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Anarquismo e educação nova em Portugal:


o contributo de Adolfo Lima
JOAQUIM ANTÓNIO SOUSA PINTASSILGO*

Resumo
Este artigo tem por objetivo analisar o pensamento pedagógico de Adolfo
Lima, que é, nas primeiras décadas do século XX, simultaneamente um dos
mais importantes intelectuais e educadores portugueses que se situam no
campo do anarquismo e um dos principais impulsionadores das ideias e das
práticas da chamada Escola Nova. Procuraremos, nesse âmbito, contribuir para
a reflexão sobre a noção de “modelo educativo libertário” proposto por
António Candeias. Analisaremos, para o efeito, algumas das principais
conceções de Adolfo Lima tendo como eixos de análise conceitos como
“escola neutra”, “educação social”, “educação integral”, “escola única” ou
“autonomia dos educandos”.
Palavras-chave: Anarquismo; Educação Nova; Escola neutra; Educação
social; Educação integral; Escola única.
Abstract
This article aims to analyze the pedagogical thinking of Adolfo Lima, who is,
in the first decades of the twentieth century, simultaneously one of the most
important Portuguese intellectuals and educators who are in the field of
anarchism and one of the main drivers of the ideas and practices of the so
called New School. In this context, we will try to contribute to the reflection on
the notion of the "libertarian educational model" proposed by António
Candeias. For this purpose, we will analyze some of Adolfo Lima's main
concepts, such as "neutral school", "social education", "comprehensive
education", "unified school" or "student autonomy".
Key words: Anarchism; New Education; Neutral school; Social education;
Comprehensive education; Unified school.

*
JOAQUIM ANTÓNIO SOUSA PINTASSILGO é Professor Associado do grupo de
História da Educação do Instituto de Educação da Universidade de Lisboa.
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Escola Oficina Nº 1

O presente artigo propõe-se analisar o de “educação social” e de “escola


pensamento pedagógico de Adolfo única” por ele defendidos, bem como o
Lima, que é simultaneamente, nas ideal de “educação integral”, tão caro ao
primeiras décadas do século XX, por anarquismo, e os valores da
um lado um dos mais importantes “solidariedade” e da “tolerância”, muito
intelectuais e educadores portugueses presentes no seu pensamento.
situáveis no campo do anarquismo e, Apresentaremos, ainda, a sua
por outro lado, um dos principais interpretação do conceito de self-
impulsionadores das ideias e das government, elemento central do projeto
práticas da chamada Escola Nova. Entre democrático subjacente à dimensão
outras coisas, procuraremos refletir cívica e política da Escola Nova, e a que
sobre a noção de “modelo educativo dá o nome de “autonomia dos
libertário”, proposta por António educandos”. Destacaremos, finalmente,
Candeias, e sobre o caso da escola as suas críticas ao militarismo e a defesa
laboratorial que o procurou corporizar que faz do pacifismo e da necessidade
sob a influência de Adolfo Lima – a de uma educação que o enfatize num
Escola Oficina nº 1 de Lisboa. contexto internacional em que as
Analisaremos a posição crítica do ameaças à paz estão cada vez mais
educador tanto em relação à “escola presentes.
confessional” como à “escola laica” em
prol de uma “escola neutra”.
Procuraremos caracterizar os projetos
1. Adolfo Lima, a Escola Oficina nº1 e professava, a sua pertença a esse
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o “modelo educativo libertário” (em mundo. António Candeias define-o
diálogo com António Candeias) como um “aristocrata anarquista”
(CANDEIAS, 2003, p. 745), não só
Adolfo Lima (1874-1943) foi uma das pelas suas raízes aristocráticas, que não
figuras mais presentes em contextos alardeava, mas, particularmente, pelo
diversos do campo educativo português rigor posto na defesa dos seus
nas primeiras décadas do século XX, princípios, pela integridade da sua
em particular durante o período personalidade e pelo magistério que
republicano (1910-1926) e, também, um exercia sem se envolver no combate
dos que mantinha relações mais político estrito.
estreitas com vultos internacionais do
movimento da Educação Nova cujo Foi igualmente António Candeias, na
espírito procurou corporizar em sua magistral tese dedicada à Escola
Portugal, a par de educadores como Oficina nº 1, que propôs os conceitos de
Faria de Vasconcelos, António Sérgio, “modelo educativo libertário” ou de
Álvaro Viana de Lemos, António “modelo libertário de escola” para
Aurélio da Costa Ferreira, João de sistematizar as opções pedagógicas que
Barros, Adolfo Coelho, Frederico esse projeto procurava corporizar a
Ferreira de Simas, Irene Lisboa e partir da iniciativa de Adolfo Lima.
muitos outros. Formado em direito pela Aquele autor define esse constructo da
Universidade de Coimbra (1900), seguinte forma:
Adolfo Lima cedo descobriu a educação
Por modelo libertário de escola, ao
como o campo privilegiado para a sua contrário do que normalmente se
realização pessoal e como forma de entende por tal expressão, utilizada
intervenção social. Foi professor da sobretudo para definir experiências
Escola Oficina nº 1 de Lisboa, do Liceu pedagógicas de caráter não diretivo,
de Pedro Nunes e da Escola Normal entendemos nós o cruzamento entre
Primária de Lisboa, de que foi Diretor as conceções pedagógicas da
entre 1918 e 1921 tendo acompanhado a educação nova com as
sua transferência para o monumental características e preocupações de
(ainda que inacabado à época) edifício ordem educativa e social do
construído em Benfica. Colaborou com socialismo em geral, no nosso caso
particular, do anarco-sindicalismo.
várias outras instituições e associações
(CANDEIAS, 1994, p. 28)
com destaque para a Sociedade de
Estudos Pedagógicos, A Voz do Este conceito coloca-nos perante a
Operário ou a Universidade Popular seguinte questão central: existe ou não
Portuguesa. Foi, na fase final do seu existe uma pedagogia especificamente
percurso, que coincidiu com a fase libertária ou anarquista? O recurso a ele
inicial do Estado Novo salazarista, pressupõe, pelo menos no contexto
Diretor da Biblioteca-Museu do Ensino português, uma resposta negativa a tal
Primário. Chegou a ser preso, embora pergunta. Os educadores anarquistas
por um período curto, no início da adotaram o essencial das ideias e das
ditadura militar que conduziu à práticas da Educação Nova então em
institucionalização do regime circulação internacional. Não
autoritário. Embora discreto na sua encontramos, a este respeito, nenhuma
militância, colaborou regularmente com originalidade particular nas experiências
o movimento anarquista, sendo educativas desenvolvidas pelos círculos
inquestionável, também pelas ideias que anarquistas. A novidade, como aponta
António Candeias, é que essas ideias e mais típicas do pensamento socialista e,
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práticas são mescladas com valores e neste caso, do anarquismo. Podemos
preocupações sociais típicas do sintetizar esta conjugação, tal como se
pensamento libertário. De resto, a apresenta na pedagogia anarquista,
Educação Nova não é unívoca, antes evocando duas fórmulas que
plural e híbrida, e a sua interpretação representam dois grandes ideais do
pelo campo anarquista ou, pelo menos, tempo plenamente assumidos por
por alguns intelectuais desse campo, foi Adolfo Lima: “educação integral” e
sem dúvida uma das suas formas de “escola única”.
manifestação no Portugal das primeiras
décadas do século XX, sendo Adolfo A Escola Oficina nº 1, criada em 1905
Lima um dos seus grandes por uma associação ligada ao
protagonistas. republicanismo e à maçonaria, mas
dinamizada, no seu espírito renovador,
Qual é, então, o “núcleo fundamental” por um conjunto de professores
em que assenta essa interpretação da inspirados pelo anarquismo (entre eles
Educação Nova por alguns sectores Adolfo Lima), assumia, a esse respeito,
intelectuais libertários. Vejamos ainda o em particular até aos anos 20, um papel
contributo de António Candeias para a verdadeiramente modelar ou
resposta a esta questão: paradigmático. No Portugal republicano
a) Liberdade na educação, com a a escola foi quase permanentemente
preocupação de que no centro dos invocada como o grande exemplo de
processos de aprendizagem estejam inovação pedagógica que podíamos
as crianças, numa aplicação clara apresentar tanto no plano nacional como
dos preceitos gerais da Educação no internacional. De resto, essa
Nova e dos Métodos Ativos, estratégia de apresentação de casos
realçando a crença de que se não exemplares foi seguida habitualmente
pode educar para a liberdade em pelo campo inovador no âmbito do
ambientes onde essa liberdade não
projeto de generalização dessas
existe; b) O caráter integral da
educação como forma de promover experiências. Essa exemplaridade da
o desenvolvimento do ser humano, Escola Oficina nº 1 é reconhecida por
de combater a estratificação social António Candeias quando se lhe refere
[…] e de construir uma sociedade como sendo, à época, uma espécie de
onde os conhecimentos comuns “oásis educativo” (CANDEIAS, 2003,
sejam levados o mais longe p. 744) ou, ainda, um “laboratório
possível para prevenir novas pedagógico do anarco-sindicalismo
desigualdades relacionadas com a português” (CANDEIAS, 1994, p. 29).
transformação da divisão técnica do O próprio Adolfo Lima, em artigo
trabalho em divisão social. inserto na revista Educação Social e
(CANDEIAS, 2003, p. 742-743)
intitulado “As Escolas Novas” e onde
Encontramos aqui alguns dos grandes glosa os famosos 30 pontos
princípios da Educação Nova como a característicos dessas Escolas, segundo
defesa da liberdade e de uma educação a tipologia de Adolphe Ferrière,
para a liberdade, a colocação da criança sublinha o facto de na Escola Oficina nº
no centro do processo de ensino e 1, entendida como um “laboratório de
aprendizagem, a assunção de métodos pedagogia prática” (LIMA, 15 agosto
ativos ou a valorização de uma 1924, p. 277), muitos daqueles pontos
educação integral, tudo isto em terem concretização prática,
articulação com preocupações sociais designadamente no que se refere à
prática da coeducação, à valorização dependia a construção do “homem
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dos trabalhos manuais e da educação novo” e da “nova sociedade”
estética, ao destaque dado à “atividade imaginados pelo ideal libertário. Esta
pessoal da criança” (LIMA, 15 agosto crença, de raiz simultaneamente
1924, p. 280) ou ao fomento do self- iluminista e positivista, era, de resto,
government dos alunos por via de uma perfilhada por outros setores político-
associação denominada “Solidária”. ideológicos, em particular os ligados ao
Embora adaptada ao contexto e às republicanismo.
necessidades locais, a Escola Oficina nº
1 era, assim, apresentada como uma Se as escolas operárias, como diz
genuína Escola Nova. Adolfo Lima António Candeias, eram “autónomas”
conclui o artigo manifestando a adesão em relação ao Estado, por fazerem parte
plena da revista que ele próprio dirige a do chamado “ensino livre”, e
esse programa: “alternativas”, ao procurarem uma
formação social e ideologicamente
A EDUCAÇÃO SOCIAL não pode diferenciada para os filhos dos
deixar de concordar com as ideias operários, não o eram tanto no que diz
que estes princípios fundamentais respeito às suas opções pedagógicas. Na
apresentam, e se encontram verdade, a realidade é sempre muito
englobados nos 30 pontos expostos, mais complexa e ambivalente. Se a
à parte, já se vê, certas minúcias Escola Oficina nº 1 representava um
mais de forma do que de fundo e,
exemplo de inovação pedagógica,
portanto, adere solenemente, por
este meio aos referidos princípios e
podemos encontrar, nesse mesmo
saúda em Adolphe Ferrière o ideal momento, iniciativas escolares dos
das Escolas Novas. (LIMA, 15 campos operário e anarquista que nos
agosto 1924, p. 283) remetem mais para uma certa tradição
pedagógica consubstanciada na “forma
Se esta escola constituiu um caso escolar” de educação, o que está muito
exemplar, ainda que não único, presente, por exemplo, no debate sobre
encontramos no Portugal das primeiras o caráter de boa parte das já referidas
décadas do século XX muitas escolas da escolas de A Voz do Operário (LOPES,
iniciativa de setores do operariado e do 1995). Além disso, colocava-se um
sindicalismo. O caso mais notável foi o outro problema, o da existência de
da rede de escolas dinamizada pela práticas doutrinadoras na ação educativa
associação A Voz do Operário, que dessas escolas. É isso mesmo que
chegaram a ser muitas dezenas no constata, ao tempo, um dos mais
período em questão, entre escolas reconhecidos e prestigiados intelectuais
próprias e as chamadas escolas de libertários, Emílio Costa, em artigo
contrato (LOPES, 1995). Segundo publicado no mensário Germinal, por
António Candeias, o movimento ele dirigido:
operário português procurou lançar “as
bases de uma verdadeira rede escolar Houve uma onda de ‘ensino
autónoma e alternativa face à rede racional […]. Como o ‘ensino
racional’ fora perseguido, começou-
educativa estatal” (CANDEIAS, 1994,
se a chamar racional a toda a
p. 131). Este projeto assentava na propaganda revolucionária feita às
importância que a educação e a cultura crianças na escola. Em toda esta
assumiam no pensamento libertário questão das escolas e do ensino
como fonte de regeneração e de racional tem-se olhado sobretudo
progresso social. Da sua propagação para a propaganda revolucionária e
fechado os olhos à pedagogia. Por uma sociedade viciada, corrupta,
falta de boa vontade? Não; por falta incapaz de progresso, de verdade e 6
de saber, de competência […]. Não de justiça. (LIMA, 1914, p. 40)
é por se ser bom sindicalista ou
bom anarquista que se sabe dirigir Inclusive, o tom violentamente
uma escola, elaborar um plano de anticlerical a que o autor recorre não
estudos, escolher-se o edifício ou, está muito distante do que era usual na
sequer, ter uma noção clara e propaganda republicana. No caso do
precisa do que se deseja […]. E republicanismo, como sabemos
entretanto, fundem-se escolas, se há (PINTASSILGO, 1998), o combate ao
meios para isso, mas sem etiqueta, catolicismo, considerado o mais
escolas sem pretensão, nas quais se decisivo fator de agregação social
vão introduzindo os melhoramentos
existente no Portugal monárquico, tinha
que a experiência dos competentes
aconselhar e sem querer fazer das em vista o estabelecimento de um novo
crianças pequeninos consenso social assente no laicismo e no
revolucionários, cheios de doutrina culto cívico da Pátria. A escola surgia,
humanitária e emancipadora. nesta ótica, como o local privilegiado
(COSTA, setembro 1916, p. 237- como contexto de socialização nos
238) novos valores laicos e tendo em vista a
formação do cidadão de que a jovem e
A lucidez deste diagnóstico é
instável República necessitava. Essa
impressionante, em especial se
não é, no entanto, a opção de Adolfo
pensarmos que, para além de coevo, é
Lima. Para ele, escola confessional e
feito por alguém que batalha por essa
escola laica enfermam de um mesmo
mesma causa mas para quem os grandes
problema, são duas faces de uma
princípios do ideal libertário, como a
mesma moeda. Referindo-se às medidas
liberdade, a tolerância ou a
no sentido da laicização tomadas, logo
racionalidade devem estar acima da
em 1910 e 1911, pelo Governo
cumplicidade para com iniciativas
Provisório formado na sequência da
concretas de militantes do campo que
proclamação da República, diz Adolfo
não respeitam esses mesmos princípios.
Lima:
2. Traços do “modelo educativo
O governo provisório, substituindo
libertário”: breve roteiro por alguns
o ensino congregacionista ou
fragmentos da obra de Adolfo Lima jesuítico-religioso pelo militarista-
Uma das opções que Adolfo Lima, e o patrioteiro, não faz mais do que
anarquismo em geral, partilhavam com substituir o milagre idiota pela
o republicanismo era a crítica à escola força estúpida, a mentira religiosa
pela violência militar, pela mentira
confessional e ao ensino de inspiração
patriótica. É dar igualmente um
religiosa. veneno corrosivo e pervertedor em
O ensino religioso, base do vez de lições e exemplos
clericalismo, essa baixa superstição, essencialmente morais sobre a
bestializador e reacionário, devora verdade, a justiça, a solidariedade!
tudo, envenena uma sociedade (LIMA, 1914, p. 40)
inteira, com os seus dogmas, os
seus feitiços, com a abdicação da É o elemento de doutrinação, de
personalidade em holocausto dum inculcação de valores, segundo o autor
deus violento, vingador e presente tanto numa como noutra das
infecundo. Uma sociedade educada opções, que lhe motiva tão acerba
sob o regime clerical-religioso é crítica. Em qualquer dos casos, não se
estaria a salvaguardar a liberdade de uma corveia imposta pelo Estado à
infância. (LIMA, 1914, p. 50) 7
consciência da criança e do jovem. É
esse o fundamento da sua crítica ao Ou seja, para além do risco da
“monopólio do ensino” por parte do doutrinação um outro problema
Estado e ao “amestramento patriótico” preocupa Adolfo Lima, o relativo ao
ou “adestramento no servilismo desajustamento entre os conteúdos que
político” que aí teriam lugar no sentido integram o programa de Educação
de “submeter” ou “disciplinar” a Cívica e as crianças a que se destinam.
mocidade (LIMA, s/d, p. 108). Só assim Pelo seu grau de abstração, as noções
se compreende a sua crítica de fundo às em que assenta esse ensino não se
escolas criadas pelo poder político - adequam à etapa de desenvolvimento
públicas, oficiais ou laicas. Segundo psicológico em que elas se
Adolfo Lima essas escolas têm por encontrariam, algo a que Adolfo Lima é
principal finalidade “fazer dos alunos muito sensível tendo em conta o
eleitores, a que chama cidadãos; criar cientismo, de base psicológica e
soldados que defendam a Pátria; sociológica, que caracteriza o seu
alimentar o ódio ao estrangeiro; manter pensamento.
o amor fetichista pelo nosso exército,
pela hierarquia social” (LIMA, 1914, p. São igualmente dirigidas críticas
28). Esta crítica veemente ao Estado e severas em relação às práticas rituais e
ao seu papel educativo e às noções simbólicas fomentadas pelo
correlatas de cidadão, cidadão-eleitor e republicanismo, que se apresentam
cidadão-soldado, traves-mestras dos como alternativas às do catolicismo e
ideários liberal e republicano, e às que, ainda que num registo mais
conceções patriótica e militarista, dão informal e difuso, têm como finalidade
claramente conta da inspiração libertária a socialização dos cidadãos nos novos
que ilumina o seu pensamento. valores laicos, patrióticos e
republicanos. Entre elas encontram-se
os cultos da bandeira, do hino e dos
Se bem que crítico da educação moral e
heróis da Pátria, festas como a da
religiosa como disciplina obrigatória do
árvore, uma iniciativa especificamente
currículo escolar, Adolfo Lima vai-se
escolar, e os batalhões escolares
mostrar igualmente crítico da sua
associados à Instrução Militar
sucedânea em contexto republicano – a
Preparatória, introduzida então no
educação cívica – que, segundo ele,
currículo das escolas primárias. Adolfo
promove “a escravidão do humano
Lima sublinha, mais uma vez, o
perante o Estado”. E acrescenta:
paralelismo que considera existir entre
os símbolos e rituais católicos e os seus
A educação cívica consiste no sucedâneos laicos, na verdade imbuídos
ensino duma série ou séries de de uma espécie de religiosidade cívica,
puras abstrações, à frente das quais e critica-os na mesma medida.
estão os termos pátria, estado,
deveres do cidadão, direitos destes, A primeira comunhão e o
eleições, voto. Ora não podendo as juramento ou festa duma bandeira
crianças, como é facto, e parece não têm tantos pontos de contacto?
termos demonstrado, compreender […] Não são idênticas nos seus
o que sejam estes palavrões e outros fins, aparte os símbolos? Não
como tais, segue-se que a educação tendem ambas para a captação do
cívica só pode ser imposta, ser adolescente? Não se realiza com
ensinada dogmaticamente, como ambas a renúncia à individualidade
e a submissão a dogmas, a símbolos “autonomia dos escolares ou dos
que a criança não compreende? 8
educandos”, o sentido é claramente o
(LIMA, 1914, p. 41-42) mesmo:
Algumas dessas práticas implicavam o Considerada a Escola como um
envolvimento de crianças e jovens em laboratório sociológico, como uma
cortejos cívicos ou marchas que, no estufa, em que devem ser
caso dos batalhões escolares, tinham um carinhosamente tratados os seres
caráter pré-militar. Esse recrutamento, que hão de germinar para a vida
em particular dos alunos das escolas social humana, ela tem de ser
primárias, que assumiam o organizada e funcionar de modo
protagonismo, por exemplo, nas festas que os educandos se exercitem
da árvore, conduziu a uma acesa naquela vida ideal de emancipação
e de liberdade, de ação consciente e
polémica no campo pedagógico, tendo
convergente, capaz de torna-los,
em conta a tenra idade e o caráter pela prática, os futuros
acentuadamente político das referidas comparticipantes e colaboradores
iniciativas. Adolfo Lima foi um dos de uma vida social superior,
educadores que sempre se mostrou sublimada. (LIMA, s/d, p. 302)
frontalmente contra esse tipo de práticas
de enquadramento. Essa aprendizagem da vida social na
“sociedade em miniatura” representada
Uma das heranças que nos deixou o pela escola deveria, segundo o autor,
ensino jesuítico e que mais me respeitar a liberdade e a consciência da
repugnam são, sem dúvida, as criança, não podendo conduzir a
formaturas escolares: pôr crianças
debaixo de forma, assemelhá-las
qualquer tipo de “ação tendenciosa” que
aos soldados, obriga-las a andar pudesse insinuar ou impor à criança
emparelhadas ou ainda a fazer as quaisquer “ideias prematuras”. Assim se
célebres guardas de honra […]. compreende, em coerência com o seu
Quando vejo um desses espetáculos ideal libertário, a defesa que faz da
degradantes por essas ruas ou nas chamada “escola neutra”.
escolas e colégios, a mocidade
submetida a esse jugo, a esse A neutralidade do ensino repele
processo de manter a disciplina, toda a espécie de dogma, seja ele
indigno-me, porquanto é mais um religioso ou científico, seja ele
meio de capar energias, de destruir meramente político ou sociológico
a vida, de apagar a alegria e a […]. A Escola não é desta ou
expansão naturais da mocidade. daquela classe; é de toda a
(LIMA, 1914, p. 57) população, é de toda a gente – é
humana! Tanto é do filho do rico
Na verdade, Adolfo Lima mostra-se como do pobre, do religioso como
favorável a uma educação moral e do irreligioso, do conservador como
social das crianças e jovens, a ser do avançado. A escola não deve ser
concretizada na escola, só que muito burguesa, nem ser operária,
distante das práticas que considera sindicalista, comunista. A Escola é
doutrinadoras da educação cívica das simplesmente Escola, como a
Ciência é simplesmente Ciência!
escolas laicas. A sua opção a esse nível
(LIMA, s/d, p. 119-121)
vem na linha do que se praticava
habitualmente nas Escolas Novas e que O caráter idealista ou utópico deste
ficou conhecido pela expressão self- posicionamento parece-nos hoje óbvio,
government. Embora a sua preferência sendo relativamente consensual a ideia
seja pelas expressões portuguesas de que não há educação sem valores e
de que a escola nunca é neutra. À época considera ser, antes, um “método
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compreende-se, em especial se tivermos ativo”). Curiosamente, tendo em conta a
em conta a crítica ao Estado e à política, sua inspiração doutrinária, o autor
no sentido convencional, a que Adolfo considera que as “escolas novas”,
Lima, como em geral os meios apesar de mais antigas, “têm horizontes
anarquistas, procedem e, também, a mais largos e cientistas do que a ‘Escola
evidência das práticas doutrinadoras, de Moderna ou Racional’” (LIMA, s/d, p.
sentidos diversos, desenvolvidas no 172). Ou seja, a experiência
interior da escola tanto em contexto desenvolvida por Ferrer y Guardia em
monárquico como já em contexto Barcelona não o parece entusiasmar,
republicano. Em todo o caso, a embora se tenha tornado um ícone da
neutralidade que o autor defende para a pedagogia libertária. Como já notámos,
escola refere-se, acima de tudo, ao a conceção educativa de Adolfo Lima
“caráter não confessional religioso, conjuga os valores sociais típicos do
político e filosófico” da mesma, em que anarquismo com as ideias pedagógicas
todas as conceções a esses níveis são da Educação Nova, o que permite
“merecedoras de livre exame e crítica” compreender a afirmação anterior. No
ficando a escola “fora de toda a feição esboço de definição apresentado para a
tendenciosa” (LIMA, s/d, p. 128). De “escola nova”, o autor destaca o
resto, o projeto educativo sustentado por “pedocentrismo” que a caracterizaria:
Adolfo Lima, como não podia deixar de “Nestes termos, a Escola nova é a
ser, assenta num conjunto de valores, a ‘Escola por medida’, é a Escola em que
solidariedade acima de todos em o ensino tem a característica de ser
coerência com o seu ideal libertário: “A essencialmente genético, isto é, parte
educação tem por fim a solidariedade, das necessidades sentidas pela criança”
essa nova atração universal, cuja força (LIMA, s/d, p. 175). No entanto, para
funda a humanidade numa só família” além de genético, acrescenta, esse
(LIMA, 1914, p. 53). Mas merecem ensino deve ser “funcional”, ou seja,
também destaque a liberdade, deve empregar os processos do “método
considerada, na linha do self- ativo” (LIMA, s/d, p. 257).
government, “o melhor processo de
disciplinar” (LIMA, 1914, p. 60) e a Não obstante a já referida proximidade
tolerância, vista como “a principal em relação aos princípios da Educação
norma do professor” que ”de modo Nova, para Adolfo Lima o modelo ideal
algum deve ser um prosélito de corresponde ao que ele designa por
qualquer doutrina” (LIMA, 1914, p. “Escola social ou educação social” e
77). que define da seguinte forma:

Embora avesso, como vimos, às escolas Educação Social significa criar e


com uma conotação política, religiosa estimular o sentimento de simpatia
ou filosófica, Adolfo Lima procede, em e a ideia de justiça para com o
Pedagogia Sociológica, a uma próprio indivíduo e para com o seu
sistematização dos diversos tipos de semelhante: criar, estimular e
desenvolver as tendências e
escolas que considera existir no
necessidades sociais, individuais e
panorama pedagógico de então e onde coletivas; criar e desenvolver
inclui, entre diversas outras, a “escola intensamente em cada indivíduo
moderna”, a “escola racional” (termo uma consciência de ser social, de
que não considera aceitável), as ser que faz parte de uma
“escolas novas” ou a “escola ativa” (que coletividade e perante a qual tem
deveres e direitos. Este é, a nosso intelectual e social […]. A
ver, o conceito mais largo e educação integral sintetiza todas as 10
profundo de Educação Social. funções e aspirações sociais do
(LIMA, 10 janeiro 1924, p. 2) indivíduo. Está de harmonia com a
progressiva dignificação do ser
Segundo o autor, a inspiração para este humano. É uma conceção larga,
tipo de escola pode ser encontrada em fecunda, intensamente
Elisée Reclus, Paul Robin e, ainda, “na socializadora, baseada, orientada no
pedagogia social de John Dewey” fim da humanidade, na ciência da
(LIMA, s/d, p. 282). Encontramos vida e no progresso universal.
novamente conjugadas duas tradições, a (LIMA, 1916, p. 15-16)
do pensamento libertário e a da
A educação integral, segundo o autor,
Educação Nova. Na sua ótica, e dando
refere-se, por um lado, à necessidade de
conta do hibridismo que caracterizaria
educar o aluno em todas as dimensões
esta noção, a escola social reuniria em si
que fazem parte do seu ser e, por outro,
as principais características da escola
moderna, da escola racional, das escolas à diversidade de áreas curriculares que
devem procurar corresponder a esse
novas, da escola do trabalho, da escola
desiderato. Se a Educação Nova
ativa, entre outras, e apareceria sob a
também a postula, o que conduzirá,
forma de “escola granja” ou de “escola
nesse contexto, à valorização de áreas
oficina”. A sua principal especificidade
como a educação física, a educação
tinha que ver com a enfatização das
estética ou os trabalhos manuais, para
finalidades sociais da educação e surge
além da educação intelectual e da
expressa no excerto apresentado em
educação moral, e de estratégias como
particular pela referência à necessidade
as visitas de estudo ou os museus
de desenvolver em cada indivíduo “uma
escolares, a especificidade da
consciência de ser social”. Para Adolfo
interpretação libertária prende-se com a
Lima só existiria uma única escola
enfatização das “funções e aspirações
social em Portugal: “É o seu protótipo a
sociais” e com a sua orientação para o
Escola Oficina nº 1” (LIMA, s/d, p.
“fim da humanidade” e para o
374).
“progresso universal”. Sociabilidade,
Como já notámos, a dimensão social da humanitarismo e universalismo são,
pedagogia libertária expressa-se, em pois, os seus traços distintivos.
particular, através de duas estratégias
que podemos subsumir nos conceitos de O tema da escola única marca uma
“educação integral” e de “escola única”, presença importante no debate
ambos muito presentes no pensamento pedagógico dos anos 20 em articulação
de Adolfo Lima. Ainda que o ideal de com as preocupações relativas à
educação integral surja integrado em construção de uma escola para todos.
diferentes conceções pedagógicas, são Não é por isso de estranhar a sua
igualmente diversas as interpretações consonância com a pedagogia libertária.
que dele vão sendo feitas. Na leitura Adolfo Lima é um dos intervenientes
muito particular que Adolfo Lima faz nesse debate, designadamente por via de
desse ideal ele é apresentado como se um artigo publicado na revista por ele
segue: dirigida, Educação Social, onde
apresenta a seguinte definição para esse
[A educação integral] Procura ideal:
educar o indivíduo em si próprio,
aperfeiçoando e educando as A Escola Única visa prolongar e
atividades fisiológica, sentimental, continuar a escola até ao nível
mínimo do saber e educação que desigualdades escolares. Em todo o
todos os seres humanos normais 11
caso, ainda que limitado este é um
devem possuir conforme as momento importante do percurso com
qualidades comuns e gerais da sua vista à democratização do ensino – que
natureza […]. A Escola Única é a conhecerá avanços e recuos nas décadas
escola prolongada ou de
subsequentes - e que não deixará de ter
continuação para todas as crianças
até aos 15 anos, idade em que, influência nos projetos de unificação do
conforme as aptidões devidamente ensino e de alargamento da
selecionadas seguem para as obrigatoriedade escolar que se
diversas carreiras, ingressando nas desenvolverão em Portugal a partir dos
escolas preparatórias de tipo anos 60 e, muito em particular, em
humanista ou de tipo cientista que meados dos anos 70.
lhes abrirão as portas das Escolas
Técnicas Superiores (LIMA, 25 Podemos agora introduzir um outro
janeiro 1924, p. 28-29) tema que ocupa um lugar central nas
conceções pedagógicas, de inspiração
Todos os seres humanos, sem libertária, de Adolfo Lima. Trata-se do
exceção ou exclusão de castas, tema do pacifismo na sua relação com a
classes ou sexos, devem passar pela
educação. Para além de estar disperso
Escola Única. Ela é, pois, a Escola
de Educação Humana. Preconiza na sua obra, o autor dedica-lhe um
uma educação integral geral que artigo, publicado em 1914 na Revista de
marca o mínimo do nível de Educação: Geral e Técnica. Adolfo
Educação geral a que é lícito aspirar Lima começa por criticar, em linha com
todo o ser humano normal. (LIMA, o já aqui analisado, a escola entendida
25 fevereiro 1924, p. 55) como “o laboratório onde se cultive o
vírus patriótico” e, em particular, a
Trata-se, como vemos, de extinguir as chamada Instrução Militar Preparatória,
vias paralelas de ensino, socialmente onde se submeteria as crianças a “uma
diferenciadas, de modo a oferecer a disciplina de ferro” transformando-as
todas as crianças e jovens um percurso em “indivíduos odiando o estrangeiro”.
comum de escolarização, Segundo afirma, para cumprir a sua
necessariamente gratuito, ao mesmo missão – “criar individualidades” – a
tempo que se prolongava o próprio escola “deve ser entregue
tempo de frequência da escola e que se exclusivamente a pedagogos” não
promovia uma “educação integral geral” devendo nela entrar, “nem mesmo como
tendo como núcleo central os trabalhos simples professor de ginástica, o
manuais. O autor considerava, então, militar” (LIMA, outubro 1914, p. 169-
que os 15 anos seriam a idade ajustada 170).
para se poderem iniciar caminhos
diferenciados de formação com base nas Para além disso, na sua opinião a escola
“aptidões devidamente selecionadas”. É deve fomentar ativamente uma
o tema da igualdade de todos perante a educação para a paz: “a criança deve ser
escola que está aqui claramente educada no sentido de amar a paz e de
colocado. Desconheciam-se à época, odiar a guerra – tão contrária à estética
naturalmente, os contributos posteriores – e no desenvolvimento máximo de
da sociologia da reprodução que todos os sentimentos de solidariedade,
permitiram olhar de forma mais baseada na simpatia e na justiça”. Essa
complexa para os fatores sociais e educação não deve ser, no entanto,
culturais que estão na base das sinónimo de conformação ou sujeição
perante as posturas belicistas ou as contextos, como sabemos, a Grande
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agressões externas. Deve, pelo Guerra conduzirá a divisões no
contrário, permitir a “virilização do movimento anarquista com vários dos
caráter”, ou seja, a “indispensável seus intelectuais a defenderem a
robustez moral, capaz de ir até ao legitimidade de se pegar em armas
paradoxo de lutar para conquistar a contra a agressão alemã. Terá sido essa,
paz”. Mas nessa luta pela dignidade segundo Carlos da Fonseca (1988) a
individual ou coletiva não são as armas posição, entre outros, de Adolfo Lima e
ou a “heroicidade guerreira” o que mais de Emílio Costa, que subscreveu a
importa: “basta estar possuído pela famosa “declaração dos dezasseis”. Este
Ideia, pela Ideia do Futuro, por um ideal último, no Germinal, manifesta, de
convicto e racionalmente concebido. A forma lúcida, a sua indignação pela
Ideia vale todos os armamentos: é postura intolerante dos anarquistas que
invencível” (LIMA, outubro 1914, p. haviam considerado essa posição como
171-172). Este conjunto de excertos é uma traição à causa: “Mas traidores,
bem ilustrativo do idealismo de cunho excomungados, ex-anarquistas, porquê?
humanitarista e solidarista que permeia Porque pensam de modo diverso? Mas
o pensamento de Adolfo Lima e, em então onde está a tolerância, o espírito
geral, a própria doutrina libertária. de relatividade, próprios da moral
anarquista? Há um dogma ou dogmas
Em face da guerra concreta que então se anarquistas?” (COSTA, 1915, p. 2).
iniciava, o autor interroga-se: qual deve
ser a atitude da escola? “A Escola tem, Considerações finais
pois, uma elevada missão educadora a
Este percurso pelo pensamento
cumprir na presente conjuntura:
pedagógico de Adolfo Lima permitiu-
patentear os horrores duma guerra,
nos compreender a forma como nele se
através dos quadros que se vão
entrelaçam, de forma harmoniosa, os
desenrolando e promover na criança
grandes princípios da Educação Nova e
uma solidariedade humanitária” (LIMA,
as preocupações sociais típicas do
outubro 1914, p. 174). Em coerência
anarquismo. A noção de “modelo
com o espírito da Educação Nova, há
educativo libertário”, proposta por
que partir dos “casos concretos” para
António Candeias, não nos remete para
frisar os contrastes entre, por um lado, a
a eventual especificidade de uma
guerra, o ódio, a intranquilidade, a
pedagogia libertária mas antes para o
desolação e a destruição e, por outro
caráter original de uma tal síntese, tão
lado, a paz, o trabalho, a beleza, o amor
bem personificada nas ideias e na ação
e a tranquilidade. Essa postura implica o
de Adolfo Lima, intelectual libertário e
envolvimento afetivo das crianças e
impulsionador da renovação pedagógica
jovens, no âmbito de uma verdadeira
operada na Escola Oficina nº 1 de
educação moral, não no sentido de se
Lisboa, o paradigma português de uma
enredarem nas “paixões” do momento,
escola nova.
de tomarem partido por algum dos
contendores mas, antes, fazendo-os
“partilhar das dores dos que sofrem, das
vítimas que ficam jazendo nos campos Referências
das batalhas e das que ficam reduzidas à CANDEIAS, A. Educar de outra forma: A
miséria moral e económica” (LIMA, Escola Oficina Nº 1 de Lisboa: 1905-1930.
outubro 1914, p. 173). Se esta era a Lisboa: Instituto de Inovação Educacional,
1994.
posição de princípio, cá como noutros
CANDEIAS, A. Lima, Adolfo Ernesto Godfroy LIMA, A. A Escola Única: Os seus
de Abreu e. In: NÓVOA, A. (Dir.). Dicionário fundamentos. Educação Social: Revista de 13
de Educadores Portugueses. Porto: Edições Pedagogia e Sociologia, ano 1, n. 2, p. 27-29, 25
ASA, 2003. p. 736-746. janeiro 1924.
COSTA, E. Os anarquistas e a guerra europeia. LIMA, A. A Escola Única: As suas
Germinal, ano 1, n. 5, p. 1-2, 7 fevereiro 1915. características. Educação Social: Revista de
Pedagogia e Sociologia, ano 1, n. 4, p. 54-59, 25
COSTA, E. Revolução e propaganda. II – Novo
fevereiro 1924.
Rumo. Educação. Germinal: Mensário
dedicado aos trabalhadores, n. 8, p. 237-238, LIMA, A. As Escolas Novas. Educação Social:
setembro 1916. Revista de Pedagogia e Sociologia, ano 1, n. 15-
16, p. 277-283, 15 agosto 1924.
FONSECA, C. Para uma análise do
movimento libertário e da sua história. LIMA, A. Pedagogia sociológica. Lisboa:
Lisboa: Edições Antígona, 1988. Couto Martins, s/d.
LIMA, A. Educação e ensino: Educação LOPES, R. J. F: Sociedade de Instrução e
Integral. Lisboa: Guimarães & Cª Editores, Beneficência «A Voz do Operário»: Uma
1914. associação representativa da classe dos
manipuladores de tabaco, em particular, e da
LIMA, A. A Escola e a Guerra. Revista de
classe operária, em geral. Lisboa: Faculdade de
Educação: Geral e Técnica (Boletim da
Ciências Sociais e Humanas da Universidade
Sociedade de Estudos Pedagógicos), série 3, n.
Nova de Lisboa, 1995.
2, p. 169-174, outubro 1914.
PINTASSILGO, J. República e Formação de
LIMA, A. Orientação Geral da educação:
Cidadãos: A Educação Cívica nas escolas
Educação Geral e Especial: Educação Técnica
primárias da Primeira República Portuguesa.
(Separata da Revista de Educação: Geral e
Lisboa: Edições Colibri, 1998.
Técnica). Lisboa: Sociedade de Estudos
Pedagógicos, 1916.
LIMA, A. Educação Social. Educação Social:
Revista de Pedagogia e Sociologia, ano 1, n. 1,
p. 1-4, 10 janeiro 1924.