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RUBENS DE FREITAS DUARTE FILHO

8º SEMESTRE – PSICOLOGIA

GESTALT- EPISTEMOLOGIA E METODOLOGIA

MARINGÁ - PR
2021
1. INTRODUÇÃO

O presente trabalho tem como objetivo conceituar as teorias e filosofias de base


discutidas em salas de aula da Gestalt terapia, exemplificando o humanismo,
fenomenologia e existencialismo na Gestalt, as teorias de Gestalt, teoria de campo,
teoria organísmica e teoria holística, entendendo como foi seu surgimento, como foi sua
utilização inicialmente, quais os seus fundadores e quando passou a ser utilizada e
discutida no Brasil.
A visão de mundo e o conceito de pessoa através da pessoa de Gestalt será outro
tema a ser discutido ao longo do trabalho.

2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

2.1 A GESTALT E A SUA HISTÓRIA


Juliano (2004) relata a dificuldade em encontrar uma resposta sobre a origem da
abordagem, uma vez que para alguns pesquisadores o fundador seria Fritz Perls e para
outros historiadores a abordagem foi fundada por um grupo de pessoas, chamado de
grupo dos setes, composto por um médico, um educador, dois psicanalistas, um filosofo,
um escritor e um especialista de estudos orientais, Fritz Perls, sua esposa Laura, Paul
Goodman, Paul Weisz, Elliot Shapiro e Sylvester Eastman.
Gestalt é uma palavra alemã que traduzida seria definido como forma ou
configuração, de início os seus fundadores Max Wertheimer, Wolfgang Köhler e Kurt
Koffka. estavam interessados na percepção e com o tempo os interesses foram se
ampliando e incluíram aprendizagem, resolução de problemas e cognição. Kurt Lewin
junto com seus alunos desenvolveu uma teoria de campo inovadora, que foi utilizado
em diferentes tópicos, como desenvolvimento da criança, reabilitação e psicologia
social. (HOTHERSALL, 2019)
Perls definia que a terapia, estava além de possíveis interpretações do passado,
sua ideia era de que o paciente se torna vivo para as experiencias imediatas no presente,
de forma imediata e simples no agora. O foco da terapia pode partir de qualquer ponto,
terapeuta e cliente pode começar a partir de qualquer material disponível naquele
momento, um sonho, sintomas, expressão fácil, modo de ser e qualquer destes
elementos seria o núcleo do trabalho. A solução terapêutica na Gestalt seria voltada em
trabalhar o presente, buscando o improviso e experimentação deixando de focar
somente em possíveis explicações, o que seria vivenciado e acontecido seriam as
melhores explicações. (JULIANO,2004)
No Brasil existem registros de terapeutas utilizando do referencial Gestalt
Terapia em Curitiba e Rio de Janeiro na década de 1960, porém seu uso foi
intensificado a partir de 1970. A Gestalt do ponto de vista terapêutico, era apresentada
como um método eficaz, com resultados terapêuticos em curto prazo, sendo assim vista
como uma possível alternativa de intervenção de alta viabilidade, principalmente
quando comparada aos modelos de terapia individual de longo prazo.

2.2 GESTALT E SUAS FILOSOFIAS DE BASE.


Segundo Magalhães (2011) Gestalt significa uma integração de partes em
oposição a soma do todo, ela seria uma teoria da psicologia que considera os fenômenos
psicológicos como um todo, indivisível, autônomo e interligado entre si com suas
próprias configurações e leis funcionais.
Segundo Ribeiro (2006) a Gestalt-terapia seria definida como uma expressão
filosófica em que é contra qualquer tipo de divisão ou dicotomia, a partir do momento
em que isso passa a ser discutido, a separação de mundo-homem perderia o verdadeiro
significado do encontro humano, consequentemente do humanismo, deixando de
atender as verdadeiras demandas do homem moderno. A abordagem da Gestalt não diz
respeito somente ao homem, mas a natureza como um todo, buscando entender a sua
totalidade, resgatar o homem seria como entender a sua relação corpo-pessoa, mente-
corpo e ambiente pessoa.
A Gestalt-terapia, vista como uma postura humanista, não pode ser
pensada fora da dimensão humana da existência, e é por isso que
colocamos lado a lado psicologia, humanismo e Gestalt-terapia. Três
posições teóricas que, necessariamente, precisam desembocas no ser
humano- embora nem sempre se encontrem e funcionem no mesmo
patamar. (RIBEIRO,2006)

A consciência, na maioria das vezes, é entendida como um fato, transformando o


homem em uma coisa entre coisas. A psicologia quando passa a investigar fatos e suas
relações ela acaba perdendo o homem. A fenomenologia, junto a hermenêutica, busca
resgatar o homem e assim descrever o seu modo de vida, deixando de lado as
concepções biológicas, religiosas e ontológicas, deixando o homem a frente. A
ampliação de mundo e de consciência, seria um dos principais pilares do trabalho
clínico A Gestalt ao proporcionar a expressão do fenômeno que se mostra no que
aparece contribui para um homem mais original, sem predefinições.

A visão humanista é extremamente importante em psicoterapia, uma que através


dela seria possível promover a percepção da pessoa de forma integrada, coerente,
dinamicamente funcional, de forma a redescobrir o corpo e as suas potencialidades, da
alma e dos seus mistérios, integrando o ambiente e do existente dentro de cada pessoa, o
humanismo seria a matéria-prima da ética e da cidadania, sendo essencial para uma
autêntica vida humana (RIBEIRO, 2006)
A Gestalt-Terapia, por fundamentar-se numa visão específica
de existência, faz um apelo à liberdade, à individualidade pessoal e
coerente. O Gestaltista é, assim como o Existencialista, uma pessoa
que se nega a submergir inconscientemente no mundo que o cerca, é
uma figura incomodada e que incomoda e, antes de tudo é um ser
responsável por si mesmo, sem ser isolado ou egoísta. Sua proposta é
que cada pessoa atinja uma real percepção de si como um ser em
relação, uma reflexão sobre o tipo de sociedade que vivemos e em que
base ética estamos fundamentados. Assim, a Gestalt-terapia não é uma
terapia de ajustamento, mas de auto-realização. (GUIMARÃES, 1998,
apud MAGALHÃES, 2011).

2.3 GESTALT E SUAS TEORIAS DE BASE


Ginger (1995) afirma que a Gestalt pode ser utilizada em diferentes situações,
podendo o seu objetivo ser muito amplo, podendo ser utilizado na psicoterapia
individual, em terapias de casais, familiar, em grupos contínuos de terapia, além de
grupos de desenvolvimento pessoal do potencial individual, instituições (escolas,
hospitais psiquiátricos, entre outros) e até mesmo em empresas, atuando em distúrbios
físicos e psicossomáticos, psíquicos ou ate mesmo problemas existenciais que estão
cada vez mais comuns na atualidade.
Segundo Ribeiro (2011) o conceito de mundo seria o meio por qual seria
localizado a pessoa no mundo e a partir de qual esse homem sera visto podendo ser
funcional ou disfuncional na medida em que ele se expressa, podendo ser incoerente ou
coerente, em sua relação com a matriz geradora de toda a atividade humana, e da qual
essa atividade recebe sentido. O conceito de pessoa nasce e decorre, cósmica e
ontologicamente a partir do conceito de mundo. O mundo primeiro existe para depois a
pessoa passar a existir e a partir da sua compreensão a pessoa passa a perceber dentro de
um campo cósmico e somente a partir daí que ela passa a se localizar no mundo como
um ser ético e de ação. O conceito de mundo permite o homem se localizar nesse
mundo, podendo assim programar o seu andar de um lugar ao outro.
A teoria holística funciona como se fosse a alma, responsável por conceber o
mundo, este mundo em que o indivíduo é sujeito e objeto ao mesmo tempo, a teoria de
campo é como se fosse a alma, sendo real, visível, palpável, tocável, fornecendo os
instrumentos, totalidade, organizada, articula e indivisível. Remete-nos ao início de
minha caminhada na descrição do que é experiencia de mundo, um mundo como uma
organização perfeita. A teoria do campo acontece, ao passo que a psicologia da Gestalt
fecha esse suporte teórico e como na teoria holística utiliza-se do conceito de totalidade,
se expressa, dando início a terapia Gestalt terapia como prática clínica (RIBEIRO,2011)
Segundo Ribeiro (2011) a teoria holística utiliza-se da figura-fundo, na qual ela
seria o fundo, um lugar, que se expressa por si só, um conceito básico de mundo em que
tudo está em evolução, em movimento.
REFERÊNCIAS

FRAZAO, L; FUKUMITSU, K. Gestalt-terapia Fundamentos epistemológicos e


influências filosóficas. Summus Editorial. São Paulo.2013

GOMES, W. HOLANDA, A. GAUER, G.et alt. História da Psicologia no Brasil no


século XX. Editora pedagógica e universitária. São Paulo. 2004

HOTHERSALL, D. Historia da Psicologia. Artmed. Porto Alegre. 2019

JULIANO, J. Gestalt-Terapia: revisitando as nossas histórias. v. 1 n. 1 (2004): IGT


na Rede Nº1

RIBEIRO, J. Conceito de mundo e de pessoa em Gestalt-Terapia Revisitando o


caminho. Summus Editorial. São Paulo, 2011

RIBEIRO, J. Vade-mécum de Gestalt-terapia conceitos básicos. Summus Editorial.


São Paulo, 2016

SERGE, G, GINGER, A. Gestalt uma terapia do contato. Summus Editorial. São


Paulo.1995