Constituição Federal do Brasil 1988 (comentada

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Artigos 205 a 214 – Relativo à educação

CAPÍTULO III DA EDUCAÇÃO, DA CULTURA E DO DESPORTO Seção I DA EDUCAÇÃO Art. 205. A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho. "Cuidando-se de tema ligado à educação, amparada constitucionalmente como dever do Estado e obrigação de todos, está o Ministério Público investido da capacidade postulatória, patente a legitimidade ad causam, quando o bem que se busca resguardar se insere na órbita dos interesses coletivos, em segmento de extrema delicadeza e de conteúdo social tal que, acima de tudo, recomenda-se o abrigo estatal." (RE 163.231, Rel. Min. Maurício Corrêa, DJ 29/06/01) Art. 206. O ensino será ministrado com base nos seguintes princípios: I - igualdade de condições para o acesso e permanência na escola; "Universidade — Transferência obrigatória de aluno — Lei 9.536/97. A constitucionalidade do artigo 1º da Lei nº 9.536/97, viabilizador da transferência de alunos, pressupõe a observância da natureza jurídica do estabelecimento educacional de origem, a congeneridade das instituições envolvidas — de privada para privada, de pública para pública —, mostrando-se inconstitucional interpretação que resulte na mesclagem — de privada para pública." (ADI 3.324, Rel. Min. Marco Aurélio, DJ 05/08/05) II - liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber; III - pluralismo de idéias e de concepções pedagógicas, e coexistência de instituições públicas e privadas de ensino; IV - gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais; V - valorização dos profissionais do ensino, garantidos, na forma da lei, planos de carreira para o magistério público, com piso salarial profissional e ingresso exclusivamente por concurso público de provas e títulos; "A circunstância de o citado artigo 206, V, da atual Carta Magna ter estabelecido o princípio da valorização dos profissionais do ensino e garantido, na forma da lei, plano de carreira para o magistério público, não implica que não mais possa a lei dispor que, no ensino superior, haverá, além da carreira que vai de professor auxiliar até professor adjunto, com ingresso mediante concurso público de provas e títulos, o cargo isolado de professor titular também acessível por concurso público de provas e títulos." (RE 141.081, Rel. Min. Moreira Alves, DJ 05/09/97). No mesmo sentido: RE 206.629; AI 212.774-AgR.

XII e XIII. 224). a seus servidores. Rel. há de submeter-se ao regime único dos servidores públicos." (ADI 1. a aplicação. DJ 26/09/03) "Além das modalidades explícitas. na parte em que determina a realização de eleições para os cargos de direção dos estabelecimentos de ensino público. 194. 3º e parágrafos. que há de coadunar-se com o princípio da livre escolha dos cargos em comissão do Executivo pelo Chefe desse Poder (artigos 37. 207. à autonomia universitária . art. Carlos Velloso. Rel. Maurício Corrêa. do art. DJ 02/05/03) "As autonomias universitárias inscritas no art. DJ 18/05/01) § 1º É facultado às universidades admitir professores. único mas especial. 206. de democracia direta. Min. artigo 207).CF. não lhes poderá negar as garantias gerais outorgadas a todo o funcionalismo pela Lei Magna. Min. 207." (ADI 1. DJ 05/03/04) "Lei nº 7. 5º. 39): é a Constituição mesma." (ADI 2. No mesmo sentido: ADI 606 VII .garantia de padrão de qualidade. Art. "Lei nº 7. 209. técnicos e cientistas estrangeiros. I e II. 14). DJ 06/06/03) "O fato de gozarem as universidades da autonomia que lhes é constitucionalmente garantida não retira das autarquias dedicadas a esse mister a qualidade de integrantes da administração indireta. art.412. Carlos Velloso. VII. de forma que as universidades devem ser submetidas a diversas outras normas gerais previstas na Constituição. 37 § 3º. II e XXV. 165. 199 da Constituição do Amazonas.131/95.620-MC. e obedecerão ao princípio de indissociabilidade entre ensino. Argüição de inconstitucionalidade de tais dispositivos: alegação de que tais normas são ofensivas ao princípio da razoabilidade. As universidades gozam de autonomia didático-científica. mesmo porque não cuida de soberania ou independência. Octavio Gallotti. . 39). art.599-MC. I). que isenta do pagamento de taxa de inscrição os candidatos ao exame vestibular da Universidade Estadual do Rio Grande do Norte: constitucionalidade." (ADI 490. que isenta do pagamento de taxa de inscrição os candidatos ao exame vestibular da Universidade Estadual do Rio Grande do Norte: constitucionalidade. parágrafo único. Irrelevância da argüição de inconstitucionalidade. IV. XXXVIII e LXXIII. Min. DJ 26/09/03) "Avaliação periódica das instituições e dos cursos de nível superior. Min. ambos da Constituição da República). § 2º. art."No que diz com os integrantes do magistério público." (MS 22. art. Maurício Corrêa. Rel. Sepúlveda Pertence. 5º." (ADI 1. art. nem afasta. 207 .643. 29. mediante exames nacionais: Lei 9. DJ 01/03/02) "O princípio da autonomia das universidades (CF. Rel. assim ofensivas ao substantive due process inscrito no art. 187. Ilmar Galvão. Min. Sepúlveda Pertence. da CF. mas espasmódicas. o referendo e a iniciativa popular (art. 74. ofensa à autonomia universitária (CF. Carlos Velloso. CF. a despesa com pessoal (art.511-MC. II. art. art. Carlos Velloso. Min. ao contrário. a submissão dos seus servidores ao regime jurídico único (art. in fine e 84." (ADI 2. VI. o qual. Min. Rel." (RE 331. perante a Carta Federal.983/2001. em conseqüência. do regime jurídico comum a todo o funcionalismo. Rel. 206. art. como as que regem o orçamento (art. que lhes assegura outro regime.e que teria sido ela regulamentada pelo Ministro de Estado. II.643. entretanto. Rel. art. Rel. 207) não é irrestrito. CF. § 5º. Não se confunde a qualificação de democrática da gestão do ensino público com modalidade de investidura. Min. O pessoal burocrático das Universidades. administrativa e de gestão financeira e patrimonial. DJ 31/10/02) "Inconstitucionalidade. Rel. Plausibilidade da tese sustentada. a Constituição da República aventa oportunidades tópicas de participação popular na administração pública (v. na forma da lei. Min. "A implantação de campus universitário sem que a iniciativa legislativa tenha partido do próprio estabelecimento de ensino envolvido caracteriza. 84. que somente não alcança os que dele foram retirados pela própria Constituição. art. DJ 15/08/97) VI .367-MC. art. art. 169). 204. Min. não é o art." (ADI 2. DJ 20/06/97). devem ser interpretadas em consonância com o disposto no art. na forma da lei. assim com ofensa ao art." (ADI 244. Rel.g.285.gestão democrática do ensino público. CF. V. pesquisa e extensão. 54 da Lei Darcy Ribeiro que os subtrai do âmbito do Regime Jurídico Único do servidor público (CF. o plebiscito.983/2001. art. bem como às que tratam do controle e da fiscalização. em princípio. LIV. inclusive as regras remuneratórias.

O ensino fundamental regular será ministrado em língua portuguesa. a transferência do local do serviço não pode se mostrar verdadeiro mecanismo para lograr-se a transposição da seara particular para a pública. voto do Min.O não-oferecimento do ensino obrigatório pelo Poder Público. IV .. Todavia. O dever do Estado com a educação será efetivado mediante a garantia de: I . no ensino fundamental. segundo a capacidade de cada um. .autorização e avaliação de qualidade pelo Poder Público. Art. O ensino é livre à iniciativa privada. de maneira a assegurar formação básica comum e respeito aos valores culturais e artísticos.atendimento em creche e pré-escola às crianças de zero a seis anos de idade. preferencialmente na rede regular de ensino. a impessoalidade. II . junto aos pais ou responsáveis.cumprimento das normas gerais da educação nacional. do acesso a instituição de ensino na localidade para onde é removido. constituirá disciplina dos horários normais das escolas públicas de ensino fundamental. § 1º . ou sua oferta irregular. ao militar e ao dependente estudante. Art. de forma a garantir equalização de oportunidades educacionais e padrão mínimo de qualidade do ensino mediante assistência técnica e financeira aos Estados." (ADI 3. 208. 210. V .O ensino religioso. pela freqüência à escola.324.progressiva universalização do ensino médio gratuito. os Estados. ao Distrito Federal e aos Municípios. 209. bem como a viabilidade de chegar-se a níveis mais elevados do ensino. no que o inciso V do artigo 208 vincula o fenômeno à capacidade de cada qual. Marco Aurélio. atendidas as seguintes condições: I . nacionais e regionais. § 1º . VII . sua oferta gratuita para todos os que a ele não tiveram acesso na idade própria. sob pena de se colocar em plano secundário a isonomia — artigo 5º. assegurada às comunidades indígenas também a utilização de suas línguas maternas e processos próprios de aprendizagem.O acesso ao ensino obrigatório e gratuito é direito público subjetivo. Art. Serão fixados conteúdos mínimos para o ensino fundamental. transporte. "(. a moralidade na Administração Pública. § 2º .acesso aos níveis mais elevados do ensino. A União. através de programas suplementares de material didático-escolar. prevista no inciso I do artigo 206. importa responsabilidade da autoridade competente.. a igualdade de condições para o acesso e permanência na escola superior. III . da pesquisa e da criação artística. inclusive. § 2º .atendimento educacional especializado aos portadores de deficiência. DJ 05/08/05) VI .oferta de ensino noturno regular.Compete ao Poder Público recensear os educandos no ensino fundamental. em matéria educacional.) é consentânea com a Carta da República previsão normativa asseguradora. de matrícula facultativa. alimentação e assistência à saúde. assegurada. o Distrito Federal e os Municípios organizarão em regime de colaboração seus sistemas de ensino. fazer-lhes a chamada e zelar.ensino fundamental. II . obrigatório e gratuito. § 3º . adequado às condições do educando. financiará as instituições de ensino públicas federais e exercerá. Art. função redistributiva e supletiva. 211. cabeça e inciso I —. § 1º A União organizará o sistema federal de ensino e o dos Territórios.§ 2º O disposto neste artigo aplica-se às instituições de pesquisa científica e tecnológica.atendimento ao educando.

Salário-educação. na manutenção e desenvolvimento do ensino. Rel. Constitucionalidade da lei amplamente demonstrada. fundo ou despesa. o inciso IV do art.Para efeito do cumprimento do disposto no "caput" deste artigo. Min.Os programas suplementares de alimentação e assistência à saúde previstos no art.” (RE 272. § 3º Os Estados e o Distrito Federal atuarão prioritariamente no ensino fundamental e médio. Não ferimento à autonomia estadual.A parcela da arrecadação de impostos transferida pela União aos Estados. Rel. § 1º . A União aplicará. 213. Constitucionalidade. Nelson Jobim. § 4º ."Emenda constitucional nº 14/96 e Lei nº 9. dando-lhe caráter tributário. O salário-educação. Rel. 158 e 159." (ADI 1. serão considerados os sistemas de ensino federal. os Estados e os Municípios definirão formas de colaboração. nunca menos de dezoito. VII.) CF quanto ao salário-educação define a finalidade: financiamento do ensino fundamental e o sujeito passivo da contribuição: as empresas. previstas no art. § 2º. receita do governo que a transferir. da receita resultante de impostos. quanto a isso. ao Distrito Federal e aos Municípios. 167 da Constituição . nos termos do plano nacional de educação.redistributiva e supletiva da garantia de equalização de oportunidades educacionais. de 14/09/2000. Causa petendi aberta. § 5º O ensino fundamental público terá como fonte adicional de financiamento a contribuição social do salário-educação. 212. bem como o disposto no § 4º deste artigo'. 165. 167 da Constituição Federal. de modo a assegurar a universalização do ensino obrigatório. 732) “Salário-Educação. o Distrito Federal e os Municípios vinte e cinco por cento. como determinado. veda 'a vinculação de receita de impostos a órgão. § 4º Na organização de seus sistemas de ensino. para efeito do cálculo previsto neste artigo. Declaração de inconstitucionalidade que não se mostra possível.424/96.424/1996. Art. Contribuições para o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério. e a prestação de garantias às operações de crédito por antecipação de receita. Essa recepção manteve toda a disciplina jurídica do novo tributo. que não abrangem os programas de assistência integral à criança e ao adolescente. Min. serão financiados com recursos provenientes de contribuições sociais e outros recursos orçamentários.A distribuição dos recursos públicos assegurará prioridade ao atendimento das necessidades do ensino obrigatório. Atribuição de nova função à União . hoje com a redação dada pela EC nº 29. anualmente. § 2º . foi considerado constitucional. recolhida pelas empresas. Nelson Jobim. Min. e no regime da Lei 9.872. não é considerada. a destinação de recursos para as ações e serviços públicos de saúde e para manutenção e desenvolvimento do ensino. A vedação é afastada. e os Estados. § 5º). apenas nas hipóteses expressamente ressalvadas. 15. estadual e municipal e os recursos aplicados na forma do art. § 8º.. DJ 15/04/05) § 2º Os Municípios atuarão prioritariamente no ensino fundamental e na educação infantil. DJ 09/05/03) “Ademais. 178). e 212. seja sob a Constituição Federal de 1988.424/96. pelos artigos 198.749. na forma da lei." (SÚM. seja sob a carta de 1969. Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério. É que. respectivamente. porque se atacaria o acessório e não o principal. § 3º . no mínimo. ressalvadas a repartição do produto da arrecadação dos impostos a que se referem os arts. A CF/88 recepcionou o referido encargo como contribuição social destinada ao financiamento do ensino fundamental (art. compreendida a proveniente de transferências. Recepção. Ilmar Galvão. Alegada ofensa ao princípio federativo. (. 212. Lei 9. ou pelos Estados aos respectivos Municípios.. DJ 10/10/03) “Ação Declaratória de Constitucionalidade do Art. o inciso IV do art. legitimamente editada de acordo com a ordem pretérita. na vigência da EC nº 01/69 (art. "É constitucional a cobrança da contribuição do salário-educação. Não resta dúvida.” (ADC 3. que permite examinar a questão por fundamento diverso daquele alegado pelo requerente. portanto. 208.

parte final do § 2º do art. do art. de duração plurianual. por igual.erradicação do analfabetismo. CF. contidas no art. . § 2º . 212. III . A lei estabelecerá o plano nacional de educação. 311 e art. confessionais ou filantrópicas. § 5º do art. Min. fazendo ressalva expressa apenas das hipóteses tratadas nos artigos 198. DJ 30/08/96) I . que há de ser entendido como de aplicação restrita às hipóteses de questionamento individual.As atividades universitárias de pesquisa e extensão poderão receber apoio financeiro do Poder Público. na forma da lei.. 214. podendo ser dirigidos a escolas comunitárias.Federal encerra norma específica. Precedentes do STF: ADIns 550-2-MT.689. filantrópica ou confessional. Entendimento contrário no que tange ao §º 2º. 213 da Constituição Federal. Ilmar Galvão. 213. 4º. Carlos Velloso.370-MC. 1º. Rel. 311. DJ 02/05/03) “Destinação de parcelas da receita tributária a fins pré-estabelecidos. Min. partido de todos os alunos ou seus responsáveis. científica e tecnológica do País. § 2º (Sistema Único de Saúde) e 212 (para manutenção e desenvolvimento do ensino). (. a Constituição Federal faculta aos Estados e ao Distrito Federal vincular parcela de sua receita orçamentária a entidades públicas de fomento ao ensino e a pesquisa científica e tecnológica. no caso de encerramento de suas atividades.) É que. Art. no ponto.comprovem finalidade não-lucrativa e apliquem seus excedentes financeiros em educação. do referido diploma legal. 3º. quando houver falta de vagas e cursos regulares da rede pública na localidade da residência do educando. V . ou de natureza coletiva. 9º. II .melhoria da qualidade do ensino. Rel.” (ADI 1. § 1º . visando à articulação e ao desenvolvimento do ensino em seus diversos níveis e à integração das ações do Poder Público que conduzam à: I . § 1º do art. enquanto estiverem respondendo'. 311.” (ADI 780-MC. § 5º.assegurem a destinação de seu patrimônio a outra escola comunitária. art. relativamente aos arts.formação para o trabalho. ficando o Poder Público obrigado a investir prioritariamente na expansão de sua rede na localidade.Os recursos de que trata este artigo poderão ser destinados a bolsas de estudo para o ensino fundamental e médio. 306. 336-SE e 422. Sydney Sanches. ou ao Poder Público. definidas em lei. DJ 16/04/93) Art. II . e quanto à expressão 'não poderá repassar recursos públicos ou firmar convênio ou contrato com as instituições referidas no art. 329.promoção humanística. 6º e 10. Rel. Constituição do Estado do Rio de Janeiro. IV .” (ADI 1. de efeito extensivo a todos os estudantes do estabelecimento. Min. § 2º. para os que demonstrarem insuficiência de recursos.. que: “Descabimento da alegação. Os recursos públicos serão destinados às escolas públicas. art.universalização do atendimento escolar.