.

RAMA NAVAMI – É a celebração do dia em que o avatar Rama nasceu. A celebração é feita através da visitação aos templos dedicados a
Rama onde a cerimônia de bhajans acontece em louvor dessa deidade.

NIRAJALA EKADASH – Acontece a cada 15 dias; no 11º dia da lua crescente, e no 11º dia da lua minguante. Durante esse festival as pessoas
jejuam e procuram ajudar ao próximo mais intensamente, doando alimentos, roupas e objetos. Esse festival celebra a fé em ação através
da caridade e a solidariedade.

GURU POORNIMA – É o festival dedicado ao guru, o mestre. É uma homenagem ao sábio Viasa, que escreveu o Mahabharata, um dos
principais Puranas. Os devotos homenageiam Viasa na pessoa dos seus mestres espirituais, seus pais, avós e professores.

SINDHARA – É o festival das noras. Nessa data a família do marido homenageia a família da nora enviando flores, doces e outras iguarias
para os pais da esposa do seu filho. É uma forma de agradecer à família da nora pela educação por eles dada a filha, e reiterar os laços
familiares que os une. O motivo principal da celebração é explicitar o carinho e o apreço que sentem pelas noras.
RAKSHA BANDHAN – É o festival que celebra o amor entre os irmãos. Nessa ocasião irmãos e irmãs se abraçam e declaram solenemente o
afeto que sentem uns pelos outros. Eles se visitam, caso morem fora da casa paterna, e se presenteiam mutuamente. As irmãs colocam
uma fita de seda vermelha no pulso dos irmãos homens, num gesto de carinho e agradecimento. Esse gesto significa a certeza que têm de
que os irmãos homens sempre as protegerão.

JANAM ASHTAMI – Celebração do nascimento de Krishna. Nas residências, templos e ashrams a celebração é feita com cantos devocionais
dedicados ao avatar Krishna.
GANESH CHARTURTHI – Toda a Índia comemora intensamente o festival de Ganesha, porém a maior festa acontece em Maharahtra.
Uma multidão de devotos sai às ruas cantando louvores para o deus-elefante. Uma grande estátua de Ganesha, confeccionada em papel
maché, pintada e ricamente adornada com flores, é colocada em um andor e carregada nos ombros de devotos. O deus é venerado, as
pessoas fazem orações e pedidos de graças e ao final se encaminham para o mar ou o rio Ganges e neles imergem a estátua. Simboliza que
o deus da sabedoria retorna para o oceano de deleite, as águas primordiais do mundo superior.

NAVARATHRI – Durante 9 dias e 9 noites a deusa Durga é venerada através de ininterruptos cantos devocionais e hinos védicos a ela
dedicados. Uma grande fogueira quadrada, simbolizando as 4 direções é acesa no centro do templo ou dos ashrams, e os sacerdotes lançam
nesse fogo sacrificial “ghee” (manteiga clarificada), enquanto entoam hinos sagrados. A manteiga clarificada, esse líquido dourado,
simboliza a pureza da mente. Durga é louvada nessa ocasião como a Shakti que cria novas ordens: a potência que elimina os demônios
interiores e exteriores, ou seja, nossos maus pensamentos, maus hábitos e defeitos, e remove os obstáculos que impedem a realização dos
nossos propósitos.
DIWALI – É conhecido como o festival das luzes. E inaugura o Ano Novo indiano. A deusa Lakshmi é louvada nesse festival como a divina
portadora da luz, da harmonia na família, na sociedade e no planeta. Fogos de artifício espocam em profusão, lamparinas são acesas nas
residências e nas lojas e estabelecimentos comerciais. As luzes são a manifestação da alegria, gratidão e adoração à deusa Lakshmi. A
deusa da beleza, do amor e da prosperidade derrama nessa ocasião suas bênçãos planeta e toda a criação. Comemora-se também nessa
ocasião a vitoria de Rama sobre Ravana e sua volta triunfal a Ayodhya depois do exílio. É a vitória da luz sobre as trevas e do Dharma, a Lei
e a Ordem sobre o adharma, a iniqüidade.

DASARA – É um festival dedicado à deusa Durga. Nessa ocasião os devotos se confraternizam e fazem doações de alimentos e roupas aos
necessitados. Para o hinduísmo a Mãe Divina, durante este festival, acolhe no seu coração os seus devotos, protege, ampara e orienta os
seus filhos no caminho do bem, da justiça e do amor incondicional. É o festival da generosidade e do amor incondicional.

ONAM – É celebrado em toda a Índia, porém em especial em Kerala. É a volta da alegria, prosperidade e justiça simbolizadas pelo retorno
do rei Maha Bali, que uma vez ao ano volta para visitar sua terra. O Rei Maha Bali é venerado como provedor de fartura e justiça e reinou
no período dourado da civilização indiana na região de Kerala, no sul da Índia. Durante Onam comemora-se também o advento de Vamana,
um avatar de Vishnu. Essa celebração dura 10 dias. As cidades e aldeias ficam engalanadas, diversos enfeites adornam as portas das casas,
guirlandas e mandalas, e as ruas ficam forradas com  tapetes de flores.

LITERATURA SAGRADA

A literatura espiritual hindu é considerada a mais vasta, rica e profunda do mundo, pela quantidade de volumes, pela preciosidade
filosófica e diversidade de expressão. Ela é classificada como revelada (Shruti) e narrada e memorizada (Smriti). As reveladas são os Vedas,
e as Upanishads são os comentários filosóficos sobre os ensinamentos dos Vedas.

Os Vedas são quatro: Rig Veda, Sama Veda, Yajur Veda e Atharva Veda. Cada um deles contém um conjunto de textos que foram
elaborados em diferentes épocas e contêm ensinamentos sobre a visão integrada do conhecimento humano: as artes, o autoconhecimento,
a manutenção da saúde e a cura e os hinos e rituais mágicos para estabelecer a conexão do universo com o planeta, e dos deuses com os
seres humanos.

TEXTOS VÉDICOS
Samhitas – São os textos védicos mais antigos. Neles encontram-se hinos e cânticos dedicados aos deuses védicos, fórmulas mágicas e
invocações sagradas.

Brahmanas – Nesses textos estão instruções sobre o comportamento dos sacerdotes. O estudo das escrituras e os valores a serem
vivenciados para que o sacerdote pratique o que prega. Contém também as orientações sobre as práticas sacerdotais, obrigações e lições
de como organizar e oficiar os rituais.

Aranyakas – Esses textos foram reunidos por “rishis” –meditadores renunciantes que se retiraram para a floresta – e por isso são chamados
“textos das florestas”. Eram ensinados em segredo, longe da população de cidades e aldeias, e transmitidos a um grupo seleto de iniciados.
Esses textos ensinam, entre outras coisas, que os deuses vivem e pulsam na interioridade dos seres humanos; que nossa essência é divina e
que nos cabe, através de práticas espirituais, estudos e reflexões, atingir a experiência e a conscientização do divino em nós e em tudo que
existe.

Upanishads – São textos filosóficos de grande profundidade que versam sobre o Absoluto, a origem do universo e da vida, a essência do ser
humano e a razão da existência.
Sutras – São tratados de sabedoria que versam sobre o conhecimento humano de modo geral. Contêm orientações sobre linguística,
astronomia, astrologia, ética, moral, arquitetura, geometria, medicina, leis sociais etc

TEXTOS ÉPICOS
O Mahabharata -  É considerado o maior épico já escrito em toda a literatura universal. Foi escrito há 2 mil anos, em 90.000 versos, e é
oito vezes mais longo que a Ilíada e a Odisséia de Homero reunidas. Foi terminado e formatado entre os séculos IV a.C e IV d.C. Narra a
epopéia cósmica do homem sobre o planeta Terra. A batalha de Kurukshetra travada entre dois clãs arianos, os Pandavas e os Kauravas é o
placo para os ensinamentos de Krishna que resultaram na Bhagavad Gita – A Canção do Senhor.

O Ramayana – Foi escrito pelo poeta Valmiki em 24 mil versos que formam os sete capítulos da obra. Foi escrito no século III a.C. Narra a
epopéia do rei e avatar Rama.O Ramayana enfatiza a conduta do príncipe herdeiro do reino de Ayodia como exemplo de retidão. O épico é
objeto de várias interpretações. O texto inquieta os estudiosos por suas narrativas simbólicas referentes à evolução humana e as descrições
das batalhas onde naves espaciais chamadas “vimanas”, assim como armas cuja descrição se assemelham a mísseis, são utilizadas pelo
exército de Rama e de Ravana, rei de Lanka.

PURANAS

São textos que contêm ensinamentos mitológicos, orientações de práticas espirituais, narrativas sobre a genealogia dos deuses, seus feitos
e ensinamentos. Narram os fatos sob uma ótica mágica sem preocupação histórica. Existem 22 puranas considerados principais e 22
considerados secundários. Existem os puranas dedicados ao panteão védico e outros aos deuses dravídicos, e também aos diversos aspectos
da deusa e às encarnações de Vishnu. O sábio Narada é contemplado com um purana, assim como Shiva, o Lingan, e Garuda, o homem-
pássaro. O purana mais importante é o “Shrimad Bhagavatam”. Narra mitos, lendas e alegorias históricas sobre a ocupação ariana e os
confrontos com as etnias autóctones, suas crenças e costumes. Nos dias atuais, nas casas de famílias indianas religiosas, este livro é
exposto e reverenciado em lugar de destaque. Um costume semelhante ao cristão, pois em algumas residências, quer católicas quer
protestantes, a Bíblia também é exposta e reverenciada.

TANTRAS
Os textos tântricos se dividem em Shivaistas e Vaishnavas ou Vishnuistas. Indicam métodos meditativos para o desenvolvimento de “sidhis”
– poderes paranormais. Estes textos contêm também ensinamentos éticos e esotéricos. As práticas indicadas visam, através de posturas
corporais, de fórmulas mágicas e também da sexualidade, atingir níveis mentais superiores e expansão de consciência. A deusa,  em
especial Kali, o aspecto oculto do feminino cósmico, a senhora do tempo e dos mais profundos mistérios, é adorada entre os adeptos do
tantrismo. Os povos dravidianos que habitavam o sul da Índia tinham rituais de adoração à deusa e ritos sexuais desde a pré-historia. Esses
ritos visavam a conjunção amorosa do masculino e do feminino, a superação dos opostos e a comunhão com a energia universal. Importante
lembrar que a palavra ritual advém de “Rita”, palavra do sânscrito que significa, dança, movimento e criação de nova ordem. Daí a
importância dos rituais como facilitadores de transformações para a criação de novas ordens e realidades.

AS UPANISHADS
Existe divergência entre os estudiosos da literatura védica quanto ao número de Upanishads, porém a maioria admite que inicialmente
eram 108, levando-se em conta todas as compilações desde tempos muito antigos. Porém, Shankarasharya, o grande sábio e reformulador
do hinduísmo, criador do pensamento adwaita do não dualismo, selecionou 11 dentre todas as Upanishads, e se deteve nelas.
Shankaracharya se aprofundou no estudo e elaborou comentários sobre essas 11, embora em seus ensinamentos inclua citações de outras
Upanishads. As 11 eleitas pelo grande sábio e criador da filosofia vedanta são:

ISHA
KENA
KATHA
PRASNA
MUDAKA
MADUKYA
TAITTIRYIA
CHANDOGYA
BRHADARANYAKA
SVETASVATARA
Estes textos são o substrato da filosofia vedanta e certamente devem ser os escolhidos por todos aqueles que pretendam conhecer em
profundidade o pensamento védico.