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ALEGAÇÕES FINAIS ESCRITAS POR MEMORIAIS

a) ARTIGOS:

Art. 403, § 3.º, do CPP: O juiz poderá, considerada a complexidade do caso ou o


número de acusados, conceder às partes o prazo de 5 (cinco) dias sucessivamente
para a apresentação de memoriais. Nesse caso, terá o prazo de 10 (dez) dias para
proferir a sentença. (Incluído pela Lei n.º 11.719, de 2008)

Art. 404. Ordenado diligência considerada imprescindível, de ofício ou a


requerimento da parte, a audiência será concluída sem as alegações finais. (Redação
dada pela Lei n.º 11.719, de 2008)

Parágrafo único. Realizada, em seguida, a diligência determinada, as partes


apresentarão, no prazo sucessivo de 5 (cinco) dias, suas alegações finais, por
memorial, e, no prazo de 10 (dez) dias, o juiz proferirá a sentença. (Incluído pela Lei
n.º 11.719, de 2008)

b) PRAZO:

5 dias (art. 403, § 3.º c/c art. 404, parágrafo único, do CPP).

c) OBJETIVO:

Exposição final das teses de acusação e defesa.

d) OBSERVAÇÕES:

A Lei 11.719/2008, recente reforma do CPP, alterou de forma significativa as


Alegações Finais. Primeiramente, surge uma certa dúvida e preocupação com a
terminologia. Seria apenas Alegações Finais ou Alegações Finais por Memoriais?
Acreditamos que esta é uma preocupação desnecessária. Ambos os termos, a nosso
ver, são corretamente utilizados.
A principal mudança foi trazer as Alegações Finais, como regra, orais. Uma das
intenções dessa recente reforma processual penal foi em relação à celeridade
processual, assim, temos a possibilidade de apresentar de forma escrita, quando
tivermos diligências, peça fundamentada pelo art. 404, parágrafo único, e quando o
fato for considerado complexo ou pelo número de acusados, fundamentada a peça
pelo art. 403 § 3.º, do CPP. Essas hipóteses possibilitam a apresentação das
Alegações Finais por escrito em cinco dias.
No mais, é uma peça final, de último momento antes da sentença penal e que serve
para demonstrar e condensar todas as teses acusatórias e defensivas. É importante
colocarmos em sua elaboração o maior número de teses possível, alternativas, se for
o caso, e, logicamente, demonstrando em primeiro plano a melhor tese.
Vale observar, ainda, que, nos demais procedimentos (sumário, sumaríssimo, júri
etc.), as alegações finais serão somente orais, todavia a prática jurídica vem
permitindo a aplicação por analogia do procedimento ordinário, conforme o art.
394, § 1.º, II, do CPP – sumário, quando tiver por objeto crime cuja sanção máxima
cominada seja inferior a 4 (quatro) anos de pena privativa de liberdade; (Incluído
pela Lei 11.719, de 2008).

TESES E PEDIDOS

A defesa, em memoriais, deve, em regra, pedir a absolvição do acusado. Os


memoriais são o momento oportuno para a arguição de todas as teses de defesa,
devidamente exploradas e demonstradas no curso da instrução criminal. É o
momento de se atacar o mérito da ação (tese de mérito), apontar as falhas do
processo ou requerer, subsidiariamente, no caso de eventual condenação, a
concessão de benefícios cabíveis.
No mérito, deve-se requerer a absolvição com base no art. 386 do CPP.
Ainda no tocante ao mérito da ação, é possível para a defesa atacar a espécie da
imputação ou a magnitude da sanção penal pleiteada pela acusação. Ex.:
a) Desclassificação para crime mais leve;
b) Exclusão de qualificadora;
c) Exclusão de causa de aumento de pena;
d) Exclusão de agravante;
e) Reconhecimento de concurso formal ou crime continuado;
f) Reconhecimento de privilégio ou causa de diminuição de pena;
g) Reconhecimento de atenuante.

MODELO DE ALEGAÇÕES FINAIS

EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA _____ VARA CRIMINAL


DA COMARCA DE _________

LUIS, já qualificado nos autos do Processo-crime nº ________, que lhe move o


Ministério Público, por seu advogado que esta subscreve, vem, respeitosamente,
perante Vossa Excelência, dentro do prazo legal, apresentar MEMORIAIS, com fulcro
no artigo 403, § 3º, do Código de Processo Penal, pelas razões de fato e de direito a
seguir expostas.

I – DOS FATOS

O acusado foi denunciado como incurso nas penas do art. 155, § 4º, I, do
Código Penal, porque supostamente adentrou uma residência por meio de
arrombamento da porta e furtou aparelhos eletrônicos que se encontravam em seu
interior.
Ocorre que, durante a instrução criminal, o Acusado juntou prova de que
estava em outro local no momento do crime. Além disso, a perícia realizada não
indicou arrombamento da porta.
O Ministério Público, em seus memoriais, pediu a condenação do Réu.

II – DO DIREITO

Inicialmente, há que se levantar a ocorrência de uma nulidade absoluta de


ilegitimidade de parte. O acusado é menor de 18 anos e, portanto, não é parte
legítima para figurar no polo passivo de persecução penal. Dessa forma, com base
no art. 564 do CPP, II, de rigor a decretação da anulação do processo ab initio.
Ainda que o douto magistrado não entenda assim, não assiste razão ao ilustre
representante do Ministério Público quando pretende ver condenado o acusado pela
prática do delito de furto qualificado por destruição ou rompimento de obstáculo.
Em primeiro lugar, a acusação é de todo improcedente, porque a instrução
criminal não caracterizou a culpabilidade do acusado, tendo como fulcro
declarações impertinentes, desvinculadas da realidade dos autos e sem provas
substanciais da autoria do delito.
Em nenhum momento, seja durante o inquérito, seja durante a fase
processual, o Acusado foi reconhecido pelas vítimas ou por qualquer outra
testemunha. Testemunhas essas que foram evasivas em suas respostas, afirmando
verem apenas semelhança entre o Acusado e a pessoa que carregava aparelhos
eletrônicos pela rua no dia do crime, sem reconhecerem categoricamente que eram
a mesma pessoa.
Além disso, o acusado juntou prova documental de que estava trabalhando
em uma lanchonete no dia dos fatos, o que o isenta de qualquer possibilidade de
participação no crime.
Assim, impõe-se a absolvição do Acusado, com base no art. 386, VII, dada a
clara ausência de provas de autoria do delito.
Entretanto, ainda que se reconheça a culpabilidade do acusado, exercício que
se faz por puro amor ao debate, tem-se evidente caso de desclassificação do tipo
penal imputado.
O acusado foi denunciado como incurso nas penas do artigo 155, § 4º, I, do
Código Penal. Entretanto, a perícia apontou que não houve sinais de arrombamento
da porta. Dessa forma, provavelmente ela havia sido deixada aberta, por descuido
dos moradores da residência, o que afasta por completo a ocorrência de furto
qualificado, devendo ser desclassificado o crime para o tipo de furto simples,
previsto no art. 155, caput, do Código Penal.
De se notar que, com o afastamento da qualificadora, passa a fazer o acusado
jus ao benefício da suspensão condicional do processo, previsto no artigo 89, da Lei
9.099/95. Dessa forma, requer-se o afastamento da qualificadora e, então, a
nulidade do processo para que sejam os autos remetidos ao Ministério Público para
que seja feita proposta de suspensão condicional do processo.
Também deve ser levado em consideração que, em caso de condenação do
Acusado, deve ser imputada a ele pena no mínimo legal. Isso porque o acusado é réu
primário e apresenta bons antecedentes, sem a presença de condições
qualificadoras ou agravantes que justifiquem pena acima do mínimo legal.
Ausentes também os requisitos para prisão preventiva, estabelecidos no art.
312 do CPP, deve ser concedido ao Acusado o direito de apelar em liberdade.

III – DO PEDIDO

Diante o exposto, requer seja anulado o processo ab initio nos termos do art.
564, II, do CPP ou, caso Vossa Excelência entenda não estar presente tal nulidade,
requer seja julgado improcedente o pedido, absolvendo-se o réu, nos termos do art.
486, VII, do CPP, como medida de inteira justiça. Subsidiariamente, requer a
desclassificação da conduta para o delito de furto simples, previsto no art. 155, caput
e, então, que se anule o processo remetendo-se os autos para o membro do
Ministério Público a fim de que seja feita proposta de suspensão condicional do
processo. Em caso de eventual condenação, requer também a condenação no
mínimo legal, bem como a fixação da indenização cível em seu patamar mínimo e a
concessão do direito de apelar em liberdade.

Nesses termos,
Pede deferimento.

Local e data.

Advogado
OAB nº _____

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