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Resenha - A ética protestante e o espírito do capitalismo

Resenha - A ética protestante e o espírito do capitalismo

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Published by: Tatiana Santos on Oct 19, 2011
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Resenha do livro: “A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo” O livro começa com uma comparação entre aspectos culturais do oriente

e ocidente. Uma série de questões há muito dominadas no oriente apresentam-se como novas no ocidente. Abordando os diversos conceitos, o autor cita pertencer ao jardim da infância da História da Cultura o conceito de que o capitalismo está associado ao “impulso para o ganho”, à “ânsia pelo lucro”. O desejo de um ganho ilimitado não se identifica, nem um pouco, com o dito “espírito do capitalismo”. O Ocidente conheceu, na era moderna, um tipo completamente diverso e nunca antes encontrado de capitalismo: a organização capitalística racional assentada no trabalho livre. Ao focar, o racionalismo econômico como fator diferencial do capitalismo ocidental (sustentado pela técnica, pela matemática, pela ciência, pelo direito e pela administração), o autor aborda também outro aspecto, que passa a ser o objeto de estudo da obra, que diz respeito às influências religiosas e ideais éticos que se fizerem presentes e interferiram na construção do tal capitalismo ocidental sustentado então por um racionalismo econômico e por fatores que podem ser citados como elementos irracionais. Influências estas advindas tanto da Igreja Católica, como de correntes protestantes, mesmo que de naturezas diferentes. O entendimento da questão tratada no livro passa por um rápido resgate do momento histórico envolvido. Assim, pelo menos dois aspectos merecem destaque: O primeiro diz respeito ao período da renascença e a decorrente decadência da idade média, sendo revistas as relações sociais regidas pelos costumes, mitos e pelos ditames religiosos, onde as pessoas pertenciam a determinadas classes e estas, por sua vez, contavam com direitos e deveres pré-estabelecidos e legitimados pela ética religiosa. O segundo diz respeito ao surgimento do protestantismo como um questionamento aos valores e práticas da época, principalmente as práticas da Igreja católica, como a venda de indulgência, seus sacramentos, a adoração aos santos etc.

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se faz presente um conjunto de aspectos relevantes da ética da Igreja Católica: “O maior alheamento do mundo do catolicismo. levaram seus seguidores a uma maior indiferença frente aos bens desse mundo. No Calvinismo a doutrina da predestinação era considerada o seu dogma mais característico. quer como empresário ou comerciante. e nada havia que pudesse mudar este futuro. um elemento agregador de outras virtudes. Essa constatação corresponde. aproveitando as oportunidade e condições que a vida (Deus) lhe oferecerá. por exemplo. Bastava saber se: “Sou um dos eleitos?”. as realizações do homem são apenas casuais e irregulares.A questão fundamental trata da influência da religiosidade na construção social de uma prática capitalista. Este sucesso nos empreendimentos vem da construção de uma ética religiosa que centrava no trabalho. da vocação. uma ação e obrigação do indivíduo. quer como trabalhador especializado. aliás. Do ponto de vista protestante. essa concepção é usada para a crítica daqueles ideais ascéticos do modo de 2 . aos esquemas populares de julgamento de ambas as religiões. com. e nos seus decorrentes ganhos. por Deus. A primeira abordagem traz à tona a relevância da participação protestante nos casos de sucesso da economia. Talvez a grande diferença do protestantismo. de nada adiantava a ação da Igreja. frente aos olhos de Deus. Considerando que as pessoas já nasciam com um futuro prédeterminado. Assim. Nesta discussão da ética religiosa. e ele gasta mais tempo na vadiagem do que no trabalho”. decorrente da Reforma. como uma forma lícita de vida. Uma proposição é feita por Baxter: “Fora de uma vocação bem sucedida. os traços ascéticos dos seus mais altos ideais. esteve no reconhecimento do trabalho. os sacramentos da Igreja Católica. e nada poderia mudar este destino. Entendida esta como uma tarefa ordenada. dando um significado religioso ao trabalho secular cotidiano. ou pelo menos sugerida. e de progresso. s e valendo de sua vocação. do conceito de vocação e das influências destes aspectos na formação do conceito do “espírito capitalista”. ou seja. o efeito da Reforma foi aumentar a ênfase moral e o prêmio religioso para o trabalho secular e profissional. Assim o homem deve se dedicar à sua verdadeira vocação (no sentido de opção de trabalho) e esta passa a ser uma parte fundamental da sua vida. em contraste com a concepção católica. ao mesmo tempo em que passa a ser também um elemento que deve afastar o homem do ócio e da vadiagem.

Conforme citado pelo autor (pg. ou em que medida. embora presentes na sociedade moderna e com origem em elementos irracionais. Entretanto o autor descarta estas origens como as verdadeiras do espírito do capitalismo por ele proposto. Esta visão é também desprovida de qualquer vínculo religioso. apresentando uma conduta fundamentada no egoísmo ético. 61) a obra apresentada desejava verificar até que ponto. seria produto da Reforma. ou que. características do autor. Isto no sentido que não se pode aceitar uma tese doutrinária segundo a qual o “espírito do capitalismo” somente teria surgido como conseqüência de determinadas influências da Reforma. Assim. o capitalismo. participam as influências religiosas da moldagem qualitativa e da expressão quantitativa do “espírito do capitalismo” pelo mundo. meios e origens do tal “espírito do capitalismo”. A racionalidade econômica do dito capitalismo moderno. também são analisadas no entendimento do espírito do capitalismo. ao passo que os católicos a isso respondem como uma crítica ao “materialismo” resultando da secularização de todos os ideais pelo protestantismo” Visões absolutamente desassociadas de uma ética religiosa. entendida a perspectiva sociológica compreensiva. contraposta pela análise unificada de suas conseqüências e significados práticos.viver católico. concluímos que sua obra retrata a influência de. O Ascetismo e a resignação do Catolicismo. no mínimo. três vertentes significativas da construção do dito “espírito capitalista”. 3 . sendo elas: A “vocação”. bem como contrária aos sentimentos éticos de épocas inteiras. no sentido trazido pela Reforma protestante. Esta conclusão pode ser reafirmada pelas análises diferenciadas dos entendimentos. como sistema econômico. em especial do capitalismo moderno. ou de uma vocação no sentido já exposto.

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