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ORGANIZAÇÃO E GERENCIAMENTO DA MANUTENÇÃO - 1

2 - VALDIR CARDOSO DE SOUZA

Prefácio

A gestão da manutenção vem ganhando um destaque cada vez maior no


meio industrial face à sua importância na obtenção dos resultados corporativos
planejados. Nas últimas décadas tem-se quebrado diversos paradigmas, o que
vem provocando profundas mudanças culturais relativas às práticas e à
organização da função manutenção. Pode-se afirmar que, hoje é função essencial
da manutenção manter o processo produtivo operando, sem interrupções não
planejadas, garantindo a máxima eficiência operacional e com isto contribuir
diretamente para o aumento da produtividade, com consequente melhoria da
competitividade. Faz parte do passado, pensar que a manutenção tem como
função tão somente consertar equipamentos quando estes apresentam falhas ou
panes, mas sim deve-se entender que a manutenção tem como função principal
garantir o funcionamento adequado destes equipamentos sem interrupções da
produção, parando somente quando planejado.
Sendo o assunto de grande relevância, é importante que se tenha um texto
que possa dar suporte ao aprimoramento do conhecimento e indicar mudanças
de práticas a profissionais que já atuam na área e também, focar a formação
adequada de futuros profissionais para atuarem nesta área. É importante que
estes futuros profissionais entendam claramente a importância da manutenção,
que estejam preparados para grandes desafios e que tenham sempre claro o papel
da gestão da manutenção.
O autor tem uma grande experiência profissional, aliada a uma excelente
formação acadêmica, o que permitiu que o este livro tenha uma formatação impar
na literatura e que certamente em muito contribuirá para o desenvolvimento do
conhecimento nesta área.
Sem dúvidas o Prof. Valdir Cardoso de Souza conseguiu criar um texto com
conteúdo, bem organizado e com exemplos que retratam a sua vivência em
manutenção e que representam a realidade industrial contemporânea.

Prof. Dr. Alexandre Augusto Massote


Diretor do Depto de Engenharia de Produção da FEI
ORGANIZAÇÃO E GERENCIAMENTO DA MANUTENÇÃO - 3

SUMÁRIO

1. Introdução e Apresentação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 11

2. Evolução das Técnicas de Manutenção . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 15


2.1. Origem da Manutenção . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 19
2.2. A Manutenção Corretiva . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 21
2.3. A Manutenção Preventiva . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 22
2.4. A Manutenção Preditiva . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 35
2.5. Formas de atuação da Manutenção . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 44
2.6. Exercícios . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 53

3. O Mantenedor . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 57
3.1. O profissional de manutenção . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 54
3.2. Perfil do profissional . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 57
3.3. Perspectiva de carreira . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 64

4. Arquivo Técnico da Manutenção . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 67


4.1. Codificação dos equipamentos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 69
4.2. Equipamentos reserva . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 75
4.3. Estabelecimento de prioridades nos serviços . . . . . . . . . . . . . . . . . 77
4.4. Exercícios . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 82

5. Metodologias de Organização da Manutenção . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 85


5.1. Manutenção Produtiva Total . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 88
5.2. Confiabilidade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 105
5.3. Exercícios . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 116
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6. Ciclo Gerencial da Manutenção . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 119


6.1. Origem dos Serviços de Manutenção . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 122
6.2. Planejamento dos trabalhos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 124
6.3. Planejamento por Pert-CPM . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 132
6.4. Programação dos trabalhos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 139
6.5. Execução dos trabalhos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 142
6.6. Controle técnico operacional . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 145
6.7. Formação do histórico dos equipamentos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 149
6.8. Exercícios . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 151

7. Gerenciamento Informatizado . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 177


7.1. Sistemas Informatizados de Manutenção . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 182
7.2. Contribuição da microinformática no gerenciamento . . . . . . . . . 208
7.3. Metodologia de implantação de sistemas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 210
7.4. Avaliação de Sistemas de Manutenção . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 213
7.5. Auditoria de um Sistemas de Manutenção . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 219

8. Gerência e Engenharia de Manutenção . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 227


8.1. Gerenciamento dos ativos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 231
8.2. Relatórios gerenciais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 234
8.3. Gestão do Potencial Humano . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 238
8.4. Gerenciamento dos custos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 245
8.5. Índices de Manutenção . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 249

Conclusão . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 257

Glossário Técnico de Manutenção . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 259

Bibliografia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 263
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Capítulo 1

Introdução e Apresentação

Nesta 4ª edição do livro Organização e Gerência da Manutenção,


procurei atualizar alguns conceitos através de exemplos tomados no “dia a
dia” da manutenção em várias empresas, corrigir alguns erros gramaticais e
ainda incluir uma série de novos exercícios de planejamento bem como a
solução de outros, para facilitar a utilização do livro por professores
universitários nos cursos de Engenharia de Produção, Mecânica, Elétrica e nos
cursos de Tecnologia.
Durante muito tempo as indústrias funcionaram com o sistema de
manutenção corretiva e acredita-se que uma boa parte destas empresas, nem
manutenção corretiva tem, vive ainda na era do “quebra e conserta”. Com isso,
ocorrem desperdícios, retrabalhos, perda de tempo, custos excessivos e de
esforços humanos, além de prejuízos financeiros indiretos para a nação. Na
economia globalizada dos dias de hoje, a sobrevivência das organizações
depende de sua habilidade e rapidez de inovar e efetuar melhorias contínuas.
Como resultado, as organizações vêm buscando incessantemente novas
ferramentas de gerenciamento e organização, que as direcionem para uma
maior competitividade através da qualidade, confiabilidade e produtividade.
Uma dessas bases de organização na manutenção está o poder de
planejamentos das atividades, a busca do “zero defeito” e o tempo de máquina
parada igual a zero, considero esta, a principal justificativa para o
investimento em atividade de planejamento no departamento de manutenção.
Buscamos elevar área de manutenção que era considerada como um
Centro de Custos para um Centro de Negócios. No passado, os aspectos mais
conhecidos da manutenção caracterizavam-se como sendo de serviços
repetitivos e de rotina, pura troca de peças, pouca técnica, improvisações e
emergências. Contudo, devido à sua elevada influência nas perdas e custos de
paradas de máquinas, durante a produção, por causas gerenciais e técnicas.
Equipamentos parados em picos de produção programada ou perda de
produção decorrente de manutenção inadequada podem significar perdas de
clientes para a concorrência, além de afetar a qualidade.
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Diante deste quadro, a manutenção reverte seu passado e atualmente é


considerada fator de qualidade e produtividade, enfim, de um Centro de
Negócios com competitividade.
O histórico da manutenção acompanha o desenvolvimento técnico-
industrial, até a primeira Guerra Mundial - 1914 - a manutenção tinha
importância secundária e era executada pelo próprio pessoal que operava os
equipamentos. A partir de então, com o aumento da demanda de
equipamentos bélicos e a implantação da produção em série, instituída por
Ford, as fábricas passaram a estabelecer programas mínimos de produção e,
em conseqüência, sentiram necessidade de criar equipes que pudessem
efetuar reparos em suas máquinas e instalações no menor tempo possível.
Assim surgiu um órgão subordinado à operação, cujo objetivo básico era de
corrigir as falhas e tornar os equipamentos aptos à operação, era a execução
da manutenção, hoje conhecida como corretiva.
A partir da década de 30, quando, durante a segunda Guerra Mundial e
da necessidade de aumento de rapidez de produção, a alta administração
industrial passou a se preocupar, não só em corrigir as falhas, mas evitar que
elas ocorressem, e o pessoal técnico de manutenção passou a desenvolver o
processo de prevenção das falhas que, juntamente com a correção,
complementavam o quadro geral de manutenção, formando uma estrutura
tão importante quanto a estrutura de operação.
Com o desenvolvimento da indústria do pós-guerra, a evolução da
aviação comercial e da indústria eletrônica, observou-se a necessidade de
diagnosticar as falhas e selecionaram equipes de especialistas para compor
um órgão de assessoramento à produção que se chamou "Engenharia de
Manutenção". Esta recebeu os encargos de planejar, programar e controlar as
atividade de manutenção preventiva e analisar causas e efeitos das avarias.
A evolução dos métodos e meios de inspeção, nos anos sessenta,
proporcionou a Engenharia de Manutenção o desenvolvimento de critérios e
técnicas de predição ou previsão de falhas, visando a otimização da atuação
das equipes de execução de manutenção. Com isso tem-se o aparecimento de
uma nova técnica de manutenção, chamada Manutenção Preditiva, isto é, a
ação só ocorre quando os sintomas indicarem a proximidade da ocorrência de
falhas, é como se a Manutenção tivesse uma bola de cristal e em uma predição
do futuro, fosse capaz de determinar com precisão quantitativa da data da
falha.
O avanço exorbitante da tecnologia nos equipamentos, as exigências de
especializações e pós-graduações dos profissionais e as exigências de
qualidade, produtividade e ganhos de competitividade econômica
internacional adicionando os fatores caracterizados pela redução de custos e
aumento da confiabilidade e disponibilidade dos equipamentos. A função
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manutenção, realmente deixou de ser considerada um Centro de Custos,


sendo agora posicionada como um Centro de Negócios, com características de
gerador de Lucros para empresas nos países do chamado Primeiro Mundo.
Entramos na era da Qualidade Total, da Manutenção Proativa, da
Proatividade Profissional, da Nanotecnologia e da Terotecnologia, da
Manutenção Produtiva Total, Manutenção Baseada na Confiabilidade ou
Centrada na Confiabilidade, na Gestão do Meio Ambiente e da Gestão
Participativa, disponibilidade, mantenabilidade, confiabilidade, é a
Engenharia de Manutenção ganhando um espaço nunca antes conseguido,
ocupando uma posição privilegiada no primeiro escalão das empresas.