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RC3 reflexoes EJA

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Resenha da leitura, resumo e crítica do artigo científico Reflexões acerca da organização curricular e das práticas pedagógicas na EJA escrito por Inês Barbosa de Oliveira. O artigo propõe uma reflexão sobre a organização curricular destinada à educação de jovens e adultos. I - REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA DA OBRA O presente artigo científico foi publicado em 2007 pela revista eletrônica da Editora UFPR, Educar em Revista, volume 29, como parte do dossiê Educação de Jovens e Adultos: novos diálogos frente às dimensões contextuais contemporâneas, formado por um conjunto de textos sobre a temática, organizado por Sônia M. C. Haracemiv. II – CREDENCIAL DO AUTOR Inês Barbosa de Oliveira tem Pós-doutorado pela Universidade de Coimbra (2002). Atualmente é Professora adjunta da Faculdade de Educação e do Programa de Pós-Graduação em Educação da UERJ. Tem experiência na área de Educação com ênfase em currículo. Coordena o grupo de pesquisa sobre Redes de conhecimentos e práticas emancipatórias no cotidiano escolar. Atua em pesquisa sobre as práticas educativas em EJA com o objetivo de compreender o que se refere aos currículos, à questão da cidadania e dos direitos de acesso aos conhecimentos escolares por parte das populações pouco escolarizadas.

III – RESUMO DO CONTEÚDO DA OBRA Primeiramente a autora apresenta um breve histórico da EJA no Brasil que se desenvolve a partir da alfabetização de adultos com uma visão compensatória. Esse quadro começa a mudar por iniciativa de Paulo Freire e Moacir de Góes, que entendem a alfabetização de adultos levando em consideração as suas especificidades e a importância da conscientização política do adulto educando. Essa experiência será institucionalizada pelo Governo João Goulart através do Programa Nacional de Alfabetização, sendo interrompida pelo golpe militar de 1964. A autora ressalta que durante a ditadura militar e mesmo após a redemocratização do país, as iniciativas governamentais não conseguiram respeitar as diferenças regionais e o perfil do aluno adulto. Outro aspecto considerado importante pela autora, diz respeito aos jovens e adultos que estão inseridos no sistema de ensino regular. Esse campo, apenas recentemente, se tornou objeto de estudos pedagógicos, considerando-se a inadequação das propostas curriculares ao perfil e necessidades de alunos jovens e adultos escolarizados. Ao longo da história da EJA no Brasil a preocupação se limitava àqueles que se encontravam excluídos do sistema educacional.

é necessário. R. infantilização. Para a autora: 1.. S. de S. A rede de saberes é subjetiva e se estabelece a partir de todos os espaços que vivenciamos. a autora propõe a superação do paradigma dominante que considera a aprendizagem como um processo linear. do trabalho intelectual ao manual. N. a autora apresenta a reflexão teórica sobre a tecitura do conhecimento e as propostas curriculares predominantes na educação brasileira. inadequação dos conteúdos e no desrespeito à experiência de vida. estabelecendo conexões diferentes e novas para cada pessoa. estudando e propondo alternativas construídas no cotidiano escolar pelos sujeitos do processo ensino-aprendizagem. E.. MANHÃES. sucessivo. capaz de associar diferentes campos de .2 A partir dessa introdução histórica. se conectando às experiências sociais. L. De acordo com a autora essa concepção equivocada. a escolha não se apóia em bases cientificas. seqüencial e do mais simples para o mais complexo. GARCIA. sem previsão e caminhos pré-definidos. para tanto. Com base nessa concepção teórica acerca do conhecimento. A autora sinaliza que as construções curriculares também são produtos históricos. O princípio da transversalidade no currículo apresenta-se como a possibilidade mais adequada à concepção do conhecimento construído em rede. que refletem a submissão do saber prático ao teórico. é mais prejudicial quando se trata da educação de jovens e adultos. C. 3. A seleção e organização dos saberes escolares refletem o momento histórico e as relações entre estes saberes e à sociedade em que a escola está inserida. a autora defende que o conhecimento se constrói em redes tecidas pelas experiências vividas e inseridas no mundo a nossa volta. pois solidifica práticas curriculares que apresentam problemas como. e SANTOS. é individual. que sejam recriados espaços de debates que repensem aspectos como. Apoiando-se em autores que estudam e escrevem sobre o processo de ensino-aprendizagem. critérios de agrupamento de alunos. não é linear. Segundo a autora. de determinadas ciências sobre outras. incontroláveis pelos processos formais de aprendizagem. como GALLO. portanto. principalmente na abordagem e linguagem usada com os alunos. Segundo a autora. B. MACEDO.. dos métodos de ensino e dos procedimentos de avaliação. ALVES. L. esta concepção acredita que o conhecimento é construído de forma fragmentada a partir da ação externa. Representado pela “árvore do conhecimento”. de organização dos conteúdos. a construção do conhecimento e práticas curriculares. afetivas e familiares. As novas formas de organização curricular propostas pela autora precisam superar a compreensão formalista e cientificista do currículo. experiências e conhecimentos diferentes. a aprendizagem é um processo interno. as turmas sempre serão formadas por uma diversidade de sujeitos com interesses. oriundas de disputas pela hegemonia do saber. 2. O fundamento de todo trabalho pedagógico é a multiplicidade: apesar do empenho na homogeneização dos conteúdos e das avaliações..

IV – AVALIAÇÃO CRÍTICA Primeiramente cabe ressaltar a relevância do artigo para docentes e gestores da educação pública. Desta forma. desconstrói o discurso daqueles que se utilizam da ciência para defender a organização curricular e a construção do saber como capacidade de poucos estudiosos. mas sim levar a reflexão e afirma que não precisamos aguardar as soluções institucionais. pois estariam aí as maiores possibilidades de mudanças. Conclui o artigo ressaltando que seu objetivo não é apresentar soluções mágicas. principalmente. pois coerentemente com o artigo. o texto nos leva a refletir sobre a responsabilidade dos profissionais que se dedicam a estudar o PROEJA. Para finalizar. procurando contribuir com a necessidade de repensar a prática docente a partir de um novo paradigma nas organizações curriculares. estudantes. legitimidade de um conjunto de redes de saberes. ela vai aos poucos demonstrando que a construção curricular que respeita os estudos científicos e históricos mais atuais precisa incorporar o diálogo e a dinâmica das relações de saberes existentes no cotidiano escolar. poderes e fazeres presentes no cotidiano.. Usando de conhecimentos da Neurociência para explicar a construção mental do conhecimento humano. da Educação de Jovens e Adultos. . mas normalmente expulsos do ambiente escolar.3 saberes escolares e não escolares: “. autoridades públicas. O mérito do artigo consiste que autora com forte argumento e embasamento. antes devemos e podemos nos apoiar nas práticas e pequenas ações do cotidiano escolar. particularmente para a EJA. e da História para estabelecer as relações de poder entre os saberes científicos e escolares.. o artigo serve de referência para especialistas. a autora finaliza apontando para a responsabilidade de todos com as pequenas práticas existentes no ambiente escolar. que podem e devem ser recuperados no desenvolvimento de propostas curriculares. docentes e inclusive.

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