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O controle neural do sono de ondas lentas

O sono envolve a maior parte do cérebro, porém uma é mais importante: a


área pré-óptica ventrolateral (APVL), rostral ao hipotálamo e parte do
prosencéfalo basal.

1946: descobriu-se que a destruição dessa área levava a insônia total, coma e
morte em apenas três dias em ratos.

1968: em gatos, essa lesão provocava insônia vários dias após a destruição da
área.

Infusão de ácido caínico, que destroe corpos celulares, nessa área também
suprime o sono. Para corroborar a tese, a estimulação da área pré-óptica
ventrolateral provoca sinais de sonolência.

Evidências sugerem que os mecanismos prosencefálicos do sono estão


intimamente ligados a termorregulação do corpo, tanto neurônios que percebem
diretamente mudanças de temperatura no cérebro como aqueles que possuem
aferências de termorreceptores. O aquecimento dessa área induz o sono de
ondas lentas, onde verifica-se a sonolência na febre alta ou em dia quente.

 A atividade dos neurônios individuais da APVL aumentam tanto em sono


de ondas lentas quanto no sono REM.
 A APVL contém neurônios inibitórios secretores de GABA que tem
eferências com o núcleo Tuberomamilar, núcleos da rafe e locus coeruleus.
A ativação dessas três áreas causa excitação cortical e consequentemente
excitação comportamental.
 A adenosina é produzida quando os neurônios estão muito ativados e
inibe neurônios colinérgicos sendo um efeito antivigília no prosencéfalo
basal.

O controle neural do sono REM

O sono REM é caracterizado pela atividade dessincronizada no EEG, paralisia


muscular, movimentos rápidos dos olhos e aumento da atividade dos genitais.
Porém há também o primeiro sinal, a onda PGO (devido a ponte, núcleo
geniculado e occipital), e só poder ser identificada com eletrodos inseridos
diretamente no córtex. Elas são sequências breves e fásicas de atividade elétrica
que seguem as o caminho das estruturas acima. A seguir, aparecem as outras
características do sono REM.

Durante a vigília e o sono de ondas lentas, o sono REM é inibido por neurônios
serotonérgicos dos núcleos da rafe e noradrenérgicos do locus coeruleus.

MECANISMO EXECUTIVO

Drogas agonistas da acetilcolina facilitam o sono REM, diminuindo assim o


intervalo entre os períodos desse sono.
Estudos sugerem que neurônios colinérgicos sejam responsáveis pela
ativação cortical durante o sono REM e a vigília.

Os grupos mais importantes de neurônios colinérgicos para o sono REM são:

 Núcleo tegmentar pedúnculo-pontino (TPP)


 Núcleo tegmentar laterodorsal (TLD)

Ou região peribraquial, a qual está relacionada com o ciclos do sono. O


aumento nos disparos desses neurônios significa o início do sono REM.

A área peribraquial emite axônios para regiões:

 do tálamo: controle da atividade cortical.


 Prosencéfalo basal indiretamente: ativação e dessincronia cortical.
 Tectum: movimento rápidos dos olhos.
 Região ventral do locus coeruleus e depois para o Núcleo Magnocelular
(bulbo) e para a medula: sinapses inibitórias com neurônios motores.
 Núcleo geniculado lateral: ondas PGO.

Acredita-se que a paralisia durante o sono REM seja a prática do sistema


motor útil para melhorar o desempenho dos comportamento que aprendemos
durante o sono, sem realizar efetivamente esses movimentos enquanto
dormimos.

A ativação da formação reticular medial pontina (FRMP) por um agonista da


acetilcolina induz o sono REM, pois estimula através desta os neurônios da área
peribraquial.

Quando um animal é privado do sono REM, ele mostra efeito rebote ao final do
período de privação, é provocado um aumento na ativação dos neurônios da área
peribraquial, mesmo com o animal acordado. Representando a “pressão REM”.

A diminuição da temperatura, característica do sono de ondas lentas, é


responsável pela ativação dos neurônios da área peribraquial, estimulando os
neurônios responsáveis pelo sono REM.

Substâncias agonistas de serotonina e noradrenalina inibem o sono REM. Os


neurônios serotonérgicos dos núcleos da rafe e os noradrenérgicos do locus
coerulleus estão na fase de menor ativação.

O fato da quantidade de sono ser regulada sugere a produção de substâncias


geradoras de sono ou de vigília.

São quatro os sistemas neuronais importantes na vigília:

#sistema colinérgico da área peribraquial da ponte e do prosencéfalo basal –


ativação cortical.

#sistema noradrenérgico do locus coeruleus – vigilância


#sistema serotonérgico dos núcleos da rafe – comportamento estereotipados.

#sistema histaminérgicos do núcleo tuberomamilar – ativação cortical.

O sono de ondas lentas ocorre quando os neurônios da APVL tornam-se ativos.


Esses neurônios inibem os sistemas citados acima. O acúmulo de adenosina pode
também inibir os neurônios colinérgicos. Os episódios do estágio de sono REM
ocorre somente quando cessar a atividade dos neurônios serotonérgicos e
noradrenérgicos.

DISTÚRBIOS DO SONO

Insônia

Afeta 25% da população ocasionalmente.

Não há uma definição exata para quantidade de sono que indivíduo deve
dormir, assim a insônia deve ser definida quanto a necessidade de sono para
cada pessoa.

Insônia por dependência de droga: A causa o uso excessivo da medicação para


dormir, pois a insônia não é uma doença para ser tratada com remédio, é,
portanto, um sintoma. A causa, como dores ou ansiedade, deve ser tratada
diretamente. Muitas pessoas desenvolvem tolerância e sofrem efeito rebote
quando retirada a droga, perdendo a eficácia da substância e sofre abstinência,
que é distúrbio severo de sono.

A maioria das pessoas subestima a quantidade de sono que dormem,


pensando em insônia. E o efeito do medicamento não é relevante, aumentando
em média somente 30 minutos de sono por noite.

Vários soníferos tem como objetivo fazer o paciente entrar em uma etapa de
sono mais rápido, porém o efeito deveria fazer as pessoas sentirem-se renovadas
no dia seguinte, o que não ocorre com várias drogas. Recentemente,
pesquisadores avaliaram que uma medicação efetiva deveria ser ministrada
durante o período de vigília da noite seguinte, diminuindo a “ressaca” do
medicamento.

Apneia do sono: é caracterizada pela incapacidade de dormir e respirar ao


mesmo tempo. Várias pessoas apresentam períodos apnéicos durante o sono,
principalmente aquelas que roncam, porém não o afeta. Quando a pessoa para de
respirar, o nível de gás carbônico no sangue sobe, estimulando os
quimiorreceptores, acordando o indivíduo em busca de ar. O nível de oxigênio
volta ao normal e o ciclo recomeça novamente. A causa muitas vezes é somente
uma obstrução das vias aéreas.
Problemas associados ao sono REM

Narcolepsia: caracteriza-se pela ocorrência do sono ou uma de suas etapas em


momentos inadequados. As pessoas não passam pelo sono de ondas lentas, indo
da vigília ao sono REM. É um distúrbio genético, causado pelo ataque de
neurônios produtores de um neuropeptídeo chamado de orexina. São estes
alguns sintomas da narcolepsia:

 Ataque do sono, ou seja, necessidade incontrolável de dormir em


condições monótonas, durando de 2 a 5 minutos.
 Cataplexia, onde a pessoa esmorece e cai, caracterizando a etapa de sono
REM em momento inadequado, durante segundos ou alguns minutos. É
gerada por uma emoção intensa ou esforço físico abrupto.
 Paralisia do sono: a paralisia do sono REM invade momento de vigília,
antes ou depois do sono normal, podendo ocorrer episódios de sonhos,
mesmo com a pessoa acordada, são as alucinações hipnagógicas.

A doença pode ser tratada com drogas de agonistas serotonérgicas e


adrenérgicas que inibem o sono REM, ou drogas antidepressivas, que
facilitam essas vias.

REM sem atonia: o comportamento durante o sono REM que imita a conteúdo
dos sonhos. É um distúrbio herdado, mas pode ser causado pela lesão da via
entre a região subcerúlea e o núcleo magnocelular. Tratado com
benzodiazepínico.

Problemas associados com sono de ondas lentas

Caracterizados pela enurese noturna (urinar na cama), sonambulismo, terror


noturno. Ocorrem com mais frequência em crianças. Não há evidências de que
estejam relacionados com distúrbios mentais ou relativos a personalidade.

RELÓGIOS BIOLÓGICOS

 Nossos comportamentos seguem ritmos regulares, nossos padrões diários


de sono e vigília seguem um ciclo de aproximadamente 24 horas, são os
chamados ciclo circadianos. São indicados pela luz do ambiente ou por
relógios internos.
 A luz sincroniza o ritmo endógeno. Chamada de zeitgebers: doador de
tempo. Em humanos, o período de descanso inicia um pouco depois do
fim da luz e persiste durante um tempo variável durante próxima a fase
de luz.
Núcleo Supraquiasmático (NSQ): localizado no hipotálamo
 Principal relógio biológico, organizando ritmos circadianos e
temporizando períodos de sono, mas sem afetar a quantidade total,
regulando por estímulos químicos.
 Via reticulohipotalâmica: leva informação da luz para o NSQ, proveniente
de um fotorreceptor especial da retina – células que contém melanopsina.
Após estímulo de luz, o NSQ começa a produzir a proteína Fos.
 Lâmina do intergeniculado (LIG), parte do corpo geniculado lateral:
ativados pela luz, liberam GABA e uma substância denominada
neuropeptídeo Y, mudando a temporização dos ritmos. Importante na
regulação através de outros estímulos ambientais.
 Não é o NSQ que determina se o animal é diurno ou noturno.
 O relógio são os próprios neurônios, mas unidos, eles mantém a mesma
periodicidade, através de substâncias químicas liberadas por eles. Os
ritmos intracelulares são caracterizados por inibição de produção de uma
proteína quando esta chega a determinada quantidade.

Controle dos ritmos sazonais: Glândula Pineal e Melatonina

Envolve tanto a Pineal quanto o NSQ, pois estes determinam as estações do


ano de acordo com o tempo que ficam expostos a luz e controlam assim a
atividade da Pineal, através do hipotálamo e do sistema autônomo simpático.

A Pineal produz o hormônio melatonina durante a noite, que controla os


ritmos sazonais e atua em várias estruturas do cérebro, controlando
hormônios e processos fisiológicos que dependam de ocasiões sazonais.

A melatonina pode afetar a sensibilidade dos neurônios do NSQ ao zeitgebers,


e assim alterar ritmos circadianos.

Alterações dos ritmos circadianos

Jet Lag: fenômeno temporário, onde uma pessoa pode sentir distúrbios do
sono, alterações de humor e queda de rendimento diurno causado, por
exemplo, pelo deslocamento por vários fusos horários. Para melhorar, prover
fortes zeitgebers em horário apropriado ajuda a regular o relógio interno.