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Sistema Financeiro Nacional

• Órgão normativos: determinam regras gerais para o bom funcionamento do


Sistema Financeiro Nacional (SFN). São eles: Conselho Monetário Nacional (CMN),
Conselho Nacional de Seguros Privados (CNSP) e Conselho Nacional de Previdência
Complementar (CNPC).

• Entidades supervisoras: Estão subordinadas aos órgãos normativos e atuam de


modo que os cidadãos e os integrantes do sistema financeiro sigam as regras definidas
pelos órgãos normativos. São elas: Banco Central do Brasil (BACEN), Comissão de
Valores Mobiliários (CVM), Superintendência de Seguros Privados (Susep) e
Superintendência de Previdência Complementar (Previc).

• Operadores: Estão subordinados às entidades supervisoras e lidam com o


público no papel de intermediário financeiro. São eles: Bancos e caixas econômicas,
cooperativas de crédito, instituições de pagamento, administradoras de consórcios,
corretoras e distribuidoras, bolsa de valores, bolsa de mercadorias e futuros,
seguradoras e resseguradoras, entidades abertas de previdência, sociedades de
capitalização e entidades fechadas de previdência complementar (fundos de pensão).

• O agente superavitário é aquele cuja renda excede suas despesas, isso quer
dizer que ele tem dinheiro para suprir todas as suas necessidades, e ainda fica com
capital sobrando.

• O agente deficitário é aquele cuja renda não cobre suas despesas. Eles têm
necessidades que não permitem que sobre dinheiro. Por isso a necessidade de buscar
recursos junto a uma Instituição Financeira.

• CMN: formula a política de controle da moeda no SFN e incentiva (ou não)


mecanismos de incentivo ao consumo de bens e serviços, prática também conhecida
como política de crédito ou financiamento. Objetiva gerar um ambiente de estabilidade
monetária que permita o desenvolvimento do país.

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• CNSP: acompanha a evolução do mercado segurador nacional, não só
estabelecendo as normas, mas também observando a evolução dos indicadores de
risco e a ocorrência de incidentes cobertos pelos contratos de seguros, permitindo a
modernização deste serviço.

• CNPC: Além de ser um órgão normativo, se atenta sobre a influência dos reflexos
econômicos e movimentos da gestão dos planos de previdência complementar no
montante de recursos acumulados pelos clientes para assim modernizar a legislação e
resguardar os planos futuros de aposentadoria.

• Os bancos múltiplos são instituições privadas ou públicas que captam recursos


e os repassam as empresas, famílias e governos e prestam serviços. Podem operar as
seguintes carteiras: comerciais, de investimento, de desenvolvimento, de crédito
imobiliário, de arrendamento mercantil, financiamento e investimentos.

• Os bancos comerciais, que também podem ser privados ou públicos, oferecem


recursos para financiar, em curto e médio prazo, para indústria, comércio, serviços e
pessoas físicas e podem captar depósitos à vista e a prazo.

• Os bancos de investimento, que são instituições privadas especializadas em


operações de participação societária, financiamento de atividade produtiva para
suprimento de capital fixo e de giro e administração de recursos de terceiros.

• Os bancos de desenvolvimento são controlados pelos governos estaduais e têm


o objetivo de proporcionar recursos necessários para financiamento de programas e
projetos que promovam o desenvolvimento econômico e social dos estados.

• As cooperativas de crédito são um tipo de instituição que pode surgir da


associação de funcionários de uma empresa, de profissionais de um segmento, de
empresários ou da admissão livre e espontânea de outros tipos de associados. Os
lucros das operações de empréstimos são repartidos entre os associados.

• Seguros, previdência e capitalização são consideradas parte do sistema


financeiro porque promovem a formação de poupança por parte dos agentes
econômicos. Os recursos captados por esses intermediadores são aplicados em

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investimentos específicos, dado que muitas vezes é necessário fazer frente ao
compromisso de seus clientes.

• As bolsas de valores, mercadorias e futuros atuam na intermediação de


recursos do mercado de capitais (ações, opções, direitos, títulos, debêntures, notas
promissórias) e contratos de derivativos.

• As sociedades corretoras de títulos e valores mobiliários são instituições


autorizadas a negociar valores mobiliários e derivativos no mercado de negociações
(pregão).

• Em 2009, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e o Banco Central permitiram


que as sociedades distribuidoras de títulos e valores mobiliários atuassem no
mercado de negociações (pregão).

• O BACEN (Banco Central da República do Brasil) é a entidade supervisora do SFN


e obedece às diretrizes estabelecidas pelo Conselho Monetário Nacional, sendo
responsável pela supervisão das entidades financeiras, bancos de câmbio e outras
instituições financeiras intermediárias.

• O BACEN é uma autarquia vinculada ao Ministério da Economia e é o principal


órgão executivo do Sistema Financeiro Nacional. Sua diretoria colegiada é composta
de Presidente e 8 Diretores (9 membros), todos nomeados pelo Presidente da
República e aprovados pelo Senado.

• Compete ao BACEN cumprir e fazer cumprir as disposições que lhe são atribuídas
pela legislação em vigor e as normas expedidas pelo Conselho Monetário Nacional.

• Dentre as principais atribuições do BACEN está: autorizar o funcionamento e


fiscalizar as Instituições Financeiras, punindo-as se for o caso; emitir moeda-papel e
moeda metálica; controlar o crédito e o fluxo de capitais estrangeiros; executar a
política monetária e cambial.

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• A SUSEP é o órgão responsável pelo controle e fiscalização dos mercados de
seguro, previdência privada aberta, capitalização e resseguro. Trata-se de uma
autarquia federal vinculada ao Ministério da Economia.

• A SUSEP é uma entidade supervisora, devendo sempre respeitar as diretrizes do


órgão normativo CNSP (Conselho Nacional de Seguros Privados).

• A Superintendência Nacional de Previdência Complementar (Previc) é uma


entidade governamental autônoma estabelecida na forma de autarquia especial ligada
ao Ministério da Economia. Objetiva fiscalizar as entidades fechadas de previdência
complementar e realizar políticas para o regime de previdência complementar.

• Os bancos comerciais (BC) são sociedades anônimas que possuem como


objetivo promover o encontro entre os agentes superavitários e deficitários, além de
realizar operações financeiras de curto prazo e criar moeda através de débitos e
empréstimos.

• Entre as atividades realizadas pelos BC destacam-se as concessões de


empréstimos, operações de crédito, pagamento de cheques, transferência de recursos
e ordens de pagamento, aluguel de cofres e custódia de valores, pagamento de tarifas
públicas, entre outros.

• Os bancos comerciais são constituídos em forma de sociedade anônima e sua


principal fonte de recursos são os depósitos à vista, utilizados para conceder crédito
para consumidores e empresas.

• Os BC são intermediários financeiros que captam recursos de credores e os


distribuem através do crédito para devedores. O objetivo principal é proporcionar
suprimento de recursos necessários para financiar, a curto e a médios prazos: o
comércio, a indústria, as empresas prestadoras de serviços, as pessoas físicas e
terceiros em geral;

• Os bancos múltiplos são Instituições Financeiras (IF) privadas ou públicas que


realizam as operações ativas, passivas e assessórias das diversas IF, por intermédio das

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seguintes carteiras: comercial, de investimento e/ou de desenvolvimento, de crédito
imobiliário, de arrendamento mercantil e de crédito, financiamento e investimento.

• As operações realizadas pelos bancos múltiplos estão sujeitas às mesmas


normas legais e regulamentares aplicáveis às instituições singulares correspondentes
às suas carteiras. A carteira de desenvolvimento somente poderá ser operada por
banco público.

• O banco múltiplo deve ser constituído com, no mínimo, duas carteiras, sendo
uma delas, obrigatoriamente, comercial ou de investimento, e ser organizado sob a
forma de S.A. As instituições com carteira comercial podem captar depósitos à vista.

• Os bancos múltiplos são instituições financeiras privadas ou públicas que


realizam as operações ativas, passivas e acessórias das diversas instituições financeiras.

• As operações dos bancos múltiplos incluem as seguintes carteiras: comercial,


investimento e/ou de desenvolvimento, crédito imobiliário, arrendamento mercantil e
de crédito (leasing), financiamento e investimento (financeiras).

• Os bancos de investimentos são IF privadas especializadas em operações de


participação societária de caráter temporário, de financiamento da atividade produtiva
para suprimento de capital fixo e de giro e de administração de recursos de terceiros.

• Os bancos de investimentos devem ser constituídos sob a forma de S.A. Não


possuem contas correntes e captam recursos via depósitos a prazo, repasses de
recursos externos, internos e venda de cotas de fundos de investimento por eles
administrados.

• As principais operações ativas são financiamento de capital de giro e capital fixo,


subscrição ou aquisição de títulos e valores mobiliários, depósitos interfinanceiros e
repasses de empréstimos externos. Isto ocorre, dado que os bancos de investimentos
são instituições criadas para conceder créditos de médio e longo prazo para as
empresas.

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• Os bancos de desenvolvimento são instituições financeiras controladas pelos
governos estaduais, e têm como objetivo precípuo proporcionar o suprimento de
recursos necessários ao financiamento de médio e a longo prazos, atendendo projetos
que visem a promover o desenvolvimento econômico e social do respectivo Estado.

• O BNDES é o principal instrumento de execução da política de investimento do


Governo Federal e tem por objetivo primordial apoiar programas, projetos, obras e
serviços que se relacionem com o desenvolvimento econômico e social do País.

• As atividades do BNDES são supervisionadas diretamente pelo Ministério da


Economia. O Governo Federal atua também como regulador das atividades do BNDES,
por meio, principalmente, do Ministério da Economia. O BNDES exercita suas
atividades, visando a estimular a iniciativa privada, sem prejuízo de apoio a
empreendimentos de interesse nacional a cargo do setor público.

• A Bolsa de valores é o local onde se negociam títulos e valores mobiliários.


Exemplo: Ações, que é a menor parcela do capital de uma empresa. A B3 opera um
elenco completo de negócios com ações, derivativos, commodities, balcão e operações
estruturadas.

• As negociações se dão em pregão eletrônico e via internet, com facilidades de


homebroker (sistema oferecido por diversas companhias para conectar seus usuários
ao pregão eletrônico no mercado de capitais).

• A B3 – Câmara de Ações tem por objeto compensar, liquidar e controlar o risco


das obrigações decorrentes de operações à vista e de liquidação futura com qualquer
espécie de valores mobiliários, títulos, direitos e ativos realizadas na Bolsa de Valores
de São Paulo S.A. (B3), em outras bolsas ou outros mercados. É uma clearing house.

• É negociado na B3: ações, derivativos (opções, futuro e termo), CRI, CRA,


debentures, letras financeiras, fundo imobiliário, fundo de participações, fundo de
direitos creditórios, ETF.

• Originada pela fusão entre a BM&FBOVESPA e a Cetip, a B3 é a companhia de


infraestrutura de mercado financeiro. Antes da fusão ela era a bolsa de valores e

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responsável pela provisão de sistemas para a negociação de ações, derivativos de
ações, títulos de renda fixa, títulos públicos federais, derivativos financeiros, moedas à
vista e commodities agropecuárias.

• As corretoras de títulos e valores mobiliários (CTVM) e as distribuidoras de


títulos e valores mobiliários (DTVM) atuam nos mercados financeiros e de capitais, e
no mercado cambial intermediando a negociação de títulos e valores mobiliários entre
investidores e tomadores de recursos.

• As corretoras e as distribuidoras devem ser constituídas sob a forma de


sociedade anônima ou por quotas de responsabilidade limitada. Objetivam dar maior
liquidez e segurança ao mercado acionário.

• As Sociedades Distribuidoras de títulos e valores mobiliários são constituídas


sob a forma de S.A. ou por quotas de responsabilidade limitada e são supervisionadas
pelo Banco Central do Brasil.

• As CTVM oferecem os serviços de: consultoria financeira, financiamento para


compra de ações (conta margem), plataformas de investimento pela internet
(homebroker), clubes de investimentos, administração e custódia de títulos e valores
mobiliários dos clientes, intermediação de operações de Câmbio, administração de
fundos e clubes de Investimento.

• No Brasil a CBLC é responsável pela guarda, compensação e liquidação das


operações que ocorrem na B3, seja no mercado à vista ou nos mercados de derivativos.
A CBLC executa o controle de risco dos negociantes, evitando possíveis desequilíbrios
no mercado.

• A função básica de um sistema de pagamentos é transferir recursos, bem como


processar e liquidar pagamentos para pessoas, empresas, governo, Banco Central e
instituições financeiras.

• O Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB) é o conjunto de procedimentos,


regras, instrumentos e operações integradas que, por meio eletrônico, dão suporte à
movimentação financeira entre os diversos agentes econômicos do mercado brasileiro,

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tanto em moeda local quanto estrangeira visando a maior proteção contra rombos ou
quebra em cadeia de instituições financeiras.

• Clearing House ou câmara de compensação, identifica a parte de uma bolsa de


valores na qual as transações dos clientes são processadas e registradas. Ela é
responsável por assegurar que todas as transações sejam realizadas, eliminando o risco
de crédito.

• Uma Clearing é uma prestadora de serviços de compensação e liquidação de


ordens eletrônicas, de transferências de fundos e de outros ativos financeiros, e
principalmente de compensação e de liquidação de operações realizadas em bolsas de
mercadorias e de futuros e de compensação envolvendo operações com derivativos.

• O Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (Selic), do Banco Central do


Brasil, é um sistema informatizado que se destina à custódia de títulos escriturais de
emissão do Tesouro Nacional, bem como ao registro e à liquidação de operações com
esses títulos.

• Importante, a Instrução CVM No 387/03, que estabelece as normas e


procedimentos a serem observados nas operações realizadas com valores mobiliários,
informa no artigo 20, a competência das bolsas órgãos auxiliares da CVM, para
fiscalizar as atividades dos seus membros e baixar as normas complementares
necessárias à execução do disposto na referida Instrução. O fato das bolsas exercerem
esta atividade fiscalizadora é denominada de autorregularão.

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Mercado de Capitais

• Existem dois tipos de sociedades anônimas: a companhia aberta e a fechada:


✓ Nas Abertas há: negociação em bolsas de valores; divisão do capital entre
muitos sócios (pulverização); cumprimento de várias normas exigidas pelo
agente regulador (Bolsas de Valores e CVM).
✓ Nas Fechadas há: negociação no balcão das empresas, sem garantia;
concentração do capital na mão de poucos acionistas.

• As formas mais comuns de classificar as ações segundo a sua forma de circulação


são:
✓ Ações nominativas: são ações que têm o nome do acionista registrado no
Livro de Registro das Ações Nominativas. As transferências desse tipo de
ação ocorrem através da averbação do nome referenciado no registro
deste livro;
✓ Ações nominativas endossáveis: são ações em que apenas o nome do
primeiro endossante é registrado, sendo as transferências processadas por
endosso na própria cautela; e
✓ Ações escriturais: são ações sem emissão física, e o controle é realizado
por uma instituição depositária de títulos.

• Segundo a forma de participação societária, podem ser destacadas as seguintes


formas de circulação:
✓ Ações ordinárias (também conhecidas como Ação ON): são ações que
permitem o direito ao voto em assembleias gerais da companhia, além
disso, o acionista tem participação nos resultados da companhia. Os
acionistas ON geralmente têm prioridade na aquisição de novas ações
emitidas pela empresa; e
✓ Ações preferenciais (também conhecidas como Ação PN): são ações que
garantem prioridade na participação no resultado da empresa, como na
distribuição de dividendo e no reembolso de capital, no entanto, essa ação
não garante direito a voto.

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• É importante destacar que a empresa pode alterar a estrutura do capital social
através de diferentes operações, sem impactar nos direitos dos acionistas. São
exemplos:
✓ Agrupamentos: é uma operação na qual a empresa transforma um
determinado grupo de ações em uma única ação, não alterando o
patrimônio total dos acionistas;
✓ Bonificações: é uma operação na qual as reservas e resultados da
companhia são transformados em novas ações. Essa alteração não
representa um ganho aos acionistas;
✓ Desdobramentos: é uma operação que consiste na transformação de uma
ação em uma quantidade de outra, ou seja, dividir a ação em ações
menores. Esse procedimento não altera o patrimônio total dos acionistas;
e
✓ Subscrições: é uma operação na qual a empresa aumenta o seu capital
através da emissão de novas ações no mercado de ações.

• O valor de uma ação varia conforme a perspectiva de análise. As formas mais


comuns de atribuir um valor as ações são:
✓ Valor Contábil (também conhecido como valor nominal): é o valor da
ação registrado no Estatuto Social da companhia.
✓ Valor Intrínseco: é o valor da ação conforme a análise dos fundamentos
contábeis, financeiros e econômicos da empresa.
✓ Valor de Liquidação: é o valor da ação em caso de encerramento das
atividades da companhia.
✓ Valor de Mercado: é o valor da ação transacionado no mercado de ações,
valor formado pela dinâmica de oferta e procura pela ação nesse mercado.
✓ Valor Patrimonial: é o valor da ação conforme o patrimônio líquido da
empresa no exercício observado. Para achar esse valor basta dividir o
patrimônio líquido pela quantidade de ações distribuídas.
✓ Valor de Subscrição: é o valor da ação conforme o preço fixado no
momento de emissão de novas ações no mercado.

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• Acionista Controlador: Pessoa natural ou jurídica, ou grupo de pessoas
vinculadas por acordo de acionistas, que possui a maioria dos votos (Ações Ordinárias)
nas deliberações da assembleia geral e usa efetivamente seu poder para dirigir as
atividades sociais e orientar o funcionamento da companhia.

• O tag along é um mecanismo que visa dar mais garantia aos acionistas
minoritários, nos casos de mudança no controle da companhia.

Custo da Operação

• Corretagem: Custo pago para corretoras pelas operações executada.

• Emolumentos: Os emolumentos são cobrados pelas Bolsas por pregão em que


tenham ocorrido negócios por ordem do investidor. A taxa cobrada pela Bolsa é de
0,035% do valor financeiro da operação.

• Custódia: Uma espécie de tarifa de manutenção de conta, cobrada por algumas


corretoras.

Margem e garantias

Ações: não há necessidade de margem, pois a compra e a venda são realizadas de


forma efetiva no momento da negociação. A garantia é pela BM&FBovespa.

Opções

• Para o titular de Opções: O titular no Mercado de Opções está isento de prestar


garantias, pois o risco máximo que pode correr é ele não exercer sua posição e perder
o prêmio pago.

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• Para o Lançador de Opções: Somente das posições lançadoras é exigida a
prestação de garantias, e a finalidade da garantia é assegurar o cumprimento da
obrigação assumida.

• Lançador Coberto: Deposita os títulos relativos à opção.

• Lançador Descoberto: Deposita margem em dinheiro ou os mesmos ativos


aceitos no mercado a termo, conforme cálculo efetuado pela Clearing. A margem
depositada é o resultado da soma dos seguintes componentes: margem de prêmio
(prêmio de fechamento do dia) e margem de risco (maior prejuízo potencial projetado
para o dia seguinte).

Mercado a termo

• São exigidas de ambos os participantes:


✓ Vendedor: Cobertura, que é o depósito da totalidade dos títulos objeto da
operação; e
✓ Comprador: Margem, que é o depósito de numerário e/ou ativos
autorizados, em um valor estabelecido pela Bovespa e BM&FBovespa –
Câmara de Ações. A liquidação de uma operação a termo, no vencimento
do contrato ou antecipadamente, se assim o comprador o desejar, implica
a entrega dos títulos pelo vendedor e o pagamento do preço estipulado no
contrato pelo comprador.

Mercado Futuro

• Exige uma “Margem de Garantia” por parte do comprador e há a Possibilidade


de liquidação antes do prazo de vencimento.

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Quadro – Entrega de ativos
Mercado Tipo de Operação Dia de Liquidação
D+0***
Título de renda fixa privada À vista
D+1
À vista D+2
A termo D+n, o dia do vencimento
Ações
Futuro D+2, o dia do vencimento
Opções* e futuros** D+1
Fonte: Elaborado pelo autor.

• Day trade: Combinação de operação de compra e de venda realizadas por um


investidor com o mesmo título em um mesmo dia.

• Circuit breaker: Sempre que acionado, interrompe o pregão. Na Bovespa é


acionado sempre que o Índice Ibovespa atinge uma queda de 10% (30 minutos de
paralisação) e persistindo a queda, 15% (1 hora de paralisação).

• Blue chip: Em geral, ações de empresas tradicionais e de grande porte, com


grande liquidez e procura no mercado de ações.

• Home broker: É um moderno canal de relacionamento entre os investidores e


as sociedades corretoras, que torna ainda mais ágil e simples as negociações no
mercado acionário, permitindo o envio de ordens de compra e venda de ações pela
Internet, e possibilitando o acesso às cotações, o acompanhamento de carteiras de
ações, entre vários outros recursos.

• Lote-padrão: Lote de títulos de características idênticas e em quantidade


prefixada pelas bolsas de valores.

• After Market: permite a negociação de ações no período noturno, após o


horário regular, de forma eletrônica. A totalidade de ordens enviadas tem um limite de
R$ 100.000,00 por investidor para o período After-Market e os preços das ordens
enviadas nesse período não poderão exceder à variação máxima positiva ou negativa

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de 2% em relação ao preço de fechamento do pregão diurno. Funciona das 17h às
18h:15min.

• Pregão: O ambiente reservado para negociações de compra e venda de ações.


Atualmente quase as totalidades das transações ocorrem no pregão eletrônico,
ampliando o antigo conceito de espaço físico.

• O day trading consiste na compra e venda, ou venda e recompra de um mesmo


ativo financeiro (que pode se tratar de ações, derivativos, commodities ou moedas) no
mesmo dia, pelo mesmo especulador ou por meio de uma mesma sociedade corretora.

• Ao se utilizar da alavancagem financeira, através de recursos como margin


trading ou margin buying (uma forma de financiar as transações diárias), para
minimizar o peso dos custos de transação (como taxa de corretagem, emolumentos,
impostos etc) envolvidos, o daytrader também maximiza os riscos.

• Dividendos: Distribuição de parte do lucro aos seus acionistas. Por lei, as


empresas devem definir o dividendo pago aos acionistas em seu estatuto. Caso a
empresa opte por distribuir dividendos sobre o lucro líquido, o investidor que receber
esses dividendos estará livre da incidência de IR na fonte.

• Juros sobre o Capital Próprio: São proventos pagos em dinheiro como os


dividendos, a diferença que este não está livre de IR.

• Bonificações: Correspondem à distribuição de novas ações para os atuais


acionistas, em função do aumento do capital. Excepcionalmente pode ocorrer a
distribuição de bonificação em dinheiro.

• Subscrição: Direito aos acionistas de aquisição de ações por aumento de capital,


com preço e prazos determinados. Garante a possibilidade de o acionista manter a
mesma participação no capital total.

• Grupamento (Inplit): Reduz a quantidade de ações aumentando o valor de cada


ação.

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• Desdobramento (Split): Aumenta a quantidade de ações reduzindo o valor da
ação; (Objetivo: Maior liquidez).

Ibovespa

• Mais utilizado e mais importante índice brasileiro;

• Composto pelas ações de maior liquidez da bolsa de valores dos últimos 12


meses;

• A carteira é revista ao final de cada quadrimestre; (jan – abril; maio – ago; set –
dez);

• As ações para participarem do Ibovespa devem obrigatoriamente:


✓ Apresentar, em termos de volume, participação superior a 0,1% do total;
✓ Ter sido negociada em mais de 80% do total de pregões do período.

• IBrX: Assim como o Ibovespa, é composto pelas 100 empresas com o maior
número de operações e volume negociado na Bovespa nos últimos 12 meses.
O que o diferencia do Ibovespa é o fato do IBrX considerar apenas as ações disponíveis
no mercado, desconsiderando as ações em posse dos controladores.

• IBrX – 50: Adota os mesmos critérios do Índice IBrX, mas é composto apenas
pelas 50 ações de maior liquidez.

• FGV-100: Índice composto pelas 100 ações mais negociadas, excluindo as


estatais e bancos, ou seja, a carteira teórica é composta apenas por ações de empresas
privadas, levando se em consideração os critérios de qualidade da empresa e de
liquidez ou volume financeiro negociados em Bolsas de Valores.

• ISE – Índice de Sustentabilidade Empresarial: Ferramenta para análise


comparativa de performance das empresas listadas na BM&FBovespa sob o aspecto da
sustentabilidade corporativa, baseada na eficiência econômica, no equilíbrio
ambiental, na justiça social e na governança corporativa.

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• IGC – Índice de Ações com Governança Corporativa: Índice que mede o
desempenho de uma carteira teórica composta por ações de empresas comprometidas
com programas de governança corporativa. Calculado pela Bolsa de Valores de São
Paulo.

• Índice Mid-Large Cap – MLCX e Índice Small Cap – SMLL: têm por objetivo medir
o comportamento das empresas listadas na Bolsa de modo segmentado. O índice Mid
Large medirá o retorno de uma carteira composta pelas empresas listadas de maior
capitalização, e o índice Small Cap medirá o retorno de uma carteira composta por
empresas de menor capitalização.

• Índice de Energia Elétrica – IEE: Primeiro índice setorial da BM&FBOVESPA, o


Índice de Energia Elétrica (IEE) foi lançado em agosto de 1996 com o objetivo de medir
o desempenho do setor de energia elétrica. Dessa forma, constitui-se em um
instrumento que permite a avaliação da performance de carteiras especializadas nesse
setor.

• Agentes Underwriter: Bancos de Investimento, Bancos Múltiplos com carteira


de Investimento, Sociedade Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários (SDTVM) e
Sociedade Corretora de Títulos e Valores Mobiliários.

• Operação de Underwriting: A: decide captar recurso via emissão de ações _gt_


Agentes Underwriter: emite as ações no mercado primário _gt_ Mercado Primário:
acionistas compram ações no IPO _gt_ Bolsa de Valores: Ações passam a ser
negociadas no mercado secundário.

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Figura – Operação de Underwriting.

Fonte: Elaborado pelo autor.

• Uma oferta pública de distribuição de ações, cotas de fundos de investimento e


outros valores mobiliários é uma colocação, junto ao público, de determinado número
de ações de uma companhia, cotas de um fundo de investimento ou qualquer outro
valor mobiliário previsto na regulamentação do mercado de capitais.

• Oferta pública primária (Initial Public Offering – IPO): acontece quando é


realizada a emissão de novas ações/cotas de fundos de investimento que serão
ofertadas ao mercado, com ingresso de recursos no próprio emissor da oferta. Ou seja,
nesse caso a companhia está captando recursos.

• Oferta pública primária (Initial Public Offering – IPO) = Oferta pública inicial ou
Oferta pública primária.

• No mercado primário as transações acontecem entre a companhia e o


investidor. Já no mercado secundário as transações ocorrem entre dois investidores.

Figura – Mercado primário.

Fonte: Elaborado pelo autor.

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• Oferta pública secundária: acontece quando são ofertadas ações/cotas de
fundos de investimento já existentes, de modo que os recursos não serão aportados
na empresa/fundo, mas serão direcionados aos acionistas/cotistas vendedores.

Figura – Mercado secundário.

Fonte: Elaborado pelo autor.

• Papel do coordenador da oferta e demais instituições envolvidas: obrigações,


análise, tratamento das informações e responsabilidades.

• Underwriting Garantia Firme (Straight): subscrição em que a instituição


financeira subscreve integralmente a emissão para revendê-la posteriormente ao
público. Selecionando esta opção a empresa assegura a entrada de recursos. O risco
de mercado é do intermediário financeiro.

• Underwriting de Melhores Esforços (Best Efforts): Subscrição em que a


instituição financeira se compromete a realizar os melhores esforços para a colocação
junto ao mercado das sobras do lançamento.
Não há comprometimento por parte do intermediário para a colocação efetiva de
todas as ações. A empresa assume os riscos da aceitação ou não das ações lançadas
por parte do mercado.

• Bookbuilding: é a operação na qual o coordenador da oferta avalia, junto aos


investidores, a demanda pelos papéis que estão sendo ofertados. Baseado na avaliação
da empresa e das condições de mercado, o coordenador da oferta determina um
intervalo inicial para o preço de lançamento desses papéis.

18
• Debêntures e Notas Promissórias: captação de recursos de médio e longo prazo
para sociedades anônimas (S.A.) não financeiras de capital aberto. Não existe
padronização das características desse título.

Tipos de Debêntures (quanto a garantia):

• Garantia real: fornecida pela emissora pressupõe a obrigação de não alienar ou


onerar o bem registrado em garantia, tem preferência sobre outros credores, desde
que averbada no registro. É uma garantia forte;

• Garantia flutuante: assegura à debênture privilégio geral sobre o ativo da


companhia, mas não impede a negociação dos bens que compõem esse ativo. Ela
marca lugar na fila dos credores, e está na preferência, após as garantias reais, dos
encargos trabalhistas e dos impostos;

• Garantia quirografária: ou sem preferência, não oferece privilégio algum sobre


o ativo da emissora, concorrendo em igualdade de condições com os demais credores
quirografários (sem preferência), em caso de falência da companhia; e

• Garantia subordinada: na hipótese de liquidação da companhia, oferece


preferência de pagamento tão somente sobre o crédito de seus acionistas.

Tipos de Debêntures (quanto ao registro):

• Debênture Nominativa: é aquela onde há a emissão de certificado onde consta


o nome do titular, e há registro em livro próprio, sendo facultado à emissora contratar
a escrituração e guarda dos livros de registros da emissão e transferências.

• Debênture Escritural: é também nominativa, mas neste caso não há a emissão


de certificado e há a obrigação de contratação de instituição financeira responsável
(instituição depositária). As debêntures são mantidas em contas de depósito, em nome
de seus titulares.

19
Tipos de Debêntures (quanto ao recebimento pelo investidor):

• Simples: O resgate, ou amortização, se dá em moeda corrente. E não são


conversíveis ou permutável em ações.

• Conversível: Podem ser convertidas em ações da empresa emissora de acordo


com regras previstas na escritura da emissão.

• Permutável: podem ser convertidas em ações de outra empresa, que não a


companhia emissora, de acordo com as regras definidas na escritura de emissão.

Notas Promissórias (Commercial Paper)

• Notas promissórias podem ser emitidas por S.A Aberta e S.A Fechada. Ademais,
são vedadas as ofertas públicas de notas promissórias por instituições financeiras,
sociedades corretoras e distribuidoras de títulos e valores mobiliários e sociedades de
arrendamento mercantil.

• A nota promissória comercial não possui garantia real, por isso é um instrumento
para empresas com bom conceito de crédito.

• Sobre os prazos: o prazo mínimo é de 30 dias; o prazo máximo é de 180 dias para
S.A. de capital fechado e 360 dias para S.A. de capital aberto; possui uma data certa de
vencimento. A Rentabilidade pode ser Prefixada ou Pós-Fixada.

• Agente Fiduciário: A função do agente fiduciário é proteger o interesse dos


debenturistas exercendo uma fiscalização permanente e atenta, verificando se as
condições estabelecidas na escritura da debênture estão sendo cumpridas.

• Depositary Receipts (DRs): são títulos negociados em um país que têm como
lastro ações de uma empresa que está instalada fora deste país.

20
• American Depositary Receipts (ADRs): é um acrônimo para American Depositary
Receipt, são recibos de ações emitidos nos Estados Unidos para negociar as ações de
empresas de fora do país na Bolsa de Valores de Nova York.

• Brazilian Depositary Receipts (BDRs): a exemplo dos ADRs, os BDRs são títulos
negociados no Brasil que têm como lastro ações de uma empresa que está instalada
fora do Brasil.

• Um rating é uma nota que as agências internacionais de classificação de risco


de crédito atribuem a um emissor (país, empresa, banco) de acordo com sua
capacidade de pagar uma dívida. Serve para que investidores saibam o grau de risco
dos títulos de dívida que estão adquirindo.

• Em geral, são três grandes níveis: Grau de investimento (país seguro de


investir), Grau especulativo (risco de inadimplência), e Default (quando o país declara
moratória).

Tabela – Índices.
Símbolo Nome Valor índice

DJI Dow Jones Industrial Average, EUA 24.782,29

NQF Nasdaq, EUA 6.495,00

GSPC S_amp_P 500, EUA 2.684,57

N225 Nikkei 225, Japão 22.902,76

FTSE FTSE 100, Inglaterra 7.592,66


DAX Dax Performance-Index, Alemanha 13.075,42

SSEC Shanghai Composite, China 3,297.06

MXX IPC México 48.503,31

MERV MERVAL BUENOS AIRES, Argentina 28.480,71

Fonte: Elaborada pelo autor.

21
• Clube de Investimento é uma comunhão de recursos de pessoas físicas – de no
mínimo 3 e no máximo 50 participantes -, para aplicação em títulos e valores
mobiliários.

• O clube de investimento deve ser administrado por sociedade corretora,


sociedade distribuidora, banco de investimento ou banco múltiplo com carteira de
investimento, que é responsável pelo conjunto de atividades e de serviços relacionados
direta e indiretamente ao seu funcionamento e manutenção.

22
Mercado de Renda Fixa

• Os títulos de renda fixa são aqueles em que a forma de remuneração ou o


indicador ao qual está atrelado o investimento é fixado no momento da contratação
da operação.

• Podemos enquadrar na modalidade de renda fixa as operações da caderneta de


poupança, os títulos públicos, as debêntures, os fundos de investimentos, os CDBs,
entre outros.

• Os títulos de renda variável são aqueles em que a forma de remuneração ou o


indicador ao qual está atrelado o investimento não é conhecido no momento da
aplicação. Nesse tipo de investimento, o devedor não garante o retorno do capital
investido. Podemos enquadrar nessa modalidade as ações, as moedas estrangeiras etc.

• O Crédito Direto Bancário (CDB) é um título privado para a captação de recursos


de investidores pessoas físicas ou jurídicas, por parte dos bancos.

• Prefixado: uma taxa fixa é negociada entre o investidor e o banco e durante a


vigência daquele título. O investidor terá seu recurso corrigido diariamente de acordo
com a taxa estabelecida. Por exemplo, um CDB pré-fixado com taxa de 1% ao mês.

• Pós-fixado: nesse produto, a remuneração varia de acordo com outro índice


preestabelecido a ou de acordo com a variação do Certificado de Depósito
Interbancário (CDI). Nessa modalidade, o investidor também terá seu recurso corrigido
diariamente segundo a variação diária da taxa.

• São três os tipos de rentabilidade: prefixada; pós-Fixada e flutuante (CDI e Taxa


Selic).

• Prazos mínimos e indexadores: 1 dia: CDBs prefixados ou com taxa flutuante


(taxa DI e taxa Selic); 1 mês: indexados a TR ou TJLP; 2 meses: indexado a TBF; 1 ano:
indexado à índice de preços (IGPM e IPCA);

23
• Os CDBs não podem ser indexados à variação cambial. Para atrelar a
rentabilidade de um CDB à variação cambial é, necessário fazer um swap.

• Liquidez: O CDB pode ser negociado no mercado secundário e pode ser


resgatado antes do prazo final, caso o banco emissor concorde em resgatá-lo. No caso
de resgate antes do prazo final, devem ser respeitados os prazos mínimos.

• Garantias: Os CDBS estão cobertos pelo Fundo Garantidor de Crédito até o limite
de R$ 250.000,00 por CPF e conglomerado financeiro.

• Letra de Câmbio (LC): A letra de câmbio é uma espécie de título de crédito, ou


seja, também representa uma obrigação pecuniária, sendo desta autônoma.

• Letra de Crédito Imobiliário (LCI): é lastreado por créditos imobiliários


garantidos por hipoteca ou por alienação fiduciária de coisa imóvel, conferindo aos
seus tomadores direito de crédito pelo valor nominal, juros e, se for o caso, atualização
monetária nelas estipulados.

• Letra de Créditos do Agronegócio (LCA): Parecido com LCI, o que muda é o lastro
do papel. As Letras de Créditos do Agronegócio (LCA) são títulos emitidos por bancos
garantidos por empréstimos concedidos ao setor de agronegócio.

• Outra diferença é que só podem ser emitidos por bancos e cooperativas de


crédito.

• Letras Hipotecárias (LH): as Letras Hipotecárias são instrumentos de captação


de recursos emitidos por Instituições Financeiras autorizadas a conceder créditos
hipotecários, ou seja, Caixa Econômica Federal, Sociedade de Crédito Imobiliário,
Sociedade de Poupança e Empréstimo, entre outros.

• A Marcação a mercado (MaM) consiste em registrar todos os ativos, para efeito


de valorização e cálculo de cotas dos fundos de investimento, títulos e demais ativos;
pelos respectivos preços negociados no mercado em casos de ativos líquidos ou,
quando este preço não é observável, por uma estimativa adequada de preço que o
ativo teria em uma eventual negociação feita no mercado.

24
• Os títulos públicos federais são instrumentos financeiros de renda fixa emitidos
pelo Governo Federal para obtenção de recursos junto à sociedade, com o objetivo
primordial de: Financiar o déficit orçamentário, nele incluído o refinanciamento da
dívida pública, e realizar operações para fins específicos, definidos na Lei
Orçamentária, ou em seus créditos adicionais.

Quadro – Títulos públicos.


Nome Atual Nome Anterior Rentabilidade CUPOM
Tesouro Prefixado LTN Juros Prefixado Não
Tesouro Prefixado com Juros Semestrais NTN-F Juros Prefixado Sim
Tesouro Selic LFT Selic Não
Tesouro IPCA + Juros Semestrais NTN-B Juros + IPCA Sim
Tesouro IPCA NTN-B Principal Juros + IPCA Não
Fonte: Elaborado pelo autor.

• Sem Cupom: São títulos em que os juros são pagos apenas no vencimento do
título, junto com o seu principal.

• Com Cupom: São títulos que possuem pagamentos semestrais de juros.

Tesouro Direto

• O Tesouro Direto é um Programa do Tesouro Nacional desenvolvido em parceria


com a BMF&FBovespa para venda de títulos públicos federais para pessoas físicas, por
meio da internet. O objetivo é democratizar o acesso aos títulos públicos, ao permitir
aplicações com apenas R$ 30,00.

• O mercado primário é onde há a primeira negociação do título. Quando esse


título é revendido a um terceiro, esse título passa a ser negociado no mercado
secundário.

25
• O mercado secundário é onde as ações são negociadas entre terceiros, ou seja,
a empresa não participa do processo de venda da ação. É nesse mercado onde o
primeiro comprador revende a ação para outro investidor e assim por diante.

• Taxa de custódia: cobrada pela BM&FBOVESPA, equivalente a 0,25% ao ano


sobre o valor do título. Esta taxa é cobrada para a manutenção dos serviços de guarda
dos títulos, fornecimento de informações e movimentação do saldo.

• Taxa cobrada pela instituição financeira: Essa taxa varia de instituição para
instituição e pode ser cobrada anualmente ou por operação. Quando o valor das taxas
de toda a carteira ultrapassar R$ 10,00.

• Os impostos que incidem sobre as aplicações em tesouro direto são o IOF e o


imposto de renda. A alíquota do Imposto de renda depende do prazo de aplicação:
✓ 22,5% para aplicações com prazo de até 180 dias;
✓ 20% para aplicações com prazo de 181 dias até 360 dias;
✓ 17,5% para aplicações com prazo de 361 dias até 720 dias; e
✓ 15% para aplicações com prazo acima de 720 dias.

• O ágio é definido como um valor adicional cobrado nas operações financeiras,


pela instituição financeira para realizar as operações relacionadas a compra e venda de
títulos. Por outro lado, o deságio é observado quando um título é vendido por valor
inferior ao seu valor nominal;

• Cálculo do PU de um título Prefixado: o Preço Unitário (PU) é o resultado da


multiplicação da cotação vezes o Valor de Face. Na maioria dos títulos públicos
federais, o Valor de Face (Valor Nominal) é igual a R$ 1.000,00.

• Cotação: é o valor presente do fluxo do título, descontado pela taxa de juros


informada ou pelo prêmio de deságio. Para títulos sem cupom (zero cupom) como LTN
e LFT, basta trazer a valor presente o valor do vencimento.

• EXEMPLO: Qual é o PU de uma Tesouro Prefixado (LTN) (010107) que tem seu
Valor de Face igual a R$ 1.000,00 que foi resgatada antecipadamente em 31-03-05 a
LTN há 440 dias úteis do vencimento e com 19,00% de taxa de juros ao ano?

26
Quadro – Exemplo de cálculo de Preço Unitário (PU) na HP-12C.
Pressionar Objetivo Visor
F REG Limpar memória 0,00
1000 FV Introduz o valor futuro 1.000,00
440 Enter Introduz o prazo de liquidação 1.760
252 Divide
Tecla “N”
19 I Introduz a taxa 19,00
PV Solicita o valor do montante -738,06
Resultado Negativo representa saída de caixa
Fonte: Elaborado pelo autor.

Caderneta de poupança

É a aplicação mais popular e possui altíssima liquidez, porém com perda de


rentabilidade. Remunera sobre o menor saldo do período.

Rentabilidade: 6% ao ano + TR

• Mensal (pessoas físicas): TR + 0,5%;

• Trimestral (pessoas jurídicas): TR + 1,5%.

• A poupança passa a render 70% da Selic mais a TR, sempre que essa taxa básica
de juros estiver em 8,5% ao ano ou menos.

• Aplicações realizadas nos dias 29, 30 e 31 de cada mês, terão como data de
aniversário o dia 01 do mês subsequente.

• Aplicações são realizadas através de depósito em cheque, tem como data de


aniversário o dia do depósito e não o dia da sua compensação.

• Possuem cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) até o limite vigente,


atualmente de R$ 250.000,00.

27
Aplicações realizadas nos dias 29, 30 e 31 de cada mês, terão como data de aniversário
o dia 01 do mês subsequente.

Juros simples
Cálculo dos Juros Cálculo do Montante

J=Cxixt M = C x (1 + i x t)

Juros compostos
Cálculo dos Juros Cálculo do Montante

J=M–C M = C x (1 + i) t

Taxa proporcional

Calculada em regime de capitalização simples: Resolve-se apenas multiplicando ou


dividindo a taxa de juros.

Taxa equivalente
Cálculo de Taxa Equivalente

(1 + ia) = (1 + ip) n

28
Taxa nominal

Uma taxa de juros é definida como nominal quando o seu prazo difere da capitalização;
dessa forma, é possível notar que se trata de um valor aparente.

Taxa efetiva

Em situações em que a taxa de juro é calculada sobre o valor efetivamente emprestado


ou aplicado, define-se a taxa como efetiva.

Taxa real

A taxa de juros reais são os juros já com a inflação descontada.

Cálculo de Taxa Real


ir = (1 + ie) / (1 + if) – 1

A fórmula para a capitalização simples é a seguinte:

Em que FV é o valor futuro; PV é o valor presente, i é a taxa de juros e n é o prazo da


aplicação.

Regime de capitalização composta

29
Equivalência de taxas

Em regime de capitalização composta, como a capitalização ocorre em todos os


períodos, as taxas não são iguais. Para determinar a taxa anual de uma aplicação
mensal:

Para determinar a taxa mensal de uma aplicação anual

Valor presente

Valor futuro

Desconto Bancário e Comercial (ou por fora)

Valor presente com desconto simples

O valor presente de um desconto comercial pode ser obtido conforme segue:

30
Regime de capitalização contínuo

Nesse regime a capitalização ocorre de forma contínua.

Fórmula de Fisher

Série uniforme de pagamentos

Aplicação mensal

Uniformes antecipadas

31
Sequência uniforme de termos antecipados

Perpetuidade

O payback simples é encontrado dividindo o valor do investimento inicial (exemplo:


R$100.000) pelos fluxos de caixa (exemplo: R$35.000 a.a), da seguinte forma:

32
Considerando Valor Futuro igual a VF e Valor Presente igual a VP:

Portanto,

O Valor Presente Líquido do fluxo de caixa pode ser representado para esse caso da
seguinte maneira:

33
• Se a TIR> TMA, o investimento é viável economicamente, pois o retorno
gerado é maior que a taxa mínima de atratividade.

• se a TIR< TMA, o investimento não é viável economicamente, porque seu


retorno é menor que o mínimo desejado;

• se a TIR = TMA, o investimento está em uma zona de indiferença de retorno,


mas ainda é viável, pois gera o mínimo desejado, que é a taxa mínima de
atratividade.

34
Mercado de Derivativos

Tipos de Mercado

• Mercado à vista: onde são negociados a compra e venda dos títulos emitidos
pelas empresas negociadas nas bolsas de valores. Nesse mercado as operações de
compra e venda de ações são liquidadas em curtos períodos, no Brasil em até dois dias
úteis (até maio de 2019 o prazo era de três dias úteis).

• Mercado a termo: permite que os negociantes fixem o preço futuro dos ativos
negociados entre as duas partes. Nesse mercado os pagamentos são previamente
estipulados para uma data predeterminada através de um contrato chamado de
termo, que não é transferencial a um terceiro.

• Mercado futuro: se assemelha ao mercado a termo pois ambos determinam um


valor futuro para a liquidação de uma negociação, mas há diferenças relevantes. No
mercado futuro os preços dos contratos são cotados livremente, assim como no
mercado a vista, ou seja, a negociação não ocorre entre apenas duas partes. Portanto,
o mercado futuro permite que um investidor revenda o contrato para um terceiro,
diferente do mercado a termo.

35
Quadro – Ações.
Objeto de negociação Ações.
Tamanho do contrato Quantidade de ativos-objeto do termo, estabelecido
entre as partes, de acordo com os limites estabelecidos
pela B3.
As operações a termo podem ser liquidadas das
seguintes formas:
a) No vencimento: liquidação na data de vencimento do
contrato mediante pagamento pelo comprador do valor
de liquidação calculado com base no preço a termo e
entrega do ativo-objeto pelo vendedor.
b) Antecipada: o comprador do contrato poderá solicitar
a liquidação antecipada (parcial ou total) do contrato
mediante o pagamento do valor acordado no contrato a
termo, antes do vencimento da operação, sem
qualquer ônus ao vendedor, nos prazos dispostos a
seguir:
i. liquidação antecipada para o dia útil seguinte,
podendo ser solicitada até o dia útil anterior ao
Liquidação vencimento;
ii. liquidação antecipada para dois dias úteis após a
solicitação, podendo ser solicitada até dois dias úteis
anteriores ao vencimento; e
c) Antecipada por diferença: mediante a venda no
mercado à vista pelo comprador dos Ativos-objeto
comprados a termo. A liquidação antecipada por
diferença poderá ser solicitada nos prazos dispostos a
seguir:
i. liquidação antecipada para o dia útil seguinte,
podendo ser solicitada até o dia útil anterior ao
vencimento;
ii. liquidação antecipada para dois dias úteis após a
solicitação, podendo ser solicitada até dois dias úteis
anteriores ao vencimento; e
Data de vencimento A data de vencimento é estabelecida entre as partes,
observado o período mínimo de 16 e máximo de 999
dias corridos, contados da data de registro do contrato.
Fonte: Elaborado pelo autor.

36
Operações de Bolsa de Mercadorias e Futuro (BM&F)

Quadro – Ajuste Diário.


AJUSTE DIÁRIO
Preço de ajuste de hoje 3,55
Preço de ajuste de ontem 3,75
Diferença -0,20
Investidores “comprados” Pagam 0,20 por unidade de contrato
Investidores “vendidos” Recebem 0,20 por unidade de contrato
Fonte: Elaborado pelo autor.

• Exemplo: Contrato de venda de 100 sacas de milho a R$ 50,00 cada, no dia


19/11/07 com liquidação prevista em 19/11/08. Investimento de R$ 5.000,00.

Quadro – Exemplo de contrato de venda.


Dia Cotação Diferença Vendedor Comprador

19/11/17 52,00 2 x 100 = 200,00 (200,00) 200,00

20/11/17 54,00 2 x 100 = 200,00 (400,00) 400,00

21/11/17 51,50 -2,50 x 100 = (250,00) (150,00) 150,00

19/11/18 40,00 -10,00 = (1000,00) 1000,00 (1000,00)

Fonte: Elaborado pelo autor.

Comprador paga R$ 5.000 + R$ 1.000,00 Ajustes Feitos em D+1.

37
Quadro – Mercado a Termo X Mercado Futuro.
Mercado a termo: Mercado futuro:

• Pode ser negociado mediante • Precisa ser negociado em bolsa de


contrato particular. futuros.
• Não precisa ser contrato • Precisa ser um contrato
padronizado. padronizado.
• Tem uma data de entrega fixada no • É negociado com diferentes datas
contrato. de entregas.
• Diferenças de preço são ajustadas • Diferenças de preços são ajustadas
no vencimento. diariamente.
Fonte: Elaborado pelo autor.

Mercado de opções

O mercado de opções é uma alternativa de se prevenir contra oscilações indesejáveis


nos preços das ações. As opções são contratos que estabelecem preço e prazos para a
liquidação, de forma a tornar uma operação mais previsível.

Quadro – Mercado de opções.


Titular É o detentor da opção, é a pessoa que possui o direito
Lançador É quem vendeu a opção, recebeu o prêmio, é quem tem a obrigação
Prêmio É o valor pago pelo titular para adquirir o direito de opção
Preço de É o preço acertado para o exercício do direito de opção
exercício
Preço do ativo- É o preço da ação, do ativo subjacente
objeto
Vencimento É a data que cessa o direito do titular, ocorre em cada 3ª segunda-feira
do mês
Série de opções É a bolsa que estabelece as séries com seus preços de exercícios e
vencimentos previstos para cada mês
Fonte: Elaborado pelo autor.

• Americana: durante a vigência do contrato, a qualquer momento;

• Europeia: apenas na data de vencimento do contrato de opções.


Opção de Compra: CALL Opção de Venda: PUT

38
• Opção de Compra (call) In-The-Money (ITM): Preço do ativo subjacente é
superior ao preço de exercício da opção;

• Opção de Compra (call) Out-of-The-Money (OTM): Preço do ativo adjacente é


inferior ao preço de exercício da opção;

• Opção de Venda (put) In-The-Money (ITM): Preço do ativo adjacente é inferior


ao preço de exercício da opção;

• Opção de Venda (put) Out-of-The-Money (OTM): Preço do ativo adjacente é


superior ao preço de exercício da opção;

• Opção de Compra (call) ou Opção de Venda (put) At-The-Money (ATM): Preço


do ativo subjacente é igual ao preço de exercício da opção.

Quadro – Opções.
Preço da ação sobre Aumenta o valor de uma opção tipo Call, reduz de uma opção
tipo Put
Maior o preço de exercício Reduz o valor de uma opção tipo Call, aumenta o valor de uma
opção tipo Put
Maior volatilidade da ação Aumenta o preço de uma opção tipo Call, aumenta o valor de
uma opção tipo Put
Maior o tempo até o Aumenta o preço de uma opção tipo Call, aumenta o valor de
vencimento uma opção tipo Put
Juros maiores Aumenta o preço de uma opção tipo Call, aumenta o valor de
uma opção tipo Put
Fonte: Elaborado pelo autor.

Valor Intrínseco de uma Call:

• Valor Intrínseco = Preço corrente (à vista) – Preço de Exercício;

• Prêmio = Valor Intrínseco + Valor Tempo.

• Valor intrínseco de uma opção não pode ser menor que zero.

39
Valor Intrínseco de uma Put:

• Valor Intrínseco = Preço de Exercício – Preço corrente

40
Figura – Lançador versus titular.

Fonte: Elaborado pelo autor.

O contrato a termo de ações foi desenvolvido com o intuito de reduzir o risco de


oscilação de preços. Nesse aspecto, apresenta objetivos similares aos dos contratos
futuros. Os contratos a termo servem como uma alternativa, entre os diferentes
derivativos, de compra ou de venda de ações por um valor estipulado por meio de
contratos não padronizados.

O preço a termo, que é fixado na abertura do negócio, é formado pelo preço à vista
mais uma taxa de juros, a qual varia conforme o prazo da transação.

Formas de liquidação:

• Por término de prazo; e

• Antes do término de prazo: os compradores podem solicitar o encerramento


antes do decurso, mas isso não alterará o valor do preço.

41
Swaps

Os swaps são contratos em que é acordada a troca de fluxo de caixa de ativos, isto é,
troca-se a rentabilidade de um ativo pela rentabilidade de outro. Desse modo, quem
participa de um contrato de swap estará operando comprado em um ativo e vendido
em outro, pois terá o direito de receber o fluxo de caixa de um ativo, enquanto também
possui a obrigação de pagar o rendimento de outro.

Os contratos de swaps são negociados em mercados de balcão, sendo o swap um


contrato não padronizado.

Tabela — Tributação swap.


Tributação Swap
Prazo Alíquota
Até 180 dias 22,5%
De 181 a 360 dias 20,0%
De 361 a 720 dias 17,5%
Acima de 720 dias 15,0%
Fonte: Elaborada pelo autor.

Derivativos de derivativos são combinações de produtos derivativos, como swap a


termo, opção sobre swap, opção sobre futuro, opção sobre opção e outras.

42
Quadro — Resumo de derivativos.

Mercado de
Mercado a termo Mercado futuro Mercado de swap
opções

Onde se
Balcão ou bolsa. Somente na bolsa. Balcão ou bolsa. Balcão ou bolsa.
negocia

Os compradores
Compromisso de Compromisso de Compromisso de
adquirem o direito
comprar ou comprar ou vender troca de um bem
O que se de comprar ou de
vender um bem um bem por preço por outro. Trocam-
negocia vender por preço
por preço fixado fixado em data se fluxos
fixo em data
em data futura. futura. financeiros.
futura.

Liquidação dos
A estrutura mais Presença de ajuste
prêmios na
comum é a diário. Compradores
contratação da
liquidação e vendedores têm Somente no
operação. No
somente no suas posições vencimento ou
vencimento,
Liquidação vencimento. Há ajustadas antecipadamente,
apura-se o valor
contratos em que financeiramente com a concordância
da liquidação a
o comprador todos os dias, com entre as partes.
partir do exercício
pode liquidar a base no preço de
do direito dos
posição. fechamento da bolsa.
compradores.

Fonte: Elaborado pelo autor.

43
Participantes de mercado

Como Participantes dos Mercados de Derivativos têm-se:

• Hedger: opera nesse mercado buscando proteção contra oscilações de preços


dos ativos.
✓ Possui o determinado bem ou ativo financeiro.

• Especulador: assumem o risco da operação com o objetivo de auferir ganhos


com a oscilação dos preços.
✓ Entra e sai rapidamente no mercado fazendo “apostas”.

• Arbitrador: obtém vantagens financeiras em função de distorções nos preços do


ativo nos mercados diferentes.
✓ Monitora todos os mercados em busca de distorções a fim de lucrar sem
correr riscos.

Captadores/Aplicadores de Recursos (Operações de Tesouraria):

• Operadores de Tesouraria – são os responsáveis pelas operações de tesouraria,


que consistem em captar ou aplicar recursos que, provavelmente (no caso de taxas
pós-fixadas) ou certamente (na hipótese de taxas prefixadas), terão determinado custo
ou rendimento. É possível implementar diversas operações de tesouraria por meio dos
mercados derivativos. Os operadores de tesouraria têm a função de administrar o fluxo
de caixa das instituições, buscando captar recursos a taxas baixas e aplicá-los a taxas
altas, e, ainda, compatibilizar os prazos de captação com os de aplicação.

• Market Makers – são instituições altamente especializadas em determinadas


ações, ou em determinados ativos, e que se comprometem a fazer propostas de
compra e de venda do ativo aos demais participantes do mercado, em um volume
mínimo previamente estabelecido. Por exemplo, se uma corretora é um market
maker de determinada ação, os participantes que estiverem com dificuldade em
comprar ou vender a ação poderão recorrer à corretora, e esta será obrigada a “abrir
um spread”, ou seja, dizer a que preço compra e a que preço vende a ação. O

44
participante decidirá se aceita ou não a oferta da corretora. A principal finalidade
dos market makers é proporcionar liquidez aos mercados.

• Manipuladores – alteram artificialmente o preço de um ativo com o objetivo de


auferir lucro com a variação de preço. Isto só é possível quando um participante (ou
grupo de participantes) do mercado tem força suficiente para tal. Outra forma de
manipulação é a divulgação de notícias falsas ou a contratação de analistas para
emitirem propositalmente más opiniões ou maus conselhos a respeito de algum ativo-
objeto, como por exemplo, ações de uma companhia. Neste caso, os participantes
poderiam ser induzidos a efetuar operações incorretas por estarem baseados em
informações ou opiniões falsas. É possível ainda a combinação das duas estratégias.

Conduta e Relacionamento

Código de Conduta APIMEC

• No exercício de sua profissão, o Analista deve aderir aos seguintes Princípios


Gerais:
✓ Honestidade, Integridade e Equidade – O Analista deve observar os mais
elevados padrões de honestidade, integridade e equidade de forma a
manter a confiança do investidor em sua profissão;
✓ Prudência e diligência – O Analista deve conduzir suas atividades com
cuidado, diligência e prudência compatíveis com as expectativas do
investidor e de seu empregador, dando a ambos o conforto em relação à
qualidade do trabalho;
✓ Independência e objetividade – As análises devem sempre refletir o
melhor juízo do autor, nunca sendo influenciadas por pressões ou
benefícios a que este possa estar sujeito;
✓ Competência profissional – O Analista deve sempre procurar manter e
aperfeiçoar sua competência técnica, seu conhecimento dos instrumentos,

45
instituições e normas que regem o mercado e das informações pertinentes
ao exercício de sua profissão; e
✓ Cumprimento das leis e normas – O analista deve cumprir todas as
normas e leis a que esteja sujeito.

É vedado ao Analista, pessoa natural e jurídica, bem como aos demais profissionais que
efetivamente participem da formulação dos relatórios de análise:

• emitir relatórios de análise com a finalidade de obter, para si ou para outrem,


vantagem indevida;

• omitir informação sobre conflito de interesses nas informações e comunicações


de que trata os arts. 28 a 31, nos relatórios de análise e em qualquer meio em relação
ao qual o Analista se manifeste sobre o relatório de análise;

• negociar, direta ou indiretamente, em nome próprio ou de terceiros, valores


mobiliários objeto dos relatórios de análise que elabore ou derivativos lastreados em
tais valores mobiliários por um período de 30 (trinta) dias anteriores e 5 (cinco) dias
posteriores à divulgação do relatório de análise sobre tal valor mobiliário ou seu
emissor;

• negociar, direta ou indiretamente, em nome próprio ou de terceiros, valores


mobiliários objeto dos relatórios de análise que elabore ou derivativos lastreados em
tais valores mobiliários em sentido contrário ao das recomendações ou conclusões
expressas nos relatórios de análise que elaborou por:
✓ 6 (seis) meses contados da divulgação de tal relatório; ou
✓ até a divulgação de novo relatório sobre o mesmo emissor ou valor
mobiliário, caso ocorra antes do prazo referido na alínea “a”;

• participar, direta ou indiretamente, em qualquer atividade relacionada a oferta


pública de distribuição de valores mobiliários, incluindo:
✓ esforços de venda de produto ou serviço no âmbito do mercado de valores
mobiliários; e
✓ esforços para angariação de novos clientes ou trabalhos;
✓ participar da estruturação de ativos financeiros e valores mobiliários;

46
✓ participar, direta ou indiretamente, de qualquer atividade ligada à
consultoria financeira em operações de fusões e aquisições; e
✓ divulgar o relatório de análise ou seu conteúdo, ainda que parcialmente,
para pessoa que não faz parte da equipe de análise, em especial, o emissor
objeto da análise ou cujos valores mobiliários sejam objeto da análise,
antes de sua publicação, divulgação ou distribuição por meio dos canais
adequados.

• É vedado ao Analista aceitar benefícios que de alguma forma possam ter por
objetivo influenciar suas análises, em particular:
✓ receber presentes em desconformidade com a política específica da
Instituição em que atue;
✓ receber, no exercício de sua atividade de Analista, quaisquer tipos de
benefício ou compensação estranhos ao estabelecido em seu contrato
profissional; e
✓ receber privilégios, inclusive em situações como as de viagens para sede
ou dependências de empresas emissoras de valores mobiliários.

Lavagem de dinheiro

Para disfarçar os lucros ilícitos sem comprometer os envolvidos, a lavagem de dinheiro


realiza-se por meio do seguinte processo (que será mais bem explicado a diante):

• O distanciamento dos fundos de sua origem, evitando uma associação direta


deles com o crime;

• O disfarce de suas várias movimentações para dificultar o rastreamento desses


recursos; e

• A disponibilização do dinheiro novamente para os criminosos depois de ter sido


suficientemente movimentado no ciclo de lavagem e poder ser considerado “limpo”.

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Colocação

Essa é a primeira etapa do processo de lavagem de dinheiro, na qual ocorre a colocação


do dinheiro de origem ilícita no sistema econômico. Para ocultar a origem do dinheiro,
ele é movimentado em países com regras mais permissivas e com um sistema
financeiro liberal.

A colocação se dá através de depósitos e da compra de bens e ativos. Diferentes


técnicas são utilizadas para dificultar a identificação da origem do dinheiro. Entre essas,
as mais comuns são o fracionamento dos recursos ilícitos em valores menores e a
utilização de estabelecimentos comerciais que trabalham com dinheiro em espécie.

Ocultação

Nessa etapa se procura dificultar o rastreamento contábil dos recursos ilícitos.


Diferentes ações são tomadas para destruir as evidências e dificultar investigações
sobre a origem do dinheiro.

Normalmente os recursos são movimentados de forma eletrônica em transações


complexas e em grande número, o que dificulta o rastreamento, monitoração e
identificação da fonte ilícita dos recursos.

Integração

Por fim, ocorre a adição dos ativos ao sistema econômico. Para isso, os agentes
investem em empreendimentos propícios às suas atividades (mercado de capitais,
mercado imobiliário, obras de arte), sendo comum se utilizar mais de uma dessas
atividades e que elas prestem serviços entre si.

O Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF) era o órgão máximo


responsável pelo combate à lavagem de dinheiro. Estava vinculado ao Ministério da
Fazenda e tinha como finalidade disciplinar e aplicar penas administrativas, receber,

48
examinar e identificar as ocorrências de atividades ilícitas. A diretoria e conselho era
indicada pelo Ministro da Justiça. Em 20 de agosto de 2019 o COAF foi substituído pela
Unidade de Inteligência Financeira (UIF).

A Unidade de Inteligência Financeira (UIF) é vinculada ao Banco Central do Brasil e


responde à Diretoria Colegiada do Banco Central, mas não é parte integrante da
estrutura do BACEN, possuindo autonomia técnica e operacional. A sua diretoria e o
conselho são indicados pelo presidente do BACEN.

Principais operações que são indícios de crimes de lavagem de dinheiro:

• Aumentos substanciais no volume de depósitos de qualquer pessoa física ou


jurídica, sem causa aparente, em especial se tais depósitos são posteriormente
transferidos, dentro de curto período, a destino anteriormente não relacionado com o
cliente;

• Troca de grandes quantidades de notas de pequeno valor por notas de grande


valor;

• Proposta de troca de grandes quantias em moeda nacional por moeda


estrangeira e vice-versa;

• Compras de cheques de viagem e cheques administrativos, ordens de


pagamento ou outros instrumentos em grande quantidade – isoladamente ou em
conjunto -, independentemente dos valores envolvidos, sem evidências de propósito
claro;

• Movimentação de recursos em praças localizadas em fronteiras;

• Movimentação de recursos incompatível com o patrimônio, a atividade


econômica ou a ocupação profissional e a capacidade financeira presumida do cliente;

• Numerosas contas com vistas ao acolhimento de depósitos em nome de um


mesmo cliente, cujos valores, somados, resultem em quantia significativa;

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• Abertura de conta em agência bancária localizada em estação de passageiros –
aeroporto, rodoviária ou porto – internacional ou pontos de atração turística, salvo se
por proprietário, sócio ou empregado de empresa regularmente instalada nesses
locais; e

• Utilização de cartão de crédito em valor não compatível com a capacidade


financeira do usuário.

50
Governança Corporativa e Relações com
Investidores

Governança Corporativa

Governança corporativa é um sistema pelo qual as sociedades são dirigidas e


monitoradas, envolvendo os acionistas e os cotistas, Conselho de Administração,
Diretoria e Auditoria Independente e Conselho Fiscal. As boas práticas de governança
corporativa têm a finalidade de aumentar o valor da sociedade, facilitar seu acesso ao
capital e contribuir para a sua perenidade (IBGC, s.d.).

Portanto, a governança corporativa objetiva assegurar a todos os acionistas equidade,


transparência, responsabilidade pelos resultados e obediência às leis. Por isso,
agências de risco e investidores avaliam a presença de governanças corporativas nas
empresas. Quanto maior a governança, mais confiável é a gestão da empresa e menor
é o risco do investimento.

No mercado brasileiro, a B3 criou um segmento específico para empresas que adotam


determinados comportamentos que assinalam uma boa governança corporativa,
chamado de Novo Mercado. Entre as características observadas, é possível ressaltar:

• apenas ações ordinárias;

• direitos semelhantes para acionistas e controladores das empresas;

• obrigação de recomprar ações em caso de fechamento do capital;

• conselho de administração;

• informações prestadas periodicamente para os acionistas e fiscalização;

• melhorias na forma de divulgação das informações;

• conselho fiscal responsável pela transparência fiscal da empresa;

51
• realização de reuniões públicas com acionistas e analistas; e

• calendário anual de eventos corporativos (B3, 2002).

O Novo Mercado é o nível mais alto de governança corporativa no Brasil, mas


também há o Nível 1, Nível 2, Bovespa Mais e Bovespa Mais Nível 2 de governança.

Índice de Ações com Governança Corporativa Diferenciada (IGC)

Assim como o IBOVESPA, O IGC é o resultado de uma carteira teórica de ativos,


elaborada de acordo com os critérios estabelecidos nesta metodologia.

O objetivo do IGC ou IGCX é ser o indicador do desempenho médio das cotações dos
ativos de empresas listadas no Novo Mercado ou nos Níveis 1 ou 2 da BM&fBovespa.

Outras duas variações de índice de governança corporativa são:

• IGC-NM: indicador do desempenho médio das cotações dos ativos de emissão


de empresas que apresentem bons níveis de governança corporativa, listadas no Novo
Mercado da BM&FBOVESPA; e

• IGC-T: o IGC Trade é o indicador do desempenho médio das cotações das ações
mais líquidas entre as empresas integrantes do IGC.

Índice de Ações com Tag Along Diferenciado (ITAG)

Assim como o IGC, o ITAG é o resultado de uma carteira teórica de ativos, elaborada
de acordo com os critérios estabelecidos nesta metodologia.

O objetivo do ITAG é ser o indicador do desempenho médio das cotações dos ativos de
emissão de empresas que ofereçam melhores condições aos acionistas minoritários,
no caso de alienação do controle (Tag along).

52
Integração de Questões Ambientais,
Sociais e de Governança Corporativa
(ASG) à Análise de Investimentos

Conceitos de Responsabilidade Corporativa

A responsabilidade corporativa, também conhecida como Responsabilidade Social


Empresarial (RSE) ou cidadania corporativa, trata basicamente de uma forma de
autorregulação onde as companhias assumem voluntariamente a responsabilidade
causada por seus impactos sobre funcionários, meio ambiente, consumidores e a
comunidade no geral, isso independente de exigências legais. Assim, a
responsabilidade corporativa podem ser resumidas em três categorias: a mais básica
seria a tradicional filantropia corporativa que ocorre com a doação direta de recursos
corporativos, depois a utilização da responsabilidade corporativa como forma de
gerenciamento dos riscos empresariais, com objetivo de gerenciar os riscos
empresariais visando evitar problemas com stakeholders, governos, ONGs e até
mesmo com sua cadeia de suprimentos que geram impactos negativos seja no fluxo de
caixa como na imagem da empresa. Por fim, a terceira categoria estaria ligada a
responsabilidade corporativa como criadora de valor aos acionistas.

Drivers de risco e oportunidades de negócios

A análise dos sistemas de gerenciamento de riscos e controles internos leva em conta:


o apetite de risco da empresa e o enraizamento da cultura de risco desejada, a
determinação dos riscos principais, possíveis alterações nas suas características e a
capacidade da empresa para responder às mesmas, a operação dos controles
estabelecidos, a integração da gestão de risco dentro do planejamento estratégico,
questões especificamente identificadas nos relatórios periódicos, e por fim, a eficácia

53
dos processos de apresentação de relatórios públicos e a comunicação entre a
administração e o conselho.

Integração ASG no mercado de investimentos

A inclusão sistemática e explícita de fatores Ambientais, Sociais e de Governança (ASG)


relevantes na análise e nas decisões de investimento melhora o retorno ajustado ao
risco das carteiras de investimento no longo prazo. A integração ASG no Brasil ainda se
encontra no seu “período inicial”, já que as equipes ASG são pequenas, quando
existem. A maior parte da demanda por integração ASG vem de investidores fora do
país e de investidores institucionais globais que integram ASG aos seus próprios
processos de investimento em seus mercados de origem. Esse tipo de integração é
visto como grande parte do Investimento social Responsável (ISR), sendo este
tradicionalmente associado a screening positivo ou negativo, de forma que a
integração de fatores ASG aos produtos financeiros está só começando.

Os Princípios para o Investimento Responsável

Os Princípios para o Investimento Responsável (PRI, do inglês Principles for Responsible


Investment) têm como objetivo nortear ações de integração de critérios ambientais,
sociais e de governança (ASG) às decisões de investimento. Lançado em 2006 por
investidores institucionais, com o apoio das Nações Unidas, o acordo se baseia em
princípios voluntários para que investidores trabalhem colaborativamente na
integração ESG à gestão de ativos, atuação junto às empresas investidas e
transparência ao mercado.

Tais princípios englobam seis tópicos principais: (i) incluir questões de ASG nas análises
de investimento e nos processos de tomada de decisão; (ii) agir de forma ativa e
incorporar os temas de ESG nas políticas e práticas de detenção de ativos; (iii) busca da
transparência adequada nas empresas investidas, relativas as questões da ASG; (iv)
promoção da aceitação e implementação dos princípios no conjunto de investidores

54
institucionais; (v) trabalhar em conjunto para reforçar a eficiência na implementação
dos Princípios e (vi) divulgação das atividades de progressos em relação à
implementação dos Princípios.

Acordos voluntários e iniciativas da indústria de investimento

Dentro da indústria de investimento, as questões ambientais, sociais e de governança


corporativa (ASG) serem analisadas dentro de um contexto em que se torna relevante
entender de que forma a empresa interage com o seu contexto de negócio. Assim, seja
na agenda corporativa ou no setor financeiro, o tema vem sendo debatido por agentes,
grupos de trabalho, acordos voluntários e até reguladores. Internacionalmente o
principal acordo voluntário que discute questões relativas a ASG e sua integração ao
processo de investimento é o Princípios para o Investimento Responsável (PRI). Além
desses acordos voluntários e discussões de mercado cada vez mais frequentes sobre o
tema, os reguladores do setor financeiro e do mercado de capitais se organizam para
supervisionar esta agenda.

No Brasil, podemos citar dois acordos principais: O Protocolo Verde e o Princípios do


Equador. O Protocolo Verde foi assinado pelos bancos públicos junto ao Ministério do
Meio Ambiente em 1995, e estendido aos bancos privados. O acordo prevê a
consideração de questões socioambientais nas atividades e operações das instituições
financeiras. O Princípios do Equador é um acordo internacional (2003) que trata de um
framework para determinação, avaliação e gestão de risco socioambiental no
financiamento a grandes projetos, operações de project finance e empréstimos-ponte.
Atualmente, o acordo conta com a adesão de 82 instituições em 36 países, cobrindo
cerca de 70% do volume total de recursos destinados ao financiamento deste tipo de
operações no mundo.

55
Regulação das questões ASG

O dever fiduciário e as questões ASG

Deveres fiduciários são impostos referentes a uma pessoa ou organização que exerce
algum tipo de poder discricionário sobre os interesses de outrem dentro de
circunstâncias que deem origem a uma relação de confiança e segurança. No trato de
relações assimétricas, esses deveres são de extrema importância, já que existe um
desequilíbrio onde o beneficiário tem pouca capacidade de monitorar ou supervisionar
as ações da entidade atuando em seus interesses. Esses deveres existem para garantir
que os agentes encarregados de administrar o dinheiro de outras pessoas atuem
conforme o interesse dos beneficiários e não de acordo com seu próprio interesse. Os
agentes fiduciários devem agir de boa-fé, equilibrando de forma imparcial os interesses
conflitantes dos diversos beneficiários e com devido cuidado, habilidade e diligência.

A integração de fatores ESG (ASG) é o processo de levar em consideração dados e


informações ambientais, sociais e de governança (ASG) em pesquisa de investimentos
e na tomada de decisões. Não há em nenhuma das jurisdições, leis que prescrevem
como os investidores devem integrar as oportunidades e riscos ASG às suas práticas e
processos de investimentos, ou ainda sobre os prazos em que definem seus objetivos
de investimento. No geral, os investidores podem definir a abordagem que for mais
coerente para cumprir com suas obrigações legais. Ao avaliar se um investidor
institucional cumpriu ou não com seus deveres fiduciários, os tribunais analisarão o
processo de avaliação e integração dos fatores ASG na tomada de decisão de
investimento.

Resoluções e Instruções (Resolução 4.661/2017, 4.327/2014, Instrução


CVM 552/2015, 586/2017)

A Resolução 4.661/2017 estabelece as novas regras e diretrizes para as aplicações dos


recursos garantidores dos planos administrados pelas Entidades Fechadas de
Previdência Complementar (EFPC). A nova norma traz ajustes nos itens de Governança,

56
Controles internos e Monitoramento de Risco, além de alterar alguns limites de
investimentos e reforça a responsabilidade dos administradores, gestores, consultorias
e conselhos.

A Resolução 4.327/2014 dispõe sobre as diretrizes que devem ser observadas para o
estabelecimento e implementação da Política de Responsabilidade Socioambiental
(PRSA) pelas instituições financeiras e demais instituições autorizadas a funcionar pelo
Banco Central – BACEN. Pela resolução todas as instituições financeiras que operam no
Brasil devem, até o final de julho de 2015, estabelecer suas políticas de
responsabilidade socioambiental. Com o estabelecimento da PRSA, o objetivo é que se
garanta maior segurança e qualidade ao desenvolvimento econômico, o que não só
auxilia para uma maior proteção ao meio ambiente, como também permite que o
Brasil se ajuste a padrões internacionais, garantindo-lhe maior competitividade.

A Instrução CVM 552/2015 que altera a Instrução CVM 480/09 que dispões sobre o
registro de emissores de valores mobiliários admitidos à negociação em mercados
regulamentados de valores mobiliários. A nova norma atualiza alguns dispositivos do
formulário de referência, previsto na Instrução CVM nº 480/09, fazendo ajustes para
racionalizar e aprimorar a prestação de informações pelas companhias. Além disso,
acrescenta dois anexos: o primeiro, que diz respeito a regulação das informações que
devem ser divulgadas nos aumentos de capital deliberados pelo conselho de
administração e o segundo, que disciplina as informações que devem ser divulgadas ao
mercado pela companhia sempre que for realizada uma transação entre partes
relacionadas.

A Instrução CVM 586/2017 que altera a Instrução CVM 480, determina que companhias
abertas (‘Categoria A’) divulguem informações sobre aplicação das práticas de
governança previstas no Código Brasileiro de Governança Corporativa – Companhias
Abertas. A categoria A é a que se aplica aos emissores registrados na CVM cujas ações
ou certificados de depósitos de ações sejam admitidos à negociação em bolsas de
valores.

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Estratégias de investimento responsável

A estratégia mais conhecida para integrar as questões ASG é desenvolver uma blacklist,
vetando setores ou empresas que sejam controversos em relação às questões
ambientais. Porém, nas últimas décadas tivemos o desenvolvimento de estratégias que
podem ser adotadas de acordo com a cultura de investimento de cada gestor, bem
como a classe de ativos aplicável. São elas:

• Exclusões: remoção de setores ou empresas do universo de investimento de


portfólios específicos. Comum em países desenvolvidos;

• Fundos temáticos: Compreendem os investimentos em questões ASG


específicas, por meio de fundos temáticos, abrangendo questões desde mudanças
climáticas à eficiência energética, florestas e água. Foco no desenvolvimento
sustentável;

• Best-in-Class: Envolve a escolha dos melhores de cada setor no que tange à


integração das questões ASG à estratégia e gestão corporativa;

• Integração: Inclusão explícita de riscos e oportunidades derivados das questões


ASG na análise financeira tradicional e processo de tomada de decisão de
investimentos;

• Engajamento: ativismo acionário é o fundamento da estratégia de engajamento,


que usa o poder de voz e o poder de voto do investidor para induzir a adoção de
melhores práticas ASG na estratégia e gestão das empresas investidas;

• Screening baseado em normas: Baseada na avaliação das questões ASG de


companhias investidas com base em critérios ou princípios específicos. A consideração
de normas como o Pacto Global das Nações Unidas, Diretrizes da OCDE para Empresas
Multinacionais e tratados internacionais podem ser adotados como framework de
avaliação deste tipo de investidor;

• Investimento de impacto: Estratégia mais recente de investimentos


responsáveis (2007), trata de um guarda-chuva transversal a diversas classes de ativos.

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Visa à canalização de recursos para o financiamento de organizações ou
empreendimentos sociais que buscam atacar desafios sociais específicos a partir de
mecanismos de mercado.

Índices de sustentabilidade

Índices de sustentabilidade possuem grande importância para o mercado de capitais,


já que atuam como referência para os investidores na integração das questões ASG ao
processo de decisão de investimentos. Podemos destacar alguns principais:

• Índice de sustentabilidade Dow Jones (Dow Jones Sustainability Index, DJSI): foi
criado em 1999 sob responsabilidade técnica da consultoria RobecoSAM. Atualmente
se constitui de uma família de índices globais e regionais, cuja metodologia aborda uma
estratégia best in class para determinação das empresas líderes em sustentabilidade
em suas respectivas indústrias;

• O Índice de Sustentabilidade FTSE4Good (Financial Times Stocks Exchance


Sustainability Index) é uma família de índices de sustentabilidade, cujos critérios para
integração da carteira envolvem a pesquisa pública e resposta de questionário por
parte das empresas;

• No Brasil, o Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE) tem objetivo de criar


um ambiente de investimento compatível com as demandas de desenvolvimento
sustentável da sociedade contemporânea e a busca pelo estímulo da responsabilidade
ética das corporações. O indicador se traduz em uma ferramenta que analisa
comparativamente a performance de empresas listadas na Bolsa de Valores oficial do
Brasil. Iniciado em 2005, foi originalmente financiado pela International Finance
Corporation (IFC), braço financeiro do Banco Mundial, seu desenho metodológico foi
desenvolvido pelo FGVCes e B3.

59
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