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Terapia Cognitivo Comportamental

Para Depressão
O que são Transtornos Depressivos?

“São doenças psicológicas que alteram nitidamente o


humor e que causam prejuízos cognitivos, afetivos e
sociais. Os sintomas devem estar presentes quase
todos os dias”.

Fonte: DSM-V
Principais Sintomas da Depressão

• Humor deprimido, vazio ou irritável


• Alterações somáticas e cognitivas (agitação/retardo psicomotor)
• Alteração no funcionamento do indivíduo (fadiga, perda de energia)
• Prejuízo social
• Diminuição do interesse ou prazer em atividades cotidianas
• Ganho/perda de peso significativo
• Insônia/hipersonia
• Pensamentos recorrentes e sentimento de inutilidade/culpa excessiva (ruminação)

Fonte: DSM-V
O que é a Depressão para a TCC ?

“[...] a aprendizagem social e o reforço positivo são fatores que contribuem


para o início e a manutenção dos estados depressivos. [...] os pacientes sentem
depressão porque estão experimentando redução no reforço geral do mundo
externo – decorrente da redução do reforço positivo e/ou excesso de
experiências aversivas (POWELL, 2008).”
Terapia Cognitiva
Comportamental
“Busca-se produzir mudanças nos
pensamentos e crenças do paciente,
para que com isso, seja possível
modificar déficits comportamentais e
tornar a mudança duradoura.”
(CAMARGO; ANDRETTA, 2013).
Do que derivam os sintomas que o paciente deprimido apresenta?
Tríade Cognitiva
“O modelo cognitivo de Beck para a depressão pressupõe
dois elementos básicos: a tríade cognitiva e as distorções
cognitivas. [...] A tríade cognitiva consiste na visão
negativa de si mesmo, na qual a pessoa tende a ver-se
como inadequada ou inapta, na visão negativa do mundo,
incluindo relações, trabalho e atividades, e na visão
negativa do futuro, o que parece estar cognitivamente
vinculado ao grau de desesperança (POWELL, 2008).”
Distorções Cognitivas

“As distorções cognitivas, são compreendidas como


erros sistemáticos na percepção e no processamento
de informações [...] As pessoas com depressão
tendem a estruturar suas experiências de forma
absolutista e inflexível, o que resulta em erros de
interpretação quanto ao desempenho pessoal e ao
julgamento das situações externas (POWELL, 2008).”
Distorções mais comuns em Pacientes Deprimidos

1. Inferência arbitrária – conclusão antecipada e com poucas evidências


2. Abstração seletiva – tendência da pessoa a escolher evidências de seu
mau desempenho
3. Supergeneralização – tendência a considerar que um evento ou
desempenho negativo ocorrerá outras vezes
4. Personalização – atribuição pessoal geralmente de caráter negativo
Principais técnicas Cognitivas e Comportamentais

1. Registro e monitoramento de atividades – deve ser feito durante alguns


dias para evitar distorções decorrentes do humor ou de memória.

• Monitora, corrige e avalia distorções


• Auxilia a introdução de atividades prazerosas e produtivas
• Identifica atividades ligadas à afetos muito positivos ou muito negativos
Principais técnicas Cognitivas e Comportamentais

2. Psicoeducação – pensamentos geram sentimentos


“Eu penso que ___________ portanto, sinto-me __________.
Ex.: “Eu penso que ninguém gosta de mim portanto, sinto-me triste.”

3. Registro de pensamentos disfuncionais (RPD)


Grau de Grau da Contra
Evento Pensamento Emoção Evidências
crença emoção Evidências
Não consegui Fui a única a Não me
entregar um “Sou burra.” Alto Tristeza Forte tirar nota dediquei ao
trabalho. baixa. trabalho.
Principais técnicas Cognitivas e Comportamentais

4. Seta Descendente – tem a função de revelar as crenças centrais e de auxiliar o


paciente a desenvolver um raciocínio autônomo para questionar evidências, criar
pensamentos e avaliações alternativas.
Exemplo:
Situação: ”O professor não vai com a minha cara, nenhum trabalho que eu apresento está bom
para ele.”
(T) “O que você acha que acontecerá quando apresentar um novo trabalho para ele?”
(P) “Ele irá me dar nota baixa.”

(T) “Se isso acontecer, isso significa que...”


(P) “Eu sou incapaz.”
Principais técnicas Cognitivas e Comportamentais
(T) “Se você é incapaz, isso significa que...”
(P) “Não faço nada certo.”

(T) “Se você não faz nada certo...”


(P) “Não vou conseguir graduar.”

(T) “Se você não conseguir se graduar, significa que...”


(P) “Eu não vou arrumar emprego.”

(T) “Se você não arrumar emprego, significa que...”


(P) “Não vou ser ninguém, serei infeliz.”
“Somente se estiver graduado e com um emprego eu serei alguém e feliz.”
Outras técnicas Cognitivas e Comportamentais

• Solução de problemas e treinamento de habilidades


• Tomando decisões (listar vantagem e desvantagem de cada opção)
• Refocalizar –“estou tendo um pensamento automático”
• Medir humor e comportamento por planilha de atividades
• Prescrição gradual de tarefas
Caso Clínico – Critérios de Avaliação

A) Entrevista clínica:
• Dados do paciente,
• História de vida
• Contexto social e cultural
• Contexto familiar

B) Mensuração – Inventário Beck de Depressão (BDI-II)


C) Verificação do humor a partir de escala analógica
D) Verificação da presença de sintomatologia descrita no DSM-IV para EDM
Inventário Beck de Depressão (BDI-II)
• Instrumento de auto aplicação, constituído de 21 itens
• Usado para avaliar a severidade de sintomas da depressão
• Aplicação em adolescentes maiores de 13 anos, adultos e idosos
• Divisão em sub-escalas: cognitiva-afetiva, físicos-somáticos

Pontos de corte:
• 0-13 mínimo
• 14-19 depressão leve
• 20-28 depressão moderada
• 29-63 depressão grave
Caso Clínico – Utilização do BDI-II

Autoavaliação
Sessão BDI-II Relatos do paciente
do humor
Triagem 33 Grave - -
“Eu sempre penso o pior, porque eu sempre me frustro mesmo
1 ----- ----- -
[...] eu me sinto inferior.”
2 36 Grave - “Fiquei me sentindo mal e muito insegura.”
3 ----- ----- - Ficou angustiada
4 ----- ----- 10 “Eu me senti totalmente deprimida.”
5 31 Moderado - “Eu me senti mais tranquila.”
10 33 Grave - “Não me senti muito bem, nada vai dar certo.”
“Eu me senti mal, e não fiquei como antes eu ficava, foi mais
18 ----- ----- 6
leve do que era antes, mas me senti mal.”
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ASSOCIATION, American Psychiatric. Transtornos Depressivos. Manual Diagnóstico e


Estatístico de Transtornos Mentais DSM-V. 5. ed. Porto Alegre: Artmed, 2014. p. 155-188.

CAMARGO, Jéssica; ANDRETTA, Ilana. Terapia Cognitivo-Comportamental para depressão:


um caso clínico. Contextos Clínic, São Leopoldo, v. 6, n. 1, p. 25-32, Jun. 2013. Disponível em:
<http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1983-34
822013000100004&lng=pt&nrm=iso>. Acesso em: 22 maio 2018.

NUNES, Ana Rita Aires. A depressão à prova no BDI-II: Estudo das características
psicométricas do instrumento numa amostra de estudantes universitários. 2009. 232 f.
Dissertação (Mestrado) - Curso de Psicologia, Instituto Superior de Psicologia Aplicada,
Lisboa, 2009. Disponível em: <http://repositorio.ispa.pt/bitstream/10400.12/4388/1/10126.
pdf>. Acesso em: 22 maio 2018.

POWELL, Vania Bitencourt et al . Terapia cognitivo-comportamental da depressão. Revista


Brasileira de Psiquiatria, São Paulo, v.30, supl.2, p.s73-s80, Out. 2008. Disponível em:
<http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S151644462008000600004&lng=e
n&nrm=iso>. Acesso em: 22 maio 2018.