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ALIENAÇÃO, IDEOLOGIA E MITOS NA ATUALIDADE

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UNIVERSIDADE FEDERAL TECNOLÓGICA DO PARANÁ BACHARELADO EM SISTEMAS DA INFORMAÇÃO

BRUNO GUILHERME ANDRETTA DE MIRANDA CELSO WOLSKI EMERSON SHIGUEO SUGIMOTO FERNANDO HIROSHI SUEMITSU RODRIGO CIRINO VAGNER VENGE

ALIENAÇÃO, IDEOLOGIA E MITOS NA ATUALIDADE.

TRABALHO DE GRADUAÇÃO DA DISCIPLINA DE TECNOLOGIA E SOCIEDADE

CURITIBA 2009

BRUNO GUILHERME ANDRETTA DE MIRANDA CELSO WOLSKI EMERSON SHIGUEO SUGIMOTO FERNANDO HIROSHI SUEMITSU RODRIGO CIRINO VAGNER VENGE

ALIENAÇÃO, IDEOLOGIA E MITOS NA ATUALIDADE.

TRABALHO DE GRADUAÇÃO DA DISCIPLINA DE TECNOLOGIA E SOCIEDADE TRABALHO DESENVOLVIDO PARA A DISCIPLINA DE TECNOLOGIA E SOCIEDADE DO CURSO DE BACHARELADO EM SISTEMAS DA INFORMAÇÃO DA UNIVERSIDADE FEDERAL TECNOLÓGICA DO PARANÁ COMO AVALIAÇÃO. PROF. ROBERTO RANNA KELLER

CURITIBA 2009

SUMÁRIO
1. INTRODUÇÃO..................................................................................................... 4 2. CAPÍTULO 1: ALIENAÇÃO............................................................................... 5 3. CAPÍTULO 2: IDEOLOGIA................................................................................ 10 4. CAPÍTULO 3: MITOS NA ATUALIDADE........................................................ 12 5. CONCLUSÃO....................................................................................................... 16

INTRODUÇÃO

A alienação possui vários significados, contudo o mais comum é a ausência de bens: materiais ou espirituais. Na Idade Média a religião alienava as pessoas com uma doutrina rígida no qual quem detinha um pensamento diferente o da igreja era amaldiçoado a ficar eternamente no inferno. Com o avanço da técnica e do cientificismo, a humanidade alienou-se a indústria, cuja classe do proletariado foi manipulada a ficar horas em serviço e com pouco tempo de lazer para garantir o bem-estar de seus patrões. Posteriormente, com a tecnologia da mídia ficou mais fácil para a classe dominante alienar a “massa”, utilizando agora do rádio, da televisão e do cinema para produzir entretenimento e conduzir o povo a construir os desejos dos dominantes. Ideologia é um conjunto de idéias de um indivíduo ou grupo, que tem relação com a política. Ela também é um método de controle usado pela classe dominante. Na história da humanidade houve ideologias que mudaram conceitos que perduraram por séculos e outros que duram até hoje. Antigamente, os mitos tinha como significado a explicação dos fenômenos naturais, hoje utiliza da palavra mito para referir-se, de forma pejorativa, às crenças comuns. Mas ainda há um pouco do primeiro significado nas histórias infantis e em revistas em quadrinhos, que visam ter uma função pedagógica e de implantar desde criança as idéias de sua sociedade e a conduta ao qual elas devem seguir.

ALIENAÇÃO, IDEOLOGIA E MITOS NA ATUALIDADE.

A ALIENAÇÃO

A

definição

da

palavra

alienação

é

ampla:

podendo

significar

ausência de bens, transferência de propriedade, desligamento da realidade, ou ainda perda de personalidade. Ou seja, significa a perda de bens sejam eles materiais, físicos, mentais, emocionais, culturais, sociais, políticos ou econômicos. O mito é uma das fontes da alienação. A religião, por exemplo, causa alienação devida a “verdade” que a ciência não pode responder, outrora, no passado a instituição religiosa, detentora do saber, o guarda para si, na forma de textos em Latim, língua secreta para a maioria (exceto para os “iniciados”), como forma de dominação sobre a massa, que alienada segue “religiosamente” sobre o cabresto e domínio da instituição, contestá-la seria o mesmo que contestar ao próprio Deus, Criador Onipresente, que tudo sabe e tudo vê (aqui sem referências à fé de cada um, mais à imagem que a instituição tomou para si), mito criado pela instituição, não segui-la significa ser “excomungado” e passar uma eternidade num lugar terrível e com os mais terríveis pesadelos. Quando o mito torna-se esclarecimento, a natureza (e a imagem de Deus) perde força, e o poder do esclarecimento concedido ao homem causa a alienação do próprio. Afinal o esclarecimento é uma ferramenta de manipulação que transforma o ser (por incorporá-la) em uma imagem dessa mesma ferramenta. O dominante acaba sendo dominado por seu próprio instrumento, perdendo assim sua personalidade, alienando-se. Uma vez que a ciência, dona de toda verdade, não se permite estar errada. E sendo verdade não pode ser contestada, assim mesmo a distorção revestida de preceitos da ciência, é tida como verdade, tornando-se assim

um instrumento de manipulação, molda-se à medida da necessidade da manipulação. Quando algo parece certo, outras coisas perdem o valor. Um exemplo disso é a produção: Uma pessoa produz vegetais de certa maneira e, com isso, obtém um ótimo resultado, outras pessoas ao perceberem isto, acabam copiando o processo sem levar em conta as suas diferenças. Isso causou que certas pessoas acreditassem que ser diferente é ruim. Padronizando também o individuo, tornando-o um ser que não pensa por si mesmo, por estar preso por conceitos pré-definidos. E quando a admiração passa a ser alienação, isso começa a afetar os sistemas produtivos, que deixam de fabricar produtos personalizados, para a produção de produtos padronizados com a “vantagem” de serem baratos. O ideal burguês trouxe essa linha de pensamento com ele. Uma vez que quanto menor o custo, maior o lucro e as vendas: “Todos vão querer um (produto) igual”. Causando assim a alienação do trabalhador: que vive em uma rotina faz tudo sempre igual e quase nunca tem um momento de lazer, sob a dominação fabril, muitas vezes o trabalhador desconhece o que é lazer, conhece apenas o entretenimento imposto pelo sistema, até o momento que ele deveria dedicar ao lazer é dedicado ao entretenimento, mesmo em busca do lazer, o que ele encontra é apenas o entretenimento, manipulado torna-se um momento espelhado no trabalho, acondiciona-se o ser humano à apenas um objetivo, à produção, à eficiência no produzir, a individualidade se deturpa e se torna em uma pseudo-individualidade, o homem unidimensional, instrumentalizado pela razão incapaz de realizar qualquer pensamento crítico, segundo Marcuse. Diferente do escravo, o trabalhador proletário é confinado no seu trabalho, é escravizado no mais íntimo do seu ser, robotizado, não com grilhões mais de forma à retirar sua reflexão, seu pensamento crítico. Pois se ficar desempregado deixará de ter a pouca autonomia que possuí. Torna-se um outro tipo de escravo: escravo do tempo, do ritmo de trabalho, do estudo e do dinheiro. Acaba trabalhando para o dinheiro e não o contrário torna-se instrumento do sistema. Alienando o trabalhador de sua humanidade. Fazendo com que o ócio (antes visto pelos romanos com uma necessidade humana) se tornasse algo prejudicial mal visto pela sociedade, enquanto o trabalho (que era

considerado um castigo) algo positivo, gravam-se os valores de dominação de diversas formas no homem instrumentalizando-o. Segundo Marx, surgiu então à alienação da sociedade burguesa: fetichismo, ou seja, idolatrar certos objetos. O importante não é mais ser e também não é o sentimento, a consciência, o pensamento. Sendo o dinheiro o maior fetiche desta cultura, que acredita que com dinheiro se tem tudo. Seguindo Horkheimer, essa inversão de valores (o homem deixa de ser fim para ser meio do processo de produção, perdendo seu espaço para o dinheiro e para as maquinas: mais vale uma máquina funcionando do que um empregado contratado), produção em série, eficiência, produzir, produzir e produzir, são os objetivos do sistema, o homem torna-se máquina. Deturpa-se a cultura, onde o ser não possui importância, apenas o ter é valorizado, sociedade de cultura moldada e forjada ao consumismo, “ter é poder”, nos meios de entretenimento o que se vê são bens materiais, carros, mansões e diversos bens de consumo, o trabalhador diante desta universalidade manipulada se vê marginalizado, excluí-se o trabalhador e se magnífica o sistema, as sociedades dominantes, a idéia passada é de que por um acaso do destino ou pela sorte alguns são privilegiados e acertaram na loteria, estes sim são os escolhidos a ter uma vida farta e de prazeres, o trabalhador acostuma-se com o sistema e com a vida que lhe é imposta, as idéias passadas pelos dominantes acondicionam o trabalhador a “abaixar a cabeça” e aceitar sua vida miserável, a cumprir com o seu “dever” e “obrigação” de servir aos interesses da sociedade dominante, exatamente como quer o sistema, eximir-se de toda a culpa, mascarar a verdade, que seu sucesso e seus frutos colhidos vem do suor do trabalhador. O processo industrial causa uma alienação do trabalhador que (após o fordismo) só conhece sua parte do serviço. E deixa de ter o conhecimento necessário para fazer seu próprio negócio, não conhece o todo, não sabe o que esta fazendo (alienado), produz para o dono da empresa, mais nunca terá acesso ao produto feito pelo seu suor, tornandose ainda mais dependente e facilmente dominado: Alienado do saber técnico. “Robotizado” e “automatizado”, desempenha a mesma função

repetidamente, não sabe o que sua tarefa isolada esta fazendo, qual será o fim que a sua parte terá, nem a dimensão do seu trabalho. A humanidade se constrói com a cultura, pois o idealismo norteia os valores. Mas o que é cultura? Cultura é tudo aquilo que o homem interage, modifica, é a “liga” o cimento que une as pessoas. A cultura engloba assim diversas áreas: crenças, costumes, códigos, ferramentas, arte, religião e até mesmo a ciência. Ou seja, tudo que envolve o ser humano: seus costumes. E é base para um grupo de pessoas que vivem em grupos, todos são cultos. E assim com a indústria cultural, nasce assim o entretenimento: mais barato que o lazer, ora o lazer não pode ser industrializado o entretenimento sim. Aquilo que agradaria um agora tem que agradar todos, a indústria cultural baseia-se no que agrada a maioria, o entretenimento é industrializado, padronizado, para gerar única e exclusivamente o lucro, e quem não concordar está fora de moda, arcaico, velho, é discriminado, marginalizado. Para não tornar-se um alienado social, muitos acabam consumindo esse passatempo, segue a moda e a corrente, o entretenimento não passa de um passatempo. Com isso desenvolve-se a cultura de massa, que cria uma falsa imagem de individualidade, uma pseudoindividualidade, já que é universal. Uma forma de cultura criada para bitolar o individuo com conteúdos descontraídos, não comprometedores e não reflexivos, que não causam o estranhamento. Músicas com ritmo sem conteúdo (“música ligeira”, Adorno), feitas “sob medida” e que seguem uma receita, filmes que roubam a imaginação. Tornando o homem inexpressivo, sem opinião própria. Uma cultura desenvolvida para o gosto médio da população, por pessoas diferentes daquela que a desenvolveu, não é mais cultura, mais produto. Dirigida por modismos como diversão e passatempo. Com sua “confiabilidade” domina as pessoas. A indústria cinematográfica se esforça em criar uma realidade dentro dos seus filmes, quanto mais real for filme, mais fácil o consumidor irá “engolir” os preceitos passados na película, mesmo que o espectador discorde dos valores deturpados passados ele não terá como discordar, pois esta à frente de uma máquina, um projetor cinematográfico, e não diante de uma pessoa com quem possa discutir e refletir sobre as idéias

passadas, não tem como refutar, o processo de reflexão e crítica não existe, não existe um crescimento pessoal, mesmo que discorde do que lhe é apresentado se não a quiser perder a lógica tudo do filme, que é que passa velozmente no ritmo do filme, terá que ignorá-los, interiorizando-os, assim acostuma-se massa aceitar imposto, subconscientemente os valores são passados ao espectador, semelhante a televisão e o rádio, transformado à todos em passivos. Entretenimento se difere de lazer por visar o prazer e o bem estar humano. Um resgate a humanidade retirada pelos tipos de alienação. O lazer é um tempo no qual a pessoa se descobre, produz arte, se expressa, desenvolve um pensamento crítico e reflexivo sobre as coisas, “visa o prazer pessoal como um fim em si” (Aranha, M. L. A., Martins, M. H. P. – Temas de Filosofia).

IDEOLOGIA

Ideologia foi definida por Marx como uma “teoria geral das idéias”, utilizada com o fim de deformar a realidade. Ou seja, um conjunto de idéias produzida por classes dominantes para dominar mais ainda o resto da sociedade, manter os ricos onde no poder e a sociedade sobre seu domínio. Cria uma falsa consciência, voltada no interesse da classe dominante (http://pt.wikipedia.org/wiki/Ideologia). Existem diversos tipos de ideologias e essas usam como meio de propagação os meios de comunicação, as instituições de ensino, as igrejas, as entidades assistencialistas entre outras. A ideologia é uma ordem que quando todos estão de acordo com ela ninguém a questiona e ela esta lado a lado com os processos de alienação. A ideologia suprime uma pessoa de seus conceitos e idéias próprias, segue dominada pela ideologia do sistema. A ideologia muitas vezes confunde-se com a religião, mesmo que ambas tenham como ideal ser um sistema que visa transmitir uma doutrina de conduta e de verdade a seus seguidores elas se diferem em seus métodos de persuasão. A religião defende uma idéia de sociedade justa, uma sociedade que convive em ajuda mútua, ou seja, viver harmoniosamente em comunidade, porém não possui uma relação com política ou econômica de um país, o método de convencimento é feito pelo uso da fé e do culto no qual o indivíduo busca na espiritualidade a redenção do espírito e da sua purificação. Já a ideologia tem como base o convencimento de um indivíduo, um grupo, ou até mesmo uma nação pelo uso legítimo da razão (mesmo que de forma falsa) para valorizar suas idéias. No século XV a religião aproximou-se muito da ideologia, quando surgiu a idéia proferida por Girolamo Savoranola na qual inspirou os movimentos de reforma religiosa com o desenvolvimento do calvinismo e as comunidades puritanas e com a relutância da igreja católica sobre esses novos movimentos impondo uma rígida doutrina: a Contra-Reforma.

As ideologias tiveram um grande vigor no século XX destacando-se: Ideologia anarquista – defende a liberdade e a eliminação do estado e de suas formas de poder. Ideologia conservadora – Vigora a idéia de manutenção de valores e costumes de uma sociedade. No Brasil, essa idéia procura valorizar o paternalismo herdado na época da colônia. Ideologia nacionalista – tem a visão de exaltar e valorizar o seu próprio país, promovendo a cultura nacional e os seus valores, normalmente essa ideologia é utilizada para unificar a nação, um exemplo será citado a seguir. Ideologia fascista - Surgida por volta da década de 30 na Alemanha que na época vivia uma crise econômica e política necessitava de uma ideologia para evitar um desastroso declínio, adotou essa ideologia que tinha como preceitos um caráter nacionalista extremista, que utilizou do autoritarismo para unificar a população. Essas idéias foram adotadas também por outros países europeus como a Itália e Portugal. Ideologia comunista – Implantado na Rússia após a Revolução Russa em 1917, o regime ideológico baseava-se numa sociedade em que o proletariado tivesse o controle sobre os meios de produção, tornando-se assim, uma sociedade com valores igualitários e coletivos. Ideologia democrática – Surgida em Atenas, na Grécia Antiga, tem como ideal a participação de cada cidadão na vida política. Atualmente, essa povo. Ideologia capitalista – Surgiu na Europa no século XV, com a ascensão da burguesia ao poder, tornou-se a principal ideologia do mundo contemporâneo. Valoriza o lucro e o acúmulo de riqueza. Proporcionando o surgimento de novos valores na sociedade: tornou o capital como fim do processo de produção, o setor terciário tornou-se o mais importante e o homem busca no trabalho e no dinheiro a realização pessoal. ideologia é manipulada pela classe dominante que distorce informações para se manter no poder e de forma enganosa, controlar o

O MITO NA ATUALIDADE

O mito, apesar de há muito não mais possuir um conceito conciso e unânime, tradicionalmente traduz-se a uma realidade antropológica voltada a questões cosmogônicas e escatológicas, bem como interpretações da própria existência coletiva e individual, particulares a cada cultura e sociedade, referindo-se das em seus níveis mais e profundos a temas em e interesses que transcendem a experiência imediata. Utilizando-se crenças religiosas sobrenaturais suas narrativas, que eram passadas de geração em geração, as culturas arcaicas tinham no mito tanto um agente esclarecedor quanto pedagógico, em que eram retratados humanos, deuses e bestas, heróis e vilões, em tempos que iam daqueles anteriores à gênese do mundo até contemporâneos à existência da própria civilização, ou referentes ao fim da humanidade, do mundo e dos tempos. Assim, humanas e com a finalidade segundo de esclarecer as e justificar de cada toda uma civilização, o mito devia possuir um caráter universal: as personagens previsíveis expectativas cultura, representavam a humanidade como um todo, tanto quando retratavam-se heróis quando como quando retratavam-se vilões. Quando politeísta, a sociedade freqüentemente reduzia os deuses míticos a personificações maniqueístas do bem e do mal. Talvez uma das únicas exceções seja a mitologia grega antiga, em que os deuses possuíam personalidades que se aproximavam das humanas, sendo suscetíveis a fraquezas, anseios e desvios de conduta. Numa generalização grosseira, os mitos dos antigos podem ser divididos em dois temas principais: a origem e o desaparecimento. Sobre este, os mitos tratam desde a morte individual até o desaparecimento de todo um povo. Na mitologia, a morte era raramente citada como fato natural; era um elemento estranho e oposto à criação, justificado em alguns casos como castigo divino (aqui exemplifica-se o dilúvio, história presente em religiões cristãs e anteriores a esta), e em outros como único meio de evitar a superpopulação. Já a respeito daqueles que tratam da

origem (os cosmogônicos), é comum encontrar em vários mitos a figura de um agente criador, em que é mencionado uma matéria preexistente, como por exemplo os oceanos, o caos (segundo Hesíodo), ou a terra, para algumas mitologias africanas. Neste mesmo tópico, ainda há alguns mitos que tratam de uma criação ‘’ex nihilo’’, ou seja, a partir do nada; crença esta que já requer algum tipo de elaboração filosófica ou racional. Temos então, como exemplo, a cosmogonia chinesa, que atribui a origem do universo, da humanidade e dos demais elementos a combinações das duas forças ou princípios universais: ying e yang. Hoje, porém, a idéia de mito reduziu-se a mera aliada no estudo de civilizações primitivas. Outra Numa filósofo aproxima parte, cultura entretanto, escrava do teve o significado adaptado, as ou até “deturpado” à sociedade atual, como será tratado a seguir. pensamento cientificista, crenças (que se míticas, supersticiosas e até religiosas perderam espaço. Augusto Comte, francês do século do XIX e fundador do positivismo pregando a compreensão existencialismo, possibilidade

apenas pela experiência), define a maturidade do espírito humano pelo abandono de todas as formas míticas, supersticiosas e religiosas. Tudo deve ser comprovado pela experimentação, transformação da Ciência (no caso a grega), de especulativa em empírica (Alexandre Magno), e as crenças e explicações metafísicas à realidade foram postas de lado, menosprezadas, tendo sido conservadas apenas às culturas consideradas menos desenvolvidas, em que a tecnologia e a ciência ainda não constituíram uma ditadura sobre a mentalidade. Ao invés de desaparecer, todavia, a idéia de “mito” adaptou-se a idéias modernas, tomando outras formas e tendo sua definição flexibilizada. Os antigos heróis míticos, como Hércules e Aquiles, foram reduzidos a personagens infantis, como Superman, X-men, e outros personagens de quadrinhos e desenhos animados. Todas criaturas que possuem habilidades que vão além das do homem, mostrando-lhe quão limitado é. E este universo de histórias infantis talvez tenha sido o único em que os mitos foram admitidos enquanto histórias: contos de fada, super heróis e fábulas

ainda trazem retratos da universalidade da ação e pensamento humanos, bem como a definição das diferenças entre bem e mal, certo e errado, e exercem uma função pedagógica, constituindo os valores da sociedade vigente às gerações mais novas, afirmando ideologias, dogmas e comportamentos necessários à sociedade em que se inserem. E, por mais insignificantes e irrelevantes que pareçam, esses são os que mais se aproximam da idéia original de “mito”. Também pode-se fazer referência aos mitos nas crenças e histórias religiosas, que nada mais são do que as mitologias sobreviventes ao tempo e ao ceticismo cientificista. Nas maiores religiões da atualidade (cristianismo, hinduísmo, budismo, judaísmo, islamismo, etc.), encontramse diversas fábulas e contos sobre temas bastante familiares aos já citados, como origem, destruição, conduta e ideologias. Na bíblia cristã, um dos mitos mais conhecidos é o de “Adão e Eva”, em que são explicados a origem da humanidade por um ente criador, a falha na conduta caracterizada que se pela resume da desobediência à destruição de e deste, e o e castigo, em da o a mortalidade, exemplo, previsões a individual, que trata algumas existência fim da

interpretações, da humanidade como um todo. história metafísicas jornada do futuro Sidarta,

Na crença budista, há, por

momentânea, do tempo em si e de sua evidente inexistência, bem como das especulações sobre humanidade. “Mito”, também adaptou-se para designar situações e contextos que soem inverossímeis, comumente acompanhado de certa ironia. Por exemplo: “o mito da boa mãe”, ou “o mito do bom velhinho”, ou até mesmo “o mito do casamento feliz”. Apesar de ser uma utilização um pouco mais afastada, também adotou o uso do vocábulo, pois este, em sua concepção original, refere-se a algo fantasioso e distante. A última das adaptações da expressão “mito” é utilizada para definir pessoas reconhecidas, ícones da sociedade atual, heróis populares ou burgueses, atores, cantores e todo tipo de famosos com quem o povo se identificou e passou a venerar. Heróis, reis, rainhas são expressões que aparecem com freqüência em mitos, terminologia esta que foi adotada pela mídia (rádio, cinema,

televisão, jornais...) para caracterizar indivíduos de destaque nos meios de comunicação e no imaginário contemporâneo: “rainhas do rádio”, “rei do futebol”, “estrelas de cinema”, entre outros títulos que remetem a personagens míticos. Ainda acima disso tudo, ainda estão personagens célebres da nossa cultura ocidental que foram promovidos a “mitos” pela mídia e pela população, o que acabou por simplificar e alterar ainda mais o termo. Entre eles estão Marilyn Monroe, Pelé, Che Guevara, Ayrton Senna e Leila Diniz: cada um, em seu modo particular, influenciou gerações inteiras. Alguns teóricos, a respeito de mitos criados pela mídia e consentidos pela população, afirmam que a cultura de massa fornece à vida privada as imagens e os modelos que dão forma às inspirações e desejos do homem comum, e usa a terminologia mítica para referir-se a eles. Segundo o historiador Mircea Eliade, nas sociedades modernas, os mitos encontram-se degradados e secularizados, foram obrigados a mudar de “forma” a fim de assegurar sua sobrevivência. Todavia, nesta última das interpretações atuais do termo “mito”, há uma falha profunda e ao mesmo tempo sutil. Definamos antes, porém, as diferenças entre a personagem mítica e a personagem romântica: segundo o filósofo e escritor italiano Umberto Eco, pode-se notar uma diferença fundamental entre os dois tipos de personagens: a personagem do romance busca assemelhar-se aos humanos reais, assumindo o que o autor chama “personalidade estética”, capacidade de tornar-se termo de referência para comportamento e sentimentos que também pertencem a todos nós, mas que não assume a universalidade e constância próprias ao personagem mítico. A personagem romântica caracteriza uma determinada e bifurcada linha do pensamento humano. Já a personagem mítica visa determinar toda a ação humana. como Portanto, “mitos”, essas são na personalidades verdade célebres definidas românticas, atualmente personagens

representando nada mais que a soma de certas aspirações coletivas, o que nos leva a concluir que o termo não foi, nessa ocasião, adaptado, mas sim deturpado.

CONCLUSÃO

Os conceitos transmitidos na síntese desse trabalho tem como função explanar um pouco sobre os ideais de uma sociedade dividida em classes extremamente desigual e cujo sistema (dominado pela classe dominante) promove dominada. Os mitos, as ideologias e a alienação são métodos utilizados para dominar, que convém para um grupo pequeno que possui os meios de produção. uma diferença alarmante entre classe dominante e classe

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