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COMUNICAÇÃO E LINGUAGEM

A comunicação se estabeleceu como uma das mais importantes atividades realizadas


todos os dias. Os meios de comunicação (tv, rádio, jornal, revista, entre outros) são
fundamentais para que possamos participar da sociedade globalizada, mas não são nossos
principais canais de comunicação, pois representam apenas uma pequena parcela da enorme
lista de atos de comunicação que realizamos, desde o “bom dia”, ao acordar, até o “boa noite”,
antes de nos deitarmos. Assim, comunicar-se é uma necessidade básica do homem, é pela
comunicação que aprendemos a ser parte de uma sociedade, que adquirimos os padrões
sociais; ela é o canal pelo qual a cultura, nosso mundo de conhecimentos, é transmitida.

A comunicação no curso de Engenharia é tão importante quanto uma formação


acadêmica e técnica na especialidade de seu curso. Há pesquisas que apontam que os
engenheiros gastam 80% de seu tempo com atividades relacionadas à comunicação oral e/ou
escrita. Um engenheiro expede ordens para seus subordinados, realiza projetos, elabora
relatórios, prepara manuais de utilização de produtos e divulga seus trabalhos em congressos,
seminários e revistas especializadas. Assim, um bom domínio das habilidades de ler e escrever
podem ser favoráveis a um bom desempenho profissional.

Um profissional competente sabe utilizar os seus conhecimentos específicos, mas


também sabe se expressar, comunicando, eficientemente, idéias e resultados de seu trabalho.
Um profissional competente não apenas tem uma boa idéia, mas a coloca em prática e a
divulga.

Até bem poucos anos, a língua era considerada um código, um mero instrumento de
comunicação e o processo de comunicação era representado por alguns elementos que
deveriam ser respeitados para que ela fosse mais eficaz. A seguir representamos graficamente
esses elementos e explicamos seu funcionamento.

Processo de Comunicação
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Código Canal de comunicação

Emissor Mensagem Receptor

Ruídos

Emissor – aquele que envia a mensagem;


Receptor – aquele que recebe e decodifica a mensagem;
Mensagem – assunto a ser transmitido;
Canal de comunicação – o meio de transmissão (uma folha de papel, uma placa, um e-mail);
Código – a linguagem que deve ser entendida pelo emissor e pelo receptor;
Ruídos – interferências que dificultam uma comunicação eficaz.

Neste momento atual, não deixamos de considerar o processo de comunicação


apresentado anteriormente, no entanto passou-se a considerar a mensagem de uma maneira
mais ampla – como texto - a língua, por sua vez, passou a ser considerada lugar de interação.
Dessa forma, a responsabilidade pela compreensão do texto deve ser compartilhada pelo
EU/TU. São também considerados o contexto de produção (tempo, espaço, relação
interpessoal entre os interlocutores), a intenção do autor e os diferentes efeitos de sentido que
podem ser percebidos pelo leitor.

Autor
Texto

Leitor

Veja a tira abaixo e reflita sobre a pergunta:


3

Qual a diferença entre linguagem, língua e fala?

Há diferenças entre linguagem, língua e fala?

O termo linguagem deve ser entendido como a faculdade mental que distingue os
humanos de outras espécies animais e possibilita nossos modos específicos de pensamento,
conhecimento e interação com os semelhantes. É a capacidade específica à espécie humana
de se comunicar por meio de um sistema de signos. O termo linguagem tem uma conotação
bem mais abrangente do que língua. A linguagem se encontra relacionada a outros sistemas
simbólicos: sinais marítimos, imagens, expressões corporais.

A linguagem é composta de duas partes: a Língua, essencialmente social porque é


convencionada por determinada comunidade lingüística; e a Fala, que é secundária e
individual, ou seja, é veículo de transmissão da Língua, usada pelos falantes através da
fonação e da articulação vocal.

A língua é, então, entendida como forma de realização da linguagem; como sistema


lingüístico necessário ao exercício da linguagem na interlocução ou como instrumento do qual
a linguagem se utiliza na comunicação.

Apesar de a língua ser um sistema de signos específicos aos membros de uma mesma
comunidade, no interior de uma mesma língua são importantes às variações. Dentro de uma
mesma língua temos, então, diversas modalidades: língua familiar; língua técnica, língua
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erudita, língua popular, língua própria a certas classes sociais, a certos subgrupos, em que se
enquadram os diferentes tipos de gíria.

A fala, por sua vez, é um fenômeno físico e concreto. Para os receptores (ouvintes) a
fala é, com efeito, um fenômeno fonético; a articulação da voz dá origem a um segmento
fonético audível imediatamente a título de pura sensação.

Fica evidente que o desenvolvimento humano e o avanço das civilizações dependem do


progresso alcançado, acima de tudo, da evolução dos meios de receber comunicação e de se
comunicar, de registrar o conhecimento e do desenvolvimento da escrita e fonética. O homem
necessita comunicar para progredir, quanto mais avançada for à capacidade de comunicação
de um conjunto de indivíduos mais rápida será a sua progressão. E a linguagem é uma
ferramenta capaz de traduzir, fotografar o estágio de desenvolvimento da humanidade.

Prática:

Comente a frase: “Uma pessoa que não articula em termos de linguagem, de discurso
próprio, torna-se incapaz de pensar, de refletir. Com isso, perde a condição de instalar-
se na sociedade.”

1. Comente a frase: Homem algum é uma ilha, completa em si mesma.

Texto:
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UM PROBLEMA DE COMUNICAÇÃO
Num determinado país, regido pelo regime socialista, havia um efetivo favorável à
natalidade.Por necessidade de mão-de-obra, criaram uma lei que obrigava os casais a terem
determinado número de filhos.Previra também uma tolerância de cinco anos, que consistia no
fato de que para os casais que completassem cinco anos de casamento sem terem pelo menos
um filho, o governo destacaria um agente para auxiliar o casal.
Assim tivemos o seguinte fato, em que Mário e a esposa dialogavam:
MULHER: Querido, hoje completamos o 5º aniversário de casamento!
MARIDO: É, e infelizmente não tivemos um herdeiro.
MULHER: Será que eles vão enviar o tal agente?
MARIDO: Eu não sei.
MULHER: E se ele vier?
MARIDO: Bem... eu não tenho nada a fazer.
MULHER: E eu menos ainda.
MARIDO: Vou sair, pois já estou atrasado para o trabalho.

Após a saída do marido, batem à porta. A mulher a abre e encontra um homem a sua
frente, era um fotógrafo que se enganara de endereço.

HOMEM: Bom dia, eu sou...


MULHER: Já sei ... pode entrar.
HOMEM: Seu marido está em casa?
MULHER:, Não, ele foi trabalhar.
HOMEM: Presumo que ele esteja a par ...
MULHER: Sim, ele está a par e também concorda.
HOMEM: Ótimo, então vamos começar?
MULHER: Mas já? Assim tão rápido?
HOMEM: Preciso ser breve, pois ainda tenho mais seis casais para visitar.
MULHER: Puxa, e o senhor agüenta?
HOMEM: Sim, agüento, pois gosto do meu trabalho. Ele me dá muito prazer.
MULHER: Então, como vamos fazer?
HOMEM: Permita-me sugerir, uma no quarto, duas no tapete, duas no sofá, uma no corredor,
duas na cozinha e a última no banheiro.
MULHER: Nossa ... não é muito?
HOMEM: Minha senhora, nem o melhor artista de nossa profissão consegue na primeira
tentativa. Numa dessas a gente acerta bem na mosca.
MULHER: O senhor já visitou alguma casa neste bairro?
HOMEM: Não, mas tenho comigo algumas amostras dos meus últimos trabalhos. Veja!
(Mostrando fotos de crianças.) não são lindas?
MULHER: Como são belos estes bebês; o senhor mesmo que fez?
HOMEM: Sim. Veja este aqui. Foi conseguido na porta de um supermercado.
MULHER: Nossa ... não lhe parece um tanto público?
HOMEM: Sim, mas a mãe era artista de cinema e queria publicidade.
MULHER: Eu não teria coragem de fazer isto.
HOMEM: Essa aqui foi em cima de um ônibus.
MULHER: Que horror ...
HOMEM: E foi um dos serviços mais duros que já fiz.
MULHER: Eu imagino.
HOMEM: Veja este, foi conseguido num parque de diversões em pleno inverno.
MULHER: Credo ... como o senhor conseguiu?
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HOMEM: Não foi fácil; se não bastasse a neve caindo, tinha uma multidão em cima de nós. Eu
quase que não consigo acabar.
MULHER: Ainda bem que eu sou discreta, espero que ninguém nos veja.
HOMEM: Ótimo, eu também prefiro assim. Agora se me der licença eu vou amar o tripé.
MULHER:Tripé? Para quê?
HOMEM: Bem madame, é necessário. O meu aparelho além de pesado, depois de pronto para
funcionar, mede mais de um metro.

A mulher desmaiou.

Prática:

Reflita sobre os problemas que pode nos proporcionar uma comunicação ineficaz.

VARIAÇÃO LINGÜÍSTICA

A língua não é usada de modo homogêneo por todos os seus falantes. O uso de uma
língua varia de época para época, de região para região, de classe social para classe
social, e assim por diante. Nem individualmente podemos afirmar que o uso seja
uniforme. Dependendo da situação, uma mesma pessoa pode usar diferentes variedades
de uma só forma da língua.

Ao trabalhar com o conceito de variação lingüística, estamos pretendendo demonstrar:

• que a língua portuguesa, como todas as línguas do mundo, não se apresenta de


maneira uniforme em todo o território brasileiro;
• que a variação lingüística manifesta-se em todos os níveis de funcionamento da
linguagem ;

• que a variação da língua se dá em função do emissor e em função do receptor ;


• que diversos fatores, como região, faixa etária, classe social e profissão, são
responsáveis pela variação da língua;
• que não há hierarquia entre os usos variados da língua, assim como não há uso
lingüisticamente melhor que outro. Em uma mesma comunidade lingüística, portanto,
coexistem usos diferentes, não existindo um padrão de linguagem que possa ser considerado
superior. O que determina a escolha de tal ou tal variedade é a situação concreta de
comunicação.
• que a possibilidade de variação da língua expressa a variedade cultural existente em
qualquer grupo.

Níveis de variação lingüística

É importante observar que o processo de variação ocorre em todos os níveis de funcionamento


da linguagem, sendo mais perceptível na pronúncia e no vocabulário. Esse fenômeno da
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variação se torna mais complexo porque os níveis não se apresentam de maneira estanque,
eles se superpõem.

Nível fonológico - por exemplo, o l final de sílaba é pronunciado como consoante pelos
gaúchos, enquanto em quase todo o restante do Brasil é vocalizado, ou seja, pronunciado
como um u; o r caipira; o s chiado do carioca.

Nível morfo-sintático - muitas vezes, por analogia, por exemplo, algumas pessoas conjugam
verbos irregulares como se fossem regulares: "manteu" em vez de "manteve", "ansio" em vez
de "anseio"; certos segmentos sociais não realizam a concordância entre sujeito e verbo, e isto
ocorre com mais freqüência se o sujeito está posposto ao verbo. Há ainda variedade em
termos de regência: "eu lhe vi" ao invés de "eu o vi".

Nível vocabular - algumas palavras são empregadas em um sentido específico de acordo com
a localidade. Exemplos: em Portugal diz-se "miúdo", ao passo que no Brasil usa-se " moleque",
"garoto", "menino", "guri"; as gírias são, tipicamente, um processo de variação vocabular.

Tipos de variação lingüística

Existem dois tipos de variedades lingüísticas: os dialetos (variedades que ocorrem em


função das pessoas que utilizam a língua, ou seja, os emissores); os registros ( variedades
que ocorrem em função do uso que se faz da língua, as quais dependem do receptor, da
mensagem e da situação).

• Variação Dialetal

Cada pessoa traz em si uma série de características que se traduzem no seu modo de se
expressar: a região onde nasceu, o meio social em que foi criada e/ou em que vive, a profissão
que exerce, a sua faixa etária, o seu nível de escolaridade.

Os exemplos a seguir ilustram esses diferentes tipos de variação.

• a região onde nasceu (variação regional) - aipim, mandioca, macaxeira (para designar
a mesma raiz); tu e você (alternância do pronome de tratamento e da forma verbal que o
acompanha); vogais pretônicas abertas em algumas regiões do Nordeste; o s chiado carioca e
o s sibilado mineiro;
• o meio social em que foi criada e/ou em que vive; o nível de escolaridade (no caso
brasileiro, essas variações estão normalmente inter-relacionadas (variação social) :
substituição do l por r (crube, pranta, prástico); eliminação do d no gerúndio
(correndo/correno); troca do a pelo o (saltar do ônibus/soltar do ônibus);
• a profissão que exerce (variação profissional): linguagem médica (ter um infarto /
fazer um infarto); jargão policial ( elemento / pessoa; viatura / camburão);
• a faixa etária (variação etária) : irado, sinistro (termos usados pelos jovens para
elogiar, com conotação positiva, e pelos mais velhos, com conotação negativa).

Pelos exemplos apresentados, podemos concluir que há dialetos de dimensão territorial, social,
profissional, de idade, de sexo, histórica.

• Variação de Registro
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O segundo tipo de variedade que as línguas podem apresentar diz respeito ao uso que se faz
da língua em função da situação em que o usuário e o interlocutor estão envolvidos.

Para se fazer entender, qualquer pessoa precisa estar em sintonia com o seu interlocutor e
isto é facilmente observável na maneira como nos dirigimos, por exemplo, a uma criança, a um
colega de trabalho, a uma autoridade. Escolhemos palavras, modos de dizer, para cada uma
dessas situações. Tentar adaptar a própria linguagem à do interlocutor já é realizar um ato de
comunicação. Pode-se dizer que o nível da linguagem deve se adaptar à situação.

As variações de registro podem ser de três tipos: modalidade, sintonia e grau de


formalismo. Cada tipo não aparece isolado, eles se correlacionam.

Modalidade: A expressão lingüística pode se realizar em diferentes modalidades: a escrita e


a falada . Vale a pena lembrar algumas diferenças: na língua falada, há entre falante e ouvinte
um intercâmbio direto, o que não ocorre com a língua escrita, na qual a comunicação se faz
geralmente na ausência de um dos participantes; na fala, as marcas de planejamento do texto
não aparecem, porque a produção e a execução se dão de forma simultânea, por isto o texto
oral é pontilhado de pausas, interrupções, retomadas, correções, etc.; isto não se observa na
escrita, porque o texto se apresenta acabado, houve um tempo para a sua elaboração.

Na fala
• somos mais espontâneos, não planejamos com antecedência o que vamos falar, a não
ser em situações muito formais ou delicadas;
• temos apoio da situação física, do contexto, do conhecimento do interlocutor, das
expressões faciais, dos gestos, das pausas, das modulações da voz, das referências do
ambiente;
• podemos repetir informações, explicar algum item mal compreendido, podemos resolver
dúvidas do ouvinte;
• usamos frases mais simples, conjunções facilmente compreendidas;
• é muito comum surgirem na fala truncamentos, cortes, repetições, titubeios e problemas
de concordância. Pensamos muito rapidamente e a expressão das nossas idéias pode
ser, na fala, um pouco atrapalhada, pois podemos, a cada momento, corrigir e explicar
melhor;
• usamos expressões dialetais com mais freqüência.

Na escrita
• planejamos cuidadosamente o nosso texto para assegurar que o leitor compreenda
nossas idéias sem precisar de mais explicações, pois não temos o apoio do contexto,
ou seja, não podemos resolver dúvidas imediatamente, não dispomos de recursos como
gestos, voz, expressões faciais;
• revisamos para avaliar o funcionamento do texto e evitar repetições desnecessárias de
palavras, truncamentos, problemas de concordância, regência, colocação pronominal,
pontuação, ortografia;
• utilizamos sintaxe mais complexa, que permite a exatidão e a clareza do pensamento;
• procuramos utilizar um vocabulário mais exato e preciso, pois temos tempo de procurar
a palavra adequada;
• evitamos gíria e expressões coloquiais, principalmente quando o texto é formal.
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Sintonia: Deve ser entendida como o ajustamento que o falante realiza na estruturação de
seus textos, a partir de informações que tem sobre o seu interlocutor. Por exemplo:

• diferente grau de intimidade entre interlocutores;


• conhecimentos que o falante supõe que o seu ouvinte tem a respeito de um
determinado assunto que será o objeto da comunicação;

Grau de formalismo: No seu dia-a-dia, o usuário da língua entra em contacto com diferentes
interlocutores e em diferentes situações sociais. Para garantir maior eficácia nessa interação,
precisa estar atento ao grau de formalismo de sua linguagem. O grau de formalismo se
manifesta em diferentes níveis de construção do enunciado:

• no vocabulário:

"Quero te pedir um grande favor." (mais informal)


"Venho solicitar a V.S. a concessão de auxílio-doença." (mais
formal)

• na sintaxe: Dê-me um cigarro ... Me dá um cigarro.

Ex.:
Tanto a fala como a escrita podem variar quanto ao grau de formalidade.
Há uma gradação que vai da fala mais descontraída
Oi, tá tudo bem?
à fala mais formal, planejada e próxima da escrita
Caros ouvintes. Boa tarde!
e da escrita mais informal
Tô chegando aí. Deixa o parabéns pra mais tarde!
à mais formal
Chegaremos ao local da cerimônia com um pequeno atraso em relação à
programação anteriormente estabelecida. Solicitamos que as atividades sejam adiadas
por alguns minutos.

Comparem e analisem os dois textos a seguir:


Te cuida, Paizão
Eu sei que a vida não tá fácil. A gente só ouve falar em stress... Você diz pra gente que a vida
corre mansa... que no seu tempo era diferente. Sabe, esse papo às vezes enche! Mas te vendo
cansado e fazendo tudo pra agradar, é que a gente sente quanto te ama. Por isso, velho,
manera. Um uisquinho de vez em quando, vai lá... Vê se consegue mudar um pouco sua
alimentação, pega leve nas frituras, diminui o açúcar. Faz como a mamãe que se amarra num
diet. Você fala pra tomar cuidado com os excessos. E quando é que você vai se tocar disso?
Hoje não tem presente. Mas o que tá rolando é papo de amigo, sem essa de dinheiro. Pai, a
sua saúde é superimportante pra gente. Você vive dizendo que pensa no meu futuro. Só que
eu também penso no seu.

Em 8 de julho de 1886, apenas sete meses depois da projeção inaugural dos filmes dos
irmãos Lumière em Paris, o Rio de Janeiro assiste à primeira sessão de cinema no Brasil. No
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ano seguinte, Paschoal Segreto e José Roberto Cunha Salles abrem a primeira sala exclusiva
de cinema na rua do Ouvidor. É Afonso Segreto quem roda o primeiro filme brasileiro, em
1898, com cenas da baía de Guanabara. Várias salas de exibição são abertas no Rio de
Janeiro e em São Paulo no início do século XX. O período de 1908 a 1912 é considerado a
belle époque do cinema brasileiro. Surge um centro de produção no Rio, e, com ele, histórias
policiais, comédias e filmes com atores interpretando a voz atrás da tela. Nos anos seguintes, a
produção cai por causa da concorrência dos filmes norte-americanos.

Almanaque Abril 2000, p. 294 (com adaptações)

ATIVIDADE 1: Analise os seguintes textos:

Ilmo. Sr.
José Scheider

Prezado Senhor:

Venho, por meio desta, comunicar a V.S. que o pedido de transferência de seu curso para o
turno da manhã foi deferido.
Por favor, entre em contato com a Secretaria do Colégio.

Atenciosamente,

Miguel Mendes
Diretor do Colégio São Carlos

E-mail:

José,
Um cara da Secretaria avisou q vc tem que passar lá p/ resolver a transferência. T+
Bjs
Ana

Recado para: José


De: Secretaria do Colégio

Passar na Secretaria
Assunto: transferência
Ligaram às 4 e meia mais ou menos

a) Perceba que, apesar de o assunto ser o mesmo, o nível de formalidade é bastante distinto.
Qual seria o mais formal? Qual o menos formal?

b) O destinatário de todos os textos também é o mesmo. Por que, então, o nível de formalidade
é diferente?

c) Quem poderia ser o emissor do comunicado 3, por exemplo?


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ATIVIDADE 2. A lista abaixo relaciona algumas das formas que podem ser empregadas em
nossa língua para se despedir de alguém. Leia-a:

a) Até amanhã.
b) Despeço-me mui atenciosamente.
c) Beijinhos, então.
d) Boa noite.
e) Tchau, cara.
f) Té mais.
g) (um aperto de mão)
h) (um beijo no rosto)

- Descrevam as situações comunicativas em que se poderiam usar cada uma dessas


despedidas.
- Quem poderia ser o interlocutor possível das formas “e” e “f”?
- A forma “b” é própria do registro oral ou escrito?
- Citem outras maneiras possíveis de despedir-se, tanto em registro formal como informal.
Descrevam as situações em que são geralmente empregadas.

EM SÍNTESE:
Por que as pessoas se comunicam de formas diferentes? Temos que considerar
múltiplos fatores: época, região geográfica, ambiente e status sócio-cultural dos falantes.
Há uma língua-padrão? O modelo de língua-padrão é uma decorrência dos parâmetros
utilizados pelo grupo social mais culto. Às vezes, a mesma pessoa, dependendo do meio em
que se encontra, da situação sócio-cultural dos indivíduos com quem se comunica, usará níveis
diferentes de língua.
Dentro desse critério, podemos reconhecer, num primeiro momento, dois tipos de
língua: a falada e a escrita.

culta
coloquial
A língua falada pode ser vulgar ou inculta
regional
gíria
grupal
técnica

língua-padrão
A língua coloquial
escrita não-literária vulgar ou inculta
pode ser regional
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gíria
grupal técnica
literária

1. Língua falada

1.1.Língua culta é a língua falada pelas pessoas de instrução, niveladas pela escola. Obedece
à gramática da língua-padrão. É mais restrita, pois constitui privilégio e conquista cultural de um
número reduzido de falantes.

Temos conhecimento de que alguns casos de delinqüência juvenil no mundo hodierno


decorrem da violência que se projeta, através dos meios de comunicação, com programas que
enfatizam a guerra, o roubo e a venalidade.

1.2.Língua coloquial é a língua espontânea, usada para satisfazer as necessidades vitais do


falante sem muita preocupação com as formas lingüísticas. É a língua cotidiana, que comete
pequenos – mas perdoáveis – deslizes gramaticais.

Cadê o livro que te emprestei? Me devolve em seguida, tá?

1.3. Língua vulgar ou inculta é própria das pessoas sem instrução. É natural, colorida,
expressiva, livre de convenções sociais. É mais palpável, porque envolve o mundo das coisas.
Infringe totalmente as convenções gramaticais.

Nóis ouvimo falá do pogama da televisão.

1.4. Língua Regional está circunscrita a regiões geográficas, caracterizando-se pelo acento
lingüístico, que é a soma das qualidades físicas do som (altura, timbre,intensidade). Tem um
patrimônio vocabular próprio, típico de cada região.

A la pucha, tchê! O índio está mais por fora do que cusco em procissão – o negócio
hoje é a tal da comunicação, seu guasca!

1.5. Língua grupal é uma língua hermética, porque pertence a grupos fechados.
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Ela pode ser técnica aprendida junto com a profissão. Assim, teremos tantas quantas
forem as ciências e as profissões.
A Língua grupal pode ser ainda gíria, existindo tantas quantos forem os grupos
fechados. Há a gíria policial, a dos jovens, dos estudantes, dos militares, dos jornalistas, etc.
Quando a gíria é grosseira, recebe o nome de calão.
Exs.:
O materialismo dialético rejeita o empirismo idealista e considera que as premissas do
empirismo materialista são justas no essencial.

O negócio agora é comunicação, e comunicação o cara aprende com material vivo,


descolando um papo legal. Morou?

2. Língua Escrita

2.1. A Língua não-literária apresenta as mesmas características das variantes da língua falada
tais como língua-padrão, coloquial, inculta ou vulgar, regional, grupal, incluindo a gíria e a
técnica e tem as mesmas finalidades e registros, conforme exemplificado abaixo:

2.1.1. Língua padrão é aquela que obedece a todos os parâmetros gramaticais.

O problema que constitui objeto da presente obra põe-se, com evidente principalidade,
diante de quem quer que enfrente o estudo filosófico ou o estudo só científico do
conhecimento. Porém não é mais do que um breve capítulo de gnoseologia. (Pontes de
Miranda)

2.1.2. Língua coloquial

Maria,
Me faz um favor: vai ao banco pra mim.

2.1.3.Língua Vulgar ou Inculta

assucar
basora
qejo
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ajaques (Trecho de lista de compras)

2.1.4. Língua regional

Deu-lhe com a boleadeira nos cascos, e o índio correu mais que cusco em procissão.

Observação:
Quando redigimos um texto, não devemos mudar o registro, a não ser que o estilo
permita, ou seja, se estamos dissertando – e, nesse tipo de redação, usa-se geralmente,
a língua-padrão – não podemos passar desse nível para um outro, como a gíria, por
exemplo.

2.2. A Língua Literária é o instrumento utilizado pelos escritores. Principalmente, a partir do


modernismo, eles cometeram certas infrações gramaticais que, de modo algum, se confundem
com os erros observados nos leigos. Enquanto nestes as incorreções acontecem por
ignorância da norma, naqueles as mesmas ocorrem por imposição da estilística.
Macunaíma ficou muito contrariado. Maginou, maginou e disse pra velha ...(Mário de
Andrade)

Exercícios
1. Observe as frases;
- Vossa senhoria poderia fazer o obséquio de me passar o feijão? (à mãe)
- Você poderia dar um jeitinho nos buracos de minha rua? (ao prefeito da cidade)
Analise as frases acima considerando o que aprendemos sobre os níveis de linguagem.

2. (UF-MG)
a) O professor chamou ele no quadro
O professor chamou-o ao quadro
b) Os menino tudo saiu.
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Todos os meninos saíram.


c) – Cumpadre, ce viu o trem que eu tirei do oio?
- Tchê, tu viste o que eu tirei do olho?
Esses pares de frases exemplificam o fenômeno da variação lingüística. Redija um parágrafo,
explicando a ocorrência desse fenômeno na língua.

3.. A fala da personagem do texto a seguir está no nível coloquial. Passe-a para a língua-
padrão.
- Escuta aqui, meu irmão, tem pelo menos 100 moleques que passam todo o dia aí na
rua querendo pegar esse emprego que eu te dei. Então você já viu: tô te fazendo um bruto
favor. Não precisa ficar toda a vida me agradecendo... Mas também não quero reclamação.
Não tá contente pode dar o fora. E já. Tá?

Querido José
Escrevo-te estas poucas linhas para recordar o passado entre nós dois, José desde aquêle dia
em que me encontrei com você na praça Tiradentes e depois você não veio mais falar comigo,
eu fiquei muito triste mas não deixei de pensar em ti, o amor que tenho por você nunca tive por
outro môço, só por você mesmo e se não fizer vida junto contigo eu não quero saber de mais
ninguém, porque eu só quis você na minha vida, pense um pouco em mim por favor, me
perdoe por tudo o que eu te fiz, mas foi sem querer, e se não fizer vida junto contigo eu não
quero saber de mais ninguém, porque eu só quis você na minha vida, pense um pouco em mim
por favor, me perdoe por tudo o que eu te fiz, mas foi sem querer, e eu peço que venha falar
comigo, que daí nós se acertamos, eu quero ser feliz com você, é triste a gente andar como
cigana, jogada de um canto a outro, estarei morta para o teu coração? já esquecestes de mim
por outra? espero que não, pois ainda te amo, a todo momento vejo tua imagem querida como
se estivesse de guarda no espelho, não se faça de rogado José, eu também não estou muito
boa, estive com dor de garganta, te espero sem falta, não seja assim ingrato, sendo você um
coração de pedra não sabe corresponder a êste amor desprezado, não se engane êste
coração fraco de uma coitada que tanto sofre no mundo, sinto-me triste e aborrecida, era assim
que dizias que me querias bem, mas não parece José, desde aquêle dia estou sozinha,
apanhei do outro na cara mas graças a Deus êle se retirou da minha vida, José a traição que te
fiz você poderá perdoar me, hoje eu sei que se vivesse num castelo nada disso me agradava,
quero ficar ao teu lado para ser um pouco feliz, não tenho sossêgo longe de você nem durmo
de tão desgraçada, José esta carta é cheia de erros mas é uma carta de amor, sou tua na
expressão da verdade
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Maria

P. S. Tenho certeza que desculpas a minha letra, bem sabes que sou quase analfabeta. A
mesma.
Desastres de Amor - Dalton Trevisan

Responda às questões abaixo que foram retirados do vestibular do Mackenzie.

4. A linguagem do texto denota que a personagem


a) comete erros em função de seu estado emocional, embora domine a norma culta e a
modalidade escrita da língua.
b) tem consciência de que comete falhas gramaticais, já que associa seu quase analfabetismo
à caligrafia.
c) tem domínio da modalidade escrita da língua, haja vista o uso do pronome tu, mais
adequado ao conteúdo emotivo da carta.
d) utiliza, conscientemente, registros que se opõem à norma culta, com o propósito de se fazer
entender pelo namorado.
e) usa expressões que sugerem a percepção de que a modalidade escrita difere da
modalidade falada, apesar de não dominar a norma culta.

5. No contexto da carta, o uso de certas expressões como Escrevo-te estas poucas linhas,
estarei morta para teu coração?, sou tua na expressão da verdade, A mesma sugere que
a personagem
a) utiliza a linguagem acadêmica, típica das cartas de amor, para dissimular seus sentimentos.
b) utiliza clichês, acreditando estar usando linguagem culta adequada ao gênero epistolar.
c) usa linguagem terna e carinhosa para enganar o namorado.
d) quer aproximar a língua escrita da língua falada.
e) escreve de forma irônica a fim de ridicularizar José.
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6. (UNICSUL) Após a leitura do texto acima, você deverá colocar-se na posição de José e
elaborar uma carta-resposta em 1º pessoa. Deixe clara a postura de José: ele aceita as
desculpas e a perdoa, ou não?
Obs.: A linguagem feminina está presa à norma popular, à linguagem oral. Você, ao
responder a carta, deverá usar a norma culta da Língua Portuguesa.
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Amor de professor de geografia

Era uma vez um professor de geografia que escreveu a seguinte carta para a namorada:

Meu amor,
A saudade que sinto de teu perfil suave como a serra! Mas não sei chorar. Minhas
lágrimas são lençóis cativos nas camadas mais profundas de meu ser – e eu não posso, não
choro, não sei chorar. Mesmo que essa alternância de gelo e degelo, longe de ti, venha
fragmentando gravemente a rocha de meus nervos. Penso em ti. Profundamente em ti. És de
uma ternura transparente como a formação cristalina. És bela como uma floresta de cedros
intactos. Doce como a luz do dia estendida sobre as dunas muito brancas. Alta e misteriosa
como as agulhas esguias que existem da Islândia. Estas em todas minhas direções como as
rosas-dos-ventos.
Mando-te uma montanha de beijos.
(Campos, Paulo Mendes. Revista Manchete, 8 de abril de 1972

7. A partir do texto acima, produzir o seu com a perspectiva e o vocabulário de sua área de
atuação, como engenheiro.
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