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CE Compositor Manacéia José de Andrade

Trovadorismo,
Humanismo,
(Gil Vicente)

Trabalho de literatura
Aluno: MÁRCIO PORTES FIGUEIREDO
TURMA: 1010 N° 23

Trovadorismo... Contexto
Histórico; Momento final da Idade Média na Península Ibérica, onde a cultura
apresenta a religiosidade como elemento marcante.
A vida do homem medieval é totalmente norteada pelos valores religiosos e para a
salvação da alma. O maior temor humano era a idéia do inferno que torna o ser
medieval submisso à Igreja e seus representantes.
São comuns procissões, romarias, construção de templos religiosos, missas etc. A arte
reflete, então, esse sentimento religioso em que tudo gira em torno de Deus. Por isso,
essa época é chamada de Teocêntrica.
As relações sociais estão baseadas também na submissão aos senhores feudais. Estes
eram os detentores da posse da terra, habitavam castelos e exerciam o poder absoluto
sobre seus servos ou vassalos. Há bastante distanciamento entre as classes sociais,
marcando bem a superioridade de uma sobre a outra.
O marco inicial do Trovadorismo data da primeira cantiga feita por Paio Soares
Taveirós, provavelmente em 1198, entitulada Cantiga da Ribeirinha.
Características; A poesia desta época compõe-se basicamente de cantigas,
geralmente com acompanhamento de instrumentos (alaúde, flauta, viola, gaita etc.).
Quem escrevia e cantava essas poesias musicadas eram os jograis e os trovadores. Estes
últimos deram origem ao nome deste estilo de época português.
Mais tarde, as cantigas foram compiladas em Cancioneiros. Os mais importantes
Cancioneiros desta época são o da Ajuda, o da Biblioteca Nacional e o da Vaticana.
As cantigas eram cantadas no idioma galego-português e dividem-se em dois tipos:
líricas (de amor e de amigo) e satíricas (de escárnio e mal-dizer).
Do ponto de vista literário, as cantigas líricas apresentam maior potencial pois formam a
base da poesia lírica portuguesa e até brasileira. Já as cantigas satíricas, geralmente,
tratavam de personalidades da época, numa linguagem popular e muitas vezes obscena.
Exemplos:
Cantigas de amor
Origem da Provença, região da França, trazidas através dos eventos religiosos e contatos
entre as cortes. Tratam, geralmente, de um relacionamento amoroso, em que o trovador
canta seu amor a uma dama, normalmente de posição social superior, inatingível.
Refletindo a relação social de servidão, o trovador roga a dama que aceite sua dedicação
e submissão.
Eu - lírico - masculino
Cantigas de amigo
Neste tipo de texto, quem fala é a mulher e não o homem. O trovador compõe a cantiga,
mas o ponto de vista é feminino, mostrando o outro lado do relacionamento amoroso - o
sofrimento da mulher à espera do namorado (chamado "amigo"), a dor do amor não
correspondido, as saudades, os ciúmes, as confissões da mulher a suas amigas, etc. Os
elementos da natureza estão sempre presentes, além de pessoas do ambiente familiar,
evidenciando o caráter popular da cantiga de amigo.
Eu - lírico - feminino
Cantigas satíricas
Aqui os trovadores preocupavam-se em denunciar os falsos valores morais vigentes,
atingindo todas as classes sociais: senhores feudais, clérigos, povo e até eles próprios.
○ Cantigas de escárnio - crítica indireta e irônica
○ Cantigas de maldizer - crítica direta e mais grosseira
Humanismo...

A Idade Média (476-1453) marcou uma série de mudanças na sociedade, algumas das
quais sentimos ainda hoje seus impactos. Conhecido também como Idade das Trevas
esse período histórico concretizou sistemas políticos e iniciou o processo que suscitou a
efetivação das bases do capitalismo. Além disso a Idade Média foi marcada também
pela construção de concepções ideológicas que serviram para introduzir o Homem no
contexto social e filosófico da humanidade.
A Igreja Católica, além de possuir o domínio territorial em grande parte da Europa,
tinha também o poder de estabelecer os critérios e os rumos para a pesquisa científica.
Praticamente todo pensamento científico da Idade Média estava subordinado aos
interesses da religião. Para solidificar sua ideologia religiosa a Igreja difundia a teoria
teocêntrica, onde defendia que Deus seria a explicação para a origem e o destino dos
seres humanos, por exemplo. O Homem estava submetido ao poder de Deus, enquanto
este guiava o rumo de sua vida. Sempre colocado pela religião em segundo plano, o
Homem era um agente passivo mediante o poder divino que concretizava alianças
monárquicas e militares e incitava a caça aos hereges.
Todo esse poder exercido pela Igreja foi, ao longo dos anos, ganhando força, enquanto
espalhava seus domínios pelo continente europeu. Entretanto, quando as bases do
sistema feudal começavam a ruir, movimentos revoltosos de camponeses eclodiam em
alguns pontos da Europa. Começariam a surgir questionamentos sobre o teocentrismo e
o Homem passava então a pensar o mundo sob o ponto de vista Humanista.
A teoria Humanista veio surgir somente no início do século XIV quando o italiano
Francesco Petrarca (1304-1374) colocou o homem como centro de toda ação e como
agente principal no processo de mudanças sociais. Essa posição de alguns pensadores
causou impactos na Igreja. No entanto o humanismo em nenhum momento renegou o
catolicismo. Humanistas como Petrarca eram religiosos, porém não aceitavam apenas
uma explicação como verdade plena.
O pensamento Humanista baseou-se no antropocentrismo. Se antes Deus e a Igreja
guiavam o Homem e seus passos, agora o Homem, por si só, obedecia à reflexão mais
aprofundada para discenir seus caminhos. O pensamento Humanista fez ressurgir na
cultura européia a filosofia greco-romana. Não obstante o grande avanço do pensamento
Humanista, este restringiu-se à filosofia e à literatura, não englobando outros setores
como as artes plásticas, por exemplo.
Petrarca, como fundador do Humanismo, é figura central no processo de revolução do
pensamento europeu que culminou com o movimento conhecido como Iluminismo. Foi
ele o primeiro humanista do Renascimento.

GIL VICENTE...
Como afirma o professor Segismundo Spina "Gil Vicente, como outros grandes gênios
da literatura ocidental - desde Homero a Camões e Shakespeare - não tem uma biografia
segura, ignora-se o lugar de seu nascimento (...) como se ignoram as datas de sua
existência". O mais provável é que ele tenha vivido entre os anos de 1465 e 1537.

Gil Vicente foi ourives oficial da corte, como afirmam seus biógrafos, até por volta do
ano de 1502, quando encenou a sua primeira peça o Auto da Visitação ou Monólogo
do Vaqueiro, em homenagem ao nascimento do filho de D. Manuel com D. Maria. A
peça fez tanto sucesso que o levou a elaborar outras, igualmente cheias de êxito.

Gil Vicente, além de ser colaborador na obra O Cancioneiro Geral, de Garcia Resende
desempenhou na corte a importante função de organizar as festas palacianas. Ele
alcançou tanto prestígio na corte que ousou em 1531, pôr ocasião de um terremoto, num
discurso feito perante os frades em Santarém, censurar energeticamente os sermões nos
quais os frades explicavam a catástrofe como resultado da ira divina. Na sua carreira de
dramaturgo, foi protegido pela rainha D. Leonor.

Perfil literário
Gil Vicente foi sem dúvida um homem que viveu um conflito interno, por conta da
transição da idade Média para a Idade Moderna. Isso quer dizer que foi um homem
ligado ao medievalismo e ao mesmo tempo ao humanismo, ou seja, um homem que
pensa em Deus mais exalta o homem livre.

O Autor critica em sua obra, de forma impiedosa, toda a sociedade de seu tempo, desde
os membros das mais altas classes sociais até os das mais baixas. Contudo as
personagens por ele criadas não se sobressaem como indivíduos. São sobretudo tipos
que ilustram a sociedade da época, com suas aspirações, seus vícios e seus dramas (tipo
é o nome dado aos personagens que apresentam características gerais de uma
determinada classe social). Esses tipos utilizados por Gil Vicente raramente aparecem
identificados pelo nome. Quase sempre, são designados pela ocupação que exercem ou
por algum outro traço social (sapateiro, onzeneiro, ama, clérico, frade, bispo, alcoviteira
etc.). Ainda com relação aos personagens pode-se dizer que eles são simbólicos, ou seja,
simbolizam vários comportamentos humanos.

Os membros da Igreja são alvo constante da crítica vicentina. É importante observar, no


entanto, que o espírito religioso presente na formação do autor, jamais critica as
instituições, os dogmas ou hierarquias da religião, e sim os indivíduos que as
corrompem.
Acreditando na função moralizadora do teatro, colocou em cenas fatos e situações que
revelam a degradação dos costumes, a imoralidade dos frades, a corrupção no seio da
família, a imperícia dos médicos, as práticas de feitiçaria, o abandono do campo para se
entregar às aventuras do mar.

A linguagem é o veículo que Gil melhor explora para conseguir efeitos cômicos ou
poéticos. Escritas sempre em versos, as peças incorporam trocadilhos, ditos populares e
expressões típicas de cada classe social.
A estrutura cênica do teatro vicentino apresenta enredos muito simples. Provavelmente
as peças do teatrólogo eram encenadas no salão de festas do castelo real.
O teatro de Gil Vicente não segue a lei das três unidades básicas do teatro clássico
(Grego e Romano) ação, tempo, espaço.
A ideologia das obras vicentinas apresentam sempre o confronto entre a idade Média e o
Renascimento ou Medievalismo (Teocentrismo versus antropocentrismo).

As obras de Gil Vicente podem ser divididas em três fases distintas:


1ª fase (1502/1508)
- Juan del Encima
- Temas Religiosos
2ª fase (1508/1515) - Problemas sociais Decorrentes da expansão marítima Destacando:

- "O Velho da Horta" (obra de cunho hedonta);


- "Auto da Índia".

3ª fase (1516/1536) - Maturidade artística


- "Farsa de Inês Pereira", que tem como tema é a educação feminina;
- "Trilogia das Barcas", uma critica social e religiosa.
A obra teatral de Gil Vicente pode ser didaticamente dividida em dois blocos:
Autos: peças teatrais de assunto religioso ou profano; sério ou cômico.
Os autos tinham a finalidade de divertir, de moralizar ou de difundir a fé cristã.
Os principais autos vicentinos são: Monólogo do Vaqueiro; Auto da Alma; Trilogia das
Barcas (compreendendo: Auto da Barca do Inferno; Auto da Barca da Glória, Auto da
Barca do purgatório); Auto da Feira, Auto da Índia e Auto da Mofina Mendes.
Farsas: são peças cômicas de um só ato, com enredo curto e poucas personagens,
extraídas do cotidiano.
Destacam-se Farsa do Velho da Horta, Farsa de Inês Pereira e Quem tem Farelos?
A obra vicentina completa contém aproximadamente 44 peças (17 escritas em
português, 11 em castelhano e 16 bilíngües).

RESUMO DE TROVADORISMO E HUMANISMO...


TROVADORISMO... Séculos XII a XIV: O trovadorismo e as cantigas
de escárnio e maldizer
É o período histórico do trovadorismo e das poesias líricas palacianas. O
amor impossível e platônico transforma o trovador num vassalo da mulher
amada, exemplo do amor cortês. Neste período, também foi comum o
poema satírico, representado pelas cantigas de escárnio (crítica indireta) e
de maldizer (crítica direta).

HUMANISMO...
Séculos XIV a XV: Humanismo
O homem passa a ser mais valorizado com o início do humanismo
renascentista. A literatura mantém características religiosas, mas nela já se
podem ver características que serão desenvolvidas no Renascimento, como
a retomada de ideais da cultura greco-romana. Na Itália, podemos destacar:
Dante Alighieri autor da Divina Comédia, Giovanni Boccaccio e Francesco
Petrarca. Em Portugal, destaca-se o teatro do poeta de Gil Vicente autor
de A Farsa de Inês Pereira e entre outros.

F I M...