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Aula 13-Medicina Vip-Literatura-Luís de Camões e o épico ‘Os Lusíadas’.

A obra ‘Os Lusíadas’, de Luís de Camões, é um clássico da literatura portuguesa. Trata-se de um épico,
de uma epopeia que narra a história de Vasco da Gama e outros personagens da era das Grandes
Navegações.
Camões e o épico Os Lusíadas
Os Lusíadas é considerada a principal epopeia da literatura portuguesa. O próprio título já sugere as suas
intenções nacionalistas, sendo derivado da antiga denominação romana de Portugal, Lusitânia. É um dos mais
importantes épicos da época moderna devido à sua grandeza e universalidade. A epopeia narra a história de
Vasco da Gama e dos heróis portugueses que navegaram em torno do Cabo da Boa Esperança e abriram uma
nova rota para a Índia.
É uma epopeia que se insere na perspectiva
humanista, mesmo nas suas contradições, na
associação da mitologia pagã à visão cristã, nos
sentimentos opostos sobre a guerra e o império, no
gosto do repouso e no desejo de aventura, na
apreciação do prazer sensual e nas exigências de
uma vida ética, na percepção da grandeza e no
pressentimento do declínio, no heroísmo pago com
o sofrimento e luta. O poema abre com os célebres
versos:
“As armas e os barões assinalados
Que, da ocidental praia lusitana,
Por mares nunca de antes navegados
Passaram ainda além da Taprobana,
Em perigos e guerras esforçados,
Mais do que prometia a força humana,
E entre gente remota edificaram
Novo reino, que tanto sublimaram.
…..
Cantando espalharei por toda a parte,
Se a tanto me ajudar o engenho e arte” ( Os Lusíadas, Canto I)
Estrutura em 10 cantos de Os Lusíadas – Veja.
Os dez cantos do poema somam 1.102 estrofes num total de 8.816 versos decassílabos, empregando a oitava
rima (abababcc). Depois de uma introdução, uma invocação e uma dedicatória ao rei Dom Sebastião, inicia a
ação, que funde mitos e factos históricos.
Vasco da Gama, navegando pela costa da África, é
observado pela assembleia dos deuses clássicos,
que discutem o destino da expedição, a qual é
protegida por Vênus e atacada por Baco.
Descansando por alguns dias em Melinde, a pedido
do rei local Vasco da Gama narra toda a história
portuguesa, desde as suas origens até à viagem que
empreendem.
Os cantos III, IV e V contêm algumas das melhores
passagens de todo o épico: o episódio de Inês de
Castro, que se torna um símbolo de amor e morte, a
Batalha de Aljubarrota, a visão de Dom Manuel I, a
O itinerário de Os Lusíadas descrição do fogo de santelmo, a história do gigante
Adamastor.
De volta ao navio, o poeta aproveita as horas de folga para narrar a história dos Doze de Inglaterra, enquanto
Baco convoca os deuses marítimos para que destruam a frota portuguesa. Vênus intervém e os navios
conseguem alcançar Calecute, na Índia. Lá, Paulo da Gama recebe os representantes do rei e explica o
significado dos estandartes que adornam a nau capitânia.
Na viagem de volta os marinheiros desfrutam da Ilha dos Prazeres para eles criada por Vênus,
recompensando-os as ninfas com seus favores. Uma delas canta o futuro glorioso de Portugal e a cena encerra
com uma descrição do universo feita por Tétis e Vasco da Gama. Em seguida, a viagem prossegue para casa.
N’Os Lusíadas Camões atinge uma notável harmonia entre erudição clássica e experiência prática,
desenvolvida com habilidade técnica consumada, descrevendo as peripécias portuguesas com momentos de
grave ponderação mesclados com outros de delicada sensibilidade e humanismo. As grandes descrições das
batalhas, da manifestação das forças naturais, dos encontros sensuais transcendem a alegoria e a alusão
classicista que permeiam todo o trabalho.
Estas características se apresentam como um discurso fluente e sempre de alto nível estético, não apenas pelo
seu carácter narrativo especialmente bem conseguido, mas também pelo superior domínio de todos os recursos
da língua e da arte da versificação, com um conhecimento de uma ampla gama de estilos, usados em eficiente
combinação. A obra é também uma séria advertência para os reis cristãos abandonarem as pequenas rivalidades e
se unirem contra a expansão muçulmana.
A estrutura da obra é por si digna de interesse, pois, segundo Jorge de Sena, nada é arbitrário n’ Os Lusíadas.
Entre os argumentos que apresentou foi o emprego da secção áurea, uma relação definida entre as partes e o
todo, organizando o conjunto através de proporções ideais que enfatizam passagens especialmente significativas.
Sena demonstrou que ao aplicar-se a secção áurea a toda a obra recai-se, precisamente, no verso que descreve
a chegada dos portugueses à Índia. Aplicando-se a secção em separado às duas partes resultantes, na primeira
parte surge o episódio que relata a morte de Inês de Castro e, na segunda, a estrofe que narra o empenho de
Cupido para unir os portugueses e as ninfas, o que para Sena reforça a importância do amor em toda a
composição.
Dois outros elementos dão a’ Os Lusíadas a sua modernidade e distanciam-no do classicismo: a introdução
da dúvida, da contradição e do questionamento, em desacordo com a certeza afirmativa que caracteriza o épico
clássico, e a primazia da retórica sobre a ação, substituindo o mundo dos factos pelo das palavras, as quais não
resgatam totalmente a realidade e evoluem para a metalinguagem, com o mesmo efeito disruptivo sobre a
epopeia tradicional.
Segundo Costa Pimpão, não há qualquer evidência de que Camões pretendesse escrever o seu épico antes de
ter viajado à Índia, embora temas heroicos já estivessem presentes na sua produção anterior. É possível que
tenha retirado alguma inspiração de fragmentos das Décadas da Ásia, de João de Barros, e da História do
Descobrimento e Conquista da Índia pelos Portugueses, de Fernão Lopes de Castanheda.
Sobre a mitologia clássica estava com certeza bem informado antes disso, igualmente quanto à literatura
épica antiga. Aparentemente, o poema começou a tomar forma já em 1554. Storck considera que a determinação
de escrevê-lo nasceu durante a própria viagem marítima. Entre 1568 e 1569 foi visto em Moçambique pelo
historiador Diogo do Couto, seu amigo, ainda a trabalhar na obra, que só veio à luz em Lisboa, em 1572.
Desafios para você resolver
De onde vem a expressão “agora Inês é morta”?
Inês foi uma dama da corte portuguesa que teve morte trágica. Seu nome completo era Inês de Castro (1323-
1355) e ela foi amante do príncipe herdeiro que se tornaria rei com o nome de D. Pedro I – que nada tem a ver
com o Pedro imperador do Brasil. Em 1345, com a morte da esposa, D. Constança, o príncipe português passou a
viver secretamente com Inês.
Chegou a ter filhos com ela. Dez anos depois, o rei, aproveitando que o filho estava fora do país, mandou
executar a moça. Quando retornou, Pedro ficou furioso e ordenou a morte dos conselheiros que ajudaram seu pai
na decisão. Fora a vingança, não havia mais o que fazer.
O caso trágico foi contado e recontado em várias obras portuguesas, inclusive em Os Lusíadas, de Luís de
Camões.
(In: Superinteressante, set. de 1999 [adaptado]).
01) O que significa o ditado popular “agora Inês é morta”?
a) Quem sai na chuva é para se b) A mentira tem pernas curtas. d) Que se faça justiça.
molhar. c) Agora é tarde demais. e) Quem não deve não teme.
2. (MACKENZIE-SP) Sobre o poema Os Lusíadas, é incorreto afirmar que:
a) quando a ação do poema começa, as naus portuguesas estão navegando em pleno Oceano Índico, portanto no
meio da viagem;
b) na Invocação, o poeta se dirige às Tágides, ninfas do rio Tejo;
c) na ilha dos Amores, após o banquete, Tétis conduz o capitão ao ponto mais alto da ilha, onde lhe descenda a
"máquina do mundo";
d) tem como núcleo narrativo a viagem de Vasco da Gama, a fim de estabelecer contato marítimo com as Índias;
e) é composto em sonetos decassílabos, mantendo em 1.102 estrofes o mesmo esquemas de rimas.
3. (FUVEST) Leia os versos transcritos de Os lusíadas, de Camões, para responder ao teste.
Tu, só tu, puro Amor, com força crua, Se dizem, fero Amor, que a sede tua
Que os corações humanos tanto obriga, Nem com lágrimas tristes se mitiga,
Deste causa à molesta morte sua, É porque queres, áspero e tirano,
Como se fora pérfida inimiga. Tuas aras banhar em sangue humano.
Assinale a afirmação incorreta em relação aos versos transcritos:
a) A apóstrofe inicial da estrofe introduz um discurso dissertativo a respeito da natureza do sentimento amoroso.
b) O amor é compreendido como uma força brutal contra a qual o ser humano não pode oferecer resistências.
c) A causa da morte de Inês é atribuída ao amor desmedido que subjugou completamente a jovem.
d) A expressão "se dizem" indica ser senso comum a idéia que brutalidade faz parte do sentimento amoroso.
e) Os versos associam a causa da morte de Inês não só à força cruel do amor, mas também aos perigosos riscos
que a jovem inimiga representava para o rei.
4. (POLI) Camões em alemão
"Nas pequenas obras líricas de Camões encontramos graça e sentimento profundo, ingenuidade, ternura,
melancolia cativante, todos os graus de sentimentos mais debilitados, indo do prazer mais suave até o desejo
mais ardente, saudade e tristeza, ironia, tudo na pureza e claridade da expressão simples, cuja beleza não podia
ser mais acabada, e cuja flor não podia ser mais florescente. Seu grande poema, "Os Lusíadas", é um poema
heroico no pleno sentido da palavra. Camões tira do poeta Virgílio a ideia de um poema épico nacional que
compreenda e apresente, sob a luz mais fulgurante, a fama, o orgulho e a glória de uma nação desde suas mais
antigas tradições." (Esse trecho foi extraído do curso de Friedrich Schlegel (1772-1829), conceituado filósofo romântico alemão, sobre
história da literatura europeia, e publicado no Caderno Mais da Folha de São Paulo, em 21 de maio de 2000.)
Tendo em vista o texto acima, seria incorreto afirmar que:
a) em Os Lusíadas, Camões resgata alguns episódios tradicionais portugueses, como o de Inês de Castro.
b) em Os Lusíadas, Camões invoca as Tágides, ninfas do rio Tejo, a fim de que lhe deem inspiração na
construção deste seu poema heroico.
c) em Os Lusíadas, Camões canta a fama e a glória do povo português.
d) em Os Lusíadas, Camões narra a viagem de Vasco da Gama às Índias, sendo este navegador o grande herói
português aclamado no poema.
e) em Os Lusíadas, Camões dedica o poema a Dom Sebastião, e encerra tal obra um tanto quanto melancólico
diante da estagnação cultural portuguesa.
5. (UNISA) Assinale a alternativa incorreta, em relação a Os Lusíadas, de Luís Vaz de Camões:
a) Foi publicada em 1572. d) Conta a viagem de Vasco da Gama às Índias.
b) Contém 10 cantos. e) N.d.a.
c) Contém 1102 estrofes em oitava rima.
6. (UNISA) A obra épica de Camões, Os Lusíadas, é composta de cinco partes, na seguinte ordem:
a) Narração, Invocação, Proposição, Epílogo e Dedicatória.
b) Invocação, Narração, Proposição, Dedicatória e Epílogo.
c) Proposição, Invocação, Dedicatória, Narração e Epílogo.
d) Proposição, Dedicatória, Invocação, Epílogo e Narração.
e) N.d.a.
7. (FUVEST) Leia os textos que seguem.
Texto I - Mar português
Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram, Texto II
Quantos filhos em vão rezaram! “Em tão longo caminho e duvidoso
Quantas noivas ficaram por casar Por perdidos as gentes nos julgavam,
Para que fosses nosso, ó mar! As mulheres co’um choro piedoso,
Valeu a pena? Tudo vale a pena Os homens com suspiros que arrancavam.
Se a alma não é pequena. Mães, esposas, irmãs, que o temeroso
Quem quer passar além do Bojador Amor mais desconfia, acrescentavam
Tem que passar além da dor. A desesperação e frio medo
Deus ao mar o perigo e o abismo deu, De já nos não tornar a ver tão cedo."
Mas nele é que espelhou o céu. Camões
Fernando Pessoa

A partir dos trechos e de seus conhecimentos de Os Lusíadas, assinale a alternativa incorreta.


a) O texto II pertence ao episódio “O velho do Restelo”, de Os Lusíadas, em que Camões indica uma crítica às
pretensões expansionistas de Portugal, nos séculos XV e XVI.
b) Apesar das diferenças de estilo, tanto o texto de Camões quanto o de Fernando Pessoa indicam uma mesma
ideia: a de que o caráter heroico das descobertas marítimas exige e justifica riscos e sofrimentos.
c) O fato de Camões, em Os Lusíadas, lançar dúvidas sobre a adequação das conquistas ultramarinas – o assunto
principal do poema – contrapõe-se ao modelo clássico da epopeia.
d) Ainda que abordem uma mesma circunstância histórica e ressaltem as mesmas reações humanas, o texto de
Fernando Pessoa e o episódio “O velho do Restelo” chegam a conclusões diferentes sobre a validade das
navegações portuguesas.
e) Os dois textos referem-se aos sofrimentos que a expansão marítima portuguesa provocou.

8. (PUC-PR) Sobre o narrador ou narradores de os Lusíadas, é lícito afirmar que:


a) existe um narrador épico no poema: o próprio Camões;
b) existem dois narradores no poema: O eu-épico, Camões fala através dele, e o outro, Vasco da Gama, que é
quem dá conta de toda a História de Portugal.
c) o narrador de Os Lusíadas é Luiz Vaz de Camões;
d) O narrador de os Lusíadas é o Velho do Restelo;
e) O narrador de Os Lusíadas é o próprio povo português.
9. (FUVEST) Em Os Lusíadas, as falas de Inês de Castro e do Velho do Restelo têm em comum:
a) a ausência de elementos de mitologia da Antiguidade clássica.
b) a presença de recursos expressivos de natureza oratória.
c) a manifestação de apego a Portugal, cujo território essas personagens se recusavam a abandonar.
d) a condenação enfática do heroísmo guerreiro e conquistador.
e) o emprego de uma linguagem simples e direta, que se contrapõe à solenidade do poema épico.
10. (PUC-SP) Dos episódios Inês de Castro e O Velho do Restelo, da obra Os Lusíadas, de Luiz de Camões,
NÃO é possível afirmar que:
a) O Velho do Restelo, numa antevisão profética, previu os desastres futuros que se abateriam sobre a Pátria e
que arrastariam a nação portuguesa a um destino de enfraquecimento e marasmo.
b) Inês de Castro caracteriza, dentro da epopeia camoniana, o gênero lírico porque é um episódio que narra os
amores impossíveis entre Inês e seu amado Pedro.
c) Restelo era o nome da praia em frente ao templo de Belém, de onde partiam as naus portuguesas nas aventuras
marítimas.
d) tanto Inês de Castro quanto O Velho do Restelo são episódios que ilustram poeticamente diferentes
circunstâncias da vida portuguesa.
e) o Velho, um dos muitos espectadores na praia, engrandecia com sua fala as façanhas dos navegadores, a
nobreza guerreira e a máquina mercantil lusitana