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Medicina, Ribeirão Preto, Simpósio: FUNDAMENTOS EM CLÍNICA CIRÚRGICA - 1ª Parte

2008; 41 (3): 265-73 Capítulo III

ASSEPSIA E ANTISSEPSIA: TÉCNICAS DE ESTERILIZAÇÃO

ASEPSY AND ANTISEPSY – TECHNICS OF STERILIZATION

Takachi Moriya1, Jose Luiz Pimenta Módena2

1
Docente, Disciplina de Cirurgia Vascular. 2Docente, Disciplina de Gastroenterologia. Departamento de Cirurgia e Anatomia. Faculdade
de Medicina de Ribeirão Preto - USP.
CORRESPONDÊNCIA: Departamento de Cirurgia e Anatomia da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto - USP.
Av. Bandeirantes, 3900, 14049-900 - Ribeirão Preto / SP.

Moriya T, Módena JLP. Assepsia e antissepsia: técnicas de esterilização. Medicina (Ribeirão Preto). 2008;
41 (3): 265-73.

RESUMO: Por ser o hospital um ambiente insalubre, as técnicas de assepsia, anti-sepsia e


de esterilização são de extrema importância para reduzir os riscos de infecção. São apresenta-
dos os principais anti-sépticos e técnicas de esterilização.

Palavras-chaves: Assepsia. Antissepsia. Esterilização/Técnicas. Infecção.

1- INTRODUÇÃO outra pessoa no banheiro só 9 % saem sem lavar as


mãos, demonstrando que muitos conhecem os bons
O hospital deve ser considerado insalubre por hábitos higiênicos, mas, não os cumprem!!!
vocação, pois concentra hospedeiros mais suscetíveis
e microorganismos mais resistentes. Os micro-orga- 2- DEFINIÇÕES
nismos contaminam artigos hospitalares, colonizam
pacientes graves e podem provocar infecções mais Assepsia: é o conjunto de medidas que utiliza-
difíceis de serem tratadas. O risco de contraí-las de- mos para impedir a penetração de microorganismos
pende, no entanto, do número e da virulência dos num ambiente que logicamente não os tem, logo um
microorganismos presentes e, acima de tudo, da re- ambiente asséptico é aquele que está livre de infec-
sistência antiinfecciosa local, sistêmica e imunológica ção.
do paciente e da consciência do pessoal médicos e Antissepsia: é o conjunto de medidas propos-
paramédicos que atuam no estabelecimento. tas para inibir o crescimento de microorganismos ou
O ato de lavar as mãos, antes e após examinar removê-los de um determinado ambiente, podendo ou
pacientes, ainda não é um hábito corrente em nossos não destruí-los e para tal fim utilizamos antissépticos
dias, século XXI, apesar da sua importância já ter sido ou desinfetantes.
demonstrada em 1847/8 por Semmelweis em Viena. Degermação: Vem do inglês degermation, ou
Na França, Saldmann demonstrou recentemen- desinquimação, e significa a diminuição do número de
te que 73% das pessoas saem do banheiro com as microorganismos patogênicos ou não, após a escova-
mãos contaminadas (90% por Escherichia coli) e que, ção da pele com água e sabão.
após duas horas 77% exibem o mesmo germe na boca! Fumigação: é a dispersão sob forma de partí-
Cerca de 50% das pessoas saem do banheiro sem culas, de agentes desinfectantes como gases, líquidos
lavar as mãos, quando sozinhas, entretanto, se houver ou sólidos.

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Desinfecção: é o processo pelo qual se des- 3.2- Antissepsia


troem particularmente os germes patogênicos e/ou
se inativa sua toxina ou se inibe o seu desenvolvimen- É a destruição de micro-organismos existentes
to. Os esporos não são necessariamente destruídos. nas camadas superficiais ou profundas da pele, medi-
Esterilização: é processo de destruição de to- ante a aplicação de um agente germicida de baixa
das as formas de vida microbiana (bactérias nas for- causticidade, hipoalergenico e passível de ser aplica-
mas vegetativas e esporuladas, fungos e vírus) medi- do em tecido vivo.
ante a aplicação de agentes físicos e ou químicos, Toda Os detergentes sintéticos não-iônicos pratica-
esterilização deve ser precedida de lavagem e mente são destituídos de ação germicida.
enxaguadura do artigo para remoção de detritos. Sabões e detergentes sintéticos aniônicos exer-
Esterilizantes: são meios físicos (calor, filtra- cem ação bactericida contra microorganismos muito
ção, radiações, etc) capazes de matar os esporos e a frágeis como o Pneumococo, porém, são inativos para
forma vegetativa, isto é, destruir todas as formas mi- Stafilococcus aureus, Pseudomonas aeruginosa e ou-
croscópicas de vida. tras bactérias Gram negativas. Consequentemente,
Esterilização: o conceito de esterilização é ab- sabões e detergentes sintéticos (não iônicos e aniôni-
soluto. O material é esterilizado ou é contaminado, não cos) devem ser classificados como degermantes, e
existe meio termo. não como antissépticos.
Germicidas: são meios químicos utilizados para
destruir todas as formas microscópicas de vida e são 4- ANTISSÉPTICOS
designados pelos sufixos "cida" ou "lise", como por
exemplo, bactericida, fungicida, virucida, bacteriólise Um antisséptico adequado deve exercer a ati-
etc. vidade gemicida sobre a flora cutâneo-mucosa em pre-
Na rotina, os termos antissépticos, desinfetan- sença de sangue, soro, muco ou pus, sem irritar a pele
tes e germicidas são empregados como sinônimos, fa- ou as mucosas. Muitos testes in vitro foram propos-
zendo que não haja diferenças absolutas entre desin- tos para avaliar a ação de antissepticos, mas a avalia-
fetantes e antissépticos. Entretanto, caracterizamos ção definitiva desses germicidas só pode feita medi-
como antisséptico quando a empregamos em tecidos ante testes in vivo. Os agentes que melhor satisfa-
vivo e desinfetante quando a utilizamos em objetos zem as exigências para aplicação em tecidos vivos
inanimados. são os iodos, a cloro-hexidina, o álcool e o hexacloro-
Sanitização, neologismo do inglês sanitization, feno.
em que emprega sanitizer, tipo particular de desinfe-
tante que reduz o número de bactérias contaminantes 4.1- Para a desinfecção das mãos temos
a níveis julgados seguros para as exigências de saúde • Soluções antissépticas com detergentes (degerman-
pública. tes) e se destinam à degermação da pele, removen-
do detritos e impurezas e realizando anti-sepsia par-
3- ANTISSEPSIA cial. Como exemplos citam:
- Solução detergente de PVPI a 10% (1% de iodo
A descontaminação de tecidos vivos depende ativo)
da coordenação de dois processos: degermação e - Solução detergente de clorhexidina a 4 %, com
antissepsia. 4% de álcool etílico.
3.1- Degermação • Solução alcoólica para anti-sepsia das mãos:
É a remoção de detritos e impurezas deposita- - Solução de álcool iodado a 0,5 ou 1 % (álcool
dos sobre a pele. Sabões e detergentes sintéticos, gra- etílico a 70%, com ou sem 2 % de glicerina)
ças a sua propriedade de umidificação, penetração, - Álcool etílico a 70%, com ou sem 2% de glicerina.
emulsificação e dispersão, removem mecanicamente
a maior parte da flora microbiana existente nas cama- 4.2- Compostos de iodo
das superficiais da pele, também chamada flora tran- O iodo é um halogênio pouco solúvel em água,
sitória, mas não conseguem remover aquela que colo- porém facilmente solúvel em álcool e em soluções
niza as camadas mais profundas ou flora residente. aquosas de iodeto de potássio. O iodo livre é mais

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bactericída do que bacteriostático, e dá um poder resi- 4.4- Cloro-hexedina ou clorhexedina


dual à solução. O iodo é um agente bactericida com
certa atividade esporicida. Esta, contudo, é influencia- A cloro-hexedina (l, 6 di 4-clorofenil-di-
da por condições ambientais como a quantidade de guanidohexano) é um germicida do grupo das
material orgânico e o grau de desidratação. Além dis- biguanidas, apresenta maior efetividade com um pH
so, o iodo é fungicida e, de certo modo, ativo contra o de 5 a 8, e age melhor contra bactérias Gram-positi-
vírus. vas do que Gram-negativas e fungos. Tem ação ime-
O composto de iodo mais usado é o álcool iodado diata e tem efeito residual. Apresenta baixo potencial
a 0,5% ou 1 %. A solução de iodo deve ser preparada de toxicidade e de fotossensibilidade ao contato, sen-
semanalmente e condicionada em frasco âmbar com do pouco absorvida pela pele integra.
tampa fechada, para evitar deteriorização e evapora- Para casos de alergia ao iodo, pode-se fazer a
ção e devidamente protegido da luz e calor. degermação prévia com solução detergente de
Em resumo: os compostos iodados têm ação clorohexidina a 4%.
bactericida, bacteriostático e residual. As formulações para uso satisfatório são: solu-
ção de gluconato de clorhexedina a 0,5%, em álcool a
4.3- Iodóforos 70% e solução detergente não ionica de clorhexedina
Shelanski & Shelanski, em 1953, descobriram a 4%, contendo 4% de álcool isopropilico ou álcool
que o iodo poderia ser dissolvido em polivinilpirrolidona etílico para evitar a contaminação com Proteus e
(PVP), um polímero muito usado para detoxicar e pro- Pseudomonas.
longar a atividade farmacológica de medicamentos e Soluções aquosas de clorhexedina em concen-
também como expansor plasmático. Além de conser- trações inferiores a 4% de álcool, com ou sem
var inalteradas as propriedades germicidas do iodo, cetrimida, são mais facilmente contamináveis sendo
apresenta as seguintes vantagens sobre as soluções considerados inadequados para uso hospitalar.
alcoólicas e aquosas desse agente, pois não queima, Em resumo: A ação da clorohexedina é
não mancha tecidos, raramente provoca reações alér- germicida, melhor contra Gram-positivo e tem ação
gicas, não interfere no metabolismo e mantém ação residual.
germicida residual. São chamados de iodóforos e li-
beram o iodo lentamente, permitindo uma estabilidade 4.5- Álcool
maior para a solução. Os álcoois etílico e isopropílico, em concentra-
Os compostos de iodo têm ação residual, entre- ções de 70 a 92 % em peso (80 a 95% em volume a
tanto sua atividade é diminuída em virtude da presen- 25oC), exercem ação germicida quase imediata, po-
ça de substâncias alcalinas em matérias orgânicas. rém sem nenhuma ação residual e ressecam a pele
A hipersensibilidade ao iodo contido no PVPI em repetidas aplicações, o que pode ser evitado adici-
tem sido descrita na relação de 2: 5000. E com os onando se glicerina a 2%..
outros compostos do tipo álcool iodado, essa relação é O álcool etílico é bactericida, age coagulando a
maior. proteína das bactérias, fungicida e virucida para al-
O iodóforo mais usado para a anti-sepsia das guns vírus, razão pela qual é usado na composição de
mãos é a solução degermante, de PVPI a 10% (1% outros antissépticos. A ação bactericida dos álcoois
de iodo ativo), em solução etérica, que é bactericida, primários está relacionada como seu peso molecular,
tuberculicida, fungicida, virucida e tricomonicida. Essa e pode ser aumentada através da lavagem das mãos
solução tem a seu favor, o fato de não ser irritante, ser com água e sabão.
facilmente removível pela água e reagir com metais. Em resumo: O álcool etílico é bactericida,
Para as feridas abertas ou mucosas, (sonda- fungicida e virucida seletivo, sem ação residual.
gem vesical), usamos o complexo dissolvido em solu-
ção aquosa. 4.6- Sabões e detergentes
Para a anti-sepsia da pele integra antes do ato Sabões são sais que se formam pela reação de
cirúrgico, usamos o complexo dissolvido em solução ácidos graxos, obtidos de gorduras vegetais e animais,
alcóolica. com metais ou radicais básicos (sódio, potássio, amô-
Em resumo: Os iodóforos têm ação bactericida, nia etc), são detergentes ou surfactantes aniônicos
fungicida, virucida e ação residual. porque agem através de moléculas de carga negativa.

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Existem vários tipos e apresentação de sabão: 4.8- Compostos de prata


em barra, pó, líquido e escamas. Sais de prata, solúveis ou coloidais, já foram
Alguns sabões em barra são alcalinos (pH 9,5 utilizados na anti-sepsia das mucosas, exercendo sua
a 10,5) em solução. Sua qualidade pode ser melhora- ação através da precipitação do ion Ag.
da através da adição de produtos químicos. O sabo- O nitrato de prata, em aplicação tópica, é
nete é um tipo de sabão em barra (composto de sais bactericida para a maioria dos micróbios na concen-
alcalinos de ácidos graxos) destinado à limpeza cor- tração de 1/1000 e se na concentração de 1/10.000 é
poral, podendo conter outros agentes tensoativos, ser bacteriostática.
colorido e perfumado e apresentar formas e consis- A instilação de duas gotas de uma solução a
tências adequadas ao uso. 1% de nitrato de prata no saco conjuntival dos recém-
O sabão/sabonete antimicrobiano contém nascidos evita a oftalmia neonatal.
antissépticos em concentração suficiente para ser de- Em resumo: Os sais de prata são bacteriostáti-
sodorante, sendo usado para lavar as mãos antes de cos.
procedimentos cirúrgicos.
Os sabões têm ações detergentes, que remove 4.9- Desinfetantes oxidantes
a sujidade, detritos e impurezas da pele ou outras su- Esses compostos se caracterizam pela produ-
perfícies. Determinados sabões apresentam formação ção de oxigênio nascente, que é germicida.
de espuma que extrai e facilita a eliminação de partí- A água oxigenada ou peróxido de hidrogênio é
culas. A formação de espuma representa, além da o protótipo dos peróxidos, entre os quais ainda se con-
ação citada, um componente psicológico de vital im- tam os peróxidos de sódio, zinco e benzila.
portância para a aceitação do produto. A água oxigenada se decompõe rapidamente,
Preconiza-se o uso de sabão líquido no hospital e libera oxigênio quando entra em contato com a
e unidades de saúde e, como segunda opção, o sabão catalase, enzima encontrada no sangue e maioria dos
em barra ou sabonete, em tamanho pequeno. tecidos. Este efeito pode ser reduzido na presença de
O cuidado maior que se deve ter no manuseio matéria orgânica. Útil na remoção de material infec-
do sabão é evitar seu contato com a mucosa ocular, tado através da ação mecânica do oxigênio liberado,
contato prolongado com a pele, que pode produzir limpando a ferida muitas vezes melhor que solução
irritação local. fisiológica ou outros desinfetantes. Não deve ser apli-
Em resumo: Os sabões têm ação detergente cada em cavidades fechadas ou abscessos de onde o
ou degermante. oxigênio não possa liberar-se 3.
O permanganato de potássio é um potente
4.7- Cloro e derivados clorados oxidante que se decompõe quando em contato com
O cloro é o mais potente dos germicidas que matéria orgânica. Já teve grande uso no passado, mas
existem. Tóxico para todo tipo de matéria viva, é utili- hoje está ultrapassado como antisséptico 3.
zado para desinfetar objetos, água de abastecimento Em resumo: Os desinfetantes oxidantes têm
e, até certo ponto, tecidos. Pode ser usado sob forma ação germicida.
de gás ou derivado clorados que desprendem ácido
hipocloroso, que no caso é o agente germicida que 4.10- Derivados fenólicos
interage com a matéria orgânica e destrói tecidos nor- Os fenóis e derivados são conhecidos de longa
mais. A ação bacteriana do cloro é anulada pela ma- data como venenos protoplasmáticos gerais, precipi-
téria orgânica e pH alcalino. Não é recomendado para tando e desnaturando as proteínas. O fenol, em solu-
desinfetar instrumentos por ser corrosivo. ções diluídas, age como antisséptico e desinfetante,
Em medicina o derivado clorado mais usado é com espectro anti-bacteriano que varia com a espé-
a solução de hipoclorito de sódio ou solução de Dakin, cie do micróbio, não sendo esporocida.
a 0,5 %. É usado principalmente para desinfetar instru-
A solução a 5% é um potente germicida indica- mentos e para cauterizar ulceras e áreas infectadas
do para desinfetar instrumentos e utensílios, é muito da pele. O fenol, na concentração de 1/500 a 1/800, é
irritante para os tecidos e não deve ser usado como bacteriostático, e nas concentrações de 1/50 a 1/100
antisséptico. torna-se bactericida.
Em resumo: O cloro é um potente germicida. Os cresóis, derivados metílicos do fenol, são

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menos irritantes e menos tóxicos que o fenol e pare- 4.12- Derivados furânicos
cem possuir ação anti-séptica mais poderosa.
Os derivados halogenados dos fenois são tam- A nitrofurazona (furacin) tem amplo espectro
bém antimicrobianos mais potentes que o fenol, como antibacteriano, interferindo no sistema enzimático dos
o hexilresorcinol, por exemplo. microorganismos pela inibição do metabolismo dos
Os derivados fenólicos são usados principal- hidratos de carbono, sendo usada apenas como tópico
mente para desinfetar objetos porque são cáusticos e no tratamento de certas infecções assestadas na pele,
tóxicos para os tecidos vivos. O fenol e os cresóis não feridas infectadas ou queimaduras, o uso continuo pode
devem ser usados para desinfetar artigos de borra- provocar intolerância e sensibilização. Não afeta a
cha, de plástico, ou tecidos que possam entrar em con- cicatrização, a fagocitose e a atividade celular e a sua
tato com a pele, de que podem resultar queimaduras. eficácia persiste na presença de sangue, pus ou exsu-
Atualmente não mais se usa fenol como dato, diminui o mau cheiro e quantidade de secreção
antisséptico ou desinfetante. da ferida .
Em resumo: O derivado fenólico tem ação Em resumo: Os derivados furanicos têm ação
bactericida e não esporocida, utilizados em instrumen- bactericida.
tal.
4.11- Aldeídos 5- TÉCNICAS DE ESTERILIZAÇÃO
O aldeído fórmico, também chamado formal- Esterilização é a destruição de todos os orga-
deido, formol, formalina ou oximetileno, resulta da oxi- nismos vivos, mesmo os esporos bacterianos, de um
dação parcial do álcool metílico. Sofre ação da luz, objeto.
polimerizando e dando origem a paraformaldeído. Para isso dispomos de agentes físicos e quími-
O formol é um líquido límpido, incolor, picante, cos.
sabor caustico. Seus vapores são irritantes para as
mucosas (nariz, faringe, olhos etc.), que podem ser 5.1- Meios de esterilização:
combatidos usando-se amoníaco diluído. Físico
É desinfetante potente, com poder de penetra-
• Calor seco
ção relativamente alto e baixa toxicidade, seu poder
- Estufa
de potente redutor, reage com substâncias orgânicas
- Flambagem
e precipita as proteínas, germicida por excelência, age
- Fulguração
inclusive sobre os esporos. Desnatura as proteínas,
reagindo com os grupos aminos livres, e isso faz a • Calor úmido
transformação de toxina em toxóide ou antoxina, con- - Fervura
servando assim o poder de antigenicidade. - Autoclave
O aldeído fórmico, com sabão, forma o lisol. O
lisoformio tem na sua composição além de outros in- • Radiações
gredientes , o aldeído fórmico e sabão em solução a - Raios alfa
1% a 10%. - Raios gama
O dialdeído fórmico ou aldeído glutárico (Cidex) - Raios x
é usado em soluções aquosas a 2%, previamente
Químico
alcalinizadas, é menos irritante que o formaldeido, tem
• Desinfetantes
menor índice de coagulação de proteínas, não é cor-
rosivo, não altera artigos de borracha, de plástico, de
Para conseguir-se a esterilização, há vários fa-
metal ou os mais delicados instrumentos de corte e
tores importantes:
instrumentos ópticos, não dissolve o cimento das len-
Das características dos microorganismos, o grau
tes dos equipamentos ópticos em exposições por perí-
de resistência das formas vegetativas; a resistência
odos curtos. É nocivo à pele, mucosa (olhos) e ali-
das bactérias produtoras de esporos e o número de
mentos.
microorganismos e da característica do agente em-
Em resumo: Os aldeídos têm ação bactericida
pregado para a esterilização.
e esporocida.

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5.2- Esterilização pelo calor seco, e a temperatura de fervura (100oC), este


calor é insuficiente para a esterilização
A susceptibilidade dos organismos ao calor é b) Devem-se eliminar as substâncias gordurosas e
muito variável e dependem de alguns fatores, e dentre protéicas dos instrumentos, pois estas impedem o
eles citamos: contacto direto do calor úmido com as bactérias.
a) Variação individual de resistência,
5.4- Esterilização pelo vapor sob pressão
b) Capacidade de formação de esporos,
(autoclave)
c) Quantidade de água do meio,
d) ph do meio, Age através da difusão do vapor d'água para
e) Composição do meio. dentro da membrana celular (osmose), hidratando o
protoplasma celular, produzindo alterações químicas
5.3- Esterilização pelo calor seco (hidrólise) e coagulando mais facilmente o protoplasma,
A incineração afeta aos microorganismos de sob ação do calor.
forma muito parecida a como afeta as demais proteí- O autoclave é uma caixa metálica de paredes
nas. Os microorganismos são carbonizados ou consu- duplas, delimitando assim duas câmaras; uma mais
midos pelo calor (oxidação), assim, podemos usar a externa que é a câmara de vapor, e uma interna, que é
chama para esterilizar (flambagem) e a eletricidade a câmara de esterilização ou de pressão de vapor. A
(fulguração). entrada de vapor na câmara de esterilização se faz
O aparelho mais comum para a esterilização por uma abertura posterior e superior, e a saída de
vapor se fazem por uma abertura anterior e inferior,
pelo calor seco é a estufa, que consiste em uma caixa
devido ao fato de ser o ar mais pesado que o vapor.
com paredes duplas, entre as quais circula ar quente,
O vapor é admitido primeiramente na câmara
proveniente de uma chama de gás ou de uma resis-
externa com o objetivo de aquecer a câmara de este-
tência elétrica. A temperatura interior é controlada por
rilização, evitando assim a condensação de vapor em
um termostato.
suas paredes internas. Sabe-se que 1 grama de vapor
As estufas são usadas para esterilizar materi-
saturado sob pressão, libera 524 calorias ao se
ais ¨secos¨, como vidraria, principalmente as de preci- condensar. Ao entrar em contacto com as superfícies
são, seringas, agulhas, pós, instrumentos cortantes, frias o vapor saturado se condensa imediatamente,
gases vaselinadas, gases furacinadas, óleos, vaselina, molhando e aquecendo o objeto, fornecendo assim dois
etc. fatores importantes para a destruição dos micro-orga-
A esterilização acontece quando a temperatura nismos.
no interior da estufa atinge de 160 oC a 170oC, duran- O vapor d'água, ao ser admitido na câmara de
te 2 horas, ocorrendo destruição de microorganismos, esterilização é menos denso que o ar, e portanto em-
inclusive os esporos. Deve-se salientar que a tempe- purra este para baixo, até que sai da câmara, e atra-
ratura precisa permanecer constante por todo esse vés de correntes de convecção, retira todo o ar dos
tempo, evitando-se abrir a porta da estufa antes de interstícios dos materiais colocados na câmara. Ao
vencer o tempo. condensar-se, reduz de volume, surgindo assim áreas
de pressão negativa, que atraem novas quantidades
5.4- Esterilização pelo calor úmido
de vapor. Desse modo, as disposições dos materiais a
Podemos usar o calor das seguintes formas: serem esterilizados dentro da autoclave devem obe-
• Fervura decer a certas regras, formando espaços entre eles e
Foi um método correntemente usado na prática facilitando o escoamento do ar e vapor, tendo-se em
diária, mas não oferece uma esterilização completa, mente a analogia com o escoamento de água de um
pois a temperatura máxima que pode atingir é 100oC reservatório, evitando assim a formação de ¨bolsões¨
ao nível do mar, e sabemos que os esporos, e alguns de ar seco (onde agiria apenas o calor seco, insufici-
vírus, como o da hepatite, resistem a essa temperatu- ente para esterilizar nas temperaturas atingidas habi-
ra, alguns até por 45 h. Por outro lado, a temperatura tualmente pelo autoclave.
de ebulição varia com a altitude do lugar. A quantidade efetiva de água sob a forma de
• Cuidados na esterilização pela fervura vapor dentro da câmara de pressão pode ser reduzi-
a) Devem-se eliminar as bolhas, pois estas protegem da, de modo que, ao retirar-se os objetos esterilizados,
as bactérias - no interior da bolha impera o calor estes estejam quase secos.

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A ação combinada de temperatura, pressão e temperatura relativamente baixa, penetra em substân-


da umidade são suficientes para uma esterilização rá- cias porosas, não corroe ou danifica materiais, age
pida, de modo que vapor saturado a 750 mmHg e tem- rapidamente, removível rapidamente.
peratura de 121ºC são suficientes para destruir os
esporos mais resistentes, em 30 minutos. Essa é a 5.7- Esterilização pelo óxido de etileno
combinação mais usada, servindo para todos os obje- Autorizado pelo Ministério da Saúde como agen-
tos que não estragam com a umidade e temperatura te químico para esterilização, portaria 930/1992. Ne-
alta como panos meios bacteriológicos, soluções sali- cessita de três unidades: aparelho de autoclave com-
nas, instrumentais (não os de corte), agulhas, serin- binado, gás e vapor; aparelho de comando que vai
gas, vidraria (não as de precisão ) etc. misturar o gás, e o freon na concentração pré-estabe-
Usando-se vapor saturado a 1150 mmHg e 128º lecida e o aparelho aerador
C, o tempo cai para 6 minutos, podendo se assim evi-
tar a ação destruidora do calor sobre panos e borra- 5.7.1- Condições
cha. Existem quatro condições que são primordiais
Em casos de emergência, usamos durante 2 e que guardam relação entre si para que o óxido de
minutos a temperatura de 132ºC e 1400 mmHg. etileno se torne um agente esterilizante:
Para testar a eficiência da esterilização em a) Tempo - o tempo de exposição ao gás varia de
autoclave lançamos mão de indicadores, que pode ser acordo com a temperatura do aparelho,
tintas que mudam de cor quando submetidas a deter- b) Temperatura - Geralmente utiliza a temperatura de
minada temperatura durante certo tempo, ou tiras de 55oC e a exposição em 2 horas. Em temperaturas
papel com esporos bacterianos, que são cultivados em mais baixas necessitamos de exposições maiores
caldos após serem retirados do autoclave. e vice-versa.
Como exemplo citamos tubinho contendo ácido c) Umidade relativa - usa de 20 a 40%,
benzóico mais eosina, que tem ponto de fusão de 121ºC. d) Concentração do gás - usa a concentração de 450
Anidrido ftalico mais verde metila tem ponto de fusão mg/L de espaço da câmara esterilizadora. Por ser
de 132ºC. Ácido salicilico mais violeta de genciana altamente inflamável quando puro, usamos mistu-
tem ponto de fusão de 156ºC. rar com dióxido de carbono (90%) ou freon (80%).

5.5- Bioindicadores 5.7.2- Técnica


Podemos usar ampolas contendo 2 ml de caldo a) Preparo do material - deverão estar completamen-
de cultura com açúcares mais um indicador de pH e te limpos e secos. O material que os empacota deve
esporos de bacilo Stearo thermophilus (espécie não ser permeável, flexível e forte para agüentar a
patogênica), esporo estes que morrem quando sub- manipulação normal do processo de esterilização.
metidos a 121ºC por 15 minutos. Incuba-se por 24 a Usar fitas adesivas para identificação e indicado-
48 horas a 55ºC, e se a esterilização foi suficiente a res de óxido de etileno dentro dos pacotes.
cor violeta não se altera. b) Não sobrecarregar o esterilizador para evitar
Podemos também usar cadarços embebidos bolsões isoladores e também o rompimento e aber-
com suspensão salina de cultura de Bacilo subtilis (em tura dos pacotes durante o aumento de pressão da
esporulação acentuada) colocados no interior de um câmara.
campo cirúrgico dobrado, que será colocado no cen- c) Aeração - o objetivo é ventilar para remover o gás
tro dos pacotes, caixas ou tambores. Findo o prazo de contido no material esterilizado e sendo execu-
esterilização, o cadarço é enviado para cultura no la- tado a 50ºC, o tempo varia de acordo com o tipo de
boratório. (o Bacilo subtilis não é patogênico e é um material, assim:
dos mais resistentes ao calor) - Borracha e material plástico fino = 6 horas
- Borracha e material plástico grosso = 24 horas
5.6- Éter cíclico - Óxido de etileno - Marca passos internos = 4 dias
É um gás incolor, inflamável, tóxico, altamente - Luvas, cateteres e outros materiais em invólu-
reativo, é completamente solúvel em água, álcool, éter cros de plásticos = 7 dias
e muitos solventes orgânicos, borracha, couro e plás- - Qualquer tubo de cirurgia cardíaca = 7 dias
ticos. É bactericida esporicida e virucida. Eficaz em

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Assepsia e antissepsia técnicas de esterilização Medicina (Ribeirão Preto) 2008; 41 (3): 265-73.
Moriya T, Módena JLP http://www.fmrp.usp.br/revista

5.7.3- Vantagens: Radiações não ionizantes: (raios ultravioleta,


- É bactericida, esporocida e virucida ondas curtas e raios infravermelhos) devido a sua bai-
- Agente esterilizante em temperatura relativa- xa eficiência está vetado o seu uso pelo Ministério da
mente baixa Saúde desde 1992.
- Facilmente removível Filtração é usada como controle ambiental, cri-
- Fácil de obter, armazenar e manusear ando áreas limpas e áreas estéreis, podendo inclusi-
- Penetra em qualquer material permeável e ve lançar utilizar se do fluxo laminar.
poroso 5.10- Aldeído
- Esteriliza uma grande variedade de instrumen-
tos e equipamentos sem danificar a maioria Agente químico autorizado pelo Ministério da
Saúde, (portaria 930/1992) .
- É método simples, eficaz econômico e seguro Glutaraldeido a 2%, associada a um antioxidante,
- O material esterilizado pode ser estocado por por 8 a 12 horas, é usado para esterilizar material de
período prolongado acrílica, cateteres, drenos, nylon, silicone, teflon, pvc,
laringoscópicos e outros)
5.7.4- Desvantagens Formaldeído, usado tanto na forma líquida ou
Necessita de controle cuidadoso da concentra- gasosa por 18 horas.
ção de gás, temperatura e umidade. Paraformaldeído, as pastilhas tem ação esteri-
A aparelhagem é cara e requer supervisão lizante na concentração de 3 gramas por 100 centí-
técnica especializada. metros cúbico de volume do recipiente onde o mate-
O gás etileno possui efeito tóxico. rial é esterilizado por um período de 4 horas a 50°C.
O processo é demorado. 5.11- Outros, Ácido peracético
A utilização do aparelho é limitada a estabele-
cimentos grandes. Ácido peracético, usado como desinfetante e
esterilizante para cateteres (portaria 15 de 23 de agosto
5.8- Flambagem de 1988 do Ministério da Saúde), tem a vantagem que
O Ministério da Saúde, através da portaria 930 ao se decompor origina ácido acético, água, oxigênio
de 27 de agosto de 1992, relaciona a flambagem como e peróxido de hidrogênio. Em altas concentrações, o
meio possível de esterilização nas laboratórios de ácido peracético, tem odor pungente e riscos de ex-
microbiologia para a manipulação de material biológi- plosão e incêndio. O mecanismo de ação é desnatura-
co ou transferencia de massa bacteriana pela alça ção protéica, perda da permeabilidade da membrana
bacteriológica e para a esterilização de agulhas, na celular e oxidam o radical sulfidril e súlfur das proteí-
vacina de BCG intradérmico. nas, enzimas e outro metabólitos.
O peróxido de hidrogênio é um agente químico
5.9- Radiação esterilizante tanto na sua forma líquida, gasosa e plas-
A radiação é uma alternativa na esterilização ma, inativa bactérias, vírus, bacilos da tuberculose,
de artigos termossensíveis, (seringa de plástico, agu- fungos e alguns esporos. É um agente altamente
lha hipodérmicas, luvas, fios cirúrgicos), por atuar em oxidante, tóxico, irritante em relação à pele e aos olhos.
baixas temperaturas, é um método disponível em es- Age produzindo radicais hidroxilas livres que atacam
cala industrial devido aos elevados custos de implan- a membrana lípidica do DNA e outros elementos da
tação e controle. célula microbiana.
Radiações ionizantes: (raios beta, gama, (co- Novas tecnologias vêm complementar os pro-
balto), X, alfa ). Tem boa penetrabilidade nos materi- cessos físicos existentes, mas nunca a substituir e, em
ais mesmos já empacotados o que justifica a sal co- todas elas, a eficácia da esterilização fica comprome-
modidade. tida na presença de sujidade nos materiais processa-
dos.

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Medicina (Ribeirão Preto) 2008; 41 (3): 265-73. Assepsia e antissepsia técnicas de esterilização
http://www.fmrp.usp.br/revista Moriya T, Módena JLP

Moriya T, Módena JLP. Asepsy and antisepsy: technics of sterilization. Medicina (Ribeirão Preto). 2008; 41 (3):
265-73.

ABSTRACT: The hospital is considered a virtual place for contamination. The technics of
asepsis or antisepsis and sterilization are of extreme importance to reduce the risks of infection.
In this work the main antiseptics and technics of sterilization are presented.

Keywords: Asepsis. Antisepsis. Sterilization/Technics. Infection.

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