História do Direito

A história do direito está ligada ao desenvolvimento das civilizações. O direito do antigo Egito, que data de pelo menos 3000 a.C., incluía uma compilação de leis civis que, provavelmente dividida em doze livros, baseava-se no conceito de Ma'at e caracterizava-se pela tradição, pela retórica, pela igualdade social e pela imparcialidade. [24][25] Em cerca de 1760 a.C., o rei Hamurábi determinou que o direito babilônio fosse codificado e inscrito em pedra para que o povo pudesse vê-lo no mercado: o chamado Código de Hamurábi.[26] Neste caso, tal como o direito egípcio, poucas fontes sobreviveram e muito se perdeu com o tempo. A influência destes exemplos jurídicos antigos nas civilizações posteriores foi, portanto, pequena. O mais antigo conjunto de leis ainda relevante para os modernos sistemas do direito é provavelmente a Torá do Velho Testamento. Na forma de imperativos morais, como os Dez Mandamentos, contém recomendações para uma boa sociedade. A antiga cidade-Estado grega de Atenas foi a primeira sociedade baseada na ampla inclusão dos seus cidadãos, com exceção das mulheres e dos escravos. Embora Atenas não tenha desenvolvido uma ciência jurídica nem tivesse uma palavra para o conceito abstrato de "direito", o antigo direito grego continha grandes inovações constitucionais no desenvolvimento da democracia.[27] Primeira página da edição original (1804) do Código Napoleônico, um dos primeiros e mais influentes códigos civis da história. Considerado uma ponte entre as antigas experiências do direito e o mundo jurídico moderno, o direito romano foi fortemente influenciado pelos ensinamentos gregos, mas suas regras detalhadas e sofisticadas foram desenvolvidas por juristas profissionais.[28][29] Ao longo dos séculos transcorridos entre a ascensão e a queda do Império Romano, o direito foi adaptado para lidar com as mudanças sociais e passou por um grande esforço de codificação por ordem do Imperador Justiniano I, o que resultou no Corpus Iuris Civilis. O conhecimento do direito romano perdeu-se na Europa Ocidental durante a Idade Média, mas a disciplina foi redescoberta a partir do século XI, quando juristas medievais, posteriormente conhecidos como "glosadores", começaram a pesquisar os textos jurídicos romanos e a usar os seus conceitos. O direito romano - e o sistema jurídico nele baseado - afetou o desenvolvimento do direito em todo o mundo. É o fundamento dos códigos da maior parte dos países da Europa e desempenhou um importante papel no surgimento da ideia de uma cultura europeia comum.[30] Na Inglaterra medieval, os juízes reais começaram a desenvolver um conjunto de precedentes que viria a tornar-se a Common Law. Aos poucos, formou-se na Europa medieval a Lex Mercatoria, que permitia aos mercadores comerciar com base em práticas padronizadas. A Lex Mercatoria, precursora do direito comercial moderno, enfatizava a liberdade de contratar e a alienabilidade da propriedade.[31] Quando o nacionalismo recrudesceu nos séculos XVIII e XIX, a Lex Mercatoria foi incorporada ao direito interno dos diversos países do continente em seus respectivos códigos civis. O Código Napoleônico e o Código Civil Alemão tornaram-se as leis civis mais conhecidas e influentes. A Índia e a China antigas possuíam tradições distintas em matéria de direito, com escolas jurídicas historicamente independentes. O Arthashastra, datado de cerca de 400

Nem sempre é fácil diferenciar as normas do direito das normas da moral. O que aprendemos com o ensinamento religioso. direito e moral. tolerância e pluralismo. vim para cumprir. Cingapura e Hong Kong também o adotaram. visto que a moral é um ramo das Ciências Sociais que também se preocupa com o estudo de normas reguladoras da vida social. como no caso do novo código de contratos de 1999. entre outros. cumprindo assim a Lei dos profetas. Brunei. na forma de seis códigos de direito privado baseados no modelo japonês do direito alemão.C.17. à liberdade. assegurar a integridade do ser humano.a. A tradição jurídica do leste da Ásia reflete uma mistura singular entre o religioso e o secular. o direito chinês tradicional foi modernizado segundo o padrão ocidental nos anos finais da dinastia Qing.[35] O Japão foi o primeiro país da área a modernizar o seu sistema jurídico conforme o exemplo ocidental.[36] Do mesmo modo. ambos os sistemas de normas. a punição é severa. RELIGIÃO X DIREITO “Não penseis que vim revogar a Lei ou os profetas” não vim revogar. de acordo com o nosso livre arbítrio. e quando as pessoas não agem de acordo com suas normas e Leis.[34] A Malásia. bem como seus direitos e obrigações.[38] Hoje. que constitui a base da doutrina de Jesus Cristo. não é imposto através de uma força coercitiva. ao menos no que se refere aos direitos econômicos. o equilíbrio. à propriedade legitimamente obtida. v.[37] O direito da República Popular da China sofreu forte influência do direito socialista soviético. a China tem promovido reformas na sua ordem jurídica. a ordem. A cada nova situação que possa surgir de . solucionando os conflitos entre os indivíduos. foi suplantada pelo Common Law quando a Índia se tornou parte do Império Britânico. Os ensinamentos religiosos buscam conduzir o ser humano através de uma conduta alicerçada em valores morais e éticos. que basicamente hipertrofia o direito administrativo às expensas do direito privado. Encontramos nessa Lei o princípio dos deveres para com Deus e para com o próximo. 18). pois o Direito assegura. Direito e moral Direito e Moral podem ser facilmente associados se pensarmos o direito como sendo o conjunto de normas que tentam regular e organizar a vida em sociedade. e o Manusmriti. ao importar partes dos códigos civis francês e alemão. à igualdade de direitos. psicológica e espiritual dos homens. (Mateus. O Direito não é como a Religião. porém não ensina e não prega. juntamente com o direito muçulmano. de 100. Os 10 mandamentos significam um resumo da moral divina.[32] A filosofia central de Manu. sem deixar de pregar a fé a esperança. Por exemplo. que Jesus Cristo Viveu e pregou. à integridade física. valorizam princípios como o respeito à vida.[33] Esta tradição hinduísta. era citada de um lado ao outro do sudeste da Ásia. em face de semelhança entre elas em muitos aspectos. entretanto. constituíam tratados influentes na Índia e que eram consultados em questões jurídicas.. a caridade e a fraternidade. usamos ou não. e com o conhecimento de cada um sobre as “Leis Divinas que regem a evolução do ser humano na terra”. o perdão. A Lei escrita se faz necessária para manter a justiça.

em benefício próprio ou de terceiros. Violências contra a lei são as prisões arbitrárias efetuadas pela polícia. Assim como na Religião. porém. Lei é a norma vigente. A violência oficial pode ser exercida contra a lei ou à sombra da lei. decretos etc). é interpretada e aplicada por homens. o Direito também deixa margens para que algumas pessoas façam uso indevido de suas atribuições. O Direito vigente aqui é um Direito injusto. Lei e Direito – Mito e Utopia “Não há sofrimento mais confrangente que o de privação da justiça. porque encara a produção como um processo que deve privilegiar o capital: é um direito da desigualdade. enfatiza que: “só é Direito o Direito justo. Só é Direito justo o Direito das maiorias. . O Direito tem um sentido que transcende e. Emana da autoridade soberana e impõe a todos os indivíduos a obrigação de submeterse a ela sob pena de sanções. A justiça é maravilhosa quando ela significa dar a cada um o que é seu. Nessa acepção. buscando conhecimento e informação. e se apoiavam a essa prerrogativa para fazer com que as pessoas mais humildes fossem submissas e aceitassem todas as suas ordens. o Direito dos que hoje são os oprimidos. leis. se opõe ao da lei. e com elas a necessidade do ser humano se aprimorar cada vez mais.acordo com a evolução do tempo e das pessoas. Direito é a ciência que estuda as regras de convivência na sociedade humana. inclusive os costumes acolhidos pelo sistema legal. abrange todas as normas jurídicas (Constituição. justa ou injusta: pode desempenhar o papel apenas de regulamentar a opressão. As crianças o trazem no coração com os primeiros instintos da humanidade”. em Direito e Utopia. com freqüência. que nem sempre são tão maravilhosos quanto ela. Dessa distorção básica decorre uma rede de distorções que maculam todos os institutos jurídicos. aquele que beneficia quem produz. a lei é o conjunto das normas obrigatórias impostas pela classe dominante. até a tortura e morte se assim julgassem necessário. novas Leis também nascem. João Baptista Herkenhoff juiz Livre Docente da Universidade Federal do Espírito Santo. Lei e Direito não são conceitos equivalentes. no sentido amplo. numa determinada sociedade. O filme Rei Arthur nos mostra como antigamente algumas pessoas se denominavam porta vozes de Deus.– Rui Barbosa A lei.

O Direito será o antídoto da violência. porque pune. com a pena de morte. porque fornece os instrumentos jurídicos para a perpetuação das injustiças sociais. com a finalidade de excluir a maioria da distribuição equânime do bolo social. será desarmado o braço do que fere e cairá a lança do agressor. especialmente através dos grandes meios de comunicação social. ao mesmo tempo em que gera esses crimes ao legitimar uma organização social na qual são lícitas as condutas altamente anti-sociais praticadas pelas classes opressoras. sob forma simbólica. o Direito que decreta o banimento da exploração do homem pelo homem”. Violência oficial à sombra da lei é a manutenção de todo um sofisticado aparato de controle das iniciativas sociais e políticas. mantendo com aparências de legitimidade todo um aparelho de coerção contra as classes oprimidas e de manutenção de seu estado de marginalização. Mas o Direito não é uma vara de condão. fundamentada em leis justas e em instituições político-econômicas verdadeiramente comprometidas com o bem-estar da coletividade”. com um soldado em cada esquina. que a violência vai diminuir. O Direito será a redenção do povo. “O Direito da igualdade. em seu próprio benefício.Violência à sombra da lei são os despejos de famílias miseráveis. O mito é “relato fantástico de tradição oral. as forças da natureza e os aspectos gerais da condição humana” . com a prisão cautelar. geralmente protagonizado por seres que encarnam. Os fenômenos sociais ocorrem em cadeia: só numa sociedade justa. proibição de uso de armas e outras sofisticadas formas de prender. não é magia. sobretudo os crimes dos pobres. Sancionadora da violência oficial. fundada na igualdade. O Direito será a libertação do oprimido. Sancionadora da violência privada. Não será com o endurecimento da repressão. relegadas as maiorias a uma situação de escravidão. fraterna. é a usura praticada pelo comércio de vendas a crédito é o salário mínimo do trabalhador. socialização de custos de produção de industrias. as relações humanas serão solidárias. Utopia segundo o dicionário Houaiss é: “qualquer descrição imaginativa de uma sociedade ideal. são todos esses atos praticados sob o tacão de leis feitas pela minoria. A lei que temos é sancionadora da violência institucionalizada. Então.

a imaginação intencional. Genuínos serão coisas verdadeiras. A utopia fundamenta-se na imaginação orientada e organizada. os políticos não mais se locupletarão às expensas do erário público. mas que poderá existir se o homem lutar para sua concretização. é a representação daquilo que não existe ainda. da fantasia solta. apenas o porteiro do prédio. O mito é um sucedâneo da realidade. A sociedade voltará a ser feliz. Luiz Antonio Batista da Rocha –Eng. pelo contrário. Oxalá em uma utópica sociedade os lucros sejam socializados. A utopia. Lula apenas um molusco marinho e Severino. Genro apenas o marido da filha. Garotinhos apenas crianças. só ali feneceu o pensamento utópico. Serra será apenas um acidente geográfico ou uma ferramenta. como sinal de vitalidade de povos e gerações. é alienar o homem. Civil – Consultor em Recursos Hídricos – Auditor Ambiental – . Só onde se instalou o desespero ou onde se degradou longamente o ser humano sob os fuzis da repressão. usufruindo o mesmo tratamento dos custos de produção. Será o dia em que Rosinhas serão apenas flores. ou seja. O pensamento utópico sempre esteve presente no mundo.Utopia. que consola o homem daquilo que ele não tem: seu objetivo é esconder a verdade das coisas.

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