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FACULDADE ESTÁCIO DE SÁ
CURSO DE ENGENHARIA DE SEGURANÇA DO TRABALHO

ISMAEL JOSÉ BASSO

PROTEÇÃO CONTRA INCÊNDIOS E EXPLOSÕES (NPG1450)

SÃO JOSÉ
2018
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ISMAEL JOSÉ BASSO

FACULDADE ESTÁCIO DE SÁ

Trabalho acadêmico da Disciplina EAD de


Proteção Contra Incêndios e Explosões (NPG
1450) da Faculdade Estácio de Sá, como
exigência parcial à obtenção do título de pós-
graduação em Engenharia de Segurança do
Trabalho.

Tutor: Prof. Edison Rêgo

SÃO JOSÉ
2018
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RESUMO

Este trabalho acadêmico destina-se a responder as atividades propostas da


disciplina de Proteção Contra Incêndios e Explosões com base em normas
regulamentadoras e pesquisa bibliográfica.
A atividade envolve a análise, interpretação e apresentação de conclusões acerca
de um acidente ocorrido na Alemanha e noticiado pela BBC Brasil no ano de 2009.

Palavras-chave: nr15, nr19, insalubridade, solventes, explosões.


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SUMÁRIO

1. INTRODUÇÃO..................................................................................................................5
2. COMO SE PROCEDEU A EXPLOSÃO.......................................................................6
3. QUAIS OS ELEMENTOS QUE CAUSARAM A EXPLOSÃO...................................7
4. MEDIDAS DE CONTROLE............................................................................................7
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS...........................................................................................9
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS....................................................................................10
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1. INTRODUÇÃO

Disciplina: Proteção Contra Incêndios e Explosões (NPG 1450).


Tutor: Prof. Edison Rêgo.

O trabalho busca responder questões levantadas sobre o estudo de caso


apresentado abaixo:

EXPLOSÃO DE COLCHÃO INFLÁVEL DESTRÓI APARTAMENTO NA


ALEMANHA - 17/07/2009 - BBC BRASIL

Um alemão de 45 anos provocou uma explosão em seu apartamento ao tentar


consertar um colchão inflável, segundo o corpo de bombeiros local.
O homem, da cidade de Düsseldorf, no oeste da Alemanha, usou solvente de pneu
para consertar o buraco, o mesmo usado para conserto de câmara de ar de
bicicleta, deixando a substância exposta durante a noite.
Ao tentar inflar o colchão no dia seguinte, uma fagulha da bomba de ar elétrica teria
causado a explosão.
A explosão destruiu a parede da sala e as janelas. O homem e sua filha, de três
anos, sofreram queimaduras.
A brigada de incêndio evacuou dois edifícios e isolou a rua, enquanto checava as
construções para ver se o impacto teria danificado suas estruturas.
Segundo a edição online do jornal "Spiegel", um dos bombeiros contou que o
apartamento ficou totalmente destruído, sendo os prejuízos estimados em 20 mil
euros; o homem será investigado por causar explosão por negligência.

Com base no texto acima procura-se esclarecer:


a. Como se procedeu a explosão.
b. Quais os elementos que causaram a explosão.
c. Indicar quais as medidas de controle, bem como as precauções que deveriam
ter sido tomadas para que o evento não ocorresse. Levar em consideração o
produto utilizado, o equipamento para enchimento do colchão e demais
questões pertinentes.
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2. COMO SE PROCEDEU A EXPLOSÃO

A norma regulamentadora nº 19 do Ministério do Trabalho que trata sobre


EXPLOSIVOS, coloca em suas disposições gerais no subitem 19.1.1 que
“considera-se explosivo material ou substância que, quando iniciada, sofre
decomposição muito rápida em produtos mais estáveis, com grande liberação de
calor e desenvolvimento súbito de pressão”.
Na explosão noticiada pela BBC Brasil observamos a presença de todos os
ingredientes do “Tetraedro do Fogo”. A explosão inicia-se quando um estímulo
exterior provoca um aumento de energia cinética no explosivo, levando à quebra das
ligações das moléculas afetadas, provocando a sua decomposição e consequente
libertação de energia, propagando o efeito às moléculas adjacentes, iniciando o
efeito de ‘'Reação em Cadeia’’.

Em nosso estudo de caso podemos concluir que o estímulo externo, a energia de


ativação, foi a fagulha gerada pela bomba de ar elétrica utilizada para encher o
colchão inflável. O combustível envolvido no processo foram os vapores
inflamáveis formados pelo solvente de pneus utilizado para consertar o buraco do
colchão. Pelo fato de não conhecermos exatamente o solvente que foi utilizado não
podemos consultar sua FISPQ (Ficha de Informações de Segurança de Produtos
Químicos) para verificar as características e especificações do material, mas,
constatada a explosão, concluímos que a temperatura ambiente em algum momento
foi superior ao ponto de fulgor deste solvente, fazendo com que o mesmo liberasse
vapores orgânicos em quantidades suficientes para que misturado com o ar
atmosférico (oxigênio) logo acima de sua superfície propagasse uma chama a partir
do contato com sua fonte de ignição (fagulha da bomba).
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Vale lembrar que a condição para que a explosão ocorra é de que a mistura atinja o
Limite Inferior de Explosividade (LIE - Mínima concentração de gás que, misturada
ao ar atmosférico, é capaz de provocar a combustão do produto a partir do contato
com uma fonte de ignição) e fique abaixo do Limite Superior de Explosividade (LSE -
Maior concentração de uma substância que misturada com o ar forma uma mistura
inflamável).
Sabendo que o solvente criou uma quantidade significativa de vapores inflamáveis
podemos concluir que o local (apartamento) possuía pouca ou nenhuma ventilação,
o que garantiu a concentração dos gases.

3. QUAIS OS ELEMENTOS QUE CAUSARAM A EXPLOSÃO

Como elementos causadores da explosão, podemos apontar:


 Vapores inflamáveis. Gases formados a partir do solvente de pneus utilizado
para o reparo do colchão inflável.
 Fagulha da bomba de ar elétrica. Estímulo externo responsável pela energia
de ativação ou ponto de ignição.
 Oxigênio. O gás oxigênio (O2) foi o comburente do processo e está presente
em aproximadamente 21% da composição do ar atmosférico.

O cenário com a presença destes três elementos desencadeou uma reação em


cadeia e causou a explosão relatada.

4. MEDIDAS DE CONTROLE

Na ótica prevencionista devemos afirmar que nenhum acidente é aceitável e pode


sempre ser evitado com medidas de controle.
Quando tratamos de segurança do trabalho normalmente focamos as ações de
controle baseados nas atividades que ocorrem dentro de empresas como fábricas e
indústrias. Por vezes é dada menor atenção aos riscos dentro do ambiente
doméstico onde estes também estão presentes.
O assunto debatido dentro de uma organização certamente estaria abordando a
importância de treinamentos, sinalização de áreas, mapas de risco, uso de epi´s,
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entre outros, mas no caso do acidente ocorrido dentro de um apartamento devemos


tratar a questão de outra forma, com diferentes ferramentas.
É importante que ao adquirirem produtos em lojas e supermercados os
consumidores sejam alertados sobre os riscos aos quais estão expostos. Estas
informações devem ser claramente apresentadas em rótulos, cartilhas de orientação
de uso ou FISPQ.
As medidas de controle para este caso doméstico envolvem a extinção de
elementos do tetraedro do fogo, mas como sabemos não temos controle sobre todos
eles. Focando na causa da explosão podemos concluir:
 Oxigênio. Não é possível extinguir a presença de nosso comburente em um
apartamento. É importante considerar que este elemento estará sempre
presente em nosso meio.
 Reação em cadeia. Uma vez iniciada ela não pode ser controlada numa
explosão. Em casos de incêndio podemos prever dispositivos de controle
para minimizar os danos e possivelmente conter a propagação, mas a
explosão ocorre de forma abrupta impossibilitando uma reação de combate.
 Fagulha da bomba de ar elétrica. Equipamentos elétricos devem ser
aterrados e ter manutenção preventiva periódica, mas muitas vezes não é
possível eliminar totalmente a geração deste ponto de ignição.
 Vapores inflamáveis. Principal item que pode e deve ser controlado no
ambiente. Abaixo medidas de controle que podem ser adotadas:
o Conhecer o material que está sendo utilizado. É fundamental ler as
especificações do solvente ou produto químico que está em uso.
Informações sobre o ponto de fulgor do material, o local de
armazenamento, os recipientes adequados para armazenagem e os
epis indicados para manuseio devem ser respeitados.
o Evitar a formação dos vapores. É possível evitar a formação dos
vapores inflamáveis a partir do momento que temos conhecimento do
produto que está sendo manuseado. Alguns produtos devem ser
mantidos em temperaturas baixas, outros longe da incidência de luz e
a maioria deve permanecer com a embalagem fechada (vedada)
quando não estiver em uso. A maneira mais eficaz de evitar a
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concentração de gases é garantir que o ambiente seja bem ventilado


mantendo janelas e/ou portas abertas.

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Estamos constantemente expostos a riscos e acidentes, seja no ambiente de


trabalho, em nossos locais de lazer ou até mesmo em nossas casas. É preciso
estarmos sempre atentos a estes riscos e minimiza-los na medida do possível.
Quando nos colocamos em risco podemos afetar diretamente outras pessoas, como
foi na situação do estudo de caso apresentado. Na intenção de consertar um
colchão o homem agente da atividade colocou em risco sua vizinhança e foi
responsável por lesões em sua filha de 03 (três) anos por ignorar ou desconhecer os
riscos do produto que manuseava.
Vale observar que além da NR19 que trata de explosivos temos a preocupação com
explosões evidenciadas na NR10, subitem 10.9 que aborda a proteção contra
incêndio e explosão e também a preocupação com a insalubridade causada por
agentes químicos, entre eles os vapores orgânicos com seus limites de
concentração constantes no anexo nº11 da NR15.
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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BRASIL. Ministério do Trabalho. NR 10 – Segurança em Instalações e Serviços em


Eletrecidade. Brasília: Ministério do Trabalho, 2016. Disponível em:
<http://trabalho.gov.br/images/Documentos/SST/NR/NR10.pdf>. Acesso em: 29 mai.
2018.

BRASIL. Ministério do Trabalho. NR 15 – Atividades e Operações Insalubres.


Brasília: Ministério do Trabalho, 2014. Disponível em:
<http://trabalho.gov.br/images/Documentos/SST/NR/NR15/NR-15.pdf>. Acesso em:
29 mai. 2018.

BRASIL. Ministério do Trabalho. NR 19 – Explosivos. Brasília: Ministério do


Trabalho, 2011. Disponível em:
<http://trabalho.gov.br/images/Documentos/SST/NR/NR19.pdf>. Acesso em: 29 mai.
2018.

SOLVENTE PODE SER A CAUSA DE EXPLOSÃO EM APARTAMENTO. Disponível


em: <https://noticias.r7.com/fala-brasil/videos/-solvente-pode-ser-a-causa-de-
explosao-em-apartamento-18042017>. Acesso em: 28 mai. 2018.

CARDOSO, Mayara. Composição do ar atmosférico. Disponível em:


<https://www.infoescola.com/quimica/composicao-do-ar-atmosferico/>. Acesso em:
28 mai. 2018.

ROYAL FIC. A explosão dos combustíveis. Disponível em:


<https://www.royalfic.com.br/blog/a-explosao-dos-combustiveis/>. Acesso em: 28
mai. 2018.